Oi pessoal, demorei muito? Não respondam. u.u kkkkkkkkk
Bom, serei breve. A personagem Heiren que vcs conheceram logo a seguir pertence a Jessica Yoko, uma de minhas fiéis leitoras e grande amiga, se gostarem dela e a quiserem... Peçam para ela e lhe deem os devidos créditos, ok?
ATENÇÃO: Teremos mais uma cena Lemon e garanto que tentei ser o mais sugestiva e sensual que explicita, por isso espero que gostem e não se chateiem comigo, está bem?A cena é a penúltima do capitulo e se alguém se incomodar, antes de pular, comece a ler com autela que poderam identificar facilmente as cenas, mais hots, por assim dizer. Já que não é apenas uma cena de sexo, tendo também alguns momentos de conversa referente a história. Ok?
Bom, é isso... Amo vcs e até o fim do capitulo.
20. Armações
Após seu momento de paixão com aquela jovem que se entregou sem medo, Trowa a observava dormir tranquila com a cabeça sobre seu peito, ambos deitados no chão da biblioteca, com suas roupas como forro e coberta. O cavaleiro lançou um olhar pela janela e viu que não demoraria muito para que amanhecesse, então com cuidado a tirou de cima colocando-a sobre o sofá, para então se vestir. Depois de pronto, Trowa cobriu Teyuki com a camisola que ela portava quando se encontraram e a carregou nos braços até o quarto da jovem, depositando-a com delicadeza sobre a cama.
_ Aonde vai?
Ele então viu os olhos da moça se abrirem com uma mescla de tristeza e alegria, desesperada por uma resposta.
_ Por mais que eu queira acordar amanhã te envolvendo em meus braços… Isso ainda não é permitido.
_ Verei você em breve?
_ Mais cedo do que imagina.
Ela sorriu e ele a beijou com ternura, depois a cobriu com o lençol e saiu do quarto e com passos rápidos, abandonou a propriedade antes de ser descoberto por alguém.
Trowa cavalgava calmamente rumo ao castelo, apreciando o ar fresco da madrugada, sentindo o cheiro suave do orvalho, enquanto pensava no que havia se passado com a jovem, e o quanto seus sentimentos com respeito a ela se modificaram, mas algo ruim o tirou agressivamente de seu momento de paz. Um cheiro forte de queima, acompanhado de em clarão e gritos desesperados misturados com prantos vinham do norte, e aquele quadro assustadoramente infernal pode ser visto de cima daquele monte, onde o cavaleiro se encontrava.
Sem pensar duas vezes, Trowa deu a ordem e atiçando seu cavalo, correram a toda velocidade na direção daquele local, quanto mais se aproximava, mais seus olhos se abriam de assombro. O cenário se tornava cada momento mais monstruoso e quando ele atingiu uma distância segura e que lhe brindava uma visão perfeita, puxou as rédeas, obrigando Heavyarms empinar e relinchar ao brecar bruscamente.
O cavaleiro então observou a cena analiticamente. Viu as casas daquele povo humilde arderem em fogo alto e incontrolável, homens sendo espancados e torturados até a morte, mulheres sendo estupradas na frente de suas famílias, crianças arrastadas e jogadas de qualquer jeito dentro de prisões móveis, feitas em carroças. Devia ter por volta de uns quarenta bandidos ou mais, que riam e se divertiam causando o terror. Seus olhares eram sádicos, não havia compaixão, respeito ou consideração por ninguém. A única vontade deles era causar o pânico e a destruição daquelas pessoas.
No meio daquela confusão toda, Trowa avistou um garoto que devia ter por volta de 10 anos, e notou a coragem do rapaz, que tentava se munir com pedaços de pau, pedras e tudo o que servisse de arma. Ele tentava ferozmente salvar aquela que deveria ser sua mãe, que era sujeitada por três homens. O grupo se encontrava um pouco mais a afastado da grande concentração e o cavaleiro tomou sua decisão.
O garoto jogou pedras nos homens e os atacou com o pedaço de pau. Os três se irritaram com a ousadia do rapaz e resolveram que ele deveria morrer. Um dos homens segurou a mãe do menino, obrigando-a olhar o que iria se passar, o outro segurou os dois braços do garoto, enquanto o terceiro se aproximava para mata-lo. Mesmo sabendo que ia morrer, o olhar agressivo e decidido do menino não mudou. Encarava seu agressor com fúria e não se intimidou.
_ Diga suas últimas palavras garoto...
_ Vá para o inferno!
O bandido sorriu com a coragem do garoto e ergueu sua espada, mas antes de perfurar a carne do jovem, uma voz foi ouvida.
_ Seu desejo foi atendido.
Trowa saiu do meio da fumaça, correndo a pé, como um fantasma, na direção daquele que daria o golpe de misericórdia, e com uma velocidade incomum, fez seu ataque, e sem nenhuma dificuldade, sua espada fincou o pescoço do bandido abrindo um corte profundo, matando-o instantaneamente, deixando a cabeça presa apenas por uma fina camada de músculo. O corpo caiu inerte no chão e todos se surpreenderam com a cena. Depois, sem dar espaço de tempo, o cavaleiro livrou-se dos dois últimos bandidos que ali estavam, sem dificuldade, matando-os sem piedade.
Quando terminou, observou para ver se nenhum estava vivo e olhou para mãe e filho que se abraçavam fortemente, felizes por estarem a salvo. O garoto então olhou para Trowa com um brilho de gratidão no olhar.
_ Preciso de sua ajuda, garoto...
_ O que o senhor precisar, milorde.
O garoto prontamente se pôs em pé e esperou pela ordem. Trowa se surpreendeu com a atitude do rapaz, que parecia um soldado. O cavaleiro explicou o que deveria ser feito e assobiou. Em poucos segundos seu cavalo apareceu e Trowa colocou mãe e filho sobre o amigo e após acaricia-lo sussurrou para Heavyarms levar os dois em segurança para o castelo. Por fim, deu um tapa de leve na traseira do cavalo e ele seguiu seu rumo. Trowa voltou a olhar o caos, tentando traçar seu plano para ajudar o máximo de pessoas antes dos reforços chegarem.
-/-/-
O garoto e sua mãe chegaram ao castelo sobre o cavalo de Trowa e logo foram recebidos por um guarda, que reconhecendo o animal, segurou as rédeas para eles descerem, enquanto o garoto narrava tudo o que estava acontecendo, e explicava que o cavaleiro, dono do animal, pediu que chamassem com urgência ao rei Heero.
_ O que está acontecendo aqui?
Uma voz autoritária foi ouvida, chamando atenção do soldado que estava atento às explicações, do garoto que narrava sua história o mais claro possível para que não houvesse dúvidas, e da senhora, mãe do garoto, que aflita de medo e ainda sentindo as mãos daqueles desgraçados sobre ela, se sobressaltou puxando seu filho para o abraço.
O soldado se posicionou corretamente para receber seu superior e o garoto olhou curioso para o homem moreno que havia chego, portando uma patente de tenente.
_ Senhor, gostaria de explicar...
O soldado pediu permissão e Otto assentiu, sem tirar os olhos do garoto e sua mãe.
_ Este jovem e sua mãe foram atacados por bandidos, bem como seu pequeno vilarejo. O cavaleiro Trowa Barton passava pelo local e os salvou e os enviou sobre seu cavalo, para que buscassem ao rei Heero... E...
_ Que história fascinante... - Otto cortou a explicação no meio e sorriu maldosamente. - Como você é crédulo, soldado... Como pode dar ouvidos para um ladrão de cavalos...
O garoto se ofendeu. Desvencilhou-se dos braços da mãe e sem se importar com o perigo de ser preso, ergueu a cabeça para enfrentar sei acusador.
_ Deus sabe que nunca roubei nem sequer um pedaço de pão em um dia de fome, meu senhor. E cada palavra que contei é a mais pura verdade... Se não agirem logo, um nobre bom irá morrer, pois está sozinho contra muitos.
O olhar agressivo do rapaz surpreendeu o tenente, que se irritou.
_ Como ousa me enfrentar seu bastardo?
Otto levantou a mão para bater no garoto, mas quando fez força para descê-la em direção à face dele, alguém a segurou e o tenente virou para ver quem ousou impedi-lo, e seus olhos de fúria mudaram instantaneamente para temor fazendo-o baixar a cabeça, rendido, e soltar o peso de seu braço que quando foi liberado do agarre, caiu ao longo de seu corpo, como morto. Depois, juntando sua pouca coragem cumprimentou com cuidado a ela, Lucrezia Noin.
A mulher que fazia parte do time de elite do rei, levantou cedo naquele dia para fazer sua ronda e portava sua roupa de luta, que era composta por uma calça justa de couro marrom, com uma blusa de tecido com manga longa, um corselete marrom de couro sobre a blusa, que pegava a extensão debaixo do seio até sobre o umbigo, uma capa sobre seus ombros para protege-la do frio, na cintura, seu cinto com sua espada e adaga. As mãos com luvas completavam o conjunto e o cheiro do perfume dela, sempre causava distração para os soldados que a cobiçavam.
Noin estava com a face seria, sua expressão era fria e mantinha seu olhar no garoto quando chegou, mas logo mudou seu foco para o tenente, que mudou seu comportamento bruscamente com sua chegada. Ela se virou totalmente para Otto, encarando-o sem piscar. Sua voz doce e delicada, contrastando com seu visual, foi ouvida, mas ela não falava com o homem que olhava e sim com o garoto que assistia a cena, admirado com a beleza daquela mulher.
_ Isso que contou é verdade?
_ Sim senhora... Juro por minha mãe ao meu lado, que não minto.
Finalmente Noin desviou seu olhar, passando pelo garoto, quem ela passou a mão na cabeça e sorriu com carinho, e logo desfez o sorriso ao olhar para dois soldados e dar as ordens.
_ Você: acorde o rei Heero, Quatre, Duo, Wufei e Zechs. - Deu a ordem àquele que recebeu o garoto pela primeira vez. - E você: acorde as servas e peça para Kelly chamar a princesa...
_ Sim, senhora!
Os homens falaram em uníssono e saíram correndo para cumprirem a ordem. Logo ela virou para um cocheiro e deu ordem para que ele cuidasse do cavalo, tirasse a cela e o alimentasse, também preparasse os cavalos, daqueles que ela situou antes, porque iriam precisar. Olhou para um terceiro soldado e o encarregou que desse roupas novas e comida para o garoto e sua mãe, este pediu que os dois o acompanhasse e saíram. Por fim, ficaram apenas Noin e Otto.
_ Milady, eu gostaria de explicar…
_ Não… - Ela o parou com um movimento de mão. - Tenente… Eu não sou ninguém para julgar suas atitudes e decisões… Por mais errôneas que sejam. Meu dever é tomar uma atitude em defender esse reino e ajudar um amigo, que esta correndo sérios riscos de morrer… Suas explicações, peço que as guarde para Heero e o rei Dante. A mim, nada que tenha a dize interessa. Com licença.
O Tenente viu aquela mulher sair de cabeça erguida e com altivez, de sua presença. Sabia que nada a calaria, então teria que começar a pensar em uma boa justificativa para dar aos reis, ou poderia ser jogado na prisão, até mesmo morto.
-/-/-
Trowa corria pela lateral do caos, se escondendo sob a fumaça densa que se formava por conta do fogo alto. Havia rasgado um pedaço de pano de sua capa e amarrou no rosto para poder filtrar o ar que respirava. Ela difícil enxergar em meio aquela neblina que se formava, mas também lhe dava vantagem na hora de usar o fator surpresa para matar aqueles homens. Mas, por mais que matasse não diminuía aquela confusão, a maioria dos homens se concentrou no meio caminho e se ele entrasse sozinho, conseguiria derrubar alguns, mas não todos e seria morto, pois o atacariam ao mesmo tempo. Não poderia ser o herói suicida, não em um momento tão critico e muito menos agora, que encontrou alguém que tanto amava.
Continuou percorrendo as laterais e se encarregando dos poucos homens que insistiam em estuprar as mulheres afastadas dos demais. Trowa tinha sua roupa pintada de sangue, era um cenário arrepiante, sua espada gotejava vermelho, ele arfava, seus olhos percorriam a extensão do lugar, vermelhos e irritados pelo calor, nem lagrimas de dor escorriam mais, seu corpo já havia se acostumado as condições que tinha. Já havia perdido a noção de quanto tempo estava ali, sua face era séria e os gritos de desespero e dor vindos daquelas pessoas o anestesiaram. Ele ouvia, mas por mais que se compadecesse, sabia que o máximo que podia fazer, já estava fazendo.
Mas, algo novo aconteceu. Não era o grito de uma mulher madura que escutou, era o de uma menina, uma criança. Virou o rosto rapidamente percorrendo o local com astucia e velocidade, analisando rosto por rosto que estava ali, e finalmente viu. Aqueles desgraçados se cansaram das mães e resolveram se engraçar com aquela jovem que deveria ter seus oito anos, ainda criança e sem nem mesmo os atributos de uma mulher. O coração do cavaleiro ferveu e um ódio brotou em seu olhar. Aquilo já era insuportável, sua mente se esvaziou e sem pensar duas vezes, se esquecendo de que não haveria ninguém por ele ali, correu. Passou pelo meio da multidão, sem se importar de ser visto, chamou as atenções para si, seu olhar era focado em sua futura vitima.
A garotinha gritava desesperada para que não lhe fizessem aquilo e a cada tom da voz dela, Trowa apertava ainda mais o passo e aumentava sua velocidade, ele foi tão rápido, que não deu tempo de ninguém o impedir, Viu uma pedra grande no caminho e a utilizou como trampolim, bateu o pé nela e saltou, no ar, posicionou sua espada com a lamina para baixo e segurando-a com as duas mãos, foi o tempo do homem que estava sobre a menina, quem havia parado de chorar e agora olhava esperançosa para Trowa, seguir o olhar dela e ter sua garganta perfurada pela espada do cavaleiro que caiu sobre ele.
A cena foi agressiva e surpreendeu a todos os bandidos que perderam seus sorrisos de diversão e fixaram seus olhares no homem que se atreveu a interrompê-los. Trowa que caiu, colocando um dos joelhos no chão, após ver o homem atingido engasgar no próprio sangue e morrer, deu sinal para menina correr e se colocou de pé. Virou-se de frente para os bandidos, que assistiram a cena e se puseram em pé para ataca-lo, e com um movimento firme arrancou sua espada do homem que caiu como saco de batatas no chão. Ergueu a cabeça e como ali, o ar não estava tão poluído pela fumaça, puxou para baixo sua mascara improvisada e encarou os bandidos com um olhar ferino.
_ Quem é você…?
Perguntou um homem que saiu do meio dos demais, pela sua postura e a forma com a qual os outros lhe abriram passagem deveria se tratar do comandante deles.
_ A única coisa que você tem que saber é que irei te matar…
A voz do cavaleiro saiu rouca e ameaçadora. O homem sorriu com a resposta e meneou a cabeça em negação. Pensou em responder, mas desistiu. Simplesmente sorriu sadicamente e deu ordens para que seus homens avançassem. A distância entre eles era razoável e Trowa ergueu rapidamente sua cabeça para o alto e viu o sol nascer, um maravilhoso espetáculo, iluminando um cenário catastrófico. E voltou a olhar para frente erguendo sua espada para enfrentar seus inimigos, mas assim como a chegada do amanhecer, algo novo também aconteceu. Aqueles quatro homens que foram os primeiros a ataca-lo foram perfurados por flechas certeiras no coração e caíram, beijando o chão e se esfolando neles, devido ao fato de estarem correndo antes.
Trowa olhou para trás dos bandidos e esses também se viraram para ver cinco cavaleiros, montados em seus cavalos. Um levava um anel com o brasão da realeza em ouro puro, seu olhar era frio e totalmente vazio, encarando a eles no olho. A sua direita estava um com uma longa trança e seu olhar era animado, observava os bandidos com satisfação mortal, parecia com quem ia se divertir em acabar com eles. Baixou o arco que usou e o guardou. A seu lado estava um loiro de cabelo curto e olhar doce, observando as vitimas e com um pesar no olhar ao mesmo tempo em que olhava irritado para os agressores. A esquerda do rei estava um moreno de rabo de cavalo com um olhar irônico, era sádica a forma que ele baixava seu arco e encarava os bandidos. E ao lado dele, o ultimo dos cinco, um loiro de longos fios platinados, parecia inquieto em começar a luta.
_ E vocês? Quem são?
O comandante dos assassinos voltou a perguntar, ao passo que Trowa sorriu satisfeito ao ver os amigos, pensando com ele mesmo que agora sim a luta estava equilibrada, eram seis contra trinta, em média, uma conta fácil para eles saírem sem nem um arranhão.
_ Eu não falo com mortos…
A voz fria de Heero conseguiu fazer até mesmo o comandante dos inimigos gelar, ele já havia enfrentado líderes, guerreiros e todo tipo de gente, mas ninguém em toda sua vida possuiu aquele olhar, que não era ruim, não era bom, não era vivo. Era vazio e gélido. Heero não esperou mais, ele e seus homens desceram de seus cavalos, em sincronia, aquela luta, não fariam de cima dos animais, preferiam enfrentar aqueles homens cara a cara. Pegaram suas espadas em mãos, Quatre como sempre puxou suas duas espadas das bainhas que ele levava presas nas costas. Eles olharam com aspereza para os bandidos que não ousavam atacar, ao contrario ficaram com medo.
Os cinco se separaram, cobrindo a extensão para que ninguém tentasse fugir. O comandante olhou para seus homens e erroneamente pensou que por estarem em um numero muito superior, seria fácil derrotar os nobres cavaleiros que estavam ali. O sol já iluminava o campo de batalha, que era exatamente o que aquele vilarejo havia se tornado, o fogo já começava a desaparecer, deixando apenas cinzas e fumaça por onde passou. As mulheres ainda vivas se escoravam umas nas outras e arrastando-se, procuraram abrigo perto de onde suas crianças estavam para assistirem a cena e torcerem por aqueles que vieram em socorro. Cada lado se analisando friamente, antes de dar o primeiro passo.
Então o grito de guerra dos bandidos foi ouvido e o comandante mandou seus homens atacarem e quando esses o fizeram, o líder viu uma mudança que o assustou, Heero esboçou um pequeno sorriso de satisfação e nesse momento aquele homem notou que todos seriam mortos. Antes que pudesse dar ordens para que recuassem, era tarde demais. Viu seus homens caírem um a um, com golpes mortais e certeiros dos seis integrantes que os cercavam.
Cada bandido correu para uma morte certa e cruel, oferecida de bom grado por cada um dos nobres que ali estavam, sedentos por fazê-los pagarem, Quatre brincava com seus adversários, defendendo os ataques com uma espada e matando com a outra ou simplesmente cortando-os com as duas ao mesmo tempo, sem se importar com o sangue que o molhava, mas com a face sempre neutra e na mente lembrando a visão que viu ao chegar no local. Duo lutava sorrindo, animado, provocando seus adversários e zombando da incapacidade deles em derrota-lo, na mão esquerda levava uma foice que usava para rasgar gargantas e na direita sua espada que perfurava, defendia e dava os golpes de misericórdia.
Wufei preferia deixá-los morrerem de forma dolorosa, então se limitava em inutilizar os homens cortando lhes membros e locais onde sangrariam até a morte, deixando-os agonizarem, caídos ao chão sem nenhuma possibilidade de reagir, apenas apreciando a chegada da morte certa. Zechs não tinha uma atitude peculiar, assim como Heero e Trowa, limitava-se em matar e destruir cada um que se opusesse a ele, mas de uma coisa é certa, nenhum dos três deixaria nenhum homem vivo, era seu dever e obrigação dar-lhes um final merecido e assim também serviriam de exemplo para qualquer outro que pensasse que entraria naquele reino e sairia impune. O sangue dos bandidos banhava os nobres que não se importavam e saiam ilesos de cada ataque. Por fim, os mais de trinta homens estavam no chão, mortos ou agonizando. Apenas o comandante em pé, sozinho em meio ao desfecho sangrento.
_ Renda-se por bem ou por mal…
Os seis se aproximaram do último homem, cercando-o por todos os lados, com altivez, mostrando sua superioridade.
_ A quem devo me render?
Duo chegou por trás e empurrou o comandante para que ele caísse de joelhos frente à Heero. O Homem sentiu a dor das pequenas pedrinhas sob ele, entrando em sua pele, perfurando e rasgando, e olhou com um aspecto de sofrimento, perdendo todo o jeito metido de antes encarou Heero e escutou a voz de Duo.
_ Que tal começar com curvando-se perante o rei?
Heero olhou o amigo e depois voltou a encarar o homem, que começou a rir ensandecido. Heero então olhou para Duo e este, entendendo o recado, agarrou o homem pela gola da roupa e começou a puxá-lo sem nenhuma delicadeza. O comandante parou de rir e foi tentando se levantar inutilmente ao passo em que se esfolava todo. Duo chegou até seu cavalo e retirou uma corda, onde amarrou as mãos do bandido, bem presas, para não se soltarem e a outra extensão da corda amarrou no pito da cela.
_ O que faremos com todas essas pessoas?
Perguntou Quatre com pesar no semblante. Heero olhou a todas aquelas mulheres abraçadas a seus filhos e deu a ordem para que as trouxessem para o castelo, e lá lhes dariam comida e roupas novas, também cuidariam para que arrumassem um local novo para viverem. Trowa, Quatre e Zechs foram conferir se as carroças que antes serviram de prisão estavam em bom estado, acomodaram o máximo de pessoas possível nelas e voltaram para o castelo. Algumas pessoas também foram sobre os cavalos e as que não couberam, mas estavam em melhor estado, andaram o caminho de volta, junto a eles que puxavam os animais e guiavam as carroças.
-/-/-
Todos no castelo estavam despertos. Relena e Amanda haviam preparado a sala do trono para acomodar todas as vitimas que fossem trazidas para o castelo e dois dos melhores médicos do reino já se encontravam presente para atender os pacientes. Algumas servas foram designadas apenas para auxilia-los. O garoto que Trowa salvou e sua mãe já haviam sido atendidos e seus ferimentos já estavam limpos e cobertos, também já tinham comido e estavam acomodados em colchões improvisados para a ocasião.
O garoto de olhos e cabelo negro olhava os detalhes das tapeçarias que adornavam as amplas paredes de pedra do salão. Seus pensamentos estavam naquele corajoso guerreiro que defendeu ele e sua mãe, mesmo sem conhecê-los, desejando de todo coração que o mesmo saísse ileso da batalha. Olhou para o lado e viu sua mãe dormindo. Os cabelos dela já não eram tão negros, misturavam-se com alguns fios brancos, as rugas de tantas horas no sol faziam-se presentes. O coração do jovem apertou ao cogitar a ideia de que poderia ter perdido sua mãe naquela madrugada. Tentava a todo custo apagar de sua mente a visão daqueles homens abusando dela e novamente lembrou-se do cavaleiro, desejando um dia ser como ele.
Um alvoroço começou e a mãe do garoto despertou de seu sono leve, encolhendo-se de medo instintivamente e relaxando ao se lembrar de que ali estava segura. O menino se colocou em pé e viu ele, seu salvador atravessar a porta de entrada, acompanhado de mais cinco homens que ele ainda não conhecia. Seus olhos brilharam e se encheram de lágrimas, apesar de nenhuma ter escorrido. Nos lábios um sorriso sincero ficou mais amplo ao notar que o cavaleiro estava em perfeito estado e apesar de repleto de sangue, não parecia ser dele.
Heero encabeçava o grupo, seguindo em direção ao salão do castelo, Trowa e Wufei guiavam as vitimas para o local, Quatre e Zechs carregavam nos braços as mulheres mais feridas com a ajuda de alguns soldados e Duo puxava com agressividade o comandante dos bandidos amarrado por uma corda. Dante saiu de uma porta lateral que dava acesso dentro do salão, acompanhado de Amanda, Relena, Lúcius e o conde, dirigindo-se ao trono e em pé frente a ele, esperou Heero se aproximar e reverencia-lo com respeito antes de relatar o ocorrido. Relena e Amanda olhavam com tristeza para as vitimas, sentindo dor por elas. Lúcius passava seus olhos pelo local, sem demonstrar muita expressão, mas não gostava nada do que via. Dante sentiu ódio com a visão que teve e o conde conformou-se em se alegrar pelos cavaleiros voltarem bem para casa, e preocupou-se em avaliar se as pessoas seriam bem atendidas.
Os médicos começaram de imediato com seus labores, iniciando pelas mulheres de estado mais critico, a correria se iniciou. Kelly ajudava no que podia e Noin se aproximou deles para ouvir sobre a situação. O quadro que se formou no salão era triste e angustiante, algumas mulheres gemiam de dor e sangravam muito, pois além de serem violadas, muitas delas foram espancadas. As crianças mais frágeis choravam inconsolavelmente, algumas chamando por seus pais que nunca mais voltariam e outras ainda com medo, sofriam ao ver o estado crítico de suas mães. Em meio ao barulho, Heero se aproximou mais do pai e da mãe para explicar o ocorrido.
_ O vilarejo ficou inteiro destruído, sobrando apenas cinzas… Os homens em sua maioria morreram, devem ter sobrado um ou dois apenas em estado muito critico. As mulheres todas violentadas e as crianças, por terem sido deixadas presas, são as que em melhor estado estão…
Dante ouvia o relato do filho mais velho, sentindo seu sangue ferver.
_ E quem é ele?
Olhou para o homem amarrado, com sangue em torno de seus punhos, causado pelas amarras muito apertadas e ter sido puxado sem nenhuma consideração. Ele estava sereno, seus olhos meio abaixados, olhando de soslaio para as vitimas sendo atendidas e sentindo alegria com a cena.
_ É o comandante dos agressores e o único com vida.
Afirmou Heero e o pai assentiu.
_ Quero saber quem é o mandante…
_ Se vossa majestade me permitir, ficarei honrado em interrogá-lo pessoalmente…
Wufei interrompeu a conversa de pai e filho ganhando a atenção de todos com seu pedido, inclusive de Kelly, que estava perto, escutando os relatos e surpreendeu-se com o pedido do cavaleiro, já que ela não conhecia as habilidades dele. Heero meneou um sorriso de satisfação com o pedido e seu pai captando o gosto do filho, concordou.
_ Dessa vez eu quero ajudar…
Duo falou divertido e acompanhou Wufei, que segurando a corda puxou com força o assassino, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse no chão, Sem parar para esperar ele levantar, os amigos seguiram rumo aos calabouços, com o comandante sendo arrastado e tentando levantar, quase caindo algumas vezes mais.
Quatre puxou as mangas para cima e se fez útil em ajudar a socorrer as vitimas, acompanhado de Noin. Trowa percorreu o local a procura de algo que pudesse fazer e foi surpreendido com o abraço do garoto que ele salvou. O menino o envolveu fortemente, agradecido de tal maneira que fez o cavaleiro se emocionar com a cena.
_ O-obrigado senhor…
A voz abafada do jovem foi escutada e Trowa afagou a cabeça dele. Depois se separando do abraço, ajoelhou para ficar frente a frente com o menino.
_ Como se chama?
_ Sou Heron de Guiné…
Olhou firme para o cavaleiro, e mesmo sentindo que as lágrimas escorriam por seu rosto, o menino não limpou e manteve seu olhar decidido. Sua atitude destemida fez o cavaleiro sorrir.
_ Muito bem, Heron de Guiné… Você é muito corajoso. Deixou-me impressionado.
_ Obrigado milorde…
_ Seu pai… Ele…
_ Meu pai faleceu há três anos, senhor. Desde então tem sido apenas eu e minha mãe. Senhor…
_ Diga…
_ Eu sei que o cargo de cavaleiro, normalmente é ocupado por nobres… Mas, eu gostaria de me tornar um… Como o senhor.
_ Quer ser um cavaleiro? - Estranhou.
_ Sim… Quero ser um cavaleiro e servir a coroa, assim como o senhor… Seria possível?
_ Tudo é possível!
Uma voz forte chamou a atenção do garoto e Trowa se colocou em pé, reconhecendo o dono daquela voz, sem precisar olhar para conferir. Em pé, manteve sua mão no ombro do rapaz que olhou esperançoso para o moreno de olhos frios a sua frente.
_ Heron… Este é o rei Heero Yui. - Trowa apresentou o amigo e o garoto reverenciou o recém-chegado. - Heero… Este é Heron de Guiné… Foi ele quem eu enviei para avisa-los.
_ Fez um excelente trabalho garoto…
_ Obrigado majestade…
_ Você realmente quer se tornar um cavaleiro?
_ Mais que tudo, meu senhor!
Heero aliviou seu olhar ao ver a destreza do rapaz a sua frente. Lembrou-se dele e seus amigos, que desde pequenos, sabiam exatamente o que desejavam para eles e lutaram por seus sonhos com unhas e dentes. Estendeu a mão para o jovem, que surpreso, aceitou e apertou a mão do rei.
_ Vai descansar Heron de Guiné… Depois conversaremos sobre sua entrada para a formação de cavaleiros…
Os olhos do menino brilharam de alegria e ele sorriu em resposta ao rei. Trowa esboçou um pequeno sorriso com a decisão do amigo e viu o garoto correr para a mãe, querendo contar-lhe a novidade, após se despedir deles.
_ Obrigado…
O cavaleiro agradeceu ao rei que nada disse, apenas assentiu, e depois de lançar um olhar de cumplicidade para o amigo, teve sua atenção chamada para a porta de entrada.
_ Mas, o que está acontecendo aqui?
Cássius chegou com seu jeito espalhafatoso, entrou alvoroçado levando seu lenço em direção ao rosto, tampando o nariz, para filtrar o ar que respirava. Heero olhou com descaso para o tio que se aproximou dele, ainda reclamando da situação.
_ Por um acaso a corte virou hospital?
_ Sofremos um atentado… Essas pessoas precisavam de socorro.
A resposta veio de Lúcius que se aproximou dos três, acompanhado de Relena. O sobrinho mais novo, não demonstrava muita simpatia para com o tio como normalmente. Apenas limitou-se em manter a face fechada e séria. Ao lado do grupo, passou Dante seguido por Zechs e o conde. O rei nem ao menos olhou para o cunhado, ignorando-o completamente. Amanda se aproximou do irmão e o cumprimentou com um beijo.
_ Minha amada irmã… Cada dia mais radiante…
_ Quando chegou Cássius?
_ Nesse momento… O que aconteceu por aqui?
_ O reino sofreu outro terrível ataque.
_ Então, a festa de amanhã foi cancelada?
_ De forma alguma.
Heero manifestou sua opinião de forma decisiva. O rei estava acompanhado do irmão mais novo, da cunhada e do amigo. Os três assistiam a cena com atenção. Amanda resolveu não interferir na discussão que se iniciava.
_ Mas… É realmente aconselhável, sobrinho.
_ Sei bem o que devo fazer…
Heero encarou o tio, friamente e para sua surpresa, Cássius manteve o olhar fixo no do sobrinho. A tensão se iniciou no local e Amanda resolveu tirar o irmão dali, chamando-o para acompanhá-la. Lúcius observou atento as expressões de ambos e depois de ver sua mãe chamar várias vezes o tio, os dois saíram. Trowa também se despediu, quando a tensão aliviou, e foi ajudar com as vitimas. Deixando apenas os irmão e Relena.
_ Você não deveria ser tão agressivo com nosso tio…
Lúcius deu sua opinião e Heero o encarou.
_ Por quê? Acaso existe algo que eu não saiba?
_ Não… - O mais novo deu de ombros. - Só acho que… Ele sendo nosso tio, deveria ser mais respeitado.
_ Eu o respeito… Só não quero ele se metendo nos assuntos do reino.
_ Por que não?
_ Ele não está capacitado para esse tipo de assunto… E você viu o pouco caso com o qual ele se referiu as pessoas aqui…
_ Entendo seu ponto de vista… Mas…
_ Mas o que Lúcius?
O ruivo parou sua frase e pensando bem, achou melhor se calar.
_ Nada meu irmão… Esqueça o que eu disse.
Lúcius tentou sair, mas Heero o segurou pelo braço, desconfiado com a mudança de atitude.
_ Está escondendo alguma coisa, meu irmão?
_ De forma alguma… - Esboçou um sorriso astuto. - Agora se me der licença… Te deixo em companhia de minha adorada esposa…
Lúcius se soltou do agarre e depois de lançar um olhar cheio de significado para Relena saiu, deixando o irmão e a esposa confusos com os últimos acontecimentos.
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Uma moça que deveria ter uns dezoito anos, de olhos castanhos e cabelo de mesma cor, ondulados até pouco a baixo dos ombros, corria segurando a barra de seu vestido marrom de tanto trabalhar na terra, subia os degraus de acesso ao castelo, determinada a chegar a seu destino o mais rápido possível. Parou no corredor de entrada, olhando de um lado ao outro para se certificar de qual caminho seguir e o viu. O rei Dante se afastava a cada passo da visão da jovem, que teve seu olhar enegrecido pelo ódio ao vê-lo. Por uma fração de segundos se esqueceu por completo do que estava fazendo ali e teve vontade de correr atrás daquele rei e matá-lo.
O passar dos anos não mudaram seus sentimentos pela realeza do reino onde vivia desde criança, lugar onde viu seu pai sofrer e sua mãe falecer. Poucas pessoas sabiam do motivo de seu ódio e tentava a todo custo se controlar para não fazer uma besteira e colocar o pouco de família que lhe sobrou em perigo mortal. Inconscientemente deu dois passos na direção por onde seguia o rei, até que ele virou o corredor e desapareceu de sua visão. Sacudiu a cabeça espantando aquela magoa e virou o corpo, para seguir seu caminho original, antes de sua cabeça, chocando-se com alguém.
Ela quase cai sentada no chão, quando sente uma mão firme a sustentar pela cintura. Irritada com aquela situação levanta a cabeça para reclamar, mas fica muda de imediato, ao vê-lo. Ele a encarava com um olhar profundo, olhos verdes cristalinos, seu cabelo ruivo, liso, solto, jogado pelo ombro, enquanto seus lábios carnudos pronunciavam palavras que ela não entendia ou escutava. A moça decorava cada detalhe do rosto e beleza daquele homem, que por presente do destino, foi colocado ali, em sua frente, enlaçando seu corpo, fazendo ela se esquecer de tudo. A jovem ficou encantada com ele, com seu perfume, beleza e corpo. Olhando para ele, boquiaberta e só na ultima vez, quando ele falou mais alto, que a despertou de seu transe.
_ Senhorita!
A moça não fazia ideia de quantas vezes ele devia tê-la chamado, se recompôs rapidamente e ainda meio torpe pelas sensações novas experimentadas, procurou por sua voz, a fim de responder.
_ S-sim…
_ Até que enfim… Pensei que não podia me escutar.
Ela baixou a cabeça, envergonhada.
_ Posso escuta-lo milorde.
Lúcius estranhou ainda mais o comportamento dela. De inicio, pensou que o susto a havia feito ficar distraída, mas agora que ela supostamente se recuperou, a estranhou não reverencia-lo e nem o chamar de alteza. Pensou em reclamar tamanha insolência, mas ao notar o quão vermelha as bochechas dela estavam, só conseguiu sorrir.
_ Como se chama?
_ Sou… Heiren Franz…
_ Muito bem, senhorita Heiren Franz… Tenha mais cuidado por onde anda…
Ela assentiu e ele passou por ela, seguindo o mesmo caminho por onde seu pai passou. A moça o observou sair e notou que por onde aquele lindo homem passava, todos se curvavam em reverencia, ficou confusa sobre quem ele poderia ser exatamente. Ela procurou a vida inteira ignorar tudo que fosse referente à família real, por ódio, então não fazia ideia de quem eram, ou como eram. O único de quem nunca se esqueceu foi do rei. Seu rosto ela não lembra, mas a coroa na cabeça, não deixava dúvidas. Foi tirada de seus pensamentos quando ouviu uma voz chamar por seu nome. Virou rapidamente e sorriu ao vê-la.
_ Kelly? O que faz aqui?
_ Eu quem pergunto…
A camponesa abraçou a conhecida, surpreendendo à morena, mas Kelly não se desvencilhou.
_ Eu fiquei sabendo do atentado… Soube que as vitimas foram trazidas para o castelo… Estou procurando uma mãe e um garoto… São meus amigos.
_ Quais os nomes?
_ Anya e Heron de Guiné…
_ Ah, sei quem são… Vem comigo.
Kelly guiou a camponesa até os amigos e viu eles a abraçarem com carinho e alegria ao vê-la. Lembrou por um minuto de quando conheceu a moça, que ia vender verduras e legumes para a taverna onde trabalhava de inicio, e sorriu ao ver que o mesmo espírito animado continuava intacto. Deixou o trio conversando e se retirou para continuar ajudando os demais.
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Lúcius entrou na biblioteca e viu o tio dando um beijo na mão da irmã ao passo que essa se despediu e saiu pela mesma porta que o filho entrou, parando para acariciar o rosto do recém-chegado e sorrir-lhe antes de seguir seu rumo. Após Amanda deixar o cômodo, o príncipe se aproximou do tio e sua face não era alegre, seu olhar era analítico e sério.
_ Em que estava pensando, quando enfrentou meu irmão?
_ Boa tarde para você também… Meu caro sobrinho.
Cássius levou a taça de vinho até a boca e deu seu primeiro gole, ao passo que encarava com olhar zombeteiro o ruivo a sua frente. Atitude que só irritou mais ainda o rapaz.
_ Não me desafie tio…
_ Está tudo bem aqui?
Uma voz indecisa se fez presente, chamando para si toda atenção, olharam para a porta de entrada e viram o tenente Otto parado nela. Lúcius puxou o ar tentando se acalmar e lançou um olhar ferino para o homem. Cássius alargou um sorriso e deu sinal com a mão para que o tenente entrasse.
_ Beba comigo, meu caro… Afinal meu sobrinho está de mal humor…
_ O que faz aqui? Alguém te chamou?
O príncipe estava arisco e questionou o tenente com desprezo na voz.
_ Sinto muito milorde… Mas, passei pela porta e ela estava aberta. Vi que o senhor e seu tio estavam tendo uma desavença… Precisei conferir se estavam bem.
_ E acaso veio em minha defesa ou em defesa do meu tio, soldado?
Otto que até então, estava em posição de descanso olhando para um ponto fixo na parede, evitando olhar o príncipe, ao escutar a pergunta, encarou o mesmo, afim de responder.
_ Não acho que esse é um local adequado… Alteza.
_ E eu acho que você me deve mais respeito… Não se atreva a me encarar… Ainda sou o príncipe e posso decretar sua morte…
Otto se irritou com a ameaça, mas achou melhor desviar o olhar, voltando a encarar o ponto fixo na parede. Cássius, já estava em sua terceira taça de vinho e visivelmente se divertia com a cena a sua frente, não conseguindo conter uma risada um pouco mais alta.
_ Acha graça de tudo, não é mesmo, tio?
_ Para ser sincero… Acho graça de você…
Lúcius se voltou para o tio e este resolveu sustentar o olhar para desafiar o sobrinho mais novo, assim como fez com o mais velho.
_ Cuidado tio Cássius… Não vamos querer que…
O homem cortou o sobrinho, jogando a taça com toda sua força na parede e vendo-a se despedaçar em mil pedacinhos de caco, e com muita ira voltou-se para Lúcius, falando entredentes.
_ Seu menino insolente… Como se atreve a me desafiar?
Mas, para surpresa dele, o ruivo não se amedrontou e nem desviou o olhar. Otto assistia a cena, com cenho franzido, preocupado com o que via.
_ Não me subestime… Nunca mais!
Ficaram se encarando tão concentrados que não notaram a chegada de uma quarta pessoa.
_ Pelo que vejo… O clima está realmente tenso, por aqui…
Os três olharam em direção a porta e viram ela, a luz do sol bateu fazendo seu cabelo castanho claro se tornar mais loiro, seus olhos escuros com um tom esverdeado e o sorriso perverso nos lábios bem desenhados de cor carmim. Na cabeça uma coroa fina e delicada, e o vestido vermelho com um decote ousado. Ela estava parada com as mãos juntas na frente do corpo segurado seu leque fechado, observando com atenção as reações que dirigiam para si.
Cássius foi o primeiro em abrandar a face, esboçando um sorriso satisfatório ao vê-la. Otto não conseguiu deixar de prestar uma boa atenção no decote daquela bela mulher e reverencia-la logo em seguida. Lúcius também a reverenciou e foi buscá-la na porta, estendendo a mão para a princesa segurar.
_ Não sabia que viria…
_ Sentiu minha falta, príncipe?
Lúcius sorriu de canto, com um olhar malicioso em direção a ela, olhar que não passou despercebido e foi gentilmente retribuído.
_ Minha linda Emera… Quando chegou?
Cássius perguntou ao passo que ela se aproximava de onde ele estava.
_ Acabo de chegar barão… Tenente.
Ela olhou brevemente para Otto e o comprimento, e não se incomodou com o olhar de cobiça que ele tinha sobre ela. Alias com exceção de Cássius os dois mais jovens, não conseguiam evitar que suas atenções se voltassem para sua beleza.
_ Poderia saber o motivo de tal desavença entre vocês?
_ Que desavença?
Uma voz rouca, autoritária e muito fria atingiu o grupo, surpreendendo a todos. Os quatro olharam pela terceira vez em direção a porta e para desgosto de muitos e alegria de uma, viram Heero. Ele observava com muita atenção cada reação. Cássius dissimulou o mais rápido que pode, Lúcius desviou o olhar e perdeu o sorriso, Otto se pôs nervoso e sentia seu coração bater acelerado e Emera sorriu provocante para ele, tentando se fazer presente aos olhos do rei, jogando seu charme. Heero esboçou um sorriso discreto ao notar o incomodo que causou nos três homens, despertando ainda mais suas duvidas e curiosidade, por fim, olhou para a mulher.
_ Princesa… Não fui informado de sua chegada…
Ele se aproximou e segurou a mão dela, depositando um beijo nas costas da mão, sem desviar os olhos dos dela. Emera sentiu seu corpo inteiro estremecer com o toque, e mordeu de leve o lábio inferior. Heero decidiu que se tinha que jogar, começaria por ela.
_ Não tive a oportunidade de encontrá-lo… Soube que a sala do trono está ocupada…
_ Sim… Tivemos um contratempo essa manhã, mas permita-me… Ordenarei de imediato que preparem um quarto para acomoda-la como se deve…
_ Obrigada majestade. - Ela o reverenciou, sorrindo. - Tenho mesmo a intenção de assistir aos jogos de amanhã.
_ Excelente, poderá me acompanhar…
_ Será um verdadeiro prazer.
Heero sorriu sedutoramente de canto para ela, regozijando-se com a facilidade que seria lidar com ela. Emera com certeza deveria saber de algo e ele descobriria tudo. Lúcius observou por um tempo a cena e sem se despedir, deixou o local. Cássius se alegrou, tinha certeza que a princesa poderia conquistar o sobrinho mais velho e Otto, aproveitou o momento para tentar se retirar, mas a mão de Heero pousou em seu ombro, antes mesmo de olhar para ele. Com calma o rei sem perder o sorriso, desviou os olhos da princesa e olhou para o tenente, que estava estático olhando para porta.
_ Espero você em vinte minutos no meu escritório… Tenente.
O sorriso no rosto de Heero e sua forma pausada de pronunciar as palavras fizeram com que o soldado estremecesse. O rei deu um segundo beijo na mão da princesa e saiu tão rápido quanto entrou. Otto deu uma ultima olhada para o barão e a mulher e após se curvar rapidamente deixou o a biblioteca.
Emera foi desperta de seus sonhos por Cássius que ofereceu a ela uma taça de vinho e após um brinde beberam, com uma troca de olhar cúmplice.
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A porta abriu revelando a Heero confortavelmente sentado em sua poltrona, com a cabeça descansando sobre a mão esquerda, os olhos fixos no homem que acabava de entrar, enquanto a mão direita brincava com uma adaga, sobre a mesa. A sua esquerda, estavam Duo sentado na poltrona em frente à mesa, olhando de canto para o homem e Wufei em suas costas, encostado na cômoda, de braços cruzados, apenas observando. A direita do rei estava Quatre sentado ao lado do amigo de trança, com o corpo todo voltado para porta e em uma posição propicia para que ele levanta-se rapidamente, e atrás dele estava Trowa em pé, de costas para porta, olhando fixamente para o quadro do avô de Heero.
O tenente entrou no cômodo, engolindo em seco, com as mãos trêmulas fechou a porta atrás dele e ficou em prontidão, olhando para um ponto fixo na parede, sem encarar ninguém, preparado para escutar suas ordens.
_ Estou as suas ordens majestade.
A voz do tenente serviu como a faísca que faltava para explodir o gás. Trowa se virou bruscamente e em poucos passos alcançou o homem, pressionando-o contra a porta, apertando a lamina de sua espada contra o pescoço dele. Quatre se levantou rapidamente e pôs a mão no ombro do amigo, tentando segura-lo para que não desse continuidade ao ato. Duo alargou o sorriso e Heero e Wufei não moveram um músculo.
_ Trowa… Por favor, se acalme.
Pedia o loiro.
_ Por sua culpa eu quase morri… Tem ideia disso?
O moreno de olhos verdes, falava entre dentes ao homem que estava sem reação e terror no olhar. Trowa ignorava o apelo de seu amigo e continuava forçando sua espada para cima do homem.
_ Eu… Eu… sinto… muito!
O tenente falava entrecortado, sentindo a lamina gelada contanto lentamente seu pescoço, causando-lhe dificuldade até mesmo para respirar.
_ E o que você acha que eu devo fazer com seu pedido de desculpas?
As palavras eram pronunciadas pausadamente, e Quatre começou a segurar o amigo com mais força.
_ Trowa, por favor, se acalme… Solta ele.
O loiro insistiu e usando boa parte de sua força, conseguiu puxar o amigo, o fazendo sentar na poltrona e baixar sua espada. Trowa não desviou o olhar ferino do tenente em nenhum momento, vendo o homem levar a mão ao pescoço e limpar um pouco de sangue que escorreu por conta da lâmina afiada. Otto soltou todo ar que prendeu de uma vez, subindo e baixando o peito rapidamente com a respiração ofegante, olhava para o cavaleiro que o atacou com uma mescla de ódio e medo.
_ Muito bem, Otto… Essa foi a segunda vez em que você cometeu um grave erro…
A voz de Heero foi ouvida pela primeira vez.
_ Majestade… Segunda vez?
_ Por um acaso você não levou a princesa para fora do castelo acompanhado apenas por três soldados, ignorando minhas ordens de que ninguém deveria sair?
O tenente, instintivamente olhou para Quatre que mantinha sua expressão neutra e tranquila, misturada com seu desgosto para com ele, observando-o.
_ Se pensou por algum minuto que eu não iria contar, se enganou.
_ Mas, eu apenas segui as ordens da princesa… Ela disse que era urgente, e eu a atendi.
O moreno tentou se justificar, de forma afobada, para o rei.
_ Era seu dever, reportar a mim, o pedido dela. E nunca, em hipótese alguma, escoltá-la com tão poucos homens. E se a carruagem fosse atacada? Você iria me avisar quando? Depois que ela estivesse morta ou sequestrada?
_ Senhor… Eu.
_ Guarde suas desculpas para si.
Heero levantou de sua cadeira, lentamente, apoiou a adaga com a ponta para baixo e começou a gira-la, olhando para o movimento ao passo em que começou a falar.
_ Você é um homem de sorte… - Otto estava pálido, assistindo ao rei naquele ritual introspectivo, e sentindo os olhares dos quatro cavaleiros sobre ele. - Até agora, seus dois erros não tiveram nenhum resultado grave. Relena voltou para casa bem, e Trowa saiu ileso. Claro que em nenhum caso, graças a você…
_ Senhor eu…
Heero deixou cair a adaga e encarou o homem que o interrompeu com seu olhar frio. Pousou sua mão sobre sua espada cravejada de joias e a segurou com força, como quem tentava se controlar e descarregar um pouco de sua energia interna. Sua voz saiu mais calma que de costume.
_ Vou deixar as coisas bem claras para você. Cometa mais um erro… Um único erro. E eu pessoalmente, arranco sua cabeça. Está claro?
_ Si-sim, majestade.
_ Ótimo. Pode voltar a seus afazeres.
O rei fez sinal com a mão, indicando para o homem sair. Otto abriu a porta e saiu por ela, sem tirar os olhos de Trowa, saiu o mais rápido que suas pernas permitiram. Pela primeira vez o tenente entendeu realmente o motivo de aquele grupo ser tão temido. Ele sentiu um medo tão forte que nunca havia sentido antes. E naquele momento preferiu enfrentar até mesmo um exercito sozinho, do que ter de encarar aquele pequeno grupo de cinco homens.
Após a porta se fechar, todos se entre olharam. Trowa já estava mais relaxado e Duo sorriu com ar de vitória misturada com cumplicidade para os amigos, recebendo a mesma expressão de volta. Não falaram mais nada, mas o clima ali deixou claro que algo não dito, estava sendo organizado.
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Heero havia pedido para seus amigos se ocuparem de suas obrigações e agora estava sozinho no escritório, pensativo, olhando novamente para adaga em sua mão, pensando em como deveria agir, como deveria abordar o assunto com alguém de temperamento tão peculiar como o da pessoa a quem ele esperava. Foi arrancado de seus pensamentos com o som de alguém batendo na porta. Se levantou da poltrona e guardou sua adaga, ao passo em que deu ordens para entrarem. Sem surpresa a porta se abriu revelando a serva de longo cabelo negro como a noite e olhos amendoados, extremamente expressivos.
_ Mandou me chamar majestade?
Kelly fechou a porta atrás de si, ao ver Heero assentir com um gesto de cabeça e apontar para que ela sentasse na poltrona em frente a ele, ordem que ela obedeceu.
_ Senhorita Kelly, há quanto tempo já está trabalhando no castelo?
_ Não tenho um tempo exato, mas deve ser em torno de um mês ou mais…
Pensou para responder e ele apenas concordou.
_ Estive analisando e percebi que sei muito pouco ou melhor dizendo, nada sobre você.
_ Com todo o respeito, majestade… Gosto de manter minha vida em particular.
_ Sim… Entendo isso.
Heero fez uma pausa, tentando planejar seu próximo passo. Pressioná-la não ajudaria.
_ Eu tenho entendido que você está à procura de uma pessoa.
Kelly abriu um pouco a boca de surpresa com a revelação, depois, confusa, desviou o olhar, tentando pensar em como ele poderia saber daquela informação e lembrou-se de sua última conversa com Jian no corredor. Wufei não deveria ter contado ao rei o que vira e isso a deixava com raiva. Não gostava que se intrometessem, muito menos que divulgassem suas particularidades por aí. Contém-se e se acalma, desconfortável. Era com o rei que falava, afinal de contas.
_ Isso é pessoal.
Ficou na defensiva. E Heero deu a volta na mesa e sentou na poltrona ao lado da moça, que o olhava desconfiada. Encarou Kelly bem dentro dos olhos, antes de continuar.
_ Pode relaxar… Não há nenhum motivo, para que fique tão apreensiva.
_ Vossa majestade que me desculpe… Mas não costumo confiar em ninguém.
_ Isso é errado… Tenho certeza que sempre pode confiar em Wufei.
Aquele nome de novo. Dessa vez ela engoliu em seco ao lembrar o quão pendente e atencioso o cavaleiro sempre foi para com ela, mas ao mesmo tempo em que podia admitir aquilo em sua mente, não se sentia na confiança de fazê-lo em voz alta. Não conseguia confiar em ninguém, não era mais parte dela, a confiança foi arrancada dela com agressividade. A serva baixou a cabeça, tentando achar uma resposta para dar, que fosse convincente. Mas, ele não esperou e tomou a palavra novamente.
_ Sem contar a princesa… Creio que Relena sempre foi muito gentil e te ajudou muito, estou errado?
_ Não. Majestade… - Ela levantou a cabeça e o encarou nos olhos. - Aonde deseja chegar?
_ Direta… - Ele esboçou um suave sorriso. - Muito bem… Vamos direto ao ponto.
_ Agradeceria…
_ Muito bem, tenho uma proposta a fazer…
Ele não desviava o olhar do dela, mostrando assim toda a veracidade por trás de suas palavras, tentando fazer com que ela pudesse confiar nele, ao menos um pouco. Kelly se sentia ainda desconfortável com aquela conversa, mas não desviou o olhar e se manteve atenta ao porvir.
_ E qual seria?
_ Eu encontro para você essa pessoa que tanto busca, sou rei, você sabe que tenho poder para isso e ainda te nomeio dama da corte. Para que possa agregar ao grupo que estou trazendo para acompanhar a princesa.
Ela o olhava com confusão e ele soube que ganhou a atenção dela.
_ E o que desejaria em troca?
_ Informação.
A morena levantou e deu uma volta curta ao redor da poltrona como quem pensa em uma resposta.
_ Qual informação?
_ Quem é Jian?
Heero ergueu da cadeira, olhando penetrantemente para ela e a moça viu um brilho novo se formar nos olhos do rei. Algo diferente, como uma mescla de frieza e ira ao mesmo tempo, algo indefinido, mas que a fez ter certeza de que a informação para ele era demasiadamente valiosa.
Kelly não gostava da ideia de entregar Jian, por mais mal que ele lhe tivesse feito.
_ Por que deseja tanto saber isso?
_ Já não é a primeira vez que ele atravessa meu caminho, e tenho entendido que ele tem te ameaçado. Sem contar à vez que ele ousou se encontrar a sós com a princesa… Quero saber quem ele é.
_ E por que me tornar uma dama?
_ Kelly… - Heero pela primeira vez desviou os olhos e seguiu até a garrafa de vinho, servindo um pouco em duas taças, uma ele esticou para jovem. - Com todo o respeito… Você é bonita demais para viver a vida inteira como serva… Tem educação e caráter… Vejo um futuro promissor para você como dama, além de poder, se for de seu interesse, claro, almejar um casamento favorável ao lado de um nobre… Mudar de vida.
O que Heero não contou e apenas guardou para si, era seu interesse por trás de tudo aquilo, em ajudar seu amigo Wufei, quem só poderia ficar com a moça se ela se tornasse uma dama, caso contrário, não seria aceito um casamento entre um nobre e uma serva. Kelly por sua vez, só conseguia pensar em uma vantagem naquela proposta, que era de poder oferecer a Mei, uma vida melhor, com regalias, luxos e educação adequada.
_ Quem é que você procura?
As palavras dele a tirou de seus pensamentos tomando-a por surpresa, fazendo-a pensar por um instante se ele havia lido seus pensamentos. Ela pondera alguns instantes, introspectiva. No final, não vendo desvantagens na proposta oferecida, decide arriscar.
_ Ela… Se chama Mei… É minha irmã mais nova.
_ Ótimo… E onde ela está?
_ Jian a tem escondida…
Heero colocou a taça sobre a mesa, sentindo seu sangue ferver. Com lentitude em seus atos, soltou a taça e cruzou os braços, encarando fixamente a mulher a sua frente, antes de continuar.
_ E quem é Jian?
_ Antes… Vossa majestade tem certeza que poderá recupera-la?
Heero soltou os braços e apoiou no encosto da poltrona, com um jeito firme na voz e na expressão, afirmou entredentes.
_ Eu acho ela e a devolvo para você, nem que para isso tenha que revirar o reino inteiro!
_ Jian… É meu irmão mais velho.
As palavras surpreenderam a tal ponto o rei, que Heero soltou o encosto e piscou algumas vezes, tentando assimilar aquela novidade tão inesperada.
_ Mas…
_ Jian não se importa com ninguém a não ser ele mesmo! E apesar de ele já ter me provado o contrário, desconfio do quão real é seu interesse por Mei também. - Ela suspira e hesita antes de acrescentar - Me preocupo.
Heero olhou para o quadro de seu avô, o rei que conquistou o reino de Sank, conhecido por seu pulso firme e nenhuma emoção em situações critica, de onde visivelmente veio os genes frios de Dante e dele. Pensando naquela informação tão inesperada e acreditando que pelo momento era tudo de que necessitava, resolveu encerrar a conversa. Era algo muito delicado a pensar e deveria ser tomado com cuidado.
_ Prepare-se… - Ele voltou a olhar para ela. - Amanhã durante a festa, você será apresentada como Lady Kelly, dama de companhia da princesa Relena… E eu vou achar sua irmã. Pode apostar nisso.
Apesar de sua personalidade desconfiada, as palavras do rei foram tão verdadeiras e palpáveis que o coração dela se permitiu uma pontada de esperança. Pela primeira vez, em muitos anos, a moça sentiu que poderia confiar em alguém, ou pelo menos, se daria essa oportunidade. Com um olhar mais brando no rosto, Kelly esboçou um pequeno sorriso e reverenciou a Heero antes de se retirar do cômodo. Ele se despediu com um gesto de cabeça e a observou sair, depois deu a volta e sentou novamente na poltrona do rei, apoiando a cabeça sobre as mãos juntas, com os cotovelos sobre a mesa. Pensativo e tentando encontrar a melhor forma de usar aquela informação.
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Já era tarde da noite, Relena entra em seu quarto, fechando a porta sem nem olhar para os lados, caminhando com o olhar no chão em direção à cama. Sentia-se fatigada e desejava deitar para se recuperar. Estava tão distraída, que só percebeu que não estava só, quando um braço a enlaçou pela cintura e com a outra mão, tampou a boca dela, ao notar que estava pronta para gritar.
_ Calma... Sou eu!
A voz imponente e sedutoramente rouca em seu ouvido, a fez estremecer ao reconhecê-la. Ele tirou a mão lentamente da boca dela e Relena se virou rapidamente para beijar seu amor, com ímpeto.
_ Heero... O Que faz aqui? Você não disse que iria esperar um pouco?
Ela indagou ao se separar do beijo, de forma aflita. O rei a soltou e caminhou até a porta, trancando-a a chave, para depois voltar para sua amada.
_ Ninguém vai entrar...
_ Heero isso é muito arriscado...
Ele a puxou bruscamente, colando seus corpos e a beijou ardentemente, fazendo ela se calar. A princesa esqueceu-se de sua preocupação com aquele contado, e deu acesso para seu amante aprofundar ainda mais o beijo. Ele pressionou o corpo dela, fazendo-a andar para trás até deitar na cama, e ele se colocou sobre ela.
_ O que está fazendo?
_ Eu quero você agora.
_ Eu sinto tanto sua falta…
_ E eu a sua!
Ele tomou os lábios da princesa com fervor, sua mão acariciava o rosto dela, descendo pelo pescoço e detalhando o contorno dos seios dela, que se formavam pelo decote do espartilho, com as pontas dos dedos. O toque suave e ao mesmo tempo firme de Heero fez a moça sentir um arrepio percorrer todo seu corpo.
O desejo crescia a cada toque, o beijo era profundo e a língua dele acariciava a dela. Heero parou e se colocou de pé, sob o olhar ansioso dela, e sem desviar seu olhar profundo e sedutor de sua amada, ele retirou sua espada, depois toda a parte de cima de sua roupa e suas botas e calça, ficando apenas com sua ceroula, já praticamente nu. Relena olhava para ele, ofegante e mordia o lábio inferior, tentando controlar seu desejo, admirando aquele corpo másculo.
Ele estendeu a mão para ela e a princesa a segurou, Heero a puxou para cima e quando estavam um de frente para o outro, ele a beijou novamente, com avidez, a fazendo envolver seu pescoço e Heero passou a mão pelas costas dela e com firmeza em seus movimentos, desamarrou o vestido dela e começou a descê-lo pelos ombros da princesa. O rei se separou da boca dela e percorreu a extensão de seu pescoço e ombros, sem se separar, retirando o vestido de sua amada. Quando Relena ficou apenas com sua roupa interior, o moreno a virou de costas para ele, e beijando sua nuca, causando um tremor de desejo nela, começou a soltar o cordão que prendia o espartilho dela, até vê-lo cair no chão.
Sem ainda voltar a ficar de frente para seu amado, com um sorriso malicioso no rosto, Relena se inclinou para frente, ajoelhando na cama e olhou para Heero, de forma convidativa, depois deu sinal com o olhar para que ele continuasse despindo-a, e cheio de excitação ele se ajoelhou e retirou calmamente os sapatos dela, analisando cada pedaço de pele de sua amante, beijando a perna dela durante o trabalho, deixando a calcinha por último.
Já descalça, a princesa se colocou de pé e sentiu ele a abraçar por trás e tocar seus seios ao passo em que a beija no pescoço e dando leves mordidas em sua orelha, aumentando ainda mais o libido da jovem. Relena deu a volta e ficando na ponta dos pés, roubou um beijo ardente dos lábios de seu amado, enlaçando-o pelo pescoço e Heero percorria com as mãos as costas nuas, de sua amada, até chegar a sua última peça de roupa, livrando-se dela, sem dificuldade.
A loira, já nua, se separou e deitou na cama, sem desviar os olhos de seu amante e observou ele retirar sua calça, deixando a mostra toda sua virilidade. O corpo de Heero era tão bem definido e forte que fazia Relena ficar ofegante, apenas por olhar para ele. Heero ajoelhou na cama e seguiu em direção a ela, sem desviar o olhar do dela e baixou para beijar a barriga de sua amada, traçando uma linha com sua língua até os seios dela, abocanhando-o. A princesa soltou um pequeno gemido com o toque.
Heero já não estava mais conseguindo conter sua excitação por aquela mulher, que o fazia louco. Soltou o seio dela e continuou subindo para beijá-la, com sua mão percorreu cada pedaço de pele dela, até que chegou a sua feminilidade e certificando-se de que ela estava pronta a tomou para si, de forma lenta e delicada. Não desejava machuca-la, sua única intensão era fazê-la sua e ser dela.
Os movimentos com o tempo se tornaram mais contínuos e fáceis, fazendo assim ele aumentar a velocidade e força de suas investidas. Entre eles era amor, cumplicidade, carinho, desejo, fogo. Eles se completavam de tal maneira que seria inexplicável com palavras. Pela segunda vez eles selaram seu amor e entre beijos e caricias, se tornaram apenas um.
Quando o ápice do amor chegou, eles não puderam impedir um gemido que foi abafado pelo beijo. Ambos relaxaram e Heero não se separou dela em momento algum, permanecendo sobre sua amada por alguns segundos, onde eles trocaram olhares e sorrisos. Roçar de lábios e beijos doces, antes dele se retirar de cima dela e tomar lugar ao seu lado na cama. Ele a puxou para que deitasse sua cabeça sobre seu peito.
_ Preciso que faça um favor para mim…
A voz rouca e ofegante dele quebrou o silêncio e tirou Relena de seus pensamentos doces.
_ O que quiser…
A resposta dela o fez sorrir. Ela era a mulher de sua vida e era com ela que desejava estar eternamente.
_ Amanhã, quero que arrume Kelly como uma dama. Prepare-a… Vou apresentá-la a corte como lady.
Relena levantou a cabeça e de forma confusa encarou Heero.
_ Como?
_ Exato… Farei dela lady e uma de suas damas de companhia.
_ Uma de minhas… - Ela parou e pensou. - Quem serão as outras?
_ Paciência minha princesa… - Ele a observou com um olhar satisfeito. - O presente virá amanhã… Mas, preciso que arrume Kelly… Ou não a quer como dama de companhia?
_ Claro que sim. - Ela sorriu. - Kelly é uma pessoa que me agrada muito e a considero de confiança. - Ela olha pra ele com um olhar amoroso. - E eu não sei o que você pretende, mas sei que é um bom rei e com certeza tem algum plano bom para querer transformar Kelly de serva à lady.
_ Você confia em mim?
_ Sempre!
Ele colocou uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha dela e depositou um doce beijo na testa de sua amada antes de puxa-la e abraça-la novamente. O silêncio voltou a tomar conta e Heero puxou o lençol para cobrir eles. Quando eles estavam quase pegando no sono uma batida forte na porta, surpreendeu o casal. Relena e Heero trocaram olhares e ela levantou da cama, vestindo seu robe e Heero vestiu sua calça. Ela caminhou até a porta e abriu uma fresta.
_ Lúcius?
Surpreendeu-se ao ver o esposo ali parado, com a feição séria, olhando penetrantemente para ela.
_ Permita-me passar?
_ Sinto muito... Mas, não.
Ele a encarou com um olhar dúbio. Parou e pensou um pouco, antes de continuar.
_ Por que não posso entrar?
_ Eu não estou apresentável... E como já é tarde, gostaria de me deitar.
Ele soltou o ar em um suspiro e olhou para o chão. Depois voltou a encarar a esposa e assentiu.
_ Gostaria de conversar com você...
_ Terei um grande prazer em atendê-lo, mas se possível, amanhã. Afinal, teremos um grande dia com o amanhecer, e agora estou realmente cansada.
_ Me acompanhará amanhã?
_ Com toda certeza.
_ Está bem, então... Boa noite.
_ Boa noite!
O príncipe deu alguns passos para trás sem desviar o olhar da princesa, até que com mais um adeus de cabeça seguiu seu rumo. Relena esperou ele partir para fechar a porta. Quando ela voltou a tranca-la e passou pelo biombo que ocultava sua cama, ela viu Heero deitado olhando fixamente para ela.
_ Eu disse que era arriscado...
Falou a moça, sentindo-se culpada, e indo deitar ao lado dele. O rei a recebeu com um abraço e beijou a testa dela, antes de vê-la fechar os olhos pra tentar dormir. Aquela situação não agradava nem mesmo ele. Heero também se sentia mal por trair daquela forma seu próprio irmão, mas o amor que ele sentia pela princesa, era impossível de ignorar.
-/-/-
Lúcius parou em frente um quarto, que havia um soldado de guarda e hesitou. Depois, deu um sinal com a mão que o homem entendeu, e sem demora, abriu as duas portas, dando passagem para o ruivo entrar, e logo fechou, deixando o príncipe do lado de dentro.
A entrada causou espanto na mulher que já estava deitada, obrigando-a a sentar na cama, bruscamente. A princesa de olhos verdes mudou sua expressão de susto para malicia, ao ver seu visitante.
_ Não é correto entrar no quarto de uma dama sozinha, dessa forma... Onde estão seus modos, alteza?
Lúcius esboçou um sorriso libidinoso ao ver a curta camisola de renda, quase transparente da mulher. E começou a se despir, ficando apenas com sua ceroula antes de falar.
_ Me lembrarei disso quando encontrar uma dama.
_ Como ousa?
Ela demonstrou-se insultada, mas não deixou de analisar com desejo o corpo forte do ruivo, que soltou o cabelo e deixando-o cair de forma bagunçada, ficou ainda mais sedutor aos olhos dela.
_ Emera... Não finja. Te conheço muito bem...
Ele subiu na cama e seguiu em direção dela, ficando com o rosto a poucos centímetros do dela.
_ O que pensa estar fazendo, príncipe? Eu tenho interesse em seu irmão.
Ela falava em um sussurro, sentindo-se entorpecida pelo cheiro do seu visitante. Ele não se ofendeu, em resposta sorriu com segundas intenções, e a beijou, de forma agressiva e sedenta. Quando ela começou a retribuir ele a segurou pelo cabelo e se separou, mas não a machucou.
_ E quem disse que eu gostaria de algo sério com você? Vá em frente... Case com Heero, o que eu quero de você, é exatamente o que eu sempre tive... Seu corpo.
Ele seguro a camisola e a puxou com força rasgando o tecido, depois voltou a beijar a mulher a sua frente, com um desejo incontrolável e insaciável. Emera não se opôs. Abraçou o príncipe, correspondendo suas carícias agressivas, com um sorriso maldoso nos lábios. Ele a tomou como mulher, saciando seus mais baixos caprichos e vontades. A princesa desfrutou de cada toque, que aquele corpo tão familiar lhe proporcionou.
Continue...
Oiiiii... E então?
Conseguiram com tranquilidade passar pela cena lemon?
E oq acharam das novas faces de Lúcius? hehehehe
Bom, é declarado que o Cássius está envolvido em algo, mas oq?
Quantas perguntas, dúvidas, curiosidades e vcs tentaram me respondê-las nas reviews lindas que tanto espero... hehehe
Desde já agradeço de coração, vcs que nunca me abandonaram e sempre me deram forças pra continuar.
Obrigada em especial a Jessica e Suzana, que me animaram ao escrever esse capitulo que me deu dor de cabeça... rsrsrsrs
Amo todas vcs e vc tb Rodrigo, que logo estará chegando nesse capitulo! :D
Fuiiii... Nos falamos nas reviews! :D
