N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.
Capítulo 27
Latente
19 de novembro de 2007
Sakura, Colégio Kitagawa as 08h16min
Estava atrasada. E eu nunca fui de chegar atrasada... Talvez nas últimas semanas, mas sendo final de ano, logo eu não deveria ser seriamente penalizada por isso. Seria ótimo que os professores pensassem assim também, mas com certeza, quando eu chegasse à aula de química, Kabuto me encarará com aqueles olhos miúdos, e irá soltar um de seus sorrisos cínicos, que são piores do que um sermão.
Há pessoas no mundo capazes de intimidar com um mero sorriso... Outras com um simples "Tudo bem. Ficamos aqui."
Maldito sociopata funcional. Passei a noite inteira me perguntando se aquele maldito beijo significava alguma coisa para ele.
Eu sei que era improvável Gaara sair por ai beijando todas... Mas de qualquer forma, isso não significava que ele se importasse de verdade.
Suspirei alto. Não queria pensar. Já tinha tomado minha decisão, eu simplesmente deixaria acontecer... E também não faria absolutamente nada. De ajuda eu já tinha o festival, então se realmente fosse necessário que nos víssemos, ele teria que ter uma boa razão para me procurar. Ou simplesmente vontade.
Droga... Eu realmente quero que ele tenha.
Me aproximando da sala, vi minha turma dispersa na entrada, conversando banalidades, rindo e entretidos em coisas inúteis, como as garotas que observavam o time de futsal no lado de fora.
Acerquei-me de Tenten que verificava algo em seu celular.
- O que aconteceu?
- Ah, bom dia Sakura-chan... Só um segundo. - ela terminou de escrever uma mensagem e enviou - Era para o Rock Lee. Enfim, o professor não veio.
- Como assim?
- Ele não vem há três dias, e parece que ninguém sabe por que, talvez esteja doente.
Ela recebeu uma resposta do SMS logo depois e decidi que seria melhor resolver aquele problema o quanto antes. Deixei Tenten entretida em seu celular enquanto seguia até a sala da Diretora, acreditando que ela talvez pudesse me explicar a situação. Sim, eu, como representante de turma, tenho que cumprir com essas responsabilidades.
Era no segundo andar, em um setor destinado apenas a parte burocrática do colégio e para chegar até lá era necessário passar por uma rampa. Logo ao lado ficava outra rampa que seguia em direção ao terceiro andar. Chamávamos essas rampas de corredor da morte, uma analogia sem sentido e sem nenhuma explicação empírica, simplesmente assim definida por que era a saída de emergência do colégio.
Estava já me aproximando quando escutei a voz de Tsunade me indicando sua posição na rampa inferior. Como eu estava descendo, ela não estava totalmente atenta a minha presença.
- E como está Naruto?
- Não sei dizer. Ele se tornou meio distante ultimamente.
Inclinei-me um pouco e puder ver com quem Tsunade conversava. Para minha surpresa era o mesmo detetive do Templo. Com aqueles cabelos brancos e olhos de ressaca era impossível não reconhecê-lo. O que me surpreendia não era simplesmente sua presença ali, mas também o vínculo que ele aparentemente tinha com Naruto.
- Ele teve uma discussão séria com Kabuto antes de ele desaparecer. - Tsunade suspirou - por mais que eu insistisse, ele não me explicou por que, ficou simplesmente calado.
- Kabuto-sensei era muito famoso entre os alunos?
- Entre a senhorita Yamanaka com certeza não... Você acha que ele desapareceu pela a acusação dela? Consumo de drogas é algo muito marcante no histórico de um professor. Mesmo ele tendo mestrado... Isso seria fatal para ele. E, para complicar ainda mais, o visto dele não está atualizado, não era atoa que ele era um mero professor ginasial.
Meus olhos arregalaram.
- Como a Yamanaka achou ópio em suas coisas? - o detetive perguntou. Sua voz neutra, digna da própria profissão.
- Ela disse que estava em busca do celular quando reconheceu no laboratório o ópio.
- Estranho... Depois eu gostaria de conversar novamente com a senhorita Yamanaka.
Novamente? Ela realmente estava envolvida com a polícia... Eu não tinha dúvidas disso, mas o que me intrigava era a direta acusação dela contra Kabuto-sensei. Imediatamente pensei em Naruto dando-lhe um murro, e ela visitando o Uzumaki em seu apartamento.
E não somente isso...
"... mas não aches que não surgirão problemas, e confusões em sua cabeça, haverá momentos que a vontade do ópio a consumirá e terá que implorar – apenas para você mesma – que retorne lentamente a si mesma."
Kabuto-sensei. Deus. Realmente não. Ele realmente seria a próxima vítima? E se ele estava desaparecido será que ele já tinha...?
- Sakura?
Demorei um pouco para me dá conta que se tratava de Tenten-chan me chamando na parte superior da rampa. Olhei imediatamente para baixo e me deparei com os olhos sonolentos do detetive. Tsunade também me fitava, uma de suas mãos nos quadris.
- Sakura? Deseja alguma coisa?
- Er... Não, Tsunade-san... Podemos discutir a respeito depois. - tinha que inventar uma desculpa rápida. - Só queria saber o que fazer com minha turma, pois Kabuto-sensei faltou.
- Claro, pode liberá-los até a próxima aula.
Respondi um "sim" e fiz uma reverência. Sem pensar duas vezes voltei-me para Tenten que me esperava ainda no alta da rampa e seguimos de volta para aula.
- Sakura-chan, aconteceu algo?
- Preciso conversar com Gaara. - respondi, sem certeza com quem e por que eu estava falando aquilo.
Gaara, Colégio Kitagawa as 09h00min
Estava conversando Rock Lee no terraço, quando a porta escancarou e surgiu de lá Sakura com uma estranha expressão no rosto.
Eu acordei pensando que o dia seria um pouco melhor pelo simples detalhe que o frio já não estava tão insuportável. Aproveitei o momento para acender um cigarro, depois de uma semana sem vir aqui devido ao frio. Quando finalmente eu consigo colocar minha cabeça em outro lugar que não fosse Nuvens Vermelha ou o comportamento da Haruno, ela surge bem na minha frente com aquela expressão.
Não pensei muito, nem raciocinei o quanto aquilo poderia ser inconveniente. Olhei para Rock e ele entendeu imediatamente que era hora dele se retirar. Sem dizer nada, ele passou pela Haruno fazendo um aceno com a cabeça e desceu.
A Haruno encarava o chão. Os braços cruzados.
- O que aconteceu?
Ergueu seu rosto e vi uma tentativa de demonstrar frieza. Com a voz banal me respondeu:
- Ele morreu.
Bateu uma rápida palpitação, nada demais, somente um mero susto. Depois de Iruka, aparentemente eu estava gradualmente banalizando a morte.
- Quem?
- Kabuto-sensei.
Outra palpitação me veio, mas logo soube que não era pelo luto. Era pela Haruno. Outra pessoa próxima a ela sendo vítima da Nuvem Vermelha. A imagem dela em sua casa, enquanto chorava em meu abraço, passou rapidamente e, quanto percebi, eu já tinha andando até sua direção, ficando a poucos metros de distância. Não a toquei, pensei que assim seria melhor.
- Tem certeza?
Ela suspirou e suas sobrancelhas franziram. Outra mudança repentina.
- Não, mas ele está desaparecido e envolvido com ópio.
- Ópio?
- Sim, Yamanaka encontrou em suas coisas.
Ino Yamanaka. Suspirei e levei minhas mãos aos cabelos. Parecia que essa garota realmente estava envolvida em tudo, de uma maneira tão óbvia que me soava impossível. Eu já tinha a certeza - mesmo que a Haruno negasse - que sua ajuda a polícia estava vinculada a morte de Asuma, e somente a isso. Primeiramente por que, o garoto que comprou as flores na floricultura, não poderia ser Sai , do contrário, como ele teria comprado para ela, se eles estavam, até então, mantendo uma relação distante?
- Tem certeza que era ópio?
- A própria diretora falou, Gaara. - suspirou e afundou os dedos no cabelo. - É bem provável que ele não tenha desaparecido, mas esteja morto em algum lugar. Nunca imaginaria que ele estaria envolvido com drogas.
- Ópio também tem utilidades médicas. Minha mãe tomava com certa frequência... - sem entender minha voz travou por um segundo, até, que por fim, consegui continuar - Chegou a ter uma overdose por causa disso.
Logo depois descobrimos que não foi acidental, mas sua primeira tentativa. Pensei em dizer, mas a Haruno não precisava escutar isso. Ela, de qualquer modo, pareceu reagir as minhas palavras e toda sua atenção voltou-se para mim - os olhos levemente vibrados indicando insegurança.
- Foi assim que ela faleceu?
- Não. - respondi, pois era uma meia verdade. - O que pretendo dizer é que ele, pelos boatos de se envolver com ervas medicinais, talvez explique seu envolvimento com ópio.
Ela ainda me olhava com a mesma expressão. Entretanto, respeitou minha clara intenção de evitar o assunto.
- Tudo bem. Talvez ele não seja um drogado, mas provavelmente a próxima vítima do poema. A Papoula.
- Sim, provavelmente.
Ficamos em silêncio. Haruno tinha a expressão neutra, mas eu sabia, intuitivamente, no que ela estava pensando.
- Começamos amanhã com Hidan. - eu disse, minha voz um tom mais baixo. Ela concordou com a cabeça e sem nenhuma expressão no rosto, rodeada de uma áurea de distância e falsa indiferença, se retirou. E novamente aquela sensação de perda me abateu.
Sakura, Colégio Kitagawa as 09h26min
Eu sinceramente não sei o que estou esperando do Gaara. Não sei se ele poderia fazer algo para retirar esse incômodo do peito. Essa coisa sufocante, parecendo um buraco negro em algum lugar do meu pulmão.
Não, não é apenas por causa de Kabuto-sensei. É por causa de tudo, a morte é apavorante, a perca ainda mais.
Para piorar, essa insegurança estúpida não parece querer sair de mim. Esse vai-e-vem de felicidade, satisfação e logo depois dúvida. Esse movimento idiota que significa exatamente o meu pseudo-relacionamento com Gaara.
Suspirei. Às vezes é realmente doloroso gostar de alguém. Às vezes até bate aquela vontade inexplicável de chorar um pouquinho.
Não. Não. Não posso agir assim, dessa maneira tão superficial, há coisa no mundo pior do que isso, há pessoas morrendo por causas insignificantes, mães perdendo filhos, crianças passando por abuso.
- Ali está a Haruno...
Tinha meus olhos nebulosos, enquanto me encontrava perdida em meus pensamentos, e por isso, apenas quando escutei meu nome, me dei conta da existência do Hyuuga e Kurenai-sensei conversando no corredor. Ambos olhavam para mim. Sensei com as marcas de choro nas pálpebras, e a saia de cintura alta levemente desajustada no corpo. Suspirei mentalmente, creio que não tinha feito ainda três meses desde que Asuma faleceu.
- Haruno-san, poderíamos nos fazer um favor?
- Claro. - me aproximei
- Te deixarei aos cuidados do Hyuuga-san então. Tenho aula agora e já estou atrasada. - ela esboçou um sorriso, mas não teve muito sucesso. Suas sobrancelhas ainda estavam curvadas de maneira que denunciava seu cansaço emocional.
- Tudo bem.
Ela se distanciou em passos lentos mesmo que estivesse atrasada.
- E ainda será mãe solteira. Kurenai-sensei é realmente uma mulher impressionante.
Me voltei para Neji sem esconder minha surpresa.
- Mãe solteira?
- Sim, ela está gravida, soube essa semana.
Eu não estava sabendo daquilo. E provavelmente qualquer aluno normal, como Neji, também não saberia.
- Como soube? - perguntei, mesmo ciente que talvez ele entendesse errado minha pergunta. No entanto, o Hyuuga apenas balançou os ombros tranquilamente e com uma expressão sisuda - algo tão característico dele mesmo - respondeu sem me fitar.
- Ela tem se preocupado bastante com Hinata. Sempre que me vê pergunta ao seu respeito, fiquei impressionada com apoio dos professores, principalmente dela e do Kabuto-san, às vezes você tem que deixar sua descrença de lado para reconhecer essas coisas.
- Nem todas as pessoas são ruins. - soltei, sem saber exatamente por que eu tinha o dito. Talvez por que, se fosse verdade, seria um grande alívio.
- Esperamos que sim.
- De qualquer modo, de que maneira posso ser útil?
Ele voltou-se para mim, como se somente agora fosse ciente do motivo de nossa conversa.
- Claro. Gostaria que você entregasse isso a Tsunade-sama. É uma explicação formal dos Hyuuga pela saída de minha prima do colégio.
- Como assim? Hinata está saindo do colégio? Para onde que ela está indo?
Ele me fitou curioso como se questionasse meu interesse. Depois de um segundo de silêncio sua expressão mudou drasticamente como se lembrasse de algo.
- Havia me esquecido de sua ajuda com o desaparecimento de minha prima. - afirmou com a voz arrastada. - Não a julgo e na realidade agradeço. Hinata está realmente sozinha e qualquer companhia é de grande apoio. - e antes que eu perguntasse ele completou - Tenten me falou.
- Sim, entendo, de qualquer modo...
- Ela terá os estudos em casa, eu fui contra, mas creio que desde que meu tio faleceu não tenho nenhuma influencia ali. Bom Haruno, não acredito que você mereça escutar isso - procurou algo em sua bolsa e de lá retirou um envelope branco. No canto esquerdo estava o emblema da família Hyuuga. Havia me esquecido do quão tradicional eles eram. - Peço que entregue pessoalmente a Diretora, eu deveria fazê-lo, mas parecer que ela saiu hoje para algum seminário. Não queria deixar nas mãos de qualquer um, mas infelizmente eu também não estarei estudando por aqui.
Achei que aquilo era responsabilidade demais para uma mera conhecida da Hyuuga como eu.
- Confio em você, não teria feito o que fez pela minha prima. Espero também que não a abandone como algumas pessoas têm feito, ela não merece. - sua voz saiu neutra, mas a maneira como me fitava parecia um pedido. Ou uma ameaça.
Mas não me sentirei intimidada só por que ele era um cabeludo requintado.
- Se refere ao Uzumaki?
- Sim. Eu bem sabia que ele faria isso.
- Como assim?
- Não sei, o vi e percebi problemas. Não gosto dele. - suspirou e eu me perguntei se ele sabia que era uma de suas amigas.
- Entendo, às vezes nossa intuição acerta, não é? - menti, pois com certeza não concordava com ele. No entanto, eu bem sabia que ele fazia isso em consideração a sua prima.
- Sim. E eu tenho uma boa intuição quando a você e peço. - deu uma pausa - de verdade que não me decepcione. Minha prima fez boas amigas esse ano. - Me pergunto quais, já que raramente a vejo acompanhada. - Espero que você seja uma delas.
Confesso que o achei intrometido em seu pedido. Simplesmente não podíamos pedir a amizade dos outros, essas coisas se recebe, com ou sem motivo.
- Espero que eu seja. - respondi simplesmente. Agora eu estava fazendo a mesma promessa para duas pessoas diferentes.
Gaara, Centro de Tóquio, em casa, as 09h16min , cinco dias depois
- Você está realmente falando sério, Gaara? - minha irmã perguntou. Um sorriso cínico e divertido no rosto.
- Sim. - respondi seco. Meu irmão passou atrás de mim e logo depois sentou-se à mesa. Não me recordo da última vez que tomamos café-da-manhã juntos, principalmente com Kankurou só de samba canção e sem reclamar.
- Escuta essa, Kankurou.
- Fala.
- Nosso irmão está apaixonado.
Minha xícara foi parar no ar enquanto Kankurou engasgava com o café.
- Não disse isso. – eu me apressei em dizer, pois era a pura verdade. Eu, em nenhum momento, havia dito qualquer coisa semelhante.
Bem certo que, ao mesmo tempo, não tive qualquer coragem ou vontade de desmentir aquela afirmação.
- Conta isso direito. - ele perguntou para Temari me ignorando completamente.
- Ele veio me pedir conselhos... - começou, como se eu simplesmente não estivesse ali. E não, eu não estava pedindo conselhos. - Por que estava meio frustrado por ela ter sumido a semana toda.
- Eu a conheço?
- Não, mas ela é bem bonitinha. E como eu estava dizendo pra ele... - sua voz ficou melodiosa e tinha um sorriso na cara. - Acho que ela ta afim dele, mas devido as responsabilidades tem estado bastante ocupada.
- Isso é raro, uma garota quando tá a fim ou ela vira uma perseguidora, ou ela arranja desculpa para vê-lo. – ele voltou-se para mim, e com uma expressão de total descaso continuou – Você deve ter feito algo errado.
Por mais que eu não visse razão nenhuma para acreditar naquilo, eu me senti incomodado.
- Nada a ver Kankurou. Você me vê correndo atrás de Shikamaru?
- Você não é uma mulher Temari. Você é você...
Suspirei decidindo não prestar mais atenção naquela conversa. Eles começariam a discutir e eu, definitivamente, prefiro tomar o meu café a me entreter com isso.
Ainda não tinha resolvido meu problema. Desde a última vez que vi a Haruno no terraço não tínhamos qualquer tipo de comunicação. Nenhuma mensagem de texto, nenhum esbarro nos corredores, ou um mero telefonema. Tenten havia me falado que ela estaria demasiada ocupada devido ao festival. Eu mesmo a tinha procurado em sua sala e me disseram a mesma coisa.
Decidi não atormentá-la com telefonemas já que estaria exausta e também por que eu tinha me mantido ocupado quase da mesma maneira. Desde o desaparecimento de Kabuto, eu tinha decidido investigar Hidan. Estava há uma semana frequentando a mesma livraria, enquanto ele entrava e saía de seu apartamento no subúrbio de Nakano. Frequentemente ele não dormia em casa, e passava longas horas fora. Nos últimos dois dias, por exemplo, ele simplesmente tinha desaparecido do mapa.
-… se Gaara realmente quiser, basta ele ir atrás. - escutei meu nome e minha atenção voltou a conversa - E se ela se sentir insegura depois dele não fazer nada? Ai eu quero ver se vai dar certo.
Insegura? De que maneira? Sakura poderia ser qualquer coisa, mas nunca realmente insegura. Coloquei minha xícara na mesa e finalmente Temari percebeu que eu ainda estava ali.
- Não concorda comigo Gaara?
- E você está perguntando isso pra ele? - Kankurou não esperou minha resposta e aparentemente nem da minha irmã - Ele nem sorriu para mim quando eu fiz 20 anos. Sem ofensa Gaara, já estamos acostumado.
Não estava entendendo o que ele queria dizer com isso.
- E ai que está! Como ela não vai se sentir insegura, sendo que ele não demonstra nada? - ela deu uma pausa e voltou-se para mim, sua expressão realmente séria. - Gaara, se você realmente quer resolver esse problema, você tem que demonstrar que gosta dela.
E eu realmente não sei como aquela conversar foi chegar naquele ponto.
Sakura, Colégio Kitagawa as 17h16min, dois dias depois.
Agradeci mentalmente quando a dupla de representes sumiu na esquina do corredor. Me permiti suspirar alto enquanto entrava em uma das diversas salas vazias de Kitagawa. Em pensar que daqui uma semana esse lugar vai virar um inferno com enfeites coloridos e alunos fantasiados. O festival estava se aproximando e aparentemente todos tinham algum motivo para me procurar.
Sentei-me na cadeira do professor, e abaixei a cabeça encostando a testa na mesa. Eu só queria um dia de tranquilidade já que os dias, sem exceção, estão uma droga. O festival, Kabuto desaparecido, Gaara e essas malditas incertezas... E o pior de tudo é que eu só posso esperar.
O sociopata funcional como se lesse minha mente desapareceu da minha vida. Tudo bem... Eu tenho bastante culpa nisso, já que eu decidi me manter bastante ocupada com o festival, deixando a informações de Hidan em suas mãos. Não que eu não estivesse interessada em conseguir essas informações, entretanto, eu realmente estava sem tempo, e além disso, Gaara parecia ser muito mais prático nesse sentido. E assim, eu simplesmente aproveitei essa oportunidade para manter certa distante dele.
Finalmente uma semana onde eu não tinha que frequentemente ficar me questionando sobre suas intenções, vontades, ou interpretar suas emoções enquanto eu usava sua cara de concreto como referência. Algo que, diga-se de passagem, era bastante ineficiente.
De certa maneira, eu me sentia mais tranquila longe dele do que perto. Não que eu não quisesse... É só que tudo anda tão complicado que eu tenho fugido ao máximo de mais complicações. E, além disso, cansei de me sentir tão insegura. Se Gaara realmente quisesse me ver da mesma maneira que eu, ele já teria me procurado.
Virei o rosto encostando minha bochecha esquerda na mesa. O céu alaranjado indicava que já deveria ser umas 17hs e que eu logo, logo, enfrentaria o horário de rush. Droga. Não quero pensar nisso... Virei o rosto em direção contrária, como se deixar de ver o céu me impedisse de pensar em mais problemas...
Gaara.
Levantei imediatamente e nem consegui disfarçar os olhos arregalados quando o vi entrar pela a porta. Ficamos um segundo nos encarando, a expressão dele suave, mas as ralas sobrancelhas indicavam também sua surpresa.
Droga. Agora que estou diante dele, eu percebo o quanto eu realmente queria vê-lo.
- Gaara. - consegui finalmente formular qualquer coisa, mas saiu de maneira tão débil que me amaldiçoei mentalmente.
- Minha turma está com algumas dúvidas. - ele olhou rapidamente para baixo enquanto dizia. Em seguida, seguiu em minha direção.
Ele estava me procurando por causa do festival? Impossível.
- Sobre o quê? - tentei. Ele demorou um pouco para responder. Olhou novamente para baixo. Percebi que ele estava mentindo... E se eu conseguia visualizar isso, era por que ele estava, no mínimo... Nervoso?
- Algo sobre o tema... Se precisamos realmente seguir corretamente a Batalha em Nagasaki no Período Edo.
- Não, não precisam. - respondi, minhas voz um tom mais baixo.
Droga... era realmente tão estranho vê-lo agora. Ele manteve-se em silêncio e eu me perguntei, já ansiosa, se depois disso ele iria embora. Se eu realmente não quisesse que ele fosse, eu tinha que manter essa conversa.
- E as pesquisas sobre Hidan?
- Ele não volta para casa já vai fazer quatro dias.
- Será que ele viajou?
- Bem provável. Poderíamos entrar lá, já verifiquei que o porteiro é bastante negligente. Além disso, as escadas não têm câmera, então não estaríamos sendo vigiados.
Eu tentei um sorriso, mas tenho certeza que ele percebeu que se tratava apenas de uma tentativa.
- Nessa semana estou ocupada, mas arranjarei um tempo.
Ele piscou algumas vezes, e senti, que de alguma maneira, ele estava um pouco decepcionado.
- Certo. - me respondeu, em seguida deu as costas como se estivesse indo embora. Não pensei muito.
- Gaara.
Sua mão sobre a porta parou e ele se virou. Quando menos percebi, eu já estava de pé. Caramba, até meu próprio corpo está me dizendo para eu tomar um atitude.
- Você não veio aqui devido ao festival.
Ele piscou antes de responder.
- Não. Eu só queria vê-la.
Sua voz soou suave e distante. Meu coração começou a bater muito rápido de maneira que eu podia sentir a pressão nos ouvidos.
- Eu... - só percebi que eu começava a falar quando escutei minha própria voz. Suspirei. - Eu também queria vê-lo. - confessei, pareceu-me, que nessa confissão, eu retirava uns trinta quilos das minhas costa.
- Você sumiu. - ele disse por fim. Tinha uma expressão emburrada na cara. Algo que nunca tinha visto antes.
- Desculpa, estive ocupada.
- Três alunos me disseram isso.
- Mas eu realmente estava, juro. - murmurei, minhas voz quase em falsete. Ele não reagiu ao meu pseudo-juramente, apenas parecia afundado nos próprios resmungos.
- Nem respondeu minhas mensagens. - reclamou e em seguida bagunçou os cabelos. Aquilo me provocou um sorriso, pois obviamente ele estava me dizendo que estava tão chateado quanto eu com aquela situação.
- Gaara, já pedi desculpas.
Então eu sorri, um sorriso sincero de maneira que não fiz durante toda aquela semana. Ele piscou e me encarou como se estivesse absorto com alguma coisa, me lembrei vagamente da maneira como ele olhava na escadaria e então minhas bochechas coraram.
Droga, quando eu irei para de me comportar como uma adolescente na frente dele?
Senti-me repentinamente muito nervosa. Peguei minha bolsa na mesa quebrando aquele clima constrangedor, e quanto já estava próximo dele, bem em frente a porta murmurei:
- Vamos indo?
Estava fugindo, eu sei. Mas repentinamente parecia tudo mais fácil assim, seguir com meus passos por aquele longo corredor, chegar até metro, e encarar o horário de pico até encontrar a tranquilidade da minha cama.
Gaara, no entanto, aparentemente não queria que eu fizesse isso. Quando passei ao seu lado, senti sua mão segurando meu braço, da mesma maneira que ele fazia quando nos conhecemos. Senti os pelo da minha nuca se erriçarem.
- Haruno. - sua voz soou baixa e levemente rouca. Algo bem característico dele, que eu já deveria estar me acostumando, mas que sempre me deixava naquele estado de ansiedade incontida. - Não fuja.
Arregalei meus olhos. Eu não imaginava que o Sabaku se daria conta disso... Senti-me patética e ansiosa, aquela maldita mistura de sensações que tenho evitado.
- Qual é o problema? - ele me virou e encarei seus olhos verdes levemente irritados. - Você disse que não tinha problema.
- Não tem problema. - respondi imediatamente sem nem refletir em minhas palavras.
- Obviamente que tem, do contrário você não estaria fugindo. Eu fiz algo errado?
Fiquei sem palavras, sem coragem de mentir. Seria uma mentira estúpida demais. Ficamos um momento em silêncio e ele largou o meu braço, o vi puxar o ar com mais força e conter um suspiro. Ele parecia frustrado e confuso, como se fosse incapaz de se expressar.
Talvez ele realmente só não conseguisse. Como eu.
- Eu... Eu, só estou assustada, Gaara. - ele voltou-se para mim , seus olhos interrogativos. - Com o desaparecimento do Kabuto, as responsabilidades do festival... E... Você... - fitei o chão sem coragem de encará-lo. Em pensar que estou a ponto de verbalizar isso. - É tão difícil entendê-lo, eu estava até me acostumando, dizendo que era seu jeito, mas às vezes bate aquela... Sei lá, insegurança? – eu não sabia nem o que eu estava dizendo, mas eu já tinha apertado o botão de dane-se, então eu continuei – É impossível saber o que você quer, não saber por que você me beijou e …
- Foi você quem me beijou.
Aquelas palavras me travaram, e imediatamente o fitei.
- Não. - minha voz soou acusativa - Você me beijou Gaara.
- Não, foi você, do nada já estávamos lá.
- Mas foi você quem começou.
- Haruno, eu só respondi.
- Então, você não gostou? - disse escandalizada. Ele estreitou as sobrancelhas.
- Gostei, você que parece que não gostou. - respondeu simples, sua expressão mais concreta como nunca esteve. Aquilo me irritou.
- É óbvio que eu gostei, sabe quanto tempo eu estava esperando por aquilo?
(...)
Não. Eu realmente não disse isso em voz alta. Eu poderia morrer agora sem resolver a Nuvem Vermelha que eu não me importaria. Gaara em compensação só está me fitando estático, as pupilas levemente dilatadas denunciando sua óbvia surpresa. Mas aquela reação só durou alguns segundos, até que sua expressão suavizou-se, e de uma maneira quase carinhosa - algo que eu definitivamente nunca vi em seu rosto - falou:
- Estou ficando cansado Haruno.
Como estávamos muito próximo ele só precisou inclinar-se um pouco para depositar um leve roçar de lábios nos meus. Só para em seguida ele entreabrir minimamente a boca e beijar meu lábio inferior. Afastou-se vagamente, e aposto que foram um bilhão ou quem sabe só um segundo, até que ele sorriu, aquele puxar de lábios preguiçoso que raramente surgia na cara de concreto.
- Eu quis isso a semana toda. – disse, e se Gaara não estivesse bem diante de mim, eu nunca acreditaria que aquelas palavras saíram da sua boca. – Não vou esperar mais... - estava tão próximo de mim que o movimento de seus lábios e a pressão de sua respiração era como um roçar lábios, muito próximo de um beijo, mas muito longe do que veria a seguir. Suas grandes mãos seguraram o meu rosto, e com um mínimo de força me puxou para um beijo. Foi um movimento ansioso, curioso e deliberado.
Nos primeiro segundo eu fiquei estática sem saber como reagir, mas logo que suas mãos deslizaram até a minha nuca, eu já não estava pensando racionalmente. Por dentro era uma mistura insana de sensações que eu não sabia dizer se eram incômodas ou deliciosas. Só importava que eu, em um impulso quase instintivo, levei minhas mãos até o seu peito, agarrando a blusa branca do colégio, o puxando como se eu pudesse demonstrar toda a falta que eu sentia naquele movimento.
E minha saudade ficou tão óbvia que chegava a ser ridícula.
Ele levou as mãos dele até as minhas costas rodeando-me, de maneira que fiquei nas pontas dos pés e me desequilibrei. Demos um passo para trás e interrompemos o beijo somente por um segundo. Tempo suficiente para trocarmos um rápido olhar, permitindo-me ver êxtase e ansiedade estampado neles. Entretanto, ele não me permitiu pensar em mais nada, pois se inclinou novamente e voltou a me beijar.
Era quase sufocante, mas sufocante de uma maneira deliciosa, como se sentir falta de ar fosse extasiante... Percebi minhas costas encostando-se à porta de correr da sala, e as mãos dele deslizarem por minha cintura sobre o tecido do uniforme, de maneira que lhe dava total liberdade de me puxar possessivamente até ele. Nesse movimento o senti morder meu lábio inferior, e soltar um leve arfar mais alto, me provocando um baixo gemido que eu não sabia como havia saído de minha boca. Beijou de leve o canto da minha boca, em seguida a curva do meu rosto até que eu levei minhas mãos até os seus cabelos, afundando meus dedos entre suas têmporas, esperando que assim ele me olhasse.
Eu queria vê-lo, fitá-lo, como se naquele ato eu pudesse compartilhar alguma espécie de intimidade.
Ele levantou o rosto, afastando-se levemente, mas ainda muito próximo de mim. Pude ver seus olhos verdes-água levemente em degrade, as pupilas tão mínimas que eram apenas um pontinho mínimo. Estavam nebulosos, numa espécie de saudades e ansiedade... Somente agora eu estava entendendo a intensidade e a veracidade de suas palavras.
Me permiti um discreto sorriso, enquanto nossos rosto continuavam tão próximos que eu podia sentir seu hálito acariciando minha pele.
- Não suma de novo, certo? - seu pedido soou rouco e baixo, e eu, em resposta, sorri concordando levemente com a cabeça.
- Mas foi você que me beijou primeiro.
- Esse sim, o outro não.
Então eu ri.
- Tudo bem Sabaku, eu me responsabilizo pelo primeiro beijo, mas nos dois sabemos que não é verdade.
- Não irei discutir com você Haruno. - ele se afastou de mim, mas eu sabia que ele não estava bravo. Ele abaixou para pegar minha bolsa e me entregou. Até então eu não tinha percebido de tê-la deixado cair no chão.
Nos encaramos. Havia, claro, aquela pontinha de constrangimento, mas nada que não deixasse minhas bochechas mais vermelhas do que estavam. Conclui que ainda não tinha uma resposta do significado, mas que com certeza não era qualquer um. Peguei a bolsa de sua mão e soltei um sorriso. Ele disse algo como me deixar em casa, e eu soube que não tocaríamos naquele assunto. Saímos dali e decidi não me importar mais com aquilo.
Capítulo grande para compensar o outro que foi menor. E bom, Temari sempre me serviu para esclarecer os pensamentos do Gaara, gerar duvidas na cabeça do sociopata funcional até que ele chegasse em uma resposta. Acabou que Kankurou, mesmo com jeito cretino dele de ser, também o ajudou e finalmente nossa sociopata funcional tomou uma atitude. Gaara, seu lindo, me mande também esse sorriso preguiçoso.
Mas enfim, confesso que esse capítulo foi mais romance do que tudo, mas aconteceu mais algumas coisitas. Kabuto-sensei, Hinatinha saindo do colégio e o jeito superprotetor do nosso Hyuuga cabeludo que está cheio das desconfianças.
Desculpa pelos erros de português que aposto que foram muitos, minha beta está um tempo indisponível e até ela voltar – se ela voltar, espero que sim! – tentarei ser mais atenta a correção, mas aposto que não saíra de maneira tão efetiva como gostaria.
Próximo capítulo em dez dias também. Mas não é por que é em dez dias que você não deve comentar viu u.u … Os comentários caíram e minha média que estava quase chegando em seis estagnou minha gente. Depois desse capítulo espero chegar nos 150 comentários!
Irei responder os comentários do decorrer dessa semana, de qualquer forma muito obrigada pelo o apoio, suas e seus lindos ;)
Beijos de Uva
Oul K.Z
