N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 28

Caderneta


23 de novembro de 2007


Sakura, Colégio Kitagawa às 12h35min

O sinal tocou. Alonguei meus braços e soltei um longo bocejo. Me sentia exausta, os músculos do corpo ainda adormecidos, talvez apenas mais animada que o Gaara em um parque de diversão. Sorri involuntariamente imaginando essa cena no mínimo estranha...

- Parece de bom humor, Sakura-chan.

Me virei e encarei Hyuuga Hinata. Estreitei as sobrancelhas sem entender o que estava acontecendo. Ela estava desacompanhada, apenas com uma expressão gentil e melancólica no rosto, e um papel em mãos. Me lembrei de Neji e seu pedido, mas principalmente da nossa conversa como um todo.

- Olá Hinata-chan. - eu pisquei algumas vezes sem vontade de esconder minha curiosidade - Estou meio surpresa.

- Nota-se. - ela comentou ainda sorrindo. - Neji me disse que havia lhe contado sobre minha saída.

- Ele não teve muitas opções. - me referia ao pedido dele em relação à declaração Hyuuga sobre sua saída. - Mas não que eu ache ruim, óbvio, mas o que você está fazendo aqui?

- Consegui convencer meus parentes de ficar até o festival. Me senti muito mal depois de ter saído da coordenação. Mesmo os professores e você sendo tão compressivos.

Sua voz soou calma e gentil. Naquele momento percebi o quanto a Hyuuga era educada e contida, de uma maneira que quase assemelhava a falsidade, como se tivesse se preparado para aquilo durante muito tempo. Não que eu realmente a julgasse por isso, longe disso na verdade. Apenas me perguntava por que ela parecia não ter opção, e principalmente por que ela só se alterava de verdade quando se tratava do Uzumaki.

Eram muito claras para mim as proporções do sentimento dela por Naruto. O que talvez explicasse os sérios receios do mesmo por ela.

- Ah, aquilo não foi nada. Depois de um momento de luto... É compreensivo.

Não quis dizer "depois de ter terminado com o namorado também, provavelmente se afundando em chocolate e músicas tristes...", pois seria muito maldoso e provavelmente ela nem entenderia se tratar de uma brincadeira.

- Obrigada. - ela deu uma pausa - Na realidade eu gostaria de agradecê-la, por ter me recebido em sua casa, ter tentado me animar. Não tive oportunidade antes de dizê-lo, por isso obrigada.

Seu pedido soava de uma maneira doce. Entretanto, não sei dizer por que, aquilo realmente me preocupou.

- Que isso Hinata-chan. - eu tentei um largo sorriso, e agradeci mentalmente por ele não ter denunciado minha preocupação. - Quando você precisar estamos sempre aqui.

Ela sorriu. Mas foi um sorriso melancólico. Ela direcionou seus olhos depois pra janela e vi seus orbes violetas nublares por um breve segundo, depois abaixou o olhar e sem me fitar continuou a falar.

- Você anda tão ocupada, não é?

Me levantei, ignorando sua pergunta por um segundo.

- Ah só um pouco, algumas coisas tem que ser feita, não é? - respondi. A mesma resposta padrão quando faziam aquele gênero de comentário banal. Recolhi minha bolsa, ficando em direção a janela, e então os vi. Gaara, Rock Lee e Naruto. Os três reunidos próximos a uma máquina de refrigerantes.

Senti o estômago esquentar. Para disfarçar voltei-me para Hinata com um sorriso estampado no rosto. Seus estavam olhos nublados. A boca carnuda em uma linha reta. Parecia sem vida.

Senti um incômodo no alto do pulmão. Eu nunca havia parado para observar a Hyuuga de verdade, pelo menos não até a conversa com Naruto e o pedido de Neji. E agora ela estava ali, diante de mim, sem aquele nervosismo tão freqüente, a timidez. Um aspecto tão tranqüilo. E ao mesmo tempo tão perturbador.

Precisava falar alguma coisa. Por que, ou o quê...

- Hinata-chan. - ela voltou-se lentamente em minha direção. - Eu sei que não está tudo bem, mas existem pessoas que se preocupam contigo. Talvez não da mesma maneira com qual você se preocupa com elas. E... Talvez... Como posso falar... Isso soa bastante egoísta, mas as pessoas são de qualquer forma diferentes, elas não podem te entender completamente, muito menos direcionar sua vida... Isso depende mais de você do que de qualquer outra pessoa ou força no mundo.

Ficamos um longo segundo em silêncio. Em seu rosto, apenas os olhos lilás bem abertos e os lábios entreabertos. As mãos estavam sobre o seio, indicando sua tentativa inconsciente de se proteger. Em seguida ela abaixou lentamente o olhar e murmurou de maneira que quase não escutei...

- E eu tentei de verdade, tudo que eu deveria ter feito... Mas o tempo já está acabando.

- Hina... - ela não me permitiu terminar o seu nome, pois já tinha feito uma reverência educada e ido embora.

Primeiro pensamento foi segui-la, mas logo que coloquei a minha bolsa no ombro, duas garotas surgiram na minha frente.

Droga de maldito festival.

- Sakura-san, nós somos do 2º ano...

Elas queriam algo relacionado à estética da sala, especificamente autorização para colocar uma espada samurai... Deus, como as pessoas perdem tempo com coisas tão óbvias?

- Infelizmente não é possível... - comecei um longo discurso a respeito da segurança dos visitantes e mais algumas bobagens acadêmicas em relação a ética e moral escolar. Fiquei feliz, pois elas entenderam rapidamente e foram embora. Não demorei nem dois segundo para sair da sala, seguir pelo corredor e ver pela longa janela de vidro Hinata no pátio e Neji do seu lado. O Hyuuga mais velho concordou com a cabeça e recolheu a bolsa da prima, em seguida foram para os portões. Me senti brevemente aliviada, pois ela não se encontrava sozinha e com certeza o próprio primo seria capaz de acalmá-la.

Mas a preocupação não passou, pois eu sabia que aquilo não assegurava nada. O que ela disse martelava em minha cabeça

"Mas o tempo já está acabando"

E eu sabia que a única pessoa que poderia fazer alguma coisa não era eu. Precisava falar urgentemente com Naruto. Desci a escadaria, até o segundo andar, meus passos tão rápidos que quase esbarrei com uma aluna do segundo ano. Quando já estava no último degrau, na esperança que Naruto não tivesse saído, senti meu braço ser puxado em um movimento suave.

Dois olhos verdes de ressaca me fitando, os cabelos vermelhos incrivelmente bagunçados, exatamente da maneira que eu achava mais bonito.

- Gaara... - minha voz soou débil e eu me senti ridícula.

- Ocupada? - sua voz soou também bem baixinha, e uma das suas mãos deslizou pelo meu braço provocando um arrepio.

- Um pouco... - sua mão outrora deslizando sobre meu braço segurou minha mão e nossos dedos se entrelaçaram. Droga. Como eu gosto disso. - Eu... Tenho que achar o Naruto.

-Isso não vai ser um problema, ele estava te procurando. Ele a viu junto com a Hyuuga. - ele deu uma pausa enquanto me fitava, seus olhos verdes fixos em mim. Senti aquela agradável sensação quando sabemos que alguém nos olha com afeto. - Estava pensando que poderíamos ir resolver o assunto do Hidan hoje, já faz bastante tempo que ele não volta para casa.

- Eu tentarei resolver as coisas cedo hoje e qualquer coisa eu te ligo.

Ele concordou com a cabeça e ficamos assim sem dizer nada, apenas com o pequeno contato entre nossas mãos. Encontrávamos próximos a uma parede onde dificilmente alguém perceberia e por isso não me incomodei.

- O que Naruto queria comigo?

- Eu não sei, estávamos... Ou melhor, Rock Lee e ele estavam conversando bobagens, quando eles as viram no andar de cima. - ele levantou uma sobrancelha e percebi que estava se questionando a respeito de algo. - O Uzumaki estava estranho, de repente ficou triste e supus que fosse pela Hyuuga.

- Isso não me parece estranho, eu já te falei da situação dos dois. Talvez o Uzumaki tenha terminado com Hinata, mas isso não significa que ele não gosta dela.

Ele soltou um murmurinho com a boca e logo soube que ele estava maquinando algo em sua cabeça.

- Se ele gosta dela, deveria ficar simplesmente com ela.

Eu não contive um sorriso. Às vezes Gaara parecia uma criança sem qualquer discernimento social, ele percebia as coisas, mais especificamente os gestos, o que diziam e de que maneira diziam, mas raramente entendia o que estava por trás daqueles comportamentos.

- Não é tão simples assim. – respondi ainda sorrindo e ele inclinou o rosto levemente de maneira desconfiada. - Não estou rindo de você, só achei engraçado que você seja sempre tão objetivo com essas coisas.

- Essas coisas...?

- É Sabaku. - fingi impaciência como se estivesse lidando com uma criança - Emoções, intenções, sentimentos.

- Mas deveria ser assim. Eu gosto de você e quero ficar com você.

Meu sorriso morreu gradualmente enquanto minhas bochechas eram tingidas de vermelho. Gaara seria sempre um sociopata funcional, e nunca se daria conta que as palavras dele tinham efeito sobre os outros... Principalmente em mim.

- Er... - eu tentei lhe dá uma resposta a altura, mas quando eu vi que ele tinha um sorriso bem discreto nos lábios, aquele puxar imperceptível no canto da boca, eu decidi que eu não estava apta naquelas circunstâncias.

- Você descobriu algo sobre Kabuto-sensei?

Agradeci mentalmente por ele ter mudado de assunto.

- Não muito, apenas o que Shizune-san tinha a me dizer. Que ele se formou em Tóquio, mas que como não era daqui decidiu fazer uma pós-graduação no exterior.

- O que ele estava fazendo aqui, dando aula para um monte de estudantes de ensino médio?

- Me questionei isso também, ela simplesmente me falou que o visto dele estava com problemas, que ele só conseguia emprego de professor substituto e que de qualquer forma ele não pretendia ficar em Tóquio por muito tempo. O interesse dele mesmo era pesquisa, e trabalhava com ervas medicinais.

- Então minha suposição sobre o ópio era correta. - ele declarou, sem qualquer orgulho na voz.

- Provavelmente sim, o que eu me questiono é como a Yamanaka conseguiu incriminá-lo desta maneira.

- Ainda tem a questão do Naruto com ele. Não acha estranho?

Eu não lhe dei uma resposta, apenas me permiti pensar sobre um segundo. Ino e Naruto tinham se encontrado poucos dias antes do Kabuto-sensei ter desaparecido, logo depois veios essa história do ópio, que me pareceu sem fundamento, vendo que possivelmente só se tratava de uma pesquisa.

Não fazia sentido.

- Acho que precisamos conversar logo com a Yamanaka. - Gaara declarou por fim, como se lesse meu pensamento. - Tentar descobrir por que ela incriminou o Kabuto-sensei pelo porte de drogas.

Me pareceu uma boa ideia, mas talvez fosse melhor abordar outra pessoa.

- Tentarei falar com Sai, eu me dou melhor com ele. E duvido que a Yamanaka lhe diga qualquer coisa.

Ele apenas concordou com a cabeça. Com aquele movimento percebi que sua mão ainda estava na minha e me perguntei quando eu começaria a me acostumar com tudo aquilo. Mas aquele toque de repente me pareceu insuficiente. Queria tocar os seus cabelos, abraçá-lo, beijá-lo...

Ele levantou sua mão livre e tocou minha bochecha, em seguida a retirou rapidamente como se sentisse fazendo algo errado. Acho que eu não era a única a desejar a mesma coisa. Disfarcei minha expressão de surpresa, que não havia notado até então, com um sorriso.

- Vamos resolver essa história do Hidan hoje. - declarei por fim.


Gaara, Livraria em Nakano às 17h33min

Quando enfim cheguei à livraria, vi a Haruno elegantemente sentada no espaço destinado a uma espécie de cybercafé. Já estava com as unhas batendo contra a mesa redonda. Obviamente a Haruno era muito impaciente, ou simplesmente estivesse ansiosa de mais para se expor ao perigo. Eu já deveria estar habituado a isso, mas a situação de agora era ainda pior do que qualquer outra que já estivéssemos nos enfiado. Invadir um necrotério, a casa de uma suposta assassina, ou fazer perguntas inconvenientes a um traficante, não se comparava em nada em invadir a casa daquele cara.

Ou talvez eu só estivesse mais precavido devido a tudo que aconteceu nas últimas semanas.

Antes de me aproximar me permiti analisar a Haruno por um momento, tinha uma expressão suave no rosto, mesmo que as unhas batucando indicassem o contrário. Ela vestia uma calça jeans preta, uma blusa social pomposa e um blazer formal, mas feminino. Nos pés tinha uma sandália de salto alto. Aquelas coisas que apenas uma mulher trabalhando em uma grande empresa usaria. Ela estava bonita, principalmente com os cabelos preso em um coque bagunçado, algo que ela dizia estar na moda entre as universitárias... No entanto, não combinava com ela.

- Gaara. - ela exclamou quando me viu, obviamente afetada pelo meu atraso. - Por que você demorou?

- Por que eu sou seu cliente, lembra-se?

Ela soltou um discreto sorriso como se divertisse com aquele comentário. E obviamente ela estava se divertindo em se disfarçar de agente imobiliária.

- Sente-se, vamos conversar sobre suas ótimas opções Sabaku-san.

Eu quase esbocei um sorriso com sua brincadeira, mas me limitei a sentar a sua frente apoiando uma perna sobre a outra. Eu, ao contrário dela, não estava muito diferente, apenas uma calça jeans escura, enquanto o sobretudo abotoado escondia quase tudo.

- Agora devemos fingir que você está interessado nessa papelada. Eu irei esboçar um sorriso muito empolgado e nós iremos finalmente ao que interessa.

A livraria onde nos encontrávamos ficava em uma esquina, bem próxima ao apartamento de Hidan no outro lado do cruzamento. Como Nakano era um bairro particularmente movimentado, era muito fácil passar despercebidos, ainda mais quando se tratava apenas de duas pessoas, supostamente interessadas no apartamento disponível no segundo andar do prédio.

Demoramos mais um pouco, pois queria evitar me encontrar com Hidan no caminho. E também alguma agente imobiliária, já que nós dois fingiríamos estar vinculados com o assunto.

- Podemos ir?

Ela perguntou e poucos minutos depois estávamos diante do prédio, Haruno com o cartão da imobiliária em mãos.

- Boa tarde. - Haruno chamou simpaticamente o guarda, que, diferente da maioria, a atendeu da mesma maneira. - desculpa incomodá-lo, mas estávamos desejando ver o apartamento disponível no segundo andar.

Ela tinha aquele sorriso ofuscante de vendedor de loja.

- Estou sem a chave... E não fui avisado de nada.

- Ah, na realidade é por que não avisamos que viríamos, o senhor Sabaku decidiu visitar o apartamento de última hora.

- Ah, mas...

- Eu estou com a chave. - ela ergueu um molho de chaves. Aposto que ela estava improvisando. - Não precisa se preocupar, e juro que será rapidinho.

O guarda estava relutante, mas depois que eu soltei um suspiro impaciente, ele pareceu se compadecer da Haruno e deixou que entrássemos.

- Não se preocupe em nos levar, eu sei perfeitamente bem aonde é.

Seguimos pelo hall. Enquanto esperávamos o elevador, eu verifiquei pelo canto dos olhos o local; não havia câmeras e, assim como a maioria dos prédios residenciais de Tóquio, poucas pessoas circulavam. Entramos no elevador e subimos até o andar do apartamento vazio, apenas para o guarda não suspeitar de nada. Uma música antiga e enjoativa começou a tocar.

- Sempre achei essas músicas perturbadoras.

- O mais complicado já foi. - eu declarei por fim, suspeitando que ela estivesse ansiosa. - Agora que já estamos aqui, só temos que saber como iremos entrar.

- Você não tinha pensado nisso ainda? - ela indagou se virando para mim.

- Não, normalmente sempre dá certo. Qualquer coisa nós roubamos do guarda, talvez ele tenha uma cópia.

Ela piscou e balançou a cabeça. Depois sorriu para mim. Nenhuma covinha no rosto e os olhos verdes brilhando. Não pensei muito, por que eu já estava muito cansado de pensar. Tirei minhas mãos do bolso do casaco e levei até o seu rosto acariciando a sua bochecha.

Foi rápido, pois não demoramos muito para chegar ao andar desejado.

- Espero que um dia eu me acostume com isso.

- Teremos muito tempo. - respondi enquanto ajeitava uma mecha do seu cabelo; ela sorriu abertamente e eu senti que era especialmente pelo que eu tinha lhe dito. Seguimos então para escadaria aonde iríamos até o andar desejado, no caso o quinto. Deparamos-nos com um curto corredor, com quatro portas e em questão de segundos já estávamos diante da que procurávamos

Em um movimento esperançoso Haruno girou a maçaneta e para nossa surpresa ela estava aberta.

Aquilo era estranho. O rápido olhar que trocamos indicou que nos dois achávamos o mesmo.

Eu dei o primeiro passo antes que ela fizesse, se houvesse algo suspeito eu queria se o primeiro a ver. No entanto, apenas me deparei com uma ampla sala, comum a qualquer tipo de apartamento, de paredes claras, bem decorada e de móveis escuros. Observei o teto e tentei sentir se havia algum cheiro esquisito, mas não havia nada de peculiar. Entramos pela sala, no hall tinha um aparador e sobre ele um incenso apagado, sujando a mobília. Não havia qualquer rastro do seu cheiro e por isso supus que ele já estaria ali pelo menos até ontem.

- Está tudo bem tranqüilo. - ela comentou, a voz baixa. Passou por mim e deu uma olhada melhor pelo interior. Vimos que no longo corredor que surgia da sala havia três portas. A nossa esquerda estava a cozinha, limpa e organizada. - O que estamos procurando?

- Algo que envolva a Nuvem Vermelha.

- Muito específico não acha? - ela se aproximou de algumas prateleiras ao longo de uma parede. - Tudo tão organizado, você acha que a polícia vasculhou tudo que há aqui?

- Provavelmente e suspeito que, assim como a gente, eles sabiam o que estavam procurando.

- Isso nos tira grande oportunidade de achar alguma coisa não acha?

- Sim... Mas tínhamos que tentar não acha?

Ela me fitou entre os ombros com um sorriso de lábios no rosto. Sabia que viria algum comentário irônico.

- Ultimamente você tem sido bastante positivo. Antes agia sempre tão friamente.

Isso era verdade.

- Eu sei, espero que isso seja bom.

- Claro que é... - ela voltou-se pra frente de maneira que não pude ver sua expressão. - De qualquer forma, se ele queria esconder alguma coisa, provavelmente o guardou em suas coisas não acha?

Eu concordei com a cabeça, mas ela já estava indo em direção ao corredor até a última porta, que provavelmente seria o quarto. Haruno estava a alguns passos a minha frente, de maneira que ela foi a primeira a girar a maçaneta e se deparar com o que tinha ali dentro. Ela ficou estática por um instante e eu logo soube que havia algo estranho.

Aproximei-me e logo descobri do que se tratava, o quarto estava uma bagunça, os lençóis no chão, a mesa de canto derrubada e próxima a ela um abajur ainda ligado. No outro canto do quarto tinha uma porta fechada, e na outra o armário escancarado e revirado.

- O que você acha o que aconteceu? - ela perguntou. Percebi que ela não estava assustada, mas aparentemente contendo a euforia.

- Parece que alguém lutou aqui.

Haruno não disse nada quanto a minha observação, apenas andou de maneira cautelosa até o armário. Havia diversas roupas no chão, livros e objetos pessoais; alem disso duas caixas de madeiras, uma delas ainda intacta com diversos livros e a outra de cabeça pra baixo nos indicando que os livros em torno dela provavelmente eram guardados ali.

- Acho que alguém estava procurando alguma coisa por aqui, e Hidan o surpreendeu...

- E eles se agrediram. - conclui o pensamento dela - faz sentido.

- Será que ele achou o que ele queria? - ela indagou obviamente empolgada, agachou-se e pôs a vasculhar uma caixa revirada. Tinha diversos livros no chão indicando que ela tinha sido o alvo do suposto invasor. - Veja... - ela me indicou a caixa de madeira. - Acho que o invasor descobriu um fundo falso.

- Fundo falso?

- Sim, veja. - ela me deu espaço para pegar a caixa e vi que era bastante pesada. A madeira obviamente poderia ser a culpada do peso, mas eu nunca vi nenhum sentido em fazer uma caixa tão pesada, simplesmente não era funcional.

- Verifica o fundo dela.

Tentei de diversas maneiras achar o tal fundo falso, mas nada havia ali para ser descoberto. Parecia que a única maneira de descobrir era a quebrando.

Me levantei.

- O que você vai fazer? - Sakura me perguntou.

- Quebrá-la. - levantei a perna e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa pisei fortemente contra o fundo. O som foi alto, mas nada que não fosse abafado pelas ruas movimentadas de Nakano; o meu pé ficou afundado nos poucos destroços e logo que tirei percebi que realmente existiam dois fundos de madeira. E, além disso, uma pequena caderneta.

Agradeci mentalmente pelo meu coturno.

Não dizemos nada enquanto fitávamos a caderneta. Era grossa, de capa dura e relativamente pesada.

- Era isso que procurava? Será que tem os contatos Yakuzas nessa agenda? - a senti sorrir ao meu lado.

- Creio que não.

Virei a primeira página em branco e me deparei com a foto de uma garota. Estava cuidadosamente colada contra a folha, enquanto em baixo se lia duas datas escrita em uma letra elegante. Passei a segunda e nos deparamos com uma segunda foto de uma garota distinta e logo em baixo outra data. Nas outras não foi diferente, eram todas do sexo feminino, algumas parecendo alunas no fundamental e outras já eram mulheres adultas. O peculiar era que havia datas futuras, e nenhuma delas seguia um padrão.

- O que você acha que são essas datas? Não parece ser a idade...

Haruno comentou. Ela estava certa, pois aparentemente o espaço de tempo entre uma data e outra não passava de 10 anos, algumas delas até mesmo um curto intervalo de três anos.

- Você acha que... Gaara... - ela deu uma pausa e eu pude sentir sua tensão. - Suicídio. Essas garotas fazem parte do grupo suicida.

Ela tomou a caderneta de minhas mãos e rapidamente seguiu até as últimas páginas ocupadas - pois existiam algumas ainda em branco. Analisou rapidamente vários rostos femininos até que parou em uma e me mostrou. Uma colegial, não era exatamente bonita, tinha o rosto demasiado largo e olhos miúdos... Me lembrei rapidamente da garota.

- Naquele dia, quando fomos ao enterro do Kiba e eu te chamei para um café... - Haruno concordou com a cabeça - Ela recebeu a carta do Hidan não é?

- Sim. É uma pena que não tenha o nome dela.

- Procure a Hiromi.

Ela verificou algumas fotos, até que no meio achou o rosto de Hiromi Uehara. Logo embaixo estava a data 12 - 03 - 2002 e em seguida 04 - 10 - 2007. A caderneta na mão de Sakura tremeu, eu rapidamente a fitei e puder encarar seus lhos verdes arregalados e vibrados. Ela deixou cair a caderneta em seu colo em logo em seguida segurou minha mão.

- O que foi Haruno? - perguntei preocupado.

- Hiromi cometeu suicídio nessa data... São as datas do suicídio de cada uma.

Então era aquilo. Segurei fortemente sua mão, esperando que isso a acalmasse pelo menos um pouco.

- Você tem certeza?

- Sim, tenho. Hiromi cometeu suicídio, não teria como ela ter sido assassinada sobre custódia da polícia não acha?

Concordei com a cabeça, pois fazia total sentido o que ela dizia. Aquilo significava que realmente Hidan estava ligada com o grupo suicida, e conseqüentemente com a morte de Hiromi. O que ainda não era claro era o significado da primeira data... Ou talvez...

- Algo como um pacto. A primeira data pode ser a data em que a garota se juntou ao grupo. Veja - peguei a caderneta - Hiromi começou a se comportar estranha por meados de 2002, quando era aluna da faculdade, certo? Ela também foi investigada na época, e se eu estiver certo, logo após se juntar ao grupo.

Sakura concordou comigo enquanto me encarava. Vi que ela ainda estava levemente alterada por aquela conclusão, pois tinhas as pupilas dilatas e sua mão firme na minha.

- Então realmente existe um grupo suicida... - ela sussurrou e abaixou o olhar, pensativa. Percebi que não estava assustada, apenas intrigada e provavelmente em meio de um dilema moral, entre se sentir extasiada ou não com aquilo. Me aproximei, levando uma de minhas mãos até seu cabelo e a fiz me encarar.

- Não pense muito nisso, agora sabemos que Hidan está vinculado com tudo isso, e que ele tinha um controle sobre as datas do suicídio. Não há nada que podemos fazer a respeito.

- Você acha que todas essas meninas irão cometer realmente suicídio? Isso é uma loucura.

- Talvez.

- E se a gente as procurar, ou informar a polícia...

- Não podemos envolver a polícia, não até a série de assassinatos acabar. Pois por mais que se trate de um grupo suicida, as mortes da Nuvem Vermelha não são diretamente ligadas ao grupo. O que suspeitamos é que o assassino faça parte do grupo... Todas essas meninas, você não acha que seria ainda pior envolvê-las no caso?

- Gaara, não podemos ficar aqui sem fazer nada.

Suspirei resignado.

- Tudo bem. Eu irei conversar com meu pai. Ele saberá o que fazer.

Ela levantou os lábios por um segundo e franziu a sobrancelhas, logo em seguida me abraçou. Senti seus braços em torno do meu pescoço enquanto o cheiro de erva doce invadia meu olfato. Uma de suas mãos afundou em meus cabelos próximos a nuca e vi que ela estava um pouco mais relaxada.

- Sempre quis tocar seu cabelo. - ela tentou uma risadinha, mas saiu como um suspiro. - Vou ficar bem.

Comentou e logo depois se afastou de mim. Voltou a me encarar e senti aquela vontade calada em seus olhos, rapidamente minha atenção foi parar em sua boca. Inclinei-me lentamente em sua direção, já me sentindo levemente ansioso. Quando já estava um milímetro de distância, de maneira que sentia sua respiração acariciar minha face, ela se levantou repentinamente.

- Gaara...

Haruno seguiu até a janela, agarrou algo que estava próximo ao parapeito e me mostrou. Um binóculo.

Não. Não acredito que... Segui rapidamente até a janela e verifiquei que dali ele poderia observar a livraria. Hidan sabia que eu o estava vigiando. E com certeza estava suspeitando de mim.

- Você acha que está em perigo?

- Não. Afinal sou filho do chefe de crimes hediondos.

E apesar do nosso compartilhado desinteresse, era a mais pura verdade. Pois, por mais estranho que Hidan fosse, ele não seria tão estúpido ao ponto de fazer qualquer coisa comigo.

- Sim, verdade. - disse, no entanto obviamente aquilo não a deixava menos preocupada. Em seguida foi até a cama onde recolheu a caderneta que provavelmente tinha caído de seu colo. Estava de costas para mim, de maneira que pude vê-la se agachar e subir lentamente... Aquelas roupas, mesmo sendo tão formal a deixava com a silueta mais marcada... Alem disso, na posição em que ela se encontrava me dava vontade de abraçá-la, beijá-la pelo pescoço ou mordicar a sua orelha, mesmo que fosse apenas para ouvi-la soltar aqueles suspiros...

- Gaara...

Seu chamado me acordou para realidade. No primeiro instante percebi que estava excitado, e no outro me dei conta que aquilo era extremamente inapropriado.

- Gaara...

No seu segundo chamado eu senti que tinha algo errado, pois ela estava estática, de costas para mim, sem fazer qualquer movimento.

Aproximei-me e vi que ela tinha os olhos vibrados em uma das fotos da caderneta.

Não demorei muito para vê-la. Era Hyuuga Hinata, e logo em baixo estava datado para daqui três semanas o seu suicídio.


N/A: Mil desculpas pelo o atraso, mas juro que não foi por negligencia, meu note quebrou e só pude corrigir o arquivo na casa da minha mãe. Mas enfim, aqui está o capítulo 28 e aposto que poucas pessoas ficaram surpresa com as descobertas desse capítulo haha' ai, eu sou tão óbvia às vezes. Pergunto-me também se alguém percebeu que já foram seis das sete vítimas, e mais uma coisa, caso alguém esteja perdido no enredo, só me avisar que eu dou uma resumida por e-mail do que tem rolado desde o capítulo 15 (já que nesse capítulo, na narrativa da Sakura, há uma síntese do que aconteceu anteriormente a ele).

Bom, a parte na casa do Hidan ainda não acabou e haverá algo chocante no próximo capítulo, cookie imaginário para quem adivinhar haha'

Agradeço pelos comentários do ultimo capítulo, foram muitos (super feliz :D) e ultrapassei minha meta de 150 comentários ! Irei respondê-los ao longo da semana ;)

Beijos de Hortelã

Oul K.Z