22. Um dia cansativo.

O casal se separou bruscamente ao escutarem uma voz grossa, autoritária e atordoada atrás deles. Eles nem sequer ouviram a porta se abrir, mas eram totalmente capazes de ouvir a voz alta pronunciada por Miliardo que olhava a cena, verdadeiramente inconformado. O capitão da guarda passava o olhar de sua irmã para seu amigo e rei, e dele para ela.

Sem demora o capitão virou e dando ordens para que o soldado que estava atrás dele voltasse à sala de treinamento, fechou a porta na cara do homem. Se voltou para o casal, e Relena estava avida, enquanto Heero mantinha seu olhar impassível, frio e muito controlado. Miliardo se virou para o casal e os observou por alguns segundos antes de falar algo.

_ Miliar…

Relena começou, mas o irmão a calou com um gesto de mão.

_ Não me interessa o que vocês fazem. Não aprovo traição de nenhuma maneira, mas sei que se gostam. É visível. E sei que se casou com Lúcius… Por motivos equivocados e não por amor. Mas…

Relena estava envergonhada com a situação. Seu irmão estava dando-lhe uma bronca e ela não podia questiona-lo. Mas, o que mais lhe chamava a atenção é que Heero não movia um músculo e deixava Miliardo se expressar abertamente.

_ Vocês ficaram malucos? Eu não contarei a ninguém… Mas e se não sou eu entrando? E se quem entra nessa sala é seu marido Relena? Você não é uma garota solteira. Você esta casada e não com qualquer um, com o príncipe. Seu irmão, Heero. Vocês estão sendo inconsequentes.

_ Eu poderia dizer o mesmo a você Miliardo… - o rei se pronunciou. - Mas, como meu amigo e irmão da Relena, que um dia pretendo que se torne meu cunhado. Sou obrigado a agradecer o conselho… Não costumo receber reprimenda de ninguém. Mas, você está absolutamente certo.

Zechs aliviou visivelmente. Passou a mão no cabelo, estava cansado. Não sabia o que tinha lhe dado, estava surpreso consigo mesmo após notar que havia tido a audácia de repreender o próprio rei, a quem ele serve, sem ter tido nenhum tipo de permissão para isso. Mas, após abrir a porta e ver a cena de sua irmã, a quem sempre protegeu e cuidou, traindo o marido com o próprio cunhado, e os dois nem ao menos notarem ter sido descobertos, lhe subiu o sangue. Sentiu uma raiva crescer dentro de si, misturada com decepção. Ele não era tonto. Já havia notado que algum sentimento muito forte estava nascendo entre sua irmã e o rei. Mas nunca passou por sua cabeça que eles fossem tão imprudentes. Temeu pela vida de sua irmã, temeu por um dano irreparável ao reino e ao nome de sua família.

_ Peço perdão se me excedi majestade… - se curvou em reverencia.

_ Não faça isso. - o rei repreendeu o amigo. - Sempre tivemos liberdade em nos expressar, e isso não vai mudar agora. Relena meu amor...

Heero se voltou para a princesa que visivelmente estava acuada, envergonhada e incomodada em notar, por primeira vez, todos os riscos que correu ao se encontrar com seu amor, e estendeu a mão para que ela a segurasse. E depositou um suave beijo sobre os dedos da moça.

_ Poderia, por favor, me deixar a sós com seu irmão?

_ Sim…

Desnorteada, ela se curvou em uma pequena reverencia e após passar pelo irmão de cabeça baixa, pediu licença e se retirou do recinto. Ignorando se havia alguém mais no corredor, passou a passos apressados de volta para seus aposentos. Heero esperou que a porta se fechasse e apontou uma das poltronas para que Miliardo a ocupasse, sentando-se na outra ao lado, ficando frente a frente com o capitão, sem a mesa por meio.

_ Eu… Gostaria de me desculpar, por essa desonra a qual sujeito sua irmã.

_ Esta se desculpando comigo?

O capitão arregalou os olhos ao ouvir as palavras do rei. Ele estava à espera de uma advertência, uma ameaça, uma bronca por ter se atrevido a faltar-lhe o respeito, mas um pedido de desculpas era inédito, vindo de Heero.

_ Me excedi. Estou realmente amo sua irmã e sei que sou correspondido. Creio que isso me fez esquecer os riscos. Serei mais cauteloso de agora em diante, principalmente por respeito ao nome de sua família e honra de sua irmã… Porém…

_ Diga…

_ Gostaria de tê-lo como aliado. - o capitão o encarou confuso. - Serei mais atento, como já prometi. Mas, não deixarei de vê-la e muito menos de estar com ela. Nada e nem ninguém afastará ela de mim e não importa como, vou desfazer esse casamento ridículo que a liga ao meu irmão, não importa as consequências e a farei minha esposa. O lugar dela é ao meu lado, como minha rainha.

_ E esta me pedindo que encoberte o relacionamento de vocês e os ajude?

_ Exato.

_ Entendo…

O loiro de cabelo platinado levantou-se e após pensar um pouco, andando de um lado ao outro, sob o olhar do rei, se virou e respondeu firmemente.

_ Eu não pretendia contar a ninguém o que vi... Mas, enquanto minha irmã estiver feliz. Pode contar comigo!

Heero levantou e com um meio sorriso de canto, estreitou a mão do capitão em um forte aperto. Ele havia conseguido mais um aliado. E agora sabia que precisava de alguma forma, cumprir com sua promessa. Teria que encontrar uma brecha para desfazer o casamento que unia Relena e Lúcius.

-/-/-

Os cavaleiros da guarda real de Wing se aproximaram da multidão, encabeçados por seu líder provisório. Treize Kushrenada cavalgou a toda velocidade, após receber a informação de que haviam encontrado um camponês brutalmente assassinado em meio a um vilarejo. Ao chegar ao local à cena era ultrajante. Os plebeus que ali estavam abriram a passagem para que os cavalos se aproximassem. O cheiro pútrido já começava a contaminar o ar.

A cena era grotesca e mesmo Treize teve dificuldade em encarar o quadro. Retirou um lenço de pano e levou até o rosto, tampando nariz e boca, filtrando um pouco do cheiro metálico de sangue misturado à carne entrando em decomposição, que se fazia forte demais. Diferente dos campos de batalha, onde ele lutava e em meio à guerra seu olfato se adaptava ao ambiente e as mortes eram sempre as mesmas, feitas pela perfuração de uma espada, uma decapitação, uma flechada… Nada o admirava, mas o que via em sua frente, ele julgou ser desumano. E a forma como a cena somada ao cheiro, que o invadiu sem prévio aviso, ele não suportou aspirar o ar, e desviou o olhar por um curto momento. Os soldados também sentiram-se enjoados.

O homem estava aberto, esquartejado, com a terra toda pintada de sangue, estirado ao chão, sua víscera a mostra. Seu rosto o retrato do terror e os olhos continuavam abertos. O líder desceu de seu imponente cavalo e foi seguido pelos soldados que o acompanhava. Aproximou-se do morto e sentiu um horror se apossar dele, de tamanha forma que se o culpado por tal atrocidade estivesse ali, ele teria se encarregado de devolver o mesmo cuidado o assassino que teve com a vítima à ele, pessoalmente.

_ O que aconteceu aqui?

Sua voz autoritária soou mais forte e rouca do que esperou. Não estava conseguindo encarar aquilo normalmente.

_ Não sabemos senhor…

Um camponês, um dos que encontrou o corpo, falou acuado. Visivelmente temia algo e não poderia ser Treize, pois ele sempre foi conhecido por sua benevolência para com o povo. Mas, a feição aflita e a forma com a qual o homem se recusava a encarar o cavaleiro, fez Treize estranhar. Olhou fixamente para o homem a sua frente, quem remexia as mãos, inquieto e o olhava de relance para ele, lançado olhares furtivos ao redor de tempos em tempos, mas em sua maioria observava o chão.

_ O que esta escondendo?

Perguntou diretamente, pegando o homem de surpresa, que o encarou de olhos arregalados. O homem caiu de joelhos, implorando por piedade. Treize revirou os olhos, impaciente, deu ordens para um dos soldados levarem o homem para o castelo, ele o interrogaria lá. Virou-se para a cena a procura de algo, qualquer coisa que pudesse lhe dar algum tipo de pista.

Era noite sem lua, então a única iluminação que tinham era proveniente das tochas. Treize estava com a visão limitada por conta da falta de luz, mesmo assim conseguiu inspecionar com maestria ao redor do corpo, já estava decido em partir quando a luz da tocha de um de seus soldados iluminou, por um acaso, algo que brilhou e chamou a atenção do cavaleiro.

Se aproximou do local e encontrou caído um pequeno brasão em prata, quebrado ao meio. Abaixou e pegou o objeto analisando-o, tentado encontrar alguma pista. Era um adorno nobre demais, para ter ido parar ali acidentalmente. Sempre haveria a possibilidade de algum nobre ter sido roubado, e consequentemente, aqueles que eram culpados por tal atrocidade, terem sido os ladrões, mas seu sexto sentido ignorava essa opção com veemência. Ele sabia que aquilo pertencia a um dos bandidos, tinha certeza disso.

Levantou-se e após dar ordens para alguns homens limparem o local e prepararem um enterro digno ao homem, subiu em seu garanhão Épion, um cavalo da raça Appaloosa de pelagem castanho-avermelhado. Sem demora deu a volta e cavalgou com velocidade de volta ao castelo.

Quando Treize adentrou a sala do trono se encontrou com o camponês ajoelhado de frente ao trono, dois guardas de escolta um de cada lado, e o homem em prantos, com o chapéu sendo fortemente apertado nas mãos. Treize se aproximou e passou pelo homem, com os olhos fixos no trono vazio. Em certos momentos, se perguntava o que o rei Arturo ou Heero fariam. Balançou a cabeça e espantou qualquer incerteza, para olhar em direção ao homem, colocando seu olhar frio de guerreiro e líder, papel que sabia exercer com perfeição.

_ Diga o que sabe.

Ordenou com a voz firme e o camponês levantou um pouco a cabeça, temendo por sua vida.

_ Milorde, eu lhe imploro… Peça o que quiser, mas não me obrigue a falar nada… Tenho esposa e duas filhas, que estão na idade de casar. São lindas e a luz de meus olhos. Se me atrevo a falar o que vi, eles voltaram para buscá-las e não sou capaz de defender sozinho minha casa.

_ Porém… Se me conta o que viu, eu sim sou capaz de defender sua casa e sua família. Escolha seu lado. Posso ordenar proteção a vocês… Agora me diga. Quem fez aquilo?

O homem engoliu em seco, tentando se decidir, o medo se apossava dele, fortemente. Amava o reino em que vivia, e sempre havia sido fiél ao rei Arturo, e pretendia seguir sendo, com o rei Heero e sabia que se o cavaleiro a sua frente estava regendo o reino em ausência do rei, era porque tinha capacidade para tal. Os homens que mataram o amigo foram bem claros, que se contavam para alguém, eles voltariam e levariam suas filhas, logo após violarem as esposas.

_ Senhor eu imploro… Tenho medo.

Treize que estava em pé até então, se agachou e olhou dentro dos olhos do homem, que por sua aparência, deveria ser um lavrador, analisou a situação e viu o medo irracional do homem.

_ Senhor, se acalme, por favor. Aqui está seguro e pode falar a verdade. Apenas conte o que viu.

O homem suspirou e assentiu lentamentamente.

_ Sempre tem um infiltrado rondando… Ele percorre os vilarejos em busca de escolher as mais lindas. Ninguém sabe quem ele é… É rápido e trabalha nas sombras. Ele leva o recado a alguém… Esse alguém prepara o ataque e…

_ Continue…

_ Eles vêm em bando, na escuridão da noite, já sabem o local que vão atacar, quem são os alvos e quantos são por casa. Entram e pegam as jovens mais lindas que encontram. Os mais velhos tem que ficar quietos, se alguém tenta impedir… Vira exemplo.

O homem precisou parar, lembrando-se da forma como seu amigo havia sido brutalmente assassinado e torturado. Treize, quem ainda estava agachado em frente o homem, colocou a mão no ombro do mesmo, tentado passar-lhe um pouco de força e desejando, silenciosamente, seus pêsames.

_ O que eles fazem com as moças?

_ Pelo que sabemos, são vendidas pelo melhor preço. As com sorte, se é que podemos dizer assim, são compradas por ricos que as fazem de amantes. Já as que não foram vendidas para algum homem em particular, são entregues em prostíbulos, o primeiro ano de seu... Trabalho. É usado para pagar os sequestradores.

Treize suspirou tentando se acalmar. Pelo visto o comercio de mulheres, que encontraram os documentos em Oz não havia acabado. Apesar de que os documentos haviam sido inúteis, já que não havia a assinatura do mandante, e todos os que encontraram o nome nos papéis eles já haviam caçado. Levantou e passou a mão pelo cabelo, tentando encontrar uma saída, uma dica. Enfiou a mão em seu bolso e sacou o pedaço de brasão, olhando detalhadamente para o pedaço de metal.

_ Onde eu já vi isso?

Sussurrou para si mesmo. O objeto estava quebrado, provavelmente havia partido em dois ou três pedaços, e alguém devia ter recolhido as outras partes, porque essa era a única encontrada. Ele encarava o metal, já o havia visto antes tinha certeza. Treize era uma pessoa detalhista em tudo, e observar era uma de suas maiores qualidades. Aquilo iria tirar dele um bom tempo de sono.

_ Quero que mandem quatro homens para buscar a família desse homem. - Treize começou, dirigindo-se a um dos guardas, que o ouvia em prontidão. - peça que preparem dois quartos, um para ele e sua esposa e o outro para suas filhas.

_ Sim, senhor.

O guarda atendeu a ordem e saiu imediatamente para cumpri-la. Deixando Treize com o camponês e o segundo guarda.

_ Levante-se… - o homem obedeceu. - Nós não terminamos nossa conversa… Quero saber tudo, nos detalhes… Mas, por hoje chega. Sua família chegará a qualquer instante. Vá descansar. Esse homem... - apontou o guarda restante. - Se ocupara de alimentar vocês e protegê-los. Qualquer coisa peça-lhe.

_ Sim milorde. E agradeço imensamente por tudo.

O homem reverenciou a Treize e após uma troca de olhares entre o líder e o guarda, onde o último entendeu cada palavra não dita e logo se retirou levando o lavrador com ele. Treize suspirou cansadamente e observou os homens desaparecerem de sua vista. Levantou a mão e olhou inquisitivamente para o pedaço de brasão.

_ Onde eu vi isso? Em quem?

Apertou o metal na mão e resolveu deixar para pensar no dia seguinte. Era tarde e levando o pedaço consigo, se retirou para descansar.

-/-/-

Heero estava se vestindo após o banho que tomou ao voltar de sua ronda matinal, quando um jovem tocou a porta e anunciou que o rei Dante o esperava na sala do trono, acompanhado do príncipe Lúcius. Heero apenas assentiu e o rapaz se retirou. Parou por uns instantes, e logo lhe veio à mente a jovem camponesa que ajudou Quatre na noite anterior. Com certeza seu irmão já havia ido contar ao pai sobre o que a jovem falou. Suspirou e terminou de se vestir para se apresentar perante o rei.

Ao se aproximar da sala cruzou com Relena e suas damas se retirando, sorriu ao ver ao longe sua amada. Um sorriso discreto, mas sincero. Ela não o viu e seguiu caminho acompanhada das quatro amigas, também pode observar o fato de Kelly aparentemente, estar um pouco mais relaxada. Realmente havia tomado uma boa decisão.

Entrou na sala do trono e encontrou seu pai ocupando seu devido lugar, e seu irmão de frente a ele, ambos pareciam conversar, mas ele não pode ouvir sobre o que. Ao chegar até eles, curvou-se em um reverencia perante o rei e cumprimentou com um movimento de cabeça a seu irmão. Ambos estavam sérios e ele aderiu sua característica feição fria e aguardou pacientemente que o informassem sobre a razão da reunião.

-/-/-

_ Bom dia meu amor...

Duo se aproximou das cinco amigas que conversavam despreocupadamente em frente ao balcão do castelo, observando ao longe a multidão que se movia feito formigas no chão, pelo meio da feira que estava ocorrendo. O cavaleiro, ao ver sua amada, e notando o quão acessível ela estava, se aproximou sorrateiramente e a abraçou por trás, enlaçando a ruiva pela cintura, causando um sobressalto nela e nas demais presentes. As quatro voltaram suas atenções para o belo cavaleiro, conhecido por sua longa trança, com um sorriso nos lábios, ao contrário da ruiva. Cléo se soltou do agarre do cavaleiro, bruscamente. O empurrou para longe e lhe encarou de forma arisca, surpreendendo a todos os presentes, com uma mão na cintura e outra apontando o dedo para ele.

_ Não me toque!

Ela ordenou em seco, a voz um tom acima. Duo arregalou os olhos e ergueu as mãos em sinal de rendição. Ele não entendeu nada. As quatro moças que assistiam a cena ficaram surpresas, mas nada disseram. Cléo o encarava de cabeça erguida e uma sobrancelha levantada, altiva.

_ Meu amor… O que houve?

_ Como ousa me chamar de amor? Aliás, como se atreve falar comigo?

A voz da ruiva era irritada, o tom em quase um grito e a raiva pairando no ar. Sua forma arisca de falar com ele, o desafiava. A princesa assistia a cena boquiaberta. Teyuki estava muda com os olhos arregalados. Kelly assumiu a postura mais neutra que pode. Hadja olhava de um lado ao outro para ver se algo poderia justificar a cena. E Duo, não tirava o olhar de sua amada.

_ Mas que merda… O que eu fiz?

O cavaleiro passou a mão pela franja, exasperado. Sentia-se acuado e não sabia a razão para ser tão atacado pela dama a sua frente. Cléo era a única mulher por quem ele se interessou seriamente, e a única por quem ele se apaixonou. Pois o fato de levantar todas as manhãs com a vontade incontrolável de vê-la, de beijá-la, de passar nem que fossem alguns minutos ao lado dela, só podia ser amor. Até mesmo seus desejos carnais ele procurou controlar para respeitá-la, mesmo sem saber por quanto tempo poderia aguentar sem tomá-la como mulher.

Agora ela estava a sua frente, visivelmente incomodada com sua presença e isso despertou no homem um sentimento desconhecido por ele: Medo. O conhecido deus da morte, nunca havia sentido esse temor. Era algo forte e que apertava seu coração. Temeu por seu amor. E o pensamento de que talvez ela não o amasse mais, foi inevitável e incontrolável em sua mente.

_ Você ainda não sabe?

Ela franziu o cenho e colocou um sorriso irônico nos lábios de descrença. Ela se mostrava ultrajada para com ele. Seu orgulho estava ferido e isso a tirava do sério. Cléo era um exemplo de delicadeza, mas quando realmente se sentia incomodada, mostrava um lado selvagem e rebelde. Atípico a uma dama, porém, totalmente ela.

_ Minha linda… O que eu fiz?

Ele tentou um passo em direção a ela e a viu recuar, erguendo mais o queixo e cruzando os braços.

_ Você tem ideia do quanto me senti humilhada ontem?

_ Ontem? Mas por quê?

Ele quase gritou, perdendo a paciência, sem nada entender.

_ Toda garota sonha com ser homenageada em um torneio, com um corajoso cavaleiro dedicando-lhe a vitória em um dos jogos e o que aconteceu ontem? Nada. Simplesmente Nada! - E ela gritou a última palavra, surpreendendo os cinco presentes. - Você não fez nada por mim… Seus amigos dedicaram vitórias para minhas amigas, até mesmo milorde Quatre apresentou um espetáculo e você apenas ficou sentado.

_ Amor…

_ Não me chame de amor! Não fale comigo, não me procure e me deixe em paz.

Gritou de novo e completou o restante entredentes, deixando Duo desesperado. Depois segurou a mão da Kelly e após dar um sinal com um gesto de cabeça começou a sair acompanhada de todas as amigas. As três damas e a princesa reverenciaram gentilmente ao cavaleiro ao passar por ele, mas nada disseram. Estavam tão desnorteadas quanto ele. Relena repassava a cena em sua mente, pensando em tudo o que viu e ouviu.

Duo ficou com os olhos fixos no local onde estava sua amada. Sua mente não acompanhou o fato dela ter partido, deixando-o ali sozinho. As últimas palavras dela o assustaram e ele se sentiu impotente. Ela havia dito que não era para ele falar com ela e nem procurá-la. Seria aquilo uma forma de dizer que já não queria ter nada com ele? Não. Tudo menos isso, ele não aceitaria perdê-la de forma alguma. Puxou o ar com força, como se seus pulmões estivessem obstruídos. E recuperando a consciência da situação, começou a olhar para os lados a procura de Cléo, porém o corredor estava vazio e não havia nem sinal de nenhuma das cinco. Escolheu um lado e começou a correr em busca dela, nem que fosse o último que fizesse, consertaria a situação.

-/-/-

_ Heero… Seu irmão me veio com uma noticia um tanto quanto incomoda…

Dante olhava fixamente para o filho mais velho, quem mantinha sua expressão tão fria e imutável quanto o próprio pai. Lúcius por sua vez, observava os acontecimentos com suma atenção.

_ Sim?

O príncipe mais velho sabia perfeitamente de que se tratava aquela reunião, que a seu ver, era sem sentido. O que uma jovem camponesa, que nem sequer acesso ao castelo tinha poderia fazer contra seu pai. Ele sabia os perigos de um envenenamento, seu tão amado tio morreu dessa forma. Mas aquela jovem para ele lhe pareceu mais com uma garota magoada com algo que ele desconhecia, que propriamente uma assassina. Mas, pelo visto, era o único que pensava dessa maneira.

_ Não se faça de desentendido meu caro irmão… Sabe bem a que nosso pai se refere a jovem camponesa que você tão arduamente defendeu na noite de ontem. A ignorância não combina com você.

Lúcius se virou para Heero, que de igual modo o encarou, com o acréscimo de um sorriso de canto nos lábios. Lúcius deliberadamente pretendia provocá-lo, seu sorriso ardiloso estampado em seu rosto, e a ironia em sua voz. O primogênito não ia recuar em tal situação.

_ Agradeço o elogio meu caro irmãozinho… Também acho que a ignorância não faz parte de mim. E sim… Sei bem a que se refere essa reunião. - olhou brevemente ao pai. - Que se me permite dizer, meu rei… Para mim é ilógica. Sei dos perigos que existem sobre uma pessoa que visivelmente, tem amplo conhecimento sobre as plantas: venenos e curas. Mas, a jovem de ontem, como meu irmão se referiu... - voltou-se para Lúcius. - Que eu defendi tão arduamente. - olhou novamente o pai. - Não me pareceu em nada uma ameaça. Mas bem, uma garota amargurada por algo… Além do mais… Eu não a defendi. Eu impedi a você, Lúcius, de agredi-la. É diferente. O maior pecado dela é falar o que não deve.

_ E pelo simples fato de você - o mais novo deu ênfase na última palavra, ao encarar o irmão. - acha-la inofensiva... Nosso pai, o rei, deve correr risco? É o eu entendi? Ela insultou ao rei! Quem ela pensa que é? Se isso se espalhar o reino virará um circo.

_ Se nosso pai, o rei, corresse qualquer risco com o fato dela ainda respirar, eu mesmo me encarregaria de por fim ao assunto. E quanto ao insulto, sim. Nisso lhe dou toda a razão meu irmão… Mas, nesse momento, com tudo o que está acontecendo, será realmente o momento de perder tempo com palavras vazias de uma garota sem modos?

Heero e Lúcius se encaravam sem piscar. Um analisando o outro, tentando achar uma brecha em sua feição, para desvendar o que o outro pensava. Dante observou os filhos atentamente. Nesse momento pode notar o quão parecidos eram. Ambos competitivos, de caráter forte. Quando queriam esconder suas emoções, conquistavam um olhar tão frio que ele não pode deixar de lembrar-se de seu pai, o antigo rei. Sabia que pessoalmente, também era adepto da falta de expressão, quando aderia sua frieza costumeira, mas nesse momento, lembrou-se de seu falecido pai. Ele foi à única pessoa que o fez temer em uma época de sua vida. E seus filhos, de diferentes maneiras, tinham muito do avô, que nem sequer chegaram a conhecer.

Dante se pôs em pé, chamando a atenção de seus filhos, com apenas seu movimento. Heero e Lúcius eram filhos especiais, em alguns momentos lhe fazia recordar sua convivência com seu falecido irmão, Arturo. Quem sempre foi um exemplo a ser seguido por ele. Mas, sua personalidade o diferia tanto do outro. Sempre soube que nunca havia sido um pai como deveria, era consciente de seus erros, e o fato de estar pensando nisso agora, o fazia sentir-se velho. Mas, pensaria em besteiras mais tarde, naquele momento havia um assunto, que diferente do que pensava Heero, para ele era importante. E não pode deixar de pensar na ironia: como era a primeira vez em que dava razão para Lúcius em contra Heero.

_ Já chega! Não quero mais ouvir a discussão entre vocês.

Dante soltou de forma autoritária e os filhos se curvaram brevemente, como uma forma de respeito e pedido de desculpas para com o pai, que após vê-los se endireitarem, continuou.

_ Lúcius está certo. - o citado entreabriu levemente a boca em assombro. Nunca havia pensado ouvir isso de seu pai, e se sentiu emocionado por dentro. - Não irei correr o risco. Quero que investigue quem é essa jovem e quero falar com ela. E principalmente, quero que ela aprenda que não tem o direito de falar sobre mim como bem quer.

_ Se me permite falar, meu pai. Acho que estaremos perdendo um tempo valioso com isso nesse momento, sendo que temos problemas maiores a serem resolvidos.

Heero indagou, sentia que aquilo serviria para distraí-lo de seu principal objetivo e temia que isso pudesse causar danos maiores no reino.

_ Nosso pai tem razão. Heero, essa garota, no mínimo insultou o rei. Deveria prestar mais a atenção no assunto. O que acha?

Lúcius se recompôs a tempo de perturbar mais o irmão. Heero apenas suspirou inaudivelmente e se acalmou internamente. Realmente, aguentar seu irmão mais novo, quando decidia incomodá-lo, não era uma tarefa fácil. E piorava de forma alarmante se ele ganhava algum apoio de seu pai. Se deu por vencido. Não adiantava discutir com eles naquele instante.

_ Acho que você poderia se encarregar do assunto, já que está tão preocupado.

Lúcius se surpreendeu visivelmente com o ultimato de seu irmão mais velho, o que fez Heero sorrir satisfeito com a cara de desconcerto do mais novo. Dante permaneceu imutável. Satisfeito com seu troco, Heero apenas continuou.

_ Oh não se preocupe meu irmão… Não farei você gastar sua tão preciosa energia com isso. Do trabalho pesado me encarrego eu.

E após ditas tais palavras, colocou a mão pesada no ombro e no pescoço do irmão, enquanto sorria de canto. Não era para machucar e nem bater, mas era uma resposta agressiva, que apesar de não haver nenhuma dor, o infante entendeu. Heero então se desculpou, reverenciou ao pai e com uma afirmação de que se encarregaria do assunto, pessoalmente, se retirou da sala do trono, encontrando na porta a Trowa e Wufei, que o esperavam.

Dante observou o filho mais velho sair e Lúcius continuava a olhar para o lugar onde há segundos atrás estava seu irmão. Seu interior estava revolto e sentiu raiva pela forma como no final, Heero o humilhou. Pois foi exatamente assim que se sentiu.

-/-/-

Quatre percorria os corredores do castelo, usando roupas com tonalidades claras e neutras e mantando sua habitual elegância, quem o via ignorava que apenas na noite anterior, havia estado tão mal que temeram por sua vida. Ele andava em passos levemente apressados a procura de seus amigos, quando viu a princesa e suas damas caminharem em sua direção. Elas usavam suas capas de passeio e levavam em mãos os saquitéis de dinheiro. Ele se sobressaltou com a cena, seria possível que as garotas iriam sair? Ele duvidava que Heero houvesse permitido semelhante inconsequência.

_ Vossa alteza... Senhoritas…

Quatre reverenciou a princesa e cumprimentou as damas. Relena e suas amigas pararam frente ele e Hadja sem prévio aviso, quase pulou no cavaleiro, o abraçou e o beijou ferozmente nos lábios. O cavaleiro por sua vez a recebeu de braços abertos e retribuiu o carinho com toda alegria. Os olhos de ambos brilhavam toda vez que se encontravam.

_ Meu amor… Você está bem? Não deveria estar descansando?

Hadja questionou, com o cenho franzido, o observando atentamente.

_ Estou ótimo meu amor... - passou a mão no rosto dela com carinho. - Não se preocupe.

_ Milorde Quatre… É um prazer vê-lo recuperado. Nos causou um grande susto ontem… Mas devo felicita-lo por sua vitória. Foi um verdadeiro espetáculo.

Relena expôs, sinceramente e com um sorriso verdadeiro nos lábios. Quatre a reverenciou levemente com a cabeça e sorriu com gentileza em retorno.

_ Princesa… Me emociona sua preocupação. Obrigado. E agradeço o cumprimento. Eu jamais poderia permitir que outro homem se aproximasse de minha mulher.

Ele sorriu junto com sua resposta. O mesmo sorriso amigável e carinhoso que somente Quatre possuía. E Hadja se aconchegou ainda mais nele, enfiando o rosto na curva do pescoço dele, inspirando o perfume dele. O loiro a abraçou ainda mais, mantendo-a presa ao seu lado. Todas as damas sorriram com a cena. Ele sempre foi conhecido por sua fama de gentil e tanto suas palavras, quanto seu olhar e atitudes fortaleciam a veracidade por trás da fama. Ele não soltou sua amada, Hadja continuou envolvida nos braços de seu amor, enquanto assistia a conversa.

_ Princesa… Me permite uma pergunta?

_ Com certeza, milorde. Faça.

_ Acaso a senhoritas irão a algum lugar?

_ Sim. Iremos à feira que esta tendo… - parou ao ver que o cavaleiro se ficou ávido. - Algum problema milorde?

_ Com todo o respeito princesa, não creio que seja aconselhável…

_ Por que não?

_ Alteza, estamos em um momento critico no reino. Estão ocorrendo ataques surpresa…

Relena levantou a mão e o interrompeu, fazendo o cavaleiro se calar imediatamente. Hadja se endireitou, afastando-se levemente de seu amado, atenta a conversa, levemente preocupada.

_ Milorde… Agradeço de todo o coração sua preocupação. Mas, não creio que exista razão para se preocupar nesse momento. Estamos em meio à manhã. A feira estará cheia de pessoas, seremos escoltadas… Não acredito que tentem atacar em plena luz do sol, além do mais, tenho entendido que os ataques foram noturnos.

_ Princesa… Heero deu ordens para que ninguém saísse dos limites do castelo sem sua presença… Por favor, eu peço. Reconsidere.

Relena sorriu de uma forma doce, pensando no pedido do cavaleiro, porém sua decisão já havia sido tomada.

_ Milorde Quatre… Novamente agradeço. Mas, tenho autorização de vossa majestade o rei Dante. E também uma escolta de cinco homens que irão nos acompanhar. Precisamos ir… Tenha um bom dia e nos veremos mais tarde.

Ela o reverenciou e ele imitou o gesto. Após um beijo suave, porém apaixonado entre Hadja e Quatre, onde silenciosamente ele pedia que ela ficasse, mas ela simplesmente não podia abandonar a princesa, ela se despediu com um olhar cheio de carinho e após prometer que tomaria cuidado, se retirou junto com as demais mulheres. Quatre as viu partir, sentindo que aquilo era um grande erro, mas em nada poderia interferir. Ela era a princesa e a permissão havia sido dada pelo rei Dante. Ele não tinha autorização para exigir nada.

Duo correu apressado pelo corredor do castelo ao avistar o amigo loiro. Quatre ao vê-lo lhe sorriu em receptividade. O trançado não se deu ao trabalho nem de cumprimentar o outro e foi direto ao assunto.

_ Quatre você viu a Cléo?

_ Sim.

O loiro estranhou o desespero do amigo.

_ Onde ela está?

_ Ela saiu junto com as damas e a princesa.

_ Saiu? Para onde?

Uma voz forte e autoritária foi ouvida. Os dois se viraram para ver o olhar incomodado do amigo rei. Heero se aproximava dos dois, acompanhado de Trowa e Wufei que se posicionavam um de cada lado dele. Os três, assim como Duo não gostaram da informação, suas faces eram o exemplo perfeito do desgosto e moléstia.

_ Sim… De acordo com a princesa, seu pai, o rei Dante, deu-lhe permissão para ela e suas damas darem uma volta pela feira.

Quatre esclareceu. Ele tão pouco gostava de imaginar sua amada e as demais garotas fora do raio de visão dele, porém estava de pés e mãos atadas. A permissão veio da maior autoridade no reino, o rei Dante.

_ Isso é um absurdo. Estamos em tempos críticos…

Trowa expos sua opinião, tentando demonstrar-se o mais tranquilo possível por mais que seu interior estivesse em total reboliço.

_ Eu vou busca-las, se permitir Heero.

Duo falou, pedindo autorização, em tom de exigência. Sua preocupação por Cléo só piorou. Já estava incomodado pela discussão que tiveram e saber que sua amada, estava fora dos muros do castelo a mercê de qualquer bandido o deixava descontrolado. Precisava a todo custo resgata-la e traze-la de volta para segurança.

_ Faça isso…

_ Eu irei junto!

Heero começou mais logo a voz irritada e decidida de Wufei o interrompeu. O moreno se prontificou e trocou um olhar cumplice com o amigo trançado. Heero não se opôs.

_ Vão. E tragam a todas de volta. Se puserem resistência, digam que é uma ordem do rei. Quatre e Trowa, vocês me acompanhem.

E com a decisão proferida, Duo e Wufei começaram a correr em direção à saída do castelo. Heero e seus dois amigos seguiram pelo caminho oposto, indo em direção à sala do trono. O trio seguiu seu caminho olhando sempre pra frente, por onde passavam os nobres que passeavam pela corte e os servos que os viam se curvavam em respeito à Heero. Porém a feição fria do rei os impedia de aborda-lo, por qualquer que fosse a razão.

Passaram em frente à sala do trono, mas seguiram caminho com o intuito de chegarem ao escritório onde Heero tratava assuntos reais. Ao passarem por uma porta entreaberta, Quatre para bruscamente. O loiro arregala os olhos e sente o coração acelerar ao escutar uma voz que vinha de dentro do cômodo. Não prestou atenção no que era dito, alias isso nem sequer lhe chamou atenção, mas a voz, aquele timbre, a forma burlesca de falar.

_ Quatre?

Trowa chamou o amigo. Ele e Heero notaram que o outro já não os acompanhava e pararam para ver o motivo. Voltaram uns passos e encontraram o loiro estagnado no mesmo local, olhando para o um ponto qualquer perto do chão, sua feição era pálida feito neve, seu corpo inteiro tensionado, e ao chamarem-no pelo nome, virão o cavaleiro reagir da forma mais inesperada de todas.

Quatre ignorou o chamado e virou subitamente para a porta escancarando-a com agressividade. Passou os olhos pelo local a procura do portador daquela voz. O local estaria vazio se não fosse por uma serva retirando uma badeja com quatro xicaras e um bule. Era a sala de visitas, onde a rainha em especial, recebia seus convidados particulares. O local estava organizado, as tapeçarias e os sofás davam um toque convidativo ao ambiente. Quatre tinha o olhar atormentado à serva ao vê-lo parou seus afazerem e olhou para o cavaleiro, quem por sua vez, girava sobre os calcanhares, olhando com atenção a cada canto do local, como quem procura até mesmo uma pequena agulha. Até que ele percebeu outra porta no cômodo, que agora estava fechada. Então o loiro se virou para a mulher e começou a falar, bem no momento em que o rei e o outro cavaleiro apareciam no raio de visão da serva.

_ Quem estava aqui?

_ Como?

A jovem ficou tão confusa com a forma áspera que o doce cavaleiro lhe indagou, que ficou perdida sem saber o que responder, mas o loiro estava impaciente demais para ser cortês.

_ Eu perguntei quem estava aqui…

Heero e Trowa se entreolharam ao notar o tom empregado pelo mais gentil do grupo, aquilo realmente os surpreendeu.

_ Bem… - A moça se sentiu atacada.

_ Quem estava aqui?

Quatre quase gritou e os amigos puseram as mãos no ombro dele. Trowa colocou a mão no ombro direito de Quatre e Heero no esquerdo, os dois tentando acalmar o rapaz, que estava visivelmente alterado, e pareceu funcionar, pois o loiro fechou os olhos e respirou algumas vezes, passou a mão pelo rosto, tentando se acalmar, para só depois voltar a falar com a mulher.

_ Por favor… Me diga quem estava aqui?

Quatre pronunciou, pausadamente, palavra por palavra e a moça engoliu em seco, antes de responder.

_ Era o barão Cássius, acompanhado de lorde Mcbean e seu rapaz, o senhor Jian, que estavam acompanhados de um comerciante, a quem desconheço o nome, milorde…

_ Eles saíram por aquela porta?

O loiro apontou a porta fechada na lateral e a serva apenas assentiu.

_ Muito bem… Se por um acaso você os vir pelo castelo me avise imediatamente, esta bem?

_ Sim milorde.

_ Obrigado.

Dando uma ultima olhada em direção à porta fechada, ele hesitou. Pensou por um instante e foi até ela a abriu e olhou para todos os lados e não encontrou ninguém. Depois ficou pensativo e voltou a fecha-la. Heero e Trowa não tiraram os olhos dele e o loiro passou pelos amigos, em silencio retomando o caminho de volta para o escritório. Os outros dois se apressaram em emparelha-lo.

_ Quatre o que foi isso?

Trowa foi o primeiro a perguntar. E apenas recebeu um olhar do amigo.

_ Vai nos contar?

Heero quis saber e o questionado assentiu e fazendo um sinal com a cabeça, informou que depois que entrassem e após os dois morenos, o loiro fechou a porta do escritório se voltando para os amigos e contando tudo sobre a voz da pessoa que invadiu seu quarto quando ele estava de cama, pelo ferimento da flecha. Contou o que lhe foi dito, palavras essas nunca esquecidas por ele, e principalmente o fato de nunca ter ouvido aquele tom, na boca de ninguém até minutos atrás, onde ele pode escutar com perfeição, a mesma voz. E agora seus suspeitos tinham sido restringidos a quatro pessoas, das quais só uma, ele não tinha visto o rosto.

Heero e Trowa sorriram com a novidade. Sim, sabiam que aquilo era transtornante para o amigo, e que os quatro escaparam por seus dedos naquele instante, mas a esperança começou a nascer e aquilo era o sinal de que estavam perto de descobrir toda a verdade.

_ Então, nossa lista se restringe a quatro homens, que já eram suspeitos, mas me fizeram o favor de retirar os demais da jogada.

Heero expressou em palavras seus pensamentos.

_ Isso começou a ficar interessante…

Trowa completou o raciocínio.

_ Eu vou descobrir quem é…

E Quatre falou mais para si, que para os amigos.

_ Onde está Otto? Mandei busca-lo e até agora não veio.

Heero mudou de assunto, ao recordar que um inimigo, já possuía cara e nome para ele e como toda a escoria, deveria ser eliminado.

_ Desapareceu.

As palavras de Trowa chamaram a atenção dos outros dois que o encararam com assombro e Heero continuou.

_ Como desapareceu?

_ Wufei e eu fomos busca-lo na casa de sua família, como você ordenou. Mas, ele não estava e a irmã dele não tinha ideia de onde ele foi. Efetivamente ele foi levado para lá após o duelo, mas de acordo com a jovem, quando ela saiu para procurar o médico do povo, ao retornarem ele já havia partido, não deixou nenhum tipo de aviso e levou algumas coisas pessoais juntas. Pelo estado critico que ela descreveu que ele estava, deve ter recebido ajuda. Fizemos uma busca por todos os locais que pudemos imaginar e nem sinal dele. Ninguém o viu e ninguém sabe de nada.

_ Droga…

Heero se levantou da poltrona e se não fosse por seu anormal autocontrole, ele teria quebrado metade do local, tamanho seu ódio.

_ E agora Heero?

Quatre perguntou. E o rei ainda olhando para as chamas da lareira que aquecia o ambiente, deu seu veredicto, sem se dignar a encarar os amigos.

_ Avise o conde, quero que seja dado um aviso real. Otto é procurado por traição à coroa e darei uma recompensa em dinheiro a qualquer um que me traga o paradeiro dele. Quero-o aqui. Quero olhar na cara dele quando lhe der sua sentença.

_ Como queira. - Afirmou Trowa.

_ Existe outro assunto do qual preciso tratar com você, Heero.

Quatre afirmou, ganhando a atenção dos outros dois.

_ Prossiga…

Os três se sentaram e o que começou a conversa, continuou.

_ Essa manhã, uma jovem veio chorando até o castelo, você havia saído para uma ronda com os rapazes, ela implorou por ajuda, pois sua irmã mais nova havia sido sequestrada. - Heero e Trowa prestavam toda atenção, sem interromper. - Juntei um grupo de soldados e me dirigi para a aldeia dela, mas infelizmente já não havia sinal dos sequestradores. - Quatre soltou o ar, e com tristeza ao lembrar-se do momento angustiante que as pessoas relataram, continuou. - De acordo com um ancião, já não é a primeira vez.

_ Como assim? Não é a primeira vez?

Trowa não aguentou e questionou.

_ Sim… Esse grupo de bandidos passa a procura de jovens e belas garotas, as sequestram para vendê-las como prostitutas em outros reinos. As com mais sorte, se tornam de um senhor, as demais vão parar em prostíbulos.

_ E porque só agora estamos sendo informados? - Heero indagou.

_ De acordo com o relato, as autoridades que foram designadas para aquela área, não interferiam porque o comandante dela fazia vista grossa para o assunto.

_ E quem é o comandante?

_ Otto…

Heero sentiu o ódio inflamar seu sangue, seu olhar frio se tornou mortal. E Trowa e Quatre ficaram em silêncio.

_ Eu quero muito a cabeça dele… Mas, porque só agora vieram reclamar?

_ Essa moça foi a única com coragem suficiente, os demais vilarejos que foram atacados, foram também ameaçados para se calarem…

Heero passou a mão no rosto e se pôs a pensar em que deveria fazer.

_ Vou cuidar do assunto… Acho que encarregarei Zechs e Lucrezia para investigar o assunto.

_ A Lucrezia? - Quatre se sobressaltou. - Não é perigoso?

_ Se ela ouvir você duvidando da capacidade dela de combate terá problemas…

Trowa riu de seu próprio comentário e o loiro o encarou.

_ Não duvido dela, mas… Ela é tão linda… Temo que se torne um alvo…

_ E tenho certeza que Zechs cortara algumas cabeças por isso.

Concluiu Heero e Trowa concordou.

_ Enfim, como queira Heero...

Trowa e Quatre se prepararam para sair, quando ouvem o amigo lhes chamar de volta.

_ Tenho uma missão para vocês dois.

_ Diga…

Os dois responderam em uníssono.

_ Existe uma menina, de mais ou menos uns dez anos, creio eu… Que está sob a custódia de Jian, o rapaz do lorde Mcbean. Quero que a encontrem e a tragam para mim. Nem que seja a força.

_ Sob os cuidados de Jian? - Trowa se surpreendeu. - E porque não manda o Wufei? Esse cara está na lista dele e ele ficaria muito feliz de ter um motivo para arrancar a cabeça dele.

_ Exatamente porque não o quero morto, ainda.

_ Explica? - Quatre quis saber.

_ Jian e essa menina, de nome Mei, são irmãos da Kelly.

Os dois amigos que agora estavam em pé, se entreolharam, com a boca semiaberta e olhos arregalados. A notícia foi um choque tão grande que eles voltaram a sentar, com os olhos fixos no que estava na poltrona real. E sem precisarem expor em palavras a pergunta, Heero começou a responder.

_ Isso mesmo. Jian é o mais velho e obviamente Mei a mais nova. E pelo que entendi, ele mantém a menina presa a ele, separada de Kelly. Que por sua vez, teme que a menina não esteja sendo bem tratada, ou… Enfim teme que ela corra algum tipo de risco. Conhecem Kelly, ela não é bem do tipo de se expressar, ainda não sei tudo. Porém prometi que recuperaria a pequena Mei para ela, e a traria para o castelo.

_ Entendi…

Quatre afirmou e Trowa questionou.

_ E como faremos se houver resistência?

_ Não quero Jian morto. De resto, façam o que quiserem. Mas, ela tem que vir sem nenhum arranhão. Prometi para Kelly e cumpro minhas promessas.

_ Conte conosco.

Nesse momento uma batida na porta interrompe o assunto e um guarda a abre, anunciando que a princesa Emera estava do lado de fora, pedindo para falar com o Heero. E dando permissão o homem sai da frente para a anunciada entrar. Os cavaleiros se põem em pé, saindo da frente de Heero. A princesa entra com seu sorriso manhoso, passando os olhos sobre os três belos homens do recinto.

_ Espero não estar incomodando… Gostaria de falar contigo majestade…

Falou com atenção total para Heero, jogando todo seu charme.

_ É uma honra ter sua beleza encantando nossos olhos princesa, porém é um momento complicado este.

Ele disse saindo de trás da mesa e caminhando até ela. Trowa e Quatre se entreolham e com um sorriso de canto observaram a cena. Para eles que conhecem o amigo desde sempre, era fácil ver o que ali se passava. A princesa se sentia vitoriosa ao ver a atenção que Heero lhe concedia. Então continuou com seu jeito dengoso.

_ Oh que pena… Mas, ainda teremos uma oportunidade?

_ Lhe prometo, que de hoje não passa… E antes que vire o dia, conversaremos.

Ele segurou a mão da princesa e depositou um demorado beijo, sem perder o contato visual, o que fez a mulher a sua frente estremecer. Ela então recuperando sua pose se voltou para os cavaleiros, que assistiam a cena sem piscar.

_ Se me permitem dizer, Wing esta de parabéns… Os homens de lá são exemplos de beleza.

Quatre e Trowa sorriram astutamente, não disseram nada, mas jogaram com a princesa. Heero foi o porta-voz.

_ Em nome de todos os homens de Wing, agradeço!

Ela sorriu em resposta e após piscar para Heero, fez uma reverencia ao mesmo e com um adeus silencioso se retirou do cômodo, sob o olhar do trio.

_ Essa mulher está louca para te comer…

Quatre falou, surpreendendo os amigos, que não conseguiram segurar o riso. Heero assentiu em concordância e olhou para porta fechada. E com seu famoso sorriso de canto, pensou em algo que não falou e os amigos, mesmo intrigados, sabiam que poderiam perguntar que não teriam a resposta. Não naquele momento, ao menos.

-/-/-

_ Cléo… Você não acha que exagerou?

Relena olhou para a amiga e expôs sua opinião de forma firme e direta. Elas estavam em uma barraca de tecidos escolhendo algo adequado para mandar fazer um lindo vestido. Era a terceira tenda que olhavam, já haviam comprado alguns adornos e especiarias.

_ Exagerei? - encarou a amiga, seus olhos mostrando resquícios de irritação. - Ele mereceu… Onde já se viu… Como ele pode me fazer isso?

_ Milorde Duo não fez por mal… Estou segura.

_ Não importa… Ele deveria ter feito algo. Milorde Trowa desafiou e derrotou lorde Mcbean e dedicou a vitória a Teyuki… Mesmo ela sendo a prometida do lorde. Milorde Quatre foi envenenado por milorde Otto e mesmo assim participou e ganhou, só não conseguiu entregar o prêmio a Hadja porque quase desmaiou, porém ficou claro que foi por ela o duelo. E milorde Duo? Nada. Não fez nada.

_ Entendo sua irritação, mas acho que não era motivo para tanto estresse…

_ Pois eu acho que me segurei demais… E Acredite… Se estivéssemos em outro local eu provavelmente teria feito muito pior. Ele mereceu.

A ruiva virou e partiu para o outro lado, com a cabeça erguida e um sorriso travesso nos lábios. Relena suspirou ao observar à amiga se distanciar. Conhecia bem o caráter da jovem, sempre foi muito explosiva, mas julgava que isso era parte de seu charme. Em muitos momentos a princesa invejou esse temperamento, julgando que se fosse um pouco mais impulsiva, muitas coisas poderia haver sido diferente, não sabe se melhores ou piores, mas diferentes Porém, isso não combinava com ela.

Uma comoção começou no local, obrigando a escolta real se fechar ao redor da princesa e suas damas. O povo gritava e corria de um lado ao outro, esbarrando e tropeçando em qualquer um que estivesse no caminho. Os guardas fizeram um círculo protegendo as moças que se espremiam no meio deles.

_ Temos que sair daqui imediatamente, princesa.

O líder da escolta anunciou, sua voz denotando preocupação e um pouco de irritação.

_ Sim, vamos… Mas, me diga o que esta acontecendo?

_ Me parece que alguns homens causaram confusão em uma tenda…

_ E vocês não podem resolver?

Relena indagou um pouco surpresa.

_ Nosso dever é protegê-las… Os guardas da feira que se encarreguem do problema. Vamos!

Os guardas que as cercavam começaram a se mover, empurrando e afastando qualquer um que se aproximasse. Kelly começou a olhar ao redor, todas haviam estado tão preocupadas e espantas com os acontecimentos inesperados, que não haviam notado que uma delas estava faltando. As quatro começaram a se entreolhar, até que a mais nova integrante indagou.

_ Onde esta Cléo?

_ Soldado, precisamos voltar, lady Cléo não esta no meio de nós…

O líder se virou e observou o que a princesa havia dito, confirmando o fato. Mas, eles estavam muito avançados e o homem tomou sua decisão.

_ Princesa, meu dever acima de tudo é protegê-la, vou coloca-las dentro da carruagem, a caminho para o castelo e logo voltarei para procurar lady Cléo.

_ Mas…

_ Sinto muito princesa, mas isso não está aberto à discussão.

A contra gosto, Relena e suas damas seguiram caminho até a carruagem que as esperava. Kelly encontrou uma brecha entre os guardas que as seguiam por trás e passou correndo em direção ao local de onde saíram. Hadja e Teyuki tentaram segui-la, mas os guardas, notando o erro as impediram a tempo. Kelly seguiu o caminho a procura de Cléo ignorando o chamado das amigas que seguiram avançando, obrigadas.

Ao chegarem à carruagem, fizeram as três subirem e bateram a porta, trancando-a por fora. Antes que o líder desse ordem para o cocheiro seguir rumo ao castelo, ignorando as reclamações da princesa e das damas que a acompanhavam, dois cavaleiros se aproximaram sobre seus cavalos, imponentes e inquietos. Duo e Wufei pararam ao lado da carruagem.

_ O que esta acontecendo aqui soldado?

Duo perguntou olhando para o líder, enquanto Wufei observava a confusão no meio da feira. Hadja tomou a frente, impedindo que qualquer um pudesse falar, sua voz aflita em quase um grito, seu olhar como os das demais, demonstrava uma preocupação alarmante.

_ Cléo e Kelly se perderam de nós e estão no meio da feira… Estamos preocupadas.

Ao ouvir a informação, Duo desceu do cavalo e começou a correr para dentro da feira, atropelando qualquer um que não saísse da frente. Havia muitas pessoas aglomeradas o que impedia que os cavalos seguissem o caminho. Wufei por sua vez, mandou que escoltassem a princesa e as duas damas de volta para o castelo. Depois pagou um jovem rapaz que cuidasse dos cavalos e imitou o amigo, deixando Nataku junto com Deathscyth para trás.

Duo corria a toda velocidade, seguindo o caminho oposto das demais pessoas. Seu desespero era tanto que ele não se importava com nada, erguendo a cabeça por cima da multidão, tentando enxergar ao longe, a procura de alguma delas.

_ As encontrou?

A voz de Wufei não o surpreendeu. O de trança sabia que o amigo seria rápido para alcança-lo

_ Nem sinal… E as garotas?

_ As enviei de volta ao castelo com a escolta. Só nós dois aqui basta.

Duo assentiu. Wufei como ele, estava preocupado. Não era apenas Cléo desaparecida, mas sim Kelly. E isso o incomodava mais do que gostaria de admitir. Sem demora os dois começaram a chegar a um local onde estava mais vazio, e pela bagunça, suspeitaram que se tratasse de onde tudo começou. Havia algumas pessoas caídas no chão, aparentemente mortas. Wufei se aproximou e constatou que estavam apenas desmaiadas, porém machucadas.

_ Vão sobreviver.

Caminharam mais um pouco e encontraram a fonte do problema. O quadro a frente deles eram digno de atenção. Sete bandidos empunhavam suas espadas, enquanto o sétimo integrante falava com um senhor, que estava ajoelhado no chão clamando por piedade. O que aparentemente era o líder do bando, falava ironicamente, algo do tipo, que o senhor devia-lhe muito dinheiro, que deveria ser pago imediatamente.

Os olhares treinados de ambos os cavaleiros rastrearam o local e viram que haviam mais três bandidos disfarçados, em meio a algumas pessoas que haviam sido feitas reféns. E para espanto deles no meio das vítimas, estavam suas tão procuradas damas. Kelly e Cléo encaravam a cena como duas leoas preparando-se para o ataque.

Eles ainda não haviam sido vistos. Estavam a uma distância segura, que a menos que os bandidos virassem para observar as pessoas, não seriam notados por ninguém. Os amigos se entreolharam e analisaram a situação. Não tinham direito de erro, pois os disfarçados estavam prontos para atacar os reféns. Resolveram dar uma última olhada na situação para traçar uma estratégia e nesse momento toda cautela foi por água abaixo.

Cléo foi retirada do meio das vitimas. Um dos bandidos tentou segura-la pelo cabelo e recebeu como resposta, um chute em suas partes baixas e um arranhão em seu rosto. A ruiva só não continuou os ataques porque outros dois bandidos vieram logo em socorro do primeiro. Kelly tentou ajuda-la e também foi imobilizada por mais dois homens, cada um segurava por um lado, mantendo-a imóvel. Cléo foi arrastada pelos dois, que assim como os que ficaram com a morena, tinham dificuldade em mantê-la quieta.

_ Temos uma gata selvagem aqui… - disse o líder. - O que uma bela dama como você faz aqui?

Ele passou a mão no rosto dela, Cléo desviou o toque e cuspiu na cara do líder. Seu olhar arisco o encarava com ódio. O homem limpou o rosto e a encarou, raivoso. Os que a seguravam, empregavam tamanha força que a estavam machucando deliberadamente, porém a ruiva não reclamava e Kelly gritava que soltassem a amiga e era ignorada.

_ Não me toque seu porco!

A ruiva gritou e o líder voltou um tapa no rosto dela, arrancando-lhe um grito involuntário, mas nem uma lágrima escorreu e o olhar dela não mudou, fazendo-o sorrir.

_ Acho que vou te levar para casa comigo hoje…

_ E eu vou arrancar sua cabeça. Tire suas mãos sujas dela!

Todos olharam para trás do líder a tempo de ver um dos bandidos cair morto, após ser atravessado por uma espada no meio do coração, revelando seu assassino. O cadáver do outro já estava no chão, com uma perfuração no peito igual a que o segundo acabava de receber. Duo mantinha o olhar sobre os três homens próximos a Cléo. A jovem não pode deixar de sorrir aliviada quando viu seu amado.

_ Quem é você?

O líder que tinha uma cicatriz no supercilio direito encarou com ódio ao de trança.

_ Eu serei seu adversário. Deixe-a ir...

A conversa foi interrompida pelo som que os corpos dos homens que seguravam Kelly, fizeram ao se chocarem ao chão. O primeiro morreu após a garganta ser atravessada pela espada e o outro foi rapidamente decapitado. A atenção de todos se voltou para a cena e puderam ver Wufei puxar Kelly pela cintura, em um abraço por trás, atraindo-a para ele. Os três bandidos disfarçados se entreolharam e engoliram em seco. Os três que sobraram perto da ruiva se puseram em alerta de imediato. Todas as atenções estavam voltadas para os dois cavaleiros recém-chegados.

_ Soltem suas armas e ninguém sai ferido.

Ordenou Wufei com voz forte, mudando de posição com Kelly, colocando-a atrás dele. A moça se posicionou no local indicado, mas inconscientemente manteve a mão sobre o bíceps do cavaleiro, que não pode deixar de sentir um arrepio percorrer seu corpo, o queimando por dentro.

Duo mantinha seu olhar fixo nos homens que estavam com Cléo, a ira tomando conta de seu ser, o ódio o corroendo. O líder notou como a cena desestabilizava o cavaleiro, quem não conseguia deixar de olhar para ela.

_ Gosta do que vê? - falou ganhando a atenção do de trança. - Tenho que concordar, é linda. - provocou.

Ele segurou o queixo de Cléo, obrigando-a a desviar o olhar de Duo e encara-lo. Ele se aproximou, com o intuito de beijá-la, mas foi impedido por uma pedra que o acertou com força na orelha, arrancando um grito de dor do homem, que além de soltar a jovem, levou a mão até o local atingido, e viu o sangue escorrer.

_ Como se atreve?

_ Encosta nela e arranco seus dedos um a um com um alicate…

_ Homens… Matem-no.

O líder não notou que Duo já estava alguns passos a mais próximo a ele. Incomodou-se com a demora em atenderem sua ordem e olhou em direção ao grupo de reféns, onde há segundos atrás estavam três de seus subordinados, surpreendeu-se ao notar que já não havia ninguém. Com olhos arregalados, percorreu o local a procura deles, mas nada encontrou. Eles haviam fugido na primeira oportunidade que encontraram, como lebres ao encontrar com o lobo. Wufei assistia a cena com tédio e julgava todos covardes e incompetentes.

_ Mas… Como?

_ Senhor… Eles… Eles são da tropa especial do príncipe Heero… Veja o brasão.

Um dos dois que seguravam à ruiva, tremendo, em um sussurro anunciou ao chefe a descoberta, como se isso justificasse a atitude dos companheiros. Wufei, já se aproximava mais, cobrindo a distância até os homens que sujeitavam Cléo. Eles precisavam tirá-la dali o mais rápido possível, antes que os homens a machucassem.

_ Pouco me importa quem seja… Podia ser o próprio Dante. Vocês têm que obedecer as minhas ordens, bando de covardes…

O líder alucinado olhava para todos os lados, reclamando com seus subordinados, sem realmente prestar atenção em nada.

_ Nisso eu devo concordar, são covardes! E você incompetente.

Wufei anunciou com sua voz perigosamente calma, sinalizando a besteira que ele fez em não prestar atenção aos acontecimentos ao redor. O cavaleiro de rabo de cavalo havia rendido os homens que seguravam Cléo, obrigando eles a soltarem a ruiva, ordem que foi prontamente atendida, por temor à morte. Cléo esfregou os pulsos e correu em direção a Duo, abraçando-o. O cavaleiro correspondeu ao carinho, apertando-a fortemente contra seu corpo, mas não a olhou, mantendo a vista nos homens a sua frente. Logo se separou, colocando-a em segurança a suas costas, sentindo o corpo relaxar por completo. Wufei se distanciou, sabia que a luta era do amigo e não queria interferir, chamou Cléo para perto dele, e junto com Kelly a ruiva foi se certificar que não havia ninguém machucado gravemente. O moreno colocou os dois homens rendidos, de joelhos no chão, com as mãos erguidas. E prestou a atenção no confronto que se iniciava em sua frente. Duo estava sedento de sangue e era do sangue dos homens que ousaram colocar as mãos sobre sua mulher.

_ Pronto para morrer? Erga sua espada...

A voz de Duo soou surpreendentemente raivosa. Totalmente oposta à voz animada e divertida do cavaleiro. O fato de ter visto sua amada correndo perigo o transtornou de tal maneira que ele estava ficando fora de si. O líder sentiu medo, pela primeira vez consciente de que realmente estava prestes a morrer e não lidava com principiantes.

_ O que?

Articulou o bandido, surpreso. Duo estava a escassos passos do homem, o que fez o homem da cicatriz empunhar sua espada, que para surpresa dos cavaleiros, era de uma forma tão grosseira que os desanimava totalmente, julgando a vitória vergonhosa de tão fácil.

_ Vou te ensinar a nunca mais colocar suas mãos imundas sobre minha mulher.

As mãos do homem tremiam. Duo encarou com desdém o pedaço de metal, aquilo não lhe assombrava, nem lhe representava perigo. O bandido segurava a espada como os homens das cavernas seguravam seus pedaços de madeira. Duo ergueu sua bastarda, cuja lamina servia de espelho de tão brilhante, demonstrando o cuidado que o homem tinha para com sua arma e bateu de leve na espada do outro, coisa que quase a derruba no chão.

_ Pretende me enfrentar com essa mão mole?

_ Eu… Eu…

_ Você não vale meu tempo.

Com um chute frontal médio, Duo acertou o baixo ventre do homem a sua frente com tanta força, que o fez se curvar de dor. Nesse momento, chegaram os guardas da feira, que foram fortemente repreendidos por Wufei, que não se imutou e continuou com sua arrogância costumeira, demonstrando seu tédio. O cavaleiro deu ordens para que os guardas prendessem os dois subordinados restantes, e as ordens foram cumpridas prontamente. Duo por sua vez observava o homem caído a sua frente com a mão na cintura, controlando a dor através da respiração.

_ Cléo? - o cavaleiro chamou sua amada e olhou a tempo de ver ela lhe retribuir o olhar. - Saiba que por você, sou capaz de qualquer coisa. E nenhum homem põe as mãos sobre você!

Ela levou as mãos à cintura e levantou a cabeça em um ar superior ao escutar as palavras tão possessivas do cavaleiro. Depois cruzou os braços e com desdém falou:

_ Você não manda em mim...

Duo ignorou a travessura da namorada, sabendo que ela apenas o desafiava e agarrando o homem pelo cabelo, enfiou lentamente a espada no peito dele, sobre o coração. Não demorou para o homem cair morto. Duo arrancou sua espada e com um lenço de pano limpou o sangue. Wufei lançou um olhar de canto para a ruiva e se surpreendeu em não vê-la horrorizada. Não é que ela estivesse pulando de felicidade, assistir a morte de alguém não era algo agradável de assistir, muito menos quando o assassino foi tão frio, como Duo se mostrou nesse momento. Mas, apesar da feição séria, os olhos fixos em Duo, o rosto lívido naturalmente, os lábios rosados levemente separados de surpresa, os olhos dela possuíam um brilho novo, diferente. Não era de regozijo pela cena, mas eram de algo que o cavaleiro não pode identificar, mas ele soube que ela estava, por algum motivo, feliz.

Duo olhou para o lado e pode ver uma rosa vermelha intacta. Era a única em meio à bagunça que os bandidos fizeram nas tendas, ela pertencia a uma cesta de flores que deviam ter sido colhidas naquela manhã. Ele agachou e a pegou em mãos. A rosa era de um vermelho forte, sem defeito, aberta, parecia ter sido feita a mão de tão linda. Ele caminhou até sua amada e se colou de joelhos frente a ela, estendendo a flor em sua direção.

_ Gostaria de dedicar essa vitória a mulher mais linda que o mundo já viu. Mesmo, sendo um dia atrasado do torneio.

_ Uma vitória fácil demais, não acha milorde?

Ela provocou com astucia, arrancando o primeiro sorriso de diversão do cavaleiro, desde que tudo havia começado.

_ Perdoe-me senhorita… Mas é que dificilmente encontrarei um adversário a minha altura.

Ela riu da forma convencida, mas totalmente sincera com a qual ele a respondeu. Aceitou a rosa e continuou a encará-lo travessamente. A irritação de mais cedo havia dissipado e ela o havia perdoado, porém não tinha intenção nenhuma de fazer a vida do homem fácil, ao menos não ainda. Recuperando a feição mais séria e com uma sobrancelha altivamente erguida, ela anunciou.

_ Bem… Por hoje eu aceitarei a rosa… Tente fazer melhor amanhã.

Dito isso ela deu as costas para ele e sorriu animada, no momento em que o de trança não podia ver. Wufei meneou a cabeça, cansadamente com a cena dos amigos. Duo soltou o ar pesadamente, e bagunçou a franja. Sentia-se aliviado e interiormente começou a se divertir com a forma caprichosa de sua dama ser.

Após certificarem-se de que todas as vitimas estavam bem, os cavaleiros seguiram seu rumo de volta aos cavalos, cada um acompanhado de sua dama. Duo e Cléo caminhavam lado a lado, trocando olhares furtivos, mantendo a brincadeira muda deles, perdidos em seu próprio mundo, deixando que suas mãos se esbarrassem em vários momentos e por fim, entrelaçando seus dedos mindinhos. Wufei e Kelly mantinham uma distancia nula. Não se tocavam propositalmente, mas estavam perto o suficiente para seus braços se tocarem de tempos em tempos.

_ Gostaria de agradecer…

Ela chamou a atenção do cavaleiro que se surpreendeu com as palavras dela, mas logo se recuperou e tentou se manter indiferente.

_ Não tem necessidade.

_ Tem sim… Já não é a primeira vez que você me ajuda. Obrigada!

Kelly parou de andar, obrigando Wufei a imitá-la. Eles se encararam por um tempo, que pareceu eterno a eles. Quem visse a cena, notaria facilmente a eletricidade que percorria o corpo de ambos. Eles se atraiam como ímãs, feitos um para o outro, mas sempre tinham medo de assumir o que sentiam. Cada um esperando o primeiro passo do outro. Estava perto o suficiente para que com um leve inclinar da parte dele, e apenas um levantar na ponta do pé dela, fosse o suficiente para eles selarem seus lábios novamente.

_ Wufei, vamos!

A voz de Duo os tirou daquele tão prazeroso transe. O casal de olhou, um pouco tímidos com a situação e retomaram o caminho de volta. Cléo subiu em Deathscyth com Duo, e Kelly subiu em Nataku com Wufei. Os cavaleiros voltaram rapidamente para o castelo.

-/-/-

_ E estão todas bem?

Heero estava olhando pela janela do escritório em pé frente a ela, de costas para Duo e Wufei. Os braços cruzados sobre o peito. As noticias sobre os acontecimentos na feira o haviam incomodado mais que suas feições pudessem descrever.

_ Sim. No fim, tudo correu bem e todas voltaram sãs e salvas para o castelo.

Declarou Wufei.

_ Com exceção de minha querida Cléo, que esta com o rosto vermelho por culpa do tapa que aquele verme deu.

Duo reclamou, cruzando os braços de forma emburrada. Heero olhou o amigo e preferiu ignorar a infantilidade. Caminhou para trás de sua mesa, mas não se sentou.

_ Então vai lá cuidar dela…

_ Como?

O de trança se surpreendeu. Nunca esperou essa resposta do amigo.

_ Vai cuidar dela… Quero falar com Wufei.

_ Ah… Então você só quer me dispensar.

_ Tenha uma boa noite, Duo.

O cavaleiro saiu pisando duro do escritório, sob o olhar de indiferença de Heero e o de incomodo de Wufei. O de rabo de cavalo sempre se cansava ao ver as atitudes imaturas que o amigo podia ter em certos momentos.

_ Wufei, quero que descubra onde mora Heiren.

Como sempre, direto, Heero retirou o cavaleiro de seus pensamentos. O outro o encarou, confuso.

_ Quer que eu descubra onde ela mora? Por quê?

_ Ordens de meu pai. Preciso falar com ela.

_ Esta bem…

_ E depois, preciso falar com você. É um assunto de seu interesse. Mas, por agora, vamos jantar.

_ Diga sobre o que é. Posso comer depois.

_ Não. Agora não. Já esta ficando tarde… Vamos jantar e descansar por hoje.

A contra gosto, Wufei saiu seguido de Heero. Ambos foram em direção à sala de jantar se juntar aos demais integrantes do castelo. Aquele dia havia sido agitado demais. E eles precisavam de um descanso. Wufei tentou descobrir o assunto, durante todo o caminho, mas Heero se calou. Ele iria contar tudo sobre Kelly, mas por uma noite, sua mente precisava de um descanso e essa seria uma conversa longa.

-/-/-

A porta do quarto se abriu e por ela entrou Heero, com passos apressados e decididos, sobressaltando a princesa, que já estava acomodada em sua cama, vestindo apenas uma leve camisola, muito sugestiva para qualquer homem. Heero diminuiu o passo no momento em que a viu. Juntou as mãos nas costas e com um olhar analítico percorreu a mulher a sua frente por inteiro.

Ao sentir os olhos do homem sobre si, Emera se pôs em pé, Heero tinha o dom de fazê-la estremecer por completo e tê-lo ali em frente, sozinho, como um alvo fácil a ser seduzido era uma oportunidade imperdível para ela. A princesa andou alguns passos em direção dele, de forma atrevida, regozijando-se ao notar a forma com que os olhos dele percorriam seu corpo.

_ Majestade... Não creio que seja correto que esteja aqui.

_ Eu disse que de hoje não passaria nossa... Conversa.

O olhar frio dele, não mudou em absoluto, mas Heero esboçou um sorriso cheio de intenções que ela não soube exatamente como julga-las. Ele com passos lentos e firmes colocou fim na distância que os separavam, antes de recomeçar a falar com uma voz rouca e pausada.

_ Perdoe-me se lhe faltei ao respeito, princesa... Mas, seus guardas me deixaram passar com tanta facilidade, que pensei que estivesse a minha espera... Ou esperava que eu viesse... Não?

Ela esboçou um sorriso malicioso e triunfante. Como ela planejou ele estava ali, a escassos centímetros, quase se tornando milímetros dela, em um quarto, de porta fechada e uma cama confortável para usufruir.

_ Por favor, majestade... Não vá pensar mal de mim...

_ Eu seria incapaz, princesa...

Ele manteve o sorriso de canto e baixou mais a cabeça, encarando-a nos olhos.

_ Devo confessar que vossa majestade me deixa louca... Cada pedaço de pele do meu corpo reage sob seu olhar.

Ela começou a passar a mão sobre o braço dele, fazendo-o retirar as mãos das costas e solta-las na extensão do corpo. Ela não estava mentindo com respeito a isso, e ele sabia. Conhecia muito bem o efeito que causava na princesa e pretendia tirar proveito da situação.

Assim como ela, os olhos dele seguiam o caminho que os dedos da moça traçavam ao subirem por seu braço, depois passaram por seu peitoral até chegarem ao pescoço dele e ela juntou ambas as mãos atrás de sua nuca, fechando-o em um agarre possessivo de sua parte.

_ Majestade...

_ Sim?

_ Pensaria muito mal de mim, se lhe confessasse que o desejo?

_ Não sou hipócrita em pensar que uma mulher não deve ter desejos...

Ela alargou o sorriso e Heero a segurou levemente pela cintura, podendo sentir a pele quente dela, por baixo do fino tecido da camisola.

_ Então... Por que não me beija?

Os olhos dela eram repletos de luxúria com as mãos unidas atrás da nuca dele, ela fez uma leve pressão para que ele se abaixasse, ao passo em que ela ficava na ponta dos pés, a fim de alcançar aqueles lábios tão desejados. Heero cedeu à pressão feita e se inclinou e ela o beijou. Os lábios se encostaram e ela o puxou com força, tentando aprofundar aquele momento. Heero não tomou nenhuma iniciativa de inicio, ele começou a percorrer as costas dela com um toque suave de dedos, saindo da cintura e percorrendo a coluna dela, até chegar ao pescoço da princesa. O movimento a fez se arrepiar por inteiro e sentir o corpo reagir às novas sensações, ansiando por mais.

Ele separou os lábios sem se distancia da mulher e ela o imitou, esperando que ele aprofundasse o contato, Heero devolveu o beijo e Emera se sentiu vitoriosa. Os lábios dele eram quentes, macios e também dominadores, a princesa começou a pensar o quão bem se sentia sendo possuída por aquele beijo, sentiu um arrepio quando a mão dele chegou ao pescoço dela. Ele então, que mantinha o olho entreaberto ao passo em que ela estava totalmente entregue ao momento, em um movimento de boca, aprisiona o lábio inferior dela entre os dentes e começa a aperta-los com uma força crescente, a princesa abre os olhos assombrada e começando a sentir dor, o empurra para se separarem. Heero se solta do beijo, mas, não solta ela do agarre.

_ Você me mordeu!

Ela levou a mão na boca, pensando que poderia ter machucado, mas não havia nem sinal de sangue, o olhar de Heero era imutável e a encarava com frieza, ele enlaçou o pescoço dela com as mãos e deu uma leve pressionada, surpreendendo ainda mais a mulher, que o segurou pelo pulso.

_ Vou deixar uma coisa bem clara, princesa… Se você se aproximar da Relena de novo, eu pessoalmente arranco sua linda cabeça… Está claro?

E após apertar um pouco mais forte, a soltou, empurrando-a para trás fazendo-a cair na cama com terror no olhar, depois passou a mão na boca, limpando o beijo dela e dirigindo a ela um ultimo olhar assassino, deu a volta e saiu do quarto. Emera estava com a mão no pescoço e observou o rei deixar o local, ainda incrédula. Ofegante, seu olhar passou de assombro, para frustração até que sorriu maldosa.

_ Eu ainda não desisti Heero… E você será meu a todo custo!

Continua...


Bruna... Eu te amo... Por favor, tenha piedade de mim, se me matar vcs nunca saberão o final dessa bagunça toda. Tenha isso em mente. u.u kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Então... É isso galera... Nem sei muito oq dizer... Demorei horrores, me desculpem.

Suss sua linda... Agradeço de coração o socorro e espero que curta a Cléo arteira. kkkkkkkkkkk Pobre Duo. tsc, tsc... \o/

Jessi, valei por tudo... Cada help e por sempre estar ai. :D

Má sua linda... Desculpe a falta de seu amado... Mas, a fic tem que continuar. u.u kkkkkkkkkkkk

Enfim... Quem vcs acham que é o bandido mór? Quatre restringiu os suspeitos a quatro. Então, oq acham?

E o que o Lúcius ta armando... Alguém arrisca?

E a Emera? Oq acham que devo fazer com ela? mwahahaha

Gente linda do meu coração, que amo muito... Saibam que estou a espera de suas reviews linda, pra ter lindas ideias pro próximo. Enquanto isso, aguardem em breve a atualização de Beautiful Lie e Doce Tentação.

É isso... Até loguinho. Beijinhos e amo vcs... Não poupem comentários. :D

PS: O momento terror que o Treize presenciou, não tem nada haver com o Halloween. u.u Só dizendo.. kkkkkkkk

30/10/2014