N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 29

Contato


23 de novembro de 2007


Gaara, Centro de Nakano, às 18h31min.

Por alguma razão eu realmente não me sentia surpreso em ver a imagem de Hyuuga Hinata naquela caderneta. Por mais que eu nunca parasse para pensar nela, havia algo peculiar em sua personalidade - algo que, sendo bem sincero, não me passava além da impressão. A origem daquela suposição, no entanto, só ficou clara para mim agora, enquanto encarávamos em uma letra bem delineada a data do seu possível suicídio. No entanto, o que mais me preocupava no momento era a reação da Haruno.

- Haru...

- Então era isso. - ela sussurrou me interrompendo, os olhos fixos ainda na foto de Hinata. Ela ficou um momento em silêncio como se analisasse friamente a situação, no entanto, eu ali, bem ao seu lado, podia perceber que suas mãos tremiam levemente, e que sua pupila estava instável. Haruno tentava de verdade se manter calma e racional.

Eu preferi ficar em silêncio esperando sua reação. Não demorou muito, Haruno colocou a caderneta em sua bolsa e agarrou a sua alça seguindo em direção a porta. A princípio achei que estava indo em direção à saída do quarto, mas logo que ela deu os primeiros passos eu vi que era somente a porta do banheiro.

- Haruno... - eu chamei, pois sabia que ela não estava raciocinando. Acelerei meus passos e ergui minha mão para segurar sua mão que já girava a maçaneta.

Três segundo depois a bolsa da Haruno deslizava do seu braço caindo de encontro ao chão.

O que estaria diante da gente eu não esperava que ninguém visse em sua vida.

O primeiro detalhe que vi foi o rastro vermelho no chão seguindo até a banheira de porcelana. A luz fosca, ainda acesa, deixava os azulejos brancos com um aspecto doente principalmente devido ao contraste entre ele e o vermelho que seguia como uma trilha até o ponto onde tínhamos os olhos fixos. Não havia nenhum gênero de cheiro peculiar, apenas um fundo de lavanda e ferrugem - mas mesmo assim, naquele misto de casualidade e fatalidade, tudo parecia ainda mais perturbador. Quando escutei a respiração de Haruno mais rápida, segurei o seu braço, mas ela não reagiu. Sua face estava inexpressível, os olhos vibrados na banheira há alguns metros de distância. Foi então que, por fim, eu percebi o dedo de um pé no canto da banheira, indicando que havia alguém ali dentro.

- Haruno...

Ela não reagiu ao meu chamado, ela só seguiu rapidamente até a banheira se libertando do meu braço. A observei virar o rosto com as sobrancelhas franzidas.

- Droga... É o Hidan?

Não precisava de uma resposta. Era Hidan. Seu cadáver estava encolhido na estreita banheira, os cabelos brancos vermelhos de sangue cobriam sua face pálida, assim como toda a parte visível de sua pele. Senti meu estômago embrulhar e a quantidade de saliva em minha boca se concentrar. Fitei o chão tentando me recompor.

- Você acha... - ela engoliu em seco como se não pudesse escolher as próprias palavras - Você acha que ele morreu de quê?

Haruno perguntou ao meu lado, ela assim como eu não fitava o cadáver, e estava obviamente se esforçando muito para se manter racional, mesmo que na face eu pudesse perceber suas bochechas sem cor e as sobrancelhas franzidas.

- Não sei... - tentei voltar a olhar o cadáver; a concentração de sangue nos cabelos, enquanto a parte inferior possuía apenas algumas manchas, me deu um palpite. - Talvez uma batida na cabeça.

- Entendo. - ela murmurou e em seguida se virou. - Gaara...

Seu chamado foi baixo e lento, eu imediatamente me virei e então me deparei com uma folha pregada contra a parede no outro canto do banheiro. Não podia se ler nessa distância e por isso, Haruno se adiantou seguindo naquela direção. Eu, sem pensar muito, segurei o seu braço.

- Calma. Fique atenta ao rastro de sangue no chão.

Não queria que mais alguém soubesse que terceiros tinham estado ali.

Segundos depois estavam diante da folha de caderno pendurado. Nela, escrita em uma letra de forma, um recado.

"Aos que me procuram não se preocupem, o poema será, desta vez, terminado."

Era um recado do serial killer. E desta vez foi a Haruno que segurou meu pulso; provavelmente ela podia sentir meu coração acelerado.

- Melhor... Melhor irmos. - ela disse e sem qualquer esforço me puxou para fora do banheiro. Quando já estávamos no centro do quarto, ela tateou o apoio da cama e sentou-se. Vi que respirava com um pouco de dificuldade.

Imaginei que assim como foi para mim, ter um contato direto com o serial killer tinha aumentado mais a pulsação da Haruno, do que quando vimos o cadáver de Hidan diante de nós.

- Você acha... Acha que aquela mensagem era só para a polícia?

Fiquei um momento em silêncio pensando a respeito do que a Haruno estava querendo dizer. O recado era destinado àqueles que o procuravam e não somente a polícia... Podia estar falando de qualquer pessoa que estivesse o procurando, no caso, eu e a Haruno.

Droga. Temos que sair daqui.

Em um movimento rápido levantei a Haruno pelo cotovelo. Em seguida peguei sua bolsa no chão a entregando. Em menos de três minutos estávamos saindo do prédio, sem se despedir do guarda e seguindo em direção a minha motocicleta há algumas quadras de distância.

Durante todo o percurso permanecemos em completo silêncio, enquanto esbarrávamos em algumas pessoas entre as densas ruas de Nakano. Já estava levemente escuro e as luzes excessivas brilhavam. Na minha garganta eu podia sentir minhas veias pulsarem, enquanto minha mão estava fortemente agarrada na Haruno. E mesmo que eu nunca tivesse sentido tudo aquilo, eu sabia do que se tratava, um misto de adrenalina, ansiedade e medo.


Sakura, Centro de Nakano, às 19h22min.

Sentia Gaara me segurar pelo pulso dolorosamente. E se antes eu estava preocupada e ansiosa essa sua postura só me deixava ainda mais assustada. Andávamos apressados por uma das diversas ruas movimentadas de Nakano, a mesma em que a livraria se encontrava. Havia tantas pessoas que andávamos ziguazeando, enquanto as luzes ofuscantes dos imensos quadros eletrônicos quase me cegavam. No entanto eu não conseguia parar os meus passos cada vez mais acelerado; eu sentia alguém me perseguindo e que, caso eu parasse, eu seria surpreendida por ele.

- Para onde estamos indo?!

Gaara não me respondeu, apenas continuou me arrastando enquanto eu fitava seus cabelos vermelhos. Aquilo me infligiu e tentei me desapegar dele, mas suas mãos continuavam firmes em meu pulso como se estivesse totalmente ausente quanto minha existência. Tentei mais uma vez, mas nada mudou. Seus passos continuaram em um ritmo acelerado e constante, enquanto me sentia confusa diante de todas aquelas pessoas desconhecidas e fortes luzes.

Olhei para trás como se tentando me localizar naquele espaço sufocante, então, como se meus olhos não me pertencesse vi, há alguns metros de distância, uma pessoa. Desfocada e distante, não conseguia definir sua forma, mas aquela era a menor das minhas preocupações, pois, de alguma maneira, eu sabia que ela estava em busca da gente.

Meu coração pulsava, enquanto sentia um frio inexplicável. Minha voz soou desesperada:

- Gaara, é ele. É ele!

Ele não se virou, mas em resposta ao que dizia acelerou ainda mais os passos e começamos a correr. Repentinamente o caminho estava livre enquanto sentia a mão suada de Gaara em meu pulso, a respiração descompassada, gelada, de uma maneira quase dolorosa.

Viramos uma esquina e nos deparamos com uma rua menos movimentada. Voltei olhar para trás esperando vê-lo, mas não havia ninguém, além de um grupo de meninas que riam alto. Voltei a olhar para frente e repentinamente o farol de um carro me cegou, no momento seguinte Gaara parou.

Demorei cerca de um segundo para entender o que estava acontecendo.

Bem a nossa frente estava aquela garota. Sua pele pálida como cadáver, os olhos castanhos avermelhados brilhando.

- Gaara... - escapou de minha garganta.

O senti apertar ainda mais meu pulso e se virar comigo em direção contrária, mas logo que o fizemos nos deparamos com uma garota, desta vez, viva e de imensos olhos castanhos, nublados e distantes.

Meu coração já não mais palpitava, só sentia o suor frio em minha face.

- Haruno.

Gaara voltou-se para mim. Vi sua expressão aflita, os olhos verdes-água brilhando, algo ali semelhante a uma despedida. E então aquela pessoa apareceu no fundo do meu panorama, uma arma de fogo erguida, a mesma usada contra Asuma - lembrei-me de Kurenai, de Hinata, de Ino. Na tristeza iminente da perca, a expressão vazia na face suicida, o choro de desespero, desamparo...

(...)

O som da bala soou como um estalo, um cheiro de ferrugem idêntico ao da banheira. Minha atenção voltou-se completamente até Gaara que tinha a face pálida, e os olhos arregalados enquanto uma das mãos apertava o estômago. E então naquele meio segundo que corri atrás dele, eu sentia todas aquelas sensações de uma vez, uma dor quase física, incurável.

Naquele segundo apenas o vi cair no chão, enquanto gritava seu nome.

- Gaara!

A luz fosca da manhã pintava as paredes brancas do meu quarto. Foi à primeira visão que eu tive, logo depois de tomar consciência do meu coração palpitando e minha face levemente úmida enquanto me encontrava com os olhos arregalados e a face repousada sobre o travesseiro.

Levei as mãos ao rosto tentando me acalmar e organizar o pensamento. Fazia anos que eu não tinha um pesadelo assim. A primeira ideia organizada foi Gaara, e depois Hidan, morto naquela banheira.

Sentei-me na cama sem antes perceber o que estava fazendo. Queria apagar de minhas lembranças o sangue em seus cabelos, assim como sua pele pálida de cadáver. Enquanto sentia o chão firme sobre meus pés descalço e percebia a tranquilidade da minha casa, me recordava do que tinha acontecido depois de lermos aquele bilhete. Havíamos saído de lá rapidamente, sem olhar para trás e ignorando o fato de estarmos esbarrando em todos. Gaara tinha deixado sua motocicleta há algumas quadras de distância e, em questão de poucos minutos, ele havia me deixado em casa.

Senti repentinamente minhas faces esquentarem. Droga, tinha me esquecido que Gaara está dormindo na minha sala nesse exato momento. Depois de que chegarmos a Adachi, e logo após uma exaustiva discussão sobre dormir em sua casa, eu pedi para que ele então ficasse por lá, já que provavelmente nenhum dos dois conseguiria dormir sozinhos.

- E você acha mesmo que eu conseguirei dormir te deixando sozinha depois daquilo? Impossível, Haruno.

Ele falou levemente alterado, algo totalmente inesperado, apesar de tudo que aconteceu. No fim, ficamos em um silêncio mórbido, enquanto eu pegava cobertores e um travesseiro para ele dormir na sala. Fizemos depois um chá, enquanto ele procurava algo para comer - por que eu mesma estava sem apetite.

- Você quer conversar sobre isso? - ele me perguntou repentinamente, e seu tom cauteloso me provocou uma sensação afável, apesar de tudo.

- Acho que não. Queria me acalmar para depois pensar no que fazer. - eu respondi.

Ele concordou com a cabeça e virou-se ficando de costa para mim enquanto procurava o açúcar que eu tinha lhe informado estar nos armários de cima. Percebi que naquele momento ele estava se contendo para não se aproximar. Não sei dizer por que, mas eu, em reposta, fui em sua direção e o abracei de costas, com minhas mãos na altura do seu peitoral. Vi que ele parou seus movimentos com meu contato, e senti também que seu coração acelerou, pois estava tão próxima que podia ouvi-lo perfeitamente. Aquilo me provocou um sorriso, mesmo que eu me sentisse constrangida, levemente assustada e muito ansiosa.

- Eu também estou nervosa com você aqui.

Ele não disse nada, só escutei soltar o ar com mais força e logo depois ele segurou minhas mãos. Ele não se sentia diferente.

- Às vezes... - ele começou, a voz baixa e rouca, em um tom tímido e relutante - Eu tenho vontades que não sei o que fazer... Eu quero vê-la o tempo todo. Não sei como eu deveria lidar com isso. Quero tanta coisa...

Eu já tinha os olhos arregalado com aquela indireta declaração. Gaara não era de falar, principalmente das próprias emoções, muito menos lidar com elas ou expô-las... E naquele momento ele estava ali, com as mãos nas minhas, eu sentindo seu coração palpitar enquanto falava todas aquelas coisas.

E mesmo que eu não soubesse o que fazer, só sei que estava sentindo o mesmo. E foi uma sensação única e quente e ansiosa e confusa, e desejei de verdade que ela durasse por um longo tempo.

- Eu também. - respondi apenas por que senti vontade de fazê-lo, pois parecia desnecessário. Gaara em resposta soltou minhas mãos e se virou. Mesmo sentindo-me muito constrangida para isso, eu o fitei e mais uma vez vi aquela expressão gentil e afável, que apenas podemos ver nos olhos de quem realmente gosta da gente.

Ele levou suas mãos ao meu pescoço e antes que eu pudesse perceber ele já estava me beijando. O primeiro segundo relutante, logo depois incrivelmente ansioso, daquela maneira doce e quente, enquanto deixamos a respiração escapar por nossas bocas.

- Gaara...

Soltei seu nome, durante uma trilha de beijos em meu pescoço. Aquilo pareceu deixá-lo ainda mais ávido, pois ele interrompeu o movimento e me encarou - os olhos verdes-água nublado - e logo depois voltar a me beijar. Senti sua língua ansiosa invadir minha boca, e meu corpo andar para trás em busca de um apoio. Percebi que estava apoiando-me na mesa e em um ato ligeiro, quase inconsciente, eu me sentei sobre ela, enquanto minhas mãos afundavam em seus cabelos, e ele me prensava entre minhas pernas segurando-me fortemente pela cintura. Beijava-me próximo a orelha de maneira que podia escutar sua respiração acelerada e me fazendo perceber que a minha se encontrava igual.

Repentinamente ele parou, enquanto tinha as mãos ainda um pouco acima da minha cintura e a face encostada na minha. A principio eu não entendi. Logo depois nossas respirações se acalmaram, mesmo que estivéssemos tão próximos. Um constrangimento quase doloroso me abateu e como se ele entendesse meu pensamento, se afastou e se virou rapidamente. Mesmo assim eu pude ver perfeitamente bem o volume por debaixo de sua calça jeans.

Minhas bochechas não podiam corar mais do que estavam

Ele bagunçou os cabelos e eu soube que ele se sentia culpado. Talvez achasse que tinha passado do limite. Permiti-me pensar por um momento, pois eu não queria que ele entendesse errado e a situação acabasse se tornando desconfortável assim como foi quando nos beijamos. E então, diante de uma coragem que eu não sabia ter disse:

- Eu também quero isso.

Ele pretendia se virar, mas seu movimento parou quando uma rajada de vento provocou um farfalhar nas árvores. Seguimos rapidamente até a varanda, procurando qualquer sobra, pessoa, ou serial killer ali. Foi algo automático, assim como o medo.

Não havia ninguém, a não ser uma indicação de que hoje nevaria um pouco. Mesmo assim sentia meu coração acelerado, e aquele indicio de pânicono peito. Somente naquele momento recapitulei tudo que estava acontecendo.

- Vou trancar a casa.

Eu disse e Gaara concordou em me acompanhar. Rapidamente terminamos, sempre em um silêncio incômodo, enquanto sentíamos aquele receio irracional. Quando por fim, ficamos na sala, o sofá ocupado pelas mantas, o aquecedor ligado e a única luz da casa acessa, nós dizemos Boa Noite.

E agora estou aqui, me lembrando daquela expressão gentil, antes dele ser baleado em meu sonho. Senti a imensa vontade de vê-lo, só para ter certeza de que estava tudo bem.

Segui ainda de pijama até a sala, sem me preocupar com os cabelos bagunçados ou a cara de sono. Meu grande alívio foi quanto eu o vi deitado no sofá, o cobertor quase caindo no chão e sua respiração ritmada.

Estava tudo bem. Deixei escapar um suspiro enquanto levava as mãos ao rosto.

- Sakura?

Quando voltei a olhar para frente, lá estava Tenten, em seu uniforme, na entrada da sala, com uma sacola em mãos e os olhos castanhos arregalados às vezes olhando para mim às vezes olhando para Gaara...

Que acabava de se levantar, bagunçando os cabelos enquanto olhava ainda aturdido o que estava acontecendo...

Droga...

Ainda bem que é a Tenten e não a minha vó.

- O que está... Digo... Deus... Vocês estão juntos? - ela apontou o dedo para mim e depois para Gaara em um movimento frenético. - E você não me contou? - sua expressão era mais de surpresa do que de raiva.

Vi Gaara voltar a se sentar no sofá e enfiar as mãos nos cabelos. Provavelmente ele achou que fosse um invasor, e agora se encontrava bastante aliviado de pensar que só é a Tenten. Eu, ao contrário dele, preferia até que fosse um invasor, e não minha melhor amiga escandalizada.

- Estou surpresa. - ela fechou a boca e com uma expressão franca balançou a cabeça positivamente. Sem dizer nada foi até a cozinha e eu a segui.

- Tenten... Eu... - me aproximei puxando seu braço. Ela voltou-se para mim com um sorriso imenso no rosto.

- Me conte tudo, Sakura-chan.

Droga. Isso vai durar horas.


Gaara, Colégio Kitagawa, as 10h35min do dia seguinte

Era a terceira vez que ela se recostava naquela parede. Às vezes levava a mesma mexa de cabelo até a orelha, mesmo que obviamente ela soubesse que ela não pararia ali. Enquanto isso olhava ansiosa para os lados, enquanto as unhas arranhavam uma a outra em uma tentativa de se acalmar.

Já fazia algum tempo que a Haruno estava pouco a pouco se habituando a mim. Era cada vez mais natural e sincera - sem sorrisos de covinha ou respostas sarcásticas. Também não ocultava suas emoções, seja ansiedade como agora ou como ontem, e isso com certeza estava me ajudando a entendê-la melhor.

- Haruno-san? - uma garota simplesmente brotou ao meu lado enquanto pedia a atenção da Haruno e ignorava minha presença. Provavelmente era mais algum assunto sobre o festival. Conversaram rapidamente e no meio de tantos sorrisos - covinhas e mais covinhas - elas pareceram resolver o problema.

- Este festival está me enlouquecendo. - ela comentou quando a garota sumiu. Levou o dedão até os lábios e começou a dar pequenas mordiscadas indicando seu nervosismo. Aquilo estava me incomodando; eu segurei sua mão na altura do seu rosto, e muito sério pedi:

- Se acalma, semana que vem você não terá que se preocupar com isso.

Ela me fitou levemente surpresa em seguida gradualmente sua expressão suavizou-se, mesmo que no final sua face fosse uma junção de sobrancelhas franzidas e olhos verdes melancólicos.

- Não é isso que me preocupa.

- Hinata ficará bem. Falarei com meu pai.

Aquilo não pareceu tranquilizá-la.

- É necessário que outra pessoa faça isso. - ela soltou minha mão, aquilo foi inusitado, pois ela sempre reagia muito bem as minhas aproximações. Talvez ela estivesse com a cabeça atordoada demais para isso. Meio minuto depois a expressão de Sakura se alterou enquanto olhava para trás de mim. Há algumas portas de distância o Uzumaki surgiu de uma aula de laboratório.

Ela não me esperou, simplesmente seguiu em direção ao Naruto e o puxou pelo o braço. A escutei dizer:

- Precisamos conversar Naruto.

E saiu o arrastando até uma sala vazia no segundo andar. Os acompanhei há alguns metros de distância; quando Sakura soltou o braço de Uzumaki e eles se fitaram longamente em silêncio, eu já me encontrava bem ao lado deles.

Naruto tinha uma expressão confusa e Sakura estava bastante enfurecida.

O que era estranho, por que nunca, naqueles dois meses desde que a conheci, ela ficou tão alterada.

- O que aconteceu Sakura-chan?

Eu pisquei e, nesse milésimo de segundo, o som da mão da Haruno contra a face de Naruto soou por toda sala. Aquilo me deixou surpreso, e eu mal consegui disfarçar. No entanto, com certeza minha expressão não era mais notória do que a do Uzumaki que tinha uma das mãos até a bochecha e seus imensos olhos azuis a encarando sem entender absolutamente nada - assim como eu.

- Eu não acredito que você a abandonou quando ela mais precisava de você, seu idiota.

Era uma ofensa peculiar, pois, por mais que ela estivesse obviamente alterada - seus punhos estavam fechados na altura do quadril - sua voz soou bem audível e, no entanto controlada. Aquilo me preocupou, pois obviamente toda aquela situação era muito digna de preocupação.

Naruto, no entanto só continuou a fitando com os olhos arregalados como se estivesse chocado demais para dizer qualquer coisa. E então pairou um longo minuto de silêncio, até que Sakura deu um passo para trás e simplesmente saiu da sala, sem eles trocarem qualquer outra palavra. Eu sabia que eu tinha que correr atrás da Haruno, entretanto eu estava parado ali, observando o Uzumaki com uma expressão melancólica e distante na cara.

- A desculpe, ela está muito...

- Ela está certa. - Uzumaki só me disse isso e realmente acreditei nele. - Melhor você ir atrás dela.

- Eu sei.

Sai em busca da Haruno e fiquei surpreso ao vê-la, logo após sair da sala, encostada em vão entre duas janelas, olhando-me como se estivesse me esperando. Demorou um segundo para ela desapoiar-se e seguir em direção ao pavimento inferior, em passos lentos enquanto me esperava aproximar.

- Você está bem?

- Não há melhor choque da realidade do que esse. - ela disse sem me fitar, e vi pelo canto dos olhos que ela tinha uma comissura no canto da boca. - Apesar de que, isso não anula a possibilidade de Hinata cumprir com a Nuvem Vermelha. No entanto, com certeza seria pior se eu que tomasse alguma iniciativa direta com ela.

- Estou de acordo.

Ela sorriu para mim e eu me senti realmente satisfeita ao ver que não era com covinhas. Em um ato quase inconsciente ia levando minha mão até sua quando, novamente, uma menina brotou há alguns metros de distância a chamando. Imediatamente Sakura se virou e direcionou toda sua atenção para garota intrometida.

Baguncei os cabelos suspirando. Esse festival será uma grande droga.


N/A: Bom, não ia rolar pegação nesse capítulo - por que eu realmente acho trabalhoso escrever essas partes hauha' -, mas então eis que Yoko Nick Chan comenta que essa situação com certeza seria inevitável e eu só pude concordar com ela. Se vocês gostaram da cena na cozinha dos Haruno, agradeçam a ela haha'. Também tenho que citar Bianca Caroline que me ajudou com a cena do cadáver do Hidan e a reação deles depois - a ideia de sonho também foi sugerida por ela e eu particularmente adorei.

Ah, Rafa, uma das leitoras, me pediu no capítulo anterior que eu enviasse o resumo do que tem acontecido desde o capítulo 16. Ele ta bonitinho aqui no meu computador, caso alguém queira, pois o tempo acaba apagando os detalhes e é complicado ficar relendo tudo, é só falar. Só não prometo que todos os detalhes estejam nele haha'

Bom, com esse capítulo também vem um AVISO IMPORTANTE, eu disse que AUR seria atualizada de 10 em 10 dias, mas provavelmente até a primeira semana de março não poderei publicar o capítulo 30 - que em minha opinião é um dos melhores. O motivo é por que estou em final de semestre e Max Weber e Kant me esperam.

Violak: hauhah' Gaara é um menino saudável poxa. Diante desse seu comentário, acredito que você gostou desse capítulo haha' Sakura tambem deu uma ajudinha indireta entre Hinata e Naruto... e vamos ver no que vai dar né? Ai, ai, ai, o pessoal tá meio divido nessa questão Hinata e Naruto... Você é uma que está a favor dos dois, enfim, esperar para ver. Um beijo de acerola.

Andressa: Eu não consegui responder seu comentário no ultimo capítulo, mas espero que você possa lê-lo agora =) Eu fico lendo os primeiros capítulo e fico surpresa o quanto mudou desde o ano passado haha' não somente isso, mas principalmente os personagens - Gaara era uma porta emocional no inicio hauha' e um mal educado. Muito obrigada pelo comentário e um beijo de cacau.

Oul K.Z