N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassina
Capítulo 30
Festival
29 de novembro de 2007
Sakura, Adachi às 07h45min.
Calcei minha sapatilha enquanto tentava mastigar aquela torrada industrializada com gosto de nada. Eu ainda me pergunto por que eu insisto em comprar essas porcarias. Estava sentado nos degraus da varanda e quando por fim consegui tirar aquele gosto seco da boca minha atenção voltou-se para uma bituca de cigarro no cinzeiro sempre localizado atrás de uma das pilastras de madeira.
Ela deveria estar ali há mais de uma semana. Sorri vagamente, pois além do bom humor, já fazia um bom tempo que não sentia aquela vontade incontrolável de fumar. Às vezes eu percebia o gostinho de cigarro na boca de Gaara quando ele me surpreendia em algum corredor vazio, ou na saída do intervalo, ou quando marcamos sob alguma desculpa estúpida de encontrarmos no terraço. E ele era sempre impulsivo, agindo na maioria das vezes do nada, sem me dar qualquer pista do seu próximo ato.
- Ainda estou um pouco enciumada com o fato da Ino não estar naquela caderneta. - uma vez eu comentei, quando nos encontramos no terraço.
- Eu sei, era única razão pelo qual ela estaria vinculada ao Hidan.
- Sim, e eu estive pensando. Talvez Asuma tenha o procurado para tirar satisfação a respeito disso, para ele se afastar da Ino e não tentar que ela se envolva com o grupo suicida.
Gaara inclinou-se sobre a grande do terraço com os braços cruzados. Aproximei-me ficando a sua frente, a menos de um metro de distância, podendo sentir mais claramente o cheiro de cigarro mentolado, o que era estranho já que ele só fumada Marlboro Vermelho.
- Isso explicaria o que o Sai falou também. - ele comentou repentinamente sem me fitar, apenas olhando os próprios sapatos. - Talvez ele e Asuma tenham tentado salvá-la ante de se juntar ao grupo suicida
- Mas por que então Asuma seria morto por causa disso?
- Talvez o assassino conheça Ino de alguma maneira. Ou melhor, a relação entre Ino e Asuma.
Lembre-me do momento em que eu e Naruto nos conhecemos e encontramos acidentalmente Ino e Asuma abraçados na sala de Ikebana enquanto ela encontrava-se em prantos. O que me faz pensar que qualquer um poderia ter visto aquela cena.
- Verdade. O assassino não está intimamente ligado com todas as vítimas, do contrário a polícia já teria o pego rapidamente, não acha? - eu sugeri.
- Sim... E caso Hiromi esteja de alguma maneira ligada aos assassinatos, ela comentou sobre aquele cara de maneira bastante leviana, não parecia ser íntima ou amiga.
- Sim, ainda temos isso.
Gaara voltou-se para mim, ainda com os braços cruzados. Ele inclinou levemente a cabeça como se indagasse mentalmente sobre algo.
- Você parou de fumar, Haruno?
- Só às vezes. - respondi repentinamente acalorada. Naquele dia eu não tinha percebido ainda o tom de voz muito pessoal que Gaara usava, capaz de me provocar inconscientemente sensações ambíguas e quentes. - Parei um pouco desde que minha vó voltou.
- Ela não sabe que você fuma?
- Sabe, mas prometi há muito tempo que ia parar. Mas como você percebeu?
- O seu cheiro...
Ele comentou casualmente. Depois me puxou vagamente pelo braço e nossos corpos repousaram um no outro. Gaara sempre fazia isso, me abraçava do nada, tocava em meus cabelos e dizia coisas inconscientes - e constrangedoras. E tudo com aquela maldita cara de concreto. Entretanto era impossível não observar que ele estava gradualmente mudando, se tornando mais natural e impulsivo, sem questionar no que deveria ser feito ou poderia ser feito. E, no entanto, desde que ele dormiu em minha casa, se limitava aos abraços e beijos muito simples. Não que eu reclamasse disso, mas de alguma maneira ou de outra, a sensação que eu tinha era de que em algum momento ele não se satisfaria somente com isso e eu não teria muito que pensar a respeito.
- O cheiro de erva doce. – ele comentou em um murmúrio mesmo que não houvesse qualquer expressão em seu rosto. Tinha como eu ficar irritada com isso? Ele só me abraçava enquanto repousava o rosto em meus cabelos e ficava assim em silêncio. Poucos segundos depois eu cedia, e lá estava eu, com as mãos em suas costas enquanto sentia o cheiro de desodorante na blusa. Naquele momento em especial eu podia sentir além de tudo o cheiro de cigarro mentolado, e mesmo assim eu mal senti vontade de acender um.
- Sakura?
Pisquei e retornei minha atenção ao que estava fazendo. Acabava de sair de casa quando encontrei com Naruto encostado no poste no outro lado de calçada. Ao seu lado estava uma bicicleta.
- Naruto?
- Sakura-chan. - ele sorriu. Um sorriso desconfortável e levemente melancólico. Ficamos um segundo em silêncio nos encarando, a impressão que eu tinha era que deveria me sentir de alguma maneira desconfortável com meu comportamento anterior, mas não fiz nada, nem senti absolutamente qualquer sentimento semelhante. Apenas levei uma mecha do meu cabelo, sem parar de encará-lo, esperando pacientemente que ele começasse a falar. Repentinamente ele suspirou como se cedendo a minha ordem calada. - Precisamos conversar não é?
- Sim, vamos indo enquanto você fala.
Eu segui em direção a calçada e começamos uma caminhada devagar até a estação do metrô.
- Então, você ficou sabendo da Hinata?
- Que ela pretende se matar em breve? – havia algo de raiva e cinismo em minha voz - Sim.
Eu não o fitava e por isso não podia ver sua reação.
- Não somente isso. O pai dela.
- Sei que ele faleceu recentemente. Ela me contou.
- Não... - sua voz saiu quase em um sussurro - Ele foi assassinado.
Aquelas palavras me fizeram parar. Voltei em sua direção. Ele estava com as mãos apoiada na bicicleta, enquanto o rosto se via uma expressão rígida e relutante.
- Imaginei que ela não tivesse te falado. Na realidade poucas pessoas sabem.
Enquanto ele falava aquilo eu só pensava em uma coisa.
- O que isso significa Naruto? - minhas palavras soaram tremidas e instáveis. Ele franziu as sobrancelhas e por alguma razão eu soube o que veria a seguir.
- Ele foi assassinado pelo mesmo bastardo que matou Jiraiya e Iruka-sensei.
Eu fiquei um momento sem reação, apenas com os olhos fixo na blusa social do dolégio de Naruto.
- Mesmo assassino... Então...
- Sim, eu e a Hinata criamos um vinculo também por causa disso. Entediamos as dores um do outro.
Ele começou a se explicar, mas a única coisa que eu pensava era que o ciclo estava fechado.
- E eu sei que eu deveria ser chamado de bastardo por tê-la abandonado exatamente por causa disso.
Merda. Mais que grande droga. O que tudo isso significava. Kiba, Jiraiya, Asuma, Iruka, Deidara, Kabuto e... calma, Hinata e Naruto se envolveram logo apos a morte de Jiraiya e antes de Iruka, então provavelmente, o pai dela se encaixa entre os dois... Não, isso não tem sentido.
- Sakura-chan? Você está me escutando?
Voltei à realidade quando por fim os olhos azuis de Naruto se focaram a minha frente.
- Desculpa. Estou apenas surpresa. Então vocês estão vinculados por algo tão... Eu nem sei o que falar Naruto. - e de certa maneira era verdade. - Mas então... Por que você terminou com ela?
- Era esse ponto que eu queria conversar com você. - suas sobrancelhas suavizaram-se enquanto ele soltava um lento suspiro pela boca. Estreitei os olhos desconfiada, pois o que ele diria a seguir foi , provavelmente, muito bem articulado antes. - Eu tive meus motivos para me afastar da Hinata-chan. E eu não queria que você me julgasse tão errado... Não que o seu tapa não tenha sido merecido... Mas... Mas... Como posso dizer? Se eu realmente não me importasse com a Hinata, eu te pediria ajuda para ficar próxima a ela?
- Isso não responde minha pergunta, Naruto.
- Eu não posso respondê-la, essa é a questão. Entenda.
Minha mão foi segurada e senti sua palma fria pelo dia. Seus olhos de um azul cintilantes me fitavam de uma maneira sincera quase sufocante. Havia algo de muito estranho naquele pedido, mas eu apenas concordei com a cabeça, mesmo sentindo aquele incômodo no alto do pulmão.
Agora que eu paro para pensar. Naruto e consequentemente Hinata acabavam de entrar em toda aquela trama da Nuvem Vermelha. Retornamos nossos passos em direção à estação do metrô, quando entramos na estação, eu já havia enviado uma mensagem marcando um encontro com Gaara.
Gaara, Estação do Metrô às 10h33min.
Levei o café até a boca, e antes de engolir o líquido amargo, escutei o som de algo ser jogado na cadeira a minha frente. Sakura acabava de chegar, uma expressão tensa no rosto, ainda vestida em seu uniforme escolar assim como eu.
Kitagawa começava os preparativos para o festival, e por isso não teríamos aulas. Consequentemente não podíamos nos encontrar no colégio, pois como a própria Haruno falava e também por experiência própria, seria impossível achar um horário vazio. E por isso, estamos aqui, em uma espécie de cafeteria localizada dentro da estação de metrô.
- O pai da Hinata foi morto pelo mesmo assassino.
Levantei uma sobrancelha, não raciocinando direito o que ela queria dizer. Ao fundo escutei o som das pedras nos trilhos chacoalhando, indicando a chegada do vagão.
- Gaara. Você tá me ouvindo? - ela perguntou, mas não deu espaço para responder. Levou uma das mãos até o rosto de maneira agitada - Isso significa que o ciclo está fechado. Que os sete já foram assassinados... E...
- Haruno, calma. Isso não tem sentido. - falei, pois ela já estava levando as mãos até os cabelos. - Quem lhe disse que o pai da Hinata foi assassinado?
- O próprio Naruto.
- E por que ele comentou isso?
- Ele veio me visitar hoje pela manhã, agora a pouco, queria se explicar, queria, sei lá, não parecer o estúpido que eu achei que fosse.
Suspirei.
- Certo, então vamos considerar que isso seja verdade. Que o pai dela está incluso no ritual. - dei uma pausa, esperando que ela absorvesse as palavras e parasse de ser tão afobada. - Lembra-se que o ritual segue uma ordem? Que as flores na cabeça da vítima é o motivo pelo qual foi escolhido?
- Sim, eu sei. O que é estranho, por que se seguirmos a lógica, nos temos... - ela deu uma pausa, enquanto procurava algo em sua bolsa. Poucos momentos depois colocou sobre a mesa um caderno de folhas recicláveis. - Veja, essa é a associação. Kiba é o Jacinto, Jiraiya é a Tulipa Amarela, Asuma é a Dália, Iruka a Latana, Deidara a Orquídea e por fim, nós temos Kabuto, a Papoula. Resta apenas a Rosa, que significa o amor.
Entendi o que ela queria dizer. Se Hiashi estava morto, a Rosa já tinha sido definida.
- Hiashi foi morto quando?
- Eu não sei, mas Naruto deu a entender que ele e Hinata se envolveram por causa dessa fatalidade em comum. No caso, o pai da Hinata estaria entre Jiraiya e Asuma, ou entre Asuma e Iruka, pois pelo que eu me recordo, eles começaram o relacionamento deles a partir dai.
- Isso muda a ordem das flores... - pensei em voz alta enquanto acompanhava seu raciocínio. Ela me fitava intensamente, como se me pedisse uma resposta. - Bom... Isso é estranho, por que, se assim for, o pai dela seria a Dália, Asuma a Latana, Iruka a Orquídea , Deidara a Papoula e por fim, Kabuto a Rosa.
- Não. Impossível. – ela ajeitou-se na cadeira e inclinou-se em minha direção de maneira que quase senti seu perfume de erva doce. – Pois veja, lembra-se da foto de Jiraiya e Asuma? Eles sem dúvida são a Dália e a Tulipa. É de qualquer forma seria estranho que Iruka fosse a Orquídea... E Kabuto a rosa? Shizune me disse que ele era reservado e solteiro, às vezes até totalmente apático quando se tratava desse assunto... - Sakura concluiu, e eu só pude concordar com ela.
- Há uma possibilidade. Nós interpretamos errada a morte de alguém. As únicas vítimas que temos certeza que foram assassinadas pelo seria-killer, foram o Jiraiya, Asuma pelo qual vimos as fotos, Iruka que, como você disse, o próprio Naruto confirmou e Deidara confirmado pelo meu irmão.
- Kiba. - ela deu uma pausa. - Como sabemos que Kiba foi assassinado pelo serial Killer? Você chegou a ver o corpo dele? Com o sinal da Nuvem Vermelha?
Pisquei, tentando me lembrar daquele dia. O máximo que eu tinha visto era a ficha dele sobre o balcão e como se tratava da única datada no dia anterior acreditei que era a mais provável. Exatamente, se tratava de uma probabilidade. Nada me garantia que a ficha da verdadeira vítima, em tese o pai da Hinata, não estivesse ali ou sido direcionada para outro setor.
- Uma coincidência. – murmurei. – Uma coincidência que Kiba e o pai da Hyuuga tenham falecido no mesmo dia e tratados no mesmo hospital.
- Mas logo depois veio Ino e Asuma, isso reforçou a ideia...
- Não. – a interrompi me lembrando de algo importante. – Estava acontecendo uma cremação no templo budista no mesmo dia do enterro de Kiba, se lembra? Hyuuga é uma família tradicional... Não sei. – dei uma pausa tentando organizar meus pensamentos. – O que falaram da morte do Kiba?
- No colégio me disseram que ele sofreu um acidente de moto, mas isso não significa nada, pois a família poderia muito bem ter decidido camuflar o acontecido. Mas... - ela deu uma pausa como se lembrasse de algo importante. - Eu tenho certeza de ter visto o nome do Inuzuka no necrotério... E Ebisu, o escritor daquelas reportagens sensacionalista me confirmou que o corpo foi levado para aquele hospital.
Suspirei novamente. Aquilo pareceu chamar atenção da Haruno para mim, pois finalmente ela olhava o meu rosto e não para as possibilidades de resposta que eu poderia lhe dar. Instintivamente levei minhas mãos até a dela e ela imediatamente mordeu a parte interna dos lábios.
- Estou meio confusa. - ela declarou por fim. - E para piorar, eu não sei o que fazer. Se o ciclo está fechado, o que poderíamos fazer?
- Ainda teríamos um Serial Killer para descobrir. E lembre-se que ele pode ser um copiador, assim como não pode ser.
- Como assim?
Era algo que eu já queria ter conversado com a Haruno desde que lemos aquela mensagem na parede.
- Ele pode repetir os crimes novamente, o mesmo ciclo, assim como fez tenho pensado sobre isso. A mensagem que foi deixado, seja para nós, seja para polícia, ou até mesmo para qualquer um, tem algo peculiar.
- Como assim? Fala logo Gaara.
- Eu sei que você não acredita que Hiromi seja uma assassina, mas eu tenho pensado o contrário. No recado que nos foi deixado "Aos que me procuram não se preocupem, o poema será, desta vez, terminado." desta vez significa que já foi feito antes certo?
- Sim, você... - ela deu uma pausa e por fim suspirou. - é óbvio, me sinto tão ridícula agora por não perceber isso.
- Exatamente, esse mesmo ritual foi realizado antes e, no entanto, não foi fechado. Eu pensei que a Hiromi talvez tenha chegado até o final, com a exceção da Rosa, que significa o verdadeiro amor, certo? E se por alguma razão a Rosa tenha que ser o amor dela? No caso Yusuke... Ele não conseguiu matá-lo, e por isso não cumpriu com o que dizia o poema.
- Você acha que então alguém que sabia disso está realizando o mesmo ritual?
- Sim, não é Hiromi obviamente, mas alguém que está copiando o mesmo processo. Lembra-se que uma das suposições é que Kazuma foi morto pelos mesmos motivos que Asuma, pois ambos pertenciam a Dália?
- Verdade... - ela concordou ainda pensativa - Talvez ele continue com os crimes... Mas mesmo assim, não temos certeza se ele continuará ou não, isso não quer dizer nada, seja com o ciclo fechado ou não.
- Claro, e não importa, ainda não é possível dizer se o ciclo fechou.
- Sim... É intragável para mim que a ordem das flores e seus significados mudem tanto. - um segundo café chegou sobre a mesa, no entanto, Haruno parecia novamente tão pensativa sobre a Nuvem Vermelha que ignorou completamente a garçonete. Repentinamente ela voltou-se para mim. - Certo, irei descobrir essa história sobre o Kiba e se não for verdade, nos resta acreditar que o ciclo foi fechado...
- Ou que Kabuto não está morto e ai nos restaria a Rosa.
Ela concordou com a cabeça.
- Como você pretende conseguir essa informação?
Ela soltou um sorrisinho de canto.
- Quem mais senão a própria Ino?
Eu sinceramente não acreditava que Ino diria qualquer coisa. No entanto, se Sakura estava sorrindo daquela maneira era por que, muito provavelmente, ela conseguiria o que queria.
Sakura, um dia antes do festival às 15h33min.
Acabei descobrindo por terceiros que Ino Yamanaka não frequentava o colégio há dias. Para ser mais exata há mais ou menos três semanas, coincidindo com o período em que Hidan foi solto. Provavelmente ela ficou apavorada, ou até mesmo, sob a custódia da polícia, o que não entanto não explicaria por que ela faltou os últimos dias já que provavelmente os detetives já acharam o corpo dele.
Eu tinha tentado conversar com as meninas do grupo de Ikebana, e também com a professora responsável, mas nenhuma delas me deu uma resposta satisfatória. Foi peculiar perceber que nenhuma delas realmente parecia se importar como e por que a Yamanaka não frequentava mais as aulas e elas acabaram confessando que Ino nunca foi realmente íntima de nenhuma delas. Foi então que eu soube que apenas uma pessoa me explicaria aquela situação.
Ele acabava de sair do corredor destinado as Artes em Geral. As mãos e roupas sujas de tinta.
- Sai. - o chamei, ele não pareceu muito surpreso com minha chegada. Apenas sorriu e seguiu até mim.
- Representante. - era um tom de voz neutra, mas Sai era sempre neutro então eu tive a intuição de que se tratava de uma piada.
- Como tem estado a exposição? - eu perguntei, apenas para puxar assunto. Sai estava organizando uma exposição para o festival e havia me confessado que seria uma surpresa.
- Ah, está tudo bem. - ele pausou parecendo pensar sobre o assunto. - Eu irei mudar o nome da exposição sabe. Percebi que ela tem mais a ver com a pessoa destinada, ou pessoas destinadas, do que com as obras em si.
Lembrei-me vagamente da sensação afável e distante que as obras de Sai me provocavam, como se me levassem a outra realidade. Não eram realmente belíssimas, mas de uma sensibilidade impressionante, às vezes eu me perguntava por que Sai só conseguia demonstrar emoções daquela maneira, já que eventualmente sua cara sempre estampada com um sorriso não significava nada para mim.
- Isso é ótimo, irei vê-la com certeza.
- Eu gostaria muito. Em especial se você fosse com o Gaara-san. - ele sorria, o mesmo maldito sorriso e eu, no entanto, só consegui me sentir constrangida. Será que todo mundo já estava sabendo?
- Por que diz isso? – joguei verde.
- Ah, vocês não estão saindo? Esses dias eu fui ao terraço e vocês estavam lá.
Provavelmente minhas pupilas dilataram. Tínhamos sidos pegos no flagra.
- Er... - tentei contornar a situação, mas o sorriso neutro em sua cara me fez lembrar que Sai tinha muito pouco discernimento do que é constrangedor ou não. - Você e a Ino também, não?
O sorriso em sua face morreu lentamente e eu soube que eu tinha tocado em um ponto importante.
- Ino gostaria que fosse um segredo.
Eu pisquei. Sai era tão prático às vezes.
- Tudo bem, eu só notei por que sou observadora e por que você vivia comentando sobre ela, de uma maneira ou de outra.
- Entendo. Isso não é bom. - ele olhou para baixo piscando. - Certeza que mais alguém não sabe?
- Sim, apesar de Tenten-chan estar bastante curiosa pelos motivos pelo qual ela tem faltado há tantos dias. Ela cogitou que tinha algo a ver com Kiba.
Ele não reagiu a minha isca. Eu queria que ele comentasse algo a respeito, mas o máximo que saiu foi um momento de silêncio enquanto ele fitava neutro o chão pensando no que falar.
- Não é por isso... Digo, não que Ino não se importe com isso. - com isso o que? Quis perguntar, mas supus que se tratasse de Kiba. - Ela só não pode vir mais ao colégio. É uma questão de autoproteção.
Franzi o cenho da melhor maneira possível, uma expressão mista a preocupação e espanto.
- Ela está em perigo?
- Não é exatamente isso, Haruno. Ela vai ficar bem, só não é confiável.
- Tem alguma coisa a ver com Kabuto-sensei? - perguntei, tentando não parecer muito ansiosa. Sai me respondeu rapidamente.
- Não tem nada a ver com isso. Ino simplesmente achou drogas nas coisas dele, ele desapareceu antes mesmo dessa acusação.
Aquilo era curioso, pois me indicava que Kabuto não tinha desaparecido por ser um foragido, e nossa suposição era cada vez mais correta. Entretanto, eu tinha que retornar ao ponto que me interessa, então simplesmente continuei:
- Sai, eu sei que é estranho perguntar isso logo para você... Mas você sabe como Kiba faleceu? - resolvi mentir um pouquinho. - há um boato de que ele foi assassinado.
Sai, entretanto, apenas me fitou muito sério. Algo que era realmente muito estranho em sua face.
- Você sabe que ele sofreu um acidente.
Não eu não sei! Isso pode ser tudo invenção da família! Gritei mentalmente, mas por fora eu era um poço de paciência e ingênua curiosidade.
- Verdade? Eu achei estranho isso... E Ino...
- Sakura-san. - ele me interrompeu. - Onde você quer chegar?
Suspirei. Eu não conseguiria nada com ele se eu não fosse pelo menos um pouco sincera.
- Eu gosto de você Sai, mesmo com esses seus sorrisos de plástico. Mas eu sempre me indaguei, por que Ino se envolveu com você sendo que ela acabou de perder o namorado. E ainda mais o Asuma-sensei que todo mundo sabe que ela era muito próxima.
Ele não disse nada.
- Estou perguntando isso, por que o relacionamento de vocês é intenso demais.
- Eu não sei o que é amor Sakura.
Aquilo me fez olhá-lo com mais atenção, e vi que algo não identificado em seu rosto me indicava ser verdade, talvez fosse o fato dele não estar usando aquele sorriso plastificado.
- Mas eu sei que Ino me faz bem, me provoca algo que não entendo, e que não faço questão de entender, e acho que amor é exatamente essa confusão toda. Não sei se é realmente amor, mas não me importa, há meses que eu não importo com nada e é por isso que eu não estou me importando de finalmente estar me importando com tudo isso.
Eu pisquei ainda tentando organizar suas palavras. E foi então que ele riu e sorriu.
- Você é realmente engraçada, Sakura-san. - e riu mais um pouco. - Especialmente agora fingindo ser tão horrorosa.
Não entendi o que ele quis dizer com aquilo, mas não consegui não sorrir. No fim, eu apenas soltei um "idiota branquelo", algo que era realmente estranho, pois parecíamos muito sinceros. Acabei não conseguindo confirmar como Kiba morreu, pois todos os alunos, inclusive os da turma de Ino sendo alguns deles ex-colegas do Inuzuka repetiam a mesma história.
Gaara, dia do festival em Kitagawa às 16h20min.
Quando entrei pela minha sala, o cheiro de sândalo invadiu minhas narinas, e junto a isso havia também o vermelho das cortinas e abajures que, psicologicamente, pareciam deixar a sala quente e abafada. Nas paredes a decoração de vários séculos atrás, ao fundo se escutava música tradicional e pessoas conversando enquanto sentavam-se em almofadas no chão.
Estava tudo muito bem produzido. Eu tinha que admitir. Minha turma criou um dos famosos bórdeis do período Edo, a proposta era que os visitantes fossem convidados a desvendar um mistério, em que envolvia personagens históricos, como militares e gueixas famosas. Não havia muita lealdade histórica, mas todos ficaram tão empolgados com a ideia de Lee - e quem mais faria isso? - que ninguém tentou reajustar nada. Nem quando ele propôs ser um poderoso xogum e eu seu serviçal. Eu não me importei, por que, como ele havia explicado nos longos minutos em que tentava me convencer, eu não teria que fazer nada além de usar um Yukata e olhar de maneira estranha os visitantes - o que eu fazia naturalmente.
Agora eu estava aqui, sentado em uma mesa de chá ao lado de Rock Lee que sorria escandalosamente e agia teatralmente quando algum visitante lhe perguntava a respeito do mistério que envolvia o bordel "Flor do Oriente". Era uma espécie de missão de RPG pelo qual você tem que fazer as perguntas certas para os personagens certos.
- O que você acha meu grande amigo serviçal? - ele me perguntou, na face uma expressão séria e exagerada digna de um péssimo ator de teatro tradicional. Eu nem olhei mais para a cara dele, quando perguntou pela décima vez a mesma pergunta.
- É perigoso. - respondi inexpressível a única fala que me obrigaram a decorar. - Mas acredito que, as damas - poderia ser cavaleiro, ou casal, ou velhinhas esquisitas - deveriam procurar a Geisha Hyuuko.
- Vocês escutaram minhas jovens curiosas. - Rock Lee completava com uma expressão solene e logo depois elas se levantavam e saiam dali empolgadas com a continuação da missão.
- Gaara-kun!
Levante o rosto diante daquele chamado, totalmente ciente de quem se tratava. Olhei inexpressível para a garota pequena que estava diante da gente, os olhos castanhos claros fixo em minha face enquanto sorria gentilmente.
Matsuri, a garota do primeiro ano que vezes e outra puxava assunto.
- Oh minha dama, conhece meu grande amigo serviçal?
Ela riu antes de concordar com a cabeça.
- Você fica muito bem de Yukata, Gaara-kun. - ela comentou enquanto ajeitava uma mecha de seus cabelos que acaba de cair. Suas bochechas tinham uma tonalidade corada, e a garota que estava ao seu lado soltou um risinho tímido, o que me recordou que Matsuri era a mesma garota que tinha se declarado para mim no mês passado. Normalmente as garotas se esquivavam quando isso acontecia, mas ela sempre parecia muito empolgada ao me ver e talvez por isso, a maioria das vezes em que ela me abordava, eu só conseguia tratá-la como a garota bonita que era mais nova que eu. Conversávamos vagamente, e as vezes eu sentia que ela me tratava como um irmão mais velho.
- Você tem que saber quanto tempo eu demorei a convencê-lo a usar isso.
- Eu imagino, Gaara é o cara mais sem graça que eu conheço.
Aquela voz. Claro. Haruno estava de pé, com os braços cruzados e um sorriso divertido e cínico no rosto. Eu notaria mais em sua expressa se ela não estivesse usando um vestido preto tão apertado na cintura, cheio de renda, com gola até o pescoço, parecendo uma estrangeira no início do século XX.
- Você está linda, Sakura-san. - Rock Lee comentou, um sorriso imenso na cara. - Mas do que você está vestida?
- Sou uma viúva russa da guerra Russo-Japonesa. - ela explicou simpaticamente, como sempre fazia naquelas situações sociais que eu tanto julgava desnecessária. - Desculpa interrompê-los e tal, mas eu preciso falar com o Gaara-san.
Levantei-me e ajeitei meu Yukata, sentindo minhas pernas doerem depois de tanto tempo sentado. Aproveitaria aquele momento para fugir das minhas funções educativas desnecessárias, e Sakura me parecia uma ótima opção para isso. Para não dizer a melhor.
- Vamos até o terraço - eu disse por fim, quando me coloquei ao lado da Haruno. Naquele momento me dei conta o quanto se tornou desnecessário enrolar para chegar ao ponto que realmente interessava.
- Não é necessário, e será rápido.
- Tudo bem.
Matsuri e Rock Lee me observavam, provavelmente esperando que eu dissesse algo também para eles.
- Eu já volto. – disse, pois achei que era necessário.
- Você não irá voltar tão cedo, Gaara-kun. - Lee comentou com um sorriso malicioso no rosto e eu quase senti vontade de levantar uma sobrancelha. Eu não tinha comentado nada com ele a respeito da Haruno, mas depois daquela cena na casa dela, provavelmente Tenten havia lhe contado todos os detalhes. E por isso, toda vez que ele tinha oportunidade de insinuar algo, ele fazia questão de usar seu melhor tom de voz, incrementar minha imaginação e fazer perguntas indecentes – só para ver minha reação, pois eu sabia que ele realmente não estava interessado em saber até onde eu e a Haruno havíamos chegado.
- Relaxa, não pretendendo roubar seu amigo por muito tempo. - Sakura comentou sorrindo, e senti que deslizou suas mãos pelo meu braço e o segurou fracamente. O que era estranho já que a Haruno nunca se insinuava para nada. Logo depois ela saiu me arrastando pelo pulso, e quando por fim saímos da sala e fomos parar no terceiro andar, onde o festival não seria realizado e consequentemente se encontrava menos movimentado, ela voltou-se para mim.
Os olhos verdes imensos, ainda mais claros em sua pele branca contratada com um vestido tão escuro. Era engraçado que ela, toda coberta por aquela vestimenta tão justa, se tornasse ainda mais bonita, fosse por que eu podia ver claramente sua curvas ou por que parecia combinar tão bem.
- Onde você conseguiu esse vestido? – perguntei sem pensar muito.
- Uma das alunas me emprestou. – ela disse casualmente. - Você recebeu minha mensagem?
Me senti levemente preocupado. De maneira quase inconsciente levei minhas mãos até seus braços. Era engraçado e inconveniente, mas toda vez que a Haruno parecia assustada, frustrada ou intrigada com algo, tocá-la e senti-la mais próxima de mim, era uma espécie de calmante.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntei sem rodeios. Desde o acontecimento com Hidan eu tenho estado naquele constante estado de alerta. Ela balançou a cabeça negativamente com um sorriso de leve no rosto.
- Tá tudo bem. Eu só queria, fugir um pouco do sufoco do festival.
Vi que ela levou sua outra mão em direção a minha me pedido para soltar e consequentemente não ficar tão tenso, pois estava tudo bem. Em seguida, seus dedos ficaram entrelaçados nos meus. Eu não fazia muita questão daquela espécie de romantismo, na realidade eu sempre fui um pouco apático nesse assunto, mas quando eu via a expressão suave e contente da Haruno com aqueles pequenos atos, eu começava a sentir muito prazer em fazê-los. De maneira que eu começava a entender, por que as vezes eu queria fazer coisas totalmente sem sentido para mim, como levar um de suas mãos até boca e beijá-la.
- Temos quanto tempo? - eu perguntei.
- Talvez uns vinte minutos até sentirem minha falta. - ela sorriu para mim. Vi seus olhos verdes levemente reluzentes, a boca, muito próxima levemente aberta tornando carnuda. Senti aquela sensação de baixo da barriga, como sempre ocorria quando a Haruno parecia tão convidativa. Então a abracei, por que eu simplesmente queria muito abraçá-la.
- Aconteceu alguma coisa Gaara? - ela perguntou, sua voz soando bem próxima do meu ouvido, de maneira que eu podia senti-la na curva do meu pescoço.
- Não sei, só queria abraçá-la durante esses vinte minutos.
Ela riu.
- Vinte minutos abraçados é muito tempo, Gaara.
Gostava quando ela me chamava pelo meu nome, principalmente com aquele tom de voz.
- Eu não me importo.
Ela ajeitou-se melhor em meu abraço, e mesmo que aquele Yukata fosse realmente desconfortável eu não me importei. E então ficamos ali, sem muito que falar, apenas abraçados.
- Você conversou com seu pai?
- Sobre a caderneta?
Ela murmurou algo que me lembrava um sim.
- Ainda não. Não quero abordá-lo de qualquer jeito e você sabe que eu fazendo isso teremos que desistir do caso, certo?
Ela soltou novamente o mesmo murmurinho, e depois com a voz abafada perguntou:
- Você acha que deveríamos desistir disso? Eu tenho pensado... Não há nada que podemos fazer realmente, certo?
Eu não disse nada. Desde o início eu nunca tinha começado a investigar aquele caso na intenção de resolver e muito menos de fazer alguma coisa a respeito. Eu só queria entender o que estava acontecendo e quanto mais eu procurava isso mais eu era absorvido. Haruno, no entanto, tinha entrado em detalhes muito pessoais. E não por que ela quisesse, mas simplesmente tinha ocorrido. A conversa cara a cara com Hiromi, o processo de luto de Naruto, e nos últimos dias o fato da Hyuuga ter sua foto estampada naquela caderneta. Eu entendia perfeitamente bem por que às vezes ela pensava em simplesmente em abandonar aquela história e mesmo assim nunca fazia.
- Você quer isso? - eu perguntei. Ela se afastou de mim, me fitou por um momento, algo rápido demais, por que logo depois ela inclinou-se nas pontas dos pés e me beijou. Um beijo muito suave, levemente molhado e como sempre terminado com uma leve mordida no lábio inferior. Ela sempre fazia isso, e eu, sem muito mistério, sempre gostei muito.
- Não sei ainda. – ela me respondeu por fim, uma expressão muito suave no rosto. - Acho que a polícia achou a caderneta, já que deixamos lá... Se eles tivessem que fazer qualquer coisa, eles já estão fazendo, certo? E depois que eu conversei com Naruto eu tenho a impressão de que ele fará algo pela Hinata.
Ela estava correta, mas eu sabia que a polícia não faria nada até que o caso fosse encerrado. Mas não quis dizer isso, pois novamente ela se sentiria pressionada a agir como sua moral dizia. Então é só concordei com a cabeça e ela sorriu.
- Você viu a exposição do Sai? Deus, foi tão lindo.
Escutamos duas garotas no andar inferior comentarem. Estávamos próximos a escada então provavelmente elas se encontravam ali. Eu rapidamente as ignoraria, mas Sakura olhava para o nada, aparentemente muito atenta ao que diziam.
- Pena que o nome seja tão clichê. - a outra comentou e riu. - Sério? Amor?
Mediante aquelas palavras senti as mãos de Sakura apertarem as minhas com mais força e depois, finalmente, sua atenção voltar-se para mim.
- Ainda não temos certeza, certo?
Não entendi a princípio o que ela quis dizer com aquilo. Mas ela não me deu espaço para perguntar. Simplesmente soltou minhas mãos e seguiu até escadaria, indo em direção as meninas que realmente se encontravam ali.
- A exposição do Sai é sobre o quê?
- Desculpa? – uma delas perguntou sem entender.
- É sobre um relacionamento de amor fictício, mas todos nos sabemos que é sobre alguém, certo? – a outra cutucou a primeira estudante e as duas compartilharam um sorriso. Haruno, no entanto não comentou nada a respeito apenas as ignorou e seguiu até o segundo andar onde o festival estava sendo realizado.
- Droga, onde está Tenten? - a escutei perguntar para si mesma, enquanto andávamos apressados pelo corredor. Ela parou repentinamente na frente de um grupo de meninas e afoita perguntou:
- Vocês viram o Naruto ou o Sai?
Elas negaram com a cabeça, Sakura saiu sem se despedir, nem explicar nada. Segurei-a pelos braços, puxando-a para mim e fazendo-a me encarar, não precisei perguntar nada.
- A exposição... Talvez o Sai.
Sai. A Rosa, conclui mentalmente.
Fiquei em silêncio e apenas a deixei livre. Logo depois ela seguiu sem dizer mais nada pelo corredor e entrou em uma sala. Estávamos tão apressados que eu não me dei o trabalho de notar na decoração, a não ser que atrás de um balcão estava Naruto, vestido como uma militar da Segunda Guerra Mundial.
- Naruto.
- Sakura-chan? Está tudo bem ? - ele perguntou aparentemente preocupado.
- O Sai, onde ele está?
- Não sei... Talvez na sala dele.
- E a Hinata... A Hinata-chan, onde ela está?
- Hinata-chan? - ela pareceu pensar por um segundo. Sua face agora ainda mais confusa. - Não sei, ela estava comigo agora pouco...
Eles não tinham terminado? Perguntei-me, mas agora não era hora de indagar sobre isso.
- Não importa. Droga. Me diga, você conversa com a Ino não é? Ela estava em seu apartamento, e a Hinata também é amiga dela e… - ela começou a levar as mãos aos cabelos até que por fim, quando finalmente pareceu dizer algo coerente, perguntou - sabe o que aconteceu com Kiba?
- Kiba? Ex-namorado da Ino que faleceu em um acidente de moto?
- Você tem certeza disso? - ela perguntou muito séria.
- Certeza do que?
- Que Kiba morreu de um acidente de moto! - ela já estava gritando. Eu rapidamente levei minhas mãos até seus ombros tentando acalmá-la. Ela em resposta apenas balançou a cabeça, enquanto Naruto a encarava pasmo. Depois suspirou e mais calma continuou - Me diga, você tem certeza?
- Claro. Todos sabem disso... E foi Ino-san que comentou com a Hinata-chan. Ela mesma presenciou a morte do namorado, ela se culpa até hoje por isso.
Sakura, que tinha as mãos no ombro do Naruto, deixou as mãos deslizarem até que ficaram suspensas no ar. Aquilo explicava nossas suspeitas de que alguém dentro do ciclo não havia realmente falecido pelas mãos do assassino que procurávamos. E significava que Iruka era a Latana, Kabuto a papoula... E...
- Temos que avisar o Sai. - minha voz saiu neutra.
Sakura, no entanto não disse nada, apenas saiu da sala quase correndo. Eu a segui e percebi que Naruto nos seguia. Os corredores estavam lotados de estudantes, o barulho, que a pouco me acostumava, estava ainda mais alto. E, fosse pela bagunça ou pelo som, eu não conseguia prestar atenção em nada, a não ser que lá fora um sol laranja tingia os granito enquanto eu via as costas da Haruno correndo.
Eu tinha que ser racional. Olhei para Naruto que estava ao meu lado.
- Liga para Sai e descubra onde ele está. - pedi. Nesse momento Sakura entrou em uma sala que supus ser a mesma da turma de Sai. Ela perguntou sobre ele, mas todos diziam que ele tinha sumidos há várias horas. Vi que a Haruno apertou o próprio pulso, e que os olhos já estavam brilhando de lágrimas.
Ela não me olhou quando saiu da sala e continuou procurando.
- Ele não atende. Toca, toca, mas não atende. - Naruto disse, e não respondi nada, apenas continuei a seguindo.
- Na sala dele. - escutei Sakura dizer mais para ela mesma do que para nós. A vi levar as mãos aos olhos em uma tentativa de esconder o choro, os passos ainda acelerados, provavelmente tão preocupada que mal conseguia pensar direito. E, como sempre faço, segurei seu braço.
- Haruno, se acalma.
- Você tem ideia do que pode estar acontecendo aqui?!
Ela gritou arrancando minhas mãos do seu braço. Todos no corredor nos olhavam. Eu fiquei estático por um momento, sentindo-me patético. Naruto olhou para mim, indagando, sem dizer nada, o que estava acontecendo, e Sakura, no entanto, apenas continuou andando, descendo as escadas em direção ao corredor destinado a aulas artísticas.
Me senti arfar, pois agora que passamos por esse corredor, me lembrei que aquela parte do colégio também não estava sendo usado para o festival. Não era completamente deserto, mas uma sala bem fechada, com algum aviso na porta e com o barulho atordoante do andar de cima, seria capaz de camuflar muito bem um acontecimento fatal.
E foi quando me senti pela primeira vez desesperado, desde que aquela história toda começou. Pois Sai não poderia morrer. Não quando a Haruno poderia ter impedido. Não quando ela sentia que poderia tê-lo ajudado e não o fez. Ela se sentiria culpada de novo, assim como com Iruka, assim como ela já faz com Hinata, e então choraria como antes e desta vez pela morte de um amigo.
Não poderia simplesmente.
Sakura, Festival em Kitagawa as 17h16min
Mas estava ali. Mesmo eu repetindo tantas vezes em minha cabeça, pedindo e pedindo, para que não acontecesse, ainda estava ali, bem diante de mim. A mesma sala em que eu estive com ele, rodeada dos quadros que me arrancavam qualquer sentimento desagradável; onde também trocamos palavras enquanto ele me sorria com aquele maldito sorriso plastificado.
E agora nada daquilo. Só o cheiro de ferrugem, a cor laranja do sol e ele ali, deitado no chão, o peito nu a vista, na pele leitosa o símbolo da Nuvem vermelha. Não consegui ver mais nada, por que meu corpo aqueceu, senti em minhas pernas um formigamento doloroso, o calor invadindo gradualmente minha cabeça, até que eu caí no chão. A última imagem que eu vi foi o rosto pálido e morto de Sai... E só pensei que eu faria qualquer coisa para que, ao contrário daquilo, eu visse o maldito sorriso hipócrita nele.
Olá, olá. Desculpa o atraso novamente, mas os dias estão corridos – e vcs foram informados desse atraso... Que foi maior do que o esperado, mas juro que foi por bons motivos. Espero que ninguém tenha desistido de A Ultima Rosa haha'.Mas para compensar esse capítulo valeu por dois, pois foi o maior de toda a fanfic - sete mil palavras. E provavelmente os próximos também serão por que tentarei encerra a fanfic em o menor número de capítulos possível, logo todos serão muito cheio de informações.
Mas enfim, será que alguém se lembra que no dia do enterro do Kiba, outra pessoa estava sendo cremada no templo budista ao lado? E que provavelmente se tratava de alguém rico? haha' Pois então, desde o terceiro capítulo já estava prevista a morte do Hiashi. Agora por que eu ocultei essa informação já são outros quinhentos. Quanto ao Kiba ter morrido em uma acidente de moto foi algo que eu já tinha pensado desde o inicio, na realidade em nenhum momento foi comprovado que ele foi assassinado. Por exemplo, quando Gaara e Sakura vão ao necrotério, eles não veem o cadáver, para confirmar nada, e Hiromi também nunca citou como era o corpo que foi encontrado em seu apartamento. Ainda tem a questão das fotos, achei estranho que ninguém tenha indagado por que eles só conseguiram quarenta por cento delas na hora de transferir para o pen-drive hauha', acredito que por que todo mundo estava convicto assim como a Haruno e Gaara da morte dele pelo assassino da Nuvem Vermelha.
Pois então, alguém ficou surpreso com esse final? haha' Espero que ninguém me odeie por causa dele. Eu gosto realmente do Sai, e veja só, próximo capítulo, pela primeira vez Ino irá nos contar alguns segredinhos. E o pai do Gaara irá aparecer também.
Ah eu não sei se eu já comentei isso nos comentários finais, mas existe uma dualidade entre os leitores, a favor ou contra Naruto e Hinata. Há quem suspeite dela e poxa a menina é tão doce gente hauha'
Bom, sem mais, um enorme beijo de goiaba, por que eu adoro goiaba e até mais.
Violak: Por um momento eu pensei que ninguém cairia nessa. Imagine eu matando o Gaara bem nos capítulos finais? Trágico haha' Ah eu também acho que seja necessário, mas eu confesso que eu ando meio preocupada em acelerar os fatos e por isso algo mais concreto não acontecerá nos próximos capítulos (acho haha') E tudo bem eu não te acho uma pervertida (só um pouquinho).
Raiza: Ah, Gaara é uma fofo de qualquer modo, e eu me gabo e me derreto por ele todas as vezes que escrevo alguma cena com ele narrando... O que é raro aqui no site, me pergunto por que as fics dele tem caído tanto... Enfim, desabafos a parte, muito obrigada pelo comentário e espero que mesmo com toda demora você continue acompanhando.
D. F. Braine: Por um momento eu achei que ninguém cairia nessa história do sonho, que seria muito paia da minha parte fazer isso haha' mas por fim, pelo jeito, algumas pessoas ficaram agoniadas com a possibilidade d eperdemos nosso adorável gentleman. Ah eu queria que fosse uma surpresa, mas pensando bem eu já tinha dado altas dicas de que ela pertencia de fato ao grupo suicida. Rio sempre que leio "mara" independente da situação hauha' E a senhorita esqueceu de deixar o e-mail !
D.F Brainer:
Oul K.Z
