N/A: Suspense, romances e alguns assassinatos.
Capítulo 32
Salvação
01 de dezembro de 2007
Sakura, Centro de Tóquio, às 18h25min.
Era sábado. E mesmo assim parecia domingo, o dia estava preenchido por aquela áurea comum ao marasmo e melancolia dos dias nevados. Ou talvez, assim eu achasse, pois acabava de sair da delegacia.
Cheguei ao final da tarde, e mesmo assim fui levada até a sala particular do pai de Gaara e por fim, após uma espera de vinte minutos, ele surgiu. Conversamos vagamente, sem perguntas desnecessárias, nem convenções sociais. Apenas declarei o que eu tinha visto, informei como eu tinha reagido e por que eu tinha decidido ir até a sala de pintura.
Gaara tinha me dito antes, quando me deixou em casa, que eu poderia ser sincera com seu pai em relação à Nuvem Vermelha, pois ambos já tinham deixado a situação bem clara.
– Eu sabia que era a Rosa. Quando soube que Sai tinha feito uma exposição chamada amor, eu acredite que ele poderia ser uma possível vítima.
O pai de Gaara fez rapidamente outra pergunta como se já soubesse da resposta anterior.
– Somente por isso?
– Era meu amigo, eu tinha que saber se ele realmente não era a vítima, por mais que não houvesse muitas provas.
– Entendo. Acredito que Gaara já comentou com você, mas ele está vivo. De alguma maneira ele somente desmaiou durante o ritual... E, apesar disso, pretendemos espalhar pelos jornais que ele na realidade faleceu indo em direção ao hospital por insuficiente respiratória em conjunto a uma reação alérgica ao medicamento usado para dopá-lo.
Aquilo me surpreendeu, de maneira que perguntei ligeiramente:
– E por que disso?
– Queremos convencer o assassino. Não queremos que ele tente novamente ou dê continuidade ao ritual. – a expressão dele mantinha-se inalterada, assim como estava desde o inicio de nossa conversa. – Estou informando você disso, pois quero que tudo ocorra como o planejado.
– Certo... – minha voz saiu um fiasco. Gaara poderia ser muito semelhante ao pai, mas com certeza ele era bem mais intimidador. – Não direi nada, principalmente por causa do Sai.
– Sim, isso o manterá em segurança.
Houve mais algumas perguntas, mas nada que fosse realmente relevante. O que em realidade foi muito perturbador, pois ele não tinha abordado qualquer assunto em relação a minha investigação com Gaara.
Assim que sai da delegacia o celular tocou.
Era Tenten. Atendi rapidamente e logo pude escutar ao fundo o som de música pop, provavelmente, cantada por alguém muito desafinado.
– Sakura! Eu sei que é cedo, mas Rock Lee insistiu que fôssemos a um Karaokê.
Nem tive tempo de responder, pois alguém arrancava o celular de suas mãos.
– Venha Sakura-san. Você nem vai acreditar quem é que está aqui. O próprio ilustre Hyuuga Neji!
– Lee!
Uma voz rouca protestou no outro lado da linha. Eu sorri, pois sabia que eles tentavam me animar. Em realidade eu desejava mais do que tudo minha cama, mas eu tinha que amenizar aquela situação e provar para os outros, e para mim mesma, que estava tudo bem. Sentia necessidade também de conversar com Gaara e explicar meu comportamento no dia do Festival.
– Eu vou, mas com uma condição.
– Diga. Qualquer coisa, Sakura-san.
– Então... Convença o Gaara a ir.
Só de imaginar Gaara em um karaokê, eu já sentia um sorriso brincar em meus lábios.
– Isso será difícil... Mas tudo bem! Esteja aqui em dez minutos.
Era um absurdo. Tanto pelo tempo, como pelo Sabaku. Mas mesmo assim eu concordei.
Gaara, Shibuya às 19h45min.
Eu evito karaokês, da mesma maneira que evito metrô em horário de pico e shoppings no final de semana. Mas definitivamente eu evito ainda mais karaokês. Por duas razões muito elementares: primeiro, por que era abafado e segundo, por que eu era sempre abordado e sufocado por alguém.
Nesse exato momento estou sentado em um dos vários sofás confortáveis. As luzes coloridas do telão inibem o meu campo de visão e uma garota desconhecida está sentada ao meu lado, sorrindo efusivamente para mim.
Há cerca de meia hora Rock Lee me ligou. Dizia que eu tinha que vir urgentemente para o Karaokê, pois Sakura estava passando mal. Obviamente eu não acreditei. Primeiro por que a Haruno era sensata e não passaria mal na companhia de Lee, e segundo por que definitivamente ela não faria isso depois da noite de dois dias atrás. Mas mesmo assim eu fui, por que ele insistia e eu não poderia, mesmo convicto do contrário, deixar de ir para ajudá-la.
Me senti um idiota quando cheguei. Pois estavam todos lá, Tenten com um pandeiro, Lee cantando, Neji em um canto e três garotas que eu não conhecia. De onde elas surgiram, eu não perguntei. O importante, no entanto é que não havia nenhuma Haruno passando mal e aquilo me deixou ainda mais morgado do que eu estava.
Cruzei os braços assim que eu cheguei. Tenten se aproximou de mim, muito afobada, como se tive tomada uma ou duas cervejas. Não estava bêbada, apenas contagiada por Lee.
– Gaara-san! Fica assim não. – ela nem me cumprimentou, só levantou o pandeiro. – Mas veja, a Sakura tá vindo, só não chegou ainda.
E até agora ela não chegou. Só me resta então ficar sentado aqui, enquanto Neji, ao meu lado, se mantem de boca calada e a garota continua com as perguntas banais.
– Então você é de Kitagawa?
Suspirei pelo nariz. Ela sorriu. E eu, sem mais opção, concordei com a cabeça. Ela nem pareceu constrangida por eu estar sendo tão seco. Não que eu não gostasse dela, ela me parecia semelhante a qualquer uma de Kitagawa, diferenciando-se apenas pelo uniforme, eu simplesmente não estava muito interessada em conversas sem fundamentos.
De longe Tenten e Rock Lee me observavam e trocavam olhares.
O que eles esperavam que eu fizesse?
– Então Gaara-san tem namorada?
Eu me virei em sua direção, e não por que sua voz era melosa e enjoativa, mas por que eu não sabia o que responder.
Eu não sabia se eu e a Haruno estávamos namorando.
Só sabia que eu estava apaixonado por ela.
Eu tinha finalmente chegado àquela conclusão no momento em que a encontrei na enfermaria e ela parecia incapaz de me olhar. Me senti aflito e assustado, só desejando que ela ficasse bem. Depois que cheguei em casa, logo após deixá-la – trocando algumas palavras superficiais e uma despedida – eu me vi pensando sobre isso. O excesso de cuidado, preocupação, até de frustração quando não pude fazer nada. Não pude evitar aquela cena, nem acompanha-la em seu sono, nem dizer palavras de conforto. Além disso, existia a vontade constante de vê-la, de tocá-la e abraçá-la só de escutar sua voz no telefone. Era estranho. Me soava constrangedor e um pouco sem sentido. Mas estava ali e nunca me pareceu tão certo chegar àquela conclusão.
– Gaara-san?
Voltei minha atenção para a menina ao meu lado. Seus olhos amendoados e grandes atentos em mim.
– Eu não sei.
– Não sabe o que Sabaku?
Sabaku. Somente uma pessoa me chamaria assim, pelo menos daquela maneira que soava mais como uma brincadeira. Sakura acabava de chegar e antes de poder respondê-la ela já estava retirando seu pesado casaco e revelando uma blusa verde de manga cumprida. Usava também calças jeans pretas e all star.
E mesmo assim ela me pareceu muito atraente.
– Ah, então vocês estão namorando?
A garota ao meu lado, que até um instante atrás eu já não prestava mais atenção, perguntou para nós dois, um sorriso tendencioso pendurado nos lábios. Mesmo que o lugar fosse um pouco escuro, eu pude perceber algo nas bochechas da Haruno.
– Preciso falar algo contigo. – decidi ignorar a pergunta da garota e me levantei do sofá. – Vai ser rápido. – completei.
Eu e a Haruno fomos para o lado de fora. Ficamos no corredor, e mesmo que ainda fosse um pouco barulhento - podíamos escutar Rock Lee cantando lá dentro - pelo menos tínhamos mais privacidade.
– Se socializando dessa vez Gaara? – ela perguntou, a voz indicando ser uma brincadeira. Mas não era.
– Com ciúmes? – eu perguntei casualmente, como se fosse o fato mais óbvio do mundo.
– Não é ciúme. – ela se indignou. – Ela estava lá toda se derretendo e...
Eu esbocei um sorriso mínimo com aquela reação. E ela parou como se estivesse muito constrangida com a própria estupidez. Decidi mudar se assunto.
– Como foi lá com meu pai?
– Tranquilo. Ele só me pediu para não falarmos sobre a situação do Sai.
Ele tinha conversado comigo a respeito, mas aquilo não me preocupava. Sem perceber eu levei minhas mãos até os seus cabelos e o afaguei.
– Ontem... Eu fiquei preocupado com sua reação. – eu disse, pois aquilo de fato estava me consumindo desde então. Ela em resposta segurou minha mão em seu rosto.
– Eu estou bem. Desculpa por aquilo...
Ela parecia realmente sentida pelo seu comportamento. Por tudo que tinha ocorrido naquele dia em Kitagawa, desde o momento em que procurávamos por ele, até o momento em que se negava olhar para mim. No entanto, não havia nada de errado e eu queria que ela entendesse nisso.
– Está tudo bem.
Ela levantou os grandes olhos verdes e eu senti uma vontade insana de beijá-la. Mas somente a abracei, e ela rapidamente contribuiu.
– Você não precisa pedir desculpas, mas fiquei realmente assustado.
– Eu sei... Ainda bem que estávamos lá.
Ficamos em silêncio, e eu me permiti me concentrar apenas no seu cheiro de erva doce, no calor de sua pele, e todas aquelas sensações estranhas que um simples abraço dela era capaz de me provocar.
Era bom estar com ela. Era bom saber que ela estava bem.
– Gaara!
No separamos rapidamente quando Rock surgiu do nada. Rapidamente percebi que ele estava alcoolizado pelas pestanas pesada e o absurdo pedido que veio a seguir.
– O casal tem que fazer um dueto!
E fechou a porta. Sakura riu, uma risada sem covinhas.
Eu realmente quero beijá-la agora.
Entretanto um longo suspiro interrompeu minha vontade. Neji acabava de sair, a face corada e exausta, as sobrancelhas juntas em um cenho mal humorado.
– Como as pessoas aguentam Lee por mais de duas horas?
– Ele não é tão terrível. – Sakura o respondeu, aparentava estar bem humorada e inclusive sincera. – Talvez um pouco.
Neji esboçou um meio sorriso.
– Está sendo educada Haruno.
– Quem sabe? Por que Hinata não veio com você?
Neji levou as mãos até o cabelo em um ato inconsciente.
– Ela não pode vir. Está um pouco aflita com a situação que aconteceu no colégio.
Ele parou de falar como se aquilo fosse suficiente, mas mesmo assim Sakura insistiu.
– Você acha que ela está melhor?
– Na realidade não muito. Ela voltou com o Uzumaki e isso me preocupa, mas não há nada que eu possa fazer.
– Entendo... Bom... – Sakura deu uma pausa e levou um dos dedos aos lábios. Eu sabia que era um movimento premeditado. – Eu sou amiga do Naruto... E por isso só posso lhe dizer que estou feliz pelos dois.
Mas nos dois sabíamos que aquela noticia era muito recente. Havia, claro, uma suspeita, mas nada que fosse realmente oficial.
– Eu te entendo. Você está do lado dele. – Neji respondeu, mesmo não soando tão sincero. – Não há nada que eu possa fazer de qualquer modo.
Neji me apareceu um garoto bastante diplomático, e era muito fácil imaginar a Haruno e ele sendo amigos por conveniência.
– Mas é uma pena, eu queria ver Hinata-chan, ela sumiu no festival e não pudemos conversar.
– Não era para ela ter ido.
– Por quê?
– A família. Estamos sendo bastante... Como posso dizer... Manipulados nesse momento. Ao fim, Hinata só tem a mim e Ino.
Haruno já tinha comentado comigo que Neji depositava, de uma maneira peculiar, toda sua confiança na Yamanaka. Entretanto, agora que ele o dizia, excluindo até mesmo a Haruno e principalmente Naruto, essa amizade me parecia bastante peculiar.
– Ino? Ela tem estado um pouco sumida. Imagino que Hinata-chan esteja sentindo muito falta.
– Ino nos visita com frequência. Mesmo que... Não importa, ela tem sido uma grande amiga para Hinata.
Observei Sakura encarar Neji por um instante. Ela estava desconfiada de algo.
– Ah! Me lembrei de algo... Hinata-chan me pediu um livro emprestado. Tulipas Amarelas, do escritor Jiraiya...
– Sim, o quê há com esse livro?
– Isso já faz tempo, por isso eu não sei se ela já conseguiu... Eu pensei em fazer uma visita para entregá-lo.
O Hyuuga, no entanto, apenas levantou uma sobrancelha.
– Estranho. Hinata, ela já tem esse livro, inclusive autografado pelo próprio autor.
Agora eu estava entendendo tudo.
Sakura, dia seguinte, Centro de Tóquio as 08h55min.
Hoje pela manhã eu decidi tomar um chocolate quente em uma cafeteria semelhante ao Donatello há algumas quadras de distância de minha casa. Minha vó tinha levado para casa todo o seu grupo de tai-chi-chuan para uma manhã de chá e eu me encontrava muito cansada para me socializar com todos eles - apesar de serem todos muito mais interessantes do que os alunos de Kitagawa. Minha vó não estava sabendo nada a respeito do que tinha acontecido no colégio, eu apenas tinha lhe contado uma história muito superficial e ela aceitou de bom agrado, pois como sempre, sua confiança era totalmente depositada em mim.
Eu gostava de minha vó, afinal ela havia me criado e nunca tinha me faltado nada. E exatamente por isso eu evitava ao máximo que ela se estressasse com bobagens, mesmo que eu tivesse que mentir um pouquinho.
Gaara então me mandou uma mensagem, no exato momento em que sai da cafeteria com um copo fumegante em mãos. Ele me perguntava onde poderíamos nos encontrar e mesmo que se tratasse apenas de um SMS eu percebi que ele estava bastante ansioso por aquilo. Após sorrir tolamente eu decidi lhe fazer uma visita, mesmo sabendo que talvez seus irmãos estivessem por lá. Não seria nenhum problema certo?
Entretanto logo duvidei de minha conclusão, pois, logo que toquei a campainha, me deparei com um garoto mais velho, com uma samba canção, meias e um roupão aberto mostrando todo o seu peitoral peludo.
Esse deve ser Kankurou o irmão mais velho de Gaara. Quando ele sorriu eu tive minha certeza, pois de alguma maneira, eu sabia que ele seria totalmente diferente do Sabaku.
– Você não seria a Sakura, seria?
Como ele sabe meu nome?
– Sim...
– Quem é?
A porta foi escancarada e então surgiu Temari. Ela sorriu de imediato.
– Sakura-chan, entre. – ela me pediu. Kankurou olhou para irmã e depois para mim, um sorriso largo surgiu em seu rosto quadrado.
– Então ela é a garota do Gaara...
Temari deu uma cotovelada em sua barriga e eu sem querer arregalei os olhos. Definitivamente eles não são nada parecidos com o esperado.
– O que foi? Não é meio óbvio que ele finalmente tomou uma atitude?
Kankurou perguntou para irmã com o cenho franzido. E eu, por alguma razão, tive vontade de rir, mas me contive, me limitando apenas a um sorriso.
– Ele está em casa? – perguntei tentando parecer simpática.
– Sim, ele está. – Kankurou disse e logo depois o sorriso retornou ao seu rosto. Em seguida com a voz em um tom totalmente diferente adicionou. – Está no quarto dele, você pode ir lá.
Eu fiquei um segundo sem reação, pois eu era ciente de sua insinuação.
– Larga de ser idiota Kankurou. – Temari suspirou e aquilo me deixou mais confortável. – De qualquer forma ele está no quarto dele, ele acordou mais cedo, mas aposto que voltou a dormir. Se quiser você pode ir lá, é só seguir o corredor.
O tom neutro de Temari me indicou que estaria tudo bem. Então, mesmo constrangida pela insinuação de Kankurou, eu apenas agradeci e segui pelo corredor em direção ao quarto do Sabaku.
No caminho me dei conta que eu não mais o chamava de sociopata funcional. Sorri enquanto abria a porta de madeira. Logo que entrei, o encontrei deitado na cama localizada no canto extremo do quarto, que com certeza era relativamente grande para um quarto japonês.
Ele não se moveu quando me aproximei e só pude concluir que ele estava realmente dormindo. Perguntei-me mentalmente se eu deveria acordá-lo, mas quando me aproximei vi sua expressão tranquila, a respiração ritmada, enquanto em uma das mãos escapava o celular. E então eu me permiti fitá-lo por um segundo.
Ele tinha o rosto bonito, pele muito branca e sem manchas, cílios curtos e vermelhos assim como o cabelo. Nunca tinha parado para pensar nos traços de Gaara, seja apenas a aparência física ou qualquer coisa do gênero. Não de maneira tão minuciosa como agora. Não tão de perto e com total liberdade, para perceber que seus braços brancos não eram tão finos e possuem todas as curvas da musculatura masculina que nós mulheres não temos. Nem que suas unhas eram tão largas, os ossos dos dedos tão salientes e que os pelos do antebraço eram de um castanho avermelhado. E me dar conta de que, somente agora, eu percebia o quanto ele era bonito me revelava o quanto que eu estava gostando dele.
– Temari...?
Ele murmurou baixinho sem abrir os olhos. Sua voz saiu levemente manhosa, pelo sono e eu sorri involuntariamente com isso.
– Não, é a Haruno. - eu disse meio risonha, especificando meu sobrenome, pois era assim que ele me chamava. Sentei-me na beirada da cama, na altura dos seus quadris.
Ele abriu apenas um olho e me encarou, como se tentasse apenas comprovar que eu estava ali. Ele se virou - estivera de bruços sobre o travesseiro - ficando de barriga para cima.
– O que você está fazendo aqui?
– Estava por perto. – respondi simplesmente. Ele não disse mais nada, apenas fechou os olhos como se estivesse ainda com muito sono. A cara estava amassada assim como os cabelos vermelhos. Ri baixinhos e ele abriu os olhos caídos.
– O que foi?
– Nada. Só sua cara de sono que é tão parecida com a sua...
Ele não mudou a expressão, mas seu movimento seguinte me surpreendeu. Ele me puxou pelo braço e eu caí sobre a cama ao seu lado. Antes de eu perceber o que tinha acontecido, eu senti sua outra mão em minha cintura e ele me abraçar de costas, de maneira que eu podia sentir sua respiração baixa em minha nuca.
Tudo tão rápido, de maneira que, eu demorei um pouco para perceber que estávamos ali, em sua cama, abraçados um no outro. E mesmo que fosse uma posição muito desconfortável eu não tinha qualquer coragem de me mover e só conseguia pensar no que tinha acontecido com Gaara do nada.
Tudo bem que ele sempre foi impulsivo e vivia me surpreendendo... Mas...
– Estou meio sonolento ainda, podemos ficar assim?
Aquela pergunta me fez perceber que Gaara sempre me fazia perguntas como aquelas. Como se estivesse constantemente esperando minha aprovação e controlasse constantemente suas vontades. Eu não sabia se aquilo era bom, talvez não fosse bom, nem ruim, mas de qualquer forma, minha resposta foi simplesmente me deitar completamente na cama e colocar minha mão direita sobre a sua, ajeitando-me em seu abraço.
Ele não disse mais nada. E aquela ausência de som me fez perceber que nossos corpos estavam muito colados um no outro. Permitindo perceber toda a extensão de seu corpo, a força e peso de seu braço, o calor que exalava de sua respiração, e o quanto era bom. O quanto era bom estar ali.
– Você é a primeira garota que eu fico assim. – sua voz soou lenta e abafada devido à sonolência. E então eu percebi: ele só falava assim comigo, pois se encontrava levemente grogue pelo sono. Provavelmente se ele estivesse totalmente desperto ele não teria qualquer atitude como aquela.
– Eu gosto. – eu comentei, mesmo sabendo que não era realmente necessário.
Logo após aquelas palavras eu senti sua respiração um pouco mais densa, e um beijo muito tímido foi depositado na curva do meu pescoço. Sentir um arrepio passar por toda minha espinha quando ele continuou com os beijos da altura do meu pescoço até o encontro de minha orelha.
Droga, ali era meu ponto fraco. Soltei um suspiro baixinho quando ele mordeu carinhosamente, e aquela reação involuntária fez com que ele soltasse sua mão da minha e deslizasse por minha barriga. Eu usava uma blusa de lã pesada devido ao frio, e até então eu não tinha sentido qualquer incômodo para tirá-la. No entanto parecia que era um empecilho para mãos de Gaara, que deslizou por debaixo do tecido fazendo-me sentir seus dedos suaves sobre minha pele enquanto acariciava lentamente pela minha cintura.
Me virei sem perceber, como se eu procurasse um encontro mais íntimo. Como se eu procurasse seu rosto, sua respiração de encontro a minha, por fim a sua boca.
Rapidamente meus lábios foram tomados. Minhas mãos seguiram rapidamente pela face, passando pela curva do seu maxilar até sua nuca pedindo para que o beijo fosse mais profundo. Quando percebi estava suspirando contra sua boca, e suas mãos passeavam pelas minhas costas, até o cóccix enquanto me puxava e me fazia sentir toda a extensão do seu corpo contra o meu.
– Eu deveria... – ele começou quando por fim sua boca não estava mais na minha. Eu sabia que ele pediria desculpas, e por isso o interrompi.
– Esquece tudo.
E o que eu disse pareceu dar efeito, pois ele levantou-se apenas um pouquinho para ajeitar-se contra mim e tomar meus lábios de novo. As mãos vacilando por toda lateral da minha cintura até a altura dos meus seios, enquanto isso suas respiração parecia mais pesada e barulhenta. E a sensação que eu tinha, que assim como eu, Gaara queria puxar alguma coisa que existia entre nos dois, algo que era ansiado, pois até então todos aqueles beijos, toques de mãos e abraços eram, de alguma maneira, insuficientes.
– Haruno... – ele disse, a voz rouca e descompassada, perto do meu ouvido.
– Sim...?
– Assim, eu não irei parar.
Suas palavras tiveram real significado quando senti sua mão deslizar um pouco mais baixo sobre meu jeans de maneira que eu pude sentir nitidamente sua excitação.
Eu também estava. E por um instante aquilo me assustou um pouco.
Ninguém que eu tinha me envolvido até então tinha conseguido chegar aquele ponto. Era tudo mecânico e entediante demais.
Com Gaara minhas mãos se moviam inconscientemente e sentia até uma deliciosa dificuldade em respirar.
Mas eu ainda não sabia.
Levei minhas mãos até o seu rosto e pedi para encará-lo. Ele estava sobre mim, uma de suas pernas entre as minhas, sua calça moletom sobre minha calça jeans. Era fisicamente palpável o quanto estava excitado.
Eu sorri.
Beijei de leve seus lábios. Ele parou. Os olhos verdes, outrora, nublados em ansiedade, fixaram em mim.
Ele havia entendido, então simplesmente jogou-se no lado da cama e ficamos assim, fitando o teto. Um sorriso pendurado em meus lábios, mesmo suspeitando que ele não estivesse tão satisfeito com aquela pausa.
– Eu sairei de viagem. – ele disse repentinamente. – Hoje.
Uma viagem. Logo agora. Não pude conter a frustração.
– Por isso que você queria tanto me ver hoje?
– Sim. Eu não quero ir, não agora, mas meu pai insistiu. Iremos até Shizuoka visitar minha mãe.
Então era simples assim.
– Entendo. – disse lentamente como se suspirasse a palavra – Por quanto tempo?
– Não sei, provavelmente quatro dias.
Ficamos em silêncio.
– Irei conversar com Ino...
– Me liga qualquer coisa...
Ficamos em silêncio novamente, ainda deitados de barriga para cima, observando o teto. Ainda sentia meu corpo quente.
– Sentirei sua falta.
Deixei escapar... Mas nem fiz questão de me sentir constrangida.
– Eu também.
Pude senti-lo sorrir daquele jeito preguiçoso dele e eu involuntariamente sorri como uma idiota.
– Seu celular está tocando.
Gaara comentou e foi somente naquele instante que me dei conta que meu celular vibrava. Me levantei e o tirei do bolso da calça. Era um número desconhecido.
– Sim?
– Haruno?
Reconheci a voz de Neji. Soava preocupada apesar de estável.
– O que aconteceu?
– A Hinata, você a viu?
– Não, não a vejo desde o festival, por quê? – perguntei. Tentei não parecer tão ansiosa com isso. Não ajudaria em nada.
– Ela sumiu, não voltou para casa desde ontem.
Eu olhei para Gaara sem dizer nada a Neji. Ele me encarava preocupada, uma de suas ralas sobrancelhas levantada indicando que minha expressão estava muito estranha nesse exato instante. O que eu poderia fazer se estava acontecendo uma grande droga logo agora?
Sakura, Kitagawa às 11h55min.
Depois daquele telefone eu fui me encontrar com Tenten em busca de informações. Aparentemente a Hyuuga estava desaparecida a menos de 48h e por isso a policia ainda não tinha sido chamada. A família optou em esperar, pois alegavam que Neji estava se preocupando ainda muito cedo e que provavelmente Hinata aparecia muito em breve - e seria punida devidamente. Aquilo me assustou.
Perguntei depois sobre Naruto, ele só atendia ao telefone para dizer que não sabia de nada, e que também estava preocupado e procurando loucamente por ela. Julguei aquilo estranho, entretanto não disse qualquer palavra. Como ninguém parecia saber de algo decidi finalmente ter aquela conversa. Algo que eu deveria ter feito desde que Nuvem Vermelha - ou A Rosa Vermelha como a polícia chamava - tinha se complicado ainda mais. Então fui em busca de Ino Yamanaka. A procurei no dia seguinte, primeiro em Kitagawa no local mais óbvio.
Já era esperado que a sala destinada às artes plásticas tivesse seu conteúdo todo removido. Os quadros de Sai, por exemplo, foram levados até uma sala vazia do segundo andar, onde eram mantidos ainda em exposição como se fosse a lembrança concreta do aluno pintor assassinado. Todos em Kitagawa acreditavam naquilo, de maneira que a morte de Sai foi assunto da semana. Não me surpreendia na verdade, mas era bastante cansativo ter que escutar todo tempo murmurinhos sobre aquilo.
De maneira que, até mesmo com Tenten e Rock Lee, ei evitava conversar sobre o assunto. A única pessoa que eu pretendia ter qualquer palavra sobre o ocorrido seria Ino, e ela, no entanto, continuava a não frequentar as aulas.
Até que, no dia seguinte, Ino surgiu em um dos corredores desacompanhada. Tinha a expressão séria e distante, e, no entanto, o que mais me surpreendeu é que sua face não tinha qualquer rastro de olheiras ou pálpebras inchadas. Ela não esteve chorando e isso significava uma única coisa:
Ela sabia que Sai estava vivo.
A segui e fui parar na sala onde os quadros de Sai estavam depositados. Antes de Ino chegar à porta, duas estudantes olhavam curiosas e penosas, como se lamentasse profundamente a perca do "grande artista".
Quando eu por fim a alcancei, as meninas já tinham saído e Ino levava as mãos às têmporas como se tentasse conter uma repentina dor de cabeça. Logo depois entrou na sala, deixando a porta fechada.
Esperei dois minutos. Talvez por consideração. Talvez por que eu não soubesse como abordá-la.
Quando eu entrei a vi diante de um quadro, sentada em uma mesa com o corpo curvado. Se ela notou minha presença, ela não deu qualquer sinal. Pensei no que lhe dizer, mas não me veio nada concreto, de maneira que apenas me aproximei ficando ao seu lado observando o mesmo quadro.
– Ela só se expressa assim.
Repentinamente ela comentou. A voz em um tom neutro.
Por dois segundo eu não disse nada, apenas me permiti encarar o quadro. Era o mesmo que havia me mostrado. Aquele incômodo, sentido durante as poucas horas em que acreditei em sua morte, retornou fracamente, como se fosse uma lembrança muito antiga.
Por alguma razão eu sabia que Ino gostava de Sai, e mal conseguia imaginar qual foi a sensação que ela também sentiu.
– Quando você soube que ele estava vivo, o que você sentiu?
Houve um instante de silêncio.
– Medo. Medo de perdê-lo de novo, mesmo que só por alguns instantes novamente.
Então naquele instante nos encaramos. Nos encaramos cheias de perguntas uma para a outra.
– Como você soube?
– Eu pretendia visitá-lo, mas não contaram onde ele foi internado.
Ino manteve-se em silêncio por um instante, fitando-me como se me avaliasse profundamente.
– Sou amiga de Sai, Ino. – me permiti chamá-la pelo primeiro nome e aquilo não pareceu incomodá-la – Ele não me contou sobre vocês, mas ainda o considero um grande amigo.
– Quem te falou?
– Que ele estava vivo? Poucas pessoas sabem. Gaara me contou, pois foi que ele quem achou o Sai. Depois Naruto me confirmou.
Era uma estratégia arriscada, pois não tinha visto o Uzumaki desde então. No entanto, minha intenção era que Ino falasse de Hinata, qualquer coisa que me explicasse algo sobre a Hyuuga. E quem sabe ela também soltasse por que estava envolvida com tudo aquilo.
– Então você é realmente amiga do Naruto.
Ela tratava Naruto pelo primeiro nome. Ótimo. Eles realmente eram mais que conhecidos. Por mais que ela estivesse no apartamento dele há alguns dias, aquilo não me indicava nada de concreto.
– Sim. Assim como de Hinata. – eu levei minhas mãos até o cabelo demorando um pouco para continuar. – Sabe Ino... Eu não sabia que você era amiga de Hinata, até que eu a vi no apartamento do Naruto.
A expressão dela não mudou. Continuava olhando para frente. Eu tinha que dizer algo para dar continuidade à conversa, mas repentinamente me faltava ideias...
– O que você realmente quer Haruno?
Sua voz soou suave e neutra. Era estranho, pois ela parecia estável, apesar de tudo que tem lhe ocorrido até então.
– Eu não costumava ser muito calculista, nem observadora. Mas nos últimos tempos isso foi necessário.
– Sim. Eu imagino.
– Por quê? Por que você imagina isso?
Respirei fundo. Na realidade eu não tinha pensado em como abordá-la, em como arrancar qualquer coisa dela. Não conhecia Ino, não tinha qualquer possibilidade de eu prever como ela lidaria.
Por isso eu tentei ser sincera. Por que eu não tinha opções.
– Eu sei que Asuma foi assassinado. Sei de Hidan. Sei também do grupo suicida e da Hinata.
Ela por fim levantou-se da mesa, cruzou os braços diante de mim e perguntou séria:
– O que você e Gaara têm a ver com tudo isso?
Por um instante eu parei apenas para encará-la. Eu não sabia o que lhe dizer, só era ciente de que não poderia lhe falar a verdade. Pai do Gaara me mataria e provavelmente a situação tinha uma relativa chance de dar errado se soltasse alguma informação que a Yamanaka não sabia.
– Não importa, só sabemos.
– Você espera que...
– Ino. – a interrompi – Eu preciso que você me ajude. Se eu sei sobre tudo isso é por que há uma boa razão e lhe dou a garantia de que você pode confiar em mim. – ela não pareceu se convencer, retesou um pouco as sobrancelhas e eu soltei um lento suspiro. – Você sabe que fui eu quem achou o Sai? Você imagina como eu soube que ele estava em perigo?
– É isso que me assusta. Como vocês sabem tanto.
– Não importa por que eu sei, importa que tentamos ajudar. E agora, nesse instante, nesse exato instante que conversamos Hinata está desaparecida e eu preciso de sua ajuda.
Os braços cruzados diante de si desmancharam, mesmo que as sobrancelhas continuassem franzidas.
– Tudo bem. O que você quer de mim?
Senti um alivio quase físico quando aquela pergunta foi direcionada a mim.
– A questão é que eu não sei como evitar que Hinata – chan... Você sabe... Estou sem pistas e mesmo depois que a vi no apartamento de Naruto...
– Eu não trairia Hinata. – ela disse rapidamente me interrompendo – Não seria capaz de fazer isso. Fui lá por que Naruto me pediu. É isso que você quer saber?
Não era uma pergunta. Era mais uma insinuação. Droga. Ino não estava querendo ceder totalmente.
– Olha. Eu sou amiga do Naruto, mais atualmente estou mais preocupada com a Hinata. Você sabe por que. Naruto se afastou dela quando ela mais precisou, então eu preciso entender o que está acontecendo. Ela sumiu e não sei o que ela seria capaz de fazer. Então o que eu lhe peço, mesmo que parece improvável, absurdo ou não sei, uma ofensa? Eu te peço, de verdade, confie e mim.
Ino ficou em silêncio. Os olhos no chão, pensativa e distante.
– Não tenho conversado com ela nas últimas semanas, desde que eu estive reclusa...
Talvez aquilo desse certo. Finalmente.
– Mas eu sei que Naruto gosta de verdade da Hinata, se é isso que te preocupa. – ela respondeu repentinamente. – Mas sobre nosso encontro eu não posso lhe dizer por que, Naruto estaria prejudicado também.
Sua voz era uma tentativa de frieza. Era um ponto que provavelmente não passaria daquele comentário e eu soube que eu só sairia perdendo se continuasse. Eu teria que abordar aquele assunto não com ela, mas com Naruto.
– Hinata sempre insinuou que vocês eram próximas. – me recordei vagamente do que ela havia me dito. – Que você a ajudou quando o pai dela faleceu... Eu imaginei que você gostaria de ajudá-la assim como eu. E por isso fiquei tão surpresa quando a vi no apartamento...
– Como eu me disse não trairia Hinata nunca. – ela voltou-se para mim, muito determinada no que dizia. Era quase como se doesse fisicamente caso dissesse o contrário. Depois, repentinamente, a expressão dela franziu e eu soube que algo estava errado.
– Nessa época... Todos sabem que Kiba sofreu um acidente. Naquele dia tínhamos brigado, ele chegou com a moto e... Foi horrível.
Ela estava prestes a chorar. E eu nunca imaginei que seria capaz de ver Ino chorando outra vez. E ao certo ela não deixaria nem agora e nem nunca. Ela virou-se de costas para mim escondendo-se, interpretando novamente aquele papel de inatingível.
– Desculpa. – ela disse.
– Eu entendo. – comentei... E eu sei que será maior estupidez egoísta do mundo, mas continuei com uma pequena mentira. – eu vi minha mãe morrer.
E então ela se voltou e nos encaramos.
– Eu lamento muito Sakura.
Me senti péssima, pois suas lamentações eram sinceras. Entretanto, eu tinha que continuar, e por isso, olhando para frente, sem qualquer emoção no rosto, simulei uma expressão vazia, como se me recordasse de algo muito antigo.
– Na época eu queria morrer junto.
Yamanaka tinha seus olhos azuis sobre mim e pela primeira vez eu vi algo de invulnerável ali, algumas coisa latente querendo ser exposta. Era um sentimento compartilhado. Como se tivéssemos sofrido a mesma dor.
– Foi assim que conheci Hinata. – ela deu uma pausa e seguiu em direção a um dos quadros de Sai. O mesmo quadro que ele tinha me mostrado. – Nos conhecemos direito no dia do enterro de Kiba e coincidentemente o pai dela também estava sendo enterrado. Ela disse sobre o grupo suicida... Alguns chamavam de Amanhecer, outros Aurora, algumas delas nem consideravam como um grupo. Mas eram todos com o mesmo desejo de se livrar de algo. Eu me reconheci de imediato... – e então sua expressão se contraiu como se algo muito absurdo tinha passado pelo sua cabeça – em lembrar o quanto insano e persuasivo elas eram... Asuma-sensei e Sai me ajudaram muito naquele momento impulsivo...
– Foi assim que você se envolveu com Hidan? – ela pareceu desconfiada por isso eu completei. – Eu os vi no templo.
– Então você estava lá... Ele era um membro do grupo. Ele me apresentou ao restante, assim que Hinata me disse sobre o grupo.
– Membro do grupo, mas ele não era...
– Não é assim que funciona. Você tem que ser apresentada por um adulto. Por alguém que já tenha acompanhado a trajetória de uma das meninas. Essa pessoa te estimula a entrar no grupo, aumenta suas esperanças de ser curada... Ou melhor, de alcançar um estágio de si mesma e ser capaz de partir.
Deus. Aquilo era doentio... O que faz alguém ser uma traficante de meninas suicidas? Que prazer alguém sente em manipular a mente de uma menina para cometer a própria morte?
– Asuma então foi intimidá-lo, pedir para se afastar de mim. E então ele o matou.
Suas palavras soaram vazias. E então eu entendi. Que Ino usava aquele tom de voz para controlar as próprias dores.
– Eu fui responsável pela morte dos dois, e por isso não aguentaria ser responsável pela morte de Sai. E por isso também tive que me afastar de todos que tinham algum vínculo com o grupo. Mas eu tinha que tentar... Eu tentei me redimir. Soa ridículo eu sei... Mas de alguma maneira, eu tentei ajudar Hinata. Eu a chamava para sair, mesmo que para algo que não chamasse atenção, uma exposição, um parque... Conversávamos, a maioria das vezes sobre coisas levianas, ou quando não, sobre Asuma, Sai, como eu tinha me salvado sem precisar entrar no grupo.
Então a amizade das duas era mais elaborada e íntima do que eu imaginei. Ino compartilhava suas próprias dores com ela, tentando demonstrar que estava superando e que ela poderia fazer o mesmo. Conversava sobre Sai, sobre Asuma, sobre as pessoas que amava.
Hinata sabia de tudo aquilo. Sabia do cuidado de Asuma, do amor de Sai. Sabia da Dália e da Rosa...
– E agora ela sumiu... Me sinto tão ridícula...
Olhei para suas mãos, elas estava tremendo.
– A visitei várias vezes também, normalmente Neji-san se envolvia na conversa e por isso foi fácil conquistar sua confiança; também havia Naruto e quando eles começaram a sair... De alguma maneira eu pensava que eu poderia convencê-la a sair do grupo.
E então as coisas se encaixaram completamente.
– Você está ajudando Naruto a salvá-la. – era uma afirmação e não uma pergunta.
– Sim. Era o mínimo que eu poderia fazer.
Parei um instante e imaginei Ino e Naruto em seu apartamento, compartilhando algo sobre a própria Hyuuga que ela não poderia saber. Algo que a impedisse de cometer suicídio... Ou...
Minha cabeça era um emaranhado de cenas antigas. Ino indo à exposição de Deidara com Hinata. Neji comprando flores para a prima. Hinata e Naruto conversando com Iruka na cafeteria. Ela se encontrando com Jiraiya e conseguindo seu autógrafo...
Fazia total sentindo e ao mesmo tempo era um absurdo.
– Asuma. Você disse que ele foi morto pelo Hidan...
– Na realidade nunca se comprovou. Mas eu tenho certeza que foi ele e por isso ajudei a polícia a capturá-lo. Mas a polícia não conseguiu legitimar e por isso fiquei um tempo sobre a proteção policial... Até que ele morreu... E Sai foi... – ela levou as mãos ao rosto enquanto se esforçava para controlar o próprio tom da voz, que, no entanto, logo em seguida saiu em um arranho – Desculpa...
Não me atentei ao seu pedido de desculpa irracional. O que ela acabava de me dizer é que ela não sabia da série de assassinatos e muito menos que Asuma e Sai estavam envolvidos com tudo aquilo. Talvez ela estivesse mentindo, era óbvio, mas era acreditar naquilo ou continuar andando em círculos. E aquilo também legitimava, como o próprio Gaara falava, que Ino era só uma peça da polícia. Uma simples peça da policia, que conseguiu capturar Hidan. E tentava salvar Hinata, pois se sentia culpada por algo que não era sua culpa.
Eu tinha que saber mais.
– Você acha que a Hinata seria capaz de cometer suicídio? Que ela desapareceu para isso?
– Eu sinceramente não sei. Acho improvável... Agora que Naruto retornou a falar com ela, acredito que ela poderá repensar sobre isso. Hinata o ama.
– Sim. Eu também sei disso.
E é exatamente isso que me preocupa.
– Eu nunca entendi por que Naruto a deixou. – continuei, pois era o ponto que eu queria chegar.
– Naruto faz coisas que nunca entenderemos, penso eu. Eu sei que ele também a ama, e que por isso ele está fazendo de tudo para salvá-la.
– Então você acha que há alguma razão estranha pelo qual ele terminou com ela?
– Não há duvida. Se soubesse...
Havia algo ali. Havia algo que eles compartilharam naquele encontro. Algo que ele pediu.
– O que ele te pediu?
Ela não respondeu. Desviou o olhar e eu instintivamente segurei sua mão. A fiz me encarar e da maneira mais sincera possível eu continuei.
– Eu preciso saber. O que ele te pediu?
– Eu... – a voz morreu.
– Ino! É pela Hinata!
Ela se soltou de minhas mãos e as levou até o peito enquanto dava um passo para trás.
– Era para protegê-la também. Era tudo por ela. Não sei como... Mas Naruto disse que era por ela. – as mãos torceram – Ele me pediu, disse que era para ajudá-la, do contrário eu nunc teria feito.
– O que ele te pediu...?
– Acusar Kabuto. Fazê-lo se afastar... Por isso eu o denunciei por Ópio.
Ele estava afastando Kabuto de Hinata... Mas... Se eles tentavam salvar Hinata de um suicídio, como afastar Kabuto seria útil? O que era realmente necessário para que ela simplesmente desistisse daquela ideia? Obviamente a Hyuuga, por simplesmente participar de um grupo como aquele, não poderia ser totalmente equilibrada. Mas de qualquer modo... De que maneira poderia impedir isso?
"(...) talvez, depois de tudo isso, reconheceras que em cada passo, em cada aroma sentido, estava apenas buscando o amor, e o acharás só pelo o ato da busca.
E com calma, sem qualquer dor no peito, conseguirá dormir."
– Haruno...?
Naruto tentava impedi-la de concluir o poema. E assim ela não poderia matar o seu "eu".
Esse capítulo foi quase um bónus, por que duas cenas foram quase desnecessárias. Entretanto como AUR por fim está acabando, faltam apenas três capítulos e um epilogo, eu decidi escrever cenas que sempre desejei encaixar, como Sakura conhecendo os irmãos do Gaara e uma cena em um Karaokê haha' sim, eu sou muito besta. Bom, Karaokê é algo tão nipônico que vocês podem me perdoar, né?
Esse capítulo também foi muito morzinho eu sei, cheia de declarações internas, agarrações no quarto e abracinho no corredor. Mas, enfim, também teve muita coisa importante tambem. Finalmente Ino nos contou como ela se envolveu nessa história toda. Ao fim, e aparentemente, ela apenas era uma isca para polícia, totalmente ignorante em relação à série dos assassinatos, e que tentava apenas salvar Hinata da mesma maneira que Asuma fez com ela – e ainda mais, acreditando que ele morreu por sua causa. A menina na realidade só estava assustava e tentava de tudo para se livrar da culpa. Pergunto-me quem teve que mudar sua opinião sobre ela depois desse capítulo haha'
Eu postei esse capítulo cedo por que... Bom, o que posso dizer é que até o vestibular passar (um e dois de junho) eu não me envolverei com nada em torno de AUR. Então, o próximo capítulo talvez só saia lá pela segunda semana de junho. Mas juro para vocês que ele será muito bom, muita coisa será respondida e talvez algumas pessoas ficarão putas de raiva comigo haha'.
Raiza: "pessoas fofas e doces demais podem ser perigosas!" haha' creio que não são poucas pessoas que desconfiam da Hinata pelo jeito. Acho que a tendência a partir de agora é só pra pior haha'
Um beijo de amora.
Oul K.Z
