N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.


Capítulo 33

Orfanato


04 de dezembro de 2007


Sakura, Kitagawa às 16h41min

Qualquer um diria que era um absurdo.

Era impossível Hinata ser uma assassina. Entretanto, depois de acompanhar toda essa história, presenciar tudo que ela fez e diante de todas as provas, eu não podia simplesmente desconsiderar aquela possibilidade. E mesmo não tendo certeza, depois de Asuma, Iruka, Sai, todas aquelas pessoas, eu não podia ignorar tudo que estava acontecendo. Simplesmente não podia vivenciar mais uma vez o que aconteceu no festival.

Hyuuga Hinata se encaixava em todos os elementos envolvendo a Nuvem Vermelha, desde o seu pai, a Iruka, a Asuma, a Sai...

Sai... Sim. Ele sobreviveu e isso indicava um risco.

- Desculpa Ino.

A Yamanaka estava diante de mim, seus olhos brilhavam demonstrando estar aflita e confusa.

Como pude ser tão cega? Senti-me constrangida pela minha pretensão, pela minha insensatez, ciúmes, qualquer coisa que explicasse meu julgamento presunçoso sobre a Yamanaka, mas seria estranho e eu tinha algo mais preocupante a ser resolvido.

- Ino... A Hinata ela sabe do Sai... Sabe que ele está vivo?

- Eu não sei... Não converso com ela há dias, até mesmo antes do que aconteceu...

Sua voz morreu, e ficamos nos encarando por um tempo.

- Não conte pra ela, mesmo que ela entre em contato com você.

Ela franziu o cenho e sem saber o que lhe dizer apenas reforcei:

- Não conte, isso é importante.

- Por que seria importante?

- Por que ninguém pode saber... Do contrário Sai correrá perigo.

Ela já deveria saber da teoria da polícia. Seria melhor divulgar a morte de Sai do que divulgar que estava vivo. Escutei o barulho de pessoas passando pelos corredores e por fim me dei conta de Kitagawa. O dia estava terminando e o frio quase insuportável.

- Mas... De qualquer forma... - depositei minha atenção novamente em Ino. - Eu suspeito que ela esteja com Naruto e se Naruto sabe, ela também.

Ino estava correta.

Logo Sai ainda está em perigo. Ela teria que cumprir com o ciclo do poema para no fim conseguir cumprir com o ritual e assim se matar. E principalmente depois de tanto esforço ela não pararia exatamente agora, pararia?

- Haruno?

A encarei sem dizer nada enquanto estabilizava meu pensamento. Continuava ansiosa e preocupada e eu podia facilmente perceber isso fisicamente.

Sai estava em perigo. E era isso que me preocupava. Ajeitei minhas luvas, e o cachecol no pescoço.

Repentinamente tudo tinha ficado mais frio.

- Desculpa Ino, eu preciso ir. - respondi sem encará-la, procurando dentro de minha bolsa meu celular. - Se eu precisar de você eu posso te ligar?

Ela concordou e eu passei meu número para que ela me enviasse uma mensagem o quanto antes. Despedi-me logo em seguida, e assim que sai do corredor movimentado, liguei para Gaara.


Gaara, trem com destino a Shizuoka, às 16h30min

Acordei com minha cabeça batendo contra o vidro. Não estava completamente sonolento de maneira que acordei rapidamente e me deparei com minha irmã sentada a minha frente. Ela lia uma revista, e ao seu lado estava meu irmão vendo algo no celular.

Claro. A viagem em família. Estávamos em um vagão privado com destino a Shizuoka, pois meu pai não aguentava dirigir por muito tempo e também por ser mais rápido. Foi de consenso geral que a viagem duraria no máximo dois dias e que ficaríamos hospedados na casa de uma tia-avó distante pelo qual não víamos há anos. Bem típico de nós Sabaku, de não convivermos e nos considerarmos mesmo assim uma grande família.

Pensando bem, acredito que se tratando de mim não haveria uma família mais adequada. Poucos aguentariam meu frequente mau humor e indiferença. Nessas horas eu pensava em minha mãe e me perguntava o que seria diferente. Ao fim, olhar para meus irmãos, e após a conversa que tive com meu pai, me faz pensar que não seriamos muito diferentes.

- Que foi Gaara, tá olhando para mim meio nostálgico - Temari me acordou do devaneio. Tinha um sorriso no rosto e a revista abandonada no colo. Meu irmão, depois daquele comentário, depositou sua atenção em nós.

- Não é nada.

Observei que meu pai não estava mais ali. E inexpressível perguntei onde ele se encontrava.

- Ah, ele acabou de sair, falou que tinha que ir a algum lugar e que depois se encontraria com a gente.

Levantei uma sobrancelha. Aquilo era estranho.

Hoje, enquanto preparava minha mala fui procurar meu pai em seu escritório para saber quando retornaríamos, pois assim como ontem, as linhas de trem poderiam ser canceladas, e tudo que eu não desejava era ficar preso em uma cidade rodeada de templos e familiares me obrigando a ser sociável. Chegando lá, percebi meu pai conversando no telefone, seu semblante suave enquanto confirmava uma visita no dia seguinte. Agradeceu educadamente e em seguida seguiu até sua mesa e guardou o computador em sua bolsa. Percebi que aquela viagem não o impediria de levar o trabalho com ele.

- Quem era? - perguntei a respeito do telefone. Ele, que olhava para a bolsa, ergueu seu olhar deixando claro que não tinha notado minha presença até então.

- Ninguém importante, só um companheiro de trabalho. - e retornou sua atenção a sua bolsa.

Estranhei. Desde então tenho pensado muito a respeito do que significava aquela visita, e nesse exato instante minha irmã me confirmava que meu pai passaria em algum lugar antes de nos encontrar na casa de Chiyo-san.

- Gaara? O que foi?

Me levantei e peguei minha bolsa-carteiro. Quando já estava saindo do vagão minha irmã me chamou de novo.

- Onde está indo?

- Atrás do meu pai, depois nos falamos.

Temari estreitou as sobrancelhas estranhando. Eu entendia, mas não tinha muito o quê explicar.

- Não esquece seu celular. - ela me indicou o aparelho esquecido na poltrona.

- Obrigado.

Por alguma razão estranha dei uma última olhada em meus irmãos e logo depois fui embora, procurando descer na próxima estação.


Sakura, Kitagawa as 17h03min

Meu celular quase escapava de minhas mãos. Eu estava tremendo vagamente, tão confusa que mal conseguia achar o número de Gaara em minha agenda. Depois de esbarrar com uma garota do primeiro ano, tentei me recompor e parei no meio do corredor.

Não estive assim nos dias que se seguiram após a conversa com Neji, por que me comportava exatamente agora dessa maneira? Talvez por uma sensação incompreensível de que por fim havíamos chegado a algum ponto, que tudo de alguma maneira estava tão bem articulado que não poderia se de outra maneira.

Eu tenho que acalmar e pensar no que fazer, do contrário algo pior poderia acontecer com Sai. Como se fosse um preparativo ajeitei minha bolsa no ombro e segui em passos calmos até a saída. Por fim achei o número de Gaara.

- Haruno? - a voz de Gaara no outro lado da linha - O que foi?

- Precisamos entrar em contato com a polícia?

- Como assim? Se acalma.

Com seu pedido me dei conta que minha voz estava instável.

- Desculpa, eu conversei com a Ino, ela me revelou que Naruto e ela estavam agindo junto, e isso me faz acreditar que se trata da Hinata.

- E como isso prova alguma coisa?

Procurei me sentar em um banco externo a Kitagawa, sem me importar com o granito estar coberto por uma fina camada de neve. Ainda me sentia ansiosa e louca para sair dali, fazer qualquer coisa, mas eu tinha que organizar minha cabeça e tinha que tirar essa dúvida.

- Não podemos comunicar a polícia? Pelo que descobrir com a Ino tudo realmente indica se tratar da Hinata.

- Haruno, não entre em contato com a polícia, meu pai será prejudicado... Se realmente for necessário eu posso conversar com ele e ele saberá o que fazer. Mas antes disso, mesmo que você já estivesse desconfiada, o que te dá tanta certeza agora?

- Hinata é membro do grupo suicida, ela conhecia todas as vitimas, inclusive foi na exposição do Deidara, se recorda?

- Sim, estou entendendo. - sua voz soava calma de maneira que me sentia me acalmar também. - Mas o que você está sugerindo exatamente?

- Ela se encaixa em tudo Gaara, desde ser desequilibrada emocionalmente... Até, não sei, o pai dela, ela estava sendo pressionada pela família, não estava? E se sempre foi assim? Ela não seria capaz de querer escapara de tudo isso? A foto dela estava na caderneta, não estava?

Eu cuspia perguntas, uma atrás de outra, de maneira que só escutei Gaara dizer, ao contrário de me responder:

- Haruno, melhor você se acalmar... Me diga exatamente o que você descobriu.

Estou calma, não estou? Mesmo com minhas mãos apertando tão forte o celular, ou minhas sapatilhas não pararem no chão. Não estou tão nervosa assim. Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha e tentei recomeçar:

- Não era Ino que estava envolvida com a maioria das vítimas. Elas eram amigas, conversavam, compartilhavam segredos, de maneira que Hinata sabia, sabia que Asuma poderia ser a Dália, e Sai a Rosa. Além disso, ela conhecia Jiraiya pessoalmente, foi à exposição do Deidara, era amiga do Iruka! - me senti repentinamente muito estúpida de maneira que me levantei e comecei a andar para lá e para cá. - E o pai dela... É surreal que ela seja capaz de fazer isso... Mas tudo se encaixa, não encaixa?

- Sim... Mas ela seria realmente capaz de fazer isso sozinha?

- Eu não sei, mas ela é perfeita para cumprir com aquele maldito poema assassino! - eu tinha berrado e só percebi, por que duas estudantes do primeiro ano passaram ao meu lado e me encararam como se eu fosse uma louca.

Talvez eu estivesse realmente enlouquecendo agora.

- Ela estava desaparecida no festival, não estava? - tentei falar mais baixo, mas acabei sussurrando, os dentes quase encostando um no outro. - Ela poderia perfeitamente ter atraído a atenção de Sai, sem levantar qualquer suspeita.

- Sim, é possível. Você está suspeitando que ela sumiu para se matar, acreditando que o ciclo foi fechado?

- Não, eu não acredito que ela não saiba que Sai está vivo, Naruto ficou sabendo ,não ficou?

- Sim, ele estava comigo quando o encontramos vivo.

Droga.

Droga.

Droga.

Basicamente não chegava nem a ser uma hipótese, era mais uma certeza, e isso só me fez ficar ainda mais nervosa. Procurei me sentar novamente e minha mão desocupada começou a se agitar em meu cachecol.

- O que você irá fazer? - ele perguntou.

- Eu não sei, você acha que ela seria capaz de procurar Sai no hospital?

- Impossível, além de ninguém saber onde Sai está hospitalizado ele está sendo protegido pela polícia como se valesse mais que o PIB japonês.

Achei aquela comparação estúpida, mas não disse nada, nem sequer tive vontade de rir. Era óbvio que eu não riria ali. Era óbvio que eu mataria o primeiro que chegasse com uma piada estúpida. Óbvio. Óbvio. Óbvio.

- Haruno?

Pisquei. Minha mão parou de se agitar no colo.

Naruto...

Pois se Hinata realmente sabia que a Rosa não estava morta e Sai estava totalmente protegido... Será que ela poderia... Não, não, ela ama Naruto. Não ama? A própria Yamanaka tem convicção disso.

Mesmo assim, ela faz parte de um grupo suicida, e possivelmente está cumprindo com as ordens daquele poema... Se ela precisa realmente de uma Rosa, ela seria capaz de fazê-lo, não seria? Seria capaz de machucar Naruto... Não seria?

- Haruno?

- Tenho que ir Gaara. Desculpa, mas eu realmente tenho que ir. O Naruto pode estar em perigo e eu tenho que avisá-lo.

- Para onde você está indo? - mesmo por telefone percebi sua preocupação, sua voz estava até mais alta que o normal. Mas eu não tinha tempo para aquilo, eu tinha que ir, e logo.

- Vou à casa do Naruto, tenho que achá-lo. - disse enquanto me levantava e seguia em direção aos portões de Kitagawa.

O escutei suspirar, me fazendo imaginar que ele sabia: não teria como tentar me convencer do contrário. Eu poderia estar indo ao inferno que não seria capaz de me impedir.

- Falarei com meu pai assim que o encontrá-lo. E você me mantenha informado, por favor.

- Tudo bem... - eu disse, por um instante comovida pela preocupação. - Eu ficarei bem Gaara, não fique preocupado.

- Impossível, eu quero que você me ligue assim que você chegar lá. Nunca se sabe.

Eu sorri fracamente e em seguida desliguei o telefone. Segui até a estação de metrô, enquanto procurava o número de Naruto em minha agenda.

Ele simplesmente não atendia.


Gaara, Shizuoka, às 16h30min

Assim que eu desci na estação, eu vi meu pai descendo de uma porta diferente há alguns metros de distância. No mesmo momento eu puxei meu capuz, mesmo ciente que meu pai facilmente me localizaria, independente de eu estar me escondendo ou não. De qualquer modo ele nem ao menos se deu o trabalho de observar o que estava acontecendo a sua volta e começou a andar em direção as escadarias. Procurei ficar atento ao seu sobretudo marrom, para não perdê-lo de vista. Pela primeira vez eu agradeci o trem ser tão lotado que, provavelmente, ele não perceberia estar sendo perseguido.

Shizuoka era uma cidade de aparecia rural, mesmo sendo uma das mais povoadas do Japão. Quando enfim tivemos contato com a cidade eu me dei conta que visualmente ela era bem desequilibrada. Muitas pessoas, muitas árvores, muitos comércios e muitos templos. Andamos, há uma distância considerável, até ele entrar em uma lanchonete. Fiquei no lado de fora observando seu comportamento e me surpreendi quando o vi pedindo informação a respeito de algo escrito em uma folha de papel.

Assim que ele recebeu a informação, ele se retirou e eu rapidamente dei as costas me escondendo atrás de um grupo de senhores paradas na calçada. Vi meu pai atravessar a rua e olhar para os lados, o cenho franzido como se algo o preocupasse. Soube que eu não poderia continuar o perseguindo sem que ele me notasse. Lembrei-me então da Haruno e me perguntei como ela faria para arrancar informações daquela atendente.

Eu poderia tentar.

Entrei na loja de maneira barulhenta para que a atendente rapidamente me notasse, fingi procurar alguém pela lanchonete e assim que, casualmente, meu olhar se encontrou com dela segui em sua direção.

- Desculpa, eu e meu pai estávamos procurando um lugar, mas acabei me perdendo dele por aqui. Você sabe se alguém parecido comigo passou por aqui? Talvez pedindo informação? - ela me encarou surpresa e como continuou em silêncio eu prossegui. - Ele tem os cabelos mais escuros que os meus... E...

- Acho... - ela gaguejou e piscou como se tentasse se recompor - Acho que ele acabou de sair.

Tentei esboçar um sorriso e continuei:

- Sério? Ele disse para onde estava indo?

Ela tinha as bochechas levemente enrubescida e imediatamente me lembrei da maneira como Matsuri me abordava. Estranho eu me lembrar de Matsuri exatamente agora.

- Não... Digo... Ele queria saber onde ficava o Orfanato da cidade.

- Orfanato. - minha voz soou como estivesse diante da informação mais peculiar do mundo e assim que eu a vi piscar me dei conta de minha falha. Eu realmente era péssimo mentindo. - Sim, estávamos procurando o Orfanato da cidade. Você sabe onde fica?

- Não é muito longe... - sorrir internamente. A Haruno provavelmente ficaria surpresa. - Fica descendo duas ruas, é uma casa bem grande de estilo tradicional, com portão de madeira... Antigamente era um hospital tradicional...

- Sim, entendo. Muito obrigada, tentarei me encontrar com ele. - tentei sorrir novamente e ela fez um aceno com a cabeça e ficou olhando para baixo até o momento em que me virei indo embora.

O que meu pai queria com o Orfanato da cidade? Mesmo pensando em todas as informações que pairavam a Nuvem Vermelha... Eu realmente não consigo ver qualquer relação com o caso.


Sakura, Centro de Tóquio às 18h36min.

Desisti de ligar para Naruto na terceira vez que deu caixa eletrônica. Em seguida procurei pensar nas pessoas com quem ele se envolvia. No entanto minha lista se resumiu a Rock Lee, Tenten e Sai, embora ainda hospitalizado. Liguei para minhas únicas opções e nenhum dos dois tinha visto Naruto desde o dia do festival.

Minha falta de opção me fez perceber o quão pouco eu conhecia do Naruto e que provavelmente, mesmo sociável do jeito que é, o Uzumaki tinha poucos amigos. Restou-me então ir até a sua casa, na esperança de encontrá-lo lá.

Assim que me aproximei do elegante prédio recordei do porteiro e me lembrei de que eu não poderia subir sem sua autorização. Peguei então me celular, fingindo uma conversa animada...

- Sim, não, relaxa que eu acabei de chegar, você quer eu compre rámem pra gente comer junto? - fingi que o porteiro não estava ao meu lado separado apenas pelo vidro. - Tudo bem então, pode abrir para mim que já estou na entrada... Quê? Não vou te esperar sair do banheiro, seu nojento!

Virei-me casualmente para o idoso senhor, e com a voz mais suave do mundo perguntei:

- Você poderia abrir o portão para mim, o Naruto... - fingir certa estupidez ao girar os olhos - o Uzumaki Naruto está impossibilitado de atende ao interfone.

O venho senhor sorriu gentilmente para mim e eu soube que minhas habilidades nunca foram tão úteis. Comentou algo sobre o vício de Naruto com ramén e que ele deveria se alimentar melhor, todo aquele papo superficial quando simplesmente queremos ser agradáveis. Eu concordei e quando por fim já estava dentro do prédio, o senhor me chamou.

- Diga a ele, que enquanto esteve ausente nesses últimos dias, algumas pessoas o procurou. Eu não o informei por que não o vejo desde a semana passada.

Então Naruto estava realmente desaparecido...

- Algumas pessoas? - perguntei, imaginando que poderia sair fali alguma informação útil.

- Sim, eram dois homens, engravatados. Diziam ser da polícia.

Pisquei. Polícia atrás do Naruto? Então ele realmente estava ajudando Hinata, de que maneira eu realmente não sei... Ou talvez eu saiba, e não quero pensar que seja realmente possível.

- Eu... Eu direi sim. Obrigada.

Pouco tempo depois eu estava subindo o elevador até o seu apartamento, mesmo sabendo que era inútil.

Toquei a companhia. Estralei os dedos, nervosa.

Ele simplesmente tinha que estar lá, do contrário eu iria imediatamente a policia, mesmo que desmanchasse a carreira profissional do pai do Sabaku. Toquei mais uma vez , bati na porta e já aflita o chamei

-Naruto! Seu idiota, você tem que estar ai, por...

Minha palavra morreu quando a porta foi aberta e Naruto surgiu. Senti todos meus músculos relaxarem e no impulso puxei a porta e simplesmente o abracei.

Posso estar sendo estupidamente franca agora, mas eu estou tão aliviada que não me importei com nada.

- Sakura-chan...?

Sua voz soou confusa, e eu com o rosto apoiado na curva do seu pescoço me permiti abrir os olhos. E então a vi, tentando disfarçar sua presença na esquina da parede, provavelmente curiosa para saber quem chegou. Era Hinata.

Meu coração disparou.


Gaara, Shizuoka às 17h16min

Quando enfim percebi estar na rua do Orfanato, Sakura tinha acabado de desligar o celular, e me sentia extremamente preocupado. Tudo que ela acabava de me dizer fazia sentido, e em realidade, desde que encontramos com Neji no Karaokê, Hinata era um fantasma em nossa teoria, nunca realmente uma hipótese, mas sempre ali sendo necessário apenas um pouco de impulso para se chegar a uma conclusão.

E a informação de que Ino e Naruto estavam tentando impedi-la de fazer algo, ao ponto de expulsar um professor de Kitagawa, era o pequeno impulso que necessitávamos.

Mas havia um porém nessa história toda. Hinata realmente seria capaz de fazer tudo aquilo? Ela aparentava ser uma garota desesperada, até desequilibrada e, pelo que conta, deseja se matar daqui duas semanas. Além do mais, considerando os mesmos aspectos e se tratando de todos os vínculos, Hinata podia facilmente atrair todas as vítimas. Com um pouco de conversa, ela conseguiria facilmente a atenção de qualquer um... Sem provocar qualquer desconfiança.

Entretanto, se assim for, Hinata cumpri com o poema da mesma maneira que Hiromi cumpriu no passado, ou pelo menos tentou. Elas atuam o mesmo papel, realizam o mesmo ritual e seguem as mesmas palavras... E da mesma maneira que meu pai não acreditou que Hiromi era culpada, eu não conseguia digerir completamente a hipótese de Hinata ser uma assassina.

Há algo de estranho nessa história toda. E o que me preocupa de verdade, é o que a Sakura irá fazer a respeito disso. Se Hinata realmente é a assassina, e isso soa estranho até em pensamentos, a pessoa menos confiável e segura seria Naruto... Para onde exatamente ela estava indo...

Após guardar o celular decidi retornar para a Tóquio assim que descobrisse o que era aquele Orfanato. Segui até os portões de madeira. Percebi que o local era um imenso terreno cercado, como era comum nas construções tradicionais, e também o barulho indicando ser uma mistura de risadas infantis, pessoas conversando e outras se movimentando para lá e para cá.

Talvez alguém do próprio Orfanato revelaria alguma coisa.

Assim que entrei vislumbrei um bonito jardim e várias crianças correndo para lá e para cá, sem respeitar as trilhas de pedra que seguiam até uma grande casa branca e marrom. Era grande, amplo e bastante verde.

- Oh você deve ser Gaara-san. - me virei e me deparei com um rapaz da minha idade, usando um yukata e com uma vassoura de palha em mãos. Sorria com os olhos fechados, mas eu só conseguia me perguntar como ele sabia meu nome. - Seu pai nos avisou que você chegaria a qualquer momento.

Droga. Meu pai sabia que eu o estava perseguindo... E não se deu o trabalho nem de me impedir de chegar até ali.

- Ele já chegou então. - sugeri mal-humorado e ele apenas riu.

- Vocês se parecem mesmo. De qualquer modo venha, eu irei te levar até ele.

Seguimos até a casa principal. Pelo caminho continuei observando. Entretanto o máximo que pude perceber foi a existência de crianças de todas as idades, alguns adolescentes ainda em seu uniformes escolares e muitas flores, em todos os cantos do lugar.

O cheiro de flor era entorpecente de maneira que me fez perceber: Ali seria um apreciável lugar para o Assassino da Rosa Vermelha.

- Há quantos anos esse lugar existe? - perguntei. O jovem que seguia minha frente, parou , levou um dedo até os lábios e disse:

- Oh, muito tempo, minha mãe era órfã daqui, eu nasci aqui, então com certeza mais de 18 anos. Talvez 30 considerando que minha mãe cresceu aqui também.

- Por que continuas aqui?

- Minha mãe tinha 15 anos quando eu nasci, ela morreu no parto e por isso fiquei com a Senhora.

Mesmo que fosse uma resposta lamentável, ele comentou com um gentil sorriso. E me pareceu que a maioria das pessoas ali teria o mesmo comportamento. O peculiar é que apesar de ser um orfanato era um lugar agradável, quase alegre e não vi qualquer criança que não estivesse agindo simplesmente como criança. Dentro da residência não era muito diferente, apenas pelo detalhe de que várias pessoas pareciam curiosas de minha presença.

- Quem é ele?

- Filho do detetive. Você sabe se eles ainda estão no escritório da Senhora?

A garota que tinha perguntado a respeito negou com a cabeça, então ele se virou para mim e sorriu.

- Senhora é responsável pelo o Orfanato.

Não entendi ao certo por que ele comentou a respeito, mas suspeito que tenha o feito por nutrir algum gênero de admiração por ela. Talvez ela fosse uma espécie de mãe para todos.

Assim que subimos uma escada, nos deparamos com um largo hall, com vários bancos de aspecto simples, enquanto ao final estava uma larga porta de madeira. Provavelmente era ali que meu pai conversava com a dona do Orfanato. Isso se confirmou quando o garoto saiu na frente enquanto falava:

- Irei avisá-los que você está aqui.

Assim que ele saiu deixando-me sozinho naquele hall, me senti inquieto. Aproximei-me de uma das janelas e vi o jardim, alguns crianças brincando e um grupo de jovens perto do portão conversando. Todos uniformizados. Como a imagem seguia um padrão, sorriso, gritarias e muitas flores, minha atenção foi roubada quando vi uma menina, sentada em um canto, um semblante vazio e distante em seu rosto e em suas mãos uma flor, provavelmente margarida, sendo despedaçada pelos seus dedos.

Ela era uma exceção ali. Sempre há uma criança que era diferente de todas as outras.

- Se chama Anna, ela é a mais estranha daqui.

A voz era de uma menina. Ao me virar e olhar para baixo a vi apontando com um dedo, seus cabelos curtos cortados em cuia, uma mecha de sujeira no rosto. Uma criança que não era a exceção.

- Estranha por quê?

- Oras, por que sim. - disse e como se tentasse se rebelar saiu correndo sem dizer mais nada. A vi sumir escadaria abaixo me fazendo perceber que Anna poderia ser uma criança como qualquer outra, apenas mal interpretada.

Ao certo não sei por que cheguei a essa conclusão. Talvez a sensação de que Hinata poderia ser como aquela Anna, ou mesmo que o assassino da rosa poderia ter morado ali há muitos anos. Talvez eu realmente só não quisesse acreditar que Hinata seria capaz de fazer tudo aquilo e que, consequentemente, ninguém corria perigo.

Não poderia simplesmente ficar no talvez, eu tinha que voltar para Tóquio e ao menos garantir que a Haruno estivesse bem. Mas ninguém retornava daquela sala, de maneira que tentei me manter ocupado. Sem me mexer dali, apenas virando um pouco o rosto, vi nas paredes do fundo, vários painéis protegidos por vidro.

Sentia-me curioso, e qualquer coisa que eu pudesse observar daquele estranho lugar seria mais interessante do que simplesmente esperar o retorno de alguém. Quando me aproximei percebei ser uma espécie de livro escolar, com diversos grupos de crianças, adolescentes e adultos. Algumas fotos mais amareladas indicando serem mais antigas, e outras que se destacavam com anotações explicando algo em especifico, como o ano, ou algum acontecimento.

Algo entediante, que apenas as pessoas nas fotos, e apenas depois de muitos anos, se interessariam.

"Festival das flores..."

"Festival das Escritoras."

"150 anos da cidade"

"O primeiros a passarem na faculdade...".

E então olhei para aquela foto. 1998. Os sorrisos. A jovem senhora com uma expressão gentil.

- Você deve ser o filho do Sabaku-san. – escutei alguém falar.

Mas não me virei, meus olhos estavam fixos naquela fotografia me tornando incapaz de perceber qualquer outra coisa.

- Oh - um dedo enrugado posou-se sobre um dos rostos. - Fiquei tão orgulhosa... Passou para uma universidade Tóquio, acredita?

Enfim, me virei. Mas não notei na senhora, que era a mesma da foto, apenas em meu pai de braços cruzados no final do corredor.


N/A: Momento de clímax em A Última Rosa. Espero que alguém tenha ficado indignado por essa cena no orfanato hauha'. Peço desculpas pela demora, meu vestibular foi adiado e assim que ele terminou eu tive uma crise de criatividade. Sei também que esse capítulo foi um pouco... Chato, diria, mas ele é essencial para o desfecho então tenham paciência haha'. De qualquer forma, acredito que os próximos não demorarão tanto, no máximo duas semanas, ou mais já que são os capítulos finais e quero que estejam todos ótimos. Mas não deixem de comentar sim? No último capítulo recebi poucos comentários, mesmo sendo um dos capítulos mais importantes e impactantes.

Caso alguém queira os resumos dos capítulos eu tenho disponível em um blog que pode ser acessado pela minha página de perfil no efefenet. Eu o coloquei lá por que de qualquer forma era um blog inativo, então caso tenha se esquecido de algo dê uma olhadinha por lá.

E bom, será que alguém já sabe também quem é o assassino? (Nada de revelar nos comentários! Quero o direito de surpreender alguns haha' aquelas que já sabem, ou suspeitam e que acertarem, podem depois comentar que estava óbvio demais ou qualquer coisa do gênero, mas só depois!)

Carla: Mil desculpas pelo atraso, mas voltei e espero não demorar tanto com os próximos capítulos. Obrigada pelo "acorda!" haha'

Violak: Será que é, será que não é? Bom, veremos no próximo capítulo de quem se trata. Desculpa a demora, espero que ainda se lembra de AUR.

Raiza: hauha' eu ri pela tentativa de delicadeza do seu comentário, e fiquei bastante feliz com ele. E desculpa pela demora, espero que eu não demore com os próximos.

Um abraço

Oul K.Z