27. Verdades reveladas.
Era uma manhã fria, podia sentir o vento soprando forte e o ar atingindo a pele alva do rosto, o enrubescendo. Estava atrasada para o trabalho matutino, mas aquilo não importava. Pediu a um menino que lhe fizesse o favor de avisar o casal Hallow que tinha um compromisso com o rei naquele dia, e se apresentaria mais tarde para ajudá-los na horta.
Esfregou uma mão contra a outra - em busca de calor - e uma vez mais encarou a enorme porta, que dava acesso ao interior do castelo. Os guardas a observavam curiosos, devia ter passado por volta de uma hora ou quase desde que havia chego ali e não conseguia dar mais nem um passo. Seus pés pareciam pregado ao chão. Na verdade, tinha de prazo dois dias para isso, mas nunca foi do tipo de pessoa que protelava.
E logo na manhã seguinte de sua tensa discussão com seu pai, se via olhando para a escadaria de pedra, a porta dupla de madeira, aberta, guardas fazendo sua ronda, lançando-lhe olhares curiosos, camponeses indo e vindo com suas carroças ou cestas de comida, algumas para serem vendidas, outras com compras, puxando um ou outro animal pela corda em volta do pescoço e ela mantinha-se feito estátua. Parada no mesmo lugar.
Suspirou cansada e estafada, parou para pensar que número foi aquele suspiro, centésimo? Riu sozinha. Estava procurando uma razão para dar meia volta e sair correndo daquele lugar, mas não adiantava. Seria, quando muito, prorrogar o inevitável e até mesmo piorar a situação dela. Mas, porque olhar para aquele lugar lhe dava a sensação de olhar para o inferno de Dante?
Certeza... Era por causa do nome. Riu de sua própria piada interna.
Olhou para o chão, ainda sorrindo, distraída em seus devaneios. Negou com a cabeça e voltou a se focar na entrada, foi quando sentiu uma presença a seu lado, virou o rosto para a direita e levou um baita susto ao deparar-se com aquele gentil e apessoado cavaleiro de cabelo loiro e feições angelicais, que um dia teve o prazer de ajudar a salvar de um envenenamento.
Quatre permanecia parado ao lado dela, ereto e elegante, com as mãos unidas nas costas, olhando para frente, quando se sentiu notado, virou levemente a cabeça para a esquerda, ergueu uma sobrancelha, encarando-a do alto com aqueles azuis cristalinos e sorriu de canto, brincalhão.
— Dizem que se você olhar fixamente para o mesmo ponto, acaba vendo um fantasma. - sorriu abertamente.
— Milorde, está tentando me assustar? - careteou simplista e divertida.
— Não. Só tentando entender, se você está tirando as medidas da porta ou dos guardas. - riu diminuto, contido.
Heiren sorriu e todo seu rosto se iluminou. A fama de anjo apaziguador que o precedia era verdadeira, acalmou seu interior. A última vez, talvez a única que o viu, ele estava fraco e abatido sobre uma cama.
— É bom vê-lo recuperado.
— Creio que não tive a oportunidade de agradecê-la devidamente. - virou o corpo e segurou a mão da moça, com toda a inocência do mundo, e depositou um casto beijo na mão pequena. - Obrigado por salvar minha vida. - gentil.
Tímida, puxou a mão de volta, toda vermelha pelo acontecido, olhando para o chão e brincando com os dedos ao passo que se perguntava como ele poderia ser tão encantador. Quatre riu com a cena. Era fofo de ver e se admirou com a atitude da jovem. Ela parecia tão pura e transparente, tão diferenciada das demais camponesas. Heero lhe havia contado uma parte da conversa com o pai da jovem e pensou que ela merecia um futuro melhor.
— Não vai entrar? - questionou, querendo que ela voltasse ao normal.
Suspirou, mudando tão rápido de atitude que o loiro segurou a risada. Tornando-se desanimada de repente.
— Não quero! - foi sincera. - Mas preciso.
— Sabe… Minha mãe dizia que quando não queremos, de jeito nenhum, fazer algo, mas aquilo é inevitável devemos fazê-lo em primeiro lugar. Porque assim, podemos estar livres para fazer o que queremos depois, com tempo infinito. - disse sem desviar os olhos da porta, assim como ela.
— E quando se está com medo? - perguntou em um sussurro tão baixo, que se não tivesse uma boa audição, ele nem teria escutado.
Quatre baixou o rosto, olhando-a de relance e voltou a focar a porta.
— A coragem não é a ausência do medo e sim saber controlar o medo! - decretou.
Heiren engoliu em seco e o olhou de lado, observando o perfil do homem cavalheiresco. Sentiu-se observado e se voltou para ela, abrindo um compreensivo sorriso.
— Por que não tenta?
— E se algo der errado? - pela primeira vez, se sentiu em confiança de mostrar a face insegura, antes do orgulho.
— Atravessando aquela porta. - apontou para o lugar. - Você irá encontrar o rei Dante… Mas, também estarão Heero, eu e os demais rapazes. E tenho certeza que nenhum de nós deixará algo de ruim acontecer a uma amiga. - sorriu com os olhos.
Heiren assentiu, os cantos dos lábios se ergueram em um sorriso inibido de boca fechada. E ela o observou se despedir com um movimento de cabeça e partir em direção a escadaria. Quando chegou ao topo, se voltou para ela e ergueu a mão reta, como se fosse um comprimento, sem movê-la, depois deu meia volta e sumiu do raio de visão da jovem.
Suspirou. Ergueu a cabeça altiva e se encheu de força e confiança nas palavras do cavaleiro e com passos firmes, avançou em direção a entrada, observada pelos guardas e os ignorando completamente.
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Mesmo cedo a taverna acoplada à hospedaria já se encontrava bem movimentada. O burburinho de conversa atrapalhava o príncipe dormir, e esse era um dos momentos em que se amaldiçoava por não ter aceitado o conselho do irmão. Talvez se tivesse se jogado no chão e implorado ao pai, estivesse confortavelmente em sua estimada cama, com lençóis de alta qualidade e apreciando o silêncio para poder repousar devidamente.
Riu contido com sua própria dramaticidade. Deu a volta na cama e cobrindo a cabeça com o outro travesseiro, tentou novamente conciliar o sono.
Enquanto isso, na taverna, adentrava dois soldados de Sank com roupas casuais e buscaram uma mesa, ocupando uma ao fundo, de onde se podia ver a entrada e a escada que dava acesso aos quartos. Logo pediram seu café da manhã e fingiram se passar por camponeses comuns, com suas espadas escondidas debaixo da capa que os aquecia do frio.
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Parou em meio às portas abertas que davam ao interior do amplo salão. Ao longe, pode ver o rei Dante sentado em seu trono, atendendo a uma fila de súditos. A seu lado direito, em pé, concentrado nos diálogos de seu pai com os camponeses, se encontrava Heero. Engoliu em seco uma vez mais e naquele momento se deu conta... Não era medo o que sentia, ao menos, não apenas isso. Era orgulho ferido. Passou a vida odiando aquele homem ao qual teria que humildemente se curvar e explicar-se.
Seus olhos castanhos percorreram o local.
Descendo os três degraus que levavam ao trono, a direita do príncipe, estavam seus quatro cavaleiros e em meio deles avistou o jovem Quatre que a olhou em retorno, provavelmente por sentir-se observado. Sorriu-lhe bondoso, incentivando-a. Os amigos seguiram o olhar do loiro e logo estava sendo observada pelo quarteto.
Puxou o ar em busca de valentia. Tinha a ira, mas precisava encontrar a calma e se equilibrar ou poderia acabar em uma forca, e pior, levar seu pai junto para a cova.
Quatre se aproximou de Heero e falou algo em seu ouvido. Heiren pode apreciar o herdeiro de Sank levantar a cabeça e focar seu intenso olhar azul sobre ela. Sentiu-se pequena. Logo o moreno abaixou ao lado do pai e falou algo no ouvido do rei e quando os olhos verdes cruzaram com os dela… Ela soube. A hora chegou.
Dante concluiu o que quer que estivesse conversando com um senhorzinho de cabelo branco e após se despedir do mesmo, se colocou em pé. Olhou em cada rosto dos presentes e com toda nobreza se desculpou com o povo, porém pediu que esperassem no fundo da sala, que ele deveria atender um assunto de suma importância e logo a seguir continuaria atendendo a todos.
Sua voz forte ressoou pelo local feito um trovão, autoritária e imponente, e aquilo a fez estremecer. Continuou caminhando - olhando para frente de cabeça erguida - rumo ao rei. As pessoas passavam ao seu redor e podia sentir os olhares curiosos sobre sua pessoa, ainda assim não se incomodava em olhar para ninguém. Seu objetivo estava à frente e era para ele que olharia.
Mais alguns passos e parou de frente para seu nêmeses. Elevando ainda mais o queixo, disposta a manter sua altivez, mas ao focar em Heero, mudou de atitude e decidiu se curvar em uma respeitosa reverência. O que viu nele? Nada. Sua expressão era tão fria quanto o gelo, no entanto, pôde sentir a repreensão sem ele precisar erguer sequer uma sobrancelha.
— Heiren Franz! - escutou seu nome ser pronunciado por Dante e todo seu corpo estremeceu. - Tenho escutado muito a seu respeito.
Endireitou-se antes de ter autorização para tal, atrevida. E o ruivo ergueu uma sobrancelha, sério, observador, intrigado ao vê-la o encarar de volta. Uma guerra fria e silenciosa entre ambos acontecia e a tensão poderia ser cortada com uma faca.
Heero olhou de soslaio para os amigos e Duo estava se controlando com todas as forças para não rir. Quatre preocupado, Wufei indiferente e Trowa atento. Fechou os olhos procurando se concentrar e voltou a focar na situação.
— Ah algo a dizer? - a voz do regente voltou a ressoar.
— Na verdade, não!
Assombro. Podia-se ler no rosto dos quatro guerreiros e também se veria no rosto de pai e filho, se ambos não fossem tão sisudos. No entanto, Dante não se abalava.
— Então, o que faz aqui? - a pergunta a pegou desprevenida. Engasgou e não soube responder. - Pelo que sei… Meu filho foi lhe enviar uma convocação devido a uma ameaça indireta a seu rei…
— Não! - o interrompeu, insolente. - Eu não ameacei ninguém. - baixou o olhar por primeira vez, se sentindo perdida. - Sou incapaz de cometer um crime contra um ser-humano de livre vontade.
— Então, o que disse?
— Que eu não ajudaria a salvá-lo, majestade. - rosnou a última palavra.
Duo cochichou um comentário baixinho e divertido para os amigos: — Ou essa garota é louca ou tem uma coragem enorme. Acho que vou colocar ela na linha de frente na próxima batalha que enfrentarmos. - Trowa segurou o sorriso, não era o momento. Quatre repreendeu o amigo com a mirada e Wufei revirou os olhos, entediado.
— E posso saber a razão de tanto ódio professado a mim? Seu rei?
— Como posso chamar de meu rei o homem que nem sequer se importou em me ajudar em meu momento de maior desespero? - sua declaração saiu entredentes, clara e visivelmente cheia de rancor.
Silêncio.
Nem mesmo Duo teve uma piada espirituosa para o momento. Era uma luta interna e tácita, entre rei e súdita. Ambos sustentando o olhar do outro. Não havia reverência e nem temor. Era real e palpável. Heero passeava olhar de um ao outro. Dante estreitou os olhos sobre a menina e resmungou sua resposta, visivelmente nervoso, mas sem perder a compostura.
— Mente! - declarou, causando uma expressão de estupefação na jovem. - Eu nunca neguei ajuda a alguém de meu povo quando o mesmo me pediu. - ela fechou as mãos em forma de punho, apertando tanto que as falanges ficaram brancas, segurando-se para não gritar. - Tenho uma memória infalível, menina. E não me lembro de tê-la visto antes, em toda minha vida.
Abriu a boca para retrucar, mas o rei levantou a mão para calá-la.
— O que me leva a acreditar que tudo o que sai de sua boca, não passa de mentira… - finalizou.
Vendo o desespero e a decepção se formando nos olhos castanhos da jovem, Heero deu um passo à frente tentando interceder, mas, seu pai o calou com o olhar. Armando-se de valor, foi a vez de Quatre e Duo, mas ambos foram calados da mesma maneira. Trowa e Wufei nem tentaram, sabendo qual seria o resultado.
— Todos os cinco estão proibidos de se envolver. Ela salvou a vida de um de vocês e isso será levando em conta em meu julgamento. Conheço seus feitos bons. Mas, não posso tolerar uma mentira como essa.
— Majestade…
Os presentes voltaram sua atenção para a doce voz que interrompia a reunião, com tamanha ousadia e intrepidez, causando um reboliço em meio aos espectadores da discussão. Relena adentrou o local, de cabeça erguida, com todo o porte de uma rainha, feito já usasse tal coroa. Logo atrás, era seguida por suas damas da corte.
Seus passos leves eram apressados e decididos. Heiren deu meia volta e por mais que conhecesse a fama da beleza angelical da princesa, não pode deixar de se surpreender ao vê-la tão de perto. A julgou uma fada, não... A palavra exata deveria ser um anjo de luz. Sentiu-se até mesmo acuada e bem lá no fundo, se perguntou como poderia competir com a mulher que se aproximava, pelo amor de Lúcius.
Baixou a cabeça, pensando que sua humilhação iria piorar e a princesa iria se desfazer dela ainda mais rápido que o rei. E qual foi sua surpresa… Ficou boquiaberta com o que ouviu a seguir daquela entrada tão impactante aos seus olhos. Relena parou ao lado dela e antes mesmo de olhar para jovem, encarou a Dante com excelência.
— Se meu futuro marido e seus fiéis amigos não podem dizer nada. Eu venho interceder por essa jovem que mais bem causou, do que mal. Então, humildemente peço ao senhor, que a deixe terminar seu relato. Algo me diz que não são infames mentiras que serão contadas.
Sua segurança era tamanha, que Dante não conseguiu evitar o orgulho ao saber que fez uma ótima escolha para futura rainha de Sank. E sua esposa, fez um esplêndido trabalho ao educar a jovem. A noiva do príncipe não perdia o contato visual, até que foi agraciada com a resposta.
— Eu confesso que esperava que, os nobres homens aqui presentes se manifestassem a seu favor, senhorita. - pausa. - Mas, que a princesa interrompesse essa reunião, com tanta segurança, é algo interessante de ver. - deu a volta e sentou no trono, com toda a distinção de um monarca. - Conte-me a sua versão.
Pasma, era uma palavra que soava fraca. Heiren sentia o nó se formar em sua garganta, emocionada. Apenas agravou a situação quando viu Relena se voltar para ela e dedicar-lhe um dos poucos sorrisos mais amáveis que recebeu em sua vida. E para dar-lhe forças, se posicionou ao lado dela e tocou seu braço com tanto carinho, que teve vontade de abraçar a mulher a seu lado. Passou os olhos pelos rapazes e todos a encaravam com expressões de ânimo. Heero dedicava-lhe um olhar de coragem, e de completo amor à princesa. Coisa que lhe chamou bastante atenção, só que não era a hora de pensar naquilo.
Teve vontade de olhar para as meninas que estavam as suas costas, incluindo sua amiga Kelly, porém, decidiu contar de uma vez sua versão da história.
— Meu pai… - abaixou a cabeça retraída e engoliu o choro, então ergueu a cabeça decidida. - Se viciou em jogo quando vivíamos em Oz. Durante esse período, minha mãe adoeceu e me pai gastou tudo o que tínhamos com ela e o restante era perdido na jogatina. Em uma noite fugimos de Oz e voltamos a Sank, que era o reino onde minha mãe nasceu, mas ela não suportou a viagem e faleceu. Foi quando a nossa decadência começou. Meu pai contraiu uma dívida após outra... - Dante a observava, bastante atento. - Ele era um pintor maravilhoso… Suas obras eram espetaculares. Mas, não estávamos tendo uma boa venda… - pausou em busca de ar. - Ainda assim, ele conseguiu cuidar de mim como pode… - calou-se. Era difícil relembrar. - Ele se esforçou e conseguiu vencer o vício. - sorriu nostálgica e orgulhosa. - Mas, um dia os cobradores de Oz nos encontraram. Com medo de que me levassem como escrava, ele pediu dinheiro emprestado a um nobre. Um lorde, que havia comprado uma de suas obras.
Atenção. O silêncio era tamanho naquelas informações, que o menor suspiro poderia ser ouvido. Heero era o único conhecedor do nome que seria revelado a seguir, juntou as mãos na frente de corpo e focou nas reações de seu pai, vez ou outra passeando os olhos pelos demais presentes.
— Ele… - uma lágrima escorreu pelo rosto da jovem e Relena apertou o agarre em volta do braço da moça, dando-lhe forças para continuar. - Meu pai não conseguiu pagar a dívida no prazo estipulado e aquele homem o mandou escolher entre eu ou ele… Seus vassalos o buscaram de noite em nossa casa. Na manhã seguinte eu vim em busca de vossa majestade, porém, essas portas... - apontou em direção à entrada, sem olhar para o rumo, mantendo os olhos nos verdes de Dante. - Estavam fechadas. Encontrei um nobre na porta, cujo nome desconheço, no entanto asseguro que o reconheceria em qualquer lugar. - declarou com firmeza. - E contei a esse homem sobre o fato de terem levado meu pai e que eu precisava urgente falar com o senhor. Ele me informou que vossa alteza estava muito ocupado, no entanto lhe informaria sobre minha delicada situação e com certeza me ajudariam. - pausa. - Ajuda que nunca chegou! E meu pai foi devolvido um mês depois, quase morto, jogado feito lixo na porta de casa, ensanguentado, torturado e… - olhou para as mãos, as lágrimas descendo por seu gracioso rosto. - Suas mãos quebradas e atrofiadas.
Ergueu a cabeça com todo o orgulho que lhe restava e enfocou no rei, apresentando suas últimas palavras.
— Hoje… Meu pai segura com dificuldade o talher na hora de comer e o pincel… Sua grande paixão, sempre foi a pintura. - sua voz embargou. - Ele nunca mais conseguiu segurar um pincel. - finalizou.
Silêncio total. Todos comocionados com aquela triste história. Relena e Hadja tinham os olhos brilhantes pelas lágrimas contidas. Cléo sentia raiva, apertando as mãos na saia do vestido. Kelly se mantinha o mais estóica que podia, mas ainda sentia o coração apertar e Teyuki não se conteve. Deixou o choro escorrer por sua pálida bochecha, visivelmente afetada.
Os rapazes tão pouco estava indiferentes, mas suas atitudes não eram tão emotivas, mesmo assim, notava-se o incômodo em cada rosto. Heero ainda se mantinha austero, esperando o final daquela informação. Sem perder o pai de vista, sabendo que o mesmo faria a pergunta certa. Dante se incomodou na poltrona, sentiu o sangue ferver. Desconhecia por completo aquela história, nunca lhe chegou nenhum aviso de tal atrocidade e teria sim, tomado uma atitude na época. Sempre se orgulhou do fato ser muito justo em sua regência.
— Tal ocorrido não chegou a meu conhecimento, até este momento. - informou, deixando a moça boquiaberta. Ele parecia sincero e se assim era, o que disseram para ela era verdade. - Como você não sabe o nome do nobre com quem conversou no dia em que veio me pedir socorro, não poderei perguntar sobre ele, mais que alguma descrição. No entanto, creio que sabe me dizer o nome do tal lorde, que prendeu e torturou a seu pai, estou certo? - assentiu em resposta ao rei. - Diga.
— Seu nome é Macben, lorde Macben.
Dante elevou sutilmente a cabeça, surpreso, Heero sorriu discretamente, aproveitando o momento. Trowa e os demais se assombraram e o mesmo, apertou com força a empunhadura de sua espada. Relena arregalou os olhos e procurou à amiga – noiva de tal lorde - com o olhar, encontrando-a tão branca, que parecia que o sangue havia abandonado seu corpo completamente. Cléo e Hadja trocaram um olhar estarrecido e Kelly, apesar do espanto, não pode deixar de comentar baixinho: — Acho que a Teyuki acaba de ficar disponível para escolher um novo noivo.
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— Me explique de novo... Porque estamos aqui? Acho isso uma perda de tempo. - Duo reclamou pela quarta vez.
Wufei revirou os olhos e desceu de seu cavalo, pagando um rapaz para que cuidasse do animal enquanto começava a andar, seguindo Heero. Ambos, ignorando completamente o amigo de trança, que por sua vez desmontou e imitou o de rabo-de-cavalo.
— Lembrem-se… - Heero parou abruptamente e se voltou para os amigos que o seguiam. - Fiquem atentos a tudo e todos. Quero que me relatem qualquer coisa que vejam fora de lugar.
Ambos assentiram e o de cabelo café empurrou a porta da taverna, abrindo e chamando a atenção de todos que ali estavam.
Silêncio. Os aldeões ficaram por um segundo sem saber como reagir ao verem o futuro rei deles, entrando. O dono do estabelecimento se aproximou o reverenciando.
— Majestade?
— Levante-se, senhor. - olhou para todos. - Por favor, continuem tranquilamente.
E a ordem foi acatada. Ainda tímidos, os clientes voltaram a seus afazeres.
— Em que posso ajudá-lo meu senhor? Devo servir-lhe algo de comer ou beber? - prestativo, o ancião tentou seu melhor.
— Não hoje. Mas, agradeço. Vim ver meu irmão. Será que poderia me guiar até seu quarto?
— Com toda a certeza, alteza. É por aqui…
O gentil hoteleiro subiu as escadas seguido de Heero, porque o príncipe herdeiro insistiu que o homem fosse à frente.
Duo e Wufei ficaram em pé em frente a porta de entrada olhando para pessoas, observando os que estavam no local. De repente, algo chamou a atenção de Duo, focou seus olhos azuis em dois homens sentados em uma mesa do fundo. Ambos os homens abaixavam a cabeça, os encarando de soslaio, aparentemente temerosos de serem notados.
Duo nem se imutou. Seus olhos se moveram sozinhos buscando os de Wufei, cruzando o olhar azul com o preto e logo voltou a focar nos homens, que reconheceu como soldados de Sank, apesar de ambos usarem roupas casuais.
O de cabelo preto entendeu o recado e seguiu a direção do foco do amigo. Enxergando o mesmo que o de trança. Palavras eram dispensadas entre eles. Entendiam-se perfeitamente.
Nesse instante, o dono do estabelecimento, desceu as escadas e foi para trás do balcão. Wufei seguiu reto e ocupou um dos bancos em frente à bancada, e Duo seguiu em direção à mesa dos dois homens, que se encolhiam tanto, que quase entraram sob a mesa. No rosto do cavaleiro, seu sorriso mais falso estampado propositadamente.
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— O que faz aqui? - o ruivo questionou e se jogou na cama, caindo deitado.
Heero observou o local e aprovou.
— Não é nada mal. Você está bem instalado.
Lúcius ergueu uma sobrancelha, incrédulo.
— Você só pode estar brincando. Isso é horrível.
— Horrível é dormir no chão ao relento e não ter nem sequer uma sopa quente para se esquentar do frio. - encarou o mais novo. - Você reclama demais! - anunciou.
Lúcius sentou na cama e encarou o irmão.
— Então? A que devo a honra de ter um membro da família real em meu humilde aposento? - Heero o encarou com desânimo. - Já sentiu minha falta? - sorriu irônico.
— Talvez seja cedo demais, mas vim confirmar se já mudou de ideia.
Lúcius franziu o cenho.
— Se estiver interessado, posso te ajudar. - o de cabelo café sorriu astuto, de canto.
— E como seria? - interessou-se.
— Tudo é uma troca de favores. - afirmou.
O ruivo suspirou e ergueu a cabeça.
— Estou ouvindo…
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— Uma cerveja, por favor. - disse o de rabo-de-cavalo, observando o amigo através do reflexo na prataria pendurada na parede atrás do balcão.
Duo se aproximou da mesa e espalmou as mãos sobre a madeira, olhando de um ao outro, astucioso.
— Então, senhores… O que fazem aqui? - direto.
Ambos soldados da coroa se encararam e olharam para o cavaleiro, receosos. Um deles abriu a boca, tentando articular algo, mas as palavras morreram antes de saírem.
— Sabe… Eu não vejo razão para encontrá-los aqui. Acaso faltou comida no castelo e tiveram que vir até aqui?
— Não senhor. - falou o mais mal-encarado, trocando um olhar cúmplice com o comparsa.
Duo, esperto, não perdia nenhum detalhe daquela conversa silenciosa entre os homens sentados um de frente ao outro.
— Então? Qual a razão de estarem aqui, a essa hora?
Um se sentiu acuado, mas o outro acreditou ser forte o suficiente para se livrar do cavaleiro e fugir antes que o rei descesse. Acreditou que Wufei não iria se envolver, e pegar o cavaleiro sozinho, em dois, seria coisa fácil.
— Acho que isso não lhe diz respeito. - agressivo, encarou Duo nos olhos.
O de trança se endireitou e descansou a mão sobre a empunhadura de sua própria espada, com um sorriso presunçoso nos lábios, retrucou o desafio subentendido. Ergueu uma sobrancelha e o queixo, sagaz.
— Talvez queira provar seu valor… Pode pegar sua espada que tanto tenta esconder sob a capa. Espero. - provocou.
O maior e mais carrancudo dos dois homens se colocou em pé. Era um pouco mais alto que Duo e mais robusto. Tinha um olhar agressivo e demonstrava não estar brincando quando levantou sua espada - com a ponta para cima -, ameaçador. O cavaleiro de olhos azuis coçou a nuca, despreocupado e olhou em direção ao amigo, que continuava de costas para eles, bebendo tranquilamente. Mesmo assim, Duo sabia que o outro estava atento.
— Me parece que hoje não vou ter descanso. - forçou o bocejo, demonstrando seu tédio.
Ao redor, os clientes que notaram a situação, começaram a sair de seus lugares disfarçadamente, assustados. O dono do estabelecimento notou e se colocou tenso. Olhou para Wufei, com uma expressão desesperada, pedindo que o mesmo entrasse em auxílio ao amigo que estava em desvantagem, mas em resposta, a única coisa que viu, foi o de cabelo preto erguer a caneca de cerveja.
— Pode encher, por favor? - Incrédulo e com as mãos trêmulas, o homem obedeceu.
O maior dos soldados ergueu a espada e se lançou sobre Duo em um ataque vertical, que foi desviado pelo cavaleiro, que observou a espada do outro fincar na madeira da mesa ao lado - que já se encontrava vazia -. Soltou a empunhadura rapidamente e mirou um soco no rosto do castanho, que deu um passo atrás e tombou levemente o corpo, desviando do segundo golpe. Nesse momento, o outro soldado - mais baixo e magro -, levantou e recuperou a espada do parceiro, também sacando a própria.
Dois contra um. Exatamente a equação que os mal-intencionados queriam.
Wufei mantinha o olhar na prataria. O corpo relaxado e a mente concentrada.
A situação era a seguinte. Ambos os soldados portando suas espadas, dispostos a matar o cavaleiro que, calmamente, sacava sua própria arma e sorria divertido, animado com o entretenimento matutino. O lugar era estreito e cheio de obstáculos, devidos às mesas e bancos espalhados pelo salão. Os clientes - apesar do medo - curiosos decidiram ficar para presenciar o espetáculo e claro, obter a novidade da semana. Aglomeravam-se um ao lado do outro, encostados às paredes. No centro o trio e em um dos extremos do lugar, Wufei ainda sentado bebendo cerveja.
Recomeçaram.
O da direita - mais alto - atacou com a espada, sendo parado pela ágil defesa de Duo, sem desperdiçar tempo, o da esquerda - o magro – atacou também e em uma manobra rápida o cavaleiro o fez passar reto e tropeçar no banco, caindo de cara ao chão. O maior se irritou pelo amigo e tentou outro ataque, avançando em direção, ao de olhos azuis, um golpe atrás do outro, sendo defendidos com maestria e sem dificuldade, ainda assim, Duo seguia caminhando de costas até que tropeçou em algo, que não pode ver e bateu as costas no balcão, ao lado de Wufei, que jogou levemente o corpo para o lado contrário, a fim de não ser atingido.
Azul e negro dos amigos se encontraram e Duo se manifestou.
— Pode ajudar… Quando quiser. Não se sinta pressionado. - reclamou birrento.
— Não me sinto. - retrucou malvado. - E para de resmungar e luta! Está se saindo muito bem. - sorriu ardiloso, escondido atrás da caneca.
Pulou para o outro banco, saindo do foco. Duo revirou os olhos, incrédulo. E partiu para cima com toda a intensão de acabar logo com a briga. Arremeteu-se, desarmando facilmente seu adversário, deixando-o pasmo, sem saber de onde veio tal ataque. Em seguida, Duo acertou um soco na cara do homem o cambaleando e finalizando com uma espadada no estômago.
Enquanto o mais alto caia de joelhos, levando a mão para a barriga, tentando inutilmente estancar o sangue, o mais baixo levantou e voltou para o combate, se jogando para cima de Duo o enlaçando pela cintura, querendo derrubar o de trança, porém, o cavaleiro fixou sua base e parou o outro. Com a empunhadura da espada, acertou um golpe entre as escápulas do homem que gemeu de dor e caiu de joelho ao chão.
Um pouco ofegante, Duo segurou o homem pelo cabelo e acertou uma forte joelhada na cara do indivíduo que caiu de costas, sangrando. No entanto, na queda bateu a nuca na quina da madeira do banco e rachou a cabeça.
Boquiaberto, o cavaleiro viu o homem que pretendia levar vivo para sacar informações, cair inerte e sem vida aos seus pés.
Ainda atônito, só desviou os olhos de seu rival quando sentiu a presença de Wufei parando ao lado, ainda com a caneca em mãos. O de cabelo preto olhou para os corpos, para o amigo e voltou para os corpos.
— Erro de cálculo? - perguntou despreocupado. Duo assentiu em resposta e suspirou.
— Heero não vai gostar. - sussurrou desanimado, torcendo a boca.
Wufei assentiu calmamente.
— A cerveja daqui é excelente. Deveríamos voltar com o restante dos rapazes. - comentou.
O de trança olhou para ele, sem demonstrar nenhum sentimento, olhou a caneca e balançou a cabeça em afirmação.
— Bom saber. Vamos combinar então.
Deram as costas aos mortos e caminharam em direção ao balcão, relaxados. Nesse instante Heero desceu as escadas e viu a cena, intrigado, olhou para os amigos, que nada comentam. Suspirou suavemente e olhou para os clientes e depois para o hoteleiro que estava pálido feito tivesse visto um fantasma. Pegou uma moeda de alto valor no bolso e coloco sobre o balcão, olhando para o anfitrião.
— Para pagar confusão e as bebidas. - anunciou Heero.
O senhorzinho olhou para seu futuro rei, logo para a moeda e por fim os cavaleiros. Um colocou a caneca sobre a madeira e saiu sem dizer nada. O outro coçou a nuca, sem graça e com um amplo sorriso se despediu, saindo por último dos três e deixando um pedido de desculpas pela bagunça.
Quando já estavam sobre seus cavalos e rumo ao castelo, Heero perguntou o que havia acontecido e seguiram caminho com Duo narrando e exagerando os acontecimentos, enquanto Wufei, fazia pouco caso de tudo, com um desdém desenfadado.
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Um cavalo marrom e um branco puderam ser avistados saindo de dentro da floresta. O brasão de Sank desenhado no tecido que envolvia o pescoço do animal, demonstrava que se tratava de homens da coroa. Os soldados que faziam tocaia para não perder as movimentações na pequena cabana a alguns metros à frente, saudaram os cavaleiros após os reconhecer.
Quatre lhes devolveu o cumprimento com um sorriso simpático, enquanto Trowa fez um movimento de cabeça. Ambos cavaleiros foram informados sobre a atual situação. Na cabana se encontrava a meta deles, sozinha.
Logo que Trowa terminou de dar ordens para que os homens continuassem vigiando, seguiu seu caminho até a construção em companhia de Quatre.
— Eu queria ter ido com o Miliardo. - Trowa soltou de uma vez o que estava guardando desde que saíram do castelo.
Quatre encarou o melhor amigo.
— Eu sei disso. - corroborou. - Mas, as ordens não partiram de Heero e sim do rei Dante. Sabe que ele não se mete nas ordens do pai.
— Eu sei. Mas, talvez pudesse ter feito um pedido por mim.
O loiro voltou a olhar para o de cabelo castanho.
— Não se precipite. Vai ter seu momento cara-a-cara com o lorde. - apaziguou.
— Será? - suspirou desanimado. - Se eu já odiava esse lixo e queria matá-lo por causa da Tey, sabendo o que ele fez a essa família… - se acalmou. - Me irritou muito a história.
— Sim, eu sei. - concordou. - A todos nós. Viu a cara do Wufei? Acho que ele teria arrancado as mãos de Macbean durante uma sessão de tortura, facilmente. - se forçou a sorrir tristemente com seu próprio comentário. - Mas o lorde pagará. Miliardo foi buscá-lo e quando o trouxer, terá de responder perante a coroa e pode ter certeza que o casamento arranjado dele com lady Teyuki acabou.
— É bom mesmo, porque antes dele tocar nela, eu o mato e fujo com ela para Wing. - declarou tranquilamente.
Quatre riu. E começou a refletir em como a vida deles mudou drasticamente desde que chegaram a Sank. Em Wing, eram apenas um grupo de amigo, se divertindo com as piadas internas, cuidando do andamento de um reino calmo e estruturado na maioria do tempo e sem grandes expectativas em suas vidas pessoais. Cientes de que cedo ou tarde teria que casar e construir uma linhagem e que isso provavelmente ocorreria através de algum acordo lucrativo entre famílias.
E agora, estavam lutando por suas mulheres - escolhidas por eles mesmos -, enfrentando uma guerra interna em um reino que acabavam de conhecer, se apegando a pessoas que até pouco tempo não eram mais que desconhecidos. Comprando brigas pelo simples fato de empatizar com alguém que carece de ajuda. Aumentando a família sem o laço sanguíneo.
Foi tirado de seus pensamentos pelo amigo.
— Como vamos falar com ela? - Trowa inquiriu.
— Vamos dizer a que viemos… - sorriu em resposta ao amigo. E com um sorriso de canto, Trowa assentiu.
Desmontaram de seus cavalos e os soltaram, não precisavam amarrar em lugar nenhum, ambos os animais respondiam a seus donos em qualquer momento.
Seguiram em direção à porta e bateram forte, mas sem agressividade. Esperaram.
Depois de alguns segundos, a porta se abriu e ambos os homens olham para baixo, apreciando uma mini versão de Kelly. O parentesco era visível. Era uma mistura entre a atual dama da corte e o incômodo Jian. Trowa aliviou a expressão e Quatre sorriu gentil, abaixando na altura da menina.
— Bom dia. Eu sou Quatre e esse é meu amigo Trowa. - a menina os observava, desconfiada, outra característica da irmã, pensou o cavaleiro. - Você deve ser a Mei, certo?
— O que desejam? - questionou firme e segura.
Os amigos trocaram um olhar surpreso. Aquela menina tinha uma postura bem forte. Trowa se voltou para ela e tomou a palavra.
— Estamos aqui por sua irmã, Kelly. - os olhos de Mei se arregalaram. - Ela quer te ver e viemos te buscar.
A menina abriu e fechou a boca algumas vezes, analisando a informação. Os olhos castanhos percorriam de um lado ao outro, ergueu a cabeça e os olhou. Não pareciam uma ameaça e aparentemente eram verdadeiros.
— Eu também quero vê-la… Mas, poderei voltar depois? Ou meu irmão ficará preocupado comigo.
Outra troca de olhar entre os cavaleiros, e o loiro resolve responder.
— Se quiser, deixe-lhe um bilhete. E quanto a voltar, isso deixaremos para você e sua irmã decidirem. Está bem? Posso te trazer de volta, se assim for necessário. Combinado? - sorriu.
Mei pensou um pouco e sorriu, assentindo.
Correu para dentro da cabana e escreveu um bilhete simples, resumindo que foi se encontrar com Kelly e que depois voltaria, para que o irmão não se preocupasse e após deixar-lhe um beijo, assinou.
Pegou sua capa para se proteger do frio e seguiu até os cavalos, montou com Quatre e o trio começou a trotar rumo ao castelo. Trowa desviou o caminho rapidamente, indo falar com os soldados, discretamente, sem que a menina visse e mais a frente, reencontrou o amigo e a jovem, dando uma desculpa qualquer para sua breve ausência, retomando a viagem, tranquilamente.
Continua...
Olaaaaa! :3
Viram? Estou viva... Como eu digo, eu vou completar todas minhas fics. Não importa o tempo que leve, em minha loucura constante... Mas, vou completar.
Peço sinceras desculpas pela espera ridícula que fiz vocês passarem... Tanta coisa aconteceu. :(
Mas, acho que essa fic vai demorar menos que o esperado para acabar. tenho que amarrar algumas pontas logo. u.u
Bem, bem... Aqui estou :D Quase meia-noite e postando mais um capitulo.
Espero que tenham se divertido ao ler, o mesmo tanto que me diverti ao escrever. :3
E por favor, não omitam nenhum detalhe em suas reviews. Elas me animam e inspiram muito a escrever. *u*
Caso alguém curta Criminal Minds, postei uma oneshot do casal Hotch e Emily em um UA Sobrenatural. Se quiserem conferir e deixar seu parecer, serão muito bem vindos. :3 Aviso: É super hot! hihihihi
Bem... Aqui me despeço, deixando muito beijos e abraços. ;)
04/05/2017
