N\A: Sugestão! Releiam os últimos capítulos,e em especial o capítulo "Passado".
Capítulo 34
Telefonema
04 de dezembro de 2007
Sakura, Centro de Tóquio as 19h00min
Retirei minha atenção de minhas mãos quando vi, pelo quanto dos olhos, Hinata inclinando a cabeça para trás. Ela olhava para Naruto que se aproximava e tentava sorrir, um sorriso triste, mas esperançoso.
Ou melhor assim seria.
Há alguns minutos Naruto me pediu para entrar e disse que buscaria um copo d'agua. Seus olhos e suas sobrancelhas me indicavam que ele tinha percebido minha preocupação. E por um momento, quando coloquei meu primeiro pé ali, eu pensei em dizer-lhe tudo, dizer-lhe para tomar cuidado, para deixar aquele apartamento e seguir comigo até a polícia.
Entretanto, parando para pensar agora sobre e enquanto vejo os dois trocando olhares, eu suponho que o silêncio foi a melhor opção.
Eu não sabia quem era Naruto. Eu não sabia quem era ninguém naquela sala.
Ele se aproximou e me entregou o copo d'agua. Quando sentou-se no tapete, diante de mim, eu pude notar que suas roupas eram confortáveis e quentes. Percebi também o aquecedor desligado, e que apenas a luz do corredor, na entrada, estava acessa.
- O que é tudo isso? – perguntei.
- Temos que ser discreto. Está um pouco frio aqui, mas é necessário. Caso sejamos surpreendidos podemos sair rapidamente sem deixar vestígios.
Hinata, sentada ao meu lado, tinhas mão entrelaçadas nitidamente incomodada. Deslizei meus olhos até suas pernas e vi as calças jeans e a bota. Ela também estava preparada pra fugir.
- Por que você me atendeu?
Como Naruto não me respondeu continuei.
- Não seria melhor que ninguém soubesse da localização de vocês?
- Por que você continuaria, seria capaz até de arrombar a porta ou chamar a polícia.
Era verdade. Conhecíamos a menos de três meses e Naruto era capaz de prever meus comportamentos. Antes eu não me sentia incomodada, mas agora, presa nessa sala, com a presença de uma possível assassina, eu não me sentia nada satisfeita ou impressionada com isso.
- Sim, estava preocupada com você já que você sumiu. E com tudo que está acontecendo... - levei o copo até a boca e tomei apenas um pequeno gole. Não conseguiria fingir diante de Naruto, por isso o máximo que eu podia fazer era usar meias verdades e não deixar claro os motivos de minha preocupação e ansiedade.
Os gestos, os olhares, a voz, tudo indicaria meu nervosismo. Ele não poderia saber, no entanto, os motivos.
- Para onde vocês estão indo? É por que a policia estava procurando por você?
Hinata repentinamente se levantou. A vi andar até o banheiro, as mãos sempre no alto do peito. Ela não queria falar sobre aquilo, não queria explicar, não queria que eu estivesse ali. Óbvio que não, eu estou atrapalhando tudo.
E eu poderia terminar com isso agora. Inclinei-me em direção a Naruto, mas quando vi seus olhos anilados eu travei.
Naruto era um fugitivo. Ele tentava ajudar Hinata e nada que eu dissesse a ele mudaria a situação.
Abri a boca uma, duas, três vezes, até que consegui dizer:
- Onde vocês estavam? Você tem que me contar do contrário... Do contrário, seja lá por que, terei que informar a policia.
Ele não me respondeu a princípio. E ficamos assim em silêncio, até que a voz de Hinata veio do início do corredor.
- Em motéis. Depois tentamos pegar um trem, mas as estações foram interditadas... Devido ao clima. Não queríamos nos expor assim, por isso voltamos escondidos para cá, e pretendemos ir novamente hoje à noite.
- Hinata. - era um chamado de aviso. Eles tinham um acordo e ela acabava de quebrá-lo.
- Melhor ela saber... Sakura-chan não irá contar nada, não é? - ela me direcionou um olhar de suplício. Que repentinamente me veio de momentos anteriores, mas que nesse exato instante não parecia real.
Talvez eu esteja sendo precipitada e impressionada pela possibilidade dela ser uma assassina, mas foi inevitável não pensar que era uma ameaça.
- Não direi nada. Mas por que estão fugindo?
- A família dela. Há algumas divergências na família.
- E por isso Neji-san não pode saber? Ele me procurou e...
- Neji-nii-san não pode saber. - ela me interrompeu, então levou as mãos até o peito.
Novamente.
Novamente aquele movimento.
Tão frequente que poderia ser ensaiado.
Ela sabe. Sabe que esse movimento significa aos olhos das outras pessoas. Proteção. Fragilidade. Medo. Tudo que ela não precisava e não tinha.
Meu peito doeu, enquanto sentia uma repentina dificuldade em respirar.
Bebi mais um gole de minha água.
- Sakura-chan?
Levantei os olhos e fitei Naruto. Sim, eu não poderia simplesmente perder o equilíbrio ali.
- Desculpa. Só estou preocupada. - me esforcei um pouco para me virar e encarar Hinata. Ela tinha as mãos ainda sobre o peito, uma expressão tola e vulnerável no rosto. Tentei não pensar que provavelmente era tudo uma mentira e continuei. - Quando vocês estiverem bem, independente de onde vocês forem, me informem, e informem Neji-san, precisamos saber que ao mesmo vocês estão vivos e bem.
Naruto sorriu para mim. E eu senti meu coração doer. Pois por mais que eu não entenda, por mais que haja a desconfiança, é inegável o que eu sinto. Eu não poderia perdê-lo sem ter certeza.
Levei minhas mãos até as dele e a segurei sem dizer nada. Pude perceber a reação de Hinata no outro lado, ela nos fitava, em silêncio, sem mover qualquer músculo do corpo. Ela está incomodada, mas não podia comentar nada.
A situação mudaria caso ela saísse do controle? As simples perguntas diretas não serviriam. Mas se ela se descontrolasse isso poderia mudar a situação. Era um risco, obviamente, principalmente por que eu não saberia como Naruto reagiria. Mas se eu pretendia alterar o humor da Hyuuga, não haveria melhor maneira, do que senão, tentar manipular o Uzumaki.
Segurei ainda mais forte sua mão e levei até o meu rosto.
Naruto tinha os olhos arregalados e a face levemente corada. Não me atrevi a encarar a reação de Hinata, mas entre um misto de verdade e mentira eu disse:
- Irei sentir sua falta.
Logo após escutei Hinata andar e senti meu coração parar ao imaginá-la vindo em minha direção, mas ela simplesmente tinha retornado ao banheiro. Sem dizer nada. Sem qualquer rastro de raiva, apenas um incômodo calado.
- Sakura-chan.
Naruto me chamou, o encarei e ele deixou minhas mãos sobre o meu colo.
- Eu fico feliz e agradeço. Mas por que exatamente está fazendo isso?
Mordisquei os lábios e baixei o olhar sem coragem de fitá-lo. Era um bom momento para avisá-lo acerca da Hyuuga, de tentar convencê-lo a ir embora comigo e deixar tudo nas mãos da polícia. Eu tinha que ao menos tentar, por mais patético que fosse.
- Não é pela família dela, eu sei que não é. - agarrei novamente suas mãos - Venha comigo, vamos conversar com a polícia, o pai do Gaara irá nos ajudar e ficará tudo bem.
Ele tinha as pupilas como em um ponto, entretanto lentamente voltaram ao normal e sua expressão suavizou-se. Ajeitou suas mãos nas minhas e um sorriso fosco surgiu.
- Sakura-chan, eu não sei o que você sabe exatamente. Eu espero que não seja muito, mas agora que eu estou aqui, eu não posso voltar atrás. Hinata depende de mim, e além de mim ninguém pode ajudá-la.
- Naruto! Por favor! Isso é... Isso é... Perigoso, você sabe que é, você sabe o que pode acontecer, não sabe? Sabe que...
- Sakura. - me interrompeu. - Sakura, vai ficar tudo bem. É só por um tempo, é só enquanto tudo passar e ser arrastado pelo tempo.
Ele achava realmente que estava acabado?
- O Sai, você sabe que ele não foi morto, não sabe? Se ele está vivo, você corre perigo, e você está assim exposto.
Senti suas mãos segurarem meu rosto gentilmente.
- Não é por muito tempo. Não será por muito tempo, prometo.
Em seguida seu celular tocou, fazendo-o levantar e olhar o número no visor. Estranhei, pois momentos antes ele não atendia meus telefonemas, mas aquele em especial o fez franzir o cenho e ficar longos segundo encarando a tela.
- Desculpa Sakura-chan, melhor eu atender... - me disse enquanto saía, minhas mãos intuitivamente foram em busca dele, como se eu pudesse sentir que já o estava perdendo. Pensei em me levantar, para tentar novamente, mas, de alguma maneira, era muito claro para mim que eu necessitava alterar o contexto e assim convencê-lo a me escutar.
Gaara, Centro de Tóquio, as 19h55min.
Desliguei o celular e o coloquei dentro do bolso. Estava chegando em casa para pegar minha moto, pois o local marcado era em direção contrária, sem dizer que, caso algo acontecesse, eu gostaria de tê-la comigo. Depois da conversa com meu pai, eu tinha receio de que dessa vez seria realmente necessário.
Entrei no quarto em busca das chaves. A casa estava vazia e o silêncio predominava com exceção do som dos carros. Passei pelo corredor, onde os retratos estavam pendurados, algo que já estava ali antes mesmo do suicídio da minha mãe. Havia uma ou duas fotos suas, pois varias delas foram retiradas pelo tempo pelo meu irmão.
Ele, com exceção de mim, nunca a perdoou. E pensando sobre isso, eu nunca tinha me questionado a respeito de como meus irmãos reagiram à sua morte, senão de maneira superficial e distante. Sou um egoísta, assim como minha mãe foi.
Eu não deveria estar pensando nela exatamente agora, mas desde que meu pai me explicou tudo que estava acontecendo, a situação se tornou inevitável. Em pensar que ela foi um dos elementos centrais para tudo aquilo começar... Não que ela tivesse realmente culpa, mas retirar-lhe a responsabilidade da obsessão de meu pai era ingenuidade.
Meu pai nunca teria pegado aquele caso se não suspeitasse que ela tivesse algo ver com isso. Era inicialmente um caso de outro departamento, até que os assassinatos começaram, e ele conseguiu, ao fim, procurar o que queria. Procurar as respostas da morte de minha mãe.
Por que ela tinha feito aquilo.
Não importa. Acredito que ninguém saberia explicar por que ela o tinha feito. Eu tinha parado de pensar sobre isso há anos, mas meu pai continuava lá, afundado nesse caso, pois achá-lo era muito mais do que simplesmente cessar todos aqueles assassinatos.
Peguei as chaves sobre a escrivaninha, tranquei o apartamento e desci o elevador. Dentro, quando ainda estava no 12º andar, meu celular vibrou. No visor estava o nome da Haruno.
Sakura, Centro de Tóquio, as 19h35min
Entrei no quarto, tentando no rosto uma expressão de culpa. A encontrei sentada na cama, olhando as próprias mãos, e depois levantar o rosto assustada assim que me viu na entrada.
Seus olhos perolados estavam arregalados em minha direção, e nesse exato instante senti meu coração na garganta. Olhei para trás, apenas por instinto e depois retornei, pensando que Hinata deveria acreditar em mim como a Sakura que sempre fui antes de saber de tudo.
Eu deveria ser a Sakura de sempre, que nesse exato instante não consegue aguentar a ideia de Naruto ir embora.
- Hinata-chan... Me desculpa, eu fiquei alterada.
Ela piscou e retornou olhar para as mãos, depois retornou de maneira desajeitada e tentou um sorriso. Ele saiu tremulo e logo depois, como se ficasse claro que ela não conseguiria fingir, voltou a olhar os próprios dedos.
Suas mãos tremiam.
- Desculpa, estou me esforçando, mas estou nervosa. Está acontecendo muita coisa. - ela me disse, a voz em um sussurro, enquanto continuava olhar para baixo. - Naruto te falou alguma coisa?
- Não, eu perguntei... Mas ele não me disse nada. - me aproximei e sentei ao seu lado. Hinata levantou o rosto e ficamos lado a lado nos fitando. - Eu tenho medo por ele, sabe? Que ele acabe como Sai.
Ela não piscou, nem disse nada, apenas continuou me encarando, a expressão ainda assustada como antes. Pálida como uma folha de papel.
- Ele tem amigos, ele tem a mim, e eu tenho medo que ele se machuque. - enfatizei as últimas palavras, para que ela notasse que ela não estava inclusa naquele círculo.
Esperei uma reação, mas ela não veio.
- Eu sei, e eu tentei. Mas não consegui, ele quis isso. E por mais que eu saiba disso tudo, eu não quero abrir mão dele. Ja-jamais farei isso, en-entende?
Senti-me extremamente incomodada, de maneira que sem pensar me levantei da cama. Levei um dedo aos lábios, eu tinha que pensar em algo... Talvez Hinata fosse simplesmente desequilibrada e com um pouco de conversa ela talvez mudasse de opinião. Pois se ela amava Naruto, e disso eu tinha certeza, ela provavelmente temeria por ele. Quem sabe por trás de toda essa loucura ela notasse que ele estava muito além do que aquele poema lhe dizia. E para isso era necessário que o notasse como uma pessoa fora daquele contexto.
- Onde vocês se conheceram? - eu perguntei. Ela me fitou por um instante sem entender, em seguida respondeu ainda incerta.
- Pelo Jiraiya-san... Eu o conheci acidentalmente e no momento Naruto surgiu. Foi a primeira vez que o vi...
Ótimo, aquilo poderia dar em alguma coisa.
- Naruto sentiu muito pela morte dele, quando o vi, eu me perguntei como exatamente eles estavam vinculados. Como era o relacionamento deles antes de tudo isso acontecer...
- Eu sinceramente não sei... - ela piscou, abriu a boca uma ou duas vezes, como se tivesse dificuldade em falar sobre isso - In-in-felizmente não tive oportunidade de conhecer Jiraiya além do que Naruto-kun me contou, apenas sei o que está nos livros. - ela me respondeu, e mais uma vez permaneceu olhando as próprias mãos. Parecia extremamente incomodada.
Será que aquilo era atuação? E se não fosse... Ela realmente teria matado a sangue frio mesmo reagindo daquela maneira?
- Entendo... De qualquer forma, foi um perca imensa para ele... Desculpa tocar nesse assunto, é só que a sensação que eu tenho... Parece bobo... Mas parece que jamais verei o Naruto...
Os olhos de Hinata arregalaram nesse mesmo instante, e as mãos sobre colo, uma sobre a outra, esfregavam-se demonstrando estar nitidamente ansiosa. Era estranho, não havia qualquer equilíbrio ali, só a culpa...
Eu tinha pegar um pouco mais fundo.
- Eu já fiquei tão assustada com Sai... Só de pensá-lo morto, me apavora. Só de pensar que ele não voltaria a pintar, imagine... Os quadros dele em branco, não acredito que existiria outra pessoa com as capacidades de Sai para pintura...
Eu queria fazê-la associar Sai a Naruto, mas quando seu nome foi citado o máximo que eu tive de reação foram olhos reluzentes e melancólicos.
- O que você está pensando, Hinata-chan?
- Não é nada. – ela balançou a cabeça negativamente – E só que Sai é realmente incrível... Os quadros deles, eram como... Como posso dizer? Eram como uma espécie de poema, algo feito para te levar para fora da realidade, quase como se fosse uma espécie de droga...
Uma espécie de droga? Era assim que Hinata enxergava o Sai?
- Desculpa, é só que com o tempo eu aprendi que não posso fugir da realidade, e todas as vezes que eu via os quadros de Sai eu percebia que era uma realidade externa a mim... Isso me ajudou muito. Me fez perceber que fugir não era eterno.
Ela tinha os olhos brilhando como se esforçasse muito para segura o choro.
- Você era amiga do Sai? Eu nunca os vi juntos...
- Amigos não éramos, mas ele me mostrou, assim como para Ino-san, seus quadros... Ele percebeu rapidamente do que eu precisava, que eu precisava me afastar por um instante de tudo que estava a minha volta.
Da mesma maneira que ele me fez... Da mesma maneira que o ópio faria com qualquer um.
Sai poderia ser a papoula. E isso estava claro desde o inicio.
Me senti ridícula. Levantei agitada, se realmente Sai era a papoula, quem seria a rosa?
Naruto surgiu no instante em que me indagava a respeito disso. Ele estava com uma bolsa nas costas, o casaco pesado vestido e uma expressão preocupada no rosto. Ele estava obviamente saindo para algum lugar e aquilo não era bom.
- Onde você está indo? - Hinata se apressou enquanto levantava seguindo em sua direção. Naruto a acolheu em um abraço.
- Tenho que ir a um lugar, mas não é nada preocupante. - ele dizia olhando para mim enquanto ainda a tinha em seus braços. Depois a soltou e segurou seu rosto com as duas mãos. - Vou ficar bem, retornarei daqui uma hora, certo?
Ela balançou a cabeça.
- Não, por favor não vá, você sabe o que pode acontecer.
Ele tentou aquele sorriso de salvador despreocupado que ele era especialista, e logo percebi que independente de onde estava indo, não seria nada digno do "nada preocupante".
- Eu sei, mas eu tenho que ir. Não posso fugir, certo?
- Naruto-kun, por favor... - ela tinha os olhos marejados, os lábios grossos e rosados tremendo.
Ela parecia realmente preocupada.
Não era encenação.
- Não vai demorar, prometo. - em seguida ele voltou-se contra mim. - Você ficar aqui até quando eu chegar, Hinata sabe o que fazer caso alguém as surpreenda.
Eu apenas concordei com a cabeça, esquecendo completamente que eu estaria sozinha com minha principal suspeita. Naruto depositou um beijo desajeitado na face da Hyuuga, uma última olhada em minha direção e se retirou. O apartamento repentinamente ficou muito pequeno e silencioso.
Instantes depois Hinata virou-se para mim, ainda séria e nitidamente preocupada. Isso se sustentou por alguns segundo até que seu queixo tremeu levemente e uma lágrima caiu. Ela levou rapidamente as mãos ao rosto e com um sorriso desajeitado tentou se explicar.
- Desculpa, é que eu estou tão preocupada com Naruto... E pensar que ele pode acabar como Sai, ou ainda pior...
Aquelas palavras me incomodaram, e agitada segui até a sala. A situação estava estranha, Hinata parecia realmente se importar com Naruto e temer pela sua vida... Mas tudo se encaixa para ela ser razão do perigo que rodeia Uzumaki.
A não ser que ela não seja a assassina, ou quem sabe a única assassina.
Talvez Hinata tivesse ajuda de alguém, e ela temia essa pessoa, assim como temia pela vida do Uzumaki.
Lembrei-me repentinamente de Hiromi. Se o que Fuuka nos disse foi verdade, ela se encaixava devido razões semelhantes a da Hyuuga. Ambas faziam parte do grupo suicida, ambas estavam vinculadas de maneira distante com as vítimas, e ambas estavam apaixonadas na época em que tudo começou.
Hinata, assim como esteve Hiromi, está vinculada de alguma maneira com o Assassino da Rosa. De que maneira eu não sabia como, mas se Naruto estava realmente em perigo eu não poderia ficar simplesmente supondo.
Aproximei-me ficando de joelho, segurei suas mãos.
- O que está acontecendo Hinata?
Ela não me respondeu, apenas começou a chorar copiosamente.
Fiquei sem reação.
Gaara, Centro de Tóquio, às 20h01min.
Demorei um instante para atender pensando como eu convenceria a Haruno de que estava tudo bem e que o melhor a ser feito era voltar para casa. Não que eu quisesse tratá-la como criança, é só que eu simplesmente não queria arriscar. Era um risco estar com Naruto e comigo também.
- Sim? - atendi, tentando manter a voz neutra.
- Gaara.
Ela estava afoita. Me senti rapidamente preocupado.
- Aconteceu alguma coisa?
- Sim! Digo, não exatamente alguma coisa...
- Você está bem?
- Sim, estou, escuta. Estou na casa do Naruto, parecem que eles estavam tentando fugir, mas foram impedidos, pois a estação de trem foi interditada. De qualquer forma, há algo estranho nessa história. A Hinata... - sua voz abaixou e eu supôs que a Hyuuga estivesse por perto - ela não me parece uma ameaça... Ela está emocionalmente muito instável.
- Sim, eu concordo que há algo estranho...
- Então. - ela me interrompeu. - Há outra coisa... Sai provavelmente é a papoula.
Fiquei um momento em silêncio. Eu realmente não deveria subestimar a Haruno. Era inteligente demais para eu fazer aquilo... Mas eu não podia simplesmente deixar assim, de maneira que antes de falar tentei controlar a voz.
- Não importa se Sai é a papoula ou não... Nunca saberemos quem é quem. Vamos nos preocupar com isso depois, certo?
- Como assim? Você não está entendendo Gaara?! Sai é papoula, isso significa que...
- Não importa Haruno, eu só não quero que você saia desse apartamento certo? Fique ai com a Hinata e não saia até que eu chegue, ok?
- Você está vindo?
- Estarei ai daqui a pouco, uma hora no máximo.
- Você já sabe, não é? Já sabe que a Hinata não está atuando sozinha.
Ficamos em silêncio por um instante. Baguncei os cabelos e suspirei.
- Eu deveria imaginar. – ela disse. – Você está vindo realmente para cá?
- Sim, só me espere e pensaremos em algo.
O que mais me desagrada no telefone é não saber se a pessoa está mentindo. Mas quando ela disse um simples "Tudo bem" eu soube que havia algo errado ali. O telefone foi desligado sem eu perceber; pensei em retornar, mas achei que isso pioria as coisas, e o melhor seria descobrir uma boa maneira de a Haruno cumprir com o que eu pedia. Era improvável que eu voltasse em uma hora, mas pelo menos nesse curto espaço de tempo ela só me esperaria.
Tudo que ela pensava era verdade. Quando fui orfanato tudo ficou bastante claro para mim. Entretanto eu não esperava que a Haruno chegaria a conclusão, simplesmente, sem um dado concreto... Seria uma dedução absurda. Seria necessário desmanchar muita coisa, e deixar claros os riscos que Naruto sofria.
Pergunto-me como ele a convenceu. A porta do elevador se abriu, eu ainda tinha o celular na orelha.
- Era a Sakura-chan?
Ele tinha chegado mais rápido do que eu imaginava. Naruto mantinha uma expressão tranquila, mas sua mão no bolso da calça não me indicava neutralidade. Dei um aceno com a cabeça, e sem mais, comecei a andar em direção à saída, esperando que ele me acompanhasse. Ali não era um bom lugar para conversar.
- Era ela? - ele me perguntou enquanto atravessávamos a entrada do meu prédio.
- Sim.
Não falamos mais nada. Seguimos até a garagem no subsolo, pelas escadas, em direção à vaga onde mantinha minha moto.
- Como você conseguiu convencê-la a não te seguir? - a pergunta surgiu repentinamente. Sabia que ele se referia a Haruno.
- Não a convenci, por isso estou tentando ganhar tempo. Você a deixou com a Hyuuga como te pedi?
Naruto suspirou pelo nariz e levou as mãos até os cabelos louros.
- Você realmente acredita que ela está segura com a Hinata?
Era uma pergunta retórica diante de todas nossas suspeitas. Mas não era.
- Sim, você está aqui, então ela está segura...
Parei um instante. Estava um frio absurdo, de maneira que minha respiração estava condensada no ar.
- E ela acha que Hinata é apenas uma cúmplice.
Esperei uma reação, mas Naruto apenas parou ao meu lado e sem tirar as mãos do bolso me respondeu.
- Todos acham isso.
Então era por isso, as suspeita de meu pai se confirmavam ali. Naruto tentava protegê-la, pois a polícia não queria fazê-lo. Virei-me para encará-lo, ele tinha uma expressão tranquila e distante. Ficamos assim por um instante como se tentássemos ler o pensamento um do outro, mas nada dizemos por um longo tempo.
- Onde está sua moto?
- Logo na saída.
Ele concordou com a cabeça e eu me controlei para não tirar um cigarro do meu bolso. Nicotina não seria mais útil do que um tranquilizante. Virei-me retornando meu caminho, quando minha atenção foi roubada para o guichê do guarda com as persianas fechadas.
Por um instante um passo meu travou, mas não parei de andar. Naruto rapidamente colocou-se ao meu lado e balançou a cabeça. Senti meu coração queimar, e minha pele, por toda a extensão do corpo, gelar. Enfiei a mão nos bolsos, desliguei o celular e o coloquei no interior da minha jaqueta.
Dei mais dois passos, quando o celular vibrou me indicado que ele estava sendo desligado. Olhei vários carros ali, como se existissem centenas deles. Todos encruzilhados, permitindo apenas estreitos corredores. Naquela confusão de difíceis possibilidades de fuga, eu percebi estar andando mais rápido do que o planejado, e que não era o único.
Foi rápido. Escutei os passos, o som do casaco roçando, e o meu nome.
- Gaara!
A dor na cabeça foi latejante, o cinza do chão e a dor paralisante no rosto se espalhando por todo o corpo.
Sakura, Centro de Tóquio 20h55min
Olhei o relógio, já eram 21h e Naruto não tinha voltado. Eu tinha que sair dali e procurar uma maneira de me encontrar com Gaara. Ele não atendia ao telefone, e mesmo que tudo me indicasse que ele estava em casa - o som do elevador, enjoativo e inconfundível estava claro no telefone - eu sabia: havia algo de errado ali. E ainda mais, por que ele desligaria o celular exatamente em uma situação como essa?
Talvez ele estivesse vindo par cá. Mas nada justificava o fato de eu não consegui falar com ele.
Eu já estava enlouquecendo, andando para lá e para cá, quando Hinata me chamou informando que Naruto também não atendia ao celular, que tocava e tocava, mas ninguém atendia. Foram as poucas palavras que trocamos desde que ela declarou não poder revelar nada até o retorno de Naruto.
Mas não tinha como eu esperar por Naruto.
- Hinata, pega suas coisas. - eu anunciei. A Hyuuga, sentada no sofá, me encarou interrogativa. - Nós precisamos ir, não estamos seguras aqui e precisamos encontrar com Gaara.
- Como assim?
- Não estamos conseguindo falar com Naruto, talvez tenha acontecido alguma coisa...
Ela franziu o cenho.
- Você acha que aconteceu alguma coisa? - o desespero, a ansiedade estava nítida em sua voz. - Você acha que ele... Não. - ela levantou e se aproximou de mim e segurou meu braço dolorosamente, os olhos violentas vibrados. - O que você está sabendo? Me fala!
Por um instante eu fiquei assustada, pois nunca tinha visto Hinata daquele jeito, mas no outro eu estava irritada, pois era óbvio que a pessoa mais apropriada para responder aquela pergunta não era eu.
- O que eu estou sabendo?! Por deus Hinata, eu quem deveria perguntar isso. - puxei meu braço de sua mão bruscamente. Ela fraquejou por um instante e recuou. Olhou para baixo e suas pupilas tremeram. Havia algo ali. - Me fala, o que está acontecendo? Onde Naruto foi?!
- Não sei! Não sei! Se eu soubesse eu estaria aqui?!
Ela gritou e logo depois veio um instante de silêncio.
Aquilo não ia dar certo. Eu não ia achar Gaara. Eu não ia falar com Naruto. Eu não faria qualquer coisa trancada naquele apartamento.
Peguei minha bolsa no sofá. Apontei para as coisas dela em um canto.
- Vamos, temos que sair daqui e arranjar um jeito de falar com Naruto e achar Gaara.
- Sa...
- Conversamos no caminho. - eu a interrompi, sem vontade de olhá-la. Tínhamos que sair dali, e não importava se Hinata estava vinculada com aqueles assassinatos ou mesmo Naruto, eu só tinha que achar Gaara para ter certeza. Juntos saberíamos o que fazer.
Saímos do prédio sem esbarrar com ninguém e sem dizer nada ao porteiro. Seguimos até a o metrô com destino a estação mais próxima do prédio residencial de Gaara. No caminho Hinata manteve-se em silêncio, apenas mutilando as cutículas enquanto tentava falar com Naruto. Toda vez que seus olhos ficavam mais marejados eu sabia que ela não tinha conseguido respostas.
Por um momento eu quis consolá-la, mas depois eu pensava em tudo e não conseguia deixar de pensar que ela estava envolvida com tudo aquilo. Houve um momento em que me segurei para não perguntar diretamente o que ela tinha a ver com todos aqueles assassinatos, mas era só depositar minha vista em seu rosto, a pele vermelha, as unhas machucadas e uma sincera e angustiante preocupação em sua cara, que eu desistia completamente. Era como se nada tivesse sentido, e para mim, naquele instante, não importava o que fazia sentido, eu só tinha que me encontrar com Gaara e então decidir o que seria feito.
Quando olhei para minhas mãos notei que elas tremiam, logo depois, ao erguer o olhar notei varias pessoas nos observavam no metrô e me dei conta que nossas presenças eram no mínimo estranhas. Estaria tão estampado em minha cara que algo muito absurdo estava acontecendo?
Quando foi anunciada a estação onde desceríamos, eu suspirei e me levantei. Hinata me seguiu, com o telefone ainda em mãos, sem dizer qualquer coisa. Chegando à entrada, me dei conta que não conseguiria subir sem dar um aviso ao porteiro - era necessário deixar o RG e depois seriamos autorizadas a subir. Eu não queria surpreende ninguém e me arriscar ou arriscar Gaara caso algo esteja fora dos planos. Minha salvação se deu quando um carro de luxo saiu da garagem. Entraríamos por ali.
- Fica atenta, e tente disfarçar essa sua cara. - eu pedi e Hinata deu um aceno de cabeça.
Passamos pelo subsolo quando um carro vermelho atravessou. Ninguém nos notou, a não ser a câmera na entrada. Isso nos daria alguns instantes até que algum guarda nos abordasse, e por isso eu tinha que achar as escadarias o mais rápido possível. A localizei na lateral leste da garagem, já seguindo até lá, perguntei para Hinata se a situação tinha mudado.
Ela não respondeu. Olhando pelo ombro a vi tentando ligar. Retornando para frente vi o guichê do guarda com as persianas fechadas.
Um som de celular soou pela garagem. Constante.
Trocamos olhares e ela concordou com a cabeça. Era o celular de Naruto em algum lugar.
Naruto esteve ali. E por alguma razão o seu celular estava jogado debaixo daquele sedã prata.
Senti meu coração vibrar e pontinhos gelados por todo o meu corpo.
Estava acontecendo algo de muito estranho ali, e Naruto estava de alguma maneira envolvida com Gaara. E maldito sociopata funcional estava mentindo para mim.
Não pensei muito, corri até o local onde as motos eram guardadas e vi a moto de Gaara estacionada. Ele não tinha saído de moto. Talvez ele estivesse em casa junto com Naruto e ele, de alguma maneira deixou cair o celular...
Era possível, não era? Peguei meu celular e tentei ligar novamente para Gaara. Minhas mãos estavam frias pelo nervosismo.
Fora de área.
Senti meus olhos quentes, mas seco. Me senti agitada, irritada, e se eu não conseguia chorar era, provavelmente, pela adrenalina.
Um som de celular soou. Uma música enjoativa e barulhenta. Quando procurei a origem do som, achei Hinata com o próprio celular em mãos, olhando vibrada para a tela. Estávamos a alguns metros de distância.
Ela não atendia e o som enjoativo continuou, até que, andando em sua direção, ela deixou-se cair de joelhos no chão. Fiquei um instante sem reação, até que corri.
- Hinata? - a chamei, mas ela só conseguia olhar para a tela enquanto o som continuava. Me baixei e facilmente, suas mãos estavam moles, peguei o celular e o atendi.
Fiquei em silêncio. O coração pulsando...
- Hinata-chan?
Era uma voz masculina, doce e estável.
- Não é a Hinata-chan? - não consegui responder. - Talvez seja a Sakura-chan?
O "chan" soou da mesma maneira, quase infantil, mesmo com a voz rouca e masculina. Entretanto me era claro se tratar de um falsete, algo caricato que me impedia de reconhecê-la e talvez por isso minha mão estivesse firme no telefone contra o ouvido, como se qualquer coisinha faria perder a linha.
- Então é a Sakura-chan! Isso é ótimo... Gaara-san irá adorar saber que você está bem.
- Gaara está ai? - minha pergunta soou baixa e controlada.
Houve um instante de silêncio, até que uma respiração mais forte soou no outro lado da linha.
- Entendo... Por um instante...
Aquela voz.
- Achei que Gaara seria um bom candidato a Rosa. Só por um instante. Mas diga a Hinata-chan que Naruto, assim como ela me disse, com certeza é a melhor rosa que já tive em mãos.
A suposta papoula...
- Isso significa que ele a ama muito. Isso pode ser até um consolo, não acha?
Não respondi, só consegui perguntar, a voz fraca e patética:
- Kabuto-sensei...?
N/A: Mais de um ano para escrever esse capítulo e finalmente saiu hauha' Será que alguém ficou surpreso? Acredito que muitas perguntas serão feitas e calma! Tudo será devidamente respondido no próximo capítulo e explicado pelo próprio Assassino da Rosa, nosso adorável Kabuto-sensei.
Me pergunto se alguém já se perguntou por que sempre procurei enfatizar tanto no Sai e em seus quadros. Bom, ai está a resposta haha' se Ino retirou a atenção de vocês da Hinata, devo dizer que o Sai tirou atenção do Kabuto, ao se enfatizar tanto que ele é A Última Rosa, sendo que já era implícito que ele era Papoula no capítulo 18. Aposto, entretanto, que algumas pessoas já estavam desconfiadas, mas caso alguém tenha se surpreendido me avise sim? Eu realmente gostaria de saber se deu ao menos para surpreender alguém ou mesmo se alguém me chamou de cretina por causa disso hauha'
Espero sinceramente não ter decepcionado ninguém, principalmente para aqueles que acharam que era o Naruto, Neji ou mesmo Rock Lee haha' bom, de qualquer forma muita coisa ainda está em aberto principalmente à relação de Hinata com Kabuto. De que maneira Hinata está envolvida com esses assassinatos? Ou mesmo o que o Hidan tem a ver com isso, e por que ele foi assassinado? Qual é origem do poema, a importância dele para Kabuto, e o que a mãe do Gaara tem a ver com tudo isso?
Raiza: Alguém que achou tão óbvio que fosse a Hinata que não poderia ser ela haha' boa, boa. Nesse capítulo saiu quem é o assassino... E bom tudo indica que você acertou , agora, quanto ao Naruto, a função dele na história se revelado só no próximo capítulo.
Violak: Poisé, apareci hauha' mas foram as circunstâncias. Agora as coisas ficaram tensas mesmo!
Calliepatterson : Pelo que eu percebi você ainda está lendo a fanfic, mas se você chegar até o final, espero que você leia isso aqui. Eu amo muito cenas de ciúmes, sim sou muito besta haha' e a Matsuri serviu de peça fundamental para o relacionamento dos dois. E amo também café e sou especialmente apaixonada por cappuccino, principalmente a versão brasileira que leva canela – e ahhh não é uma mau habito, portanto que não atrapalhe seu sono.
Um beijo de amora a todxs e comentem sim?
Oul K.Z
