28. Ratoeira.

Com os passos apressados, seguiu ignorando a todos que paravam para reverenciá-la. Seu interior estava agitado e o coração ressoava forte em seu ouvido. As últimas palavras do rei Dante não deixavam se repetir em sua mente: — Essa reunião entrará em recesso até que me tragam Lord McBean para explicar-se!

E assim ocorreu... A jovem camponesa foi escoltada por dois guardas, seguida de perto pela própria filha do Conde Peacecraft - a quem Emera se recusava a chamar de princesa e encará-la como uma igual - e suas damas de companhia. Observou o rei Heero trocar algumas palavras em tom baixo com seu pai, descer as escadas ligeiramente chamando seus amigos com um gesto de cabeça e, sem olhar para ninguém, sair da sala do trono. Logo tudo se normalizou e o rei Dante voltou a atender seus súditos.

Discretamente, deixou a sala do trono e após ver pela porta de saída do castelo que todos se afastaram a galope, empreendeu passo precipitadamente à seu destino. Ao chegar em frente a porta de madeira, olhou de um lado ao outro, seus olhos esmeraldas observavam atentos para saber se ninguém importante a estava vigiando. Golpeou três vezes e esperou.

Entre!

Apesar do som da voz ter chego até ela, baixo, conseguiu ouvir e sem demora abriu a porta e entrou, sem se preocupar com formalidades.

Cássius que estava sentado em sua poltrona, apreciando seu café da manhã tardio, já que acabava de despertar a encarou curioso e divertido.

— Tanta falta lhe fiz, minha bela Emera?

Desviou olhar do homem e focou no jovem bem apessoado em pé ao lado do barão.

— Creio que já conhece a Jian, certo? - questionou ao ver a insegurança da mulher.

A loira assentiu.

— Fale com confiança princesa… - afirmou.

— Temos um problema grave. - o mais velho a encarou relaxadamente, incentivando-a a continuar. - Soube da reunião que o rei Dante acabou de ter?

Aquilo chamou a atenção do cunhado do rei, que meneou a cabeça em negação.

— Ele acabou de se encontrar com uma camponesa, uma moça chamada Heiren Franz...

Se ela queria atenção, conseguiu, porque Cássius soltou o garfo que segurava, o barulho do metal atingindo o prato sobressaltou a moça. Desviou o olhar para o jovem imóvel em pé, que a observava atento com os olhos estreitos, em seguida voltou sua atenção ao nobre.

— E o que foi falado? - perguntou irritado.

— Ela foi questionada sobre ter dito que não se importava com o bem-estar do rei, nisso foi pressionada a contar sua história e informou ao rei sobre uma injustiça que ela e seu pai sofreram no passado, por parte de lorde McBean…

— E o que mais? - interrogou entredentes.

— O rei mandou buscar o lorde para que o mesmo se explicasse.

Cassius puxou o ar com força e olhou para Jian. Não precisou de palavras para o oriental entender o que devia fazer, com uma leve reverencia se retirou da habitação, deixando ambos os membros da corte sozinhos. O barão voltou a encarar a princesa e levantou a mão, apontando outra poltrona, convidando-a a sentar-se, a mulher prontamente obedeceu.

— Agora, me relate cada detalhe que foi dito.

Emera assentiu e engoliu seco antes de começar a contar.

-/-/-

O pequeno grupo armado, encabeçado pelo capitão da guarda, Miliardo, se aproximava a galope da entrada da propriedade do lorde McBean. A chegada imponente dos homens do rei causou comoção em meio aos vigilantes do nobre, que se prontificaram em chamar o encarregado de maior autoridade.

Miliardo puxou as rédeas e por pouco Tallgeese não empinou, os corcéis estavam ariscos, não paravam quietos, impacientes.

— Onde está o lorde? - questionou o velho servo, dominador.

— Lorde McBean não se encontra, meu senhor… Em que posso servi-lo? - reverente.

— Onde ele está? O rei Dante requer sua presença imediata. - imutável.

— Não estou certo, porém ele se foi a uma hora, disse que iria até a mansão do nobre Yukiame. - baixou o rosto, temeroso.

Miliardo passou os olhos pelo perímetro, indeciso e desconfiado, no entanto, o homem não parecia estar mentindo. Ouvir o sobrenome de Teyuki fez o capitão, sentir que aquela visita não era tão cordial quanto parecia.

— Vou buscá-lo. - decretou. - Mas, se descobrir que me mentiu, terá que responder perante a coroa.

Com um grito de comando a seu animal, deu a volta e seguiu rumo ao caminho indicado. O velho servo desejou ardentemente que seu senhor estivesse ainda na mansão Yukiame, ou teria sérios problemas, pois sabia que o capitão da guarda sempre cumpria com suas ameaças.

-/-/-

— Não entendo. Exatamente o que deseja de mim?

Hideki Yukiame era um homem íntegro e bastante fiél a suas raízes. Orgulhoso por ser um homem de palavra, odiava ser questionado ou pressionado. Usou um tom discretamente áspero para com o lorde McBean, ao perguntar sobre a realidade de sua visita inesperada.

— Caro Hideki… - seu tom jocoso e íntimo não agradou o anfitrião. - Sabe bem o que quero. Casar-me com a bela Teyuki, sua filha.

O homem de corpo esguio e estatura média ergueu o rosto, desconfiado e desgostoso.

Suspiro antes de responder ao lorde.

— Pensei que já estávamos acertados com respeito ao tema. - meneou a cabeça em negação. - Confesso que o senhor não era a minha opção favorita para esposo de minha jovem filha, no entanto, eu cumpro com minha palavra. Teyuki será sua esposa e…

— O problema lorde Yukiame… - cortou o homem, impondo seu tom arrogante e dogmático. - É que o rei Heero me exigiu terminar meu noivado com sua filha e eu sei que aquele nobre insolente do servo dele, que se acha um igual, chamado Trowa Barton, demonstrou interesse nela.

Hideki prendeu a respiração. Sabia perfeitamente a que se refería o lorde. O jovem Barton já havia manifestado seu interesse por sua filha e se não se sentisse amarrado por sua promessa, teria dado seu consentimento de bom grado. Só de ver os olhos de sua filha brilhar ao olharem para o nobre, sabia que seria a escolha correta.

No entanto, não tinha nem como quitar a dívida, nem como voltar atrás em sua decisão… Se tão somente o rei Heero tivesse chego antes dele fechar o acordo com McBean.

— Como já disse, eu lhe dei minha palavra.

O lorde se levantou satisfeito. Com ar arrogante e um sorriso afrontoso no rosto, encarou lorde Yukiame de cima, como um superior, causando uma revolta interior no homem a sua frente.

— Sendo assim, não haverá nenhum problema entre nós. E gostaria que o casamento fosse feito até o fim da semana.

— Mas isso é antes do planejado. - se indignou.

— Eu sei. Mas, não vou correr riscos. Ou acabarei perdendo minha noiva ou casando com uma mulher que já não é mais pura.

Assombrado por tamanha grosseria, Hideki abriu a boca para se impor e defender a decência de sua filha, no entanto, não teve a oportunidade, já que o McBean começou a andar apressado em direção a porta, ignorando a todos.

Um servo abriu a porta de saída ao ver o lorde se aproximar, seguido por seu senhor, alguns passos atrás, com um aspecto muito irritado.

Quando Hideki alcançou McBean, antes que pudesse discutir as últimas insinuações do lorde, sua atenção e de seu futuro genro foram tomadas pela presença de um homem, montado em um cavalo marrom, encarando ao lorde visitante.

Ambos o reconheceram.

— Jian… O que faz aqui? - McBean questionou.

— Tenho um recado muito importante para lhe entregar milorde. - o respondeu.

Silêncio e troca de olhares desconfiados.

-/-/-

O corcel branco de Miliardo percorria em alta velocidade pela estrada de terra que o levaría até a mansão Yukiame. Era um pouco afastada e cercada por uma extensa floresta de árvores altas e troncos largos. Em meio ao caminho, havia uma pequena ponte de pedra, que por baixo dela cruzava um rio calmo.

Ao se aproximarem desse local, Miliardo e os quatro soldados que o acompanhavam, ouviram gritos e puderam ver uma velha e desgastada carroça virada no outro extremo da ponte, a roda de madeira caída no rio, juntamente com um senhor e uma garotinha.

Sem pensar duas vezes, o capitão deu ordem para a seus homens pararem e sem esperarem o comando, dois deles desmontaram rapidamente e correrão salvar a menina e o velho homem de se afogarem.

Miliardo observou os homens socorrerem aquelas pessoas e algo o incomodou. Enquanto os outros dois soldados restantes auxiliavam os parceiros no resgate, com precaução, o nobre cavaleiro se aproximou da carroça, analisando o que poderia ter ocorrido. O cavalo que a puxava, ainda preso à mesma, estava inquieto e receoso.

Passou a mão na crina do animal acalmando-o, transmitindo-lhe segurança e confiança. Passou os olhos ao redor, desconfiado. Aquilo não parecia ser algo normal. Os azuis percorreram ao redor, minuciosos a procura de qualquer sinal de emboscada.

Apenas se podia ouvir o som dos animais, além das vozes de seus soldados, a do senhor e a jovenzinha que o acompanhava…

-/-/-

— Até logo meu caro Hideki. - despediu-se McBean do futuro sogro e desceu os degraus de encontro a Jian.

Hideki nada disse, apenas assentiu com a cabeça, a raiva e a impotência o consumiam por dentro. Jian desmontou de seu cavalo e reverenciou o lorde Yukiame, antes do mesmo dar as costas e entrar em casa.

— O que faz aqui Jian? - o lorde exigiu uma resposta.

— Venho de parte do barão… Ele me pediu que lhe informasse algo muito importante.

McBean engoliu seco e assentiu, chamando o jovem a sua frente com um movimento de cabeça, que o seguisse até sua carruagem e ambos a adentraram.

Sentados um de frente ao outro, McBean instigou impaciente, para que o homem fosse direto e breve.

— A jovem Franz está no castelo e o rei mandou buscá-lo para se justificar sobre o ocorrido com o pai dela, Maximilliam.

Lívido, foi como ficou o lorde, que sentiu seu corpo tremer. Aquilo não só poderia destruir seus planos, como lhe trazer consequências gravíssimas que poderia arruiná-lo completamente.

Explodiu em ira.

— Eu avisei Cássius que essa menina deveria morrer! - gritou. - Ele tinha que ter me escutado, disse deixar essa plebéia viva só nos traria problemas, como trouxe.

— Era a única forma de controlar o pai dela. Além do mais, ela só trouxe problemas para você e não para o barão, já que ela não o conhece realmente.

Estreitou os olhos, irritado com o desdém de Jian.

— O que quer dizer com isso? - inclinou-se para frente, o encarando. - Ela viu Cássius. Falou com ele naquele dia.

— Ela não sabe o nome do barão e nem da ligação dele para com a família real. - relaxado, respondia despreocupadamente. - E você não deve citá-lo. - declarou.

Ao mesmo tempo em que sentiu o medo percorrer sua espinha, sentiu o ódio e a dor de ser descartado tão facilmente por seu aliado a quem considerou um amigo. Um enorme erro. Aceitou naquele instante.

Cássius não fazia amigos. Pensou amargamente.

— Pois dê um recado a seu senhor - viu os olhos de Jian brilharem com algo que ele considerou repelo. - Se ele não fizer algo para me ajudar. Tenho coisas bem interessantes para contar a Dante.

Jian assentiu e se retirou da carruagem. Subiu em seu cavalo e partiu.

McBean ainda demorou um pouco antes de dar ordens para seu cocheiro dirigir-se rumo a casa. Precisava pensar.

-/-/-

— Estão bem? - Miliardo exigiu saber, observando com atenção o idoso e a menina.

— Sim meu senhor. Obrigado por nos ajudar, nem minha neta e nem eu sabemos nadar, se não houvessem chegado a tempo… - abraçou a pequena, que não devia ter mais que uns oito anos.

— O que aconteceu? - apontou para a carroça.

— Vínhamos do pequeno rancho que tenho, trazendo verduras para vender na feira, mas sentimos um baque na roda da direita. Primeiramente, pensei ter passado sobre uma pedra… Mas, minha netinha disse ter visto o homem que passou por nós esconder algo, que parecia uma marreta, então, nos preocupamos em ser uma armadilha para roubo. - baixou a cabeça triste. - Não temos nada meu senhor e o pouco que ganho é para o sustento de minha neta e filha doente… Nem tenho como mandar revisarem adequadamente essa velha carroça, que necessita de cuidados... - as lágrimas desciam pelo rosto cansado e enrugado do homem.

— Entendo. - não queria pressionar o homem, mas precisa saber o resto da história. - Continue.

— Não podia deixar que roubassem o pouco que tínhamos… Então, instiguei o cavalo a correr… Não demorou muito para chegarmos à ponte e então a roda cedeu. – completou e olhou sua neta. A menina que até então estava calada, resmungou algo, inquieta.

Miliardo se agachou na altura da garotinha e sorriu gentil.

— Conte-me o que viu pequena...

Se encolheu tímida no abraço do avô, mas sem desviar os olhos do capitão da guarda. Engoliu em seco e negou, logo assentiu em concordância.

— Eu vi…- escondeu o rosto no avô, temerosa e intimidada com Miliardo.

— Tudo bem… Apenas me diga o que lembra.

— Eu não vi direito… Ele passou do lado da carroça, na lateral da estrada, portava uma capa marrom, o capuz cobrindo o rosto, não disse nada, mas era grande. Quando o som de uma batida nos assustou, olhei para trás rapidamente, e achei ter o visto esconder uma marreta embaixo da capa. - pausa, olhou para o avô e após ver um sorriso gentil no mesmo, continuou. - O vovô queria parar para ver o que tinha ocorrido, mas eu disse que estava com medo e que achei ter visto o homem armado, então, ele tocou o cavalo pra começar a correr… E é tudo o que sei.

— Boa menina. - acariciou a cabeça dela e a fez sorrir.

Se levantou e encarou o horizonte. Seus soldados de prontidão a espera de novas ordens.

— Vamos levá-los de volta ao povoado e chamar alguém para vir buscar a carroça. Levaremos tudo o que conseguirmos da mercadoria e os colocaremos a salvo. - prometeu ao homem e sua neta.

E para si mesmo, prometeu que se encontra-se o culpado de tudo isso, o faria pagar.

-/-/-

A carruagem tocou em frente, o caminho irregular fazia com que McBean não encontrasse uma posição confortável para seu caminho de volta a casa, isso somado com a raiva que sentia naquele instante com a notícia trazida por Jian, causava um estado de espírito encolerizado no lorde.

Seus ouvidos se concentraram no som dos cascos dos cavalos em atrito ao chão de pedra e areia, tanto dos dois que puxavam sua carruagem, quanto dos dois soldados que o escoltavam. Eram seus próprios soldados. Ao menos teria eles para confiar.

Jian… De início acreditou que poderia conquistar a lealdade do mercenário. No entanto, se mostrou não passar disso, um mercenário. Que segue o que melhor lhe paga.

Deveria ter aumentado o valor, talvez tivesse trazido o rapaz para seu lado e quem sabe encomendado à morte de Cássius.

Cássius… Quis confiar e confiou nessa estranha aliança que formaram. Conquistou riqueza e inúmeras mulheres passaram por sua cama, nem todas por vontade própria, mas se não importava com isso, o importante era se satisfazer e conseguiu.

Só que, desejava uma só. A que mais queria, agora corria o risco de não possuí-la.

Teyuki Yukiame.

Deitou a cabeça para trás no banco e suspirou.

Aquela jovem de feições delicadas e doces. Um rosto cândido e agraciado pela beleza mais femínea possível. Não podia negar que a princesa e suas demais damas da corte também eram peculiarmente formosas, porém, era a mais nova delas que lhe tirava o sono.

Não se atreveu a tocá-la antes de casar, porque queria apreciar cada momento com esmero, mas agora se arrependia. Devia tê-la tomado na primeira oportunidade que encontrou, agora suas chances estavam por um fio.

E isso era algo inaceitável.

Cássius tinha que ajudá-lo ou não mediria esforços em livrar o próprio pescoço, mesmo que para isso, tivesse que afundar na lama o irmão da rainha e mais alguns nobres.

Cada mulher que subjugou e violou pensando na moça, não o fizeram sentir total prazer.

As coisas estavam ruindo. Desde que teve aquela conversa com Heero, onde o mesmo exigiu que ele desfizesse o noivado, não descansou um dia, pensando em como apressar a situação e casar antes que o rei se livrasse dele, e agora isso.

Amaldiçoou a volta de Heero.

— Desde que esse reizinho entendido a herói chegou, todos nossos planos afundaram na lama… Cássius deveria aprender a controlar melhor seus sobrinhos. Até Lúcius já caiu… - algo despertou em sua mente. - Se esse menino mimado se atreve a abrir a boca… Ele cai! - sorriu maldoso. - Tenho que convencer a Lúcius em ficar ao meu lado. Posso oferecer a princesa… Se eu sequestrá-la, não haverá casamento e ele poderá tê-la.

Decretou satisfeito com sua conclusão, e seu corpo foi impulsionado para frente em um tranco quando a carruagem parou abruptamente.

— O que está havendo? - esbravejou, colocando a cabeça para fora.

Pode vislumbrar um relance de um de suas escoltas puxando de volta a espada ensanguentada, que provavelmente enfiou em seu cocheiro. Assombrado, pensou em gritar, confuso com a situação, sem saber o que estava ocorrendo, quando viu seu outro soldado chegar pelo lado de trás, contornando a carruagem e o encarou, olhando fixamente nos olhos.

— O barão manda lembranças. - declarou.

E aquele foi o fim.

Dizem que sua consciência leva alguns segundos antes de morrer, quando se é decapitado.

McBean teve seus segundo quando a lâmina da espada de seu próprio soldado, integrante de sua guarda pessoal, desceu sobre seu pescoço e sua cabeça rolou pela grama, parando a uns dois metros de distância da carruagem, de frente para seu antigo corpo, agora encostado à janela, levemente para fora.

Os olhos se apagaram e o sangue continuou escorrendo pela madeira, formando uma poça espessa na terra.

Ambos os homens, se entreolharam e sorriram satisfeitos. Cúmplices em seu ato traiçoeiro. Deram a meia volta com seus corcéis e cavalgaram apressados para longe. Não podiam ser vistos e a missão estava completa.

Jian havia pagado bem pelo serviço.

-/-/-

O corcel de Miliardo percorreu o caminho apressado, o capitão já havia perdido tempo demais ao socorrer aquele senhor e sua neta. Após levá-los em segurança até a feira, pagar e levar o ferreiro até o local do acidente e certificar-se de que tudo estava em ordem para poder seguir sua missão, voltou a seguir o caminho rumo à mansão Yukiame.

Não demorou muito em deixar o local do acidente para trás e com mais algumas cavalgadas aceleradas, logo pôde avistar ao longe uma carruagem nobre, sacou sua espada e seus soldados o imitaram. Desacelerou o passo do animal e se aproximou com cautela do local.

A carruagem estava um tanto em diagonal, lhe permitindo ver só o lado direito da mesma, já que os cavalos rumaram para o gramado, com a intenção de pastar.

A primeira coisa que viu foi o cocheiro com a garganta cortada e a cabeça tombada para trás, ainda sentado em seu banco, segurando as rédeas nas mãos inertes. Reconheceu o emblema do lorde e deu ordem aos soldados para que inspecionassem ao redor, procurando algum suspeito.

Estranhou não ver nenhuma escolta do lorde e chegou perto da cabine. Viu pela janela um corpo caído para o outro lado e deu a volta. Ao chegar, viu a cena grotesca do corpo tombado para fora da janela, sem a cabeça. Olhou ao redor e viu o restante do lorde McBean caído na lateral da estrada. O semblante que ficou após sua morte era de puro terror.

Suspirou pesadamente.

Observou de novo o quadro e instantaneamente, sua mente o levou para a história que avô e neta contaram.

— Sabiam que passaria por ali… Aquilo foi para nos atrasarem. - sussurrou para si mesmo. Frustrado.

Soltou uma maldição, irritado com aquilo.

Encarou de novo a cabeça caída na grama e formulou uma pergunta não dita: — Até que ponto você sabia, para que acabasse assim?

Esperou seus homens voltarem para levarem tudo àquilo para o castelo.

-/-/-

Quatre e Trowa subiram os degraus da escada que acessava ao interior do castelo. No topo se encontraram com Heero, Duo e Wufei, que após serem avisados de sua chegada, foram recebê-los. Os dois amigos recém-chegados param e olham para trás, deixando os demais verem a pequena que subia as escadas observando com curiosidade ao redor.

Na mente de todos se passou a mesma coisa. Era uma pequena cópia da atual dama da corte, Kelly.

Mei parou em frente os três desconhecidos e após ver a coroa na cabeça de Heero – a qual só era usada dentro do castelo – o reverenciou suavemente. O rei esboçou um sorriso, com a atitude da pequena, a achando graciosa.

— Lady Mei? – falou com a menina, simpático, surpreendendo a todos, que o encararam.

— Majestade... – sorriu feliz.

— Imagino que saiba a razão de estar aqui.

— Os cavaleiros me disseram que minha irmã está aqui... – arriscou, ainda que tivesse acompanhado ambos, continuava levemente desconfiada.

— Exatamente. Sua irmã lhe tem procurado por um longo tempo.

Os olhos da menina de dez anos brilharam de emoção. Seria possível que ela estava a poucos minutos de rever sua amada irmã? Nunca havia perdido as esperanças, em seu intimo, sempre acreditou que a reencontraria.

— Ela... – parou, estranhada. Não soube continuar a frase.

— Wufei irá te levar até ela. – encarou o amigo que assentiu em concordância, sem nenhuma objeção.

Wufei apontou o caminho e Mei passou a segui-lo, lado a lado. Atenta a tudo e todos. Jamais havia entrado em um castelo antes e empolgação, era uma palavra fraca para definir o que sentia. No entanto o sentimento que mais se destacava era a ânsia de rever a irmã.

Kelly saiu do quarto de Relena, onde estava com as meninas tentando acalmar Teyuki – que estava muito preocupada com a repercussão de tudo o que ouviu durante a reunião da manhã, entre Dante e Heiren –, precisava de um pouco de ar. Estava se sentindo inquieta naquele dia e não sabia a razão. Aliás... Sabia. Era Mei que não saia de seus pensamentos.

Lembrava-se de seu acordo com o rei Heero e se perguntava constantemente, sobre quando ele conseguiria encontrar sua irmã. Ele a estaria procurando como prometeu?

Não queria desconfiar dele. Nunca teve motivos para fazê-lo. Mas, ainda sentia dificuldades em confiar cegamente...

— Kelly!

Petrificou. O coração disparou, a mente reconheceu aquela alegre voz. Sentiu as pernas fraquejarem, mas juntando toda sua fibra, se obrigou a dar a meia volta e olhar para o rumo de onde veio à voz.

Não demorou em ver a imagem com a qual sonhou por tanto tempo. Ali, correndo em sua direção, com um sorriso amplo estampado no rosto, diretamente para seus braços, estava Mei. Sua amada irmãzinha.

Pensou em se tratar de uma ilusão, que sua mente estava lhe iludindo após tanto tempo de espera, mas, ao olhar para Wufei, soube que era real. Ele nunca participou desses sonhos onde reencontrava sua irmã. Já protagonizou muitos sonhos dela, porém, nenhum envolvendo a pequena Mei.

Voltou o foco para ela bem a tempo de vê-la eliminar toda a distância e a abraçar fortemente pela cintura. Chorando.

— Eu achei que nunca mais te veria. Achei que tivesse te perdido para sempre.

As palavras da mais nova a trouxeram de volta para a realidade. Caiu de joelhos e retribuiu o abraço, com força, com necessidade.

Finalmente unidas.

Finalmente, descobriu que poderia voltar a confiar em alguém. Que quando menos esperava, Heero cumpriu sua promessa e foi Wufei seu mensageiro.

Olhou uma ultima vez para seu amado e arregalou os olhos ao ver um discreto sorriso nos lábios dele e nos olhos, antes do mesmo dar a volta e sair, deixando-as em seu momento de reencontro.

Um turbilhão de sentimentos a invadiu.

Fechou os olhos, afundando o rosto na curva do pescoço da irmã e ouviu as últimas palavras da mesma e a única coisa que conseguiu fazer, foi concordar mentalmente cem por cento com a frase.

— Senti tanto a sua falta!

-/-/-

Estava ansiosa… Sentia que algo ia acontecer, mas não sabia o que poderia ser. Deixou Teyuki acompanhada de Hadja e Cléo em seu quarto, Kelly estava com sua irmã em seus próprios aposentos e ela não conseguia ficar fechada. Precisou de ar e saiu para ver se encontrava Heero.

Não teve de andar muito até que encontrou seu amado em meio a um corredor, acompanhado da princesa Emera.

O sangue dela ferveu, sentiu a raiva subir por suas veias e apertou a mandíbula. Não era tonta… Sabia perfeitamente que a mulher não tinha desistido de Heero e nem o faria. Não confiava nela e nem sequer o faria algum dia.

Ficou parada no mesmo lugar, estava a uns quinze metros deles e não ouvia nada, mas não sentiu-se corajosa para se aproximar.

Observou com atenção o quadro a frente. Heero estava com o corpo levemente direcionado a frente, ficando em diagonal para a mulher. Sua face era inexpressiva e branda. A mão esquerda descansava sobre a empunhadura de sua espada e a direita, sobre a esquerda. Dando a sensação de braços cruzados, colocando uma barreira invisível entre ela e ele, apesar do corpo estar relaxado. Isso a fez sorrir, pois pode notar que o que quer que fosse que a princesa estivesse falando, não lhe interessava de forma alguma.

Já Emera… O comia com os olhos. Mesmo a distância, Relena podia presenciar o desejo daquela mulher por seu noivo. Ela estava com o corpo todo direcionado a ele e não perdia oportunidade de tocá-lo em momentos estratégicos, como se fosse reflexo. Sorrindo deliberadamente, flertando de forma unilateral.

Puxou o ar com força e fechou as mãos em punho.

Como se tivesse lido a mente dela, Heero olhou para frente e a viu. Sua mirada se cruzou com a de sua amada e ele sorriu com o olhar. Só para ela e isso fez a jovem princesa se sentir segura novamente. Então, surpreendendo a ambas as damas, ele estendeu a mão direita em direção a Relena, em um convite mudo, para que ela se aproximasse.

O ato calou Emera, que seguindo o foco do rei, fechou a fisionomia ao ver de quem se tratava.

Não demorou nada para a filha do conde encurtar toda distância e segurar a mão de seu prometido, que a puxou para perto, desfazendo sua pose e após segurá-la pela cintura com ambas as mãos, depositar um gentil beijo em sua testa, sobre sua franja. Fazendo a mesma sorrir feliz.

— Demorei? Estava a sua procura. - perguntou à noiva, olhando-a intensamente.

— Sim. Mas, já está aqui... E já me encontrou. - correspondeu charmosamente tímida.

— Desculpa princesa. - voltou a olhar Emera, sem soltar o agarre de sua futura esposa. - Há algo mais que queira discutir?

A mulher olhou de um ao outro e entendeu perfeitamente o recado. Com o restante de orgulho que lhe sobrou, segurou a saia e após negar com um movimento de cabeça e esboçar um sorriso falso, reverenciou o rei e partiu de cabeça erguida, com a frustração a corroendo e jurando internamente que na primeira oportunidade que tivesse se livraria de Relena.

O casal a observou partir em silêncio e quando a princesa já estava razoavelmente distante, eles se encararam e sorriram um para o outro. Ele expôs o sorriso que era dedicado somente a ela. E mesmo sem graça ela não conseguia esconder a felicidade.

— Atrapalhei algo? - provocou brincalhona.

— Você nunca atrapalha. Jamais!

Inclinou-se e a beijou nos lábios. Primeiro lento e carinhoso, depois um pouco mais invasivo e por fim, ambos se entregaram ao beijo de maneira mais forte, no entanto, sem perder a característica romântica e doce. Ao se separarem, encostaram suas frentes e ficaram calados, sentindo a respiração um do outro de olhos fechados.

Relena riu e Heero a encarou confuso.

— Não tem medo de alguém nos ver e acabar com sua fama de frio insensível? - se explicou e ele riu contido.

— Acho que minha fama já acabou faz tempo, graças a você.

Declarou, porém, sem conseguir evitar, se pegou olhando ao redor para garantir que ainda estavam a sós. A atitude do rei a fez rir de maneira espontânea. E ao ser descoberto, Heero meneou a cabeça em negação, de maneira divertida.

— Onde estava indo? - mudou de assunto.

— Te procurar... Não é óbvio? – brincou.

Ele sorriu novamente com os olhos e voltou a dedicar-lhe um beijo cheio de sentimento, mas não tão demorado como o anterior. Depois, abraçando-a com o braço direito começou a fazer o caminho que ela percorreu antes para chegar até ali, enquanto comentavam sobre os preparativos do casamento, que seria em dois dias.

-/-/-

Miliardo passou pela porta de entrada do castelo e se dirigia diretamente para a sala do trono, quando escutou a voz de Heero o chamando. Virou-se para ver o amigo e a irmã andando em sua direção, de braços dados.

O rei olhou de um lado ao outro e encarou o amigo, estranhado.

— Onde está lorde McBean?

— Descansando na carruagem… - respondeu observando a face de confusão do casal, então completou. - Eternamente.

Esboçou um sorriso de lábios fechados após ser sarcástico. Heero e Relena se entreolharam e focaram no loiro em busca de uma explicação. Heero respirou fundo e neutralizou o semblante, enquanto sua noiva olhava para o irmão com dúvida no rosto.

— Exatamente o que quer dizer? - mesmo tendo entendido, se recusava acreditar, então, Heero exigiu saber.

— Ele está morto. Foi executado. O encontrei decapitado dentro de sua carruagem, quando voltava da mansão Yukiame. Seu cocheiro também foi morto e não havia sinal de escolta.

Boquiaberta e estática foi à reação da irmã, enquanto Heero passou a mão no rosto, sentindo o estresse se apossando dele. Miliardo e o amigo trocaram um olhar cúmplice em que ambos chegaram à mesma conclusão.

— Isso foi… - Miliardo começou.

— Para o calarem. - Heero completou.

Ambos se encaram com desânimo.

— Me parece que as notícias estão correndo muito rápidas por aqui. - o rei comentou introspectivo.

— E garantiram que eu me atrasasse. - o comentário ganhou a atenção do casal. - Um homem se encarregou de quebrar a carroça de um senhor e sua neta em meio ao caminho da ponte. Eles caíram na água e tivemos que socorrê-los antes de continuar o percurso para a mansão Yukiame. Sabia que ele estava lá porque um dos servos de McBean me informou quando passei na propriedade dele. - Heero abriu a boca para falar, porém, já prevendo o que seria, Miliardo completou. - Não. Nem o avô e nem a neta viram o culpado.

— Maldição! - reclamou o rei. Então, se voltou para sua amada e depositou um beijo na mão dela antes de falar. - Princesa… Vá com suas amigas e dê a notícia para lady Teyuki. Acho que de certa forma isso a deixará mais tranquila. Eu irei com seu irmão informar meu pai.

Ela assentiu e após sorrir para ele e se despedir do capitão, se foi pelo caminho contrário.

-/-/-

Relena entrou em seu quarto e se surpreendeu em encontrar Trowa, Quatre e Duo acompanhando as meninas. Teyuki estava abraçada a seu cavaleiro e mais calma. Já não chorava e respirava tranquila, em silêncio. Todos voltaram suas atenções à princesa quando a mesma chegou. Os rapazes tentaram se desculpar pela intromissão, no entanto ela os sossegou dizendo que não havia nenhum problema eles estarem ali. Agradeceram em um movimento de cabeça e esboçando sorrisos.

Silêncio.

A princesa ficou observando o quadro e tentando encontrar uma boa forma para dar a notícia.

— Miliardo já voltou? - Duo indagou e a tensão voltou a preencher o ambiente.

Ela encarou o de trança e assentiu em resposta.

Trowa que estava sentado, abraçado a sua amada se colocou em pé, Duo que estava encostado na parede enlaçando Cléo pela cintura, se endireitou. E Hadja, levantou do colo de Quatre para o mesmo imitar os amigos.

— Bem… Sendo assim, é melhor que vaiamos a manter um olho no lorde. - declarou Trowa, decidido.

— Não há nenhuma necessidade disso. - Relena informou, ganhando olhares confusos para ela.

Teyuki já começava a se sentir apreensiva de novo. Tinha medo do que poderia acontecer com ela, já que para todos os efeitos, seguia sendo a noiva do lorde. Talvez fosse um sentimento ilógico e até irracional, mas temia que aquilo tudo se voltasse contra ela e sua família, já que se sentia propriedade do lorde. Trowa segurou a mão dela, tentando acalmá-la.

— Por que não? - Quatre quis saber.

— Lorde McBean não irá a lugar nenhum… - soltou. Respirou fundo. Não havia uma maneira suave de dar a notícia, então, foi direto ao ponto. Passou os olhos por todos os presentes, parando na face de sua amiga mais nova. - O lorde foi encontrado morto em sua carruagem agora a pouco.

Espanto… Foi o que preencheu o ambiente. Teyuki entrou em estado de choque, sem saber se estava aliviada ou compadecida com a notícia. Os três cavaleiros se entreolharam, enquanto as damas encaravam a ex-noiva do lorde, que não conseguia deixar de ver Relena.

Em uníssono, os três companheiros expressaram em voz alta suas conclusões.

— Eliminação de provas!

Relena olhou para os rapazes e assentiu.

— Sim. Heero e Miliardo disseram o mesmo. E parece que até armaram para atrasar a chegada de meu irmão.

— Vamos falar com eles e nos informar mais sobre o que virá a seguir.

Declarou Quatre e deu um beijo em Hadja antes de se curvar em despedida de Relena e sair. Duo imitou o amigo, despediu-se de Cléo e da princesa, enquanto Trowa se agachou perante Teyuki e acariciou o rosto da moça, ganhando sua atenção.

— Acabou meu amor. O lado bom de tudo isso é que agora você não corre nenhum perigo. - ela o encarou, sentindo o alijamento tomar conta dela. Sorriu em meio às lágrimas que escorriam e ele depositou um suave e demorado beijo nos lábios dela antes de se levantar e sair, despedindo-se de Relena assim como os amigos fizeram antes.

As amigas então foram até a mais nova e a abraçaram, transmitindo à mesma um pouco de segurança e certeza de que tudo ficaria bem.

-/-/-

Uma geleira… Era assim que se podia classificar os olhos de Dante naquele momento. Após ouvir todo o relato de Miliardo, ficou calado e seu olhar endureceu ainda mais. Se alguém tinha dúvidas sobre o parentesco entre Heero e Dante, perderia todas naquele instante.

O rei supremo de Sank puxou o ar com força pelas narinas depois de alguns segundos que mais pareceram uma eternidade.

Por um lado, uma dama da corte acabava de ser salva de seu casamento forçado e o reino se livrava de um de seus inimigos internos. No entanto, por outro lado, acabavam de perder uma grande fonte de informações valiosíssimas e se o rei fosse sincero com ele mesmo, teria que admitir que seu julgamento estava pendendo mais para esse lado, contribuindo para agravar sua irritação e esmagar qualquer vestígio de bom-humor que tivesse.

Não desejava manter lorde McBean vivo. Isso era um fato. Mas, não queria a morte precoce do nobre. Queria ter sacado tudo o que o homem sabia antes de vê-lo agonizar em seus últimos espasmos de vida.

Agora teria que lidar com isso.

— O que faremos agora com a jovem Heiren, meu rei? - Auden questionou inseguro.

— McBean era a melhor forma de confirmar a história dessa garota. - expôs insatisfeito.

— Meu pai… Se me permite, tenho uma idéia para a colocarmos em análise e descobrirmos se a senhorita Franz é ou não fiável.

O rei herdeiro ganhou a atenção de todos, até mesmo de seus quatro amigos que se aproximavam da conversa naquele instante, bem a tempo de ouvirem as últimas palavras dele.

Esboçou um sorriso astuto...

Não demorou muito para todos estarem novamente reunidos na sala do trono. A camponesa foi trazida pelos guardas que a mantiveram sob vigilância durante toda a manhã a espera da ordem real.

Os nobres se reuniram no salão, curiosos, sobre como tudo acabaria. O povo que antes esteve no castelo, já havia sido dispensado após terem sido devidamente atendidos. E agora a reunião era interna e fechada.

Heiren sentia o coração pular dentro do peito, temerosa por como as coisas acabariam para ela. Buscou em meio aos rostos presentes por lorde McBean e não o encontrou. Tentou reconhecer a fisionomia do nobre que um dia a enganou, acobertando a crueldade do lorde, mas não o viu em meio à multidão. E estava segura de saber quem ele era se o visse.

Com exceção do barão, todos estavam presentes. Relena e suas damas de companhia, juntamente com Lucrezia, ficaram a direita da jovem e esquerda do rei Dante. Mei ficou no quarto de Kelly a espera da volta da irmã. Heero e seus amigos, contando com o capitão ficaram no outro extremo. E de cada lado do rei estava sua esposa e o conde.

Dante se colocou em pé e observou a jovem, visivelmente aflita, porém com uma inteireza de espírito admirável. Surpreendendo a ele e dando mais força às palavras anteriores de seu filho mais velho.

— Lorde McBean não se apresentou para explicar-se, porque foi impiedosamente assassinado há algumas horas.

Comoção, espanto, choro, reclamos… Se misturaram entre a platéia e ninguém perdeu as expressões, tentando descobrir em meio ao todo, algum culpado.

Emera engoliu seco e disfarçou seu desassossego em meio a uma fingida surpresa.

Heiren por outro lado, ficou boquiaberta e fraquejou com a novidade. Sentindo o desespero percorrer seu corpo, ao tempo em que seu semblante horrorizado focava o chão e a esperança de sair bem daquela situação esvanecia.

Dante observou a jovem a sua frente com total cuidado.

— Porém… - continuou e ela não conseguiu olhar para ele, por primeira vez. - Me aconselharam a dar um voto de confiança a senhorita Heiren Franz, devido ao fato de em outras ocasiões ter ajudado pessoas de suma importância para esse reino e com isso, ganho a simpatia de pessoas muito próximas a mim. - a camponesa levantou a face, incrédula e atenta a sua sentença. - Tendo consideração por seus bons feitos e o fato de não haver ninguém que possa abonar sua conduta de caráter. Decidi relevar suas palavras inadequadas e impróprias por essa vez. Contanto que não haja uma próxima…

— Pode ficar tranquilo majestade. Nunca mais… - disparou a falar e foi calada pelo olhar mortífero do rei, sabendo instantaneamente que cometeu um erro. - Desculpe. - Pronunciou baixo e envergonhada.

Relena e suas damas, assim com Duo, Trowa e Quatre seguraram o riso. Wufei bufou inconformado, Heero se manteve estático, sem mover um músculo facial. Miliardo e Lucrezia se entreolharam e disfarçaram um sorriso espontâneo. Enquanto, Amanda e Auden trocaram um olhar surpreso. O povo se manteve em silêncio, quase sem respirar.

— Continuando… - encarou a moça que apertou os lábios em linha reta para se segurar calada. - No entanto, algo deve ser feito em troca. - abriu a boca para cortá-lo uma segunda vez, mas desistiu ao olhar em seus olhos e engoliu em seco. - Seu excepcional conhecimento de plantas deve ser levado em conta e por tanto lhe oferecerei o cargo de apotecária do reino. - ela se surpreendeu ainda mais, assim como todos que não sabiam daquela decisão. Os casais trocaram olhares e as damas souberam que seus pares já estavam informados. - Contudo, para apropriar-se de tal cargo, antes, terá que provar seu valor.

Confusão geral na mente de todos, em especial da jovem.

— Todos sabem que fui obrigado a exilar meu filho mais novo do castelo. - não, Heiren não sabia e arregalou os olhos com a novidade, mas se forçou a permanecer calada. As coisas estavam indo bem e ela não queria que o quadro mudasse e acabasse sendo decapitada ou pior, enforcada em praça pública como exemplo a não ser seguido. - Mesmo assim, segue sendo meu filho e estou designando a senhorita, Heiren Franz, para o papel de serva pessoal dele por tempo indeterminado e assim julgarei sua valia. A decisão está tomada e essa reunião encerrada!

Sem demora, desceu os degraus do patamar onde ficava o trono e passou reto pela camponesa, ignorando sua existência, seguido por sua esposa e o conde. Os nobres começaram a dissipar comentando sobre a forma inesperada que acabou tudo.

Os casais se juntaram ao redor da jovem camponesa que continuou em seu lugar, olhando um ponto fixo qualquer, sem focar em nada, em total estado catatônico.

Continua...


Não me matem! :D

Até porque eu trouxe um presentão, né? u.u

Salvei alguém de um casamento indesejado, abrindo espaço para o desejado... XD

E paguei minha divida com a Bruna, fazendo a cena que ela pediu HeeLena. ;)

Ah... Mas, eu não prometo ser tudo tão lindo. XD kkkkkkkkkk

Eu não ficarei me delongando, pq eu sei que vou acabar soltando o que não devo, sendo assim... Beijinhos

E nãos e esqueçam da minha REVIEW!

Beijos de coração.

29/10/2017

Happy Halloween