N\A: Espero que gostem, suspense, romance e alguns assassinatos.

Para quem não se lembra exatamente da história de AUR, no meu perfil tem um blog com resumo dos capítulos, caso alguem tenha curiosidade em revisar, só ir lá.


Capítulo 35

Verdade I


04 de dezembro de 2007


10 anos atrás, dias da família Sabaku.

Acordou repentinamente, com todos os sentidos despertos. Saltou da cama percebendo a coloração amarelada fosca da luz natural do sol e sentiu o cheiro agradável de lavanda.

No exército, há vários anos, aprendera a despertar diante de qualquer som peculiar. Depois que virou chefe do Departamento Antidrogas, tornou-se obcecado em proteger a própria vida. Seus olhos, músculos e mente despertavam como nunca tivessem adormecidos.

Mas não havia qualquer perigo ali.

Perguntou-se o motivo da reação e logo soube que fora o pânico repentino provocado por um choro calado.

Inclinou apenas um pouco o rosto e viu um corpo envolvido em um roupão rosa claro. Sua esposa dormia no chão, assim como sempre acontecia, sem qualquer explicação, nas duas últimas semanas. Piscou a olhando, como se observá-la fosse suficiente para entendê-la, descobrir as razões do rastro de choro nas bochechas. E principalmente por que ela só conseguia dormir profundamente após muito choro e em uma superfície dura como o chão.

Ele sabia que sua mulher estava morrendo aos poucos.

Sentia-se morrer junto.

(...)

- É como se ele me engolisse. – ela comentou na cama, duas horas depois. Gaara, seu filho mais novo tinha surgido na porta de seu quarto, escondido na fresta, esperando vê-la e que o chamasse. – Gaara, vem cá querido – no mesmo instante ele correu – Quando você crescer talvez entenda que aqui... – apontava para o chão – é como se eu me sentisse mais próxima de alguma essência, lá embaixo, que englobasse todos nós.

(...)

- Ela está dormindo? – perguntou para a babá enquanto deixava a mala sobre a mesa. O apartamento impecavelmente escuro e limpo, com a sensação de uma frieza inexplicável.

- Sim, dormiu o dia todo, mas pela manhã Gaara-kun ficou com ela.

Não disse nada, mas sentiu-se incomodado.

- Não deixe que ela fique com ele sozinha nesse estado. – sentiu-se na obrigação de explicar – não fará bem a criança e nem a ela.

Uma pequena parte de si morria com aquele pedido

(...)

- Estou pensando em viajar.

- Pensando em viajar?

- Sim, para minha cidade natal, são só algumas horas daqui, você sabe.

- Você está bem para ir?

- Sim, minha psicóloga pediu para fazer algum trabalho voluntário.

- Por que não aqui? Você pode ficar mais próxima das crianças.

- Não, você não quer que eu fique próxima das minhas crianças, e eu entendo. Eu ficarei em um Orfanato, pensando neles também.

(...)

Sentiu o coração encher quando foi abraçado e levantado aos céus pela sua mãe. Os olhos castanhos brilhando pelas lágrimas enquanto sorria largamente.

- Senti tanto sua falta querido, tanta.

Gaara, perguntou-se ainda pequeno se alguém poderia chorar de felicidade e se esse alguém poderia ser a sua mãe.

(...)

Naquele dia alguém diferente buscou Gaara na escolinha. Era um jovem que não deveria ter mais de 20 anos. Anos depois Gaara descobriu, que na época, se tratava de um mero estagiário do departamento, pois o estado mental da babá era inconsolável após encontrar o corpo de sua patroa inerte em seu quarto. Esse mesmo estagiário se tornou assistente de seu pai. Ele o abandonaria anos depois, quando percebeu que seu chefe nunca esqueceria aquele caso e o encheria de trabalho infundado acerca de uma seita suicida imaginária.

Gaara, entretanto, se lembrava apenas de pegar em sua mão, como se fosse um momento histórico em que jamais seria capaz repetir outra vez.

(...)

A cremação de sua mãe foi realizada dois dias depois. Foi uma cerimônia rápida, vazia, em um dia quente e claro. Não havia poesia na cabeça de Gaara, que só sentia atordoado e confuso com toda a atenção que recebia. Não entendia por que era tão doloroso para os outros, quando quem tinha perdido a mãe tinha sido apenas ele e seus irmãos.

Sua irmã ao seu lado segurava sua mão, mas soube sem entender que ela não queria estar ali. Ele não queria estar ali também. Saberia depois que ela tinha visto o corpo da mãe, assim como Kankurou que tinha encontrado o corpo na cama de casal. Ele nunca tinha perguntado sobre aquilo.

(...)

No enterro ele levou as mãos até o alto da cabeça do filho caçula, mas por alguma razão não conseguiu tocá-lo. Perguntou-se se Gaara entendia o que se passava por ali, se entendia que sua mãe tinha preferido morrer a fica com ele e com seus irmãos. Perguntou-se também se no futuro isso seria ainda mais revoltante e dolorido e se ele se sentiria culpado e imponente. Aquela pergunta percorreu por todos os anos que se seguiram.

(...)

- Quando você a conheceu?

O garoto sentado a sua frente tinha um aspecto concentrado e gentil, e depois de seu terceiro café naquela manhã, o detetive perguntou-se sobre aspecto falso e maníaco do garoto. Deveria ser só sua imaginação.

- A conheci quando ela veio ajudar no orfanato, ela me disse que era para fortalecer a alma…

- Fortalecer a alma?

- Logo que a vi, eu soube que ela queria se matar. - disse como se sentisse muito orgulhoso da própria perspicácia. Não era o Café.

- E como soube disso Kabuto-san?

- Eu só sabia. Ainda bem que ela conseguiu, não que ela fosse uma mulher ruim, ela só precisava disso.

Ele engoliu a saliva com constante gosto de cigarro.

- Precisava?

- Ela tentou, mas sinceramente, isso faz parte da essência das pessoas. Pessoas que são fracas e desejam a morte, ao morrer é o único momento de força.

(...)

O poema em suas mãos foi relido pela terceira vez naquela manhã. O relatório do primeiro assassinato em 2003 batia com a descrição de Jacinto, e o segundo ainda era difícil de localizá-lo entre as flores descritas. Sua análise do caso, mesmo que ainda não tivesse sido encerrado, lhe rendera uma transferência sem burocracia para o Departamento de Crimes Hediondos, onde se dedicou completamente ao caso do Assassino da Rosa. Por quatro anos, não houve qualquer dado que pudesse solucioná-lo.

Mas não importava. Resolver aquele caso era descobrir também a razão pelo qual sua mulher cometera suicídio.


Gaara, Arakawa, 22h05min

Sinto a dor de um dente quebrado enquanto sangue sai de minha boca e desliza com a baba até minha camisa. Muito frio e uma imensa dor de cabeça que quase paralisa toda minha coluna vertebral. Acho que nunca senti tanta dor em minha vida e só não acho isso frustrante por que minhas chances de sobreviver a esse sociopata eram mínimas, considerando todas as circunstâncias.

Agora eu era obrigado a ver meu antigo professor de química ajeitar mecanicamente - creio que os outros rituais lhe deram alguma prática - o ritual para o assassinato de Naruto. Estávamos parcialmente escondido por árvores e arbustos, muito próximos da água.Não escutava carros, muito menos pessoas, e eu entendi que eu não seria salvo por nenhum caminhante azarado.

Todas essas conclusões demoraram a surgir. Até esse momento eu tive que despertar e entender a situação que acabava de me encontrar. Não imagino as horas, e não sei como eu soube, mas o som que me despertou foram de correntes contra metal em um cintilar bruto e alto, para logo depois escutar um grito.

- Maldito!

Ainda demorei um instante para entender, e para isso foi necessário que eu me recordasse de tudo que aconteceu anteriormente. Do estacionamento, da pancada na cabeça, no rápido instante que tomei consciência dentro de um carro e vi as luzes de faróis e postes de luz sobre um céu escuro.

Então eu apaguei e acordei vendo e sentindo cheiro de água, até que minha paisagem turva foi ocupada por alguém caindo contra o chão.

Eu não lembro exatamente como, mas foi sua risada alta que me lembrou de quem se tratava.

Kabuto-sensei. O lunático da Rosa vermelha tinha me sequestrado no estacionamento do meu prédio e provavelmente me mataria em algumas horas.

- Vou te matar seu desgraçado!

Meu corpo se levantou de imediato mesmo sentido uma dor dilacerante por toda minha costa. Primeiro movimento: Naruto em pé, as mãos amarradas andando cambaleante até um Kabuto ainda largado no chão. Conclusão: Naruto tinha se soltado e tentava simplesmente matá-lo.

Segundo movimento: Puxei-me e percebi que estava amarrado por cordas apertadas e preso em uma árvore. Maldito. Conclusão: Estava imobilizado, morrendo de dor e provavelmente impossibilitado de me defender. Como tive certeza disso? Quando vi Kabuto pegar um cano de metal e atingir Naruto na perna de tal maneira que urrou de dor e caiu no chão.

Ele com certeza tinha quebrado a perna.

Instantes depois ele sorriu para o Uzumaki e voltou-se contra mim.

Eu juro que não tinha entendido, mas ele simplesmente andou em minha direção e me disse.

- Sabe a Haruno. Ela está vindo para cá. Para salvá-lo e morrer…

Senti-me raivoso. Senti-me cansado. Imobilizado. Com aquele dor de cabeça insuportável, então, por que só pode ser por todas essas razões, eu avancei até onde a corda me permitia e tentei matá-lo.

- Exatamente isso! Eu só precisava de uma razão.

Me atingiu primeiramente no maxilar e um dente saiu de minha boca. O sangue se apossando de minha face, até que o outro murro veio em minhas têmporas e eu apaguei por alguns instantes.


Sakura, Centro de Tóquio 21h44min

Sua risada, baixa e melodiosa me trouxe para a realidade. Era o mesmo riso, antes tão insignificante, do professor de química que me passava a imagem de objetividade e praticidade tanto admirada. Tratava-se na realidade apenas de um frio humor, uma gelada distância, como se sua mentalidade estivesse isolada em uma ilha, enquanto seguia um método de convívio social.

Por isso, tudo nele soava tão estável, melodioso e equilibrado.

- Eu posso falar com Gaara? Eu só… - a voz morreu, sem saber como eu poderia não deixar tudo mais absurdo - Eu só quero comprovar que ele está ai.

- Eu adoraria lhe permitir isso, mas ele acabou de, digamos, começar um cochilo. Mas esqueça isso, eu esperava poder conversar com a polícia, mas percebo que Hinata ainda não recorreu a eles…

- Eu… irei…

- Não se preocupe com isso, certo? Eu mesmo irei entrar em contato com eles, provavelmente o pai de Gaara já deve ter localizado o celular do filho, ele não irá recusar minha chamada, ainda mais quando perceber que qualquer objeto localizador não poderá ser útil. - ele deu uma curta pausa, como se tentasse se lembrar de algo. - Inclusive, seria bom você reforçar essa ideia para ele.

Era surreal demais, mas estava acontecendo e eu tive que me recordar disso como em um pensamento concreto.

- O que você quer? Você deveria estar morto.

- Como você chegou a essa conclusão? Com o ópio? Eu não acho que isso importa… Serviu para despistar ao menos algumas pessoas entediadas e intrometidas.

- Você sabia que a gente...

- Não. Até pouco tempo eu não sabia, até que eu tive que matar Hidan e ele acabou comentando algo a respeito... Dois adolescentes o seguindo, sendo um deles, filho de um detetive. Descobrir sobre você foi fácil, agora as razões de vocês...

Eu me recuso a responder.

-Você deveria estar morto Kabuto-sensei.

- Soa impossível para você? - ele não esperou eu responder. Eu não sei se eu seria capaz de fazê-lo. - Hinata-chan pode lhe comprovar isso. Ela já despertou do estado de choque dela? Eu já disse que ela necessita mais estabilidade, mas ela raramente me escuta.

Eu não iria ser levado pelo papo avulso dele.

- Você irá matá-lo?

- Pergunte a Hinata, ela melhor do que ninguém sabe quais são os alvos.

Olhei diretamente para a Hyuuga sentada ainda no chão, com os olhos estáticos. Em um estado de desequilíbrio quase digno de um hospital psiquiátrico. Era surreal demais crer que ela estivesse envolvida concretamente com todos aqueles assassinatos. Por mais que eu tivesse mudado de opinião completamente nos últimos minutos, alguém que cometia um assassinato estaria nesse estado?

- Como eu posso confiar nela?

Minha pergunta era mais para descobrir a relação dos dois do que produto de alguma desconfiança.

- Eu não disse que você poderia, mas você é inteligente, até onde você acha que ela poderia chegar?

- Eu não sei... - e de fato não sabia, ela poderia estar vinculada a ele, mas… - Matar o próprio pai e também Jiraiya tutor do seu namorado? Ela não seria capaz disso.

- Talvez, ela não amava o pai por razões próprias e nunca esteve de fato envolvida com Jiraiya-san, não acha?

- Ela o conhecia... Ela o conheceu e…

-Um rápido encontro com um velho escritor em Arakawa, poderia definir alguma coisa? - ele deu um curto suspiro - Eu demoro algum tempo até preparar todo o ritual, sabe? Passo longos minutos conversando com os indicadores das flores e ao fim, eu posso fazê-lo. O que eu quero dizer é que eu não necessito de qualquer envolvimento anterior ao que estar por vir. A morte existe por si mesmo…

- Ela não é doente como você.

Kabuto-sensei ficou alguns segundo em silêncio, e pude sentir alguma espécie de raiva, por eu não ter dado devido interesse pela sua definição surreal de morte. Arrogância e um egocentrismo doente.

- Então você já tem sua resposta.

Em seguida o celular foi desligado, eu olhei a tela como se olhar para lá me desse alguma resposta concreta do que estava acontecendo.

Como se eu pudesse descobrir os motivos de toda aquela loucura.

Os motivos de Kabuto, de suas escolhas, de sua loucura. Os motivos pelo qual Hyuuga Hinata estava envolvida com tudo aquilo.

Hinata se encontrava exatamente à minha frente. Senti-me repentinamente raivosa pelo seu estado descontrolado.


Gaara, Arakawa, 22h13min

Acordei com a vista escura e demorei alguns instantes para localizar a imagem a minha frente. Perguntei-me quanto tempo eu tinha dormido, mas cheguei a conclusão que pouco, considerando que Naruto estava inconsciente no chão, com a perna quebrada, rodeado pela flores do ritual.

Senti uma ânsia de vômito. Encarar Kabuto preparando o ritual, o mesmo ritual que vislumbrei naquelas fotos, e que tinha matado até então 05 conhecidos, era absurdamente angustiante e distante, apesar de estar bem na minha frente. Eu não sabia nem quantas pessoas tinham morrido daquela maneira, considerando que não era a primeira vez que Kabuto agia.

- Eu nunca tive expectadores. - ele disse repentinamente sem tirar os olhos da Dália que segurava. - Na realidade tive sim, na época de faculdade, aquele estudante que Hiromi tinha selecionado para morrer. Por alguma razão ele não queria ser apagado de jeito nenhum, então ele acabou vendo tudo.

Ele levantou, olhou o céu e depois voltou-se para mim piscando. Ele tinha pensado em algo.

- Eu sempre pensei em explicar para as flores. - então era assim que ele chamava suas vítimas - o que estava acontecendo, mas elas estavam sempre tão dopadas, ou mesmo inconscientes que nunca criamos de fato um diálogo.

Engoli um gole de sangue e a ânsia de vômito se intensificou.

- Talvez eu possa explicar tudo para você, o que você acha? Você tem curiosidade?


Sakura, Centro de Tóquio 21h54min

O som da minha mão contra o rosto de Hinata soou por todo o estacionamento. Os olhos violetas finalmente se concentraram em mim mesmo que ainda estivessem tremendo. O medo nítido.

- Você precisa se acalmar. E precisa que me diga o que está acontecendo, você me entende?

Hinata concordou com a cabeça, mas continuou ainda sentada no chão, as mãos semimortas no colo, enquanto os olhos fitavam o chão. Senti gosto de sangue na boca e me dei conta que tinha mordido os meus lábios em sinal de nervosismo.

O celular ainda estava em minha mão, enquanto eu tentava organizar tudo que estava acontecendo.

Droga.

Kabuto-sensei estava com Naruto e Gaara. Me lembrei repentinamente da intimidade que tinha com Hinata, a carta que lhe foi escrita e entregue por Hanabi, e também o murro que ele recebeu de Naruto naquele mesmo dia.

Eu nunca tinha me perguntado seriamente quais eram as diferenças entre eles. Pelo o que Ino dissera, ela e Naruto tentaram afastar Kabuto-sensei do colégio e consequentemente de Hinata, entretanto, não para protegê-lo, mas por que ele era… O assassino da rosa.

Estava óbvio agora. Restava agora saber qual era o verdadeiro vinculo de Hinata com o ele… Se eles eram parceiros, se eles estavam brigados, se ele a tinha ameaçado. Diante do longo período de fragilidade, o estresse, o repentino rompimento com Naruto… Ela seria capaz de ser cúmplice daqueles crimes? Matar o próprio pai?

Olhei o visor do celular, e vi o histórico de chamada. O nome de Kabuto-sensei surgiu. Hinata tinha o número dele na própria agenda, o que me indicava que eles eram realmente íntimos.

Verifiquei os restantes das chamadas, e surgiu vários números diferentes, até que o Kabuto apareceu novamente, datando há três telefonema foi o primeiro depois de um longo intervalo. E entre eles estavam diversos números desconhecidos.

Decidi verificar as mensagens. Havia um longo histórico com números não identificados, que após ler as primeiras palavras identifiquei como sendo de Naruto. Havia outras, no entanto, que chamaram mais minha atenção: eram de desconhecidos, perguntas estranhas que não tinham respostas.

"Está com medo de mim? Eu te ajudei"

"Naruto-kun está bem? Não está feliz em estar com ele?"

"Vocês se amam e isso me deixa imensamente feliz Hinata-chan"

"Ainda irei encontrá-la, depois dele, obviamente…"

"Por que não vem até mim? Não confiou durante tanto tempo…?"

"O quanto que você sabe? O suficiente para estar louca?"

Mas o que me fez parar de lê-los foi esse:

"Quando tudo acabar, eu te ajudarei a dormir em paz."

O poema. Assim como no poema.

Ajudá-la a dormir, a se matar passando por todo o processo do poema, desde Jacinto - seu pai - até a Rosa - seu namorado. Hinata não seria capaz de matar Naruto, não depois de tudo que ela demonstrou até agora… E talvez isso explique por que ela entrou em aflito com Kabuto-sensei.

- Hinata-chan. - a chamei tentando manter a voz. Ela continuava sem se mover, e eu sem opção ajudei a levantá-la, deixando-a apoiada em um sedan azul. - Eu preciso da sua ajuda, Naruto principalmente. - ela levantou o rosto. - O que Naruto te pediria agora?

- Para… Manter a calma… - sua voz soou muito baixa.

- E o que mais?

- Para eu poder ser seu suporte agora, assim como ele seria o meu.

- Exato, ele precisa da sua ajuda, assim como eu. - eu dei uma pausa, mantendo minhas mãos sobre seus ombros - Gaara também está com ele. Ele está em perigo também, você sabe o que isso significa?

- Sim… Eu tenho que me controlar e pensar. - ela retirou do pulso uma pulseira de bolinhas de madeira, colocando-a na mão e apertando levemente, fechou os olhos e suspirou fundo. Entendi que era um método para se manter no controle. - Naruto me ensinou… manter o foco, e pensar em mim.

Eu não estava entendendo exatamente o que ela dizia, mas não me importei já que isso a manteria calma. Poderíamos seguir com o próximo passo.

- Precisamos avisar a polícia, de preferência com o pai do Gaara… Mas o que você tem a ver com Kabuto-sensei, Hinata-chan?

- É complicado…

- Não, não é. Vamos resumir a história: Kabuto é um assassino serial, que matou seu pai, tentou matar Sai, e irá matar Naruto, e provavelmente, Gaara também. - eu dizia tudo claramente, mas sentia um incômodo imenso no alto do pulmão, e só consegui continuar com um suspiro. - e você está vinculada com tudo isso, de alguma maneira, eu quero saber como.

Ela apertou ainda mais a pulseira.

- Eu o conheci casualmente, antes dele ser professor de Kitagawa, tínhamos algo em comum… Um grupo suicida. Ele me disse que conhecia autora de um poema muito conhecido entre as participantes do grupo… eu era uma delas, uma que não entendia a função daquelas palavras, até que conheci Kabuto-sensei e ele tentou me ex-explicar e… - seu queixo tremeu, e seus olhos retornaram a reluzir em lágrimas. - eu não sabia que daria nisso… eu não sabia… eu não queria… a gente só conversava sobre poemas e as pessoas… me fazia bem e ele era tão compreensível… - ela balançou negativamente a cabeça e uma lágrima despencou - ele é um assassino… ele matou meu pai por minha culpa… e eu, e eu estava com tanta raiva, mas eu não sabia que ele estava fazendo isso… e agora Naruto-kun…

- Ele não vai morrer, por que vamos achá-lo ok? - eu disse na mera intenção de acalmá-la.

Foi então que eu percebi que estava perdendo tempo. Eu tinha que informar a policia, e principalmente o pai de Gaara… que estava em outra província. Senti-me repentinamente muito nervosa... Estava dando tudo errado, absolutamente tudo errado.

- O que iremos fazer… A polícia, deveríamos falar com a polícia, certo? - os olhos delas estavam enormes e brilhantes.

Meu celular tocou.

- Eu deveria ligar para Kakashi-san… Naruto me falou para ligar para ele...

Ignorei tudo que ela disse enquanto olhava o número desconhecido na tela.

Atendi, escutei antes de falar. Quando concordei eu soube que eu poderia de alguma maneira salvar a vida de Gaara.


Gaara, Arakawa, 22h10min

Cuspi sangue no chão quando senti que ele se aproximava. Parece um ato suicida e masoquista, mas nada poderia me fazer sentir melhor. Eu só sentia uma raiva intensificada pela sensação de que a qualquer momento eu iria morrer.

No pânico nenhuma palavra do meu pai fazia sentido. Para mim o mínimo erro seria fatal principalmente agora que eu não me encontrava com o celular e consequentemente com meu rastreador.

No orfanato meu pai fez questão de me explicar e me provar que eu realmente tinha sido muito ingênuo, mas agora penso que ingenuidade foi crer na eficiência da polícia.

- Desde quando? - Eu perguntei quando eu e meu pai decidimos ir para a varanda do orfanato. Minutos atrás eu tinha visto a foto de Kabuto-sensei bem ao lado de Hiromi.

A foto foi suficiente para entender que o assassino da época de Hiromi era Kabuto, seu amigo de infância no orfanato e seu companheiro de Química na Faculdade de Tóquio. Logo o assassino da nuvem vermelha.

- Desde quando o quê? - ele me perguntou sem me encarar.

- Desde quando você está me vigiando, sabendo de tudo o que faço, provavelmente ciente de tudo que sei sobre o caso da Rosa Vermelha.

Era óbvio que ele já sabia considerando que ele tinha me guiado até o orfanato, provavelmente na intenção de colocar as cartas na mesa. Naquele momento eu cogitei que ele tentaria me persuadir a parar com a perseguição.

- Suspeitei no momento em que encontrei sua amiga Haruno bisbilhotando o meu escritório, e se confirmou quando você invadiu o apartamento de Hidan. Quando você me ligou avisando o a tentativa de assassinato com o garoto de Kitagawa imaginei que não seria necessário tantas formalidades.

- E quando você decidiu que eu poderia ser útil?

- A partir do momento que o Uzumaki saiu do nosso controle e sumiu.

- O que o Uzumaki e a Hyuuga tem a ver com tudo isso, além dela planejar o próprio suicídio?

- Essa é a pergunta errada.

- Qual é o vínculo dela com Kabuto-sensei?

- Ela é a chave para esse quebra cabeça e nossa guia para achá-lo, e também… Ela, mesmo que não esteja ciente, é a guia para o Assassino da Rosa. Ela dá sentido ao que ele faz, assim como Hiromi fez, quando eles eram parceiros de faculdade.

- Realmente era improvável que ela fosse sua aliada.

- Uma garota desequilibradas como ela, realmente. - ele concordou e quase esboçou um suspiro - O Uzumaki foi de grande ajuda para polícia, ele percebeu rapidamente o vínculo do poema mostrado pela Hyuuga com os assassinatos que o rodeava, Jiraiya e Iruka foram peças fundamentais para isso. Mas ele demorou demais para entender que Kabuto estava relacionado com tudo aquilo e principalmente em avisar a policia. Do contrário poderíamos ter salvado ao menos a vida do escultor.

O momento em questão batia com o murro que Naruto tinha dado em Kabuto.

- Ele a estava protegendo.

- Não diria protegendo, creio que estava tentando controlá-la. Ele tinha motivos para querer achar o assassino pessoalmente… Mas isso é só uma hipótese.

- Então Naruto está procurando pelo assassino?

- Sim, nossa teoria é que ele com certeza irá encontrar alguma maneira de ser achado por Kabuto.

E então ficou claro por que ele tinha me chamado para ver aquela foto e consequentemente ter descoberto quem era o assassino da rosa.

- Você quer que eu esteja com ele quando isso acontecer.

Não era uma pergunta.

- Exatamente.

E agora eu estou aqui diante de Kabuto-sensei, com um dente a menos na boca, um olho inchado e totalmente imobilizado por essas cordas. Ele em compensação mesmo com um rasgo na boca provocado por Naruto tinha o aspecto extasiante de uma criança. Aproximava-se de mim como se eu fosse um amigo intimo, como se ele pudesse depositar em mim toda a lógica que rodeava os seus atos absurdos.

Aquilo me deu nauseia, fazendo encher minha boca de saliva. Cuspi em direção a sua cara, mas atingi o chão com a gosma sangrenta.

- Você realmente não se parece em nada com sua mãe.

Eu não quis, mas provavelmente citá-la fez com que eu inevitavelmente tivesse uma cara de idiota na cara. Deixando claro que ele tinha conquistado minha curiosidade.

Só fiquei ainda mais raivoso.

- Quando você a conheceu?! - gritei sem me importar, sem pensar, sem calcular nada.

Ele em resposta só abriu um sorrisinho de canto. Aproximou-se ficando na minha altura de maneira que pude perceber sua pele doente e imperfeita e os olhos negros e brilhantes.

- Seu pai me fez a mesma pergunta quando eu tinha 14 anos. - o sorriso se alargou - ele deve ter se arrependido eternamente de não ter feito a pergunta certa.

Eu respirava alto, os olhos arregalados, provavelmente uma veia projetada na testa.

- Você não imagina a pergunta certa? A pergunta certa, Gaara-kun, é "como eu conheci sua mãe". Você tem curiosidade?

Agachou-se ficando de cócoras de maneira que, meus olhos magnetizados nos seus, fez com que eu baixasse a cabeça para vê-lo. Ele não sorria mais, só parecia incrivelmente tranquilo.

- Eu a conheci graças ao poema que ela escreveu.

Eu demorei para entender o que ele dizia. Compreender o que era o poema e como minha mãe estaria vinculado a tudo aquilo foi um processo lento. Então, quando Kabuto soltou um sorriso gentil e nostálgico eu percebi que minha mãe, autora daquele poema, era a orientadora, mesmo que indiretamente, de todos aqueles assassinatos.


Sim, pessoas lindas, AUR atualizada, quem diria heim? Será que alguém ainda lembra dessa fic? haha'

Desse capítulo pudemos concluir que os Assassinatos cometidos na época da Hiromi foram realizados também por Kabuto que era seu amigo de infância e parceiro de quimica, e que Hinata e Hiromi faziam o mesmo papel: selecionavam as vitimas de acordo com a descrição do poema, que, quem diria, foi escrito pela mãe de Gaara. Tudo indica que Kabuto e a mãe de Gaara se conheceram no Orfanato quando ela foi lá dar assistência por conselho do seu psicólogo. Também concluímos que Naruto já sabia que Kabuto era o assassino e que sua tentativa de afastá-lo, isso com ajuda da Ino (lembram-se?), foi exatamente para proteger a namorada. Ah, agora ficou claro que Hinata mesmo vinculada ao assassino, não está vinculada tão diretamente com os assassinatos.

Bom espero que pelo menos alguma pessoa comente para que eu possa saber o que estão achando desse desfecho. Gaara está em perigo, e muita coisa será revelado no próximo capítulo, entre elas, principalmente, o envolvimento da mãe do Gaara no trama todo, como as flores foram escolhidas, e os pormenores da história como Hiromi e Hidan (acham que eu esqueci dele ? haha').

Um grande abraço.

Oul K.Z