Good Morning, Morning! hehehehe...

Gente, eu to sem dormir, só pra vir dar bom dia pra vocês! *u*

Jessica e Monique esse capitulo contém uma cena dedicada a ambas (não me matem)!

E uma em especial para Jessica, atendendo ao seu pedido de "Dléo" (Duo e Cléo). :D

Sem mais delongas, nos vemos nas notas finais!


29. Novas e antigas ameaças.

O sol acabava de se levantar quando uma elegante carruagem parou em frente a mansão de Macbean. Os empregados empalideceram ao reconhecê-la. Prontamente, o servo, que estava a frente da administração da propriedade do falecido dono, logo saiu à receber a visita, engolindo seco, receoso do que viria logo a seguir.

Sem se importar em descer, o nobre se encontrava observando a paisagem e as faces abaladas dos que ali estavam. Esperando até que o homem de confiança de seu irmão — o empregado mais antigo — terminasse de descer os degraus, desviou os olhos para seu acompanhante, que permanecia calado, de braços cruzados e olhos fechados, sentado no banco a sua frente, levemente a sua direita.

— Lorde Miksien… É um enorme prazer revê-lo. — o servo se curvou em um reverencia e não se levantou até ter autorização para tal.

Os segundos se passaram, longos demais para o velho curvado.

— Onde está meu irmão?

Finalmente pôde ouvir a voz entediada do mais velho dos filhos de Eliott, senhor da colina do Norte. O servo não soube o que responder, seus olhos falaram mais rápido do que suas palavras. Astuto, Miksien soube que não seriam boas novas.

Seus olhos cor mel se ergueram ao céu e pode ver as nuvens carregadas, uma tormenta se avizinhava.

— Vamos entrar primeiro. — anunciou categórico.

O servo agradeceu internamente e deu ordens imediatas para que descessem toda a bagagem do nobre. Ao mesmo tempo, o lorde desviou os olhos em direção de seu acompanhante, que por primeira vez, desmanchou sua postura e abriu os olhos, focando a íris negra em seu senhor antes de descer da carruagem.

Silencioso, o alto homem chamou a atenção ao ficar visível. Sua pele cor ébano contrastava com sua veste inteira branca, composta por calça e túnica de manga longa e larga. Sua feição era serena, de traços fortes e olhar vazio. Seus olhos percorreram o local para certificar-se de que era seguro o suficiente para seu chefe descer. Saiu da frente e deu espaço para o lorde passar.

Miksien parou ao lado do homem, sua estatura era pelo menos uns dez centímetros a menos, sua pele clara, um corpo normal, nada comparado ao físico trabalhado do servo. Seu cabelo loiro todo lambido para trás. Sua veste era pomposa e deixava óbvia sua condição financeira. Podia não possuir uma aparência impactante como o outro, no entanto, sua aura exigia respeito, incluso pela falta de empatia em sua mirada. Caminhou para dentro da mansão, seguido de perto de seu guarda-costas.

Miksien adentrou a sala principal, parando em seco, surpreso com a peça central do local. Poltronas e sofás estavam todos afastados, no meio uma mesa grande de madeira e sobre a mesma um caixão fechado. Estranhado, se aproximou e abriu a tampa, sob o olhar atento e temeroso dos poucos presentes. Dentro, jaz seu irmão mais novo, a cabeça visivelmente, encostada ao pescoço, sua face era de terror, mesmo que seus olhos estivessem fechados.

Dilatou as narinas ao puxar o ar com força e virou bruscamente em direção ao velho servo, indagando por respostas.

— Sinceramente meu senhor, não saberia responder-lhe. Ontem, Lorde Macbean saiu para visitar a casa do Lorde Hideki Yukiame. A seguir, o capitão da guarda veio procurá-lo, lhe informei seu local de destino e depois não tive mais noticias… Até o entardecer, quando a escolta real trouxe o corpo de seu irmão. O capitão me informou que o encontrou morto em sua carruagem, assim como o cocheiro.

— Ele saiu sem escolta? — estranhou.

— Não senhor. Ele saiu acompanhado de dois guardas, mas nenhum foi visto… Nem mesmo pela guarda real.

Os olhos de Miksien percorreram o local sem se focar em nada, analisando a situação com cautela. Na sala, a grande maioria eram servos de Macbean, havia um ou outro nobre — de baixa relevância aos olhos do mais velho —, que não se atreveram a se aproximar para prestar os pêsames, por conta da face contrariada que Miksien exibia. Ignorando a todos, como se não passassem de ratos no celeiro, encarou seu subordinado e deu uma única ordem, simples e direta.

— Smow, encontre-os!

O servo assentiu e desapareceu pelo corredor para cumprir sua missão. Uma última olhada em direção ao caixão e aos demais e voltou-se para o servo do irmão.

— Onde está a noiva de Macbean?

— Lady Teyuki não compareceu, creio que está no castelo.

— E o pai dela?

— Lorde Yukiame veio ontem, assim que soube do ocorrido, prestou sua despedida e logo partiu acompanhado de sua esposa.

— E por que a filha não veio?

— Não saberia informar-lhe meu senhor.

Assentiu como resposta e abandonou o local, dirigindo-se diretamente para a biblioteca do irmão, a fim de revisar os livros e documentos, para ver o que poderia descobrir.

-/-/-

Heiren saiu da pousada irritada, seus pés arrastavam no chão chutando as pedras, apressados e agressivos. As mãos segurava a saia para dar-lhe maior mobilidade. Os lábios fechados em uma linha reta, os olhos castanhos, avermelhados devido à raiva. Ouviu seu nome ser chamado, mas ignorou sem deixar de caminhar, queria desaparecer o mais rápido possível.

Não havia ninguém por ali, mas isso não lhe chamou atenção, a única coisa que desejava, era se afastar o mais breve possível daquele local, voltar para casa e ficar com seu pai, apesar de que, na verdade, não estava pensando em nada. Só corria.

— Heiren, pare agora!

Ignorou o chamado uma vez mais. Não estava com vontade de obedecê-lo.

— Pare imediatamente plebéia. É uma ordem!

Seu corpo estancou abruptamente no mesmo lugar. Seu coração disparou, seus lábios abriram para ajudá-la a respirar melhor e juntando o máximo que conseguiu de coragem, deu meia volta subitamente e o encarou. Se por um acaso se surpreendeu de vê-lo tão escassamente próximo, não demonstrou. Ergueu o rosto — devido a considerável diferença de altura — e fixou os olhos verdes, com ousadia.

— O que deseja alteza? — falou entredentes.

— Quando eu lhe der uma ordem, obedeça, plebéia. — desdenhou altivo, com satisfação no olhar.

— Como se atreve?

— Eu me atrevo a fazer tudo o que me der vontade. — declarou encurtando ainda mais a distância entre eles. — E sua obrigação é realizar minha vontade.

Soltou uma expressão de indignação e sorriu irônica já virando o corpo para partir, quando sentiu seu braço ser agarrado e puxado de volta; assim que voltou o rosto para enfrentá-lo mais uma vez, se surpreendeu com o que recebeu.

Seus olhos se arregalaram ao passo em que sentiu os lábios masculinos cobrirem os seus. Um beijo duro e enérgico oferecido pelo príncipe. Demorou em reagir e quando decidiu abrir a boca para reclamar-lhe, acabou dando passagem para ele aprofundar o beijo. Lúcius subiu a mão direita até a nuca de Heiren, enfiando os dedos entre as castanhas mechas onduladas da garota, enquanto o braço esquerdo a segurava firmemente pela cintura.

Sentindo-o explorar sua boca com tanta maestria, sentiu-se abrumada pelos sentimentos que a atacaram. Não teve mais forças para rechaçá-lo e fechou os olhos correspondendo ao beijo. As mãos se apoiaram nos braços fortes de Lúcius e logo foram deslizando em direção ao pescoço dele, sentia-se necessitada. Buscava onde se segurar, já que suas pernas ficaram bambas.

— Heiren…

Um chamado bem longínquo foi escutado e ignorado.

— Heiren…

Não queria parar. Queria mais, necessitava senti-lo, finalmente o tinha. Nunca imaginou que seu sonho pudesse se tornar real até sentir os lábios experientes sobre os seus.

— Heiren!

Sentir?

Seus olhos se abriram amplamente ao passo em que, devido a uma virada repentina, ela caiu da cama levando consigo toda a coberta. Seu pai tentou ajudá-la, mas já era tarde demais e a filha acabou no chão com o travesseiro em cima do rosto.

Maximilliam observou a cena em silêncio, inexpressivo. Pensou e decidiu nem comentar. Assentiu e piscou algumas vezes.

— Já está na hora de você levantar para trabalhar. Venha comer e me contar sobre ontem.

Deu meia volta para sair do quarto e assim que esteve fora do raio de visão dela, não conseguiu mais segurar o riso e o expressou calado e divertido, suprimindo uma gargalhada.

— Mais um sonho… — bufou inconformada e observou o cabelo embaraçado, se sentindo um verdadeiro desastre.

Com o orgulho ferido, se apoiou na cama para levantar, e desanimada em uma mescla de desapontamento e irritação, jogou tudo de volta sobre a mesma antes de ir lavar o rosto e se aprontar para o trabalho. Seu último dia de trabalho para seus clientes frequente, já que no dia seguinte, seria levada até o infante para começar a servi-lo em tempo integral.

— Deve ser por isso… Certeza que amanhã ele me mata, em lugar de me beijar. — sussurrou ao mesmo tempo em que expressava uma careta devido a dor que sentiu ao tentar desembaraçar o cabelo, distraidamente.

Maximilliam já estava sentado à mesa, observando sua tigela de mingau, esperando a chegada da filha que não demorou muito em aparecer pronta para o serviço.

— Então? — decidiu não enrolar mais. — Ontem você chegou tarde e foi dormir sem comer. Conte-me como foi com o rei.

— Inesperável e inacreditável.

— Conte.

— É muita coisa para relatar agora, prometo contar com maiores detalhes a noite, não posso me atrasar hoje.

— Ao menos resuma.

— Contei toda nossa história para o rei Dante… — Max ficou tenso. — Confesso que ele é bem diferente do que eu imaginei. — e logo sorriu entre uma colherada e outra, satisfeito com o parecer da filha sobre o rei. — E ele mandou buscar Lorde Macbean para explicar-se pelo que fez a você, pai. — depositou a colher sobre o prato, inquieto, sentindo o coração pular. — Mas, o encontraram morto.

— Que? — surpreendeu-se e a filha assentiu, compartilhando o mesmo sentimento.

— O capitão da guarda, aquele homem lindo… — sua mente viajou até Miliardo e seu jeito imponente, logo a seguir lembrou-se de cada um daqueles nobres que não só a tratavam com carinho e respeito, mas sempre tinham um sorriso gentil para oferecer-lhe. — Aliás, já reparou como são todos muito bonitos? O príncipe herdeiro, o infante, o capitão, os amigos do herdeiro…

— Heiren…

— E as damas também não deixam a desejar… — lembrou-se como Relena a amparou e as demais a incentivaram com o olhar. — Todas são tão belas…

— Heiren! — a repreendeu e a filha o encarou envergonhada. — Foco na história.

— Desculpa… — abaixou a cabeça e levou mais uma colherada para boca. — Bem… — recuperou-se. — Devido ao fato de Macbean não poder confirmar e nem desmentir meu relato, e levando em conta o fato de que eu ajudei sir Quatre, me parece que o rei Dante decidiu me dar um voto de confiança e provar minha lealdade.

— Como assim?

— Levando em conta o meu conhecimento com as plantas medicinais, ele me ofereceu o cargo de apotecária do reino.

Assombrado e feliz, Maximilliam a parabenizou.

— Isso é uma grande honra minha filha. — ela assentiu em concordância com o pai.

— No entanto, antes devo provar que sou confiável.

— Como?

— O príncipe Lúcius foi banido do castelo… — Max franziu o cenho, pasmo e ela confirmou com um aceno. — E o rei Dante quer que eu o sirva por tempo indeterminado, até que ele sinta que sou digna do cargo que me ofereceu.

— E?

— Começo amanhã. Sua alteza real, o príncipe Heero disse que irá me levar pessoalmente até seu irmão. — olhou pela janela, o céu estava nublado. — Agora preciso ir… No fim, creio que acabei contando tudo. Os detalhes ficam para a noite. Preciso correr ou chegarei muito molhada. Bom dia pai.

Depositou um beijo carinhoso no rosto de Max e saiu correndo, cobrindo-se com uma capa contra o frio conforme se afastava de casa. Maximilliam ficou absorto, analisando a história que sua menina acabava de lhe contar. E uma certeza de que algo bom, viria lhe aqueceu o coração, ao mesmo tempo em que um aperto de que algo muito ruim aconteceria antes.

-/-/-

Haviam terminado de tomar o café da manhã e após muito insistir, Duo havia conseguido trocar de turno com Wufei, fazia muito tempo que não passava um tempo com sua amada Cléo, que decidiu que valia a pena enfrentar o amigo e fazer alguns ajustes em seu dia.

Conseguiu, mas não foi nada fácil.

Percorreu os corredores em busca de sua ruiva, a encontrando em uma das janelas, conversando com uma nobre que ele apenas conhecia de vista, ninguém em quem realmente prestasse atenção. Aproximou-se devagar por trás da namorada e após regalar uma piscadela para a moça que o viu de antemão, abraçou Cléo pelas costas, sobressaltando-a.

— Duo! — o repreendeu risonha.

— Desculpa, foi tentador demais. — sussurrou no ouvido dela e logo olhou a moça que os observada extasiada. — Milady, desculpe interrompê-las… Mas eu realmente preciso sequestrar lady Cléo. — anunciou seriamente.

Sem esperar uma confirmação ou réplica da jovem, já começou a caminhar, puxando a filha do barão pela mão. Surpresa, Cléo foi levada ao mesmo tempo em que se despedia da moça e alguns metros mais a frente, estancou puxando a mão, liberando-se e cruzando os braços sob os seios, encarando o cavaleiro de maneira buliçosa e inquisitiva.

— Onde pensa me levar? Cavaleiro…

— Eu lhe darei o horizonte, milady. — sorriu galante.

— Ah sim? E como pretende fazê-lo? — com toda altivez, o contornou de nariz elevado, manhosa.

O comportamento da ruiva arrancou um amplo sorriso do cavaleiro, que se animou ainda mais com o joguinho dela.

— Ouvi a senhorita dizer o quão entediante tem sido estar dentro dos muros do castelo… — ganhou atenção. — Lhe proponho um passeio pelo mesmo campo florido onde nos encontramos aquele dia…

— O dia em que fui atacada… — sua voz perdeu a força, rememorando aquele mau momento.

— Sim. Porém, é um local lindo e merece ganhar uma nova lembrança. Algo mais agradável e feliz.

Indecisa, mas curiosa, ela sorriu tentada a participar da aventura.

— E como pretende me levar para fora dos limites do castelo? — provocou.

— Pois, observe como ninguém se atreve a me deter.

Estendeu a mão para ela, convidativo, a espera do voto de confiança. Levemente dubitativa, Cléo mordeu o lábio inferior ao mesmo tempo em que abria um grande sorriso e agarrava a mão do namorado e feliz, caminhou apressada ao lado dele direto para a grande porta de saída. Não se surpreendeu completamente, ao encontrar um valete e uma serva a espera deles.

A moça ajudou Cléo a vestir sua capa para se aquecer do frio e luvas, enquanto o valete ajudou Duo, inclusive com as armas que levaria. Prontos, desceram os degraus e ela comprovou o fato de que ninguém os impediu, subiram juntos no cavalo do nobre e partiram felizes em sua próxima peripécia.

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Desmontou e deu ordens para que alimentassem e cuidassem de Sandrock, em seguida subiu os degraus de dois em dois, sendo recebido com cordialidade pelos servos que passavam pelo local. O sorriso gentil no rosto era uma de suas características mais marcantes e uma das razões que deixava a todos sempre tão à vontade frente o cavaleiro.

Quatre percorreu os corredores recebendo os cumprimentos de todos por quem passava, no peito, uma sensação boa de dever cumprido após ter colaborado com seu amigo Duo na surpresinha que faria para lady Cléo e completado sua ronda, enfim poderia descansar um pouco.

Ao virar o corredor, socorreu uma serva que perdeu o equilíbrio e quase caiu ao tentar colocar um vaso pesado de flores de volta ao pilar, deixando-a encantada com sua cortesia. Despediu-se com um leve aceno de cabeça e continuou caminhando. Deveria informar a Heero sobre sua ronda, no entanto, já havia sido informado que o mesmo tinha saído, portanto, tinha tempo.

Queria algo e conseguiria. E para sua alegria não precisou procurar muito.

Ao virar outro corredor encontrou quem necessitava. Lá estava ela, sua lady. Gostava de se lembrar disso com frequência. Sinceramente, sempre quis encontrar alguém que amasse, mesmo que em realidade estivesse conformado em apenas ter um casamento arranjado com alguma nobre adequada, escolhida por seu pai. E encontrar Hadja foi um sonho se tornando realidade. Não apenas ela era adequada aos olhos de seu pai, como havia se apaixonado.

Apoiou o ombro direito na parede e sorriu tímido ao observá-la, seu jeito delicado e a leveza de seus modos contrastava demais com sua personalidade forte e decidida. Reparou em como o cabelo castanho escuro estava cacheado nas pontas, seus lábios carmesim, o vestido vermelho a valorizava e eram coisas que em verdade não parava para prestar atenção em nenhuma mulher, com exceção dela.

A viu sorrir em resposta a algum comentário que não ouviu e sentiu uma leve pontada de ciúmes. Queria que aquele sorriso fosse para ele. Sentia-se egoísta ao pensar nela.

Lembrou-se de quando seus amigos lhe contaram o quão desesperada ela ficou ao vê-lo atingido pela flecha e que havia passado a noite toda em seu quarto o acompanhando. De quando se vestiu de homem só para ir vê-lo. Como esteve pendente quando ele foi envenenado… Inúmeras ocasiões onde pôde tê-la a seu lado e foi correspondido de uma forma que ainda lhe parecia irreal. Mas, um de seus momentos favoritos era o dia em que a encontrou na cachoeira. Não confessaria a ninguém, no entanto, ainda tinha sonhos com aquela visão tão sedutora de sua amada.

Ela virou o rosto ao acaso e o viu. Seus olhares se cruzaram e ele pôde jurar que ela se sentiu tão ofegante quanto ele. Aquelas íris castanhas o olharam com tanta entrega, que se houvesse alguma dúvida de que era a mulher certa, findariam naquele momento.

Endireitou-se e caminhou até Hadja, sem desfazer o contato visual e notou como ela dizia algo para a pessoa com quem conversava e imaginou que fosse uma despedida, pois pela visão periférica, viu a mesma partir.

Hadja sorriu. E lá estava o que ele tanto queria, o sorriso cheio de promessas e entrega direcionado apenas à si. Quatre nunca foi do tipo egoísta, ainda assim, aceitava esse pecado, quando se referia a ela.

— Bom dia milady…

— Bom dia milorde.

Sorriram cúmplices em seu flerte.

— O que o trás por aqui? — indagou curiosa.

— Se surpreenderia se dissesse que estava te procurando? — charmoso.

— Talvez… Mas, também ficaria muito satisfeita.

E foi sincera.

Aquela declaração foi o suficiente para ele terminar de encurtar a distância entre eles e com toda a desenvoltura, sem se importar com nada ao redor, segurou o rosto feminino entre as duas mãos e a beijou.

De início era um beijo delicado e lento, com o passar dos segundos, foi se tornando mais firme e desejoso. Ela subiu as mãos pelos braços fortes do loiro, enquanto ele deslizava as dele para baixo, até que a enlaçasse pela cintura e fosse abraçado pelo pescoço. Os lábios se fundiram em uma dança cheia de prazer e paixão.

Quando, por fim, se lembraram de onde estavam, obrigaram-se a se separar a contragosto e trocaram um sorriso cheio de significado.

— Creio que agora acredito. — declarou brincalhona.

— Em que? — ficou confuso.

— Em que realmente estava me procurando. — explicou.

Quatre soltou uma risada de dentes fechados, contida, mas verdadeira. Ela apenas ampliou mais o sorriso e o abraçou, ávida em tê-lo por mais tempo.

— Vamos passear?

Os olhos castanhos brilharam de alegria e ela se enganchou no braço forte do amado, mordendo o lábio inferior, assentindo e o seguindo aonde ele desejasse a levar.

Caminharam tranquilos até o jardim interno do castelo, perdidos em seu próprio mundo, conversando sobre coisas triviais, sobre o clima, um pouco sobre o reino e as festividades que deveriam chegar em breve, mesmo que a possibilidade fosse incerta devido aos problemas que estavam enfrentando, ainda assim, Hadja não deixava de comentar o quanto ansiava por isso, e ele se perdia no sorriso dela, nas pequenas expressões faciais que ela apresentava e no quanto seu coração se aquecia com tê-la a seu lado.

— Então… Eu quero muito ver o que apresentaram esse ano. — Hadja concluiu e o olhou curiosa. — Você não ouviu nada do que eu disse, certo? — observadora ao semblante apaixonado, ainda assim, completamente distante que ele exibia.

Voltando a realidade, Quatre aclarou a garganta, olhou ao redor com um sorriso envergonhado no rosto e por fim a encarou, decido a ser sincero.

— Não! — Hadja o bateu de leve no braço. — Desculpe meu amor, estava ocupado admirando sua beleza.

Foi à vez dela de disfarçar, procurando algum lugar para olhar, sentindo-se tímida pela primeira vez. Seu amado conseguiu deixá-la totalmente sem fala. Riu sem graça e mordeu o lábio, charmosa, olhando-o em uma mescla de provocação e embaraço.

Quatre levou a mão direita acariciando o rosto feminino e foi sua vez de imitá-la em meio a um reflexo, mordendo o canto do lábio inferior ao passo que seus olhos pousavam nos lábios avermelhados. Sôfrega, Hadja acabou com a distância — tomando a iniciativa —, o puxando pela blusa e o beijando com voracidade, deixando óbvio o quanto o necessitava.

Quatre lhe respondeu a altura até que precisaram se separar, foi aí que ele a puxou para sentar-se em um dos bancos ao redor da fonte. Apoiou a cabeça no ombro de seu amado e curtiram o silêncio agradável por um tempo, até que ela se endireitou abruptamente.

— Me desculpe, esqueci-me de agradecê-lo… Amei a rosa! — e lhe depositou um selinho nos lábios, sorridente.

— Rosa? — franziu o cenho com estranhamento, perdendo o sorriso dos lábios.

— Sim… — percebeu que algo estava errado. — Aquela que estava sobre minha cama quando eu voltei do café da manhã.

Quatre perdeu todo o rastro de alegria e seu coração disparou apreensivo.

— Eu não estava no castelo, saí para fazer minha ronda e cumprir com uma petição do Duo. Por isso, não comi com os demais.

Declarou. Em sua face, a expressão de total confusão e desgosto. E como se algo tivesse por fim se encaixado em sua mente, se colocou em pé de imediato e segurando-a pela a mão começou a andar apressado até a habitação da dama. Hadja apenas o seguiu quase correndo, esforçando-se em acompanhar as passadas largas do homem.

Sem nenhum decoro, Quatre invadiu o quarto da jovem percorrendo o local com suma atenção, irritado e afligido. Sua íris azul não deixava passar nenhum detalhe, instintivo em busca do que quer que pudesse estar fora de lugar. Hadja parou logo atrás, receosa, o coração disparado sem saber se era pela pressa ou pelo que aquilo pudesse justificar.

— Quatre… — arriscou temerosa.

— Essa é a rosa? — apontou a flor dentro de um jarro azul ao lado da cama.

— Sim…

— Foi ele. — declarou como se aquilo fizesse todo o sentido.

— Quem?

— Otto!

Arregalou os olhos e a boca, surpresa. De repente as mãos da morena passaram a tremer, enquanto o cavaleiro puxava o ar com força, recebendo uma descarga de adrenalina, o sangue fervendo e o desejo de encontrar seu oponente crescendo perigosamente em seu âmago. Na mente apenas uma pergunta se passava: Como ele entrou aqui de dia e ninguém o viu? No entanto, precisaria esperar Heero voltar antes de tomar qualquer decisão.

Olhou para Hadja e sua irritação se acalmou ao vê-la tão abalada com a revelação. A puxou para um abraço carinhoso, acalmando-a e lhe passando segurança. Beijou as madeixas castanhas escuras e sussurrou um: — Vai ficar tudo bem…

-/-/-

— Não voltei aqui desde aquele dia…

Cléo comentou assim que chegaram ao local de destino. O prado ainda mantinha algumas de suas flores — apesar da aproximação do inverno —, limpo e belo como ela se recordava, apesar de que não pôde impedir que aquele fatídico momento retornasse a sua memória. Duo parou seu corcel e a ajudou a desmontar.

Já com os pés no gramado, ela se agarrou ao braço dele e sorriu, afugentando as más lembranças.

— Então… O que viemos fazer aqui? — ergueu uma sobrancelha, inquisitiva.

— Observar a paisagem… Já notou como as cores das flores são vivas? Eu gosto tanto dessas amarelas… — apontou a flor citada, porém sua acompanhante não desviou o olhar dele.

Duo riu divertido, sabia que era impossível enganá-la.

— Terá que fazer melhor que isso, sabia?

— Sendo assim, vamos até aquela árvore.

Novamente apontou com o dedo, agora, para o local atrás do campo florido, intrigando a jovem que o acompanhava.

— Sabe que aquele local é moradia de lobos, não sabe?

— Por um acaso está com medo, milady? — arqueou as sobrancelhas, provocador.

— Não. Mas, você pode ficar. — retrucou.

Cléo se desvencilhou do cavaleiro, inesperadamente segurou a saia do vestido verde e começou a correr em direção ao local indicado. Duo tardou um segundo para entender a traquinagem da garota e começar a seguí-la. Claro que não a alcançando propositalmente e só o fazendo quando já estavam perigosamente próximos ao local eleito.

Agarrou-a pela cintura, fazendo-a virar-se para ele, rindo divertida. Duo não resistiu e a beijou, carinhosa e lentamente, antes de quebrar o contato e segurá-la pela mão, guiando-a até a sombra de uma árvore, surpreendendo-a, quando a mesma avistou uma toalha com alguns pratos de comida e vinho.

Surpresa, Cléo olhou seu namorado em busca de respostas.

— Recebi uma ajudinha do Quatre… Queria que esse momento fosse especial. — declarou a confundindo ainda mais. — Casa comigo? — E lhe entregou um anel de rubi e ouro.

Não houve joelho no chão, no entanto o brilho no olhar dele era o suficiente para deixar o momento mais do que perfeito. Cléo levou a mão até a boca escondendo um sorriso emocionado. Os olhos verdes lampejavam de felicidade e não conseguiu dizer nada, simplesmente assentiu e estendeu a mão direita, permitindo que ele deslizasse a jóia em seu dedo anelar.

— Será que agora você me perdoa pelo torneio? Os olhos azuis pediram suplicantes e ela riu a bom rir. Batendo nele com a mão e logo em seguida apreciando o objeto que marcaria o começo de seu futuro.

— Vou pensar no seu caso. — declarou marota e ele meneou a cabeça com falsa incredulidade.

— Vamos comer. — a incitou andar até a cesta de comida e ambos sentaram sobre a toalha.

— Sabe… — começou manhosa. — Pensando bem… Você se superou aqui. Claro que teve ajuda de sir Quatre… Mas, eu creio que você merece uma recompensa.

Inclinou-se até Duo e o beijou primeiro lentamente, o que logo se tornou desejoso e necessitado, ação que foi correspondida à altura. Ele a enlaçou pela cintura a pressionando mais contra seu corpo, enquanto ela se apoiava nos joelhos e o segurava pelo pescoço. O tom do beijo se tornou mais quente, assim como seus corpos que sentiram uma corrente elétrica os percorrer.

Para surpresa da moça, foi Duo quem a afastou, delicadamente.

— O que está fazendo Cléo?

— Pensei que era óbvio… — ironizou.

— E é… Até demais. Eu não quero que se arrependa disso amanhã. — confessou genuinamente angustiado.

Então, ela sorriu de maneira tão doce que o espantou. Cléo soltou o noivo e levou as mãos até a amarra da capa a soltando e logo partiu para o laço frontal do espartilho do vestido, o afrouxando cadenciadamente. Duo sentiu o corpo inteiro reagir à libido que o atacou com vê-la se insinuando tão deliberadamente e por mais que a ansiasse, juntou o pouco de forças que ainda lhe restava e segurou as mãos dela, parando-a pela segunda vez.

— Você não precisa fazer isso. — declarou sincero, porém, amaldiçoando-se mentalmente.

A dama sorriu gentil.

— Eu sei que não. E é exatamente por isso que eu quero. — os verdes se encontraram ao azul de maneira intensa. — Quero ser sua completamente. Aqui e agora!

A segurança demonstrada pela amada derrubou toda a barreira do cavaleiro. Duo a puxou para si, deitando o corpo para trás e logo mudando de posição, ficando por cima dela. Estava fresco e ele não tinha intenções de fazê-la passar frio, mesmo que nesse instante, seus corpos queimassem pela luxúria.

O beijo se tornou gradativamente mais ardente, enquanto as mãos experientes do cavaleiro se encarregavam de afrouxar as vestes femininas e auxiliavam as de sua amante com as dele. Não demorou muito para que, mesmo vestidos, eles tivessem total acesso às partes íntimas um do outro e foi nesse momento em que começaram a se entregar completamente.

Entre beijos e carícias, Duo deixou um rastro de calor e prazer percorrer todo o corpo delicado da dama e logo a possuindo, reclamando-a como sua. Uma prova e irrefutável, marcada pelo sangue e reafirmando a jura de amor que ambos professavam um pelo outro.

Cléo sorriu e gemeu com o êxtase e Duo por primeira vez, mesmo tendo experimentado o prazer carnal com inúmeras mulheres, pôde se sentir repleto e extasiado de uma maneira única. Eram, definitivamente, feitos um para o outro. E se completavam de uma forma única.

Sorriram em uma troca cúmplice de olhares após o coito, felizes por estarem juntos e mais ainda, por saberem que logo seria para sempre. O cavaleiro se encarregaria de que o casamento fosse o mais breve possível. Conversaria com Heero assim que pudesse para ganhar autorização do rei e não precisar passar mais nenhuma noite longe de sua amada.

Cobriu-a com suas capas, logo de ajeitar o vestido verde e se servirem de vinho, sem terem a menor vontade de levantar-se, permanecendo deitados ali, com ele encostado a base da árvore e ela com a cabeça sobre seu peito e o longo cabelo alaranjado espalhado por todo o local, feito uma cascada ondulada e brilhante.

Para surpresa de Duo, ele pode senti-la adormecer e a abraçou mais forte, com o intuito de preservar seu calor corporal. O vento começava aumentar gradativamente e ele sabia que em breve deveriam voltar ao castelo. Acabaram não comendo nada da cesta, porém, não se arrependeria nunca por aquele instante de calmaria e felicidade plena.

Fechou os olhos por alguns instantes, quando seus ouvidos treinados o alertaram. Arregalou os olhos repentinamente e sua mão passeou até sua espada, podia se tratar de um lobo, então, gentilmente se desvencilhou de Cléo a depositando com cuidado sobre a toalha e se levantou, silencioso e cuidadoso, os olhos viajando por todas as partes.

Olhou novamente para sua mulher, ela continuava adormecida, se afastou poucos passos, sem perdê-la de vista e foi quando sua visão periférica detectou algo novo. Ergueu a cabeça à direita e lá estava, sentado em um tronco grosso, sobre a copa de uma grande árvore, o intruso.

Um homem corpulento de pele parda, vestido com uma roupa composta de túnica de manga longa e calça, tudo na cor amarelo pálido. O cabelo coberto por uma bandana da mesma cor e quando ele virou o rosto em direção de Duo, o cavaleiro pôde visualizar uma profunda cicatriz que surcava toda a bochecha esquerda, originária da orelha até o queixo. E os olhos negros eram sedentos por sangue.

Um guerreiro reconhece outro guerreiro.

Era como se o cheiro da morte rondasse aquele homem que o observava do alto.

Nenhum quebrou o contato visual com o outro e logo o homem desceu em um pulo, aterrissando sobre o gramado, mantinham uma distância de uns cinco metros.

Duo apertou a empunhadura de sua espada nas mãos, baixou levemente a cabeça, erguendo o olhar para o homem a sua frente, o desafiando de forma velada. A perna direita deslizando lentamente para trás, formando sua base. E cada movimento sendo observado pelo desconhecido.

— Tem uma bela mulher aqui. — a voz arranhada de quem não tem o costume de falar muito, soou de maneira ameaçadora. O que irritou ainda mais o de trança.

— Te aconselho a nem sequer olhar para ela! — avisou.

E o homem a sua frente sorriu perverso.

— Guarde sua fúria, cavaleiro. Estou desarmado agora, não vê? Onde está sua honra?

— Por experiência eu sei que um homem como você nunca anda desarmado. — declarou seguro.

O sem nome riu de novo, dando alguns passos para trás e retirando de trás do tronco da árvore uma gadanha, onde na mesma eram visíveis as marcas de combate e manchas de sangue seco. A lâmina tão extensa quanto à de Duo, o cabo tão longo quanto, porém mais simples e com menos adorno. Prático. Na parte de cima do cabo ao lado da lâmina uma lança alta e fina, com um pouco de crina de cavalo vermelha sob a mesma.

Duo abriu um sorriso que o adversário não soube decifrar e que o intrigou.

— Posso saber qual a graça?

— Pressinto muita diversão! — Duo declarou ampliando a satisfação no sorriso, porém, os olhos continuaram mortais como sempre ficavam, quando havia uma boa luta pela frente.

— Pode ser… — endureceu o maxilar. — Mas, não será hoje. Sinto muito, mas estou atrasado. — se recompôs. — Tenho certeza que voltaremos a nos ver.

Duo ficou ereto, desfazendo a pose de combate e o encarou selando a promessa.

— Ao menos posso saber seu nome?

— Me chamam de Graven… — e foi tudo o que disse antes de desaparecer para dentro da floresta dos lobos.

Sem demora e soube que dentre todos os assuntos que deveria tratar com Heero, esse atravessou a frente dos demais e subiu para o topo da lista, inquestionavelmente.

Correu até Cléo, em alerta para qualquer nova e indesejável surpresa que pudesse aparecer e a despertou, informando que precisavam partir imediatamente. Começou a organizar as coisas, enquanto ela se arrumava e seu olhar cruzou com um lobo filhote. Sorriu e deixou alguma comida jogada no chão, propositalmente para o animal.

Deixando as explicações para o caminho de volta, fez a dama subir em seu corcel — que ele chamou com um assobio —, e cavalgou em um trote acelerado de volta ao castelo.

-/-/-

Trowa e Heero chegaram juntos de sua ronda. Como ambos eram admiradores do silêncio, em poucos momentos trocaram algum tipo de conversa, no entanto, foi uma volta amena e tranquila. Possuíam uma afinidade tão rara, que não necessitavam de palavras para se entenderem.

Ao descerem frente à porta do castelo, puderam ver Duo chegando apressado. Cléo desmontou primeiro, seguida por ele e após se despedirem, com ele a beijando na cabeça, a moça começou a subir os degraus, apressada, levando consigo a cesta de comida e parando apenas para reverenciar Heero que assentiu em cumprimento.

A expressão corporal agitada do de trança, fez os amigos trocarem um olhar cheio de inquietude e esperarem que o mesmo se aproximasse. Duo esperou que os responsáveis levassem os três cavalos e se aproximou de Heero, aclarando a garganta e falando de maneira contida, para não causar tumulto ou preocupação aos que estavam ao redor. Inclinando-se um pouco em direção ao amigo, para manter o segredo e a voz baixa.

Desde que haviam começado os ataques, o povo estava com os nervos à flor da pele e ele não pretendia piorar a situação.

— Temos novos problemas e precisamos conversar urgente.

Heero o escutou e ergueu a cabeça puxando o ar pelas narinas, assimilando aquela frase. Nesse instante, viu Quatre e Wufei aparecerem no topo da escada conversando e parando quando o viram, pôde notar no olhar do amigo loiro a aflição e soube que não era apenas Duo, mas também Quatre que possuía más notícias.

Suspirou e apertou os dentes, comprimindo o maxilar, se preparando para o pior.

— Vamos todos para meu quarto, precisamos de privacidade.

Declarou e subiu à escada, seus amigos em silêncio total o seguiram. No caminho, encontrou a Miliardo e com um movimento de cabeça o convidou a se unir a eles. Sem questionar, o capitão obedeceu.

-/-/-

Lucrezia fechou a porta, quase sendo arrastada por Teyuki para dentro do quarto de Relena, ali já estavam todas as demais garotas, até Kelly, que havia deixado Mei aos cuidados de uma serva a fim de comparecer àquela reunião.

— O que está acontecendo? — a guerreira indagou confusa.

— O tenente Otto reapareceu e entrou em meu quarto, deixando uma rosa sobre minha cama. — Hadja anunciou quase sem emoção na voz, como se estivesse anestesiada.

Lucrezia ficou boquiaberta com a novidade, observou a nobre, filha do comerciante, sendo abraçada pelos ombros por Relena, que tentava reconfortá-la, mesmo que a mesma não aparentasse estar precisando. Antes que pudesse dizer algo, Cléo cortou seus pensamentos, falando de forma agitada.

— Duo e eu estávamos na colina dos lobos e apareceu um homem estranho e que demonstrou ser problema. Ele tem uma gadanha, assim como Duo. — as mãos na cintura o jeito espevitado de expor sua preocupação, deixaram óbvio o desgosto da mesma.

Estoica, Kelly apenas se aproximou e colocou uma mão no ombro da ruiva, tentando acalmá-la.

Uma pausa longa e Lucrezia passou os olhos azuis de rosto em rosto, sendo observada por todas a amigas. Parando em Teyuki por último, que suspirou mais fortemente.

— Sabe aquele momento em que te da uma sensação ruim e você sente que algo está se aproximando? — perguntou a mais nova para a guerreira que assentiu. — É exatamente como me sinto agora.

Lucrezia afirmou, de novo, com a cabeça, concordando com a jovem a seu lado.

— Bom... Duo obviamente já sabe do ocorrido que você me relatou, Cléo. — olhou para Hadja. — Quatre já sabe? — questionou.

— Foi ele que chegou a conclusão de quem era o presenteador da flor. — avisou dando de ombros. Quieta demais.

— O que faremos Lu? — a voz angelical e apaziguadora de Relena, chamou a atenção da cunhada, que se colocou a pensar.

— Será melhor que Hadja não durma mais em seu quarto por um tempo, menos sozinha…

— Ela pode ficar com qualquer uma de nós, sem nenhum problema. — Kelly expressou.

— Claro que ela preferia dividir o quarto com sir Quatre. — o comentário jocoso de Cléo relaxou o ambiente, causando riso nas meninas e conquistando um sorriso da amiga alvo da graça.

— Também serve, é ainda melhor. — Lucrezia colaborou, piscando em cumplicidade para a ruiva e aumentando a descontração. Logo se focou e dirigiu-se novamente a filha do barão. — Imagino que Heero já deva ter chego de sua ronda. Vou procurar ele e os rapazes para saber o que faremos para lidar com a antiga e nova ameaça. Não se preocupem meninas.

Lucrezia sorriu gentil para as garotas. Gostava muito de todas, haviam se tornado suas amigas, mesmo que suas obrigações como soldado a impedisse de estar mais em companhia das mesmas. Como despedida, recebeu um olhar de confiança de parte de todas e se foi em busca dos homens. Necessitava saber quais passos tomariam mediante a tudo e conhecer suas novas ordens.

-/-/-

Heero estava em seu quarto reunido com seus amigos. Ele ocupava uma poltrona que ficava ao lado de uma grande janela, em diagonal para a porta e para a cama, sentado com as pernas abertas e o corpo levemente curvado para frente, os cotovelos sobre os joelhos e o queixo nas mãos unidas. Pensativo em tudo o que ouviu dos amigos.

Saber que Otto reapareceu e ainda conseguiu entrar facilmente no castelo, sem ser visto era preocupante. Fora isso, não podia ignorar a possível real ameaça do forasteiro que se encontrou com Duo.

O silêncio pairava no recinto. Quatre estava em pé encostado em uma grande cômoda perto da porta, as pernas esticadas, sustentando seu corpo, cruzadas; as mãos descansando sobre a empunhadura da espada colocada a esquerda. Miliardo — sentado em uma poltrona perto de Quatre — repassava os possíveis caminhos que o tenente poderia ter percorrido, em busca de uma falha na guarda, depois da festa na qual Quatre foi atingido, havia reforçado a segurança e não aceitaria outro erro como aquele.

Duo estava confortavelmente meio deitado na cama, com as mãos atrás da nuca, sua mente guerreava entre reviver seu momento delicioso com sua amada em braços e o instante onde a magia desmoronou e ele teve o indesejado encontro. Ainda na cama, aos pés dela, estava sentado Trowa, que buscava fazer a mesma análise que Miliardo.

E por fim, Wufei estava em pé ao lado da porta de entrada, o cenho franzido e no rosto a expressão da irritação mal contida.

Uma batida firme, ao mesmo tempo delicada, na madeira foi ouvida e todos os olhares se focaram no rumo da porta. O filho do general abriu uma fresta e finalmente abriu o restante para deixá-la entrar. Lucrezia esboçou um sorriso de lábios fechados para o amigo, sendo retribuída com uma leve afirmação de cabeça e uma expressão mais branda.

— Estão fazendo reunião sem mim? Vou ficar magoada. — gracejou e foi puxada por Miliardo que a fez sentar em sua perna antes de dar-lhe um beijo cheio de sentimento.

— Onde estava? — Heero exigiu saber, logo que o casal se separou do beijo.

— Estava com as meninas. Estão reunidas no quarto da Relena, o assunto é o mesmo que o de vocês, imagino.

Heero apenas assentiu.

— Como está a Had? — Quatre quis saber, os azuis de seus olhos mostravam sua aflição.

— Está bem… Sóbria, calma. — pausa — Está pensando onde irá dormir até que se sinta segura novamente para voltar a seu quarto.

— Fácil, ela pode ir pro quarto do Quatre, tenho certeza que ele não se importará. — e Duo agraciou a todos com seu comentário fora de lugar.

Quatre revirou os olhos; Trowa, Lucrezia e Miliardo sorriram divertidos; Wufei estreitou os olhos de maneira assassina ao de trança e Heero apenas os ignorou, ocupado demais em pensar na situação que se apresentava diante dele.

— O que faremos Heero? — a voz feminina foi ouvida, trazendo o rei de volta a realidade.

Suspirou e esfregou as palmas das mãos sobre as pernas, antes de responder a sua amiga, por quem sempre teve um carinho de irmão. Endireitou o corpo e soltou o peso no encosto, ainda pensando nas possíveis decisões, respondeu:

— Creio que devido à falta de informações, não temos muito que fazer por agora. Precisamos descobrir como Otto entrou e saiu do castelo e quem é esse estranho que desafiou Duo. — olhou para os amigos. — Miliardo, Trowa e Quatre tentem encontrar a brecha na segurança. Alguém deve ter visto algo, temos pessoas o dia inteiro rondando os corredores, é impossível passar despercebido… — expressou-se com incredulidade. — Wufei e Duo, quero que busquem informações. Se encontrarem esse cara de novo, não ataquem de imediato, quero toda informação que puderem arrumar e de preferencia, quero falar com ele. — os homens assentiram e concordaram em uníssono. — E você Lu… Quero que fique perto das meninas. Se por acaso Otto voltar… Sabe o que deve fazer. — ela assentiu.

— Só não o mate. — Quatre ganhou a atenção geral. — Tenho contas a acertar pessoalmente.

— Como quiser.

Lucrezia sorriu para o amigo e foi retribuída, Miliardo apertou o abraço na cintura dela fazendo-a cair de costas sobre o peito dele, sentindo o cheiro dela na curva de seu pescoço.

— Por que não vão pro quarto? — novamente o comentário de Duo puxou todos os olhares para si e logo para o casal em questão. Lucrezia ameaçou o amigo com o olhar ao mesmo tempo em que ficava vermelha de vergonha e Miliardo ficou sem graça, logo estreitou os olhos para o de trança e de esgueira encarou Heero que os observava com muita atenção.

O silêncio e as trocas de olhares foram quebrados pela gargalhada de Duo, que em meio ao incêndio, sempre achava uma razão de rir. Trowa foi o primeiro em acompanhar o amigo, só que, de maneira mais contida. Quatre não resistiu e sorriu divertido. Wufei esfregou a mão no rosto, exasperado e Heero meneou a cabeça os achando impossíveis. Logo Miliardo riu e Lucrezia o acompanhou.

Estavam preocupados e apreensivos, porém aquela irmandade que compartilhavam sempre lhes deu confiança o suficiente para em meio ao caos, saberem que conseguiriam achar uma saída.

Uma batida forte na porta acabou com o clima de descontração e uma vez mais, Wufei a abriu, encontrando um valete do outro lado.

O rapaz se desculpou e reverenciou a Heero, que se colocou em pé com a chegada do mesmo.

— Vossa majestade, desculpe a intromissão, no entanto, seu pai o convoca em seu escritório. O senhor tem visita.

— De quem se trata? — exigiu saber.

— Lorde Miksien acaba de chegar.

— Quem é…

— Lorde Miksien? — o espanto no tom de voz que Miliardo usou ao cortar Heero foi surpreendente.

— Conhece? — viu o capitão assentir.

— É o irmão mais velho de Macbean. — declarou, expondo sua consternação.

Heero puxou o ar pelas narinas com força, se o que queria eram indícios de problemas, aí os tinham. Assentiu para o valete confirmando que já estava a caminho e esperou Wufei fechar a porta antes de falar.

— É problema? — perguntou para o cunhado.

— Com certeza. É o tipo de homem fantasma, ninguém vê, mas sabe que existe e quando aparece, não é bom sinal. — Miliardo declarou e Heero assentiu incomodado.

— Você — apontou o capitão. — e você — apontou Trowa. — venham comigo. Os demais estão livres.

Decretou e saiu, flanqueado pelos amigos. Os demais se entreolharam preocupados.

-/-/-

Entrou no escritório que tinha a porta escancarada para deixar o guarda com visão total do lado de dentro, o mesmo acompanhado de um desconhecido, todo de branco, com quem trocou um olhar analítico quando se aproximou da sala em questão. Dante estava sentado na poltrona principal da escrivaninha, encarando o visitante e ao lado esquerdo do rei, o conde Auden se mantinha estoico.

Miksien estava sentado de costas para a porta e se levantou para, educadamente, cumprimentar o príncipe herdeiro. Antes de tudo, se cursou em uma reverencia a Heero, logo que se endireitou, observou Trowa e Miliardo com atenção, para então, focar-se no membro real.

— Vossa alteza? — falou claro e apático.

— Lorde…

— Miksien. — completou a frase de Heero sem esperá-lo terminar de falar, deixando todos apreensivos e fez Dante estreitar os olhos pela ousadia do homem. — É uma honra conhecer alguém tão famoso. Tenho ouvido muito a seu respeito.

Apesar da forma aduladora em elogiar, Heero pode perceber que tudo aquilo não passava de um vil teatro, em uma análise rápida, teve certeza de que o homem a sua frente diferia completamente do irmão mais novo e ao contrário de Macbean, esse sim poderia lhe trazer dor de cabeça.

O seu instinto lhe estava alertando.

— Obrigado. — todos olharam para Heero com suma atenção. — Infelizmente não posso dizer o mesmo, sendo que acabo de descobrir sobre sua existência.

E sorriu. Abriu um sorriso de satisfação que não chegou aos seus olhos, Dante olhou para o filho com estranheza, sentimento que foi acompanhado por Auden. Miliardo apertou os lábios em linha reta, suspeitando de que o amigo estava tramando algo e Trowa nem se imutou. Já estava acostumado com certas improvisações.

Foi um passo arriscado do rei de Wing, porém estava disposto a descobrir tudo sobre o recém-chegado.

— Lamentável ouvir isso. — Miksien expressou sem quebrar o contato visual com Heero. — Creio que meu irmão não falava muito de mim. — finalizou.

— Obviamente não! — sem perder o sorriso apontou a cadeira para que o lorde voltasse a ocupá-la e caminhou para o lado direito do pai. Trowa e Miliardo se espalharam para ficar um a cada lado de Miksien, sem se envolverem na conversa, apenas como espectadores silenciosos.

— Agora que estamos todos aqui, a que devo sua visita inesperada Lorde? Por que queria falar com nós dois?

As palavras do pai trouxeram uma informação, até então, desconhecida para Heero. Observou o homem a sua frente, em busca de cada expressão do mesmo, no entanto, tudo o que viu foi o completo nada. Miksien não demonstrava nada e aquilo lhe atiçava mais.

— Agradeço imensamente a atenção de vossa majestade e o príncipe herdeiro, porém, o que acontece é que há uns dias recebi uma carta de meu irmão, pedindo que eu viesse assistir seu casamento com uma dama da corte... — Heero olhou discretamente para Trowa que o retribuiu e ambos voltaram a olhar o lorde. — E quando cheguei essa manhã, descubro-o morto, dentro de um caixão na sala, decapitado. Não encontro nem vestígio da suposta noiva e o servo de Macbean me informou que ontem, o capitão da guarda esteve à procura dele e que a dama mora aqui no castelo. Sendo assim, vim em busca de informações. — disfarçadamente os culpou.

— O capitão da guarda — Dante apontou Miliardo. — recebeu uma ordem minha para que seu irmão viesse explicar-se sobre uma história bastante incomoda, da qual tive conhecimento ontem. E infelizmente, o encontrou morto e decapitado, como acaba de descrever. A carruagem estava abandonada na estrada, com o cocheiro também assassinado, sem nenhuma escolta por perto. E a senhorita Teyuki está sim morando aqui, pois é uma das damas de companhia da filha do conde Auden, que por sua vez é noiva de Heero. E ela não compareceu ao velório, porque não achamos apropriado, devido aos ataques as jovens que o reino tem sofrido. — encerrou com clareza, em um tom de voz que mesclava entre o tédio e a agressividade, respondendo a altura a acusação velada do lorde.

Miksien baixou o olhar afirmando com a cabeça, visivelmente pensativo e ressabiado. O maxilar apertado era tudo o que deixava a vista dos demais. Seus olhos se ergueram antes que o rosto, focando-se em Heero, que esboçou um diminuto sorriso.

Ambos se analisavam e sabiam que um entendia o outro. Não era uma provocação. Era uma promessa, uma declaração de alerta.

— Alguma outra dúvida, lorde Miksien? — Dante exigiu saber.

O clima era tenso, cheio de desconfiança. A máscara de submissão de Miksien frente aos reis, ruindo a cada segundo. O olhar de Heero incessante sobre o homem colaborava para isso, deixando-o inquieto.

— Gostaria de conhecer a noiva de meu falecido irmão.

Trowa se movimentou com o pedido, recebendo um olhar de recriminação de Heero, que o parou de imediato, porém, o ato não passou despercebido por ninguém. Miksien e Auden olharam o rapaz. Miliardo ignorou, mas se colocou em alerta e Dante, manteve os olhos no lorde, como se nada houvesse ocorrido.

— Será para outra ocasião. — foi a vez de Heero se manifestar. — Milady Teyuki ficou bastante indisposta devido aos últimos acontecimentos e, portanto, lhe pedirei que volte em outra oportunidade.

Contrariado, Miksien assentiu e se colocou em pé.

— E quando será seu casamento, alteza? — instigou.

— Depois de amanhã. Toda a nobreza está convidada, caso queira comparecer.

Miksien sorriu amplamente e fez um movimento seco com a cabeça em confirmação. Logo reverenciou a Dante e se retirou. Heero trocou um olhar significante com o pai e seguiu o lorde, escoltado por Trowa e Miliardo.

Miksien não recusou a presença do herdeiro a seu lado, tão pouco se molestou em iniciar uma conversa. Heero apenas andava de cabeça erguida, acompanhando os passos do homem, certificando-se de levá-lo à saída. Atrás, Smow — guarda de Miksien — os seguia e atrás dele, Miliardo e Trowa mantinham uma sincronia impecável. Observadores ao desconhecido de branco.

Ao chegarem a grande porta, viram Lucrezia, em suas vestes de soldado, conversando com um guarda, possivelmente discutindo algum assunto importante, devido as suas feições. Miksien parou em seco alarmando a todos. Heero franziu o cenho ao notar o olhar vidrado no homem na amiga.

Noin se voltou ao grupo, aproximando-se e olhando com singularidade para os desconhecidos, logo se focou em Heero, indagativa.

— Uma mulher tão bela, não deveria usar roupas tão comuns e simples. Deveria estar adornada com a melhor seda e as jóias mais caras. Como uma rainha! — se aproximou abobalhado com a visão da mulher. Observou seu corpo curvilíneo, marcado pela roupa justa e o corselete que destacava sua cintura e busto. Logo pediu a mão de Lucrezia e depositou um demorado beijo.

Em poucos passos, Miliardo já se encontrava ao lado dela, imponente e possessivo, segurando a cintura da mesma, puxando-a de forma delicada para longe do lorde, que o olhou com desprezo, Heero e Trowa também se aproximaram, sérios.

— Agradeço o cumprimento, senhor. — Lucrezia se manifestou com toda a classe e aristocracia. — Porém, gosto do meu trabalho e não sou a rainha. Além do mais, eu gosto de guardar meus vestidos para outras ocasiões. — sorriu altiva, deslumbrando ainda mais o homem e segurou a mão do noivo, acariciando-a para acalmá-lo. — Agora se me derem licença! — meneou a cabeça em despedida ao lorde e depositou um beijo no rosto de Miliardo antes de partir de cabeça erguida.

Heero sorriu e trocou um olhar satisfatório com Trowa e Miliardo.

— Essa é Lucrezia Noin, é como uma irmã para nós e noiva de Miliardo. — o lorde o encarou, depois o capitão, com ódio. — Até uma próxima lorde Miksien. — apontou a saída.

Sem mais nada a falar, Miksien partiu escoltado por Smow, que apesar de calado, esteve atento a tudo em todos os momentos.

Heero e os amigos esperaram a carruagem partir, antes de voltarem para dentro do castelo.

Continua...


Desvia das pedradas...

Opa, opa, opa... Não matem o mensageiro e menos a autora, senão nada de fim da estória! kkkkkkkkkkkkkkk

Jessy, espero que tenha apreciado o nosso casal Dléo... Tão fofinhos, né não? :D

E quando a Heiren e Lúcius... kkkkkkkkkkkk Isso foi só uma pequena prévia do futuro. Olha só... Ta tão pertinho! hehehehe

A culpa é sua e da Nique que ficaram me pilhando hehehehehe

Bom, deixando minhas maldades de lado, vocês viram uma parte das novas ameaças. Ainda faltam dois integrantes mais que chegaram com o Miksien.

O Otto deu o ar da graça. :O

E agora? O que acham que vai acontecer? Não poupem-se em suas teorias... Quero ouvir todas, com detalhes! :D

O que acharam de cada cena e tudinho nos detalhes, ok?

Deixem-me suas reviews e saibam que amo vocês.

Se viram muitos erros me falem, estou morta de sono, mas estava ansiosa de postar pra vocês!

Milhões de beijos no "coracebo"!

21/02/2018