Gibão= Uma espécie de camisa acolchoada fechada por abotoaduras (com ou sem mangas), ajustada para salientar o peito e moldar a cintura.

Jerkin= Um tipo de jaqueta curta de veludo ou couro, geralmente sem mangas, semelhante a um colete, com extensão até a cintura para revelar o gibão abaixo.

Chemise= Bata usada por baixo da roupa por ambos os sexos. A versão masculina era extensa, podendo chegar até a panturrilha; E a feminina, era tipo uma camisola longa até o tornozelo.


32. Parte 02 - Casamento Real.

Parado em frente o espelho de corpo inteiro, esperava que o alfaiate terminasse de ajustar a cintura de seu gibão, de mangas longas, em tecido brocado na cor ébano. Cada botão era de ouro, a suntuosidade presente em cada mínimo detalhe. Em seguida, foi colocado por cima da peça, o jerkin de veludo azul real, sem mangas e aberto em uma gola V, no limite da linha da cintura, revelando parte do gibão. A calça de couro negra, ajustada na coxa e solta na panturrilha, se mesclava com as botas de cano alto de mesma cor e recém-lustradas.

Sobre si foi posta uma capa, de veludo azul do lado de externo e dourado por dentro, com o contorno inteiro bordado com linhas de ouro. Sob a capa, uma corrente pesada do mesmo metal, com um pingente ostentoso de safira, na altura do tórax, pouco abaixo do peito. Na mão direita, o anel que pertenceu ao tio como rei de Wing, no dedo médio, e, sobre o cabelo uma coroa, digna de seu cargo.

O rosto liso da barba recém-feita e nos olhos azul cobalto, um brilho especial.

Admirou-se satisfeito com o resultado. Estava exatamente no limite do majestoso e do frugal, como era de sua personalidade.

— Está de seu agrado majestade? — o alfaiate perguntou sorridente.

Vaidoso, Heero se encarou uma última vez, girando o corpo para avaliar-se de todos os ângulos, antes de assentir, agradado com sua aparência. Era um dia extraordinário, esperado. Relena se arrumaria para ele e, portanto, faria o mesmo por ela.

Uma batida na porta chamou a atenção de ambos e após autorizar, Heero viu seus cinco amigos adentrarem, prontos para a ocasião. Todos faustosos em suas vestimentas. A cor de destaque em cada um era: o branco em Miliardo, azul claro em Quatre, terra em Wufei, verde em Trowa e vermelho vinho para Duo.

— Viemos te buscar — o último declarou.

— Já está na hora? — se preocupou, não desejava atrasar-se.

— Não. Estamos com tempo. É que o povo está todo reunido, querem te ver e desejarem a benção.

Heero sorriu discreto, erguendo apenas um canto da boca, feliz. Despediu-se do alfaiate e seguiu os amigos para fora do quarto, iria se encontrar com os pais, no balcão e cumprimentar seu povo.

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— Relena erga os braços. — Cléo falou afobada, enquanto ajudava a amiga a vestir-se.

A chemise caía pelos ombros, com a gola bem larga, plenamente branca, seguida pela anágua e por fim o espartilho, que foi bem apertado para modelar sua silhueta.

— Meninas… Podem deixar um espaço para eu poder respirar? — Relena reclamou, fazendo Cléo e Hadja rirem, enquanto davam o último laço no cordão.

— Para ficar bonita, uma mulher tem que sofrer. — Hadja sussurrou para amiga.

— Sofrer é uma coisa, morrer asfixiada é outra. — inflou as bochechas, puxando o ar com força, apoiando a mão sobre o peito.

— Gente… Estamos atrasadas com isso. — Teyuki se pronunciou. — Relena, reclame ou morra depois, agora vamos ao vestido.

A noiva fez uma careta de desagrado. Quando as amigas se prontificaram em prepará-la para o casamento em lugar de suas habituais servas, nunca imaginou que as mesmas seriam tão carrascas. No entanto, não podia esquecer-se de que também tinha uma pequena parcela de culpa. Seu banho acabou sendo mais demorado do que o previsto, porém, a água estava tão agradável, quente e embalsamada com inúmeras pétalas de flores fragrantes.

Suspirou ao recordar, enquanto era vestida feito uma boneca pelas damas de companhia. A última peça foi o corselet, abaixo do busto, contornando os seios. Olhou-se no espelho, deslumbrada com o resultado do vestido. Quando Hadja lhe disse que seu pai tinha os tecidos ideias para seu casamento, não imaginou o quão bela se sentiria nesse momento.

O vestido era inteiro de veludo brilhante, vermelho sangria, com exceção do corselet, brocado em prata, com detalhes em vermelho. O decote era ombro a ombro, deixando todo seu colo exposto, fazendo um reduzido bico entre os seios, valorizando ainda mais a parte evidenciada e arredondada dos mesmos. As mangas eram justas até os cotovelos, se abrindo em forma de sino logo a seguir, tendo como limite uma faixa em bordado prata, um pouco antes do antebraço.

Sorriu extasiada.

— Vermelho, a cor da nobreza. — comentou Hadja, também convicta do resultado. — Agora vamos que não acabou. — declarou apressada.

Sentaram-na em frente à penteadeira, no mesmo instante que Kelly irrompeu o quarto.

— Como está indo? O povo quer vê-la... — declarou e calou, olhando para a princesa, vendo-a semipronta. — Por que ela ainda não está maquiada? — questionou assombrada.

— É que alguém… — Cléo apontou Relena com um gesto de cabeça. — resolveu dormir no banho.

Kelly olhou para a noiva, vendo-a dedicar-lhe um amplo e culposo sorriso.

— Mas estava tão confortável. — desculpou-se com falso pesar.

— Relena! — exclamou incrédula. Vendo as demais suprimirem um riso de diversão.

— Para de me censurar e venha me ajudar, porque essas loucas vão acabar me arrancando o cabelo. — provocou, alegre e animada, ganhando um tapa no ombro e rindo em resposta.

Hadja a maquiou, delineando seus olhos em negro, com um leve puxadinho nas pálpebras, e destacando os lábios bem desenhados, em bordô. Kelly e Teyuki pentearam o cabelo dourado com muito esmero, fazendo uma trança solitária no meio, atrás, após puxar uma mecha de cada lado, decorando entre os nós com uma fita de cetim, que serviu para amarrar no final. O restante do cabelo solto e liso, assim como a franja levemente separada no meio da testa.

Os acessórios foram à finalização. Uma gargantilha fina ao redor do pescoço, incrustada em diamante, fazendo conjunto com o par de brincos, da mesma pedra, tamanho médio. Um diadema de diamante e rubi, sobre a cabeça e uma faixa de cetim, bordada em prata ao redor da cintura baixa, caindo reta ao meio, em frente o corpo.

Todas sorriram satisfeitas com a imagem requintada da noiva, que lhes dedicou um genuíno sorriso que refletia em suas íris azuis, para arrematar com um abraço grupal entre elas.

A porta se abriu sem bater e Relena viu Lucrezia, olhando-a admirada.

— Vim buscá-la para ver o povo. — parou — Você está magnífica! — anunciou, sincera e emocionada, vendo a cunhada.

— Posso dizer o mesmo de você. — apontou, extasiada. — Alias, de todas.

As amigas sorriram entre si. Hadja, Teyuki, Cléo e Kelly usavam lilás, as quatro acompanhariam a princesa rumo ao noivo, como suas damas de companhia. A diferença estava nos modelos, apenas predominando a mesma cor. Enquanto Lucrezia usava azul claro com rosa.

— Vamos! — voltando à realidade e puxando o ar para se acalmar, Relena declarou, sendo seguida pelas demais.

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Lúcius se encontrava sentado em sua cama, vendo Heiren em uma cadeira costurando uma de suas chemises, concentrada e alienada ao escrutínio do príncipe. As íris verdes a observavam com minuciosidade, curioso. O hematoma recente era o que mais ganhava sua atenção, magoado consigo mesmo por não ter sabido protegê-la adequadamente.

— Onde adquiriu o conhecimento com plantas medicinais? — indagou. A voz limpa e sem segundas intenções, ganhou a atenção da jovem.

— Quando morávamos em Oz… — começou, passando os olhos castanhos rapidamente por ele e logo se focando de novo em sua atividade. — Meu pai era conhecido do apotecário do reino. — sorriu. — Eu sempre fui muito curiosa e gostava de acompanhá-lo em seu trabalho. — pausou e suspirou. — Quando minha mãe ficou doente, eu meio que me ofereci como aprendiz dele, a fim de ajudá-la a ficar boa. — o olhar decaiu e a mão parou.

Lúcius nada disse. Podia sentir a dor da jovem, a tristeza no olhar e no timbre cadenciado de sua voz. Heiren engoliu seco.

— Tivemos que sair fugidos de lá, devido às dívidas que meu pai contraiu. — mordeu o lábio inferior e voltou a costurar. — Mas, antes de partir, o apotecário me presenteou com seu livro pessoal de ervas. Eu li e reli inúmeras vezes até que ficasse gravado na memória. Comecei a fazer experiências… — suspirou. — Enfim, me especializei no assunto. — concluiu.

Lúcius manteve-se o tempo todo, encostado à cabeceira, atento, assimilando cada palavra.

— Como foi a conversa com meu pai? — finalmente se atreveu a perguntar.

Heiren o encarou, uma sobrancelha erguida, os olhos desviando dele e passeando pelo aposento, como se travasse uma luta interna, duvidosa e cansada de ter que contar tudo de novo. Por fim, baixou as mãos, apoiando-as no colo. Vencida.

— É uma longa história. — alertou e o viu dar de ombros.

— Não tenho nada para fazer. — deliberou, vendo-a assentir e puxar o ar antes de começar a narrar cada palavra dita ao rei, há três dias.

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Após cumprimentar os súditos, Heero foi levado pelos amigos rumo à sala do trono, onde seria ministrada a cerimônia. Os rapazes receberam o sinal de Lucrezia e sabiam que a noiva estava chegando, então, decididos a deixarem o amigo na curiosidade até a hora da entrada, o arrastaram do balcão. O rei e a rainha já haviam partido anteriormente.

Ao se aproximarem do local, foram guiados até a sala de recepção da rainha, encontrando ali, os pais, o tio, e o conde que também aguardavam a hora certa. Heero cumprimentou a mãe, o pai, o sogro e logo se mostrou cortês com Cássius, antes de ocupar uma das poltronas, a fim de esperar pacientemente. Seus amigos se dispersaram pelo local, em pé, silenciosos e observadores. Cássius tentava conversar com a irmã, sob o olhar de esgueira de Dante.

A poucos passos, a sala do trono estava sendo preparada para o momento. Devido à extensão do local, foi organizada para ser tanto a troca de votos, próximo ao trono. Como o local do baile e banquete, um pouco afastado do pequeno altar, mais próximo a porta de entrada.

A decoração era romântica, com castiçais de chão talhados em madeira rebuscada, com velas grossas e imponentes, iluminando todo o contorno do local e entre um e outro, arranjos luxuosos de flores. O tapete branco com bordas de ouro, estendido de fora a fora, ligando a entrada até o par de tronos. Duas mesas de buffets extensas e recheadas, de cada lado, deixando o centro em aberto para a dança e tapeçarias bordadas com fibras de ouro cobrindo as paredes de pedra.

Atrás das majestosas poltronas reais, os brasões de Sank e Wing, lado a lado, apresentados com orgulho.

Os convidados da nobreza se organizavam ao pé dos três degraus, onde o sacerdote já aguardava austero, elevado e em silêncio. Concentrado para começar a celebração.

O silêncio ocupou o local quando ouviram a voz do proclamador anunciando a família real.

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Ainda acenando, álacre, à benigna recepção do povo, Relena ergueu os olhos e viu que o sol começava a se pôr, olhou para as amigas, preocupada e viu que elas já estavam preparadas. Mandou um beijo em forma de despedida e seguiu as garotas em direção à sala do trono. O arauto estava ereto, com as mãos estendidas ao lado do corpo a sua espera.

Parou em frente o baixo homem e sorriu gentil, sendo acolhida por um diminuto esboço do mesmo gesto.

— Estou muito atrasada? — quis saber.

— Não senhorita. — negou rapidamente. — O príncipe herdeiro acabou de entrar.

Relena suspirou audivelmente, aliviada. Lucrezia passou por ela, abraçando-a e desejando-lhe toda a bênção, antes de adentrar o salão. As garotas a cobriram com um fino véu, branco, tão tênue que era praticamente transparente, deixando a parte da frente mais curta, e a de trás formando quase uma calda. Entregaram-lhe o buquê de rosas brancas e sorriram.

— Boa sorte, Relena. — as quatro falaram juntas e a noiva se colocou em frente à entrada, as cortinas fechadas para não ser vista fora do tempo.

Olhou para o homem ao lado e pode ver a aprovação em seus olhos claros, sorrindo carinhosa como um agradecimento silencioso. O homem estufou o peito e atravessou a seda que a isolava. Pôde ouvir o início de uma suave música tocada com elegância no violino e o pano se abriu. Sendo puxado de cada lado.

Ergueu os olhos e viu a corte reunida olhando-a. Do lado direito viu o rei Dante junto de sua rainha, em pé, acompanhados de seu pai, que a olhava orgulhoso. Ao lado dele, Miliardo e Lucrezia, de mãos dadas, alegres. Do outro lado do rei estava a equipe de Heero e então, focou-se a frente, vendo-o com a postura rígida e refinada. O olhar penetrante e insistente fixados em si, conforme foi se aproximando — seguida por seu séquito de companhia — pode observar o calor que emanava das íris cobalto.

Embevecido de sua beleza, Heero nem piscava. O coração batia forte dentro do peito, desejoso por dizer minha esposa. Enquanto Relena sentia o peito intumescer com a sensação de plenitude que a envolvia.

Se em algum momento, sentiu qualquer dúvida, por menor que fosse, acabou naquele instante. Dentro do azul-escuro daquele atraente e apolíneo homem, que muito em breve, chamaria de esposo.

Quando terminou o trajeto, foi recebida pela forte mão de Heero, estendida para acolhê-la.

— Oi… — sussurrou, apenas para ele. Sentindo a descarga elétrica percorrer seu corpo, olhando-o com puro amor.

— Oi. — respondeu, fazendo uso de todo seu esforço para não beijá-la ali mesmo. — Você está maravilhosa! — declarou.

E foi assim, presa nesse olhar cheio de carinho e promessa, que Relena nem ao menos percebeu em que momento havia dito o sim, nem tampouco trocado as alianças. Só soube que naquele momento, Heero erguia seu véu e pendia para frente apossando-se de seus lábios, em um beijo casto, porém intenso e prolongado.

Os aplausos preencheram o local e a voz do arauto foi ouvida novamente.

— Lhes apresento Heero St-Pier de Yui, herdeiro ao trono de Sank e rei de Wing. E sua esposa Relena Peacecraft St-Pier de Yui, princesa de Sank e rainha de Wing!

O novo casal real trocou um pactuado sorriso sincero. Depois, Heero a conduziu para fora do salão e foram cumprimentar o povo, que ovacionou e desejou: "vida longa ao príncipe Heero e a princesa Relena".

Era dia de festa, os estabelecimentos fecharam, ficando aberto apenas tavernas e restaurantes. O povo fez sua própria festa com comes e bebes, enviados por Heero, para se divertirem e aproveitarem daquele dia tão especial. Em todos os locais foram erguidas as bandeiras de ambos os reinos.

A aceitação foi gratificante e retornaram ao salão, felizes.

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Lúcius encarava novamente Heiren, que após narrar toda sua história para ele, voltou a costurar, ignorando-o. Em contrapartida, o príncipe não sabia como digerir toda aquela informação. Chegando a conclusão de que uma vez mais, julgou alguém errado, dessa vez se tratando da plebeia. Suspirou. Não soube o que dizer.

Aquele dia o estava deixando estafado.

Os gritos do povo comemorando chamou a atenção dos dois. Heiren deixou de lado a chemise e a agulha e correu para a janela, sorrindo alegre ao ver a festa que se formava pelas ruas e vielas.

— O príncipe e a princesa, já se casaram! — comentou em júbilo, perdendo o entusiasmo ao olhar para Lúcius, que se mantinha estático e entristecido, na mesma posição, sentado na cama e encostado na cabeceira. — Não está feliz… — apesar de ele ter sentido uma leve interrogação no fim de sua frase, notou que aquilo foi retórico.

O ruivo suspirou e passou a mão no rosto. Não. Ele não havia se esquecido de que aquele era o dia. Podia até mesmo dizer que alguém estava debochando dele. Era aquele típico dia que qualquer pessoa quer apagar de sua vida.

Acordou com uma jarra de água na cara, tudo bem que pediu por isso. Depois encarou dois brutamontes que além de asquerosos e desprezíveis, quase o cegaram e raptaram. Conclusão, acabou tirando duas vidas por primeira vez. Descobriu coisas das quais sempre preferiu ser ignorante, sendo obrigado a dar total razão a seu irmão. Faltou com Heiren, vendo-a se machucar e dependendo dela para ser salvo, e novamente de seu irmão. E para arrematar, Heero e Relena se casaram.

— Alguém pode, por favor, apagar minha memória? De verdade, dessa vez. — murmurou para si mesmo.

— Como? — não entendeu, apenas soube que ele disse algo, mas o viu balançar a mão, tirando a importância do assunto.

Heiren encarou-o, atenta. Não sabia a verdade por trás de tudo aquilo, mas não era nada tonta, sabia que algo se passou entre os três, Lúcius, Relena e Heero. Ela até mesmo sofreu por ele, apaixonada, sabendo que ele era casado com a princesa. E não fazia idéia de como é que as coisas mudaram drasticamente, e agora Relena se casava com o herdeiro ao trono. O que sabia, era que não importava a ela. Dentro de si, tinha a certeza de que aquele era o certo. Soube disso ao notar como o atual casal se olhava e estava na hora de Lúcius aprender a superar.

Assim como ela precisava superar o fato dele ser o príncipe e ela a plebeia.

— Levanta! — falou com autoridade, encarando-o com as mãos na cintura, ganhando um fito incrédulo de sua alteza. — Vamos, levante. — seu tom saiu mais jocoso, dando um leve tapinha no ombro dele.

Lúcius olhou para onde a menina tocou e depois para o rosto dela, julgando-a completamente delirante.

— O que é agora, insolente? — monótono, desanimado.

Heiren ergueu uma sobrancelha e meneou a cabeça em negação, inacreditada com tamanha inércia. Nem se importando com o apelido, já totalmente acostumada.

— Anda! — objetou, puxando-o pelo braço, audaciosa. — Vamos sair. — avisou assim que conseguiu erguê-lo.

Lúcius a olhou, estupefato. Sair? Ela queria que ele comemorasse aquele fatídico dia? Definitivamente, estava demente.

— Não! — caiu pesado na cama, de barriga pra cima.

Ela bufou, mas não pensava em desistir.

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Assim que passaram pela entrada, Heero — sem a capa — e Relena — sem o véu — foram recebidos com uma chuva de pétalas de rosas brancas. Ele sorriu mais com os olhos, do que os lábios, enquanto ela cintilava euforia. Sentindo-se completa. Seu esposo a puxou para uma dança. A primeira deles, naquela atual fase.

A mão direita dele a fez girar, logo a tomando por trás, segurou-a pela cintura, fazendo-a caminhar para frente, com ele a suas costas. Nenhum desviava o olhar do outro, prendidos em seu próprio mundo. A chuva de pétalas era constante, duraria até o fim do primeiro baile. Os músicos tocaram aquela primeira melodia em sua homenagem, romanesca.

Heero a fez girar de novo e suas damas, assim como Lucrezia, juntamente com seus pares, se juntaram ao baile. Os homens conduziam as garotas em giros sincronizados, toques suaves de mãos, com trocas de olhares cheio de magnetismo. Guiando-as dando-lhes sustentação pela cintura e logo as elevando ao ar, leves e graciosas. Tudo harmonicamente simultâneo.

Depois da primeira dança, Dante e Amanda se juntaram a pista, assim como os demais nobres. Auden dançou com uma baronesa, viúva e também com a filha, momento em que aproveitou para deixar claro o quão brioso se sentia ao assisti-la naquele momento.

O casal foi cumprimentado por todos, comeram em companhia dos amigos mais próximos e familiares, sentados à mesa da esquerda. Mei estava extasiada com a festa, rindo e brincando com algumas crianças de sua idade e se relacionando em especial com Heron de Guiné, o jovem aprendiz que Trowa tomou como pajem. Apesar de não pertencer à alta sociedade, o cavaleiro o convidou e garantiu sua entrada ao evento, com permissão de Heero.

Do outro lado, na mesa da direita, uma dupla de amigos muito peculiar não deixava de observar ao afortunado grupo. Cássius mantinha seu jeito despojado e bufão, fazendo piadas e ganhando as atenções dos que o rodeavam, enquanto Miksien assistia tudo calado, carrancudo, observando a todos e demorando-se mais em Lucrezia. Não conseguia tirar a mulher da cabeça e vê-la trocar carinho com o capitão da guarda o estava deixando perturbado.

— Deveria disfarçar. — uma voz feminina lhe alertou. A sua esquerda estava Cássius, então olhou para direita e pode ver a princesa Emera. Que o olhava disfarçadamente, bebendo um longo gole de vinho. — Se eles verem seu olhar insistente, vão acabar se focando em nós e não é essa a idéia.

— E desde quando uma mulher me da ordem? — agressivo, porém com tom calmo, ameaçante.

— Deveria me respeitar lorde. Ainda sou uma princesa. — altiva.

— Uma inútil, você quer dizer. — sorriu cruel. — Era para ser você se casando com o herdeiro, era para tê-lo seduzido e controlado. Mas não. Perdeu a batalha para uma mulher que ainda por cima, estava casada. — desprezou, vendo-a apertar com força o cabo da faca. — Se não é capaz de levar um homem jovem para sua cama, vai querer me dar ordens? — concluiu.

— Ele estava apaixonado. Ela já o havia conquistado. — justificou, ganhando um olhar carregado do lorde.

— Emera… Você só foi escolhida por seus dotes físicos. Não tente pensar, você não é apta para isso. — desdenhou-a e voltou a comer, irritado.

Cássius ouviu a conversa e se manteve distraindo os demais próximos. Não iria relembrar o amigo de que precisavam manter a mulher como aliada por mais um tempo, não ali. Terminou de comer e convidou a princesa de Du Bois para uma dança, precisava separá-los, ou acabariam gerando uma discussão desnecessária e inconveniente para seus planos.

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Heiren conseguiu. Arrastou Lúcius para fora da hospedaria e agora passeavam em meio ao povo, que cantava, dançava, ria e se esbaldavam em comes e bebes. Pegou até mesmo algumas coisas para eles, desfrutando da boa comida.

O príncipe não expressava nenhum comentário ou gesto, fosse de agrado ou desgosto, se mantinha neutro e calado, aceitando tudo o que a jovem lhe ofertava, entretido demais com as expressões de diversão infantil que ela expunha. Não confessaria nunca, mas aquele momento estava muito mais do que aprazível.

Ao longe, camuflados pelo festejo, se encontravam dois homens. Um escondido sob um manto longo com capuz cinza e o outro usava sua roupa normal, inteira branca, com o acréscimo de uma capa que lhe protegia do frio.

— Me diz a razão de estarmos apenas observando e não fazendo o serviço.

— Calma Smow. — falou, cobrindo-se ainda mais com o capuz. — Era para executarmos as ordens hoje, mas com eles fora da taverna, não será possível. — o mouro suspirou incomodado, cruzando os braços em frente o peito.

— Estou começando a achar que você está com medo… Otto. — frisou o nome do acompanhante, desgostoso.

— Por mim pode ir embora. — declarou ultrajado.

— Meu senhor me mandou garantir de que você faria um bom trabalho. Não irei a lugar algum. — finalizou.

Os olhos tão profundamente escuros, quanto a pele, de Smow passearam pela multidão, vislumbrando os pontos vermelho, Oorlog; amarelo, Graven; e preto, Emof fazendo a ronda, atentos também ao casal alienado aos olhares que atraiam.

— O que vai fazer? — exigiu saber e ouviu Otto bufar.

— Duvido que hoje encontre a oportunidade para cumprir a missão. Provavelmente, amanhã. Ao menos hoje, poderemos saber a que horas ela irá embora.

Smow assentiu e se endireitou, descruzando os braços.

— Sendo assim, volto amanhã.

E foi tudo o que disse em forma de despedida, dando meia volta e partindo em um caminhar tranquilo e despreocupado. Otto soltou o ar, desafogado. A pressão daqueles quatro o deixava sem saber como reagir. Insultou o ar, chutando um pedregulho e amaldiçoando Cássius por metê-lo nesse emaranhado.

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— Sabe qual é a graça? — perguntou Duo, descontraído, olhando para Wufei sentado à sua frente — É que eles ficam olhando fixamente para gente, achando que estamos distraídos. — riu.

— São uns idiotas convencidos. — Wufei soltou o ar com desdém, sorrindo cruel. — Não perdemos um movimento deles durante todo o evento.

Duo sorriu amplamente, cúmplice com o amigo.

Ao lado direito do de trança, estava sua noiva Cléo, de frente para Kelly. Ao lado delas, Trowa ao lado da ruiva e de frente para Quatre, que estava com Hadja ao lado, sentada cara a cara com Teyuki. Que flanqueava Heero, que tinha a esposa ao lado e o cunhado a frente, acompanhado de Lucrezia. E ao lado da princesa, Dante e Amanda, com Auden ao lado de sua futura nora.

O grupo principal fechado e seletivo. Animados, conversavam de coisas triviais, aparentemente, no entanto, estavam cientes de cada ato que os demais cometiam, fingindo-se de desentendidos.

— Nos expliquem algo. — Cléo entrou no assunto. — O que passará com o caso da Tey? — relanceou a amiga, que entortou a boca em um gesto de insatisfação.

— Ainda não sabemos o que Miksien pretende exigir, mas de algo podem ficar sossegadas. — Trowa agarrou a mão da namorada, olhando-a com firmeza. — Ninguém vai te tocar ou levar pra longe de mim. — informou.

O silêncio imperou entre eles, até que Heero o quebrou.

— Querem aproveitar o sacerdote? É só pedir que case vocês dois agora. — gracejou, fazendo todos rirem e Relena lhe acertar um insignificante tapa no bíceps. Ganhando a atenção do esposo, que a olhou com carinho.

— Sabe que a idéia não é má? Podíamos aproveitar, não acha Duo? — olhou para o noivo.

— A-agora? — Duo empalideceu e o grupo riu de novo.

— Será que ele está tentando fugir do compromisso? — maldosa, Hadja colaborou, ganhando um olhar mortal do se trança.

— Quatre, controle sua mulher. — Duo brincou, fingindo uma carranca de irritação.

Fazendo as garotas rirem mais.

— Por favor, meu amigo, me peça algo possível de ser feito. — o loiro comentou, aumentando as risadas e ganhando um prazeroso beijo da amada.

As provocações continuaram, até que Lucrezia trocou o tema.

— Heero, como fará com a coroação de Relena? — todos se calaram, atentos à resposta.

— Se não houver nenhum inconveniente, possivelmente iremos a Wing essa semana, talvez amanhã ou depois. — encarou a esposa, em busca de qualquer sinal de desaprovação, encontrando apenas um sorriso doce de lábios fechados. — De qualquer forma, quero ver como estão às coisas por lá.

— E nós? — Wufei quis saber.

— Vou selecionar quem vai e quem fica. — anunciou sério. — As coisas aqui não estão nada boas, não posso me dar ao luxo de sair e deixar o reino desguarnecido.

— Se não fosse o capitão, iria me candidatar para ir. Sempre quis conhecer Wing. — Miliardo expôs, entusiasmado.

— Talvez seja possível. — avisou. — Vamos conversar com os soldados e ver quem possa te substituir. De qualquer forma, não irei demorar lá. Apenas quero que Relena seja coroada devidamente e o povo a conheça. — a esposa se enganchou no braço dele, deitando a cabeça em seu ombro, extasiada por tê-lo.

— Relena, calma… Vocês terão a noite toda para se agarrarem. — e para assombro geral, o comentário partiu de Kelly, causando um pequeno retardo de compreensão, deixando a princesa rubra.

— Minha primeira ordem como rainha será te mandar à forca. — comentou com um tom sombrio e maroto, estreitando o olhar para a amiga que sorria.

O comentário foi o estopim para arrancar uma sonora gargalhada de alguns e umas risadas mais contidas de outros, porém a alegria e descontração reinando por igual.

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Quando Cássius conseguiu acalmar Emera e a levou de volta, encontrou um Miksien ainda mais irritadiço.

— O que houve agora meu amigo?

— Quem é a garota ao lado daquele cavaleiro que atende pelo nome de Trowa Barton?

— Sua quase cunhada. Lady Teyuki Yukiame. — comentou mordaz, vendo Miksien estreitar o olhar, raivoso.

— Quer dizer que meu irmão nem ao menos esquentou o caixão e ela já tem alguém esquentando sua cama?

A risada de Cássius atraiu sua atenção.

— Eu avisei.

Miksien soltou um insulto e quando ia continuar o tema algo chamou sua atenção. Uma menina de dez anos, com traços orientais se aproximou da mesa, acompanhada de um menino que deveria ter sua mesma idade. No entanto, o que o atraiu, foi a mulher com quem a jovem conversou. Kelly virou o corpo para falar com a irmãzinha e foi o suficiente para o lorde ter uma visão privilegiada de seu rosto. As pálpebras se abriram imensuráveis e inconscientemente ele apertou o braço do barão.

— Aquela mulher… — foi tudo o que conseguiu articular. Cássius seguiu o olhar dele.

— Sim. É Kelly, irmã de Jian. Ela fugiu de Oz e incrivelmente veio parar aqui. — declarou calmo.

Miksien o olhou conturbado.

— E você está calmo quanto a isso? — questionou entredentes.

— Ela não me reconheceu. Nunca viu meu rosto.

— Mas viu o meu, seu imbecil! — rosnou o mais baixo que conseguiu, fazendo com que Cássius entendesse o perigo. — E viu muitas vezes. — finalizou.

O barão suspirou descrente, para então se pôr a pensar em uma saída.

— Calma. Não se exalte. Ela não te viu ainda, senão já estaríamos rodeados de guardas. Tudo que temos que fazer é tirá-lo daqui sem que ela te veja. — olhou o lorde, que se mexia inquieto, temeroso em ser visto. — Precisamos do momento adequado... — declarou.

Olhou de um lado ao outro, refletindo, até que algo lhe chamou a atenção e sorriu vitorioso.

— Acaba de surgir nossa oportunidade. — anunciou, fazendo o amigo olhar na direção que ele via.

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Um servo se aproximou de Heero e sussurrou algo em seu ouvido, fazendo-o perder qualquer rastro de diversão e se tornar mais sério, porém, brando. Após assentir para o homem, pegou a mão da esposa e depositou um doce beijo sobre a aliança de ouro incrustada de diamante em toda sua volta.

— Chegou a hora, meu amor. — declarou e ela compreendeu, ficando tensa. — Calma. Vai dar tudo certo.

— Tem mesmo que ser assim? — quis saber, aflita.

— Sim, infelizmente. Tentei dissuadir a corte para pularmos essa tradição, mas… — desviou o olhar brevemente, antes de ganhar coragem para anunciar. — Devido ao problema com Lúcius, eles querem garantir que o casamento seja consumado.

Relena baixou a cabeça, o brilho de regozijo esmorecendo por primeira vez, ao recordar de que suas escolhas passadas seguiriam assombrando-a.

— Não fique assim. — segurou no queixo de sua amada, forçando-a olhá-lo. — Confia em mim?

Azul céu e azul cobalto se sustentaram com um brilho de cumplicidade enraizada e espontânea.

— Sempre! — e Heero lhe depositou um selinho nos lábios, levantando-se a seguir e levando-a com ele. — Está na hora. — avisou os demais e as damas de sua esposa se colocaram em pé para acompanhá-los.

Olhos azuis e mel os observavam com atenção.

— Essa é a nossa oportunidade de te tirar daqui. — anunciou Cássius a Miksien, em tom baixo.

Assim que os recém-casados saíram, seguidos pelo séquito das damas, o barão e o lorde passaram apressados pela porta de entrada, sob a mirada curiosa dos rapazes e de Lucrezia, com quem Miksien trocou um olhar intenso e uma mesura de cabeça, cortejando-a em silêncio e ganhando um olhar ameaçador de Miliardo, que a enlaçou pela cintura, demonstrando assim seu domínio.

Lucrezia em contrapartida, nem se moveu. Apenas deu um sorrisinho de canto, altiva e um adeus com um gesto de mão. Provando ao nobre que ela não estava interessada, para depois, voltar-se ao noivo e depositar-lhe um beijo nos lábios.

Dante observou a saída dos dois, estava um pouco mais afastado, conversando com Auden e o Duque do Norte, Howard. Alguns passos depois estava Amanda, conversando com algumas mulheres, ignorante ao que sucedia.

Quando passaram pela cortina de seda, Miksien olhou para a direção que dava acesso aos quartos e a viu. Kelly caminhava em sentido contrário, parecia apressada, como se tivesse esquecido algo e parou abruptamente ao vê-lo. O momento durou apenas segundos, porém a sensação que tiveram era de que o mundo havia parado.

Ela o reconheceu.

Miksien soube pelo olhar amendoado da jovem. Não havia nenhum rastro de incerteza. Apenas convicção da descoberta. Não deu tempo para ela atinar, aumentou a velocidade de seus passos e abandonou o castelo, descendo as escadas da grande porta, quase correndo e subindo sua carruagem de imediato. Cássius assistiu a cena, escondido, um pouco afastado, havia saído do raio de visão da moça ao vê-la fixar-se no amigo.

Apesar de que isso, por si só, já era um problema, não queria aumentar o alvo que já estava em meio à suas costas. Ocultou-se a espera que a dama desse meia volta para partir. A viu titubear, como se tivesse se esquecido do que ia fazer e correr de volta a seu compromisso anterior.

Aquilo não deveria ter acontecido. Devia redobrar o cuidado.

-/-/-

O quarto havia sido preparado com esmero para ocasião. Heero e Relena haviam sido separados anteriormente. O valete pessoal do herdeiro o ajudava a despir-se de suas vestes, enquanto as damas auxiliavam a princesa.

Relena sentia o corpo todo tremer, estava suando frio e completamente nervosa. Não sabia como conseguiria fazer amor diante das amigas e de mais alguns homens, nobres da alta cúpula e dois sacerdotes, sendo um deles o que acabava de casá-los.

Sentia-se ultrajada. Não era como se não soubesse da tradição, na verdade, era uma regra quando se tratava do herdeiro ao trono. No entanto, saber na teoria e viver na prática eram bem diferentes. Estava calada e até mesmo assustada. Sentiu a última peça abandonar seu corpo, ficando apenas com sua chemise e sobre seus ombros foi colocado um robe de um tecido nobre, brocado.

Quando ela entrou no quarto, também o encontrou coberto apenas por um robe.

Ele a olhou de forma carregada. Podia ler o que se passava na mente de sua esposa, entendia-a. Se aproximaram e seus ajudantes retiraram de sobre eles a mesma peça que há instantes lhes havia posto.

Ambos estavam cobertos unicamente por suas chemises, a dela chegava até o tornozelo e a dele até a panturrilha.

— Olhe apenas para mim. — Heero segurou o rosto de Relena entre suas mãos, seu olhar profundo não abandonava as íris da esposa, tentava acalmá-la e passar-lhe a segurança necessária.

Todos os espectadores do momento se posicionaram, de forma que tivesse total visão da cama. No entanto, nem todos olhavam para o casal, que pouco a pouco se aproximava do leito, entre beijos e sussurros que em nada dizia respeito aos intrusos.

As damas procuravam olhar para qualquer canto, menos para o casal. Até mesmo uma formiga andando no chão, parecia mais interessante do que o ato que se iniciava. Apenas Kelly, dentre elas, parecia ter algo realmente importante em mente, como seu encontro inesperado de a poucos instantes.

Heero deitou Relena sobre a cama, com total delicadeza, a beijava e tocava por sobre a roupa, não queria nenhum homem daquele recinto tendo uma visão privilegiada de sua mulher. Posicionou-se em meio às pernas femininas, subindo apenas o estritamente necessário de suas roupas, somente o suficiente para poder consumar o ato, sem revelar nada de sua nudez.

Não podia se dar ao luxo de explorar o corpo de sua amada, como costumava fazer, ou dar atenção a inúmeras preliminares que não só a deixavam ardendo de prazer, como lhe traziam uma satisfação única em apreciar suas expressões e gemidos. Seria um momento contido, controlado e totalmente direto.

No entanto, se recusava a tomá-la sem cuidado e causar qualquer tipo de dor a sua esposa, então, em meio a beijos, palavras doces ciciadas em seu ouvido e toques carinhosos, por cima da roupa, a preparou para o seguinte. Foi um momento constrangedor para alguns, interessante para alguns mais ousados e pervertidos, que quiseram realmente assistir e por incrível que pareça, prazeroso para o casal, quando por fim, conseguiram desligar a mente da realidade e se focar unicamente um no outro.

Quando em meio a um gemido abafado pelos beijos, que nunca cessaram, ambos conquistaram sua tão ansiada liberação. Heero deixou o corpo se acalmar, com o rosto escondido em meio à curva do pescoço de Relena, que acariciava os fios castanho-escuros do marido, ainda de olhos fechados, buscando controlar a própria respiração.

— Saiam!

A autoridade empregada naquele tom, foi o suficiente para os espectadores entenderem que o espetáculo havia terminado e o príncipe exigia um pouco de privacidade com sua princesa. Não precisou falar a duas vezes, as garotas abriram a porta e foram as primeiras a escapulirem rapidamente, seguidas pelos demais.

Heero esperou a porta fechar para então jogar o corpo para o lado, saindo de sobre Relena, para puxá-la e aninha-la em seus braços.

— Prometo que a segunda vez será melhor. — acariciou os fios dourados, ouvindo a doce risada de sua amada que o abraçava com mais força, deitada com a cabeça em seu peito, aspirando o cheiro de almíscar e couro, tão característico e viciante, que emanava.

-/-/-

Otto seguiu Lúcius até que viu Heiren deixá-lo em frente à pousada e se despedir, partindo de volta para casa com uma cesta lotada de comida que adquiriu na festa, feliz e saltitante. Enquanto o infante esperou-a virar as costas para, por fim, sorrir carinhoso, meneando a cabeça em negação, passando as mãos pelos longos fios ruivos, antes de voltar para dentro do estabelecimento.

A cena chamou a atenção do ex-guarda-real, deixando-o pensativo. No entanto, se deparou com um dia perdido. Não pôde cumprir sua missão e derrotado, teve que dar a meia volta. Tentaria de novo no dia seguinte.

Ou no outro. Mas, cumpriria com a ordem recebida.

Continua...


Bom Dia pessoal! :D

Bom, como havia prometido, estou subindo o capitulo hoje.

Quando terminei de escrever esse capitulo, não gostei. Confesso. Mas, agora que acabei a correção (que espero, tenha ficado boa), estou um pouco mais convencida. Sinceramente, ele não ficou exatamente como tinha pensado de inicio, mas quando fui escrever, foi isso que saiu. XD

Coisas bizarras, que sinto que só acontecem comigo. u.u

Eu o dedico a Jessica Yoko e Co-Star, por nunca me abandonarem. S2 Obrigada meninas.

Os demais, moram no meu coração também, não pensem que não é assim. u.u

Alias, falem comigo, os "silenciosos" também. Digam-me suas teorias, o que acham que acontecerá de agora em diante? Como viram, uma revelação virá a tona em breve... Ou será que não? :O

Deixem-me suas reviews, lindas e maravilhosas e como eu sempre digo, não se poupem nas palavras. Digam, vamos, quero ouvi-los.

Desde já, muito obrigada, tenho outro casamento para preparar. hehehe Em Beautiful Lie, agora. XD Não tão desejado ou esperado, mas... Tem que rolar.

Beijinhos gigantes e tenham um excelente domingo.

06/05/2018