A exatamente quase 3 meses após... I'm Back! hihihihihi
Desculpem-me pela demora... Foram meses agitados e muita, muita coisa tem me ocorrido ultimamente. u.u
Bom... Não vou ficar enrolando vocês, Aviso que esse capitulo possui cenas chocantes, para os mais sensíveis, por isso, cuidado, estão por sua conta em risco. hehehehehehe Para outros... será de boinha na lagoinha. shauhsuahsua
É um capitulo triste, ao meu ver, por isso ele tem tudo a ver com Agosto. HAHAHAHAHAHAHA
ANTES DE COMEÇAR, aqui vai uma pergunta: O que vocês acham que vai acontecer? (respondam isso ai no cantinho e me contem nas reviews, please. ;)
34. Declaração de guerra.
As unhas arranhavam as costas largas cada vez que o sentia mover-se dentro dela. O prazer nublou a mente de ambos, deixando-os completamente entregues as sensações que os empurrava gradativamente para o abismo da satisfação, em uma união inquebrável.
Treize a beijava com ardor, sendo retribuído em igual intensidade por Une, em mais um amanhecer ardoroso e cheio de entrega, onde seus corpos se tornam um e os gemidos preenchiam o quarto, até que a liberação tão esperada os levou ao esgotamento total, fazendo com que o cavaleiro deixasse o corpo cair ao lado dela, permitindo-a aninhar-se em seu peito, regozijada e completa.
O silêncio tomou conta deles, apenas concentrados na respiração do parceiro que, pouco a pouco, foi se normalizando. Ao mesmo tempo em que ele acariciava o sedoso cabelo de sua amada.
— Acha que o Rei demorará em vir? — a branda voz de Une interrompeu a quietude.
— Não! — Treize sorriu ao respirar o perfume dela. — Quando ele me respondeu a carta que lhe enviei, disse que aprovava nosso matrimônio e que viria em breve para ver-nos casar. Além disso, Jonathan me informou sobre o que aconteceu durante aquela noite em que passou em Sank… Heero já deve estar casado e tenho certeza que quererá consagrar Relena à Rainha de Wing. Então, deve estar a caminho. — Une assentiu e depositou um beijo perto da clavícula dele, antes de abraçá-lo mais forte, aconchegando-se. — Não se preocupe meu amor… Em breve você será minha esposa.
Sussurrou perto da nuca dela, fazendo o corpo feminino se arrepiar em deleite e a puxou para mais um beijo ansioso. Logo teriam que abandonar o leito, então, por que não aproveitarem cada instante.
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Finalmente terra. Depois de tempos em alto mar, onde a brisa marítima era sua mais fiel companheira, voltar ao lar era sempre gratificante e revigorante. Estava com saudade dos seus e principalmente de sua menina, sua única família sanguínea, quem ele mais amava no mundo, desde que sua amada lhe foi tirada pela febre.
Cavalgando seu corcel em um trote apressado, já podia avistar a imponência do castelo de Sank e seus dois homens, de maior confiança, o esperando em meio caminho. Satisfeito, deu ordens para sua caravana apressar o passo, enquanto atiçou o cavalo para correr e acabar com a distância de uma vez por todas.
O cabelo castanho-escuro, brilhante feito noite estrelada, leve e solto, movia-se no ritmo do vento, em sincronia com a capa de veludo e pele de animal. A pele queimada do sol era lisa e firme sem as arrugas da idade e o sorriso vivaz somado ao brilho nos olhos, fazia com que todos questionassem sua real idade e duvidassem do fato dele ter uma filha de dezoito anos.
A alegria genuína se apossou dele ao se aproximar de Lorenzo e Barnabé.
— Seja muito bem vindo capitão. — Barnabé cumprimentou em uma euforia sincera. Verem o seu senhor voltar para casa, para aquela grande família, era sempre motivo de festejo.
Os olhos escuros de Fayad reluziram contentados. Sim, estava em casa.
— É bom vê-los meus amigos. — afirmou olhando ao redor, reconhecendo o ambiente, aspirando com força o ar limpo do local, enquanto esperava a caravana se aproximar. — Como estão as coisas por aqui? Tem visto minha filha? — enfatizou a última questão, denotando a importância da mesma.
— Hadja está muito bem, capitão. Pode ficar sossegado. — Barnabé anunciou, vendo o semblante jovem e formoso do comerciante, relaxar em tranquilidade.
— Tão louca como sempre. — e Lorenzo gracejou com seriedade, completando o raciocínio do amigo e arrancando uma risada espontânea de seu senhor.
— Eu ficaria assustado se você me dissesse o contrário, Lorenzo.
O trio compartilhou uma olhadela cúmplice e focaram nos demais que finalmente se aproximaram deles.
— Muitas encomendas a serem entregues? — Barnabé quis saber ao ver a carruagem cheia de baús.
— Sim. Algumas. Que por sinal, antes de poder ir para casa e ver minha filha, tenho que entregar as de meu amigo Hideki. São encomendas para Teyuki, cReio que é devido ao casamento dela com Macbean. — rosnou o nome do Lorde, explicitando sua antipatia pelo mesmo. — Sinceramente, não sei onde Yukiame estava com a cabeça ao acordar esse matrimônio.
Completou ao mesmo tempo em que se colocavam-se em movimento. Barnabé e Lorenzo trocaram um olhar suspeito, que não passou despercebido por Fayad.
— Acaso tem algo que eu não saiba? — ergueu uma sobrancelha, curioso.
— Muita coisa, capitão. — expôs Lorenzo.
— Enquanto cavalgamos, tentaremos lhe contar o que tem ocorrido por aqui e devo alertá-lo, de que nem tudo são boas notícias.
Fayad franziu o cenho e apertou os dentes, acentuando ainda mais a mandíbula quadrada, alarmado e, instantaneamente, preocupado por sua filha e pelas demais meninas que ele viu crescer ao lado de Hadja, como se fossem suas sobrinhas. A cada passo que davam, os homens contavam sobre os ataques, a morte do Lorde, o casamento do príncipe e o exílio do infante, fazendo com que o comerciante oscilasse em intensidades de assombro.
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— Precisamos nos casar logo. — Trowa anunciou, enquanto puxava Teyuki para seu colo, abraçando-a fortemente pela cintura e extasiando-se com o fragrante que eram os longos e negros fios de cabelo dela.
— Eu sei. — anunciou entristecida e virou o rosto para depositar um casto beijo nos lábios de seu amado. — Mas e se meu pai se opuser… Devido a todo ocorrido recente? E se Lorde Miksien tentar impedir-nos? Talvez exigindo todo o dinheiro de volta… Eu não teRei mais um dote.
Abaixou a cabeça, sentindo o coração apertar, a angústia se apoderar dela, abraçando-a com longos tentáculos e esmagando todas as ilusões de ser feliz.
Trowa levantou a mão, segurando-a pelo queixo e a fez olhá-lo, firmando os verdes nas íris violetas de sua dama.
— Eu quero que nos casemos logo, porque nossas noites passionais podem render frutos e não aceitaRei que ninguém te ataque ou agrida de nenhuma maneira. E jamais, que chamem nosso filho de bastardo. — os olhos lilases brilharam cristalinos. — Lorde Miksien pode fazer o que ele quiser, nunca vou permitir que ele nos separe e sobre o dote… — sorriu compreensivo. — Eu não preciso de mais dinheiro do que já tenho. — separou os lábios rubros para contestar, porém ele a calou com o dedo índice. — Tudo o que preciso e quero, é que fiquemos juntos. E que você seja a minha esposa.
Sem resposta, se lançou até o cavaleiro e o beijou, carinhosa, ansiosa, dedicada. Demonstrando o quanto aquelas palavras a atingiram, querendo demonstrar para ele o quanto o amava, no entanto, as palavras, pareciam tão sem sentido e sem força.
— Eu te amo, Trowa. — e mesmo assim as usou, em um sussurro contra os lábios dele.
— E eu você Teyuki. — devolveu de igual maneira.
— Detesto interromper os enamorados, mas é sua vez de fazer a ronda com o Quatre. — a voz baixa e soprada de Duo soou bem próxima, apareceu bem no meio deles, abaixado, com a cara enfiada em meio ao beijos do casal, apenas para provocá-los.
Teyuki e Trowa se sobressaltaram com a intromissão, fazendo com que ela tivesse um escasso retardo antes de começar a rir com a ousadia do cavaleiro conhecido por sua longa trança, enquanto Trowa estReitou os olhos para o amigo e estampou a palma da mão aberta em meio à cara de Duo, empurrando-o para longe.
As gargalhadas não demoraram em chegar até os ouvidos do trio, que ao virarem para o lado, encontrarem Hadja agarrada no braço de Quatre e Cléo com as mãos na cintura, divertindo-se de com a situação.
Aquele jardim era o local de maior reunião para aqueles casais que sempre aproveitavam os instantes para se envolverem e namorarem. Onde perdiam a noção do tempo e onde memórias tão doces e agradáveis, eram criadas e retidas pela flora que as testemunhava tão silenciosamente.
— Irritante. — Trowa rosnou e Duo se fez de ofendido.
— Eu venho gentilmente avisar e sou agredido? — abriu a boca, ultrajado e teatral.
A risada dos demais se intensificou e Teyuki sorriu alegre, segurou a face do amante entre as mãos, obrigando-o a tirar o foco do amigo e olhá-la, enquanto meneava a cabeça em negação, pedindo, sem palavras, que não desse importância. Por fim, depositou um longo beijo, que mais era uma união de lábios com muita intensidade, antes de se levantar para deixá-lo partir.
— Vão e voltem em paz. Cuidado. — se despediu de Trowa e Hadja fez o mesmo com Quatre.
Duo se aproximou das meninas, abraçando Cléo pela cintura com a mão diReita e esticando o braço esquerdo para atrair Hadja e Teyuki, enquanto olhava os amigos partirem. — Vão tranquilos, eu cuido das mulheres! — falou alto e engasgou a seguir, após receber uma cotovelada da noiva, em meio à barriga.
Trowa e Quatre que se voltaram ao ouvir o anúncio do amigo, não conseguiram evitar a explosiva risada espontânea, ao verem a cena. Hadja e Teyuki riram mais contidas e Cléo olhou de esguelha, com superioridade para o namorado, enquanto abanava a mão em despedida para os outros dois cavaleiros, que gritaram um agradecimento a ela e logo desapareceram pela grande porta.
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— Não seRei hipócrita em dizer que lamento a morte de Macbean. — Fayad anunciou para seus dois homens de maior confiança. — Ele e eu nunca nos demos muito bem, no entanto, preferia a presença dele que a volta de Miksien. — bufou, contrariado. — Esse homem é muito pior que o irmão e sem dúvida um real problema.
— Sim... — Lorenzo concordou. — Tampouco me surpreenderia que tivesse o dedo podre dele nesses ataques ao Reino.
— Não diga isso… Podem acabar te acusando de difamação contra um nobre, além do mais, ele ainda não estava aqui quando tudo começou. — Barnabé procurou ser sensato.
— As palavras de Lorenzo não me afligem, Barnabé. O que sim me assusta é quão verdadeiras elas poderiam ser. — Fayad retomou a palavra, analítico. — Você diz que ele não estava aqui, ainda assim, como Lorenzo, o vejo totalmente capaz de algo tão atroz… O que nos levanta a questão de que ele pudesse ter um cúmplice… Mas…
— Fogo! — a exclamação de Lorenzo cortou o monólogo do capitão, atraindo a atenção de todos para a imensa propriedade ardendo em chamas.
Os olhos de Fayad se arregalaram por uma fração de segundos, até que o cenho se franziu e a expressão relaxada e divertida se converteu em uma carranca sisuda e agressiva. Com toda a autoridade que lhe caracterizava, voltou-se para seus homens e ordenou que a caravana se dirigisse apressadamente para o castelo, a fim de chamar ajuda, enquanto uns poucos homens, juntamente com Lorenzo e Barnabé, empunhavam suas espadas e o seguiam rumo a batalha.
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Lúcius saiu da pousada em busca de ar. Heiren não havia voltado mais, desde aquele beijo e se sentia sufocado em seu quarto. Ajeitou sua capa sobre os ombros e quando foi puxar o capuz por sobre a cabeça a viu, afastada alguns metros da entrada, sentada em um pedaço de tronco ao lado do galinheiro, olhando para o sentido contrário ao dele. Pensativa.
Suspirou e caminhou firme, mas receoso até ela.
A morena só notou a proximidade de alguém, quando o mesmo pisou em um graveto, sobressaltando-a em sua distração. Voltou-se para o lado, encontrando as botas pretas e logo subiu o rosto, para deparar-se com um par de olhos verdes que a encaravam com total atenção.
— Alteza? — em um pulo se colocou em pé e o reverenciou, desviando o olhar.
— Por que está sendo tão formal? — por mais que ela sempre o chamasse de alteza, era diferente, havia distanciamento e seriedade naquela vez e isso o incomodou.
— Não somos amigos e nem tampouco íntimos, alteza. — de cabeça baixa, informou e foi obrigada a erguer os olhos ao ouvi-lo rir ironicamente.
— Depois de tudo o que já passamos? — questionou sarcasticamente. — Acho que você já se tornou mais íntima do que eu havia planejado. — expôs, torcendo a boca em uma expressão enigmática.
Heiren não soube o que responder. Negar que havia algo mais entre eles do que o simples trato de um príncipe com uma plebeia seria uma mentira, mas até onde ela poderia se iludir com aquilo?
— O que…
— Eu sinto muito! — a frase dela foi cortada e se espantou com a resposta dele, vendo como Lúcius ficava sem jeito e, envergonhado, desviava o olhar, passando a mão na nuca. Não houve resposta e quando as íris esverdeadas buscaram a face feminina, viram-na boquiaberta e estática. Riu sem graça. — Eu não deveria ter te beijado como fiz. Desculpe.
Heiren balbuciou algo, sem realmente saber o que dizer, desnorteada com a nova faceta do ruivo e sentindo o coração disparar e seus sentimentos explodirem confusamente. Atinou apenas em assentir e não pode evitar uma nuvenzinha de decepção nublar o castanho de seus olhos. Acaso ele se arrependia de tê-la beijado ou de tê-lo feito como fez?
Ela queria que ela se arrependesse?
— Porém afirmo que voltaria a te beijar em qualquer outra oportunidade. — e a resposta veio rapidamente.
Ergueu os olhos, vendo como ele acabava de molhar os lábios, em um ato reflexo e a encarava fixamente, sem nenhum vestígio de dúvida. Heiren sentiu as pernas fraquejarem, no entanto se manteve firme. Lúcius encurtou um pouco mais a distância entre eles, prendendo o olhar dela no dele, pendeu para frente e parou. Engoliu seco de se endiReitou, olhando para o lado.
O silêncio Reinou, ela sentia o coração bater tão forte que sua respiração ficou ofegante, ao mesmo tempo em que ele não soube o que fazer, até que seus olhos se abriram pela impressão e seu corpo inteiro endureceu, chamando a atenção da camponesa, que em lugar de perguntar, olhou para onde ele olhava com tanto espanto, vendo a fumaça grossa e espessa que subia ao céu.
— Corra até o castelo e avise meu irmão. — deu a ordem e correu montar um cavalo selado que estava ali amarrado em frente à taverna, sem a menor preocupação em descobrir a quem o animal pertencia.
Sobressaltada, Heiren correu para cumprir com a petição.
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Os bestiais que estavam vigiando a entrada da mansão Yukiame nem viram de onde veio à espadada que lhes separou a cabeça do corpo. No máximo da velocidade que os cavalos suportavam, Fayad e seus homens irromperam a propriedade e começaram a aniquilar todos os que os atacavam.
Era o caos, o inferno na terra. O chão inteiro pintado de carmim, os gritos viscerais de homens e mulheres sendo torturados, o cheiro metálico incomodava as narinas dos recém chegados e a tristeza pairava no ambiente. Era aterrador.
Fayad e seus homens se separaram a fim de socorrer os poucos que ainda tinham vida.
Barnabé, junto com mais um colega foi pela esquerda, encontrando cinco homens violentando uma menina. A ira se apossou deles e sem piedade atacou, eliminando aqueles miseráveis causando ferimentos que os fizessem sofrer e logo ajudando a garota para continuarem a busca por sobreviventes.
À diReita foi Lorenzo, junto com mais um homem, empunhando o longo e afiado facão na mão diReita e a expressão raivosa, avançava matando todos aqueles que o viam torto. Salvando um ou outro servo, infelizmente, mesmo impedindo as torturas, sabia que a maioria não sobreviveria até o anoitecer. Pode chegar a tempo de salvar uma criança de ser agarrada para fazerem sabe-se lá o que. Só de tentar imaginar para que a queriam, um mal estar se apoderava dele, o tornando ainda mais agressivo.
Acertava o facão na garganta de uns, perfurava o estômago de outros, fincava de baixo para cima começando pela papada até atingir o cérebro de alguns. Seu parceiro usava um machado para se encarregar dos outros, enquanto ele estava ocupado.
E juntando os sobreviventes na casa onde usavam para estocar mantimentos, seguia avançando, rodeando a propriedade e dando-se conta de que muitos daqueles que iniciaram a anarquia já não estava ali, deixando para trás apenas o lixo descartável e desumano.
Encontrando-se com Barnabé e seu acompanhante na parte detrás do casarão.
Fayad, juntamente com mais dois, haviam adentrado a casa. Conforme iam avançando, visualizavam a destruição, móveis pegando fogo nos cômodos, mortos espalhados pelos corredores, seus semblantes paralisados eternamente em puro terror e agonia. Retirou um lenço de dentro do bolso e levou ao rosto, estava difícil de respirar devido a mescla de fumaça e cheiro de morte.
O ataque não era recente, pela aparência, já havia começado há um tempo, só não fazia ideia, de como o fogo não consumiu todo o local.
Entrou no que seria o escritório de Hideki e encontrou todos os cofres saqueados, todos os pergaminhos destruídos e jogados em um canto da sala, e sobre a escrivaninha toda vazia, o único lugar ainda inteiro, um pequeno baú fechado e uma nota a sua frente. Decidiu que veria isso mais tarde, deu meia volta e correu para subir os degraus.
Encontrou mais do mesmo que viu no andar debaixo e foi abrindo quarto por quarto em busca de sobreviventes, nada, apenas o silêncio opressivo. Seu coração apertou e temeroso, abaixou a última maçaneta, pedindo internamente para que encontrasse os pais de Teyuki vivos.
Seu pedido veio tarde demais. O quadro que se formou a sua frente foi arrepiante.
A tristeza o inundou de maneira asfixiante e a expressão destemida deu espaço à desolação. Com passos curtos adentrou o local. Sobre a cama, estava a senhora Yukiame nua, cheia de hematomas, amarrada e dilacerada. Ao lado diReito, amarrado em uma poltrona com visão privilegiada da cama, estava Lorde Hideki, de onde provavelmente o fizeram assistir, impotente, todas as atrocidades que faziam a sua mulher.
Com a boca costurada grosseiramente, provavelmente para que não gritasse e a as pálpebras cortadas para que não fechasse os olhos. A cabeça pendia para frente e o sangue ainda jorrava da jugular, o que mostrava que foi o último a morrer, degolado, a mercê de uma morte deplorável.
Fayad sentiu os olhos inundarem com lágrimas de ódio. A raiva, crescendo de maneira tão feroz e dominadora.
Barnabé, Lorenzo e os demais invadiram o quarto, impactando-se com a cena e vendo o abalo no semblante de seu chefe, que sentia o desejo de vingança crescer perigosamente em se âmago. Amargado pela incapacidade de reverter àquela cena. Se tão somente tivesse chegado antes.
Pegou uma manta dos pés da cama e cobriu a mulher, protegendo-a um pouco de sua humilhação, mesmo que já não fizesse nenhuma diferença.
Olhou o velho amigo e se ajoelhou para começar a desatar as cordas, não podia deixá-lo ali, seria inaceitável. Garantiria que ambos tivessem um funeral apropriado e buscaria até no inferno o culpado te tal atrocidade para fazê-lo pagar, e foi nesse momento que se recordou do papel sobre a mesa, ao lado do baú.
— Senhor… — Barnabé pousou a mão no ombro de Fayad. — Nós cuidamos disso.
Sem demora, Fayad assentiu e abandonou o recinto, apressadamente chegou ao andar debaixo e foi direto para o escritório, pegou a carta de sobre a mesa e abriu:
Esse é o dote adequado a uma prostituta nobre.
Sem nenhuma assinatura. Abriu o cofre e encontrou umas poucas moedas de prata. Então, entendeu que tudo aquilo só podia ser a mando de Miksien, que não apenas se vingou de Yukiame, culpando-o pela morte de Macbean, como também levou toda fortuna da família como pagamento.
— Desgraçado. — golpeou a madeira em uma explosão de ira.
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Lúcius chegou até a propriedade de Hideki e viu o cenário pavoroso.
Aterrorizado, desmontou do cavalo, adentrou um pouco o local e parou receoso. O coração acelerado e tristeza e o horror estampado no rosto.
Era àquilo a que seu irmão se referia? Ele podia se julgar culpado por aquelas mortes? Teria impedido tudo aquilo se tivesse tão somente dito a verdade a Heero?
Odiou-se por isso. Ouviu o cavalo, que emprestou sem permissão, relinchar e soube que a cavalaria estava chegando. Segurou as rédeas do animal e correu se esconder, não queria ser encontrado, sentia vergonha.
Protegido por algumas árvores um pouco afastada dos muros que delimitavam a mansão, pode ver os soldados do Rei invadirem apressados. Baixou a cabeça e soube que não deveria estar ali. Interiormente, desejou que pudessem salvar alguém, pode ver como do lado esquerdo da construção, o fogo começava a baixar, e a fumaça esbranquiçada subia, sinal de que já começavam a apagar as chamas.
Subiu de volta no alazão e cavalgou de retorno para a pousada, estranhando o fato de não ter visto Miliardo ou seu irmão liderando os soldados, ignorante ao fato de ter sido avistado por um dos soldados.
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— Relena? — o cenho franzido de Lucrezia ao encarar a Rainha, chamou a atenção de todos os que estavam dentro da carruagem. — Você está bem?
— Está pálida... — a voz infantil de Mei concluiu o raciocínio da guerReira.
Sem imutar-se, Relena desviou os olhos da paisagem, passou por Mei, sorrindo levemente, e focou-se na cunhada, calma, porém, visivelmente perturbada.
— Não sei… De repente me deu uma angústia. — declarou introspectiva.
— Acho melhor darmos uma parada para descansar. — Kelly apresentou a idéia, que foi prontamente acatada por todos.
Auden chamou por Heero, colocando a cabeça para fora da carruagem e informou o que estava ocorrendo. O genro baixou o corpo para ver a esposa, que continuava quieta, observando o sentido contrário ao dele e preocupou-se. Em seguida, anunciou a todos que parariam por alguns minutos para descanso e o cocheiro encontrou uma sombra para que as mulheres pudessem ficar mais cômodas.
Heero foi o primeiro a desmontar, correndo para abrir a porta do carro e auxiliar a esposa, levando-a para longe dos demais, a fim de descobrir o que se passava.
— Não sei dizer… — a doce voz dela informou, lendo a aflição nos olhos azuis-cobalto do esposo. — Eu estava relembrando coisas passadas, momentos divertidos e quando me lembRei das meninas… Me deu uma angústia.
Heero suspirou, parcialmente aliviado. Ao menos ela não estava passando mal com a viagem e nem doente. Acariciou os fios dourados com total devoção, analisando o semblante angelical com completa atenção, notando-a mais pálida do que de costume e a ansiedade nublando as íris azuis-céu.
— Eu acredito que esteja tudo bem. Os rapazes estão lá, meu pai ordenou que buscassem Miksien, tenho certeza que qualquer problema eles podem resolver. — sua voz soou ponderada e mansa, tentando de apaziguar a inquietação que a preenchia.
Relena o olhou esboçando um sorriso fraco, contudo, agradecida. Levou as mãos até o peitoral, revestido pela armadura coberta pela túnica com o símbolo de Wing e acariciou o ponto sobre o coração, depois deslizou os braços pelas costelas do marido e o abraçou, aconchegando-se sob aqueles braços fortes que sempre a faziam sentir-se protegida... Mesmo assim, aquela sensação não queria deixá-la em paz.
— Sinto que algo muito ruim já aconteceu. — murmurou para que só ele escutasse.
Heero franziu o cenho, apreensivo. Abaixou a cabeça e beijou os cabelos de Relena, sem soltá-la do abraço. Não disse mais nada pelos próximos segundos, deixando-a acalmar-se o quanto quisesse e só quando sentiu que ela desfazia o abraço é que anunciou:
— Assim que chegarmos a Wing, a primeira coisa que faRei, será enviar uma carta para Sank e perguntar o que está acontecendo.
Relena sorriu, finalmente mais aliviada e ele sentiu-se mais leve, por vê-la mais calma.
— Obrigada. — sorriu com os olhos e ergueu o rosto, instigando-o a beijá-la, convite prontamente atendido.
Heero selou os lábios rosados de sua amada, em um toque casto e cheio de amor, desejando internamente que pudessem chegar logo à pousada que delimitava a fronteira e o meio do caminho para que ele pudesse amá-la como gostaria. Ao se separarem, ganhou um resplandecente sorriso.
— Agora vamos, porque logo mais teremos que parar para comer e não quero que atrase a viagem. — piscou um olho para ele, que entendeu o desejo silente e subliminar através do olhar brilhante e a ansiedade em ficarem a sós.
Levantou o canto da boca, em um meio sorriso, concordante. Segurou-a pela mão e após deixar um beijo sobre o dorso feminino a puxou rumo a carruagem. Todos conversavam entre si, enquanto esperavam que o casal terminasse de conversar.
Mei foi a que os avistou primeiro, avisando aos demais, com sua euforia tão brilhante e entusiasmada.
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Os garanhões corriam a toda velocidade, eliminando rapidamente o caminho e desacelerado ao aproximarem-se de Rellan, que parou assim que avistou os cavaleiros Trowa e Quatre cavalgarem em sua direção.
— O que aconteceu? — a preocupação exigente na voz do loiro fez com que o soldado não tardasse em explicar.
— Atacaram a família Yukiame. — suspirou com pesar. — Foi uma carnificina, sobraram poucos, tão feridos que não sabemos se sobreviveram até o cair da noite…
— E o senhor e a senhora Yukiame? — a voz de Trowa soou tão grave e monocórdica, que puderam sentir a tensão sendo controlada com esforço.
Rellan abaixou a cabeça, condoído e meneou em negação.
— Ambos foram brutalmente assassinados. — encarou Trowa. — Foi cruel. O sadismo usado foi desumano. — sincerou-se. — Os corpos foram os primeiros a serem retirados e levados para o castelo, acompanhados pelo capitão Fayad, — voltou-se para Quatre — que foi o primeiro a chegar e, junto com alguns de seus homens, matou os bandidos que ainda restavam.
Após terminar o relato, ambos se focaram em Trowa, que parecia alheado a eles e aos relatos.
— Você disse o capitão Fayad? — Quatre puxou a atenção para si, permitindo o amigo de ter seu espaço para por a mente em ordem.
— Sim, ele vinha visitar ao Lorde e viu o fogo.
— E sabe como entraram?
— Me parece que havia uma vulnerabilidade na parte detrás do muro, uma falha na segurança, que foi por onde invadiram, pegando a todos de surpresa.
— Foi um ataque bem planejado.
Quatre concluiu e Trowa, deu meia volta, instigando seu cavalo a partir em retirada com urgência rumo ao castelo, sem se importar em despedir-se. Quatre e Rellan trocaram um breve olhar e seguiram o primeiro, ligeiros.
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Os olhos lilases percorriam o local, demoradamente, incredulamente. O ar parecia denso demais para se respirar, seu coração doía de maneira sufocante e sentia todos os membros de seu corpo rijos, dormentes. O corpo não se movia, a mente estava um caos e a realidade mais parecia um pesadelo.
Piscou e a vista embaçou devido à quantidade de lágrimas acumulada, nem sequer havia se dado conta de estar chorando. Não estava ciente de absolutamente nada, nem sequer soube como havia ido parar ali, sua mente apagou os últimos acontecimentos, deixando apenas alguns resquícios de cena.
Recordou de ver a amiga correr para abraçar o pai logo que o viu. Sorriu ao ver a cena do reencontro, como ele a apertou fortemente nos braços rodando com ela no ar, depois a beijando na testa com todo carinho, e foi então, que ao vê-lo desviar o foco de Hadja e focar-se nela, soube que algo estava errado. Não se lembra das palavras que escutou do senhor Fayad, apenas de sair correndo em direção a grande sala do trono, sem se importar com os chamados das amigas e assim que passou pela porta, paralisou.
Seus olhos viam, mas não concebiam.
Piscou várias vezes e sentiu-se tremer, a cabeça movia arrítmica e a boca se abria e fechava sem conseguir articular palavra.
Pouco a pouco as pessoas foram dando-se conta de sua presença e o olhar de compaixão foi trazendo-lhe lucidez, obrigando-a a ouvir o burburinho ao redor, aumentando a intensidade paulatinamente. Foi então que notou estar sendo amparada, forcejou para desvencilhar-se, sem se preocupar em saber de quem se tratava.
Com passos inseguros, avançou em direção aos corpos de seus pais, erguendo as mãos para tocá-los, retirando o lençol que os cobria, enquanto as coisas começavam a ter vida, pode finalmente dar-se conta de seu próprio pranto. Aquele choro tão lancinante, que parecia vir de outra pessoa, lhe pertencia. Desesperada, caiu de joelhos no chão, entre os corpos de seus pais e permitiu-se vagir em tormento.
— Teyuki… — a voz embargada e falha de Hadja soou receosa.
Obrigou-se a endiReitar-se, saindo da posição de quatro apoios ao qual estava e olhou por sobre o ombro, sem levantar do chão e viu Cléo ser abraçada por Duo, chorando copiosamente, Hadja se forçando em engolir a dor para poder consolá-la e Fayad a olhando, como quem espera o momento certo de se aproximar. Apenas negou com a cabeça para a amiga e voltou a olhar o pai e a mãe.
Tocou a mão fria deles, sentindo saudades do calor constante e acolhedor. Ergueu os olhos e desviou a seguir, não conseguia olhar por muito tempo para o rosto do pai, vendo-o tão desfigurado e o terror na face de sua mãe, antes tão serena, faziam-na sentir náuseas. Levou a mão até a boca, abafando um grito proveniente de seu âmago.
— Por quê? — foram as palavras mais claras que ela conseguiu pronunciar.
Focada em seus progenitores, alienada a tudo e todos, não viu o olhar que Hadja lançou ao pai, buscando uma resposta para aquela brutalidade, encontrando nele, um olhar muito conhecido, era o olhar de sanha, que poucos sabiam distinguir no rosto do capitão, sempre tão discreto com esse tipo de sentimento, contudo, para ela sempre era um livro aberto. E soube que aquilo havia sido vingança contra a família Yukiame e apenas uma pessoa lhe veio à mente.
Não aguentando mais a necessidade de consolo, sabendo que Teyuki não queria ninguém por perto naquele momento, correu em direção ao pai, enganchando-se nele, sendo acolhida com todo o amor que sempre lhe foi dedicado. Recebendo um beijo no topo da cabeça e sentindo como o agarre se tornava ainda mais forte, mesmo que suas grossas lágrimas o tivessem molhando.
— Isso não vai ficar assim. — ouviu o sussurro em seu ouvido. — Vamos vingá-los e cuidar da Teyuki. — Hadja tentou sorrir em vão, e logo assentiu como resposta para o pai, apertando-se mais a ele.
Ninguém notou o olhar gélido e sisudo do Rei Dante, que observava aquele penoso quadro que se formava a sua frente, desde a porta de entrada, acompanhado de sua Rainha, que lutava arduamente para manter a compostura e não derramar-se em lágrimas como as demais meninas.
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— Foi um verdadeiro massacre, exatamente como ordenou. — a voz monocórdia de Emof anunciou a novidade para Miksien, que estava completamente satisfeito, vendo o cofre de moedas a sua frente.
— Ele sofreu? — ergueu os olhos para o homem de preto a sua frente, de postura ereta e disciplinado.
— Muito. Ao ponto de implorar pela morte.
O riso rouco quebrou o silêncio, revelando a alegria do mandante.
— Uma lástima que eu não tenha presenciado isso. E os delinquentes que você chamou para ajudar?
— Todos descartáveis e de baixo custo. CReio que há essa hora, devem estar todos mortos. — piscou e manteve a mesma expressão neutra.
— Muito bem. Já pode ir. E mande Oorlog e Graven se ocuparem da segurança. Não quero ter más surpresas por aqui.
Com uma rápida e bem executada reverência, sem nada mais a acrescentar, Emof deu meia volta e se retirou do quarto, deixando o Lorde em companhia de Smow.
— Como vão as coisas com os donos da pousada?
— Estão trabalhando em silêncio. O filho deles já começou a passar mal com a comida, o que vai deixá-los bastante ocupados para não lhe atrapalhar.
Miksien assentiu agradado.
— O que você colocou na comida do garoto? — olhou para o de branco.
— Acredite em mim, você não vai querer saber.
Sorriu e puxou o ar, espreguiçando-se, contente.
— Cássius deve estar possesso com a bagunça que eu causei. — sorriu.
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Trowa irrompeu a sala do trono e percorrendo o lugar com os olhos, encontrando-a ainda ajoelhada em meio aos corpos de seus pais. Sentiu o coração doer ao vê-la naquela situação e por mais que sua mente quisesse correr até Teyuki, não conseguiu comandar o corpo e com o andar compassado e apreensivo, foi em direção a ela, sem desviar os olhos para nenhum lado.
Parou as costas dela e olhou o casal Yukiame, sentindo a revolta se apossar de seu interior. Tanta raiva, tanta selvageria havia sido empregada sobre eles. Odiou ainda mais Miksien, odiou não ter estado por perto e salvado os sogros e odiou ainda mais, o fato dela estar vendo os corpos tão expostos e deformados.
Suas pupilas dilataram em indignação e percorreu ao redor, notando os lençóis caídos ao chão, agachou recuperando-os e cobrindo os corpos, em uma atitude cheia de vigor, chamando a atenção de Teyuki, que ao vê-lo, ficou perdida por alguns segundos, observando-o em sua ação, até que notou o que se passava, tentando impedi-lo de tampa-los.
— Não, não faça isso. — em prantos, tentou alcançar o tecido branco para retirá-lo de cima de seu pai, sendo impedida pelo agarre do namorado.
— Já chega! — impetuoso, Trowa a segurou pelos braços, obrigando-a a olhá-lo. — Já basta. — sussurrou, amenizando seu agarre e sua voz, vendo-a com pesar. — Eles já não estão ali…
Teyuki ergueu o rosto molhado e finalmente entendeu o que ele quis dizer. Relanceou uma última vez o pai e a mãe, encobertos completamente com o lençol branco e desmoronou em um pranto visceral, permitindo-se ser envolvida pelos braços fortes do cavaleiro, chorando em seu peito, tendo as costas acariciada com total diligência.
— Eu sinto muito. — abaixou o rosto, aproximando-se do ouvido dela e mussitou carinhoso e sincero, sentindo-a apegar-se mais. Apertando-a, protegendo-a.
Quatre entrou e viu a cena do amigo, abaixou a cabeça, sentindo a tristeza se apoderar de seu ser, olhou ao redor e encontrou Duo consolando Cléo, que não parava de chorar copiosamente e logo depois, Hadja abraçada ao pai na mesma situação, sem pensar duas vezes, caminhou até a noiva.
— Capitão Fayad. — cumprimentou com polidez e focou-se em sua noiva, recebendo um fito decaído, daquela que sempre era tão forte e alegre.
— Sir Quatre… — o mais velho mensurou a cabeça em comprimento e focou-se em sua filha, permitindo-lhe que fosse com seu amado. — Eu preciso falar com o Rei. — anunciou e viu a morena concordar, desvencilhando-se lentamente.
— Você voltará? — mais que uma pergunta, foi uma exigência, uma necessidade.
— Não vou a lugar algum. — acariciou o rosto pálido de Hadja e despediu-se de Quatre com um toque no ombro, antes de partir, ereto, de cabeça erguida e com passos decididos em busca de Dante. Havia um detalhe que ainda não havia sido comunicado ao Rei e deveria fazê-lo.
Quatre esperou o sogro se distanciar um pouco para finalmente abrir os braços, convidando Hadja a se aninhar nele, sendo respondido prontamente.
— Isso… Isso foi… — com voz falha, tentou formular uma frase, inutilmente.
— Shh… — soprou calmo. — Eu sei. — acariciou o cabelo dela. — Nós vamos pegá-lo, pode ficar tranquila, nós vamos encontrar ele e fazê-lo pagar por cada maldade.
Hadja anuiu, escondida na curva do pescoço dele, agarrada em seu amado, deixando-se consolar e sabendo-se protegida, sem conseguir apagar da mente a imagem da amiga mais nova, derrubada em meio aos corpos.
Cada casal concentrado em sua tristeza e pensamentos, alienados ao olhar de desgosto que Cássius lançava ao cenário. Os olhos azuis percorriam cada um, com atenção, focando-se nos corpos do casal Yukiame, cobertos pelo branco e nos poucos sobreviventes que eram atendidos pelo médico real, em um canto mais afastado.
Já havia visto os demais mortos que foram colocados em outro local, apenas o casal nobre foi levado ali, por respeito à filha.
— Você parece contrariado. — Emera comentou, vendo com repugnância os mortos. — Acaso está se compadecendo deles?
Cássius revirou os olhos e deu meia volta, encarando-a ferozmente, o escárnio mesclado com a falta de paciência dominavam a expressão do Barão. Deu um passo em direção a ela, fazendo-a concentrar-se nele e logo passou reto, apressado em direção a seu quarto, sendo seguido pela loira. Nenhuma palavra foi dita até que entraram e fecharam a porta do cômodo.
— Emera querida, não seja mais estúpida do que normalmente. — desdenhou, ganhando um olhar mortal da mulher.
— Como se atreve? — rosnou. — Gostaria de recordá-lo de que ainda sou uma Princesa.
Cássius riu ao mesmo tempo em que se servia de uma taça de vinho.
— Claro que sim… Não me esqueci disso, Princesa. — debochou, irritando-a, mas continuando antes dela reclamar. — Não estou nem um pouco condoído por aqueles insignificantes. — estreitou os olhos, atenta. — O que me irrita é a falta de classe de Miksien. — bebericou do líquido vermelho.
— Aonde quer chegar?
— Precisava mesmo toda essa barbaridade? Esse palco de aberração? — bufou. — Gosto da discrição e ele não sabe o significado dessa palavra. — Emera o encarou, incrédula.
— Como foi que se tornaram aliados? — Cássius observou-a com altivez e cinismo.
— Isso minha cara, não é de tua incumbência. — bebeu tudo de um só gole, colocando a taça sobre a bandeja com energia.
— Você parece preocupado… — constatou analítica.
Cássius moveu a cabeça, zombeteiro, rindo com malícia.
— Com essa perspicácia será uma grande Rainha. — ironizou.
— Você é um estúpido Cássius. — cruzou os braços, ofendida. — Estou apenas tentando ajudar. — resmungou.
— Você não pode me ajudar. — definiu. — Nesse momento, você mal consegue me excitar. — concluiu mordaz.
Pasmada e boquiaberta, a Princesa se aproximou do Barão e tentou acertar-lhe um tapa no rosto, tendo a mão interceptada no ar.
— Não se atreva. — ameaçou entredentes.
— Respeite-me.
— Você não passa de uma prostituta com título de realeza. — segurou-a pela mandíbula, exercendo uma leve pressão, enquanto Emera se debatia, tentando se soltar. — Não se esqueça princesinha, foi você que veio até mim, jogando-se na minha cama em troca de favores. — se aproximou ainda mais. — Sou eu quem comanda e não você e seu título inútil. — depositou um selinho nos lábios dela e logo a empurrou para longe, fazendo-a cair sentada sobre o sofá.
— Desgraçado. — resmungou e Cássius riu com irrelevância.
— E você já sabia disso.
Em um ímpeto, se levantou e pulou nele, mordendo-o no braço e sendo empurrada sem nenhum esforço. Cássius se aproximou pronto para acertar-lhe um forte golpe no rosto e parou, sem completar o ato, vendo-a toda encolhida com a mão erguida para se proteger. Respirou fundo e se controlou. Ainda não era a hora de descartá-la, precisava se acalmar e contornar a situação, não podia correr o risco dela traí-lo.
— Uma beleza como a sua não pode ser prejudicada. — sorriu, assustadoramente gentil. — Tudo ficará bem. — se aproximou, segurando o rosto dela entre as duas mãos, com cuidado e logo se abaixou para depositar-lhe outro beijo, um selar de lábios, demorado e intenso.
Assustada, se deixou levar, retribuindo conforme ele demandava, sem tomar a iniciativa, até que o contato se rompeu.
— Venha essa noite. — prendeu as íris verdes em seu azul insistente e autoritário. — Prometo me fazer perdoar. — acariciou o rosto dela com o polegar, vendo-a concordar, resignada.
Uma batida na porta acabou com a proximidade. Colocando sua expressão mais inocente cheia de insatisfação falsa, abriu uma fresta da porta, em sua melhor atuação de quem está desolado pelo ocorrido.
— Sua majestade o Rei exige vossa presença em sua sala particular. — anunciou o servente.
— Irei imediatamente. — fechou a porta e olhou para a Princesa de Dubois. — Espere um pouco antes de sair, não deixe ninguém te ver.
Ela assentiu e Cássius se alinhou em frente do espelho antes de partir, deixando a mulher sozinha e preocupada, desmontada sobre o sofá, cheia de temores e dúvidas.
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— Isso estava na mesa dele? — o olhar austero que Dante lançou para o capitão Fayad, desviando brevemente das linhas do bilhete, desestabilizaria qualquer pessoa menos corajosa.
— Sim. Junto com o pequeno baú. — apontou o objeto aberto, com algumas poucas moedas.
Dante suspirou pesado, colocando o pedaço de papel sobre a mesa, incomodado relanceando de esguelha Amanda, que ocupava a cadeira do Rei, cedida pelo marido, que se compadeceu ao vê-la tão abalada com os últimos acontecimentos, preferindo ficar em pé caminhando de um lado ao outro na sala, feito um animal enjaulado, buscado uma solução para tudo aquilo.
— O que os soldados disseram sobre Miksien essa manhã? — Amanda direcionou a pergunta ao marido, recordando-se do fato de que, após despedir o filho, enviaram soldados para prender o Lorde, só que não teve mais notícias sobre o tema.
— Encontraram apenas mais tragédia e nem sinal dele. — foi a resposta concludente com a qual o Rei deixou claro não aceitar mais perguntas.
— Se me permite majestade, coloco meus homens a disposição da coroa para perseguir o Lorde. — com toda polidez, Fayad anunciou, ganhando um olhar de aprovação por fim.
— Leve esse dinheiro a Teyuki e não diga nada sobre o bilhete. — Amanda tomou a frente, falando diretamente com o capitão. — Ela não precisa ler tais absurdos, menos nesse momento.
— Concordo plenamente minha Rainha. — com uma leve reverencia, o comerciante recuperou a caixa de prata de sobre a mesa, bem na hora em que um guarda pedia permissão para anunciar a chegada do Barão.
— Entre! — o Rei ordenou e focou no capitão. — Passe a noite conosco e pela manhã conversamos mais. — Fayad assentiu. — Agora pode ir ficar com sua filha, obrigado por sua ajuda.
— Com vossa permissão… — reverenciou o Rei e a Rainha, deu meia volta, cumprimentou com um gesto de cabeça a Cássius e seguiu seu caminho.
Os olhos azuis percorreram o comerciante por breves instantes, buscando o máximo de informações que pudesse conseguir no pequeno vislumbre, antes de vê-lo partir. Em seguida, com sua melhor expressão de luto, focou no cunhado e na irmã. As sobrancelhas castanha-escuras, franzidas com tristeza, o semblante decaído, os ombros levemente curvados para frente, destoando da veste impecavelmente alinhada e o cabelo devidamente preso em um rabo-de-cavalo baixo.
As íris verdes de Dante o percorriam dos pés a cabeça, atentos ao menor detalhe, notando como Cássius evitava o contato visual, fixando-se no chão e as vezes na irmã, coisa que aumentava a irritação do Rei.
— Onde está Miksien? — objetivo e autoritário, questionou.
— Eu… — incrédulo, ergueu a cabeça, desnorteado. — Como vou saber? Imagino que na propriedade que pertencia a seu irmão Macbean.
— Sabe perfeitamente que não. — rangeu os dentes, a paciência acabando. — Não me faça acreditar que você está envolvido nisso.
Cássius ficou boquiaberto, ofendido, olhando o cunhado como um animal ameaçado.
— Eu não sei de nada disso. Miksien faz as coisas por conta própria… Eu jamais aceitaria tal atitude. Está me insultando, Dante. Eu sou inocente! — enfático e decidido.
Dante riu brevemente de desgosto, parando em seguida e ganhando uma atitude gélida, encarando o Barão com animosidade, ao mesmo tempo em que Amanda não sabia o que pensar, sentia-se confusa, atenta ao irmão, receosa, por primeira vez na vida, vendo-o por uma perspectiva diferente.
— Amanda… Não vai dizer nada? — ultrajado e exaltado. — Você me acha capaz de tamanha barbaridade?
— Eu… — emudeceu, perdida e desconfiada.
— Isso é um absurdo! — exaltou-se. — Você está jogando minha irmã contra mim? — apontou o dedo para o Rei.
— Cuidado com seu tom, Barão. — a voz fria e equilibrada de Dante chamou a atenção do casal de irmãos. — Você ainda me deve respeito como seu Rei e a minha esposa como sua Rainha.
Cássius engoliu em seco.
— Eu não tenho nada a ver com essa selvageria. Se quiser culpar alguém, procure Miksien. — gesticulou indignado. — Mas não me culpem de algo tão atroz. — finalizou.
— Para seu bem, é melhor que esteja dizendo a verdade! — verde e azul se encararam, as diferenças se tornando palpáveis e a barreira da falsidade esmoreceu. — Saia!
Sem pensar duas vezes, o moreno relanceou a irmã, magoado e partiu apressado. Dante colocou a mão no ombro de Amanda, mas nada disse, enquanto ela sentia o coração apertar e a dúvida se alastrar como uma doença enraizada.
Cássius voltou para o quarto, colérico. Tentou beber uma taça de vinho, porém o líquido e o objeto foram parar em um canto qualquer do quarto, atirado com tanta força que acabou resvalando em um vaso e o quebrando.
— Isso está ficando fora de controle. — murmurou para o silêncio. — Preciso por meu plano em prática logo ou Dante fará com que ela me odeie.
Passou a mão no rosto, tentando se acalmar, caminhou até a cama e deixou-se cair sobre o colchão, cobrindo os olhos com o antebraço, tentando aclarar as idéias.
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Wufei estava do lado de fora da pousada onde eles iriam pernoitar, o sol já havia desaparecido deixando uma noite fresca e tácita, observando os funcionários do local alimentar e cuidarem dos cavalos. Tão perdido em seus pensamentos que não sentiu se aproximarem dele até que Heero se posicionou ao seu lado, silencioso e atento como de costume.
O de rabo-de-cavalo apenas o viu pela visão periférica, sem mover-se e continuou calado. Heero respeitou aquele momento, conhecia o oriental como ninguém, sabia dos limites que deveria preservar e não demorou muito em ouvir a voz do amigo.
— Não deveria estar com sua esposa? Só faz um dia que se casou.
Heero ergueu o canto da boca em um meio sorriso.
— Deveria, não é mesmo? — perguntou retoricamente. — No entanto ela foi a que mais insistiu para que eu viesse falar com você. — confessou. — Mesmo que eu argumentasse que você precisava de um tempo para pensar, ela me deu uma ordem. — riu desajeitado, em uma mescla de timidez e admiração.
Wufei se surpreendeu com a novidade, sentindo-se estranhamente agradado com a preocupação que sua nova Rainha demonstrou para com ele. E quando seu olhar cruzou com o do líder, soube que não era apenas ela que estava preocupada.
— Estou bem. — declarou concluinte.
Heero balançou a cabeça, como quem concorda, mesmo não o fazendo. Aquela abordagem não funcionou, então teria que ser mais direto.
— O que te preocupa? Seu pai?
— Ele… — fechou os olhos meneando a cabeça e por fim voltou a abri-los, focando o horizonte. — É complicado.
— Todos sabem o quanto o general pode ser intransigente. — aceitou. — Mas ele é bom em aceitar argumentos precisos.
— E quais eu darei? Eu quero me casar com uma dama que não vem de uma família renomada e órfã porque eu a amo? — encarou o amigo curioso.
— Sim. — sustentou o olhar do cavaleiro.
Wufei franziu o cenho com aquela resposta tão definitiva, parando para pensar se havia alguma chance de funcionar, da qual ele não havia notado.
— Ele não acha que o sentimento seja válido o suficiente.
— Tampouco sua família precisa de mais dinheiro.
— Acho que não é bem o dinheiro e sim a reputação. Meu pai sempre disse que eu deveria encontrar uma dama da melhor família.
— Por que não relaxa e descansa? Eu pessoalmente interferirei se for preciso e se ainda assim não funcionar, mandamos trazer o Duque Kushrenada para convencer seu pai.
Lembrou-se da estranha, inexplicável e profunda amizade que seu pai e o de Treize possuíam, era um companheirismo ímpar, onde eles eram polos completamente opostos, mas no final se tornaram inseparáveis. Riu levemente com a idéia, sentindo-se um pouco mais tranquilo, de fato, aquilo tinha chances de funcionar.
— Seria capaz de mandá-lo voltar pra isso? — questionou admirado e agradado com a consideração.
Heero olhou para ele e colocou a mão no ombro do companheiro, dedicando-lhe um olhar brando.
— Lembra? Não importa a guerra, não importa se ela é coletiva ou pessoal, estamos juntos nessa.
— Até o fim... — balançou a cabeça, afirmativo.
— Até o fim!
Sentiu-se agradecido e Heero expôs um diminuto sorriso de lábios fechados, e após lançar uma última olhadela para os cavalos que estavam sendo levados para o estábulo, convidou Wufei, com um movimento de cabeça, para entrarem.
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Após muito insistir, Trowa conseguiu convencer Teyuki a comer alguma coisa, mas não de se afastar dos corpos de seus pais. De acordo com a dama, ela queria estar ao lado deles o máximo que ainda lhe era possível. Portanto, o cavaleiro fez com que colocassem os corpos em caixões fechados e uma poltrona ao lado para eles, decidido a acompanhá-la a todo o instante.
— Você deveria ir descansar. — deitada no ombro de seu amado, recebendo leves carícias no braço esquerdo, Teyuki já se sentia sonolenta, devido a toda a tensão que passou, seu corpo involuntariamente, estava pedindo por descanso.
— Não irei a lugar algum. — aclarou.
— Mas, você não precisa ficar…
— Você é minha mulher e a partir de agora, eu me responsabilizarei completamente por tudo. Se você ficar acordada, eu também ficarei.
— O Rei pode necessitar de você amanhã, precisa descansar.
Trowa soprou um riso seco, colocou a mão sob o queixo dela, fazendo-a encará-lo.
— Pode desistir, você não vai me convencer a ir deitar sem você. Tenho certeza que o Rei pode prescindir de meus serviços por algumas horas amanhã e Duo e Quatre me substituirão. — depositou um selinho nos lábios rosados. — Não sairei do seu lado.
— Obrigada. — ciciou emocionada.
— Eu te amo Tey.
— Eu te amo Trowa… Desculpe por ser um constante peso.
O cavaleiro franziu o cenho, inconformado.
— Você não é e nunca foi um peso, e jamais será. — aclarou categórico. — Não volte a dizer isso.
Apertou os lábios em linha reta e abaixou a cabeça, envergonhada. Não queria fazer um drama, mas se sentia tão culpada por tudo, que temia que algo ocorresse a ele por sua causa.
Sem saber como responder, o abraçou fortemente ao redor da cintura e se aconchegou mais, aspirando o cheiro dele e sentindo-se confortável, ao passo em que, pouco a pouco, buscava resignar-se.
Continua...
...
Não matem a autora ou não vereis o fim disso. hihihihih
Jessica Yoko, me proteja das pedras, por favor! Você prometeu. XD
Enquete: Qual o vilão que vocês mais odeiam ou amam (nunca se sabe) e como esperam que seja o final de cada um? -_-
A autora está curiosa. hsuahsuahsu
Gente... Para me fazer perdoar, esse foi capitulo longo... Não sei como serão os demais e não vou prometer data de atualização, mas, tentarei vir logo, logo. ^^
Deixem seu parecer e lindos reviews, porque me inspiram e me deixam muito feliz! ;)
Beijinhos mil e até breve. hehehehe
29/08/18
