Um ato irresponsável
Não era o indicado falar de imediato com Jasper sobre a mensagem. Do jeito que ele é bocudo, era capaz de me entregar na primeira oportunidade. Portanto, desci fingindo normalidade, lanchei e deitei no sofá. Alice e Jasper já estavam lá. Eles tinham quase a mesma idade. Então, ora brincavam, ora brigavam. E eu tinha que assistir pacientemente suas discussões. Mais tarde, Emmett juntou-se a nós. Como era domingo, ele colocou um filme de ação para vermos. A única que não se juntou a nós foi Jéssica, minha irmã rueira e cabeça de vento.
Mike, como sempre, todo dia vinha bater o cartão, e hoje não foi diferente. Além de ter dado aula de bateria a Jasper, também ficou o restante do dia vendo filme conosco. Assim, o dia passou rápido.
Acordei no dia seguinte com o despertador tocando, tomei um banho, vesti o roupão e fui ao quarto do Jasper.
—Jasper, se arruma que nós vamos sair. — Sussurrei, dando um tapinha em suas costas.
—Pra onde, Bells? — Resmungou sonolento.
—Para um parque aqui perto.
—Não vou. Tô com sono. — Murmurou bocejando e escondeu a cabeça com o cobertor.
—Vamos, Jasper, levanta! — Ralhei carinhosa. Ele pôs parte do rosto para fora.
—Só se você me beijar. — Fez um bico hilário de peixe.
Revirei os olhos.
—Vamos! Seu irmão vai te encontrar lá. Ele veio se despedir.
—Ah! Você prefere ele, né? — Resmungou fingindo ofensa. —Ele é bicha, Bella, nem adianta. — Embrulhou a cabeça de novo. —Não se lembra do seu aniversário não, que você quase subiu em cima dele, e ele num fez nada?
—Você nos viu? — Perguntei sem graça.
—Lógico. Eu segui vocês. E depois que vi você atacando ele, fui chamar minha mãe e a Rosalie para ver. — Revelou naturalmente. —Minha mãe ficou chocada com aquele proibidão na parede. —Sorriu zombador. — Mas ele é inofensivo, não é? Vou ter que dar umas dicas para ele. Se fosse eu no lugar dele, levantaria seu vestido, colocaria suas mãozinhas na parede e...
—Jasper, quinze minutos para você! — Interrompi-o perplexa com o rumo da conversa. — Põe um boné e passa esse protetor solar. — Adicionei séria, coloquei o protetor na cabeceira e caminhei para a porta.
—Meu Deus! Todo mundo quer mandar em mim! — Resmungou e esperneou, jogando o cobertor no chão.
Voltei para o meu quarto sorrindo, passei perfume e creme, coloquei um short bege, blusa de alça branca e um tênis. Eu tinha noção de que precisava avisar alguém, por isso segui o corredor e fui falar com Emmett no seu quarto.
—Pra onde? — Quis saber, levantando um pouco a cabeça da cama.
—Levar o Jasper no parque.
—Pra que? — Esfregou os olhos, deitado de bruços.
—Passear, jogar. — Respondi, como se fosse o óbvio.
—Não mente. Te conheço. Você tá nervosa.
Respirei fundo e resolvi falar a verdade. Sinceridade e lealdade compunham a base da nossa família.
—O irmão dele vem vê-lo. — Revelei tranquilamente.
Ele abriu mais os olhos, espantado. —E você vai lá atrás dele? — Perguntou acusadoramente.
—Não. Vou levar o Jasper. — Sorri com falsa inocencia.
—Olha, eu não vou falar de novo para você se valorizar. — Começou o sermão. —Também não vou falar de novo que ele não é para você. Se você quer ir... — Deixou um tom de ameaça no ar.
A fim de persuadi-lo, deitei a cabeça nas suas costas e acariciei sua nuca. —Por favor, não conta para o meu pai. — Supliquei.
—Só se ele não perguntar.
—Emmett, eu sempre amei você. Você já foi meu amigo. — Chantageei manhosa.
—Eu me preocupo com você, Bella. — Explicou amolecido.
—Eu estou bem. E a gente é só amigo. Não temos nada.
—Ah, é? E aquele amasso na sua festa?
—Er, aquilo foi só um feliz aniversário. — Disse descaradamente e, ao ver que ele estava amansado, levantei para sair antes que ele falasse mais alguma coisa. —Tchau. Te amo! — Saí sorrindo. Ele podia ser ciumento, mas tinha coração mole.
Cantando distraída, preparei uma mochila com duas esteiras dobráveis, protetor solar, toalha, água, frutas e biscoitos. Minutos depois, Jasper desceu com uma bola na mão.
—Você não vai jogar no sol. — Adverti, lembrando os cuidados os quais ele precisava.
—Tudo bem, mamis! — Rolou os olhos.
O parque ficava distante da minha casa quinze minutos a pé. O que me rendeu quinze minutos agüentando as brincadeiras atrevidas de um menino atentado.
—Bella, sabia que todas as meninas dizem que eu beijo bem? —Disse como se fosse a revelação do ano.
—Ah é? Bom para você. — Sorri e continuei andando.
—Eu posso beijar você, se você quiser. — Ofereceu, abraçou meu pescoço e fez biquinho de novo.
—Sai fora, seu assanhado! — O empurrei sorrindo.
Ele parou, colocou a mão no queixo e olhou para as minhas pernas.
—Sabe, você até que dá um caldo. Dá uma voltinha ae! — Pediu girando o indicador no ar. Eu não me movi. Ele continuou brincando. —Deixa eu ver se é dura. — Beliscou meu bumbum e correu.
—Ai, pentelho! — Corri atrás dele para bater.
Depois de me fazer de boba tentando pegá-lo, ele parou, rendendo-se, abraçou o meu pescoço apaziguador e voltamos a caminhar.
—Fala para mim, Bella, você é a fim do meu irmão, não é? — Perguntou sério.
—Não. Só estamos tentando ser amigos. — Respondi simplesmente, ao mesmo tempo em que tentava me convencer.
—Eu não sou bobo. Já presenciei uma cena caliente e duas discussões. O modo como vocês agem parece novela mexicana. Fuego, chispas e pasión. — Ironizou em espanhol. —Qualquer otário percebe a vibração.
—Não é isso, Jasper. — Neguei, me odiando por ter deixado tão nítido.
—Ok. Então negue para sempre. Meu irmão está indo embora. Você vai perder uma chance. — Alertou, e não parecia o atentado infantil que convivi os últimos dias.
Chegamos ao parque faltando quinze minutos para nove horas. Como era segunda-feira, o local estava praticamente vazio, somente com alguns meninos jogando bola na quadra coberta. Rapidamente Jasper se enturmou.
Estendi a esteira no chão, embaixo de uma árvore e deitei fitando o céu, pensativa. Alguns minutos depois vi Jasper sair em direção ao estacionamento e o segui com os olhos. Era Edward. Desde que o conheci três anos atrás, cada ano que se passou o deixou mais bonito, principalmente quando sorria, como agora, enquanto abraçava à força o irmão. Vestia uma bermuda bege, uma camiseta branca e um tênis. Igual a mim.
Não consegui desviar os olhos. Ele sorriu e caminhou até onde eu estava.
—Oi, Bella. — Cumprimentou amistoso.
—Olá.
—Obrigado por ter trazido meu irmão. — Apontou sem jeito para o menino.
Encarei-o uns segundos, pensando no que Jasper falou mais cedo, e só respondi quando decidi o que queria.
—Não foi de graça. — Sorri e mordi os lábios, torcendo que ele tivesse percebido a indireta. —Além disso, estou curtindo o parque. — Dei de ombros e voltei a deitar com uma toalha enrolada sob minha cabeça. Cruzei as pernas no ar, à vontade, e pus uma música no meu celular, deixando-os livres para por as novas em dia.
Eles sentaram embaixo da mesma árvore que eu.
—E como está o tratamento? — Edward perguntou ao garoto.
—Fiz algumas consultas, exames, mas o resultado não saiu ainda. Me mandaram para o nutricionista, hematologista, um monte de 'ista' ae.
—Como os Cullen estão te tratando? — Questionou e se virou em minha direção. Fingi que não o ouvi.
—Eles são muito legais. Todos. Até o grandão. Eu fico ocupado o dia todo lá. Não me deixam sozinho um minuto. Tô até fazendo aula de bateria com o Mike, aquele que cantou uma música para Bella no aniversario dela, lembra? — Relatou animado.
Senti novamente o olhar de Edward em minha direção, antes dele responder num tom monótono.
—Sei quem é.
—Sabia que eu tenho um quarto só para mim? — Comentou. — Acho que eu não vou mais voltar para casa, não. Não quero ter que dividir o quarto com um homem... Aliás, homem não! — Sorriu e deu um murrinho no ombro do irmão. —Cara, essa cidade é o paraíso. Como tem mulher bonita! —Fez uma mímica de alusão a um violão com as duas mãos no ar. — Pena que você não gosta. — Gracejou de novo. Ouvi o som do riso de Edward, mas eu fingia distração com as músicas que ouvia, cantando baixinho. Os dois permaneceram conversando um tempo, depois Jasper se levantou.—Tô indo jogar. Daqui a pouco eu venho. — Avisou e foi saindo.
—Jasper, bebe água e passa mais protetor. — Falei e me virei para pegar a água na mochila.
—Qual é, Bella! A quadra é coberta! — Resmungou contrariado.
—Mas você suou e fica toda hora saindo da quadra. Além disso, o mormaço queima.
Ele voltou aborrecido, tomou água, sentou carrancudo e pegou o protetor para passar no rosto. — Não sou doente. —Resmungou baixinho.
—Deixa eu espalhar. — Pedi, tentando adulá-lo. Ajoelhei e espalhei em seu rosto, na orelha, depois passei um pouco atrás do pescoço.
—Você é mais uma achando que eu sou criança. — Reclamou e ficou em pé, então levantou a blusa. —Alisa aqui também pra você ver como eu já sou grandinho! — Apontou maliciosamente para a barriga, num duplo sentido.
Fingindo censura, fechei o semblante e dei um tapa brincalhão na sua coxa. Ele saiu sorrindo.
—Edward! —Jasper chamou-o já de longe. — Cuida aí da minha garota, que eu já volto.
Edward sorriu concordando e olhou em minha direção.
—Obrigado por estar cuidando dele. — Agradeceu e pude ler nele o amor e preocupação. — Ele pensa que é adulto, mas é um crianção. Tem que ter muita paciência.
—Eu gosto dele. Está trazendo 'movimento' a minha casa. —Brinquei.
Ele riu compreendendo, encolheu as pernas e abraçou os joelhos. Ficamos os instantes seguintes observando Jasper jogar, em silêncio.
—Você vai viajar no carro da sua mãe? — Iniciei um assunto, apontando em direção ao carro de sua mãe que estava no estacionamento.
—Não. Vou de avião. Só vim nele porque tinha muita coisa para trazer. Não dava para vir de ônibus.
—E quem vai levar ele de volta?
—Rose veio comigo. Ela está passeando com uma amiga.
—Por que você vai começar antes de todo mundo? — Quis saber, curiosa. — Emmett só começa daqui a três meses.
—Por que esse curso é especial. Não são todos os alunos que fazem. Só as vinte melhores notas da universidade. —Explicou e vi um brilho diferente em seus olhos. — É bom para o meu currículo que eu vá. Minhas aulas começam mesmo depois do Réveillon, em mais de um mês.
—Mesmo assim vai começar antes de todo mundo. — Lembrei.
—É porque eu me matriculei para o curso de inverno de francês. —Esclareceu. — Vou tentar ganhar tempo. —Adicionou sonhador.
—Ah. —Assenti e ficamos novamente calados. Nesse tempo refleti que ele realmente era meio obcecado por estudos.
—Eu trouxe lanche, você quer? — Ofereci, peguei a mochila e ajoelhei para lhe mostrar o que eu tinha trazido.
—Veio equipada. — Comentou divertido, apontando para ela.
—Não sabia quanto tempo íamos ficar. E como Jasper obedece a uma dieta, decidi me preparar. — Justifiquei, peguei uma maçã para mim e outra para ele.
Ele mordeu, encostou as costas relaxadamente na árvore e novamente ficamos olhando Jasper jogar. Eu queria ter um assunto, qualquer um que o mativesse falando. Porém não conseguia pensar mais em nada. Eu odiei aquele silêncio. Talvez porque fosse a última oportunidade de nos falarmos.
—Por que você disse que não era de graça ter trazido meu irmão? — Foi ele a quebrar o silêncio com um sorriso de canto.
—Hmmm! Está atento. — Sorri instantaneamente nervosa e mordi os lábios, olhando nesse tempo seus olhos.
—Eu sei que você tem uma segunda intenção. — Mordeu a maça e desviou o olhar do meu.
—Então você já sabe o que eu quero. — Sugeri maliciosamente, mostrando uma segurança que não tinha.
—O quê? — Ele sorriu dissimulado.
—Que você me beije de novo. — Expus e deitei de novo na esteira, de lado, apoiando a cabeça no braço.
—Você não muda, né? — Comentou com um risinho maroto.
—Você gosta.
Ele balançou a cabeça e torceu os lábios. —Eu já estou quebrando uma promessa hoje. Eu disse para o seu irmão que não ia mais te encontrar. Eu devia estar a cem metros de você. — Lembrou com reprovação.
—Ah, não liga para o Emmett. Ele é legal. Até sabe que eu estou aqui.
—E o que ele falou? — Questionou interessado.
—Nada que mereça ser repetido. — Evadi e abaixei o olhar. Preferia não ter entrado no assunto família.
—O quê? Que você não deve andar com tipinhos da minha classe? — Enumerou, o semblante obscuro. — Que você é muito para mim?
—Ele só está preocupado. — Defendi. —Tem medo que eu me machuque.
—Acho que você devia ouvi-lo. — Sugeriu sério, com olhar longíquo.
—Não. — Teimei e sentei para olhá-lo. — Você é muito pessimista... Esquece ele. Esquece tudo, vai. — Supliquei, manhosa.
Ele suspirou e olhou pensativo para o chão.
—E você ainda está me devendo. — Lembrei com astúcia, encarei-o e umedeci os lábios, tentando ser sugestiva. Ele segurou o olhar e vi brigar em seus olhos a dúvida, relutância e desejo.
—Vem buscar. — Murmurou e também umedeceu os lábios. —Eu não vou aí. —Desafiou.
Com a pulsação acelerada, mudei de posição, aproximei-me dele e ajoelhei ao seu lado. De início ele pareceu surpreso com minha resolução, depois manteve os olhos em mim e sorriu quando peguei seu rosto entre as duas mãos.
—Você é muito egoísta, sabia? — Sussurrei e acariciei sua bochecha. —Sempre sou eu quem toma as iniciativas por aqui. — Alisei seus lábios com o polegar, sem tirar os olhos dele.
—É você quem quer, e eu não estou negando. — Gracejou malicioso, com voz rouca.
Devagar, inclinei e encostei a boca no seu rosto, dando selinhos.
—Você não quer? — Desafiei com um sopro próximo ao seu ouvido. Minha respiração fez o pelo do seu rosto arrepiar.
Ele fechou os olhos e respirou fundo. Plantei beijinhos molhados e coercivos próximo a sua orelha. —Acho que você gosta de ser difícil... — Mais beijinhos e algumas mordiscadas no lóbulo. —Mas eu não ligo. Até gosto do poder. Somos bem invertidos por aqui.
Alternei mordidinhas no pescoço e notei os pelos de seus braços arrepiados. Dei beijos na garganta, sem pressa, e subi mordiscando para o queixo, a fim de fazê-lo ansiar me beijar. Queria ver quanto tempo ele iria impor resistência, com os punhos fechado ao lado do corpo. Estava divertido. Eu apreciava presunçosa cada evolução em sua respiração.
Passei a pontinha da língua no canto dos seus lábios, provocando, lendo no seu rosto a expressão de entrega. Sua respiração ficou mais pesada quando lambi a separação entre seus lábios, e sorri em antecipação. Sentia que em pouco tempo sua falta de participação iria para os ares.
Assim aconteceu.
Ele puxou uma grande dose de ar, olhou-me perigosamente por segundos e, repentinamente, abriu a boca famintamente na minha, com uma mão em minha nuca e outra em minhas costas.
Foi inusitada a sua atitude, assustadora até, pois seus lábios sugaram o meu com avidez, sua língua entrou em minha boca possessivamente e ocupou o espaço de um jeito voraz e quente, o que me fez estremecer. Suguei sua língua intimamente e apertei seu pescoço, como se estivesse em um náufrago, descobrindo ali que não conseguiria mais viver sem isso, sem ele.
Sem parar de me beijar, Edward foi me deitando de lado na esteira estendida no chão, segurando minhas costas; apoiou minha cabeça em seu braço e instintivamente ajustei-me a ele. Ele acariciou levemente meus cabelos, desceu a mão pelo pescoço, braços, alcançou a minha cintura e me puxou forte contra ele. Meu cérebro se descompactou do corpo, a mente ficou em branco, e eu o beijava loucamente, como um sedento frente à água. Perdi noção do tempo e do espaço e encaixei minha coxa entre as pernas dele. Ele gemeu rouco em minha boca, segurei sua língua e continuei chupando e acariciando, num banquete de sentidos. Depois senti sua mão descer pela lateral do meu corpo, passear por minha coxa exposta pelo short e acariciou meu quadril, unindo minimamente a ele.
Incapaz de pensar no que fazia, forcei a mão em suas costas, mudei um pouco minha posição e o puxei para que ele ficasse por cima de mim.
—Bella... Estamos na rua. — Lembrou, mas novamente encaixou nossas bocas, ocupando e explorando a minha. Eu me sentia quente embaixo dele, a pulsação e respiração acelerada, com uma ansiedade inexplicável. Fazia quase um ano que eu não o beijava e pelo meu corpo passavam novas sensações desconhecidas e puramente femininas, fazendo-me arquear, encaixando em suas formas másculas. Era um corpo curioso suprindo a saudade. Apertei os dedos em seu quadril, puxei-o forte contra mim, e ele se moveu sutilmente, delicadamente entre minhas pernas, aumentando a minha ansiedade. Por um momento esquecemos que estávamos em um parque. Por um momento esquecemos quem éramos. Ali só existia ele e eu, buscando sofregamente um ao outro.
Após longos minutos de apertos e amassos, ele parou abruptamente, travou a mandíbula e pareceu resolver um problema difícil de Matemática. Depois soltou o ar, me rolou para cima dele, abraçou-me forte e beijou minha testa, ofegante, enquanto acalmávamos a respiração.
—Putaquepariu, eu vim pensando em jogar água quente! — Jasper apareceu atrás de nós. —Pensei que vocês iriam se atracar aqui mesmo! — Sentou ao nosso lado, depois procurou algum lanche na mochila.
Sorrimos sem graça e não comentamos. Jasper continuou. —Eu jurava que tu não gostava de mulher! — Brincou.
—Ele não tinha me conhecido ainda. — Eu disse presunçosa, alisando o cabelo do Edward.
— Ih, tô fora! Não vou ficar aqui de vela. — Pegou o pacote de biscoito recheado e saiu.
Edward me deitou de lado, ao seu lado, apoiou sua cabeça num braço e com a mão acariciou o meu rosto.
—Ai, vou contar para o Mike! — Jasper voltou a dizer. — Ele agora é meu amigo. Ela tem namorado, viu! — Jasper avisou e saiu rindo.
Edward continuou me tocando tranquilamente. —Como vai o namorado? — Iniciou.
—Vai bem. — Respondi rápido.
—Então você tem um? — Arqueou a sobrancelha.
—Já te falei, ele acha que é, e eu deixo. — Torci os lábios, depois ri. —Ah, mas eu nunca o beijei, então quem é o meu namorado é você. — Brinquei e virei o rosto para morder brincando sua mão.
—Eu não quero ser o namorado. Prefiro ser o outro. — Gracejou e me deu selinhos.
—Mas oficialmente o namorado é você. Desde meus treze. Eu nunca terminei com você. — Lembrei, com um risinho de canto.
—Puxa, então eu já tenho galhas! — Fingiu indignação.
—Não, ninguém tem galhas. — Balancei a cabeça. —Não namoro ele, nem ninguém. Melhor? — Pisquei.
—E o que somos? — Direcionou os dedos para minha clavícula e acariciou despreocupadamente meu colo exposto pela blusa de alças.
—Amigos... Ou melhor, você é a pessoa que eu beijo. — O puxei e dei um beijo estalado.
—Tudo bem... Não posso te dar mais do que isso. — Tocou meus lábios, parecendo curioso. —Você sente essa coisa estática que nós temos?
— Um tipo de atração? — Dei-lhe outro beijo. —Sim. Sinto. Desde o primeiro dia que te vi. Você me dá choque. — Sorri.
— É estranho. — Comentou pensativo. —É químico e físico. Tenho que aprender a lidar com isso.
— Hmmm, então vem aqui treinar. —Disse maliciosamente e voltamos a nos beijar lentamente e docemente.
Distraídos em nós mesmos, a manhã foi se passando sem que percebêssemos, enquanto isso ouvíamos música em meu celular. Em todo tempo ele me olhava estranho e alisava meu cabelo, rosto, braço. Não tinha palavras que explicasse aquele momento onde ele era tão livre e despreocupado.
—Por que você demora tanto a ceder? — Perguntei, acariciando sua sobrancelha.
—Porque eu não quero me envolver com ninguém... Podemos nos magoar. — Respondeu com certo pesar, depois beijou minha testa.
—Continuo dizendo, você se preocupa demais com o amanhã... Eu não estou te cobrando nada!
—Não é o fato de você me cobrar ou não, Bella. — Suspirou. —Seria mais fácil se fosse assim... Hoje mesmo, eu queria te ver, mas não devia querer. Arrisquei vir e crer que você não chegaria perto. Para minha sorte ou meu azar, você é muito determinada... Então estou aqui preso a você. Sabe o que é pior? Eu ficaria aqui o quanto pudesse, se dependesse da minha vontade.
—Então não vá! — O abracei brincalhona e sorri.
—É justamente isso, Bella... — Sua voz ficou contrita. —Eu tenho que ir. Sempre eu vou ter que ir... — Disse com certa frustração. —Falando nisso, tenho que ir embora, é quase uma da tarde e tenho que almoçar.
—Que horas sai seu avião? — Perguntei e sentei.
—Quatro horas.
—Tenho que levar o Jasper para almoçar também. — Expus. —O que vai fazer até as quatro? — Perguntei com um plano pulsando no cérebro.
—Não sei, talvez passear pela cidade.
— O que você acha de pedirmos comida chinesa e comermos aqui? — Sugeri animada, sem querer pressionar muito.
—Hum... Pode ser.
Peguei o número em meu celular, liguei, pedi frango xadrez, biscoito da sorte, milk shake e descartáveis.
—Quanto deu? — Perguntou, colocando a mão na carteira.
—Vinte, mas eu pago. — Impus e voltei a sentar.
—Não. Eu já ia almoçar. — Teimou e abriu a carteira.
—Eu também tinha que almoçar. — Retruquei, impaciente que ele fosse esse tipo de garoto que achava que tinha que pagar contas.
—Mas você ia almoçar em casa, não ia ter custo.
—Não vou deixar você pagar, okay. — Avisei teimosa. —Considere que os seus custos de viagem estão muito altos.
Ele ficou repentinamente sério, com o olhar obscuro. —Eu. não. quero. que. você. pague. nada. para. mim. — Pontuou enfaticamente.
—Mas eu não vou estar pagando só para você. Eu também vou comer. — Tentei mais uma vez, já perdendo a paciência.
—Não! — Foi inflexível.
—Tá! Tudo bem, a gente racha! — Desisti irritada.
Surpreendentemente, ele sorriu, me jogou na esteira e se pôs por cima de mim, apoiado com o joelho entre minhas pernas.
—Adoro quando você fica brava! — Sussurrou em meus lábios e beijou leve.
—O que mais que você gosta em mim, seu bipolar? — Sorri maliciosa e enlacei os dedos em sua nuca.
—Adoro quando você me ataca. — Murmurou doce, dando beijinhos de luz em meu pescoço.
—Hmmm, bom saber... — Deitei o pescoço dando mais espaço. Ele beijou casto, cauteloso. Depois voltou para os meus lábios, com beijos delicados.
Minutos depois, a comida chegou nos tirando dos momentos de carinho, pagamos em comum acordo e chamamos o Jasper para almoçar. Almoçamos, tomamos o milk shake, depois deitamos os três no chão, ele na mesma esteira que eu. Aos poucos, eu sentia que as horas voavam e estava descontente com a sua iminente partida. Peguei um biscoitinho da sorte, comi e li a mensagem.
—Guarda. — Entreguei para ele. As pessoas se esquecerão do que você disse e do que você fez… mas nunca se esquecerão de como você as fez sentir.
Ele sorriu, levou a mão até a embalagem e também pegou um biscoito. —Esse é para você. — Abriu e me deu. Você é do tamanho do seu sonho.
—Essa devia ser pra você, não pra mim. — Eu disse, lhe mostrando o conteúdo.
—Mas não é assim que funciona, Bella. Se eu escolhi pensando em você, tem que ser sua. — Argumentou.
Virei de lado e acariciei seu peito coberto com a camiseta. —Você acha que eu sou do tamanho do meu sonho? — Sugeri, cheia de pretensões.
—Não sei... Qual o seu sonho?
Peguei em seu rosto, sentindo uma dor inexplicável, e encostei nossos lábios. —Ficar com você. — Inevitavelmente minha voz soou triste.
—Já falamos sobre isso. — Ele encostou as nossas testas, com o olhar infeliz, alisou meu rosto com carinho, mas também tinha algo diferente. Ele parecia gostar de estar comigo. Entretanto, ele estava certo. O que poderíamos esperar desse relacionamento? Era um tipo de ligação que não tinha futuro.
—Acho que eu vou vomitar. Vocês são muito melosos! — Jasper falou e fez careta.
Sorrimos, e eu encostei a cabeça em seu peito, sentindo o seu perfume, enquanto com os olhos fechados aproveitava o instante de aconchego. Só em estar perto dele eu sentia minhas pernas fracas e sensações extasiantes no estômago. Queria que o momento durasse a eternidade. Queria que o tempo não passasse enquanto eu estivesse em seus braços.
—Bella, tenho que ir. A Rose deve estar me esperando. — Sussurrou baixinho em meu ouvido, me tirando de um breve cochilo.
—Já? — Movi um pouco a perna dentro da dele, sentindo os pêlos e o calor de suas pernas.
—Sim, a tarde foi embora.
—Então tudo bem.
Levantamo-nos, eu organizei minhas coisas, enrolei as esteiras com sua ajuda, depois o abracei para me despedir, me perguntando nesse tempo por que eu me sentia assim. Eu tinha uma necessidade de prolongar tudo, de tê-lo cada minuto mais. Nada era suficiente.
—Vocês, er, querem carona? — Edward perguntou hesitante quando nos afastamos.
Eu não respondi. Não queria que fosse a despedida ainda, mas não devia forçar.
—Eu quero. Estou morto. — Jasper respondeu.
—Então vamos. — Chamei satisfeita em não ter sido eu a aceitar, e sim Jasper.
Entrei no carro popular, pus o cinto e segui calada enquanto eles conversavam. O trajeto era pequeno. E eu sabia que alguém poderia vê-lo se ele fosse muito perto da minha casa, portanto pedi para ele parar antes.
—Está bom aqui.
Ele parou, eu desci do carro e ele também. Ele veio ao meu encontro um pouco sem jeito e levantou a mão ao meu rosto.
— Bem, até mais. — Ele disse sucinto.
—Boa viagem. — Eu desejei. Não devia cobrar, nem pedir para ele ligar. Tinha que ser uma despedida leve.
Com o peito doendo de falta antecipada, mergulhei os dedos em seus cabelos e me ergui para beijar seus lábios. Ele correspondeu com inesperada avidez, segurou forte em minha cintura e me prendeu ao carro. Definitivamente o beijo dele era a melhor coisa que eu tinha experimentado. Nossos lábios se encaixavam perfeitamente, nosso beijo tinha sincronia e o gosto... Hmmm...
Abracei-o forte, sem nunca tirar os lábios de sua boca, sugando lento, passando a língua em seu lábio inferior, degustando. Era uma despedida, com um beijo dolorido - pelo menos para mim -, algo que cortava em meu coração... E eu ia tirar tudo que podia dele.
Ofegantes, abrimos os olhos, e, com o olhar meio triste, ele encerrou o beijo com selinhos.
—A gente se vê. — Foi o que ele disse antes de me beijar uma última vez na testa e entrar rápido no carro.
Sem olhar para trás, corri em direção a Jasper, que estava encostado num poste, ele pôs o braço sobre meu ombro e seguimos calados até em casa.
Quem sabe em oito meses... Quem sabe no próximo verão...Quem sabe...
Depois do dia quase todo no parque, tomei um banho, descansei um pouco e desci para fazer um lanche e ficar um pouco com meus irmãos. Estavam na sala Emmett, meu pai e Alice
—Oi, Pai. — Beijei-o e sentei ao seu lado.
—Olá.
—O que você fez que está com o rosto cansado? — Papai ergueu a sobrancelha, curioso.
—Fui ao parque com o Jasper. Acordei cedo.
—Bella, eu também fui ao parque hoje. Sabia? — Emmett disse sugestivamente.
—Fazer? — Olhei-o censuradora.
—Nada. Só passear. — Continuou assistindo TV, com um sorriso cínico.
—Por que vocês não me levaram? — Alice, que fazia palavras cruzadas, entrou na conversa. Eu mesma não sabia a resposta, mas pensando melhor, se ela tivesse ido eu não teria coragem de beijá-lo. Não como foi. Valeu a pena não ter levado a caçula.
—Sabe que eu nem pensei, Alice. Resolvi em cima da hora. Da próxima vez eu te chamo. —Adulei-a, fui à cozinha fazer um sanduíche e quando voltei meu pai já tinha subido. Essa era a chance de descobrir o que Emmett viu.
Fingindo despreocupação, sentei no braço.
—Emmett, que horas você foi ao parque? — Perguntei calmamente, mesmo que estivesse aflita.
—Umas onze. — Mudou o canal, sem me dar muita atenção.
—Eu não te vi. —Comentei amuada.
—Mas eu te vi. Deve ser porque você estava bem distraída. — Ironizou.
Meu Deus! Ele viu! E agora como ia explicar? Fique calma, Bella, respire.
—Emmett, o irmão de Jasper viajou e só volta no verão. — Expliquei. —Isso se voltar.
—Ah é? —Zombou.
Eu respirei fundo, buscando paciência.
—Sabe, até que ele é legal.
—Imagino o quanto. — Disse debochado.
Preocupada, olhei-o implorativa. —Emmett, você não pode falar para o papai! — Implorei.
—Por que não falaria? — Arqueou a sobrancelha, provocativo.
—Por que você não quer preocupá-lo à toa.
Ele olhou-me com olhos cerrados, depois bufou e voltou a concentrar na TV.
Uma semana depois...
—Seiscentos, moça. — O atendente na farmácia respondeu.
—Tudo bem. Pode embrulhar. — Eu disse e abri minha bolsa, entregando seguidamente meu cartão. Desde que Jasper mostrou o resultado dos exames, presumi que seus remédios seriam caros, por isso me propus a comprá-los. Num caso como o dele, de Anemia Fanconi, segundo o que li na internet, a falta de tratamento, ou tratamento inadequado, leva a doença a evoluir para leucemia. E o recurso de compra dos remédios pode ser algo que aperte o orçamento de sua mãe.
—Nossa, Bella! Meus remédios vão ser sempre caros assim? — Ele ofegou preocupado.
—Acho que sim, pelo menos por enquanto. — Dei de ombros. —Jasper, eu queria fazer um acordo com você. — Sorri conspiradora. —Mas antes disso, vamos passar ali numa loja que eu vou comprar uma roupa para mim.
—Essa blusa ficou legal? — Dei uma volta em sua frente, mostrando a blusa xadrez creme que tinha escolhido.
—Prefiro com barriga de fora. — Jasper respondeu olhando de canto de olho para umas meninas se trocando no provador ao lado
—E a calça? — Virei de lado.
—Prefiro saias e bem curtas. — Ele nem chegou a me olhar.
—Você não tem jeito! — Sorri indignada. —Escolhe uma roupa para você também. — Disse e voltei para o provador.
—Gostei da camiseta da vitrine.
—Pode pegar quantas você quiser. — Avisei, esperei-o escolher e segui para o caixa. Quando saíamos da loja de roupas, avistei a sorveteria.
—Será que você pode tomar sorvete? — Perguntei preocupada com sua dieta.
—Ah não, Bella! Eu não sou um doente. — Resmungou.
—Tá, então vamos. — Peguei sua mão e o atravessamos a rua. Eu pedi milk shake de morango e ele sorvete de creme.
—Bella, qual o acordo que nós vamos fazer? Tô tentando adivinhar aqui... Você tá querendo me fazer a proposta de ficar comigo e com o meu irmão. — Arqueou a sobrancelha fingindo pensar. —Se for, eu não ligo. Eu também tenho o coração grande igual o seu. — Sorriu e encheu seu sorvete de cobertura de chocolate.
—Ai, Jasper! Você nunca fala sério? — Sorri.
—Agora eu vou falar sério. — Inclinou na mesa fingindo de sério, engrossando a voz. —Sinceramente, Bella, acho que três é demais. Você vai ter que terminar com o Mike. — Sentenciou.
—Eu não namoro o Mike. — Retruquei, rolando os olhos
—Deixa eu continuar meu raciocínio. — Continuou sério. —Apesar que, o meu irmão, você só vai ver uma vez no ano. Eu, só quando você for me ver em Forks. Pensando melhor, não termine com o Mike, não. Antes um na mão do que dois voando.
Recitou e sorrimos cúmplices.
—Seu bobo. É sério, eu não tenho nada com o Mike. — Tentei convencê-lo.
—Mas como, Bella? Quando ele chega na sua casa, vai logo te abraçando. Quando você senta no sofá, ele deita a cabeça na sua perna. É muito estranho!
—Ele gosta de mim, mas eu não gosto dele.
—Ele sabe que você não gosta dele?
—Sim, mas ele pensa que vai me conquistar.
—E você com o meu irmão? Se acertaram?
—É como você disse, vou vê-lo muito raramente. — Expliquei involuntariamente triste. —Então não tem o que acertar. — Sorri fraco.
—Verdade. Não se desperdice. — Tentou melhorar o clima. —Se você ficar carente é só me procurar. O gostosão aqui tem garantia total de satisfação. — Bateu no peito, brincalhão.
—Tá bom, se eu ficar carente a senha é sua. — Sorri contagiada por seu alto astral. —Mas, agora, falando do nosso acordo, eu sei que os remédios são muito caros para sua mãe arcar. Então, vou te dar o cartão de uma conta poupança que eu tenho, e aí todo mês vou depositar o dinheiro para os seus remédios. Você guardaria esse segredo?
—Por quê, Bella?— Ele pareceu embaraçado.
—Porque mesmo você tendo ficado lá em casa menos de um mês, eu já gosto de você como se fôssemos irmãos. — Justifiquei e enrolei o dedo num cachinho louro seu.
—Meu irmão não pode nem sonhar isso. — Lembrou, preocupado. —Você sabe como ele é.
—Eu sei. Será nosso segredo.
—Mas não vai fazer falta para você?
—Não. Eu tenho uma mesada de cinco, então um não vai fazer falta.
—Você vai mandar mil! Pra quê? E como eu vou explicar esse dinheiro? — Sobressaltou e pôs mais uma colherada de sorvete na boca.
—Se não gastar tudo, você guarda. E tenta ser discreto, tá? Dá um jeito de sua mãe nunca perceber que os remédios estão acabando.
—Bella, você é um anjo. — Afagou minha mão carinhosamente. —Se você quisesse, eu largaria todas as mulheres do mundo e casaria com você. — Disse solenemente, depois franziu a testa. — Hum... pensando melhor, não. Prefiro ser de todas. Mas você pode ser minha irmã do coração. Você é mais legal que a Rose.
—Tá bom, eu aceito. — Sorrimos, deixamos a sorveteria e seguimos para casa.
Já estávamos a dois quarteirões de casa, com o som ligado alto em Chris Brown, nós dois cantando empolgados, quando vimos uma viatura da polícia.
—Você ainda está dirigindo sem carteira? — Notou minha tensão e abaixou o som ao passarmos por ela.
—Sim, aqui na cidade meu pai deixa. Mas semana que vem é meu niver de dezesseis, aí já posso fazer o teste.
—Estou louco pelo meu possante. Um dia terei um. — Disse com o olhar sonhador e voltamos a ouvir hip hop alto.
Já estava anoitecendo quando chegamos, entramos, e ele me olhou meio triste assim que chegamos à sala principal.
—Bella, eu vou embora amanhã. — Avisou e pegou minha mão, pesaroso.
—Por quê?
—Por que eu não tenho mais o que fazer aqui. Esqueceu? Terminei os exames. — Avisou sorridente. —Agora se tiver que vir aqui, será de dois em dois meses.
—Hum... Mas você vai vir visitar de vez em quando, né? — Perguntei e apertei sua bochecha.
—Sim, e também vou ligar. — Prometeu com as mãos juntinhas.
—Que horas você vai?
—A Jéssica disse que me leva pela manhã. Alice vai junto. Vamos também?
Por um instante, fiquei tentada a ir. Bem que eu queria conhecer a casa deles...
—Não posso. Marquei de sair com o Emmett amanhã. Ele quer ver uma guitarra que um amigo da gente comprou e me chamou para ir. — Expliquei com um bico insatisfeito.
—Por que não vão outra hora? — Insistiu o menino.
—Por que vamos aproveitar para almoçar lá. Vai ter churrasco, piscina... Tenho que ir. Emmett está meio chateado comigo e estou tentando agradá-lo.
—Ah, entendi. Vocês ricos são engraçados. Vão fazer festa e churrasco em plena terça-feira!
—Pois é. Você que ir? — Perguntei animada. —Vamos com a gente?
—Não, Bella, fica pra próxima. Estou mesmo com saudade de casa. — Justificou. Devia sentir falta da mãe, mesmo que se falassem todos os dias.
—Tudo bem. Estou indo tomar banho. Amanhã você passa no quarto e me dá um beijo antes de ir. — Avisei e subi.
Exausta, tomei banho e deitei. Como em todas as noites, assistir TV não afastou Edward de meus pensamentos. Sempre que eu pensava nele, sentia vontade de mandar uma mensagem, ligar. No entanto, na mesma hora me obrigava a aceitar a situação... Quem sabe pudéssemos ficar sempre que ele viesse! Eu iria curtir. Ele também. E embora eu quisesse muito mais, nunca deveria sufocá-lo.
No dia seguinte, chegamos à festa umas dez da manhã. Emmett testou a guitarra empolgado, dizendo que compraria uma, tocou meia hora, depois foi para piscina. Eu não quis ir e, sem ter o que fazer, testei um pouco a guitarra, tocando alguns hits, depois cansei e procurei por ele. Ele estava ficando com uma menina. Sentindo-me deslocada, falei com Emmett que queria ir embora, ele concordou sem reclamar, me deixou em casa e voltou para festa.
Entrei e vi que as meninas já tinham voltado de Forks e estavam almoçando na sala de jantar. Curiosa com algo que ouvi, encostei-me à porta de ligação e prestei atenção no assunto que elas conversavam.
—Nossa, como ele é lindo! — Jéssica ofegou deslumbrada. —Não sabia que Jasper tinha um irmão daqueles. Que pernas! Ainda bem que eu fui lá. Estava precisando de um colírio para os meus olhos.
—Ele disse que já conhecia a gente da festa da Bella. — Alice disse, também empolgada.
—Como um cara gostoso daquele me passou despercebido! — Jéssica comentou maliciosa. Notei que elas falavam de Edward e minha pulsação acelerou involuntariamente.
—Eu não lembro muito dele... — Alice refletiu. Interessante ela não se lembrar dele no meu aniversário de treze anos, apesar de que, ele mudou muito: de um anjo para um deus grego.
—Trocamos os telefones! — Jéssica ofegou de satisfação, e eu perdi uma batida.
—Ele parece ser bem tímido. — Alice cortou-a.
—Eu não ligo. Quando prensá-lo na parede, ele se solta.
Ao ouvir isso, imediatamente entrei na sala.
—De quem vocês estão falando? — Interrompi, fingindo desinteresse e belisquei um figo na travessa.
—Do irmão do Jasper. Você o conhece? — Alice perguntou, enquanto comia doce de figo com creme de leite.
—Sim. — Respondi indiferente. Não queria dar ênfase.
—Acho que vou ligar pra ele pra gente sair amanhã. — Jéssica disse. —Ele me deu o telefone.
—Legal. — Resmunguei, deixei-as conversando e subi como um furacão para meu quarto. Fiquei abalada demais para fingir estar bem. Mas o que ele fazia aqui? Ele disse que não iria voltar! Pior, agora estava dando idéia para minha irmã! Rá, isso não ia ficar assim. Resolvida, escrevi uma mensagem insultante e enviei.
Para quem não gosta de patricinhas e riquinhos, está sabendo escolher!
Esperei cinco minutos ansiosos e uma mensagem chegou de volta.
Mensagem Edward 11h55min
Não sou mal educado. Mas que eu saiba, não lhe devo explicações.
Curto e grosso, o que me levou a pensar que talvez eu tivesse ido longe demais. Novamente escrevi outra.
Não posso cobrar que você não tenha outras, mas logo minha irmã?
Mensagem Edward 11:57AM
Creio que você conhece a irmã que tem.
É verdade, admiti. Se conhecia Jéssica bem, ela não perdoava ninguém. Devia tê-lo cercado até conseguir o que queria. E quer saber, eu iria era aproveitar que ele estava aqui, não ficar procurando motivos para brigar.
Pensando assim, peguei o telefone e disquei o seu número.
—Oi. — Atendeu com a voz rouca e macia. Era a primeira vez que eu ouvia sua voz ao telefone.
—Oi... Posso ir ai? — Perguntei direta, meio sem graça, por causa das mensagens.
—Enlouqueceu? — Sua voz soou alarmada, mas não grosseira.
—Não... Quero te ver. — Disse manhosa.
—Você não tem carteira, e se vir de ônibus vai chegar à noite, então, não venha. — Determinou.
—Você está em casa? — Eu não ia desistir fácil.
—Sim.
—Então estou indo. — Era só um aviso.
—Bella, não! — Suplicou preocupado. —Eu não quero problemas com a sua família.
—Não vou te dar problemas, eu juro.
—Como você vem? — Parecia estar cedendo. Esta estava ganha para mim.
—Não se preocupe, vou dar um jeito. Tchau. — Desliguei antes que ele pudesse negar.
Sem pensar muito no que fazia, vesti um short balonê creme, uma camiseta colada de alças e uma sandália de abotoar.
—Jéssica, vou pegar seu carro para ir ao Centro. — Avisei quando descia as escadas. Ao centro de Forks, é claro... Isso eu não ia dizer.
—Não demora. Tenho que sair à noite. — Jogou a chave e deitou no sofá.
Eu concordei e, instantaneamente, lembrei que alguém tinha que saber onde eu estava. Neste caso, a melhor opção era a Alice. Apressada, subi ao quarto dela, encontrando-a debruçada sobre uma revista teen e parei em frente ao espelho.
—Alice, estou indo a Forks. — Informei fingindo calma, e comecei a prender o cabelo em um rabo.
—Com quem? — Nem levantou o rosto para perguntar.
—Só.
—Fazer?
Aproximei da cama e sentei. —Promete que vai guardar segredo e que mesmo que te torturem você não conta?
Neste instante, ela levantou o olhar. —Sim.
—Vou ver o irmão do Jasper. — Disse naturalmente.
—Você tem alguma coisa com ele? — Jogou a revista de lado e arregalou os olhos, interessada.
—Não posso contar agora, depois eu te conto tudo.
—Mas você vai dirigindo? — Sentou, agora preocupada.
—Sim. Não tem perigo. — Dei de ombros. Não podia mostrar apreensão.
—E se meu pai descobrir? — Perguntou nervosa, mostrando aflição e medo.
—Só se você contar. —Levantei, tentando não me deixar atingir por seus receios. —Não vai acontecer nada. Eu vou devagar e volto antes do papai chegar. —Prometi.
—A Jéssica vai morrer se souber que você tem rolo com o irmão do Jasper! — Ela deu um risinho conspirador.
—Ela supera. — Saí sorrindo do quarto e desci apressada as escadas.
Ainda apreensiva com o que se seguiria, peguei a estrada e conferi as horas no relógio do painel. Era meio-dia e meia. Se a viagem demorasse muito, chegaria lá até duas e meia. Então, poderia ficar até cinco que ainda chegava em casa antes do papai. Perfeito! Por outro lado, se algo desse errado, seria uma decepção para meu pai, pois sempre fui responsável. Restava pensar positivo, voltar cedo e cruzar os dedos para que não tivesse nenhum policial fazendo ronda.
Enquanto as árvores passavam velozmente por mim, ainda me perguntava o que iria fazer lá, ou o porquê de ir. O pretexto mental era ter ouvido a Jéssica dizer que ia 'pegá-lo'. Todavia, o que se passava na minha cabeça para achar que ele era meu?
Sem que eu percebesse, cheguei a Forks. Procurei o endereço, que, por sorte, Jasper tinha me dado dias antes. Parei em frente a uma casa azul clara, onde atrás dela tinha uma vista de uma montanha e rio, e confirmei o endereço. Simples e pequena como eu imaginava.
Buzinei e, segundos depois, a porta se abriu. Lentamente, Edward saiu, de bermuda e sem camisa. Olhei-o apreciativamente da cabeça aos pés, medindo-o de todos os ângulos possíveis. Sua beleza era extraordinária. Abdômen naturalmente sarado, pernas torneadas e grossas, peito definido. Aturdida, desviei os olhos e voltei a respirar. Eu tinha que aprender a lidar melhor com essa paixonite aguda.
—Você está fora de si. — Disse sem sorrir, apoiando as mãos na porta do carro. —Entra. Alguém sabe que você está aqui?
—Alice sabe. — Meus olhos encontraram os seus, e ele não parecia irritado, só preocupado.
—Estaciona o carro ali ao lado. Uma Ferrari no meio da rua chama muita atenção. — Disse sisudo, passando as mãos ansiosamente no cabelo. Estacionei, e ele me esperou na porta, impessoal. Entramos, eu abracei efusivamente Jasper na sala, e Edward foi à cozinha, distante e calado.
—Aceita água, suco? — Edward ofereceu formalmente.
—Não, obrigada. — Respondi sem jeito e me senti deslocada. Rosalie, a irmã dele, apareceu na sala, me cumprimentou reservada e saiu. Edward passou por mim e por Jasper e foi para o quarto, ignorando-me por completo, instante em que me questionei até que ponto cheguei por causa dele.
—Posso ir lá falar com ele? — Perguntei a Jasper e apontei para o corredor. Deus, eu não tinha amor próprio!
—Pode. Não liga pra ele, Bella. Ele é esquisito mesmo. — Jasper fez uma careta, chateado.
—Tá bom. Eu vou lá ver o que ele tem.
Determinada, respirei fundo, atravessei o corredor e entrei no quarto que o vi entrar. Ele estava de costas para a porta e, quando me encostei ao portal, ele me olhou de esguelha. Cruzei os braços indignada com sua recepção e olhei inquisitoriamente para ele. —Você quer que eu vá embora? — Sugeri irritada. — Está com raiva por eu ter vindo?
—Não. — Respondeu tranquilo. —Só estou só me perguntando o motivo. — Adicionou reflexivo, mexendo nesse tempo em um toca CD's.
Com um suspiro quase aliviado, deixei meus ombros caírem e dei uma esmiuçada com o olhar no seu quarto. Era bem organizado para ser quarto de dois homens; limpinho, com duas camas, um guarda roupa, uma TV e um computador velho. Tinha muitos livros e CD's. Cheirava a lavanda e talco. Será que ele usava perfume de bebê?
—Por que você voltou? — Quis saber, abrandada. Se desse voz ao argulho agora, não teria valido a pena o risco de ter vindo.
—Porque como minhas aulas só começam em mais de um mês, minha mãe pediu para eu voltar. — Explicou e mudou a música, colocando Regina Spektor.
—Mas vocês já sabiam que as aulas só iriam começar em mais de um mês. — Lembrei.
—Sim, mas como resolvi tudo que tinha ido fazer e todos os calouros voltaram para as festas de fim de ano, resolvi aceitar a proposta da minha mãe. — Respondeu ainda de costas, parecendo ler o encarte de cd.
—Que dia você chegou? — Respirei fundo, um pouco chateada, um pouco decepcionada pela falta de atenção.
—Ontem à noite.
Uma pausa de silencio se fez, chegando a me deixar desconfortável. Ele sentou na cama, olhando para o chão indiferente à minha presença, fechei os olhos e me condenei por ter vindo.
—Bella, porque você veio? — Levantou finalmente o olhar, fixando seus olhos no meu.
Dei alguns passos e parei em sua frente. —Porque minhas irmãs falaram que você estava aqui...— Expus sincera. Já que estava aqui, não iria mentir. —Eu queria te ver. — Adicionei com um sussurro tímido.
—Mas não precisava ter feito isso. — Repreendeu brandamente, referindo-se ao fato de eu ter vindo escondida.
—Eu agi sem pensar. — Aproximei mais um pouco, encostando a perna de lado na cama.
—Você foi irresponsável. — Sussurrou gentilmente. —E se acontecer alguma coisa? Afinal, você ainda tem que voltar. — Lembrou enquanto olhava ansiosamente para as mãos, movendo freneticamente os dedos.
Notando sua apreensão, segurei seu queixo e o fiz olhar para mim.
—Edward, eu nunca fiz nada irresponsável na vida. — Disse carinhosamente. —Eu nem pensei. Não sabia se você ia ficar o resto do mês ou não... Porém, queria muito te ver. — Murmurei manhosa e acariciei seu rosto. —Também acho que fiquei de sangue quente quando soube que a Jéssica estava beirando você. Pronto. Falei! — Resmunguei e fiz um bico.
Ele sorriu convencido, levou a mão a minha cintura, puxou-me e me sentou de lado em seu colo.
—Vem aqui, menina.— Disse com a voz macia. —Eu também queria te ver. — Acariciou meu rosto. —Porque não veio cedo com suas irmãs?
—Porque eu não sabia que você estava aqui. — Apoiei o rosto em seu ombro.
—APROVEITEM, crianças, que eu vou ali ver uma gatinha. — Jasper avisou sugestivo e saiu rindo.
Imediatamente me alarmei com o comentário.
—Nós vamos ficar sozinhos? — Perguntei e fiz menção de levantar do seu colo. Ele me segurou.
—Sim. Qual o problema? — Quis saber despreocupado, agora acariciando minhas costas.
—Er, eu não vou pra cama com você. — Avisei sem jeito.
—Você já está na minha cama, querida. — Disse simplesmente. —Mas, quanto à cama que você quis dizer, não se preocupe. Não vou fazer isso com você. É só você se comportar bem direitinho. — Beijou minha bochecha, acariciando nesse tempo minha nuca.
Indisposta a perder mais tempo, virei meu rosto e encostei meus lábios nos seus, segurando seu queixo. Dei alguns selinhos, familiarizando, depois inseri a ponta da língua. Ele sorriu em meus lábios.
—Está atacadinha hoje. — Comentou brincalhão e prendeu a língua nos dentes. Passei os dedos em seu pescoço, acariciando até a nuca, deleitando com o sabor de seus lábios.
—Não estou com muito tempo.— Sussurrei em sua boca. —Tenho que fazer valer o risco. — Mudei meu corpo e sentei de frente a ele. Por um segundo, ele me olhou assustado, porém correspondeu aos beijos provocativos que eu não parei de dar. Passei os braços em volta de seu ombro, apertei mais a boca na sua e evoluímos para um beijo sensual, ocupando e deslizando a língua na boca um do outro, ficando mais urgente a cada segundo.
Como ele tinha o poder de fazer isso comigo? De me incitar a querê-lo de um jeito desconhecido. Queria afagá-lo, apertá-lo.
Minhas mãos percorreram suas costas nuas, analisando e apertando os músculos naturais. Desviei a boca de seus lábios e beijei-o do pescoço ao ombro, mordendo devagar, tempo em que minhas mãos afagaram seu peito másculo. Ouvi um gemido de protesto, ele desceu a mão em minha cintura e me puxou contra ele, depois mordiscou mais ansioso meu rosto, pescoço.
Após um tempo de carícias, ele resfolegou impaciente e, ainda que eu fosse inexperiente, percebi excitação em seu corpo. E aquilo gerou uma ansiedade nova. Um arrepio através da coluna, alojando e afogueando meu ventre. Suas mãos alternaram entre meus cabelos soltos, costas e entraram sorrateiramente em minha blusa, alisando as costas, depois passou os dedos em volta da cintura. Eu arfei e outras sensações me percorreram.
Vagarosamente, ele subiu hesitante a mão, parecendo intencionado a acariciar os meus seios. Todavia, eu as segurei antes que cumprisse o objetivo. Não era minha intenção avançar tanto. Mas continuei beijando a sua orelha, mordiscando o lóbulo.
—Quer me enlouquecer? — Disse entre murmúrios, apertando os dedos em minhas costas, sugando o meu pescoço.
—Nada que você não possa agüentar. — Sussurrei, deslizei a língua em sua orelha e ele me arrastou sobre ele, criando um atrito entre nós. Retesei ao perceber sua reação muito masculina. Mesmo assim, fingi não notar e continuei a brincar com a língua em sua orelha.
—Você não está quietinha, como combinamos. — Acusou de olhos fechados, gemendo com os dentes travados, enquanto apertava a mão nas costas e quadril.
Sorrindo com a acusação resignada do comentário, voltei a beijá-lo na boca, agora sua língua ditando o ritmo, sendo sugada, acariciada pela minha. Eu podia sentir quanto desejo havia em seus lábios. O seu corpo o entregava quando ele me apertava e arrastava sobre si impacientemente, o que desencadeava em uma sensação aflitiva em mim. Ele sugou meus lábios com fome, uma mão mergulhada em meu cabelo e outra em minhas costas, por dentro da blusa. Ele estava entregue, em transe, enquanto seus lábios se moviam, alternando entre minha boca, pescoço. Eu deitei a cabeça e ele desceu com os lábios em minha clavícula, com urgência, chegando ansiosamente ao colo, fazendo sonsinhos roucos e abafados.
—O que você está fazendo comigo, Bella? — Sussurrou e mordeu meu queixo, voltando depois desesperado para meus lábios.
Ali não havia hora, nem lugar, estávamos a anos luz fora da realidade. Se eu continuasse ali, me entregaria aos sentidos que me invadiam e às correntes elétricas que fervilhavam. Os nossos corpos se atraiam. Viajamos no momento entre pequenos gemidos e murmúrios.
Algo em mim dizia para parar, pois estávamos a sós. Entretanto algo muito maior queria conhecer mais daquilo, queria continuar. Meu corpo era mais forte que meu cérebro, então me deixei levar por seus beijos, pelo calor que me queimava no ventre. Ele mostrava o homem que ele era quando libertado, conduzindo os beijos, e eu gostava do que conhecia.
Depois de um longo tempo nos torturando com esses atos instintivos, Edward mordeu o meu ombro, ofegante.
—Melhor pararmos. — Murmurou baixinho e me abraçou forte, respirando cortado. Minutos se passaram e nós esperávamos nos acalmar, respirando um no pescoço do outro. —Bella, fica quietinha aqui. Daqui a pouco eu volto. — Pediu e me afastou. Levantei do seu colo com as pernas meio fracas e sentei perto de uma escrivaninha.
—Posso olhar essas fotos? — Apontei para um álbum.
—Pode.
Edward abriu uma gaveta, pegou alguma coisa e saiu. Enquanto ele estava fora, olhei umas fotos de sua infância. Edward e Rose se pareciam muito desde mais novos. Jasper já era um pouco diferente. Talvez fosse a cor dos olhos, que eram dourados.
—Bella, você quer lanchar? — Perguntou após um tempo.
—O que tem? — Fui em direção a ele.
—Suco, biscoitos e um bolo. — Cheguei à porta da cozinha e ele apontou para alguns itens.
— Quero bolo e suco. — Avisei. Ele preparou e levou o lanche em uma bandeja para o quarto. —Tomou banho! — Perguntei ao notar o cabelo molhado e mudança de roupa.
—Sim. — Respondeu evasivo, colocando em seguida o lanche na mesinha.
—Por quê? — Quis saber curiosa.
—Estava com calor. — Puxou os lábios em uma careta, como se a resposta fosse óbvia.
—Hum. — Foi o que respondi. Achei estranho.
Despreocupada, sentei e peguei o pedaço de bolo que ele cortou.
—Posso levar uma foto sua? — Pedi enquanto comia. Ele assentiu. —Esta é sua cama? — Perguntei e me inclinei para cheirar a blusa do pijama que estava dobrada no travesseiro.
—É
—Deixe-me levar essa blusa também? — Pedi manhosa. —Ela tem o seu cheiro.
—Bella, está ficando obsessiva. — Alertou com um sorriso presunçoso. —Você está gostando demais de mim.
—Não se iluda, meu filho, são só beijos. — O abracei e arrastei o nariz no seu.
—É? Tudo bem. — Segurou minha cintura, ajoelhou na cama e me deitou nela, deitando a seguir ao meu lado.
—Quantas mulheres já estiveram aqui? — Perguntei brincalhona.
—Duas. — Respondeu simplesmente. —Três com você.
Instantaneamente fiquei frustrada com o que ouvi e mudei rápido de assunto. Perguntei sobre sua infância, sobre o pai que sumiu, sobre o seu cuidado e amor pela mãe, sobre seus irmãos. Ele respondeu tudo animadamente, falou sobre os poucos amigos que tinha. E assim, nem vi as horas passarem ou o sono nos levar.
Acordei com a mãe de Edward nos chamando da porta do quarto. Levantei assustada e constrangida.
—Oi, Esme. Que horas são?
—Seis e meia. —Respondeu sem jeito.
—Meu Deus! — Sentei. —Eu tenho que ir embora! — Falei assustada. —Edward, você não me acordou! — Acusei atordoada.
—Eu também dormi, Bella. — Ele se justificou bocejando.
—Bella, fica calma que você não precisa ir embora agora. — Esme tentou me acalmar.
—Minha irmã vai precisar do carro. M-meu pai vai chegar e vai saber que eu saí cedo e não voltei. Aí ele vai descobrir que eu estou aqui! — Balbuciei nervosa.
—Ele já sabe que você está aqui. Foi ele quem me ligou pedindo para eu vir para casa e não deixar você sair. — Esme explicou tranquilamente.
—O que ele disse? Como estava? — Disparei.
—Nervoso. — Informou.
Com movimentos apressados, procurei meu celular na bolsa e não achei. Levantei inquieta, fui ao carro e encontrei-o no banco. Tinha quarenta ligações de casa. Em todo tempo Edward ficou ao meu lado, tentando me deixar calma.
—Meu pai vai me matar, me deixar de castigo e me mandar morar com a minha mãe. — Disse aflita.—Depois vai matar você.
—Por que ele vai me matar? — Perguntou pensativo.
—Porque ele vai achar que foi você quem me induziu. —Falei sem raciocinar. — O que eu vou falar pra ele? —Gesticulei frenética.
—Fala a verdade. — Sugeriu calmamente.
—E qual é a verdade? — Arqueei a sobrancelha.
—Que somos amigos, que não temos nada e que em breve vou embora. — Disse enquanto acariciava meu rosto. —Depois prometa para ele que nunca mais vai me ver.
—Ah, ele não vai acreditar! — Fiz uma careta nervosa. —E não! Eu não vou prometer isso! — Joguei a mão no ar, teimosa.
—Bella, você não vê a realidade? — Segurou meu rosto com as duas mãos. —Seu pai não quer que você fique próximo de uma pessoa como eu. — Apontou para si com Julgamento.
—Meu pai não é preconceituoso. — Disse sem convicção.
Eu mesma tinha que acreditar nisso, no entanto tinha dúvidas. Também estava com medo do meu ato irresponsável resultar em problemas para a família da Esme.
—Vamos para o carro ouvir música enquanto ele chega. — Edward sugeriu, pegando em minha cintura. Ficar em pé, parada e nervosa não ia adiantar nada mesmo, logo resolvi o acompanhar.
Ele entrou no carro, ligou o som e me puxou para sentar de lado em seu colo.
—Você é tão linda. Não sei por que cismou comigo. — Disse alisando meu rosto.
—Gosto de usar você. — O beijei leve e sorri. —Agora você é meu brinquedinho. Você disse que não ia ser, mas agora é. — Dei selinhos em suas pálpebras.
—Então aproveita que seu tempo está acabando. — Me beijou no rosto.
As palavras dele me pareceram ter duplo sentido, mas eu não quis me importar. Determinada a não perder tempo, encostei minha boca na sua e o beijei como se fosse a última vez, sugando seus lábios, acariciando seu rosto. Eu não sabia o que ia acontecer quando meu pai chegasse, então devia aproveitar cada segundo saboreando novamente aquele gosto inexplicável, sentindo aquele desejo desconhecido. Não desgrudei de seus lábios e esquecemos tudo pelos minutos que seguiam.
Uma hora depois, ouvi uma buzina. Levantei em um pulo. Três pessoas desceram do carro.
