Capítulo Se me quer, fica comigo

Ao ver meu pai, Emmett e Alice, eu paralisei. Imediatamente, Edward se levantou e, solícito, foi até a entrada receber o meu pai. Eu não me movi. Queria fugir, me esconder, então sentei no carro e fiquei observando eles conversando. Um minuto depois, Edward apontou para o carro onde eu estava, e meu pai veio furioso em minha direção. Emmett e Alice vieram logo atrás.

—BELLA, SAIA JÁ DAÍ! — Vociferou. —Ou vou registrar uma ocorrência contra o seu amiguinho na delegacia por rapto de menor! — Disse sem me dar chance para pensar. —Quanto a você! — Olhou ameaçadoramente para Edward. —Fique longe da minha filha ou você pode sair prejudicado. — Dise apontando o dedo em sua direção.

—Pára, pai... Fui eu quem quis vir! — Pedi apavorada, levantei e fiquei perto do meu pai.

—O QUE VOCÊ TEM COM ELE? — Gritou fora de controle.

—Nada, sou só amiga dele. — Respondi num fio de voz enquanto olhava triste para Edward.

—O Emmett acabou de me falar sobre a sua 'amizade' com ele. — Disse com descaso. —Você não vê que ele não é para você, filha! — Apontou para Edward com desdém.

—Vamos embora, vamos, pai... — Eu disse e comecei a puxar o seu braço. Queria tirar meu pai dali antes que ele começasse a falar coisas que viessem a ofender Edward. Todavia meu pai relutava, estava fora de si.

—Você acha que eu te criei pra isso? — Censurou com acidez. —Pra ver você fugindo para se encontrar...

—PARA, PAI! — Interrompi desesperada. —Vamos embora! Por favor! A gente conversa em casa. — Supliquei e lágrimas de culpa desceram no meu rosto.

Olhei de canto para Edward, envergonhada por ver meu pai o diminuindo por minha causa, porém ele estava com o semblante imutável, olhando firme para o meu pai. Os soluços brotavam incontroláveis em meu peito. Eu não devia ter feito isso com nenhum dos dois. Fui egoísta e precipitada.

Um tempo desconfortável se seguiu, e ao ver o quanto eu chorava, papai se acalmou e se virou para o Edward. —Eu não tenho nada contra você, só não quero que se aproxime da minha filha. — Disse com a voz mais branda. —Bella sempre foi responsável e seria a última filha a agir assim. Essa 'amizade' está fazendo mal para ela. Então, por favor, fique longe dela. — Pediu educadamente. Edward não respondeu, mas o olhava sem vacilar. Papai continuou. —Repito, não é nada pessoal. Só não é certo.

—Tem certeza, Carlisle, que não é nada pessoal? — Esme saiu fora de casa e perguntou incisivamente.

—Não, não tenho nada contra a pessoa do seu filho. Tudo é com relação à Bella. — Respondeu meio constrangido. Pela característica do seu rosto, ele mostrava estar arrependido do que tinha feito minutos atrás. Ele estava acuado.

—Você não quer que a Bella namore meu filho, assim como seus pais... — Esme se interrompeu, enquanto encarava meu pai.

As coisas ficaram piores do que eu pensei que pudesse ficar. Eles agora iriam discutir, ela ia ficar desempregada e... Meu Deus! Sem marido, com um filho doente... Eu nunca iria me perdoar se isso acontecesse!

—Tudo se resume a classe social, Carlisle. — Esme continuou. — Você se tornou igual ao seu pai, manipulando o futuro dos filhos. Olha o que aconteceu com você? — Apontou com acusação para ele. Parecia que a briga era outra. Ela o afetava e nós só observávamos.

Atordoada, olhei para Edward e ele parecia gostar do que acontecia. Meu pai pareceu esquecer onde estava e o porquê, olhou para Esme e segurou o olhar. — ê. . — Falou entre dentes.

Ela ergueu o queixo. —Lógico, com a pressão dos seus pais, com a Renée dando em cima de você, as pessoas me olhando torto e me humilhando por ser pobre, como eu não ia desistir? — Eles se encararam por um longo tempo, depois ela continuou. —Mas pelo jeito você não aprendeu. Já viu o que as escolhas erradas fizeram com a sua vida? — Apontou para ele com crítica. E automaticamente eu soube do que ela falava. Ela estava falando da minha mãe. Isso iria machucar muito meu pai.

Respirando fundo, ele me puxou e deu as costas para ela. —Até mais, Esme, e peça para o seu filho ficar longe da minha filha.

Eu saí de lá atormentada pela culpa e pela dor. Não consegui olhar uma última vez no rosto do Edward antes de sair. Ali eu percebi que era o fim de tudo. Como eu pude ter chegado a esse ponto por um capricho? Como eu pude magoar a pessoa que eu amo tanto, que é o meu pai? Isso realmente não tinha chance de dar certo. Só eu não conseguia enxergar. A vida conspirou contra nós desde o início, eu que fui teimosa em insistir.

Chegamos ao carro, Emmett pegou a chave da Ferrari e voltou dirigindo. Voltei com meu pai e Alice. No caminho, não nos dirigimos uma só palavra.

—Bella, amanhã a gente conversa. — Carlisle disse e subiu apressado para o seu quarto.

Nenhum dos meus irmãos falaram nada, só me olhavam com olhar de acusação. Eles sofriam porque meu pai foi magoado desnecessariamente. Esme mexeu no seu passado violentamente, expondo as feridas dele para os próprios filhos. Tocar, mesmo que sutilmente no relacionamento do meu pai com a minha mãe, mesmo que ele mostrasse que não, era uma tristeza para ele. Ele é infeliz pela escolha que fez. O que deu forças para ele não se frustrar com a vida, foram os filhos que ele adquiriu nesse casamento. E nós, embora não falássemos no assunto, sabíamos disso. Por isso nos dedicávamos com tanto amor a ele, em gratidão por ele nunca ter nos abandonado, como minha mãe fez.

Amanhã, com certeza ele iria chegar em casa com a passagem comprada para me mandar para o Japão, que era onde minha mãe estava. Tomando nota disso, fui infeliz para o meu quarto, cair em meus prantos.

—Alice, o que aconteceu? — Perguntei mal humorada e sentei-me à mesa para o lanche da manhã. Minha cabeça doía pela noite mal dormida.

—Não foi porque eu quis. Eu tentei... — Alice explicou, triste também.

—Eu não estou dizendo que foi sua culpa, só quero saber como aconteceu. — Pedi mais calma.

—Meu pai chegou umas três horas, ele disse que ia tirar a tarde de folga, pois hoje iria viajar. Quando ele não te viu, perguntou cadê você, aí a Jéssica disse que você saiu meio-dia no carro dela e até aquela hora não tinha voltado. Depois eu liguei um monte de vez para você vir e você não atendeu. Deu cinco horas e nem sinal de você. Ele ligou para o seu celular, e nada de você atender. Ele ficou preocupado e pediu para Emmett dar uma volta pela cidade para procurar. Então eu tive que contar, porque ele falou em ligar para o amigo dele da polícia.

—Então meu pai ia viajar hoje? — Perguntei chateada comigo mesma por ter prejudicado os seus planos e ainda tê-lo deixado tão triste.

Ela balançou a cabeça assentindo, eu mergulhei a cabeça sobre o meu braço e deixei o arrependimento me inundar. Esse dia ia ser uma tortura. Nesses quase dezesseis anos de idade, meu pai nunca precisou chamar minha atenção. Isso tudo podia parecer uma tempestade em um copo d'água, mas não era. Um ciclo de confiança foi abalado. Isso afetava toda a família.

O restante do dia, passei encolhida no sofá, tensa, esperando pelo pior.

Carlisle chegou mais cedo do trabalho. Ele estava com um semblante melhor. Talvez as coisas não fossem tão ruins como eu imaginava, logo eu fiquei menos tensa.

—Bella, vamos ao meu escritório. — Subiu as escadas e me chamou. Subi atrás dele, entrei acuada e sentei. Ele abriu seu notebook e começou. —Filha, eu sei que vocês sentem falta da mãe, sei que eu não tenho tido tempo suficiente com vocês...

—Pai, não! Por favor, não se culpe. — Supliquei com uma dor me cortando em ver meu pai ter que tocar nesse assunto. —O senhor é um pai perfeito.

—Então por que você está agindo assim? — Ele continuou calmo.

—Eu não sei, foi só um momento. — Murmurei baixinho.

—Então isso significa que ele não é nada para você?

Pensei um pouco. O melhor era ser sincera naquele momento. —Eu acho ele legal e gosto de ficar perto dele, mas não é muito importante. — Eu queria acreditar nisso.

—Mas é pior do que eu esperava. — Suspirou de frustração.

—Mas não temos nada. —

—Bella, ele faz mal para você. Eu esperava isso da Jéssica, não de você. Você sempre foi a pessoa mais equilibrada, mais decidida aqui de casa. Eu me vejo em você. Eu acredito que a pessoa que tem a chance de assumir as nossas empresas daqui de casa é você, pois você tem desenvoltura e atitude. Não tome decisões precipitadas na sua vida filha! Não deixe a rebeldia de adolescente falar mais alto.

—Pai, não é rebeldia de adolescente. As coisas aconteceram. — Passei as mãos no cabelo, tensa. —Realmente não temos nada... mas não é por que eu não queira.

—Puxa, filha, com tantos rapazes para você sair, você quis um qualquer! — Apontou com intolerância rumo a Forks.

—Não fale assim dele, pai, por favor. — Supliquei, sentindo dor pelo preconceito no seu tom. —Ele não merece. Ele é uma pessoa boa.

—Isso não tem chance de dar certo. Vocês são de criações diferentes, vidas diferentes. Você não deve escolher pessoas de um mundo diferente do seu.

—Eu nunca pensei que o senhor se importasse com classe social das pessoas. — Balancei a cabeça desacreditada.

—Se fosse só classe social, eu não me preocuparia. Se eu visse que é só uma paquera com um funcionário, com um segurança qualquer, embora não fosse o que eu queira para você, eu não me importaria. O problema é que eu sinto que é muito mais que isso.

—Então o problema é se eu gostar dele. É isso? Ficar não tem nada? Paquerar não tem nada? — Perguntei relutante.

—Sim, só que pelo que eu sei, esse 'paquerar' tem se aprofundado demais. Eu sei de tudo, Bella, desde os beijos do seu aniversário, até as brigas que vocês tiveram. Mas o pior de tudo foi infringir uma lei para ir a Forks atrás dele. Isso é demais para uma simples paquera.

Grrrr. Emmett traidor.

—Então agora eu entendi. — Murmurei fracamente. —Posso ficar com rapazes pobres, mas não posso me envolver. É isso? — Desafiei.

—Hmm... Não que eu goste. Sinceramente espero que você evite isso.

—Por quê?

—Pelo óbvio. Qualquer pessoa que se aproximar de você, que saiba que você é rica, está interessado em seu dinheiro.

—O que? O senhor realmente acredita nisso? — Eu fiquei perplexa com o pai que eu estava conhecendo.

—Sim, Bella, a vida me ensinou isso. — Respondeu reticente. Ele parecia esconder algo.

—Eu não estou acreditando no que estou ouvindo. O senhor está rotulando as pessoas. Isso é preconceito! Achar que só por que as pessoas são pobres, se aproximam dos outros por dinheiro!

—Existem coisas que não dá para mudar. Temos que nos encaixar no lugar onde fomos colocados. — Disse melancólico e fitou o vazio.

—Agora o senhor está falando de si mesmo não é? — Olhei-o firmemente. —Deve ter sido obrigado a se encaixar. Que história foi aquela com a Esme? Ela também era pobre e seus pais não a quiseram? — Disse sem pensar, quando olhei em seu rosto me arrependi.

Ele pausou um tempo calado, depois respirou fundo. —Bella, conversar não está sendo uma boa, então vou impor: fique longe dele. — Disse sério e duro.

—Eu já estou longe dele, pai. — Sussurrei derrotada. —Ele não vai querer me ver depois do que o senhor falou ontem à noite. — Suspirei.

—Tente, Bella! Aproveite a vida. Procure opções. Você nunca foi de namorar, nunca se deu uma oportunidade. Então tente com outras pessoas.

—Vou tentar. — Murmurei vencida.

—Você tem opções, filha, aproveite o que a vida te oferece, saiba escolher o melhor. Você vai ver que paixonite é normal, temos muitas na vida e não devemos mudar a nossa vida por causa delas. Essas coisas passam. — Ele me olhava nos olhos esperançosamente.

Ele estava literalmente me aconselhando a beijar um monte de gente e a ficar com um monte de gente, desde que fosse da nossa mesma classe social? Hilário!

Ele não falou abertamente, mas eu entendi. Bom, pelo menos isso era melhor do que bronca e castigo!

—Tudo bem. Vou fazer o que o senhor me aconselha. — Sorri fraco, tendo uma sensação de traição ao meu próprio coração.

Ele sorriu satisfeito. —Bella, seu presente de aniversário chegou mais cedo e está lá fora. — Informou sorridente.

—Presente? — Perguntei desconfiada, depois me lembrei de algo importante. —Pai... O senhor mandou a Esme embora?

—Lógico que não. Somos profissionais. — Respondeu torcendo os lábios em um sorriso complacente.

Eu sorri, feliz que tudo tivesse dado certo, saí do escritório, e todos me observavam. Sorri para eles e me direcionei ao jardim. Estava lá, cheia de laços, uma Mercedes preta conversível. Nossa, eu não levei bronca, ainda ganhei presentes! Meu pai é demais! Sabe conquistar um filho... Ou seria comprar? Sorri com a dedução.

O clima na minha casa mudou. Meus irmãos viram que tudo acabou bem e saímos todos para comer pizza.

Após chegar em casa, pus a cabeça no travesseiro e coloquei o cérebro para pensar. Meu pai tinha razão em querer impor. Realmente eu tinha que acabar com isso. Eu não estava tão envolvida assim. O que ele era para mim? Só era bonito e beijava bem. Ele não era o único menino bonito no mundo e, como eu nunca beijei outra pessoa, não podia saber se o seu beijo era o melhor. Podia ser por isso que eu tinha essa obsessão por ele. Explicado.

Uma semana depois, era meu aniversário de 16. Eu recebi vários telefonemas de amigos, entre eles, o de Jasper.

—Oi, Bella. Feliz Aniversário! — Parabenizou empolgado.

—Obrigada! — Agradeci. —Pensei que não ia ligar. — Murmurei manhosa.

—Como eu não ia ligar para minha irmãzinha do coração? —Brincou bajulador.

Sorrimos.

—Está tudo bem? —Eu perguntei. — Está tomando os remédios?

—Sim... Er, como ficou as coisas por ae depois daquele dia aqui em casa? — Perguntou cautelosamente.

—Voltou tudo ao normal. — Disse naturalmente. —Eu voltei a ser responsável. — Adicionei, indisposta a aprofundar o assunto. —Ganhei uma Mercedes conversível sabia! Vem aqui pra gente dar uma volta! — Disse empolgada.

—Ah, com certeza eu vou!

—Que dia você vem por aqui? — Pressionei já com saudade.

—Só daqui a dois meses, que é quando eu vou ao médico.

—Ah, então não deixa de me avisar.

Fez-se uma pausa de silêncio, eu me preparei para despedir, mas ele falou antes.

—Bella, desculpa me intrometer, mas você não vai mais ligar para o meu irmão, não? — Perguntou em tom de cobrança.

—Hum... Eu acho melhor não. Eu não quero mais magoar as pessoas que eu realmente amo. — Mudei o tom, sentindo a voz estrangulada.

—Que idiota. Ele também falou que não quer te ver. Eu tô puto com isso. Acho uma frescura. — Mostrou irritação.

—Não, Jasper, é melhor para gente.

—Acho que não é melhor pra ele, não, porque ele agora ficou bem pior do que já era. Ficou muito mais chato e estressado.

—É impressão sua. —Sorri. —Seu irmão, como você fala, já era bem esquisito mesmo.

—Então tá, Bella, pra mim vocês não deviam ficar assim. Deviam se pegar e ponto. Mas se vocês não querem. — Censurou. —De qualquer maneira, eu continuo aqui. Caso você fique carente, pode vir atrás de mim. Se ele não quer, eu quero. — Sorriu, brincalhão novamente.

—Ta bom, Jasper, pode deixar que eu te procuro. —Sorri com ele.

—Beijo.

Despedimos e desliguei, pensando no que Jasper disse. Uma semana depois foi o aniversário dele. Eu poderia ligar. Mas achava que não tinha forças para não ir vê-lo. Logo, não devia tentar meu auto-controle, por isso não liguei, mesmo sentindo saudade.

Dois meses se passaram, e faltavam duas semanas para as aulas de Emmett começar, então meu pai nos convidou para irmos todos juntos à Califórnia procurar um apartamento para Emm perto da Universidade. Papai comprou uma cobertura próxima à praia, argumentando que quando viéssemos visitar Emm, precisávamos de um lugar aconchegante.

Quando os nossos amigos antigos descobriram que estávamos na cidade, os convites para festas e eventos não cessaram. Assim, em uma festa no Central Valley, onde tinha somente a nata da sociedade, conhecemos um amigo do meu pai, um político da cidade. Ele nos apresentou o seu filho, um lourinho fofo, e Jéssica logo se interessou por ele.

No club, tinha dois ambientes de festas. Clássicas e pop. Obviamente escolhemos o ambiente com pop. Dançamos por horas com Ryan, o lourinho filho do político. Jéssica se insinuava o tempo todo para ele, porém pareceu se interessar por mim.

—Vamos dançar no outro ambiente? —Convidou sugestivo.

Por um instante fiquei indecisa se ia ou não, afinal, não me sentia preparada para flertar com outro garoto. Mesmo assim, nem tudo se resumia a flertes. Eu poderia fazer alguma amizade. —Espere-me lá, que eu já vou.

Antes de ir, fui ao banheiro, retoquei a maquiagem e aproveitei para pensar. Era uma boa oportunidade para tentar. O pai dele era influente, ele era rico e bonito, interessante. Melhor que isso: eu não o veria mais. Poderia dar certo. Isso agradaria meu pai.

Entrei no salão onde passavam músicas clássicas, imediatamente ele veio em minha direção e me tirou para uma valsa.

—Gostando da festa? — Perguntou próximo ao meu ouvido.

—Sim. — Respondi meio embaraçada com a intimidade.

—Tem que idade?

—16.

—Não parece. — Afastou-se e olhou-me avaliativamente. —Parece mais velha.

—Não se deve falar para uma mulher que ela parece mais velha, sabia disso? — Brinquei. —Mas e você? Tem que idade?

—Dezoito.

—Você parece ter dezoito. Já está na Universidade?

—Vou começar agora. Mas não estou empolgado. Não é o que eu queria fazer.

—E o que você queria fazer? — Perguntei e ele me girou graciosamente, depois segurou minha cintura e voltou a me conduzir.

—Ciências Robóticas. Eu gosto de pesquisas cybernéticas, criações.

—Hmmm.

—Você é bem diferente da sua irmã. — Comentou e pôs o rosto em meu ombro, enquanto me apertava mais forte a ele. Eu me senti desconfortável ao associar aquelas mãos à sensação das mãos de Edward em mim. No mesmo instante algo doeu.

—Como assim sou diferente da minha irmã? — Tentei cortar o clima.

—O seu olhar é sincero, o seu jeito é meigo.

Ele era legal, tinha um cheiro bom, e eu curtia a companhia. Dançamos bastantes músicas. Em alguns intervalos, ele buscava alguma bebida, tomávamos, depois voltávamos a dançar. Depois de um tempo, ele começou a inspirar perto do meu pescoço, acariciar meu ombro e passar a mão no meu braço lentamente. Eu percebi que ele iria me beijar e senti uma dor enorme, uma tristeza. Imediatamente, percebi que não ia conseguir. Os braços dele, que eram tão gentis, não me aqueciam. Meu corpo e coração estavam gelados. Ele não era Edward. Pra quem eu estava mentindo?

—Desculpe, eu tenho que sair. — Murmurei, afastei-o e saí a passos rápidos, desnorteada pelos sentimentos. Fui para recepção, liguei para o meu pai e avisei que ia pedir ao motorista que me levasse embora, porque não estava me sentindo bem. Ele concordou, e eu fui para o hotel.

Cinco meses se passaram desde que meu pai pediu para eu tentar, e eu não evoluí. Não conseguia sentir nem mesmo vontade de ficar com ninguém. Eu podia até passar horas conversando com rapazes diferentes, mas quando eles se aproximavam, eu travava e não os deixava prosseguir.

A nossa casa já não era mais a mesma desde que Emmett se foi. Minha vida estava chata e solitária sem a banda. E, por fim, aceitei namorar Mike. Além de precisar escapar dos olhares desconfiados do meu pai, queria evitar cobrança. Eu tinha que fingir que esqueci Edward e arriscar gostar de alguém. E Mike me fazia sorrir. Sempre fez. Eu gostava de ficar perto dele, de ir ao cinema com ele. Na verdade, não mudou muita coisa. Sempre fizemos isso juntos. A única diferença era que namorando eu tinha que beijá-lo. O que era uma hora muito difícil. E imagino que fosse ruim para ele também. Era como se estivesse beijando uma parede. Fria e sem vida.

Narrado por Edward

Deitei em minha cama para ler um livro, e enquanto lia, meu colega de quarto entrou rápido e saiu para uma festa. Mais uma vez eu percebia o quanto a vida era injusta. Meu colega, por ser filho de um senador, ganhou bolsa integral, mesmo tendo condições extras para pagar, enquanto muitos não podiam arcar com Universidades daquele porte.

Ele era boa companhia, mas lamentavelmente não aproveitava as oportunidades e o tempo que tinha. Até que eu não importava em ajudá-lo com as provas e trabalhos, mas ele devia se preocupar com o seu futuro.

Não, Edward, quem tem que se preocupar com o futuro é você. Ele já é filho do senador. Com certeza já tem o futuro garantido.

Pensar em futuro, fez-me pensar em Bella. Na lembrança do último dia que a vi, em Forks. Se mudar a minha sorte já era objeto de aspirações, meus motivos se quadriplicaram após ter sido minorado com altivez pelo repulsivo Sr. Cullen. Percebi mais uma vez não querer ser um em meio à multidão. O desejo de despontar, novamente fora fomentado em meu ser com aquele ato seu.

Anseio que ele futuramente desdiga-se com escusa do modo desdenhoso no qual se referiu a mim. São essas pequenas abjeções, como a dele, que servem de combustível para que eu cresça. O sentimento de sobressair e exceder o medíocre é o que me impulsiona e me dá forças para continuar e superar as mais de quinze horas diárias dedicadas aos estudos.

É certo que com sua filha é diferente... Bella não parece se importar com as disparidades. Com seus atos, ela demonstra aceitar-me exatamente como sou. Por diversas vezes já demonstrou isso. É notório que ela não passa de uma menina, muitas vezes obtusa em suas ações, mesmo assim, embora ela seja uma garota obstinada e inconseqüente, ela é a pessoa que faz meu peito inflar.

Com ela sinto-me menos áspero, como se não houvesse divergências entre nossas vidas. Ela faz-me enxergar tudo de um ângulo palpável, como se por instantes não houvesse extremos, não houvesse indigência e poder nos extremando. Como se nossa exigente conexão fosse provável. Com sua indulgência, ela faz-me sentir nas nuvens, vivo, a passos da realidade que nos assola. Bella me mostrou que por um momento em nossa vida podemos ser felizes com alguém. E eu realmente espero que ela tenha superado. Cinco meses foi um tempo propício para o seu capricho infundado por mim, esvair-se.

Entretanto, inquestionavelmente comigo não foi assim. Por mais que eu tentasse separar-me dela, eu me sentia atraído e preso. Certamente não iríamos nos distanciar se não houvesse algo brusco. Portanto, resta-me hoje lutar contra o vazio que me invade e contra a dor que me corta.

Narrado por Bella

Os últimos meses de aula se passaram lentamente. Arrastando. Por vezes, me sentia culpada por estava enganando o meu amigo, quando não sentia nada por ele. Esse namoro me deixava infeliz. Eu não me sentia mais eu mesma. Sabia estar sendo injusta com a vida, pois tinha tudo para ser feliz. Tinha família, saúde, dinheiro... Mas me sentia apática, como se faltasse algo em minha vida.

No fim de semana que iniciaria as férias de verão, Emmett chegou da Califórnia e organizou uma festa de comemoração atrasada do aniversário de Alice. Seria coisa simples. Só adolescentes. Até porque, meu pai viajou no dia anterior para New York a serviço. Contratamos DJ, Buffet e passamos a tarde organizando o salão de festas da casa.

Jasper não vinha mais aqui desde o dia em que meu pai discutiu com a Esme, mas ainda me telefonava vez ou outra, então, depois de organizar tudo para a festa, resolvi ligar para ele. De repente ele quisesse vir com a Rosalie, afinal, ele era nosso amigo.

Pensando assim, peguei meu celular e disquei o número da casa dele.

—Alô. — Atendeu e no mesmo instante tremi. Era a voz de Edward. Eu travei. —Olá... — Ele falou novamente.

E agora? Desligo? Pensei. Covarde, covarde, covarde.

—Oi, Edward. Tudo bem? — Tentei soar calma, mas minhas mãos gelaram e um frio atravessou meu estômago.

—Tudo. — Disse com a voz fria e baixa.

—O Jasper está? — Fui direto ao ponto.

—Sim. Só um minuto.

Um minuto depois, Jasper atendeu.

—Oi, Bella! —Gritou animado. —Bateu saudade de mim?

—Sim. Muita! — Respondi sorrindo. —E pra matar a saudade, queria que você viesse para o aniversário da Alice hoje à noite. Chama a Rose e vem! — Convidei-o empolgada.

—Ih, não vai dar. O carro está com problemas. Não dá para pegar a estrada. — Explicou desanimado.

—Vem de ônibus e dorme aqui. — Insisti.

—Não, Bella, obrigado pelo convite, mas Edward chegou e minha mãe quer a gente reunido. Vamos fazer alguma coisa juntos, entende?

—Sim, então tá bom. — Concordei desanimada. — Manda um beijo para sua mãe e para Rose.

—E para o meu irmão, não vai mandar, não? — Sorriu provocador.

—Eu não posso, Jasper. — Resmunguei desanimada. — E não me torture.

—Eu estou brincando, Bella. Desculpe.

—Não. Você não tem culpa. — Suspirei, sentindo a derrota nos meus ombros.

—Bella, posso ser um bobo, mas não sou cego. Por que vocês não conversam?

—Porque não temos o que conversar, aliás, eu acabei de conversar com ele no telefone. Ele está ouvindo você falar isso?

—Não. Foi para o quarto e bateu a porta com mal-humor.

—Então tá, depois conversamos. — Eu queria cortar o assunto.

—Bella, nós vamos a uma praia amanhã, você podia ir... — Sugeriu.

—Jasper, não faz isso comigo. Eu estou namorando... — Murmurei triste.

—E daí? Olha, ele também é louco por você, mas se vocês querem ficar nessa... — Tentou de novo.

—Como você sabe disso? — Perguntei, mas realmente não queria saber. Não mesmo.

—Eu vejo. Qualquer um vê.

—Como você vê? —Insisti.

—A primeira coisa que ele me perguntou quando chegou de viagem, foi se a gente ainda tinha contato, eu e você.

—É normal ele perguntar isso. — Tentei tirar as minhas próprias esperanças.

—Além disso, ele guarda o convite do seu aniversário de quinze anos, um que tem o seu book. Lembra? Pois é, ele carrega de um lado para o outro na mochila dele. Você acha que ele não gosta?

—Jasper, tchau.

—Tchau, Bella.

Suspirei e desliguei antes que ele falasse mais alguma coisa que me convencesse o que eu temia: Que ele sentia minha falta tanto quanto eu dele.

A festa estava bombando. Vieram muitos amigos da nossa escola e da faculdade da Jéssica. Começou as dezoito, então às dez ainda tinha muita festa pela frente.

—Mike! Demorou a chegar, hein! — Disse entusiasmada ao vê-lo se aproximando.

—Quem é esse cara, Bella? — Mike perguntou com cara de poucos amigos, se referindo ao colega da Jéssica que conversava comigo.

—Amigo da Jéssica, da sala dela. Mike, Rick. Rick, Mike. — Eu os apresentei e fiquei admirada com a expressão do Mike.

Agora só faltava essa! Além de tudo cenas de ciúmes. Imediatamente, pedi licença e saímos de lá. O que eu estava esperando? Só adiando?

Depois de horas pensando em como falar, tomei a decisão e falei, explicando com toda sinceridade que preferia ser sua amiga. Ele me abraçou.

—Sabe, Bella, eu sei que os seus olhos estão em outro lugar... Fala quem é?

—Ninguém, Mike. Ninguém que eu possa gostar. — Mike não entendeu. Mas meu coração cortou com a minha declaração. Era a pura verdade. —Boa Noite, Mike. — Subi para o meu quarto e resolvi deitar.

Domingo acordei cedo, mesmo tendo ido dormir tarde, me arrumei e desci para tomar café.

—Cadê todo mundo, Alice? — Perguntei quando colocava pão na torradeira.

—O Emmett ontem ficou com uma amiga da Jéssica que mora em Forks, e ela os chamou para fazer trilha hoje, lá. Então saíram de casalzinho. — Alice disse com descaso, enquanto comia bolo de chocolate de sua festa.

Forks é? – Refleti, olhando para o copo de suco que bebia.

Terminei de lanchar e fui para o meu quarto. Tudo nesse mundo tinha que me lembrar ele? Por que meu irmão foi a Forks? Por que tinha que surgir a palavra Forks na minha vida logo de manhã? Logo no dia que eu estava tão sem coragem de resistir? Logo no dia que meu pai estava viajando? Logo no dia que eu não tinha nada que me prendesse aqui?

Minutos se passaram e uma batalha interna se travou em minha mente. Eu poderia pelo menos vê-lo. Eu poderia pelo menos explicar que ele tinha razão, que realmente somos de mundos diferentes e não temos nada a ver... Mas e se eu não resistir? E se ele me atrair para perto dele como sempre foi?

Eu juro que só quero vê-lo.

...

—Oi, o Jasper está? — Liguei na casa dele. Foi Rosalie que atendeu.

—Não ele saiu.

Ela não reconheceu minha voz

—Você tem o celular dele, eu precisava falar com ele.

—Ele não tem, mas ele está aqui perto, só quinze minutos daqui.

—Onde?

—Ele foi consertar o carro com o meu irmão na casa de um amigo. Depois ele vai para a praia da reserva.

—Como eu faço para chegar lá? — Perguntei em dúvida se realmente ia ter coragem.

—Quando você chegar à reserva, pergunte onde mora o Jake que todo mundo sabe.

—Ok. Obrigada

Como se eu soubesse onde é a reserva! E agora ir ou não ir?

...

—ALICE, SE ARRUMA QUE NÓS VAMOS SAIR EM QUINZE MINUTOS! — Gritei lá de cima.

—PRA ONDE?

—SE ARRUMA QUE DEPOIS EU TE FALO. COLOCA TOALHA E BIQUINI! — Avisei impaciente.

Tomei banho correndo, vesti um biquíni, coloquei um short curto jeans, amarrei um rabo de cavalo e passei alguma maquiagem. Depois equipei o carro com esteira, guarda sol, toalhas, caixa térmica, água, suco, refrigerante, biscoitos e alguns sanduíches. Como eu não conhecia o lugar, eu tinha que ir preparada.

Novamente a dúvida me invadiu. Por que eu estava indo? Porque eu queria vê-lo - a resposta veio rápida. Mas pra quê? Nessa resposta eu não queria pensar...

Nervosa, anotei em um papel o que Rosalie disse RESERVA. JAKE.

—VAMOS, ALICE! — Eu já tinha buzinado umas dez vezes.

Ela desceu correndo e pulou no carro, eufórica. —Para onde nós vamos mesmo!

—Para uma praia em uma reserva de índios. — Tentei soar calma, liguei o carro e saí do estacionamento lateral.

—É longe? — Perguntou ansiosa.

—Duas horas de viagem. — Respondi sem empolgação. Queria que ela relaxasse. Com certeza ela ia ficar temerosa, se soubesse.

—Você já foi lá?

—Não, Alice. Pare o interrogatório e ligue o som!

Eram quase nove horas da manhã. Até as onze chegaríamos lá. A capota desceu, coloquei óculos de sol, amarrei um lenço na cabeça e seguimos caminho. Alice ligou o som bem alto em músicas do Pusycat Dolls, cantamos mais alto que a música, ríamos de nós mesmas e a viagem se seguia.

Quando estávamos a poucos Km de Forks, vi uma placa indicando o caminho para uma reserva Quileute, e foi essa que eu segui. Chegando a um vilarejo, encontrei um senhor e perguntei onde morava o Jake que conserta carros. Ele me indicou, e eu segui.

—Quem é esse Jake, Bella? — Alice perguntou desconfiada.

—Uma homem que conserta carros! — Dei de ombros e sorri.

Alice percebeu que eu não ia falar e voltou a cantar, agora Beyoncê. Segui pelo caminho que o senhor me indicou, e de longe, avistei Edward de short e sem camisa, Jasper e um moreno musculoso. E agora, o que iria fazer? Me perguntei, sentindo a pulsação correr. De óculos de sol e lenço na cabeça, era lógico que eles não iriam me reconhecer, pensei. Portanto, aproximei-me e parei o carro ao lado deles.

—Moço, onde fica a praia. Eu estou perdida. — Encenei teatralmente. Edward era o colírio que meus olhos pediram. Uma visão.

Ele olhou o carro, Alice e eu, e apontou com o dedo para uma rua seguindo direto. —É só descer reto, senhora. — Disse educadamente, provavelmente sem reconhecer o carro, afinal, ele nunca o tinha visto.

Imediatamente, tirei os óculos e abri a boca, simulando espanto.

—Edward! Você! — Falei dois tons acima, fingindo surpresa. —Você está bem?

—Estava... — Respondeu sem vontade, se virou e voltou a olhar o motor do carro que estava de capô levantado.

No mesmo instante, Jasper nos reconheceu e aproximou com um sorrisão. Eu fiz uns gestos para ele, pra que ele não mostrasse que eu sabia que eles estavam lá.

—Oi, Bella! Que surpresa! — Ele sorriu dissimulado.

—Espera, Jasper, que eu vou desligar o carro e vou descer para te abraçar. Eu estou morrendo de saudade.

Desliguei o carro, tirei o lenço do cabelo e pus os braços em volta do seu pescoço. Alice também desceu.

—Estamos sentindo sua falta, seu pentelho! — Alice disse e o abraçou forte.

—Eu sei que sou gostoso. Não consigo atender todas. — Disse convencido. Eu dei um murrinho em sua costela, brincalhona. —Tá difícil. Tá cheio de mulher atrás de mim, e eu não estou dando conta. — Sorriu e nós duas o abraçamos uma de cada lado. Ele segurou em nossa cintura, como se fôssemos dois troféus e nos aproximamos do seu carro.

Edward continuou de costas, tentando nos ignorar.

—O que estão fazendo aqui? — Perguntei fazendo caras e bocas, para ver se Jasper entendia de novo que era pra fingir que eu não sabia. Ele entendeu. O garoto era esperto.

—Os bobões aí estão quebrando a cabeça, tentando tirar o barulho do motor. — Disse apontando com o olhar para o carro.

O quileute ao lado de Edward olhou para mim e sorriu.

—Ah, esse bobão ali é o Jake. — Apontou para o nativo. —Essas são MINHAS garotas, Bella e Alice.

Afastei de Jasper, dei um passo a frente e estendi a mão para cumprimentá-lo, ficando entre os dois. Senti que ambos me olharam da cabeça aos pés e quase sorri presunçosa por ser alvo do olhar de Edward. Juro que o shortinho jeans e o biquíni não foram intencionais.

—Tudo bem? — Eu disse amistosamente.

—Tudo, mas minha mão está suja de graxa. — O moreno sorriu escondendo as mãos.

—Eu não ligo. — Devolvi o sorriso, mas abaixei a mão.

—Mas vai sujar sua mão. Prefiro pegar nelas depois, e com as mãos limpas. — Sorriu e... piscou? Como assim?

—Então tá. — Voltei intimidada para perto de Jasper.

—Jasper, vamos com a gente para a praia? — Alice chamou.

—Ah, vou andar no carro novo da Bella pela primeira vez? Com certeza eu vou! — Falou e pulou dentro do carro.

—E vocês, não vão? — Virei e perguntei para Edward e Jake.

—Bella, estamos ocupados. — Edward respondeu sem tirar os olhos do carro.

—Daqui a meia hora nós vamos. — Respondeu o quileute e sorriu de novo para mim.

—Então nós vamos indo. Até mais. — Dei um tchauzinho no ar.

Entrei no carro me sentindo o último biscoito do pacote, liguei o carro e coloquei os óculos novamente. Alice e Jasper já estavam dentro.

—Edward! — Chamei-o, ele olhou de canto. —Você pode vir aqui?

Ele ficou parado uns segundos, parecendo não acreditar que eu o chamava, mesmo assim veio, andando lento até parar com o braço em minha porta.

—Quero falar com você. — Sorri, levantei a mão e peguei seu queixo.

Ele abaixou para falar mais perto de mim. —Não temos nada para falar. — Sussurrou.

Ele não estava bravo... Ainda. Quando ele agia assim, com um pouquinho de grosseria, me descontrolava.

—Eu ainda não terminei com você. — Falei matreira, passando o polegar em seu lábio.

—Você é louca? Perdeu a noção? Esqueceu do último ocorrido? — Ele falou baixo e furioso, porém não impediu a carícia de meus dedos em sua boca.

—Te espero na praia. — Finalizei o assunto, beijei meus dois dedos, depois os encostei nos lábios dele. Cinicamente.

—Bella, eu vou à praia, mas não porque você está me esperando. — Disse ainda com meus dedos em seus lábios.

Encarei-o sorrindo desavergonhada, e tinha certeza que isso o estava deixando mais aborrecido. Ele ficou ereto e eu olhei para frente.

—Ok. Que seja. Jake, estou esperando VOCÊ lá!

—Tudo bem. — Jake respondeu.

Arranquei sem me despedir de Edward.

Atravessei duas ruas, sorrindo sozinha da casca raivosa que Edward mantinha, e então chegamos à praia.

—Não liga pra ele, não, Bella. Eu já te contei que ele é bicha? — O pentelho comentou brincalhão.

—Sim! Sorrimos todos. Jasper mantinha nosso astral pra cima.

Estacionei o carro e procuramos um local para nos instalarmos. Após organizar tudo, tirei o short e corremos para dar um mergulho. Brincamos, pulamos ondas, sentamos na areia molhada e cavamos e enterramos Jasper. Parecíamos crianças na praia. O garoto era divertido e nos fazia querer brincar e sorrir.

—Vamos mais para o fundo. Lá é legal de nadar. — Propôs o garoto.

—Não. Eu não conheço o local e não é seguro. — Respondi preocupada com buracos de areia que costumam ter no mar.

Inesperadamente, Jasper nos pegou a força pela cintura e tentou nos levar, arrastando as duas pela parte rasa do mar.

—PÁRA! SOLTA!SOLTA! — Gritávamos e esperneávamos. Finalmente, ele nos soltou.

—Não quero mais ficar aqui com você. — Eu cruzei os braços fingindo estar emburrada.

—Você é muito sem graça, Jasper. — Alice reclamou. Nós saímos da água, e ele nos seguiu.

—Brabinhas ficam mais gostosas. — Ele riu.

—AH! Eu não agüento! — Alice rugiu.

—Vamos afogar ele, Alice? — Falei baixo e nos viramos para pegá-lo, cada uma de um lado. Porém ele era muito pesado e nosso esforço era em vão em tentar arrastá-lo.

—Ai, isso, vái! Tá muito bom! Duas! Oh! Sempre sonhei com isso! — Gemeu, desavergonhado.

Sorrimos, não tivemos êxito, e ele conseguiu se soltar. Corremos novamente atrás dele jogando areia molhada, e sem sucesso e cansadas, desistimos e deitamos na areia.

—Seu diabinho! — Alice gritou, e ele sorria.

Quando menos esperávamos, ele chegou com um punhado de areia molhada e jogou no nosso cabelo. Grunhimos irritadas e corremos atrás dele.

—Meu cabelo! Vai demorar um mês pra sair essa areia! — Eu reclamei, enchi a mão de areia molhada e corremos de novo. Não conseguíamos pegá-lo. Ele parava, esperava, fazia gracinha e depois corria, quando, inesperadamente, uma pessoa segurou Jasper e imobilizou suas mãos nas costas.

—Ele é todos de vocês, meninas. — Era o quileute quem o segurava.

Sorrindo maquiavélicas, pegamos areia e jogamos no cabelo dele.

—Toma! — Alice disse esfregando o cabelo dele com areia molhada.

Todos ríamos. Mas porque ele é um atentado enviado para atazanar, ele chutou areia seca, acertando o meu olho, se soltou e saiu correndo.

—AH, SEU *# !/^* P. Q. P.! NO OLHO! SEU... — Xinguei até a oitava geração.

Ele saiu correndo de novo, e Alice foi atrás, mas eu não tinha como ir. Não enxergava nada.

—Jake, faz um favor, me leva pra perto das minhas coisas que meu olho está ardendo e lá tem água mineral. — Pedi lacrimejando, e, atencioso, ele pegou no meu braço e me conduziu enquanto eu piscava e lacrimejava.

Peguei a água mineral e lavei meu olho, jogando a água em todo o meu rosto, enquanto ela escorria pelo restante do corpo. Abri os olhos, já com a visão desembaçada, e observei que Edward me encarava a poucos metros de distância de uma maneira indecifrável. Destemida, eu sustentei o olhar, porém, depois de um tempo me encarando, ele desviou os olhos.

Ele se desprendeu dos meus olhos, mas eu não consegui me desprender do seu corpo que me chamava a atenção de uma maneira gritante. Ele estava de sunga preta, e meus olhos percorreram lentamente detalhe por detalhe; braços fortes, peito largo, abdômen sarado, os pêlos dourados que entravam na sunga, pernas grossas. Tudo em perfeita sincronia. Seu corpo era forte, não aparentemente forjado como o do seu amigo, mas como esculpido a mão pela natureza. Sem exageros.

Ouvi risadas distantes, o que foi a minha salvação, me libertando em um estalo, trazendo-me de volta à realidade. Olhei de novo em seus olhos, e ele me olhava de um modo estranho, foi aí que percebi que estava ao lado do Jake e a metros dele. Desconcertada, sentei embaixo do meu guarda-sol, não olhei mais para nenhum deles, e esperei um tempinho para ver se eles esqueciam aquele meu momento de loucura em que eu secava descaradamente Edward.

Alice e Jasper se aproximaram sorrindo.

—Chama o seu irmão para ficar aqui, Jasper. — Sibilei de modo que só ele ouvisse, depois me virei para o Quileute. —Jake, aqui tem um lugar onde a gente possa tirar o sal do corpo antes de ir embora? — Perguntei enquanto passava mais protetor no rosto.

—Naquela casa ali o pessoal é meu conhecido. Eu peço para eles e vocês usam a água da mangueira. — Respondeu apontando para uma casa próxima.

—Então mais tarde você leva a gente lá? — Alice disse, pegou o protetor em minha mão e espalhou no seu rosto.

—Sem problema.

—Vem, Jasper. Deixa eu passar em você. — Chamei e coloquei um pouco de protetor em uma mão para espalhar em seu rosto e pescoço.

—Você está com desculpa para me alisar. — O atentado gracejou.

—Eu não preciso inventar desculpas para isso. — Brinquei, fiz cócegas em sua barriga e me ajoelhei para espalhar no seu rosto. Quando terminei de passar, virei o rosto para o lado e Edward nos olhava. Sorri cínica e movi os lábios para que ele os lesse. —Agora você.

Imediatamente, ele balançou a cabeça em negativa. Mesmo assim, peguei o tubo de protetor e me aproximei dele, ajoelhando ao lado dele.

—Não quero, Bella. — Disse baixo, quando eu levantei a mão para o seu rosto.

—Você vai ficar torrando nesse sol? — Fiz uma careta desaprovando e comecei a espalhar forçadamente em seu rosto, sem dar chance dele negar. Comecei da bochecha, alisando circularmente. —Você pelo menos passou antes de sair de casa? — Quis saber. Eu juro que só queria ser prestativa. Ele cerrou os olhos e ficou me encarando, sobrancelha arqueada, com uma resposta na testa assim: É da sua conta por acaso? Depois fez careta e não disse mais nada.

Sem ligar para sua oposição, comecei a espalhar despreocupadamente pelo pescoço, próxima a ele ao ponto de sentir sua respiração em minha barriga.

Algo no meu estômago se moveu freneticamente enquanto eu espalhava em sua pele. Tinha correntes elétricas passando em minhas mãos. A cada segundo eu me sentia viva, corajosa, e minha vontade era provocá-lo. Estávamos em uma bolha, eu o encarava com a respiração acelerada e o tórax arfante a centímetros do seu rosto, centímetros mesmo. Ele segurava o olhar e respirava longamente.

Ouvia risos longe de Alice e dos meninos, mas me concentrava só em nós dois. Minutos depois, ele abaixou o olhar, fitou o chão, e eu comecei a passar descaradamente nos ombros e braços, fazendo questão de apertar para ter certeza que era real.

—Você brinca demais. — Sussurrou entre dentes, ainda olhando para o chão.

—Você gosta. — Retruquei e passeei a mão cheia de protetor em seu peito, descendo depois para o abdômen.

Ainda que ele não quisesse mais saber de mim, estava ótima a estratégia de tocar o corpo que minutos atrás eu só pude olhar. Todavia, de súbito, ele segurou meu pulso quando involuntariamente minha mão desceu para a barriga.

—Chega. — Seus dentes estavam trincados, seus olhos mais escuros. Ele parecia estar furioso, apertando meu pulso.

—Tudo bem. Obrigado, tá. É assim que se diz. — Puxei a mão da mão dele e esfreguei meu pulso. Olhei emburrada para ele, e ele não olhou para mim. Mal agradecido - pensei.

Levantei, tirei a areia do meu joelho e voltei para perto da Alice.

—Tô indo mergulhar para tirar essa areia do corpo, vamos gente? — Disse em pé, ao lado dos três.

—Espera, vou só terminar de tomar esse iogurte. — Alice respondeu.

Olhei para trás e Edward me olhava. Peguei o bronzeador na bolsa, levantei, mostrei para ele e fiz gesto para que ele espalhasse em mim. Ele cerrou os olhos e torceu os lábios em uma careta, depois bufou irritado e virou o rosto com o semblante raivoso. Sorri comigo mesma, espalhei bronzeador em minha barriga, coxas, bumbum, então Alice terminou de lanchar e descemos para o mar. Todos vieram, menos Edward.

Ficamos mergulhando perto um do outro: Alice, eu, Jasper e Jake. O quileute se exibia, mergulhando rápido até o fundo e voltando.

—Vamos mais pra lá gente, as ondas aqui estão quebrando muito forte. Ali é melhor de ficar. — Jake falou e apontou mais para dentro do mar.

—Eu não vou, eu não conheço esse mar, e é perigoso. — Neguei, já pensando em sair, caso eles fossem.

—Eu conheço. Eu levo vocês para os lugares que não tem buraco. — Jake respondeu.

—Eu quero ir. Vamos, Jasper? — Alice chamou.

—É, né? comigo vocês não quiseram ir! — Jasper fez biquinho e cruzou os braços no peito.

—Por que você não mora aqui. Só por isso. — Disse e peguei no braço dele, puxando saco.

Atravessamos as ondas e entramos mais mar adentro. Não era fundo, como Jake disse. Não cobria a minha cintura. Além disso, a água era mais calma. Eu conseguia nadar de costas, sem ter onda quebrando forte em meu rosto.

—Bella, eu vou sair um pouco. Você vai agora? — Alice disse depois de um tempo.

—Daqui a pouco eu vou. Vou ficar mais um pouquinho, porque depois eu não vou entrar mais. — Expliquei.

—Jasper, vamos comigo? — Ela chamou.

—Tô indo, gente. — Jasper respondeu e me olhou estranho.

Eu fiquei nadando de costas. Curtindo o sol. Jake ficou em pé.

—Onde vocês moram? — Ele iniciou um assunto

—Em Seattle. Você mora aqui né?

—É.

—Você estuda? — Eu queria manter o diálogo. Odiava ficar sem assunto.

—Sim, estou fazendo Educação Física na Universidade Washington, ganhei uma bolsa lá, por ser quileute.

Passamos um tempo conversando, e eu resolvi sair. Estava com fome. Surpreendentemente, Edward estava deitado embaixo do meu guarda-sol. Pelo menos isso. Não sei como vem para a praia e não entra no mar!

—Alice, estou indo jogar água no meu corpo. Vamos? — Eu chamei.

—Vou da o último mergulho e vou.

Fui sozinha com o Jake. Ao voltarmos, passei no carro, peguei uma toalha e me sequei, depois passei creme pós-sol, perfume, vesti o short e uma blusinha leve.

Voltamos para onde estavam nossas coisas, sentamos e eu peguei o lanche para comermos.

—Eu trouxe comida para um batalhão. Então comam. — Avisei pegando um suco na bolsa térmica.

—Nós também trouxemos comida. — Jasper disse.

—Então trás que a gente come tudo! — Sorri e Jasper levantou.

—Eu já comi, estou só dando um tempinho para voltar para água. — Alice avisou.

Jasper foi ao carro deles, trouxe uma torta de frango numa caixinha térmica e suco, e nos ofereceu.

—Muito boa! Quem fez? — Perguntei enquanto comia a torta deliciosamente temperada.

—Edward. — Jasper respondeu.

—Sério? Já pode casar. — Olhei para Edward e sorri cinicamente. Ele me olhou, balançou a cabeça e virou o rosto. É sério, eu não podia entender por que ele estava tão hostil. Vai ver era crise de DPM.

—Vocês se conhecem há muito tempo? — Jake perguntou e pegou um sanduíche em minha bolsa.

—Nossos pais sim, desde que eram moços, mas eu só conheci o Edward quando eu tinha treze anos, que foi quando começamos a namorar. — Provoquei. Queria alguma reação, logo tinha que jogar.

—Não liga. Ela é louca. — Edward falou sem sorrir, com o queixo encostado no joelho.

—Edward, se você continuar me tratando assim, eu termino com você. — Disse séria, mas só queria descontrair.

—Bella, dá um tempo! — Falou e levantou.

Imediatamente, meu sangue subiu. —Edward, se você sair daqui, pode escrever, eu nunca, nunca mais falo com você! — Falei em um impulso de irritação. —Eu não fiz nada para você me tratar assim e estou cansada dessa sua animosidade! — Encarei-o com olhar fulminante. —Eu estou tentando levar numa boa, estou tentando pelo menos falar com você como pessoas normais, e você fica com essas suas grosserias! — Suspirei, indignada. —Dá um tempo você!

Ele continuou em pé, de costas, e eu virei para falar com os outros. —Desculpa gente, vocês não precisavam ouvir isso.

—Jasper, vamos ao carro comigo. — Alice pegou na mão do garoto e levantou. Imediatamente, Jake saiu para dar um mergulho, deixando-nos só.

Por longos minutos, Edward não se mexeu. Ai, meu Deus! Tinha que ser eu!

—Edward, eu não tenho culpa se meu pai é rico, não tenho culpa se vocês não são. Não tenho culpa se sua mãe teve um romance com o meu pai. Não tenho culpa de nada! Por que você quer descontar tudo em mim? — Pousei o dedo na testa, com frustração. —Desde que nos conhecemos que eu venho fazendo mil coisas para esquecer isso, esquecer as nossas diferenças. Eu queria que fosse só eu e você. Nada mais. E sempre, desde que você descobriu quem eu sou, você me olha, me trata como se eu fosse culpada por tudo. E... A única coisa que eu sei que a culpa é minha e eu não me arrependo, foi de ter conhecido você. Foi de ter ido falar com você naquela manhã do meu aniversário. Naquele dia, eu conheci um garoto tímido, mas autêntico, que não tinha medo de ser meu amigo, que não fazia de tudo para ficar longe de mim só porque eu sou quem eu sou. Foi bom não ter te falado a verdade aquele dia. Você acha que teria me dado uma chance, se revelado a mim como foi, se eu tivesse chegado 'prazer, sou Bella Cullen?'— Imitei teatralmente —Você nunca teria se mostrado quem você é, se soubesse que eu era a filha do dono da festa e chefe da sua mãe. — Enquanto eu falava movia ansiosamente meus dedos.

—E... Eu queria que você me conhecesse como eu sou: Bella, livre e descontraída... — Continuei. —...Desde aquela época eu não sinto você. Eu só vejo uma pessoa que luta contra si o tempo todo para não revelar os sentimentos e as vontades. — Olhei para o chão, desenhando na areia. —Sempre que você está perto de mim, eu vejo você tentando se afastar, se bloquear de mim.

Ele enfim se virou para olhar para mim com um olhar inexpressivo. Eu o encarei.

—Só pensa! Vê se você está certo nesses anos? Eu não estou falando do último fato ocorrido. Você acha que eu não percebo? Que eu não vejo? Se eu não fosse quem eu sou, você me trataria diferente? Essa situação me tortura, porque eu sei que não é culpa minha. Me responda, eu só preciso saber disso. Depois vou embora e te deixo em paz. Você não gosta de mim? Você quer mesmo que eu suma da sua vida? Quer que eu te esqueça? Você acha mesmo que eu sou louca? — Continuei o encarando.

Ele sentou ao meu lado e suspirou longamente.

—Não. — Respondeu baixo.

—Não o que! Não gosta de mim! Tudo bem, era só isso que eu queria ouvir. — Me levantei para sair.

Abruptamente, ele segurou meu pulso. —Espere, Bella. Com um suspiro cansado, sentei novamente, e ele fitava o chão, pensativo. —Não, eu não acho você uma louca. Pelo contrário, admiro muito você. Você é muito consciente do que quer. Se eu gosto de você? — Respirou fundo. —Muito mais do que deveria. Se eu quero que você me esqueça? — Fez uma careta e suspirou frustrado. —Continua sendo o melhor para nós dois. — Continuou olhando para o chão.

—Pra mim, Edward, se você gosta de mim, anula tudo. Nada mais é importante.

—Eu não quero gostar de você. — Resmungou. —E eu também não quero que você goste de mim. — Sua voz era derrotada.

—Mas por quê! Se você gosta de mim, luta por mim! Namora sério comigo! Enfrenta o meu pai! — Implorei.

—Bella, acorda para a realidade. O que adianta brigar com o seu pai agora nas férias? E os meses que eu for embora?

—Eu te espero.

—Não, eu não quero isso. Não quero que você prenda a sua vida esperando por mim.

—Eu já prendi meu coração, não adianta mais. — Suspirei e apoiei a cabeça sobre o braço nos joelhos, vencida.

—Bella, pensa com a razão.

—Ah, por favor! Não adianta descobrir que você gosta de mim, se você não me quer.

Ele levantou meu queixo e acariciou, passando depois o polegar em meu lábio. —Eu quero, e quero muito... Mas eu não posso... — Sussurrou, olhando penetrante para minha boca.

Eu fiquei sobre meu joelho, sentada em minhas pernas e peguei no cabelo dele.

—Faz um acordo comigo? Ficamos juntos só nas suas férias, depois quando você voltar para a universidade, você fica livre. Pode sair com quem você quiser. Só fica comigo. — Implorei.

—Bella, você não precisa disso. Pare de se humilhar assim... — Encostou a testa na minha, olhando nos meus olhos, enquanto acariciava minha nuca.

—Eu preciso de você... Você não entende? — Disse abaixando o olhar, massacrando o meu amor próprio, se é que um dia eu já tive.

Ele fechou os olhos e beijou a minha testa como se fosse uma tortura. Depois alisou meu rosto e meu pescoço. Ele já não estava mais resistindo e me abraçou forte, me sentando de lado em seu colo. —Deus, o que eu estou fazendo com a minha vida? — Ele suspirou e pôs o nariz no meu pescoço.

—Se permitindo estar feliz com quem você gosta.

Hesitante, ele me afastou, fitou meus olhos intensamente e encostou os lábios nos meus, tímido, sem aprofundar. Até que enfim eu podia voltar a respirar. Eu só queria ficar ali. Abraçada a ele.

—Tudo bem, Bella, mas o que devemos esperar desse relacionamento?

—Não sei. Vamos viver um dia de cada vez.

Ele ficou um tempo calado, cheirando o meu pescoço e alisando o meu braço.

—E então... Estamos namorando? — Pressionei, incapaz de suportar a incerteza.

—Bella, você sabe que não podemos namorar. Não sabemos o que esperar do dia seguinte. E namoro além de compromisso, é algo com planos de futuro.

—A vida é assim, Edward, não sabemos o que esperar do dia seguinte.

—Eu não posso namorar você. Encare assim, sou o cara que você vai ficar para passar o seu tempo. Até você se cansar de mim. — Ele disse e me beijou levemente, me abraçando muito. Ele parecia saudoso.

—Para mim, você é meu namorado, mas vamos esquecer isso. Vamos parar de conversar sobre isso, porque o seu modo de enxergar a vida e o futuro me magoa muito. — Desci do seu colo e sentei ao seu lado. —Então vamos viver o momento. E aqui e agora você é meu. — Concluí e deitei a cabeça no seu ombro. Ficamos em silêncio calmo, acostumando novamente com a presença um do outro.

—O Jake gostou de você. — Edward comentou depois de um tempo calado, apontando nesse instante para seu amigo que estava na água.

—Endoidou é? Você tá vendo coisas. — Sorri.

—Ele me falou quando você estava brincando com o Jasper. Ele disse que se eu não te pegasse logo, ele iria ficar com você. — Sorriu, alisando o meu braço.

—Você ia deixar ele ficar comigo? — Provoquei sorrindo — Ele até que dá um caldinho.

—Fique à vontade, a escolha é sua. — Continuou descontraído.

—Bobinho, eu realmente posso escolher e já escolhi: você. — O beijei estalado na boca.

—Por quê? Por que eu? — Segurou meu queixo, fazendo com que eu olhasse para ele.

—Você gosta de ouvir, né! — Brinquei. —Mas além dos motivos óbvios aos olhos, você é legal quando está relaxado. Eu gosto de ver você sorrir, de ficar perto de você. — Ele sorria enquanto me beijava no rosto, na testa. — Como está o seu curso? Está gostando? Já fez amigos?

—Tantas perguntas! — Comentou divertido. —Mas o curso está bom, estou gostando e só tenho um amigo. Ele era meu colega de quarto, mas o pai dele comprou um ap. para ele.

—E amigas? Tem muita menina bonita lá? — Fingi despreocupação.

—Até que tem umas meninas bonitas. Mas eu não estou lá pra isso. Preciso tirar notas boas, porque no próximo semestre eu quero fazer parte da monitoria. — Disse e deitou meu tronco em seu colo. — E você? Como está na escola? E como vai o seu namorado?

—Terminei com ele ontem. — Disse simplesmente.

—Mas você sempre disse que não namoravam? — Lembrou com a sobrancelha arqueada.

—Mas eu resolvi tentar. Dar uma chance pra ele, sabe? Mas não rolou.

—Não gostou dele? — Estávamos bem à vontade com o assunto.

—Não. Mike é como um irmão. Não tem nada a ver. — Acariciei sua sobrancelha, satisfeita que o menino de horas atrás estivesse à vontade comigo em seu colo. — Você conheceu alguém interessante lá?

—Até que conheci. Saí com uma menina um dia, mas também não deu certo, igual você e o Mike.

—Foi pra cama com ela? — Perguntei naturalmente.

—Não! — Respondeu sobressaltado com a pergunta direta.

—É normal que garotos da Universidade já 'saiam' com esse objetivo. — Comentei com um dar de ombros.

—Mas o meu não foi. Eu sou um pouco mais lento. — Respondeu encabulado, passando sem jeito os dedos no cabelo.

Hum... Era BV com dezessete anos, então com dezoito podia ser VS... Talvez.

—É lento, mas já teve duas mulheres na sua cama? — Comentei um pouco enciumada. Ele franziu o cenho desentendido. Eu expliquei. —No dia que eu estava lá na sua casa, você disse que duas mulheres já foram para sua cama.

—Ah... Isso? — Sorriu e balançou a cabeça. —Eu não disse na minha cama, eu disse no meu quarto. E essas duas mulheres eram minha mãe e Rosalie, lógico. — Disse como óbvio. Eu sorri aliviada e me aconcheguei mais a ele.

O sol começou a baixar, dando lugar ao crepúsculo. Isso era sinal que eu deveria ir embora.

—Tenho que ir. — Respirei fundo, triste em não saber quando nos veríamos de novo. —Eu te ligo se eu conseguir fugir de novo. — Ele acariciava meu rosto com alguma emoção escondida. Eu sabia que ele gostava de mim. Tudo que ele tinha era medo de complicar a própria vida.

Levantei do seu colo, organizei as coisas e ele me deixou na porta do carro. Alice e Jasper já estavam ouvindo música dentro dele. Edward me abraçou forte, bem forte, depois me encheu de selinhos no rosto e na boca. Ele era tão estranho. Se eu não o beijasse de verdade, com língua e apertos, ele não iniciava. Não o forcei. Queria dar um espaço.

—Eu posso te ligar? — Ele perguntou e me encostou ao carro, com as duas mãos em minha cintura.

Pensei um pouco, calculando se seria uma boa idéia ele me ligar, depois respondi. —Só se for no celular.

—Pensando melhor, vou esperar você ligar. Não quero te causar problemas. — Ele me deu um beijo terno de lábios, regulando, segurando meu rosto em suas mãos, e, cedo demais, quando eu pensei em forçar passagem, ele se afastou.

Eu fiquei pensando em sua atitude. Ele parecia receoso, suprimindo a vontade de me beijar. Se tivemos alguma evolução em carícias no último dia na casa dele, ele agora parecia ter muito mais cautela. Pelos seus gestos, ele demonstrava tocar em algo proibido.

Entrei no carro, ele acariciou o meu rosto por um longo tempo, e eu saí. Liguei o som e saí cantando bem alto. Tínhamos que correr, pois estava tarde.

—Vocês estão namorando! — Alice perguntou empolgada.

—Pra mim, sim, pra ele, não. — Dei de ombros.

—Meu pai não pode nem sonhar! — Colocou a mão na boca, com olhos espantados.

—É nosso segredo.

—Adoro te ver assim, Bella, sorrindo de verdade. — Me deu um beijo na bochecha e voltamos a cantar.

Chegamos em casa, e ninguém tinha chegado ainda. Sorte nossa. Subimos, nos arrumamos e meia hora mais tarde Emmett chegou. Fiquei em meu quarto, evitando ter que responder perguntas. Tarde da noite, percebi que meu pai tinha chegado e desci para o receber.

—Oi, pai! Como foi de viagem. — Pendurei em seu pescoço.

—Foi boa. E aqui, como foi?

—Ah, foi muito divertido. Teve festa aqui. — Disse e sentei no sofá.

—O Emmett tinha me falado. Porque estão todos vermelhos? — Ele perguntou para Alice, quando ela sentou em seu colo.

—Passamos o dia fora hoje, fomos à praia. E o Emmett e a Jéssica foram fazer trilha. — Alice, espertinha, respondeu, pegando o presente que meu pai trouxe para ela. Era uma boneca de pano. Meu pai não se atentou para o detalhe de que não fomos juntos à praia.

—Você está com a cara muito boa hoje, Bella. — Comentou, eu sorri e subi para o meu quarto. Como há tempos eu não fazia, hoje eu ia dormir feliz.

Segunda-feira, acordei cansada, mas feliz. Foi muito bom ter ido conversar com Edward. Agora sabia que, contudo, ele gosta de mim. Mesmo que ele tivesse pensamentos pessimistas e atitudes de descrença, ele gosta, e ainda quer me ver nas férias. Então tá bom, por enquanto.

Desci faminta e encontrei meu pai de roupão na cozinha. A funcionária preparava um lanche para ele. —Oi, pai, ainda está em casa? Não vai trabalhar hoje? — Sentei ao seu lado, atacando o pote de cookies.

—Vou tirar duas semanas de folga para viajarmos. — Respondeu lendo um jornal.

Instantaneamente, alarmei. Duas semanas para quem tinha um mês de férias, era muito tempo.

—Pra onde nós vamos? — Tentei mostrar interesse. Desde o último episódio em Forks, meu pai tentava ficar mais próximo da gente, com certeza por isso inventou a viagem.

—Para a América do Sul. Quando é verão aqui, é inverno lá. Então vamos ao Chile e à Argentina porque está nevando, depois vamos ao nordeste do Brasil. Dizem que lá faz sol o ano todo. Saímos daqui amanhã.

—Que bom, pai. — Resmunguei e levantei para sair

—Nossa, filha, eu queria mais empolgação. Todos ficaram empolgados, menos você. Eu já falei com o pai do Mike, eu vou levá-lo. Se vocês gostarem de lá, nós podemos até ficar até as férias acabarem.

—Eu estou empolgada, só estou bem cansada do dia de ontem. — Sorri forçada e saí. Meu pai estava muito suspeito. Será que ele sabia que por ser férias provavelmente Edward estaria em casa e ele quer me tirar daqui para eu não ceder à tentação? Prefiro não acreditar nisso.

Terça-feira, arrumei minhas malas, fazendo o cálculo de tudo que ia precisar para inverno e verão, e olhei para o celular. Tinha que telefonar para Edward pelo menos para me despedir. —Oi, Edward... — Disse sem conseguir esconder a frustração na voz.

—Oi, Bella! Tá tudo bem? — Perguntou desconfiado.

—Mais ou menos.

—Por quê? Algum problema aí?

—Não... Acho que o mundo conspira contra nós. — Resmunguei e deitei na cama, sentindo uma imensa vontade de estar perto dele.

—Por quê?

—Meu pai arrumou uma viagem. Vamos para a América do Sul passar duas semanas, no mínimo. — Revelei chateada.

—Que dia vocês vão? — Perguntou solidário.

—Hoje à noite.

Ele respirou fundo. —Bella, fique bem. Essas coisas sempre vão acontecer. — Tentou me acalmar, com a voz terna e macia.

—Mas quando eu vou te ver? — Relutei como criança emburrada.

—Quando você chegar, você me liga. — Respondeu tranquilamente.

—Quando você vai embora?

—Em três semanas.

—Por que você vai voltar tão rápido, se as férias duram um mês? — Ah, tudo estava contra mim nesse mundo?

—Por que eu chego uma semana antes para começar a ler os livros que vamos estudar no semestre. Assim garanto boas notas. — Respondeu com um sorriso.

—Nossa, Edward, bem que o Jasper falou que você é um maníaco obsessivo! — Finalmente, eu sorri.

—Se não for assim, não vou ser o melhor.

—Pra mim você já é o melhor. — Disse manhosa, ficando de bruços sobre a cama.

—Você não enxerga muito bem o mundo.

—Não me interessa o mundo que você está falando, porque eu só enxergo você. Você como pessoa. Não me importo com o que você tenha ou venha a adquirir. Pra mim, você vai continuar sendo você. Meu namoradinho, de quando eu tinha treze anos.

Ele sorriu satisfeito. —Você não existe. — Disse carinhosamente.

—Ainda bem que você existe. — Retruquei.

—Estou ficando convencido. — Sorriu relaxado. —Mas eu fico feliz por você existir também.

—Então deixa eu explicar melhor: ainda bem que você existe em minha vida. — Fui enfática.

—Você força, hein, Bella! Você já sabe... Mas eu vou falar... Sou feliz por você existir na minha vida. — Sorriu sem graça.

—Consegui! — Gritei. — Agora viajo feliz. Pelo menos isso! — Exagerei no entusiasmo.

—Divirta-se, tá? — Ele falou carinhoso.

—Eu vou ter que me divertir mesmo. Não posso deixar meu pai magoado e nem suspeitando. E já que eu vou estar lá, vou tentar, né!

—Vão todos vocês?

—Sim, o Mike também vai.

—Hum, pensei que vocês tinham terminado. — A sua voz mudou.

—Terminamos, mas ele continua sendo amigo da família.

—Então tá, boa viagem. — Voltou ao tom carinhoso.

—Não tem ciúmes, né? — Sorri desconfiada.

—Lógico que não, eu sempre fui o outro nesse seu triângulo. — Provocou, mordazmente.

—Você está brincando ou falando sério? — Sentei, não gostando da insinuação.

—Não sei, fala você.

—Prefiro acreditar que você está brincando, porque nunca existiu triângulo amoroso. Até que se eu quisesse ficar com ele, era muito mais fácil para mim. Mas eu já escolhi quem eu quero, e eu quero VOCÊ. — Afirmei incisivamente.

—Eu sei disso. — Sorriu. —É que eu adoro ver você bravinha e argumentando. Eu acredito em você. — Sussurrou docemente.

—Então vou desligar porque temos que sair e comprar umas coisas para viagem.

—Tudo bem. Boa viagem de novo e curta bastante.

—Obrigada. E dá um tempinho nos livros, viu! O cérebro pode fundir! — Sorri.

—O que mais eu poderia fazer?

—Saia com o Jake.

—Até que seria uma boa idéia. Ele tem muitas amigas. — Tentou me provocar.

—O importante é voltar para casa. — Sorri despreocupada.

—Eu estou brincando, Bella. Se resolver sair, vou a praia ou fazer uma trilha.

—Então tá. Procure se divertir. E um beijo.

—Onde? — Perguntou.

—Quer mesmo saber? — Insinuei maliciosa.

—Sim.

—No cantinho da boca, para te dar vontade de me beijar bem gostoso.

—Idem.

...

Forçadamente empolgada, tentei me divertir na viagem. A primeira atividade foi esqui na neve no Chile, e Mike manteve-se reservado comigo. Para mim, não tinha mudado nada. Ele continuava sendo meu amigo. Mesmo assim, ele parecia me evitar. Meu pai estava à vontade com essa viagem. Mas ficava em todo tempo de olho em mim e no Mike.

—Bella, por que você e o Mike estão tão distantes? — Carlisle abraçou meu pescoço quando chegávamos eu e ele ao hall de entrada do hotel.

—Não sei, pai. Ele que está estranho comigo.

—Brigaram? — Chamamos o elevador.

—Não. Estamos bem. Acho que ele não está conseguindo voltar a ser meu amigo normal de novo. — Expliquei. Não pretendia mentir para ele.

—Vocês terminaram? — Mostrou espanto e entramos no elevador.

—Sim.

—Quando?

—Desde a festa da Alice.

—Por quê?

—Porque ele estava dando crise de ciúmes dos amigos da Jéssica, e porque eu não gosto dele como namorado. — Dei de ombros, e descemos em nosso andar.

—Férias e sem namorado... — Refletiu. —Vocês estão se divertindo? — Perguntou ao me deixar na porta do quarto das meninas.

—Sim.

—Tenta ver se quebra o gelo com ele, Bella. Vocês sempre foram bem próximos. — Aconselhou carinhosamente.

—Não sou eu, pai, mas vou tentar mais um pouquinho. — O beijei e entrei no nosso apartamento.

A viagem do nordeste foi mais interessante. O sol no Brasil era quente. Com três dias, estávamos todos bem bronzeados. Mike relaxou depois que conversei com ele. Agora estávamos nos divertindo de verdade.

Meu pai ficava lendo o dia todo. Pouco entrava na piscina do hotel, muito menos no mar. E como Emmett e Jéssica estavam com ficantes, sobravam eu, Alice e Mike. Restava-nos ficar juntos. Tanto na piscina, no mar, nos quiosques beira mar. Consequentemente a amizade com Mike ficou fácil. Todos os dias à noite, tinha uma turma que fazia luau na praia. Como somos músicos e Alice gosta de cantar, todos os dias estávamos lá.

Praia me lembrava Edward, por isso, sempre suspirava, enquanto Alice cantava. Fitava o céu lindo, as estrelas sumindo no mar. E queria muito que ele estivesse comigo. Morrendo de saudade, peguei meu celular e decidi mandar uma mensagem. Eu não queria forçar nada, só queria que ele soubesse como eu me sentia.

Oi, meu anjinho... Saudade... Queria você aqui.

Suspirei e enviei, torcendo para que mesmo sendo quatro da manhã nos EUA, ele respondesse. Era a primeira vez que eu o chamava de anjinho. Um dia ele descobriria o porquê. Era só por ele ser tímido e certinho.

Fui surpreendida quando a mensagem chegou de volta.

Mensagem Edward 23:55PM

Um dia... Quem sabe...

Ele respondeu! Ele me deu esperança! Resolvi aproveitar que ele estava acordado e escrevi outra.

Estou na praia, olhando as estrelas. Elas são as mesmas daí? Se for, estou jogando um beijo no ar e ele vai chegar até você. Saudade.

Enviei. Era meloso, eu sei. Mas eu estava carente e queria sentir que ele ainda estava comigo.

Mensagem Edward 00:02AM

São as mesmas. Eu recebi. Divirta-se, menina.

Eu queria entender por que ele não era mais romântico, por que ele não me mandava beijo, por que ele não falava que estava com saudade também. Eu queria tanto saber o que se passava com ele. Ele parecia sempre estar me dizendo adeus. Sempre avisando que nós iríamos nos afastar. Suspirei frustrada e resolvi voltar para o hotel, deixando meus irmãos e o Mike na praia.

Com cinco dias, cansei do sol fervente e passei a ficar só na piscina do hotel. Alice e Mike também.

—Vamos embora amanhã. — Meu pai informou, deitado na cadeira ao meu lado, em frente à piscina.

—Por quê? — Perguntei surpreendida.

—Estou cansado. Sinto falta do trabalho e sei que vocês já se divertiram.

Imediatamente, minha mente começou a trabalhar com as possibilidades. Se iríamos embora amanhã, em dois dias estaríamos em Seattle. Isso ainda me dava seis dias para tentar ver o Edward.

...

Em Seattle, eu não conseguia sair de casa para ir à esquina sem que Emmett me perguntasse onde eu iria. Meu pai devia ter combinado com ele. Férias e eu sem namorar Mike. Realmente eu estava suspeita, por isso a pegação no meu pé. Ele com certeza estava desconfiado. Assim não tinha como eu ir a Forks.

Os dias se passaram e a cada dia se aproximava mais o dia de Edward ir embora. Era sexta, e faltavam dois dias para ele ir. Isso intensificou minha saudade. Estava chateada por não ter ido vê-lo, por isso não queria nem levantar da cama. Eu tinha ligado para ele, mas à medida que os dias iam se passando, ele parecia estar começando a me dizer adeus, sempre me preparando para a despedida.

—Bella, acorda! — Alice desembrulhou a minha cabeça.

—Não estou dormindo. — Resmunguei tapando com o braço a luz em meus olhos.

—Jasper ligou e disse que estão vindo aqui em Seattle comprar umas roupas. — Alice disse empolgada, pegando em seguida chocolate em meu pote.

—E daí? — Meu raciocínio estava lento. Eu não entendi a empolgação.

—Bella, acorda, ele e o irmão dele estão vindo aqui. Dããããã!

Nessa hora a ficha caiu. Sentei e comecei a raciocinar. Eu poderia ir vê-lo. Se alguém ligasse, eu estaria perto de casa e poderia voltar. Isso era perfeito.

—Que horas eles vêm? — Levantei em um pulo e fui para o closet, pensar em alguma roupa.

—Saíram de lá há uma hora. Ele ligou do caminho. Então devem chegar aqui umas dez horas. — Respondeu sorridente.

—Então vamos nos arrumar e avisar para o Emmett que vamos sair! — Escolhi a roupa e peguei a toalha, eufórica. Então parei de repente. —Mas e se Emmett resolver ir com a gente?