Capítulo - Um Mal Entendido

Desci as escadas apressada, e Emmett estava esparramado pelo sofá de couro como um gato de hotel.

—Vai sair, Bella? — Perguntou o espião ao me ver descer arrumada. Eu vestia um short de brim preto, uma blusa de alça de seda bege, e uma sandália de salto médio, combinando com minha bolsa caramelo.

—Sim, nós vamos. Eu e Alice. Eu vou comprar um óculos de sol e umas roupas. O meu óculos arranhou na viagem. — Expliquei, e provavelmente ele tivesse captado o nervosismo na explicação minuciosa e desnecessária.

—Nós também vamos ao cinema. — Alice complementou, pegou a minha mão e me puxou para sairmos. Era difícil conseguir enganar o meu irmão. Ele me conhecia demais.

—Acho que hoje não. Eu não estou a fim de sair e mais tarde tenho compromisso. — Disse desinteressado, sem tirar os olhos da TV.

—Quem disse que você precisa ir? — Levantei o queixo. — Nós passamos o semestre todinho saindo sozinhas? Por que isso agora?

—Porque você não é muito de confiança. — Insinuou e me olhou sério.

—Só faltava essa! Agora você vai ficar me controlando, é?

—Não é porque eu quero, Bellinha. É por que você precisa. Em alguns momentos você fica fora de si. Eu só quero te ajudar. Mas não se preocupe, vai ser só nas férias. — Sorriu cínico.

—Eu não estou entendendo do que você está falando? — Eu sabia do que ele falava, mas plantaria a dúvida.

—Bella, é férias. Eu já sei o porquê de você ter terminado com Mike no dia que começou as férias. — Olhou-me com acusação. — Eu já vi do que você é capaz para ir atrás do caipira.

—Emmett, aquilo já tem quase oito meses. — Balancei a cabeça, censurando-o. —Se a gente já não tinha nada naquela época, imagine depois daquela cena? — Me defendi dramaticamente. Não é uma mentira. Realmente não temos nada sério.

— Imagine se tivessem! — Ironizou, ao tempo que mudava o canal na TV.

Suspirei. Eu tinha que jogar baixo para fazê-lo sair do meu pé. O único jeito era fazendo chantagem emocional. Ele estava merecendo.

—Sabe, Emmett, até que enfim você tocou nesse assunto. Eu venho engolindo isso há meses. Você é um traidor. Você já foi meu melhor amigo e irmão. Eu confiava em você. Eu não te perdoei ainda pelo que você fez. Eu acho que você devia ficar bem bonzinho comigo, se você quiser que eu te perdoe algum dia, porque pra mim você é um traidor e, além de tudo, um espião. — Sentei, fazendo drama.

Ele sentou e me olhou como se eu o tivesse esmurrado. Rá! Vinguei. Eu só queria que ele pensasse que irmãos se protegem e se ajudam. E não perdoei mesmo, não! Vai demorar pra confiar nele de novo.

—Tudo bem. — Baixou a guarda. —Eu posso ir com vocês? — Levantou-se

Se eu dissesse que não, ele iria suspeitar, logo. —Pode. — Aceitei neutra. —Almoçamos por lá e depois vamos ao cinema. —Isso era psicologia reversa. Com certeza iria funcionar.

Ele pensou um pouco, olhando para mim, depois deitou de novo. —Podem ir. Não estou a fim de sair.

—Então vamos, Alice. — Prontamente peguei a chave do carro e a bolsa.

—Bella... — Emmett chamou, com olhos pidões. —Você está com raiva de mim mesmo? — Quis saber. Eu já me aproximava da porta.

—Bom, raiva não, mas não é a mesma coisa entre nós. — Respondi sincera e pus a mão na maçaneta da porta.

—Bella... Você gostava mesmo dele? — Putz! Quantas vezes mais o Emmett iria me chamar?

Pensei um pouco antes de responder. Se eu falasse que sim, ele ia ter certeza que eu não desisti. Se eu dissesse que não, iria mentir. E eu sinceramente queria evitar mentir.

—Eu não vou responder, quero que você responda. O que você acha? — Deixei que ele pensasse.

Emmett me encarou por um longo tempo, depois balançou a cabeça com desaprovação e se deitou no sofá novamente

—Tchau. — Falei e saí.

Logo que chegamos ao estacionamento, Alice comentou: Bella, você está ficando bandida, hein!

—Eu não menti, Alice, só usei a oportunidade para falar. Expliquei e saí do estacionamento lateral.

Chegamos ao centro da cidade às dez e meia e fomos direto para uma grande loja de departamentos da cidade. Resolvi comprar logo o que estava precisando, depois ligaria para os meninos. Eles com certeza estariam em alguma loja fazendo suas compras também.

As opções de lançamentos de óculos eram muitas, mas eu ainda precisava escolher. Logo encontrei o que queria. Também encontrei um que ficaria muito lindo nele... Mas outra hora eu compraria para ele. Com certeza ele não iria aceitar meus presentes hoje.

Escolhi um Ray Ban lançamento para mim, depois atravessamos a rua e fomos procurar sandálias e acessórios. Em todo o tempo que andávamos pelas ruas, eu olhava todos os lados com esperança de encontrá-los. Mas foi em vão as minhas tentativas. Eles não deviam estar por ali.

—Alice, liga para os meninos agora. — Liguei o carro e nos dirigimos a um restaurante francês no centro mesmo. — Acho que já deu o tempo das compras deles. Talvez eles queiram almoçar conosco.

Ela pegou o telefone na bolsa e fez a ligação.

—Bella, está caindo na caixa. — Informou após tentar duas vezes.

—Então vamos passar em uma livraria, mas continua tentando.

À medida que os minutos iam passando, uma aflição foi tomando conta de mim. Estava com medo de não conseguir encontrá-los. A vida devia mesmo conspirar contra nós. Se eles terminassem de fazer compras e não nos encontrassem, com certeza iriam embora.

— Vamos fazer assim: almoçamos rápido e depois a gente roda pelo centro para tentar encontrar o carro da Esme. — Dei a opção depois de várias tentativas de telefonemas frustradas.

—Tudo bem.

No restaurante, escolhi sentar perto da janela. Assim teria opção de vê-los, caso passassem por ali. Pedimos o almoço e em seguida o telefone de Alice tocou.

—Oi. — Alice atendeu e me olhou cautelosamente. —Estamos almoçando no La voir, no centro... Ainda não... Tá eu peço... Beijo.

—E ai? Eram eles? — Perguntei esperançosa.

—Não, era o grude do Emmett. Ele vem almoçar com a gente. — Informou com os lábios torcidos.

—Tudo bem. — Suspirei frustrada.

Emmett chegou com olhos brilhantes e sentou em nossa mesa.

—Fiquei com saudade de vocês, então vim fazer compras com vocês. — Disse com olhar sincero.

—Já terminamos as compras. Como a cidade está vazia, fomos rápidas. — Eu disse e levei uma garfada de quiche lorraine na boca.

—Vou ficar com vocês um pouco, depois vou encontrar com uma gatinha. — Sorriu. —Além disso, tenho que reconquistar outra gatinha. — Disse bajulador e pegou minha mão.

—Então comece pagando a conta. — Sorri ternamente.

Emmett tentou nos divertir durante o almoço. Eu, por trás do sorriso acolhedor, em todo o tempo olhava para o celular, frustrada.

Depois de um tempo conversando, Emmett pegou na minha mão.

—Bella, você me desculpa por eu ter contado?

Eu fiquei surpresa com sua atitude conciliatória. —Sim, Emmett, no fundo eu sei que você quer o meu bem.

Ele pôs a mão no queixo e olhou-me detidamente.

—Bella... Eu acho que você não gostava dele... Acho que era só um passa tempo.

—E se eu disser que gostava e gosto, você faria de novo? — Segurei o olhar nele. Se Edward me quisesse, eu iria enfrentar tudo para ficar com ele.

Ele me olhou cauteloso, depois respondeu. —Eu amo você, Bella, mas não posso enganar o meu pai. Você sabe disso. Uma coisa é você, que está envolvida enganar, outra sou eu. Eu prefiro não ver e não saber.

Abaixei o olhar triste, colocando, sem fome, mais uma garfada na boca.

—Eu entendo.

—Mas posso te prometer uma coisa... — Sorriu. —Não vou mais pegar no seu pé. — Prometeu.

Imediatamente o telefone de Alice tocou.

—Oi... Estamos no centro... A Bella veio comprar uns óculos... Já compramos, estamos almoçando com o meu irmão... Tá... Tudo bem... É perto daqui... Vou ver com a Bella... Se resolvermos ir, quinze minutos, no máximo... Tchau.

—Quem era Alice. — Perguntei desinteressada, tentando esconder a esperança.

—Eram umas amigas da minha sala. A Leah e a Lays. Elas querem sair. Disseram que em quinze minutos estarão na sorveteria. Você quer ir? — Alice piscou discretamente.

—Podemos ir, já terminamos com as compras mesmo. — Dei de ombros, fingindo indiferença.

—Eu vou com vocês. — Emmett disse.

—Não, Emmett! — Alice negou. — E só mulher!

—Eu tomo com você enquanto espero minha garota. O quê que tem?

—Deixe-o ir, Alice. Vai ser legal. — Sorri para ela e apertei sua mão. Ela entendeu.

—Então tá. — Respondeu. Será que ela não entendia psicologia reversa?

Chegamos à sorveteria, e o carro da Esme estava estacionado em frente. Fiquei nervosa, temendo que Emmett o reconhecesse, todavia ele não se atentou.

—Liga pra elas, Alice, veja se elas chegaram. —Eu pedi.

—Oi... Vocês já chegaram?... — Ela ligou. — Já estamos aqui... Meu irmão vai ficar um tempinho com a gente... Ele vai embora logo... Vamos esperar vocês lá dentro. — Desligou o telefone.

—Vamos? Elas não chegaram ainda, mas estão chegando. — Informou Alice dissimuladamente. Minha irmã era tão esperta! Instruiu os meninos a sair fora na maior sutileza.

Entramos na sorveteria, e o lugar estava quase vazio. Olhei todos os lados, e eles não estavam lá. Concluí que eles entenderam mesmo a mensagem.

—Emmett, se você quiser pedir o seu, pode pedir, porque eu vou esperar as meninas. — Alice sugeriu impaciente.

Despreocupado, Emmett pediu banana split.

—Eu também vou pedir o meu. Quero milk shake. — Fiz o podido despreocupada.

Será que a Alice não percebia que quanto mais nos mostrássemos à vontade, mais rápido ele iria embora? Quinze minutos se passaram, e Alice não tirava os olhos do relógio. Eu lancei um olhar reprovador a ela, mas ela não se tocou.

Estávamos no fim do sorvete quando o telefone do Emmett tocou, ele atendeu e se levantou.

—Gente, não vai dar para conhecer as amiguinhas de vocês. Minha garota chegou. Tenho que ir. Divirtam-se! — Virou para deixar a mesa.

—Nossa, e ele não ia mais pegar no seu pé! — Alice revirou os olhos, irritada, quando ele deu as costas.

—Alice, você quase nos entrega, hein! — censurei baixo logo que Emmett saiu.

—Bella... — Me Virei assustada. Era o Emmett que mal saiu, e já tinha voltado.

—Fala.

—Vamos trocar de carro hoje. Me deixa ficar com o seu, porque ele é novo e eu nunca rodei com ele por aqui.

—Você é bobo, hein, Emmett! — Peguei a chave na bolsa sorrindo de sua mania de ostentação.

—Cuida da minha criança, viu! — Emmett disse se referindo ao seu Jeep.

—Tudo bem, não sei nem se eu sei dirigir aquilo. — Trocamos as chaves e ele saiu sorrindo.

Ficamos observando-o dessa vez até que ele entrasse no carro e saísse, segundos depois os meninos entraram.

—Até que enfim! — Jasper sorriu e pôs os braços nos nossos ombros, dando beijos molhados nos nossos rostos, ainda sentadas.

—Pois é, ele encarnou em nós. — Alice respondeu.

—O importante é que deu tudo certo. — Conclui e virei o rosto, encontrando nesse instante os olhos de Edward.

Respirei fundo ao fitá-lo, seus olhos eram de um verde derretidos, folhagens claras, os mais lindos que já vi. E o sorriso era o mais doce que eu conhecia. Sorri fascinada levantei para abraçá-lo. Ele passou os braços em minha volta e me abraçou forte, me erguendo do chão.

—Senti sua falta. — Pôs o rosto sob meu cabelo e sibilou em meu ouvido, dando em seguida um beijo em meu rosto. Era bom ouvir isso dele. Ele sentou ao meu lado, com a minha mão dentro da sua, e fizeram seu pedido.

Enquanto conversávamos, ele acariciava meu rosto com ternura, de um modo singular, e me olhava estranhamente. Tinha a solidão de uma criança que olhava um brinquedo que não podia comprar em frente a uma loja de brinquedos. Eu não entendia o motivo. Eu já dei mostras por diversas vezes que eu o quero, e que ele me tem, se quiser.

—Vamos ao cinema? — Alice propôs, entusiasmada.

Não era minha intenção perder tempo sentada em uma sala rodeada de pessoas.

—Eu não quero. Prefiro ir para alguma pracinha. — Sugeri e dei um beijinho rápido na boca do Edward, sentindo o gosto do seu sorvete. Ele sorriu tímido e olhou em volta, acredito que conferindo se alguém nos olhava.

—Então você vai comigo, Jasper. — Ela afirmou.

—Tudo bem. Mas você paga, já que é você quem insiste em sair comigo. — Impôs. —Sabe, na próxima encarnação eu quero vir rico e poderoso, porque nessa eu já vim bonito e gostoso, e não é tão bom. — Jasper sorriu descaradamente.

—Jasper! Você tem dinheiro. — Edward lhe chamou a atenção.

—Sim, mas ela tem mais. E ela não é a única mulher que quer sair comigo. É difícil ser eu, com tantas mulheres no meu pé. Então se quiser que eu vá, vai ter que pagar. — Continuou sorrindo cínico.

Ofendida, Alice pegou mashmalow e passou no rosto do menino. No mesmo instante, ele se preparou para devolver, então ia começar a guerra. Sempre algum deles tinha que provocar.

—Gente, não comecem! — Repreendi.

—Foi ela. — Jasper acusou.

—Tudo bem, depois você desconta. — Mediei. —Se você descontar aqui, vai estragar nossa tarde porque ela vai se sujar, vai choramingar e já era.

—Tudo bem. Depois, viu, sua irritante! — Ameaçou, depois sorriram. Eu rolei os olhos.

Terminamos o sorvete e nos direcionamos cada um para o seu objetivo, combinando de nos comunicarmos por telefone mais tarde. Seguimos para uma praça rodeada de árvores e verde. Sentamos em um banquinho e vários assuntos foram entabulados.

—... E sua avó? Por que ela foi embora? — Eu perguntei.

—Ah, parece que minha mãe e ela estavam discutindo muito. — Ele sorriu e ajustou nossa posição, com meu tronco em seu peito. —Minha avó era daquelas italianas espiritadas e se intrometia muito na vida da minha mãe.

—Ah... E seu avô? Como era ele? — Quis saber. Gostava de vê-lo falando.

—Ele morreu quando eu tinha quatro anos. Minha avó diz que ele era como eu: sério, calado.

—Ele também era italiano?

—Russo.

—Nossa, vieram se esconder no interior de Forks. — Sorri e acariciei seu rosto.

—Desde aquela época as pessoas já eram impedidas de ficar juntas. — Ele suspirou. —Meus avós vieram para Forks fugidos.

—Você sabe falar italiano?

Sì la mia ragazza. — Disse cheio de charme, eu sorri.

—Meus avós sofreram um acidente quando eu tinha seis anos. — Eu comentei e segui contando sobre eles. Depois de falar sobre nossa família, mudamos de assunto, e ele me falou mais sobre seu curso e sobre seus objetivos para o futuro. Falou que os professores estavam gostando muito dele e que ele já tinha indicações. Disse mais uma vez que um dia iria ser respeitado e iria ter poder.

—Eu não entendo... Porque você quer tanto isso? — Eu realmente não entendia seus motivos.

—Você não entenderia mesmo se eu explicasse, mas vou tentar. Digamos que é para ter tudo que eu quiser. — Disse e fitou o vazio, distraído.

—Tudo que a gente quer, alcançamos trabalhando.

—Para você é fácil falar. Você já tem tudo que quer e talvez nunca precise trabalhar. — Notei certa recriminação em seu tom. —Você acha que um trabalhador normal, um assalariado, consegue tudo o que quer somente com o trabalho? — Perguntou secamente.

—Acho que não todos, mas meu pai conseguiu.

—Sim, mas seu avô já tinha um jornal aqui no estado de Washington. Seu pai não começou do zero como eu, ele pegou algo semi-pronto e só expandiu para os jornais de Oregon e Califórnia.

—É verdade. — Assenti admirada que ele soubesse. —Mas eu não ligo para posição social. — O abracei e beijei seu pescoço. —Pra mim, só o que me importa é ter você. Não preciso de mais nada.

Com expressão estranha, ele me afastou um pouco. —Você não pode falar o que você não sabe. — Disse cautelosamente.

—Eu sei o que é importante para mim. — Interrompi-o antes que ele viesse com seus pensamentos pessimistas. —Mas realmente não podemos falar sobre isso. O que é importante para mim, não é para você.

—E o que é importante para você? — Perguntou com o cenho franzido. —E o que você queria que fosse importante para mim? — Ele segurou o meu queixo, realmente com expectativa na resposta.

—Você hoje, você amanhã, depois de amanhã e sempre. Isso é importante para mim. — Eu disse firmemente.

—Você não consegue pensar com a razão porque é só uma criança de dezesseis anos. Mas eu não te culpo. Você realmente não precisa me entender, pois tudo o que precisa já está pronto. — Torceu os lábios.

—Eu não estou falando do fato de você estudar para ser alguém, Edward. O que me incomoda é o seu objetivo.

—Sinceramente eu não estou entendendo. — Juntou as sobrancelhas.

—Tudo bem. — Sentei e segurei seu rosto. —Só ouça. Vou falar mais uma vez. Preste atenção: para mim, tudo que é importante é você. Entendeu?

Ele me olhou por um longo tempo, depois fez uma careta e desviou os olhos. —Você quer me iludir. Com certeza quando eu sair daqui, tem outros caras te esperando iludidos com essa mesma conversa.

—Nossa! Realmente não dá pra conversar! — Ri sem humor e encostei minhas costas no banco, com os braços cruzados no peito. —Você não acredita em nada que eu falo e não acredita em mim. Quanto mais eu converso com você, mais vejo que você não tem esperança em nós, então nem sei porque a gente conversa, já que é só um passa-tempo mesmo! — Conclui com amargura.

Ele ficou calado uns minutos, depois passou os braços em minha volta.

—Desculpe, Bella, não quero irritar você. É que eu continuo sem entender você. Eu nunca entendi por que eu... Não sei o motivo da sua insistência. Quando você fala dos seus sentimentos, eu sempre penso que não é verdade. Penso que continua sendo um capricho de adolescente. Continuo achando que sou só um brinquedo, e que uma hora você vai cansar e esquecer.

—Quer saber? Pode ser isso mesmo. — O abracei brincalhona, tentando tirar a tensão que pairou no ar. —Pelo menos eu posso brincar agora! — Sorri e o beijei no rosto.

Durante uns minutos, fiquei meditando em suas palavras, enquanto isso dei beijinhos suaves em seu rosto, depois resolvi falar o que pensava: Sabe, Edward... — Toquei seu queixo. —Falando sério... Eu sinto que você gosta de mim, mesmo que tente lutar contra isso. E eu já até acostumei com o seu pessimismo, mas as suas dúvidas quanto aos meus sentimentos me magoam.

Em dúvida, ele me fitou por segundos, então se inclinou e me beijou no rosto, no canto da boca e finalmente na boca. Um beijo suave. —Não vou dizer nada... — Sussurrou em meus lábios. —Só que eu gosto do seu perfume, dos seus beijos, do seu jeitinho decidido e insinuante. Gosto de pensar que você está apreciando ficar comigo, e isso é tudo que vai conseguir de mim. — Sorriu, pousando depois minha cabeça sob o seu queixo.

O sol se pôs no céu, e, como Alice tinha pegado a sessão das quatro, deveria sair logo.

—Vamos voltar. Eles já devem estar chegando. — Chamei e peguei sua mão. Quando chegamos perto dos carros, Alice e Jasper estavam sentados no chão.

—Demoraram, hein! — Jasper comentou impaciente.

—Pensei que a sessão de vocês ia demorar mais. — Justifiquei e abri o Jeep, colocando em seguida minha bolsa dentro.

—Vamos comer no Mac'Donald! — Alice propôs eufórica.

—Tudo bem. — Concordei.

Já na lanchonete, pedi pasteizinhos de salém e ocupamos uma mesa externa. Eu já sentia saudade de Edward em pensar que não nos veríamos mais até as próximas férias. Isso se ainda nos víssemos, afinal, nosso futuro era incerto. Ainda assim, não me permitiria ficar triste, pelo contrário, eu iria curti-lo até o último instante que ele ficasse.

Comemos e então Alice e Jasper decidiram ir ao parque de diversões. Melhor para mim, pensei, assim eu teria um pouco mais de tempo com ele. Eu não queria ficar em um parque de diversões, pois demoraria a vê-lo de novo e eu ainda queria aproveitar. Desde a praia que ele só me dava beijos tímidos, e eu queria BEIJOS de verdade, por isso tomei uma decisão. —Alice, vocês ficam no parque que eu vou para o carro. — Avisei e me virei para Edward. —Edward, dá a chave do carro da Esme para eles porque se eles saírem rápido do parque, nos esperam dentro do carro. — Instruí decidida, Edward me olhou surpreso, mas entregou a chave e me seguiu.

—Vamos dar uma volta no carro do Emmett. —Somente informei enquanto nos dirigíamos ao estacionamento.

—Pra quê e por quê? — Perguntou aparentemente reprovando a sugestão.

—Por que ele é grande e aconchegante.

—E se ele nos ver? — Perguntou preocupado. —O carro deve ser o único da cidade, então ele vai saber que é você. —Argumentou.

—Ele não vai nos ver. — Disse seguramente, já desativando o alarme.

Entrei no carro, esperei ele entrar e arranquei. Ele não tirou os olhos de mim enquanto eu passava as marchas e rodava pelas ruas. Seu olhar me surpreendeu. Tinha um misto de terror e fascínio. Estudei várias ruas e encontrei uma rua escura e sem saída. Estacionei embaixo de uma árvore. Desliguei o carro e olhei para ele. Ele parecia surpreso, com um pouco de tensão.

—O que foi? — Sorri despreocupada e sentei de lado, à vontade.

—Você sempre me surpreende. — Comentou e olhou para fora da janela. Nos instantes seguintes, ele permaneceu calado e pensativo. Eu diria que ele parecia um bichinho acuado. Deitei meu banco, que era largo e bem acolchoado, e me encostei de lado, de frente para ele.

Ele só me olhava, com o olhar desnecessariamente apreensivo. Quando percebi que ele estava tenso demais e já me deixava sem graça, eu atravessei o espaço entre nós e deitei a cabeça em seu peito.

Inventei novos assuntos sobre o pai dele, sobre a separação, sobre a doença de Jasper e, por fim, ele relaxou novamente. Quando acabou o assunto, virei o rosto e o beijei no rosto, no mesmo instante que passei os dedos em seu queixo. Ele correspondeu retraído e passou as mãos em meus cabelos. Fiquei dando selinhos, inspirando e expirando no seu rosto, carinhosamente, depois desci com beijinhos para o pescoço de lado e desviei para orelha, dando pequenas mordiscadas.

Imediatamente, ele enrijeceu o corpo, sentindo minhas intenções, em seguida tentou me afastar segurando no meu ombro, porém eu não me deixei afastar.

Determinada, como sempre, enfiei meus dedos em seus cabelos e abri meus lábios nos seus, levemente, beijo de lábios. Ele correspondeu gentilmente, enrolando nesse tempo os dedos em meus cabelos. Eu mordisquei, dando beijinhos ligeiros e olhados, e olhava em seus olhos feliz em tê-lo. Acariciei seu rosto, sugando leve seu lábio inferior, passando a pontinha da língua. Alguns minutos se seguiram, e, aos poucos, ele se soltou lentamente, logo abriu a boca e buscou a pontinha da minha língua. Era um beijo doce, cheio de palavras escondidas.

Depois de um tempo só com carinhos, finalmente, sua respiração desregulou e ele apertou os dedos em minha nuca. Não demorou pra que ele tomasse minha língua em sua boca e o beijo se transformasse em um beijo quente, com nossas línguas se tocando e suas mãos apertando minhas costas. Apertei sua boca na minha, ansiosa, feliz com os seus sonsinhos de rendição. Longos minutos se passaram, e nós queríamos mais... Sempre queríamos mais.

Inesperadamente, ele me puxou e me sentou em seu colo, de frente, sem tirar os olhos de mim. Eu não sabia se seu olhar era assustado ou admirado, mas, sem perda de tempo, voltei para os seus lábios, onde ele me beijou intensamente, apertando-me a si, me proporcionando sensações que há meses eu não sentia. Euforia. Não era mais os beijos tímidos que ele deu esses dias, eram beijos cheios de promessas. Tinha excitação no seu corpo.

Sempre depois que ele se libertava, ganhava uma aptidão que me deixava fora de mim.

Eu já respirava arfante, todavia não tinha a mínima vontade de me soltar dos beijos. E como na última vez em sua casa, ele colocou as mãos nas minhas costas, por dentro da blusa e acariciou lentamente das minhas costas à minha cintura, como se esperasse algum tipo de autorização.

Ofegante, ele passou o polegar cautelosamente em meu seio, por cima do sutiã, resfolegando em minha boca, sem soltar-me do beijo.

o... — Murmurei em seus lábios, depois desviei a boca para seu pescoço, com a mão prensando uma sua.

Mesmo assim, ele voltou com as mãos para as minhas costas, enquanto também beijava meu pescoço, e a cada segundo eu sentia sensações crescentes de calor em meu corpo. Ele desceu com os lábios, ansioso, pelo meu ombro, mordendo, me fazendo arfar e arquear o corpo. De repente, me senti solta e ele sorriu maliciosamente. —Vou levar de lembrança. — Murmurou em meu ouvido, mordiscando, se referindo ao meu sutiã que ele acabara de tirar.

Assustei um pouco com seu repentino atrevimento, mas como ele continuou mordiscando meu ombro, eu nem raciocinei no que ele tinha feito. Eu me sentia febril, estava tonta e não conseguia reclamar. Só fechei os olhos e me permitir sentir as sensações de sua boca sugando meu pescoço, mandíbula e colo.

Testando minhas respostas, ele desceu a mão que estava em minha nuca lentamente pelo meu pescoço, clavícula, e passou levemente a palma no meu seio por cima da blusa, quase sem tocar, depois subiu e desceu enquanto me beijava ardentemente no pescoço.

Eu arfei com o toque, e ele, sentindo-se autorizado, voltou com beijos molhados para os meus lábios e me acariciou por fora da blusa no seio. Era uma carícia insegura, de conhecimento. Mas eu sentia sensações maravilhosas e minha vontade era que ele acariciasse mais. Por que não? Eu também queria...

Respondi sua pergunta muda aprofundando o beijo, inserindo a língua sem pudor, gemendo baixinho em sua boca. Determinada a experimentar, projetei meu tronco para frente, de modo que ele afagasse mais, ele entendeu, libertou a outra mão e começou a acariciar meus seios com as duas mãos, gentilmente, passando os dedos em toda a extensão, apertando o bico levemente entre os dedos. Era tão bom. Choques eram distribuídos por onde seus dedos deslizavam. Tinha uma ansiedade dolorida em meu corpo. Nem eu mesma conseguia definir o que eu queria. Eu só sabia que queria fechar os olhos e me abandonar ao toque, ao beijo, ao atrito com sua excitação.

Indelicadamente me apertei nele, ouvindo um pedido instintivo do meu corpo. Ele soltou uns sonsinhos sufocados em minha boca e isso só me estimulou a querer mais.

O tempo e o espaço ficaram longe. Meu universo era ele, com sua boca ora em minha boca, ora em minha orelha, ora em meu pescoço. Eu me sentia mole, feliz. Ele mordia meus lábios de um jeito sensual e quente, com os olhos intensos em mim, cerrados, sua mão ainda me afagando.

Porém, antes que eu estivesse satisfeita com aquelas descobertas, ele ofegou e começou a diminuir a carícia no seio, parando as palmas das mãos em concha.

—Bella... Acho que está na nossa hora... — Resfolegou em minha boca, sem parar de me beijar, voltando as mãos agora para o meu pescoço e costas.

Eu ainda estava perdida. Só depois de um longo tempo consegui voltar à consciência e o abraçar, me acalmando lentamente. Era nítido que não era a sua intenção sair dali, nem a minha, porém, era hora de parar. Sempre tínhamos que parar.

Atordoada, deitei no banco do motorista e fiquei quieta pelos minutos que se seguiam, ainda sentindo meu corpo em turbulência. Então ele deitou atravessado com a cabeça em minha perna.

—Bella, vamos conversar. Quais eram as suas intenções? — Ele me analisou, pegando em uma mecha de cabelo.

—Não entendi.

—Qual era a sua intenção quando veio para cá? Está tentando me deixar louco de vez!

—Hum... nem tinha pensado nisso, mas acho que era essa a intenção mesmo... Te deixar louco por mim. — Sorri e deslizei o dedo em sua nuca.

—Não precisa se esforçar... — Disse e beijou minha mão.

—Sério! — Sorri esperançosa. —Então diz!

—O quê?

—O que você falou. — Pedi manhosa.

—Que sou louco por você? — Sorriu levantando uma sobrancelha.

—Uhum. — Mordi os lábios em expectativa.

—Eu-sou-louco-por-você. — Disse com um risinho manhoso.

—Repete e vem aqui. — Forcei seu ombro a levantar e ele sentou atravessado em meu banco. O banco era largo e cabíamos nós dois.

— . ê. — Sorriu em meus lábios e eu o beijei apaixonadamente, puxando-o para cima de mim. Empolgamos-nos e o beijo se intensificou por um tempo que nos levou a ofegar.

—Bella, vamos embora. — Sussurrou, apoiado com o braço no banco. —Você não sabe o que um homem enlouquecido é capaz. — Sorriu torto.

—Tô querendo saber. — Provoquei.

—Ah, você não quer. Se quisesse não tinha me dito não. — Comentou, pausou em tempo calado, depois encostou a cabeça no vão entre meu seio.

—Mas qual era mesmo a sua intenção? Eu tive dúvidas quando você me trouxe para esse lugar e ainda deitou o banco. Queria que você deixasse as coisas claras para mim, assim eu não excedo.

Pensei um pouco antes de responder.—Bom, eu só queria ficar com você mais a vontade, entende? Era só privacidade e conforto. — Apontei para o lugar calmo que estávamos.

—Então desculpe se fui além do esperado, eu não queria te pressionar. — Disse sem parar de beijar meu colo exposto pela blusa de alça.

—Eu não ligo se você continuar tentando. — Sorri maliciosamente.

Ele sorriu em resposta, depois arrumamos os bancos para sairmos dali. O parque já estava quase vazio quando voltamos. Alice e Jasper estavam dentro do carro da Esme.

—Adorei o dia e a noite, principalmente a parte do louco. — Eu disse maliciosamente logo que descemos e rodeei seu pescoço com meu braço.

—Não sei porque, você já sabia! — Apertou minha cintura a ele.

—Mas é bom ouvir. Me dá forças para te esperar. Dá forças para ter esperança em nós.

—Bella, eu não quero te prender, você é livre. — Me afastou um pouco, olhando-me sério.

—Eu já estou presa a você. Meu coração não é livre. Ele já é seu. — Murmurei sem conseguir ocultar a tristeza na voz.

Ele captou o tom e beijou o topo da minha cabeça. —Tudo bem, não vamos aprofundar no assunto. Eu aceito seu coração. Em troca vou deixar o meu, aí nas próximas férias a gente decide o que faz. — Disse e beijou novamente minha boca, segurando o meu queixo. —Agora, tenho que ir.

—Então tá, vou lá falar com o Jasper.

Andamos de mãos dadas até o carro da Esme, despedi do Jasper e chamei Alice. Depois voltei a abraçar Edward, beijando-o sem intenção de deixá-lo ir.

—GENTE, PELO AMOR DE DEUS ASSIM A GENTE SÓ SAI DAQUI AMANHÃ! — Jasper ralhou.

—Bella, eu tenho que ir mesmo. — Segurou meu rosto nas mãos, com lamento no olhar.

Ele me deixou na porta do meu carro, me fez entrar, liguei o carro e ele se despediu, com um beijo em minha boca através da porta.

Ai fim das férias, Emmett voltou à Califórnia e nós voltamos a estudar. Distrair dos pensamentos em Edward durante as aulas era mais fácil. Eu me ocupava com amigos de escola, trabalhos. Assim, a vida se seguia. Este ano eu iria apresentar uma música em um festival de música da cidade. Então estava trabalhando bastante na música que escrevi.

Com um mês de aula, não telefonei muito para Jasper. Também não falei muito com Edward. Quando tentei, ele sempre estava ocupado e falava muito pouco. Se eu passava algum e-mail, ele demorava dias para responder. Portanto resolvi dar espaço. Nossa ligação era só nas férias. Eu tinha que entender isso. Embora eu ficasse com saudade, quando ele estava em Washington D.C., parecia que ele não era meu. Podia ser só impressão, mas era o que parecia.

Estacionei o carro na vaga de sempre e me dirigi ao prédio onde teria as primeiras aulas. Quando virei o corredor que levava a minha sala, encontrei uma colega de classe fora da sala. Parecia esperar alguém. Era Lauren, que logo que me viu, me perguntou se eu namorava Mike. Ao receber minha negativa, pediu autorização para ficar com ele.

—Lauren, não se preocupe comigo. — Disse sinceramente. — Eu quero ver o meu amigo bem. E se você conseguir fazer isso, eu vou ficar muito feliz.

—Obrigada, Bella, você é legal. — Ela sorriu e entrou na sala.

Eu entrei logo atrás e me sentei ao lado da pessoa que sentava há anos. Mike. E pensei que se ele arrumasse uma namorada, as coisas entre nós melhorariam. Assim ele se conformaria em ser só meu amigo...

Depois de duas aulas, seguimos para a lanchonete e eu aproveitei para falar com ele sobre o assunto.

—Mike, eu conheço uma menina que está a fim de você. — Iniciei, quando sentamos à nossa mesa comum.

—Mas eu não estou a fim de ninguém, Bella. — Dissuadiu desinteressado.

Eu sabia o porquê de ele não está a fim de ninguém, mas eu tinha que tirar suas esperanças.

—Sabia que eu gosto de uma pessoa desde que eu tinha treze anos de idade... — Sugeri e deixei assentar. — E eu acho que a gente vai ficar junto, tipo namorar sério.

Isso não era completamente verdade, mas era o melhor modo de expor os fatos e fazê-lo abrir o leque de interesse.

—Por que resolveu me falar isso agora? — Olhou-me magoado.

—Por que você é o meu amigo, e eu não posso esconder coisas de você. Também porque sei que você gosta de mim e eu quero que você tente com alguém. Não tem jeito para nós dois.

Ele me olhou uns minutos, para então suspirar. —Quem é a menina?

—A Lauren. Ela é legal, e acho que gosta de você. — Apontei com o olhar para uma mesa próxima.

Ele olhou de canto em direção ao local onde a menina estava, e ela sorriu timidamente.

—Eu já tinha percebido que ela me olhava diferente.

—Dá uma chance pra você, amigo. — Apoiei o queixo em seu ombro, com a mão em suas costas.

—Tá, vou tentar... Consegue o telefone dela pra mim.

—Faz melhor, eu vou combinar com a colega dela de sentar com ela hoje. Aí eu falo para a Lauren sentar com você. Combinado? — Perguntei eufórica, e ele sorriu assentindo.

Deu tudo certo. Eles sentaram juntos, depois almoçaram juntos e os dias que se seguiram estavam sempre perto. Fiquei feliz com a minha boa ação.

Em uma segunda-feira, quando já estávamos com dois meses de aula, papai chegou do trabalho e encontrou eu e Alice estudando na sala de baixo.

—Oi, meninas! Resolveram estudar aqui? — Apontou para nossos cadernos espalhados no chão da sala de TV.

—Oi, pai! — Nós duas levantamos para lhe dar um abraço conjunto. — É estratégia para tornar o estudo prazeroso, enquanto a gente conversa. — Eu disse com sorriso e voltei para a mesinha improvisada.

—Cadê a Jéssica? — Perguntou ao passear o olhar pela casa.

—Ela não pára em casa. Quando chega da facu, já sai de novo. — Alice entregou Jéssica. Belisquei-a e ela se tocou tarde demais.

Ele deu de ombros. —Já nem ligo mais para o comportamento da Jéssica, ela é igualzinha a mãe. — Papai sentou no sofá e sorriu do comentário. Sorrimos também. Falando em minha mãe, a última vez que ela tinha me ligado foi no meu aniversário de dezesseis. Quase nove meses atrás... Devia estar bem ocupada.

—Meninas, vou viajar neste fim de semana. Vou sair sexta e volto só segunda. — Informou. —Irei ao Texas negociar o jornal que quero comprar. Se eu comprar, cada filho vai herdar um jornal. — Sorriu e continuou. —Meu pai tinha um filho e conquistou um jornal. Eu tenho quatro filhos e preciso de quatro jornais, no mínimo. — Concluiu orgulhoso, alegre com a perspectiva de adquirir novas conquistas. —Provavelmente o Emmett venha passar o fim de semana, ainda vou confirmar com ele. — Informou apreensivo, como se estivesse preocupado com a nossa solidão.

—Tudo bem, pai, espero que tudo dê certo no negócio. E não se preocupe com a gente. Vamos ficar bem. O importante é que o senhor está feliz por mais essa realização. — Apoiei e o abracei.

Quinta-feira, estava deitada no sofá assistindo TV quando o telefone tocou.

—Bella, meu pai chegou? — Era a voz do Emmett no telefone.

—Oi, Emmett!Fala comigo primeiro! — Cobrei sorrindo.

—Oi! Tudo bem? — Sorriu. —É que eu estou tentando ligar para ele há uma hora e o fone dele está dando desligado. Eu queria falar com ele.

—Ele não chegou, mas deve estar chegando porque amanhã ele vai viajar.

—É sobre isso que eu ia falar, ele vai viajar e quer que eu vá pra casa, mas eu vou tocar aqui com um pessoal no sábado e não tô a fim de faltar. — Explicou receoso.

—Tu é traíra, hein, Emmett! Não pode ver uma banda que já quer tocar!— Descontraí, animada. Esqueceu a bandinha aqui de casa?

—Não, Bella, é sério, eu estou a fim de tocar com esses caras faz o maior tempão, eles tocam pra caramba! Então fala para o meu pai que eu não posso ir, estou ocupado.

—Tudo bem, eu não vou mentir. Se ele perguntar, eu falo que é porque você preferiu uma banda daí a ficar com suas irmãs.

—Eu não estou fazendo nada escondido, Bella, não preciso da acusação.

Eu sorri. —Estou brincando, Emmett, pára de ser apelão!

—Então tchau, irmã chata!

—Tchau, irmão traíra.

Sorrimos e desligamos.

Cansada de assistir, subi as escadas e fui para meu quarto. Já fazia dias que desisti de ligar para Edward. A dúvida e a saudade me inundavam. Pensei, por um instante, na viagem do meu pai, em estarmos sozinhas esse fim de semana. Seria tão bom se estivéssemos nas férias, assim aproveitaria que nem meu pai nem Emmett estariam em casa, e poderia passar quase três dias com Edward...

Sentei eufórica na cama, arfando com a idéia repentina que me passou. Seria fim de semana... Fins de semana não tinham aula... A única coisa que separava Seattle da capital do país era um avião... Eu tinha autorização para viajar, devido às vezes que visitei minha mãe. Também tinha dinheiro...

Levantei da cama, acessei a internet, depois fui ao quarto da Alice.

—Alice, acorda! Vou viajar! — Disse e deitei em sua cama.

—Bella, você virou sonâmbula? — Abriu os olhos e me olhou atenta.

—Não, Alice, estou falando sério. Meu pai vai para o Texas, e eu vou para Virgínia. — Disse cheia de empolgação.

—Bella, você não vai ter coragem. E se meu pai descobrir? E a Jéssica? — Perguntou sonolenta.

—Meu pai não vai descobrir, e a Jéssica não vai nem perceber. — Falei confiante.

—Estou com medo. Pode sobrar pra mim. — Se encolheu no cobertor.

—Eu prometo que chego em casa antes dele. Ele disse que chega segunda, eu chego domingo à noite, prometo. — Juntei as mãos e fiz cara de pidona.

—Tá, Bella, que horas você vai? — Concedeu. — Edward já sabe?

—Não né, ele nunca vai deixar. Tenho que chegar lá de surpresa.

—Onde você vai ficar? Já comprou as passagens?

—A passagem eu acabei de comprar pela internet e quando chegar lá, vou ficar em um hotel. Lá eu vejo. — Dei de ombros.

—Você vai dormir com ele? — Insinuou curiosa.

—Não! — Neguei assustada com a sua dedução.

—Tá, então que horas você sai?

—No horário da escola. Amanhã é sexta, então saio de casa junto com você. Estou levando só a mochila da escola com algumas roupas dentro, assim ninguém desconfia. Aí você me deixa no aeroporto e depois vai para a escola com o carro.

—Bella, eu não tenho carteira, todos os professores sabem que eu tenho só quatorze anos.

—Então, a gente pede uma carona para o Mike até a escola, de lá eu fujo e peço um táxi. Se o Mike perguntar por mim, fala para ele que eu vim embora e pronto. Por favor, não complica que eu já estou nervosa demais! — Implorei ansiosa.

—Tudo bem, Bella, espero que dê tudo certo. — Suspirou insegura e me abraçou.

No dia seguinte, meu coração era pura aflição. Primeiro driblei Mike, depois fugi da escola e por fim peguei o táxi. Respirei aliviada quando meu avião se levantou do chão. Resolvi tentar me acalmar e encostar a cabeça no vidro, repassando mentalmente tudo que eu iria fazer assim que o avião pousasse no Aeroporto Ronald Reagan, na Virgínia. Localizado a quinze minutos da Universidade George Washington, que é onde Edward estuda.

Primeiro irei me hospedar em um hotel perto do aeroporto, depois alugo um carro e vou a Universidade fazer a surpresa. Este é o plano. Edward vai morrer! Ou me matar... Estava muito ansiosa para dormir durante o vôo, então liguei meu mp4 e coloquei umas músicas para acalmar o meu cérebro. Depois de três horas de viagem, eu pousava no Condado de Airlington.

Escolhi um hotel cinco estrelas próximo ao aeroporto, entrei e fui atendida por uma recepcionista que me avaliou da cabeça aos pés. Eu usava calça jeans e mochila nas costas.

—Bom dia. Eu preciso de um quarto, moça. — Eu pedi educadamente.

—Documentos. — Pediu, e eu entreguei.

—Não alugamos quarto para menor aqui nesse hotel. — Informou com descaso.

Deixei cair os ombros. Não tinha pensado nesse detalhe. —Er, mais tarde meu irmão vem. — Menti, sem jeito.

—Sei... Irmão... Não alugamos, moça. Procure outro hotel. — Ela desviou a atenção para o computador. Eu saí de lá derrotada e sentei em um banquinho em frente ao hotel.

E agora? O que iria fazer? Edward era maior de idade, ele podia alugar para mim. Logo o ideal era ir vê-lo logo. Não. Era melhor almoçar antes.

Almocei em um restaurante em frente ao hotel Crystal e fui a uma locadora de carros. Aluguei fácil. Pelo menos para alugar o carro não teve frescura com idade. Só mostrei a carteira de motorista.

Eu ainda precisava trocar de roupa. Estava muito diferente do que o Edward costumava me ver. E não queria aparecer na universidade dele de jeans e tênis. Não mesmo. Olhei chateada para os vários hotéis próximos e reclamei. Puxa! Se ao menos tivesse conseguido um hotel! Será que as pessoas não vêem que eu posso pagar?

É isso!

Como eu fui ingênua! Eu poderia ter subornado aquela mulher. Pensando assim, voltei ao hotel perto do aeroporto e falei com a mesma atendente de mais cedo.

—Moça, preciso de um quarto. — Entreguei minha identidade e duas notas de cem.

—Para quantos dias? — Perguntou sem olhar para a identidade.

—Dois dias.

—A diária é quinhentos. Cartão ou dinheiro?

—Dinheiro. — Abri a mochila e peguei o meu dinheiro embolado.

—Duas diárias é o dobro— Ergue as sobrancelhas sugestivamente. Nossa, ela queria mais? Mercenária!

Resignada, peguei mil e duzentos na minha mochila e dei em sua mão. Ela começou a preencher os dados no computador. —Qual o seu nome?

—Minha identidade está na sua mão, moça. — Apontei para a identidade

Ela me devolveu a identidade e me olhou nos olhos. —Qual o seu nome e o nome do seu irmão?

Pensei rápido. —Bella Hale e Edward Hale. — Eu não precisava mentir o nome dele, afinal. Ele era maior de idade.

Após o check in, chamei o elevador e enquanto subia refletia no fato de ficar em um hotel cinco estrelas sozinha com ele. Não podia passar a impressão errada. Queria beijá-lo muito, é óbvio, mas antes devia deixar bem clara minhas intenções.

Chegando ao quarto, fiqueo encantada. Era lindo, com móveis claros, paredes e cortinas brancas, uma super king imensa e uma vista linda da cidade. O banheiro era todo branco, com uma banheira que cabiam quatro pessoas dentro.

Ansiosa, tomei banho, vesti um vestido de listras rosa claro, de botão, cinto, manguinhas japonesas e calcei uma sandália de salto médio, com florzinhas rosa na lateral. Sequei o cabelo e passei maquiagem clara. Tinha que aparecer na Universidade apresentável.

Ainda eram duas horas da tarde, então com certeza ele estaria em sala. Nervosa com o que se seguiria, sentei na cama e comecei a temer. Tinha que planejar um jeito de entrar lá e encontrá-lo. Avistei um computador numa saleta no canto do quarto e tive uma idéia. Talvez não ajudasse muito, mas não custava tentar. Acessei o mapa visual do lugar, com imagens reais dos corredores e salas, pesquisei o o campus, li atentamente todas as informações que me parecessem pertinentes e observei a divisão dos blocos. Finalmente, desenhei em um papel o caminho que eu deveria seguir, suspirei e me preparei para sair.

O trajeto era pequeno, nada mais que vinte minutos. Eu estava tensa demais para não pensar, logo o medo e a culpa invadiram minha mente. Eu me preocupei com o meu pai. Se ele descobrisse, dessa vez não iria me perdoar.

Passei pela guarita de entrada no estacionamento e não houve nenhum segurança conferindo placa. Depois entrei no campus, me direcionei ao prédio de Ciências Políticas e estranhei como foi fácil entrar. Era por isso que acontecia os ataques terroristas em Universidades. Não tinha ninguém para perguntar o que eu fazia ali! Será que era porque eu parecia uma estudante, uma estudante comum?

Entrei no bloco tentando não parecer perdida pelos corredores e percebi que a universidade não era como no ginásio, onde tinha monitores o tempo todo te mandando para a sala e ou te colocando para a detenção. Na universidade as pessoas ficavam andando pelos corredores, algumas namoravam nos cantos. Era bem diferente.

Enquanto andava pelos corredores, olhava disfarçadamente para as portas para ver se em alguma estava escrito Ciências Políticas, segundo semestre. Minutos depois, percebi que as coisas iam ser mais difíceis do que eu pensava. Ele podia estar em qualquer um dos cinco andares, em qualquer uma das cinqüenta salas, ou nem poderia estar ali. Eu estava perdida!

De repente, eu vi uns alunos mudando de sala, foi aí que eu percebi que eles mudavam de sala toda hora. Então não ia achar uma sala exclusiva do curso dele. O tempo estava passando e eu vi que algumas salas já estavam vazias. Isso iria dificultar mais ainda a minha situação

Depois de rodar o prédio todo, a ponto de ficar suspeita, resolvi sentar em um banco fora da universidade e esperar até as aulas terminarem. Se eu não tivesse a sorte de encontrá-lo saindo, eu iria ligar pra ele.

Frustrada, olhava em todo o tempo para o portão principal, torcendo mentalmente que ele aparecesse. Depois de uma hora sentada, alguém se aproximou de mim.

—Oi! Conheço você! É Bella Cullen, não é? — Um rapaz louro ppontou entusiasmado para mim.

—Oi, tudo bem? Eu esqueci seu nome, mas eu me lembro de você. — Sorri sem graça por não lembrar o nome dele, e ele lembrar até meu sobrenome.

—Ryan Evans.

—Tudo bem? Bom te ver! — Forcei entusiasmo para fazê-lo esquecer meu fora. —Estuda aqui?

—Sim e você?

—Eu não. Estou a passeio, esperando um amigo.

—Seu amigo é lá do estado de Washington? — Sentou ao meu lado no banco.

—Sim. Ele é filho de uma funcionária do meu pai. E como eu vim passear na capital, ele vai sair comigo pela cidade. — Por que eu dei essa explicação longa? Eu me surpreendo!

Houve uma pausa de silêncio, e eu continuei olhando distraída para a porta.

—Você sumiu aquela noite. — Comentou de modo casual

—Pois é, eu me senti mal e fui embora. — Disse evasiva.

—Você vai ficar até que dia?

—Até domingo.

—Chama o seu amigo e aparece lá no meu AP. — Sugeriu. —Eu sempre reúno uns amigos lá para conversar e beber.

—Você não quis morar aqui na Universidade, não? — Quis saber, pensando em algum tipo de ajuda.

—Até que eu tenho um quarto aqui, às vezes quando quero descansar durante o dia vou pra lá. Mas eu preferi comprar um apartamento na cidade. Me dá mais privacidade. Como eu ia fazer minhas festinhas a noite aqui? — Perguntou com uma piscada.

—Isso é verdade. — Sorri. — Me dá seu fone que eu te ligo, caso meu amigo queira ir lá.

Ele pegou meu celular e anotou o telefone dele.

—Eu já vou. — Ele disse e se levantou para sair.

—Você podia ficar comigo e dar uma volta pelo prédio, enquanto ele não vem. — Pedi, ansiosa. No mesmo instante arrependi. Será que minhas intenções soaram erradas?

—Tudo bem, vamos conhecer o prédio. — Propôs atencioso.

Eu me coloquei ao seu lado e caminhamos pelos corredores, enquanto conversávamos.

—Está gostando do curso? — Forcei um assunto. Odiava o silêncio.

—Eu falei para você lá na Califórnia que não era o que eu queria, lembra? Na verdade estou levando nas coxas. Estou inclusive matando aula agora. Se não fosse você, eu estaria à toa.

—Mas seu pai não liga de você levar nas coxas? — Franzi o cenho.

—Ah, ele já é senador, vai me colocar na política de qualquer maneira. — Deu de ombros. —Tudo que eu preciso é de um diploma, e isso eu já estou garantindo estando aqui.

Que diferença dele para o Edward, pensei. Edward não se conforma só com o diploma. Ele quer ser sempre o melhor.

Ele continuou. —Sabe, tanto faz o meu futuro. O que eu quis, eu não pude fazer. Lembra que eu te falei que queria ser cientista? Pois é, era o meu sonho de criança. Mas meu pai não deixou. Então, estou tipo me deixando levar. — Ele era meio desiludida. Mas era legal. —Onde você está hospedada?

—No Crystal, perto do aeroporto.

—Bom aquele lugar, né!

—Pois é, cheguei hoje. Nem deu para curtir muito ainda.

Enquanto conversávamos, eu me distraí procurando algum sinal do Edward e nem percebi o quanto tínhamos andado. Estávamos no fim de um corredor, que estava quase vazio pelo horário. Só havia mais uma sala de vidro que ocupava todo o fim do corredor, mas estava escura.

Eu observava a sala de vidro, que tinha uma luz no final, agucei o olhar e notei que slides eram apresentados. Repentinamente me senti sendo encostada na parede, com dois braços na altura do meu pescoço me encurralando. Fiquei estática, impedida de sair e olhei desentendida para Ryan, tentando decifrar suas intenções. Ele respirou bem próximo ao meu rosto.

—Bella, está me devendo algo. — Ele me olhou gentil e determinado, passando a mão em meu cabelo.

Em choque, eu pensava em um jeito de dar um fora e desfazer de qualquer esperança sem ser mal educada. —Não me lembro.

—Ficou quase a noite toda comigo na Califórnia, e na hora que eu ia te beijar, você foi embora. — Ele aproximou o rosto centímetros do meu, esperando a minha reação.

Eu não sabia o que fazer, pensando ainda num jeito de sair de lá.

—Ryan, já gravei a aula. Pega logo. — Uma voz se pronunciou por trás do Ryan. Aquela voz era conhecida, mas Ryan estava me tampando.

—Ih, cara! Pede licença, estou com uma garota. —Ryan disse em tom de brincadeira, sem se virar e sem se afastar de mim.

—Todo dia você está com uma garota. — Respondeu com censura. Era Edward! E agora? Saia ou não saia dali?

—Tu é tosco hein, Edward! — Ryan se virou para ele.

Eu abaixei o rosto para poder olhá-lo por baixo do braço de Ryan. Mas ele não olhava para mim, nem percebeu que era eu ali.

—Oi, Edward! — Chamei sua atenção e sorri. Ele cerrou os olhos e me olhou por uns segundos, parecendo não acreditar.

—Vocês se conhecem? — Ryan perguntou e afastou o braço.

—Sim. Ele é o meu amigo que te falei. — Disse em prontidão, aliviada pela chegada do Edward. Edward passou a mão no cabelo e não falou nada, nem mesmo me cumprimentou. —Tudo bem? — Perguntei preocupada com o surto de ira que se seguiria quando ele descobrisse que eu fugi para vê-lo. Ele parecia distraído, fora de órbita.

Contente, soltei-me completamente do Ryan e pulei com os braços em volta de seu pescoço —Vim fazer uma surpresa! — Sorri, eufórica, e dei um beijo em seu rosto. Ele não me abraçou de volta, continuou estagnado.

—Edward, me dá o meu ipod e amanhã leva a Bella no meu ap, já combinei com ela. Até mais. — Ryan pegou o ipod e saiu.

Ainda com os braços em volta do pescoço de Edward, esperei-o reagir.

—O que foi? — Juntei as sobrancelhas. —Eu esperei várias reações quando você me visse, mas ficar parado sem falar nada, eu não esperava. — Disse calmamente, acariciando o seu cabelo. —Eu prefiro que você brigue e me chame de louca, do que ficar assim. — Sorri cinicamente, encostando minha cabeça em seu peito.

—Bella... São tantas perguntas que nem sei por onde começar. — Sussurrou atônico, passando as mãos nos cabelos.

—Então vamos lá para fora. Vamos sentar em um banquinho. — Puxei sua mão pelo corredor e sentamos num banco em frente ao prédio. —Eu tenho uma dica de como começar, pergunte como eu vim parar aqui. — Disse sorridente, acariciando o seu rosto.

—Tá, como você veio parar aqui? — Seu tom não havia censura, era só choque e curiosidade.

—Meu pai viajou e eu fiquei com saudade de você, então peguei um avião e vim te ver. — Contei como se estivesse a coisa mais normal do mundo, dando beijinhos de luz em seu queixo e mandíbula. Ele segurou o meu rosto nas mãos e me fez parar de beijá-lo.

—Bella, eu não vou nem pensar, não vou desgastar o meu cérebro com isso. Você vai voltar agora mesmo para Seattle. — Disse calmamente, acariciando o meu rosto com os polegares.

—Não, eu não vou, já estou hospedada! — Relutei, cruzando os braços.

Ainda bem que eu já tinha me hospedado. Ufa!

—Bella, vou te pedir como amigo. Se você tem alguma consideração por mim, por favor, vai embora. Quando eu voltar, a gente esquece que isso aconteceu e tudo volta ao normal. — Ele passou as mãos em meus cabelos com olhar suplicante.

—Eu não vou. Não cruzei o país à toa. — Emburrei igual criança.

—Bella, querida, por favor, você é menor, eu não vou ficar andando com você. Seu pai pode mandar me prender. Você já pensou o que isso causaria a minha ficha histórica? — Sua voz era cortante, havia desespero escondido em seus olhos. —Seu pai sabe que você está aqui? — Ele devia estar nervoso, pois a primeira coisa que eu tinha falado foi que meu pai estava viajando.

—Não, ele está viajando e eu não vou embora, quero ficar com você. — Continuei de braço cruzado, inabalável na convicção.

Ele me olhou sem paciência. —Eu não vou ser culpado por isso. Vou ligar para ele agora e mandar ele vir te buscar. Aliás, eu vou com você agora no aeroporto, você vai comprar a passagem e ir embora. Me espere aqui. Vou ao meu quarto guardar meus matérias e pegar umas coisas. — Levantou ansioso e saiu. Eu sorri. Tinha certeza que ainda iria dobrá-lo.

Vinte minutos depois, Edward voltou estranho, distante e mais calado. —Faz assim, Bella, você faz o que quiser. Se quiser ficar, fique. Pra mim, tanto faz. — Murmurou introspectivo.

—Tudo bem, eu vou ficar com você. — Disse colocando os braços de volta em seu pescoço.

—Eu não vou ficar com você. Fique no seu hotel, depois você compra a passagem e vai embora. — Falou secamente, tirando sutilmente minha mão do seu pescoço.

—Você não vai ficar lá comigo? — Resmunguei com um biquinho.

—Não. — Sua voz era fria e distante.

—Poxa, Edward, eu não vou ficar aqui perdendo tempo. Já gastei quase dois mil, então vou fazer valer à pena ter vindo. Não é só você quem eu conheço aqui! — Disse teimosamente, vendo se ele tinha alguma reação.

—Tudo bem. Pra mim, tanto faz. — Deu de ombros, indiferente.

Insistente, pus a mão em seu cabelo e enfiei os dedos.

—Anjinho, pensa um pouco, eu cruzei o país porque estava com saudade de você, quero ficar perto de você. — Disse carinhosamente.

—Ah é? Estava com saudade? Não parece... — Sorriu frio e zombador, tirando educadamente minhas mãos do seu cabelo. Eu não entendia porque não podia acariciá-lo.

—Fica no hotel comigo. Lá é lindo. Pensa no tanto de coisa que poderemos fazer juntos. Temos quase três dias para ficar lá. Já está pago... Não posso mais voltar. Eu já estou aqui, então relaxa e me divirta. — Propus com uma piscada brincalhona.

—Relaxar e se divertir, Bella, é isso que você quer? — Ele me olhou duramente nos olhos. —Rá! É você quem pede! — Disse uns decibéis a mais que o seu normal.

Ele ainda ficou parado, me olhando estranho uns minutos. Depois balançou a cabeça e fez uma careta de frustração. Eu não acreditava que ele estava com tanta raiva só por eu ter vindo, mesmo assim, tinha certeza que depois que eu o beijasse ele iria melhorar.

—Vou buscar umas roupas no meu quarto, espera que a gente vai se divertir muito. — Sua voz foi sarcástica e estranha. Eu não entendi o que aconteceu desde que ele voltou do quarto.

Alguns minutos depois, ele voltou e nos direcionamos ao carro. Durante todo o trajeto ele não falou mais nada, e nem eu perguntei. O clima estava pesado e eu não sabia o motivo. Acreditei que depois ele ia melhorar, já que resolveu vir.

Estacionamos no hotel e ele estava mais distante ainda, sem ao menos encostar-se a mim. Meu coração começou a palpitar ao sentir a frieza em seus olhos.

Chegamos ao quarto, ele foi direto para o banho, demorando lá mais tempo que o normal. Ele saiu de boxer preta e deitou-se na cama, com os braços atrás da cabeça. Achei tão estranha sua exposição. Geralmente ele era tão tímido.

Eu estava tão envergonhada com a situação que não tive nem coragem de inspencioná-lo. Se fosse outra ocasião, eu não perderia um milímetro do seu corpo. Abaixei os olhos e sentei em uma poltrona, abismada com o que acontecia.

—Vai ficar aí parada? Pensei que você quisesse se divertir! — Disse sarcástico novamente, com um olhar esquisito, os dentes trincados. Eu ia ter um colapso se isso continuasse. Isso era certeza.

—O que você quer que eu faça? — Levantei cautelosa, objetivando amenizar a situação.

Ele sorriu sem humor. —Tome banho! — Disse secamente, como se fosse o óbvio.

Não entendi o porquê disso, mas me convenci de que ele quisesse sair, e por isso eu deveria tomar banho e me arrumar, por isso segui para o banho.

Minutos depois, saí de banheiro de roupão, e ele nem ao menos olhou para mim. Seu semblante se transformou em puro ódio, me causando constrangimento. Fui para o canto do quarto, passei creme nas pernas, perfume, penteei o cabelo, sequei, fiquei só de calcinha e sutiã, e ele não me olhou em nenhum minuto. Era como se o Edward que eu conhecia não estivesse presente ali. Aquilo apertava o meu coração.

Vesti uma calça jeans e uma blusinha solta preta. Ele olhou em minha direção e fez tsc tsc irônico. —Prefiro vestido. Vista o que você estava. — Ordenou sombriamente. Suspirei, sentindo a pulsação correr.

Estava insegura, mas pelo menos foi uma reação. Sinal que ele gostava de vestidos. Peguei um outro, um para sair a noite, quase o mesmo modelo do de antes, de botões, e vesti. Demorei um tempo abotoando e depois fui para frente do espelho.

—Não passe maquiagem. — Rosnou, sua voz grave.

Algum sinal. Ele estava se revelando. Talvez a raiva estivesse passando. Eu tinha que crer nisso. —Você não vai se arrumar? — Sussurrei me perguntando por que ele ainda continuava na cama, se nós íamos sair?

—Pra quê me arrumar? — Franziu o cenho.

Eu inspirei fundo, fechei os olhos, depois exalei pesadamente, buscando calma.

—O quê está acontecendo, Edward? — Sentei na poltrona de canto. —Você me mandou tomar banho, vestir o vestido... Para quê, se nós não vamos sair para nos divertir?

—Porque nós vamos nos divertir aqui. Vem aqui. — Bateu a mão na cama. Parecia que ele estava somente me informando, não me chamando.

Algo em mim alertou que as coisas estavam bem ruins. Eu encostei perto da cama, acreditando que a qualquer momento ele iria voltar ao normal. Ele se ajoelhou, pôs a mão em minha cintura e, de repente, eu o senti me jogando em cima da cama, em seguida sua boca se aproximou do meu pescoço. Rápido. Muito rápido. Longe do seu normal.

Ele beijou-me famintamente no pescoço, com mordidas e grunhidos. Foi inesperado, diferente, mas eu deitei a cabeça e dei espaço para sua boca, no mesmo instante que minha mão desceu e acariciou o seu peito e abdômen. Ele estremeceu com meu toque, me olhou com os olhos cerrados e respirou fundo. Em seguida, fechou os olhos e abriu minha perna com a dele, me assustando quando arrastou a coxa na minha região íntima. Olhei-o desentendida, ele sorriu maquiavélico, pegou rudemente em meus cabelos e cheirou, enquanto se encaixava entre as minhas pernas, com seu corpo muito estimulado.

Eu não entendia a sua atitude, pois ele sempre foi tímido e discreto. Também não entendia a distância que eu sentia dele, e com isso meu coração palpitava.

—O que você está fazendo? — Perguntei com a voz estrangulada enquanto minha pulsação corria em frenesi.

—Tem certeza que você não sabe? — Disse com a voz grossa, me causando arrepios.

Enquanto ele falava, pegou o meu vestido asperamente e levantou, subindo as mãos até a lateral da minha coxa. Era bom, mas meu coração doía. Ele parou os olhos em mim por segundos, tinha conflito em seus olhos. Não resisti e acariciei o seu rosto ternamente, querendo descobrir o que ele tinha. Ele fechou os olhos, respirando difícil quando eu o acariciava, em seguida tomou ar profundamente, se inclinou novamente e atacou meu pescoço, com sugadas frenéticas.

Algo me dizia que tinha alguma coisa errada, não parecia ele. Eu queria meu anjinho de volta. Ele começou a mordiscar minha orelha de uma maneira punitiva. A mão que estava em minha coxa, subiu para minha cintura, por dentro do vestido, me acariciando e me apertando contra si.

Meu corpo se contorcia não obedecendo ao comando do meu cérebro, que mandava ficar alerta. Involuntariamente, meu corpo ― gostando do prazer ―, me traia.

Ele mordiscou como fome meus ombros, passava a língua em meu pescoço, orelha, soltando sonsinhos de ansiedade e desejo, no mesmo instante que sua mão acariciava e apertava minha nádega. Ele mordeu e beijou meu queixo devagar, passando a língua lentamente. Minha pele se arrepiava e tremia sem que eu deixasse, era como se eu não tivesse no comando.

Em nenhum momento ele beijou a minha boca, não deixei de perceber, logo, decidida, tentei puxá-lo para os meus lábios. Contudo ele recuou, direcionando a boca para o meu pescoço. Sua respiração estava bem irregular. Não havia só desejo, havia uma espécie de raiva.

—Quer se divertir, Bella? Quer curtir o agora? — Disse sarcasticamente e abriu os botões dos meus vestidos, velozmente, sem cautela. Por segundos pensei que fosse rasgar.

Ele ficou olhando perigosamente para o meu corpo embaixo do dele por minutos, como um predador, depois passou a mão em minha barriga, subindo lento, passando por cima do sutiã. Eu não conseguia olhar em seus olhos. Agora estava com medo da pessoa que estava ali.

Ele tirou meu vestido por completo e deu mordiscadas desde a lateral da minha coxa até a minha cintura. Eu estava sem cérebro. Porém mais uma vez meu corpo me traiu e se contorceu com aquele prazer.

Eu queria perguntar o que acontecia, mas ele começou a beijar a minha barriga coercivamente, lambendo por baixo das laterais da calcinha, e isso estava me impedindo de falar, pois eu não sabia onde estava minha língua. O prazer que eu sentia se misturava com tristeza, insegurança e medo.

Ele me deitou subitamente de costas, e passou as mãos por toda a extensão do meu corpo, apertando a coxa. Ele mordeu as minhas costas de uma maneira que chegava a me causar dor. —Você não vai mais brincar com um homem, Bella. — Grunhiu.

Eu não queria, mas meu corpo queimava e ao mesmo tempo uma dor me cortava por dentro. Por não pensar que esse lado dele existia, eu estava com medo. Ele tirou meu sutiã e começou a passar a língua libidinosamente nos ombros, braços, descendo com a boca nas costas, devagar, até minha panturrilha. Arqueei e tremi, ele continuou beijando, subindo a boca na perna, parando e mordiscando um tempo a nádega. Era tudo contraditório em meu cérebro. Era boa a sensação do corpo queimando, mas ao mesmo tempo era ruim saber que não estávamos bem e eu não sabia o que acontecia.

Ele beijou até o pescoço, arrastando o corpo no meu, mostrando a sua excitação. Por conta própria meu corpo se empinou e, sem que eu permitisse, gemidos baixinhos saiam da minha boca.

Ele colocou os dedos em minha peça íntima, fazendo menção de descer, e sua língua se abandonou em meu ouvido, fazendo com que eu ficasse muito tonta. Ofeguei e, mesmo com o corpo derretendo, nessa hora eu entendi o que acontecia e o que ia acontecer.

Ele estava com raiva de mim, embora eu não soubesse exatamente qual era o real motivo. Ele achava que eu tinha vindo aqui só para me divertir com ele, então ele iria fazer logo o serviço. Eu não consegui fazê-lo parar, só sentia os dedos dele dentro da minha calcinha, passeando da cintura até a região baixa da minha barriga, bem baixa.

A dor que cortou o meu peito me deixou sem ação. Eu não o tinha deixado fazer aquilo comigo, não permiti que ele me tocasse ali. Infeliz, bloqueei todos os meus sentidos e me senti uma pedra, fria e dura. Não sei nem se continuei respirando.

Ele continuou beijando minhas costas com um desespero que não me dava chance de pensar. Eu estava acabada. Nem todo o prazer do mundo valia a dor que me cortava. Me senti horrível. Ele estava me tratando como uma qualquer. Não teve coragem nem de me beijar na boca, agora iria me violar naquela posição!

Quando vi que aquilo acontecia comigo, ouvi um soluço distante. Era meu próprio choro que me assustava.

Repentinamente, Edward parou e sentou ao meu lado.

—Vista-se! — Disse ríspido, jogando o meu vestido na minha mão, como se eu fosse alguém repulsiva.

Aquilo doeu mais ainda. Peguei meu vestido, me tampei e corri para o banheiro. O meu mundo ia acabar em choro. Enchi a banheira e fiquei dentro. Eu queria ficar ali até amanhecer. Até tirar todo o rastro que ele deixou de saliva em mim. Não queria olhar no seu rosto.

A tristeza me invadiu arrancando lágrimas dos meus olhos. Porque ele estava agindo assim? O que eu fiz?– Eu me perguntava insistentemente. Devo ter passado umas duas horas no banheiro. Saí cabisbaixa, envergonhada pela situação, e ele estava arrumado, pronto para sair. Embaraçada, direcionei ao canto do quarto e vesti um pijama.

—Bella, estou saindo. — Avisou com a voz baixa.

Ao ouvi-lo, arrisquei olhar para ele, encarando-o. Eu não estava com ódio dele, só queria saber o que aconteceu. Ele sustentou o olhar por poucos minutos e saiu, batendo a porta atrás de si.

Derrotada, deitei-me na cama, encolhida, e esperei as horas passarem, enquanto isso as lágrimas desciam. Eu não sabia se ele ia voltar, então sentia meu peito doer, minha cabeça girar. Passaram-se algumas horas, a porta se abriu, ele entrou e sentou na cama. Eu permaneci de olhos fechados, não queria olhar para ele. Senti sua mão tirando o cabelo que estava grudado no meu rosto molhado pelo choro e pelo suor. Ele não percebeu que eu estava acordada, então abri os olhos.

Imediatamente ele se retraiu e deitou, fitando o vazio, com expressão dura. Fiquei por longos minutos o observando. Ele não me olhou de volta. Eu estava infeliz demais para tentar conversar, então as vagas lembranças da noite invadiram meu cérebro e eu me virei para deixar as lágrimas cair, enquanto os pensamentos me invadiam.

—Por que você voltou? — Sussurrei com a voz baixa e trêmula.

—Ainda não sei... Talvez porque não tenha saído realmente para ir embora. Eu só queria pensar.

—Sinceramente eu não entendi o que eu fiz... — Me virei para olhar para ele.

—Fui irracional, agi sem pensar, desculpe. — Respondeu sem emoção, como uma máquina.

—Irracional? Você acabou com uma noite que poderia ser perfeita, e isso foi só ser irracional! — Balancei a cabeça, inconformada. —O quê que eu fiz? Me fala!

—Você veio. Esse foi seu primeiro erro. — Disse calmo, mas duro.

—Ter vindo foi um erro tão grande que eu mereci ter sido tratada como uma qualquer, com você repudiando meus beijos? — Eu ainda chorava, completamente magoada.

—Você se comporta como uma qualquer. — Disse sem emoção. —Mas desculpe, não tenho nada a ver com sua vida pessoal. — Falou secamente e continuou fitando o vazio.

—EU NÃO ESTOU ENTENDENDO DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO! — Gritei, incapaz de suportar sua frieza.

—Você está louca! — Sentou alarmado. —Quer que chamem a polícia?

—Me fala, por favor, o que eu fiz? — Implorei baixinho, tomando fôlego para tentar mais uma vez.

—Você fez o que você tem feito desde que me conheceu. — Finalmente vi emoção em seus olhos. —Brinca, me iludi e mente para mim. Só isso.

Eu abri a boca, incrédula com o que ele disse. —Realmente eu tenho que desistir de você. Está me fazendo mal. Estou perdendo a dignidade. — Suspirei. —Ainda bem que você desistiu, se não a humilhação seria muito maior. Você ia me obrigar a ter a pior primeira vez que alguém poderia ter. Seria a pior noite da minha vida, onde eu fui tratada como uma vadia, sem ter forças para me soltar. — Solucei com o choro na garganta. —Estou cansada de você. Você não tem respeito por mim, nem a mínima consideração. — Sentei indiana na cama — Vai embora... Eu te odeio... — Disse histérica. — Não quero uma pessoa como você respirando o mesmo ar que eu. — Pedi enquanto as lágrimas desciam do meu rosto.

—Eu vou embora mesmo, Bella. — Levantou e me encarou. —Também estou cansado de ser usado em suas brincadeiras de menina rica com caipira pobre! E para com esse show! Porque as suas mentiras não me convencem mais! — Se direcionou até a porta. —Só mais uma coisa: foi um erro o meu ato irracional, não por você, mas por mim. A minha índole não condiz com a atitude que eu tive. DESCULPE. — Falou a última palavra com sarcasmo e ódio.

Eu levantei de súbito, encostei-me à porta e fui escorregando até o chão, impedindo ele de sair.

—Só me esclarece uma coisa antes de ir embora, por favor... — Tentei soar calma. —Por quê? Eu sei que existe um porquê, mas algo não se encaixa. O que aconteceu que agora sou tratada como vadia, sou chamada de mentirosa e está dizendo que te uso?

—Ah, tem muito mais que isso, mas esses atos estão mais claros. — Continuou sarcástico.

—Tem como conversarmos como adultos? — Implorei. —Você me deve isso. Depois você pode ir que eu não te procuro mais. — Eu estava calma, criei uma parede me bloqueando das ofensas que ele lançasse contra mim.

—É, você precisa ouvir mesmo. É bom que você saiba que não sou tão idiota como pareço. — Ele se sentou na cama, eu me levantei do chão e fui sentar na poltrona de canto.

—Sabe, Bella, você é pior do que eu pensei. É realmente muito pior... Você é o pior tipo de todas as mulheres que eu já ouvi falar. Mas pior do que você sou eu, que sempre acreditei em você. — Ele falou como se a pessoa alvo da conversa não fosse eu. —Eu não pedi para você me enganar, eu nunca perguntei se você tinha beijado ou não, não precisava mentir para mim! Eu não perguntei se você tinha namorado ou não. Mas você SEMPRE quis vender uma imagem de boa moça, de puritana, de que 'nunca beijei ninguém, não namoro, não fico, não, não pode'! — Ele falava e passava as mãos nervosamente pelo cabelo. Estava inquieto, como se quisesse esmurrar a si mesmo por ter acreditado. —Tudo mentira! Só um papel que você estava encenando para o caipira aqui, não é? Putz! Eu nunca te cobrei nada! Se o seu objetivo é sexo, eu dou. — Sorriu com deboche e me encarou. —No fundo eu sei quais suas intenções. Fica dando uma de difícil pra mim, tentando me fazer de bobo, mas sai com qualquer outro playboy, inclusive o Ryan.

Eu estava pasma com tudo que ele tinha dito. Ele não tinha o mínimo respeito e confiança em mim.

—Não tem nada pra eu falar não é? Sua conclusão está pronta... — Eu disse calmamente, fitando os seus olhos.

—Eu já concluí, Bella, depois que o Ryan disse que passou uma noite com você, sua máscara caiu.

—O que? — Olhei para ele boquiaberta e sem ação.

—Sim, eu perguntei de onde ele te conhecia, e ele disse que da Califórnia e que já passou a noite com você. Eu sempre desconfiei, Bella. Você era espertinha demais para a imagem que queria vender. Mas sabe, eu não me importaria de saber que você teve outros homens, outros namorados, eu só queria que você não mentisse tanto pra mim. — Suspirou, chateado. —Eu vi você aos amassos no corredor com ele, e não quis ligar, afinal só ficamos juntos nas férias. Mas o que é pior é que quando a gente conversa, você insiste em dizer que 'só gosta de mim, só eu importo para você, só gosta dos meus beijos'. É muita mentira pra uma pessoa só! Só um otário para acreditar! E eu fui esse otário! — Ele parou um momento olhando para as mãos. —Você disse que me odeia... E eu também odeio você, Bella. Odeio o modo como você me faz sentir pequeno. Odeio quando você finge que gosta de mim. Odeio tudo em você.

Boquiaberta, eu entendi tudo, e não adiantava falar mais nada.

—Realmente eu estou desistindo de você, Edward. Você não me merece de um jeito que me surpreende. — Sussurrei e fitei o chão.

—Rá! Agora sou eu quem não te mereço? — Sorriu cinicamente.

—Nada que eu falar vai mudar o que você pensa, pois sua opinião sobre mim está formada. Você é tão inseguro do que você é, que não consegue acreditar que alguém goste de você de verdade. Se eu disser pela milésima vez que tudo que eu mostro para você é verdade, você não vai acreditar, então vou poupar o meu argumento. Boa noite.

Eu disse e deitei na cama, de costas para ele. Imediatamente, ele se levantou para sair.

—Edward... — Chamei-o, ele se virou. —Está tarde, dorme aqui, amanhã você vai. — Foi o que consegui falar, depois me virei e me acabei.

Passei a noite quase toda acordada, e por vezes eu ouvia um suspiro. Aparentemente ele estava sofrendo, mas não mais do que eu. Ele não foi massacrado como eu fui. O que doía mais agora era saber que podia ter sido tudo um mal entendido. Sim, eu passei uma noite quase toda com o Ryan, mas foi dançando, nada mais do que isso.

Em alguns momentos na noite, eu cansei e me virei para o lado que ele estava. Ele me olhava por longos minutos, mas eu não mantinha o olhar. Estávamos acordados, torturados pela insônia, pela noite, pela distância, pela dor e pelos mal entendidos. Ambos suspirávamos.

Quando o sol bateu na janela, eu já tinha me rendido ao ardor, fechando os olhos pela exaustão. Foi quando senti um toque no meu rosto que fez meu coração inflar. Passou-se longos minutos, ele continuou tocando meu rosto e respirando perto de mim.

Controlei-me para não puxar o seu pescoço e falar que eu esquecia tudo, e que era para ele ficar comigo. Quando abri os olhos, ele já estava pegando suas coisas e saindo. A dor cortou meu peito e novamente me pus a chorar.

Depois de mais algum tempo chorando, pensei: se eu ficar trancada no quarto, o meu mundo irá acabar. Eu precisava me levantar. Assim, resolvi comprar a passagem e encarar a realidade. Acessei a internet e só tinha vôo para quatorze horas, então eu tinha muito tempo até lá, já que ainda era seis e meia da manhã.

Resolvi procurar algum ponto turístico na internet, algum monumento que eu pudesse visitar, só assim minha manhã passaria. Também decidi que quando desse umas dez horas eu iria ligar para Alice e avisar que até de noite estaria em casa.

Eu tinha que tentar manter as lembranças da noite afastada dos meus pensamentos se eu quisesse manter minha sanidade. Quer saber? Eu que não iria sair daqui como mentirosa. Não era por Edward, era por mim. O Ryan ia ter que me explicar o que aconteceu.

—Ryan, Tudo bem? É Bella. Acordei você?

—Oi, Bella, na verdade nem dormi. Tudo bem? — Perguntou solícito.

—Mais ou menos. — Suspirei.

—O que foi? — Perguntou interessado.

—Tô com um problema. O que você conversou exatamente com o Edward ontem à noite? — Tentei ser o mais sutil possível.

—Nada demais, só que eu já te conhecia e que a gente passou uma noite quase toda juntos na Califórnia.

—Pois é, Edward entendeu tudo errado.

—Como assim?

—Nós dois, eu e ele, tipo ficamos. Estamos juntos. Aliás, estávamos, porque a gente brigou feio essa noite e acho que terminamos. Só que eu fiquei como errada, tipo eu saí como bandida, coisa assim. Ele acha que eu estava de amasso com você ontem à tarde e acha que nós, eu e você, fomos para a cama na Califórnia, entendeu?

—Nossa, Bella, que mal entendido, hein! — Ofegou desacreditado.

—Pois é, e eu sei que você é amigo dele, acho que o único aqui da Universidade. Então eu queria que você fizesse um favor pra mim. Eu não queria que ele continuasse achando que eu sou assim, entende?

—Tudo bem. Eu converso com ele.

—Mas não precisa ser hoje. Deixa para depois, na verdade eu só quero que as coisas fiquem claras.

—Tudo bem. Depois eu falo com ele.

—Obrigada, Ryan, você é legal.

—Por nada. Você ainda vai embora amanhã?

—Eu resolvi ir embora hoje. Vou pegar o vôo das quatorze.

—Bella... Vocês estavam juntos há muito tempo? — Perguntou curioso.

Sorri. —Era um rolo de anos. — Foi o que respondi.

—Hum... Por que você não fica e vai embora só amanhã? Você devia aproveitar que está aqui e ir para festa em minha casa hoje á noite conhecer um pessoal.

—Não. Já comprei a passagem.

—Vai ao aeroporto trocar. — Insistiu, amistosamente.

—Não Ryan, realmente eu quero ir embora. Essa viagem não foi uma boa idéia.

—De qualquer maneira, Bella, vou te mandar uma mensagem com o endereço. Assim você tem a opção, caso decida.

—Tudo bem, obrigada mesmo. Foi bom te rever. — Desligamos e eu fui me arrumar para dar uma volta. Eu tinha que tentar levar a vida pra frente. Iria respirar um pouco pela cidade, depois voltava, tomava banho, almoçava e iria embora. Podia ser que agora eu aprendesse a lição do destino.

Narrado por Edward

Estava deitado ao seu lado, em uma noite de insônia, cansado da nossa discussão em que eu disse que a odiava, quando na verdade queria dizer que me odiava por gostar e por querê-la mesmo assim.

A noite se passou lentamente, com o silêncio sendo rompido somente com os ruídos dos nossos corpos se movendo no imenso e confortável colchão do hotel. ...Tinha tudo para ser uma noite feliz de amor... Se não fosse por vê-la com meus próprios olhos nos braços de outro, e se não fosse por saber que ela mente tanto com relação a namorados e homens, eu não resistiria. Na verdade, não sei como resisti. Principalmente depois de quase prová-la, depois de degustar sua pele, conhecer seu corpo, saber que ela estava pronta para mim... Foi insano tocar o seu corpo de um jeito tão voraz, quando na verdade eu queria me prostrar e adorá-lo pela sua perfeição, pela sua textura e delicadeza.

Lembrar-me daqueles momentos me tira o juízo, leva-me a insensatez. Meu corpo todo reage e fica revolto por não ter prosseguido. Foi sorte ter conseguido parar. Eu não ia parar. Foi tortura. Uma loucura. Eu amei. Me odiei.

Queria não me sentir dominado assim. Não com ela deitada ao meu lado. O que me abalou foi lembrar que ela insisti em dizer que sou o único a quem ela quer. Rá! Sou o único que ela quer enganar!

Precisei me alimentar das palavras do Ryan para não tocá-la novamente e para não falar pra ela que eu a queria mesmo assim, que eu era viciado nela e que sem seus beijos não saberia viver. Em alguns minutos eu ouvi o seu soluço na noite, não entendia o motivo que ela chorava. Será porque eu descobri? Talvez se ela assumisse e falasse a verdade, eu não me importaria tanto assim. Ela só precisava parar de mentir, de tentar me enganar.

As luzes do amanhecer invadiram o quarto, explicitando ser minha hora. Partir e deixar Bella era uma tormenta pra mim. Mesmo não estando tão perto, o seu perfume me invadia, a sua pele me hipnotizava e seu corpo me fascinava. Estava há horas tentando me soltar da cama que me atraía como magnetismo, resolvi tocar seu rosto pela última vez, aproveitar que ela caiu no sono e me despedir, pois não a veria mais. Fazendo isso me libertaria. Eu cria nisso.

Ela estava linda, mesmo com o rosto cansado. Eu diria que ela era inocente, se não soubesse quem realmente ela é. O rosto parecia de uma criança, a pele rosada e delicada, e o cheiro... humm... Por minutos permiti-me inspirar a mecha de seu cabelo, fechando os olhos e suprindo a saudade. Minha vontade era abraçá-la, cuidar do seu sono, beijar seu rosto.

Idiota– meu cérebro gritou.

Consciente do quanto eu a queria e do quanto esse querer era errado por vários motivos, resolvi sair.

Cansado da noite longa, peguei um coletivo e voltei para o campus. Sábado era vazio na Universidade, pois muita gente voltava para casa. Satisfeito com o sossego, entrei em meu quarto e organizei meus livros na escrivaninha, disposto a voltar a minha vida normal de fins de semana, que se resumia a estudos sucessivos. Hoje não iria ser diferente.

Era um quinhão ter como colega de quarto Ryan. Como ele tinha o próprio apartamento na cidade, eu habitava praticamente exclusivo no dormitório universitário. Isso me proporcionava singular liberdade. Caso fosse diferente, e ele tivesse sido substituído por alguém dado à bagunça, era capaz de minar surtos em mim, uma vez que não suporto desordem. A maneira que o Ryan ocupa o quarto não proporciona incomodo algum: ele guarda seus materiais, às vezes dorme à tarde, e às vezes toma banho após os exercícios pela universidade, assim, tudo decorre fácil para mim.

Deitei em minha cama sentindo o peso da falta de sono durante a noite, sabendo ter sido sensata a atitude de ter me afastado, pois daqui não há magnetismo me prendendo a ela, e eu posso pensar com a razão. Senti muito tê-la deixado sozinha, pois contudo, preocupo-me com ela longe de sua casa. Lamento profundamente tê-la machucado, mesmo que ela merecesse cada palavra dita. Idiota! Espero que ela supere e que fique bem.

—O que você está fazendo aqui dia de sábado? — Fui tirado dos pensamentos ao ver Ryan chegar todo amarrotado, em plena nove horas da manhã.

—Vim buscar umas coisas que deixei aqui. — Respondeu e fechou a porta atrás de si. —E você? Sua amiga foi embora?

—Não, ela deve ir só amanhã. — Respondi desinteressado em continuar.

—O que rola entre vocês? — Perguntou despreocupadamente e abriu seu armário. —Tem alguma coisa com ela?

—Nada, só amizade. — Não mudei o tom de voz e peguei um livro ao lado da cama.

—Ela é muito gatinha. Se é só amizade, me dá o telefone dela que eu vou ligar pra ela para sairmos hoje à noite.

—Pode pegar. Anota aí. — Entreguei com neutralidade para ele anotar. Ele anotou e me entregou o telefone.

—Sabe, tem uns seis meses que eu a vi pela primeira vez. Foi em uma festa em um clube de magnatas, com mais de trezentas mulheres. Sabe que ela foi a mais encantadora que eu vi. Só que ela nem olhava para mim, ao contrário da irmã dela que faltava me comer com os olhos.

Instantaneamente, lembrei da Jéssica. Ela tinha um jeitinho bem intimidador mesmo.

—É, eu conheço a irmã dela. — Comentei atencioso. Queria ver aonde ele queria chegar.

—Aí eu chamei a sua amiga para dançar, e ela timidamente foi. Passamos horas e horas dançando enquanto conversávamos. Eu já estava cansado de tanto dançar. Ela não era igual todas as mulheres que eu conhecia. Ela só queria conversar e dançar. Quando eu comecei a me inclinar testando sua receptividade para beijá-la, ela ficou bem nervosa e saiu correndo da festa. Nossa, foi um golpe no meu ego. — Ele sorriu com a lembrança.

Algo que ele falou me fez estremecer. Ele continuou.

—Então eu a encontrei aqui ontem, e ela esperava por você sentada sozinha em um banco. Eu a reconheci e fui falar com ela. Acredita que ela nem lembrava meu nome? Eu até me senti ofendido. Geralmente as mulheres não se esquecem de mim... — Disse presunçoso e eu senti um embargo na garganta. Emoções fervilhavam em minhas veias.

—...Então andamos pelo corredor, e eu encostei-a na parede para ela não fugir de mim. Até que ela tentou, e foi quando você chegou para atrapalhar. Então já que vocês não têm nada, hoje vou atrás dela. Quem sabe eu consiga até que enfim beijá-la. — Disse com uma piscada.

Eu estava em choque com a revelação. Não continha o conflito e imputação que duelavam em meu interior.

—Edward, hoje à noite tem uma festa lá em casa, caso você queira ir... Eu vou ligar pra Bella e ver se ela vai. Nem que eu tenha que buscá-la.

—Vou pensar. — Respondi no automático, com uma sensação horrível amargando no estômago. Sem conseguir esconder minha aflição, coloquei minha cabeça nas mãos e perdi a consciência da presença do Ryan no quarto enquanto repassava o que aconteceu em minha mente. Ela eufórica, me abraçando, sorrindo... Eu tocando-a, ferindo-a...

—Cara, onde você está com a cabeça? — Ele balançou a mão na frente do meu rosto. Tinha falado algo que eu não ouvi.

Respirei fundo e levantei olhar. —Ryan, você não falou que passou uma noite com a Bella? — Mal consegui disfarçar a acusação em minha própria voz.

—Sim, mais de cinco horas dançando. Ela tem muito pique! — Disse sorrindo, colocando uns livros nos braços.

Sua resposta caiu como uma bomba em minha cabeça. Céus, o que eu ia fazer? Eu fui tolo, um idiota, precipitado, inconseqüente... Repulsivamente possessivo. Eu precisava tomar uma atitude.

—Ryan, pra onde você está indo? — Sussurrei, levantei e peguei minha carteira.

—Para o Condado de Airlington. Por que? Resolveu sair?

Eu estava sem ação. Sem palavras. —Estou, er... precisando... ir lá. — Balbuciei nervoso. Ele percebeu e não me perguntou mais nada.

Eu não sabia o que fazer... Não sabia o que falar... Eu fui rude... Impulsivo, desnecessariamente cruel.

Durante o trajeto eu não disse uma só palavra, algo que talvez ele estivesse acostumado a vivenciar. Ele me olhou de lado vez ou outra, creio que interessado em introduzir assuntos. Notavelmente viu minha indisposição em conversas aleatórias, assim, deixou-me preso às minhas culpas.

Ele me deixou na porta do hotel, despedi-me sem calor e entrei rápido no hall. Eu me sentia péssimo. A mágoa a que a submeti foi exorbitante. Ela não merecia tal situação.

—Moça, por favor, o cartão do quarto 1011.

—Seu nome?

—Edward.

Ela me entregou. A impaciência me tomou quando tive que esperar pelo tempo do elevador. Eu queria vê-la. Queria me ajoelhar pedindo desculpas. Mesmo que ela não quisesse mais falar comigo nunca mais, eu precisava implorar o seu perdão.

Entrei no quarto, e ele estava vazio. Procurei suas roupas e não as encontrei. Angustiado, fui ao banheiro, ao closet, até que abri um armário e sua mochila estava lá. Suspirei aliviado, abri a mochila, sentindo-me um delinqüente, e peguei uma blusa sua, trazendo-a para o meu rosto. Afoguei-me em seu cheiro e deitei-me na cama. Como eu poderia viver sem ela?

O tempo passou e Bella não chegou. Percebi ser muita invasão eu estar ali dentro, peguei a sua blusa e saí do quarto para esperá-la fora. Se ela me permitisse entrar, eu entraria.

Narrado por Bella

A manhã se passou rápida. Nada melhor do que compras para nos animar quando tudo ia ruim. A cidade era mesmo linda, valeu à pena sair para pensar. Decidi que iria tocar a vida, chegou ao limite viver em função de uma pessoa. Eu irei conseguir, repeti. Como disse o papai: essas coisas passam. Passaria mais rápido ainda se eu pensasse no tanto que ele me magoou. O segredo seria me manter ocupada, principalmente nas férias. Irei viajar mais e sair mais com meus amigos. Com certeza isso logo vai passar.

Decidida, entrei no hall do hotel com as mãos cheias de sacolas. Alice iria amar! Apertei o botão do décimo e esperei ansiosa chegar ao meu andar. Iria tomar um banho, vestir uma roupa nova e descer para almoçar. Curtiria um pouquinho desde agora.

—Edward! —Ofeguei e parei. —O que você faz aqui? — Ele estava sentado no chão, na frente da porta do meu quarto.

—Bella... Preciso falar com você. — Sua voz foi um murmúrio triste.

Atônita, abri a porta e entrei. Ele continuou do lado de fora.

—Entre. — Segurei a porta para ele entrar.

—Posso? — Como não? Passou a noite aqui e agora pergunta se pode entrar! —Pode. — Foi o que respondi, balançando a cabeça.

Sentei-me na cama, coloquei as sacolas na mesa e fiquei olhando para ele. Ele segurava uma blusa minha. Tão estranho.

—Bella, eu quero te pedir desculpas. — Ele falou lentamente, cabisbaixo, olhando para o bico do sapato.

—Pelo quê? — Realmente eu queria saber.

Será que em tão pouco tempo longe, ele percebeu que eu não era nada daquilo que ele pensava? Duvido.

—Por tudo que eu falei, principalmente pelo que eu fiz. — Ele parecia envergonhado, sua voz era sincera.

—Tudo bem. — Eu já tinha resolvido apagar da memória mesmo, então podia desculpá-lo.

E não era porque ele estava me pedindo desculpas que eu ia me jogar nos seus braços. Não mesmo. Eu ainda tinha um pouquinho de amor próprio. Além disso, ele só tinha pedido desculpas. Isso não queria dizer que ele ainda estava disposto a ficar comigo.

—Senta. — Disse ao ligar a televisão.

Ele sentou, mas continuou com semblante triste.

—Fique bem, Edward, eu estou bem. Você está desculpado. — Sorri educadamente.

Ele me olhou por alguns minutos, parecendo interessado em falar mais algo. —Amigos então? — Ele arqueou uma sobrancelha, em expectativa.

É, se ele estava me propondo só isso, eu tinha que me conformar. Até porque, eu também não o queria mais, não é? Não, sim, não! Eu. Não. O. Quero. Mais- Se convença Bella.

—Sim. Amigos.

Ele melhorou o olhar, sorriu, mas não tínhamos assunto.

—Então eu já vou. — Ele se levantou e se dirigiu à porta.

Pensei rápido, travando instantaneamente uma briga com meu restinho de amor próprio. —Não quer almoçar comigo? — Propus num impulso, tentando me alimentar de mais doses do vício pela última vez.

—Podemos. — Colocou as mãos no bolso e sorriu torto, com os olhos verdes derretidos em minha direção. —Onde você pretende ir? — Meu anjinho estava de volta. Eu suspirei.

Eu não deveria fazer isso, mas... —Podemos pedir e comer no quarto. — Disse sem mudar o tom da voz, tentando não parecer uma obcecada.

—Tudo bem. — Ele sorriu mais satisfeito.

Eu não o queria mais... Tinha certeza. Eu só queria ficar perto mais um pouco, até me libertar de vez. Eu juro...