Capítulo –Dona do meu coração

Minutos se passaram e o silêncio estava presente entre nós, porém o modo como ele me olhava me reconfortava.

Olha Bella, sinceramente eu acho que é falta de amor próprio o que você está fazendo. Ele só te pediu desculpas, você nem sabe pelo que, e já fica aí se derretendo! - meu lado sensato alertou.

Ele permaneceu na cadeira de canto, assistindo TV. Eu deitei sobre as almofadas na cama enquanto esperava o pedido de almoço, mentalmente agradecida por ele ali, ainda que ambos não falássemos nada. Via-me incapaz de coordenar idéias e acontecimentos com sua presença. E todas as vezes que meus olhos encontravam os seus era com certo desconcerto. Não devia, mas estava feliz em vê-lo, o que era uma verdadeira tortura ao meu coração. Até quando iria agüentar?

Ele também me olhava discretamente, com aparente dúvida e apreensão. Embora eu quisesse conversar, tinha medo de ouvir algo que me machucasse novamente.

O almoço chegou, eu recebi o carrinho na porta e dispus perto da cama.

—Ponha o seu e come aqui comigo. — Propus e apontei para a cama, tentando deixá-lo mais a vontade.

Comemos silenciosamente, sem nunca desgrudarmos os olhos do desenho animado na TV. Nem que ficássemos calados a tarde toda, eu queria que ele continuasse lá, nutrindo meu masoquismo.

Após almoçar, organizei o resto de comida e fui escovar os dentes. —Tem escovas de dente descartáveis aqui, você quer? — Ofereci solícita.

—Quero. Eu não trouxe minha mochila. — Justificou sem jeito. — Obrigado. — Sorriu educado. O muro de distância que os separava era quase palpável.

Deixei-o no banheiro, sentei na cama com as costas apoiadas na cabeceirae, devido à noite mal dormida e à manhã de compras e passeios, o cansaço me tomava.

—Bella, eu já vou. — Avisou sem certeza, ao me encontrar relaxada sobre as almofadas.

—Fica mais um pouco. Depois você vai. — Pedi carinhosa. —Você tem que estudar?

—Também... É que eu vou deixar você descansar. E eu também estou cansado. — Explicou hesitante.

—Fica aqui. Eu prometo não tocar em você. — Escondi minhas mãos nas costas, fazendo uma cara cômica inocente, depois sorri e bati duas vezes na cama.

Ele sorriu tímido, indeciso.

—Fecha as persianas e abaixa a TV, ou melhor, desliga, senão, eu não paro de assistir. — Pedi manhosamente.

—Tudo bem. — Assentiu e foi fechar as persianas.

Eu deitei encolhida em um canto da cama super king, assim deixaria um bom espaço pra ele. Ele se deitou sobre as almofadas no outro canto e ficou olhando para o teto.

—Já comprou sua passagem? — Perguntou baixo.

—Sim. Eu tinha comprado pra hoje duas da tarde, mas fui lá e troquei a passagem para amanhã, às quatro. Acredita que os vôos de amanhã estavam todos cheios e quase que eu não consigo? — Balancei a cabeça admirada.

—Por que adiou? — Parecia querer manter um diálogo.

—Por que resolvi sair hoje à noite e aproveitar o passeio mais um pouquinho. — Respondi sem hesitar.

Se antes ele pensava que eu queria só aproveitar, agora que ia ter certeza. Uma mulher saindo sozinha na cidade grande na cabeça moralista dele devia ser um absurdo. Mas eu não ia mentir, se ele perguntasse. Não tinha nada a esconder. Vou pra casa do Ryan sim. Vai que seja legal!

Uma pausa longa de silêncio se fez, antes que ele interrompesse. —Bella, realmente eu preciso ir. — Informou e se levantou.

Será que ele se irritou porque eu disse que iria sair? Seria muita pretensão pensar isso.

—Por favor, não vá. Fique como meu amigo... Jasper não deixaria uma amiga aqui sozinha. Ainda mais eu. — Sorri persuasiva.

Impotente ante a chantagem emocional, ele sorriu e deitou de lado na cama, de frente pra mim. Foi fácil e estranha sua redenção... Em silêncio, eu olhava-o sem encará-lo. Ele manteve um olhar terno em mim. Meu Edward relaxado e livre estava de volta, mesmo que estivesse cauteloso.

Vagas lembranças dos olhos dele na noite passada ainda queriam invadir a minha mente, fazendo minha garganta cortar, enviando assim umidade aos meus olhos. Mas eu respirava fundo e olhava de novo para ele, me convencendo que aquele era o meu Edward. Ainda que sua presença fosse uma caridade forçada e que me conformar com isso abatesse meu amor próprio, ele estava ali, e eu estava feliz.

—Bella... Podemos conversar? — Ele perguntou receoso.

Pensei um pouco antes de responder. Com certeza ele falaria algo que me magoaria. Ainda que involuntariamente, me magoaria. Eu ainda não estava pronta para mexer em uma ferida. Eu só queria ficar perto dele.

—Eu prefiro não.

Narrado por Edward

Sacrificava-me mais a cada minuto que ficávamos próximos. Era perceptível que ela não tinha me perdoado de verdade, queria somente equilibrar a convivência. Eu lamento não ter forças para afastar-me dela. Se eu fosse forte o suficiente e a deixasse, tudo seria mais fácil para nós dois.

Depois dessa noite, tinha mais certeza que não era correto me aproximar. Assim, nenhum dos dois sofre com as armadilhas da nossa vida. Porém, cativo, não consigo me afastar, principalmente quando ela pede de modo tão persuasivo. Não consigo lhe dizer não. Não consigo me desprender.

Condeno-me por tê-la julgado, por ter tomado medidas não calculadas e precipitadas. Encontro-me miseravelmente contrito, desejoso por expor minha falta. Mas ela nega-se a falar sobre o assunto, mostrando assim, o quão magoada ainda está.

Observei-a lembrando dos momentos nos quais eu fui tão feliz com ela. Ela tem o poder de me deixar tão bem, de acreditar que tudo é possível. Seus olhos despertam sonhos em mim, sonhos de ser feliz. Seu sorriso mostra esperança, e ele me lança cordas, prendendo-me todo. E com o seu toque, meu corpo desobedece aos meus comandos e se torna um dependente. Viciado dependente. Tudo no meu chão treme, predominando a sua vontade sempre. É perceptível o que se passa entre nós. Tenho a alma sensível ao seu querer. Não tenho como fugir de perto dela. Ela não descobriu isso. Mas eu sim. Portanto, devo conter-me e conformar-me em apreciá-la enquanto há tempo.

Queria tocá-la e implorar-lhe pelo seu perdão. Mas de que adiantaria? Temo que sejamos marcados para nos desentendermos. Assim como nossos pais.

Enquanto meus pensamentos divagavam, ela dormiu, e eu me permiti um duradouro olhar para seu rosto. Ela suspirou por várias vezes e se moveu inquieta, exprimindo com meiguice a sua exaustão.

Não devia, mas tirei minha camisa, coloquei-a sobre a cabeceira e trouxe Bella para os meus braços, a fim de acalentar o seu sono e abafar a imensa saudade que me invadia. Com o passar dos minutos, sua respiração foi se tornando branda em meu peito. Esperei que ela se entregasse ao sono tranqüilo enquanto acariciava seu rosto e seus cabelos com as pontas dos dedos.

E além de tornar sereno o seu sono, eu acalentava a dor enorme do meu coração por tê-la contundido.

Abracei-a forte e permiti-me novamente sentir o seu perfume, tocar sua pele. Por um longo momento, me afoguei no abraço. Eu não planejei ou conjecturei tê-la em minha vida, ocupando tanto espaço em mim. Mas agora não sou o planejei. Não consigo transpor palavras ao sentimento que sinto, muito embora eu tenha consciência que devo sufocá-los.

Narrado por Bella

Fiquei perdida entre a névoa do sono e realidade. Por diversas vezes senti os lábios do Edward na minha testa, nos meus cabelos. Mas o torpor e a exaustão não me permitiram acordar para ver se era real. O quarto estava escuro quando despertei, sem nenhum sinal de claridade pelas frestas. Devia ser noite, pensei. Por quantas horas dormi?

Deparei-me com o peito de Edward a centímetros do meu rosto. Ele ficou! Estava perto de mim. Não sabia como fui parar ali, com a boca quase em seu peito nu, mas não ia me permitir sair. Não, até que me tirassem.

O seu braço estava embaixo do meu pescoço, seu corpo em frente ao meu. Ele estava dormindo profundamente, logo eu poderia ficar um pouco mais. Cautelosa, passeei a ponta dos meus dedos pelo seu peito, só para provar que era real. Era tortura saber que ele não era meu. Não conseguiria viver sem tal perfeição. Levantei a cabeça para olhar o seu rosto, conferi se dormia e tive certeza, então encostei meu rosto em seu peito e me permiti sentir o seu cheiro, a textura, acariciando lentamente com um toque.

Perdi-me ali por vários minutos, sem me dar conta de ver o tempo passar. E quando senti sua respiração descompassada, sinal que em alguns minutos ele acordaria, ou já estaria acordado, tive vergonha pela primeira vez do que fazia. Vergonha de mim mesma por ser tão fraca, tão vulnerável, quando eu não devia estar ali me permitindo sofrer novamente.

Eu não tive forças para me afastar. Pelo contrário, eu não queria estar ali só com a palma da mão e o rosto em seu peito. Eu queria tocá-lo com meus lábios, queria beijá-lo, sentir o gosto de sua pele. Fechei os olhos e deixei meus lábios encostarem-se nele, levemente, com beijinhos suaves. Eu precisava sentir a temperatura, a maciez.

Seu peito se expandiu numa respiração profunda, então ele depositou um beijo em minha testa.

—Bella... Está tarde. Você tem compromisso. — Disse acariciando meu cabelo.

—Você tem horas?

—Oito horas. — Informou com a voz rouca.

—Daqui a pouco eu levanto.

Ele parecia estar satisfeito em me ter tão perto, e eu não entendia sua atitude receptiva quando nós decidimos ser só amigos. Mesmo assim, levantei os olhos e toquei em seu queixo. Eu não pude me conter, apesar do medo do que aconteceria depois. Meu subconsciente sensato gritava que eu precisava conversar. Dizia que se conversássemos, eu ficaria a par de tudo que aconteceu. Mas a minha parte espontânea dizia ser melhor não, argumentando que se eu ainda queria desfrutar da presença dele, era melhor ser sábia e me conter adiando a conversa. Quem sabe assim eu tivesse mais algumas horas. A ocasião oportuna duraria mais algum tempo.

—Vamos comigo? Quando terminar eu te deixo no campus. — Tentei prolongar a dose do vício.

—Para onde você vai?

—Vou para o ap. do Ryan. — Disse prontamente. Eu não precisava hesitar.

—Er, acho que não dá. — Titubeou. —Eu teria que tomar banho e me arrumar. — Explicou em dúvida.

Fiquei animada com sua incerteza e resolvi aproveitar. —Está cedo ainda. A gente passa lá no campus para você se arrumar. — Sugeri.

—Tudo bem. — Aceitou. Eu cerrei os olhos surpresa com a facilidade. —Então está na hora de você se arrumar. — Lembrou e me afastou um pouco.

—Ah... Aqui tá tão bom. — Brinquei e me aproximei novamente.

—Você quem sabe. — Sorriu tímido, puxou mechas de cabelo e enrolou nos dedos.

Com uma necessidade tamanha de ser algo importante para ele, deixei de lado as auto-recriminações e auto-julgamentos, não importando se estava sendo fácil e forçona, e resolvi esmagar de vez o meu orgulho. —Edward... — Chamei-o. —Você me dá um abraço de amigo? — Vergonhoso. Vergonhoso. Vergonhoso. Será que eu o pressionei demais pedindo isso?

—Claro, Bella.

Ele fechou o corpo grande sobre mim e me protegeu toda com o seu. Instintivamente coloquei minha perna dentro da dele, me aconchegando mais. Ele me abraçou forte, mostrando receptividade e ternura.

Sem que eu pudesse controlar, os pensamentos da noite anterior invadiram minha cabeça novamente e eu não pude conter as lágrimas que sem permissão inundaram os meus olhos. Sem um gemido ou suspiro, eu as deixei rolarem silenciosamente. Edward as sentiu em seus braços e me afastou para me olhar, com indagação nos olhos.

—Desculpa, não é nada. — Foi o que consegui dizer e me soltei do seu abraço. Respirei fundo, limpando as lágrimas dos meus olhos, levantei e acendi a luz.

Recuperada, direcionei-me às sacolas com as roupas novas e escolhi um vestido justo, tomara-que-caia e verde musgo. Casual e discreto para a ocasião. Caminhei pelo quarto e percebi que hoje ele estava diferente, aonde eu ia, ele acompanhava os meus passos. Eu queria que a noite anterior não tivesse existido, assim eu não faria comparações. O olhar dele estava diferente. Talvez arrependimento. Mas como uma pessoa se arrependeria tão rápido? Bem, talvez fosse remorso por ter me dito tantas coisas sem ter nada a ver com a minha vida.

Pensativa, tomei banho e vesti o roupão enquanto secava o cabelo. Depois passei maquiagem e vesti o vestido.

—Edward, faz favor. Se eu estivesse em casa, Alice subiria o zíper. E como aqui só tem você, vai ser você. — Pedi e me virei pra que ele subisse o zíper do meu vestido.

Eu não esperava, mas os seus dedos encostados em minhas costas, juntamente com sua respiração quente na minha nuca, me trouxeram uma série de arrepios. Eu deveria afastar rápido para evitar contrangimento, mas ele demorou o que pareceu minutos para fazer uma coisa que Alice demoraria só um.

Quando terminou, eu olhei para ele, que estava sério.

—Pensei que estava emperrado. Eu comprei hoje!

Voltei para as sacolas, encontrei a sandália e me sentei para calçar. Ele não tirou os olhos de mim. Será que estava me achando feia ou bonita? Talvez fosse a maquiagem, afinal não gosta de maquiagem... Não, Bella! Não era que ontem à noite ele não gostasse de maquiagem, era por que a maquiagem iria borrar. Por isso ele não me deixou passar ontem! E não era que ele gostasse de vestido, é por que vestido era mais fácil de tirar para o que ele queria fazer!

Essa epifânia trouxe de volta a dor cortante em meu peito que eu sufocava, levando minha garganta a embargar e um novo soluço crescer. Imediatamente, olhei para o teto tentando conter a lágrima. Deus, eu precisava esquecer isso se ainda quisesse ter alguma paz. Pelo menos por enquanto eu tinha que esquecer. Não podia deixar isso me ofender dessa maneira.

Fiquei sentada, respirando fundo, dominando meus sentidos. Depois de controlada voltei para o espelho a fim de colocar os brincos. —Edward, tem com fazer outro favor? Vem aqui...

Chamei-o, e ao ver a gargantilha em minha mão, ele me olhou como se estivesse indo à forca. Ao ver sua hesitação, dei um risinho manhoso pelo espelho. —Você é amigo da vez. — Coloquei em sua mão e me virei.

Devagar, ele levantou meus cabelos, olhando meu rosto pelo espelho, e, novamente, aquela sensação me invadiu quando suas mãos tocaram meu pescoço e sua respiração descompassada atingiu meu ombro. Eu ia morrer se me arrepiasse! Olhei para os braços e conferi. Graças. Eu não podia ficar assim a noite toda. Tinha que me controlar.

Pude sentir o nervosismo em suas mãos que tremiam, ou talvez ele sempre tremesse e eu nunca tivesse percebido. Ele fechou a gargantilha, inalou profundo e saiu rápido do banheiro.

—Então vamos? — Borrifei um pouco de perfume em mim e na roupa para tirar o cheiro de nova e me direcionei à porta.

No elevador só tinha nós dois. Eu fiquei encostada em um lado e ele no outro, olhando com uma estranha tensão em minha direção. Por outro lado, eu tinha meu próprio elevador pessoal subindo e descendo dentro de mim, ou melhor, as famosas borboletas. Um frio percorria minhas costas, fazendo com que eu ofegasse de ansiedade.

Desci na frente, já no estacionamento interno do hotel.

—Você dirige? — Levantei a chave para ele. —Eu estou cansada hoje e não conheço muito bem a cidade. — Ofereci, e ele aceitou sem questionar.

Durante todo o trajeto, não conversamos. Mas ele estava tranquilo, pude sentir. Eu que não estava. Não sabia se ia agüentar o meu coração apertado a noite toda. E eu nem sabia o porquê. Chegava a ser uma dor mais intensa que ontem, pois estávamos perto, aparentemente bem e sorrindo, mas era um perto que ao mesmo tempo estava longe. Tê-lo como amigo iria doer muito mais. Poder vê-lo e não tocá-lo era uma tormenta maior. Nunca senti uma dor assim. Imagino que fosse causada pelas palavras não ditas, as que eu impedi-o de pronunciar por medo.

Covarde. Covarde. Covarde.

Talvez não fosse forte o suficiente para agüentar a noite toda. Só hoje Bella, depois a vida vai voltar ao normal - minha parte espontânea e sem amor próprio insistiu, numa luta interna entre coração e consciência.

Perdida em pensamentos, aguardei no carro enquanto Edward foi se trocar no campus. Vinte minutos depois ele voltou com o cabelo molhado e espetado, usando uma calça apertada na medida do corpo, com uma blusa preta de mangas longas e três botões na frente. Lindo. Sua presença nunca passaria despercebida. Não consegui desviar os olhos, acompanhando-o passar em frente ao carro até entrar.

—Prontinho, vamos? — Entrou e deu partida. Eu ainda estava hipnotizada com sua beleza, impotentemente fascinada.

—Er. — Limpei a garganta, deslumbrada com seu perfume. — Estou querendo comprar um vinho. Me leva em algum lugar? — Murmurei com a voz esganiçada, tentando limpar o cérebro.

—Tudo bem. No caminho tem uma adega. Também vou comprar alguma bebida para mim. — Disse ao passarmos em frente à Casa Branca.

—Nossa! Tomou banho de perfume? — Comentei tentando desviar meu desejo obsessivo de voar em seu pescoço e me deliciar em seu cheiro.

—Você gosta? — Deu um sorriso enviezado. E meus olhos ávidos pararam em sua boca umedecida pela língua.

—De que? —Franzi o cenho distraída.

—Do perfume. — Sorriu presunçoso.

—Sim. Muito bom. — Balancei a cabeça para clarear.

—Também gosto do seu. É doce. — Revelou sorridente, umedecendo mais uma vez os lábios. Deus, eu precisava me concentrar. Não podia alimentar àquela obsessão.

—Mas este não é o que você usava antes. — Inventei um assunto. —O de antes tinha cheiro de bebê.

—Ah, aquele é minha mãe que insiste que eu use. Ela esquece que eu cresci. — Balançou a cabeça bem humorado. Sorri, desejosa em atravessar o banco e deitar a cabeça em seu ombro.

—Qual o nome deste? — Prolonguei a conversa já que tínhamos encontrado um assunto.

—Não sei. Nunca olhei. — Deu de ombros, indiferente.

—Não foi você quem comprou? — Quis saber curiosa em como alguém usa um perfume sem saber o nome. Pior, como alguém usa perfume de bebê só porque a mãe manda! Ele era um em mil!

—Não. Eu ganhei o perfume.

—Da sua mãe também?

—Não, de uma colega de classe... Bella, chegamos. Vamos comprar o vinho. — Avisou, e não deixei de notar que ele evadiu-se do assunto.

Estacionamos e entramos na loja de bebidas. Olhei algumas prateleiras, vendo variedades de preços e marcas desconhecidas para mim, e escolhi pelo preço.

—Sua amiga que te deu o perfume era de Forks? — Voltei ao assunto, não dando a chance de esfriar.

—Por que você está levando este vinho tão caro? — Olhou assustado para o preço na etiqueta.

—Por que meu pai disse que os mais caros são os melhores e não dão dor de cabeça. — Expliquei com um dar de ombros.

—Não vai levar esse. — Pegou o vinho na minha mão. — Com certeza têm outros mais baratos e que não dão dor de cabeça. — Voltou para escolher outro.

Incrédula com sua intromissão, fui atrás dele e peguei um vinho do mesmo na adega.

—Edward, eu vou escolher, porque sou eu quem vai tomar e sou eu quem vai pagar. Se você não quiser brigar agora até por causa de um vinho, não me enche! — Dei as costas e me direcionei ao caixa.

Até eu fiquei surpresa com a atitude que eu tive. Na verdade, fiquei irritada por ele cortar propositalmente o assunto do perfume. Droga, por que mesmo eu estava irritada? O quê que tem se alguém deu um perfume para ele? Ele é livre!

Ele cruzou os braços sisudo e me olhou de cima abaixo quando saímos do caixa. Oh, Deus! E agora, como resgatar a paz? Em silêncio constrangedor, nos dirigimos ao ap. do Ryan. Estacionamos em frente a um prédio luxuoso e subimos sem trocar uma palavra.

—O quê? Agora você não vai falar comigo por causa de um vinho? — Baixei a guarda, tentando amenizar o clima no elevador. Ele me mediu de cima abaixo novamente.

—Eu estou falando com você. Quem surtou e não quis mais falar foi você. — Salientou. Sua voz era educada e baixa.

Olhei desconfiada seu rosto. Não tinha traço de contrariedade. —Então tá bom. — Aceitei ainda em dúvida.

—Oi, Bella! — Ryan nos recebeu logo que descemos no seu andar. —Que bom que você veio! — Deu-me um beijo no rosto. —Resolveu vir, Edward? — Cumprimentou-o com um aperto de mão.

—Pois é. — Edward respondeu conciso.

—Edward, se vira. Você já conhece todo mundo. — Pegou na mão de Bella. —Vem, Bella. Vou te apresentar para a turma.

Edward ficou para trás cumprimentando um pessoal, e Ryan me apresentou como amiga deles para os demais. Depois me mostrou o apartamento, uma cobertura completa. Bem, por isso que ele não queria morar na Universidade!

O que me mais encantou foi uma aparelhagem de som na sala, que parecia potente, mas que tocava no momento uma música ambiente. Nessa sala, tinha uma instalação de jogos de luzes permanente.

—Pra quê isso? — Apontei boquiaberta para o som.

—Como dar uma festa todo fim de semana sem som! — Sorriu orgulhoso.

—Nossa! Você fez até isolamento acústico! — Ofeguei. —Se meu irmão vir isso ele pira! Nós temos um sonzinho lá em casa, mas é bem simples. — Continuei esmiuçando a marca do som, das caixas e o tipo de isolamento que ele fez.—Foi feito sob medida?

—Sim. Eu controlo o volume todo no computador, assim distribuo o volume para a sala de estar, cozinha e todos os cantos do ap. A concentração maior de caixas fica aqui, mas em todos os cantos da casa tem pequenas caixas. Fui eu quem criou tudo.

—Lega! Faz um desses pra mim! — Pedi impulsivamente. Um desses em minha casa ia ser muito bom.

—Com certeza. É só me chamar. — Prontificou-se amistosamente. —O que você está bebendo, Bella?

—Pergunta para o Edward. Ele trouxe o meu vinho.

Ele pegou minha mão e voltamos para a sala.

—Edward, trás vinho para Bella. — Ryan pediu familiarmente a Edward que estava sentado sozinho no sofá. Ele pareceu não gostar, pois torceu os lábios desgostosamente. Segundos depois voltou com o vinho.

—Você não vai tomar, não? — Perguntei pacificadora para Edward, ao vê-lo trazer a garrafa dentro de um vasilhame com um só copo.

—Não. É seu. Você quem tá pagando. — Ressaltou com ironia e voltou contrariado para o sofá.

Nossa, a noite ia ser difícil. Ele era pura implicância.

—Galera, vamos agitar isso aqui! Quero todo mundo na pista dançando! Ryan falou num microfone, já alto pela bebida. Eu gelei. Geralmente quando dançava era perto da minha família. Aqui iria demorar a me soltar.

Ryan foi receber mais umas pessoas que chegaram e me deixou sozinha. Com os últimos convidados, deviam ter umas quarenta pessoas, aparentemente todos amigos. As últimas pessoas eram quatro mulheres. Cumprimentaram de um a um até chegar em mim.

—Essa é nova aqui, Ryan. Quem é? — Uma delas, a única loura e mais bonita, perguntou.

—É amiga em comum minha e do Edward. Bella o nome dela. — Ryan respondeu e descansou o braço sobre o meu ombro.

—Olá, Bella. Conhece esses caras da onde? — Uma das morenas perguntou.

—Um da Califórnia e outro de Washington.

—Uau, Califórnia e Washington se encontrando aqui! Você foi longe, hein! — A loura disse.

Pareceu uma piada. Pareceu ter duplo sentido. Mas eu resolvi levar na esportiva.

—Pois é, por coincidência tenho amigos na Califórnia, porque morei lá. Depois me mudei para Washington. —Respondi e bebi mais um pouco de vinho, relaxadamente.

—Sorte sua conhecer os gatinhos mais cobiçados do curso. — Outra das morenas disse sorrindo e olhou para Edward, que desviou o olhar. Eu não deveria ter sentido ciúmes, mas senti.

—Pois é, são meus amigos. — Salientei, disposta a encerrar o tema.

Percebi que uma das morenas não falava nada. Era mais quieta. E todas eram bonitas.

—Vamos dançar, gente! Solta o som, DJ! — Ryan chamou novamente e me puxou pela mão para sala de som.

O DJ aumentou o som, e a pista encheu. Passava um trance. Ryan sorria e dançava animado em minha frente. Acompanhei-o em umas cinco músicas, mas as luzes me fizeram ficar tonta... Ou talvez fosse o vinho.

Ofegante, deixei a pista e decidi buscar uma água. Quando olhei para o sofá, Edward estava com duas das morenas que chegaram à festa por último. Elas estavam sentadas em um sofá em frente a ele. Fingindo desinteresse, bebi água e direcionei a eles.

—Edward, vamos dançar? — Parei ao lado do sofá e peguei sua mão, puxando-o para levantá-lo. Eu sabia que não era dona dele, além disso, sabia estar agindo como criança, porém, o ciúme era maior que eu. Não queria deixar ele ali.

—Não, Bella. —Negou e soltou-se de minha mão. —Não sei dançar isso!

—Ih, amiga, já é um milagre ele está aqui. Ele nunca vem! Imagine dançar! — Uma das morenas disse divertida.

—Edward, eu não estou me divertindo. —Eu insinuei maquiavélica. — Ontem você disse que eu ia me 'divertir' muito. — Olhei bem nos seus olhos para ver se a lembrança do divertir e de ontem fazia alguma coisa com seu cérebro.

—Bella, eu não sei dançar. — Justificou com olhar suplicante. Estava na cara que ia ceder.

—Por favor... — Esqueci que tinha platéia e olhei-o manhosamente.

—Tudo bem. — Suspirou vencido. —Mas vamos ficar no cantinho. Eu não sei dançar isso. — Resmungou rendido, e eu sorri mentalmente da minha chantagem.

—Só se solta, Edward. Vem! — Peguei sua mão e tirei-o de lá. Talvez elas fossem só amigas dele, mas eu não consegui me controlar.

Antes de ir para a pista de dança, resolvi colocar mais um pouco de vinho na minha taça, aproveitando que o vasilhame estava em cima de uma mesinha no meio do caminho.

—Tome um pouquinho do meu vinho. Ele é gostoso. — Sugeri e levantei minha taça para sua boca, carinhosamente.

—Eu não vou tomar. — Virou o rosto, teimoso. —Vou tomar qualquer outra coisa. — Enfatizou e se direcionou a cozinha.

—Nossa, Edward, como você é difícil! — Reclamei quando ele voltou com uma cerveja.

—Foi você quem provocou lá na adega. — Lembrou sério. —Vir falar que o dinheiro era seu e que era você quem está pagando foi absurdamente arrogante. Eu abomino esnobes esbanjadores. — Espetou com desdém.

Eu respirei fundo, buscando paciência. —Sabe, Edward, você devia aprender a arte da convivência. — Balancei a taça no ar fingindo displicência. —Devia aprender a perdoar. — Bebi um gole. —Sabia que por diversas vezes eu te perdôo, mesmo que você não me peça perdão? Sabia que você faz coisas que me magoam e nem sabe, e eu te perdôo só para ficar perto de você? — Encarei-o inquisidora, torcendo que minhas palavras falassem além do motivo do desentendimento. Ele desviou o olhar, contundido pelas palavras, depois suspirou vencido. Regozijei ao sentir que as palavras tiveram o efeito desejado, descendo garganta abaixo. —Tem como você experimentar o meu vinho? — Ofereci a taça novamente.

Sem desviar os olhos de mim, ele pegou a taça e bebeu o conteúdo num único gole.

—É ruim? — Provoquei com um sorriso triunfante no rosto.

—Não. — Respondeu aborrecido.

—Agora vamos dançar. —Peguei novamente sua mão. —É só se soltar. — Instruí e nos direcionamos a pista.

Espontânea, comecei a dançar perto dele, de uma distância segura, de modo que não invadisse seu espaço pessoal. No entanto olhava fixo para ele, me sentindo segura e poderosa. Ele se soltou, obedecendo ao ritmo, e sorria quando eu levantava os braços e movia confiante quadris e tronco. Enfim, nos divertíamos. Como amigos, claro. Para ele foi fácil. Era só se mexer um pouco que as luzes faziam o resto.

—Agora umas lentas para acalmar os ânimos! — Ryan disse no microfone e a música mudou.

Após ouvir Ryan anunciar, olhei sem jeito para Edward. —Quer sentar? — Dei a opção.

—Não sei. Você quem sabe.

Por que ele sempre deixava em minhas mãos? Ele não sabia o quanto sou fraca, não? Era muita tentação ficar tão perto dele.

—Pega mais uma taça de vinho e volta pra gente dançar. — Decidi. Enquanto ele foi ao local onde estava o vinho, eu observei a mais calada das meninas que falaram comigo. Ela não tirou os olhos dele. Ele voltou, e eu pus o braço em seu ombro para dançar.

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Tocava Bryan Adams. Please forgive-me.

[...] Ainda estou te esperando. Você ainda é a única. A primeira vez que nossos olhos se encontraram, os mesmos sentimentos eu mantenho. Apenas sentimentos muito maiores [...]

A música se iniciou, eu pus a mão sobre o seu pescoço e apoiei meu rosto sob o seu queixo. Ele pegou suavemente em minha cintura e moveu os dedos devagar nas costelas. Eu sentia mil sensações, mas a maior delas era a dor da distância. Mesmo que estivéssemos perto, dançando próximos, o muro ainda estava lá, nos separando.

Você ainda tem a chama interna? Então se você se sentir sozinha, não sinta. Você é a única que eu sempre quis. Eu só quero fazer isso continuar. Portanto se eu gostar de você um pouco mais do que devia, por favor, perdoe-me, eu não sei o que fazer.

Ele estava quente, sua respiração era forte em meu ombro nu, e seus dedos subiram gentilmente em minhas costas. Um arrepio me percorreu. Meu elevador particular subia e descia em meu estômago, fazendo minha respiração descompassar.

Estava em seus braços, com meu corpo junto ao dele e tudo que eu senti foi a dor de não ter me cortando. Ele me abraçou forte e cheirou o meu cabelo, e a dor que me cortava foi maior por querê-lo tanto e não senti-lo acessível.

Quando senti sua mão subindo por trás da minha nuca, ele encostar seu rosto no meu e inspirar uma mecha de cabelo que pegava nas mãos, eu perdi o controle da minha situação. Trêmula, virei meu rosto e deixei meus lábios tocar leve nos seus.

Por favor, perdoe-me, eu não posso parar de te querer. Não me negue, é uma dor enorme que sinto. Por favor, me perdoe se eu precisar de você como eu preciso. Por favor, acredite em mim tudo o que eu digo é verdade.

Ele parou um momento de mover-se e abriu os lábios nos meus, sem pressa, característica sua. Mas meu corpo já fervia com o resultado do vinho em meu sangue, não se contendo somente com beijo de lábios. Eu não planejei o meu ato, nem ele esperava que fosse tão intenso, mas eu apertei o seu pescoço e esqueci que estava em uma sala cheia de gente, exigindo e buscando sua língua com desejo, enquanto puxava os seus cabelos e passava a mão em suas costas.

Cauteloso, ele tentou conter o beijo, esquivando-se, todavia eu intensifiquei inserindo levemente minha língua em seus lábios. Ele cedeu, gemeu baixinho e sugou com fome, depois apertou minha cintura contra o seu corpo, deixando-se entregar a atração que nos consumia.

A única coisa que eu dependo é de nós permanecermos fortes. A cada palavra e a cada respiração eu estou rezando. É por isso que eu estou dizendo. Por favor, perdoe-me, eu não sei o que fazer.

O desejo ardeu em meu corpo, sendo intensificado furiosamente pela resposta ativa do seu imprensado a mim. A mão que estava em meu cabelo apertou minha nuca, conduzindo o beijo. Ofegamos por ar, mas não nos soltamos. Mordisquei seu lábio enquanto sorvia ar, para em seguida atacá-lo novamente. Ficamos longos minutos perdidos nessa paixão, até que ele diminuiu o aperto, respirando com dificuldade.

—Bella, menos. — Sussurrou e mordiscou vagarosamente o lábio inferior, em seguida beijou arfante o canto dos meus lábios e a pele do meu rosto. Isso só me estimulou a virar o rosto, buscando os seus lábios, não o deixando escapar. Gentilmente ele me afastou um pouco e olhou-me, com os dedos mergulhados em minha nuca. —Bella, são meus colegas de classe. — Explicou sem jeito. Nesse momento lembrei o quanto ele era tímido e beijar assim em público já tinha extrapolado em muito o seu nível de permissão.

—Desculpe. Eu esqueci. — Murmurei embaraçada e olhei para os lados, procurando ver se alguém nos observava. Ele continuou abraçado a mim, dançando enquanto eu procurava algum olhar sobre nós.

—Não se preocupe, eles são discretos. — Tranquilizou-se, pegou nos meus cabelos e inspirou neles. Não havia traços de arrependimento ou censura no seu olhar. Pelo contrário, tinha um risinho de satisfação em sua boca. Então resolvi não pensar nesse momento.

—A menina que te deu o perfume está aqui? — Trouxe novamente o assunto à baila, consciente que iria irritá-lo, mas não contive a minha curiosidade.

—Está. — Respondeu naturalmente, uma atitude que me surpreendeu.

—Você mostraria quem é? — Dei a opção.

Ele continuou cheirando naturalmente meu cabelo e beijando meu rosto. Sinal que estava tudo bem.

—Estava sentada comigo quando você me buscou para dançar.

—Você gosta dela? — Não sabia se queria ouvir a resposta.

—Ela é legal. — Foi o que respondeu.

Ele queria me matar, só podia ser. De curiosidade, é claro.

—Já ficou com ela? — Perguntei calmamente, tentando esconder qualquer sentimento que estivesse por trás da pergunta.

Ele se demorou tempo demais calado, então eu me afastei para olhar seu rosto. Queria me certificar se ele ia responder.

—Não. — Só moveu os lábios.

—Não? — Ergui a sobrancelha, desconfiada.

Ele balançou a cabeça, abraçou-me e continuou dançando. Eu sei que agia infantilmente em cobrar, pois não tínhamos nada um com o outro. Mas eu estava insegura demais. E isso justificava minha atitude.

—Poxa, Edward, me dá alguma informação que valha a pena. Ameniza a minha vontade de saber! — Implorei frustrada.

Ele sorriu de canto.

—Ela foi a fim de mim. Não sei se ainda é. — Beijou persuasivamente a pele abaixo da minha orelha. —Ryan armou uma vez para eu ficar com ela, mas ela não faz o meu tipo. Não rolou, igual você e o Mike. Ela é legal, mas só como colega de classe. — Respondeu com uma lentidão deliberada.

—E qual é o seu tipo? — Eu não ia deixar essa escapar.

—Hum... Não sei... Não tinha pensado nisso. — Murmurou mordiscando meu pescoço. Um arrepio desceu até a ponta dos pés.

—Não tinha pensado se gosta de algum tipo específico de mulher? — Questionei incrédula. —Como disse que ela não é o seu tipo, se você não sabe qual é? — Comecei a rodear desarticulada. O álcool devia estar demais.

Ele me afastou e segurou meu queixo entre polegar e indicador. —Bella, eu gosto do seu tipo, até agora. — Encurtou a conversa, mas não me deu nenhuma resposta concreta.

—Eu sei que você não tem certeza. — Teimei, inconformada.

Ele me fez olhar em seus olhos, segurando firme meu rosto na mão. —Nossa, agora você fica argumentando com tudo, procurando problema em tudo! — Sibilou a uma distância milimétrica dos meus lábios. Desviou e voltou a cheirar meus cabelos.

—Beije-me de novo. — Pedi e enfrentei-o com o olhar.

—Só se você se comportar. — Impôs e tocou meus lábios suavemente com os seus.

—Você não quer meu mau comportamento? — Provoquei enquanto ele dava selinhos em meus lábios.

—Eu quero... mas não aqui. — Segredou e abriu a boca na minha, inserindo sua língua astutamente na minha. O frio percorreu meu estômago e novamente ele me tirou do eixo com o beijo voraz. A saudade, a paixão, tudo alimentava o meu desejo, fazendo-me lutar em apertá-lo. Porém ele controlava, segurando meu rosto. Ainda assim, não deixou de ser um beijo quente e estendido por longos minutos.

—Deixa um pouquinho pra mim, Edward! —Ryan nos separou divertido e invadiu a frente de Edward para dançar comigo. —Cara, eu estava preocupado contigo. Pensei que você não gostava da fruta. Vai buscar um vinho pra tua mulher e me deixa dançar com ela um pouco. — Pediu e empurrou-o. Edward saiu sorrindo.

Ryan parecia ser muito amigo de Edward. Se ontem eu tivesse dito para ele desde o início que estava procurando Edward, teria sido tudo muito mais fácil.

—Se reconciliaram né? — Ryan perguntou maliciosamente.

—Mais ou menos. — Sorri sem jeito.

—Imagino quando se reconciliarem... — Arregalou os olhos com horror fingido, se referindo ao beijo. Sorrimos. —Eu nunca coloquei lenta aqui em casa, só coloquei por causa de vocês. Percebi que estavam meio distantes.

—Obrigada.

—Fiquei feliz de saber que estão juntos. Pelo menos você não me quis por um cara que é um amigo de verdade, sem interesses. É ele quem me ajuda muito naquele curso. O cara é um crânio.

—Acho que ele se sente muito sozinho aqui. Às vezes me preocupo. — Expus minha preocupação. Ele me girou pela mão.

—Ele gosta de ficar sozinho. Estuda muito tempo, e pra isso precisa ficar só. Tirar ele daquele quarto é uma luta. — Sorriu. —Você gosta dele? — Perguntou interessado.

Eu gostava de conversar com Ryan, mesmo ele estando meio alto por causa da bebida. Ele era muito mais legal do que eu imaginei.

—Sim, e como! — Admiti envergonhada.

—Foi por causa dele que você fugiu de mim naquela festa?

—Sim. Meu pai não aceita o nosso relacionamento, então eu tinha prometido tentar com outra pessoa. Você apareceu bem na época, só que eu não consegui.

—Que pena... — Lamentou teatralmente. —Mas meu amigo merece uma garota como você.

Edward estava com o vinho estendido a alguns metros, e eu fiz sinal para ele vir trazer. Ele trouxe, eu peguei e continuei dançando com Ryan.

—Bella, aquela vez na Califórnia suas irmãs falaram que vocês têm uma banda, é isso? —Ryan lembrou.

—É, mas agora a gente só toca nas férias.

—E o que você faz? — Ele me girou novamente e eu sorri.

—Na banda toco teclado, mas eu sei tocar todos os instrumentos, menos bateria. Também canto, às vezes.

—Sério? — Ofegou entusiasmado. —Pois eu tenho um violão elétrico ali e você vai cantar para nós. — Determinou decidido.

—Não! Eu nem ensaiei!— Neguei preocupada.

—Estão quase todos bêbados. Qualquer coisa que você fizer, a gente aplaude. — Ele apoiou e piscou. —Quem sabe faz ao vivo.

—Tudo bem. — Aceitei com um suspiro. —Então me dá quinze minutos para eu me preparar psicologicamente. — Condicionei.

Ele concordou, mostrou onde estava o violão e foi falar com o DJ para dar um tempo no som. Eu peguei o violão e conferi afinação, enquanto isso pensava na música que iria tocar. Tremi com a decisão da música que escolhi. Bom, eu nunca fui tímida, não seria hoje, em frente aos colegas do Edward e em frente à menina que era a fim dele, que eu iria acanhar.

Destemida, preparei minha música e mais umas três.

—Bem, agora minha amiga de Washington vai cantar pra gente! — Ryan anunciou. —Vai lá, Bella!

Entornei a taça de vinho de uma vez e me direcionei ao microfone. Cantei três hits que era acostumada a cantar e tocar na escola pra Alice, e fiquei à vontade quando os convidados cantaram junto e bateram palmas. Ao terminar, olhei para o canto e vi Edward com um brilho inexplicável nos olhos. Foi então que tive coragem de cantar a última música.

—Agora eu vou cantar uma composição própria, a qual estou concorrendo com ela no festival de música lá na minha cidade. — Olhei para Edward. —Essa música eu fiz para você, que é a pessoa que inspira meu coração.

Fiz as notas de introdução e iniciei a música, procurando não olhar em direção a Edward para não perder o equilíbrio emocional.

Musica Jennifer Love- Anjo disfarçado.

Anjo disfarçado, histórias em seus olhos, há amor para cada coração verdadeiro que o vê.

Foi um dia de sorte que girou para mim de uma maneira...

...

Espero ter uma vida que com certeza nunca terá fim. Porque eu vou te querer pelo resto da minha vida e te manter bem seguro no meu coração. Eu não posso viver sem você, porque minha alma morreria.

Você sabe que estou falando a verdade,

Passarei o resto da minha vida esperando por você

Os convidados podiam não entender o que a música dizia, mas Edward certamente saberia. Eu queria muito ter mostrado a minha música para ele, então ter agarrado essa oportunidade foi a melhor escolha que fiz. Ao final, terminei lentamente e agradeci.

—Valeu gente. — O clima ficou meio suspenso, eu guardei o violão e me virei.

Inesperadamente, ele veio em minha direção e me abraçou. Eu estava meio tonta por causa do vinho, mas me equilibrei e me entreguei ao abraço. Eu estava girando pela adrenalina da apresentação, por estar presa em um abraço que eu não sabia o significado, mas era perfeito. Tinha um turbilhão de sentimentos presentes naqueles minutos intermináveis.

—Vamos comer alguma coisa. — Sugeriu depois de um tempo. —Eu acho que estou com um pouco de fome. — Disse quando finalmente me soltou. O seu sorriso era largo, o seu rosto bem rosado, irreconhecível.

—Você também está bebendo o meu vinho? — Perguntei admirada com o tanto que tinha na garrafa.

—Não. Só você. — Sorriu, deixando o braço sobre o meu ombro.

—Então deixa eu aproveitar a última taça. — Enchi a taça e fomos à cozinha procurar algo para comer. Ao chegarmos lá, notei a mais calada das morenas.

Ela me dirigiu a palavra. —Bonita a sua música. — Disse timidamente e olhou de soslaio para Edward. Era essa. Tive certeza.

—Obrigada. — Sorri agradecida.

Quando ela saiu, eu o encostei ao balcão, pus as mãos em seu pescoço e como ele diz, o ataquei com beijos molhados, suguei seu lábio com avidez. Sua mão desceu da minha cintura para o quadril e me apertou. Eu me sentia tonta, vendo estrelinhas e constelações. Estava eufórica e ao mesmo tempo ansiosa. O beijo cresceu, minha língua moveu inquieta em sua boca, ele suspirava e acariciava minhas costas.

—Bella. — Interrompeu. —Acho que você já bebeu muito. — Disse ofegante, me afastando do beijo. Encostei-me de novo e suguei o lóbulo de sua orelha, deslizando a língua. Ele me apertou mais, respirando descompassado.

—Dorme comigo hoje? — Sussurrei em seus ouvidos e mordisquei, provocante.

Ele demorou um tempo para responder. —Tudo bem, mas quero que você esclareça antes de irmos suas reais intenções. — Disse e me abraçou.

—A mesma intenção de sempre. — Lambi atrás de sua orelha. —Eu não estou com a intenção ainda de ir para 'cama' com você. — Suguei seu pescoço e ele gemeu, apertando mais meu quadril.

—Tudo bem. — Sussurrou. —Eu só queria confirmar. É por que eu falei para você no carro do seu irmão que queria sempre que suas intenções ficassem claras, a fim de que eu não tirasse conclusões precipitadas. — Lembrou e levou uma mão ao meu cabelo, afagando com carinho.

—Como ontem à noite, né? — Disse impulsivamente. E humm... acho que o álcool subiu, pois deixei escapar essa sem querer. Arrependi no mesmo instante, pois a dor em seu rosto ficou clara. Consternado, ele colocou meu rosto entre suas mãos e me fez olhar para ele.

—Bella, eu ainda quero conversar com você sobre isso. Tentei conversar hoje e você não quis, mas como tocou nesse assunto...

—Não, Edward! — Interrompi imediatamente. —Agora não, por favor, não estrague a noite. — Pedi e dei selinhos em seu queixo. —Amanhã, meia hora antes do meu vôo sair, a gente conversa. É menos sofrimento. — Tentei fugir de algo que me magoaria novamente.

—Tudo bem, mas quero adiantar só uma coisa, por favor, por mim... — Ele suplicou.

—Fala.

—Eu estou muito mal pela noite passada, e me fere quando você fala dela. Sei que dói muito mais em você. Mas, por favor, por favor, mesmo, vamos esquecer que ela um dia existiu. Eu queria que ela fosse riscada da nossa memória, que a gente abrisse aspas para falar dela amanhã e depois nunca mais nos referíssemos a ela, entende? — Ele me abraçou aflito.

Eu não tive mais o que falar. O modo como ele se referiu ao futuro após a conversa, entrou em meu coração de uma maneira que eu não devia deixar. Deixou-me feliz, e eu fiquei com medo. Estava com medo do modo como ele me fazia sentir com uma simples esperança que me passava. Medo da influência que ele tinha sobre mim.

Narrado por Edward

Despedimo-nos dos meus colegas e direcionamos ao hotel. Ninguém percebeu seu estado alterado pelo alcóol. Mesmo quase ébria, ela soube se portar com discrição e cordialidade. Eu gostava dela assim. Estava ainda mais quente do que o normal. Se ela não tivesse esclarecido suas intenções, eu não iria conseguir me controlar.

—Bella, estamos no elevador. — Soltei do beijo e tentei impedi-la de tirar minha blusa, segurando sua mão.

—O quê que tem? — Disse e continuou passando a mão em meu peito por dentro da blusa, beijando-me de um modo a deixar qualquer homem são fora do seu juízo pleno. Estava tentadora demais. Perigosamente quente e a mercê da minha vontade.

—Vem. — A porta do elevador abriu, puxei-a e saí segurando em sua cintura, andando de costas, beijando-a ardorosamente até entrarmos no quarto.

Mal entramos, ela me jogou na cama, subiu e sentou em cima de mim. Deus! Era muita tentação para um homem só. Será que estava pagando pelos meus pecados?

Sua boca invadiu a minha e ela terminou o que tinha começado no elevador, tirando minha blusa por completo. Tremi, ansioso por me deixar levar, pensando em seu vestido que era curto e tomara-que-caia. Tão fácil... Vulnerável... Ela já estava sentada em mim... Prontinha. Céus, para onde foi minha parte pensante?

—Faz assim, Bella. — Busquei ar e a afastei um pouco. —Tome um banho, depois a gente volta pra cá. — Tinha que conseguir me libertar dela em cima de mim, antes que eu não dominasse mais a situação.

—Mas eu já tomei banho! — Retrucou, com o vestido quase na cintura. Involuntariamente olhei para baixo, dando de olhos com a certeza de que ela era uma criança, com suas peças íntimas de algodão com coraçõezinhos.

—Mas suou. — Tentei um argumento, abaixando contrariado seu vestido. Sofri em saber que seu corpo estava protegido somente por uma pecinha íntima de algodão.

Edward, você está pensando nisso depois do lapso de ontem? Meu cérebro chamou minha atenção.

Certo. Eu tinha que bolar uma estratégia para salvá-la de mim. Ela não estava em sã consciência, e eu me sentia tentado demais, logo o melhor jeito era não atentar a sorte.

—Vai, Bella. — Afastei-a de novo dos meus lábios.

—Só se você tomar banho comigo. — Propôs fora de si. Agora eu estava numa fria. Como se eu quisesse negar.

—Tudo bem, mas os dois de roupa. — Impus. Se ela quisesse que suas intenções iniciais fossem respeitadas, era melhor buscar um fio de consciência e aceitar.

—Tudo bem, encha a banheira. — Levantou-se zonza pelo quarto e foi para o armário.

Segurei o riso para que ela não percebesse a graça. Nenhum embriagado acha que está bêbado.

Narrado por Bella

Peguei um conjuntinho de algodão preto e fiz uma breve avaliação no meu corpo. Achei que ficou legal. Eu queria estar bem para o banho. Entrei na banheira e a água estava bem quente. Ele colocou sais e espuma, então o banho ia ser bem relaxante. Ele já estava lá, parecia que queria rir.

—Que foi? — Perguntei desentendida.

—Nada. — Respondeu prendendo o sorriso.

—Eu estou tão mal assim? — Apontei para o meu corpo, preocupada com as formas no conjunto de algodão.

—Está linda. — Molhou os lábios.

—Então por que está segurando o riso? — Acusei.

—Você está engraçada. Andando em câmera lenta, falando em câmera lenta. Mas está linda mesmo assim. — Disse e me puxou pela mão para sentar ao seu lado.

—Liga a hidro. — Pedi.

—Tudo bem. Mas se passar mal, saia da banheira.

—Ai, ai, essa é outra vantagem de pagar caro em um vinho. A gente não passa mal quando o vinho é bom. — Sorri e ele também.

Ele ligou a hidromassagem e sentou perto do controle da hidro. Eu me deixei relaxar, fechei os olhos e deitei a cabeça na borda.

—Vem pra perto de mim. — Pedi manhosamente, ao perceber que ele não voltou.

—Vem você pra cá, se conseguir. — Provocou.

Será que eu estava tão mal assim? Desloquei-me na banheira e sentei ao seu lado, de lado, apoiando a cabeça no seu braço e as pernas em cima dele.

—Vamos experimentar beijos embaixo d'água. — Propus e mordi seu ombro.

—Hoje não. Acho que você não está legal. — Disse beijando ternamente o meu rosto.

—Eu estou bem! Só estou feliz. — Defendi tonta.

—Bella, encosta aqui e relaxa. — Disse, puxou-me para o seu colo e apontou o ombro para eu deitar. Contrariando-o totalmente, eu sentei de frente no seu colo e o beijei.

Narrado por Edward

Respirei fundo, concentrando-me em não cometer uma loucura ao carregá-la nos braços para cama. Já com ela sentada, peguei a toalha e comecei a secar seu corpo, começando pelas pernas. Será que era tortura demais se eu me permitisse secar as gotas da barriga com a minha boca?

Enrijeci mais que do que já estava, e minha respiração acelerou com o meu pensamento torpe. Vi que a qualquer momento poderia perder as faculdades mentais claras. Só em pensar que deveria tirar as peças molhadas do seu corpo, se passou uma pulsação corrente em minhas veias e meu desejo de tocá-la ficou maior que a minha obrigação de responder pelas minhas ações.

Vulnerável, ajoelhei-me ao pé da cama e tentei me concentrar enquanto passava a toalha sobre ela, pensando em alguma maneira de despi-la sem tocá-la... Não tinha como provar meu domínio assim.

—Bella... — Tentei trazê-la daquele estado de insensibilidade dos sentidos, tocando seu rosto e chamando seu nome.

—Hum...

—Você consegue levantar? — Requeri aos céus que ela dissesse que sim.

Ela abriu os olhos.

—Pra quê? — Sua voz era arrastada.

—Para escovar os dentes. — Se eu a colocasse no banheiro, ela poderia se vestir.

—U-hum...

Peguei a roupa que estava separada e levei Bella ao banheiro, segurando-a pelo braço. Ajudei-a escovar os dentes com muito trabalho e, no mesmo instante, percebi que ela não iria conseguir se trocar sozinha.

—Bella, você vai tirar essa roupa molhada agora. Eu vou te ajudar, tá? — Eu precisava do seu consentimento.

—U-hum.

Agora era ficar calmo e levá-la para cama. Putz, eu não sou nenhum maníaco para ter esses pensamentos com ela nesse estado. Não mesmo. Devo me controlar.

Ofegante, levei-a no colo para cama e encostei-a com a cabeça na cabeceira da cama.

—Tire a parte de cima. — Pedi, ela só baixou com pressa as alças e encostou de novo a cabeça na cabeceira da cama. Suspirei e vesti sua blusa, não permitindo que meus olhos a olhassem. Eu não permiti. Juro que não.

—Bella, a parte de baixo agora. — Ela abaixou, e eu fiquei olhando para o teto para não ver aquela cena. Era muita tentação. Muita tentação. Quando percebi que estava em zona segura, arrisquei olhá-la. Tudo bem, a blusa era longa. Melhor para mim... Ou pior.

—Agora veste a outra. — Entreguei uma peça íntima na mão dela, mas ela estava quase apagando. Tive que manter a compostura e tentar vesti-la.

Céus! Quanto tempo mais esta tortura iria durar?

Ajoelhei e subi a peça íntima desde os pés dela. Estava irritado comigo mesmo pela direção que meus pensamentos vis estavam indo. Involuntariamente excitado, olhei para o seu rosto, tentando manter RIGIDAMENTE a compostura. Assim, subi até sua coxa, sentindo a pele por baixo dos meus dedos. Continuei olhando em seu rosto sonolento, sentindo um desejo enorme de acariciá-la e beijá-la até me saciar. Mas resignado, lembrei que nunca mais deveria tocá-la assim. Não sem sua expressa autorização e consciência. Nunca deveria tocá-la de uma maneira tão ignóbil como na noite anterior.

Com os pensamentos vagando, nem notei que tinha terminado de vestir a peça íntima. Suspirei aliviado, afinal, agora estava mais fácil e menos invasivo. Só faltava desabotoar a parte de cima que ela deixou para trás e lhe vestir a calça do pijama.

Depois que ela estava vestida e a minha situação estava sob controle, o desejo se foi, e eu só tinha vontade de rir da minha debilidade. Além disso, tinha que me preocupar com a minha própria peça que estava molhada.

Narrado por Bella

A última lembrança que tinha caía em minha mente como um sonho distante. Ainda brigava com a minha consciência para saber se foi um sonho ou realidade estar sentada no colo de Edward na banheira beijando famintamente sua boca.

Abri os olhos e olhei para as roupas que vestia tentando lembrar como foi que eu pus no corpo. Não recordei a hora em que as vesti. Levantei-me da cama e direcionei ao espelho para ver como estava minha situação matinal. Meu corpo carregava o resultado do vinho que tomei. Não uma ressaca propriamente dita, mas um pouco de moleza, como se tivesse tomado algum calmante.

Olhei para a cama e a imagem a minha frente inundou meu coração de alegria. Ele estava lá, deitado na cama. Balancei a cabeça tentando imaginar como foi o restante da noite, mas não conseguia me lembrar de nada.

Dei um tapinha em meu rosto para terminar de acordar, lavei o rosto, escovei os dentes, penteei os cabelos, passei um pouquinho de perfume e voltei para o quarto. Iria acordá-lo para sair e tirar umas fotos, afinal devia aproveitar por ser meu último dia na capital. Animada, peguei minha máquina na mochila e preparei-a para tirar uma foto dele ali, como estava, descoberto da cintura para baixo. Cerrei os olhos curiosa, analisei detalhadamente a figura a minha frente e pus a mão na boca para tapar o som do sorriso. O lençol estava enrolado várias vezes em seu quadril, o que era uma imagem hilária.

—EDWARD! Você se enrolou tanto no lençol que parece que está de saia! — Sorri e tentei puxar o lençol em volta dele.

—Sai, Bella. Não puxa. — Resmungou e apertou o lençol.

—Você está parecendo Cristo, enrolado com um pano pela cintura! — Continuei rindo e tentando puxar.

—Ai, Bella, dá um tempo! — Se enrolou mais e foi para o outro canto da cama.

—Tem mau-humor matinal é? Deixe-me ver se estamos brigados... — Juntei as sobrancelhas, com o dedo na testa. —Acho que não. Me comportei bem na festa e não estamos brigados. — Sorri, sentei cavalinho em suas costas e baguncei seu cabelo.

Ele ficou quieto, silencioso, com o rosto coberto por um travesseiro. Eu continuei bagunçando.

—Tá gostando da saia é? — Brinquei. Era domingo, amanhecemos juntos, e eu estava feliz. —Daqui a pouco vai usar meus vestidos também... Bem que Jasper disse que você é...

—Depois dessa noite, acho bom você não terminar a frase, porque se não... — Ameaçou.

—Se não... — Fiz cócegas em suas costas, ele se contorceu e me derrubou na cama de costas. Eu continuei rindo.

—Bella, eu estou com sono. Dormimos umas três, e não são nem oito ainda... Eu tô cansado. — Resmungou com a voz rouca.

—Por que você está com sono? Eu não tô! — Provoquei. Ele não ia tirar meu bom humor com sua preguiça.

—Não tenho tido boas noites de sono... Essa então. — Reclamou baixinho.

—Edward, você está dormindo o mesmo tanto que eu! E levanta que nós vamos passear. — Determinei decidida.

—Dá só mais um tempinho... — Ele suplicou e escondeu a cabeça no travesseiro.

—Eu daria todo o tempo do mundo pra você, se eu tivesse, só que eu não tenho. Eu vou embora hoje e já são quase oito horas. Você dorme amanhã, dorme outro dia, mas fica acordado comigo hoje, por favor. — Pedi com carinho, alisando suas costas.

Ele não se moveu.

—Ah não... Eu queria sair, tirar umas fotos... Mas tudo bem, vou assistir TV enquanto você dorme. — Fiz um bico, liguei a TV e me encolhi, abraçando os joelhos.

—Ai, Bella... Eu estou sem roupa aqui. — Argumentou com uma voz melhor, mas sem se movimentar.

—Eu compro! —Bati palmas animada. — Na verdade, eu queria comprar umas Calvin Klein bem legais que eu vi ontem pra você, se você quiser. — Sugeri empolgada, pensando nas calças exclusivas que cairiam como uma luva em seu corpo perfeito.

—Bella, querida, perdeu o cérebro com o vinho? — Perguntou sério. — Acho que já percebeu que não quero que gaste seu dinheiro comigo.

Podia ser sem intenção, mas soou como grosseria.

—Já quer estragar o dia logo de manhã, é? — Acusei fingindo indignação, sentei novamente em suas costas e beijei sua nuca, tentando de novo com carinho. — A gente pode ir no seu quarto para você se trocar. Bom que eu aproveito e tiro umas fotos lá no campus. — Insisti, brincalhona. —Vamos, por favor, por favor, por favor!

Em silêncio, ele levantou com o lençol enrolado na cintura e foi ao banheiro. Eu ri novamente dele, satisfeita por ter fotografado isso. Sem camisa e de lençol na cintura era uma delícia!

Depois de alguns minutos, ele saiu descalço, de calça jeans, sem camisa e com a carinha melhor. Meus olhos foram descaradamente atraídos para os pêlos abaixo do seu umbigo... Balancei a cabeça para disfarçar. Ele deitou a cabeça no meu colo.

—Edward, você estava com vergonha de ficar de cueca na minha frente? —Perguntei divertida e acariciei seu cabelo. — Eu já te vi sexta-feira. — Comentei admirada com sua timidez, quando já tínhamos evoluído.

—Eu não me lembro de nenhuma sexta feira. — Fingiu pensar coçando o queixo. Bem, ele tinha razão. Combinamos esquecer que sexta-feira existiu. Ele sorriu sem graça. —Bobinha, o problema não era a cueca. O fato é que eu estava sem. Mas é chocantemente difícil ser discreto com você. Você não consegue conter a sua curiosidade. — Explicou dramaticamente.

Eu não comentei nada, sem graça por minha indiscrição.

—Rá! Enfim a desembaraçada Bella ficou acanhada com algo! — Sorriu deliciado e me jogou na cama para me devolver as cócegas. Lutei para me libertar, sorrindo, até que me vi sem ar de tanto que me contorcia. Ele parou as cócegas, e seus olhos brilhavam humor. Ele deitou na cama e me puxou para o seu braço, beijando contente o meu cabelo. Ficamos assim, abraçados.

—Vou programar a máquina e a gente vai tirar umas fotos na cama. — Avisei e levantei para colocar a máquina em um local onde tivesse um bom ângulo.

—Hum... isso me agrada. — Sorriu malicioso.

—Por quê? — Franzi o cenho sem entender.

—Olha os ingredientes: eu, você, fotos, cama e hotel. — Ele sorriu travesso. Surpreendentemente travesso.

—Hmmm, soa bem sugestivo. — O beijei sorrindo, enquanto a máquina já disparava os flashes. Tiramos diversas fotos espontâneas pelo quarto, onde nos abraçávamos, beijávamos, ríamos. Fizemos pose deitados, abraçados, eu no seu colo. Assim, o flash disparava.

—Vamos descer para tomar café e de lá vamos sair. — Avisei, com as mãos entrelaçadas em seu pescoço.

—Tudo bem. Para onde você quer ir? — Apertou a base das minhas costas a ele. Minha manhã de domingo irradiava alegria.

—Para lugares que você costuma ir. Algum lugar bonito. Assim, quando você for de novo, você vai se lembrar de mim. — Sorri, dando selinhos em seu queixo.

—Muito pretensiosa você... Você acha mesmo que precisa ter estado em algum lugar para eu me lembrar de você?

Bem, primeiro ele disse que sou pretensiosa, isso queria dizer que eu não devia esperar que ele pensasse em mim. Mas depois disse que eu não precisava ter estado lá para ele pensar... O que eu devia entender?

Enquanto eu escolhia a roupa que vestiria, ele cruzou os braços, sentou na cama e ficou olhando em minha direção. Tirei o pijama, ficando só de calcinha e, de costas para ele, vesti um short curto de brim verde. Notei que ele media as formas do meu corpo como qualquer homem faria. Eu queria que ele me achasse bonita, por isso, antes de vestir o top, fiquei ligeiramente de lado para dar sutilmente um pequeno vislumbre lateral das minhas medidas.

Às vezes ele me surpreendia. Quase sempre era inibido para atitudes iniciais ou para falar algo abertamente, mas depois que se soltava, até me olhar abertamente trocando de roupa como se fosse a coisa mais normal do mundo ele fez. Presunçosa, olhei de lado para ele, e ele sorria torto, com um misto de carinha sem vergonha com timidez. Vesti a blusa e sentei na cadeira de canto para calçar o Nike. Depois de pronta, sentei no seu colo, e ele me recebeu alegre e carinhoso.

Descemos para comer o buffet farto do hotel cinco estrelas. Não consegui escolher um décimo das opções expostas.

—O que você gosta de comer no lanche da manhã? — Perguntei ao ver que ele tinha colocado pouca coisa. Nada mais que um pão com requeijão, um bolo e um suco. Geralmente homens comem mais que isso, não? Pelo menos Emmett comeria de tudo.

—Gosto do bolo de milho da minha mãe. — Disse meio nostálgico.

—Sente muita falta dela, né? — Comentei, desejando que ele falasse um pouco do sentimento pela mãe.

—Sim. Eu a adoro. E sinto falta dela desde que nasci. — Suspirou ao falar, depois cortou o bolo, levando-o seguidamente à boca. —Você sabe que ela morou fora até eu completar cinco anos, né? Eu tive uma infância tendo que sobreviver com a falta dela. Ela só ia me ver semestralmente. Acho que meus irmãos não sentiram tanta falta como eu. Embora eu fosse criança, o reflexo dessa época transformou a minha personalidade. Eu me tornei uma pessoa introvertida.

—Você morava com a sua avó. — Comentei ao lembrar da história que meu pai contou.

—Sim. Eu, Rosalie e meu pai, antes deles separarem. Quando Esme estava na faculdade, ela engravidou da Rosalie e dois anos depois, mesmo separada do meu pai, ela engravidou do Jasper. Depois Phil sumiu pelo mundo, deixando a gente com minha avó de vez. Quando eu completei nove anos, minha avó se mudou para Phoenix, então eu tive que cuidar dos meus irmãos. Isso me deu um senso de responsabilidade muito cedo.

—Sua mãe tentou de novo com outra pessoa? —Comi a salada de fruta.

—Não, minha mãe amou uma pessoa na vida e não se entregou de verdade para mais ninguém. — Explicou pesaroso.

Olhei no relógio e percebi que precisávamos sair, já era oito e quarenta.

—Eu quero saber mais, muito mais, mas a gente podia ir... Temos tão pouco tempo... — Disse carinhosamente.

—Então vamos. — Levantou e envolveu a mão em minha cintura para irmos rumo ao estacionamento. Foi bom ouvi-lo falar de si. Sua história de vida motivava parte de sua personalidade.

—Edward... Você me explicaria por que não gosta do meu pai? — Pedi cautelosa, aproveitando o fato dele estar aberto.

Ele não respondeu de imediato, ficando pensativo até chegarmos ao carro.

—Hoje, o meu desafeto é menor. — Iniciou, passando a marcha. —Acho que eu já amadureci um pouco. Mas eu tenho dezenas de motivos para não gostar dele. — Disse fitando a estrada, parecendo aborrecido em falar sobre o assunto. —Porém existem alguns que você não pode saber. — Me olhou de canto e fiquei tensa. —Tem certeza que você quer conversar sobre isso esta hora da manhã? Talvez seja melhor deixar as coisas ruins para mais tarde. — Deu a opção, tocando meu rosto.

—Pode ser. — Concordei, preocupada com o que poderia vir mais tarde.

Chegamos ao campus, ele estacionou e tirou o cinto.

—Espere só vinte minutos, Bella. — Avisou e beijou meu rosto antes de descer.

—Edward, deixa eu conhecer o seu quarto? — Pedi manhosa, embora já soubesse a resposta. Ele nunca deixaria.

—Não pode. É proibida a entrada de mulheres.

—Deixa... — Fiz carinha pidona. —Eu queria conhecer onde você fica e saber como é o seu quarto aqui. — Insisti. Não custava tentar. Geralmente ele cedia às minhas vontades.

—Bella, não pode... Tem segurança lá... Se te pegarem, posso ser suspenso e perder direito ao dormitório. — Ele suspirou e passou a mão no cabelo. —Sinceramente eu não sei o que você quer fazer lá. — Disse sem certeza, não estava decidido ainda.

—Sabe, Edward, você podia fazer coisas erradas de vez em quando, sabia? Talvez isso até melhorasse a sua personalidade. Você fica querendo ser muito certinho, seguir planos à risca e está perdendo as coisas boas da vida. — Tentei persuadi-lo, com as pernas dobradas no banco.

—Eu já tenho feito muitas coisas erradas, como por exemplo: passar duas noites no quarto de um hotel com uma menor, com o agravante de estar com você ontem à noite em completo estado de embriaguez. Só por esses dois motivos eu já poderia responder por dois artigos, induzimento de substâncias alcoólicas a menor e corrupção. Até provar que eu não te corrompi e que não fui eu quem te embebedou, eu já estaria preso cinco anos! Já viu que o mais fraco não tem vez! — Explicou amargo.

Ele tinha razão. Mesmo assim, cruzei os braços e fiz um carinha de triste. Ele não iria resistir ao meu teatro. Um minuto depois ele exalou um longo suspiro derrotado.

—Fica aqui que eu vou lá dentro buscar um boné e uma jaqueta pra você. — Instruiu desgostoso. —Eu devo estar perdendo noção de julgamento mesmo, só pode. — Saiu balançando a cabeça.

Eu regozijei com meu poder. Era inacreditável que ele tivesse aceitado a minha proposta! Ele voltou rápido com a jaqueta e o boné nas mãos, parecia preocupado. Eu também estava! Se acontecesse alguma coisa com ele por minha causa eu não me perdoaria.

—Eu posso ir mesmo? — Agora eu lhe dei a opção de negar, caso quisesse.

Ele colocou o boné na minha cabeça e olhou fixo em meu rosto enquanto tentava arrumar meu cabelo no boné.

—Ainda estou me debatendo como posso ter coragem de fazer isso. —Torceu os lábios contrariado. —Mas veste a jaqueta. Já me fez ir lá.

—Hum... Então você quer que eu vá. — Afirmei e pendurei os braços matreiramente em seu pescoço, ajoelhada no banco. —Prometo te recompensar lá. — Sorri com olhar malicioso e dei beijinhos em seu queixo.

—Eu queria saber como você consegue fazer isso comigo. — Resmungou. —Como eu perco a consciência quando você está perto de mim. — Pareceu mais uma reflexão.

—Vamos, não pense. Eu quero ir lá. — Determinei antes que ele desse para trás.

—Tá, vou te explicar como chegar lá. Você vai na frente e daqui a pouco eu vou. —Não era difícil o trajeto, segundo corredor, terceiro quarto à direita... Eu entendi que ele tinha que se precaver de alguma maneira. Não sei por que, mas meu coração começou a bater mais forte. Talvez estivesse preocupada com ele.

Desci do carro e segui a rota que ele explicou. Caminhei de cabeça baixa e não encontrei ninguém nos corredores. A porta do quarto estava só encostada, entrei arfando pelo nervosismo, dei uma olhada rápida e fiquei contente em ter forçado um passo no seu mundo.

Edward entrou logo em seguida. Quando ele fechou a porta, pulei em seu colo igual criança, extasiada de alegria. A adrenalina do proibido era sobrenatural.

—Ai, Bella, só você pra fazer isso comigo... — Suspirou aliviado e me abraçou. Na sua voz tinha uma pontinha de stress.

—Vamos, a gente não tem muito tempo. Eu quero tirar umas fotos aqui. — Desci do seu colo e andei eufórica pelo quarto.

—Pra quê fotos aqui?

—Nossa, tudo você pergunta! — Censurei, brincalhona. —Pra ficar de lembrança eu no seu quarto. Não é legal? — Entreguei a máquina e deitei na cama fazendo pose.

—Bella, você é muito engraçada. — Sorriu e tirou fotos, enquanto eu fazia caras, bocas e gestos.

—Pronto agora é sua vez. — Levantei, tomei a máquina de sua mão e apontei o alvo para ele.

—Não, Bella, eu não tenho tanta desenvoltura como você. — Disse se esquivando.

—Pode ser natural, tipo assim: senta e olha pra mim. Deita e pega um livro. Eu quero lembranças naturais. Pode ser com essa cara de 'sou um anjo'. Você é assim mesmo! — Sorri e comecei a tirar as fotos espontâneas, já que ele não queria fazer pose. Depois de tirar muitas fotos quase do mesmo jeito, desisti. Ele estava sentado na cama me olhando com um sorriso de canto, lindo. Não me contive e me aproximei desfilando, segurando o olhar.

—Adoro quando você faz isso... — Riu malicioso, mordendo os lábios, com os olhos fixos em minha direção.

Rompi a distância e sentei de frente em seu colo.

—Faço o que? — O beijei na orelha, mordiscando. Ele pousou a mão em minha cintura.

—Esse jeitinho... de... — Fechou os olhos quando deitei o seu pescoço e passei a língua atrás de sua orelha. —... Gatinha manhosa com expressão... — Respirou fundo e se arrepiou. —Vou te atacar... — Disse com a voz rouca.

Ele pôs uma mão em minha nuca, me olhou com os olhos derretidos e me beijou leve, recebendo minha língua gentilmente. Imediatamente, sua mão apertou minhas costas, me abraçando forte. Abandonei-me nos beijos, trocando carícias e ansiando por mais. Nem mil anos beijando sua boca iria satisfazer o meu desejo de continuar com ele. Cada dia era um novo dia, cada beijo se diferia do anterior. Assim, nos entregamos aquele impulso do ânimo.

Minhas mãos deslizaram lentas para a barra de sua blusa, acariciando sua cintura com os dedos, e não me contentando com seu peito coberto, fiz menção de tirar. Ele era muito perfeito para ficar escondido dos meus olhos e das minhas mãos.

Fui levantando lentamente e ele segurou minhas mãos, gentil, sem parar de me beijar. —Bella... já pensou que o que você faz comigo, eu posso fazer com você? — Murmurou em meus lábios e soltou minhas mãos.

—U-hum... — Foi o que respondi e voltei a deslizar minha língua em seu lábio superior. Afastei do beijo somente para passar a camisa. Ele gemeu abafado, no instante em que eu passeava as mãos em suas costas e apertou minha cintura, distribuindo sensações de calor e ansiedade no meu corpo.

—Está pensando no que você fez? — Questionou em dúvida, me testando, principalmente depois da noite de sexta-feira. Mesmo assim, ele não deixou o clima esfriar.

—Tirei sua blusa. — Sussurrei e desviei meus lábios para o seu pescoço, subi lento, mordisquei seu queixo, depois desci com a língua em linha reta pela garganta, enquanto minhas mãos passeavam pelo abdômen. A cada segundo ele ficou mais agitado, sua respiração era dificultosa e ele me olhava com olhar bem faminto.

Ele respirou fundo e colocou os dedos dentro da minha regata, testando, passando os dedos, seguidamente pegou na barra e subiu lentamente, até tirar por completo.

Ele me olhou com sorriso de triunfo e me beijou intensamente, em um ritmo ansioso, fazendo sons guturais. Depois seguiu em mim o mesmo caminho que eu fiz nele com os lábios e com as mãos, ao tempo que acariciava minha barriga e abdômen.

Ele me mostrava que faria o que eu conduzisse.

Suspirávamos e arfávamos enquanto nos deixávamos ser consumidos pelo desejo. Senti seu corpo extremamente ativo e instintivamente busquei atrito. Ele gemeu baixinho e apertou os dedos em minha cintura, proporcionando um atrito maior. Tudo ainda era novo para mim. Sentia uma sensação de desespero por ele que me deixava zonza e a cada segundo me fazia querer mais.

Percorri seus braços, suas costas e o seu peito com a ponta dos dedos, enquanto isso beijava ansiosamente seu pescoço.

—Assim não vale. Eu estou sem nada... — Sussurrou em meu ouvido e direcionou as mãos para as minhas costas, esperando a minha autorização para abrir meu top.

Continuei beijando seu pescoço e segurei delicadamente suas mãos, dando o sinal que ele precisava. Ele desistiu e encostou a boca no meu ombro, descendo na clavícula, onde ele podia vagar a boca. Deitei meu pescoço para trás e lhe dei espaço, deixando que vagasse pelo meu ombro, braços, colo.

Com os olhos nublados, forcei o seu corpo a deitar-se na cama e o mordisquei no pescoço, seguindo lento até o queixo, depois desci a boca em linha reta até o abdômen. Passava a mão em seu peito, amando o formato, ele se contorceu e falhou a respiração quando parei a boca na barriga, sugando e mordiscando até a lateral da cintura. Seu abdômen tremia e ele parecia estar fora de si, prendendo gemidos com os dentes cerrados.

Ele me puxou de súbito, com a pupila dilatada e se colocou por cima de mim.

—Bella... Não se brinca assim com um homem... Eu não sou de ferro. — Sussurrou e percorreu o mesmo caminho que tracei, de um jeito delirante, chupando e lambendo pescoço, colo descoberto. Ofeguei, sentindo espasmos por onde sua língua deslizava, ao mesmo tempo que sua mão pousou em concha no meu seio por cima do top. Ele fez o que eu autorizei, e, Céus, aquilo era muito bom.

Ele desceu em linha reta, oscilando como onda pelo caminho, pousou sua boca em minha barriga e mordiscou até a lateral, nunca tirando a mão dos meus seios. Agora não era mais gentil. Ele prendia e apertava o bico entre os dedos, gemendo no mesmo instante que lambia minha barriga.

Algo no meu interior respondia de um jeito desconhecido, fazendo meu ventre contrair. Eu perdi noção de quem eu era ou o que fazia. Lentamente, ele desceu as mãos, passou os dedos pelas laterais do meu short por vários minutos e abriu o botão. Ele deslizou a língua na parte baixa da minha barriga e desceu o zíper, me olhando como quem suplicava para tirar.

Eu estava fora de mim, desestabilizada, e, por um momento, tive vontade de tirar. Mas um fio de consciência voltou e, antes que fosse tarde demais, o forcei pelo ombro e o trouxe de volta para meus lábios. Ele veio descontrolado e respondeu ao beijo de um modo desesperado, me beijando vorazmente.

—Você brinca demais. — Resfolegou em minha boca e inseriu sua língua, mostrando que queria somente que eu sugasse. Ele colocou minha perna direita em volta de sua cintura, no mesmo instante em que apertava meu quadril, forçando atrito em seu corpo excitado. Por algum motivo eu queria que ele me apertasse mais, que se apertasse mais a mim, que se movimentasse. Assim ele fez.

Ele beijava minha boca, movia bem lento meu quadril, quase que imperceptível. Mas era bom. Ele apertava meu seio e eu já não me conhecia, era puro delírio, presa, querendo mais aperto, mais atrito, me encaixando, buscando, ansiosa, completamente desconhecida.

Abandonado, ele me pressionava e gemia sôfrego em minha boca. Minha respiração falhou e eu senti-me elétrica naquele campo desconhecido. Uma sensação como o torpor da bebida latejou em minhas têmporas e me trouxe languidez. Ofeguei, recuperando a batida e respirei fundo, jogando minha cabeça para trás.

No mesmo instante, Edward me apertou fortemente, gemeu rouco em meus ouvidos por alguns segundos e depois diminuiu a intensidade do abraço, inspirando e expirando, tornando mais brando a cada segundo a chama do seu corpo.

Minutos depois, seguido de total silêncio e desconcerto, ele saiu de cima de mim e deitou ao meu lado.

—Bella... Por que você faz isso? — Perguntou e beijou ternamente o meu rosto e queixo. Eu ainda estava perdida na desaceleração do meu corpo.

—O quê exatamente? — Perguntei com a voz serena.

—Por que a cada dia que passa você me atormenta mais um pouquinho... Tem um objetivo? — Apoiou a cabeça na mão, esperando a resposta.

—Deixar você louco. — Sorri e ele fechou o botão do meu short.

—Esse você já conseguiu, mas tem outro por trás desse... Me fala... — Pediu enquanto beijava a costas da minha mão.

—Hum... É um assunto meio estranho de se conversar... Mas se você quiser... — Olhei para ele, e ele parecia realmente interessado. —Bom, eu adoro beijar você, disso você já sabe, mas, além disso, eu não permito ir além porque quero que as coisas aconteçam gradativamente, dia após dia. — Hesitei, um pouco envergonhada em expor meus pensamentos arcáicos. —Se você analisar, aqui em Washington D.C. é a quinta vez que a gente fica junto. Embora eu saiba que a gente tem uma química muito forte, e muita gente no nosso lugar não resistiria ao nosso terceiro encontro, que foi lá na sua casa, eu não queria que as coisas fossem muito rápido... Não é só você quem planeja as coisas. — Olhei em seus olhos para responder além da pergunta inicial que ele me fez. —Eu queria curtir o crescimento do nosso relacionamento. Assim, a gente se conhece como pessoas e conhece naturalmente o nosso corpo. Entende?

Se não entendeu, ele não ia perguntar, mas assentiu. —Entendi, e gosto do modo como você pensa. Só não me tente demais, pelo amor de Deus! — Foi o que ele disse e me beijou no rosto. —Agora acho que temos que sair, isso se você ainda quiser tirar alguma foto. Espere uns dez minutos que eu vou tomar banho.

Deixou-me na cama e saiu para preparar a roupa que iria usar. Continuei de top, deitada de lado. Ele se virou e me olhou por alguns segundos, depois passou sorridente as mãos nos cabelos.

—Quero ver como vai ser meu dia amanhã com essa sua imagem na minha cama. — Refletiu, como se não tivesse falando comigo.

Eu sorri convencida, dizendo para mim que valeu à pena ter ido lá. Ele com certeza iria se lembrar de mim por dias. Enquanto ele tomava banho, varri meus olhos pelo quarto. Era bem organizado, limpinho, não parecia quarto de homem. Cheirava bem e não tinha roupas jogadas. Tinha duas camas, um armário grande, e uma mesinha. Surpresa, avistei embaixo do travesseiro o sutiã que ele tirou de mim no carro do Emmett. Hmmm, uma lembrancinha minha embaixo do travesseiro? Legal! Ele gosta mais de mim do que ele sabe. Concluí.

—Pronto. — Saiu do banheiro e se direcionou ao armário para passar perfume.

Interrompi-o antes que ele destampasse. —Eu prefiro que você use o perfume infantil. — Avisei quando vi o frasco de perfume em sua mão.

—Bella, ontem o perfume não era bom? — Sorriu desconfiado, pegou um perfume de golfinho e passou.

—Mas esse parece mais com você. Tem cheirinho de anjinhos, talco, flores, verão.

Ele veio me abraçar, direcionei meu nariz ao seu pescoço e cheirei. —Humm... gostoso... muito boom. — Dei voltas em seu pescoço, inspirando enquanto ele ria.

—Agora vem que nós vamos tirar fotos juntos aqui no quarto. — Soltei-o do abraço e posicionei a máquina na mesinha, programando para tirar de três em três segundos.

Ele estava tímido, mas eu fiz cócegas, o beijei, subi em seu colo, sorrimos, ele me abraçou, deitamos na cama, ele me beijou deitado...

—Perfeito. — Disse satisfeita, me dirigindo a máquina para cancelar a programação.

—Já te falei que você não funciona bem nas faculdades mentais? — Ele sorriu e me puxou para um abraço.

—Já. Diversas vezes já me chamou de louca... — Sorri e dei de ombros.

—O problema é que sua loucura é contagiante. — Ele estava com um humor ótimo. —Agora, vamos adiantar porque a gente ainda tem que sair daqui. Eu vou na frente, se eu não voltar, é porque você pode sair. — Me deu o boné e a jaqueta e se olhou no espelho antes de abrir a porta.

Quando ele se preparava para sair, abracei seu pescoço, prendi as pernas em volta de seu quadril e o beijei. Eu estava feliz por vários motivos e não queria que acabasse ainda. Ele me encostou à parede me beijando sem reservas, e novamente começamos a nos deliciar com aquela ocasião oportuna. Senti o ânimo crescer em seu corpo e ele me apertou na parede, movendo-se sinuosamente em meu centro, fazendo-me desejar insanamente aquele contato. Meus dedos se perdiam em seu cabelo, e eu o beijava com uma paixão incomparável a qualquer sentimento. Quando já me faltava o ar, o tornei livre do meu abraço intenso.

—Pronto! Era só uma ultima lembrancinha. Agora sempre vai lembrar-se de mim. — Sorri satisfeita, ele saiu.

Quando cheguei ao carro, ele já estava, com um brilho insondável nos olhos. Contente, tirei o boné e a jaqueta.

—Eu ainda quero tirar umas fotos aqui no campus. — Avisei e me preparei para descer do carro, colocando a perna para fora.

—Pra quê você quer tantas fotos? — Pareceu reclamar.

—Porque eu quero registrar a nossa vida juntos. E não pergunta, só faz! — Exigi sabendo que estava forçando. Ele obedeceu.

Não havia explicação para o meu alvo fim, mas eu queria tirar muitas fotos de nós dois, de um dia em que nós estávamos despreocupados e felizes. Sorte nossa que não havia ninguém no campus, assim ele se sentia menos embaraçado ao tirar fotos na frente do prédio que estudava.

Programei a máquina de novo e coloquei em cima do banquinho para fazermos poses. Aproveitei e o enchi de beijos e carinhos.

—Bella, se você ainda quiser ir a um lugar, temos que ir rápido. — Edward avisou. —Já são mais de onze horas, não vai dar tempo. — Disse, me puxando para o carro.

—Nossa, nós passamos duas horas lá dentro? — Pus a mão na boca com falso horror, e ele balançou a cabeça, prendendo um sorriso com minha insinuação maldosa. —Aonde você vai me levar? — Perguntei quando ele dava a partida.

—Onde você quiser ir.

—Hmmm. Eu quero ir a lugares importantes para você, já disse. Lugares que você goste de ir. — Eu demarcaria territórios de modo que ele se lembrasse de mim sempre que retornasse. Ele não teria chance de me esquecer.

—Então vamos tirar fotos em dois lugares importantes para mim. No jardim da Casa Branca, que você sabe o quanto é importante pra mim, e no Parque National Mall. É nesse parque que às vezes eu estudo. Quando estou entediado nos fins de semana, levo uma toalha e livros para fico lá e fico quase o dia todo.

Ele estacionou em frente à Casa Branca, andamos até o jardim externo, longe dos seguranças, e fizemos várias poses. Ele me pegou em seu colo, me rodou fazendo com que meus cabelos voassem. Brincamos, beijamos, até dançamos valsa, assim, fizemos mais umas trinta fotos.

No caminho para o Parque passamos em um drive-tru e compramos um lanche. Pelo horário, não ia dar tempo de almoçar em restaurante. Ao chegar lá, coloquei a jaqueta na grama do parque, lanchamos, depois deitamos, eu com a cabeça em seu braço.

—Edward, como você pretende trabalhar com política sendo tímido?

—Eu não sou retraído sempre. Quando preciso falar, eu falo sem problemas. Inclusive no curso eu falo bastante, se necessário. A maioria dos alunos tem problemas com apresentações em aulas e seminários. Eu já não sofro com isso. O meu problema é que tudo comigo tem que ser planejado, sou detalhista e não gosto do improviso. Acho que não gostar de improviso é até um defeito. Por isso a vida vem pregando peças em mim. — Comentou reflexivo.

—Você agora se referiu a mim, não é? Eu sou um improviso? — Pressionei. Já era hora de entrar em um assunto chato.

—Improviso não, mas imprevisto. Eu não planejei me sentir assim por alguém tão cedo. E você chegou e desestabilizou a minha base. — Pôs um fio de cabelo atrás de minha orelha, pensativo. —Você faz isso comigo, você me faz perder o motivo e a razão, perco o fio da meada. E... Eu fico me perguntando se isso é bom ou ruim. — Ele respirou fundo e olhou para o céu. —De qualquer maneira, eu não devo... — Deixou palavras no ar.

—Não deve...? — Incitei, querendo filtrar suas entrelinhas.

—Não devo desistir de tentar seguir o que planejei. — Ressaltou com a voz meio melancólica.

—Isso me põe fora dos seus planos. — Sentenciei, sentindo a tensão crescente no ar.

Ele ficou em silêncio, o que era um consentimento. Mas eu não iria deixar me abater.

—Agora você pode me falar por que não gosta do meu pai? — Mudei o tema, pronta para as adversidades seguintes.

—Bom, se prepare porque a história é longa. —Avisou. — Acho que já posso confiar em você suficiente... Quando completei doze anos, minha mãe não tinha com quem conversar, então, como eu era uma pessoa madura para minha idade, fui seu confidente. — Parou e beijou meus dedos, parecendo preocupado comigo. —Quer mesmo ouvir? Talvez não te agrade.

Eu já estava triste, então qualquer coisa que ele me falasse não me magoaria.

—Pode falar, eu estou bem. — Respondi apática.

—Ela namorou seu pai quando tinha quinze anos, uns oito meses sério. Só que seus avós não gostavam da minha mãe, achavam que ela só o queria porque seu avô tinha posses. Além disso, empurravam sua mãe para cima do Carlisle por ela ser de família com nome, viajada, coisa assim. E minha mãe era só uma simples estudante, pobre. Pelo que sei, sua mãe dava em cima do seu pai costumeiramente, e seu pai não fazia nada, mesmo namorando minha mãe. Um dia houve uma festa, e, nessa festa minha mãe pegou o Carlisle beijando a Renée, então, como vingança ela aceitou ficar com o Phil. Seu pai, quando viu os dois juntos saiu da festa com sua mãe e começaram a namorar. Meses depois, seu pai quis voltar com a minha mãe, mas ela já suspeitava que estava grávida de mim e não o quis. Conclusão: fui gerado de uma briga dos dois. Por causa de mim, minha mãe se obrigou a casar com o meu pai, que a fez muito infeliz.

—Mas esse não é motivo de não gostar do meu pai. — Defendi, percebendo que a conversa ainda não tinha terminado.

—Não é mesmo. Só que a partir de agora é mais sério. — Parou, provavelmente me analisando. —A Esme viveu em função do seu pai quase que a vida toda. Ela morou com eles na Califórnia, lembra? — Eu assenti. —Quando ele começou a ter crise conjugal com a Renée, ele recorria à minha mãe para consolá-lo. Ele só parou de procurá-la quando virou o mega empresário. —Disse desgostoso.

Abri a boca pasmada. Meu pai teve um caso com Esme casado com minha mãe?

—Até quando eles se encontraram? — Perguntei tensa. Agora eu entendia um pouco os motivos do Edward. Ciúme da mãe.

—Acho que até um ano depois que ele se formou, não tenho certeza.

—E depois dessa época? Eles ainda saíram? — Questionei curiosa. Quem diria. Meu pai!

—Acho que recentemente não. Mas quando ela começou a trabalhar para ele, saíam regularmente. — Disse amargo.

—E o que você pensava sobre isso? — Observei-o. Ele estava carrancudo.

—Eu? Eu ficava revoltado! Odiava ele por isso, por usá-la. O que me deixava chateado era que ela adorava ele, e ele achava que era só sexo. — Resmungou indignado.

—E quando eles pararam de sair? —Ajeitei-me na grama, encolhendo as pernas.

—Tem pouco tempo... De uns tempos para cá ela cortou de vez. — Acalmou-se mais.

—Por que ela cortou de vez? — Perguntei suspeitando do motivo.

—Porque ela descobriu quem ele é. Ela descobriu que ele se acha uma classe superior. E que não a queria desde quando eram jovens, por ela ser simples. Ela sempre acreditou que a vida armou pra eles e viveu essa ilusão. Mas agora ela sabe que o Carlisle que ela amou é fruto da sua imaginação.

—Como ela chegou a essa conclusão? — Ofeguei, incrédula com a revelação.

—Como, Bella? — Sentou e balançou a cabeça, fazendo uma careta. —Com a atitude que ele teve ao saber que nós dois ficávamos juntos. Ali ele mostrou que desde quando eram jovens, nunca iria ficar com ela de verdade por ela não ser ninguém. Ali ela se decepcionou. Viu que ele realmente era tudo que eu dizia desde que fiquei mais atento.

Chocada, sentei em posição indiana.

—Pensa comigo, você diz que ele a usou, mas nesses anos que eles saíam alguma vez ela avisou que gostava dele? — Perguntei cautelosa.

—Não! Eles saiam como adultos, sem perguntas, sem cobranças, então acho que não tinha espaço para falar. — A impaciência estava em seu semblante. Sinal que ele não gostava de conversar sobre o assunto.

—Então ele não tem culpa. Ele nunca soube. — Tentei convencê-lo.

—Bella, realmente você não vai entender. — Ele abaixou o olhar, puxando graminhas do chão. —Existem outros motivos, mas eu não penso em falar. Além disso, ele é seu pai, e eu sei que você o adora, então não tem por que mudar a imagem dele para você.

—Você disse que eles passaram alguns anos separados, como foi que ela voltou para a vida dele?

—Simples, ela estava precisando trabalhar e ele tinha uma empresa em Forks, então ela ligou e pediu o emprego. — Disse secamente, com uma mágoa que eu não entendia.

Era muita informação para um dia só, mas disposta a mudar o clima, diminuí a distância e pousei a cabeça em seu ombro. Ele enlaçou minha cintura receptivo. —Sabe, Edward, eu enxergo tudo de uma maneira diferente. Aparentemente as histórias dos nossos pais foram tristes, mas se isso não tivesse acontecido, eu não teria você. Se sua mãe não fosse funcionária do meu pai, eu nunca ia te conhecer. E vou mais longe, se sua mãe nunca tivesse brigado com Carlisle, ela não teria tido você, e meu mundo sem você ia ser muito triste. — Murmurei docemente. Senti seu beijo em meu cabelo e ele me afastou um pouco, segurando meu queixo.

—Você é uma criança. Vê tudo pelo lado cor de rosa. — Sorriu e beijou meu nariz. Em seus olhos tinha um brilho de descontração. Fiquei feliz, pois eu temia que a conversa nos distanciasse.

—Vamos voltar para o hotel? Temos pouco tempo até as quatro. — Sugeri, levantamos e ele me abraçou forte uns segundos. —Edward, você devolve o carro na locadora quando chegarmos lá. — Perguntei quando já cainhávamos para o carro.

—Tudo bem. — Concordou.

O percurso de volta ao hotel não passou de quinze minutos. Em todo o tempo ele pegava minha mão, acariciando. Porém, toda a felicidade que tive pela manhã se esvaia lentamente, dando lugar a um aperto pelo adeus que seguiria. Enquanto Edward entregava o carro, eu fechei a conta do hotel e me direcionei ao quarto para tomar banho e me arrumar. Eu tinha no máximo duas horas antes de ir para o aeroporto e já sentia antecipadamente a dor da despedida. Quando ele chegou, o recebi na porta com um abraço entristecido. —Eu não queria ir... — Murmurei manhosa.

—Pra você ainda é mais fácil do que para mim, Bella. — Beijou minha testa e me puxou para a cama, encostando o corpo na cabeceira e me sentando de lado em seu colo. —Agora podemos falar sobre sexta-feira? — Propôs. Assenti balançando a cabeça. —Sabe, quando eu te disse lá no parque que você me desestabiliza, é com relação a atitudes como as de sexta que eu referi. — Ele suspirou, passando a mão pela minha nuca. —Era como se não fosse eu. — Sibilou, como se ele mesmo não quisesse ouvir isso. —Eu não me perdôo pelo modo como agi com você. Eu me assusto comigo mesmo ao lembrar... Na verdade está muito difícil até falar sobre isso porque é uma lembrança que me trás vergonha, tristeza, assim como deve trazer pra você. — Apertou os braços em minha volta.

—Então não precisa falar. Eu já esqueci. — Eu disse docemente, não queria infringir dor nele.

—Eu sei que você não esqueceu. Eu vi como você estava ontem. E ver estava me matando lentamente... Eu sei que não vai ser fácil para você esquecer... — Falava pausado, como se quisesse controlar as emoções. —Eu te falei muita coisa pra magoar, então eu tenho que tentar consertar.

Afastei-me dele e sentei borboleta na cama, tentando passar despreocupação. Ele começou a esticar freneticamente os dedos.

—Em toda a minha vida eu nunca pensei que eu pudesse agir daquele jeito com uma mulher. Eu não tive domínio, eu não sei o que senti... Er... Foi repulsiva a minha atitude. Eu te julguei. Fui precipitado. O sentimento era tão intenso que eu não conseguia enxergar nada. — Ele inalou profundo. —O que me deixa mais infeliz é saber que eu entendi tudo errado e que foi preciso Ryan esclarecer para que eu abrisse meus olhos que só queriam enxergar o que queriam. — Ele pegou minhas mãos, juntou-as e beijou. —Eu só queria que você me perdoasse de verdade... Que você não se permitisse sofrer mais com aquilo... Hoje sei que o que você sente por mim é muito grande, porque depois de tudo que eu fiz você ainda me aceitou... — Seu olhar estava triste, e eu sentia uma ansiedade, uma dor grande em vê-lo sofrendo ao se abrir. Ele me puxou e me sentou de novo em seu colo, passando as mãos ansiosamente no meu rosto. —Olha, eu quero que você acredite em mim: eu acho você a pessoa mais perfeita do mundo e me sinto agraciado por saber que você gosta de mim, independente do que eu seja, independente do que eu já tenha feito pra você... Eu quero sua presença de um jeito tão grande em minha vida que sofro em pensar no que vai ser de mim minutos depois que você partir. Minha vida vai voltar a ser tediosa e vazia, onde não vale a pena viver. Vou sufocar diariamente a saudade e esperar dia após dia que você ainda esteja lá, me esperando.

Ele falava com uma lentidão exagerada e suas palavras desciam lentamente em meu coração.

—Então pede... Pede pra eu esperar. — Supliquei, acariciando sua sobrancelha.

—Não, Bella... Eu não posso te pedir que me espere... Não é justo.

—Você tem que aprender a acreditar em nós. — Suspirei frustrada pela resposta.

—Bella, você só tem dezesseis anos. Eu quero que você tenha a opção de escolher. Eu tenho certeza que você é a mulher que eu escolheria para vida inteira, mas você não pode se comprometer assim. Pedir para você me esperar, é te comprometer, e eu não quero.

—Então eu entendi tudo... — Torci os lábios frustrada. —Isso é que é triste, eu sempre entendo tudo. Você sabe que eu gosto de você, e muito. Você acredita em mim, mas não quer que eu me prenda ou faça escolhas antes de crescer, antes de saber o que quero. Além disso, em resposta você gosta de mim, mas tem medo do que eu faço com você. Também entendi que quando estou longe, você consegue seguir a risca os seus projetos, mas quando apareço na sua vida, você se perde.

Por segundos, fiquei diluindo lentamente minhas próprias palavras. Ato seguido comecei a rir, abraçada ao seu pescoço.

—Edward, não tem jeito pra você... Eu já sei o que você sente por mim. — Disse sorrindo. —Mas eu não vou te pressionar. — Peguei em seu rosto para falar olhando nos seus olhos. —Mesmo que você diga que não, eu vou continuar te esperando. — Encostei o indicador em seu lábio. —Eu sinto que o seu pessimismo está melhor. O meu pai, as diferenças de classes e a história que nos rodeia, a gente enfrenta. Me responde: você acredita que mesmo tendo só dezesseis anos, eu tenho consciência do que eu quero? Que quem eu quero é você? E que você é importante pra mim?

Ele pensou por um momento.

—Eu acredito que hoje sim... — Sussurrou pensativo.

Estava fácil agora. Muito mais do que eu pensava que seria.

Abracei-a eufórica. —Então, às vezes eu vou te ligar, não muito porque eu já percebi que não gosta de falar no telefone quando está aqui. Só quando eu estiver morrendo, morrendo de saudade. — Distribui beijinhos carinhosos pelo seu rosto.

—Não é que eu não goste que você me ligue... Deixe-me explicar o meu comportamento. É bem complexo. É tudo ligado a planejamento e domínio. O que é planejado como ficar longe da minha mãe, por exemplo, eu aceito fácil, mas o que não é planejado como ficar longe de você, é mais difícil de aceitar. Quando você liga, vem à tona a vontade de te ver, e eu sei que é impossível, então eu prefiro me fechar e não deixar a saudade fluir. É mais fácil quando você não liga, eu não sei, não consigo lidar com isso ainda. — Disse pausado e nesse hora meu ego inflou. Eu fiquei convencida. Foi uma evolução. Ele tinha conseguido externar detalhes que nunca tinham sido expressos, como, por exemplo, seus sentimentos por mim.

—Conclusão: você gosta demais de mim, mais do que você planejou, mais do que você pensou que um dia pudesse acontecer e não agüenta ficar longe de mim. É tão difícil falar isso? Precisa explicar tanto assim! — Sorri triunfante, o enchendo de beijinhos.

Ele sorriu sem jeito e segurou meu queixo. —Tudo bem, Bella, você está certa. Eu falo, falo e só dificulto mais o diálogo. É isso: você é tão dona do meu coração que eu me sinto estranho em comportá-lo dentro de mim. — Disse exultante.

—Que lindo! Então posso esperar você nas férias? — Eu regozijava de alegria.

—Se você ainda me quiser... Sim. — Seus olhos brilhavam de satisfação e ele me puxou para um abraço longo. —Só mais uma coisa sobre sexta, depois disso, vamos esquecê-la como combinamos. — Disse cauteloso, segurando meu rosto em suas mãos. —Você me disse que seria sua primeira vez e se eu tivesse continuado teria sido a pior noite da sua vida. É difícil esquecer aquela noite, porque ela realmente existiu e não tem como mudá-la, então a solução para a gente é reescrevê-la. Se você ainda me quiser quando resolver ter sua primeira vez, eu te prometo, Bella, que vou respeitar as suas vontades, o seu tempo e vou ser sempre gentil com você. — Prometeu e me beijou na testa.

—Então vamos reescrevê-la agora? — Enfiei os dedos em sua blusa, levantei-a, passei por sua cabeça e mordi seu ombro.

—Bobinha, eu sei que você não quer isso agora, quer só me enrolar. — Sorriu, mas beijou meu pescoço, apertando minha cintura.

—Não é enrolar, é desfrutar dos detalhes.

—Hmmm, aproveitar o vinho enquanto resiste ao buquê. — Ele disse e tirou minha blusa, fazendo o mesmo que eu fiz com ele. Os beijos um no outro foram se intensificando e novamente o sangue fervia em minhas veias. —Bella... — Disse mordiscando meu ombro. —Tem uma coisa que não me sai da cabeça... Por que você me pediu para ficar na sexta depois de tudo que eu fiz? — Sua mão estava dentro da minha saia, acariciando minha coxa, e ele beijava meu pescoço insistentemente.

Ofeguei. —Por que eu percebi que era um mal entendido, estava tarde e não devia ter coletivo. Fiquei preocupada com você.

Ele me afastou para me olhar por longos segundos, passando nesse tempo a mão em meu colo.

—Você não existe, Bella... — Sorriu.

Ele me jogou na cama e passamos as minhas últimas horas queimando de desejo e sedução envolvidos por uma ligação sem promessas, mas com muitos sentimentos.

Desci do avião meio aérea. Estava perdida na lembrança de três dias ao lado dele que significaram meses.

—Oi, Alice! — Acenei, e a baixinha correu ao meu encontro.

—Ai, Bella! Nem acredito que deu tudo certo. — Abraçou-me com semblante de alívio.

—Meu pai ligou alguma vez? — Pus o braço em seu ombro, enquanto nos dirigíamos do aeroporto ao meu carro.

—Ligou umas quatro vezes, toda hora inventei uma desculpa.

—E Jéssica?

—A Jéssica? Rá! Acho que ela nem sabe que Emmett não mora aqui em casa!

Sorrimos, entramos no meu carro e seguimos caminho para casa. Já em casa, baixei nossas fotos no computador e chamei Alice para vê-las

—Deve ter umas duzentas fotos. — Disse quando comecei a passá-las.

—Bella, vocês dormiram juntos? — Insinuou com os olhos arregalados quando viu a foto de Edward com o lençol enrolado na cintura.

—Sim, mas não desse jeito. — Queria afastar essas idéias dos pensamentos da minha irmã caçula.

—Foi legal? — Tinha um brilho curioso em seus olhos.

—Muito. — Teve coisa ruim, mas eu prometi não lembrar. —Sabe quem eu encontrei lá e que é da sala do Edward? —

—Quem? — Ela não ia deixar escapar nada.

—O cara que eu dancei aquela noite lá na Califórnia, Ryan. Foi muito legal. Fui no ap. dele, dancei... — Contei quase todos os detalhes que podiam ser contados, depois deitamos e dormimos no mesmo quarto.

Uma semana depois, chegávamos do cinema, eu e Alice, joguei minha bolsa no sofá e meu pai nos encontrou ao pé da escada.

—Oi, pai. — Cumprimente-o e o beijei no rosto.

—Oi, meninas. Como foi o passeio? — Perguntou com a sobrancelha arqueada.

—Foi legal, vimos Nárnia 3. — Respondi e Alice subiu.

—Bella, eu usei o computador do seu quarto porque o meu estava travando e eu precisei fazer uma pesquisa. —Ele me olhou desconfiado, como se quisesse ler minha reação.

Deus, estava perdida! Meu pai usou o meu computador e na tela inicial tinha uma foto em que estava sorrindo, sendo rodada no colo do Edward, em frente à Casa Branca...