Capítulo - Acidente

Sorridente, desci, e encontrei assistindo TV Emmett, Jasper e Alice. Joguei-me no sofá para assistir com eles e esperar o tempo passar.

—Bella, por que você deixou a gente tocando sozinho e nem avisou que vinha embora? — Emmett perguntou, aparentemente chateado.

—Porque Edward passava mal. — Expliquei despreocupada.

—E você é médica? — Zombou mal humorado.

Sacudi a cabeça com incredulidade e sorri. Incrível, Emmett dava um passo para frente e dois para trás! Só podia ser bipolar. Ontem mesmo foi cortês com Edward e hoje vem me criticar! Vai entender!

—Dá um tempo, Emmett. Por que essa implicância com Edward? — Perguntei diplomática. Eu não queria brigar. Tinha muitos motivos para estar feliz essa manhã e não ia deixá-lo mudar isso.

—Não é implicância, Bella, é que pra mim nada mudou. Eu continuo não achando esse lance de vocês o melhor para você. — Resmungou. Até que eu entendia Emmett, em partes. Em seu lugar, eu também ficaria desconfiada se tivesse uma irmã na mesma situação turbulenta que eu.

—E quem é o melhor para mim? — Questionei tranquila e olhei para Jasper, que não teceu nenhum comentário sobre a discussão e fingia não ouvir.

Sinceramente eu queria ouvir os argumentos de Emmett. Como ele não respondeu, eu me levantei e fui à cozinha.

—Bella, e o que você fez com ele? — Emmett apareceu minutos depois quando eu batia uma vitamina de morando. Ele devia estar preocupado com a nossa amizade de irmãos, isso eu podia entender, mas ele me ofendia quando criticava minhas escolhas.

—Eu o trouxe aqui para casa. Está lá em cima. — Respondi naturalmente e derramei o suco no meu copo, depois sentei-me à mesa.

—O quê?! Ele está aqui?— Perguntou alarmado. — E meu pai sabe disso?

—Sim, foi ele quem falou com a mãe dos meninos avisando que eles iriam dormir aqui.

Emmett ficou me olhando minutos, depois deu um suspiro vencido.

—Sabe que está me devendo uma, né? Odeio tocar sem base. — Mudou de assunto e fez uma cobrança que soou carinhosa.

—Foi uma emergência, você sabe que eu não costumo te deixar na mão. — devolvi o carinho na voz.

—Sabe, Bella, tocar com vocês não é só um compromisso. Quando toco, eu mato a saudade que sinto de vocês por morar na Califórnia. Eu adoro tocar com vocês. Eu poderia tocar para qualquer banda grande e famosa, em qualquer lugar, como tenho tocado às vezes na Califórnia. Mas eu gosto de tocar é com vocês. Mesmo que seja só nas férias, mesmo que seja em festinhas de fundo de quintal, mas é o momento em que eu sinto a nossa família unida, e isso é importante pra mim. Não tem nada mais importância pra mim do que ver minha família sincronizada e feliz. — Explicou.

Suas palavras soaram como cobrança.

—Emmett, foi a primeira vez. — Argumentei novamente.

—É isso! A primeira vez... —Jogou as mãos no ar. — A questão, Bella, é que você fica muito diferente quando está com ele. Deixamos de ser prioridade na sua vida.

Eu não consegui me conter e sorri de sua cobrança bizarra.

—Você está com ciúmes? — Abri a boca cética.

—Não é ciúmes, é preocupação. Com esse cara você tem extremos de irresponsabilidade, de chatice, às vezes de tristeza e depois de felicidade. Eu acho o seu comportamento estranho. Isso que você sente é esquisito. — Concluiu chateado.

—Isso é gostar, Emmett. Você nunca gostou de ninguém e não sabe o que é isso. Gostar é uma falta, uma saudade antiga quando se está longe. É algo que eu não consigo controlar. — Ponderei como expôr algo tão intenso somente com palavras para uma pessoa que não conhece o amor. —A nossa ligação não é só atração. Encaro a gente como duas partes de uma maçã, uma espécie de almas gêmeas, que quando se juntam se completam. É um sentimento único e verdadeiro. Mesmo que tenhamos problemas que nos põe em extremos, somos felizes quando estamos pertos. — Disse pausadamente, tentando solidificar a nossa amizade de irmãos.

Ele me olhava com descrença.

—Bom, Bella, como você disse, eu não sei o que é isso. Na verdade, nem me interesso em saber, porque se for para ficar louco assim, ao ponto de forçar a presença dele aqui quando é óbvio que ele não é bem-vindo, eu prefiro não saber, ou... Prefiro escolher melhor.

—Emmett, dá um tempo! Acho que você é um frustrado por não ter ninguém assim, por não sentir isso por ninguém. Me diz, por que você acha que ele não é uma boa escolha? E por que não gosta dele? — Alterei o tom, esquecendo da minha tentativa de reconquistar a paz.

—Não é que eu não goste dele. Ele pode até ser legal. Vejo o quanto você fica alegre perto dele, quando estão bem. Também acho ele um cara boa pinta e gente boa. O problema são seus outros comportamentos quando vocês estão brigados. — Balançou a cabeça. —Bem, vamos esquecer isso. Não quero mais me intrometer. — Pegou na minha mão e me olhou com carinho. —Eu estou com saudade da minha irmã e amiga. — Disse pausadamente com olhar pidão e carente, depois me deixou só na cozinha.

Sem deixar a conversa me abater, resolvi tentar ter paciência com o meu irmão. Era bem duro não ter uma mãe presente, então tudo que tínhamos era um ao outro. Voltei para a sala e passava um clip da Shakira na TV. Geralmente, não assistimos muita programação normal da TV, então passamos a maioria do tempo assistindo clips. Essa foi a maneira de aprendermos a dançar porque geralmente paramos em frente a TV de 52 polegadas e imitamos a coreografia. Animada, aumentei o som da TV e puxei Jasper e Alice para imitarmos o clip. O atentado parou atrás de nós com a mão no queixo e arqueou a sobrancelha maliciosamente enquanto dançávamos com as mãos no ar na frente dele. Depois ele ficou rolando os olhos e fingiu estar ofegante, quando eu e Alice movíamos os quadris até o chão. O garoto posicionou-se atrás de nós e espelhou com eficácia os movimentos do clip. Rimos, nos soltamos e pulamos com a série de músicas que se seguiu. Com o som alto no home theater, eu não pude perceber que o meu celular tocava insistentemente.

—Oi. — Atendi arfando na pausa de uma música.

—Bella, você pode vir aqui? — Era a voz do Edward, que estava rouca e sem emoção.

Suspirei. Ele dormira em minha casa e estava lá!Lembrei sorridente. E eu ia passar um dia todinho com ele, aliás, meio dia, pois já passava de uma da tarde. Mesmo assim era perfeito ter a continuação do meu dia de felicidade.

—Tudo bem, estou indo. — Fui a cozinha preparar um suco, frutas, pão e água. Ele iria precisar de muita água para hidratar.

Quando cheguei ao meu quarto, assustei com o seu semblante. Tinha sinais de mau-humor, dor e ressaca no seu semblante.

—Como vai? — Dei um sorriso tímido e fui ao seu encontro, deixando antes a bandeja de lanches no criado.

Ele estendeu as mãos defensivamente para conter o meu abraço.

—Ai, Bella, vem devagar que minha cabeça está latejando. — Sussurrou com uma careta.

—Era docinho, né? — Lembrei com maldosa ironia. Ele ignorou a brincadeira. —Não quis tomar o remédio que eu deixei ali, não? — Perguntei apontando para o remédio no criado, onde aparentemente ele não tinha tocado.

Em silêncio, ele esticou o braço e pegou, encontrando e lendo o bilhete que eu havia deixado. Eu vi nitidamente as mudanças em seu rosto, primeiro surpresa, depois dúvida, então horror. Ele tomou o remédio e encostou a cabeça no travesseiro lentamente, enquanto me olhava inexpressivo.

—Vou lá fora ver se eu acho um chinelo para você. — Avisei e saí pensando no bilhete. Será que ele ia levar a sério a brincadeira? Será que ele ia perguntar? Bom, sua cautela em não confrontar e sua timidez iria atrasar o assunto ao máximo. Então eu podia me divertir.

Quando voltei minutos depois ele já tinha levantado e estava olhando congelado as duas peças de roupas que eu tinha deixado para ele.

—Bella, como entrei aqui? — Perguntou confuso.

Sorri travessa. —Chegamos tarde e subimos. — Respondi naturalmente e me aproximei dele, o abraçando.

Ele não reagiu, ainda distraído, com a concentração de quem montava um quebra cabeça.

—Como vou sair? — Perguntou tenso.

—Só está em casa Alice e Jasper, e eles sabem que você dormiu comigo, aliás... — Olhei para ele com olhar de acusação —...O Jasper sabe de tudo, né? Só que ele pensa que nós dormimos juntos também no Crystal. Foi você quem contou para eles? — Fingi indignação.

Eu já me divertia com a expressão defensiva no rosto dele.

—Eu comentei com a minha mãe que você foi lá e que dormimos no hotel, mas não nesse sentido que ele disse. — Justificou sem jeito.

—Ah! Pois aqui eu dormi muito melhor. — Insinuei sonhadora. —Você não se lembra da nossa noite? — perguntei maliciosa e dei meu melhor olhar sexy. —Nossa, foi muito boa. — Me abanei com as mãos fingindo calor e suspirei.

Ele me olhou por uns minutos, me estudando.

—Pouca coisa... — Abaixou o olhar escondendo a frustração e a dúvida

Eu segurei o riso. Se eu sorrisse iria estragar toda a brincadeira. —Faz assim: toma um banho e veste essas roupas que eu deixei ali, que daqui a pouco eu venho te lembrar como foi a nossa noite. — Pisquei, dei um beijo em seu rosto e saí.

Quando voltei, ele estava em pé de costas para a porta, olhando o quarto. Notou que eu cheguei e veio ao meu encontro para um abraço.

—Ah, agora você acordou! — Disse e o enchi de beijos alegres. —Tem como tirar a camisa? — Abri os primeiros botões e beijei o seu pescoço.

Ele sorriu e me puxou para a cama, me deitando de lado com ele, sem tirar a camisa. Parecia tenso.

—Bella... Me conta como foi a noite para você. — Pediu gentilmente, acariciando meu rosto.

Rá! Ele estava preocupado se eu gostei ou não? Eu ainda ia me divertir muito com essa história.

—Nossa! Foi demais. Foi tão bom que mesmo depois que fui dormir ainda senti as mesmas sensações por todo o meu corpo, a noite toda. Nunca pensei que fosse assim. Eu me sinto realizada. — Expliquei com ar de felicidade. Ele sorriu, parecendo aliviado. —E pra você? Como foi? — Perguntei esperançosa de que ele revelasse que não se lembrava.

—Ah, Bella, pra mim só importa você, estar com você. Independente do que a gente faça, é perfeito. — Respondeu e me apertou no abraço. Esperto. Ele se saiu muito bem dessa. Não mentiu, nem desmentiu.

Soltei-me do seu abraço. —Fica aqui que eu vou lá embaixo buscar comida para nós. Eu não almocei ainda.

—Você está tão inquieta hoje. Vai ficar subindo e descendo o dia todo é? — Questionou com um sorriso.

—Temos que comer... Guardar energias porque vamos ficar trancados aqui no quarto o dia todo. — Sorri insinuante.

—Vou ser o encarcerado hoje? — Sorriu em meus lábios.

—Vai. Posso até te amarrar na cama e usar chicote. — Sorri maliciosamente. Ele iria surtar com as minhas brincadeiras.

—O seu pijama é lindo. Dormiu com ele? — Mudou de assunto bruscamente, enquanto tocava no meu pijama de ursinhos.

—Não, eu dormi sem nada. Não lembra? — Provoquei.

—Não prestei atenção. — Torceu os lábios, frustrado, querendo fugir do assunto.

—É, acho que você estava preocupado com outras coisas além da roupa que eu estava. — Sorri travessa, e ele não sorriu de volta.

Ele devia se entregar logo, dizer que não se lembrava, assim a brincadeira perderia a graça e eu me entregaria. Mas a sua dúvida tentando buscar em suas memórias a lembrança da noite passada me divertia. Então eu iria prolongar meu prazer.

—Feche os olhos que eu vou trocar de roupa. — Pedi, levantei e parei em frente ao closet. —Aliás, não precisa fechar. Pra quem me viu sem nada a noite toda, umas pecinhas não significam nada. — Tirei o pijama e desfilei pelo quarto de conjunto de algodão branco. —Acho melhor tomar um banho, quer vir? — Sorri. Ele estava sério e com um pouco de nervosismo. —Nossa, você está muito indeciso hoje, nem parece o mesmo de ontem à noite!

Escolhi um conjunto de calcinha e top vermelho de algodão com bolinhas brancas e me direcionei ao banho. Quando saí, passei creme no corpo e passeei de calcinha e top pelo quarto, despreocupada. Ele acompanhava todos os meus passos sem tirar os olhos sérios de mim, mas não falava nada.

Vesti um vestido justo, manguinha japonesa, de botão, bege, acima do joelho, e pulei na cama, o abraçando. Ele me deitou no seu braço e me afastou para olhar-me.

—Já te disse que você é linda? — Pegou em meu rosto, com bom humor.

—Não lembro. — Coloquei um dedo na testa e fingi buscar a lembrança na memória.

—Você é linda, linda, linda. — Beijou várias vezes o meu rosto.

Ele estava tornando o meu dia inimaginavelmente melhor. Tê-lo em minha cama, alegre e carinhoso era algo além da minha imaginação. Ele passou as mãos dramaticamente no meu pescoço, ombros, costas, cintura, quadril, lateral da coxa e me apertou a ele. —Já disse que tem um corpo perfeito? Sem tirar nem colocar? — Sussurrou em meu ouvido.

—Já... A noite toda, mas não exatamente com essas palavras. — Sorri maldosa, e ele retesou sem graça. Falar da noite passada o colocava tenso.

Alguém bateu na porta e entrou sem esperar. —Acordou, bela adormecida!? — Jasper brincou com o irmão, ao lado de Alice.

—Não. Ainda estou dormindo! — Edward revirou os olhos e sorriu.

Com a intenção de trocar informações com o olhar, encarei Jasper e apontei para Edward. —A roupa do Jasper ficou ótima em você, Edward. — Olhei de volta para Jasper para ver se ele entendia.

Se Edward descobrisse que eu tinha comprado roupas para ele, iria ter um surto de ira que poderia estragar o nosso único dia.

—Ficou mesmo, Edward. — O garoto entendeu. Ele era esperto, conhecia o irmão que tinha.

—É, serviu direitinho. —Edward concordou. — Eu nunca tinha visto essa aqui, Jasper. — Olhou a marca da camisa. Guess. Com certeza ficou tentando associar a marca ao preço.

—Foi a Bella quem me deu. —Jasper explicou rapidamente. —Mas como eu emagreci muito esses dias, elas não servem mais em mim. Se quiser, pode pegá-las para você. — Apontou desinteressado para a roupa. Menino inteligente, lindo, fofo. Ele foi demais, tinha que agradecê-lo por essa depois.

Edward me olhou por uns segundos desconfiado, e eu desviei o olhar para unha, tensa.

—Obrigado, Jasper. Eu vou aceitar. São bonitas.— Respondeu e voltou a me abraçar.

—Você comeu alguma fruta? —Eu perguntei para desviar o assunto. — Você tem que beber muita água.

—Eu comi uma maçã e estou bebendo bastante água. Mais alguma coisa? — Arqueou a sobrancelha brincalhão.

—Quer almoçar aqui no quarto ou vai descer?

—Não, não precisa trazer almoço. Não estou muito bem. Pode almoçar lá embaixo mesmo porque não quero sentir o cheiro de comida.

—Tudo bem. Então não saia daqui. Vocês dois fiquem aqui com ele. — Disse e me direcionei a porta para sair. —Jasper, faz favor. — Chamei o garoto e o esperei perto da escada antes de descer. —Não fala nada para ele sobre ontem à noite. — Sussurrei.

—Por quê? — Perguntou desconfiado.

—Estou brincando com ele. Uma mentirinha. — Ri dissimulada. Ele entendeu facilmente.

Almocei rápido o frango xadrez e salada que dona Janice fez, depois voltei para o quarto com um suco na mão. Jasper e Alice ainda estavam lá. —Quer ver um filme? — Perguntei enquanto escolhia alguns no armário, após ter escovado os dentes.

—Acho melhor deixar os pombinhos, Jasper. — Alice sugeriu e o puxou para sair.

—Não façam barulho, viu?!— Jasper insinuou maliciosamente. —Temos crianças em casa!

—Tampe os ouvidos! — Dei de ombros.

Ele começou a passar a mão no próprio corpo, imitando som de gemidos. —Hum, Ai, mais, mais.

Joguei o travesseiro nele, e ele acompanhou Alice que já estava fora do quarto, rindo de suas palhaçadas.

—E não nos incomodem! — Gritei, com um sorriso dramático e tranquei a porta, depois voltei com um olhar quente para Edward. Ele arregalou os olhos tenso.

Ainda sorrindo, pus o filme no DVD e deitei. Ele deitou de lado e pôs as pernas sobre mim, beijando vez ou outra castamente meu rosto. O filme era um romance, mas ele não pareceu prestar atenção. Sua concentração estava nos meus ombros, pescoço.

Qualquer casal de ficantes ou namorados normal iria aproveitar que estava sozinho e com as portas trancadas para dar uns amassos. E, ele, pelo contrário, estava bem cauteloso. Totalmente incompreensível.

—Gostou do filme? — Perguntei e virei para olhá-lo. Ele não respondeu. —Onde está essa cabecinha aí, hein!?

—Seu quarto é lindo. —Desviou da pergunta. — Você gostou desta boneca? — Apontou para o presente que a família dele me deu no meu aniversário de 15 anos.

—Sim, adorei. Morro de ciúmes dela.

—Eu a escolhi porque a achei parecida com você. Olhos da cor de mel Karo, cílios grandes, cabelos chocolate. Não chega perto da sua beleza, mas lembra você. — Disse tocando o meu rosto com os dedos, mas seu olhar continuava distante, parecia preocupado. —Tenho que ligar para a minha mãe. — Disse e pegou seu celular.

Ih! Acabou minha brincadeira. Esme com certeza iria chamar a atenção dele por ter bebido e ter dormido fora.

—Tá bom, enquanto você liga, vou preparar alguma para você comer. São quatro horas e você tem que comer algo com sustância. — Levantei e saí do quarto.

Pedi à cozinheira que fritasse um bife e batata enquanto eu esquentava o restante da comida no microondas.

—Prontinho! Seu almoço. — Entreguei o prato a ele. —Ligou para Esme?

—Sim. — Sentou na beira da cama e começou a comer.

—O que ela disse? — Perguntei casualmente.

—Para eu não ir embora tarde.

Hmmm, ele não parecia ter descoberto.

—Vamos sair? —Propus.

—Para onde?

—Para um lugar onde possamos ficar mais a vontade, sem Jasper pra encher o saco. — Pisquei insinuante. Ele não pareceu gostar da idéia e fingiu não perceber as minhas intenções, ficando calado, estranho e pensativo.

—Prefiro ir ao parque. Estou a fim de passar o restante da tarde descansando. Ainda estou meio de ressaca. — Parecia querer evitar ficar sozinho comigo.

Ele terminou de almoçar, escovou os dentes com a escova nova que dei, e vestiu sua jaqueta. Eu pus uma bolsa de lona no braço, vesti um cardigã curto e saímos a pé para o parque, porque ele não quis ir de carro. Chegando ao parque, eu estendi a esteira no chão e deitamos, eu no braço dele.

—Bella, me fala o que você sente por mim. — Edward pediu enquanto passava as mãos no meu rosto.

—Como assim? — Eu já tinha dito o que sentia por ele milhões de vezes. Será que ele queria uma reafirmação?

—Ah, eu queria saber como é para você estar comigo. — Explicou.

—É a melhor coisa do mundo! Quando você me toca, me sinto fora de mim. É como se eu estivesse incompleta o tempo todo e quando estamos juntos tudo se encaixa em seu perfeito lugar.

—Você já sentiu isso por alguém? — Indagou pensativo.

Não sei como ele ainda pode ter dúvidas. Eu sempre deixo isso tão claro! Talvez ele esteja rodeando para saber se até a noite passada eu ainda era inexperiente. Mas para estar em dúvida, só não confiando em mim. Ontem mesmo eu avisei que estávamos nos descobrindo juntos! Pode ser que ele esteja tão preocupado com alguma coisa que não esteja raciocinando direito. E talvez ele quisesse mais informações sobre nossa suposta primeira noite e não queria perguntar diretamente.

—Não, Edward. Vou falar novamente. — Mudei o corpo para encará-lo. —Só beijei de verdade uma pessoa na minha vida. Só permiti que me tocasse uma pessoa em minha vida, e essa pessoa é você. — Disse incisiva. —Mas e você? — Pus a mão em sua barriga por dentro da camisa, e ele a segurou. —Estava se guardando esse tempo todo para alguém? Você fala que só enxerga a mim, só que todos sabem que com homens não tem isso. Geralmente agem com o corpo, não com sentimentos.

—Eu nunca planejei nada. Sempre deixei a vida seguir seu curso. Também nunca fui ansioso com relação a isso. — Respondeu obviamente frustrado por supostamente ter tido a primeira vez e não lembrar. Ele ficou longos minutos calado. Parecia estar ensaiando alguma pergunta e tomando coragem para perguntar.

—Edward, por que você me perguntou isso? — O incitei a desenvolver.

—Hmmm, você usa algum método preventivo?

Nossa, enfim! Como ele deu voltas! Pelo jeito era essa a preocupação que o oprimia.

—Não, nunca precisei até hoje. — Informei despreocupada.

—Sabe, Bella, acho que a pior coisa que aconteceu na vida dos meus pais foi terem filhos muito novos. Aliás, na vida dos nossos pais.

Com um ficante que usava meias palavras, eu tinha que adivinhar o que ele queria dizer... E nas entrelinhas de seu comentário li que ele queria saber se foi precavido, mas não tinha coragem de admitir que não lembrava.

—Eu não acho isso. —Eu não iria aliviar para ele. — Nem meu pai pensa assim. E quer saber? Eu não ligaria de ter filhos cedo. Eu posso criá-los! — Arreliei, divertida. Tive que travar os denter para não sorrir. —Além de tudo, meu pai adora criança, e a criança mais nova lá de casa hoje é Alice. Não vejo porque não dá um netinho para ele. Com certeza ele ficaria feliz.

Ele enrijeceu tenso. Parecia receoso em ter filhos.

—Bella, você não tem medo de ter filhos? — Juntou as sobrancelhas horrorizado.

—Eu não! — Sacudi a cabeça em negativa. —Eu gosto de criança, e se fosse nossa então, eu iria adorar! — Aumentei o tom empolgada. —Já pensou se nós não tivéssemos nascido? —Defendi teatralmente. — Eu gosto tanto de ter nascido. Ainda bem que na época dos nossos pais não existia a pílula do dia seguinte. Eu não teria coragem nunca de tomá-la. — Arregalei os olhos para enfatizar. —Sabe, eu tenho tanta dó do espermatozóide. Já é tão difícil para o coitado fecundar o óvulo, depois de fecundar ainda tem que contar com a sorte para a gravidez seguir. — Dramatizei condoída. —As chances de não dar certo são imensas, tadinhos. Sabe o que eu penso? Se alguém engravidou é porque tinha que engravidar. Vai ver o bebê tem uma missão, já que ele conseguiu alcançar o útero, ser gerado e nascer. —Minha idéia não era completamente essa, mas tinha um pouco de verdade. Continuei. —Já pensou se sua mãe não tivesse tido você? Ela não seria tão feliz, pois você é a alegria e o orgulho dela. —Bajulei. —Eu também não me sentiria tão completa como estou hoje. Por isso eu nunca interromperia uma gravidez. — Concluí.

A expressão de pavor dele era hilária. Seu semblante estava pálido e tenso. Se ele admitisse que não se lembrava, eu parava de torturar. Enquanto isso iria continuar a diversão.

—Se você ficasse grávida, iria querer casar? — Perguntou com uma máscara de calma, mas sua voz era nervosa.

Franzi o cenho completamente perdida com a pergunta por trás da frase. Ele estava com medo de quê exatamente? Da gravidez, do casamento, do compromisso ou de não lembrar sua primeira vez?

—Se fosse de você eu te obrigaria a casar comigo! — Disse séria e o abracei. Ele não me abraçou de volta. Resolvi provocar só mais um pouquinho.

—Você teria coragem de me pedir para interromper uma gravidez? — Perguntei e quase me arrependi com medo de ouvir a resposta.

Ele me afastou e sentou, aparentemente tentando manter a calma. Eu o espelhei. Ele pegou o meu rosto e me fitou por longos segundos. —Bella, eu tenho planos de futuro, e no meu futuro imediato uma criança não caberia. Eu fui um filho sem a presença do pai. Não quero fazer o mesmo com o meu filho. Eu quero estar presente na vida dele, em todas as épocas de sua vida, então ele tem que nascer em uma época apropriada... E se fosse hoje, eu não saberia o que fazer. — Respondeu pausado e objetivo. Suspirei encantada com a resposta. Ele era perfeito e responsável. Queria planejar isso também.

O sol tímido da tarde já se escondia e as famílias presentes no parque se recolhiam. Aproveitei o vazio e inclinei para beijá-lo. Ajoelhei mais próxima e segurei seu rosto, disposta a aprofundar o beijo. Ele correspondeu cauteloso, me contendo levemente.

—O que te preocupa, Edward? — Inquiri séria.

—Estou com medo... — Murmurou e abaixou o olhar, beijando as costas da minha mão.

—De quê? — Incitei-o.

—Da noite passada... Estou com medo de afetar o nosso futuro.

—Como? — Forcei. Ele tinha que aprender a falar abertamente comigo.

—De você engravidar. — Admitiu com um sussurro.

Instantaneamente comecei a rir com o rosto em seu peito, cansada da brincadeira.

—Por que você não admite logo que não se lembra de nada, Edward? Já teria perdido a graça e eu teria confessado.

—O que você teria confessado? — Perguntou desconfiado.

—Que não aconteceu nada, seu bobinho. Você chegou à minha casa tão bêbado que Jasper teve que te dar um banho. Conclusão: estamos na mesma. Nada de primeira vez e nada de gravidez.— Expliquei e deitei novamente na esteira. —Seria horrível se tivesse acontecido e você não lembrasse, viu! — Acusei fingindo chateação. —Então, se eu fosse você evitaria beber daqui pra frente. — Sorri insinuante.

—O que quer dizer? — Ele deitou e passou o braço em volta da minha cintura, sorrindo matreiro.

—Você entendeu. — Pisquei, e ele encostou o nariz em meu rosto. —Mas, me responde, anjinho, o que estava te preocupando mais: opção A, o fato de não se lembrar da sua suposta noite de amor; B, o fato de não saber se usou ou não preservativo; C, o risco de uma suporta gravidez atrapalhar seus planos de futuro ou D, ser obrigado a casar comigo por ter tirado minha virtude? — Dramatizei brincalhona.

—Item A, B e C. — Respondeu rápido.

Hmmm, ele não tinha problema em casar comigo?!

Enfiei os dedos em sua nuca e enrosquei minha perna dentro da dele.

—Olha, Edward, eu não quero atrapalhar o seu futuro em nada, embora eu saiba que ainda vou sofrer pela distância que nos separa e pelo rumo que podemos escolher. Sei que há um grande extremo entre o seu sonho e a nossa realidade, mas eu acredito em você. Sei que você vai alcançar. — Parei para organizar as idéias. — E se existir amanhã para nós dois, pode deixar que eu vou me precaver contra imprevistos. Eu não quero que você seja ligado a mim pela obrigação que um filho traz. Quero que seja por sentimentos, por amor. E eu sei que se continuarmos como estamos não vai demorar muito para sermos íntimos... O que eu espero para isso é não continuar tendo tanta insegurança com relação a você. — Travei a mandíbula arrependida por ter deixado escapar minha vulnerabilidade.

—Bella, eu não estou te cobrando nada, não se sinta pressionada. — Alisou o meu rosto.

—Eu sei. Mas é um caminho inevitável.

Nos abraçamos em silêncio, depois ele olhou no relógio do celular.

—Tenho que ir embora. Já é noite. — Avisou e me deu um selinho.

—Tudo bem, mas antes me beija de verdade, por favor, agora que está mais relaxado. — Exigi.

—Você é uma beijoqueira. — Acusou e roçou meus lábios, acariciando com o polegar minha bochecha.

—Você gosta. — Fechei os olhos e arqueei contra ele.

—É o que me fascina desde o dia em que te conheci. — Murmurou mordiscando meu lábio.

—Adoro beijar você. — Insinuei minha língua em sua boca, sendo recebida com sugadas carinhosas. Movi meu corpo para cima dele, sentei nele com os joelhos apoiados no chão e apertei o beijo, curtindo a perfeição de seus lábios movendo-se contra o meu. Novamente o nosso corpo respondeu. O dele tenso sob mim. O meu cheio de calor e ansiedade em zonas profundas. Minhas mãos se prenderam em seus cabelos, e ele pressionou meu quadril, suspirando, buscando ar em minha boca.

Eu desejei não ter futuro, planos, não ter caminhos traçados a seguir. Queria que fosse só eu e ele.

Uma mão escorregou para o botão do meu vestido, a outra me puxava contra seu corpo excitado, desesperadamente. Ele abriu alguns botões de cima para baixo e espalmou meu seio, por cima do sutiã, no mesmo instante que deslizava sua língua em minha boca. Com a outra mão ele levantou a barra do meu vestido e acariciou a pele da coxa a nádega.

—Acho que é melhor irmos embora. —Ofegou. —Ficou muito escuro aqui e ultimamente não tenho conseguido me controlar. — Lamentou agora com o polegar deslizando na lateral da minha calcinha.

—Não se controle. — Murmurei deliciada e voltei a beijá-lo. Ele deu pequenos gemidos rendidos, estremecia quando eu me movia sutilmente e se mostrava torturado.

—Você só fala isso pra se divertir. Eu já conheço você. — Acusou, me beijou uma última vez, depois me afastou abruptamente. —Mas eu não vou mais te permitir brincar... Não é você quem sofre de dor depois das sessões torturas! — Sorriu maldoso.

—Como assim? O que vai fazer? — Perguntei curiosa.

—Só me precaver de suas brincadeiras. — Deitou-me ao seu lado, me abraçou e beijou meu rosto castamente.

Eu não entendi muito bem ao que ele se referia, e seus olhos ainda brilhavam enquanto ele fechava os botões. Ele acalmou a respiração e abraçou minha cabeça ao seu peito.

—Sabia que foi Carlisle quem ligou para Esme avisando que vocês iam ficar lá em casa? — Comentei após uns minutos desacelerando as batidas do nosso coração.

—Interessante... As coisas estão mudando.

—Meu pai percebe que eu gosto de você. Ele pode estar sendo um pouco duro em aceitar completamente, mas ele não quer me ver infeliz.

—Você esta tentando me amarrar de todos os lados, hein! — Sorriu.

—Não vou fazer nada que você não queira. Se você não quiser ficar amarrado, não vai ficar.

Ele me segurou com mais força contra o peito, beijando o meu cabelo. Eu pressionei meus lábios em seu pescoço várias vezes.

—Bella, eu já estou preso a você. — Sussurrou em meu ouvido. —Só você quem não percebeu isso ainda.

—Então dorme aqui em casa. — Pedi.

—Não, Bella! Isso já é excesso, um abuso. — Negou, mas afastou meu rosto sorrindo. —Por que resolveu me aprisionar agora?

—Porque toda vez que você vai embora, eu perco as esperanças de te ver novamente, então quero te prender aqui perto de mim pra ver se o dia não termina. — Resmunguei triste. —Sabe, quando você está longe de mim, quer mandar em si mesmo, esquece que eu sou dona de você. — Fiz bico.

—Eu não pretendo mais me afastar de você, a não ser que queira se afastar de mim. — Disse com a voz doce.

—Você fala isso agora. Amanhã... Aliás, vamos parar de falar nesse assunto de novo, daqui a pouco estragamos o dia. — Abracei sua cintura forte. —Eu adorei você ter ficado ontem e hoje, deu para matar dois meses de saudade. Porém você ainda está me devendo um mês. Se você dormisse lá em casa hoje quitaria a sua dívida passada comigo.

Não acreditava que ele realmente fosse dormir, só estava brincando, torcendo para que esse dia não acabasse. Não sabia o que esperar do dia seguinte. Também não tinha forças para cobrar.

—E o que você falaria para o seu pai? — Argumentou tentando me dissuadir.

Realmente eu não teria o que falar. Não tinha que explicação dar sobre nós dois para o meu pai, quando Edward não me passa segurança. Essa dúvida quanto ao nosso futuro me mata, principalmente quando temos que nos despedir.

Antes que eu tivesse a resposta, meu telefone tocou e sentei para atender. Era ligação de casa.

—Oi.

—Bella, Jasper se machucou, está sangrando muito e não está estancando. Eu estou preocupada porque ele está ficando pálido. — Alice disse em um fôlego só, desesperada.

Diluí a informação lentamente, aos poucos entrando em choque. A lembrança da consulta que fui com Jasper se repetiu no meu cérebro, onde o médico disse que ele não tinha coagulação imediata. Arfei, em pânico, pois um simples corte poderia levar Jasper à hemorragia.

—BELLA! —Alice gritou do outro lado da linha. — Fala alguma coisa.

Edward sentou curioso.

—Já tentou torniquete? — Perguntei tentando soar prática.

—Sim! Mas não para! Já tem uns minutos que estou tentando parar, mas está jorrando. Não tem ninguém aqui em casa para me ajudar. Todos os empregados foram embora.

—Onde foi? Como foi? — O ar era denso e pesado, minhas mãos tremiam.

—Ele foi escorregar no corrimão da escada, desequilibrou e bateu a perna em um vaso perto da escada, cortando atrás do joelho.— Explicou ansiosa. —O que eu faço?!

—Que foi, Bella? — Edward perguntou, ao ver a minha tensão.

Eu estava à beira do pânico, mas tinha que ser objetiva e agir com calma. Alice teria que mover Jasper de casa porque não teríamos tempo de nos locomover até lá. E se eu não controlasse o pânico, Edward entraria em colapso ao saber o verdadeiro estado do irmão.

—Alice, pega o meu carro e me busca aqui no parque. — Instruí pausado, escondendo o frenesi de temor. Desliguei o telefone e não contive a tremedeira em minhas mãos.

—O que foi, Bella?! — Edward sacudiu levemente os meus ombros ao me perguntar pela terceira vez o que aconteceu.

Enrijeci a testa e olhei para ele inexpressiva. —O Jasper se machucou... — Sussurrei e ajoelhei para fechar a esteira e colocá-la na bolsa.

Ele ficou parado e pensativo. —O que mais, Bella? Ele se machucou aonde? É grave? — Perguntou impaciente. Eu continuei calada e o puxei para o estacionamento, em silêncio.

—Bella, fala o que está acontecendo. — Tentou novamente.

—Alice está vindo nos buscar para levarmos ele ao hospital. — Expliquei concisa.

Eu queria ver o menino antes de alarmá-lo. Ele percebeu que não ia tirar nada de mim e ficou calado, desconfiado, de braços cruzados à distância de mim. Alice chegou e Jasper estava sentado no banco detrás da Mercedes. Para entreter Edward, pedi que dirigisse. Ele aceitou e eu fui para o banco detrás. Jasper tinha a perna enrolada numa toalha encharcada de sangue. O sangue ainda brotava abundantemente.

—Dr. Charles, Jasper sofreu um acidente e está sangrando muito. —Eu avisei por telefone enquanto seguíamos pelas ruas de Seattle. —Eu estou indo com ele para o hospital.

—Há quanto tempo ele está sangrando?

—Acredito que uns dez minutos.

—Em cinco minutos eu chego lá. Ele deve precisar de transfusão de sangue. Eu vou ligar no hospital e pedir que preparem uma sala para ele. — O médico disse tenso. As coisas deviam ser piores do que eu imaginava.

—Tudo bem, devo estar a uns dois minutos de lá. — Respondi e desliguei o fone.

Liguei para o meu pai informando o ocorrido, e ele avisou que em pouco tempo chegaria ao hospital. Fiquei pressionando a perna do garoto, ele estava ficando de uma cor estranha e começou a desfalecer.

—Como ele está? — Edward quis saber assim que dobramos a esquina do hospital.

—Ele vai ficar bem. — Respondi sem confiança.

Chegamos à emergência e já tinha alguém nos esperando com uma maca. Receberam-nos, colocaram Jasper na maca e se dirigiram a um corredor.

Meu telefone tocou.

—Bella, é o Dr. Charles. O estoque de sangue do hospital está baixo, preciso de doadores. Tem como você levantar doadores de O-? O tipo sangüíneo dele é esse, o que complica a situação. Ele é doador universal, mas só pode receber o mesmo dele. Veja com os seus amigos e com sua família, é urgente. Eu não sei o quanto de sangue que ele irá precisar, mas para conseguir em outros hospitais preciso de moeda de troca.

—Vou tentar. Até mais, Doutor. — Respondi atordoada.

O- é meu sangue, mas para quem mais poderia ligar? Peguei o telefone e resolvi tentar na minha família.

—Jéssica, qual o seu tipo sangüíneo?

—O+, por quê? — Perguntou a desorientada da minha irmã.

—Nada não. Depois te falo.

Desliguei e disquei o número de Emmett.

—Emmett, qual o seu tipo sangüíneo? — Perguntei direta e apressada.

—Pra quê? —Questionou divertido.

Eu estava impaciente. —Fala logo que eu tenho que ligar para outra pessoa! É o Jasper que está precisando de sangue. Ele sofreu um acidente!

—Onde você está? Fala que eu vou para aí. Meu sangue é universal.

—No hospital que ele consulta regularmente. Você bebeu? — Eu sabia que doadores não podiam ter ingerido bebida alcoólica.

—Não, Bella. —Eu podia ouvir o som do motor de seu Jipe.

—Então vem logo, por favor. E obrigada, Emmett. — Agradeci e me direcionei ao corredor do banco de sangue.

Edward me observava em silêncio, de braços cruzados, encostado em uma parede. Perguntei qual seu tipo sangüíneo e de Alice. Alice AB e Edward B-. Nenhum dos dois servia, além disso, Edward tinha bebido na noite anterior. Não podia doar nem se quisesse.

Depois de responder um questionário sobre minha alimentação e fazer um teste de anemia, fiquei andando de um lado a outro, nervosa, enquanto a técnica em patologia preparava o material para a coleta do meu sangue.

—Moça, você tem que ficar calma, se não quem vai precisar de cuidados é você. — A técnica sorriu amigável.

No mesmo instante Edward parou em minha frente e me segurou pelos ombros.

—Bella, tem como me falar o porquê do seu nervosismo?

Respirei fundo.

—Jasper perdeu muito sangue. Ele precisa de transfusão de um único tipo e iremos doar para que o hospital disponibilize do seu estoque para uso imediato. — Ocultei novamente o real motivo da minha preocupação.

—Qual o tipo sangüíneo do seu pai? — Ele perguntou com olhar distante.

—Eu não sei. Vou ligar e perguntar. — Abri o telefone para ligar. Mal disquei, e meu pai apareceu no corredor. —Pai, Jasper precisa de sangue, qual o seu tipo sangüíneo? — Perguntei agitada.

—É universal. Eu posso doar. — Respondeu solícito. —O que aconteceu exatamente? — Perguntou e não cumprimentou Edward, somente acenou com um olhar frio. Foi desconcertante. Pensei que ele havia evoluído. Acenei para Alice e pedi que ela lhe explicasse.

A técnica me chamou para a coleta, Edward me abraçou e foi comigo até o box onde seria feito o procedimento. Depois de lavar meu braço, eu deitei, ele sentou próximo, me observando vigilante, e permaneceu com as mãos acariciando o meu rosto enquanto o sangue era retirado do meu braço.

Meu pai se deitou na outra cama. Emmett chegou e também se preparava para doar. A tensão na sala era palpável, pois todos conheciam a ameaça da doença do menino. Edward não se importou com a presença deles e continuou acariciando meu rosto, meu braço livre e mão. Depois beijou o meu pulso e sussurrou com olhos intensos: Obrigado Bella. Obrigado por se preocupar com ele. Sorri triste, preocupada.

Depois de meia hora e um suco, saímos para uma sala de espera para aguardarmos notícias de Jasper. Qualquer um sabe que no que se refere a sangue, tudo tem que ser muito rápido, por isso minha angústia. O medo oprimia meu estômago. Edward apertava minha mão, em silêncio, tentando me passar tranqüilidade.

—O senhor avisou para Esme? — Perguntei ao meu pai que sentou próximo.

—Sim, ela está vindo de táxi, já que o filho dela está aqui com o carro dela. — Espetou e olhou de canto para nós dois. Edward passava as mãos tranquilamente nos meus cabelos, beijava minha testa, e meu pai pareceu irritado. Vez ou outra ele trocava olhares sugestivos com Emmett. Eu ignorei a clara hostilidade. Queria que ele presenciasse mesmo o quanto somos próximos, o quanto nos queremos, e acima de tudo, o quanto nos gostamos. Se ele tinha dúvidas até agora, com certeza ia se convencer.

Uma enfermeira se aproximou e perguntou se éramos a família Cullen. Papai respondeu que sim.

—O paciente está recebendo transfusão de sangue. Ele está inconsciente, mas o quadro é estável. Caso queiram ir para casa, podem ir e voltar amanhã cedo. — Informou.

Troquei olhares com Edward.

—Quando ele vai para o quarto? — Meu pai perguntou.

—Provavelmente em duas ou três horas.

—Então crianças, vamos para casa e depois a gente decide o que fazer. — Meu pai propôs, mas não pareceu incluir Edward na sugestão.

—Vamos com a gente? — Chamei baixo em seu ouvido.

—Eu não fui convidado. —Torceu os lábios.

—Você vai ficar aqui?

Ele assentiu com a cabeça.

—Então vamos sair para comprar um lanche que eu fico com você. — Sussurrei de modo que só ele ouvisse. Ele afagou o meu rosto com carinho e esqueceu que tínhamos platéia, depositando pequenos beijos carinhosos perto dos meus lábios.

—Hum-hum... — Meu pai fingiu coçar a garganta. —Bella, tem como você vir aqui? — Papai me chamou e me levou em direção ao corredor. —Bella, aqui é um hospital. Vocês pensam que estão sós? — Perguntou sisudo. —Afaste-se dele.

—Pai, por favor, agora não é hora para isso. — Pedi humilde.

Ele balançou a cabeça, chateado.

—Você me preocupa, filha. Observei você desde ontem à noite, e você tem que disfarçar essa sua obsessão por esse rapaz. Você não se movimenta sem olhar para ele, fica lhe lançando um olhar apaixonado o tempo todo. Alguém já te disse que uma mulher nunca pode mostrar que gosta mais de um homem do que ele dela? Eu sou homem, filha, e quando uma mulher mostra que gosta demais da gente, perdemos o interesse em conquistá-la. Ele não pode ter tanta certeza assim do seu amor por ele. — Aconselhou com impotente olhar paternal. —Eu não quero ver você sofrendo quando ele for embora. —Disse conciliador.

Eu o abracei e pesei suas palavras, deixando as incertezas sobre meu amanhã com Edward me oprimir. Voltamos para a sala, e Edward estava sentado ao lado de Alice. Eu sentei ao seu lado, e ele segurou as minhas mãos, entrelaçando os dedos nos meus, segurando-os tranqüilo. Pareceu não se preocupar com a presença do meu pai e nem com a nossa saída momentânea. Emmett já tinha ido embora.

—Pai, a gente já pode ir embora, né? Eu estou com fome. — Alice perguntou manhosa.

—Vamos, Bella? — Meu pai estendeu a mão pensando ter me convencido.

—Ah, pai, me deixa ficar. —Supliquei com olhar pidão. Eu não ia diminuir a intensidade do meu carinho com Edward. Eu tinha pouco tempo com ele, cada dia era como se fosse o último, logo eu não deveria perder tempo. —Depois eu vou. Eu estou de carro.

Narrado por Edward

Estava claro que o problema de Jasper ia além do que haviam me informado. Eu perdia algum segredo, e Bella sabia qual. Eu não quis demonstrar a minha suspeita para não pressioná-la, no entanto o mais breve possível me informaria da situação real.

A solicitude da família Cullen me surpreendeu. Talvez se explique com o laço invisível que os une. Existe afinidade e carinho, não somente caridade. E presenciar me trouxe conforto e derrubou alguns muros. Daí em diante foi fácil demonstrar que não desejo me afastar de Bella, o quão importante ela é para mim e que não a deixarei até que ela decida isso.

Com os dedos deslizando em seu rosto, fiquei admirando-a, sem saber como teria reagido sem a sua aparente estabilidade diante da casualidade trágica. Ela foi incrivelmente prática e sábia. Consequentemente eu me apaixonei mais. Meu coração torna-se cada dia mais insuficiente e obsoleto para suportar a intensidade desse amor.

—Edward, vamos lá fora buscar um lanche para as meninas. — O Sr. Cullen se dirigiu a mim pela primeira vez na noite deixando-me surpreso com o inesperado convite. Bella retesou e apertou forte a minha mão. Imediatamente compreendi o motivo de sua tensão, apertei sua mão de volta e a trouxe para meus lábios, tentando confortá-la. Obviamente no tempo que saíram ele lhe advertiu algo sobre nós dois. No entanto, ela não pareceu ter mudado a sua convicção. Ou talvez ela tenha decidido que como de um jeito ou de outro iremos nos separar, resolveu estender nossa última oportunidade juntos.

Com o frio da proposição provocando calafrios na espinha, segui o Sr. Cullen em silêncio até o McDonald´s do outro lado da rua. Meu cérebro rejeitava qualquer menção à despedida e uma dor pungente carcomia minhas vísceras. Não podia mais me separar de Bella. Tínhamos que aprender juntos a conviver com a distância. Se ela me quiser ao menos a metade do quanto eu a amo, ela irá aceitar este nosso tempo de prova.

O senhor Cullen sentou-se numa mesa de canto e apontou uma cadeira à sua frente para que eu me sentasse.

—Edward, eu nunca conversei com você de homem para homem sobre a minha filha. —Começou após uns segundos de silêncio desconfortável. — E eu preciso que me ouça.

—Tudo bem. — Respondi e segurei o olhar, com os dedos cruzados um no outro sobre a mesa.

O assunto requeria grande aplicação do espírito, porque certamente afetaria o meu estado tranquilo. Ele estava nervoso, seus dedos batiam contra a mesa, rápidos e ansiosos.

—Eu acabei de conversar com Bella sobre vocês dois, mas pelo que vejo não adiantou muita coisa. Não tem adiantado muito as minhas conversas com ela... — Esperou. Ele parecia aborrecido e vulnerável. Nada igual ao empresário pomposo e arrogante que é, ou mesmo o intelectual seguro de si, majoritário nas ações dos mais conceituados jornais impressos de três estados. Ele parecia um pai cansado e preocupado.

Eu juntei as sobrancelhas, interessado.

—Sinceramente eu já tive tudo quanto é preocupação com vocês. Primeiro eu me preocupei com a questão social. —Eu cerrei os olhos incrédulo por ele expor e sublinhar seu preconceito. Ele continuou. —Porém tenho informações de fontes confiáveis de que você é um garoto prodígio muito inteligente e esforçado, e está trilhando um futuro brilhante. Percebi também que não são nossas posses que te interessam. — Ponderou contemplativo. — Todavia, hoje eu tenho outra preocupação, e ela é muito maior.

Eu suspirei e encostei as costas na cadeira para parecer relaxado.

—Eu noto minha filha numa obstinada negação social. Uma proteção apaixonada aos menos favorecidos. E ela confunde isso com amor no que se refere a você. O que não facilita o fato dela ser muito nova para definir o que sente... — Fitou o vazio, aborrecido. Sua testa vincada expunha o sinal de stress. —Eu tento ver tudo como adulto, Edward. Sei que você é homem, e como tal... Não tem porque não se aproveitar a situação... Porém... —Suspirou desolado. —Ela é minha filha, e eu me preocupo com ela... Você é um rapaz novo e afeiçoado, e deve atrair muitas mulheres experientes e generosas... — Pausou sugestivamente. —Já Bella, precisa de uma oportunidade de ser feliz. Ela é uma criança. Não é justo perder sua juventude com um homem que a vê nas férias e depois a deixa aqui sofrendo, enquanto tem outras mulheres à sua espera e à sua disposição na Universidade. — Ele suspirou e limpou a testa com um lenço branco com seu nome bordado.

Em silêncio, fui desfiando mentalmente sua assertiva enquanto o encarava. O Sr. Cullen insinuou que eu me aproveito de Bella por ela estar apaixonada por mim, e que quando vou embora tenho outras mulheres na Capital? Insinuando não, ele afirmou isso!

Com os nervos alterados, rangi os dentes ao deduzir o argumento capcioso. Sua preocupação de início parecia ser a filha, mas agora ele levanta uma suspeita infundada sobre mim e agride assim a minha individualidade consciente, o que é uma afronta. Toda a aversão inveterada e absoluta que já senti por esse ser, veio à tona ao vê-lo se referir a mim daquele modo, como aquele ar de superioridade condescendente, abusando da flexibilidade da minha posição. Iniciou a conversa cheio de mascarados sofismas, no entanto sua conclusão só não foi mais humilhante que me oferecer dinheiro para me afastar de sua filha!

Senti o sangue ferver nas veias, mas tentei manter o domínio para não desencadear uma inoportuna explosão. O encarei intensamente tentando conter o meu ódio.

—O senhor se refere a mim como imitador dos seus próprios atos? — Despejei com acidez.

—Do que você está falando? — Ele juntou a sobrancelha e se inclinou mais para frente, curioso.

—Da minha mãe. Quem você se aproveitou. — Disse entre dentes.

Eu não tinha planos de levantar esse tema. No entanto, ele me ofendeu com a sua insinuação, e eu iria revidar a ofensa. Ele me olhou surpreso por vários minutos, como se não esperasse que eu soubesse daquilo.

—Edward, ela é uma criança. — Ele salientou calmo, ignorando minha provocação.

Eu tinha que me acalmar para não piorar a situação. Respirei fundo e pisquei longamente, adquirindo controle.

—Sr. Cullen, eu não vou deixá-la. —Disse encarando-o sério. — Não sei como o senhor vai aceitar isso, mas que fique claro que enquanto ela me quiser eu vou estar disponível. — Enfatizei e não desviei o olhar.

No mesmo instante ele bateu as mãos ruidosamente na mesa.

—Eu não vou permitir isso! — Falou por entre dentes. Eu fiquei surpreso com sua momentânea descompostura, mas não me alterei.

—Ela sabe o que quer. Sua permissão ou negativa não a impediria. — Refutei no mesmo tom, porém já não estava beligerante. Não valia à pena levar a controvérsia adiante. Não chegaríamos a um ponto em comum.

—Eu sou o pai dela. —Observou. —Vou proibi-la de sair. Vou cortar a mesada. Se for preciso eu a tiro do país. O que importa é que vocês não vão conseguir ficar juntos. — Ameaçou baixo, porém furioso.

Um silêncio desconfortável nos envolveu. Olhei em volta e agradeci termos escolhido um local isolado.

—O senhor não vai querer magoá-la tanto assim... —Eu disse apaziguador ao ver seu estado de nervos. —Eu sei que quer vê-la feliz. — Ressaltei, com o objetivo de acalmá-lo. —Mas, me tire uma dúvida: além da suposição de que eu seja um canalha aproveitador, o senhor vê algum outro motivo que fundamente sua intenção de nos ver separados? — O encarei firmemente.

Ele não respondeu, suas mãos tremiam de nervosismo. Eu não desisti. Precisava tirar a dúvida que me incomodava há anos.

—Essa aversão a mim é porque eu sou o filho do Phil, não é? De algum modo você me odeia por eu lembrar a ele, não é? — Incitei-o, tentando soar imparcial. —Sabe, Sr. Cullen, o senhor tem implicado com Bella porque ela não é covarde e tem coragem de enfrentar a família para ficar comigo, um menos favorecido, como você mesmo ressaltou. — Espetei-o maldosamente. —Mas o senhor não vai conseguir nos separar, no que depender de mim.

Ele me encarou como se estudasse um verme. —As suas férias não duram para sempre, garoto. — Cuspiu sardonicamente.

Eu suspirei e desviei o olhar ao sentir a sensação de impotência que suas palavras despertaram. O som verbalizado juntamente com sua significação ardeu em minha garganta como ácido. Obviamente, trouxe-me à luz da realidade de que não convinha enfrentá-lo agora e sofrer depois o martírio que a distância, o período de tempo e a desproporção afligem. Logo, abatido, deixei os ombros caírem e olhei para minhas mãos.

Ele notoriamente percebeu minha postura vencida.

—Edward, eu amo a minha filha, por isso estou te pedindo. —Voltou a dizer, diplomático. — Eu realmente não tenho nada contra você. Só não quero ver minha filha sofrendo enquanto você estiver longe. Deixe-a livre. Ela vai se curar de você. — Havia súplica em seus olhos.

—Por que, sr. Cullen? — Perguntei derrotado.

—Por você não oferecer nada de volta. Nenhuma convicção. —Disse com neutralidade. — Eu não vejo futuro em vocês... É isso. — Ele suspirou.

Eu poderia lhe falar o quanto eu a quero para sempre e que tenho convicção disso, ou o quanto tenho certeza do meu amor. Não obstante, a intensidade do meu sentimento poderia assustá-lo mais ainda e o induziria a afastá-la mais de mim. A despeito disso, a sinceridade naquele momento seria a resolução daquele impasse.

Endireitei a postura e procurei seus olhos.

—Ok, Sr. Cullen... Em quatro ou cinco dias eu vou embora... — Interrompi sugestivamente, sentindo-me um fraco, e deixei que ele deduzisse minha indicação. Eu praticamente assumi que iria deixá-la depois disso, ciente que era inútil lutar contra ele.

Ele me fitou por alguns segundos incrédulo com o sucesso do resultado, depois se levantou. —Vou fazer os pedidos. Com licença. — Saiu sem mais palavras.

Permaneci sentado, pensativo, com o coração gritando acusações por ter feito a tolice de me comprometer deixá-la. Cheio de angústia e auto-aversão, levantei-me algum tempo depois e segui de volta ao hospital.

Quando entrei na sala, Bella fitou-me com olhar ansioso e veio ao meu encontro, recebendo-me com um abraço forte. Parecia perturbada. Devolvi o abraço com a mesma intensidade e beijei seu cabelo, tentando acalmá-la enquanto ela acalentava o meu coração cheio de tormenta. Só ela para me trazer brandura e suavidade.

O Sr. Cullen nos observou desgostoso, de braços cruzados. Será que era tão difícil assim entender o grau de intensidade do sentimento em nós?

Minha mãe já se encontrava na sala conversando com o médico que eu deduzi ser o médico de Jasper. Segurei a mão de Bella e me aproximei deles para me inteirar do assunto discutido.

—Como ele está? — Perguntei ao médico.

—Ele está bem, mas está sedado. Em meia hora ele virá para o quarto. Ele cortou uma artéria e perdeu muito sangue. Se o socorro não tivesse sido rápido, ele não teria resistido. Agora ele está com o quadro estável, mas precisa ser assistido. Hoje ele necessita permanecer no hospital e amanhã terá alta na metade do dia se tudo correr como esperado. — Informou diligentemente. —De qualquer maneira, Esme, é bom que ele fique aqui na casa do Carlisle. O menino necessita de observação por um período de tempo. — O médico finalizou, despediu-se dos presentes e pediu que minha mãe o acompanhasse a um jardim lateral. Ele pegou em sua mão e pareceu íntimo ao confortá-la. Observei a sua linguagem corporal e notei a estima.

Certamente não fui o único a perceber.

—Esme, você vai dormir lá em casa? — Sr. Cullen aproximou-se deles e perguntou. Rá, e eu que sou aproveitador! Obviamente ele iria usar de sua vulnerabilidade e impor-se sobre ela, já que se sentia ameaçado. Patife arrogante e empolado!

—Vou ficar aqui no hospital com Jasper. — Respondeu e voltou à sala, sentando-se ao meu lado no sofá.

Bella interveio. —Eu fico com ele, Esme. Você deve estar cansada por ter trabalhado o dia inteiro. — Propôs prestativa. Era encantador o seu cuidado com o meu irmão e agora com minha mãe.

—Não, filha! Você vai dormir em casa. — O Sr. Cullen determinou sério.

Antes que Bella argumentasse, eu peguei a sua mão e a sentei delicadamente em meu colo.

—Pode deixar que eu durmo aqui. —Sussurrei em seu ouvido. — Amanhã eu vou te ver.

O Sr. Cullen cerrou os olhos e dirigiu a mim um olhar fulminante. Eu o ignorei e virei para falar com Esme. —Mãe, pode dormir lá que eu durmo aqui. Eu fico com Jasper. Não vou embora hoje. — Beijei-a na mão, tentando acalmá-la.

Eu estava com duas mulheres que eu amo, uma em meu colo, outra ao meu lado, e medi cada reação do Sr. Cullen, que parecia aborrecido desde que o doutor beijou minha mãe na testa e saiu. Rá, ele poderia arbitrar sobre Bella, mas seu objeto de diversão também não estava mais a sua disposição.

Depois de um tempo de silêncio, Bella se levantou do meu colo e foi abraçar o pai. —Por favor, pai, me deixa ficar. — Ela implorou manhosa.

Eu dava como certa sua negativa, no entanto para a minha surpresa ele titubeou ao olhar em dúvida de minha mãe para Bella.

—Você pensa que eu vou deixar você dormir aqui com ele? — Inquiriu apontando crítico para mim.

—Pai... —Bella desviou o olhar constrangida. —É um hospital. —Defendeu desconfortável. —Vamos só fazer companhia para Jasper.

Ele me encarou impávido por minutos, e eu sustentei o olhar. O clima pesou. E com um bufo resignado, ele assentiu, balançando a cabeça. Ele a amava, estava claro. Não costumava negar seu querer. Além disso, certamente tinha a intenção de representar um papel frente à minha mãe, motivo óbvio de sua concessão.

Esqueci o antagonismo, pus de lado a hostilidade e deixei o regozijo afundar em meu coração ao saber que nosso tempo juntos se estenderia. Dei um sorriso de canto, com uma satisfação incalculável, e virei o rosto para ocultar meu triunfo. Ela afastou-se do pai e sentou novamente em meu colo, com os braços em volta do meu pescoço como uma criança feliz.

—Edward, vou em casa tomar banho e pegar algumas coisas para nós dormirmos aqui. — Avisou baixinho, animada e sorridente. Todos a nossa volta, se quisessem, poderiam ver a aura de felicidade que pairava sobre nós.

—Ok. — Passei os braços em volta de sua cintura e cheirei seu pescoço.

—Você pede para sua mãe ir embora no carro dela amanhã que eu deixo você em Forks... —Pediu. —Isso, é claro, caso você ainda queira ir... — Ela sorriu alto e chamou a atenção negativa do pai para nós, que estava na porta conversando com a minha mãe.

—Você não vai me deixar mesmo? — Eu disse em uma altura audível, sem esconder a satisfação na voz. Eu ficaria com ela para sempre e não me sentiria satisfeito. Cada minuto que passava a mais ao seu lado me trazia vida e rejuvenescia as células do meu corpo.

O Sr. Cullen aproveitou a distração de Esme e me lançou outro olhar hostilizador ao ouvir o triunfo na minha voz. Mas não era meu objetivo provocá-lo. Não valia a pena levar a armada à frente quando minhas chances contra ele e contra o mundo eram mínimas.

—Não! —Bella roçou o nariz no meu. — Não vou te deixar. Vou tirar o mês de atraso que você está me devendo e o próximo mês que o seu curso vai me roubar. — Disse sorridente.

Como se recebesse um balde água fria, o assunto ir embora novamente me causou comoção. Eu já não tinha tanta certeza nem vontade de ir. Se eu pudesse adiar a nossa despedida...

Trouxe-a para mais perto e pus o nariz sob seu cabelo. —Tudo bem. Vamos à sua casa, depois voltamos e dormimos a noite toda abraçadinhos. Mas antes você tem que me prometer que não vai tentar a sorte esta noite, que não vai me provocar, nem me incitar a ir a um lugar aonde você não quer chegar. Além disso, estamos em um hospital... —Salientei serio. Ela sorriu provocante e me deu beijinhos no pescoço.

Antes de sairmos, notei que nossos pais discutiam sobre questões financeiras hospitalares. Ele argumentava que pagaria tudo. Esme negava, teimosa. E ambos não chegavam num consenso, até quando ele lhe lembrou cauteloso da condição financeira dela e lhe mostrou relutante a fatura. Ela deu um suspiro vencida e deixou cair os ombros. Ele a abraçou, amistoso. Eu fechei os punhos aborrecido por termos que passar por isso. Todavia não deixei de admirá-lo. Sua generosidade com ela e disposição em ajudar Jasper, mesmo sem ter obrigações, era honrada. Cumpria um papel que não sabia ser seu, redimindo-se pelos anos que não foi presente.

Bella chamou a irmã para irmos embora, despediu-se do pai, eu entreguei a chave do Ford Fiesta a minha mãe e deixamos o hospital no carro de Bella. Alice estava distante, calada e aparentemente triste. Será que era por preocupar-se com o meu irmão? Deus ajude que esse afeto que envolve os dois seja somente amizade.

Chegamos à casa de Bella, estacionei e encostei-me ao carro. No mesmo instante lembrei de algo que deixei passar o dia todo e puxei Bella para os meus braços, fitando o seu rosto enquanto o acariciava. —Bella, você hoje mentiu para mim... — Acusei. Ela arregalou os olhos, confusa. —Não é com relação à nossa noite anterior... —Adiantei. — Quero que você pense e confesse. Não precisa ser agora. —Ela abaixou o olhar. —Não. Eu não estou chateado com você, nem vou ficar. Até achei engraçada a sua performance. —Sorri bajulador. —Porém, não quero que haja pequenas mentiras entre nós. — Disse e a abracei firmemente, depositando beijos em seu rosto. Ela ficou desconcertada. Eu resolvi aliviar o clima. —Agora entre, traz um balde com água, desinfetante e um pano que eu vou tirar o excesso de sangue seco dos bancos. —Pedi. Ela saiu calada e voltou minutos depois.

Enquanto ela tomava banho, eu limpei os bancos de couro, passei desinfetante e desci a capota para sair o cheiro forte. Após uns vinte minutos ela desceu linda e perfumada e segurava dois travesseiros e uma bolsa grande nas mãos.

—Prontinho. —Ela disse animada. — Vamos só passar no Starbucks para comprar um capuccino e umas tortinhas de maçã porque eu ainda estou com fome depois de ter doado. — Coloquei a bolsa no banco traseiro, e ela se sentou no banco do passageiro.

—Agora sou seu motorista particular, é? — Brinquei, sentei e a puxei para mais perto de mim. Ela sorriu, assentindo. Dei partida e em todo o tempo ela encheu meu rosto de beijos, cheia de sorrisos. Sua felicidade era óbvia. Ambos estávamos invadidos pelo êxtase que só a alegria traz.

Prolongar os minutos com ela, mesmo que motivado pelo infortúnio ocorrido ao meu irmão, me trouxe momentânea paz depois do que assumi com seu pai.

Amo-a por tudo, pela generosidade, paciência, principalmente pela serenidade e alegria que traz á minha vida, que ainda que ela não saiba, me dá forças para enfrentar tudo que é obstáculos que se opõe a minha frente.

Continua...