Capítulo - Decisões
Mudei na cama e fitei o teto pelos minutos seguintes com ela em meus braços, sobre meu peito. Cobri-a com o lençol e acariciei a sua pele. Ela estava quieta, absorta, e ainda estremecia ao meu toque. O meu conhecimento sobre uma mulher era muito pouco, mas a sua temperatura e os seus olhos revelavam que ela precisava de muito mais que aquilo... Se ela soubesse o quanto eu queria satisfazê-la totalmente... Suspirei e abracei-a forte.
Eu precisava tomar banho, mas deixá-la naquele momento não era a minha intenção. Pesaroso, beijei-a várias vezes no rosto, nas pálpebras e na testa. Tirei o cabelo emaranhado do seu rosto e observei a sua pele que ainda fervia. Bella não devia nos massacrar assim. Para a minha sorte, tenho como atenuar os sentidos, mas não conheço um modo de aliviar-lhe sem tocá-la intimamente. Então isso restringe o meu querer em suavizar o seu desejo. Não me sinto autorizado a tocá-la assim, embora os meus sonhos estejam lá.
Ela me apertou no abraço, aparentemente se recuperando e sussurrou a música. Eu ri. Não sabia quantas dezenas de vezes o mesmo cd tocara durante àquelas horas aprazíveis que usufruímos.
—Bella, preciso ir para o banho... — Murmurei em seu ouvido.
Eu queria consolá-la, ficar com ela, mas sentia-me incomodado pela umidade no meu short. Aquele era um efeito que me trazia constrangimento. Eu não escolheria chegar a esse ponto. Era violar meus conceitos completamente. Mas ela não deu chance de me controlar. Quando vi por mim, já tinha perdido o domínio total e o instinto invadiu querendo saciar-me.
—Você já tomou banho... — Sussurrou com rouquidão. Deus, ela não notou. Sorri da sua inocência.
—Mas você não disse à tarde que agora iam ser dez minutos de beijos e em seguida banho? Acho que estou com uns cinqüenta banhos acumulados! — Descontraí.
—Vou com você. — Avisou, me pegando de surpresa.
—Então vamos. — Assenti. No momento, tomar banho com ela tolerável e não ameaçaria seus planos... De roupas íntimas, é claro. Diminuí o volume do som e procurei uma rádio com músicas românticas.
Fui o primeiro a entrar no banheiro, intencionado a adiantar-me, e em seguida ela entrou. Desenrolou-se da toalha sem recato e com os reflexos meio lentos juntou-se a mim no chuveiro, como se fosse natural tomarmos banhos juntos.
Bem, não conheço uma mulher. Não tenho experiência para isso e não sei o que aquilo no quarto lhe proporcionou, ou até que ponto foi bom. Sei que infelizmente, é claro, não a satisfiz. Embora a tenha excitado, não a satisfez. Isso me torna egoísta, porque, confesso sinceramente que adorei cada luxuriosa sensação.
Solícito e tentando de algum modo aliviar seus sentidos, espalhei o sabonete nas mãos, segurei seus ombros e fiz uma massagem. Ela me abraçou pela cintura, abstraída e silenciosa, escondeu o rosto sob meu queixo e fechou os olhos, enquanto eu apertava delicadamente seu pescoço, ombros, braços. Éramos tão afins que eu me sentia com cinco anos de idade, onde se toma banho com seus irmãos e tudo é singelo.
Meu Deus, como eu amo essa receptiva mulher! Queria eternizar em minha mente esse momento em que não éramos corpo, éramos cumplicidade. Eu não precisava mais provas para crer na atração de vidas, na dependência delas e no singular amor que as une.
A água caía cobre nós, e seu gemido de deleite com a massagem, juntamente com seu seio encostado a mim ameaçou minha concentração. Abracei-a forte e não permiti que o roçar do bico em minha pele me tentasse. Era irresistível. Principalmente com ela usando o shortinho de renda branco transparente molhado.
Para distrai-me, arrastei meus pensamentos para o dia que a conheci. Para aquela manhã ensolarada de seu aniversário em que minha vida era vazia e sem importância. Tudo me dava tédio. A vontade de viver diariamente se dava pelo zelo de proteger minha família, cuidar e trazer-lhes um futuro melhor. Então conheci Bella. E foi como o raiar do sol.
Pena após conhecê-la, ter sido abatido pela realidade. Senti-me como uma criança que após ganhar algo de muito valor, ser lhe tomado novamente... Quando soube quem realmente ela era, senti-me preso às armadilhas do destino. Vi a história da minha mãe se repetir —um Hale atraído por um Cullen—, e tive grande medo... Logo, cortei abruptamente a linha invisível que nos atraiu.
A promessa de reencontrá-la em sua festa de quinze anos me fez oscilar. Eu queria vê-la, era seduzido pela curiosidade de encontrá-la, mas resistia teimosamente. E vê-la naquele dia foi como abrilhantar uma noite cheia de trevas. Meu coração estava frio, sozinho, distante, encolhido... E eu nem conhecia o porquê. Quando a vi e fui beijado, senti-me completo finalmente. Vi que necessitava do equilíbrio que sua presença trazia, a alegria que poderia completar o meu ser.
No entanto, mais uma vez, a vida nos separou.
Eu não sabia quantas vezes o destino iria nos separar. Convenci-me que o melhor era manter distância total desse ser que me completava e me destruía. No entanto éramos manipulados pela força da atração que só algo além do imaginário poderia explicar; e a doença da pessoa comum a nós nos aproximou novamente. Foi aí que Bella, que é muito mais forte do que eu, lutou incansavelmente por nós. Hoje, finalmente resolvi render-me, embora tenha dúvidas de quando realmente ficaremos juntos de verdade.
Em dúvida, abracei-a mais forte sob a água. Tudo era silêncio. Mas eu amava cada segundo de sua presença, cada centímetro do seu corpo me aquecendo. Eu me apego a ela como à vida que após conhecê-la melhorou significantemente. Não vivo mais por viver, vivo diariamente almejando o dia que irei merecê-la e tê-la por toda a vida.
Ela me deu sua amizade e aceitação naquela manhã há quatro anos e essa amizade se estende até hoje. Ao longo dos anos deu-me sorrisos, sentimentos genuínos, palavras de confiança, perdão e sua fé em mim. Eu a amei desde sempre e a amo.
—No que pensa, Edward? — Acariciou languidamente meu peito.
—Bella, você acredita em atração de vidas?
—É só o que tenho acreditado ultimamente... Não vejo como explicar essa minha necessidade de você. —Pareceu ter pesar em sua resposta.
Eu queria que ela pudesse ler meus olhos e se convencesse que eu sou dela. Não queria que ela tivesse dúvidas dos meus sentimentos e do quanto a quero.
—Esses dias eu li um livro, FEITOS UM PARA O OUTRO, do Thomas Ulrich, por acaso. Estava estudando na biblioteca de um templo ecumênico e a capa do livro chamou minha atenção. Comecei a folheá-lo e vi o quanto às idéias se encaixavam a nós. Sabe o que compreendi? Que as pessoas que se atraem como nós, um dia ficam juntas definitivamente, mas há o tempo certo para que isso aconteça... — Comentei e, no mesmo instante, ela afastou-se para me olhar.
—O que quer dizer? — Cerrou os olhos tensa.
—Não sei se você vai entender... Só que eu penso que hoje tudo é muito difícil para nós. — Disse ao lembrar as palavras de seu pai na lanchonete. —Embora eu queira muito você, eu não me sinto capaz de te ter hoje... Talvez exista um tempo determinado para que fiquemos juntos... Tipo assim, fomos feitos um para o outro, mas temos que esperar o tempo certo pra que nossas vidas se juntem.
Ela olhou-me longos minutos, analisando-me, depois me soltou do abraço, pegou a toalha, enxugou-se e saiu do banheiro rapidamente. Droga, provavelmente eu tivesse estragado o clima e a noite sem intencionar.
Terminei o meu banho, sentindo o vazio opressor, arrumei-me e fui até ela chamá-la para dormir no meu quarto. Entrei no quarto da Esme, e Bella estava chorando, deitada de lado. Senti vontade de esmurrar-me por ter falado algo que a magoou. Devia ter pensando. Não posso mais falar de separação quando eu mesmo não quero a distância.
—Bella, conversa comigo... Por que você chora? —Sentei perto dela.
—Por saber que quero tanto você, e você sempre está me dizendo adeus... — Lamuriou, e eu suspirei dolorido.
—Mas eu não disse e nem estou te dizendo adeus. — Murmurei, tirando o cabelo do seu rosto molhado.
—Lógico que está! — Ela me encarou chorosa. —Eu decifro tudo que você diz. Quando você disse que não se sente capaz de me ter hoje, eu sei do que você quis falar... Sabe, Edward, eu queria que você se visse como eu te vejo... Você para mim é simplesmente parte de mim, igual a mim. Você não precisa ser alguém, ser rico, para me merecer. Isso é complexo de inferioridade! Eu sei que quando você fala que vai me merecer, está se referindo a status e a dinheiro. E isso me magoa, porque eu queria que você simplesmente me enxergasse como pessoa e não colocasse o que eu tenho entre nós. — Suspirou frustrada. —Mas eu estou cansada de conversar sobre isso. Me desgasta e você não muda. Estou me sentindo vencida, não consigo alcançar você... Passamos o dia juntos hoje, e eu estava crente que você estava acessível a mim, no entanto, agora você vem e fala isso! Você só é difícil para mim... — Soluçou novas lágrimas. —Eu passei o dia pensando em como te dar aqueles presentes, fiquei calculando a todo o tempo a hora que seria oportuna, até que eu descubro que de uma pessoa 'qualquer', que você diz 'não ter nada', você aceita ganhar presentes. Mas de mim, que você diz 'que quer', e que faço tudo por você, não aceita. Eu tenho que me desdobrar para você aceitar. Você sempre está sendo injusto comigo e ainda vem com essa de que um dia vai me merecer! Qual é? Tudo bem que um dia você vai alcançar tudo que sonha, mas e o tempo perdido que vai ficar para trás?! Já pensou em quando chegar lá? Já pensou a longa caminhada que vai percorrer? O Poder é tão mais importante assim pra você que você vai deixar o Amor pelo caminho? Porque eu pareço não ter importância para você. — Limpou os olhos e sentou, ofegando. —Sabe, eu não quero que deixe de sonhar. Eu só queria que você me colocasse no seu presente, nos seus sonhos... Assim como o os seus planos estão.
—Mas você está nos meus sonhos e nos meus planos... — Argumentei, sincero.
—Estou, para um dia. —Citou amarga. — Isso é que dói. Eu não sou prioridade em sua vida. —Olhou para as mãos. — Talvez você não entenda, mas eu não quero que você pare de estudar, que pare de se dedicar. Eu só queria saber que sou tão importante quanto os seus planos. É ridículo, mas eu tenho inveja dos seus planos! —Arfou em mais uma onda de choro. —Eu queria ser o seu plano! Eu queria que você falasse em nós com tanta fé e alegria que fala dos seus planos de futuro. — Respirou fundo, olhando fixamente o lençol. —Você me mandou um e-mail falando que comigo sente vontade de casar, ter filhos e ser feliz para sempre, mas que seus planos não poderiam deixar de ser seguidos... Bah, era isso que eu queria... — Ela soluçou, com a voz esganiçada, de um modo que me machucava —... Eu queria que você escolhesse a mim, sabe... Assim, eu não teria essa eterna frustração em ser o décimo plano.
—O que você está dizendo? —Balancei a cabeça. — Bella, você é mais importante do que qualquer coisa nesse mundo. — Tentei convencê-la, passando nervosamente a mão no meu cabelo. Deus, por que eu não conseguia me abrir e para-la?
—Não sou! Se eu realmente fosse, estaria em primeiro lugar na sua vida!
—O que eu preciso fazer para mostrar que você é o primeiro lugar em minha vida? Largar o curso? Ficar aqui? —Perguntei exasperado. — Ser sustentado pelos seus presentes comprados com o dinheiro que você ganha de mesada do seu pai? — Apontei com aversão os presentes no chão enquanto andava de um lado ao outro. — Esperar que você se canse de mim?
Ela olhou-me duramente nos olhos, com frustração e fúria no olhar.
—VOCÊ NÃO ENTENDEU NADA! — Aumentou o tom enervada.
—Então explica!— Pedi alterado. Como chegamos nesse assunto? Era por isso que ela evitava conversar sobre nós... Não nos entendemos.
—Correndo o risco de ser repetitiva, vou dar exemplos de que sou o milésimo plano... —Disse mais calma. — Primeiro: você não veio me ver assim que chegou... Não me convidou para o seu aniversário, mas quis meus beijos quando viu que eu estava disponível lá na praia, portanto: milésimo plano... —Ironizou amarga. — Quer mais exemplos? Ficou quase três semanas sem me procurar e veio me ver faltando pouquíssimos dias para ir embora, um milésimo plano. Quer mais exemplos? Você aceitou sem problemas presente de sua amiga e os meus só depois de muita insistência, então milésimo plano. Quer mais exemplos? — Seu tom estava carregado de sarcasmo e amargura. —Mas quer saber? Eu já tinha até esquecido... Se não fosse pelo seu comentário no banheiro de que não é capaz de me ter hoje... —Esfregou novamente os olhos. — Você é muito mais preconceituoso do que qualquer pessoa que eu já conheci! Quando eu penso que você evoluiu, você desanda!
Sofríamos demasiadamente com essa conversa. Depois de uma noite de imensas alegrias, uma tempestade desabava.
—Bella, eu não faço coisas boas por você, não? —Questionei ressentido. — Porque pelo jeito só ficam em suas memórias coisas ruins que eu tenha feito... E nada é como você está dizendo. Pra tudo tem uma explicação. Eu posso te explicar?
—Não. Sinceramente não... Eu cansei de ouvir o que pensa de nós. Você acha que eu só quero ficar com você momentaneamente; você acha que eu só quero aproveitar; você acha que eu sou uma menina teimosa e birrenta que cismou com você; você não acredita em mim; você pensa que só vai ser compatível a mim quando tiver dinheiro! O que mais você precisa falar para degradar meus sentimentos? — Acusou e suas palavras me fizeram retroceder e fechar-me atrás dos muros. Todo o desejo que tinha de externar o que sentia evaporou , e eu me vi preso, enjaulado pela insegurança.
Passavam-se das duas da manhã, e eu desisti de tentar pacificar aquela noite.
—Bella, boa noite. — Deixei-a no quarto da Esme e voltei para o meu quarto.
O clima estava pesado demais e ocupar seu espaço só piorava. Angustiado, deitei e tentei associar cada palavra que ela disse. As palavras de rancor quanto ao fato de não ter aparecido eu entendia claramente, mas as outras eu não compreendia. Será que Bella queria que eu desistisse de tudo por ela? Será que ela não via que isso só nos afastaria mais e mais?
Meu coração era oprimido em saber que ela estava no outro quarto e que estávamos distantes novamente. A madrugada se passava fria, e eu suspirei infinitas vezes.
...
—Edward... Aonde você vai me levar? — Bella apareceu no escuro com uma voz baixa e triste, depois deitou- se em meu peito.
—Você ainda quer ir? — Perguntei em dúvida e a abracei forte em meus braços, satisfeito por ela ter cedido.
—Sim... Vou aproveitar antes que o nosso dia termine. — Murmurou. Ela falava em despedidas novamente... Sentia-me tremer de dor.
—Não conseguiu dormir? — Perguntei enquanto passava minhas mãos em seus cabelos.
—Não. Senti sua falta. — Sussurrou triste e distante.
Ao mesmo tempo em que algo tentava nos separar, uma força maior nos unia novamente.
—Eu queria que fosse comigo ver o raiar do sol na reserva, mas acho que hoje não é um bom dia. Não conseguimos dormir e... Você não está bem comigo.
—Eu vou ficar bem... São só umas oscilações que eu vou tentar controlar.
Ela usava um pijama longo,e eu aqueci minha mão em suas costas.
—Por que está assim? —Tentei cautelosamente.
—De novo não. — Murmurou. —Eu acho que não faz bem conversarmos.
Eu acendi a luz e sentei, mostrando que eu queria ouvi-la. Ela respirou fundo e deitou-se em minha perna.
—Sabe, Edward... Eu sempre me achei linda, sempre achei que se eu quisesse namorar com quem fosse, bonito ou feio, rico ou pobre, eu namoraria. Bastava estalar os dedos. Mas você está me fazendo me perguntar se realmente eu valho a pena para alguém, e isso está acabando comigo... Às vezes eu acho que você não me quer porque não sou tudo que você queria, e eu nunca fui insegura assim. Isso está me levando a tomar atitudes desesperadoras, me levando a tentar te ganhar com o meu corpo pelo menos para ter você próximo, porque é o que parece que chama a sua atenção: o meu corpo. E eu acho isso triste. Eu queria sentir que você gosta de mim pelo que eu sou. Queria que você tivesse atitude sem que eu precisasse ficar me oferecendo para você. É lógico que eu quero o que nosso corpo anseia, mas eu não queria que fosse assim, por insegurança. Eu fico me olhando no espelho para ver se o problema sou eu e fico maluca, procurando defeito... O meu pai fala coisas sobre você que embora eu tente bloquear os pensamentos, eles martelam em minha mente... Por isso estou com essas oscilações de humor, porque tudo me deixa insegura.
O que eu podia falar para amenizar a sua insegurança quando eu mesmo era seu semelhante? A única coisa que tinha certeza era dos meus sentimentos, mas isso não era suficiente diante de todas as dúvidas.
—Bella, eu não entendo o porquê da sua insegurança. Você sabe o que eu sinto por você. — Acariciei seu cabelo.
—Sei? Você nunca expressa os seus sentimentos sem que eu force! Você é muito introvertido. Eu tenho que ficar supondo e adivinhando os seus pensamentos... Como não ficar insegura se eu não sei o que você quer? — Suspirou. —Mas o que me desanima mesmo é o fato de quando você abre a boca para falar alguma coisa, é algo de quem vê sempre as coisas pelo lado pior.
—Você sempre soube que eu era assim... — Olhei para o teto, frustrado.
—Sim, mas você devia se esforçar!
Suspirei, ansioso em falar o quanto a amava. Mas de que adiantaria lhe dizer que a amava quando insinuei ao seu pai com meias palavras que iria deixá-la?
Ela continuou: Mas chega de conversar. Se vamos assistir um nascer do sol juntos, acho que temos que nos arrumar. — Bella mudou o humor repentinamente e sentou.—Vamos ficar na praia ou pretende vir embora rápido? — Perguntou com uma animação descabida.
—Está muito frio. Vamos ficar lá só um pouco e voltar. Acho que vamos precisar recuperar a noite sem dormir.
—Tudo bem. Eu não sabia que em Forks estava tão frio assim, será que a Rose me empresta um casaco reforçado?
—Eu pego um da Esme. Não vou acordar a Rose essa hora.
Vestimos roupas quentes, luvas e gorros e nos dirigimos à praia. O vento estava congelando, então decidi que ficaríamos no carro e estacionaríamos perto do penhasco. Levamos cobertor, travesseiros e mantivemos a capota fechada. Busquei por um ponto onde o sol nasceria de um ângulo melhor. Torci que as nuvens se dissipassem e que o raiar do sol fosse perfeito. Assim... Acontecia lentamente.
—Por que me trouxe aqui?
—Porque eu acho lindo o nascer do sol. E aqui então, é perfeito... Pense... Depois de uma noite escura e fria, com um clima de melancolia e solidão, onde o escuro representa a dor interna, e o frio representa a ausência e a saudade, de repente vem o sol dissipando toda a escuridão e aquecendo o frio. — Recitei pausadamente.
—Hum... Às vezes você é tão poético. — Sorriu afetuosa. —Mas tem algum fim especial ter me trazido aqui... — Bella incitou. Ela era muito perceptiva.
Eu queria diminuir a distância invisível, então coloquei os travesseiros em seu colo e deitei-me atravessado, com a cabeça nos travesseiros.
—Bella... Imagine uma noite longa e fria... Minha vida é assim quando estamos distantes... Eu me sinto noite quando estou longe de você, e minha vida só vira dia novamente quando estamos bem, quando te sinto perto de mim. — Ela fitava longe, calada e absorta. —A sua mudança tem me deixado desesperado. Eu não sei mais o que fazer para mostrar que você é importante pra mim e o quanto preciso de você.
—Você precisa ter atitude... Mostrar que me quer.
—Mas que atitude que eu posso ter? É tendência da minha personalidade dirigir para o interior as emoções e sentimentos. Você podia tentar entender. Externar meus pensamentos é algo embaraçoso para mim, mesmo assim, eu venho lutando contra isso para poder falar e fazer coisas por você.
—Sabe, Edward... Eu só estou tentando me proteger... Estou tentando não me iludir mais... Por isso, para mim agora tudo pode terminar a qualquer momento... Quando fui à Capital você disse que eu era a dona do seu coração, e eu me iludi achando que estávamos juntos. Eu até ia te levar na minha casa. Cheguei a admitir para o meu pai que eu estava com você. Todavia meses depois você agiu como se não me conhecesse...
Enfadado, sentei-me no banco do motorista para olhar em seus olhos.
—Pelo amor de Deus, você nunca vai esquecer isso? Eu sei que errei, mas você insiste em tocar nesse assunto insistentemente. Você acha que foi só você quem sofreu? Você não sabe o que se passou nem o que se passa comigo por ter feito aquilo.
O clima pesou novamente.
—Não tem como eu saber!— Acusou petulante, e eu odiei aquilo.
—Você não me deixa falar! Eu venho tentando conversar, e você não deixa! — Alterei o tom com a sua provocação.
Aborrecido, saí do carro e bati a porta. Deixei o vento bater em meu rosto, pensando que as coisas estavam ficando incompatíveis entre nós. Nem em Washington D.C. tivemos tantos problemas assim. Estava sentindo-me sem energia. E não devia insistir. Sua decisão estava tomada. Não valia mais argumentar.
Voltei ao carro, e ela estava congelada em seu lugar, inexpressiva. O sol tímido subia vagarosamente e as horas se passavam. Aquele silêncio estava fulminando-me, extinguindo-me lentamente. Ela tinha razão em todo o tempo, não deveríamos manter diálogo sobre nós, quem sabe assim teríamos nos resguardado.
Sem que eu esperasse, ela surpreendeu-me novamente, sentou-se humildemente em meu colo e encostou a cabeça em meu peito. Sua atitude me chocou, mas abrandou o meu coração. Era evidente que não íamos conseguir ficar longe um do outro.
—Eu estou com fome e sono, por isso meu humor tá horrível. Acho melhor irmos embora para dormirmos. —Avisou baixinho.
Suspirei rendido e a abracei forte. Eu esperava realmente que fosse por isso, porque estava me desgastando emocionalmente. Cansei dessa Bella melancólica que se instalou de umas horas pra cá.
—Tudo bem, vamos passar em um café e fazer um lanche, depois vamos para casa dormir um pouco.
Ela voltou ao seu banco, embrulhou-se e encostou-se no travesseiro.
—Não dorme... Vamos comer primeiro. — Estendi minha mão e toquei seu rosto, mas a sonolência já se apossava dela.
Mulher tem essas oscilações de humor quando estão com fome ou sono? Estou pagando por todas as transgressões cometidas ontem à noite na cama, só pode!
Comprei um bolo e pães, mas não seriam mais tão necessários no momento. Bella dormia um sono pesado e profundo. Já em casa, levei-a nos braços para minha cama, lanchei e deitei ao seu lado, observando-a ressonar... Contudo, era primoroso estar ali abraçado a ela, com seu corpo quente e macio me aquecendo. Imergi meu rosto em seus cabelos e fiquei ali, sentindo seu perfume acolhedor enquanto era invadido pela necessidade de dormir.
Narrado por Bella
Acordei com muito calor, apertada nos braços de Edward, com o aquecedor ligado e vários edredons sobre nós. Ele dormia cansadamente atrás de mim, sem camisa. Soltei seus braços da minha cintura, levantei e fui ao banheiro me arrumar. Havia um buraco em meu estômago. Olhei no relógio e se passava das duas da tarde.
—Oi, Rose! — Cumprimentei-a ao passar pela cozinha, parei em frente à sacola de pães e belisquei um miolo de pão.
—Oi. Quer que eu prepare um lanche pra você? —Ofereceu ao me ver furtar pão.
—Se você puder... — Sorri tímida, sentei numa mesinha no canto da cozinha e observei-a. Em personalidade ela se parecia muito com Edward. Reservada e silenciosa.
—Tem notícias do Ryan? —Iniciei um assunto, enquanto ela esquentava leite no microondas. — Ele ligou alguma vez para você depois que foi embora?
—Não. —Respondeu desinteressada, entregou-me o achocolatado e pôs pães frescos, bolo e requeijão na mesa. —Bella, tem uma macarronada no forno. Fala para o meu irmão que eu saí com a Thaty. — Avisou e saiu. Eu comi e voltei para o quarto de Edward.
Sentei, cobri seu peito descoberto e fiquei analisando os detalhes do rosto perfeito do meu anjinho. Só de pensar que tinha que ir embora a saudade doía. Mas não devia abusar da boa vontade do meu pai, que devia estar odiando ele. Mais ainda depois que conversaram. E algo me dizia que era melhor não saber o assunto.
Acariciei seu cabelo e deitei em sua frente. Ele abraçou forte minha cintura e pôs uma perna sobre mim.
—Edward, acorda... Vem ficar comigo. — Beijei seu cabelo para acordá-lo.
Ele me apertou mais a si, com a cabeça encaixada abaixo do meu queixo. Eu o abracei pelos ombros, ainda exausta por causa da noite desgastante, mas psicologicamente estava renovada. Uma boa característica minha é relevar os contratempos. Agora, devia curtir meus últimos instantes. Nada melhor que um bom sono e comida para nos fazer esquecer qualquer adversidade.
—Eu estou com saudade de você, acorda vai. — Beijei novamente seu cabelo, enquanto acariciava sua nuca.
—Ai, Bella, tô morto... — Resmungou e fungou entre meus seios.
—Tá bom. Fica aí, daqui a meia hora vou embora. — Dramatizei carinhosamente. Ele permaneceu cochilando.
Depois de um tempo acariciando seu cabelo, afastei-me devagar, levantei e fui ao quarto da Esme organizar as minhas coisas. Coloquei todas as roupas dele nas sacolas em um canto e fechei a minha bolsa para levá-la ao carro. Edward entrou antes que eu saísse, com cara de cansado.
—Fica mais um pouco. Ainda não são três da tarde... — Resmungou e deitou de lado na cama.
—Ai ai! Ontem você me mandou embora a tarde toda, agora quer que eu fique! — Brinquei bem humorada.
—Vai umas cinco, aí você não chega lá muito tarde. —Propôs.
—Hum... Pode ser. — Vesti uma calça jeans, uma blusa de botão amarela com manguinha japonesa, e passei creme nas mãos e rosto. —Então você devia experimentar as roupas que eu te dei, já que eu não vou te ver vestido nelas na Capital... — Sugeri amistosamente.
Não era minha intenção provocá-lo, mas instantaneamente seu semblante mudou. Ele ignorou a sugestão e deitou-se de bruços com o rosto virado para o outro lado.
—Tudo bem. — Suspirei. Definitivamente eu perdi a paciência! Calcei minha sandália amarela e peguei a bolsa. —Onde está a chave do carro?
—Você não disse que ia esperar? — Olhou-me surpreso.
—Pra quê? Pra ficar vendo você aí! Eu não! Vou procurar uma roupa para usar amanhã no baile de Ano Novo. Vou ver se acho alguma loja aberta.
Inesperadamente ele me puxou pela mão, me derrubou na cama e me prendeu em seus braços, com a perna sobre mim.
—Não vai, não. —Fingiu severidade. — Vai ficar comigo. — Informou brincalhão. Eu o abracei rendida. Se ele soubesse o quanto eu queria ficar. —Bella, qual o problema do Jasper? —Perguntou depois de uns minutos. Eu retesei, indecisa se falava ou não. —Eu perguntei para Esme... —Continuou pensativo. — Ela disse que você falaria.
—O que você acha que ele tem? — Sugeri, obrigando-o a raciocinar.
—Bom, era anemia... Não é mais? É algo tipo *hemofilia agora?
*Sangue que não coagula.
—Por que você acha que ele está usando boné o tempo todo? Você acha que ele teria rapado aquele cabelo de anjo só para parecer sexy? —Incitei. Às vezes Edward era tão pouco esperto. Ele afastou para olhar para mim, com olhos surpresos. Eu podia ouvir as engrenagens no seu cérebro.
—Como eu não percebi isso? — Ofegou alarmado.
—Vai ver você estava com a cabeça em outro lugar.
—Mas ele não tem sintomas. Está sempre bem... — Comentou tenso.
—Ele não tem sintomas agora, mas no começo ele tinha muitos enjôos e moleza. Agora ele já acostumou com os remédios.
—É genético? Os médicos sabem explicar? — Questionou nervoso, com olhos arregalados.
—Relaxa, Edward, ele agora está bem. —Tentei acalmá-lo. Seu surto não adiantaria. — Olha só, era uma anemia fanconi e os remédios não fizeram retroceder. Pelo contrário a doença evoluiu para leucemia. Para saber se é genético, precisaria do estudo com o pai. E como vocês não sabem o paradeiro de Phil fica irrealizável. De qualquer maneira, ele está respondendo bem aos remédios. Em março, ele vai fazer uns exames na Califórnia, mas eu acredito que ele já está melhor. Até voltou a engordar esses dias.
—Por isso todos vocês estavam tão nervosos com aquele corte. — Lembrou.
—É, todos lá em casa sabem que ele não tem coagulação imediata.
Ele ficou calado uns minutos, pensativo. Depois virou em minha direção com a expressão séria, aproximou-se mais e me abraçou.
—Não precisavam ter escondido de mim, Bella... —Cobrou ressentido. — Mas estou feliz que estejam cuidando dele... Vocês não são nada nossos, seu pai é um simples chefe da minha mãe, mas vocês são muito prestativos.
—Edward, você já pensou que o meu pai pode gostar da sua mãe e não sabe como se expressar? Talvez ele ache que ajudando seja uma maneira de mostrar que se importa, além disso, o seu irmão é sensacional. Ele se dá bem com todos lá em casa, inclusive com o meu pai. Ele é de bem com a vida, completamente alto astral.
Edward juntou a sobrancelha, pensativo. —Igual você... — Comentou distraído.
—Sim. Igual a mim. — Eu sorri com a comparação, levantei e sentei. —Então, agora eu já vou. — Informei animada. Queria sair enquanto tivesse um clima bom. Ele levantou para me acompanhar.
Eu queria perguntar várias coisas, queria saber se ainda iria vê-lo antes dele ir embora. Se fosse o caso, ele poderia passar em minha casa, já que seu avião direto para D.C. saía de lá. Mas eu não iria mais insistir... Era a despedida, e eu não podia me deixar abater. O certo era respirar fundo e seguir adiante.
Ele levou minhas coisas até o carro e me puxou para um abraço. Era um dolorido abraço de despedida, mas eu estava bem. Até que foram bons esses nossos últimos dias juntos. Não me arrependi de ter saído com ele na tarde de segunda. Teria sido pior se eu não tivesse ido.
Não nego o quanto gosto dele, mas chega um momento que temos que enxergar a realidade. Não podemos viver de desculpas sempre. Ele já decidiu o que quer... E eu também estou decidindo.
—Então tchau. Você vai embora domingo? — Perguntei amistosa. A ideia de ele ir embora não me afetava mais. Juro.
—Provavelmente... Ainda tenho que confirmar meu nome em uma lista. Eu estava querendo ir embora sábado, dia primeiro, pois como é feriado não pego o aeroporto muito cheio. Odeio aglomeração de pessoas. Mas ainda vou decidir... Mesmo que o meu nome não esteja na lista, talvez eu vá mesmo assim. Às vezes alguém desiste e eles encaixam alguém da espera.
—E qual curso vai fazer agora?
—Avançado em gramática italiana. — Beijou minha testa e cabelos.
—Mas você já não fala italiano? — Comentei surpresa.
—Sim, mas eu preciso do diploma. — Sorriu. —Sabe, é ruim aprender muitas línguas quando não temos como treinar a conversação. Eu só tenho aquela colega de classe, a Sophia, que fala outras línguas. Às vezes conversamos em francês, espanhol, mas sabe quando você não tem assunto suficiente para conversar com uma pessoa?
Rá, não tem o que conversar com a amiga que dá present fim dele? Bem, não é problema meu.
—Ela também adianta esses cursos como você? — Perguntei curiosa. Será que ela estará lá semana que vem? Não é meu assunto, droga!
—Não. Ela faz particular. Não são todos os alunos que voltam das férias quase dois meses antes para fazer um curso. — Comentou com uma careta. Eu suspirei de alívio. Não devia me importar.
—E por que você volta antes, se os outros alunos não voltam?
—Eu já falei. Porque nos últimos semestres posso ser dispensado de algumas aulas. Isso é ganhar tempo.
—Hum... Então tá, deixe-me ir embora que está tarde. — Afastei seu peito. Seus planos de futuro não me interessavam mais.
Ele não me soltou do abraço, mas eu não queria mais estar ali. Despedir já era muito triste, e eu não iria mais retardar o inevitável. Devagar, afastei-me completamente, entrei no carro e abaixei o vidro. Aparentemente ele estava desolado, mas não havia o que fazer. Se ele quisesse ir à minha casa, ele poderia ir. Poderia ir comigo agora, aproveitando sua mãe estar lá.
Eu é que não iria mais ficar aqui. Chega de sacrifícios por ele.
Ele encostou-se ao carro, pegou em meu cabelo e olhou-me por longos minutos, inexpressivo. Parecia ter algo para dizer, mas não disse. Eu me adiantei.
—Boa viagem, Edward, espero que se saia bem. — Disse amistosamente ao inserir o cartão. Não iria chorar. Não iria. Respirei fundo, impedindo qualquer palavra apaixonada rastejar para fora da minha boca... Não iria pedir nada, não iria cobrar. Precisava manter o amor próprio e dignidade. Dessa vez eu tinha que conseguir me libertar de vez. Não adiantava acreditar que precisávamos um do outro e que eu fui predestinada a ele, se ele não queria...
—Obrigado. — Sussurrou. Na hora que eu precisava que ele dissesse alguma coisa, ele não falava!
—Tchau. — Dei um sorriso forçado, arranquei com o carro e saí sem olhar para trás.
Todas as vezes que tentei afastar-me dele eu estava motivada por alguma força externa... Uma vez o meu pai pediu, outra vez estávamos brigados no hotel e dessa última vez por ele não ter vindo me ver... Hoje eu decidi que quero esquecê-lo. Consegui ver que não dá. Eu não posso viver a dúvida para sempre, me autoflagelando, sempre fantasiando se ele vai aparecer.
...
Ao chegar em casa, encontrei com Esme e Jasper na sala. —Oi, Esme. Oi, Jasper. — Cumprimentei-os com beijo no rosto. —Vai sair, Esme? — Perguntei ao observar sua roupa elegante.
—Vou. —Assentiu. — Ficou tudo bem lá em casa?
—Sim... Para onde você vai? — Desviei o assunto. Quanto menos falasse sobre Edward nos próximos dias melhor.
—Vou jantar com Charles.
Hum... Meu pai é devagar mesmo, pensei.
—Bella, vem aqui no jardim conversar comigo um pouco. — Esme pegou em minha mão e me conduziu até a área externa da casa, sentando-se em um banquinho. —Como estão você e Edward?
—Estamos bem. — Dei de ombros indiferente.
Ela me encarou desconfiada. Eu desviei o olhar.
—Eu não sei como vocês estão, mas acho que vocês deviam ser fortes. Vocês se gostam. Ele sempre gostou de você. —Aconselhou maternamente.
Quantas vezes eu teria que repetir para as pessoas que gostar não é o mesmo que querer?
—Obrigada por se importar, mas gostar não tem sido suficiente pra mim... — Eu disse firme. —Olha, Esme, eu já estou cansada de enfrentar tudo por ele. Eu enfrento até ele mesmo para ficar com ele. Mas não dá mais. É difícil lidar com o seu filho.
O Dr. Charles chegou, graças a Deus, e ela levantou.
—Então, depois conversamos mais. — Ela se despediu e saiu. Esse depois iria demorar. Eu não queria mais saber desse assunto.
Ao subir as escadas, encontrei Emmett saindo do quarto dele. —Uh, lembrou que tem casa? — Me abraçou brincalhão.
—Pois é.
—Bella, eu tenho dois convites sobrando para o baile. Meu pai ganhou o suficiente aqui para casa e mais três. Para um eu já arrumei o destino, o outro eu vou dar para uma conhecida da Jéssica. Você quer dá um para a irmã do Jasper? Ela nunca veio aqui, de repente ela quisesse. — Sugeriu.
Como assim? Se eu fosse trazer alguém de lá eu traria Edward, não a irmã desconhecida de Jasper. Será que Edward viria? Meu coração pulou animado. Como esse coração podia ser tão traidor assim? Tinhamos decidido esquecer Edward! Só uma vez. Meu coração insistiu. É Ano Novo. Podia dar uma chance dele vir.
Suspirei.
—Emmett, eu vou dar um telefonema e te aviso. —Disse e segui para meu quarto. Disquei o número de Edward do meu celular enquanto colocava a bolsa na cama. Ele atendeu no primeiro toque.
—Oi, Bella. — Disse surpreso. —Chegou bem?
—Sim. Você tem algum lugar para passar a véspera de Ano Novo? —Perguntei direta.
— Não. Normalmente eu fico em casa. Vou ver com minha mãe se ela vai querer ir a algum lugar.
—Tem uma festa em um clube aqui. Se você quisesse vir, eu conseguiria o convite... É uma festa VIP, com convidados selecionados, nomes importantes na cidade. Vem? — Convidei nervosa. Por que expliquei demais?
Ele ficou calado algum tempo. Era lógico que ele não iria vir. Pra que me iludir!
—Eu não sei... Eu não gosto desse tipo de festa. —Comentou desinteressado.
Putz! Ele não entende que não é a festa, é ficar perto de mim!
—Tudo bem. Não vem mesmo, não. — Sentenciei impaciente. —Melhor cada um no seu lugar. Não foram três dias que vão mudar a nossa realidade! — Disse secamente, num arranque de orgulho.
—Nossa, Bella, para! —Repreendeu. —Você tem que controlar sua impaciência.
É, realmente devia me controlar. Surtos de frustração e amargura só evidenciariam minha autopiedade. Respirei fundo e busquei ser sensata. —Você está certo. — Engoli saliva. —Não tem o que fazer aqui. Até mais. — Desliguei sem mais chances de argumentos. Meu peito doeu, e eu o apertei para fazer parar. Sentei na cama triste uns segundos, depois tomei banho e fui ao quarto do meu pai.
—Oi, pai. Estava com saudade. — Deitei em sua cama e o abracei. Ele via TV.
Ele me olhou atentamente, mal-humorado. Algo em seu semblante mudou ao observar meu rosto e, se vinha alguma bronca, ele mudou de ideia.
—Oi, Bella. Está tudo bem? — Tocou minha bochecha, atento.
—Sim. —Deitei a cabeça em seu peito. —Pai, posso te fazer uma pergunta? O senhor me responde sinceramente?
—Sim. —Respondeu desconfiado.
—O senhor não gosta de ninguém? O seu coração é vazio?
Ele sorriu. —Bella, com o passar do tempo temos visões diferentes do amor. Meu coração é ocupado com o trabalho e com vocês.
—Mas o senhor não tem necessidade de mulher?
—Às vezes saio com algumas. — Deu de ombros, minimizando a importância.
—Não estou falando dessas moças que o senhor sai que só estão interessadas no que o senhor pode dar para elas. Falo de uma mulher para conversar, para sentar com um livro na mão na frente da lareira, para ver TV abraçados, para ser sua companheira. —Enumerei enquanto brincava com os pelos no seu braço— O senhor não se sente só?
Ele suspirou. —É difícil arrumar alguém que você queira trazer em casa, sabia? Algumas são muito novas e frívolas; outras são adultas, mas quase sempre tem filhos. Eu não quero juntar famílias assim. Vocês estão muito bem, e eu não quero estragar.
—O senhor não pode pensar só na gente. Um dia todos nós tomaremos outros rumos e o senhor pode ficar em casa sozinho, já pensou nisso?
—Sim, aí será uma boa época para arrumar alguém. — Disse convicto.
—Mas e o tempo perdido na vida, pai? A vida passa. Daqui uns dias você não tem mais tanta vida assim. — Disse séria. Ele olhou-me por segundos, admirado. Eu considerei cumprida minha estratégia em cutucá-lo e mudei de assunto. —Pai, o ano que vem é meu último ano. Eu não tenho nenhum plano específico de carreira para a universidade. O senhor quer me sugerir algo?
Ele me olhou animado e sentou. —Você podia ir aos sábados para a sede da empresa aqui de Seattle para ver o que você gosta de fazer. De repente você goste de jornalismo também, ou administração, marketing, departamento pessoal. Pode ser até colunista. Com tantas variedades algo vai lhe chamar a atenção. — Sugeriu com olhos brilhando.
Ele tinha vontade que seus filhos se interessassem pelas empresas, mas Jéssica escolheu Biologia e Emmett foi para área de computação. Eu... Como não tenho nada em vista, prefiro acreditar que tudo que fizer vou me sair bem, e farei tudo para agradá-lo.
—Tudo, menos locutora de rádio e apresentadora de TV!—Sorri brincalhona. —No inicio de janeiro vou visitar a minha mãe com Alice na Alemanha, e quando voltar, frequentarei a Cullen & Associados.— Descontraí bajuladora. — Vai que eu seja a próxima presidente da organização!
Meu pai me abraçou, contente. —Isso ai, garotinha.
Sorrimos descontraídos, e eu lembrei de tentar mais uma vez abrir os olhos do meu pai. —Pai, o Dr. Charles tem filhos?
—Tem. Por quê?
—É porque a Esme está saindo com ele. Vai ser até bom para o Jasper se eles casarem, porque ele vai morar na casa do médico que cuida dele. — Comentei sugestiva e olhei para ele. Uma ruga de tensão apareceu em sua testa. Bingo! Eu continuei. —Teria sido legal se você tivesse casado com a Esme. É lógico que ela não teria filhos sensacionais como Jasper e Edward, mas eu acho que teriam sido felizes. Ela é uma boa mãe, uma pessoa boa e compassiva. Eu a admiro.
Ele juntou a sobrancelha, pensativo. —E você e o filho dela?
—Pai, não há nada que se preocupar. Eu não vou esperá-lo mais.
—Mas você gosta dele. — Afirmou desgostoso.
—Isso é algo que eu não posso mudar, mas dá para viver. —Disse infeliz e me aconcheguei nos travesseiros, com seu edredom em volta das minhas pernas.
—Você estava triste quando entrou aqui por causa dele? — Perguntou amistoso.
—Não por causa dele, mas por causa da situação. Ele gosta de mim. Só que ele tem que ir sempre.
—Então vocês vão parar de se ver de vez. — Pareceu aliviado.
—Sim. —Disse e me encolhi. Eu sei que prometi relevar, mas doía e enquanto a vida não voltasse a girar, eu não teria forças para esquecer. Papai percebeu minha tristeza e me abraçou.
Acordei na manhã seguinte em sua cama, mas ele já tinha acordado e saído. Eu me senti revigorada. O amanhecer trazia outra perspectiva de vida. E eu decidi sair e comprar uma roupa de festa para o baile que combinasse com meu humor. Quando desci, já pronta para sair, Alice, Esme e Jasper lanchavam em banquetas em frente ao balcão de mármore.
—Hei, vocês três vão comigo ao centro comprar roupas para hoje à noite! — Avisei sem dar chance de negativa.
—Eu não vou ficar, Bella. —Esme disse. —Tenho que dar atenção aos meus outros filhos.
—Então vamos pelo menos me fazer companhia e me ajudar a escolher algo para mim. —Insisti. — Jasper, você tem terno?
—Tenho não... Que saco! Tem que ir igual pingüim? —Fez um bico aborrecido.
—Seria pingüim se fosse smoking, mas é só terno, bobinho. Você vai ficar muito gatinho de terno. ADORO homens de terno. —Abracei-o pelos ombros. —Vai ficar lindo igual meu pai gatão.
Experimentei três conjuntos em duas boutiques diferentes. Alice encarnou a modelo junto a mim e desfilamos pela loja fingindo cara de tédio. Jasper aplaudia e ria com Esme. Por fim, eu decidi por uma peça exclusiva assinada por Pierre Balmain, um conjunto branco bordado com pérolas que não teria nada de comportado. Esme abriu a boca perplexa quando a atendente registrou o preço no American Express Platinum do meu pai. Ficou igualmente admirada com o preço do terno de Jasper na mesma loja que comprei os ternos de Edward. Eu dei de ombros. Não costumávamos medir preços de nossas roupas.
Mais tarde, depois que Esme foi embora, passei a tarde me arrumando. Alice me ajudou a prender manilhas nos cabelos, e chamamos uma designer de unhas para fazer nossas unhas.
Às dez e meia entregamos nossos dois carros aos manobristas, o de Emmett e da Jéssica. Fizemos um acordo de ir somente em dois para o caso de alguém exceder em bebida voltar de carona.
Era uma festa típica de véspera de ano novo, com mesa de frutas, frios, frutos do mar. Três ambientes diferentes para música, um bar no centro arredondado entre os seis ambientes, e nas laterais jardins. Nós optamos inicialmente pelo ambiente de músicas latino-americanas.
—Ih, tem dois homens e três mulheres. Vamos ter que revezar. — Emmett avisou. Eu tirei meu casaco de pele e pus na nossa mesa próxima à pista de dança.
—Tudo bem. Enquanto vocês dançam vou buscar algo para bebermos.
Alice ficou dançando com Jasper e Emmett com Jéssica. Eu dei uma volta e observei meu pai em uma rodinha de amigos com uma moça bonita agarrada ao seu braço. Torci os lábios desgostosa.
Passei por uma rodinha de rapazes, e eles me seguiram com o olhar. Foi bom. Fazia um tempo que ninguém me olhava, e ter olhos sob mim ajudou a elevar minha auto-estima. Voltei para perto dos meus irmãos com um copo de champanhe na mão e parei próxima, sorrindo deles.
—Olá. Quer dançar? — Um dos rapazes de minutos antes se aproximou e estendeu a mão.
Eu sorri surpresa.—Mas eu nem te conheço. — Descontraí fingindo repreensão. Hoje eu podia me dar a oportunidade de conhecer novas pessoas.
—Brandon Locke.— Segurou minha mão. —Qual o seu nome?
Analisei-o, e ele era bem bonito, com cabelos pretos lisinhos, olhos azuis, forte, alto, no máximo vinte e dois anos, com jeitinho de Clark Kent.
—Bella. Bella Cullen. — Sorri acanhada.
—Filha do Sr. Cullen? — Perguntou surpreso, e continuou com minha mão dentro da sua.
—Sim.
—Prazer, Bella. Você é muito bela. — Sorriu amistoso.
—Essa é velha. — Brinquei e puxei minha mão.
—Então dança comigo?
Fez carinha de pidão. Eu sorri. Ele era legal.
—Olha, eu danço muito bem. —Dramatizei brincalhona. — Você tem um minuto para mostrar que sabe dançar, se não eu te deixo na pista.
Ele sorriu com ar solene.
—Eu aceito o desafio.
Segurou-me firmemente na cintura e girou comigo ao som de Shakira. Eu sorri à vontade. Após alguns minutos divertidos, ele me girou para dançar perto dos amigos dele, pôs o nariz no meu cabelo e me apertou estranhamente... Como se eu fosse um troféu.
—Está acompanhada? —Sussurrou em meu ouvido.
—Com minha família. — Respondi tensa.
—Quer ir lá fora? — Convidou sugestivamente.
Aff, eu não era acostumada com flertes diretos e rápidos assim. Quando se acostuma com alguém que demora a pegar no tranco, esse tipo de abordagem é chocante. Eu até podia continuar tentando esquecer Edward, mas desse jeito não rolaria.
Pelo canto de olho vi Mike chegar e, embora não quisesse ser covarde, iria inventar uma desculpa e sair dali. Eu podia até pegar o fone dele e quando eu estivesse melhor ligaria, mas hoje e agora não ia rolar.
—Eu tenho que ir. Meu namorado chegou. — Menti e o soltei.
—Me dá seu telefone. — Prendeu minha mão me impedindo de sair.
—Tudo bem, anota. — Dei o número depois fui ao encontro do Mike.
Foi um alívio encontrá-lo. Meu amigo era muito importante.
—Noossa, mas está tão linda! — Deu-me um abraço de urso que me levantou do chão.
—Você também ficou gato de terno. — Dei uns murrinhos no seu peito e sorrimos cúmplices. —Eu estava esperando meu parceiro de frevo! — Pisquei matreira.
—Sou seu súdito. — Fez um floreio bajulador, pôs a mão nas minhas costas e nos direcionamos a pista.
Independente da música que tocasse, nós dois tínhamos ritmo e afinidade. Ele me jogou de um lado ao outro, rebolamos, sorrimos. Trocamos de parceiros, e eu consegui ficar feliz com minha família e meu amigo... Eu iria esquecer.
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
FELIZ ANO NOVO!
Logo que nos congratulamos e brindamos com champanhe, aproximei-me de Jasper, que estava encolhido no canto.
—Por que está assim?
—Nada. Estou carente da minha família. — Resmungou cabisbaixo. Eu o abracei sorridente.
—Qual é, Jasper! Você viu sua mãe hoje! Vamos nos divertir. — O abracei e peguei mais champanhe que era distribuído pelos garçons.
Mudamos de ambiente de música e nesse tocava todos os hits, desde Rihanna, Britney, Lady Gaga ... Jasper ficou mais animado depois da virada e fez as coreografias conosco. Alice dançou ao seu lado. E eu iria beber todas as taças de champanhe que passassem por mim.
Quando começou Dont'cha, do Pusycat Dolls, pulamos animadas.
—Vamos lá! Essa a gente sabe! — Alice chamou eufórica e posicionou-se para iniciar a seqüência de passos.
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—Eu sou a Nicole! — Avisei e comecei a andar com as meninas de um lado ao outro, mexendo os ombros, cintura e quadris. Passávamos as mãos no corpo, descendo do pescoço à perna com olhar insinuante e um sorriso. Tudo no ritmo e na sequência do clip que se projetava na parede.
Uma rodinha se abriu em nossa volta e os meninos ficaram fazendo os passos perto, como raper. Quando a música cresceu, movemos o corpo sensualmente, amando a diversão.
A música trocou. Do Pusycat Dolls também, Buttons. Essa era muito melhor. Enlouquecia a mulherada.
N/A: Se querem imaginar o que o Ed sentiu assistam o clip da música, é de enlouquecer.
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Precisávamos dos meninos em nossa frente pelo menos inicialmente. Jéssica se posicionou em frente à Emmett, Alice em frente a Jasper, que revirava os olhos de prazer em nos ver dançando assim, e eu em frente ao Mike. Ele imitava o raper, e eu dançava mexendo com os ombros e quadris pertinho dele, que sorria de um jeito aprovador. Nossa, ele estava mais bonito ou o champanhe me fazia ver coisas?
—Está malhando, Mike? — Perguntei e continuei dançando encostada a ele.
—Tem um ano, Bella. —Sorriu convencido e encheu o pulmão.
—Por que não me contou? —Apertei seu braço admirada.
—Porque queria esperar fazer efeito.
O restante da música era uma seqüência de passos em grupo. Mais meninas se juntaram a nós no meio e uma roda de garotos ficou em nossa volta. Em alguns momentos girávamos o quadril rapidamente, descíamos até o chão, rebolávamos. E os homens aplaudiam e assoviavam.
—Uau! — Alice gritou quando a música terminou.
—Uau mesmo. Estou morta. —Eu disse arfante. — Faz tempo que a gente não dança assim! Haja coxas para agüentar isso!
—Oh, eu morri e estou no paraíso. Tantos traseiros mexendo juntos assim é de matar um pobre adolescente! — Jasper pôs a mão no peito teatralmente.
—Vamos para o ambiente de músicas lentas para nos recuperarmos. — Jéssica sugeriu.
—Ok, mas depois eu volto para cá. Esse DJ é bom demais! — Disse e me apropriei de Mike rumo ao outro ambiente de músicas lentas. Mike pôs a mão em minha cintura e dançamos abraçados.
Eu deitei o rosto em seu ombro e senti seu perfume, satisfeita. Eu estava bem. Mais que bem. E Edward estava trancado em casa curtindo a solidão que ele tanto aprecia... Mike estava totalmente em questão... Depois que ele ficou com Jéssica, ele ficou mais... Homem, eu acho... Podia ser que um dia eu desse uma nova chance a ele. Talvez fosse o champanhe que fazia minha cabeça dar voltas, mas se eu voltasse com ele não seria por ele não largar meu pé, como antes... Da outra vez, eu não queria esquecer Edward. Eu fui pressionada a isso por meu pai... Agora eu realmente quero mudar.
—O irmão do Jasper não veio, Bella? —Mike perguntou com o rosto colado ao meu.
—Não. — Por que ele tinha que falar sobre Edward?
—Não estão mais ficando?
—Não. Ele vai embora de vez. — Respondi sem vontade de estender.
—É dele que você gosta desde que tínhamos treze anos?
—Eu te falei isso? — Arqueei a sobrancelha, um pouco tonta.
—Sim, no dia que você queria que eu ficasse com a Lauren. — Ele sorriu.
—Ah... É ele mesmo. — Fiz uma careta.
—Você gosta muito dele? — Pressionou curioso.
—Poxa, Mike! Você quer estragar minha noite? — Ralhei, séria. Qualquer um veria que o assunto me incomodava.
A música terminou e voltamos todos para o ambiente anterior. Jasper foi sentar. Alice, Jéssica e Emmett continuaram na pista, e Mike não se afastou um segundo, em todo tempo de mão dada comigo. Eu gostei de sua superproteção ao passar perto de outros caras. Esses últimos dias me senti tão mal amada que qualquer atitude carinhosa e de cuidado acariciava meu ego dolorido.
—Mike, eu vou ao banheiro e depois vou beber água. Daqui a pouco eu volto.
Estava meio zonza, mas com certeza eu conseguiria chegar ao banheiro. O local de acesso era meio escuro, mas eu fui fácil. Lavei o rosto, passei novamente lápis, batom, sombra e respirei fundo. Saí de lá pisando cautelosamente quando, inesperadamente, senti uma pressão em minha cintura e uma boca invadindo a minha. Relutei, mas a força era maior que eu, e me puxou bruscamente. Eu já tinha ouvido falar que em festas as pessoas beijavam outras sem permissão e sem se conhecer, mas nunca tinha acontecido comigo.
Tentei resistir, mas estavam boas aquelas mãos possessivas em mim, segurando minhas costas sem me deixar respirar. Oh, Deus, eu só queria esquecer. Por um instante, permiti-me sentir... Cedi, embora eu não tivesse noção de quem era. De qualquer maneira depois eu não ia vê-lo mesmo! Pelo menos agora eu sabia que podia experimentar outros beijos. Agora que, teoricamente, me libertei do Edward, todos os beijos deviam ser bons... Igual este.
Ele me empurrou com nossas bocas ligadas contra uma parede e continuou me beijando famintamente. Será que era o álcool que fazia isso comigo? Estava queimando, e não me importei quem fazia isso comigo. Eu simplesmente me abandonei e me permiti ir. Devia estar ficando mesmo louca! O gosto era o mesmo, o cheiro era o mesmo, o beijo era o mesmo...
A consciência foi entrando lentamente em meu cérebro... Puxa vida, eu não iria conseguir me libertar! Em tudo eu via ele. Agora até um estranho me beijando eu pensava que era ele! Eu queria que fosse ele. Isso era doentio!
Um misto de dor e prazer me envolveu. Estava bom, mas eu me sentia doer. Uma lágrima brotou em meu rosto, e eu consegui empurrá-lo.
Atordoada, voltei para a pista de dança.
—O que foi, Bella? Resolveu passar batom no rosto todo? — Emmett perguntou ao me ver chegar.
Passei a mão na boca distraída e tentei, desconcertada, limpar o excesso de batom espalhado.
—Não. — Cortei o assunto e sentei próximo ao Jasper. —Vai ficar aí sentado na cadeira o resto da noite? — Perguntei forçando um sorriso para desviar atenção.
—Ninguém morreu por descansar, e eu estou descansando... — Brincou e apontou com o olhar para Mike, que conversava no canto com Jéssica. —E você e o meu irmão, Bella, o que aconteceu? — Perguntou sugestivamente.
—O de sempre. Ele vai embora e não me pediu para esperar, ou melhor, ele não me pede para namorar. É isso. — Dei de ombros, indiferente.
—Mas vocês não namoravam, não? Poxa, vocês são uns pervertidos mesmo! Aquele sexo todinho era sem compromisso? — Repreendeu sério. Tinha que ser Jasper para me fazer sorrir.
Mike veio em minha cadeira e me puxou. —Não vou deixar você parar, Bellinha. Pode vir dançar. — Sorri agradecida. Voltei a dançar com ele distraída com a memória do beijo.
Olhei para a porta desatenta e percebi uma pessoa familiar nos olhando. Talvez eu estivesse meio alta, mas parecia muito com Edward... Eu queria acreditar que era ele.
Narrado por Edward
Às cinco da tarde da véspera de ano novo, a dúvida e o vazio que Bella deixou me sufocavam. Eu tinha acordando com ela os últimos três dias e estava viciado. Ainda me questionava o que faria sem ela daqui para frente. Era Reveillon, e eu iria embora para D.C. no dia seguinte. Esse seria o tratamento de choque para a desintoxicação rápida, um exercício de autoflagelação.
Terminava de ler um livro deitado em minha cama quando minha mãe chegou de Seattle.
—Olá, mãe! —Recebi-a na porta do quarto. — Jasper está bem?
—Sim. E você, está bem? — Perguntou desconfiada. Bastava ela olhar em meus olhos para ela saber o que se passava comigo.
—Estou. — Respondi evasivo.
—Você e Bella terminaram de vez?
—Nós nunca começamos. — Dei de ombros fingindo pouco caso.
—Pode ser que para você nunca tenha começado, mas para ela acabou agora. — Alertou e seguiu para o seu quarto. Fui atrás.
—Como você sabe disso? —Questionei desanimado.
Ela abriu sua bolsa e começou a esvaziar.
—Pelo jeito como ela está agindo. Ela está decidida a continuar com a vida. Está desistindo de você. — Informou enquanto organizava as roupas.
Suas palavras me cortaram em pedacinhos. Embora eu prevesse isso, ouvir me estilhaçava.
—Melhor pra ela. — Resmunguei amargo, encostei-me a sua cômoda e me entreguei à frustração.
—E você? Desistiu dela? — Parou e olhou-me acusativa.
Cruzei os braços pensativo. Como seria viver para sempre sem Bella? A pessoa que vejo nitidamente que somos um, a parte alegre que falta em mim, o calor que aquece minha solidão, o sorriso musical que expurga o silêncio da minha vida, a mulher quente que preciso como de ar para respirar.
Ah, Deus, mas eu não posso tê-la... Um dia eu volto e a encontro. Se ela ainda me quiser, poderemos ficar juntos e unir nossas vidas, mas agora... Não.
—Filho, não deixe a vida passar... —Esme aconselhou ao ler minha resignação. — Viva o hoje. Não deixe para resolver daqui a vinte anos, que é quando você vai se arrepender de ter deixado a vida passar. Até chegar lá, as coisas não serão mais tão fáceis. Existem palavras que precisam de ser ditas hoje. — Disse e colocou a mão em meu ombro, fazendo alusão a si. —O pai da Bella conversou comigo. Ele ficou preocupado porque ela passou a noite triste por causa de vocês.
Fechei os olhos torturado pelo medo de ter esperança. Como eu poderia desistir dela? O resumo dos nossos dias juntos mostra o quanto ficamos bem juntos quando esquecemos o resto. E não tem como desistir de alguém que me é tão importante.
Pensando assim, decidi ir à festa de véspera de Ano Novo com o convite que ganhei segunda. Sentia-me obrigado a decidir minha vida com Bella. Não devia mais viver nessa indecisão. Eu a queria, e se ela me quisesse, iríamos construir o nosso futuro juntos. Iria pedir que ficasse comigo, que superasse a distância e que me esperasse. Se ainda houvesse esperança, se ela ainda acreditasse mesmo que minimamente em nós ela iria aceitar. Eu não queria pensar em como, eu só queria me manter ligado a ela.
O convite designava o traje passeio completo. E para confrontar minha personalidade, as roupas que semearam a discórdia entre nós seriam meu passaporte para reencontrá-la. Aceitei conformado... Outrora eu lhe compensaria.
As onze da noite, cheguei ao clube onde seria a festa e avistei os carros do seu irmão e o de sua irmã. Entrei me sentindo deslocado por nunca ter ido a uma festa desse porte, com tanto luxo e ostentação. Sentei-me próximo ao bar, em um local que proporcionava vista a quase todos os ambientes e logo a vi. Ela estava linda. Talvez a saia estivesse um pouco curta, mas era bem o seu estilo de roupa. Ela mudou a posição e as costas eram completamente nua. Aquilo era mesmo uma blusa? Parecia um trapo fino amarrado no pescoço. Bonita, é claro, mas eram poucas roupas, não?
Observei-a cauteloso, e ela saiu de perto da família. A insegurança e possessão me possuíram quando a vi passar por uns rapazes que perscrutaram-na dos pés à cabeça.
Avistei suas irmãs, e a despeito do frio lá fora, Alice também usava vestido com poucos panos. Curto e com abertura nas laterais superiores. E Jéssica usava um vestido que na parte de cima só cobriam os seios, com abdômen completamente de fora. Balancei a cabeça perplexo. Sorte o local ter climatizador. Era estranho ver as meninas da cidade vestidas assim. Será que eu me acostumaria um dia?
Eu não sabia dançar o estilo de música que tocava, mas ao ver Bella voltar, levantei-me para propor acompanhá-la. Entretanto, quando olhei em direção à pista de dança, um dos rapazes que a observava minutos atrás, chamou-a para dançar.
Diga não, diga não.
Ela aceitou. Eu fechei os punhos ao vê-lo tocá-la. Após duas músicas, Bella soltou-se do parceiro e correu para os braços de Mike. A imagem dele rodando-a no abraço me torturou igualmente aquele dia no parque. E igual àquele dia me acovardei, retraí e sentei-me novamente no bar para observar e repensar.
Enquanto ela dançava com ele, eu me perguntei frustrado o real motivo de ter ido ali... Eu precisava ir embora. Pude ver que a perdi de vez, e que a qualquer momento ela escolheria Mike finalmente, com grande possibilidade de felicidade para os dois. Droga, mas eu não podia perder sem lutar. Não podia ver os sorrisos que eram meus sendo dados para ele.
Meu desejo era retroceder novamente, como da outra vez, mas hoje eu colho o que plantei com aquele ato covarde de deixá-la. Foi por causa de atitudes assim que ela está desistindo de mim, foi por eu não ter uma postura desejável e por não demonstrar certezas.
As músicas seguintes tiraram meu juízo completamente, com aquela roupa que agora representava muito menos pelo modo que ela rodava e abaixava. Vê-la dançando despertava várias sensações de uma vez. Senti-me um animal feroz provocado, possessivo. O sangue pulsava na testa de irritação.
Quando ela levantava as mãos, a sua região abdominal ficava exposta, e eu já me sentia um louco obsessivo, lutando contra mim para não agir de modo primal, colocá-la sobre meus ombros e escondê-la como um neanderthal. Era uma verdadeira estupidez deixar-me apossar desses sentimentos, mas estava fora de mim. Vi os olhos de outros sobre ela, então me senti um destruído, porque assim seria para sempre se eu fosse embora.
Com a ruína duelando com a lembrança da sua voz, dos carinhos, do seu jeito adorável, um fio de forças prevaleceu... Como podia ter essa inquietação, se sinto seus sentimentos genuínos quando estamos juntos?
Como que por um milagre, Bella se soltou do amigo que dançava e caminhou em direção ao bar. Parecia meio zonza, pegou uma água e caminhou em direção ao banheiro. Essa era a hora propícia para abordá-la, já que perdi diversas oportunidades por causa da minha covardia. Esperei-a, e ela saiu do banheiro calculando os próprios passos.
Eu queria beijá-la, queria sentir que ela era minha, que seus beijos pertenciam a mim, por isso, determinado, puxei-a sem lhe dar chance e invadi sua boca com a língua em um beijo impetuoso. Os seus lábios quentes e com gosto de champanhe ferveram em minha boca, sua pele era pura brasa e meu corpo respondeu mais que imediato à nossa proximidade. Não foi suficiente um simples beijo, eu queria sentir as suas curvas, o seu corpo. Empurrei-a até a parede e me senti novamente seu dono, acariciando suas curvas. Eu a queria. Estava descontrolado com a adrenalina, com o medo de perdê-la.
Mais cedo do que eu previa, ela me empurrou e saiu assustada, e eu não tive tempo de lhe falar tudo que planejei. Ela voltou para perto de sua família, e eu me senti vazio novamente. Não era só o meu coração que despedaçava, o meu corpo sentia uma dor como se tivesse extraído um pedaço de mim.
Com os ombros caídos de frustração, desisti de mim mesmo. Direcione-me à porta, porém, eu sentia-me recluso, preso, impedido de sair. Meus olhos prendiam-se nela, eram atraídos, mesmo vendo-a nos braços de outro. Desejei dar murros em mim pela minha fraqueza, pela falta de progresso.
As probabilidades de surgirem alguma outra chance eram mínimas, mas como que por magnetismo ela olhou em minha direção e veio caminhando com olhar surpreso e incrédulo. Desejei fugir para não ter que admitir o quão desesperado estava por ela, o quanto me sentia covarde, mas meus pés estavam presos.
—O que faz aqui? — Franziu o cenho desacreditada. —Como entrou?
Desviei o olhar, nervoso. Eu vim te ver, Bella. Eu preciso de você permanentemente em minha vida. Ensaiei, mas as palavras não saíram. A desconfiança eclipsou minha coragem: Será que ela não sabia que fui eu quem a beijei?
—Eu tinha o convite. — Respondi e dei um passo atrás, inseguro.
—Por que não me avisou que vinha? —Cobrou naturalmente. Eu torci os lábios com desgosto.
—Queria fazer uma surpresa, mas eu fiquei surpreso. —Espetei amargo, cheio de ciúme.
—Com o que?
—Com a sua 'amizade' com Mike. —Acusei com desdém. Aquele nome me causava repulsa, aliás, o nome não, o que causava repulsa era o quanto eu me sentia ameaçado pela sua presença na vida dela.
Ela balançou a cabeça, cética.
—É uma festa. Eu estava dançando. —Justificou-se reprovadora.
—Aquilo não parecia uma dança. —Apontei para pista censurando.
—Você não pode me cobrar nada. — Salientou fria.
—Eu sei. — Pus a mão no bolso e me distanciei emocionalmente. Ela me estudou dos pés a cabeça e inesperadamente sorriu. Acompanhei seu olhar. O terno. Ela aprovou o fato de eu ter usado.
—Você não ia falar comigo? — Perguntou curiosa.
Me retraí mais atrás do muro. Puxa, ela me beijou e não percebeu que era eu! Ela poderia estar beijando qualquer outro que seria a mesma coisa!
—Talvez depois. — Desviei o olhar para o chão sem certeza
—Por que veio, se não gosta deste tipo de festa e se não ia falar comigo? —Inquiriu com o queixo orgulhoso erguido.
Eu até sabia porque vim, não conseguia é explicar o porquê de não conseguir sair.
—Estou me perguntando isso.
Ela balançou a cabeça como se tivesse se decepcionado com a resposta, mas me encarou e sua proposta a seguir me pegou de surpresa.—Espera aqui que eu vou falar com o pessoal que vou ficar com você e já volto.
Eu não sabia se ainda era isso que eu queria. Não podia mais atrapalhar a sua vida quando estava claro que ela não queria mais, só estava sendo atenciosa.
—Não, Bella, eu já vou. Está tarde. —Adiantei-me.
Ela olhou-me duramente e bateu uma mão na outra. —Quer saber? Então vá! Vá com Deus! Feliz Ano Novo!
Saiu sem olhar para trás, e eu me senti congelado, com a respiração presa ao ver sua atitude beligerante.
Ela aproximou-se do amigo novamente e voltaram a dançar. A tortura em meu coração parecia choque. Vê-la nos braços dele me levava à beira de ruínas. Libertei-me daquele martírio quando ele passou a mão em seu rosto. Nada mais importava. Saí daquele salão e sentei-me, destruído, em um banco em um jardim rodeado por vidraças.
Fechei os olhos e joguei a cabeça para trás. A imagem dela duas noites atrás foi projetada por minha mente, com ela entregue em meus braços, seminua, absorta, com suas fragilidades expostas, onde eu sabia que se intencionasse a possuiria. Ela tinha se dado inteiramente a mim, o seu amor, a sua vida, confiança. Deus, como eu a queria!
Voltei à existência de fato quando sua imagem materializou em minha frente.
—Edward, eu não estou conseguindo entender você... —Exclamou exasperada. — Você fala que não vem e vem, agora disse que ia embora e não foi. Quer me deixar louca? —Abriu as mãos no ar desamparada.
O destino deu-me mais uma chance, e eu precisava confessar ali a minha fraqueza e a minha necessidade.
—Eu que estou ficando louco... —Resmunguei transtornado, passando nervosamente os dedos nos cabelos. — Não estou agüentando.
—O quê? Se expressa, por favor! —Pediu impaciente, mas havia súplica nos seus olhos.
Tudo, tudo em você me enlouquece, principalmente o fato de não estar comigo agora. Sinto-me um desequilibrado, sem juízo são, sem constância, um demente sem você. Todos os anos buscando equilíbrio emocional se esvaem e o homem que está em mim agora é irreconhecível.
—Essa roupa, esses caras te olhando, o seu amigo dançando colado com você, tudo isso está me deixando louco. —Enumerei num fôlego só, envergonhado.
—Ciúmes?! — Perguntou incrédula, mas vi o fantasma de um sorriso no canto de seu lábio.
Sim, ciúme era o nome mais pobre dado a esse sentimento horrível.
Ela suspirou. —Olha só... Eu estou tentando me divertir, viver, você entende? Eu queria estar vestida para você, queria estar dançando com você, mas você não quis vir quando eu liguei!
Eu permaneci em silêncio, com o alívio me inundando e enchendo de esperança. Ela queria estar comigo!
—Eu vou te dar mais uma chance, você quer se divertir comigo? Quer dançar? — Estendeu-me a mão cautelosa chamando-me a sair do vazio.
—Bella, eu não sei dançar essas músicas. — Resmunguei indeciso. Eu queria ir, mas me faltavam forças de jogar o medo para o alto.
—Ninguém sabe. Todo mundo finge que sabe. —Sorriu receptiva. — E você já dançou comigo na casa do Ryan. Você tem desenvoltura, vem? — Bajulou. Permaneci quieto, sem certeza. Decidida, ela pegou meu braço e me puxou do banco. Eu respirei fundo, como se um grande fardo tivesse caído das minhas costas. Ela salvou-me de mim mesmo quando eu não acreditava em mim.
Inundado por satisfação, entrei no clube e não resisti ao desejo de reclamar seus lábios. Segurei sua nuca e a beijei calidamente, partindo seus lábios com a língua. Ela correspondeu ávida, mas logo se afastou.
—Que foi isso? — Ofegou surpresa.
—Saudade de você. —Sorri misteriosamente. Não diria que minha exposição pública era somente uma afirmação de propriedade. Dizer seria muito tosco e primitivo.
Ela balançou a cabeça desconfiada. Direcionamo-nos à mesa que se encontrava o meu irmão e sua irmã, conversei com os dois, depois ela levou-me para a pista que há pouco dançava. Ela enlaçou meu pescoço e deslizei o olhar por seu busto, pela roupa decotada, curta, de babados. Apertei possessivamente sua cintura e fiz seu corpo encostar minimamente a mim. A música pouco importava. Eu precisava afirmar que seu corpo era meu, de ninguém mais.
Fitei os olhos nela e acariciei seu rosto, apreciando sua beleza que também me pertence para sempre. Ninguém irá levá-la de mim, repeti. Sorri comigo, desci a mão por seu quadril, acariciando a bela curva da nádega e beijei-a na boca, deliciando-me do seu gosto.
A mulher que horas atrás era vista e cobiçada por outros olhos, nesse momento era minha, seus olhos eram meus, seu coração era meu, seu corpo era meu, seu beijo era meu.
—Você está tão estranho... Não é normal você me beijar assim... Publicamente. — Ela me estudou, em dúvida. Sorri extasiado e cobri seus lábios, demarcando sua boca, explorando cada canto doce. Apertei-a com todas as minhas forças. Sentia-me vivo, quente, excitado.
Cautelosamente ela afastou-me do beijo e olhou em volta preocupada. Eu queria rir. Geralmente essa cautela era uma característica minha.
—O que foi? —Perguntou novamente e cheirou minha boca conferindo se eu tinha bebido.
Eu ri abertamente.
—Estou demarcando território. —Revelei sem embaraço.
—Como assim? —Quis saber desentendida.
—Ai, Bella, pensa... Tinha um monte de homem te olhando e sou eu quem beija você. Você é minha. — Declarei enfaticamente.
Fui privado por longas horas e agora o que eu mais queria era saciar-me dela. Minhas mãos eram donas de si, elas não se conformavam em apenas segurá-la. Todo o desejo da noite acumulava-se e me invadia, de modo que não me importei com os olhares e beijei-a ardentemente. E não bastava mais os beijos, eu queria tomá-la, queria estar dentro dela, queria possuí-la lenta e conscienciosamente.
—Vamos para outro lugar? —Sussurrei ofegante em seu pescoço. Se fosse preciso imploraria.
—Qual o motivo desta atitude sua? Você nunca age assim...
—Tudo você questiona, Bella... Vamos...? — Pressionei.
Ela vacilou, e era disso que eu precisava, da mínima incerteza. Eu sabia que ela queria ir aos finalmente tanto quanto eu. Eu tinha pressa, meu corpo ardia de fome e pedia incessantemente pelo seu. A adrenalina misturava-se ao desejo, ao meu amor, à saudade, a possessão. Por isso, sem pensar muito, levei-a de lá, sem nem mesmo saber qual seria o destino.
Era consciente que ela tinha que dizer sim antes de nos dirigirmos a um local apropriado e ainda precisava prepará-la para receber-me em seu corpo virgem. Era segurança que ela queria, não era? Eu decidi. Hoje eu podia dar: sou seu para sempre. A partir de agora seria irrevogável, definitivo.
Narrado por Bella
Repentinamente, ele me puxou pelo salão e saímos por uma porta lateral que daria para o estacionamento, mas, sem aviso, ele me levou para o lado contrário, no jardim atrás do salão. Mal chegamos lá, cobriu minha boca com a sua, empurrou-me contra a parede e subiu as mãos pelas laterais da minha perna, enquanto me beijava violentamente.
Rápido, muito rápido.
Ops! Ele nunca age assim. Só me lembro de atitudes assim outras duas vezes em nossa vida.
Bom, ele não me deixou pensar. Parecia ter dez mãos. Elas estavam em vários lugares ao mesmo tempo. O meu ar faltava, e ele não parava de me beijar. Ele estava desesperado, faminto, enlouquecido. Era alucinante aquilo. Suas mãos invadiram a minha blusa e me apertaram nos seios, me fazendo erguer o corpo para suas mãos.
Ele abriu minhas pernas com a perna dele e apertou-me de uma maneira não comum ao seu comportamento, então desceu a boca pelo meu pescoço, ombros e abriu, sem pedir, o nó da minha blusa, deixando a blusa cair.
De um jeito selvagem, desceu com a boca sugando, mordiscou o seio, encheu-o em sua boca, depois beijou até a barriga, ainda com as duas mãos no seio. Eu não podia pensar. Gemi de prazer quando ele voltou a chupar de um jeito possessivo o bico, grunhindo enquanto o apertava.
Conhecia hoje outra face do anjinho. Um anjo com atitude, sem reservas.
Estava delirando e muito confusa. Em poucos instantes eu poderia ficar sem roupas e ser tomada sexualmente que não iria perceber. Ele voltou para a minha boca, apertou minha coxa e ergueu minha perna para moldar a sua excitação. Passou os dedos pela lateral da peça íntima, hesitante, e eu arfei, arqueando o quadril.
Estimulado por minha resposta, sua mão invadiu minha calcinha, e ele me tocou intimamente, explorando, sem dúvidas ou pudor.
—Ai, Bella. — Gemeu em minha boca, eu estremeci, e ele iniciou movimentos lentos com dedos, circulando, conhecendo. Engoli o ar e travei os dentes, suprimindo um grunhido que queria escapar. Ele deslizou o dedo na umidade, espalhando-a e gemeu sofrido em minha boca. —É tão... quente... — Sussurrou enquanto acariciava. Eu estava entregue, perdida, não podia lhe negar, eu era sua agora de uma maneira inigualável. Céus, sua mão era o paraíso! Não pensei que pudéssemos chegar a esse ponto tão rápido. Eu faria agora o que ele quisesse.
—Bella... Por favor... Faz amor comigo... — Sussurrou entrecortado e enfiou a língua em minha boca. Eu não conseguia raciocinar, não sabia mais meu nome ou onde estava. Era difícil pensar com sua língua na minha boca, uma mão em meus seios e a outra insistindo em escorregar incentivos em minha intimidade.
Senti minhas pernas perderem as forças e um prazer inigualável retorcia em meu ventre, fazendo-me projetar o quadril em ansiedade ao encontro de sua mão. Há dias eu sentia essa ansiedade. Agora, com sua mão me tocando, eu descobri o que sempre quis. Era completamente novo e sem controle aquele desejo.
'Mais rápido'. Pensei.
Como se tivesse ouvido meus pensamentos, ele obedeceu o comando invisível, movendo mais rápido, com delicada insistência, os dedos suaves como plumas, incitando, persuadindo, ao mesmo tempo que apaziguava. Lambia sem pudor a minha boca, enquanto isso olhava atento o meu rosto.
Um tremor me percorreu, fogo explodiu em meu ventre, e eu gritei, sendo abafada por sua boca apertando a minha, impedindo o grito de sair. Fiquei fora de órbita uns segundos, tremendo. Não havia pensamentos. Só cores e sensações.
Aos poucos meu corpo ficou lânguido, minhas coxas escorregadias, e eu me perguntei o que tinha ocorrido. Não conhecia meu corpo. Lá embaixo era uma local proibido para mim. Não costumava mexer ali nem conversar com ninguém sobre intimidades. Por isso não sabia o que ocorreu.
Sem respostas, explorei seus estímulos, que continuaram, continuaram, junto à deliciosa sensação de torpor.
Ele abriu mais minhas pernas com sua perna, continuou me acariciando, e eu senti algo tenso pressionando minha entrada, talvez seus dedos. Continuei recebendo seus beijos, entontecida. Meu ar faltava, e eu não conseguia articular palavras.
Um fio de consciência, impróprio para a ocasião, alertou o meu cérebro. Putz! Amanhã ele ia embora, e eu estava praticamente consumando as vias de fato em uma parede de um clube! Tudo bem... Eu desisto... Mas aqui não... Isso devia ser especial, não?
Pensava, pensava, e não conseguia raciocinar. Estava muito boa a pressão na entrada molhada e a carícia de seus dedos. Não sabia o que ele fazia, mas suspeitei o que era pelo modo como ele tremia e ofegava. Deitei minha cabeça para trás, e ele novamente abocanhou meus seios, sugando, mordendo.
—E... Preservativo? — Murmurei procurando ar.
Ele parou todos os movimentos, respirou fundo e mordeu o meu queixo, congelado, enquanto acalmava a respiração.
—Não...
Ele acariciou uma última vez lá, afastou-se e livrou-me de sua mão relutantemente. Ainda ofegando muito, ele amarrou minha blusa.
—Depois... Eu estava te devendo isso. — Sorriu de queixo travado, e eu não entendi. —Quer dormir comigo hoje? — Convidou tenso.
Eu poderia ir, mas sabia que ele não tinha condições de gastar com os hotéis do Centro de Seattle.
—Você me deixaria pagar? — Propus. Eu não queria ofendê-lo, só queria nos proporcionar uma noite inesquecível.
—Fica aqui só um pouquinho, Bella. — Deixou-me encostada à parede e saiu.
Estava escuro ali. Ele foi para o outro lado e demorou um pouco, de costas para mim, aparentemente pensando. Minutos depois ele voltou.
—Pronto. Você não vai pagar nada pra mim. — Disse com um sorriso vingativo de um canto ao outro. Fiquei perdida.
—Tá, mas eu tenho outra proposta. — Eu disse, acariciando seu cabelo.
—Qual? — Voltou a beijar meus lábios docemente.
Cadê o homem impaciente e selvagem que tinha aqui agora a pouco?
—Durma comigo na minha casa.
—Como? Seu pai não vai aceitar.
—Fácil, finge que está bêbado, igual segunda. Mesmo que ele não goste de nós dois juntos, ele não vai deixar o filho da Esme em perigo.
—Mas ele vai achar que além de aproveitador, sou um homem dado à embriaguez. Meu conceito com ele vai à zero.
—Pelo menos eu 'dormiria' com você... —Sugeri maliciosa.
Ele sorriu enigmaticamente.
—Não sei... Talvez não precisemos mais ter pressa hoje. — Virou de costas para mim sorrindo, e eu o abracei por trás.
—Como assim?
—Mais para frente eu supro suas curiosidades. —Evadiu do assunto incomodado. — Vamos voltar para o clube? — Propôs.
Eu aceitei sem questionar mais. Passamos nos banheiros, dei um jeito no meu cabelo e voltamos para o salão. Pegamos umas taças de champanhe e entramos na pista de músicas lentas.
—Você já bebeu alguma coisa hoje? — Perguntei desconfiada. Eu não tinha sentido cheiro de bebida nele, mas que outro motivo ele teria para ter perdido completamente a timidez?
—Não. —Respondeu fingindo seriedade.
—Nadinha? Nem uma gotinha? — Insisti, sem acreditar, sendo conduzida por ele numa música.
—Não.
—Então por que você teve essas atitudes hoje? — Referi ao fato de me beijar em público estando sóbrio, me jogar na parede daquele jeito e avançar sem pedir autorização. Geralmente ele é tão comedido.
Ele franziu os lábios com um sorriso cínico estampado no rosto.
—Fala! —Dei um tapinha em seu braço. —A gente tem que se comunicar! — Insisti.
—Agora não. Depois te falo com tempo.
—Nós não temos muito tempo... —Lembrei. — Você vai embora amanhã.
—Engano seu... Eu não vou amanhã. — Disse triunfante e voltou a me beijar quente, com as mãos prendendo minhas costas.
—Por quê? —Afastei-me surpresa.
Ele segurou em meu queixo, rindo da minha ansiedade. —Porque eu não consigo te deixar. Já que por uma atitude insensata minha perdemos quase um mês, eu nos darei quase dois para reparar o erro.
Sem mais palavras, entornei a taça de champanhe e aceitei seus beijos. Passamos os instantes seguintes extasiados, sorridentes, apaixonados, enquanto girávamos ao som da música.
Meu pai e Emmett nos observavam do bar a metros de nós. Não me importei. Ele não pareciam hostis, só curiosos. Eu estava feliz! Edward fez algo por mim... Ele fez a primeira escolha Entre o Amor e o Poder. Ele escolheu a mim.
Continua...
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Contos da Bia Braz
