Capítulo - Compromisso

Narrado por Bella

Após um tempo de música, as dúvidas queriam voltar a encevar-se no meu coração, mas eu lutava para prolongar o máximo que pudesse a minha fugaz felicidade. Não pensei que ainda seria possível encontrá-lo depois do último telefonema. Não este ano. Vê-lo na porta foi como ver um sol a meia noite.

Ele quebrou várias barreiras por mim hoje. A primeira foi ter vindo a uma festa que não é do seu meio social e costume. A segunda foi ter usado o terno que eu comprei. Ultrapassou mais um limite seu, o de sua personalidade orgulhosa. Isso me traz esperanças de mudanças. A terceira, e que massageou o meu ego, foi assumir ciúme. Ciúme está relacionado a medo de perder e, se ele tem medo de me perder, é porque eu tenho algum valor.

De tudo, o que trouxe mais alegria foi o fato dele ter me escolhido. Mesmo que momentaneamente, mesmo que por dois meses, ele me escolheu. Um lado meu não queria se entregar, argumentando que ele poderia simplesmente chegar amanhã e mudar de idéia... Como já ocorreu antes. Porém, embora eu não saiba ainda o que será do nosso amanhã, as possibilidades mínimas me satisfazem. Será que é falta de orgulho consolar-se com migalhas?

Esse meu novo lado pessimismo me atormentava e não me permitia mais confiar totalmente. No entanto, não podia deixar esses pensamentos enraizarem. Não esta noite. Esta noite eu seria dele.

—Edward, pega um drink de morango para mim. —Pedi precisando de coragem para levar adiante minha decisão. — Acho que eu já tomei tanto champanhe hoje que meu corpo criou resistência.

—Você está com intenção de embebedar-se? — Segurou o meu queixo desconfiado.

—Não, é só para relaxar enquanto o tempo passa.

Ele deixou-me encostada à mesa e foi até o bar no centro do clube. Meu pai e irmãs já tinham ido embora. Só Emmett nos observava à distância. Edward voltou com uns drinks, entregou-me o copo e voltamos a dançar.

—No que está pensando, Bella? —Questionou preocupado. —Ficou tão apreensiva de uns minutos para cá. — Pôs a mão atrás da minha nuca para erguer meu rosto.

Eu não queria estragar o momento. Precisava ocultar minha tensão.

—Como você conseguiu o convite? —Perguntei com um sorriso forçado.

—Seu irmão me deu segunda-feira, lá na sua casa.

—Sério? — Ofeguei surpresa e olhei em direção a Emmett que beijava a garota que há pouco conversava. Por que ele não me contou? Por isso ele ofereceu o convite para a irmã do Jasper e não para Edward! Meu irmão está realmente tentando me agradar. Mas por que aquela conversa do Edward não ser o melhor? Ele deve ser bipolar mesmo. Ou deve estar sendo pressionado por meu pai.

—Bella, como é o nosso plano? Que horas pretende sair daqui?

O plano...? Hum... Oh, senhor, não tinha planejado isso para agora... Ainda tenho dúvidas ... Talvez por causa da inexperiência. Lá fora eu estava atordoada, movida por uma paixão arrebatadora. Mas agora, o efeito do álcool se ia...

—Há algum problema? — Questionou ao ler minha indecisão.

—Edward, me beija. — Pedi cheia de medos. Ele beijou-me carinhosamente, muito doce e gentil.

Eu precisava levar a minha coragem à frente. Cheguei até aqui e devia seguir adiante.Vai trocar o seu corpo pela presença dele?Minha parte insegura e pessimista perguntou. Não foi anteontem que você disse que não iria mais fazer isso: tentar prendê-lo com a fome que ele tinha do seu corpo?

Tomei um gole imenso de drink. Só assim eu calava aquela voz inoportuna que me atormentava. Ele gosta de mim, argumentei mentalmente. Ficou claro isso por meio de suas atitudes. Por que desistir de ter hoje uma noite de amor?

Após dois copos de vodka com morango, eu senti novamente a animação do álcool queimar meu sangue. O gosto da fruta, misturada com os lábios doces do Edward eclipsaram os questionamentos. Eu queria esquecer tudo e explorar tudo que tivesse direito.

—Se continuarmos bebendo assim iremos ficar bêbado. — Edward avisou sorrindo bobo em meu pescoço.

—É só continuarmos dançado que o álcool evapora. —Abri um botão de sua camisa e beijei seu peito. —Relaxa, anjinho, é Ano Novo. Ainda não são três da manhã. Vamos dançar mais uma hora e podemos ir. —Abri mais um botão para beijar. —Faz assim, vai lá e pede para o garçom preparar os drinks e nos servir aqui.

—Bella, eu não vou fazer isso... —Negou balançando a cabeça. —Daqui a pouco não paramos em pé. Além disso, eu não vou pedir para o garçom nos servir aqui, se eu posso ir lá. —Resmungou contrariado.

Eu subi com beijos para seu pescoço, rindo compreensiva com sua falta de costuma com festas deste nível.

—É só pedir que ele vem. — Eu disse, carinhosa. —Não se preocupe, é o trabalho deles. E esses drinks têm mais açúcar e gelo que vodka. Não vamos ficar bêbados. —Garanti.

—Eu não quero pedir isso. Se você quiser, vou lá dez vezes e volto. — Relutou.

—Meu futuro embaixador dos Estados Unidos da América... —Bajulei, segurando seu rosto. —Você acha que quando tiver poder, vai buscar seus próprios drinks? Já que você gosta de viver no futuro, vamos viver de agora. Um dia você vai ser servido e tem que começar a se acostumar, embaixador.

Um brilho brotou em seus olhos, e ele sorriu, facilmente convencido. Saiu decidido, buscou mais dois drinks e conversou com o garçom.

—Você tem que aprender a se comunicar e a delegar, meu embaixador. — Continuei bajulando quando ele voltou. —Sempre vai ter pessoas trabalhando com você e para você. Não vai poder fazer tudo sozinho. A propósito, o senhor está muito elegante com esse terno. — Descontraí passando as mãos em seu peito, por baixo do terno. Ele sorriu tímido. Eu continuei. —Aliás, elegante não, irresistível, bonito, gatão mesmo! — Sorri de sua timidez, aproximei o nariz de seu pescoço e inspirei o seu perfume. —Adorei que tenha usado o relógio e o perfume. Gostou do sapato?

Ele ficou repentinamente sério.

—Bella, eu gostei de tudo. Não tem do que não gostar, obrigado... Eu sinceramente não sei como agradecer. E fico constrangido com o fato de realmente precisar.

—Não precisa agradecer. —Cortei-o travessa. —Não foi de graça... Nunca faço nada de graça. E só o fato de estar usando já é um dos meios de pagar. — Disse e mordisquei seu pescoço.

—E como mais eu vou pagar? — Sorriu malicioso e procurou meus lábios.

—Em primeiro lugar um dia vai me encher de ouro. — Lembrei e sorri em seus lábios. Tudo girava e brilhava ao meu redor, e eu me agarrei mais ao seu pescoço. —Além disso, hoje à noite você começa a pagar de outro jeito... Beijos em partes cobertas e descobertas do meu corpo. — Provoquei-o, arrastando meu corpo nele e lambi sua boca.

—Hum... Essa realmente é uma forma penosa de se pagar. — Lamentou fingidamente e desceu a mão para a base das minhas costas. —Você não respondeu qual é o plano para hoje. — Afastou de meus lábios e mordeu meu queixo.

Definitivamente eu continuava o estranhando. Ele mudou mais do que eu imaginei.

—Quando chegarmos em casa, você dorme no meu quarto, então eu me arrumo para dormir com Alice, mas vou dormir com você. — Conspirei com um sorriso traquino.

—Tem certeza? — Acariciou minha nuca. Será que minhas dúvidas estavam tão aparentes assim?

Responder não iria lhe dar toda a convicção que eu queria mostrar, porque essa eu não tinha, então, melhor era deixar meu corpo falar por mim. Ele não obedecia meu lado sensato mesmo!

Beijei-o sentindo-me rodar. Fui invadida pela ardência da bebida misturada à nossa paixão que era inconsumível. Os minutos seguintes foram preenchidos pelos nossos beijos e nossos sorrisos.

...

Bella... Bella... — Ouvia uma voz muito longe... Era a voz do meu pai que chamava... Ai... Minha cabeça doía...

Abri os olhos e a imagem a minha frente me encheu de alegria. Edward estava sem camisa, com o cabelo todo bagunçado, sem cinto, a calça semi-aberta e dormia comigo. Sentia meus reflexos lentos, mas passei as mãos em seu abdômen e seu peito, apreciando-o. Mesmo com dor na cabeça, sorri daquela imagem linda, livre de defeito, única.

—Hum, hum! — Alguém coçou a garganta e levantei os olhos. Assustei quando vi a minha frente cinco pessoas nos olhando: Jasper com um meio sorriso cínico no rosto; Alice com cara de assustada e com um remédio estendido para mim; Jéssica com olhar acusador tipodanadinha; Emmett parecendo preocupado; e... meu pai. Este me olhava com olhar fulminante. Ele queria me matar.

Em câmera lenta, olhei de volta para mim, tomando consciência naquele segundo de onde estava. Eu estava no sofá, sem a minha blusa, cobrindo-me somente com um lençol. Imediatamente corei pelo constrangimento. Isso nunca seria aceito em qualquer família por mais liberal que fosse, ainda mais tendo crianças de quatorze e quinze anos como Alice e Jasper em casa.

Sentei-me rapidamente, tentando desviar dos olhares especulativos.

—Pai, er, desculpa... Como vim parar aqui? — Disse em um som quase inaudível e tomei o remédio e a água que Alice segurava nas mãos.

—Emmett trouxe vocês.

Olhei em direção a Edward e me toquei que ele dormia descomposto, sem camisa e com a calça semi-aberta, o que era completamente embaraçoso... Com dedos trêmulos subi o zíper da calça e fechei o botão, esquecendo que havia olhares sobre mim. Com os reflexos alterados, viajei naquele pedaço do seu corpo, na região baixa do seu abdômen. Eu nunca tinha prestado atenção ali, nunca tinha me permitido explorar. E era lindo, másculo, com uns pelos macios e lourinhos... Eu já tinha sonhado tanto com ele dentro da minha casa. Imaginei-o deitado no meu sofá. E agora não era sonho.

Sou louca por ele, pensei, e o quero em todas as manhãs possíveis. Eu preciso dele, preciso acreditar em nós.

—Bella...

—Hmmm... Desculpa. —Pedi envergonhada.

Levantei os olhos novamente e o atentado estava para explodir de rir em silêncio. Olhei de volta para Edward e toquei seu rosto para acordá-lo.

—Edward... Acorda... — Passei as mãos com carinho em seu rosto. Ainda que se passassem anos, eu nunca acostumaria com a beleza do seu rosto. Todo o tempo me dado com ele nunca foi suficiente para conter a sensação de falta, a vontade que tenho de tê-lo pra sempre, de matar a saudade que nunca tem fim. Continuei tocando-o hipnotizada pela perfeição dos traços da boca, sobrancelhas, olhos... Contente, dizia a mim mesma: ele é meu. Por enquanto é meu.

—Hum, hum, acorda, Bella. — Nossa! Eu ia ficar distraída assim o dia todo! Será que ainda era efeito do álcool?

—Edward, acorda. — Disse baixo, ele abriu os olhos semicerrados e me puxou, me encostando ao seu peito.

Aquele movimento brusco fez a minha cabeça dar uma pontada, mas aconchegar-me em seu peito era fantástico. Fechei os olhos e senti seu perfume, realizada. Porém, lembrei que tínhamos platéia e que nos encolhermos em uma bolha não era o aconselhável, pior ainda naquela forma em que fomos flagrados, então me sentei novamente.

—Edward, acorda... — Passei os dedos em sua sobrancelha.

—Oi, Bella... — Sua voz era de uma rouquidão sem fim.

—Acorda...

Ele esfregou os olhos e abriu, automaticamente assustando-se quando olhou em volta. Ele sentou-se desconcertado e olhou para os lados, procurando a camisa, mas não encontrou. Depois ele olhou em minha direção e viu que eu me enrolava com um lençol. Percebi passar em seu rosto várias expressões de aflitivas perguntas, dúvidas, receios...

Avistei sua camisa no chão, seu paletó, gravata, meias, sapatos e meu casaco de pele jogado ao chão. Peguei sua camisa em câmera lenta, pois parecia que tinha algo solto dentro da minha cabeça, e lhe entreguei. Sem olhar em direção aos olhos do meu pai ele vestiu a camisa e passou as mãos nos cabelos. Depois balançou a cabeça e levantou os olhos.

Meu coração gelou. Eu temia o que meu pai falaria a ele.

—Sr. Cullen... Eu estou... Er... Desculpe por estar assim... E-eu... Não lembro como vim parar aqui. — Balbuciou envergonhado.

—Emmett trouxe vocês no carro da Esme. — Meu pai disse neutro. Se tinha fúria minutos atrás ele tentou esconder.

—Por que dormimos aqui no sofá? — Perguntei para Emmett, que estava aparentemente desconfortável e preocupado.

—Você não quis subir, Bella. Vocês estavam tão fora de si que... — Ele desviou o olhar com embaraço. —Nem esperaram subir. Eu tentei, mas vocês não se soltavam, então deixei vocês aqui e torci para que ninguém descesse. Hoje quando cheguei joguei o lençol em cima de vocês. — Explicou pausadamente, olhando para as mãos.

Eu queria sorrir de nervosismo. Ser encontrada em uma situação daquela era hilário. Mas eu tinha que me controlar, era uma situação muito delicada. Via nos olhos do Edward que ele queria se esconder.

—Desculpe, eu lamento por esse ocorrido. — Edward disse baixo, olhando para o chão.

—Estou saindo para almoçar com as crianças. Arrumem-se e encontrem-me em meu escritório às 14h00. — Carlisle avisou e foi para a cozinha.

Levantei, tentando cobrir-me mais com o lençol, e os meninos continuavam com os olhos em nós, com semblantes de horror. Edward continuou sentado, desnorteado, passando as mãos nervosamente nos cabelos.

—Vem... — Estendi a mão e o puxei pelo pulso.

Jéssica revirava os olhos, segurando o riso. Jasper ria. Os mais preocupados pareciam ser Alice e Emmett. Puxei Edward escada acima e depois de entrar no quarto, ele sentou-se na cama derrotado.

—Que situação hein, Bella... — Condenou-se envergonhado.

Ah, já passamos pelo pior, agora era tentar relaxar, pensei.

—Vou tomar banho, tá? — Minimizei a importância ao não comentar. —Fica deitado por enquanto. Esteja à vontade. Você já conhece o quarto. —Disse e sorri ao repassar na memória a situação.

—Ai, Bella, não estou achando nada engraçado. Estou muito mal... —Repreendeu mal humorado. — Não sei como você ainda consegue ficar com esse humor. — Resmungou e se deitou sobre as almofadas, olhando para o teto.

Ter um homem mal humorado no meu quarto não iria dar certo. Soltei o lençol do corpo, tirei a saia e me enrolei na toalha. Aproximei-me dele, ajoelhei na cama e sentei em cima dele, com cada perna para um lado.

—Já estamos aqui, agora é relaxar e esperar o que meu pai tem para falar com a gente.

Ele assustou-se com a minha oferecida atitude, depois alisou minhas pernas do tornozelo até a coxa. Pronto resgatei o humor do homem. Homens, homens... Dei-lhe um beijo rápido, levantei e direcionei ao banho, levando o conjuntinho de algodão que usaria.

—Bella, por que você nunca fica embaraçada em ficar de peças íntimas na minha frente? — Perguntou sorrindo, assim que eu saí do banheiro e fiquei desfilando pelo quarto.

—Porque para mim é como biquíni. — Dei de ombros. —Como você já me viu de biquíni, então é a mesma coisa. E eu ainda acho meus biquínis mais chamativos do que essas calcinhas de elástico na cintura. — Respondi despreocupada e sentei-me na cama para vestir a calça.

—Vai ficar de calça? — Reprovou fingindo seriedade.

—Hum... Não. Vem escolher uma roupa para eu usar. — Puxei as mãos dele e o levei ao closet.

Entramos no cômodo e abri num botão as portas de correr.

—Nossa, Bella, pra que isso tudo? — Apontou para as roupas separadas por cores.

—Eu uso tudo. — Sorri inocente.

Ele pegou em várias roupas, escolhendo sempre os vestidos mais claros, depois escolheu o óbvio, um vestido curto, justo, com botões. Eu vesti em frente aos espelhos e abri outro compartimento do closet.

—Vai tomar banho que eu levo roupas para você. —Pedi.

—E eu tenho roupa aqui? — Perguntou confuso.

Eu apontei para o seu lado no meu closet.

—Sim. — Assenti. Ele não sabia que eu tinha comprado mais peças de roupa terça-feira.

—E que roupas são essas? — Ergueu uma sobrancelha desconfiado.

—Eu peguei suas roupas sujas de segunda e coloquei para lavar, além disso, quando comprei aquelas roupas de terça, eu comprei duas peças de cada e um pacote de cuecas. Então você tem acessórios completos para se hospedar aqui em casa pelo menos dois dias. — Mantive um sorriso tranquilo no rosto. Agora que a dor de cabeça tinha passado, eu estava de muito bom humor.

Será que ele ainda ia dar surtos por causa de roupas?

Inesperadamente, ele me levantou em seu colo, com uma mão atrás de meu joelho e outra atrás de meu pescoço e beijou meu rosto. —Bella, me promete uma coisa... — Começou beijar meu pescoço de um modo muito persuasivo enquanto me levava de volta ao quarto.

—Pode falar. — Fechei os olhos para sentir os seus beijos. Ele me deitou na cama e deitou por cima de mim.

—Promete não me dar mais presente? Eu não preciso mais de nada. Por favor, já é suficiente. Já te satisfez na vontade de me dar coisas, então se você não quer me ver constrangido e até infeliz, por favor, não me dê mais. — Mordiscou minha bochecha. —Olha, eu até agradeço. Eu sei que você comprou exatamente o que percebeu que eu precisava. Mas não me faz bem. Eu me sinto mal... Eu já disse, eu não posso te dar nada em troca que chegue nem perto do valor do que você me dá. Então não torne nossas diferenças ainda maiores. — Pediu com voz suplicante e pausada.

Acariciei seu cabelo e ponderei seu pedido. Até que meu desejo de compras tinha diminuído, então podia prometer, por enquanto, não podia? Sim, com os dedos cruzados atrás, é claro.

—Eu não vou prometer que não vou comprar mais... —Expus sincera. — Prometo não ser exagerada. Eu gosto de comprar coisas pra você, e você não pode me impedir disso.— Afaguei o seu rosto com as mãos. — É uma manifestação de carinho, você entende?

—Eu entendo, e esse é o problema, é um carinho que você me dá que eu não posso retribuir. — Revelou frustrado.

—Eu já te disse para encarar assim: um dia, se você quiser, se ainda estivermos juntos, você me dá.

Ele ficou repentinamente sério com alguma coisa que eu falei. Eu o beijei no rosto para dissipar o clima e levantei para pegar as coisas dele no armário. Depois desci para pegar chinelos e aproveitei para buscar frutas. Subi comendo uma maçã verde e entreguei uma para ele. Ele comeu, e em seguida foi para o banheiro.

Peguei escova de dente e toalha e levei para ele. Ele me esperava sem camisa e, sem que eu esperasse, abraçou-me por trás, em frente ao espelho.

—Está querendo me amarrar aqui, Bella? — Questionou e mordeu meu ombro. — Têm peças íntimas, escova de dente, roupas... Qual a sua intenção? Quer me obrigar a casar? — Sorriu e me olhou pelo espelho com olhar intenso.

—Ainda não. Pra isso ainda temos que namorar, e pelo jeito... — Mordi a língua para não estragar o momento. Às vezes esquecia que o nosso relacionamento era sem planos e sem cobrança. —Mas como te disse antes, vou te prender aqui porque longe de mim você quer mandar no próprio nariz. Então, vou a sua casa buscar todas as suas roupas para você não precisar mais voltar lá, e você vai ficar aqui preso no meu quarto pelos dois meses seguintes.

Sem responder, ele me virou, pegou o meu queixo e beijou-me suavemente, sugando leve meu lábio. Era muito bom tê-lo no meu quarto, no meu banheiro, me beijando.

Inesperadamente, ele me levantou e me sentou no balcão, se encaixando entre as minhas pernas, no mesmo instante em que colocava as mãos dentro do meu vestido. Os beijos foram ficando quentes, molhados e minhas mãos deslizavam em seu peito. Ele gemeu, me apertou, então me desceu e se afastou, sorrindo de canto.

—Bella... Já que estamos aqui no seu quarto, de portas fechadas, sozinhos e você já se decidiu, você podia vir me dar banho. — Insinuou com um brilho de excitação no olhar, enquanto tirava a calça e ficava só de boxer.

Não tive coragem de fazer uma inspenção . Não era da minha personalidade sentir timidez, mas naquele momento me senti amuada e precisava lutar para ele não perceber. Sempre era eu quem decidia algo sobre nós ou o intimidava com iniciativas... Até ontem. O jogo virou e seu modo de falar e de agir agora me intimidava... Em sã consciência era difícil manter a minha decisão.

Embora não parecesse, sempre fui aquela garota normal, sonhadora, que precisa de certezas nos relacionamentos, segurança. Hoje ele não me oferece nada disso. A única coisa que tenho é a promessa dele de ficar comigo mais dois meses. E depois?

O dia da minha primeira vez sempre foi sonhado. É algo que considero importante. Se a vida é feita de momentos, eu queria que esse dia fosse um momento especial, planejado. Assim como o meu primeiro beijo teve uma data planejada, minha primeira vez também foi algo que planejei. Mas não tem como conseguir levar um sonho adiante com o modo que nossos corpos precisam um do outro. Também não posso voltar atrás agora. Eu sempre fui decidida, e eu já disse sim.

—Cadê aquele menino tímido que eu conheci? — Forcei um sorriso no rosto tentando descontrair.

—Você tem me enlouquecido ultimamente. Estou perdendo a personalidade, mas... — Ficou de costas e fechou o box atrás de si. —Eu estou brincando, Bella. Não precisa vir. — Ele sorriu e abriu o chuveiro. Provavelmente notou as dúvidas em meus olhos.

—Então tá, outra hora, sem a preocupação de alguém chegar ou não, eu dou banho em você. — Prometi, inclinei no balcão e peguei uns cremes de rosto. —Você não está preocupado com o que Carlisle vai falar, não? — Mudei de assunto.

Virei o rosto em expectativa pela resposta e visualizei distraída sua sombra lavando-se .Tão lindo.Desviei o olhar, sentindo a pele queimar. Ele demorou um tempo antes de falar.

—Mais ou menos... —Disse reflexivo. —Bella, e se seu pai disser de novo que não é para nós nos vermos? E se ele disser que não aceita mesmo que a gente insista?

—Aí eu vou para Washington D.C. morar com você. — Sorri, tentando tirar a tensão que poderia crescer.

—Bella, passa creme dental na escova para mim. — Pediu, ignorando minha resposta brincalhona, passei o creme e encostei-me ao box, abrindo só um espaço para entregar a escova a ele.

Ele pegou, olhou em meu rosto e sorriu. —Está com vergonha de me ver? —Fez tsc tsc. — Eu estou vestido! Você já me viu assim! É como uma sunga! —Devolveu divertido. —Sabe que até que eu gosto de ver você tímida? Dá menos medo de você! — Ele gargalhou e voltou para o chuveiro.

Medo de mim?

—Bella, vamos viver de quê se você for para Washington D.C? — Voltou a dizer depois de uma pausa de silêncio. Parecia preocupado.

—Vou trabalhar em uma lanchonete e tocar a noite em um bar. — Respondi brincalhona. E era realmente uma brincadeira. Eu não magoaria meu pai a esse ponto.

Ele saiu do banho, enrolou-se na toalha, ficou em frente a mim e encostou-me no balcão de novo.

—Você é muito mais importante do que qualquer coisa na minha vida, Bella. E eu NUNCA deixaria você fazer isso. É mais fácil eu não te ver nunca mais, do que te expor a isso. Iria doer, mas doeria muito mais ver você numa situação dessas. — Disse enfaticamente, olhando intensamente em meus olhos.

Eu suspirei encantada, sentindo-me querida. Sua atitude mostrava o quanto ele me queria bem.

—Então tá bom. Se ele não deixar eu ficar mais com você, vou casar com Mike então. — Provoquei. Eu só queria brincar, já que ele tinha mostrado ciúme do Mike ontem à noite.

Ele travou o maxilar, olhou-me duramente nos olhos, apertou o meu queixo em sua mão de um jeito diferente de carícia e encostou o corpo em mim, punitivamente. Depois soltou o meu queixo e levantou minhas mãos para rodear seu pescoço, lentamente, sem tirar os olhos de mim. Apertou minha cintura possessivamente, me ergueu no balcão, e eu fiquei assustada... Aquele olhar eu conhecia...

A tensão acelerou meus batimentos, a proximidade me queimou, e minha respiração ficou descompassada. Ele me encarou por minutos, malicioso, respirando próximo ao meu rosto, então ajustou meu corpo contra o dele, que gritantemente tinha consciência da proximidade.

Ele assim era... de enlouquecer.

Ele mordiscou o meu queixo lentamente, indo da linha da mandíbula até a orelha. Depois subiu uma mão para minha nuca, enfiou-a sob o cabelo e expôs meu pescoço. Será que toda a vida ele iria despertar estes instintos em mim?

Os lábios dele desceram mordiscando pelo meu pescoço, causando formigamento, e eu percebi que ele me testava e que não estava nem perto de acabar...

Meu controle desestabilizou e meu corpo respondeu ardentemente, inundando meus sentidos de paixão. Rodeei seu quadril com minhas pernas e apoiei os cotovelos no balcão, implorando seus beijos que desciam para meu colo. Ele abriu dois botões do meu vestido, fechei os olhos, e ele desceu os lábios verticalmente do meu pescoço até o local onde o terceiro botão se encontrava aberto. Eu não queria ser tão fácil, mas estava sem ar só de tê-lo me beijando. Eu não resistia e queria implorar-lhe por mais. Queria empurrar sua cabeça para onde o queria.

Uma pequena parte do meu cérebro, uma feliz, dizia que estávamos a sós e que ele agora estava nu sob a toalha, esfregando-se em mim. E outra ressaltava que seria sexo ardente sem compromisso com dias contados e que ele iria me deixar. Conforme ele me roçava, a parte sensata se esvaia lentamente. E eu já iria implorar-lhe que me possuísse sem amarras e que suprisse os desejos do nosso corpo.

Ele virou o rosto para beijar o seio por cima do sutiã, e eu mordi a língua para não suplicar-lhe que tirasse o sutiã e que beijasse do mesmo jeito que fez na noite anterior. Eu bem que tentava manter minha cabeça equilibrada, mas falhei com a necessidade agora familiar que pulsava em meu ventre. Ofeguei, arqueei o corpo e acariciei seu cabelo, implorando.

Ele se afastou tranquilamente e fitou-me com um sorriso triunfante no rosto.

Incorporei no balcão, tentando entender o motivo dele ter parado e olhei em seus olhos buscando decifrar a emoção que ali brotava. Ele tinha um brilho de satisfação e glória. Antes que eu recuperasse o fôlego, ele me abraçou e cobriu meus lábios não mais com atitudes possessivas. Era um beijo cheio de sentimentos e de carinho.

Eu estava com a cabeça mais arejada quando ele moveu os lábios em direção aos meus ouvidos.

—O Mike faz isso com você? — Sussurrou com a respiração entrecortada enquanto mantinha beijos coercivos, lambendo minha orelha, ainda me apertando à sua impressionante excitação, fazendo-me perder a linha do raciocínio. —Vai casar com Mike, Bella?

Finalmente consegui limpar meu cérebro e entender sua atitude.

—Não! Não! —Balancei a cabeça dramaticamente. — Eu não consigo viver sem você! Só você faz isso comigo! — Sorri, rendida.

Ele sorriu, e em seu rosto havia orgulho masculino. Ele se virou de uma vez e direcionou-se ao quarto, deixando-me só.

—Não vá, se não eu caso com ele. — Brinquei de novo. Ele sorriu, pegou as roupas em cima da cama, pôs na frente da toalha, percebi, e direcionou-se ao closet.

—Qual dessas quer que eu vista? Já que quer mandar em mim.

Saí do banheiro, dando um tempo a ele, e ele estava vestido com a boxer branca que eu comprei, Lindo. Tentei desviar o olhar para não entregar a minha obsessão, mas era demais para os meus olhos. Aquele corpo era feito sob medida.

O som do Jipe do Emmett avisou que chegaram e que em pouco tempo estaríamos no escritório do meu pai. Mostrei a roupa que queria que ele vestisse, a nova, sentei na cama e o esperei. A calça jeans escura com lycra da Gucci ajustou-se perfeitamente. E a camiseta Lacoste branca justa de manga longa destacou seu corpo. Hmmm, faltou um Nike.Pensei conspirando.

Após vestir-se, ele deitou na cama ao meu lado e tocou meu rosto ternamente.

—Bella, falando sério... Eu tenho tido reações inesperadas quando você está perto do Mike e não gosto nada de me sentir assim. Então, não brinque mais com isso novamente, por favor... Eu quero você só pra mim. — Beijou-me ternamente. Eu ia explodir de tanta lisonja por ouvir seu ciúme.

—Ih... apaixonou é? Nem adianta que eu não vou casar. Estou muito nova. — Descontraí, e ele sorriu.

—Se uma pessoa louca e obsessiva for apaixonada, então eu estou. — Abraçou-me apertado, entrelaçando nossas pernas na cama.

Sorri e apoiei a cabeça em seu peito.

—Bella, arruma um desodorante com Jasper para mim. Eu não quero passar aquele seu creme. — Pediu sem graça.

—Vou pegar com Emmett. Não me arrisco a entrar no quarto do seu irmão nem morta. Lá é uma bagunça. Como você pode ter um irmão assim? Tão bagunceiro! —Sorri. — Pode deixar que da próxima vez vai ter um kit completo para você com desodorante, perfume, chinelos, bermudas, tênis, camisetas e etc... — Sorri, dando beijinhos em seu peito. Se eu não fosse insistente e teimosa, não teríamos evoluído até aqui.

—Não exagera. — Alertou indefeso, acariciando meu cabelo.

Afastei-me para olhar para ele.

—Eu estou muito feliz com você hoje. Terça você estava tão tenso. Hoje não, está livre, e eu adoro quando você está assim.

—Sabe o que é, Bella, eu tenho motivos de estar mais livre hoje. Eu não tenho mais receios com relação ao seu pai, pois eu já conversei com ele e sei que ele só quer o seu bem. Além disso, ele é uma pessoa educada e não vai mandar me castrar, mesmo depois daquela cena lá embaixo. —Riu sem jeito. — Seu irmão também se retratou por todas as nossas desavenças, então não vejo o porquê de não ficar tranquilo.

Fiquei atenta ao que ele disse no fim. —O Emmett te pediu desculpas? — Perguntei boquiaberta.

—Sim, e no mesmo dia me deu o convite para a festa de Ano Novo, além de ter pedido para eu não magoar você.

Surpresa, afastei-me do seu abraço e liguei a TV.

—Come mais alguma fruta enquanto eu vou lá buscar o desodorante, daqui a pouco eu volto. — O deixei deitado em minha cama e saí. Ele estava tão bem. Parecia não se importar com o que meu pai falaria.

Abri a porta do quarto do Emmett e entrei. —Emmett, empresta um desodorante para o Edward. — Pedi.

—Pega ali. — Apontou para o balcão no closet. Peguei, depois me virei para Emmett, que tocava violão na sacada.

—Emmett, por que não me disse que tinha dado o convite para ele? — Perguntei grata.

—Porque eu queria te fazer uma surpresa.

—Obrigada. — Disse baixo e sem jeito. —O que aconteceu ontem à noite?

—O que aconteceu ontem à noite, Bella? — Emmett repetiu, fez uma careta e deitou o violão em seu colo. —Bom, vocês ficaram bêbados na festa, se agarrando... Imagine como... — Balançou a cabeça, e eu desviei o olhar sem graça. —Eu percebi que Edward não iria conseguir trazer você em casa, então peguei a chave do carro de Esme com ele e vim trazer vocês. Só que vocês não quiseram subir e ficaram no sofá. Depois eu saí de novo e quando cheguei hoje vocês estavam dormindo, aí eu vim aqui, busquei um lençol e joguei em cima de vocês. — Explicou pausadamente.

—E mais tarde?

—Bom, depois que eu cobri vocês, fui para o meu quarto tomar banho e me vestir, então desci para lanchar. Quando cheguei lá em baixo o meu pai já estava, e te chamava várias vezes, mas você parecia que estava morta. Depois Jéssica desceu e a primeira coisa que ela disse foi: agora pode trazer homem pra casa assim, é? Meu pai bufou né, imagine. Então Alice desceu e ficou aflita, querendo vestir a blusa em você, mas enfim meu pai conseguiu te acordar.

—Emmett, você está com raiva de mim?

—Agora já passou, mas no início fiquei. — Ele deu de ombros.

—Você acha que... fizemos alguma coisa? — Perguntei desconcertada.

Ele me olhou surpreso, como se não acreditasse que eu tinha feito aquela pergunta.

—Eu acho que não... Balançou a cabeça. —Ele estava bêbado demais, paradão. Você que estava ligadona, então acho que... Não sei... Acho que não. Mas por que a pergunta? Ia ser só um dia a mais! — Ele debochou.

—Emmett, isso não aconteceu até hoje. — Confessei. Era estranho conversar isso com um irmão, mas ele antigamente era o meu amigo, e eu queria poder confiar nele.

Seus olhos arregalaram-se surpresos. —Sério, Bella? Tantas noites dormindo juntos e o caipira... nada? — Ironizou divertido, fazendo um gesto de impotência com a mão.

—Não é por esse motivo, seu bobo. É que não rolou. Estávamos nos acertando ainda.

Ele olhou-me como se eu fosse um ET, depois sorriu desacreditado. —Vocês se gostam muito, né? — Não era uma pergunta.

—Acho que dá pra perceber... Pelo menos do meu lado.

—Não, Bella, eu também vejo o lado dele. Pelo modo como ele te olhava e te tratava no hospital, ficou nítido que ele é ligadão em você.

—Emmett... Ele é legal, dá uma chance pra ele. E... Por favor, não o chame de caipira. Se você soubesse o quanto ele é inteligente.

—Eu admiro o modo como você gosta dele, mesmo com as diferenças. Ele tem que ser muito legal mesmo para você gostar dele assim.

—Obrigada, Emmett. Amo você. — O abracei, e ele pareceu feliz com nosso momento. Como meu irmão, ele queria me ver bem, mas como único filho homem, ele queria apoiar as decisões do meu pai.

Voltei para o meu quarto, e Edward estava sentado, vendo TV.

—Trouxe o desodorante. — Entreguei. —Emmett disse que fizemos um show ontem na festa.— Disse sorrindo e deitei na cama enquanto ele passava o desodorante.

—Ele está chateado com você?

—Eu acho que agora não, mas imagine. Ele deve ter ficado P da vida com a gente.

Ele deitou na cama junto comigo e colocou o braço embaixo da minha cabeça. Virei o rosto e inspirei o cheiro do desodorante, esfregando brincalhona o meu nariz na axila. Ele riu.

—Para, Bella, faz cócegas. — Puxou o braço.

—Cheiro bom. — Coloquei o braço dele de volta sob mim e me aconcheguei de novo, antes de perguntar cautelosa. —Edward, tem certeza que não está preocupado com a conversa?

—Não. — Respondeu convicto. —O máximo que ele vai dizer é que sou um aproveitador e que quer me ver longe de você.

—Você vai embora para o seu curso se ele fizer isso? — Perguntei receosa.

—Nope. — Brincou.

—Promete?

—Yep. — Riu mais.

O abracei feliz e encostei a minha cabeça em seu peito, enquanto ele passava as mãos nos meus cabelos com calma. Assim, fiquei sossegada. Tinha medo do meu pai estragar a minha felicidade momentânea, mas se Edward disse que não ia embora, não tinha o que temer.

No horário marcado, entramos de mãos dadas no escritório do meu pai. Indiscretamente, Carlisle direcionou o olhar desgostoso para as nossas mãos. Sentamos, e eu senti meu coração bater na boca. Eu estava com medo. Meu pai nunca chamou nós dois para conversarmos e talvez hoje fosse uma conversa definitiva da parte dele.

Carlisle olhou para mim, parecia tentar bloquear a imagem de Edward.

Falta de educação quando ele faz isso.

—Bella, qual o tipo de relacionamento de vocês? —Questionou direto. Essa foi difícil. O que eu ia responder? Eu já disse uma vez que era um ficar sem compromisso, mas isso não parecia mais ser resposta suficiente para ele. Ele certamente queria ouvir muito mais ou muito menos que isso.

—Nós somos amigos. — Melhor resposta quando não se tem uma. —Amizade colorida. — Dei um sorriso amarelo. Putz, Bella, cinismo e cara de pau agora?!

Uma expressão de fúria atravessou os olhos do meu pai. —Amigos? Vocês são encontrados seminus no meu sofá e são amigos?!Aumentou o tom.

—Pai... Eu já expliquei uma vez... — Murmurei com olhar suplicante. Esquecemos um segundo a presença de Edward, que só nos observava calado.

—É isso que você quer para você, filha? —Apontou desdenhoso para nós.

—É o que eu quero. — Tentei parecer firme.

—Você acha que vale a pena? — Olhou com desprezo Edward, como se ele não fosse ninguém. Eu fiquei constrangida. A qualquer momento ele iria ofender Edward. —Você vai se prender a uma pessoa que te vê nas férias e pronto? Que você não sabe o que faz quando estão longe?

Abri a boca sem palavras. O que o meu pai estava insinuando? Que Edward me traía? Olhei apreensiva em direção a Edward, e ele estava nervoso, tenso enquanto olhava para as mãos.

—Eu não me importo. — Disse firmemente. —É o que eu quero... O senhor não precisa ter dúvidas disso.

Ele balançou a cabeça preocupado.

—Filha, não tem segurança nenhuma nisso. — Seu olhar agora era de compaixão.

—Pai, não existe segurança com ninguém.

É óbvio que eu queria ser segura, mas eu não podia mostrar essa minha carência ao meu pai. Ele sentiria incerteza, então poderia cobrar algo de Edward. E eu não queria meu pai pressionando ele. Isso estragaria nossos dias.

Narrado por Edward

Eu contava que o Sr. Cullen fosse ter uma conversa envolvendo nós três. Se ele queria conversar só com a filha, por que não me dispensou de passar pelo constrangimento?

Com o desenrolar da conversa fui me sentindo pequeno, um indigente, sendo tratado como ninguém, em um local onde era como se não estivesse presente. Era dominado por encolerizada inquietação ao ouvi-lo falar daquele jeito de nós.

Eu ainda não tinha conversado com Bella, propondo-lhe compromisso. Isso a levava a responder com evasivas, gerando mais dúvidas no pai a nosso respeito.

—Então você se conforma com essa situação? — Ele perguntou, ela abaixou o olhar, e eu senti-me doer ao vê-la sofrer. Eu não queria que ela passasse por isso.

—É o que eu posso ter no momento. — Sua voz soou triste e distante.

—Então eu não tenho o que perguntar para o seu amigo, já que você se conforma com tão pouco e não se importa de ser algo disponível para ele aqui nas férias e depois deixar seu amigo livre.

O tom de desprezo em sua voz me enervou profundamente. Ele desrespeitava-me quando se referia a mim daquele jeito. Controlei a raiva e canalizei a cólera para o meu objetivo. Esperaria uma oportunidade para me exprimir.

—Eu só espero que tenham responsabilidade com suas ações, embora me entristeça muito ver uma filha minha viver uma vida miserável dessas.Sentenciou, ignorando-me completamente. Com um suspiro impotente, desviou o olhar para o notebook em sua frente. Aparentemente queria que saíssemos de sua sala.

—Sr. Cullen, posso falar? —Eu perguntei em voz baixa. Ele finalmente dignou-se a olhar em minha direção. Encarei-o firme sem me deixar intimidar.

—À vontade, Edward. Pensei que era mudo. — Provocou, olhando-me com superioridade. Apertei as bordas da cadeira, controlando a irritabilidade.

—Se queria conversar só com Bella, por que me fez ter o trabalho de vir até aqui? — Devolvi a provocação tranquilamente. —O senhor pode dizer a mim o que disse a Bella?

Percebi Bella se agitar na cadeira, tentando chamar minha atenção, mas não desviei o meu olhar do Sr. Cullen, que me fitava curiosamente.

—Tudo bem, já que você quer participar. —Deu de ombros indiferente.

—Se eu não quisesse, não teria vindo. — Ressaltei com a voz baixa.

—Edward! — Bella repreendeu, mas não olhei em sua direção.

O Sr. Cullen respirou fundo e sentou-se ereto.

—Tudo bem, Bella. —Tranquilizou-a e virou-se frente a mim. —Vamos conversar como adultos, Edward. Eu já disse para você que eu não vejo segurança em você. Já disse que o problema hoje é esse relacionamento que vocês mantêm sem ajustes. Eu sou um homem moderno, mas pelo jeito como eu vejo as coisas, eu sei que Bella força uma situação com você, e você não a quer do mesmo modo. Isso me traz preocupação, porque ela é mulher, tem expectativas e um sentimento que mais parece obsessão. Eu vejo que para você é diferente. —Pareceu embaraçado. — Com as características físicas que tem, presumo que se acostumou a ser visto por mulheres como alguém irresistível, igual seu pai. —Adicionou desgostoso. — E como homem solteiro, deve aproveitar disso.

Surpreso com sua caracterização da minha imagem, tentei controlar a minha respiração, uma vez que o nervosismo se apossava de mim e lutava para retrair-me.

—Sr. Cullen, o senhor está enganado. Bella é correspondida da mesma altura ou mais. —Revelei sincero. Toda a fúria se esvaiu. Eu precisava mostrar para aquele homem— que a amava tanto quanto eu—, que ela era tudo para mim.

—Mas não há segurança do mesmo jeito.

—Não há porque no momento não posso oferecer. Estou trabalhando para isso. Na classe social de vocês, uma pessoa não pode oferecer segurança quando não tem vida financeira abastada...— Disse com humildade e olhei para o chão.

—Mas ela diz que são amigos, então não há compromisso, fidelidade. — Relutou insistentemente.

Eu voltei a olhar para ele. —Há sentimentos mútuos, cumplicidade, lealdade, ligações de vidas. Isso significa compromisso.

Ao ler minha resolução, pareceu baixar a guarda.

—Você tem outras garotas? —Pressionou com olhos cerrados. Só agora eu entendia que ele repetiu tanto isso por me comparar ao Phil, meu pai.

Fiz questão de encará-lo firmemente.

—Não, Sr. Cullen. Desde que eu tinha quinze anos, Bella sempre foi e ainda é a únicamulher da minha vida. — Disse enfaticamente.

Ouvi os suspiros de nervosismo de Bella, mas não desviei o olhar do seu pai. Ele continuou me estudando em silêncio alguns minutos.

—Então eu estou subestimando a relação de vocês. — Concluiu impressionado. Eu tive a impressão que ele me olhava agora com um pouco de respeito.

—O senhor não sabe o quanto.

—Então qual o plano de vocês?

Suspirei e olhei em direção a Bella. Ela estava aflita, estalando os dedos, mas eu não entendia mais o motivo, pois a conversa fluía calma.

—Nós decidimos viver um dia de cada vez, e esperamos que isso entre nós não termine. —Usei as palavras de Bella.

—Então não são só amigos, são namorados. — Não era uma pergunta, era uma rendição.

—Resumindo, essa é a palavra certa. —Suspirei e sorri de canto para Bella.

Ele continuou olhando-me como se tivesse lentes de raios-X para me estudar, depois comentou: Há horas que você se parece muito com sua mãe... — Disse enigmático como se compartilhasse um segredo, e eu respirei aliviado por ter conseguido. —Bella, eu trouxe almoço para vocês, se quiserem é comida chinesa. — Informou com o semblante tranquilo, com uma leve aparência de humor.

Bella ainda estava tensa e distante.

—Vem, Edward. — Estendeu as mãos para mim.

—Com licença, Sr. Cullen. — Levantei-me para sair.

—Edward... — Olhei para trás. —Pode me chamar de Carlisle. — Sugeriu. Eu assenti, com um balançar de cabeça.

Descemos calados e todos os irmãos de Bella estavam sentados embaixo. Pareciam meio apreensivos, mas olhavam para um clip que passava na TV. Bella desceu séria e puxou a minha mão até a cozinha. Ela colocou a comida no microondas e comemos calados. Tentei alcançar seus olhos, mas ela desviava o olhar. Sinceramente eu já me perguntava o que fiz de errado.

Terminamos de comer silenciosos, e ela chamou-me para a sala. Percebi que sua tensão não passou. Sentamo-nos separados, pois só havia duas poltronas desocupadas. Cada um dos filhos estava esparramado nos sofás grandes, inclusive Jasper.

Eu já me sentia incomodado com a distância e a falta de palavras de Bella.

—Edward, faz favor. — Até que enfim ela pegou em minha mão e levou-me ao seu quarto.

—O que eu fiz, Bella, que você está com essa cara? — Perguntei ao entrarmos no quarto.

—Edward... Eu já tinha resolvido, por que você foi se intrometer? — Perguntou armada. A dureza em seus olhos me causou um frio na coluna.

Eu não consegui entendê-la. Ela sempre quis segurança e no dia que eu dei, que resolvi falar com o seu pai, ela agia assim!

—Por quê? Deve ser porque eu estava lá, né. Eu não era nenhum enfeite. — Joguei as mãos no ar e sentei na cama. —E ele chamou foi nós dois para conversarmos.

—Por que se intrometeu, se você ia mentir? — Ela mudou o tom para tristeza e isso me alarmou.

—Você acha que era mentira? — Arqueei uma sobrancelha.

—Do meu lado é verdade, do seu não.

Instantaneamente fiquei contrariado.

—Deve ser então... Acho que você não me conhece! — Disse secamente.

—Não devia me dar esperança sem ter. — Murmurou e caminhou nervosamente pelo quarto.

—Bella, dá um tempo. Não estrague o momento! — Ergui as mãos impaciente.

—Você não precisava ter mentido, Edward. Eu já tinha resolvido. Ele já tinha entendido que éramos ficantes. Ele já tinha aceitado. Eu não quero mais enganar meu pai. Eu tive a oportunidade de jogar limpo e você faz isso! — Disparou atropelando as palavras.

—E se eu estiver falando a verdade? — Pus a mão na cintura, incrédulo. Por que ela não tinha fé em mim?

—Que verdade? Você nunca quis isso! Só porque foi colocado contra a parede agora quer! Eu não quero assim! Eu não quero que você se sinta pressionado a assumir nada comigo. Ficamos como estamos. Depois você vai embora e se quiser voltar, você volta.— Alterou o tom, histérica.

—Para, Bella, você agora faz drama por tudo! Desde que você tinha treze anos que falava que era minha namorada, agora que eu falo que sou, você age assim!

—É diferente. E não é drama. Eu quero que fique comigo por vontade própria, por gostar de mim, não por pressão do meu pai!

Sempre odiei discussões acaloradas, é da minha personalidade. Então minha vontade era ignorá-la e calar. Não tinha sentido discutir algo que já estava feito. Tudo bem que eu devia ter conversado com ela antes, mas agora não precisava desse drama.

—Bella, posso entrar? — Era a voz de Alice. —Meu pai mandou avisar que vamos sair para jantar todos juntos. Edward vai?

—Não. Ele não foi convidado. — Disse secamente, e Alice saiu rapidamente ao perceber o clima.

Respirei fundo. Só tendo muita paciência. Ela estava furiosa e de braços cruzados. Até que eu tinha motivos de ficar irritado, mas não ia deixar um pequeno contratempo acabar com o momento, por isso, puxei-a pelo pulso, trouxe-a para mim e beijei-a, impedindo-a de se soltar.

Narrado por Bella

Ele desarmou-me completamente, me incapacitando e acabando com a minha determinação. Nos instantes seguintes, eu não conseguia mais lembrar o porquê de estar chateada, eu não lembrava o porquê de não estar o beijando há mais tempo, eu só o queria.

Depois de uns minutos, ele sentou-me em seu colo e se afastou de mim, sorrindo presunçoso. Mas ele já tinha me despertado e mais que imediatamente ergui a barra da camiseta e a tirei, empurrando seguidamente seu corpo sobre a cama.

Voltei a beijar sua boca enquanto ele fazia o caminho das minhas coxas com as mãos. Soltei-me de seus lábios e desci para o seu pescoço, orelha, e ele imediatamente colocou as mãos nos meus quadris, após ter subido o meu vestido.

Desci mordendo ombro, peito, sentindo-me poderosa em saber o quanto ele me desejava. E, impaciente, ele me puxou de volta para os seus lábios e começou a abrir os botões do meu vestido...

—Bella, posso entrar? — Era a voz do meu pai e ele já abria a porta.

Sentei rapidamente e fechei os botões, tentando disfarçar. Edward sentou desconcertado e pegou a camiseta rapidamente, mas não se vestiu, só colocou em seu colo.

—Oi, pai. — Disse sem graça, sem olhar para ele, arrumando disfarçadamente o cabelo.

—Bella, Edward... Nós temos crianças em casa, vocês deviam ser mais... Respeitar. — Resmungou com dissabor.

—Desculpas, Sr. Cullen. Não vai mais acontecer. — Edward disse embaraçado.

—Não vai acontecer... — Torceu os lábios em uma careta. —Vocês deviam descer e assistir TV lá embaixo.

—Ah, pai... Todos os sofás estavam ocupados e nós estamos cansados da festa. Estamos meio de ressaca. — Argumentei manhosamente.

—Sei... Cansados... — Ele direcionou-se à porta, desconcertado e sem graça. Eu estava tão nervosa que tinha medo de de ter uma crise de riso. Papai voltou. —Ah, eu estava esquecendo o que vim fazer aqui. Edward, nós vamos sair para jantar, você janta conosco?

Demorei um tempo para processar as palavras do Carlisle. Ele estava convidando Edward para jantar?! Que mudança brusca!

Pena que Edward não iria aceitar. Ele não iria ter condições de ir aos locais que meu pai freqüentava e, além disso, não iria querer que ninguém pagasse nada para ele. Logo, era óbvio que ele não iria.

Conformada, olhei em direção ao Edward, e ele estava calado, aparentemente pensando.

—Sim. Eu vou, Sr. Cullen. — Respondeu tranqüilo e sorriu torto para mim.

Uau, o que acontecia entre eles?

—Ok. Eu convidei sua mãe. Acabei de mandar Emmett ir buscar ela e sua irmã.

Olhei boquiaberta para o meu pai. Ele finalmente deu uma dentro com Esme.

—Que bom. — Edward sorriu amigável.

Talvez as coisas melhorassem realmente, talvez enfim houvesse futuro para a nossa vida juntos e, conseqüentemente, para a nossa família.

—Até mais tarde. — Papai fechou a porta e saiu.

Fiquei em choque com tudo, calada. Edward virou-se para mim. —Que cara é essa Bella? — Levantou meu queixo, me estudando.

Oh, meu Deus, estava com medo dessa esperança esmagadora que invadia meu coração.

—Está estranho. —Comentei distraída. —Meu pai, você, o modo que vocês estão agindo... Ele mandando Emmett buscar Esme... Tá tudo muito esquisito. — Resmunguei, sufocando todo alívio e esperança.

Sorrindo, ele puxou-me pela cintura para o seu colo e me abraçou.

—Bella, despreocupe-se. Permita-se ficar feliz. Agora a pessimista aqui é você. Não vê que as coisas estão se encaixando? — Beijou minha testa.

Encostei o rosto em seu ombro, pensativa, enquanto ele me afagava. Será que enfim teríamos um descanso? Será que enfim eu poderia acalmar o meu coração?

Ele afastou-me para olhar-me. —Bella, eu não sei você, mas eu me sinto realizado e feliz agora que sou o seu namorado. — Comentou e apertou o meu queixo, brincalhão.

—Você não vai ser meu namorado até que você me peça. Você não me pediu... — Fiz um bico teatral e cruzei os braços. —E tem que ser por vontade própria, sem pressão. — Adicionei, já convencida de suas mudanças e intenções.

—Quer que eu me ajoelhe? — Brincou e tentou me levantar do seu colo.

—Não! —Impedi-o.

Ele segurou o meu queixo e hesitou uns minutos, ensaiando.

—Bella, por favor, acalma o meu coração. Eu sou apaixonado por você desde que eu tinha quinze anos. Nunca parei de pensar em você um dia. Eu sempre quis ser o seu namorado e não tinha forças para lutar, mas graças aos céus você me escolheu, então, por favor, aceita namorar comigo, porque eu não sei mais viver sem você. — Disse solenemente, com o semblante resplandescente de entusiasmo.

Seus olhos brilhavam de expectativa, com um brilho de contentamento e sublimidade. A sua alegria e convicção invadiu o meu coração. Permiti que cada palavra sua entrasse em mim, trazendo alegria e júbilo.

Sorri, sustentando o olhar. —Hum... Eu vou pensar... Até depois do jantar eu te respondo... Não pense que eu sou tão fácil assim, viu! — Fingi de séria. Ele me abraçou e deitamos na cama.

—Pode pensar. Se aceitar é definitivo. Não vou mais sair do seu pé. — Abraçou-me forte, e eu me aninhei em seu peito.

Fomos invadidos por uma unidade de sentimentos, um momento de felicidade única. Onde uma aura de alegria pairava sobre nós e era expressa no nosso semblante. Onde as nossas almas entravam em concórdia, cumprindo assim com o objetivo do nosso destino... Nos unir.

Continua...

Olá.

Agradeço por todos os reviews, recomendações e carinho com a fic.

Adianto que a primeira vez deles ainda demora alguns capítulos. Sei que vcs gostam de história, além de sexo. Até lá teremos muitos momentos docinhos e quentes.