Capítulo- Destino
Narrado por Bella
Acordei com um barulho de porta se abrindo e alguém entrou em meu quarto.
—Vocês acharam que eu ia deixar passar essa, seus tarados! —Jasper arreliou zombador.
Edward dormia comigo, abraçado com metade do corpo e perna em cima de mim, que estava de bruços. Não tinha coisa melhor no mundo do que dormir a tarde aconchegada ao namorado.
—Que é, Jasper?—Reclamei severa. —Não vê que a porta estava fechada e que estávamos dormindo? — Não abri os olhos e fingi que ele não estava lá.
Edward se aconchegou mais a mim, virou-me de lado e me apertou ao corpo dele.
—Ai, gente, que cara de pau a de vocês. Isso é muita falta de vergonha. Eu estou em choque com a cena que eu vi de manhã! Vocês estão ficando mais pervertidos do que o normal. Agora fazem sexo explícito. Quem já foi o meu irmão?! —Fingiu horror.
—Ai, Jasper, não perturba! — Continuei com os olhos fechados, mas sorria de canto.
—Não, gente! Vim falar como irmão. Vocês são os alvos das fofocas lá em baixo.
—Então fala aí, Rádio CWN Fofoca, o que estão falando de nós? — Resolvi lhe dar atenção.
—Ah, que vocês são uns depravados, que não respeitam mais ninguém, que você é uma devassa, perdida da vida, que meu irmão é um pobre coitado em suas mãos. Que você é uma ninfomaníaca. São tantas coisas que eu tenho até vergonha de falar. — Ele tagarelava e sorria.
—Ah e você tem vergonha de alguma coisa? —Espetei brincalhona.
—Quanto mais você der idéia, mais ele vai encher. — Edward alertou, me virou de costas para Jasper e encostou minha cabeça em seu peito. Depois fechou os braços sobre mim, a fim de me esconder.
—Credo, irmão, para com isso! Eu vim ficar com vocês e vocês estão me isolando! — Fez drama carente.
—Então para de mentir... Senta aqui e fala quais são as fofocas reais que rolam lá embaixo. — Virei-me de volta para olhá-lo. Ele sentou em uma cadeira de canto.
—Ah, Bella, você conhece seus irmãos. —Torceu os lábios fingindo decepção. —Eles são muito discretos. Eu que sou o fofoqueiro daqui. É um saco! Eu estou doido para fofocar e ninguém dá assunto.
—Mas não falaram nem um pouquinho? Nadinha? Nenhuma fofoquinha? — Instiguei-o divertida.
—Não. Eles ficaram com cara de preocupados quando vocês foram para o escritório e desceram com aquela cara, mas quando o seu pai desceu e disse que íamos jantar juntos, todos relaxaram. —Explicou sério, então sorriu e abriu os braços no ar. — Então, galera, TÁ LIBERADO! Podem fazer sexo selvagem agora em qualquer lugar da casa! Meu Deus! —Dramatizou com horror fingido. — Não se fazem mais pais como antigamente... Eu que NUNCA vou deixar uma filha minha...
—Putz! —Edward interrompeu exasperado. — Vou ter que ouvir isso! Dá um tempo, Jasper!
Eu ri. Jasper falava cinco minutos como pessoa normal, depois surtava.
—Ah, mas vai ter que me ouvir! —Aumentou o tom. — Se não fosse por mim, vocês nem estavam mais juntos hoje, tá? —Provocou.
—Por quê? — Edward relaxou e observou-o interessado.
—É só pensar, sou eu quem promove quase todos os encontros amorosos de vocês. Pensa só, vocês só puderam ficar depois que eu fiquei doente, e Bella foi lá me buscar com Emmett, LEMBRA? Outra, você fingiu que vinha me ver aquela vez antes de viajar, só para ver Bella, VOCÊ ACHA QUE ME ENGANA. Mais uma, se eu não tivesse ligado para Bella ir a praia aquele dia que a gente tava consertando o carro no Jake, ela não teria ido lá para vocês reconciliarem de novo, tá!? E graças ao seu irmãozinho aqui, você teve que vir aqui essa semana. Você tava MORRENDO de dor de cotovelo em casa e não tinha coragem nem de ligar, SEU BUNDÃO! Aí, eu armei. Como tinha que vir no hospital, obriguei você a vir aqui, inventando que tinha que pegar umas coisas. E por último, se não tivesse me machucado essa semana, vocês não tirariam o atraso no hospital e depois lá em casa, TÁ! Então, SEU MANÍACO, se você está tendo uma marmitinha para o café, almoço e janta, é graças ao seu irmãozinho aqui, VIU! VOCÊ TÁ ME DEVENDO E MUUUITO! PORTANTO, VOU FICAR AQUI PERTURBANDO VOCÊS! — Ele saiu da cadeira e se jogou em cima de nós dois na cama.
—SAI, JASPER! Vai quebrar minha cama! — Gritei e caímos os três na gargalhada. Ele não se conformou em subir, ele deitou entre nós. Tudo bem que a cama era solteirão, mas ficou bem apertado. Como um menino podia ser tão fofo, esperto, chantagista e cheio de argumentos assim?
—Eu mereço! — Edward sorriu contrariado e deitou de costas, com as mãos atrás da cabeça.
—Então tudo bem, já que está carente e quer conversar, põe pra fora. Somos todos ouvidos. — Propus.
—Pô, Edward! Abaixa esses braços se não num dá! PARA DE SER FOLGADO! —Ralhou sério.
—Jasper, é você quem está no lugar errado. — Retrucou calmo e paciente.
—Faz assim, Jasper, se quer deitar com a gente, me deixa ficar aí perto dele, que eu colo nele e sobra espaço para você.
Mudei na cama e fiquei deitada entre os dois. Edward me abraçou apertado, colocando as pernas em cima de mim e o nariz nos meus cabelos para cheirar.
—Então tá, aqui é o meu divã, vou colocar TUDO pra fora. — Sorrimos de suas insinuações. —Eu estava pensando profundamente... Raciocinem comigo... Minha mãe, já teve um rolo com o seu pai quando eram novos... Eu tenho que ficar aqui... Edward pega você... Já pensou se nossos pais namorassem de novo? Ia ser um sexo meio geriátrico, mas nossa família não ia mais se separar!
—Tá louco, Jasper! Minha mãe tá em outra! Nem toca nesse assunto. — Edward repreendeu mal-humorado.
—O quê que é, Edward?! —Entrei na discussão. — Qual o problema disso, se eles quisessem?— Encarei-o chateada.
—Bella... Você sabe... — Abaixou o tom intimidado.
—Sei o quê, Edward? — Pressionei petulante. Ele desviou o olhar.
—Ih... Briga de novela mexicana. —Jasper ironizou. — Tava bom demais para ser verdade. Tô fora. — Saiu.
Eu queria mesmo conversar sobre isso com Edward. Se meu pai quisesse se relacionar com Esme, eu iria ficar muito decepcionada se Edward se opusesse. Ele não tinha mais motivos para implicar. Não tinha o direito de ficar se intrometendo na felicidade dos outros.
—Vamos, Edward, eu quero saber por que eles não podem ficar juntos, se quiserem? Qual a desculpa? Você já conhece o meu pai, sabe que ele tem consideração por ela. Por que você é contra? Eu quero ouvir.
Ele olhou para o teto me ignorando, sem mostrar a mínima intenção de responder.
—Eu não quero brigar com você por tudo, mas eu quero que você pense. Não seja injusto. Dê uma chance pras pessoas... — Movi seu rosto para ele olhar para mim. Ele desviou o olhar, carrancudo. —Edward, por favor, conversa comigo. — Disse carinhosamente tentando resgatar a paz. —Olha, Edward, eu não estou pedindo para você apoiar, só quero que dê uma chance, só deixe acontecer...
Ele não respondeu e minha paciência se esvaía.
—Tudo bem, prefere ficar brigado? É a ultima chance... — Acariciei seu queixo. Por que a mulher tantas vezes tem que ser o equilíbrio da relação? —Vou lá embaixo. Quer ir comigo lanchar lá ou prefere que eu suba com algo pra você? — Sentei-me e calcei a chinela para sair.
—Não precisa trazer nada para mim. Não estou com fome.
Virei para olhá-lo. —Tudo bem. Estou descendo. — Inclinei e dei um beijo em seu rosto.
—Espera, Bella. — Segurou meu braço. —Não fica chateada, não...
Deitei de novo na cama de frente para ele. —Eu não estou chateada, só acho que temos que aprender a conversar... Fala para mim qual o problema... Eu entendo os seus motivos antigos de não gostar do meu pai, mas hoje, você tem certa obrigação de tentar gostar dele, porque se você gosta de mim e sabe o quanto eu amo o meu pai, então, você devia tentar gostar dele também, independente dele ter algo com sua mãe ou não.
Ele segurou meu rosto entre as mãos.
—Bella, eu não tenho nada mais contra o seu pai... —Garantiu sincero.
—Então por que você agiu daquele jeito quando Jasper disse aquilo?
—Foi só um sentimento retrógrado de superproteção que eu vou lutar para dosar.
—Então promete para mim que não vai se intrometer, e que vai deixar o destino acontecer. — Encostei a cabeça em seu peito e ele passou o braço em minha volta.
—Prometer? — Repetiu, em dúvida.
—Sim, por favor... Se estamos hoje juntos é graças à força que une a nossa vida e a nossa família. Apenas aceite. Tudo que tem que ser, é. Está escrito.
—Tudo bem, prometo não me intrometer. — Concordou, afastou-me e beijou-me carinhosamente nos lábios. —Até por que, estou muito grato por você estar em meu caminho, traçada em minha vida. Então vou deixar as coisas acontecerem. Tem minha palavra.
Eu me empolguei e comecei a confabular.
—Pensa comigo, Edward, se eles casassem...
—Bella, não. —Interrompeu-me. —Eu não estou pronto para conversar sobre isso— Explicou sério. — Me dá mais um tempinho. — Pediu e beijou minha testa.
Tudo bem, se ele não estava pronto eu não tinha porque forçar. Meu anjinho tosco já estava mudando, o importante era isso. Deixei-o no quarto, desci para lanchar e Jasper me acompanhou até a cozinha.
—Ai, Bella, como você agüenta meu irmão. —Jasper comentou. —Às vezes ele é tão chato!
—É minha cruz! — Brinquei. —Jasper, irmãozinho, você podia me fazer um favorzinho. — O adulei, segurando seu braço.
—Só se for favor trocado! —Gracejou.
—Ai, ai, ! Que mente pervertida! — Dei um tapa no seu braço.
—Sou macho! —Sorriu. —Mas fala ae, Bella, já sei que quer aprontar alguma e precisa de um cúmplice. Qual o seu plano maligno. — Encostou-se na mesa, cruzou um braço e colocou uma mão no rosto, conspirador.
Tomei fôlego e coragem.
—Bom, é uma coisa sua que eu quero que você empreste para o seu irmão. — Disse preocupada. Será que eu iria entrar numa fria por isso? Será que Edward iria surtar, dizendo que era uma armação?
—Desembucha, Bella! O que você quer que eu empreste para ele? A minha garantia de satisfação? —Fez um gesto obsceno puxando os dois punhos no ar e jogando o quadril à frente.
—Ai, Jasper, para! —Rolei os olhos. — Deixe-me explicar... Olha só, o seu irmão não tem computador no quarto dele, então, ele deve perder o maior tempão nos computadores públicos da universidade quando ele deveria estar no quarto, sem barulho e relaxado. —Expliquei com objetividade. — Então eu queria que você o convencesse a levar o seu notebook, porque o seu é de última geração e é muito bom. Além disso, pensando em mim agora, o seu pc tem web cam e vai me ajudar a matar a saudade dele quando ele estiver lá. Fora que ele vai ganhar muito tempo, né. Imagino que computadores de universidades devem ser sempre lotados de gente na espera. Depois, a internet de lá deve ser muito lenta por causa do número de usuários. Então, por favor, vai... Empresta... — Pedi matreiramente. Ele ficou parado, pensando, depois deu de ombros.
—Ah, ele é quase seu mesmo. Eu comprei com o dinheiro que você me dava.
—Não, Jasper. Eu não quero que você empreste para ele por isso. Por enquanto, eu vou deixar o meu com você. Como eu tenho um pc jurássico no meu quarto, eu posso ir me virando. Mas assim que Edward esquecer, eu vou te dar outro. Eu prometo. Eu dou um até melhor. Eu só não quero que você pense que tem obrigação, entendeu? É um favor que vai ajudar o seu irmão, entende? Além de ajudar a sua irmãzinha aqui. — Sorri no fim.
Ele sorriu.
—Bella, você é muito esperta na arte de ganhar o meu irmão. Eu adoro isso em você. Pode deixar comigo, bandida!
—Ah, o note está aqui né? Entrega para ele hoje. Assim que tiver uma oportunidade você oferece. Aliás, implora para ele levar. Please! — O abracei, depois subi com uns sucos e pães de queijo.
Minha sorte é que ainda tinha Jasper com coragem de sair para comprar lanche. Em feriado e sem funcionários, não tinha nada para comer aqui.
Narrado por Edward
Mudei de canal entediado. Bella tinha descido fazia um tempo, e eu sentia sua falta. No entanto era uma falta diferente. Toda a ansiedade da presença dela e a dor que cortava minuto após minuto nesses últimos meses, se acalmaram. Certamente por causa do amor correspondido. Amor é um sentimento sereno, sem pressa, que alcança o outro com inteligência. Curva-se diante da vontade do outro, cede, entende, perdoa... E eu a amo. Espero demasiar-me de sua presença para levá-la comigo em minhas lembranças quando enfim, se fizer necessário que eu vá. Só assim, espero sentir menos sua falta.
Enquanto a esperava, deixei que as lembranças da noite anterior se infiltrassem em minha mente. Deus, quase fizemos amor na noite anterior. Foi por pouco. Depois de ter minhas mãos percorrendo toda a extensão do seu corpo, com vida própria, tomando, se apossando, tornando-me dono dela, eu estava enlouquecido como nunca tive antes...
Ela com seus suspiros ofegantes me tirou o juízo. Abri suas pernas com a minha, para senti-la, beijei o seu pescoço e toquei sem reservas seus seios... Eles estavam soltos, prontos para mim... Como os desejei a noite toda! Por um momento esqueci onde estávamos e tirei sua blusa, mas meu desejo era despi-la completamente. Eu devia domar aquela situação, não devia adiantar-me até o ponto que não agüentasse mais. Era a sua decisão que eu precisava acatar, não consumar o ato ali. Pelo menos na teoria.
Meus lábios cobriram sua pele e eu desci deliberadamente a boca apreciando o gosto do seu pescoço. Segurei os dois seios nas mãos e abri a boca neles, me deliciando, chupando forte um, depois outro, sentindo-me seu dono, tomando posse do peso nas mãos, mordiscando o bico, sugando ferozmente os seus seios rijos e virginais. Ela me devolvia gemidos que enlouqueciam qualquer homem são, tanto mais um louco, obsessivo, apaixonado e cheio de desejo como eu.
Não me conformei em sentir o seu corpo coberto, eu precisava tocá-la. Não me era suficiente acariciar as laterais de sua roupa íntima, eu queria mais, sempre mais... Toquei-a levemente por dentro da calcinha, sentindo o calor, a textura, a maciez. Foi tão bom tocá-la a primeira vez. Era de uma umidade, maciez e aconchego sem fim. —Ai, Bella. — Gemi, fechei os olhos e senti-me fora de órbita. Eu desejava entrar. Tudo rodava, e ela arfava em meus ouvidos me dando prazer duplo em vê-la desejando-me, ansiando, pedindo por mim o quanto eu a queria.
Acariciei-a tentando controlar a minha ansiedade, manipulei-a de modo que seu corpo estremecia em minha mão, ela se erguia e instintivamente se movia. —Tão quente. — As Palavras saiam incoerentes da minha boca. Ouvi um murmúrio dela pedindo por mais, sorri e movi os dedos no ponto que ela mostrava mais prazer.
Explorei-a, e meu juízo se foi quando ela gemeu, ergueu-se, gritou em minha boca e se entregou completamente ao prazer, umidificando minhas mãos. Gemi soberbo, lambendo sua boca. Ela tinha alcançado seu primeiro orgasmo em minhas mãos, sem ao menos saber o que lhe aconteceu.
Inocente.
Percebi com as carícias que ela estava pronta, úmida e que seria fácil. Ainda havia o receio de invadi-la e causar-lhe dor, além disso, aquele não era local nem momento para isso. Mas meu corpo a pedia insistentemente ali, e ela me respondia com o seu que sim.
—Bella... Por favor... Faz amor comigo... — Eu sentia dor pela excitação acumulada, meu raciocínio se foi e eu só precisava de sua autorização. Eu iria possuí-la, torná-la minha.
Voltei os lábios para a sua boca, invadi sua boca com a minha língua e ela sugava sedenta, me ocasionando tremores incalculáveis. Era um beijo sem castidade, e eu desejava que como minha língua, meu corpo estivesse dentro do seu, queria entrar nela, tê-la enrolada em minha volta.
Continuei com a mão em sua região íntima, acariciando. Ela gemia ao meu toque e eu tomei seu silêncio como consentimento de que eu deveria prosseguir. Fui convencido de que ela estava pronta e, sem soltar-me de seus beijos, preparei-me para possuí-la, abrindo o zíper e tocando meu membro, que já fluía prenúncios.
Ela mordiscava minha boca, insaciável, e eu voltei com o dedo levemente, reconhecendo o caminho, sendo recebido por seu estremecimento. O meu corpo regozijava pela ansiedade que seria satisfeita.
Ergui minimamente sua perna e encostei-me lentamente, arfando só com o simples toque íntimo de nossos corpos. Eu não sabia exatamente como fazer, mas o instinto me conduzia. Ela estava molhada, quente, deslizando, e de nossos lábios gemidos sôfregos foram arrancados ao ter a glande roçando a entrada. Movi o quadril, e ela pareceu não perceber. Ainda assim, o ser primitivo e vil em mim continuou arrastando a ponta em sua entrada.
—E... Preservativo? — Murmurou enquanto arfava.
Dúvida, dúvida, dúvida. Planos, futuro, filho, distância...
Imediatamente, retraí-me e mordi o seu queixo, enquanto acalmava a respiração.
—Não... — Nunca andei com preservativos.
Droga. Recompus-me, fechei o zíper e me senti latejar. Soltei-a completamente e fitei seu rosto. Havia calma e satisfação. Senti orgulho masculino por isso. Ela foi minha por essa noite. Eu a toquei lá. Ela será minha para sempre. Ela se entregou.
Levantei as alças de sua blusa e as amarrei. Fiquei satisfeito em ter lhe proporcionado esse prazer que tanto desejei naquela noite. A junção completa dos nossos corpos ainda podia esperar.
—Depois... Eu estava te devendo isso.
Ela olhou-me desnorteada, dando-me certeza que ela não conhecia o próprio corpo. A minha intenção inicial era só prepará-la e obter o seu assentimento, ela me disse sim... Se eu tivesse preparado, o sim seria a partir de agora... Então ela já se decidiu.
—Quer dormir comigo hoje? — Sugeri.
Ela pensava distraída e eu continuei beijando-a no queixo, pescoço, lóbulo da orelha.
—Você deixaria eu pagar?
Eu não podia, sinceramente não devia. Eu que deveria lhe proporcionar isso. Era uma afronta à minha dignidade aceitar.
O desejo se reprimia e uma dor se instalava forte em mim. Eu precisava aliviar-me.
—Fica aqui só um pouquinho, Bella.
Incomodado, retirei-me de sua presença e segui para um canto. A auto-satisfação não era a melhor atitude do mundo, chegava a ser constrangedora, principalmente tão perto dela. Mas ela era muito inocente ainda, e eu não me sentia à vontade de lhe expor a isso. Talvez um dia, quando ela conhecesse a real necessidade de um homem, eu me sentisse mais a vontade.
Minutos depois voltei. —Pronto, você não vai pagar nada pra mim. — Sorri. Precisava descontrair com a situação. Além da timidez que ainda podia me retrair, eu tinha que manter o clima leve depois daqueles momentos de atitudes surreais.
Agora eu tinha vontade de rir. Bella faz de mim um homem diferente que eu mesmo desconheço. Nunca me imaginei tendo essas atitudes impulsivas e descontroladas. Tudo isso por causa de ciúme, um sentimento pobre e repulsivo. Mas existe um porque dele ter se apoderado de mim: insegurança e medo, algo que não pretendo ter mais, afinal, sou seu namorado agora. Sorri contente e desviei o olhar para a porta.
—Por que demorou? — Perguntei assim que ela entrou no quarto com a bandeja de lanche e colocou no criado ao lado da cama.
—Ai, Edward, eu não demorei vinte minutos lá embaixo. — Sentou-se na cama. —Você está muito viciado. — Sorriu presunçosa. Deitei-a na cama, posicionando-me por cima dela e a beijei no rosto e boca. Beijá-la por meses não supriria a privação que passei.
—Acho que Emmett chegou, Edward, talvez devêssemos nos arrumar e descer... — Disse baixo, abandonada aos meus beijos. Nenhum dos dois queria sair dali.
—Vamos ficar... — Propus, faminto por sentir seus lábios doces e amáveis. Desci para sua garganta e pescoço, calmamente, apreciando o gosto, mordiscando, depois desci para a clavícula, ombros, deliciando-me.
Seus seios pra mim agora eram como ímãs. Meus lábios pediam, não se conformavam em não se aproximar e sentir a textura, o sabor... Era um lugar que me propiciava um prazer suave e prolongado. Eu não era vivo antes de descobri-los.
—Ai, Edward... Eu acho que... Talvez seja... Ruim se não formos... — Ofegou, quando afastei o vestido e delineei o bico com a língua. Ergueu o tronco receptiva. Abri o botão.
—Edward, eu queria lhe implorar por isso. —Ofegou. —Mas acho que temos que ir... E alguém pode entrar aqui de novo. — Gemeu, e eu amava vê-la assim, absorta.
—Vamos ficar, Bella... — Persuadi-a com mordiscadas, lambendo devagar, ela puxou meu cabelo.
—Edward, é... um convite... —Argumentou.
—Fala que já tinha feito um compromisso de ficarmos sozinhos aqui antes dele nos convidar... — Brinquei e voltei para os seus lábios, divertindo-me com sua falta de certezas.
—Ai, Edward, não faz isso... Você está tão... Persuasivo... É lógico que eu quero ficar, mas, é nossa família juntas... Isso é uma grande coisa... É aceitação. — Beijou-me, ainda desestabilizada. Deitei e coloquei a cabeça sobre os seus seios, com a mão em concha sobre eles. Eu gostava desse livre acesso.
Sinceramente me perguntava o porquê deste jantar e o porquê da Esme ter vindo. Será para aproximar mais as famílias? É certo que de agora em diante seríamos próximos. Mas isso era necessário mesmo?
—Bella, licença. — E alguém entrou. As pessoas desta casa não batiam na porta. —Desculpa, gente. — Era Emmett e parecia eufórico.
Sem jeito, saí de cima de Bella e deitei-me ao seu lado.
—Fala, Emmett, que foi? — Bella perguntou, fechando os botões.
—Por que você não me disse que a menina que andava com Ryan era a irmã dos meninos? — Inquiriu acusador.
—Você não perguntou? — Bella deu de ombros.
Emmett olhou-a desconfiado. —Por que não disse, Bella? — Pressionou mais uma vez.
Bella explodiu num sorriso cínico.—Bom, agora que estamos de bem posso falar... Você lembra a palavra funcionário e Forks? Eu pensei que nada disso te agradava, por isso não falei.
Seria indiscreto prestar atenção na conversa deles, então atentei meu olhar para a TV e tentei desviar os ouvidos.
—Edward, sua irmã tem namorado? — Emmett perguntou após um tempo. Olhei em direção a ele surpreso com a pergunta. Por que o interesse?
—Não que eu saiba. Eu nunca vi. — Respondi sem tirar os olhos da TV. Qual era a do irmão de Bella?
—Vocês dois vão ter que me ajudar! — Sentou-se impaciente na cadeira de canto.
—Ajudar em quê? — Virei o rosto desentendido.
—Ai, Edward, às vezes você é tão lento. Ele está a fim de sua irmã e quer ajuda para ficar com ela. — Passou as mãos carinhosamente em meu rosto e sentou na cama com as costas apoiadas em mim.
Demorei uns minutos para desfiar suas palavras. Instantaneamente fiquei tenso. Droga, essa família iria perseguir a minha agora? Bella encarou-me, medindo a minha reação, inclinou até meu ouvido e sussurrou: Disfarça... — Continuou com os lábios próximo ao meu ouvido, beijando-me o rosto.
Derrotado, percebi que levantar ou apresentar impedimento, como fiz há poucas horas quando me opus às idéias de Jasper, iria suscitar reações em Bella que dissiparia a boa convivência. Então me restava não expor a insatisfação com essa intenção de seu irmão, mesmo que me preocupasse.
—Lembre-se... Tudo que tem que ser, é... ou... será. — Sibilou docemente. Sua voz desarmou-me. A sensação de contentamento e gratidão por ter essa Cullen em minha vida me inundou. A recordação de tê-la lutando por mim quando eu não merecia, a lembrança de seu crédito em nós quando eu não tinha fé, invadiu o meu coração. E se hoje estamos unidos foi por sua pertinácia em acreditar em nós e nos dar possibilidades.
Não devo reter meus pensamentos ao conjunto de regras que traz dúvidas ao calcular o número de causas favoráveis ou contrárias à produção de certo acontecimento: o acontecimento de alguém da minha família ser infeliz por causa de um Cullen. O certo é deixar o destino tornar provável a felicidade que estiver traçada, assim como foi para mim.
—Emmett, o que quer da minha irmã? — Perguntei prestativo e sentei, observando-o. Era incrível como os irmãos eram parecidos com seus olhos uísques. Só não Alice, que tem olhos castanho-esverdeados.
—Ah, por enquanto só conhecê-la.
—Edward, conversa com ele que eu vou tomar um banho para me arrumar. — Bella levantou-se e direcionou-se ao banheiro. Eu assenti.
—Vou descrevê-la para você. Ela é decidida, organizada, responsável, não costuma namorar, não fala muito, se retrai quando está perto de estranhos, é estudiosa, boa filha, não gosta muito de sair de casa, somente para a casa de uma amiga que é a única que ela tem desde criança.
—Então sua irmã se parece muito com você. — Observou.
—Difere pouca coisa. — Dei de ombros.
—Que armação da vida, hein, Edward! Você já pensou nisso? Eu, fascinado por sua irmã! Por favor, fala mais dela pra mim... Do que ela gosta?
Ponderei as palavras do Emmett uns segundos. Agora que eu conhecia sobre atração e amor, sentia-me feliz em ajudar. Passamos os instantes seguintes falando sobre Rosalie.
Bella saiu do banheiro uns dez minutos depois enrolada na toalha, e eu queria encerrar o assunto para ter privacidade ao desfrutar de sua visão.
—Valeu cunhado! Tô te devendo uma. — Emmett bateu em meu ombro e saiu.
Cunhado é? Franzi o cenho.
Bella sorriu cheia de promessas, deixou a toalha cair e exibiu-se em roupas íntimas, que não eram de algodão, eram de cetim vermelhas. Segui até a porta e tranquei antes que outro entrasse sem bater.
Meus olhos viraram reféns de sua presunçosa exposição, ela tinha esse poder. Ela sorriu e desfilou lentamente até closet para escolher as roupas. Os cabelos longos e escuros no meio das costas faziam contraste com a cor pêssego de sua pele em sintonia perfeita. Uma mostra brilhante, de quem usa seu domínio como magia. O conjunto escultural caía como uma obra de arte recebendo a luz. Pernas torneadas, quadril sinuoso, cintura fina... Um corpo desenhado, esculpido na medida certa.
Aproximei-me fascinado e encostei meu lábio levemente em seu ombro. Ela deitou o pescoço entregue ao meu toque e afastei os seus cabelos, sentindo o cheiro da pele, do seu perfume. Desci com os dedos pelos ombros, braços, até alcançar a lateral de sua coxa. Ela suspirou e afastou-se para trás, com a pele arrepiada.
Senti-me realizado. Seu prazer era o meu prazer. Passeei os dedos pela sua barriga e sua pele tremeu. Eu queria conhecê-la, queria saber sobre a mulher que eu amava. Subi com os dedos em direção a parte exposta do seu sutiã, apreciando o volume, e ela arfou. Eu a apreciaria pelo fim dos meus dias.
Mudei-a para observar seu rosto. Seus olhos estavam fechados. Beijei-a no pescoço e na orelha, alternando, ao tempo que deslizava com os dedos pelas suas costas, sentindo suas curvas.
—Bella, eu quero você. — Disse cheio de cobiça. Todo o meu corpo ardia de excitação.
—Beije-me. — Murmurou e ofereceu-me os lábios. Mordisquei levemente seu lábio inferior, seduzindo-a, enquanto controlava meu corpo eletrizado. Ela colocou as mãos dentro da minha camiseta, subiu pelo abdômen e chegou ao meu peito. Segurei sua mão.
—Eu comando, Bella... Sou seu dono agora.
Desabotoei seu sutiã e desci com os lábios pelos ombros, beijei lentamente, provocando-a no colo. Ela suspirava em ansiedade. Aquilo era magnífico, era completar-me como homem lhe despertar desejo.
Passeei as costas das minhas mãos lentamente sobre seus seios, avaliando sua reação, e ela arqueou, oferecendo-os. Eu sorri. Queria admirá-la, queria desfrutar dos detalhes; tudo que pudesse ensaiar.
Mudei a posição, encostei-a frente um balcão e desci beijando suas costas vagarosamente e torturantemente. Ela empinou e contorceu-se. Abracei-a e moldei-me a ela, enquanto a acalmava acariciando seus seios, sua cintura, beijando sua orelha, pescoço.
Abaixei o olhar para registrar a cena e quase perdi a totalidade de consciência. Era estonteante. A peça íntima tornou-se diminuta após tê-la roçando em mim. Era a imagem que qualquer homem deleitar-se-ia... Ofeguei necessitado e desci lentamente as laterais de sua peça íntima...
Entretanto, ela segurou minhas mãos levemente, impedindo-me de continuar. Virei-a e voltei a beijá-la nos lábios, que estavam quentes, molhados e aconchegantes... Como lá, o lugar dos meus sonhos na noite anterior.
—Por que não, Bella...? — Ofeguei.
—Temos que ir. — Murmurou sem certeza.
—Vamos ficar... — Sussurrei, mordendo seu queixo.
Ela afastou-me e olhou-me com olhar desfocado. —Edward... Eu vou deixar com você... Você quer mesmo ficar? — Encostou a cabeça em meu peito, rendida.
Deixar em minhas mãos foi golpe baixo. Ela sabia que eu escolheria as responsabilidades.
—Temos tempo depois, né... — Sentenciei frustrado.
—Sim... Temos muito tempo. — Suas palavras soaram com duplo de sentido. Sentia que Bella aparentemente ainda tinha dúvidas. Não quando ela estava envolvida de desejo, mas quando a consciência lhe invadia.
Ofegante, soltei-a dos meus braços e respirei fundo, esperando o desejo acalmar.
—O correto é você vestir-se e não ficar expondo-se mais para mim, senão, eu não vou mesmo. — Sorri e lhe entreguei o sutiã que se encontrava no chão.
Fui a banheiro e quando voltei para o quarto Bella estava com um vestido vermelho, justo e tomara que caia.
—É festa? — Ergui uma sobrancelha.
—É um dia importante e sonhado, então fecha logo isso pra mim. — Virou-se pra que eu fechasse o vestido e não usava o sutiã que lhe entreguei.
Não fechei e a virei subitamente de frente para mim. Sorrindo de sua expressão surpresa, abaixei lentamente o vestido, inclinei e direcionei meus lábios aos seus seios, abrindo minha boca neles, deliciando-me com sugadas e lambidas ávidas. Ela não reclamou e puxou os meus cabelos forte, soluçando por ar. Definitivamente ela adorava isso, e eu também. Não eram mais carinhos de reconhecimento, eram carinhos de posse, domínio. Meus, irrevogável.
—Edward, você está me matando. Resolveu se vingar agora que perdeu a timidez? — Bella arfou e deixou o vestido cair. Usufruí mais alguns minutos, apertando, sugando, então, contra a minha vontade, libertei-a de meus beijos e abracei-a em meu peito, satisfeito com sua rendição.
—Sim. Vingança por você já ter brincado muito comigo. —Sorri. — Pena que realmente temos que ir. — Lamentei dramaticamente.
Ela sorriu, levantou rápido o vestido que estava no chão, virou-se para eu fechar, depois se sentou para calçar as botas de cano longo.
—Deixe-me te ajudar. — Pedi, peguei nos seus pés, acariciando-os, e as calcei.
—Puxa, Edward, estou ficando convencida. Você está muito estranho.
—Espero que fique convencida mesmo para aceitar ser minha namorada. — Bajulei, embora já tivesse certeza da sua aceitação.
—Hum... Ainda estou pensando... Acho que vai ter que me convencer que vale a pena... Vai ter que mostrar o que você pode me oferecer. —Ponderou brincalhona.
Levantei-a e a abracei forte. —Bom, você aceita namorar e ganha, como diz Jasper, 'garantia total de satisfação'. Quer fazer o teste antes de aceitar? — Subi o vestido rápido até sua coxa, sorrindo.
—Óh! Eu libertei um maníaco! O que será de mim agora? — Dramatizou e se contorceu tentando escapar de minhas mãos.
Narrado por Bella
—Me deixa tirar? — Edward se aproximou e me encostou à parede novamente, procurando meus lábios para tirar o gloss. —Tem um gostinho tão bom de maçã verde.
—Edward, eles devem estar esperando a gente. — Reclamei, com ele já lambendo minha boca. Ele estava tão... Hmmm, delicioso... Já sentia saudades suas... Era uma pena ter que ouvir a razão.
Ele me ajudou a vestir o sobretudo de couro e abotoou atencioso. Eu me senti mimada.
—Tudo bem, então vamos treinar. Dê-me a mão. — Pegou a minha mão e abriu a porta.
Dirigimo-nos as escadas e nossa família esperava lá embaixo, alguns em pé, aparentemente ansiosos que chegássemos. Senti uma felicidade inexplicável, uma sensação que buscava há tempos: segurança, tranqüilidade, esperança. Meu coração estava tranquilo, pois Edward poderia até ir, mas agora ele era meu de verdade e eu poderia lhe esperar.
Descemos as escadas de mãos dadas. Edward sorria aquele sorriso resplandecente de anjo, e só agora eu pude entender o que ele disse no quarto sobre treinar... Ele pensava nisso! Em casar. Todos nos olhavam e podiam ler nossa felicidade. Nossos irmãos estavam espalhados pelos sofás. Esme conversava em um canto com o meu pai.
Eu sempre sonhei com Edward aqui, livre de seu orgulho, livre dos seus preconceitos sem fundamentos relacionados à minha família e ao meu pai. Hoje estava realizada. Sentia-me pisando nas nuvens em cada passo da escada que eu dava.
—Oi, Esme, feliz Ano Novo! — Beijei o seu rosto depois me direcionei a Rose para cumprimentá-la. Edward abraçou Esme, e ela lhe entregou um casaco.
—Pô, isso foi demorado, hein! — Jasper resmungou.
—Só faltávamos nós dois? — Perguntei inocentemente para o meu pai.
—Sim. O que querem comer crianças? — Papai deu a opção.
—Pizza. — Respondi e voltei para perto do Edward, que estava de braços cruzados próximo a escada, encostado em uma coluna.
—Sanduíche. — Alice respondeu.
—Pra mim tanto faz. — Para Jéssica era sempre tanto faz.
—O que o senhor quiser. — Emmett fazia só o que meu pai queria.
—Bom, eu não sei se acho uma boa chamar Esme de tão longe para comer essas coisas que vocês querem. Esme, o que prefere? — Perguntou gentilmente.
—Ah, Carlisle, quem convidou foi você. Você decide. — Sorriu docemente.
Ops! O que foi isso? Esme deu um olhar carinhoso ao meu pai!? Olhei preocupada para Edward, e ele sorriu para mim, me tranquilizando.
—Sabe de uma coisa... Acho que este está sendo o dia mais feliz da minha vida... — Sussurrei em seu ouvido.
Ele levantou meu queixo e tocou meus lábios com os dedos.
—Mais tarde eu digo se foi o melhor dia da minha. — Sugeriu insinuantemente.
Abracei-o convicta. Eu não precisava mais obedecer a uma data. Eu o tinha, tinha segurança, tinha certeza dos seus sentimentos por mim, certeza que iríamos ficar juntos.
—Então, para não acontecer o que aconteceu nessa madrugada, temos que comprar aquele negócio que vai garantir o cumprimento dos seus planos. — Sussurrei referindo-me ao preservativo. —Porque eu, você sabe que não ligo. Eu até quero muito. — Sorri, sonhadora.
—Ai, Bella, é nessa hora que eu vejo como você é menina. Pra que você quer um filho agora? Olha a sua idade!
—Eu quero tudo que você puder me dar. —Disse calidamente.
Com olhos brilhando, ele esqueceu-se onde estávamos e levantou meu queixo para beijar-me. Fechou os braços sobre o meu pescoço e me aninhou ali, num beijo muito carinhoso e cheio de sentimentos.
—Né, Bella e Edward? — Meu pai perguntou, repreensivo.
Soltei-me sorrindo do beijo, e Edward não pareceu sem graça. Ele sorria. Embora fosse um beijo calmo, era um incomum beijo na frente de familiares. Estava feliz com esse novo Edward!
—Ai, ai, eles ficam em uma bolha o tempo todo... Não respeitam mais nem os pais. — Quem podia ser? Aquela pessoa atentada e linguaruda que estava esparramada no sofá.
Olhei em direção a ele com olhar de reprovação, e ele olhou de volta movendo os dedos num teclado imaginário. Nossa, que menino terrível! Chantagem! Se eu brigasse, ele falaria do notebook.
Sorri de sua façanha.
—Que foi, pai? O que o senhor perguntou para nós?
—Resolvi ir a um lugar que tenha tudo. É um pouco mais simples, mas vai ter pizza para você, sanduíche para Alice, batata frita para Jasper e alguma bebida para os adultos. — Direcionou o olhar para Esme, que desviou o olhar. As coisas estavam indo bem.
Fomos em três carros, eu e Edward no carro do meu pai com Esme; Jéssica sozinha no seu porque pretendia sair; e as outras pessoas no carro Emmett. Fiquei imaginando as artimanhas da vida. Meu pai namorou Esme e se separaram, graças a isso ela teve Edward, e hoje ele era meu. E de novo, eles dois podiam voltar a acreditar no amor. Apertei as mãos de Edward viajando em pensamentos. Naquele carro havia um encontro entre o passado e o presente... Quem sabe o futuro. Edward percebeu meu ar sonhador e abraçou-me forte, sorrindo.
Já no restaurante, escolhemos ficar num canto isolado, perto dos jardins, onde tocava música ao vivo. Em nossa mesa só Jéssica que estava meio isolada. Era uma pena que ela não se permitisse aprofundar relacionamentos. Emmett forçava bastante com Rosalie, mas até que às vezes ganhava algum sorriso encorajador. Esme conversava entretida com Carlisle, e eu comia a pizza com Edward.
O jantar seria tranquilo se não fosse...
—Para, Jasper! — Alice reclamou ao recebeu uma azeitona no cabelo.
—Ah, tá todo mundo muito quietinho. Eu quero diversão! — Preparou outra azeitona na colher para jogar.
—Não faz isso! —Alice ameaçou.
—ADORO quando fica brabinha. Joga você aqui na minha boca, vai! — Abriu a boca para Alice jogar azeitona.
Ela gostou da idéia, sorriu e jogou, acertando na boca dele. Todos sorrimos. A seguir os dois ficaram tentando acertar azeitona e pedaços de pizza um na boca do outro.
—Jasper, estamos em um restaurante... — Esme repreendeu baixo e desconcertada. Parecia embaraçada por causa do local. Nada a ver. Meu pai escolheu um lugar tão simples!
—Quem liga! — Jasper deu de ombros. Foi um pouco rude na resposta.
—Jasper! — Edward ralhou sério, e todos olharam em direção a ele. —Fale direito com a minha mãe! — Disse baixo, porém energético e com o olhar firme.
Primeiras palavras do Edward na mesa e todos ficaram surpresos com o efeito. Jasper pediu desculpas para a mãe e parou com a brincadeira, ficando amuado.
— Deixe-os brincarem. — Disse carinhosamente no ouvido do Edward. —Alice também estava brincando e ninguém brigou com ela.
—O problema, Bella, é o modo como ele falou com minha mãe. — Respondeu baixinho.
O clima ficou meio tenso na mesa. Jasper e Alice ficaram quietos e isso era inaceitável, pois era o menino que alegrava qualquer ambiente. Decidida a mudar o clima, vi que tinha um carrinho de pipoca na rua e pedi para o garoto comprar umas pipocas para mim.
—Jasper! — Ele virou-se em minha direção ainda meio desatento e chateado. —Abre a boca! — Joguei pipoca doce no ar, ele não se importou com a presença do irmão e abriu um bocão, com um sorriso de criança arteira.
Joguei várias, e ele movia-se para pegar, sem deixar cair. Meu pai agiu como se nada estivesse acontecendo, pois ele sabia que nós éramos exatamente isso, inquietos. Mas Edward e Esme retesaram, olhando em volta constrangidos. Eles eram muito sérios e convencionais para acostumar-se com a classe de irreverência que para nós era tão natural.
Alice animou-se e começou a jogar também na boca do moleque, nós duas de uma vez. Sorrimos com ele, e Edward fechou o semblante. Até que Alice virou-se em direção a Edward e levantou a mão no ar com pipocas, intencionada a jogar nele.
—Abre a boca, Edward, pelo menos para comer pipoca! — Brincou. Ele encarou-a sério e desviou o rosto, ignorando-a.
Eu balancei a cabeça censurando sua atitude. Sorte que Alice não ligou para a falta de tato dele, mas eu fiquei chateada. O que custava entrar na brincadeira?
—Edward, relaxa e divirta-se. Somos uma família. — Tentei carinhosamente.
—Não sou criança. — Disse ríspido.
—Ah, mais devia ser de vez em quando, já que nunca foi uma. — Devolvi no mesmo tom.
O clima pesou entre nós, mas minutos depois do ocorrido ele ficou todo doce e puxou minha cadeira para perto dele. Como era difícil lidar com alguém sistemático assim. Podia ser até criancice da minha parte, mas ele tinha que mudar esse modo austero de encarar a vida. Qual o problema de nos divertirmos em um restaurante? Escolhemos a área informal justamente para ficarmos a vontade!
—Mas o que estamos comemorando hoje que a nossa família está junta? — Jasper perguntou ao meu pai com boca cheia de pipocas.
—O primeiro dia do ano. — Carlisle respondeu com se fosse o óbvio. —E então crianças, peguem os refrigerantes de vocês e vamos brindar. — Propôs, e ele parecia estar mais solto com o vinho.
—Ao quê? — Emmett se interou no assunto, deixando Rosalie um pouco de lado.
—Cada um de nós expõe o que quer brindar.
—Ok! No meu caso é um pedido: Que as nossas mulheres não morram viúvas! — Jasper levantou o copo bem alto e deu um gole grande, fazendo careta como se fosse uma bebida forte.
Ai, ai, como podia desejar que suas mulheres morressem antes dele?! Todos riram na mesa de sua expressão.
—Tudo bem, eu quero brindar à beleza e à perfeição. — Emmett ergueu copo e encostamos o copo no dele.
—Nossa, Emmett, tá tão sério! — Brinquei, deixando ele sem graça.
—Quem mais? — Carlisle perguntou.
—Se ninguém vai, eu vou de novo! Que os meus filhos tenham um pai rico e mães gostosas! — Jasper atentou novamente.
—Jasper! — Esme repreendeu-o desconcertada com seus modos.
Todos sorriram. Edward parecia mais relaxado.
—Mais alguém? —Papai perguntou.
—Eu vou! —Alice disse. — Que Deus abençoe, proteja, guarde e multiplique os homens bonitos. Os feios só se tiver muito tempo. — Alice levantou o copo e deu língua para Jasper, que jogou uma azeitona nela.
Sorrimos novamente.
—Tudo bem, crianças, vamos brindar sério. Eu quero propor um brinde ao futuro. Já que estamos no primeiro dia do ano, espero ter um futuro próspero e feliz. — Meu pai propôs e encostamos o copo no dele.
Agora sim, todos iriam ter que falar algo. Eu sinceramente brindaria somente ao ano novo. Afastei-me mais de Edward. Estava descontraída por causa das brincadeiras, mas com ele era perceptível meu gelo por ele ter tratado minha irmãzinha mal. Esme levantou e ficamos atentos. Com certeza devia ter muita desenvoltura ao falar.
—Bom, todo início de ano dizemos para nós mesmos: este ano vai ser diferente, vou fazer isso, aquilo. Chegamos ao fim do ano e muitas vezes não realizamos o que planejamos. Tudo isso porque existe um traçado por trás de nossos planos. Eu quero propor um brinde à força que comanda às nossas vidas, ao plano perfeito, que não se frustra, que é o plano dos céus, porque é Ele quem rege às nossas vidas, é quem dá rumo aos nossos planos.
Uau! Gritei e bati palmas sorrindo para Esme. Todos bateram palmas e ergueram os copos. Jéssica levantou o copo em seguida e preparou para falar.
—Eu vou fazer um brinde rapidinho porque eu tô saindo. Eu quero brindar aos solteiros e à liberdade. — Sorrimos e erguemos os copos.
Depois dela, houve um silêncio expectativo na mesa. Faltava eu, Rosalie e Edward. Era bom que esquecessem. Não iria sair nada mais dali. Eu podia ter um arquivo guardado para um momento desses, mas não queria falar.
—Então... — Carlisle quebrou o silêncio. —Ainda querem brindar a alguma coisa?
Alice levantou de novo.
—Eu quero, pai! —Olhou de canto de olho para Jasper. — Agora falando sério, eu quero brindar a saúde do meu amigo e a amizade que temos. Também quero fazer um brinde às duas famílias. Que elas nunca se separem e que a amizade dure muitos anos.
Narrado por Edward
Pelo jeito os brindes chegavam ao fim, e embora eu tivesse mil palavras ensaiadas sobre o que gostaria de brindar, sentia-me retraído, principalmente por causa da distância de Bella.
Abaixei a cabeça, olhando para a mesa, e esperei o tempo passar, indignado com a minha falta de atitude. Senti os olhos de Bella sobre mim e levantei os olhos, encontrando os seus. Eles estavam distantes, pensativos. Todo o brilho de humor que havia ali minutos atrás se foi, dando lugar a um desapontamento.
Depois que Alice falou tão carinhosamente de Jasper, eu roguei a Deus que fosse só amizade. Um novo silêncio se fez, então o senhor Cullen virou em minha direção.
—Edward... —Perguntou sugestivamente, e eu demorei a concatenar. Ele esperava que eu falasse algo. Acanhado, direcionei meu olhar aos objetos sobre a mesa, e todos fixaram sua atenção em mim.
—Desiste, pai... —Bella espetou com tristeza e acidez.
Olhei em seus olhos, e ela deu um sorriso penoso de canto que me cortou, depois olhei em direção a minha mãe e ela lançou um olhar denotando desaprovação. Deixei os ombros caírem me sentindo um covarde, falido e desalentado.
—Então, gente, levantem os copos. — O Sr. Cullen pediu e levantou o copo.
Droga, e se aquele fosse o discurso de minha vida? Como podia não me retrair em falar diante de um auditório da Universidade para desconhecidos discentes e hoje, com a minha família agia assim? Bella não valia mais a pena do que qualquer outro desígnio para mim?
—Eu quero brindar a alguém. — Falei de ímpeto, e todos abaixaram os copos, em expectativa. —Eu quero propor um brinde à mulher que tem mudado a minha vida, minha personalidade e minhas crenças. Quero propor um brinde à Bella, que é a mulher da minha vida. — Disse pausado e baixo, satisfeito por ter fragmentado essa barreira em mim.
—Ele sabe falar! — Jasper gritou e bateu palmas.
Bella olhou-me orgulhosa e sorriu satisfeita. A seguir colocou a mão na minha perna. Eu finalmente podia respirar!
—Tudo bem, agora sou eu... — Bella começou e olhou em minha direção, com um olhar entusiasmado. —Todo mundo sabe que eu falo pelos cotovelos né, então preparem os ouvidos porque o que vou falar é muito grande. — Todos sorriram. —Bom, Esme já brindou por uma coisa muito parecida com a minha, mas mesmo assim eu quero brindar. — Havia muita emoção em sua voz, e eu fiquei tenso em antecipação. —Eu quero brindar ao destino e ao tempo.— Ela sorriu. —Às vezes queremos as coisas ao nosso próprio tempo. Depois percebemos que o destino prepara tudo. Tudo tem a hora certa de acontecer. Não devemos ficar ansiosos e atropelar as etapas da vida, querendo burlar o tempo, embora nossas fraquezas em esperar nos levem a isso. Ficamos questionando, qual o tempo certo? Quando irá acontecer? E de repente as coisas acontecem e nos surpreendem, tudo na hora certa... Hoje, com as nossas famílias aqui reunidas, podemos perceber o quanto o destino é responsável por tudo. — Ela respirou fundo. —Não está nem perto do fim! — Bella brincou e todos sorriram de sua descontração. —Existe um pensador que diz que há tempo para tudo. Agora eu vou trazer os versos do pensador para o meu caso. Há tempo de encontrar, tempo de separar, tempo de reencontrar, tempo de lutar, tempo de sofrer, de duvidar, de chorar, de ter esperança... Bom, eu sei que cada um de vocês que estão aqui, das duas famílias, nesses últimos tempos presenciaram a minha vida com Edward. Nós tivemos o tempo para cada uma dessas coisas que citei acima, e agora, eu quero que vocês compartilhem conosco a nossa felicidade, porque esse é o nosso tempo de compromisso. — Ela virou-se somente para mim e meu coração inflou. —Embora eu saiba que nosso relacionamento ainda vai passar por muitas provações causadas pelo tempo e pela distância, pior ainda sabendo que você vai amanhã... —Disse enigmaticamente. —O que me conforma é saber que somos ligados por algo muito maior: a vontade de ficar juntos e a força do destino em nos unir. Mesmo que tenhamos que esperar o tempo certo para dividirmos os nossos dias e as nossas vidas, não vamos nos separar... Eu vou ser o seu porto aqui, sua amiga e sua namorada. Quero ser a mulher que vai te apoiar no seu futuro e que vai fazer parte dele.— Ela voltou-se para o restante da família, e eu suspirei enternecido. —Então, o meu brinde é ao tempo e ao destino, que são aliados eternos.
—Caramba, Bella. Eu aceito mais uma vez. Sim! Sim! Siiimmm! — Jasper brincou com a mão levantada para cima. —Nossa, Bella, eu voto ni tu! Tu fala demais! Acho que a política da família tem que ser você!
Apertei Bella forte em meus braços, enlevado. Não consegui ocultar o êxtase e sublimidade que brotavam em mim. Tive certeza mais uma vez que era essa a mulher que eu amava, a mulher que foi escrita para mim e a mulher que eu sempre iria amar.
Narrado por Bella
Após os brindes, todos voltaram a conversar na mesa, e Edward me abraçava apaixonado.
—E aí, namorado, acho que você tem que comprar alguma coisa, lembra? —Sugeri. — Ainda quer uma noite perfeita? — Sibilei em seu ouvido.
—Eu vou ter que ir embora para Forks com Esme. Está tarde. —Ele disse pesaroso.
—Acho que não vai, não. — Sussurrei teimosa.
—Bella, será muito chato se eu ficar. É muita folga. — Lamentou, referindo-se a dormir lá em casa.
—Vamos, crianças. — Papai chamou. Ele tinha levantado minutos antes e ido fazer o pagamento no caixa. Não quis constranger ninguém com a conta na mesa. Um cavalheiro.
Descontraídos, saímos do restaurante.
—Edward, você dirige o meu carro? — Meu pai perguntou e estendeu a chave. —Bebi um pouco e se a polícia parar é um transtorno. Vou ter que ligar para um e para outro, então é melhor não passar por isso. — Justificou amistoso.
—Tudo bem. — Edward pegou a chave.
Estava tudo dando certo como jamais sonhei. Edward dirigindo a Mercedes do meu pai. Esme no banco de trás com ele.
—Esme, você não vai embora hoje não, né? —Papai perguntou. — Está tarde e amanhã é domingo.
—Não sei... O que você acha, Edward?
Apertei as mãos dele, incitando-o a ficar, e ele sorriu me provocando.
—Você quem sabe, mãe.
Oh, senhor! Por que ele é assim?
—Esme, fique! —Eu disse. — Lá em casa tem mais três quartos vazios. Por favor! — Supliquei e Edward sorriu disfarçadamente.
—Tudo bem.
—Edward, vamos passar em uma farmácia porque cortei meu dedo e quero comprar um Band-Aid. — Eu disse fingindo inocência.
Ele olhou de canto em minha direção, balançou a cabeça e sorriu maliciosamente.
Lindo, perfeito, e... Meu.
Obrigada por ler Bia Braz