Capítulo - Seguindo os planos
Narrado por Bella
Chegando à nossa casa, o carro de Jéssica já estava, mas ela não se encontrava na sala a vista. Entramos e espalhamo-nos pela casa. Alice, Jasper, Emmett e Rosalie ficaram no jardim, com Emmett tocando violão para Alice cantar. Meu pai e Esme ficaram perto do bar conversando aparentemente sobre a empresa.
Como achei que era muita forçação de barra subir para o quarto cedo, resolvi colocar um clip e ficar na sala de TV. Eu sentia ansidade, mas escondia minha tensão. Deitei no sofá com a cabeça no colo do Edward, e ele estava tranquilo, alheio ao meu nervosismo. Acho que é normal, não é, ter medo da primeira vez? É, acho que é.
Ele passava as mãos em meus cabelos sem tirar os olhos de mim. Tentei parecer calma e sorrir de ver em quando, mas o silêncio me deixava mais nervosa. Bem, pra que conversar sobre o assunto? Iria deixar que no quarto meu corpo e instinto ajudassem, pois ele, sim, estava bem interessado.
Eu devia ter perguntado há algum tempo algumas coisas sobre sexo para Jéssica, mas até ontem à tarde eu não pensava que as coisas iriam acontecer tão rápido assim. Se não fosse ele ter aparecido na festa do Réveillon, eu iria me manter na mesma. Por isso não me preparei.
Bom, ele também é inexperiente e não irá esperar muito de mim, além disso, estamos indo muito bem nas preliminares, logo as coisas devem sair bem.
—Edward, espera aqui um pouco que vou ao quarto da Jéssica.
—Tem certeza que vai me deixar aqui sozinho? — Perguntou carente.
—Só um pouco. Prometo. — Beijei o seu rosto e levantei. Subi as escadas e tentei abrir a porta de Jéssica. —Jéssica... Tá acordada? — Perguntei ao ver que a porta estava trancada.
—Espera, Bella. — Pediu meio alarmada.
Uns minutos depois, Jéssica abriu a porta com o rosto vermelho e suado.
—Posso entrar? —Pedi desconfiada. — Queria falar com você...
—Entra. — Abriu a porta, foi ao banheiro, apagou a luz e voltou, agitada. Eu estava desconcertada em iniciar o assunto o qual vim falar. Com certeza ela iria morrer de rir, pois todos aqui em casa achavam que eu já tinha vida sexual ativa com Edward desde que viajei para a capital.
Por uns segundos, fiquei ensaiando como começar. Geralmente eu não sou tímida, mas relacionado a sexo, nunca me envolvi em conversas com ninguém. É algo que me deixa meio embaraçada.
—O que quer, Bella? — Estudou o meu rosto curiosa.
—Bom... O Edward vai dormir aqui e... Nós dois vamos dormir juntos. — Disse sugestivamente.
—E...? — Cerrou os olhos desentendida.
—Vamos 'dormir' juntos. Er, é a primeira vez. — Balbuciei envergonhada.
—E...? — Continuou perdida. Oh, senhor, a Jéssica é tão voada.
—Hoje vai rolar, Jéssica, é a nossa primeira vez. — Soltei impaciente.
—Primeira vez o quê, Bella? Que vocês vão dormir juntos? Você não já dormiu com ele outras vezes?
—Tudo bem, hoje vamos transar pela primeira vez. Sexo, entendeu? — Perdi a calma totalmente.
Ela sorriu, aliás, gargalhou. —Hoje é a primeira vez de vocês? —Sentou na cama segurando a barriga de tanto rir. — Ainda bem que eu não fiquei com ele. Ele é muito devagar! Tanto tempo e... nada! — Fez gestos obscenos com a mão e sorria como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.
Eu fiquei quieta. Na verdade, eu não precisava ter vindo falar com ela. Foi burrice minha. Eu podia simplesmente ter deixado as coisas acontecerem. Depois, Edward iria saber o caminho, não tinha nada que aprender. Era tudo básico. Aquilo naquele lugar, e pronto.
—Tchau, Jéssica. — Virei-me para sair.
—Espera, Bella. Desculpe. O que você veio fazer aqui mesmo? Você não veio só informar o que ia fazer. O que você queria? — Ela percebeu meu humor e tentou consertar.
—Nada, Jéssica. Esquece. — Eu estava chateada comigo por ter me exposto assim.
—Bella, desculpe, eu não queria ofender. É que eu não imaginava mesmo. Venha, sente aqui. — Disse maternal. Voltei obediente e sentei. —Você quer saber algo biologicamente falando? — Tentou parecer profissional.
—Não. Biologicamente eu já aprendi na escola... Eu não sei é como ele funciona. Não sei como eu funciono. Eu queria saber. Eu queria que você me falasse um jeito de ser bom... Mais fácil... Não ser dolorido...— Expliquei acanhada.
Ela olhou ternamente em meu rosto. —Desculpe mesmo, Bella. É nessa hora que eu vejo como uma mãe faz falta. Apesar de que, coisas importantes as mães não vão falar nunca, né. — Sorriu tentando descontrair. —Tudo bem... Hum... Como vocês estão? Está quente? — Perguntou atenciosa. Eu me senti uma aprendiz.
—Estamos.
—Você já pegou nele, e ele em você? Teve oral?
Eu senti minha bochecha queimar e me movi na ponta cama.
—Ai, Jéssica, deixa pra lá. Eu acho melhor deixar as coisas acontecerem. — Desisti envergonhada.
—Tá, Bella, me deixa falar só uma coisa importante, o resto é no momento. Tente tirar o nervosismo. Você precisa estar bem preparada, bem a fim para não sentir incômodo.
—Na verdade, Jéssica, eu queria que você me falasse era um jeito de ser bom para ele. —Pedi humilde.
—Bom, então vou te falar como eles funcionam.
Cinco minutos de olhos arregalados depois, eu me movi desconfortável na cama
—... Mas não se preocupe. Só de você conseguir ficar úmida vai ser bom pra ele, entende? As respostas do seu corpo agradam o parceiro, então se for bom para você, vai ser bom para ele. Entendeu?
Entendi, eu acho, mas continuava nervosa.
—Eu entendi. Vou aqui ao seu banheiro. — Avisei e me direcionei ao banheiro.
—Não, Bella! — Jéssica interrompeu o meu caminho.
—Por quê? Eu tô apertada. — Continuei andando.
Ela parou na minha frente me impedindo e ficou calada uns dois minutos enquanto eu esperava uma resposta.
—Bella... o Mike está aí. — Disse sem graça.
Arregalei os olhos, surpresa. —Como assim? O que ele faz aqui?
—Ai, Bella, é uma longa história... A gente fica de vez em quando... Mas é só amizade. Eu estava me sentindo só hoje então o chamei. Ele tem dormido comigo alguns dias. Inclusive hoje quando ele foi embora de manhã, você estava com os seios à mostra lá embaixo com o seu namorado. — Ela sorriu divertida. Eu fiquei boquiaberta. Bem que a Jéssica podia ficar com ele de verdade. Ele ia ser da família do mesmo jeito.
—Então tá, deixa um cheiro pra ele... Jéssica, por que você não vai para um local próprio pra isso? Por que você prefere que ele fique escondido aqui em casa?
Ela sorriu desconcertada. —Porque eu gosto de ter ele aqui no meu quarto. É mais familiar, aconchegante, entende? Ele é fofinho, a gente dorme abraçado. Ele é um amigão. É seguro ter ele.
Desci as escadas pensativa sobre aquela conversa de amigão e seguro.
—Vamos para o quarto? — Cochichei no ouvido de Edward logo que sentei ao seu lado.
—Seu pai acabou de falar qual o quarto que eu vou dormir. —Explicou resignado.
—Pode deixar que eu falo com ele. — Sorri, levantei e fui até o meu pai.
—Pai, o Edward vai dormir em meu quarto. Eu posso dormir com ele? — Perguntei inocentemente. Cara de pau pouca eu tinha muita.
—Não, Bella. Aqui não. — Sentenciou desaprovador, mas parecia calmo.
—Pai, eu já dormi com ele em outros lugares, o que quê tem dormir aqui também? — Questionei carinhosa. Muito cinismo, Bella. Ah, não custava tentar. Se colar, colou.
—O quê tem é que aqui é sua casa. — Explicou o óbvio já conhecido.
—Ele é meu namorado sério, pai. E acho que as suas regras deviam ser mudadas quanto a isso. Realmente trazer uma pessoa qualquer para dormir é uma coisa, mas um relacionamento sério acho que não tem problema. — Argumentei. Ele também tinha que quebrar as suas regras com relação à Esme. O abracei pela cintura, e isso o comovia. Sou bandida mesmo! —Pai, eu não quero fazer as coisas escondidas de você. Por favor, de qualquer maneira eu vou dormir com ele. — Avisei. Por que os pais preferem não ver as coisas? —Se ele dormir no quarto de hóspedes, mais tarde eu vou pra lá dormir com ele do mesmo jeito. Por favor... — Ele não pareceu que ia ceder, estava com o semblante composto, sem a mínima variação. Pensei um pouco. —Tudo bem, então eu vou dormir naquele flat que o senhor às vezes dorme. — Soltei-o do abraço e me virei.
—Bella, não precisa sair de casa. — Torceu os lábios desgostoso.
—Então posso subir... — Não foi uma pergunta. Ele fez cara de insatisfação e virou o rosto sem responder. —Te amo, pai, boa noite.
Beijei-o e depois a Esme. Ele ficou contrariado. Mas o que ele preferia? Que eu o enganasse? Peguei na mão do Edward e subimos em direção ao quarto. Edward estava sem graça e não levantou os olhos em direção ao meu pai antes de subirmos. Eu sabia lidar com Carlisle.Pensei sorrindo.
Entramos, Edward ajustou o aquecedor e desabotoou o casaco, pensativo.
—Tome banho. — Pedi carinhosamente, e ele não cogitou ir. Sentou na cama e olhou atentamente em minha direção.
—Bella, o que você quis dizer hoje à noite quando disse que eu vou embora amanhã?
Hum, ainda não tínhamos conversado sobre isso. Aproximei-me dele e sentei em seu colo de lado, peguei seu rosto e hesitei, sentindo muito pelo que eu ia falar. —Você vai. — Afirmei. Eu já tinha certeza disso.
—Como assim? Não combinei com você de ficar dois meses para suprir um? — Questionou com milhares de dúvidas no semblante.
—Sim, Edward, naquele momento que disse aquilo, estávamos vivendo só no presente. Até ali, eu era a sua ficante, e ficante vive no presente. Agora sou sua namorada, e namorados pensam em futuro. E eu não quero atrasar o nosso futuro juntos. Se você for agora, você vai dois e adianta seis. Eu ganho esses seis meses futuramente, entende?
Ele ficou calado e pensativo, com o olhar distante.
—Mas eu também não estou conseguindo ir... — Resmungou, abraçou-me e colocou a cabeça em meu peito.
—Sabe, Edward, isso dói muito em mim, mas você tem que ir. Você tem que voltar para sua luta, não adianta adiar. Mas é como eu disse, nós estamos juntos agora. Eu vou estar sempre esperando por você e quando eu tiver oportunidade, vou lá passar um fim de semana com você. Se te sobrar tempo, você também pode vir aqui passar o fim de semana comigo. O importante é que vamos estar unidos por um laço mais forte que a distância que vamos enfrentar.
—Mas você não quer que eu fique? — Perguntou magoado e me abraçou mais forte.
—Você não sabe o quanto eu quero que você fique. — Levantei o seu rosto e o beijei ternamente nos lábios. —Se eu for pensar pelo meu lado egoísta, Edward, você não iria nem agora nem nunca mais. Eu te obrigaria a ficar aqui para sempre comigo. Eu tenho certeza que você é o homem da minha vida, eu já te escolhi. Mas será puro egoísmo meu se eu não deixar você escolher... Embora eu não alardeie com ostentações, não é segredo que minha família é bilionária. A nossa corporação é a mais influente de Washington, Oregon e Texas. Uma das mais influentes da Califórnia. E isso nos garante um futuro tranquilo. Baseada nisso, eu poderia simplesmente te pedir para ficar e com isso matar seus sonhos lentamente, afinal, o que é meu, vai ser seu também. Mas eu sei que você quer muito mais que dinheiro. Você quer ir em busca de um sonho. Então não é justo que eu o frustre ou lute contra ele.
—Você é mais importante que o meu sonho, então eu posso adiá-lo dois meses. —Relutou.
—Não sou, Edward. —Disse convicta. —Você não pode ter certeza disso porque ainda não alcançou o seu sonho. Talvez você não entenda, mas eu só vou saber se realmente sou importante para você quando você estiver lá e mesmo assim você me escolher. Homens poderosos têm milhares de coisas e mulheres a sua disposição. Se você ainda me achar importante e me escolher quando for um desses, é porque realmente significo algo para você.
—Bella... Eu já planejei ficar... Nós merecemos isso.
Segurei em seu rosto com as duas mãos, balançada.
—Fazemos assim: vamos deixar nas mãos do destino. Você disse que ia sair uma lista com os nomes contemplados para o curso, né? Se o seu nome estiver na lista você vai, se não estiver, aí sim, temos dois meses para nós. — Propus, também tentando ter um pouco de esperança.
Ele deitou na cama e me deitou em sua frente.
—Logo agora que somos namorados. Podemos até dormir no mesmo quarto. — Resmungou, com olhar triste.
Olhei para ele com uma firmeza que eu não tinha, mas que eu precisava mostrar.
—Cadê o Edward que tem forças para ir atrás do que quer?
—Eu estou aqui, Bella, só estou sofrendo por antecipação.
—Então vamos esquecer e curtir o restante da noite. — Aninhei-me em seu peito, tentando segurar a minha convicção.
Narrado por Edward
Bella é muito mais adulta e altruísta do que um dia eu pensei. Ela poderia simplesmente me segurar aqui, se quisesse. Eu sou escravo de suas vontades mesmo. Mas ela preferiu sacrificar-se, abrindo mão do nosso tempo juntos em favor de mim. Como não escolhê-la sempre? Ela acredita em mim quando não sou ninguém. Não olha para o que tenho ou sou, simplesmente acredita em nosso amor!
É certo para mim que meus planos são importantes, mas é o seu apoio que me devolve à realidade da minha luta. Afinal, ainda tenho que romper obstáculos e conquistar espaço. Então, devo preparar meu espírito para voltar. Para deixá-la aqui.
Abracei-a forte ao meu peito sentindo o início da dor da despedida. O certo era aceitar. Tudo será mais fácil se permitir-me enxergar do seu modo, que somos ligados por uma força que excede em quantidade a distância que iremos encarar. Se os nossos corações estiverem unidos, o nosso amor não vai esfriar.
Em resposta à sua atitude altruísta, eu tinha que lhe dar algo. Assim como ela não quer frustrar meus planos, não devo frustrar os seus.
—Por que está tão caladinho? — Analisou meu rosto, acariciando com os dedos.
Meu coração foi comprimido de repente. A vontade que eu tinha de abraçá-la, de me apegar a ela como se fosse os nossos últimos instantes juntos, me afligia. Deixá-la, era como deixar um pedaço de mim aqui, a parte viva do meu corpo. Era como separar-me da minha alma. Será que todas as vezes que nos deixaríamos seria assim?
Este era um instante exato para refletir. Era hora de olhar para trás e analisar tudo o que passamos, e olhar a frente e ver que o importante é que agora estávamos juntos. Além disso, tínhamos que analisar o que ainda iríamos enfrentar.
Nos últimos tempos, passamos muitas tristezas e conflitos, mas, felizmente, tivemos bons momentos, de alegrias e de cumplicidade. A minha gratidão por ela me impulsionar adiante é incalculável, por ela me dar forças para prosseguir sempre, por me ajudar a enxergar o mundo de um jeito melhor, por me ajudar a ver as dificuldades com olhos de gigante, por acreditar no meu sonho e, enfim, por investir em nosso amor e futuro. Isso que ela faz é algo impagável.
Era hora, mais do que nunca, de valorizar a pequena mulher a minha frente e agradecer por sua sabedoria sem fim. Pensando assim, deitei-a na cama e afastei-me para olhar em seus olhos, desejando conseguir falar tudo que pensava e sentia. Talvez, se expusesse os meus sentimentos trouxesse mais segurança e firmeza a ela.
—Bella, eu queria te falar mil coisas, mas em primeiro lugar eu queria te agradecer por isso, por ser assim e por pensar sempre em mim... — Beijei-a no rosto.
Ela olhou-me com o olhar mais enternecido e aconchegante que já senti em minha vida. Creio que não é possível amar e venerar um ser mais do que eu a amo.
—Agora, eu preciso conversar com você... — Continuei. —Eu acho que temos conversado pouco sobre nós... Tem ficado dúvidas pelo caminho... Você quer conversar? Prometo que não vou te magoar.
Ela assentiu com o olhar meigo.
—Você tem que me deixar falar, por favor. Eu preciso te falar palavra por palavra do que eu vou dizer. Mesmo que agora tudo tenha mudado entre nós e que haja compromisso, existem palavras passadas que precisam ser ditas. Não quero que existam segredos entre nós, e eu vou tentar me abrir mais com você. Eu sei que o fato de não conversar e não expor meus pensamentos te incomoda, então eu quero tentar a partir de agora. Mas antes, você tem que me conhecer intimamente e profundamente, e para isso, é bom que saiba algumas coisas que eu senti nesse último mês.
—Posso tirar o vestido antes? Está me apertando. — Sentou-se na cama e afastou-se pra que eu movesse o zíper. Depois abaixou o vestido e deitou-se novamente somente com a parte de baixo, com o travesseiro sobre os seios. Sorri com a sua disposição em me distrair.
—Cubra-se. Você quer é tirar minha concentração. — Peguei um lençol e coloquei sobre ela, apaixonado pela obra a ser coberta. Ela sorriu travessa, eu deitei minha cabeça entre os seus seios, sentindo aconchego e ventura ali. Mas não devia perder o ponto. —Bom, em primeiro lugar eu queria te pedir desculpas pelo que passamos logo que cheguei. Pela minha insegurança, pela falta de fé...
—Edward, não... É passado. — Afastou-se olhando nos meus olhos com olhar suplicante.
Bella tinha medo de conversar e se machucar, ou de mexer em feridas. Mas os problemas tinham que ser enfrentados. Se eles apareceram, as soluções também apareceriam.
Eu deitei em frente a ela.
—Nós temos que aprender a conversar. Você não pode simplesmente querer empurrar os ocorridos para debaixo do tapete, e depois, em outra ocasião ressuscitar. Na quinta feira lá em casa, vez ou outra você trazia assuntos não resolvidos à tona. Tudo isso motivada pela não solução. Por isso precisamos conversar. Não me importo se eu vou embora amanhã e se vamos perder tempo, o importante é que devemos conversar. — Tentei convencê-la carinhosamente.
—Tudo bem. — Aceitou a contragosto.
Respirei e deitei de costas fitando o teto. —Então, voltando ao assunto... Quando eu saí da capital, ainda estava indeciso quanto a nós. Eu queria você, mas eu não tinha certeza quanto ao nosso futuro. Mesmo assim, eu vim te ver, no mesmo dia que Ryan veio...
—Sério? Por que não foi na minha casa? E por que não me ligou? — Interrompeu ansiosa.
Eu sabia que esse assunto despertaria nela sofrimentos, mas iria até o fim.
—Por que eu fui fraco. Eu achei que você ficaria mais feliz com Mike, por ter visto você em uma praça com ele. Por isso resolvi ir embora. No dia seguinte, eu fiquei com uma espécie de raiva de você por tudo, então liguei para Ryan convidando-o para minha casa. Eu queria te ofender com aquilo. Tive ciúme de você, e em resposta tive aquela atitude infantil.
Pausei. Eu queria derramar-me em lágrimas pelo nosso tempo perdido e por tê-la magoado tanto.
—No meu aniversário, quando recebi o seu telegrama, senti uma dor lacerante. Vi que estava te perdendo e que com minhas atitudes egoístas eu te afastava cada vez mais. Passei a manhã angustiado, lutando contra mim para te ligar, então eu te liguei... E você foi fria. Naquela hora eu queria dizer tanta coisa, estava com as palavras na boca, mas me acovardei. Mais tarde, Jake chegou lá em casa e disse que você fazia carinho no rosto de um garoto na praia, então senti ciúme e te liguei. Eu não tinha porque cobrar, mas eu me achava no direito... Como você foi fria novamente, eu pedi para Jasper falar com os colegas dele, chamando-os para praia, também pedi que Ryan fosse na frente e te pedisse para ficar.
Ela estava atenta e calada, e eu me sentia melhor em abrir o meu coração.
—... Quando eu te vi abraçada ao Mike na praia, eu tive inveja dele. Eu queria abraçar você. Eu queria te aquecer daquele frio. Queria tirar aquela tristeza do seu rosto... Eu queria implorar para você ficar comigo...
—Por isso você chegou daquele jeito? Passando a mão em mim toda.
Sorri.
—Passar a mão era o mínimo que eu queria fazer. — Descontraí.
—Então quando você tem ciúmes de mim, você age impulsivamente. — Era uma afirmação.
—Bom, quando tinha insegurança sim. Agora eu espero não ter mais. Você é minha. — Abracei-a e a beijei.
—Terminou?
—Nem perto. — Dei-lhe selinhos.—Depois daquele dia na praia, eu fiquei bem pior com tudo que você me jogou na cara. Eu me frustrava com a vida por ter nascido de uma família sem recursos. É como você diz, sou preconceituoso e me importo com nossa diferença social muito mais que você. Mas é diferente pra você. Você já tem tudo, por isso a sua auto-estima é elevada e segura. Imagine eu... Eu preciso manter meus pensamentos no futuro para equilibrar-me. A minha vida foi muito resignada, simples. Eu tive que ser compreensivo desde criança, saber diferenciar o que podia e o que não podia ter. Então isso me ensinou a pisar no chão da realidade. Por isso eu não achava no direito de querer você. Eu queria no futuro, depois de realizado financeiramente, vir te reconquistar. Por isso fiquei um mês me negando. Mas no fim, eu estava morto, entregue à desilusão, caindo cada vez mais em uma melancolia indefinível.
—Por isso você chorou quando me abraçou segunda à tarde? — Bella sempre surpreendia com suas perguntas inusitadas.
—Ah... Eu não sei dizer... Eu não consegui te ver daquele jeito... Era uma dor que se fundia à minha. Sua dor era a minha dor. Eu também queria você, e estávamos dizendo adeus... Eu estava despedaçado.
—Tudo bem. Agora é a pergunta principal. — Ela ficou séria. —Por que mudou? Quando mudou?
Eu obstinei-me a expor a verdade.
—Mudou ontem à tarde quando minha mãe me perguntou se eu iria esperar vinte anos como ela para resolver a vida. Então eu resolvi ir à festa e conversar com você. Porém, eu já ia desistir de novo quando vi você com Mike...
—Então foi você quem me beijou perto do banheiro. — Não era uma pergunta.
—Eu não. Você beijou outro cara! Foi bom para você? — Descontraí.
—Foi. Agora eu sei que todos os beijos são iguais. — Sorriu e deu de ombros, brincalhona.
Beijei-a nos lábios e ela abraçou o meu pescoço.
—Edward, eu sei que foi você. —Disse após uns minutos. — Quando saí daquele escuro e voltei a dançar com Mike, fiquei olhando em todos os lados, imaginando que a pessoa que tinha me beijado era você, mas eu ainda estava confusa em como você tinha entrado. Então, quando eu te vi tive certeza. Não tem beijo igual ao seu. — Disse em meus lábios. Continuei a beijá-la docemente, acariciando sua nuca. Ela continuou. —Então você agiu daquele jeito atrás do clube porque estava com ciúme de novo? — Ela sorriu com a própria dedução.
Por causa da insegurança, fui motivado a avançar e quase estragaria o que para uma mulher deveria ser algo especial. Por milésimos de segundos, ou alguns centímetros, e por um pequeno fio de consciência em Bella, eu não concretizei ali. Ela, estava movida por álcool e paixão. Eu, por ciúme, desejo e possessão. Não seria a melhor decisão a seguir.
Algo interessante é que naquele momento em que o álcool intensificava o seu desejo, ela se preocupou comigo. Ela sempre pensa somente em mim. Ali, ela iria abrir mão dos seus planos e projetos por um momento.
—Bella, eu tenho uma compensação pelo que você faz por mim...
—Do que você está falando?
Descobri-a para analisar e ter certeza do que eu ia falar. Talvez eu não tivesse tanta certeza assim, mas eu deveria lhe dar a opção. Eu era como um faminto em um banquete, pronto para saciar-me e de repente a mesa fora levada. Senti-me próximo a algo muito sonhado e desejado, e na hora em que ia pôr em uso, aquilo era tirado das minhas mãos...
Com olhos apaixonados, apreciei as curvas de seu corpo na cama e passei os dedos. Ela se estremeceu ao meu toque, o que fez nascer em meus poros cobiça e desejo. Era admirável sua soltura e indulgencia diante dos meus olhos. Ela me encantava com o seu espírito livre. Acariciei toda a extensão, das pernas ao pescoço e respirei fundo admirando sua formosura. Fechei os olhos, tentando concentrar-me e não ceder a vontade de tomá-la lentamente com toda a fúria do meu corpo.
Resignado, deitei o rosto em sua barriga e abracei o seu quadril. Eu estava em um ponto que me sentia perder as certezas só de simplesmente estar ali, com a boca encostada abaixo do seu umbigo. Parecia que quando algo nos é privado, volta a ser muito mais desejável, nos causando muito mais ímpeto.
Tentado, não resisti e passeei com a minha língua até a lateral da sua cintura. Em seguida, deixei meu corpo dominar a mente e subi lentamente com os beijos para seus seios, abri a boca no bico rosado e busquei satisfazer-me antecipadamente dela. Eu queria saborear detalhes, chupando no fundo da boca. Ela arquejou indefesa, mostrando a extensão de seu desejo. Devagar, subi para sua boca, abri meus lábios nos seus e a beijei avidamente, sugando sua língua inquieta e provocadora. Em resposta, ela tirou a minha camisa lentamente, olhando em meus olhos. A sua confiança em mim me enchia de felicidade.
Seus olhos brilhavam, e eu estava em um estado de excitação pulsante, porém precisava controlar-me se queria chegar ao meu alvo. Apertei-a a mim, ela afastou-me, em seguida desabotoou a minha calça, sem soltar-me do beijo. Olhei-a admirado pela vivacidade nela, onde não se importava com censuras. Senti o corpo estremecer quando sua mão acariciou minha barriga. Livrei-me da calça e voltei a boca para o seu pescoço, ombros, gemendo baixinho enquanto pequenos tremores moviam seu corpo.
Suspirei e lutei com a consciência para domar a situação. Vi o desejo em seus olhos, nos lábios entreabertos e ansiosos, nos pequenos suspiros. Precisava prolongar, lutar contra o meu próprio desejo de ir ao fim, para proporcionar-lhe o máximo de agrado possível.
Desci lentamente do pescoço abaixo. Pequenos espasmos moveram-na quando passei a língua buscando e me deliciando nos pontos mais sensíveis de seus seios. E céus, era muito bom tê-los em minha boca. Mordisquei. Lambi. Eu não poderia mais viver sem. Determinado, desci as mãos no quadril para livrá-la de sua peça íntima e senti-a enrijecer-se ao meu toque.
Pacientemente, desci a peça por suas pernas e voltei para os seus lábios.
—Não precisa ter medo, Bella... — Sussurrei.
Sua respiração ficou instável. Eu tentava tranqüiliza-la acariciando a lateral de sua cintura, quadril. Continuei com beijos calmos, de lábios e pus a mão entre suas coxas, entreabrindo-as. Ela ofegou em meus lábios, e eu intensifiquei o beijo, de um jeito ávido, enquanto minha mão explorava sua região íntima. Arfei, e pelo meu corpo se passou um estremecimento ao comprovar a umidade e calor de seu corpo.
Ela se entregou ao meu toque, jogou a cabeça para trás e arquejou. Voltei a sugar possessivamente seus seios. Gemi, perdendo o controle lentamente. Ela correspondia aos toques com gestos que enlouqueciam, ora puxando meu cabelo, ora com as unhas em minhas costas, ora empurrando e movendo o quadril em minha mão. E mesmo com todos os nossos momentos juntos, nada me anestesiava a ela.
Intensifiquei os toques ao perceber que alcancei um ponto em que ela soluçava. Chupei mais forte seus seios, percebi que seu momento crescia, seu ápice anunciava, então ela se deixou levar por tremores e a sua respiração parou por uns instantes, voltando em seguida com ofegos descontrolados.
O seu prazer fora alcançado, e eu me vi perder o juízo, necessitando impetuosamente saciar-me. Porém consumar o ato não era o aconselhável. Eu não tinha controle da situação e poderia causar-lhe incômodos. Além disso, essa não era a minha real intenção.
Lutando contra meu desejo, salpiquei beijos nos seios avermelhados, estômago, esperei o seu tempo natural prolongar-se enquanto domava os meus sentidos. Olhei em seu rosto e ela ainda estava entregue, a respiração diminuía o ritmo e suavizava-se.
—Por que não quis? —Perguntou com a voz baixa.
—Depois... —Evadi, pulsando excitação, intencionado a ir para um banho urgente.
Ela sorriu e olhou-me intensamente quando eu sentei. —Eu já sei do que você precisa... — Sussurrou maliciosa.
—Do que? — Olhei de viés para ela.
—Deixe-me ajudar. — Colocou a mão em minha cintura, olhando insinuante para minha coxa.
Imediatamente retraí desacreditado de suas intenções.
—Me ensina... — Ela olhou-me sorrindo, passeou os dedos lentos pelo meu abdômen, e desceu, sem tirar os olhos de mim, depois tocou-me levemente na excitação por fora da peça que usava.
Retesei e segurei sua mão. —Não... — Censurei-a, mas ela me olhava apaixonada, inocente e atrevida, agora apertando o comprimento em sua mão.
Não tinha como resistir a algo tão aprazível. Estremeci com um simples toque, e, determinada, ela segurou o olhar e moveu a mão para dentro da peça, acariciando-me por dentro da boxer. Fechei os olhos e um gemido involuntário brotou dos meus lábios.
Ela ousou, envolveu-me e tentou mover, porém ela era desajeitada e não sabia tocar-me. Mas só a temperatura de sua mão e o toque diferente, trouxe de volta as correntes elétricas que invadiam o meu corpo incessantemente. Ainda retraído, deitei-me novamente, de costas para ela, e ela continuou com a mão ali.
Eu duvidei se realmente acontecia. Era extasiante.
Cauteloso com esse novo momento e pela sua coragem repentina, abaixei mais a boxer, coloquei minha mão sobre a dela e movimentei lentamente, mostrando o caminho. Ela encostou-se em minhas costas e, com a boca dava pequenas sugadas e mordiscadas no meu dorso, aumentando meu prazer. Eu ofeguei com o calor de sua boca e com sua mão conduzindo-me lentamente ao prazer.
Instantes depois, soltei sua mão e fechei os olhos, entregando-me por completo ao infinito deleite. Ela insistentemente mordiscava-me nos braços, costas, costelas... Olhei para baixo e vi, além de sentir, meu membro envolvido e acariciado por sua pequena mão. Minha respiração acelerou, instintivamente cobri sua mão e mudei o ritmo. Ela continuou só no novo ritmo, pressionando, tocando. Senti que todo o meu corpo respondia, cada fio de cabelo estava pronto para aquele passo. Uma explosão se fez dentro de mim, rangi os dentes e o mais intenso prazer me envolveu. Ofeguei compulsivamente enquanto espasmos invadiam seqüencialmente meus poros. Meu corpo tremeu convulsivamente na cama, gemi, até ser envolvido por paz.
Ela continuou acariciando, tocando curiosamente, e ainda que o quarto estivesse escuro, fiquei embaraçado. Peguei minha blusa no chão e me virei de volta a ela para limpar suas mãos. A sua inexperiência fez com que sujasse mais que o normal.
Eu tinha vontade de rir. Eu tinha vontade de me esconder. Tudo era muito desconcertante, e ela simplesmente me olhava nos olhos encantada. Beijei-lhe o rosto para desviar sua atenção, depois conduzi a blusa aos meus fluídos, a fim de limpar o excesso. Então me sentei desconcertado... Precisava de um banho. Todo esse tempo de relacionamento não nos deu uma intimidade assim.
Era fácil tocá-la, conhecê-la, mas não tinha me permitido expor assim.
—Adorei. — Quebrou o silêncio e deitou de lado na cama com um sorriso largo.
—Eu também. — Respondi baixo, sem intenção de continuar com o assunto. Ainda não, por favor.
—Ow, namorado, por que você está tímido? Acredita que eu aprendi hoje que você faz isso? Por que não me disse ontem que você precisava disso? Não precisava ter ido fazer escondido. — Sorriu, deixando-me sem jeito.
Tudo bem que eu não devia aviltar nesse momento, mas a minha personalidade é retraída, então, existem resquícios de timidez sempre... E às vezes, a falta de embaraço de Bella é intimidadora.
—Quem disse que eu fui fazer isso? — Continuei sem graça.
—A Jéssica hoje me disse umas coisas, e eu comecei a associar a algumas atitudes suas. — Gargalhou descaradamente. —Quando você vai para o banheiro após os nossos beijos, você vai fazer isso. Como eu sou tonta. Eu não sabia! —Riu mais. — Sim, eu sabia do básico que os homens fazem nas mulheres, mas não sabia que os homens tiravam isso sozinho e com a mão. — Continuou rindo, e isso estava além dos limites do constrangimento.
—Deita aqui, meu anjinho. — Puxou-me, e eu deitei em frente a ela. —Sabe que eu gosto de você de qualquer jeito? Sem vergonha, carente, tímido, assanhado, com atitude ou sem atitude. Você é a melhor coisa da minha vida, e eu adorei isso que você fez comigo e que deixou eu fazer com você. Não fique tímido. Você não disse que sou sua dona? Então, sou dona de tudo, inclusive dessa parte aí. — Apontou para baixo ainda sorrindo.
Eu não tive mais o que falar, somente sorri diante de sua desenvoltura em sair de uma situação embaraçosa e beijei seu rosto.
—Bella, vou tomar banho. Daqui a pouco temos mais coisas para conversar.
—Posso ir junto?
—Pode. Vestidos.
...
Chuveiro... Água caindo sobre nós... Seminus e abraçados. Eu não queria, nem devia perder um minuto dela, pois amanhã nesse horário poderia não estar mais aqui. Mas porque ela é Bella, ela não parou de me provocar, beijando quente meus lábios, esfregando os seios em mim.
—Bella... Espera... Vamos dar um tempinho. .—Pedi ofegante
—Não temos muitos tempinhos...
—Temos uma vida pela frente e... É sobre isso que eu quero conversar com você. —Ela continuou me beijando, sem me dar ânimo para iniciar uma conversa.
Devolvi os beijos, encostando-a na parede, ainda pensando em uma maneira de salvá-la do meu desejo insaciável. Ergui uma perna sua e me encaixei minimamente a ela, separados somente pela insignificante peça íntima que eu e ela usávamos.
Beijei o seu pescoço lentamente, descendo para a clavícula.
—Vou te dar uma chance: você quer mesmo isso aqui? Na parede de um banheiro?É o que você planejou e sempre sonhou? —Desci mordiscando até o seio, amando a textura de seu corpo molhado. Ela respondeu diminuindo a intensidade dos suspiros. Éramos dois extremos, quando eu me retraia, ela avançava, quando eu avançava, ela se retraia. Decidido, abracei-a. —Então vamos terminar o banho e voltar para o quarto que eu preciso conversar com você.
Sequei-me, vesti uma cueca seca e deitei. Bella colocou um pijama.
—Tire vai... — Pedi matreiro. —É meu último dia aqui e ver você a noite toda coberta assim é um desperdício de colírio para os meus olhos.
Bella voltou ao closet e colocou um conjuntinho de short e top de algodão. Por mim ficava sem nada, mas, menos mal. Ela deitou-se, e eu permaneci sentado. —Bom, lembra que há duas horas eu ia começar outro assunto e não dei andamento?
—Uhum.
—Você lembra que disse no meu quarto lá na capital que não era só eu quem tinha planos na vida e que você tinha planos com relação a sexo?
—Sim, mas não importa mais. Eu não tenho mais porque esperar.
—Mas me responde, por favor. Eu quero saber. Qual era o seu plano? Ele envolvia o quê? Estar namorando sério? Noiva? Casada? Ter segurança? Uma data? Era o que exatamente?
—Hum... Envolvia uma situação e uma data.
—Então existia uma data...
—Edward, isso não importa mais. Você já tem dezenove anos e não tem vida sexual. Eu não posso ser egoísta assim.
—Eu sei, mas eu percebo que você só tem pensado em mim ultimamente, só tem dado valor aos meus planos. Então não é justo só os seus serem sacrificados. Por menor e insignificante que seja para você, ele merece ser seguido. — Afastei-me para encontrar seus olhos. —Igualmente meus planos doem em você, esse seu plano dói muito em mim. —Dramatizei. —Mas eu quero fazer isso por você. Pelo menos isso. Afinal, eu não posso fazer nada mais por você.
Ela ficou pensativa, sinal que oscilava em suas convicções, como eu imaginava.
—Sabe, Bella, lá na festa, atrás do clube, quase aconteceu e você não percebeu. Foi por pouco. Agora imagine como seria ruim para você ter isso na parede de um clube. Iria estragar a história da sua primeira vez. E você merece muito mais que isso.
Ela continuou pensativa enquanto eu acariciava o seu rosto com os dedos. Eu mesmo não tinha certeza da loucura que fazia, mas ficaria a seu cargo decidir.
—No meu quarto na universidade, você disse que queria que as coisas acontecessem devagar, que queria me conhecer e queria que a nossa intimidade aumentasse gradativamente enquanto nos conhecíamos como pessoa. Lembra?
—Sim, mas esse era meu pensamento daquela época, pois era muito cedo na minha cabeça.
—Tudo bem, só me responde: quando mudou sua convicção? Quando você resolveu se entregar a mim?
—Ontem à noite... Atrás do clube... Quando você me tocou daquele jeito.
—Então... Você não estava dotada de raciocínio. Você estava aturdida pelo álcool. E agora? Por você? É ainda o que você quer? —Pressionei. — Não quero que pense em mim. Com o corpo saciado, ainda é o que você quer?
Ela estava vacilando. Era perceptível que não queria voltar atrás por minha causa.
—Sabe, Bella, eu percebo que você não se conhece como mulher e fica muito tensa quando pensa que eu vou efetivar o ato. Então, eu acho que você precisa se conhecer para não ficar tão nervosa como ficou hoje por duas vezes. Eu sei que eu avancei quilômetros de ontem para hoje na nossa relação, por isso vou deixar em suas mãos de novo, igual era antes. Você decide quando. Não precisa me falar a data, só espero que não demore, senão eu desisto agora e abro as portas oficiais hoje! — Sorri tentando descontrair. —Enquanto não, você pode fazer suas brincadeiras à vontade. —Acariciei seus seios. — Nos brincaremos à vontade. — Beijei seu rosto lentamente. —Eu só quero que quando chegar a hora você me avise, porque eu quero que seja muito especial para você.
Ela continuou sem palavras e pensativa, mas era visível sua resposta.
—Tudo bem, já que vamos começar a nos conhecer, por que não quis... Você sabe... Continuar?
—Bom, quando eu comecei a te beijar, eu não tinha a intenção de consumar o ato, eu só queria te apreciar para ter certeza da proposta que eu ia te fazer. Mas depois eu fiquei descontrolado e queria usufruir, só que eu não podia consumar o ato, porque eu sei que eu não agüentaria muito. E no banheiro, se fosse lá, com certeza eu iria te causar dor, porque pelo pouco que eu te conheço, você não estava pronta. — Dei-lhe um selinho e voltei ao assunto anterior. —Então está feito o acordo?
—Vem aqui e me abraça, Edward. — Chamou-me para deitar ao seu lado e subiu em cima de mim, apoiando a cabeça em meu peito. —Obrigada... Eu não estava ligando mais para esse meu plano bobo. Mas vou te confessar: eu acho legal que você se interesse. Imagine, eu não planejei nem que carreira seguir na universidade, inclusive é o meu pai vai me ajudar a escolher o que cursar. Nunca planejei nada, sempre quis que as coisas acontecessem conforme a vida levasse. Mas já que eu planejei isso, eu queria seguir, e se você não se importa...
—Realmente eu me importo. Assim como você se importa que eu viaje amanhã. — Sorri descontraído. —Mas eu quero fazer isso por você. É lógico que nós dois vamos ter que ter limites se quisermos chegar aonde você planejou. Sempre um vai ter que pensar com a razão, e eu não estou muito a fim de ser este... Além disso, estou muito viciadinho em você. — Disse e passei os dedos nos seios. —Sou apaixonado por você toda, mas essa parte é meu desfrute total. E vou logo te avisar, daqui pra trás eu não volto. Tudo que eu faço até aqui, não vou parar de fazer, inclusive saciar-me aqui. — Mordisquei-a. Ela sorriu. —Então fechamos? Você segue com os seus planos e eu sigo com os meus?
—Tudo bem.
...
Fiquei ali, observando-a, gravando a visão de seu rosto perfeito enquanto ela dormia. Pensamentos felizes pareciam passear em sua mente, iluminando seu semblante. Eu me perderia aqui pra sempre, observando-a, porque o mínimo segundo que passava com ela era magnífico e único. Abracei-a forte, expulsando toda e qualquer vontade de me entregar ao sono, porque sentia sua falta desde agora.
Tê-la em meus braços era como se o mundo fosse perfeito, como se fosse escrito, planejado. Eu não conseguia conter toda a emoção em saber que estávamos em seu quarto, juntos, felizes, prontos para enfrentar as barreiras da vida. Sentia as batidas do seu coração, então eu agradeci aos céus por tê-la me presenteado.
Eram duas horas da manhã e uma sede enorme me invadiu. Estava indeciso se descia para tomar água ou não, pensando ser muita invasão ir à cozinha dos Cullen. Todavia, a necessidade foi maior que a dúvida. Deixei o quarto e fechei a porta lentamente atrás de mim, pensando em um jeito de chegar à cozinha sem me perder.
A casa era suntuosa e moderna, com uma escadaria larga, um corrimão de alumínio e vidros. A sala era cheia de obras de arte, com vários ambientes. Só na sala caberiam duas casas do tamanho da minha. Deus, era quase impossível tirar Bella daqui e poder lhe dar algo pelo menos parecido.
—Esme, o que faz aqui há essa hora? — Assustei-me ao encontrar minha mãe na cozinha.
—Vim tomar água... Não consegui dormir. — Respondeu pensativa. Eu enchi um copo com água e bebi.
—O que aconteceu? Que cara é essa?
Ela hesitou. —Vamos lá para o meu quarto que eu te falo.
Em silêncio, direcionamo-nos ao quarto de hóspedes que ela estabelecia-se.
—Fala mãe. Por que está assim?
—Edward, Carlisle me chamou... — Parecia desiludida. —Ele me beijou quando me deixou no quarto de hóspedes, depois perguntou se eu queria dormir com ele. Eu disse não.
Minha vontade era apoiar a sua decisão, mas era nítido que ela não fez o que realmente queria.
—E por que você não foi?
—Porque eu não queria só ir para cama com ele como em todos os anos que fui.
Abracei-a. Agora estava tão fácil entender a minha mãe. Por anos, eu não conseguia entendê-la completamente, agora eu sabia o que ela sentia.
—E ele deixou passar assim, sem mais e nem menos?
—Ele não é de insistir.
Afastei-a para olhar em seus olhos. —Esme, como seu filho Edward, eu não queria falar isso, mas como seu amigo, eu vou te dizer as mesmas coisas que você me disse sexta. Você quer esperar mais vinte anos para fazer e dizer as coisas certas? Por que você não fala para esse homem que você é apaixonada por ele? Vai esperar o tempo passar mais ainda? — Nem eu mesmo acreditei que falava isso, suspirei e enfrentei a mim mesmo. —Eu sei que já te apoiei em esconder seu sentimento, mas estava errado. Você tem que falar. Pelo menos diga que gosta dele e que não o quer só uma noite. — Ela pareceu indecisa. Talvez fosse difícil para ela expor seus sentimentos. —Durma com ele, mãe. É o que você quer! Você mesma disse que ele não traz mulher em casa. Se ele te convidou, é porque você é importante para ele. — Argumentei e segurei-a pelos ombros.
Ela olhou-me surpresa e sorriu. —Eu estou orgulhosa de você. — Abraçou-me forte, e eu sorri feliz. Não era o único que merecia a felicidade.
—Agora vou voltar para a minha Bella. — Beijei-lhe a testa e despedi-me.
—Edward, você vai embora amanhã, né? — Perguntou, antes que eu saísse.
—Eu acredito que sim. Como sabe? —Franzi o cenho.
—Bella me ligou e mandou trazer todas as suas coisas. Livros, malas, tudo. Disse que você iria embora direto daqui. E como eu sei que você não passaria nem uma semana aqui, quanto mais dois meses, então eu tive certeza que ela iria te colocar para ir embora amanhã. Você está bem com isso?
—Agora estou. Está doendo um pouco, mas o importante é que estamos juntos. Ela vai lá de vez em quando... — Disse chateado.
—Filho, eu pago para você vir também. —Tranquilizou-me.
—Não mãe, eu não quero. Já basta o custo que eu dou para manter-me lá. Não quero mais isso.
—Tudo bem, mas em julho, nas férias, você vem. Nem que seja para um fim de semana, já que não vai poder vir passar as férias todas.
Só de pensar que eu viria somente em julho meu coração vociferou aflitamente a presença de Bella.
—Tudo bem, mãe, vai resolver sua vida que eu não quero perder um segundo mais longe dela. — Beijei-a novamente e voltei para o quarto.
Acendi a luz e fiquei satisfeito com a vista. Bella estava encolhida, descoberta e linda. Ajoelhei-me no chão e deslizei minhas mãos naquele corpo ousado, que me atiça, que me leva a loucura. Um corpo que me pertence, que revela segredos e, ainda assim, há purezas escondidas, proporcionando-me diversas formas de amar.
Deitei na cama e abracei-a, aconchegando-a a mim. Ela estava entregue ao sono doce e profundo, e eu não podia perdê-la um segundo qualquer. Assim, vi minuto por minuto daquela hora passar, mantendo a luz acesa, com os meus pensamentos longes.
O curso de Ciências Políticas dura quatro anos. Se eu adiantar matérias em todos os semestres, poderia terminar em três... Poderia... Mas isso seria só o início... Só o curso. Até chegar onde aspiro seria muito tempo... Será que ela iria me esperar? Não devia sofrer por antecedência, se não voltava ao estado zero.
Ainda com um pouco de esperança em não ter o nome na lista, levantei-me e direcionei-me ao computador. Lá, bati os dedos ansiosamente sobre a mesinha, preocupado com o que iria ler. Esperei impacientemente pela inicialização e, enfim, a página abriu...
Bom... Respirar fundo e seguir em frente... Esteve nas mãos do destino e... Ele decidiu.
Suspirando, tomei as providências necessárias para seguir o meu caminho e resolvi dormir. Eu precisava estar renovado para aproveitar o meu dia com Bella. Deitei e beijei seu rosto.
—Bella... Eu te amo... Por favor, me espere... — Sussurrei em seu ouvido, sabendo que ela não ouvia, mas o seu subconsciente registraria. Seu rosto abrandou-se e um sorriso brotou em seu sono. Desliguei o abajur e nos cobri com o lençol, aninhando-a em meu peito.
Narrado por Bella
A luz que irradiava da janela invadiu o quarto e perturbou o meu sono, fato ocasionado por ter me esquecido de puxar as cortinas na noite anterior. Fiquei deitada com o braço no rosto, tentando cobrir meus olhos para o incômodo da luz ser menor. Senti uma perna entre as minhas, um corpo quente aconchegado atrás de mim e virei o rosto. Meu coração palpitou. Era sublime tê-lo ali, no meu quarto, na minha cama... Era maravilhoso.
Levantei e puxei as cortinas para não atrapalhar o seu sono. Ele dormia um sono pesado e eu não quis despertá-lo. Beijei o seu cabelo, sorri, fui para o banho, me arrumei, em seguida deixei-o no quarto e desci. Emmett se encontrava sentado à mesa, pra baixo.
—E aí? Como foi com Rosalie? — Preparei um misto quente e sentei-me a mesa, ao seu lado.
—Não rolou. Ela é muito fechada. Me deu um fora na alta. Acredita nisso?
—Mas você chegou a falar alguma coisa com ela? Sei lá, pedir para ficar com ela?
—Quando todos foram dormir, eu fiquei lá fora com ela um pouco. Ela disse que não namorava ninguém, e eu pedi pra ela ficar comigo, fiz altas promessas, só que ela disse que não. Mesmo assim, eu a beijei, e ela correspondeu. Então eu pensei que estava ganhando e passei a mão na bunda dela. Aí a mulher surtou e me deu um tapa na cara, você acredita? — Explicou inconformado. Como ele passava a mão numa mulher que mal conhecia!?
—Emmett, ela não é como as meninas que você conhece da cidade grande. Ela é reservada e você cometeu o maior erro da sua vida fazendo isso. Imagine só, na cabeça dela você já é um riquinho aproveitador e, como você fez isso, você provou para ela que é! — Acusei, automaticamente me lembrando de Edward, quando ele dizia que eu era uma riquinha que só queria brincar com a cara dele.
—Mas o quê que tem? Toda menina deixa! — Resmungou sem entender.
—Sim, mas é questão de personalidade. Ela não é fácil.
—Bella, ela é muito diferente, adora filmes de Walt Disney, adora a Bela e a Fera, adora aquele filme A Encantada. Acho que ela deve acreditar em príncipe encantado também. E pior, acho que ela é daquelas meninas que querem casar virgem, ter filhos e ser feliz para sempre. Então o que eu faço? Me ajuda a conquistá-la. — Perguntou desnorteado, completamente fascinado pelas características da Rosalie.
—Bom, se ela gosta desses filmes, ela deve ser uma pessoa romântica. Então eu acho que você tem que mostrar para ela que não é um aproveitador intencionado a usá-la, e isso só o tempo para mostrar. Acho que você vai ter que lutar para conquistá-la. Insistir, dar presentes, ir atrás. Nenhuma mulher resiste a isso.
Quem diria que eu iria aconselhar o meu irmão em como ganhar uma 'caipira'!
—Oi, cara! O que você faz aqui?! — Emmett perguntou ao ver Mike passando pelo jardim. Eu tinha que pensar rápido para proteger meu amigo e minha irmã.
—Ah! Ele veio trazer um cd. — Interrompi. —Ouviu a música que eu te passei, Mike? — Ele olhou-me desorientado.
—Er... Ouvi, Bella. — Gaguejou nervoso, mas depois seu semblante aliviou e ele entrou na cozinha. O bobinho tinha saído pela saída de funcionários e esqueceu que passaria em frente à cozinha.
—Lancha com a gente? — Ofereci, e ele sentou.
—Tchau, vou comprar uma coisa. — Emmett levantou para deixar a mesa.
—Vai onde, Emmett? Hoje é domingo. As lojas estão fechadas.
—Vou comprar um bouquet de flores imenso para pedir desculpas.
—Emmett, não exagera. Compra uma rosa simples, manda fazer uma embalagem bonita e pronto. Quando você chegar, me dá que eu coloco no quarto dela. — Era até engraçado ver meu irmão grandão e machão ter atitudes românticas.
—Tudo bem, maninha. — Beijou-me e saiu, me deixando com Mike.
—Valeu, Bella. Tô te devendo. — Mike agradeceu.
—Mike, vocês estão ficando sempre? Você e a Jé? — Perguntei baixo, e ele ficou sem graça.
—Às vezes. Sua irmã é legal.
—E por que vocês não ficam juntos de vez?
—Porque ela não quer. — Respondeu como se fosse o óbvio.
—Ela não ficou com ciúmes de você dançar comigo a noite quase toda, não?
—Não. Ela que me pede para disfarçar. Além do mais, ela fala que somos livres. Ela não me cobra nada. — Deu de ombros.
—Mas você está a fim dela? De ficar sério com ela? — Pressionei, achando uma boa idéia.
—Às vezes sim... Mas depois ela fala que é para eu procurar outras e curtir a vida porque eu sou um nenê. Aí eu tenho certeza que é só uma companhia mais segura. — Disse chateado.
—Como assim, segura? — Era a segunda vez que ouvia um deles falarem sobre isso.
—Você não iria entender. E você? Se acertou com o irmão do Jasper?
—Sim, estamos namorando. — Sorri.
—Mas você não disse que ele vai embora? — Perguntou amistoso.
—Sim... Mas agora eu posso esperar porque estamos juntos de verdade. — Respondi e fiz uma pausa, pensando. —Mike, no Réveillon você queria se livrar de mim, por isso me aconselhou ir atrás do Edward?
—Não. Eu estava adorando sua companhia, ainda que tivesse combinado com Jéssica mais cedo de virmos escondidos pra cá. Eu mandei você ir atrás dele porque há muito tempo eu já sabia que você gostava dele. E, como seu amigo, eu tinha que te apoiar a ir atrás de quem você gostava.
Contente com a resposta, levantei e abracei Mike. —Obrigada, Mike. Eu te adoro como irmão. Tomara que você se acerte com ela, porque pra mim, você vai ser sempre família. — Afastei-me um pouco. —Fica aqui. —Eu pedi. — A casa está tão cheia hoje. Para completar a felicidade só faltaria você.
—Bella, eu amo sua família e amo muito você. Você é a garota mais perfeita do mundo. — Me abraçou de novo e eu fiquei satisfeita pelo fato do amor do Mike não ser com interesse em ficar comigo. Era amizade mesmo.
—Eu também amo você, Mike.
—Bom dia. — Ouvi uma voz baixa, soltei-me do abraço do Mike, e Edward, Jéssica e Jasper estavam na porta.
—Oi! Bom dia! — Envolvi o pescoço do Edward e o beijei no rosto. —Senta que eu vou preparar o seu lanche. — Disse empolgada, soltei-o do abraço e olhei para os outros. —Oi, Jéssica! Oi, Jasper! — Cumprimentei-os bem-humorada.
—Jéssica, Mike vai almoçar aqui. — Avisei e pus suco para Edward.
—Hmm, e quem vai fazer o almoço? — Perguntou indiferente.
—A gente pede qualquer coisa. — Dei de ombros e olhei para Edward. Seu olhar parecia distante.
—Jasper, faz seu lanche porque eu não vou fazer. — Avisei e coloquei o misto do Edward no prato. —Por que está calado hoje, pentelho? — Perguntei desconfiada, já que ele estava a mais de cinco minutos sem falar nada.
—Por nada. — Respondeu emburrado.
—Credo, amanheceu de mau humor é?
—Bella, vem aqui... — Jasper chamou, saiu da cozinha e foi para canto da copa. —Que amasso foi esse com Mike essa hora da manhã? Você estava dizendo que amava ele! — Perguntou sério.
—Nada a ver, Jasper! Está com ciúmes é? Meu coração é grande! — Brinquei e o abracei. Era domingo e eu estava feliz, então ia fazer a terapia do abraço nas pessoas.
—Não é ciúme, Bella. Você começou a namorar meu irmão ontem, e depois de uma noitada já estava corneando ele! — Censurou, e, imediatamente gargalhei.
—Ai, Jasper, você só me faz rir. — Comentei desacreditada.
—Pois é, nós três assistimos a cena. — Ressaltou sério. —E eu já entreguei o meu notebook para o Edward, viu! — Disse e foi saindo.
—Jasper, espere! — Ele olhou de volta. —Edward aceitou numa boa? Que horas você deu?
—Em primeiro lugar eu não DEI pra ninguém. — Enfim voltava ao normal. —Mas eu fui lá acordar ele agorinha e já levei para oferecer. Ele só perguntou quem me deu, depois aceitou. — Respondeu mais animado.
—Quem você disse que te deu?
—Falei que juntei o dinheiro e comprei. — Deu de ombros.
—Ele acreditou? — Arqueei a sobrancelha, preocupada.
—Ele deve imaginar que quem deu o dinheiro foi vocês, mas não questionou.
—Obrigada, tá... E eu não estava aos amassos com Mike, ele é só meu amigo, eu juro. Você sabe o quanto eu gosto do seu irmão. — Expliquei carinhosamente.
—Tudo bem, mas você que tem que se explicar é para o seu namorado. — Sorriu descontraído.
Será que Edward iria surtar de ciúme do Mike? Voltei para a cozinha e Edward estava quieto e sério. Jéssica estava perto do Mike.
—Jéssica, se vocês querem manter o rolo de vocês às escuras, você tem que acordar Mike mais cedo. Quase que Emmett pega ele aqui hoje, né, Mike? — Pisquei para Mike e torci que Edward entendesse o que eu tinha falado.
—Pois é. — Mike disse sem graça com a presença do Edward.
—Não se preocupe. Edward não vai entregar vocês. — Tranquilizei, peguei no rosto do Edward, inclinei, o beijei e ele sorriu. Acho que compreendeu a mensagem. —Vamos? — Puxei a mão de Edward e subimos.
Cheguei ao quarto, vesti um short curto e uma blusa de alça. Edward ficou sentado na cama, olhando eu trocar de roupa. Terminei de me arrumar e sentei em seu colo.
—Por que está meio sério? — Perguntei enquanto passeava com os dedos em sua sobrancelha.
—Porque a lista saiu e meu nome está nela. — Informou inanimado.
Foi um baque instantâneo ouvir. No fundo eu ainda tinha um fio de esperança. Porém, agora eu não podia deixar-me abater, tinha que deixá-lo ir e tinha que fazer isso fingindo toda alegria do mundo, pois se mostrasse dúvidas, ele poderia perceber e voltar atrás por mim.
—Que bom! Ganhamos tempo no futuro! — Comentei com falsa empolgação.
—Eu já comprei a passagem pela internet. É para hoje cinco horas. — Resmungou com excesso de desânimo.
—Edward, anime-se, estamos juntos nessa. — Segurei seu rosto em minhas mãos. —Vamos lá, embaixador! Com esse semblante você não vai conquistar nem a sua namorada, imagine o poder americano. Então se anime! Não é porque você arranjou um namorico que a vida vai parar! — Brinquei.
Ele me olhou magoado. —É um namorico pra você? — Questionou com os olhos tristes.
Balancei a cabeça e olhei-o seriamente.
—Não entenda tudo errado, anjinho. Eu estou brincando. Você é meu namorado, meu eterno namoradinho de treze anos. Eu só quero que você fique bem, que você vá feliz. Não vai ser difícil. Conversamos os dias que der para você pela internet. Jasper me disse que te emprestou o notebook dele, então isso vai nos ajudar. Eu sei que você quase não vai ter muito tempo, melhor ainda que tudo passa mais rápido. Vai ser fácil. Nós vamos tirar de letra! — Eu tentava esconder a dor. Minha vontade era abraçá-lo e lamentar. Mas isso não iria ajudar em nada, só nos traria mais sofrimento.
Ele deitou-me na cama e deitou de lado em minha frente. —Obrigado, Bella... Você é tudo que qualquer homem sonha em ter em uma mulher. — Olhou-me enternecido. —Uma mulher que nos apóia em algo que aparentemente é inalcançável, mas mesmo assim, me ajuda a ter fé. Eu nem sei como fui agraciado assim com você. — Ele beijou-me ternamente e deitou a cabeça entre os meus seios.
Ficamos ali um tempo, abraçados e calados, depois descemos e Carlisle estava sentado no sofá com Esme, próximos.
—Cadê o restante do povo? — Perguntei após beijar o meu pai e Esme.
—Estão espalhados. Tem uma turma na piscina e outros por aí. — Meu pai respondeu.
Sentei no sofá grande e deitei cabeça na perna do Edward. —Pai, vamos comer o quê? Podíamos comer em casa, já que estamos parecendo uma família normal. — Sugeri, com um sorriso matreiro.
—E quem vai pra cozinha? — Perguntou desinteressado.
—O senhor poderia enfrentar a churrasqueira, e eu iria para a cozinha. — Propus e olhei para Edward, piscando para ele.
—Você na cozinha, Bella! Melhor pedirmos comida. — Meu pai ironizou.
—Pai, eu vou ser ajudante de cozinha. — Rolei os olhos. —O cozinheiro vai ser Edward. — Informei e Edward olhou-me desacreditado.
—Sendo assim, posso pensar em tirar as teias da churrasqueira. Vou pedir para Emmett acender e falar para Jasper buscar carne fresca. — Ele animou-se e levantou. Coincidentemente, o garoto correu pela sala todo molhado. —Jasper, faz favor aqui. — O menino foi. —Busca umas carnes pra mim. — Tirou umas notas de cem do bolso e entregou para ele.
—Só se eu for no seu carro. Eu não vou trazer coisas em sacolas. E pode dar mais dinheiro que o troco é meu. — Disse enfiando os dedos no bolso da camisa do meu pai. O garoto tratava meu pai como tratava a nós.
—JASPER! — Um coro se fez nas vozes do Edward e da Esme.
—Que é! Ele é meu bro! Já ouviram falar do Tio Patinhas? Aqui é a fonte que nunca seca. — Disse e abraçou meu pai pelo ombro, sorrindo. Carlisle sorriu de volta. Esme e Edward ficaram desconcertados.
—Bella, ele sempre é assim? — Edward sussurrou no meu ouvido.
—O tempo todo e com todos, sem se importar com o fato de ser o meu pai ou não. Ele brinca o tempo todo. — Comentei sorrindo de seu espanto.
—Meu Deus, ele nem parece que é meu irmão. Ele tem desequilíbrio, só pode. — Disse e balançou a cabeça, perplexo.
—Se você passar um dia todinho aqui, você pira ou sorri o tempo todo. Mas não se preocupe, ele só brinca. Ele não pega dinheiro do meu pai.
—Então quem deu aquele notebook suspeito pra ele? Minha mãe eu sei que não foi. — Olhou-me desconfiado.
—É uma longa história, uma hora te conto. Mas para adiantar, tem minhas mãos, sim, como você pensa. Mas é dele. Ele comprou tem quase um mês com o dinheiro dele. — Enfatizei isso. Ele aceitou a minha resposta.
Suspeitosamente, Esme acompanhou meu pai em direção a área externa com um semblante feliz. Eu e Edward seguimos à cozinha. Edward não conhecia a cozinha e estava meio perdido, um pouco retraído. Era incrível como ele falava pouco fora do quarto. Pelo menos ficava o tempo todo me olhando e tocando meu rosto, sempre distribuindo sorrisos em minha direção.
—O que vamos ter? — Perguntei e o abracei por trás enquanto ele cortava bacon, muito calado.
—Bella, como você me coloca em uma fria dessas? — Acusou baixo.
—Ah, eu adorei a sua torta de frango na praia. Seu tempero é muito bom. Então eu achei que era uma boa ter meu pai na churrasqueira e você aqui. Talvez isso aproximasse mais vocês. Fiz mal?
—Não, só que eu não conheço nada aqui. — Apontou em volta. Tinha armários do teto ao chão.
—Se isso te consola, eu também não conheço. — Sorri, travessa.
—Mas vai ter que se virar, ajudante. Pode arrumar temperos e óleo para mim. — Disse e apertou minha bochecha.
—Só se me beijar antes. — Virei e dei beijinhos em sua boca.
Ele pareceu preocupado com a chegada de alguém, ou a passagem de alguém pelo jardim lateral, por isso estava meio esquivo. Porém, depois ele viu que ninguém ia aparecer, relaxou e passou aceitar meus beijos.
Contente, sentei no balcão e quando ele passava despercebido, eu o puxava e o beijava novamente, enlaçando minhas pernas em sua cintura.
—Bella, se controla. — Repreendeu e tentou soltar-se dos meus beijos.
—Não vê que eu estou feliz? Sabe que pra mim lugar de homem é na cozinha. De preferência de avental, sunga e sem camisa. Hum... Delícia. — Insinuei, puxei-o e beijei sua orelha.
—Seus pensamentos são muito avançadinhos. Assim eu não vou terminar hoje. — Soltou-se da minha perna e voltou para o fogão.
—Não gosta que eu seja avançadinha? — Arqueei a sobrancelha, rindo marota. Ele riu. —Já estou arrependida. Podíamos estar no quarto trancados.
Desci do balcão, o abracei por trás, levantei sua camisa e coloquei minhas mãos dentro. Depois dei beijinhos em suas costas.
—Ah, doidinha! — Tentou afastar, sentindo cócegas, sem parar de rir envergonhado. E eu adorava isso!
—Assim a comida não sai hoje. — Meu pai comentou ao entrar com Esme na cozinha e nos pegar brincando. Papai estava com muito bom humor, nem chamou a atenção ou coisa assim. Edward desconcertou e virou sério para o fogão, mexendo seguidamente no arroz.
Mais tarde, Carlisle nos chamou para almoçarmos na mesa próxima a churrasqueira. Não deixei de observar Esme olhando ternamente para o meu pai durante o almoço todo.
—Bom, crianças, eu tenho um comunicado para fazer... Como sabem, eu e Esme já tivemos um relacionamento quando jovens e... Agora... Resolvemos nos dar uma nova oportunidade de tentar. — Meu pai comunicou e tocou o rosto da Esme.
—AÊÊÊÊ! — Jasper bateu palmas sozinho enquanto o restante de nós ainda associava a informação. Olhei em direção a Edward para avaliar sua reação e ele estava estável, com um sorriso disfarçado de canto. Eu suspirei.
—Que bom, pai! — Fui a primeira a me manifestar.
Depois todos os meus irmãos apoiaram. Almoçamos e tudo saiu perfeitamente. Finalmente eu pude ver, depois de muito tempo, as coisas no lugar na minha casa. A mudança em uma história afetou toda a família. Jasper mostrava verdadeira felicidade em estar com as duas famílias. Emmett mostrava interesse sincero em Rosalie. Eu estava feliz. E tudo corria bem.
Voltei para o quarto com Edward, ele tomou banho e vestiu-se. Eu tinha que mostrar-me forte até o último momento, mesmo sentindo meu coração pequeno. Ele se organizou por completo, depois deitamos abraçados, esperando as horas seguirem, enquanto assistíamos TV e distribuíamos carinhos um no outro.
Mais tarde me arrumei para deixá-lo no aeroporto, e quando estava pronta, Edward iniciou, hesitante, um assunto.
—Bella, lembra que combinamos conversar qualquer problema que tivermos? — Perguntou cauteloso. Eu assenti, interessada. Ele continuou. —Você me explicaria o Mike na sua vida?
—É meu amigo, estuda comigo, toca comigo e agora é ficante da minha irmã. — Disse como óbvio, depois sentei despreocupada em seu colo.
—Você gosta muito dele?
—Muito. Ele é quase um irmão. Por que Edward? — Seria ainda ciúme? —Saiba que o que sinto por você é incomparável a amor de irmãos, de amigos. É muito maior. É tão grande que eu não consigo dar um nome. — Disse e encostei minha testa na dele.
Com um sorriso torto, ele sorriu e pôs as mãos em minha nuca, olhando-me por baixo dos cílios.
—Não é nada comparado ao que eu sinto.
—Você está fazendo comparações de sentimentos? — Fingi indignação, cruzando os braços.
—Não. Só que eu só tenho certeza do que eu sinto, do que você sente não.
—É engraçado, pois comigo é a mesma coisa... Qual a pessoa que não expressa sentimentos aqui? — Acusei. Não queria cobrar nada. Já tinha me acostumado com ele assim.
—Mas é mais fácil acreditar em mim com os meus poucos sentimentos expressos do que em você com o seu coração povoado de amores. — Foi uma brincadeira, mas eu não gostei.
—Edward, você está me magoando falando isso. — Falei séria, fazendo uma careta de insatisfação.
—Desculpe, é que eu queria ouvir... — Murmurou e segurou meu queixo.
—O quê? Que você é minha vida, é meu tudo, é a razão da minha vida, é o meu futuro, é quem eu quero, quem me dá alegria, é o pai que eu queria que meus filhos tivessem? O que mais? — Perguntei e beijei levemente seus lábios.
Ele ficou calado uns minutos, aparentemente ensaiando algo, depois finalmente falou.
—Bella, eu queria ouvir que você me ama tanto quanto eu te amo. — Sussurrou.
—Hum... Repete. — Pedi, joguei-o na cama e deitei em cima dele. Eu não ia perder essa.
—Eu... Te... Amo. —Recitou solenemente. —Eu não consigo mais carregar isso dentro de mim. — Disse com o semblante magnífico.
—Eu também amo você. — Declarei. —Muuiito. Mais do que você possa imaginar. Uma prova disso é que estamos juntos. Se eu não te amasse tanto assim, talvez tivesse morrido a esperança de que um dia você iria me amar.
—Quando descobriu? — Apertou-me forte no abraço.
—Eu sempre soube. Desde que eu te vi no parque, amei cada detalhe seu, até sua timidez. De lá pra cá só amadureceu. E você?
—Eu descobri há muito tempo, mas só aceitei mês passado, quando eu achei que ia te perder pra sempre. — Ele sorriu glorioso, com uma alegria contagiante, depois me tirou de cima dele e me deitou na cama, combrindo-me de beijos ternos, cheios de significados e sentimentos.
Não era possível estar mais feliz do que eu estava. Longos minutos se passaram e ele me beijou sem fim... Com um amor quase que incomparável, que nos cobria e nos dava forças para seguir em frente e enfrentarmos juntos os mínimos detalhes da vida que nos esperava.
Continua...
Olá,
Fico muito feliz com a quantidade de reviews que estou recebendo. Muito obrigada.
Eu vou colocar um POV do Carlisle amanhã e ele é importante para estória. É pequenininho. É só para que entendam a estória dele com a Esme.
Quanto a primeira vez,sexo mesmo, ainda demora uns cinco capítulos, eu avisei lá atrás.
Muito obrigada e bom FDS.
Bjks
