Capítulo -Não desista de mim

Narrado por Bella

Já tinha completado quatro horas de atraso, e o aeroporto estava cheio, com as pessoas nervosas e reclamando com os funcionários. Ansiosa, eu me preocupava com Edward, medindo todas suas reações, que surpreendentemente estavam serenas, como se não estivéssemos num tumultuo. Nem parecia o mesmo homem que disse que queria ir embora no dia primeiro, para não pegar aglomeração de pessoas voltando de feriados. Bom, se ele não estava estressado, eu iria relaxar. Tinha que parar de me preocupar com as suas reações.

Ele me abraçava forte em todo o tempo, alisando o meu rosto, como se estivesse em uma bolha, longe do barulho.

—Bella, você pediu esses livros para o seu pai? — Questionou cauteloso.

—Edward, relaxe. Esses livros meu pai ganha. Esses autores quando publicam, mandam de presente para ele. Assim, ele escreve algum artigo e acaba tendo marketing para o livro do autor.

Ele sorriu. —Foi bom porque já li todos os livros que tenho, inclusive o que você me deu de Natal. E não suporto ficar sem fazer nada no avião. Não gosto de perda de tempo. — Disse e voltou a beijar meu rosto.

—Você aceitou numa boa o romance do meu pai com a sua mãe? — Perguntei preocupada por ele não ter falado nisso o dia todo.

—Ah, Bella, se minha mãe gosta dele o quê que eu posso fazer? — Resmungou, não completamente satisfeito.

—Eu queria que se esforçasse mais com o meu pai. — Pedi. —Você não está tentando. Ele está cedendo muito e você não está fazendo o mínimo esforço para se aproximar dele, para conversar com ele. Além disso, ele também gosta de sua mãe.

—Eu não tenho nada contra o seu pai, só não tenho assunto. E duvido muito que ele realmente goste dela, ou pelo menos que goste dela como ela dele. Mas acho melhor não conversarmos sobre isso.

—Por que não? Por que você acha que meu pai não gosta dela? Pra mim ele só não sabe se expressar. — Insisti no assunto.

—Tudo bem, Bella... Eu não vou discutir sobre isso. Só o tempo dirá se ele gosta ou não. Pra mim, o importante é que minha mãe fique bem. — Edward disse inteiramente relaxado, sinal que já tinha certa aceitação.

Ele me abraçou, e eu sentia tanto por ele ter que ir. Além disso, estava preocupada... Ele ia chegar à capital de madrugada.

—Não vai ter coletivo quando você chegar lá. — Externei a preocupação.

Ele sorriu e me afastou para olhar-me nos olhos, com diversão.

—Bella, eu posso pagar um táxi. Não gosto de gastar o dinheiro da minha mãe com futilidade, mas também não é assim. Sempre que eu chego de viagem eu vou de táxi para o campus. Você acha que tem como andar de coletivo com essas malas?

Riu descontraído.

—Tudo bem... É que eu fiquei preocupada. — Expliquei sem jeito.

—Pode deixar, um dia você não vai se preocupar assim comigo. Estou até pensando se compro meu próprio avião. — Brincou bem humorado, e o anúncio do vôo apareceu no painel. Era vinte e duas horas, e ele se ia. Então fechou os braços sobre o meu pescoço, escondendo o meu rosto, e beijou-me docemente por longos minutos. Senti-me cortar, uma dor lenta que me embargava e trazia umidade aos meus olhos. Era uma despedida, mas não uma despedida para sempre.

Ele afastou-me do seu corpo e olhou intensamente em meus olhos, hesitante.

—Por favor, espere-me... — Suplicou num sussurro.

—Eu te espero há anos, então, você, volte, porque eu vou continuar te esperando sempre. — Disse com firmeza.

Ele abraçou-me novamente forte e beijou-me... Depois se foi e eu respirei fundo para não deixar as lágrimas caírem.

Passei os dias seguintes ansiosa, olhando para o notebook em todo tempo. Saía minimamente do quarto na esperança dele me chamar para conversa de vídeo a qualquer momento para conversar. Finalmente aconteceu quatro dias depois que ele se foi.

—Oi... — Disse carinhosamente ao ser chamada por ele.

—Oi! — Respondeu bem animado.

—Como foi de viagem? Como foi a aula? — Perguntei eufórica.

—A viagem foi boa, meu avião não caiu. Graças, né? Senão, você já seria viúva. — Brincou, e eu sorri. Ele devia estar de bom humor. —E as aulas são sempre entediantes. Enquanto não chegar às aulas de conversação, vou ficar entediado, porque eu preciso mesmo é de praticar.

—O que você está fazendo nas horas vagas?

—Lendo as matérias que vou estudar no semestre, como sempre. — Disse com um dar de ombros.

—Ai, Edward, você vai fundir o seu cérebro. — Descontraí. —Por que você não faz um esporte? Um entretenimento? A vida não é só estudo. Já ouviu um ditado: mente sã e corpo são? Os dois têm que andar juntos.

—Mas eu não tenho tempo. — Relutou.

—Mas por quê? Você está de férias ainda! Você tem que distribuir melhor o seu tempo. Tem que cuidar de você!

—Mas o meu curso é horário integral, então só sobra a noite. Mas aí eu reviso, adianto ou estudo as matérias do semestre. Além disso, eu baixei um programa de conversação em francês e quando eu tenho tempo, fico praticando. Quando estiver estressado de estudar línguas, vou para a biblioteca ler alguns jornais e livros. Então, estarei sempre ocupado.

—AI, MEU DEUS! Só de ouvir sua rotina eu já cansei. Acho que você vai surtar! — Girei os dedos ao lado da orelha, fazendo alusão a loucura.

Ele sorriu com muito humor. —Eu já acostumei, Bella, é bom que o tempo passa mais rápido.

—Tem conversado com alguém? — Qual era mesmo o objetivo da minha pergunta? Nem eu sabia. Não queria pensar nisso...

—Não. Nessa época as pessoas que eu conheço não estão na universidade ainda.

—Sabe o que eu penso? Que você tem que pensar no que eu te disse. Procura um esporte, corrida, malhação, tênis, qualquer coisa. Um intrépido líder não tem só conhecimento, tem que cuidar do corpo também, além disso, eu estou preocupada com o meu patrimônio. — Disse insinuante.

—Está reclamando do meu corpo? — Levantou as sobrancelhas fingindo ofensa.

—Ow! Nunca! Tem pernas e traseiro perfeito... A questão é a saúde mesmo. — Sorri descaradamente, e ele devolveu um sorriso tímido.

—Tudo bem, eu vou procurar um esporte. Até que a Universidade oferece gratuito, posso tentar arrumar um horário.

—Isso mesmo... Eu te disse que vou viajar para Alemanha, né. Devo ficar lá alguns dias. Pode ser que eu te ligue de lá, mas eu vou evitar. Não quero te atrapalhar muito.

—Você não vai me atrapalhar.

—Eu sei que vou... Você não tem tempo pra nada. Eu já sei conviver com isso, não se preocupe comigo. Manda e-mail quando tiver tempo e manda mensagem às vezes para o meu celular. Pra mim não importa, o importante é que você pense em mim, porque eu estou sempre pensando em você.

—Que bom que você entende... — Suspirou desolado.

—Edward... Você já está com saudade de mim? — Perguntei carinhosamente.

—Ai, Bella... Que pergunta. — Suspirou. —Até desacostumar da sua presença vai demorar... Como estou com saudade de você! — Entregou-se com um riso torto.

—Edward, sabe de uma coisa. — Pausei. —Eu tenho pensado em algo, já vou filosofar. — Sorri. —Prepare os ouvidos... Todo mundo quer ser corajoso, paciente, lutador e ter alegria, mas as pessoas pensam que tudo isso vem de mão beijada... Como vamos ser corajosos se não enfrentarmos os obstáculos da vida? Como vamos ser pacientes sem ter o que esperar? Como lutaremos sem ter pelo que lutar? E como alcançaremos alegria sem merecer? Sem passar pelos obstáculos até alcançar... Eu creio que a vida nos presenteou com essa situação pra que nós amadureçamos e cresçamos. A vida nos deu uma oportunidade de sermos pacientes, corajosos e lutadores, para que um dia alcancemos a alegria plena. E nós vamos abraçar essa oportunidade. Porque pra mim, não é só você quem está aí. Se você faz parte do meu futuro, esse futuro é o meu também, e eu vou estar sempre com você, torcendo por você e acreditando em você. Mesmo que eu sofra com essa distância, a cada dia vamos ficar mais fortes, porque sempre a vida vai nos presentear com oportunidades de crescer. E nós vamos conseguir.

Ele arregalou os olhos e sorriu. —Nossa Bella, que lindo. Você sempre alegra a minha vida com suas palavras. Obrigado por existir na minha vida. Você é perfeita. — Seu sorriso era contagiante.

—Então, vamos sair... Eu não quero viciar em conversar com você pela internet porque a gente demora tempo demais aqui, e eu não quero te atrapalhar.

—Tudo bem... Que bom que você entende... Você não poderia ser mais perfeita que isso. — Agradeceu, culpado.

—Então tchau, mil beijos longos e molhados para a semana toda. E economize os meus beijos. Não os gaste a toa. — Sorrimos.

—Pra você também. Já sabe como distribuir os beijos, né? — Insinuou maliciosamente.

—Cadê meu namorado tímido?! — Brinquei.

—Dentro do quarto ele não existe mais. — Sorriu.

—Então , mas eu não vou querer agora. Prefiro que você me dê pessoalmente. Vou contabilizar. Vai ter que me pagar um por um. Sabe que eu cobro né! — Pisquei, divertida.

—Isso eu faço questão de pagar... O problema é você me resistir. — Sorriu pretensioso.

—Está muito convencido. — Sorrimos com as insinuações. —Ai, Edward, melhor desligarmos. Se começarmos com esses assuntos é a noite toda...

—Então vamos continuar. — Pediu satisfeito.

—Não. Estou investindo no meu futuro, então cada minuto que meu investimento perde sem estudar, mais algumas horas de atraso para nós.

—Eu perderia horas por você.

—Fico feliz, mas não devemos. Eu prometi para mim mesma não te atrapalhar... Então beijos de novo, cinco segundo e o dois desligam. Tchau. — Desliguei e suspirei.

Viajei para Alemanha com Alice e passamos dez dias lá. Não foi uma viagem muito prazerosa, pois fiquei com saudade do meu pai. Amo a minha mãe, mas às vezes ela me decepciona. Não liga para os próprios filhos. Tudo bem que ela é muito ocupada, mas meu pai também é! Ela não se esforçou o mínimo para dar atenção para nós na viagem. Nunca senti tanta saudade do meu pai como senti na viagem. Liguei para ele no mínimo duas vezes por dia. Alice manhosa então, toda hora ficava repetindo que queria ir para casa.

Minha mãe não se importa com nada que não seja sua beleza, seu corpo. Ela foi filha única de pais ricos, minha avó a mimou muito. Talvez por isso ela fosse assim. Não queria pensar mal dela, mas eu queria que ela fosse diferente. Ainda bem que temos um ao outro lá em casa, e ao nosso pai. Ele, além de nosso pai, é nosso amigo e tenta nos entender.

Como prometido, depois que voltamos da Alemanha, resolvi ir à empresa do meu pai conhecê-la. A empresa de Seattle ocupava um prédio inteiro. O jornal do Estado de Washington, uma rádio e uma revista funcionavam lá.

—Tammy, minha filha precisa fazer um tour para conhecer a empresa. Você pode conduzi-la, por favor? Ela precisa aprender a rotina de cada setor. — Meu pai pediu para uma moça simpática, e ela assentiu.

Ela era atenciosa, mas acho que muito ocupada, pois não conseguiu nem mesmo sair da sala. Quando ela pensava em me levar a algum lugar, alguém a chamava e ela voltava para o computador. Enquanto isso eu ficava sentada esperando, entediada. Nessa, eu perdi quase toda a manhã.

—Oi, Bella Cullen! — Um rapaz entusiasmado me cumprimentou.

—Oi! O que está fazendo aqui? — Putz, esqueci o nome dele. Direto isso ocorria comigo. Todos lembravam meu nome e sobrenome, e eu esquecia tudo.

vendo como foi bom chamar Bella de bela, você lembrou-se de mim. —Brincou. — Eu estagio aqui tem uns oito meses. — Descontraiu, eu olhei em seu crachá para ler seu nome. Brandon.

—Então, Brandon, você sabia que eu era filha do Sr. Cullen na festa de Réveillon? — Tentei ser atenciosa.

—Sabia. Com esse sobre sobrenome é difícil não saber! — Sorriu simpático.

—Qual a área que você estagia? — Perguntei interessada. De repente ele pudesse me ajudar.

—Administração.

—Então você conhece a empresa... — Pensei uns minutos, talvez ele fosse uma boa pessoa para me mostrar a empresa. Com certeza ele não tinha tanta coisa para fazer, já que era só um estagiário. —Você está ocupado agora? Podia me ajudar a fazer um tour pelos setores. Você sabe como funciona a empresa ou coisa assim?

—Pelo menos a parte de administração e marketing eu sei. — Se interessou em ajudar.

—Então me ensina o que você sabe. Por favor, eu quero agradar meu pai conhecendo a empresa. Se precisar, eu peço para ele te liberar para ficar à minha disposição. De repente, como você é estagiário, tenha mais paciência comigo. — Soei bem amigável. Devia ser muito chato para os funcionários ter a filha do chefe por perto. Como ele era estagiário, podia ser que ele não ligasse.

Ele concordou satisfeito, então liguei para o meu pai e avisei. O resto da tarde foi agradável, peguei muita coisa do funcionamento administrativo. Apesar de ser estagiário, Brandon era muito interado nos assuntos da empresa e conseguiu me passar muita coisa. Gostei da empresa do papai. Podia ser que os planos do papai enfim, dessem certo.

—Bella, pega o meu telefone. — Propôs ao fim do dia.

—Ih, Brandon, eu nunca vou te ligar. Melhor eu não pegar para você não ficar esperando. — Disse descontraindo, mas minha intenção era cortar qualquer segunda intenção que ele tivesse. Depois que dançamos na festa e ele me chamou lá pra fora, qualquer atitude era suspeita.

—Bella, é só para caso de dúvidas relacionadas à empresa você me ligar. Não custa nada. — Soou amigável.

—Sendo assim, tudo bem. — Sorri.

Anotei, despedi e fui encontrar com o meu pai para ir embora. —Pai, o senhor conhece os estagiários da empresa?

—Maioria sim. Por quê? — Levantou uma sobrancelha, curioso.

—Conhece Brandon?

—Um grandão? Ele é sobrinho do governador Joseph Locke. Foi o tio dele que pediu que ele estagiasse aqui.

Isso! O nome dele era Brandon Locke. Como eu não associei o nome ao governador?

—Ele é bem dedicado, né? Sabe muito para um estagiário. O senhor devia aproveitá-lo mais. — Sugeri amistosa. Ele assentiu interessado.

Decidi que freqüentaria a empresa no período das férias e quando começasse as aulas viria todos os sábados. Os funcionários acostumaram-se com a minha presença e mostraram, atenciosos, o funcionamento da empresa, as impressões de jornais e revistas, o funcionamento da rádio. Também conheci os repórteres, redatores e colunistas. Todos atenciosos. Embora eu não acostumasse com o excesso de atenção por ser filha do dono, os dias foram muito interessantes. Brandon tinha todas as noções do funcionamento do grupo, visões de mercado, marketing. O assunto administração e marketing foi o que mais me interessou.

No que se referia a Edward, eu sempre mandava e-mails, mas ele demorava a responder. E como eu estava indo muito à empresa ultimamente, a saudade era controlada. Conversávamos mais em fins de semana, mas eu me sentia responsável por não tomar o tempo dele e acabava saindo rápido, embora eu quisesse ficar o dia todinho conectada. No fundo eu estava triste com a saudade.

Assim, o mês se passou.

—Bella, quer sair para dançar esse fim de semana? Você é ótima parceira de dança. — Brandon convidou-me.

—Acho que não é uma boa ideia. — Tentei cortá-lo indiretamente.

—Ainda está namorando aquele cara do New Years Eve? Eu vi você com outro aquele mesmo dia... — Lembrou incerto. Obviamente e viu bêbada com Edward, dançando.

—Então... O meu namorado mesmo é o que eu estava mais tarde. — Expliquei e olhei desconcertada o movimento da rua lá embaixo pelo vidro de uma sala.

—Então o que chegou antes era só um ficante? — Sorriu malicioso e aproximou-se. —Se você quiser, eu posso fazer parte desse grupo. Eu também não sou ciumento. — Sugeriu baixo.

Até hoje, dentro da empresa, Brandon sempre tinha sido profissional e discreto. Por certo devia imaginar agora que eu não tinha escrúpulos.

—Não tem um grupo. Eu sou fiel. Aquele rapaz que eu saí para abraçar é meu amigo de infância. — Expliquei torcendo que ele entendesse que foi só uma desculpa para afastá-lo naquela noite.

—Mas você tem um namorado?

—Sim. — Voltei a olhar a rua, torcendo que ele voltasse a ser o profissional que era.

—Eu conheço? O que ele faz? Mora aqui? É filho de quem? — Inquiriu. Essas perguntas eram normais. As pessoas se interessavam por sobrenomes renomados da cidade.

—Ele mora e estuda na capital do país. — Disse desinteressada.

—Rá! E você ainda diz que é fiel! O que adianta você ser fiel, e ele não ser?! Você acha que um homem que mora longe da namorada, numa universidade, fica sem ninguém? — Zombou. Eu fechei o semblante indignada por sua atitude invasiva e intrometida.

—Brandon, eu o conheço e sei que ele é fiel. —Disse incisiva. — E vamos encerrar o assunto porque minha vida particular não é o alvo da minha visita à empresa. — Cortei direta.

Ele ficou desconcertado. Sei que fui grossa, mas não era assunto dele. Eu confiava no Edward. Eu queria confiar.

Mais dias se passaram, e Brandon desistiu de flertar comigo. Eu sempre almoçava com meu pai, discutíamos pontos. Era interessante. Eu já conseguia entender delicados assuntos da empresa.

Edward me ligou algumas vezes, mas sempre era uma ligação rápida. Sentia que ele estava cansado e um pouco triste. Combinei com ele que no dia que ele tivesse tempo e quisesse que eu ficasse on-line, ele desse um toque no meu celular, e eu subiria. Aconteceu dia doze de fevereiro. E eu esperei ansiosamente que a tela abrisse.

—Oi! — Disse com carinho.

—Oi, Bella. — Ele pareceu tenso.

—Quais são as novidades? — Iniciei animada.

—Bella, eu não tenho muito tempo para conversar. Na verdade estou precisando de sua ajuda. Amanhã começo no Senado e estou indeciso...

—Com o quê? — Inclinei-me sobre a mesa, solícita.

Ele parou pensativo. —Eu queria uma opinião sua... É uma coisa bem boba, mas eu queria que me desse uma luz... Eu preciso que me fale qual roupa devo usar... — Explicou apreensivo.

Era de rir perguntar uma coisa dessas! Engoli o riso e tentei ser bem prestativa, agindo como se fosse a coisa mais normal do mundo dar consultoria de roupas.

—Bom, como é o seu primeiro dia, eu acho que o melhor é uma roupa não muito formal. Então vá com a calça risca de giz e uma blusa clara. Seria discreto e casual. — Expliquei solícita.

—Ainda bem que você falou. Eu pensei ir de terno, mas achei muito formal por ser estudante. — Riu de canto, relaxado.

—Eu acredito que depois você vá usar bastante o terno, mas como é o primeiro dia, talvez não precise de tanta formalidade. Só depois que conhecer a rotina é que vai saber da real necessidade.

—Tudo bem. Obrigado. Você é perfeita em tudo. Ah! Depois de amanhã é dia dos namorados. Você lembra que prometeu não me dar nada, né? — Encarou-me persuasivo.

—Nada, nadinha? Tem certeza? — Tentei risonha.

Eu poderia comprar pra ele uma camiseta oficial dos Bulls. Tudo bem que eu não sabia se era o time favorito dele, mas era o meu!

—Pode mandar um cartão, um e-mail. Mas só isso. — Impôs.

—Tudo bem. — Aceitei contragosto. —Você está fazendo o que eu te disse? Procurou um esporte?

—Bella, eu não tenho tempo. Agora mesmo estou aqui com você, mas eu tenho que estudar um monte de coisa.

—Tudo bem. — Respondi triste, pois sabia que ele tinha que sair.

—Por que você está meio pra baixo? — Questionou atento.

—Estou com saudade. — Entreguei-me a melancolia. Até que eu conseguia levar numa boa enquanto não nos falávamos, porém depois que conversávamos, batia uma saudade e a vontade era pegar um avião e ir para perto dele. Mas até isso eu não podia fazer... Se fosse, iria atrapalhá-lo.

—Eu também estou. E estou mais chateado ainda por não ter muito tempo para ficar aqui com você. — Lamentou carinhoso.

—Tudo bem, Edward, já sabíamos disso. Temos que enfrentar. — Ergui os ombros, fingindo de forte. Se eu ficava pra baixo, ele ficaria pior. —Edward, seus colegas do curso já voltaram? Você está tendo amigos para sair? — Perguntei pensativa sobre as palavras do Brandon.

—Não, Bella. E o único amigo que consegue me tirar daqui só começa a freqüentar a sala de aula quase quinze dias depois que as aulas começam. Ele é o aluno invisível e se chama Ryan. — Ele sorriu.

—Hum, então quando eu for à Califórnia com Jasper fazer os exames mês que vem, Ryan deve estar em casa, né? Se ele estiver vai ser minha companhia para sair.

—É quase certeza. Ele é muito folgado. Como ele sabe que se tiver trabalhos eu faço e coloco o nome dele, ele nem se importa em vir rápido. — Disse sorrindo.

—O Ryan é uma figura. Nem parece que ele queria trabalhar com robótica sendo tão irresponsável. — Refleti.

—Por isso ele é assim. Por não ter feito o que queria.

—Então vamos parar de conversar, porque vai só surgindo assunto e você tem que sair. Tchau, vai estudar. E boa sorte pra você amanhã no Senado. — Despedi descontraída.

Ele ficou quieto e pareceu hesitante em falar algo.

—Bella... — Sussurrou com olhar compenetrado. —Você ainda acredita em nós? — Perguntou incerto.

—Sem dúvidas... Sempre. — Sorri convicta.

—Então boa noite. — Sorriu satisfeito.

Desligamos, e eu suspirei, como sempre, a saudade me corroendo.

No Valentine´s Day, dois dias depois, recebi uma cesta de café da manhã e um DVD da Regina Spektor. Dentro tinha um cartão escrito com a letra do Edward. 'Espere-me... Não desista de mim... Eu não posso viver sem você.'Abaixo tinha outra nota. 'Ouça a música Fidelity... é algo importante.'

Corri para sala, assisti e, ao fim, suspirei e chorei. Edward era um poeta nato e tudo que ele fazia tinha significado.

N/A assistam o vídeo. É lindo. Regina Spektor-Fidelity

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Fiquei o dia todo ansiosa até chegar à noite, esperando um toque no meu celular para ficar on-line. Enfim, o toque aconteceu, às nove horas da noite.

—Oi, namorado!— Eu tentei ser alto astral e enfrentar aquele dia longe dele.

—Oi. — Sussurrou desanimado.

—Que foi? Está triste? — Eu perguntei carinhosa.

—Não... — Fez uma careta. —Eu só queria estar aí com você.

—Mas você está aqui comigo. — Disse séria, tentanto tirar a tristeza do seu rosto. —Hoje fiz igual à moça do clipe, lanchei com você, jantei com você e agi como se estivesse aqui... Porque eu acredito que um dia vai estar. — Garanti. Embora meu coração corroesse de aflição e saudade, eu tinha que passar forças para ele.

—Que bom... — Murmurou desolado.

—Alegre-se. Como vamos passar nosso primeiro dia dos namorados juntos com você triste assim? — Brinquei.

—Porque é nosso primeiro dia dos namorados e não estamos juntos. — Resmungou melancólico.

Respirei fundo e contei até dez. Eu tinha que ter paciência e sabedoria, pois ele precisava de mim.

—Edward, quer parar! Pode colocar humor nesse teu rosto. Você conseguia sobreviver, e muito bem, o ano passado, quando não estávamos juntos! Então pare de agir assim! Eu não quero ficar deprê vendo o meu namorado triste. — Cobrei firme, mas com muito carinho.

—Tudo bem, Bella. — Suspirou. —Gostou do DVD? — Sorriu sem vontade.

—Sim... O que quis falar com ele? Tudo que você faz, tem um significado...

—Assistiu o clipe? Prestou atenção nos detalhes? — Perguntou atencioso

—Sim.

—Então... Ela é nós dois. Temos que viver dia após dia imaginando o outro próximo, não deixando a dor da distância nos machucar. Sempre acreditando que um dia estaremos juntos e felizes. — Explicou mais animado.

—Então isso é pra você, porque eu já estou tentando agir assim. Quando acordo, finjo que você está perto, que vou te ver. Quando durmo, finjo que você está na cama, pois quando amamos e estamos juntos, não tem distância para os corações. Eu não estou me deixando abater pela distância e continuo acreditando em nós dois. — Suspirei. —Eu ADOREI meu presente e adorei o significado também. — Enfim, um sorriso verdadeiro brotou em seu rosto. —Como você fez para mandar, se você mora aí na capital?

—Ai, Bella, eu consegui o endereço da loja de cestas perto da sua casa pela internet, depois mandei o DVD e o cartão pelo Fedex para eles colocarem junto.

—Hum... Legal! Inteligente, e eu adorei ter recebido algo com a sua escrita. É mais romântico. — Sorri.

—Bella, a sua web cam está desfocada.

—Acho que é o pc. Vou comprar um notebook novo para mim, porque o meu está com Jasper. Este pc jurássico aqui tem que aposentar-se. Esse aí está te ajudando muito?

—Você sabe que sim. — Respondeu desconfiado. —Você que armou com Jasper, né? Mas eu não ligo, eu sempre soube. Na verdade, tudo que você arma é o melhor pra mim. Você é... Ah, eu não encontro outro adjetivo que se encaixe, só este: perfeita. — Sorriu descontraído.

—Então , melhor saírmos porque amanhã você acorda cedo. — Eu sugeri antes que começássemos a enrolar.

—Ok. Como no clipe, imagine que estou com você, que vou dormir com você... E que vou te beijar muito.

—Hum... Gostei da ideia. — Sorri. —Como você quer que eu durma? De roupas? — Pisquei insinuante.

—Hoje você pode dormir de pijama. Eu só iria te beijar e te abraçar muito. Estou com saudade de te beijar.

—E se eu não quisesse só beijos? — Sorri travessa.

—Então ia ficar querendo.

—Ah, você não me resiste. Vou buscar a roupa que eu dormiria. — Sorri e levantei da cadeira.

—Bella, não vá. Não está tendo como ver... A imagem está ruim, está muito embaçado. — Parou-me no meio do caminho.

—Então . Vou comprar urgente um computador novo pra mim e outro dia eu mostro. — Sentei novamente. —Hoje eu vou dormir pensando em você. Pode deixar que vou colocar um travesseiro na minha cama e vou dormir pensando que é você. É lua cheia aí?

—Sim... É lógico né, Bella. Estamos no mesmo país. — Brincou descontraído.

—Não! Então estamos vendo a mesma lua?! — Gracejei.

—Agora eu não estou vendo porque estou no quarto. Mas lá fora é a mesma lua. — Continuou rindo.

—Então saia do quarto e vai lá fora, que nós dois vamos estar ligado pelo mesmo ponto. Vamos os dois olhar para lua e imaginar o outro perto. Sim? — Propus. Mesmo que fosse romântico demais, eu me apegaria a todas as crenças para estar próxima a ele.

—Ok. Mas eu não vou ficar muito tempo lá. Eu estou cansado e ainda tenho que ler antes de dormir.

—Tudo bem, então muitos beijos.

—Onde? — Sorriu malicioso.

—Todinho.

—Certeza? — Semicerrou os olhos, insinuante.

—Sim. Onde você quiser. — Sorri.

—Hoje eu só quero na boca. Muitos em você também.

—Saiba que eu não quero só na boca. Cinco segundo e os dois desligam. Tchau. — Desliguei e fiquei bem melhor.

A saudade diminuiu um pouco. Desci e encontrei Emmett no sofá, pra baixo.

—Oi, Emmett, está vindo de Forks?

—Sim. Fui ver a Rosalie porque ontem foi o aniversário dela e eu aproveitei que hoje era dia dos namorados e fui dar um colarzinho de ouro. Nossa Bella, mas difícil demais! Você acredita que ela devolveu o presente com muita raiva. O que quê eu vou fazer pra ganhar aquela mulher? — Perguntou desiludido.

—Só o tempo, Emmett, continue indo vê-la. Vença ela pelo cansaço. E quando você voltar para Califórnia, venha nos fins de semana para vê-la. Uma hora você consegue.

Depois que Carlisle começou a namorar Esme, pelo menos duas vezes por semana ela dormia com ele em minha casa. Jasper não estava mais morando com a gente, porque não precisava mais ir ao médico regularmente. Sentíamos muita falta do garoto, principalmente Alice. Num sábado do início de março, como o garoto veio dormir em nossa casa com Esme, resolvi matar a saudade.

—Vamos jogar alguma coisa em grupo? — Chamei-o ao vê-lo jogar xadrez na internet.

—Eu não, vocês são muito ruins. Só perdem! — Continuou jogando no notebook novo que lhe dei. Comprei um novo para mim e para ele, e dei o meu velho para a funcionária aqui de casa.

—É só brincarmos com prenda. Por exemplo: quem perde bebe copo d'água ou chupa limão. — Propus.

—Hum... Eu tenho uma ideia muito melhor... Jogamos no quarto e quem perder de vocês vai tirando peças de roupa. E se eu perder, vou me vestindo de mulher. Que tal? — Propôs com olhar malicioso.

—Eu não vou! — Alice sentou no sofá e não quis.

—Quê que tem, Alice? É só colocar o biquíni. Ele só vai nos ver de biquíni, não tem nada! Eu quero é diversão! doida pra ver o moleque vestido de mulher. — Comentei entusiasmada.

—Ah, sinto muito, meninas, mas eu não vou perder. E vocês, além de tirarem as roupas, vão ter que dançar pra mim. — Riu zombeteiro.

—Tudo bem.

Alice subiu a contragosto, mas foi. Jogamos baralho. Gritávamos, blefávamos e eu roubei muuuiito com Alice! Conclusão: o moleque teve que se vestir e se maquiar de mulher.

Em meados de março fomos à Califórnia para os novos exames do Jasper. Fomos todos, inclusive Esme e Jéssica, que estava muito interessada nos exames. Enquanto Esme fazia os exames com Jasper, acompanhada com Jéssica, meu pai freqüentou a empresa da Califórnia, e eu liguei para Ryan, a fim de passearmos pela cidade com Alice. Conheci a casa e a família dele, além de sua irmã gêmea muito bonita, porém, chatinha e metida.

Ao fim de uma semana, imaginei que os resultados dos exames não foram bons, pois Esme depois que os pegou, ficou muito apreensiva.

—Jéssica, o que deu nos exames? — Esperei uma oportunidade para perguntar.

—Não sei se eu posso falar, mas piorou. Ele vai ter que suspender os remédios e começar outro tratamento.

—Nossa...

A viagem de volta no avião foi silenciosa, inclusive Jasper. Todos evitaram o assunto. No fim de março, recebi o toque no celular e subi para ligar o notebook.

—Oi! Comprou uma web nova? — Perguntou empolgado, mas ele falava baixo e usava o fone de ouvido. Achei estranho.

—Não. Comprei um notebook novo. Como vai, namorado? — Perguntei eufórica.

—Estou bem. Como foi a viagem à Califórnia? Ryan está aqui e me disse que você foi lá. Ah, ele está mandando um oi e está me enchendo, perguntando se você vai à festa dele em setembro. — Comentou sorridente.

—Manda outro oi pra ele e diz que eu vou com certeza. Não vou perder a festa de vinte anos mais badalada da Califórnia de jeito nenhum! — Sorri. —Quanto à viagem... Ela foi boa. Deu tudo certo. — Fui evasiva, tentando esconder a apreensão e dúvida quanto à doença.

—E como está Jasper? Teve alguma mudança?

E agora? Se eu falasse que piorou talvez lhe desse preocupação desnecessária...

—Ele vai mudar o tratamento, mas vai ficar bem. — Expliquei preocupada. Com muito medo.

—Você está me escondendo algo, Bella? — Pressionou suspeitando. —Por que está desviando o olhar? — Levantou uma sobrancelha.

—Não. Está tudo bem. Os remédios foram suspensos por quatro meses e ele começa outro tratamento em julho. — Tentei passar otimismo.

—Que bom. Mudando de assunto... Bella, estou precisando de mais ternos. Se eu mandar o dinheiro você compra uns pra mim de novo? Até que eu cheguei a ir experimentar em umas lojas daqui, mas eu gostei do corte dos que você me deu... E lembrete: eu. vou. pagar. Não quero que você gaste um centavo do seu. — Pontuou enfático.

Eu torci os lábios preocupada com os preços que ele pagaria.

—Hum... Tem certeza que não quer que eu os dê pra você? Estaria investindo no meu embaixador. — Propus cautelosa.

Ele sorriu. —Bella, não precisa. Eu tenho como bancar. Eu vou receber pela assistência. — Disse divertido ao perceber que eu me preocupava com seus custos.

Inesperadamente, uma pessoa de cabelos longos passou em frente à web e tirou a minha atenção na conversa.

—Onde você está? — Perguntei curiosa.

—No meu quarto. — Respondeu como se fosse o óbvio. No quarto dele tinha uma mulher?

—Quem acabou de passar aí? — Perguntei fingindo neutralidade.

—Ah, o Ryan e a Sophia estão aqui. Tínhamos que montar um trabalho para apresentar amanhã e como eu já fiz a minha parte, eles estão terminando a parte deles.

—Mas... Você não disse que não pode entrar mulher aí?

—E não pode... o Ryan... — Tentou disfarçar, pra que não soubessem que falávamos deles.

Eu fiquei instantaneamente chateada, pois eu pensei que fui a única mulher a ir ao quarto dele. Era uma coisa boba, eu sabia, mas eu queria ser única.

—Hum... — Abaixei o olhar para pensar em qual assunto iria abordar para tentar expulsar a minha frustração em vê-la em seu quarto.

—Que foi, Bella? — Analisou o meu semblante.

—Nada... Quando estiver sozinho no quarto me dá um toque. É ruim que você converse por meias palavras... —Quis encerrar, triste.

—Tudo bem. Depois eu te dou um toque. Vou tentar arrumar mais tempo para conversarmos.

—Ok. Até mais.

—Um beijo. — Mandou. Eu não respondi. —Bella, o que aconteceu?

—Outro, Edward, depois conversamos. Tchau.

Não contei cinco segundos. Desconectei rápido. Por isso ele estava com o fone de ouvido. Sei que não devia sentir isso, mas ele nunca me explicou o que essa menina realmente é para ele. Por isso minha insegurança.

Narrado por Jasper

Mês de maio

—Alice, vamos jogar? Não tem ninguém on-line para jogar xadrez. Cadê sua irmã para jogarmos com ela também?

—Saiu. Parece que ia ter uma festinha do pessoal da empresa do meu pai e ela foi. — Respondeu indiferente.

—Credo, mas hoje ainda é terça!

—Não tem nada, Jasper. Meu pai e Esme também vão. — A baixinha parecia estar de mau humor.

—Nós dois vamos ficar sozinhos? — Balancei as sobrancelhas com segundas intenções.

Ela revirou os olhos, me tirando. Todas as meninas sempre me deram bola. Alice nem liga para mim, acha que eu sou seu irmão. Eu. Não. Quero. Ser. Seu. Irmão! Sou irmão da Bella só porque fizemos um pacto, mas nem se minha mãe casar com o pai da Alice, não quero ser tratado por ela como irmão.

Carlisle e minha mãe desceram prontos para sair.

—Então, não esperem a gente. Durma cedo, Alice. —Carlisle avisou. Alice o beijou manhosa. Era incrível como ela era apegada ao pai, um grude. Nunca vi uma filha tão baba ovo assim.

—Pronto, Alice, vamos jogar um jogo fácil. Dama. Você sabe jogar, né? — Fui à sala de jogos e peguei o tabuleiro de damas. —Vai ser daquele jeito que jogamos com Bella aquele dia. Cada vez que você perder, você tira uma peça de roupa. E cada vez que eu perder, eu visto uma peça de mulher e passo maquiagem.

—Eu não quero assim. — Emburrou e sentou no sofá.

Hoje ela estava mais chata que os outros dias.

—Alice, você pra mim, é como se fosse um homem. Não significa nada ver você com roupa ou sem roupa. — Eu quis aliviar.

—Quer saber? Eu acho que você gosta de se vestir de mulher. Acho que você é uma mulherzinha querendo sair do armário. — Levantou do sofá e sorriu.

—Há há há. Muito engraçadinha você. Só não mostro a mulherzinha aqui porque considero seu pai pra caramba! Vamos, vem jogar logo, se não vou te deixar aqui sozinha e vou jogar no computador.

.

Coloquei o tabuleiro no chão e começamos a jogar.

Minutos depois...

—Alice, presta atenção, não mexe essas pedras do canto se não eu vou te comer... Ah! Não tem graça jogar com você, só perde! Vamos, tira logo essa saia ae!

Não olhei para ela tirando. Isso era um jogo profissional.

—Ai, Jasper, é sorte. — Defendeu-se.

—Sorte o caramba, tu é ruim mesmo! Fica mais atenta! — Eu sorria ao vê-la perdendo.

Minutos depois...

—Dessa vez foi sorte sua. Pode maquiar, vai. — Disse e deixei ela me maquiar.

—Há! Está parecendo a Jéssica! — Ela se contorcia de rir.

—Vamos, Alice! — Chamei sério e voltamos a jogar.

...

—Uma, duas, três. Tu é lerda, hein! — Sorrimos. —Pode tira a parte de cima.

Ela não ficou quieta, na dela. —Ai, Alice, para de drama! Não sei por que você está com vergonha. Pra mim é como se você tivesse três anos! — Sorri.

Ela olhou furiosa e tirou a blusa. —Eu não quero mais jogar, prefiro beber mil copos d'água do que ficar tirando a roupa.

—Só mais essa, vai. — Se ela soubesse minhas intenções. Anjo mau.

—Você é muito chato! — Reclamava, mas gostava. Sorri.

—Eu queria te ensinar a jogar e a prestar atenção, mas você não presta. Então vou comer tudo. E pode tirar o top! TIRA, TIRA! — Ela encolheu-se.—Ai, Alice, não fica com vergonha, não chama a mínima atenção minha.

—Eu te odeio, Jasper! — Grunhiu. Eu gargalhei.

—Tira logo! Perdeu, perdeu!

Deitei no chão de lado, segurando a cabeça para olhar para ela. Ela tirou emburrada e embora eu já tivesse visto ela trocando de roupa pela fresta da porta, ver assim tão perto chamou a minha atenção. Mesmo pequenos, eram lindinhos seus peitinhos.

—O que você está olhando? Não disse que eu pareço uma menina de três anos! — Ela se tapou e eu engoli em seco.

vendo como é pequeno e sem graça. — Fiz cara de desdém.

—Seu idiota! Não vou brincar nunca mais com você. Suas brincadeiras são muito sem graça. — Ela se vestiu e foi saindo da sala.

—Tudo bem, na próxima brincadeira eu vou pegar neles. — Provoquei-a para irritá-la mais.

—É louco é?

—Você se acha, né? — Desdenhei. —Que graça que tem pegar nisso aí. Eu sou um profissional do jogo. Pra mim é só o troféu pelo jogo. Se você perde, eu ganho.

—Você é doido! Eu não vou mais jogar com você. Tchau!

Ela foi para o quarto dela, e eu fui atrás. —Alice, sou visita, não deve me deixar sozinho na sala. — Fingi carência.

—Sai fora, Jasper! Dá um time!

Teimoso, deitei na cama dela. —Amiga... Você é a melhor amiga que eu tenho... Vamos fazer as pazes que eu prometo não te encher o saco mais hoje. — Prometi com as mãos unidas e cara de anjo.

Ela olhou se derretendo. —Tudo bem.

Dias depois.

—Oi, miniatura, eu estava com saudade de você. — Abracei Alice e a chamei para a sala de jogos. —Se você jogar comigo eu deixo você escolher o jogo e a prenda. Que aí você não diz que sou um tarado por escolher aquelas prendas. — Propus.

—Tudo bem. Então vamos jogar baralho.

Nos instantes seguintes, perdi. E ela tinha que escolher a prenda.

—Fala três vezes: eu sou gay. — Ela gargalhou.

—Por que isso? Eu não vou falar isso. — Relutei e cruzei os braços.

—Mas aqui é jogo profissional, e você perdeu, VAI TER QUE FALAR. — Sorriu provocando.

—Muda a prenda. — Fiz careta e mostrei que não ia fazer isso.

—Não. E quer saber? Você tem é medo de admitir o que é. Garotos que vivem se auto-afirmando que nem você, tem medo de admitir que são umas MULHERZINHAS GRITANDO PRA SAIR DO ARMÁRIO! — Ela se contorceu de rir.

Fiquei com muita raiva.

—Você vai ver a mulherzinha agora, ? — Segurei os braços dela, prendi com uma mão e com a outra segurei seu rosto pra beijar ela a força.

Consegui começar a beijar, mas ela me mordeu e cuspiu no meu rosto. —NOJENTA! ECO! — Limpei o meu rosto.

—Seu idiota! Vou contar para o meu pai!

—Fala, que eu digo que você ficou só de calcinha na minha frente! —Ameacei sério.

—Jasper, não fala mais comigo! EU TE ODEIO!

Saí da sala de jogos e fui lavar meu rosto.

Junho.

Estávamos de mal fazia um mês. Eu ainda ia dormir lá com a minha mãe, mas eu ficava só com Bella. Alice não queria falar comigo. Quem ligava para a amizade de uma menina tão chata?

Depois de muitos dias me ignorando, ela forçou.

—Jasper, você dança a valsa comigo? — Perguntou toda boazinha. Falsinha de araque.

—Sou irresistível, né, Alice... EU NÃO VOU. — Disse zombador. —Só se você ajoelhar e me implorar por perdão.

—Pode deixar, vou chamar o Ryan. Ele é bem legal. Pena que tem quase vinte anos... — Foi saindo emburrada.

—Ele não sou eu. Sou único, minha filha. Gostosinho assim, mamãe não faz mais e você não vai encontrar nunca. — Continuei jogando no pc.

—Jasper, por favor, você é meu amigo. — Pediu manhosa.

—Era. Esqueceu que não está mais falando comigo? — Arreliei.

—Desculpa, vai. — Insistiu humilde.

—Só se você me der. — Nem olhei em sua direção. —Me dá que é bom, ninguém me dá.

—JASPER!

—Um beijo, Alice, você tem a mente muito pervertida para sua idade, credo! — Sorri descaradamente.

—No rosto. — Impôs.

—NA NA NI NA NÃO. NA BOCA! Além disso, tem que jogar comigo de novo e, se perder, mais um beijo, se perder de novo, outro beijo, beijo de língua e tudo mais. — Ela agora ia ver.

—Ok. — Deu um muxoxo. —Eu chamo Ryan. — Virou-se para sair.

—Tudo bem. — Voltei a me concentrar no jogo.

—Jasper, por favor, dança comigo. Ia ser legal. Você é filho da namorada do meu pai e meu amigo. — Voltou e insistiu mais uma vez.

—Alice, eu não esqueci que você desprezou o meu beijo e cuspiu em mim. Você quase acabou com a minha auto-estima. Sorte que eu tenho outras que adoram meus beijos, se não, eu estaria depressivo. — Fingi mágoa, depois sorri.

—Tudo bem, seu idiota! Eu jogo com você. Mas dessa vez é xadrez. Bom que eu vou demorar a experimentar esse seu beijo ruim, porque em xadrez eu sou boa.

—Então mais tarde eu vou lá para o seu quarto e vamos jogar a noite todinha. Quero ver se não vou te beijar hoje. Você vai ver o que desprezou. — Sorri convencido.

—Mas o que eu ganho?

—Vai ter a honra de dançar com o gostosinho aqui na sua festa, quer algo mais que isso?

—Sim. Só de jogar com você, você já tem obrigação de dançar comigo. Se você perder, você veste calcinha e sutiã, desfila e eu tiro fotos. — Ela propôs.

—Tudo bem, quem vai perder é você mesmo. — Dei de ombros e mais tarde fui para o seu quarto.

A primeira partida eu perdi. Então ela me deu o conjunto de calcinha e sutiã e me fez desfilar pelo quarto, tirando fotos de mim, sorrindo em todo o tempo. Eu não liguei, em breve seria a minha vingança.

A próxima partida eu ganhei.

—Agora deita na sua cama e relaxa que eu vou te beijar. Não faça aquilo de novo viu, sua nojentinha!

—Por que tem que ser deitada se é só um beijo?! — Não levantou e cruzou os braços.

—Porque eu quero mostrar o que você perdeu aquele dia, futura irmãzinha. — Debochei.

Ela deitou na cama, aparentemente nervosa. Eu coloquei o joelho na cama e me aproximei do rosto dela. Beijei só os lábios, mas ela ficou de olho aberto e boca fechada.

—Ai, Alice, que coisa! Fecha o olho e abre a boca. Vai ser rápido. Eu já desfilei de calcinha e sutiã uns quinze minutos, o beijo não vai ser nem dois. — Estava perdendo a paciência.

. Dois minutos. — Concedeu fria igual uma pedra.

Beijei-a novamente, e ela fechou os olhos. Passei a língua em seus lábios, mas acho que ela não sabia beijar, porque cerrava os dentes.

—Abre a boca, se não, não vai valer. —Impus.

Ela abriu um pouco e eu tentei de novo, colocando a língua levemente em sua boca. Ela não sabia o que fazer. Não sabia beijar, com certeza.

—Suga. — Mandei.

—Isso é nojento.

Saí puto de perto dela.

—Alice, você não sabe beijar. Você não sabe de nada!

—Eu sei sim.

Voltei para perto de sua boca.

—Então você tem que saber o que fazer com a minha língua, que saco!

Encostei de novo minha boca na dela, devagar e tentei de novo com a língua. Ela sugou sem jeito, mas foi bom. Então resolvi aprofundar e me encostei a ela na cama, apertando ela a mim, procurando sua língua e sugando, um chupão mesmo, além dos amassos que estava dando. Ela nunca mais ia dizer que eu era gay e nem ia desprezar os meus beijos. Ela relaxou e gostou.

—Pronto. — Saí de perto dela, notando que ela queria mais. —Agora quero ver me chamar de gay. — Sorri vitorioso.

Ela estava ofegante e ficou sem graça na cama, limpando a boca sem olhar para mim.

—Ah! Não apaixona que eu não caso! — Sorri tirando onda.

—Sai daqui, Jasper... — Disse com a voz baixa e estranha.

Voltei para perto da cama. —Só se você me beijar de novo. — Aproximei-me.

—SAI! Eu vou chamar o meu pai! — Berrou e jogou uns ursos em mim.

Eu saí sorrindo. Alice podia perceber que eu gostava dela e que eu sempre quis beijá-la. Mas ela sempre me tratava como amigo, como irmão ou como uma criança.

Narrado por Edward

No início de março, depois de duas semanas tentando habituar-me a rotina, a vida diária como assistente ficou exaustiva, por ter que cumprir expediente no Senado de uma as sete, três vezes por semana. O senador Jonathan Evans me requisitava a sua sala para discutirmos política e economia do país todos os dias da assistência, exigindo o máximo de mim. Por conseguinte, eu preparava-me antes, acessando nas primeiras horas do dia as notícias do país e do mundo. Assim, mantinha-o informado com dados reais e atualizados.

—Sr. Hale, por que ainda não trouxe sua documentação para ser enquadrado na folha de pagamentos do gabinete? — A secretária do senador, Sra. Hilton, perguntou quando eu deixava a sala do senador rumo a minha sala.

Franzi o cenho surpreso com a pergunta.

—Há um engano. Não sou funcionário. Sou indicado do curso pela Universidade. — Informei.

—Sim, mas o senador disse que seu nome deve ser incluso na folha, então traga seus documentos e o número de sua conta corrente em dois dias, porque em dez dias sai os proventos.

Em dúvida, deixei o capitólio e segui para o campus. Outros estudantes não recebiam pelos serviços prestados durante a assistência, por que eu receberia?

Passei a noite preocupado. Será que o senador Evans tentava viciar a minha índole conservadora? Eu não poderia deixar-me aliciar. A minha honestidade e caráter não permitiam. O certo era procurar informar-me quanto à probidade deste ato.

Eu poderia ligar para Bella... Hoje ela poderia me trazer conforto e ajudar-me a tomar uma decisão. Sentia-me sufocado pela saudade, pela privação de sua alegria... Mas não devia ligar... Tinha tanta coisa para ler, e eu não queria passar cinco minutos e ver a tristeza em seu rosto por termos que sair.

No dia seguinte, esperei que o Coordenador de Ciências Políticas da Universidade me atendesse.

—Bom dia, Sr. Hale. —Cumprimentou-me antes que eu me apresentasse.

—Perdão, como sabe meu nome? — Perguntei intrigado.

—Todo o corpo docente sabe. — Apontou para uma cadeira a sua frente. —Suas notas máximas em todas as disciplinas nos semestres passados chamaram atenção.

Sorri veladamente, satisfeito em ouvir.

—Sr. Thomas, esclareça uma dúvida... Assistentes podem ser inclusos em folha de pagamentos dos gabinetes? — Expus direto.

—Depende do gabinete. Não são todos os gabinetes que incluem os assistentes nas folhas. Isso acontece quando há interesse de contratação por competência... Ou apadrinhamento.

—Obrigado, Sr. Thomas.

Despedi-me aliviado. Se estes eram os casos, era notório que o senador Evans adicionou-me à folha por ser amigo do Ryan. Era muito cedo para que ele avaliasse minha competência.

Logo que recebi meu primeiro salário, liguei para minha mãe para informá-la. Ela ficou surpresa, mas resistiu a ideia de parar de depositar.

—Vou mandar mesada mesmo assim. Guarde, faça o que quiser. Abra uma conta extra e junte para comprar algo que precise. — Aconselhou.

—Mas, mãe, eu ganho quatro vezes mais que isso agora! Pelo contrário, eu quem vou mandar pra você. — Insisti.

—Filho, você merece. Você é meu orgulho e está colhendo o que plantou. Então junte o que vou mandar e compre um carro para você.

—Tudo bem, não vamos discutir isso. De qualquer maneira, eu vou poupar. Caso um de nós dois precise, vai estar guardado. Mudando de assunto, como está a nossa família? Como está você e o Sr. Cullen?

—Filho, o chame de Carlisle. Ele não é mais um estranho para você chamá-lo de Sr. Cullen. — Instruiu pacientemente.

—Eu não acostumei ainda. Com o tempo acostumo, prometo. Como estão as coisas? —Iniciei a biblioteca on line e sentei na cama.

—Está tudo bem. Eu estou feliz com Carlisle. Na verdade, estou pensando em contar tudo a ele. Não quero que haja segredos entre nós. O que você acha?

—Hmmm, não sei... Se você acha que está na hora... Eu prefiro esperar que alcancemos uma situação financeira melhor para que a revelação não seja interpretada como interesse no patrimônio dele. — Sugeri preocupado.

—Pode ser... Mas eu acho que ele já me conhece. Ele sabe que eu nunca liguei para o que ele tem. Inclusive, no dia dos namorados ele comprou um carro para mim, e eu neguei. De qualquer maneira, ele deixou aqui na garagem. Disse que é meu. Além disso, semana passada me chamou para acompanhá-lo num jantar de negócios e comprou um conjunto de esmeraldas. Eu usei no jantar e devolvi. Ele percebe que eu não quero nada dele.

—Bella sempre diz que ele gosta de você, pode ser verdade.

—Eu sinto que sim—Disse sonhadora. —E como estão as coisas aí?

—Eu estou bem. Com saudade, com pouco tempo, mas dá para levar. Tem visto Bella?

—Sim. Bastante. Ela é um amor de menina. Você escolheu bem.

—Eu sei, mãe. Mas eu não queria fazê-la sofrer assim, com a distância. — Suspirei saudoso.

—Mas vocês vão conseguir. Melhor sofrer juntos que separados.

—Eu vou acreditar nisso. Então tchau, mãe. Manda um beijo para a turma.

Depois de fazer as contas, eu dividi o montante do que recebia em duas partes iguais. O que minha mãe mandasse, eu guardaria com metade do que ganhava para futuras emergências familiares, ou para comprar algo para família. A outra metade eu cobriria minhas despesas aqui e ainda guardaria parte para ocasiões futuras com Bella.

Na última vez em que falei com Bella, notei que ela ficou distante. Ter visto Sophia no meu quarto fez com que ela mudasse o humor. Não há motivos para suspeitas. Ainda que Sophia tenha tido interesse por mim um dia, hoje não passa de uma colega de classe.

Dois dias depois de falar com Bella a última vez, dei um toque em seu celular, e ela demorou a entrar. Fiquei deitado lendo, enquanto esperava que ela entrasse.

—Oi, Bella! Por que demorou? — Sentei animado em frente ao notebook.

—Porque eu estava lá embaixo conversando com um amigo e esperei ele sair. —Explicou bem humorada. — Como está? Estou morrendo de saudade de você. — Disse carinhosa.

—Eu também estou. — Sorri comovido por seu humor. —Quem era o amigo que estava aí?

—Um estagiário da empresa do meu pai. Lembra que eu te disse que estava indo para lá de vez em quando? Pois é, como eu só vou dia de sábado, ele passou aqui para dar um oi.

—Ele passou tarde, né... — Comentei admirado. Era quase dez da noite.

—Até que ele chegou cedo, só que começamos a conversar e o tempo passou. — Explicou. Eu senti uma leve insegurança ao ouvi-la relatar, mas minha real tristeza era não poder estar com ela. —E você, como está? —Ela perguntou. — Me conte tudo.— Pediu interessada, e era um assunto que eu tinha prazer em falar.

—Hum, está muito corrido. Durmo no máximo seis horas por noite para conciliar o meu tempo. Mas é bom. Estar no Senado tem me dado muita experiência.

Ela riu receptiva.

—Você é meu orgulho... É o melhor. — Bajulou bem humorada e alegrou minha noite.

—Obrigado. É bom ter você e ouvir pelo menos sua voz. Isso me dá ânimo para esperar o dia que eu vou te ver. — Comentei melancólico. Não entendia como ela conseguia ser tão forte quando minha vontade era pegar um avião imediatamente e ir vê-la. —É bom te ver assim, mais feliz. —Continuei. —Abranda o meu coração. Responde pra mim: por que estava chateada anteontem? — Incitei-a a falar, ainda que eu já soubesse o motivo.

—Não quero falar. Foi uma deprê momentânea, mas eu já estou melhor. Agora vai estudar que eu vou dormir. Amanhã tenho aula e você também. Ah... Sabia que entrei na aula de francês? Quando você precisar conversar com alguém em francês, dentro de alguns dias vai ser comigo que vai conversar. — Salientou com um sorriso misterioso. Será que ela entrou na aula por causa de Sophia? Por saber que treino conversação com ela?

—Que bom. Então, durma bem. Ainda vou ler um pouquinho.

—Beijos, namorado, e bom fim de semana.

—Beijos, minha Bella.

—Cinco segundo e desligamos, tchau. — —Combinamos. Desliguei a conexão e voltei para os livros. Arremessar-me na leitura apaziguava a dor da saudade, tirava-me do mundo real e dava forças para suportar mais um dia.

No fim de maio, um assessor chamado Lincoln pediu-me que o auxiliasse na redação de um discurso, o qual foi aplaudido veementemente no plenário do Senado. Depois disso, adquiri mais uma obrigação. Sempre que Lincoln tinha que escrever algo, pedia-me. Redigir contribuía para minha experiência, no entanto tornava o meu tempo mais escasso.

Estava sentado em minha mesa escrevendo um discurso, enquanto Lincoln estava em uma reunião com os assessores e o senador Evans, quando uma voz tirou-me da distração.

—Oooi! — Soou como um sino.

—Oi. — Levantei o olhar para responder.

Fiquei surpreso ao deparar-me com a dona da voz. Era aquele ser impertinente que eu encontrei na casa do Ryan. A irmã dele. Ao me reconhecer, ela caminhou em minha direção com um sorriso malicioso.

—Você trabalha aqui?

Ignorei-a, abaixei a cabeça e continuei o que fazia. Ela era cega por acaso? Se eu estava lá, obviamente trabalhava lá.

—Depois eu volto aqui e cuido de você. O papai está aqui? —Apontou para o gabinete.

—Em reunião. — Avisei.

Ela entrou mesmo assim, pois a porta estava destrancada. Minutos depois ela saiu abraçada ao pai.

—Edward, vamos à lanchonete? — O senador Evans chamou-me.

—Eu não posso agora. Tenho que terminar isto aqui. — Expliquei educado, mesmo sabendo que não era um convite do senador.

—E o que é? — Aproximou-se e pegou o discurso que eu escrevia, depois me encarou curioso. —Quem está escrevendo os discursos que o Lincoln me entrega é você? — Questionou perplexo.

Eu retesei preocupado. Talvez minha resposta prejudicasse Lincoln. —Não... er, só edito, modifico, se for preciso. — Balbuciei nervoso e sem convicção.

—Edward, vamos descer e conversamos na lanchonete. Eu já imaginava que não era o Lincoln quem escrevia. —Torceu os lábios desgostoso.

Eu deixei os ombros caírem e o segui. Ao chegarmos à lanchonete, conversamos assuntos concernentes ao Senado, o que me surpreendeu. Ele me ouvia e parecia interessado em tudo que eu dizia. Ao lado dele, sua filha me encarava disfarçadamente. Uma situação constrangedora e incômoda. Algum tempo depois, o senador Evans foi chamado em outra mesa e deixou-me a sós com ela.

—Por que fugiu de mim aquele dia lá em casa? — Ela perguntou com um risinho cínico.

—Porque não estava a fim, além de ser comprometido. — Dei de ombros indiferente e comi uma torrada. Ainda que não namorasse sério Bella naquela época, meu coração era fiel.

—Tudo bem, curta bastante o seu namoro, porque é por pouco tempo. — Enfatizou cheia de veneno.

Fechei os punhos irado, negando-me a discutir o tema, e a deixei na mesa só. Não sabia porque essa garota encarnou em mim. Obviamente quando as mulheres descobrem homens comprometidos ou desinteressados nelas, ficam mais ousadas. Como um ímã. Nunca em toda a minha vida fui tão assediado como acontecia desde que assumi compromisso com Bella.

Mais um mês se passou, e a saudade carcomia minhas entranhas. Era junho, e eu poderia ir ao estado de Washington, já que devido à remuneração da assistência tinha dinheiro suficiente. A despeito disso, o tempo não me permitia. O tempo era pouco para despontar e me tornar o melhor.

Certa sexta-feira, o senador fazia uma reunião de portas fechadas com assessores jurídicos, legislativos e de comunicação no gabinete, e depois viajaria para um evento público na Califórnia. Eu não precisava participar por ser somente assistente, então aproveitei a última hora do expediente para pesquisar algumas informações para um trabalho da universidade.

—Oooi. — Uma voz fina me tirou a concentração.

Desviei os olhos do monitor. Ela tentava abrir a porta.

—É uma reunião restrita. Não pode entrar. — Avisei. Ela encontrou a porta fechada.

—Hum... Está sozinho aqui fora hoje, é... — Comentou sugestiva e aproximou-se. —Eles vão demorar lá dentro? — Mordeu os lábios maliciosa.

Não me dei o trabalho de responder. Pelo canto do olho vi que ela inclinou-se em minha mesa e abriu a blusa, deixando a roupa íntima à mostra. Ignorei-a e continuei olhando para o monitor.

—Você não gosta de mulher ou gosta tanto que tem medo de olhar?

Cerrei os olhos e encarei-a encolerizado por sua atitude repugnante. Ela sorriu cinicamente e desbotou o sutiã que prendia na frente, expondo fartos seios. Congelei em choque, apavorado com a iminência de alguém chegar e presenciar aquela situação.

Fechei as mãos em punhos furioso, mas controlei a manifestação da ira.

—Srta. Evans, tem como recompor-se? Estou trabalhando. — Disse tranquilamente, depois me concentrei novamente na tela do monitor. Eleições nos EUA... Obama sobe nas pesquisas...

—Eu adoro homens tímidos... — Ela pegou meu pulso e colocou minha mão em seu seio pesado e leitoso.

Eu fiquei sem ação por milésimos de segundos, desnorteado pelo seu ato imprevisto. Ela riu, levantei de súbito e saí sem olhar para trás. A indignação e cólera alcançaram o máximo da agitação e senti uma veia pulsando na testa ao me dirigir ao jardim interno.

Esfreguei a fronte, nervoso. Odiava essa mulher que abusava da situação e me coagia por eu ser um subordinado de seu pai. Odiava a mim também porque no fugaz segundo que minha mão a tocou, uma estranha impotência congelou meus sentidos.

Será que sou tão fraco assim? Como posso amar tanto alguém e ao sofrer um assédio de alguém desprezível, o corpo traidor responder? Será por sentir muito a falta de Bella? Por desejar que ali fosse ela, com seus seios firmes e convidativos?

Em conflito, deixei o capitólio antes do horário e fui para o campus, desejando aflitamente conversar com Bella, para pelo menos ouvir a sua voz e saber se ela não desistiu do ser abjeto que sou.

Dei um toque em seu celular para que ela entrasse, e a angústia da sensação de tê-la traído era tanta que o tempo até ela ficar on-line deixou-me impaciente.

—Oi... O que aconteceu? —Perguntou desconfiada e jogou seus materiais escolares na cama. —Você nunca entra cedo assim... — Comentou sorridente.

—Saí mais cedo... Não agüentei o dia hoje... — Resmunguei e desabotoei a gravata, incapaz de ocultar minha auto-aversão.

—Por que está com o semblante assim? — Quis saber, preocupada.

—Estou exausto... —Deixei os ombros caírem, culpado. —Preciso de você.

—Eu também estou precisando muiiito de você. —Sorriu carinhosa. — Vai poder ficar muito tempo hoje? — Perguntou atenciosa.

Deus, eu não a merecia. Era injusto que ela tivesse um namorado como eu, à distância, que não tivesse tempo para ela.

—Ah, Bella, hoje eu não estou a fim de fazer nada... Vou ser irresponsável um pouquinho. —Sorri forçado. — E você? Tem tempo para o seu namorado hoje? — Perguntei carente.

—Todo o tempo do mundo! —Concedeu empolgada. — Vamos fazer assim, eu vou tomar banho, trocar de roupa e buscar um lanche. Em meia hora eu faço isso tudo. É bom que você também se troca, porque nem tirou o terno ainda. —Sugeriu. —Eu mal cheguei da escola. Nem troquei de roupa também. Depois eu fico a noite toda a sua disposição, ? — Propôs elétrica.

—Tudo bem. Vou tomar um banho para relaxar. —Tirei o paletó e coloquei-o no cabide. — Não desliga, não. Deixa a web ligada porque estou com saudade inclusive de ver você trocando de roupa. Não quero perder você um minuto.

—Hum... Então bom... — Deu um sorriso presunçoso e levantou-se animada. Bastava ouvi-la para que eu recuperasse a paz. Seu humor contagiante me envolvia de alegria. A melhor atitude que tive foi vir falar com ela.

Sua nova web cam tinha uma qualidade perfeita, a visualização do quarto ficava nítida e clara. Ela tirou a roupa sorrindo e direcionou-se ao banheiro enrolada em uma toalha. Aos poucos a saudade era embalsamada.

Direcionei-me ao banho apressado para não perder tempo. Ao sair, olhei o monitor e para a minha frustração a porta do banheiro dela estava aberta, provavelmente já tivesse terminado. Que pena, perdi a cena dela vestindo a roupa.

Vesti uma bermuda, sentei na cama e coloquei o notebook em uma cadeira ao lado, de modo que me deixasse espaço para relaxar na cama. Enquanto ela não vinha, separei uns livros e coloquei-os perto da cama. Meu lado responsável tinha esperança de que aprendesse por osmose.

—Voltei! — Pulou em frente à tela sorridente. —Tomou banho? Melhorou? O quê que você tinha? — Disparou em perguntas.

—Ai, Bella, tantas perguntas de uma vez... —Brinquei. —Tomei banho e estou menos cansado, mesmo assim, vou conversar deitado. Está frio aí? — Arqueei a sobrancelha.

—Não. Por quê? — Perguntou desconfiada.

—Porque está de pijama longo. — Sorri, e ela entendeu minha indireta.

—Meu anjinho, quando você não está aqui, eu fico o mais à vontade possível. Só me arrumo para você ou para sair. Mas caso você queira, eu troco de roupa. Quer? — Piscou sugestiva.

Bem, se eu revelasse que, como todo homem normal, preferia-a nua, seria um descaramento desconcertante.

—Não. Pode ficar como está. — Respondi me repreendendo pela torpeza.

—Se você quiser, eu tiro.

—Não precisa. — Neguei sem certeza.

—Espera. — Levantou, foi até a porta de seu quarto e trancou a porta. —Já que temos tempo hoje, vou colocar uma música. É a nossa música. A mesma que dançamos na casa do Ryan. Quer ouvir? — Propôs empolgada.

—Coloca.

Ela iniciou a música.

—Fique aqui que vou pegar um vestido bem curto. Não fugirei, anjinho. — Riu carinhosa, envolvendo-me de contentamento, depois desapareceu no closet e voltou com um vestido na mão. Segurou a barra da blusa manga longa despretensiosamente e começou a tirar o pijama.

—Faz assim, Bella, já que vai trocar de roupa aí, tem como ser mais devagar? — Sugeri com um sorriso de canto.

Ela parou e olhou para tela como se tentasse desvendar algo difícil.

—Tudo bem. — Sorriu maliciosa e segurou novamente na barra da camiseta . —Então, câmera lenta agora. —Dramatizou com um sorriso coquete. —Tirando... — Passou por sua cabeça e jogou-a no chão.

—Hum, linda. — Encorajei-a mordendo os lábios, ao tempo que explorava a imagem. Ela sorriu presunçosa. —Faz assim, a calça você tira de costas para o monitor e mais devagar. —Instruí.

—Cadê meu namorado tímido? — Fingiu espanto colocando a mão na boca dramaticamente.

com saudade dele? —Brinquei.

—Ow! Nenhum pouco... Esse aí está bem melhor. — Piscou marota, sorriu, virou-se de costas e desceu a calça devagar, olhando de lado para o monitor. Explorei suas curvas avidamente. Um corpo perfeito.

—Bella, que desenho é esse aí atrás? — Franzi o cenho e ri enternecido de sua peça íntima. Minha doce menina.

Ela aproximou-se mais da tela. —É um anjinho com uma flechinha. — Apontou o desenho atrás inocentemente, mas meus olhos insaciáveis deliciavam-se com sua bonita e empinada nádega. —Você sente alguma coisa em me ver assim? Tipo, como homem? — Quis saber curiosa.

—Agora não, só saudade, mas se eu der asas a imaginação posso sentir o que você perguntou.

Ela sentou de roupas íntimas e colocou o notebook dela no criado, em frente a sua cama. Depois deitou de lado e passou a unha na coxa provocantemente, com um sorriso sensual no rosto. —Está imaginando agora? — Mordeu os lábios.

—Por enquanto estou só vendo e apreciando. Está aliviando a falta que você faz aos meus olhos.

—Então vou usar algo que com certeza vai te fazer imaginar. Espera aí. — Piscou cheia de astúcia e escondeu-se no closet por uns cinco minutos. Quando voltou, ela usava uma saia xadrez rodada curta, curtíssima, e uma blusa branca curta de amarrar na frente. Também usava cabelo preso em rabo-de-cavalo, uma meia listrada longa, um batom bem vermelho e uns livros na mão.

Se eu não me engano era fantasia de... Estudante? ...Ou de, não sei... Nossa... Estava tão bonita... Sensual. Perdi o fôlego.

—Que isso, Bella? — Engoli em seco. Para que Bella comprou esse tipo de roupa? Um lado bem desvirtuado do meu cérebro questionou aprovadoramente e fiquei instantaneamente rijo.

—Já que você gosta de me ver tirar, eu vou tirar pra você. — Fez uma pose e riu ardilosamente.

—Não... Não tira ainda, não... —Pedi fascinado. — Está... Tão, er, bonita, lindinha, aliás, lindona, muito linda. — Balbuciei, embora linda não a qualificasse como ela merecia. Estava muito sexy, mas eu não iria dizer. Eu não podia expor o quão obcecado sou por seu corpo.

—Vou mudar a música e vou dançar pra você. Há alguma que você queira que eu dance?

Pensei uns instantes.

—Hum, põe a música que você dançou com suas irmãs no Réveillon. — Perguntei lembrando o potente desejo e ciúme que a música despertou na época.

—Deixe-me procurar. — Ela inclinou-se em frente à tela, expondo barriga e seios mal cobertos pela mini blusa. Depois ficou em pé. —Então, agora vou me concentrar. — Fechou os olhos, pôs o dedo na testa e fingiu estar encarnando alguém.

Sorri em divertida expectativa. A música começou, ela andou despreocupada de um lado ao outro do quarto e moveu-se espontânea. Estiquei as pernas na cama relaxado, rindo de sua expressão brincalhona e casual. Ser sua única platéia era uma dádiva para quem teve um dia como eu. No meio da música ela mudou a postura, olhou-me com o olhar insinuante e sorriu de um jeito mais feminino.

Ela passou as mãos na barriga, na coxa, subiu para o pescoço e moveu o quadril sensualmente, girando. Depois se inclinou, de costas para mim e uma nova roupa íntima apareceu. Arregalei os olhos e engoli em seco... A peça era insignificante, e quando ela girava ao ritmo da música, a saia subia e ela aparecia novamente.

Não encontrei palavras para descrever o que senti. Ela conseguiu despertar uma furiosa fome há milhas de distância, como se estivéssemos no mesmo lugar. Ela abriu os botões da blusa, um a um, sem parar de dançar, então jogou sorridente no ar. Eu ajustei o incômodo na bermuda sem saber se sorria ou gemia pelo prazer voluntariamente me proporcionado.

Ela desabotoou a saia atrás e deixou-a escorregar pelas suas pernas, então, de costas, abaixou-se para pegar. Senti um calafrio e suspirei.

—Gostou? — Perguntou eufórica e aproximou-se da tela.

—Você tiraria mais? — Pedi acanhado.

Ela sorriu surpresa, não fez nenhum comentário, colocou uma música mais lenta e voltou a dançar em trajes íntimos... Lentamente. Meus olhos transbordavam cobiça e luxúria. A vontade de tocá-la ficou insuportável quando ela desabotoou o sutiã de costas para tela, devagar, olhando insinuante em minha direção, depois se virou por completo e sorriu presunçosa. Minha respiração acelerou contra a minha vontade aos ver seus seios. Era até constrangedor que eu estivesse tão fraco.

bom? — Ela aproximou e tapou os seios com as mãos.

—Faz assim, Bella, deita na sua cama para conversarmos. — Pedi, ela ajustou o notebook próximo à cama e deitou-se, ainda tapando os seios.

Iria usufruir desse prazer novo que ela me concedia hoje. Vê-la, abrandava a saudade do seu corpo. —Bella, tire as mãos... —Supliquei carente. —Eu quero ver... —Adicionei manhoso. Ela tirou. —Na verdade, hoje eu não queria só ver... Queria tocar, beijar... Queria muito estar aí. — Expus-me rendido e lambi os lábios em antecipação.

—Mas está... É como se estivesse aqui. — Sussurrou compassiva.

—O que faríamos se eu estivesse aí? — Incitei-a.

—Sinceramente, falando como mulher, estou me sentindo quente hoje. Às vezes, alguns dias do mês me sinto assim. Com uma ansiedade aqui. — Apontou para barriga. —Queria você aqui... Eu não te resistiria. —Expôs sincera. Ouvi-la expor tão naturalmente sua necessidade física me fez admirá-la.

—Então vamos fingir que eu estou... —Propus encorajado. Mesmo que não soubesse até onde iríamos, eu queria ajudá-la a sentir-se melhor. — Feche os olhos. —Instruí.

—Tudo bem... — Ela fechou os olhos e deixou as mãos caírem ao lado do seu corpo.

— Finja que suas mãos são as minhas e suba com os dedos lentamente da sua coxa até a cintura.

—Sério? — Ela abriu os olhos e sorriu.

—Se não quiser, não precisa... É só um teste. —Esquivei preocupado em estar lhe pressionando. — Pensei que de repente fosse interessante...

—Não se retraia, namorado. Eu quero testar... Deixe eu me concentrar... É que não é sempre que não tenho vergonha. — Justificou-se acanhada, depois fechou os olhos e demorou uns segundos antes que subisse os dedos lentamente pela coxa, quadril e barriga.

—Agora, você toca, por favor, até mais em cima... Passeia os dedos pela lateral, de modo que seja bom pra você... — Pedi rouco. Ela tocou os seios e lambi os lábios, tenso. Eu queria tocá-la. —Bella... Pode estreitar com mais firmeza. — Pedi com a voz falha de nervosismo e desejo.

—Edward, fala abertamente. Quer que eu amasse meu seio igual você? — Sorriu divertida.

Se dependesse de me expressar mais claramente, não iríamos adiante.

—Faz assim, Bella, acho que... Não vai dar certo. —Torci os lábios.

—Edward, é impressão minha ou você estava tentando fazer... Eh, como se diz nesse caso... Carícias virtuais? — Riu deliciada. Eu me retraí, embaraçado. Por vezes Bella era muito direta, o que me intimidava. Ao ver o meu silêncio, ela mudou na cama e olhou-me detidamente —Tudo bem. —Voltou a dizer. —Eu quero experimentar... Se isso for bom pra você, eu faço.

—Não precisa, Bella. — Evadi desconcertado.

—Edward, para com isso. —Repreendeu séria. — Já era para ter perdido a timidez comigo. Eu quem devia estar acanhada, afinal quem está sem roupas aqui sou eu... Vamos, me dê mais uma chance... Prometo ficar séria. — Pediu suplicante.

Respirei fundo, disposto a nos dar uma chance de intimidade.

—Faz assim, talvez seja melhor que os dois participem... Então para criar um clima, verbaliza o que você sente quando eu te toco... Você faria isso? —Incitei-a, aproveitando sua facilidade de se abrir.

—Hum... Tudo bem... Sem censuras... — Ela fechou os olhos. —Bom, quando você me toca um arrepio me atravessa a coluna... É tão bom. Tudo gira, vem um... Calor... Meu sangue acelera nas veias... É uma sensação ótima que eu adoraria sentir sempre.

—Então finja novamente que eu estou aí... —Pedi orgulhoso por sua colaboração e indulgência. — Você sobe as mãos lentamente da barriga até os seios e me fala o que sente... — Pedi em nervosa expectativa. Ela subiu com as unhas e contraiu o corpo, erguendo o tronco na cama.

—Hum... É bom... — Sussurrou. Senti uma fisgada na pélvis e meu órgão sexual revolveu-se.

—Agora, aperte o bico... Se acaricie, por favor... — Ela apertou e passeou com as mãos na lateral e centro, beliscando, depois suspirou, rendida

—O que sente?

—Hmmm, eu queria suas mãos aqui... Eu queria sua boca aqui... — Gemeu e contorceu-se, esfregando as pernas uma na outra. Gemi indefeso. De olhos fechados, ela subiu com as mãos para o pescoço, nuca, depois desceu lentamente para a barriga, coxa, voltando a seguir para o seio novamente. Minha respiração acelerou. Imaginar minha boca correndo nela tirava meu juízo. Eu sentia o gosto, a forma. Ela gemeu baixinho, e eu fechei os olhos, não agüentando de desejo.

—Edward, fale o que sente... — Pediu sensual.

—Eu te quero tanto... Preciso tanto de você... Cada célula do meu corpo grita pelo seu insistentemente... Só de ver você assim... Eu fico...

—Excitado? — Interrompeu. —Por favor, fala... Eu quero ouvir abertamente.

Continuou tocando-se de olhos fechados, com os lábios semi-abertos, desfrutando de seu contato com o próprio corpo.

—Sim. Estou muito excitado... Eu queria você... — Confessei.

—Eu quero você. —Enfatizou. — Eu também desejo você... Está bom te sentir... Você gosta do que vê? — Passeou os dedos pelo corpo e arqueou sobre a cama novamente, convidativa.

—Muito... É bom saber que está pensando em mim... —Adicionei rendido. — Bella, encosta o dedo em seus lábios... Eu queria beijar você...

Ela encostou o dedo nos lábios e o sugou, depois passou a língua em volta e mordiscou por vários minutos, enquanto com a outra mão ainda se acariciava. Foi uma cena tentadora de se ver. E embora estivesse evitando descer com a mão para meu short, estava difícil de segurar.

—Como você se sente? —Perguntei sequioso.

—Quente... Você gostar me impulsiona.

—Você tiraria sua peça de baixo? Teria que ser devagar e de olhos fechados... Faz isso por mim, por favor...

Ela segurou nas laterais e tirou lentamente, respirando ofegante de nervosismo, jogou a peça íntima de lado e expôs completamente a nudez. Eu estava para não me segurar mais. Vê-la nua sobre a cama, às claras, deixava-me insano de desejo.

—Sinto sua falta... Queria você aqui... — Murmurou lânguida, arranhando a coxa.

—Eu também... Se eu estivesse aí, iria vagar a minha boca em você... Tem como passar as mãos onde gostaria que minha boca estivesse, por favor... — Passei as línguas nos lábios novamente, surpreso com a luxúria que experimentávamos.

Ela entreabriu os lábios e passeou as mãos em seus seios, pescoço, barriga, com a respiração acelerada. E saber que ela imaginava minha boca e queria minha boca nela acendeu-me como labareda de fogo.

—Bella, eu te desejo tanto que me sinto descontrolado.

—Você está... Se tocando? — Murmurou entregue, surpreendendo-me novamente com uma pergunta tão natural.

—Não... Estou evitando, por estar aqui... Mas está irresistível pra mim. —Confessei.

—Finja que sou eu... Eu faria em você, se estivesse aqui.

Respirei fundo e fechei os olhos.

—E você? Tocar-se-ia pensando que sou eu? — Dei-lhe a opção enquanto me libertava do short. Ela ficou em silêncio. Eu envolvi meu órgão com a mão e iniciei uma massagem lenta. Olhei a tela e ela ainda estava de olhos fechados, com as mãos sobre o abdômen, movendo as pontas dos dedos.

—Seria bom pra você se eu me tocasse intimamente? — Murmurou em dúvida.

—Muito... — Gemi, sentindo o prazer crescer. —Mas seria melhor ainda se você gostasse.

Ela desceu com a mão receosamente, e eu soltei um involuntário gemido baixo ao vê-la se dar uma chance. Ela ergueu-se e estremeceu como se tivesse tomado um pequeno choque, e ofegou ao tocar sua região íntima.

—Como está? — Rolei os olhos prazerosamente e soltei o ar, imaginando a umidade e calor, ainda com minha mão subindo e descendo no comprimento.

—Acho que... Dá um tempinho para eu pensar... — Pediu baixinho.

Suspirei e observei-a.

—Finja que sou eu, por favor. —Encorajei-a novamente. —Não sabe como estou. Como eu gostaria que fosse eu. Por mim, deixe ir. — Supliquei. Ela desceu os dedos e subiu, testando, ainda retesada, depois foi relaxando lentamente, ao tempo que se conhecia. Com o passar dos segundos, ela deu uns gemidinhos aprovadores, e eu me vi um louco em vê-la.

—Está bom? — Perguntei.

—Hum... Sim... — Abriu sutilmente as pernas e com as duas mãos explorou-se com mais ousadia. Estremeci ao vê-la se render e meus sentidos nublaram de luxúria.

—Bella, eu... Não estou agüentando... Você sente prazer? — Ofeguei, a liberação construía-se conforme eu me tocava.

—Uhum...

—Verbaliza, por favor, o que sente.

Ela contorceu-se.

—Eu quero tanto você. — Sussurrou. —Muito... A sensação de imaginar suas mãos aqui é... — Gemeu baixinho. —Deliciosa... Não pensei que poderia sentir algo assim... Hmmm... É quente. Também há um vazio... Tem uma dorzinha, sabe, mas é bom.— Continuou se tocando. Eu via o movimento de sua mão agitando-se de um lado ao outro e meus pelos arrepiaram. —Oh, vai vir... —Gemeu mais forte e arqueou o corpo, movendo frenética seus dedos. Estremeci de novo e movi minha mão com mais precisão, não suportando mais adiar.

Juntos, nossos gemidos aumentaram de volume, nossas mãos ficaram ansiosas, o corpo dela sacudiu na cama, estremecendo no clímax, e ela grunhiu. Nem pisquei para não perder uma cena tão gloriosa. E ao vê-la alcançar, espasmos me atravessaram e a liberação enevoou minhas vistas. Tremi da cabeça aos pés, continuei a massagem e o prazer explodiu em minhas mãos. Ofeguei trêmulo, sentindo o jato libertador cair no lençol da cama. Nos segundos seguintes, ficamos ambos ofegantes.

Deus, como eu queria abraçá-la e consolá-la, além de agradecer. Era um prazer realizado por uma distância em espaço, mas juntos no prazer da alma.

—Bella... Tudo bem? — Perguntei cauteloso após uns minutos de silêncio.

—Espera. — Sussurrou. Ela estava lânguida, deitada com as costas na cama, de olhos fechados.—Estou bem. Quer saber como foi? — Suspirou. —Foi estranho e bom... Trouxe alívio e preguiça... Eu gostei... — Sussurrou esparramada.

—Obrigado por fazer isso por mim. — Pedi culpado por empurrá-la a me agradar. Um excêntrico moralista como eu não devia abusar de seu carinho e disposição.

—Não foi só por você. — Balançou a cabeça desaprovadora. —Não estou arrependida. Pelo contrário, eu adorei... Eu realmente viajei... Foi como se fosse você. —Sorriu acolhedora. — Fiquei satisfeita... É estranho, incomum, mas eu sou sua, não sou? Sempre. É bom fazer descobertas com você. — Disse convicta.

Sorri orgulhoso da minha menina espontânea.

—Você me completa. — Disse aliviado.

—Você também... Você é meu tudo. — Olhou-me docemente, e eu senti-me aquecido por seus sentimentos.

—Me dá um tempinho para eu tomar banho? — Perguntei incomodado com o lençol sujo.

—Tudo bem. Eu também vou.

Cada um seguiu para seu banho. Eu estava feliz. Ela salvou um dia desastroso com a sua companhia, fazendo tudo por me agradar, até algo que eu censurava obstinadamente. Mas nós nos amamos, e ela é minha, resta-nos aceitarmos e correspondermos às necessidades um do outro.

Quando saí do banho, ela já estava na cama, de roupas íntimas novamente.

—Bella... Posso entrar em um assunto chato? — Perguntei cautelosamente, enquanto sacudia meu cabelo, tirando o excesso de água. —Eu preciso me abrir com algo que está me incomodando muito, mas você vai ter que ter maturidade para entender.

—Tudo bem. — Deitou de bruços, com o notebook em sua frente, prestativa e atenciosa.

—Bom, estou prestando assistência no gabinete do pai do Ryan, você sabe. Er, e ele tem uma filha. — Comecei, preocupado. —Ela simplesmente resolveu me importunar.

—Como assim? — Arqueou a sobrancelha. —Fala claro.

—Ela tem pretensões de se relacionar comigo... Como posso dizer... — Mexi nervosamente as mãos.

—Ela dá em cima de você? — Questionou com objetividade.

—É, acho que é isso. — Concordei indignado só em lembrar a ousadia da garota.

—E você? O que sente? — Fingiu neutralidade, mas estava tensa.

—Eu sinto irritação e importuno. — Disse entre dentes. —É uma situação muito constrangedora. Ela não respeita meu espaço pessoal.

—Ela se joga em você? — Inferiu alarmada, obviamente entendendo que não se tratava de palavras.

—Sim. Chega a ser invasivo. — Resmunguei chateado. Era tão desconcertante dialogar esse tema com a namorada.

—Edward, explica claramente o que ela faz. — Pediu preocupada.

—Acho que é melhor não. É uma lástima desnecessária que não vale sua preocupação, porque não significa nada.

—Fala, Edward. Essa é só uma das coisas que iremos passar. Mesmo que seja insignificante, é bom que conversemos sobre o assunto, porque um dia pode ter algo importante e você não vai ter abertura para falar.

—Hum... —Ponderei. —Ela já me beijou forçado uma vez e agora me assedia descaradamente.

Ela abriu a boca por reflexo da tensão, em choque, depois suspirou.

... E você? Sentiu algo por ela? — Perguntou séria, adotando uma postura imparcial.

—Não, Bella!— Respondi ofendido. —Só tem espaço para você em minha vida.

Era riu de canto aliviada e relaxou a postura rígida.

—Eu a conheci, ela é muito bonita e atraente.

—Pode ser, mas não faz o meu tipo.

Ela encarou-me curiosa.

—A Sophia faz o seu tipo? — Espetou com uma sobrancelha arqueada.

—Não! —Sacudi a cabeça, negando. —Eu já disse uma vez que não. Ela é só uma amiga!

—Ah, .

—Bella, qual o problema seu com a Sophia?

—Qual o problema, Edward?! O problema é que ela é sonsa, está sempre perto de você. Eu não tenho medo da irmã do Ryan, pois ela é direta. Agora a Sophia... Rá, está sempre próxima, dá presentes, é prestativa, te ouve, conversa francês com você, entra no seu quarto.— Enumerou impaciente. —Você acha que eu tenho que me preocupar com mulheres que se jogam abertamente? Eu sei que não!

—Bella, para com isso. Não precisa se preocupar com ninguém!

Ela balançou a cabeça em negativa repetidas vezes, chateada, depois respirou fundo como se quisesse controlar-se. —Desculpa, mas não é ciúmes... É que na minha cabeça tem algo que não se encaixa na história da Sophia. Mas deixa pra lá, não quero estragar a noite. —Fungou. — Está lembrando-se do aniversário de quinze anos da Alice, né? É na primeira semana de julho. Dá um jeito de vir. —Mudou bruscamente de assunto e de humor.

—Tudo bem, eu vou fazer um esforço. Vou conversar com o senador e pedir que ele me libere. Convidaram Ryan?

—Sim. Alice o convidou em março, quando fomos lá.

Como ela expôs sua insegurança, aproveitei o ensejo para especular sobre ela.

—E você, Bella? Como está seu coração? Continua povoado? — Gracejei, mas instantaneamente arrependi-me ao ouvir como soou.

—Como assim? — Uma ruga de desconfiança apareceu em sua testa. —Está falando do Mike? Rá, ele é tão cara de pau que dorme aqui com Jéssica todo dia e nós vamos juntos para escola no meu carro, acredita? Meu pai não pode nem sonhar! Pior, acho que os empregados pensam que ele dorme é comigo! — Sorriu divertida.

—Isso é preocupante.— Torci os lábios. —Tomara que eles se assumam logo.—Comentei aliviado.

—Acho difícil. Jéssica é uma alma livre. —Riu novamente.—Edward, eu estou tentando umas universidades aí na capital e na Califórnia. Talvez eu vá morar aí. — Disse sugestivamente.

—Vocês podem pagar, então você consegue onde quiser. — Dei de ombros.

—Mas o que você acha de eu ir morar aí perto de você? Teria algum problema? Estava pensando em comprar algo no Condado de Airlington mesmo, perto do Ryan. Adorei o condomínio dele. — Disse empolgada.

Olhei-a segundos e procurei decifrar suas intenções antes de responder.

—Seria bom. Só que você teria que ser bem flexível quanto a minha agenda. Você sabe como é meu tempo, né. Porém, no mínimo espaço que eu tivesse, iria te visitar. — Sorri animado, no entanto Bella pareceu não gostar da minha resposta. —O que foi? — Questionei surpreso com seu humor. Ela pareceu decepcionada. —Você ficou chateada por eu ter falado que talvez não tenha muito tempo?

—Não. Não é isso. Deixa pra lá. — Torceu os lábios.

—Que foi, Bella? — Insisti.

—Nada. Acho que vou optar pela Universidade UCLA na Califórnia mesmo, assim meu pai não tem que comprar outro imóvel aí na capital. — Resmungou. —Talvez eu more com Emmett. — Deu de ombros, conformada.

Esfreguei o cabelo ansioso. Eu tinha que conhecê-la para conseguir entender suas mudanças.

—Bella, você reclama que eu não me expresso, mas você também esconde as suas emoções. Por que você ficou chateada comigo? — Inquiri.

—É uma coisa boba. — Esquivou-se.

—Mas eu quero saber. — Pressionei.

—Olha, eu não quero falar de tão boba que é.

esperando. — Cruzei os braços.

... É que... Eu pensei que se eu fosse morar na capital você moraria comigo. — Explicou receosamente.

Abri a boca alarmado. Como ela podia cogitar isso!? Morarmos juntos!? Eu não podia. Aliás, não devia. Eu não queria as coisas assim.

—Você estava certa em não falar.— Sentenciei desgostoso.

—Tudo bem. Não vamos decidir questões futuras. Tanta coisa pode acontecer daqui pra lá, né. — Comentou em fria dúvida.

—Por que está falando isso? Está perdendo a fé em nós?

Ela piscou longamente e me encarou, a expressão imediatamente derretendo.

—Não. Só me preocupo sempre com o nosso amanhã... É tão intenso o que sinto que tenho medo de não poder viver, de acontecer algo que nos separe.

Suas dúvidas infundadas davam vida às minhas, mas não devia deixá-las se fixarem.

—Eu não vou deixar você, Bella, a não ser que você me deixe. — Prometi calidamente.

—Então promete... Promete, porque eu também prometo que não vou te deixar. — Sorriu meiga e aproximou-se mais da tela, ainda de bruços na cama.

—Sim. Prometo ser seu pra sempre e nem adianta fugir, porque você também vai ser minha pra sempre. — Declarei efusivo.

—Então bom, vou acreditar. Acho melhor você dormir agora. Está tarde e conversamos mais de cinco horas. Eu estava MORRENDO de saudade de passar um tempo assim com você.

—Eu também estava. —Disse matreiro. — Bella, por favor, promete não desistir de mim. Tudo isso vai passar... Um dia essa correria passa. — Supliquei subitamente aflito em saber que iria ficar só novamente.

—Eu prometo. Obrigada pela noite. Foi ótima. — Disse com voz macia e cálida.

—Ow! Obrigado você. Você que foi ótima. Matou a saudade de um jeito inimaginável. — Sorri malicioso.

—Você também matou a minha saudade.

Sentou-se já pronta para desconectar.

—Não quero sair... — Resmunguei carinhoso. —Viciei... Dorme aí. Deixe-me ver você dormir.

—Por mim, tudo bem. — Relaxou e encostou a cabeça no travesseiro, de bruços, fingindo que ia dormir.

Eu sorri e apreciei seu corpo debruçado sobre a cama. Depois fiquei preocupado, pois no decorrer dos dias meus olhos iriam pedi-la insistentemente. Isso iria tirar a minha concentração.

—Acho melhor não... — Voltei atrás contra gosto. —Tenho medo de viciar mais que o normal. Em um mês nos veremos. Está perto. Vou ficar com você três dias inteirinhos.— Prometi.

—Nossa, só de pensar... — Sorriu e abanou o rosto fingindo calor. —Setenta e duas horas trancada num quarto com você.

—Então, por favor, use um cinto de castidade. — Sorri.

—Já pensou que talvez eu não esteja tão empenhada em seguir meus planos? — Desafiou.

—Mas eu quero... Eu já disse o porquê.

—Tudo bem. Boa noite. Se precisar de mim para isso de novo, é só dá um toque. — Piscou e apontou para meu quadril descaradamente.

—Ai, Bella, eu adoro sua naturalidade. — Revelei sorrindo. —Torna você mais perfeita ainda.

—Então tchau! Se não, não saímos daqui... Sabe que por mim seria a noite toda, né? Mas é por você. Eu sei que acorda cedo. Então descansa. Beijos e cinco segundos? — Disse decidida.

—Ok. Beijos e tchau.

Desliguei e aprontei-me para dormir. Por esta noite, resolvi me dar um descanso nos livros. Ela tem o poder de tirar-me da escuridão da culpa e me dar paz. Posso até cair e tropeçar, mas seus olhos me salvam e me acobertam com seu amor e sua compreensão. Devo amá-la para sempre... A mulher que me dá forças pra viver.

Continua...

Nota da autora:

No próximo capítulo Edward está de volta ao estado de Washington.

Obrigada pelo recados. Eles estão subindo. Tenho fé que chegaremos nos nossos antigos 1800 em breve.

Bjks

Bia Braz