Capítulo - Essência
Narrado por Bella
Na segunda semana de junho, eu estava em uma festa de aniversário de uma funcionária, a Tammy, na casa dela, com os funcionários do administrativo. Deixei meu pai conversando com Esme e alguns funcionários, avistei a filha da dona da casa saindo de dentro um cubículo perto do jardim e franzi o cenho curiosa ao ver Brandon sair logo atrás.
—Ai está você. — Sorri. Ele limpou a boca com o dorso da mão e arrumou a calça estranhamente. —O que você fazia aí?
—Advinha. —Arqueou a sobrancelha malicioso.
—Você estava beijando aquela menina? — Apontei para dentro horrorizada pela idade dela, parecia novinha.
—Beijando é? — Sorriu cínico como se eu estivesse contado uma piada e sentamos em um banquinho do jardim. Ele tinha cheiro de bebida.
Eu entendi a indireta e abri a boca horrorizada.
—Nossa, você mal conheceu ela! — Censurei abismada em como as pessoas levam sexo na brincadeira. —Ela é filha de uma colega de serviço. Devia ter consideração pela mãe dela. — Ressaltei séria.
—Bella, foi ela quem me chamou para lá. Foi ela quem estava de saia. Foi ela quem quis... As meninas hoje são assim. —Defendeu-se.
Eu balancei a cabeça.
—Você não se valoriza, se fica com pessoas assim. — Espetei desgostosa.
—Sou homem. E não tenho ninguém que me prenda. — Ele aproximou-se mais. —Se eu tivesse alguém igual você, com certeza eu pararia com essa vida. — Virou-se e pegou um drink com o garçom. —Como não tenho, vou continuar curtindo. Sou de todas. Inclusive no dia que quiser um carinho, enquanto o príncipe não vem, estou disponível. — Sorriu e bebeu mais vodka.
—Eu não vou mais ficar perto de você se você começar com essas brincadeiras. Somos profissionais e nossa amizade não tem nada a ver com vida pessoal. — Cortei-o séria.
—Não estamos no trabalho, querida. E não é só amizade profissional, se não, você não teria perguntado se eu estava beijando aquela menina. — Ele lembrou divertido.
—Eu perguntei porque achei um absurdo seu desrespeito. Mas tudo bem, prometo não perguntar mais nada da sua vida. — Cruzei os braços me recriminando pela intromissão. Um silêncio incômodo nos envolveu.
—Então, já decidiu para qual faculdade ir? — Ele começou disposto a amenizar o clima.
—Estou vendo ainda... Não sei... Estou pensando em fazer Negócios e Gestão. Acho que Administração não é o que eu preciso... Talvez eu vá fazer na capital. — Respondi sem vontade.
—Quer ficar perto do namoradinho, é? — Ironizou.
—Eu já pedi para parar. — Me preparei para sair.
—Bella, espere um pouco. — Pediu. Eu esperei em pé ao seu lado. —Sente aqui um pouquinho. — Apontou para o banco com olhar amistoso, e eu sentei novamente. —Esquece o Brandon profissional agora, me veja só como pessoa. Não consigo mais esconder: sou apaixonado por você. — Expôs tranquilo. Arregalei os olhos surpresa. —Mas eu não estou pedindo nada. Só quero te deixar informada que se um dia você terminar com o seu namorado e quiser experimentar algo novo, eu estou aqui. Se acontecer de querer ficar com alguém diferente, beijar, dançar ou mesmo por só uma galha no namorado, eu vou estar te esperando. É sério. — Ele sorriu meio triste. —Lógico que enquanto você espera o príncipe encantado, eu estarei curtindo. — Ironizou de novo. —Mas é só você estalar os dedos que eu estou a sua disposição. E serei fiel. — Concluiu com olhos intensos.
Eu perdi as palavras. Ele foi tão natural e sincero que não pude censurar.
—Tudo bem. — Foi o que consegui dizer. —Er, tô indo embora. Vou só avisar ao meu pai. Até sábado. — Balbuciei embaraçada. Ele me jogou um beijo sorrindo, e eu saí balançando a cabeça.
Sábado seguinte, o dia no jornal foi produtivo. Brandon passou o dia comigo e nem tocou no assunto que conversamos na quarta. Até que eu me sentia lisonjeada em saber que tinha um homem bonito como ele interessado em mim, afinal, Edward também é cheio de admiradoras na faculdade e trabalho. Principalmente Sophia. Sei que desconfiar dele é duvidar de sua pessoa e de sua essência. E se não por crédito em sua palavra, estou margeando dúvidas em tudo que ele diz que é. Acreditar em fatos como: ter sido seu primeiro beijo, dele não ter ido para cama com ninguém, torna-se infundado se eu der asas a questionamentos duvidosos. Então, resta-me acreditar em tudo, independente das atitudes de qualquer mulher que o cerque. Ainda assim, como todo ser humano normal, massageia meu ego saber que Edward não é o único com admiradores.
Quando eu chegava em casa do jornal à tarde, encontrei Emmett na sala com um sorriso triunfante no rosto.
—Viu o passarinho verde? — Perguntei e o abracei. Desde que ele começou a ver Rosalie, vinha da Califórnia pelo menos três vezes no mês.
—Bella, ela aceitou namorar sério comigo! — Revelou entusiasmado, mostrando a aliança de prata.
—Puxa, até que enfim né! Mais de seis meses você na cola dela roubando beijos! — Comentei e me encostei ao corrimão da escada.
—Bom, ela só impôs horário da chegada e saída e não quer que eu fique cobrindo ela de presente, só isso. — Expôs satisfeito.
—Legal!
—Eu vou casar com ela... — Declarou orgulhoso.
—Credo, Emmett! Mal começaram a namorar. —Censurei brincalhona. — Vai casar antes dos vinte é?!
—Ela é mulher para se casar.
Abri a boca surpresa com sua convicção. As pessoas tinham que se conhecer antes de casar, não?!
—Por que quer se casar rápido?
—Responde você: por que as pessoas demoram a se casar?
—Hum... Porque esperam terminar a faculdade, comprar uma casa, ficar mais velhos, se conhecer melhor... Acho que é isso. —Enumerei com objetividade.
—Você se casaria com o seu caipira hoje? — Questionou curioso.
—Emmett! — Chamei sua atenção.
—Desculpa. Com Edward.
—Acho que não.
—Por quê?
—Porque ele precisa se resolver.
—Mas e por você? Você acha que ele é o homem certo para você? — Insistiu na pergunta.
Pensei um pouco.
—Acho que sim... Faltam algumas coisas nele, mas como diz o meu pai: 'o homem certo é a gente quem faz'.
—Pois é, eu me casaria com a Rose amanhã. Ela é diferente de qualquer menina. Ela não se importa com carros, com nosso dinheiro. Ela é simples. Não é como as marias-gasolina que eu sempre conheci. Se ela ficar comigo, vai ser porque gosta de mim.— Disse convicto.
Fiquei muda. A mudança de Emmett era surpreendente.
—Emmett, eu estou orgulhosa de você. — Disse e o abracei. —Eu só acho melhor dá mais um tempo. Mas o que você decidir eu te apoio. Só cuidado para não assustá-la com esses seus planos.
—Ok. E o seu caipira? Quando ele vem?
—No niver da Alice. Está perto.
Ignorei desta vez ele chamar Edward de caipira. Não era mais com desdém, era até amistoso.
—Como você agüenta, Bella? — Olhou-me pesaroso.
—Paciência e fé. Os dois. Tenho que ser forte. No começo do semestre, eu inicio forte, mas depois, como qualquer pessoa normal, vou perdendo as forças devagar. É triste, mas eu sei que ele sofre também, então eu me dou forças para continuar esperando. — Tentei soar firme.
—Bella, falando seriamente, você já pensou que você pode estar com ele todos os anos seguintes, sofrendo com ele, esperando por ele, e no final ele escolher outra pessoa e você ter perdido anos de sua vida? — Questionou sério. Suas palavras me desestabilizaram.
—Eu penso nisso todos os dias. Mas não quero me auto-flagelar com essas dúvidas. Se não der, não deu. Pelo menos tivemos dias felizes juntos. Se ele escolher outra, ou outras... Tudo tinha que acontecer. O que importa é que além de tudo somos amigos. E vai que para ele alcançar algo na vida, tenha que ter eu como suporte. Sei que não sou tão religiosa assim, mas eu acho que existe um plano em tudo, tipo, está escrito. Esse é o meu conforto.
—E depois diz que não é religiosa! — Emmett sorriu e me deu um abraço orgulhoso, depois eu subi.
Sonhei com Edward aquele sábado, com nós dois no parque... Amanheci no dia seguinte suspirando de saudade e, como era domingo, devíamos conversar um pouco via web. Desci faminta e encontrei meu pai e Alice, ela com a cabeça no colo dele.
—Oi, pai, oi, Alice. — Cumprimentei-os e os beijei no rosto. —Por que Esme não veio, pai?
—Ontem a noite ela estava se sentindo mal, mas hoje ela vem almoçar conosco. — Respondeu e continuou assistindo um programa na TV.
—Alice, como está o preparativo da festa? Nem acredito que faltam só duas semanas. — Perguntei e me direcionei para a cozinha a fim de fazer um lanche.
Ela veio atrás. —Está bem. Na verdade, Bella, eu queria uma festa íntima, mas meu pai quer convidar governador, políticos, um monte de gente que eu não conheço. Isso deixa a minha festa chata. Fica tudo muito formal. — Reclamou mal humorada.
—Qual o problema disso, Alice? Você sabe que meu pai precisa manter esses contatos dele. Além disso, ele gosta de nos mostrar para os conhecidos dele. Deixa o velho ser feliz! — Abracei o pescoço dela e ela sorriu sem humor. —Mas fala para mim, o que te aflige? Você não está com essa cara por causa da festa.
Sentei em sua frente no balcão e ela titubeou.
—Bella, eu tenho um segredo para te contar. —Disse constrangida.
—Pode falar.— Inclinei-me para ouvir.
—Eu amo Jasper. — Sussurrou. Eu não entendi o segredo disso.
—Eu também amo. E muito. — Respondi como se fosse o óbvio.
—Mas eu não amo assim... — Abaixou o olhar tristemente.
Olhei-a curiosamente antes de entender.
—Você é a fim dele?! — Arregalei os olhos e coloquei as mãos na boca. Depois sorri alto. Ela cruzou os braços emburrada. —Desculpa, Alice. É que eu nunca pensei...— Segurei sua mão.
—Eu gosto dele, mas ele é muito galinha. Eu pensei que essas coisas que ele sempre disse, que beijava uma e outra, era mentira. Pensei que era só coisa da cabeça dele. Mas não, é tudo verdade. Ele é esperto demais. Ele deve ter um monte de garota em cima dele mesmo! — Disse frustrada.
—Será? Como descobriu isso? — Perguntei curiosa.
—Ele me beijou... — Confessou envergonhada.
—Sério?! — Ofeguei desacreditada.
—Sim, ele me beijou, e eu gostei. Só que estou chateada com ele e não tenho falado com ele desde então. Pior... Ele parece que nem liga. Fica naquele computador o tempo todo!
Resmungou decepcionada.
—Por que não está falando com ele?
—Porque queria que ele me desse atenção, que falasse alguma coisa, que me pedisse desculpas...
—Por ter te beijado?! — Juntei a sobrancelha desentendida.
—Ah, Bella, eu nem sei.
—Faz assim, Alice, hoje ele deve vir aqui... É só beijar ele de novo. — Era tão fácil de resolver... Quem dera se para mim tivesse sido fácil assim desde o início!
—Eu tenho vergonha. — Disse desiludida.
—Então eu vou armar para brincarmos... Vou chamar a Jéssica e Mike e nós vamos brincar de caí no poço. Aí você escolhe ele e beija ele de novo. — Propus.
Mais tarde, desci e encontrei Jasper em pé no carpete, jogando na tv de LCD. Mas hoje ele usava uns acessórios esquisitos e uma arma na mão, além do notebook conectado na tv. Ele conversava com algumas pessoas em rede, xingava e falava alto. Se eu filmasse, diriam que ele era louco.
—Jasper, saia desse autismo aí e vem conversar que eu estou carente, seu desocupado.
—Bella, não sou mais um desocupado da vida? Sou um desenvolvedor de software. Esse site aí está propagando meu jogo e por cada pessoa que acessar ele na rede, vou ganhar vinte e cinco centavos. — Continuou jogando.
—Como que é isso? — Aproximei para olhar a tela e ver o tipo de jogo, mas não entendi muita coisa.
—Lembra que eu jogo em rede? Desenvolvi um jogo e hospedei. Vou começar a ganhar dinheiro, maninha. — Disse empolgado.
—Legal Jasper. Vamos subir para jogar.
Ele animou-se e subimos para o quarto da Jéssica. Combinei antes com Jéssica e Mike, que estavam um casal fofinho. Na terceira rodada, Alice beijou Jasper e nós encerramos a brincadeira.
Narrado por Edward
Era fim de semestre e, para a minha sorte, minhas notas estavam fechadas. Fui dispensado de algumas aulas, o que me sobrou algum tempo para relaxar.
—Oi, Ryan! — Cumprimentei-o ao percebê-lo entrar no meu quarto.
—Oi, Edward. Cara, tu me salvou de uma e nem me disse! — Sentou-se na cama dele, grato
—Não achei que precisava. — Continuei folheando a revista que lia, deitado em minha cama.
—Eu preciso te pagar de alguma maneira. Você é um amigo que não existe.
—Falou certo, sou seu amigo. — Enfatizei. —Não há pagamento.
—Não, Edward, eu vou te pagar de alguma maneira e já está resolvido. — Levantou e me entregou uns papéis.
—Pra que isso? — Apontei para as passagens de avião que ele me entregou.
—Para você. Não paga o que você faz por mim, mas como eu sei que você nunca vai aceitar dinheiro, então comprei essas passagens que são não reembolsáveis e nominais a você. A intenção é fazer você ir ver a sua namorada mais vezes. Ah, você tem só até o fim do ano para usar, viu. — Frisou bem e sorriu satisfeito.
—Ryan! — Sentei na cama com olhar desaprovador.
—Edward, considere como um presente, não um pagamento. Se você não quiser aceitar por você, aceite pelo menos por Bella. — Insistiu.
Olhei as passagens em minhas mãos... Não reembolsáveis e nominais... Bom, não podia fazer mais nada.
—Tudo bem, mas que não haja uma próxima vez, porque com certeza eu não vou aceitar. —Sentenciei decidido. —Você vai para o aniversário da irmã de Bella?
—Sim, vou passar em casa e ir de carro. Vamos comigo? Aí você fica uns dias lá em casa, conhece as praias da Califórnia e depois nós vamos.
—Não, eu vou ter que ir de avião daqui. Vou passar só o fim de semana do aniversário e voltar. Eu tenho que ir para o Capitólio as terças, quintas e sextas. Lembra? Então, mesmo de férias na universidade, não vou poder passar mais que três dias no estado de Washington.
Ryan parou pensativo, depois se levantou para sair. —Tchau, Edward, então faça bom proveito das suas passagens e... Obrigado. — Sorriu satisfeito.
—Obrigado você, pelas passagens. — Era desconcertante o reconhecimento dele por mim, quando eu não tinha outra intenção que não fosse sua amizade. Além disso, foi ele quem me apresentou o senador, logo, eu devia gratidão a ele.
No dia seguinte, resolvi ir ao gabinete o dia todo mesmo que tivesse a obrigação de ir somente à tarde. Iria visitar a biblioteca do Senado e adiantar algo que o senador pediu. Entrei na sala do senador para deixar uns papéis em sua mesa e não havia chegado ninguém ainda. Avistei umas fotos e aproximei-me para visualizar melhor. Eram fotos da família do senador tiradas anos atrás. Pareciam felizes. Por que será que o tempo mudou a família deles? Hoje Ryan reclama que o pai não tem tempo, que eles mal se falam em casa, que a irmã é mimada, e que a mãe só quer saber de frivolidades. Ryan sofre com a família que tem. O que lhe é favorável é que, contudo, ele tenta levar a vida numa boa, sempre com um alto astral contagiante.
—Bom dia, Edward! — O senador encontrou-me com a foto dos gêmeos nas mãos.
—Bom dia, senador Evans. — Respondi desconcertado, coloquei a foto na mesa e direcionei-me a porta.
—Chegou cedo hoje. — Olhou-me curioso.
—Eu precisava pesquisar o projeto que o senhor pediu.
—Sente aqui, Edward, preciso falar com você um pouco. — Apontou para a cadeira à sua frente, e eu sentei ansioso. —Relaxe, é só uma conversa amigável. — Ele sorriu e eu encostei-me à cadeira. —Você me mostrou o seu trabalho universitário com intenções de projetos de leis. São muito bons, porém todos os seus projetos têm fins sociais... Esses tipos são os que menos são aprovados no Senado. Então, o aconselho a tentar desenvolver projetos que foquem planos de apoio e desenvolvimentos para empresas, atuações de bancos e empréstimos. Entende do que falo? — Assenti com o olhar e continuei o observando. —Não adianta você me mostrar projetos de leis com idéias perfeitas, se eu tenho certeza que eles não chegam nem a votação. Para alguma lei ser aprovada, Edward, alguém tem que sair ganhando... E projetos sociais não trazem lucro para grande maioria dos interessados que estão no poder. — O senador explicou com uma calma deliberada.
Demorei minutos para decodificar suas palavras.
—Senador Evans, o senhor está me aconselhando a mudar o foco, a esquecer planos sociais. É isso?
—É só um conselho. O seu idealismo não convence nem te segura no poder.
—Tudo bem, senador.— Levantei-me atordoado. — Posso ir?
—Edward, outra coisa, Ryan me disse que você precisa de uns dias para visitar a família. Se você quiser ir, eu te libero uma semana. — Sorriu amigável.
—Obrigado. Fico grato. — Saí da sala frustrado por um lado e satisfeito por outro. Sentia-me frustrado por saber que um político renomado como o senador Evans não se interessava nem ao menos em levar a pauta projetos sociais, ambicionando somente fins lucrativos para si e para outrem. Isso era iludir as pessoas que confiaram nele. Por outro lado era confortado em saber que ia passar uma semana em casa. Isso tirava toda e qualquer decepção momentânea.
No início da semana em que seria o aniversário de Alice, segunda, dei um toque no celular da Bella e em poucos minutos ela ficou on-line.
—Oi, minha Bella. — Cumprimentei carinhoso, mas sem empolgação.
—Oi. — Ela sorriu de canto, mas o sorriso não alegrou seus olhos.
—Como estão os preparativos da festa?
—Estão indo. Você vem, né? — Perguntou em dúvida, e resolvi brincar um pouco.
—Não sei... Estou vendo ainda.
Repentinamente sua expressão mudou.
—Por quê? —Perguntou magoada. — Não conseguiu? — Seus olhos brilharam de lágrimas.
—Calma, Bella. Estou brincando. — Parei de brincar alarmado. Não queria fazê-la sofrer mais.
—Que bom, porque sinceramente estou fraca hoje. Estou me sentindo só. Acho que estou carente. — Resmungou pra baixo.
Sorte eu estar eufórico por ir vê-la no dia seguinte, então podia passar conforto a ela.
—Então amanhã vou suprir sua carência e suas necessidades. Vou ficar a semana todinha com você. — Disse empolgado.
Ela abriu bem os olhos surpresa. —O QUÊ?! — Ofegou.
—Me pega amanhã no aeroporto porque devo estar chegando umas onze da manhã. — Disse triunfante.
—Mas como? Você não disse que não ia ter recesso? — Questionou desacreditada.
—Disse, mas Ryan acha que está em divida comigo e conseguiu com o pai dele que eu fosse dispensado. — Sorri.
—Que bom! Amanhã estarei lá. Você alegrou o meu dia. Eu estava deprimida. — Sorriu sincera.
—Eu entendo você. Mas é por isso que estamos juntos... Quando um estiver mais fraco e desistindo, o outro está em pé para ajudar a levantar. Eu não vejo a hora de te encontrar. Estou esperando ansiosamente por isso.
—Ótimo. Também não vejo a hora de te encontrar. Você vai dançar a valsa comigo, né?
—Que roupa tem que usar?
—Eu já aluguei o smoking, falta só o ajuste final.
—E se eu não fosse? Com quem você iria dançar?
—Com Ryan, ou com Mike, OW MIKE! — Sorriu com o humor recuperado.
—Nossa, Bella, como você me substitui rápido! Eu nem tinha dito que não ia e você já estava arrumando substituto! — Fingi indignação.
—Você é a primeira opção, mas... A fila é longa. — Sorriu descaradamente.
—Tudo bem, então devo correr e garantir meu primeiro lugar na fila, né? — Devolvi o sorriso.
Ela parou e lançou um olhar cheio de sentimentos.
—Todos os lugares na fila são seus e estão garantidos para sempre. Não precisa correr... Eu estou te esperando sempre. — Seu semblante se cobriu de alegria e ambos fomos envolvidos da felicidade.
—Então, não tenho mais o que falar, amanhã me espere. Sou muito feliz em ter você e em saber que espera por mim.
—Tudo bem, estarei lá. Beijos e cinco segundos.
Desliguei e direcionei-me ao armário para organizar minhas bagagens. Decidi levar um romance para ler no avião, afinal, o homem ocupado intelectualmente com o poder americano, eu deixaria aqui. Tornar-me-ia dissoluto e despreocupado por uma semana. O cumprimento do deve poderia esperar. Incorria nessa justiça a minha parte pensante, o cérebro: devia descansar, desacelerar e curtir.
Narrado por Bella
Acordei extasiada de alegria que há algum tempo não sentia. Em poucas horas iria vê-lo. Eu não sou uma pessoa de mal com a vida. Em todo tempo tento manter meu bom humor. Mas hoje minha alegria seria completa, quando estivéssemos juntos outra vez. Aprontei-me ansiosa para buscá-lo no aeroporto, vesti uma bermuda creme, uma blusa justa preta e uma sandália de saltinho.
Tentei não chegar muito cedo ao aeroporto para dosar a ansiedade, e enquanto o esperava, uma luta travou em meu cérebro. Iria correr ao seu encontro e abraçar meu namorado que não via há meses, ou ficar parada esperando-o vir a mim? O lado sensato mandava ficar quieta para não constrangê-lo. Quando vi o anúncio no painel de que o avião dele pousara, caminhei lentamente até o desembarque tentando controlar a impaciência e emoção. Várias pessoas foram saindo, empurrando os seus carrinhos. De repente, ele apareceu, andando tranquilo. Ele olhou em minha direção e deu um sorriso largo, contente. Fiquei parada, sem ação, maravilhada. A alegria de encontrá-lo era inexplicável. Ele estava lindo, de bermuda branca, tênis branco, camiseta vermelha, óculos de sol, boné e uma bolsa de lado. Enfim, meu namorado desprovido de resquícios da capital estava de volta. Eu ofeguei nervosa, com o coração acelerado.
Saí do lugar e caminhei lentamente ao seu encontro, mas ele, em oposição, veio rápido. Preparei-me para um encontro calmo, um abraço leve, mas ele abraçou-me com força, cobrindo-me toda com os seus braços e me ergueu do chão.
Segurou meu queixo com um sorriso triunfante e beijou levemente meus lábios, cheio de ternura.
—Bella. —Abraçou-me novamente, forte. Meus olhos encheram de lágrimas felizes e segurei-as. Não me importei com as pessoas que passavam próximas e nem em atrapalhar o caminho. Eu só queria estar coberta pelos seus braços e pelo seu amor. Oh, Deus, quantas outras vezes ainda iria buscá-lo? Seria sempre assim?
Depois de minutos abraçados, ele finalmente falou. —Enfim, menos seis meses... Nem acredito que superamos. — Afagou o meu rosto com as mãos e beijou ansiosamente todos os cantos, bochecha, nariz, pálpebras. Parou olhando-me com olhos brilhosos, ensaiando algo para falar. —Você é o sol da minha vida... É impossível ter uma vida sem você. —Disse solenemente.
—Você é meu tudo. — Sussurrei emocionada.
Não tinha mais palavras para ser ditas. Ele novamente me fechou no abraço e abriu os lábios nos meus.
—Que saudade disso. — Sugou suavemente meu lábio superior, sorriu e afastou-se. —Vamos? — Segurou minha cintura e começou a caminhar.
—Para onde?
—Almoçar, depois vamos a Forks. — Informou enquanto andávamos pelo estacionamento.
—Se vamos para Forks tenho que avisar o meu pai. — Peguei meu celular e disquei.
Antes que eu discasse, ele pegou o telefone da minha mão, sorriu e eu parei surpresa.
—Olá, Sr. Cullen. Não é Bella. Edward, tudo bem?... Estou bem. Acabei de chegar... Então, estou ligando para pedir que Bella vá a Forks comigo e durma em minha casa, ela pode?... Sim, mas eu quero ver minha mãe e dar uma passada em casa... Amanhã ... Obrigado. Até mais. — Ele devolveu o celular e riu triunfante.
—Por que quis falar com ele? — Perguntei surpresa.
—Porque sou um namorado sério. E você não é uma filha sem pai. O certo é pedir, não avisar. — Passou um sermão bem humorado.
—Eu achei lindo! —Sorri. — Fiquei me sentindo uma menina de família com um namorado super responsável. — Pendurei em seu pescoço. —Almoça em minha casa. Eu tenho que pegar umas coisas antes de ir para sua casa.
—Hum... Vamos almoçar em um restaurante... Quero um momento só nosso. Depois passamos lá. — Condicionou, enquanto alisava minha bochecha.
—Eu não posso ficar em Forks o resto da semana. Alice está precisando de mim com a festa e eu não quero deixá-la completamente só a semana toda.
—Tudo bem. Amanhã voltamos e eu me hospedo em um hotelzinho por aqui. —Disse naturalmente.
Olhei-o indignada por sua resposta, mas não deixei minha tensão estragar o momento.
—Por que vai ficar em um hotel se tem a minha casa para ficar? — Inquiri séria. Ele ficou calado, pensativo. Chegamos ao meu carro, ele colocou a bolsa dele dentro e me ergueu, colocando-me no capô. Ele me olhou alguns segundos, depois começou a beijar meu pescoço de um jeito muito persuasivo.
—Não briga. Mas é porque não quero incomodar... Quero ficar à vontade e deixar sua família à vontade também. Por favor, entenda. Sou só seu namorado. Não devo ficar vários dias em sua casa assim. — Suplicou e continuou beijando.
Fechei os olhos para curtir seus lábios e defendi meu ponto.
—Eu vou te dar várias razões para você ficar na minha casa. Primeiro, você é meu namorado e chegou de viagem depois de seis meses longe de mim. Segundo, é filho da namorada do meu pai. Olha que coisa, você pode ser enteado dele! — Sorri e ele também. —Terceiro, você é cunhado do meu irmão, porque meu irmão NAMORA a sua irmã. Quarto, eu quero você no meu quarto. Quinto, quero dormir com você todos os dias. Sexto, meu pai não vai deixar eu dormir com você na rua, se tem a minha casa. Sétimo, é uma afronta ao meu pai fazer isso, dormir fora. Oitavo, se você quer ficar à vontade, eu deixo você dormir no meu quarto sozinho, mas você tem que dormir lá. Por favor.
—Meu Deus, como você argumenta! — Brincou, apertou-me a ele e cobriu meus lábios, enfiando sua língua cálida em minha boca. Finalmente era um beijo de verdade, faminto, dos que tiram o fôlego. Eu tomei tudo, suguei ávida. Ele estava cheio de saudade e ousadia, enquanto passava a mão na nuca e abraçava-me com toda força possível. Ofeguei, e ele afastou-se. —Não quero brigar por isso, Bella. —Voltou a dizer. — Eu vou passar todos os dias com você, independente de onde eu fique. Então vamos a Forks e o restante dos dias decidimos depois. — Desceu-me do carro e levou-me até a porta do passageiro, abrindo para mim. Depois direcionou para a porta do motorista. Eu sorri.
—Que foi? — Perguntou sem entender.
—Você dirigindo pra mim... Adoro. — Comentei feliz.
—Ah, você ia pedir mesmo. — Deu de ombros. —Então me adiantei.
Entramos no restaurante e nos acomodamos em um canto. Ele me olhava intensamente, contemplava-me como se eu fosse uma recompensa, quando na verdade ele era minha dádiva da vida.
Depois de alguns minutos calado, só fitando os meus olhos, ele tirou uma caixinha do bolso e me entregou, hesitante.
—O que é isso? — Peguei a caixinha e abri.
Tinha uma corrente de ouro e um pingente com dois pingüins. Analisei detalhadamente cada um deles. Eram perfeitinhos, estavam de mãos dadas e tinham as iniciais dos nossos nomes atrás de cada um. Ergui o olhar, curiosa, lembrando que seus presentes não eram simples presentes... Eram palavras que ele queria dizer.
—Obrigada. São lindos. — Fechei a caixinha. —O que significam?
Ele sorriu parecendo aliviado. Sempre ele ficava apreensivo quando ia me dar algo. —Bom, tem dois significados. O número um, é que vou te pagar por investir sua vida em mim te enchendo de ouro, lembra? Foi você quem pediu. — Ele lembrou divertido.
—Mas você está gastando... — Censurei preocupada com ele gastando seu dinheiro comigo, quando eu não precisava.
Ele me olhou reprovador.
—Por favor, não estrague o momento. — Suplicou, depois sorriu, pegou a minha mão e com a outra tirou do meu rosto uma mecha do meu cabelo. —Você é o meu alvo fim. Se eu não puder gastar o que eu ganho com você, qual vai ser meu objetivo? — Beijou minha mão.
A garçonete lhe entregou o menu. —O que quer? — Ele me deu a opção.
—Bom, eu gosto do bife a parmegiana e das batatas assadas daqui. — Ele assentiu, chamou a garçonete, e ela anotou.
—E os pingüins? —Perguntei quando ficamos sós novamente. — O que significam? — Ele beijou meus dedos vagarosamente. Parecia ensaiar o que falar.
—Você já pesquisou sobre a vida dos pingüins? — Questionou. Eu balancei a cabeça em negativa. —Eles são monogâmicos por toda a vida. São bons pais, bons companheiros. São o símbolo da fidelidade. — Explicou com lentidão. —E... Eu quero te dizer que eu sou o seu pingüim. — Sorriu, acanhado. —Você não precisa ter insegurança quanto a mim... Eu tenho certeza que você é a mulher da minha vida e sou fiel a você. Acredite em mim. — Concluiu com um brilho intenso nos olhos.
Eu suspirei aliviada e apaixonada. Difícil não suspirar quando algo soava tão sincero e derrubava todas as dúvidas.
—Obrigada. Você sempre me surpreende com seus gestos significativos. Mas eu já tinha decidido confiar em você. Eu acredito em você. — Disse sinceramente.
Chegamos em casa, deixei ele na sala com Emmett e com Alice e subi para arrumar umas roupas. Como ele disse que iríamos à praia, então devia levar biquíni, toalhas, xampu, creme pós- sol, bronzeador, protetor solar, esse sim era muito importante, roupas, chinela e escova de dente. Mas e se ele resolvesse sair hoje à noite? Mais roupas...
Desci levando comigo minha mala.
—Vai para onde, Bella? — Emmett perguntou.
—Para Forks.
Edward levantou-se para pegar a mala. —Vai passar a semana lá? — Sussurrou em meu ouvido e sorriu.
—Sorte que meu travesseiro vai ser você, se não eu iria levar travesseiro e edredom. — Sorri e rodeei meus braços em seu pescoço, o encostando no sofá.
—Bella, você vai voltar que dia? Eu tenho que ir fazer outro teste de maquiagem. — Alice perguntou manhosa.
Eu queria tanto fugir dessa obrigação.
—Alice, pede para Jéssica ir com você. Edward só vem me ver poucas vezes no ano, então me deixa livre dessa, vai?
—Tudo bem, o problema é que você opina a verdade. Tudo pra Jéssica está bom. Ela não é confiável.
Durante a viagem até a casa dele, conversamos em quase todo o trajeto. Ele falou detalhes de sua rotina e sobre algumas decepções que teve, mas disse que continuava empolgado e acreditando no país. Edward era um idealista. Também falei sobre a minha vida, dos meus planos, de como estava gostando da empresa do meu pai, dos meus novos amigos. Enfim, nem vimos passar as duas horas de viagem.
Antes de irmos para casa dele, passamos no escritório da empresa de Forks para ele ver a mãe dele.
—Oi, Esme. — Beijei o rosto dela, e ele abraçou-a, sem soltar a minha mão.
—Como vai, mãe? —Perguntou carinhoso.
—Estou bem. Você está com a cara tão boa! — Ela pegou na bochecha dele.
—Estou com as duas mulheres da minha vida, tem como não estar bem? — Beijou minha mão novamente. —Só vim dar um oi. Vou dar uma volta com Bella, depois vou para casa.
Avisou e saímos.
—Pra onde nós vamos? — Perguntei assim que saímos da sala dela.
—Hoje você vai conhecer a minha cidade. — Impôs e abriu a porta pra mim.
—Edward, não precisa ficar abrindo a porta pra mim. — Reclamei. Só quem fazia isso era o motorista do papai.
Ele sorriu e pôs o meu cinto em mim. —Quero ser cavalheiro, mas estou vendo que mulher não gosta disso. —Entrou e deu partida.
—Eu gosto, mas é estranho. Não estou acostumada. Mas se você gostar, eu não ligo, só não quero que vire obrigação.
Ele ficou rodando em umas quadras, depois encostou o carro perto de uma escola e desceu, vindo a seguir em direção a porta do passageiro.
—Vou deixar o carro aqui e nós vamos andar a pé um pouco. — Segurou minha mão.
Eu continuei sentada, sem a mínima vontade de levantar. —Edward, você não está cansado da viagem, não? — Fiz beicinho, e cruzei os braços, relutando em ter que caminhar.
—Nem vem, sua sedentária. Hoje você vai conhecer minha cidade. — Levantou-me forçada do banco do carro e me puxou pela cintura, andando em seguida pela rua.
—Ai, eu tô de saltinho. Vai doer o meu pé. — Reclamei.
—Então voltamos no carro e você calça uma chinela, mas hoje você não escapa. — Descontraiu.
Voltamos e eu calcei a chinela. Depois de estar mais confortável, conheci a escola que ele estudou. Ele contou histórias de sua infância, falou de seus professores e de um amor platônico por uma professora do quarto ano. Depois me levou para um campo aberto ao lado da escola.
—Eu adorava beisebol. Até os nove anos sonhava em ser jogador profissional. Eu era muito bom. Mas depois que fui contemplado com a visita a capital, eu desisti do beisebol e só enxergava a política. — Disse com o olhar distante, enquanto caminhávamos pela grama verde do campo.
—Então você já jogou? Já gostou de esporte? — Comentei admirada.
—Sim. Mas eu vi que se eu quisesse o esporte, ia acabar não indo tão bem nas notas escolares. Eu tinha que conciliar bem o meu tempo desde aquela época, pois cuidava dos meus irmãos em casa, estudava e ainda tinha que me dedicar ao esporte, caso eu quisesse ser o melhor naquilo. Então, deixei um pra trás, e foi o beisebol. — Explicou resignado.
Voltamos para o carro, andamos mais umas ruas, e eu fiquei satisfeita em conhecer mais uma parte de sua história. A cidade realmente era linda, aconchegante.
—Eu costumava trazer meus irmãos aqui para brincar e ficava sentado naquele parque ali. — Disse e estacionou em um parque próximo a sua casa. —Eu lia ali enquanto eles brincavam. — Apontou para um banco. Logo a frente tinha várias crianças brincando na areia e brinquedos. —Acredita que eu ficava lendo livros de História por hobby?! — Sorriu e sentou-se, me colocando ao seu lado.
—Nossa, Edward, você é obsessivo desde criança! — Descontraí e coloquei minhas pernas em cima das pernas dele.
Ele acariciou meu rosto, passando o polegar em meus lábios. Sorri e beijei seu dedo, satisfeita com o nosso momento tão único de carinho. Ele fitou-me, e eu tinha certeza que ele ia dizer algo importante, já o conhecia. Sorri em antecipação.
—Depois que te conheci, vinha a esta pracinha e pensava em você... Lembrava do dia que te conheci no seu aniversário... Esse verde, as árvores, banquinhos, lembravam aquele jardim... Não imaginei que um dia você estaria aqui comigo. — Disse cheios de sentimentos, me puxou para o seu colo e beijou meu rosto. Eu encostei meu rosto em seu ombro e pressionei meus lábios em seu pescoço. Estava coberta de felicidade em vê-lo abrindo sua vida e seu passado. Ele parecia feliz e à vontade como eu nunca vi. —Sabe, Bella, eu amo este lugar. Forks pra mim é o lugar onde eu me sinto eu. Aqui tudo corre lentamente, sem o barulho e a correria da cidade grande. Aqui todo mundo conhece todo mundo, o ar é completamente puro, o clima é confiável, você sabe que sempre vai chover e pronto. Até a chuva é um acalento para a alma. Sabe que eu amo o friozinho daqui? As pessoas ficam mais juntas em lugares frios. — Declarou aberto como um livro. Conhecer a sua essência me enchia de alegria.
—Eu também acho Forks linda. Esse cheiro de verde, esse ar puro, clima de interior. Eu gosto daqui. Talvez seja um bom lugar para criar filhos. — Disse sonhadora, imaginando filhos parecidos com Jasper e com Edward. Lindos.
—Por isso eu quis vir logo aqui em Forks, para fugir das miragens urbanas. Quando volto aqui, volto ao interior, ao meu interior. Às vezes, na capital, sinto que não sou eu, pareço uma máquina humana, determinada a mostrar eficácia sempre, sem chances de erros, levando a vida com muita tensão. E aqui, principalmente com você, eu me sinto feliz, relaxado, meu coração, alma e espírito repousam e encontram a felicidade.
—Nossa, Edward! Que lindo! Você está muito transparente. Realmente a cidade meche com você. — Abracei-o, encostando a sua cabeça em meu ombro. —Adorei conhecer você mais um pouquinho, sua história, sua raiz e coisas importantes para você.
Ele levantou comigo em seu colo e me levou até o carro. —Você está pesadinha, hein! — Sorriu brincalhão e me colocou sentada no banco do carro.
—Sério?! —Perguntei preocupada. — Você acha que eu engordei?
—Não, estou brincando. Está muito boa para mim. — Sorriu malicioso, ligou o carro e saímos do parque.
Puxa, ele nunca tinha falado assim: boa. Ri presunçosa.
Seguimos para sua casa, ele estacionou o carro, desceu e parou boquiaberto frente ao carro que tinha na garagem. Era a Lincoln Navigator que meu pai deu para Esme. Eu segurei o sorriso. O carro era mesmo extravagante para pessoas simples como eles. Li vários questionamentos em seu rosto: o que os vizinhos iriam pensar? Tinha traficante lá ou o filho já virou corrupto?
Sorri de seu silêncio e expressão.
—Gostou? — Questionei divertida.
—É um pouco exagerada, não? — Comentou e inclinou para olhar as rodas.
—Ela merece. Meu pai gosta de expressar sentimentos com presentes. Ela devia usar. Isso o agradaria. Eu fico tão feliz quando vejo você com meus presentes. — Comentei sugestiva.
—É... Pode ser que ele goste. — Comentou reflexivo.
Entramos, e Edward deu um abração na irmã e outro no irmão. O garoto, como sempre, reclamou, reclamou, mas era nítido que gostou.
Levamos as nossas bolsas para o quarto e ele foi tomar banho, deixando-me na sala com seus irmãos. Mais tarde, também tomei banho e vesti um conjunto de shortinho e blusinha para dormir. Era verão em Forks, e o tempo não estava tão frio como o de costume, logo eu podia ficar mais a vontade.
Pedimos pizza, depois de comer nos encolhemos em sua cama para ouvir música.
—Edward, vocês querem dormir no quarto da Rosalie? — Esme chegou e nos perguntou da porta.
Ela devia imaginar que um casal de namorados que não se viam há meses devia querer privacidade para dormir.
—Não, mãe. Eu quero dormir na minha cama mesmo. É meu canto, e eu senti falta daqui. — Apontou para o quarto. Edward era apegado a coisas simples da vida. Eu torcia que ele não perdesse o coração quando estivesse envolvido no poder americano.
Esme entrou e sentou próxima a cama, em uma cadeira. Eu estava deitada com a cabeça no peito do Edward.
—Então, como foi a viagem? Nem pudemos conversar no escritório.
—Foi boa. — Sorriu carinhoso. —Ah, mãe, gostei do carro. — Comentou empolgado.
Esme ficou sem jeito.
—Eu nunca andei nela. — Confessou sem graça e olhou para mim.
—Talvez o Sr. Cullen se ofenda com isso. —Edward disse. — Certamente ele gostaria que usasse o presente. — Sugeriu e me abraçou mais forte. Eu sorri. Meu anjinho estava mudando. Convencer a mãe a aceitar um presente caro assim era uma evolução.
—Tudo bem. Vou usá-la este fim de semana para ir à festa da Alice. — Concordou Após uns segundos.
—Mãe, outra coisa... Acho que está na hora de você dizer para ele que sempre foi apaixonada por ele. Conte tudo. —Aconselhou. Esme encarou-o com olhar desaprovador. Ele adiantou-se. —Bella sabe sobre seus sentimentos, mãe, não se preocupe. E está na hora dele saber. Não há o que esperar, se vocês estão bem. — Incitou com olhar enigmático, e eles continuavam se olhando de uma maneira estranha.
—Vou ao banheiro. — Percebi que os dois precisavam de privacidade e saí.
Quando voltei minutos depois, ela estava com o semblante mais aliviado. Deitei novamente, ela nos olhou uns minutos calada, depois saiu sorrindo.
—Por que ela ficou tensa? — Perguntei curiosa.
—Porque é difícil para ela se abrir para ele. — Explicou calmamente.
—Por que a sua mudança? Por que está falando para ela confessar o amor dela pelo meu pai? — Questionei curiosa.
—Estou mais sensível ao amor. Pode ser que seu pai goste dela, então não tem porque ter segredos. — Alisou os meus cabelos.
Algum tempo depois, ouvimos o barulho do Jipe do Emmett.
—Seu irmão chegou. Vou à sala. Quer ir? — Levantou e segurou minha mão. Eu não fiz nenhuma menção de que ia levantar. —Pare com esse vício de ócio! Levante, vai! — Segurava minha mão insistente, divertindo-se.
Acompanhei-o, Emmett estava sentado no sofá e levantou para falar com a gente. —Oi. Já vão dormir? — Olhou para o meu conjunto de dormir.
—Daqui a pouco. — Edward respondeu e sentou-se no sofá para conversar com Emmett.
Sentei entre os dois. Era interessante o fato de Edward falar mais em casa. Ele aqui era outra pessoa. Todo dia aprendia mais sobre essa pessoa enigmática e ao mesmo tempo sensível por quem me apaixonei.
Rosalie observava Emmett calada enquanto ele conversava com Edward sobre futebol americano. Ela parecia fascinada, embora disfarçasse. Descobri que Edward não gostava dos Bulls, que pena. Ele gostava do New York.
—Então, boa noite. — Edward levantou depois de meia hora de conversa.
Abracei Emmett e cochichei no ouvido dele. —Está tão sério, irmão. — Sorri.
Ele devolveu o abraço e disfarçadamente cochichou no meu. —É hoje? — Interrompeu sugestivamente e eu dei um beliscão nele segurando o riso. Ele gracejava sobre minha vida sexual com Edward. Ficava admirado quando eu respondia que não. Lógico que eu não falava os detalhes desse não. —Ele vai casar virgem também? É de família? — Zombou. Eu queria rir, mas Edward e Rosalie estavam muito próximos e iriam perceber.
—Até amanhã, Emmett! — Saí e segui com Edward para o quarto.
—Ai, Meu Deus! Vou ter que dormir com a minha mãe! —Jasper dramatizou. — Na sala tem o sofá do amor e um casal de pombinhos, no quarto vou perder a inocência com um casal de pervertidos. Quê que eu vou fazer? — Resmungou enquanto mexia no seu computador no corredor.
—Pode dormir no quarto, Jasper. Não precisa dormir no quarto da minha mãe. —Edward disse.
—E como você vai tirar a seca? — Perguntou sério sem tirar os olhos do pc. Edward o ignorou e direcionou ao quarto. —Nem acredito que estou aqui... Estava morrendo de saudade de você. — Sussurrou e senti seu beijo em meu cabelo.
—Não vai me beijar na boca hoje mais, não? — Perguntei baixo e depositei beijinhos em seu peito. Ele me deitou na cama e ficou de lado, com a perna em cima de mim.
—Eu beijo, mas não me tente muito. Estou com muita saudade, e aqui não é um local apropriado para matar a saudade. — Disse com um sorriso matreiro e me deu selinhos doces, com a mão no meu queixo. Mas eu não me importei em estar na casa dele, nem de estar com a porta aberta, envolvi seu pescoço com os braços e o prendi à minha boca faminta. Ele não negou, pelo contrário, apertou minha cintura e me colou dele, aprofundou o beijo e inseriu sua língua em minha boca, buscando a minha. Eu precisava dele, sentia o peso da saudade e meu corpo gritava insistentemente por mais contato. Ele apoiou-se no joelho e se posicionou em cima de mim, sem soltar-me de seus lábios. Eu enlacei minhas pernas nele e apertei seu quadril, moldando-nos completamente um ao outro. Meu corpo fervia como resultado do longo tempo que não nos tocávamos. Meu ar não era suficiente nos pulmões e eu ofeguei. Ele não freou, mas mudou a boca para meu pescoço, famintamente. Apertei suas costas, buscando mais fricção. Ele gemeu baixinho em meu pescoço e subiu os lábios para minha orelha, no mesmo instante que sua mão invadiu minha blusa.
A porta fechou-se bruscamente, ele desceu com a boca para meu colo e abriu dois botões da minha blusa lentamente, olhando-me enquanto eu ofegava, ansiosa.
—Eu senti sua falta. — Disse e passou a língua no vão dos meus seios. Ofeguei, quando ele mordiscou a pele. Ele não se importou mais em onde estávamos, afastou a blusa e passeou os dedos por toda a extensão dos meus seios, prestando culto, dominado de desejo, no mesmo instante em que beijava suavemente o vão. —Você não sabe quanta saudade eu estava de sentir isso... Eu preciso tanto de você. — Sussurrou e passou a língua levemente na pele sensível do bico, me fazendo erguer e suspirar.
Meu corpo ardia e pedia insistentemente que ele sugasse, apertasse. Mas ele parecia lutar contra si para refrear. Somente beijava e passava a língua leve, sem aprofundar.
—Por favor... — Supliquei ofegante.
Ele sorriu e fechou os botões. —Eu também quero... Mas aqui não dá... — Murmurou e voltou a beijar meu rosto.
Impaciente, trouxe-o para os meus lábios e o beijei, apertando-o contra mim desesperada, sentindo sua dura excitação, dominando-o com sua paixão por mim. Minhas mãos moviam-se impaciente em seu cabelo e nuca. Ele soltava pequenos gemidos em minha boca, completamente descontrolado. Então colocou as mãos dentro do meu short e apertou meu quadril a ele, movendo-me, puxando o ar e delirando de desejo. Vários minutos se passaram e, repentinamente, ele freou, controlando-se, beijando o meu rosto com os olhos escuros, com os lábios molhados e inchados. Eu protestei querendo mais, porém ele somente abraçou-me.
—Melhor pararmos... Ou dormirmos fora. Está impossível pra mim... — Ofegou.
Ele ficou respirando no meu ouvido, mordiscando minha orelha e eu não parei de passar as mãos insistentemente em seu abdômen, em sua barriga e dentro do cós da bermuda, o que fazia ele dar pequenas arqueadas no corpo. Os meus sentidos foram acalmando-se lentamente, e eu o abracei.
—Vai tomar banho, vai. — Descontraí.
Ele deitou de lado e sorriu zombeteiro. —E você? Não precisa, não? — Questionou divertido e continuou passando a mão e apertando a nádega, por baixo do short curto.
—Eu acho que não. Por que sorriu assim? — Quis saber.
Ele sorriu maior e relaxou o corpo ao meu lado, com um sorriso desavergonhado no rosto.
—Fala. — Insisti.
Ele ria consigo, relutante em falar, mas depois se rendeu. —Tudo bem, é uma loucura que ando fazendo. Sabia que até o ano passado tudo que eu fazia com você era por instinto? Eu não sabia como você funcionava. Sabia o trivial, o que ouvia garotos comentarem ou o que o nosso próprio corpo descobria. — Sorriu e hesitou. —Mas ultimamente tenho lido sobre funcionamento real do corpo de mulher. Fico tentando saber como ser melhor para você, para sua primeira vez...
—A nossa né. — Interrompi.
—É. Então eu li uma reportagens dessas revistas teen. Sinto-me um maníaco fazendo isso. — Falou como se estivesse confessando um crime. —Mas eu só faço isso porque quero que tudo seja perfeito pra você. Assim como você foi lá perguntar para sua irmã sobre uma necessidade minha, eu também quero aprender sobre você.
—Então fala o que você aprendeu. — Incitei curiosa.
—Não. Falar não. Na verdade, sempre estivemos no caminho certo, só que agora eu tenho certeza, não preciso ter receios, entende? — Ele não ia falar abertamente, eu tinha que me contentar. Quem ouvia de fora imaginava que estávamos conversando sobre religião ao invés de sexo. —Agora vamos tentar dormir um pouco. — Concluiu e me aconchegou ao peito dele.
—Você não vai ao banheiro, não? — Olhei para ele dissimulada.
—Eu não. Estava com saudade até dessa dorzinha. Vou curtir. Só vou sentir de novo daqui a seis meses. — Deu de ombros sorridente.
Encantada, voltei a beijá-lo suavemente, sem intenção de deixá-lo dormir. Ele me tirou de cima dele e me colocou ao seu lado, levantou minha perna sobre o seu quadril e acomodou-se em mim. Ele segurou-me de uma maneira possante, com a mão em minha coxa e beijou-me levemente, com um sorriso travesso no rosto, um misto de prazer e diversão. Era boa a fricção, e eu queria mais.
Ele enfiou a mão na minha blusa e apertou meu seio, soltando um gemido baixo em minha boca. Com a outra mão apertou meu quadril nele de uma maneira urgente e delirante, sem tirar a boca da minha. Gemi deliciada, devolvendo beijos de lábios, mordidinhas provocantes. Eu ansiava em aprofundar, mas ele comandava, lambendo e mordiscando os meus lábios.
—Ai... Bella... Está tão difícil... — Murmurou indefeso em minha boca.
—Hum... Continua... Também é bom pra mim.
—Mas eu preciso...
—Então continue...
—E você?
Ele suspirou, rolou para cima de mim novamente e intensificou o beijo. Apertei-o com as pernas e braços. Nossos corpos estavam num turbilhão. Mesmo protegidos pelas roupas, sofríamos com o magnetismo e ansiedade de nos unirmos um ao outro, de aliviarmos a saudade. Ele pôs a mão entre nós, ergueu minimamente o corpo, entrou no meu short e escorregou os dedos em minha intimidade, arfando quando tocou na umidade. —Céus, Bella, estamos brincando com fogo...— Sussurrou e moveu os dedos para cima e para baixo, espalhando. — Está quente.
—Hmmm, continua, por favor. — Ofeguei e arquejei enquanto ele dedilhava em um ponto que a cada movida me fazia contorcer e estremecer. Eu estava dominada pela adrenalina, pela paixão, pela saudade, pelo desejo e, mesmo que tentasse, não conseguia deter meus pequenos gemidos de prazer. Ele beijava minha boca tentando me conter, mas eu estava sem raciocínio lógico e não me reprimia, meneando entregue ao encontro de sua mão.
—Você não ajuda... — Murmurou em minha boca, e eu me tremi com sua mão me persuadindo, um tremor crescendo em minhas pernas. —Eu perco a razão com você. — Ele lambeu minha boca, e eu perdi o ar quando um rápido clímax explodia em meu ventre, distribuindo choques prazerosos por todo o meu corpo. Ofeguei compulsivamente, tremi e me entreguei completamente ao prazer, com sua boca tampando a minha em um beijo molhado. Uau, tão rápido e fácil.
Nos segundo seguintes o vi enlouquecido, com sua língua deslizando em meus lábios impacientemente, sua razão e receios sendo suprimidos pelo desejo. Ele se ajustou em mim, levantou minha perna para seu quadril, enfiou uma mão em minha blusa e fechou os olhos, me comprimindo com seu corpo, no mesmo instante que apertava minha coxa. Seus lábios estavam semi-abertos, molhados, e eu os lambia sensualmente. Ele puxava o ar trêmulo e gemia baixinho. Movimentou lento e rude, me olhou desfocado, deu-me um último aperto forte, parou de respirar por alguns segundos e ofegou em seguida, mordendo o meu queixo, enquanto o seu ar voltava aceleradamente.
Ele descansou metade do corpo sobre mim e metade na cama, ficou ali por alguns minutos, seu coração ainda batia rápido, e ele recuperava-se lentamente daquilo. Alisei seu cabelo um longo tempo e sua respiração se tornou estável e preguiçosa.
—O que aconteceu? — Perguntei baixo.
—Ai, Bella, quer mesmo saber? — Parecia não ter a mínima vontade de falar.
—Eu quero... Você consegue mesmo de roupas?
Ele ficou calado, pensativo, com o rosto coberto por meus cabelos.
—Ok... Então vamos lá... Se eu te acomodar a mim e te mover; se me concentrar, eu consigo. Aliás, do jeito que sentia sua falta, nem precisava me concentrar muito. Na verdade eu estava lutando desde o início para não chegar a isso, mas como você permitiu e não ia ser um ato egoísta, pois você também sentiu antes, eu me deixei levar. — Explicou com voz baixa.
—Adorei saber disso! — Disse entusiasmada.
—Você é muito engraçada, Bella. —Riu preguiçoso. — Mas fala você pra mim, o que sentiu hoje? — Colocou as mãos dentro da minha blusa e começou a alisar a minha barriga. Ele estava meio mole, parecia querer dormir.
—Não sei explicar. É bom e me acalma. — Disse simplesmente.
—Também me acalma.
—Estou vendo. — Gracejei.
—Eu tenho que ir para o banho, mas antes me deixa concluir minha pesquisa? — Perguntou e colocou a mão sobre a pele abaixo da lateral da minha calcinha, em dúvida.
—Tudo bem. O que quer?
—Posso estudar algo? — Olhou-me com um riso maroto e invadiu a calcinha. Arregalei os olhos surpresa com sua naturalidade. Uma coisa era acariciar na hora do clima, outra era pegar simplesmente assim. Olhando em meu rosto, ele ousou e desceu para entrada. Eu prendi o ar em expectativa, sentindo um comichãozinho com o contato.
—Ai, Bella... É tão...hmmm... — Ele deu um gemido em minha orelha e, penetrou devagar o dedo, me fazendo arquear um pouco. Era interessante tê-lo, de alguma maneira, dentro de mim. Rolei os olhos na órbita de prazer. Porém, cedo demais, ele tirou a mão e colocou o dedo na boca.
Juntei a sobrancelha assustada. Aquilo foi meio nojento.
—Que foi isso?
—Queria saber que gosto tinha. — Sorriu torto, e eu fiquei pasma com sua estranha atitude. —Acho que você precisa de um banho também. — Sugeriu cínico.
—Por quê? — Eu não entendi seu tom malicioso.
—Oh, senhor, como é difícil explicar tudo... — Murmurou desanimado —Vamos lá, seu corpo ainda está quente - fervendo pra ser mais exato -, você ainda me queria. — Disse presunçoso, prendendo um sorriso. —Então um banho vai nos permitir uma boa noite de sono, se você quiser dormir.
Abri a boca espantada.
—O que você fez com o meu namorado anjinho? — Acusei sorrindo.
—Bom, ele estava aqui agora a pouco, mas você foi me despertar. Ele queria só dormir abraçadinho, mas você não se conformou com isso... — Torceu os lábios em uma careta cínica.
Contente, o abracei forte.
—Prefiro você ao outro. Aliás, tenho o coração grande, gosto dos dois.
—Eu, eu mesmo e Bella, nossa namorada. — Comentou bem humorado. —Vou tomar banho. Estou meio incomodado. — Levantou e olhou sugestivo para a bermuda.
—Tudo bem. — Eu ri extasiada de felicidade. Minutos depois ele voltou, e eu fui. Ao terminar o banho, encontrei Jasper estava de cara fechada em cima do pc.
—Que foi? — Perguntei.
—Todo mundo de casalzinho, só eu que não tenho ninguém. — Resmungou.
—Não tem porque não quer. Alice é a fim de você.
Ele balançou a cabeça duvidando.
—Conversa, Bella! Sua irmã não quer nada.
—Talvez por que ela goste de você e pense que não é correspondida, ou que você tenha outras garotas.
—Eu posso até ter, mas eu ficaria só com ela, se ela me quisesse. — Respondeu convicto.
—Então fale isso pra ela. — Dei um beijo na bochecha dele e caminhei para o quarto.
—Já posso ir dormir? — Perguntou malicioso.
—Pode. — Disse por cima dos ombros, despreocupada.
—Prometem que não vão fazer sexo explícito?
Rolei os olhos. Ele jogou a mão no ar.
—Oxe! Eu tive que fechar a porta! Você não se controla, parece que tá com crise de asma! — Zombou.
Ignorei-o.
—Tá, vamos dormir.
—Vocês podiam dormir no motel quando tivesse com essas securas.
—Jasper, dá um tempo.
Voltei para o quarto e Edward estava deitado completamente relaxado, com o braço cobrindo os olhos, de short curto e sem camisa. Um mimo para os meus olhos que percorreram ambiciosos toda a extensão.
—Acho que você não quer dormir. — Insinuei no ouvido dele, sorri travessa e coloquei minha mão por dentro do short de cadarço, apalpei e apertei-o por fora da boxer.
Ele sorriu desacreditado, trouxe minha mão para o seu peito e fechou os olhos novamente. —Vamos dormir, menina... Eu já estou quase dormindo. — Beijou minha testa, aconchegou-me em seu peito e nos cobriu com o lençol.
—Não vamos dormir não, por favor... Passamos seis meses separados. — Supliquei carente.
—Eu estou cansado. — Murmurou preguiçoso. —Amanhã vamos à praia, vai ser bom, temos alguns dias ainda. Se não dormirmos, vamos passar o dia mortos amanhã. — Ele subiu minha perna. —Pode deixar, vamos ensaiar muito isso esses dias. — Insinuou. Sorri de suas segundas intenções.
—Sabia que eu amo você? — Sussurrei em seu pescoço.
—Eu também.
—Eu também o quê? Você também se ama? — Sorri provocando.
Ele afastou o meu rosto e me beijou solene nos lábios. —Não, Bella, eu te amo muito. Você é a razão da minha vida. — Era a segunda vez que ele dizia que me amava, e eu suspirei contente.
—Então boa noite. — Aconcheguei o meu rosto em seu peito e agradeci aos céus por tê-lo.
—Boa noite.
Não havia como dosar o que eu sentia. A solução era me entregar a esse amor, sem escondê-lo. Porque eu o amava e ele me amava, o que era uma dádiva que Deus me deu. Eu nunca iria deixá-lo. Mesmo que a vida fosse difícil, estávamos vencendo, juntos e felizes.
Continua...
Olá,
Surgiu uma dúvida de uma leitora perguntando se a história era minha. Sim, ela é minha e foi publicada a primeira vez em 2009. Tem uma menina postando adaptada nos Rebeldes com meu consentimento. Mas a fic é minha.
Obrigada por ler e comentem.
