Capítulo - Festa

Quarta-feira, acordei com uma mão passando algo frio no meu pé. Fazia cócegas. Espreguicei descansada pela noite bem dormida. Abri os olhos, Edward passava creme e me olhava com sorriso. Escondi o rosto nas mãos preocupada com o meu estado matinal. Ele sorriu.

—Está linda... Bom dia, doçura. — Beijou meu pé e continuou fazendo massagem.

—Que ataque é esse logo de manhã? — Repreendi baixinho porque Jasper dormia em uma cama no canto.

—Não percebeu que eu gosto dos seus pés? São lindos! Você gosta de massagem?

Tirei a mão do rosto para olhá-lo. Ele exibia um sorriso largo, que me trazia gratidão por amanhecer com ele.

—Adoro qualquer coisa que você faça por mim. — Sorri sincera.

—Puta que pariu! Vamos parar com a frescura ae que eu ainda quero dormir! — Jasper resmungou com a cabeça toda coberta. Ignoramos o garoto e sorrimos baixo.

—Levante que hoje a praia vai ser só nossa. Ela deve estar deserta por ser quarta-feira. — Edward sussurrou, depois levantou para se organizar. Ele pegou uns objetos em um armário e foi preparar o lanche enquanto eu me arrumava e escolhia o que levar para uso na praia. Vesti um biquíni, coloquei uma saída de praia curta e passei protetor.

Como ainda eram oito da manhã quando chegamos à praia, eu iria aproveitar bastante o sol saudável. Estendi uma toalha no chão e deitei de bruços usando meu micro biquíni preto que deixaria uma marquinha perfeita.

—Você passa bronzeador em mim. — Pedi e entreguei nas mãos dele.

—Ai, Bella, vai começar cedo hoje, é? — Resmungou, e eu não entendi ao que ele se referia.

Ele ficou calado, olhando para as minhas costas parecendo relutante, depois sentou e espalhou o bronzeador nas mãos. Eu não entendi o porquê da dúvida inicial. Ele começou a passar do tornozelo, lentamente, o que foi hiper relaxante. Suas mãos me apertaram, ganhando espaço nas minhas pernas e subiram a coxa apalpando cantinho por cantinho. Ele parou no glúteo e passou minutos concentrado ali, num movimento circular, comprimindo firmemente. Eu curti de olhos fechados. Ouvi um sonzinho e olhei em sua direção. Seus lábios estavam molhados e olhos concentrados.

—Que foi, Edward? — Perguntei curiosa.

Ele engoliu saliva e sorriu. —Nada. Quer passar na frente agora? — Questionou malicioso.

—Daqui a pouco. — Respondi e encostei a cabeça no meu braço.

—Vou dar um mergulho e daqui a pouco eu volto. — Saiu, e eu fiquei me bronzeando com o sol que já ficava mais forte.

As nossas lembranças nessa praia não eram tão boas. Todas as outras vezes que viemos, tivemos alguma discussão aqui. Hoje era reconfortante estar bem. Tínhamos a união e a alegria que nos capacitarão para mais alguns meses de luta.

Ouvi sons de pessoas conversando próximo e abri os olhos. Fiquei surpresa ao ver o quileute Jake e mais dois amigos me observando a poucos metros de distância, em dúvida.

—Olá, Jake! — Cumprimentei-o, e ele se aproximou encorajado.

—Hei, Bella! Vi seu carro ali e imaginei que estivesse aqui. As rodas de sua Mercedes são raras. — Sorriu amistoso e sem disfarçar deu uma varrida com os olhos no meu corpo. —Como você está? — Sentou-se ao meu lado. Eu permaneci de bruços, pegando o meu sol.

—Estou bem.

—Cadê suas irmãs, não quiseram vir?

—Não.

—Venham aqui. —Chamou seus amigos. —Essa é minha amiga, Bella.

Eles aproximaram-se, eu cumprimentei-os com um aceno de mão, e eles sentaram próximos. Tive a impressão que eles estavam me secando e não soube o que fazer. Se eu me movesse, a frente do biquíni era muito pior.

—Então, como está o curso, Jake? — Procurei um assunto torcendo que Edward voltasse.

—Está ótimo. No próximo ano vou fazer uma especialização na Virgínia. Estou pensando ainda se vou.

—Que interessante. Talvez fiquemos perto então. Estou pensando em cursar em uma universidade na Capital. Se você for mesmo, entra em contato comigo, vai ser legal conhecer mais pessoas de lá. — Sugeri amistosa.

—Você vai morar onde? — Questionou animado.

—Não sei. Eu não conversei ainda com o meu pai. Mas talvez ele compre um AP para mim.

—E você está pensando em dividir com alguém?

—Não. Acho que não. — Respondi incerta. Até que se Edward quisesse morar comigo, eu não dividiria, eu compartilharia. Mas não irei pressioná-lo por isso.

—Eu vou ter que arrumar um lugar para ficar lá. Caso você vá mesmo, me fale. — Disse sugestivamente. Eu franzi o cenho em dúvida. Será que Jake cogitava a possibilidade de chamá-lo para morar comigo? Só na cabeça dele!

—Você quer ir à festa da minha irmã? —Inventei um assunto. — É sábado. Anota o endereço. — Procurei rodeios constrangida com o modo como seus amigos me olhavam. Jake entendeu errado o convite, porque sem mais e nem menos sorriu e tirou uma mecha de cabelo do meu rosto. Eu retesei e afastei.

—Oi, Jake. — Edward apareceu. Respirei aliviada.

—Oi, Edward. Não sabia que você estava aqui. — Jake o cumprimentou tenso e se afastou um pouco, sem graça.

—Eu não ia deixar minha namorada vir à praia sozinha, né, amor? — Secou-se com a toalha descontraído, depois sentou e colocou a mão fria nas minhas costas, me fazendo arrepiar. Amei sua atitude possessiva, também amei ter sido chamada de namorada e amor. Há um ano Jake presenciou aquela nossa cena em que eu disse que Edward era meu namorado, e ele me chamou de louca. Hoje Edward proferiu as palavras cheio de orgulho.

Encantada por sua atitude, mudei a posição e lhe entreguei o bronzeador para ele passar na parte da frente. Tampei o meu rosto com a toalha e deixei-os conversando. Com ele aqui eu fiquei mais segura e à vontade. Ele espalhou nas mãos e começou dos pés, numa lenta e torturante massagem.

—Então... Bella acabou de me chamar para irmos à festa da irmã dela sábado. Você vai estar lá? — Jake perguntou. Edward espalhou o óleo em minha coxa, acariciando e espalhando até a barriga. Hmmm, estava bom.

—Eu vou. Vamos dançar a valsa, né, Bella? — Olhei para Edward, e ele estava com um sorriso de canto, meio cínico, e continuava passando lentamente a mão em mim.

—Então, até mais, gente. — Jake se despediu com os seus colegas e saíram.

Edward deitou ao meu lado e passou bronzeador no meu seio coberto pelo minúsculo curtininha, depois colo e ombros. Inclinou-se e mordeu minha orelha.

—Delícia. — Seus lábios estavam molhados. Eu abri os olhos surpresa com o elogio. —Bem que você disse que suas roupas íntimas são mais descentes que seus biquínis. Esse é realmente quase insignificante. Eu pensei que eles iam atacar o meu festim, por isso vim correndo. — Sorriu e continuou mordendo minha orelha. Eu fiquei arrepiada.

—Ah, e eu sou sua festa particular? — Sorri de sua possessividade. —Você achou que eles me olhavam com esses interesses? — Provoquei presunçosa.

—Bella, eles não estavam nem piscando. — Condenou com horror.

—Você ficou com ciúmes? — Apertei sua bochecha convencida.

—Eu não. Eles olharam, olharam, e quem usufrui sou eu. — Deu de ombros com superioridade e colocou a perna sobre mim, com a mão tateando o meu abdômen, no mesmo tempo que passeava a língua em meu ouvido.

Tirei a toalha do rosto e olhei seu rosto cínico e desavergonhado. —Ai, Edward, você foi bem machista agora. — Fingi seriedade.

—Se você soubesse como Jake já foi a fim de você, me daria razão. — Deitou relaxando.

—Quando? Me conta vai. Como ele era a fim de mim, se ele sempre soube de nós dois? — Incitei-o.

—Naquela vez que ele veio a praia e te encontrou aqui com Mike, ele me contou. Ai perguntou se ainda tínhamos alguma coisa, e eu disse que não. Foi aí que ele disse que iria entrar na disputa para te pegar. Imagine como eu fiquei... Queria arrancar a cabeça dele, mas tive que fingir indiferença. — Sorriu amargo e beijou meu rosto coberto pela toalha.

—Que lindo, confessando ciúme de novo! — Comentei sorridente.

—Bella, só temos ciúme de algo quando não temos certeza que é nosso. Naquela época eu não tinha. Agora mesmo, eu vi eles te olhando desde que estavam em pé ali atrás. Se eu fosse ciumento, teria vindo na hora te cobrir, mas eu dei um espaço para eles apreciarem o que é meu. Só resolvi vir depressa porque Jake pegou no seu rosto. Afinal, olhar pode, tocar não é permitido. Só eu. — Disse efusivamente, rolou-me para cima dele e me beijou, com as duas mãos no meu quadril possessivamente.

Eu abri a boca para o beijo, encaixando-me em sua boca. Era uma experiência nova beijar ao sol, deitada na areia, com o barulho de ondas atrás, o calor do nosso corpo aquecido, o molhado dos nossos lábios. Eu não precisava mais de nada. Ali tinha tudo.

Minutos depois, ele me deitou de novo, ofegante e excitado. Sua barriga encheu de bronzeador e ele sorriu, com olhos cálidos.

—Estou vivendo os melhores dias da minha vida. — Declarou e cobriu o rosto com a toalha. —Você vai demorar muito se bronzeando? Eu queria que desse um mergulho comigo.

—Eu pensei que você não gostasse de mar. — Comentei lembrando que naquele dia ele passou o dia embaixo do meu guarda sol.

—Eu não entrei porque estava de mau humor. Aquele dia eu queria tanto você... Queria te esconder de Jake, que não sabia se eu era a fim de você ou não, e ficava te secando, falando detalhes do seu corpo que eu fiquei possesso em ouvir.

—E você? Naquele dia deu pelo menos uma espiadinha no meu corpo? — Sorri de canto, e peguei um cereal e suco na bolsa.

Espiadinha, é? —Riu desavergonhado. —Eu sou homem, Bella. Sempre olhei. E foi engraçado quando descobri que você também gostava do meu corpo.— Sorriu descarado. —Quando eu vi você me explorando norte e sul, eu congelei. — Ele gargalhou convencido. —Imagine, geralmente é o físico de caras como Jake que chamam a atenção de garotas. Não como o meu. E você estava ao lado dele me dissecando abertamente. Rá! Não sabe como eu me senti!

—Não sei porque a comparação com Jake. O estilo bombado dele não me agrada. Você é mais... Como posso dizer... Natural, perfeitinho. Estas pernas grossas, barriga bonita, peito proporcional, tudo é mais bonito. — Passei as mãos nas partes que eu citava com olhar travesso.

Ele sorriu satisfeito e passou os dedos pela minha barriga. Bem, na barriga não, na parte baixa da barriga, bem baixa, distribuindo pequenos choques por onde os dedos passavam.

—Tudo bem, é para falar o que o outro é? Você é que é sem defeito, magistral, deslumbrante, completa, feito com nímio cuidado e com delicadeza. Tudo na medida ideal, fascinante. — Mordeu os lábios sensualmente.

—Sou gostosa? — Sorri, querendo desconcertá-lo com o palavreado fora do seu comum.

Ele sorriu torto e me puxou para me encostar a ele, levantando minha perna na coxa dele. —Hum... gostosa? Será que essa é a palavra certa? — Passou a mão do meu rosto, pescoço, colo, seio, vagarosamente, depois barriga, cintura e me surpreendeu ao segurar meu quadril e apertar a nádega, passeando com as mãos, ao tempo que mantinha no rosto um olhar quente. —Gostosa demais! — Sussurrou e continuou me estreitando enquanto mordiscava meu queixo. Ele estava tão sedutor e quente que me deixava em chamas sem ao menos me beijar.

—Bella vamos dar... Um mergulho. — Convidou roucamente e beijou minha orelha persuasivo. Gemi. Realmente um banho poderia fazer bem para nós.

—Ok. — Sentei, ele me levantou e caminhamos rumo ao mar.

Entramos mar adentro para uma parte mais calma, onde as ondas não quebravam. Uma parte bem mais afastada. Em todo o tempo ele olhava-me faminto. Aproveitou que ficamos longe da praia e beijou-me como louco, como se quisesse me devorar pedacinho por pedacinho. Sua língua invadiu minha boca, ocupando todo espaço, e eu a acariciei e a traguei, no mesmo instante que subia nele, com as pernas em volta de seu quadril. O nosso corpo respondeu ansiosamente, o dele muito espesso e atrativo. Ele me apertou, gemeu, e eu percebi que ele estava muito tenso e passaria o dia incomodado se continuássemos nos provocando. Mesmo que ele não dissesse ou pedisse, ele necessitava alívio, pois tremia de desejo.

Estávamos a uma distância segura de olhos, mesmo assim eu ainda estava indecisa de sua aceitação, pois quando o acariciei lá em casa, inicialmente ele não aceitou. No entanto, eu sei que ele gostou, e eu queria lhe proporcionar novamente esse prazer.

Desci a boca para seu pescoço, mordiscando, apoiei os pés no chão e desci as mãos por seu abdômen até tocá-lo por cima da sunga, onde passei a mão e apertei o comprimento. Ele deu um lamento e ficou ofegando em meu rosto, sem me censurar. Então me senti poderosa e o peguei por dentro da sunga, libertando-o. Ele pulsava quente. Edward voltou para os meus lábios com desespero, chupando minha língua famintamente, me encorajando a continuar. Seu corpo implorava por aquilo, e eu movimentei as mãos como ele me ensinou. Ele arqueava e puxava o ar pelos dentes em cada movimento que eu fazia. Meu ventre respondia retorcendo e ardendo.

Ele estava de costas para a praia e afastou o cortininha dos meus seios, apertando-os ansioso. Eu ansiava por sua boca ali, e arqueei o corpo, mostrando o que eu queria. Ele esqueceu onde estávamos e desceu com os lábios de um jeito louco, desejoso, sugando, lambendo. Eu regozijava e entrava em delírio.

Ar livre, mar, vento, sol, água, tudo aumentava gradativamente o meu prazer. Se existiam coisas melhores do que os momentos que ele me proporcionava, eu devia morrer em experimentar. Minha mão continuou nele, dominadora. —Ai, Bella... — Ele murmurou, e eu dei pequenos gemidos ao tê-lo me mordiscando. Se eu não soubesse o que se passava diria que ele sentia dor, a impressão era essa pelo modo como ele sugava o ar nos dentes.

Ele voltou para os meus lábios e ofegou mais compulsivamente, empurrando um pouco o quadril na minha mão. Movi com mais precisão, ele enrijeceu o corpo, parecendo arrepiar-se, e seguidamente grunhiu, no momento em que se derramava.

Passaram-se alguns segundos, ele desprendeu minha mão e limpou-a. Eu mantive minha boca em seu ombro, quieta, enquanto sentia as batidas rápidas do seu coração.

—Está ficando ousada. — Aplaudiu e me abraçou, arrumando novamente o biquíni no seio.

—Você não podia ficar assim o dia todo, né. — Justifiquei maliciosa.

—Obrigado. Vou ficar em dívida.

—Eu gosto de ver você satisfeito... Sou sua. — Sussurrei e beijei ternamente sua boca.

Ficamos mais um tempo naquela parte da praia, eu boiando de costas e ele me olhando com um sorriso.

—Por que está me olhando assim? Estou ficando convencida. — Comentei e continuei a mercê d'água.

—Olhando como? — Sorriu curioso.

—Como um ar de que encontrou algo sonhado.

Ele se aproximou e me colocou em pé, segurando com as duas mãos em meu rosto. —E é. Você é tudo que um dia eu pensei e sonhei. É muito mais. Você é real. E eu quero que fique a garota mais convencida do estado de Washington para você nunca desistir de me esperar. — Declarou solenemente. E suas palavras desceram ao meu coração.

Saímos da praia por volta de três da tarde. Almoçamos, tomamos banho e ficamos na sala assistindo um filme. Estávamos muito cansados, então Edward ligou mais uma vez para o meu pai e pediu que eu dormisse em sua casa novamente, avisando que iríamos no dia seguinte. Papai concordou.

Por volta de oito horas, Edward resolveu ir para o quarto. Deitamos e colocamos músicas.

—Amei o dia, Bella. — Sussurrou em meu ouvido, já entregue ao sono, comigo abraçada forte a ele, deitada em seu peito. Meu corpo estava mole e tudo o que eu queria era descansar.

Quinta-feira, acordei novamente sentindo suas mãos passando creme em meus pés.

—Edward, se vai me acordar todos os dias com creme nos pés, você tem que esquentar nas mãos antes de colocar. É gelado! — Resmunguei e cobri meu rosto.

—Ok, querida. Jasper, levante que já estamos saindo. — Edward avisou.

—Porque nós vamos cedo? — Jasper perguntou cheio de sono.

—Para não perdermos o dia na cama.

—Edward, estou cansada, vamos ficar deitado mais um pouquinho... — Pedi e deitei de bruços.

—Tudo bem, ficar deitada pode, mas você tem que acordar. — Condicionou. —Depois sentiremos falta desses momentos que deveríamos estar acordados. — Disse pesaroso e resolvi levantar, passando rápido por ele para esconder meu rosto amassado.

—Bella, pare com isso. Pra mim você é linda. — Sorriu e deitou na cama.

Eu sabia que era exagero, mas era muito ruim aparecer toda amassada logo pela manhã perto do namorado mais que lindo. Dei umas palmadinhas no meu rosto, que continha um pouco de vermelhidão por causa do sol do dia anterior na praia, e joguei água fria. Esperava que não descamasse. Seria um horror estar na festa da Alice com o rosto descascado.

Lanchei e fomos para a sala assistir um pouco, dando um tempinho a mais para Jasper dormir, afinal, ele devia ter ido tarde para o quarto. Jasper fazia muita piada com relação a nós, mas na realidade era extremamente discreto. Devia ter entrado no quarto só quando teve certeza que estávamos dormindo.

Saímos de Forks por volta de dez da manhã. Sentei no banco do passageiro e descansei meus pés na perna do Edward. Ligamos o som e eu cantei hip hop alto com Jasper.

—O que tem para fazer hoje? — Edward abaixou o som e iniciou uma conversa.

—Bom, eu tenho que buscar o meu vestido, você tem que experimentar seu smoking e depois vou ver com Alice se ela precisa de mais alguma coisa. — Respondi e aumentei o som de novo.

Chegamos em casa e subimos para guardar as nossas roupas em meu quarto.

—Bella, eu vou ficar aqui no seu quarto de novo? — Perguntou receoso.

—É, qual o problema? — Perguntei despreocupada.

—Seu pai não vai implicar?

—Ai, Edward, não vai ser a primeira vez. O problema é só a primeira vez, depois vira costume. — Dei de ombros e arrumei no closet um local para ele colocar suas roupas. —Lembra que eu disse que da próxima vez você iria ter um kit aqui em casa? — Perguntei, peguei uma bolsa e coloquei em cima da cama. Tinha chinelas novas, talco para pés, desodorante masculino, creme para barbear e pós-barba Hugo Boss, pente, spray para cabelo, perfume, bermuda, sunga, mais boxers e pijama curto de seda, lógico que só a parte debaixo. Eu não o queria de camisa nunquinha em meu quarto. ADORO homem sem camisa, principalmente ele, com esse peito maravilhoso.

Ele observou resignado e não comentou nada, somente pegou na sunga e no short de seda com olhar questionador. Ao perceber a dúvida fui ao meu closet e peguei o meu pijama com estampas iguais e coloquei ao lado do dele.

—Não é exagero, mas a sunga é para tomarmos banho de piscina aqui em casa. Da outra vez você nem tinha uma. E o pijama é para ficar mais romântico. Olha que legal, nós dois vamos dormir iguais. — Sorri eufórica e sentei em seu colo.

—Tudo bem, Bella. Para quem já foi coagido a aceitar tanto, vou reclamar de que? — Beijou o meu rosto conformado.

Almoçamos e saímos para experimentar as roupas. Não passamos mais que duas horas na rua, então, voltamos e passamos o restante da tarde assistindo filme na sala debaixo, eu deitada com a cabeça em seu colo. Não sabia porque Edward não relaxava em minha casa. Meu pai nem estava lá. Ele podia deitar no sofá igual todo mundo.

—Bella, vamos sair a pé. Estou cansado de não fazer nada. — Disse baixo em meu ouvido.

—Hum... Tudo bem. Se quer sair da vida preguiçosa, então vamos fazer uma coisa que gosto. — Propus.

—O quê?

—Andar de patins. Vamos? — Sentei empolgada.

—Não sei... Eu andava no da Rosalie, mas faz muitos anos que não ando. — Reflectiu indeciso.

—E skate, você sabe? Emmett tem um. — Dei outra opção.

Ele ficou calado pensativo. —Faz assim, você quer mesmo andar de patins? — Analisou-me e eu balancei a cabeça. —Então eu posso tentar. — Sorriu.

Subi, pedi os patins do Emmett emprestado e fomos para o parque com os patins nas mãos. Eu coloquei os acessórios e comecei a andar sozinha, enquanto ele ainda se decidia. Fiz algumas manobras, corri acelerado, dei voltas e voltei para ele. —Vamos? — Chamei. Ele estava muito indeciso. —Coloca os patins e levanta. Se não conseguir, você para. Vem?! — Pressionei.

Ele calçou e andou devagar uns minutos. Aos poucos relaxou e se soltou. Fez algumas manobras inseguras, depois nem parecia que tinha anos que não andava. Lógico que ele não arriscou movimentos bruscos, mas conseguiu andar rápido ao meu lado.

—Amei! — Abracei-o, nos desequilibramos e caímos na pista. Eu por cima dele.

—Primeira queda! — Sorriu divertido.

—Eu adoro andar de patins! — Declarei entusiasmada.

—Eu adorei andar com você. — Me abraçou ainda caídos no chão, depois nos separamos para levantarmos. Continuamos a brincadeira nos divertimos cobertos de carinhos, trocando beijos e abraços pela pista.

Por volta de oito na noite, voltamos para casa exaustos. Cada um tomou seu banho e descemos para fazer um lanche. Meu pai estava na sala com os meus irmãos, só Jéssica que não estava. Edward portou-se reservado com eles. Lanchamos na cozinha, depois ficamos um pouco na sala. Subimos quando eu já estava morrendo de sono.

—Amanhã eu não vou me cansar assim... Aliás, acho que amanhã vamos passar dia em algum hotel por aqui... — Resmunguei ao perceber o quão cansada estava, ao ponto de simplesmente me trocar e deitar em seu peito, sem ânimo.

—Acho que não vai dar. Com certeza sua irmã vai precisar de você. — Lembrou e me aninhou mais a si, completamente entregue a exaustão.

—Você fez propaganda enganosa... Prometeu que íamos ensaiar muito aquilo. — Resmunguei fingindo desgosto, e ele sorriu desacreditado.

—Por isso eu queria me hospedar em um hotel quando cheguei. Eu fico sem jeito aqui... Estamos na casa do seu pai, lembra? Acho que você não consegue se controlar. — Disse de olhos fechados pelo sono, mas com um ar presunçoso.

—O que vai fazer comigo que está apostando que eu não vou resistir? Foi algo que você aprendeu com os seus estudos? — Perguntei com um sorriso travesso, ele abriu os olhos e sorriu malicioso.

—Vamos dormir, vamos. Acho que amanhã vamos nos hospedar em algum lugar mesmo, nem que seja só por algumas horas. — Propôs e fechou os olhos novamente.

—Eu não quero esperar até amanhã. Eu quero mil beijos hoje. E pode começar a me dar. — Sentei e tirei a roupa, ficando de calcinha e sutiã, com cara de criança teimosa. Ele sorriu, olhou por alguns minutos para mim, depois ligou a TV.

—Eu adoro ter uma namorada assim, viva e quente... — Disse e beijou-me na boca, molhado e ansioso, já com ânimo nos olhos. —Mas se fizer muito barulho, vou colocar o travesseiro na sua boca. — Murmurou divertido e deitou-me na cama. Assim, ele começou lentamente com os beijos nos meus pés. Eu iria aproveitar ele todo. Iria saciar-me pelo tempo que havia de vir enquanto pudesse. Sua boca incendiava por onde passava e seu sorriso dominador e satisfeito me enlouquecia. Assim, longas horas se passaram...

Sexta, fui tirada do sono com o barulho de alguém batendo na porta freneticamente, levantei e vesti o roupão. Edward continuou deitado como estava, sem camisa, de short de seda e com o braço sobre o rosto.

—Fala, Jéssica. — Abri a porta, ela entrou e sentou na cadeira de canto, tensa.

—Bella, os funcionários da casa disseram que vão contar para o meu pai que está acontecendo uma pouca vergonha aqui em casa. Disseram que você dorme com Mike todos os dias aqui, sendo que você tem um namorado. Pior, disseram que agora seu namorado e Mike dormem aqui. Os dois. No mesmo dia. Eles acham que Mike dormiu foi com você hoje, mesmo o seu namorado estando aqui. Acredita nisso? O quê nós vamos fazer? — Ela disparou aflita. Eu queria rir da situação. Dormir com Mike e com Edward!? Só na imaginação deles mesmo.

—Quem te contou isso? — Perguntei preocupada com a minha imagem.

—Alice ouviu a cozinheira conversando com o motorista e me contou.

—Que horror! — Pus a mão na boca.

—Então conta para o meu pai antes que eles contem. Conta hoje à noite. Isso se você estiver a fim de ficar com ele de verdade. Você quer? — Levantei a sobrancelha interessada.

Ela ficou calada, pensativa. —Até à noite eu resolvo o que falar. — Respondeu sem certeza e saiu. Mais essa agora! Acordei Edward e falei da situação. Ele sorriu. Devia estar mesmo satisfeito de Mike ter se arranjado com a minha irmã.

Passamos o dia trancados no quarto, descendo somente para as refeições conjuntas. Acobertamo-nos de carinhos, beijos, abraços, ofegos, ensaios e olhares libidinosos. Uma sedução coberta de veneração... Era fácil seguir os planos quando estávamos determinados a usufruir de todos os detalhes possíveis que os preliminares proporcionavam. Em todo o tempo ele foi cuidadoso em conter meus suspiros, diminuindo a proporção de seus carinhos sempre que me via descontrolada. Sentia-me segura com seu amor. Amava ver seus olhos saciados em minha direção, amava ver seu corpo tremendo de êxtase, ver o quanto ele me desejava e me amava acima de qualquer ato nosso. E mesmo que nossas atitudes fossem como resolvemos levar, sem junção de corpos, nos satisfazia inteiramente, aliviando e saciando a saudade um do outro. Durante meus delírios febris, por diversas vezes propus que ele seguisse em frente, que me penetrasse, mas ele preferia esperar, satisfazendo-se com o meu toque em seu corpo. Isso nos proporcionava conhecimento e intimidade um com o outro. Era satisfatório, atenuante e muito doce.

Viver esses momentos e todo resplendor que nos proporcionava, só nos trazia mais garantias que éramos um do outro, que éramos ligados por algo forte e inigualável. Tudo em nós se completava. Mesmo o silêncio que pairava nas nossas bocas era complementado com o diálogo dos nossos olhos, que se entregavam e se declaravam em todo o momento. Não havia censuras ou pesar. Todos os meses infelizes eram recompensados com a sua presença transbordante em meu quarto e em minha vida.

Por volta de sete horas ouvi o barulho do carro da Esme chegar. Era barulho de caminhonete e, como não era o Jipe do Emmett, só podia ser o carro dela. Eu fiquei feliz que ela tivesse vindo no carro.

—Edward, vamos nos arrumar e descer. — Ele estava quase dormindo, depois de tentarmos, várias vezes, assistir alguns filmes.

—Estou cansado. — Disse preguiçoso.

—De quê? Passamos à tarde deitados? — Sorri maliciosa e levantei para me arrumar. Ele se levantou e direcionou-se ao banheiro. —Por que você toma tanto banho? — Perguntei. —Já tomou uns quatro hoje! — Fiquei na porta esperando ele tirar a roupa.

—Você parece uma criança na sala de aula. Tudo você pergunta. — Resmungou desanimado. —Mas o banho me revigora... Fico ativo novamente. — Piscou maroto.

—É bom conhecer você. — Envolvi seu pescoço.

—É bom cada minutinho que eu passo com você. — Levantou meu queixo e depositou pequenos beijos em minha boca.

Deixei o banheiro, ele tomou banho e vestiu uma das roupas dele que ficava em minha casa. Minutos depois, descemos, e a família toda estava presente. Sentamos à mesa, que por coincidência era de dez lugares, e percebi meu pai completamente satisfeito, principalmente com Esme que estava sentada ao seu lado.

Alice olhava distante para o prato. Emmett mirava Rosalie apaixonado. Jasper estava no seu autismo, com um joguinho nas mãos. Que coisa era aquela que ele brincava? Pior, ele sibilava com o aparelhinho. Cada dia que passava o menino ficava mais doidinho!

Mike chegou e ocupou o último lugar na mesa ao lado de Jéssica. Meu pai nem percebeu isso. Carlisle ultimamente não notava muita coisa debaixo do seu teto. Devia estar mesmo apaixonado.

—Pai... —Jéssica o chamou apreensiva. Ela estava meio sem cor, pálida. Talvez fosse nervosismo. Mike também estava tenso. Será que ela iria falar aquilo aqui, na frente de todos? Isso deveria ser meio particular, não? Tudo bem que somos quase uma família, porém isso não é do interesse de todos.

—Fala filha. — Carlisle direcionou o olhar a ela, interrompendo a conversa com Esme.

—Passa o azeite, por favor. — Pediu acovardada.

—Jéssica, aqui não. — Sibilei de modo que só ela ouvisse.

Ela pegou um guardanapo, escreveu algo e passou para mim. 'Tem que ser aqui para ele não surtar.'

Até parece que meu pai iria surtar com isso. Só na cabeça da Jéssica mesmo.

Iniciou-se a conversa em grupo na mesa e meu pai se esforçou tentando manter diálogo com Edward, indo no ponto crucial = política, o que fez Edward falar por muitos minutos. Eu olhava em sua direção admirada. Ele era completamente convicto do que falava, do que queria e do que acreditava. A sua opinião levantou idéias favoráveis e contrárias na mesa. Até Emmett entrou na conversa. Edward era muito envolvido com idéias sociais, mas meu pai mostrou outros pontos de vista. Deu algumas idéias como empresário, e Edward aceitou os seus pontos, parecendo repensar o seu idealismo com relação às causas sociais. Também entrei na conversa, dando o meu ponto de vista, dizendo que o governo tinha que bolar mais incentivos para empresas, a fim de envolvê-las em questões sociais da comunidade e, principalmente, dos funcionários. Parecíamos uma família normal discutindo.

—Gente, com licença. — Jéssica saiu da mesa e direcionou correndo ao banheiro. Tive a impressão que ela estava chorando e fui atrás. Cheguei à porta do banheiro e ouvi um barulho de descarga por vários minutos.

—Está tudo bem? — Tentei abrir.

—Sim. Estou indo.

Voltei para a mesa preocupada com a minha irmã. Ela estava tão nervosa que teve dor de barriga. O quê que tinha falar que namorava o filho do acionista da empresa do meu pai? Em tudo aqui em casa sempre fui eu que tive os assuntos piores de ser enfrentados por ele, e eu sempre me saí muito bem. Mesmo que Mike fosse dois anos mais novo que ela, isso não significava nada.

Ela voltou e encarou Mike por alguns minutos. Será que era só eu quem estava observando isso?

—Pai... — Murmurou insegura.

—Fala, Jéssica. — Meu pai olhou em sua direção impaciente.

—Eu quero falar uma coisa.

Ele sorriu. —Vai dar a sua opinião sobre política também?

—Não. Tenho uma coisa para informar. — Disse séria.

—Pode falar. — Concedeu tranquilo.

—Eu estou namorando Mike. — Disse em um fôlego só, nervosa.

Sinceramente esse nervosismo era desnecessário. Meu pai virou o rosto curioso, com o cenho franzido e olhou para Mike, que estava encolhido na cadeira.

—Interessante... — Papai comentou. —Pensei que o interesse do Mike aqui era outro. — Alternou o olhar entre nós duas, bem-humorado.

—Pois é, estamos juntos há alguns meses. — Jéssica continuou.

—Tudo bem. — Carlisle virou-se para Edward.

Ou ele estava empolgado com o assunto, ou tentava conquistar o filho da Esme. Eu particularmente estava amando e sorrindo comigo mesma.

—Pai, eu estou grávida. — Foi só um sussurro. Todos viraram em direção a Jéssica.

—O QUÊ?! — Aumentou o tom, incrédulo.

—Fudeu! — Quem podia ser? Jasper, que deixou o joguinho de lado e virou o rosto para ouvir a conversa.

Esme abaixou o olhar sem graça, e Edward olhou-me espantado, com o início de um sorriso na boca. Os demais, todos ficaram tensos. Jéssica pareceu criar coragem e continuou. —A gestação é de quatro meses... E... Não é culpa dele. — Pegou protetoramente na mão do Mike, que continuava calado.

—Jéssica, como você pôde ser tão irresponsável assim? — Papai censurou horrorizado. Esme alisou o seu braço, acalmando-o.

—Pai, eu me responsabilizo. Eu quero. — Disse mais calma.

—Ah, é claro que quer! Filha, ele é uma criança... — Carlisle apertou a fronte com os dedos, nervoso. Mike tinha dezessete, e ela dezenove, da idade de Edward.

—Crianças já fazem crianças! — Jasper se intrometeu mais uma vez, gargalhando.

—Jasper! — Esme chamou sua atenção. O garoto fechou o riso e pegou novamente o seu joguinho. De qualquer modo, o comentário dele serviu para amenizar o clima na mesa.

—Então vou ser titia!? Olha, pai, você vai ser vovô! Logo teremos uma criança correndo pela casa. Um pai gatão desses já é avô! — Bajulei, o que o fez acalmar e segurar um sorriso convencido. Depois levantei para abraçar Jéssica, que me agradeceu com os olhos. O que ele podia fazer além de aceitar? O bebê já estava feito mesmo! Esme também levantou para falar com a Jéssica e o clima ruim se dissipou. Todos relaxaram.

Olhei para Jasper e ele balançou a cabeça em negativa, com os olhos travessos, sibilando baixinho: 'Bandida!'

Sorri. O gelo foi quebrado, depois ficamos espalhados pela casa. Quando subi para o quarto, voltei ao assunto da mesa com Edward enquanto me arrumava para dormir.

—Eu estou com inveja, também quero um... — Brinquei manhosa.

Ele ficou calado, depois pegou no meu rosto, com olhar expressivo.

—Espere... Iremos fazer as coisas na ordem certa. — Declarou convicto, sem prolongar no assunto. Abracei-o feliz em saber que mesmo que demorasse, seguiríamos planos juntos. Conversamos sobre o jantar e ele se mostrou receptivo com a convivência com meu pai. Dormimos rápido. A vida estava em seu perfeito lugar.

A manhã de sábado estava quente e a casa cheia. Descemos, lanchamos e ficamos na piscina quase a manhã toda. Em todo tempo fiquei observando Emmett e a Rosalie. Eles não eram aqueles casais que ficam se agarrando, se tocando e fazendo carícias. Ela sempre o mantinha numa distância segura.

—Sua irmã é jogo duro, né? — Cochichei no ouvido do Edward, que estava dentro da piscina aquecida, e eu na borda, tomando sol.

—Ela tem os motivos dela.

—Você sabe os motivos? — Questionei desconfiada.

—Está ligando a quem vocês são. Ela pensa que ele só quer usá-la.

—Mas ele já mostrou que gosta dela. — Defendi.

—Sim, mas ela não confia nele totalmente. Ela acha que ele só quer... — Interrompeu sugestivamente.

—Transar? — Complementei.

—Sim. — Parecia ser essa também a sua opinião.

—Ele não quer isso. Ele tem milhares de meninas à disposição dele só para isso. Ele gosta dela. Pensa em casamento e tudo mais. — Tentei convencê-lo.

Edward me puxou para dentro da piscina e me encostou a borda, segurando em minha cintura.

—Casamento? Mas eles estão juntos há poucos meses! — Comentou admirado.

—Melhor que nós dois que nem temos prev... — Interrompi antes de completar, mas foi tarde. Ele sentiu o que eu ia falar e fez uma careta de desgosto.

—Bella, temos que ter paciência. — Tocou o meu rosto, pesaroso.

Na verdade eu não tinha pressa, o que me deixava meio aflita era saber que poderia durar muitos anos essa espera.

—Eu tenho... Só estou brincando. — Disse e beijei despreocupada seu pescoço. — se achando, né? pensando que eu estou te pedindo em casamento, é? — Brinquei e depois mergulhamos juntos na piscina. Depois de um tempo brincando, eu voltei para pegar mais sol, passando filtro solar fator cem no rosto e pescoço.

Alice foi cedo para o salão, eu infelizmente teria que ir por volta de duas da tarde, mas por enquanto ainda ia me divertir um pouco.

—Por que pega tanto sol? — Perguntou, encostando-se à borda da piscina novamente.

—Você não observou a marquinha não? — Insinuei.

—Não. — Respondeu desentendido.

—Então, quando eu voltar do salão eu te mostro. — Sorri maliciosa. —Você vai comigo?

—Posso ir. — Respondeu disposto.

Subimos, troquei de roupa, almoçamos e eu fui para a sessão de tortura. Ele foi e ficou sentando lendo um livro enquanto as mulheres tagarelavam e o barulho do secador incomodava. Mas ele pareceu não ligar. A sua presença levantava olhares fascinados com a beleza do meu anjinho enfeitando aquele lugar. Tudo bem, todo mundo merecia um colírio para os olhos.

Saímos de lá por volta de cinco horas. Ainda tínhamos um tempinho até o horário da festa, então subimos e deitamos para descansar um pouco.

—Será que Ryan vem?

—Acho que sim. Ele estava bem empolgado. Por quê? Algum problema? — Perguntou ao perceber minha tensão.

—Não. Será que a irmã dele vem? — Fingi desinteresse, com a cabeça deitada em seu peito.

—Bella, a irmã dele não é um problema. Pensei que estava mais segura. — Repreendeu, enquanto moldava insistentemente os cachos dos meus cabelos.

—Eu sou segura. Mas só que eu sei o tanto que ela é abusada e pode estragar o clima de paz da festa. —Dei uma desculpa.

—Não se preocupe. Não vou sair de perto de você nenhum minuto, e eu não acho que ela seja tão corajosa assim ao ponto de me cercar aqui. — Beijou-me no rosto. —Você ia me mostrar o porquê de tomar tanto sol, vai mostrar agora? — Perguntou malicioso.

—Vamos tentar dormir um pouco. Mais para a madrugada eu vou estar mais elétrica e mostro. A festa vai durar até amanhã de manhã, temos que ter energia para dançar.— Disse empolgada e deitei de lado, de costas para ele. Então ele se aconchegou a mim e dormimos.

Narrado por Alice

O tema escolhido para minha festa foi Neverland, ou seja, Terra do Nunca. A decoração do salão de festas de dez mil metros quadrados estava toda colorida. Dos cantos das paredes saiam voais azuis, brancos e rosas. Eles se encontravam no centro do salão, simbolizando o mar. Também tinham estrelas, luas e caiam cachoeiras de luzes em alguns pontos. O meu primeiro vestido seria verde limão, tomara que caia e com pontas nas saias. A saia era curta e armada, e a blusa cheia de pedras e transparente na barriga, tapando somente os seios.

As roupas que escolhi para as debutantes eram rosa Pink, modelo de fadas. As blusas eram costas nuas trançadas, transparentes na barriga, as saias armadas e de pontas. Os garotos iriam usar smoking. Entretanto Jasper iria ficar muito fofo com a roupa que escolhi para ele. Pareceria um príncipe com aquele traje branco. Até que eu queria que ele vestisse de Peter Pan, mas ele não aceitaria. Já reclamou mil vezes por ter que vir com essa roupa! Ele voltou a engordar e os cabelos cresceram desde que ele parou com os remédios. Não que ele já não fosse lindo, mas agora estava mais.

As 22h00, recebi os convidados na porta com o meu pai e já rolava músicas românticas na festa. As decorações das mesas eu pedi uma imitação de árvore, cheia de marshmalows e guloseimas, e todos a atacavam.

Distraída, percebi os olhos do Jasper em minha direção. Até que quando ele estava longe daquele pc idiota dele, ele tinha olhos para mim. Contratamos uma equipe de teatro que fez uma encenação do Peter Pan e A Terra do Nunca. Após a encenação, subi para trocar de roupa. Meu novo vestido era tradicional, mesmo assim tinha um ar de fada. Rosa bebê.

Apagaram as luzes do salão, ajustei meu microfone e o teclado de Bella deu início à introdução da música, depois começou o solo do Emmett no violão elétrico e Mike na bateria fez a virada. Como combinado, um holofote refletiu sobre mim e eu comecei a cantar e andar lentamente. A música era um agradecimento pela vida, escrita por Emmett. Eu senti um enorme desejo de chorar ao celebrar a vida, família. Mesmo que minha mãe não vivesse com a gente e não tivesse vindo, tudo era completo com a família que eu tinha.

Meu pai esperava no centro, e eu finalizei a música olhando em seus olhos, agradecida por tê-lo em minha vida e por fazer de mim a pessoa que sou. Bella continuou fazendo o fundo musical, enquanto meu pai colocava o anel em meu dedo.

—Eu quero dizer para você, Alice, que você foi o maior presente que a vida me deu. —Papai disse. — Eu já tinha três e não pensei ter espaço em meu coração para amar mais alguém, então você veio, ocupando um espaço enorme em mim. Nós, pais, amamos todos os filhos de maneiras iguais. São os filhos que nos conquistam de maneiras diferentes. Você é tão carente e delicada que é como se eu tivesse vindo ao mundo com a exclusiva missão de cuidar de você. — Meu pai embargou a voz, e eu já chorava emocionada. —E sinto-me completo em saber que sou seu pai, porque você só traz orgulho. —Ele me abraçou por alguns segundos, e a música de fundo tornava tudo mais emocionante.

Após um tempo abraçados, o cerimonial avisou que agora seriam os meus agradecimentos. Eu agradeci e fui aplaudida. Logo se iniciou a primeira valsa, que foi com o meu pai, a segunda com Emmett e a terceira seria com Jasper.

—Minha vez, chatinha. — Pegou-me dos braços do Emmett sorrindo e rodou comigo pelo salão. Sorri da segurança que ele tinha. Ele estava lindo e convencido, com um sorriso grande no rosto.

—Vai ser a melhor valsa da sua vida. — Disse presunçoso. —Podia ser a melhor noite, se você quisesse... — Sugeriu malicioso.

—Ah é? E o que falta para ser a melhor? — Provoquei, incitando o convencimento dele.

—Falta você me implorar por um beijo. Eu não vou mais forçar com você. Você tem que me pedir. — Sorriu e continuou dançando. Eu olhei em seu rosto pensando seriamente naquela proposta. Eu poderia pedir. Já que estava no calor da emoção.

—Alice, acorda. Todos vão perceber essa sua paixão por mim. — Pegou na minha nuca e aproximou o rosto do meu, parecendo que ia me beijar. Mas jogou-me para um lado, depois para o outro, e deitou-me sobre seu braço, com muita confiança. Seguro e lindo. E eu o amava.

—Jasper, você me beija? — Perguntei receosa, desacreditada de minha coragem.

Ele sorriu presunçoso. —Não conseguiu me resistir? — Continuou me girando firmemente.

—Ai, Jasper, não se ache, o problema é que você é o único disponível. E eu não estou a fim de beijar qualquer boca. Você pelo menos eu sei que escova os dentes. — Fingi indiferença.

—Então faz assim... — Olhou para os lados. —Não quero te beijar em público por causa do seu pai e do Edward, que pode me encher o saco. Mas quando terminar a música você me encontra no estacionamento. Entre o carro da Bella e o do Emmett. — Ele propôs e continuou sorrindo.

Instantaneamente, fiquei nervosa, mas subi correndo para vestir o outro vestido, enquanto as pessoas invadiam a pista para continuar dançando valsa. Vesti um vestido de couro vermelho, tomara que caia e de zíper na frente, uma sandália com salto baixo, a fim de não machucar meus pés já que íamos dançar, e desci direto para o estacionamento. Jasper estava lá, encostado no carro do Emmett, muito sério, não parecia o moleque atentado que sempre era. Parei e fiquei a uns dois metros dele.

—Vem. — Estendeu a mão com olhar carinhoso e eu me aproximei.

Ele me puxou e passou a mão o meu rosto, depois encostou o rosto no meu, beijando leve. Estava com uma postura adulta. Parecia um pouco nervoso. Então beijou minha boca devagar, me dando a chance de recuar, caso eu quisesse. Depois ele progrediu, me apertando a ele e colocando a língua em minha boca. Um beijo carinhoso.

—Alice, sou ligadão em você. — Soltou-me do beijo e ficou beijando minha orelha, enquanto isso fiquei diluindo o que ele disse.—Namora comigo? — Perguntou e voltou a me beijar.

Narrado por Bella

No início da festa, mesmo estando com Edward, consegui dar um pouco de atenção a todos os nossos amigos que vieram tanto da Califórnia quantos os da escola e do jornal. Apresentei Edward para todos, inclusive ao Brandon. Depois deixei Edward algum tempo conversando com Jake, que veio com uma garota, e dancei duas músicas com Ryan.

Ao fim da terceira valsa de Alice, ela subiu e todos tomaram o salão para dançar valsa enquanto ela voltava para começar a boate. Eu aproveitei para não perder um segundo do Edward e entramos na pista.

—Já te disse que esses dias foram os mais perfeitos da minha vida, né... — Perguntei e beijei levemente seus lábios enquanto dançávamos. Estava deslumbrada em seus braços, inebriada por amor.

—Nem acredito que vou embora depois de amanhã. — Resmungou. —Acho que nunca estive tão feliz.

—O que me consola é saber que estamos juntos. — Disse e voltei a lhe dar selinhos. Em minha visão periférica percebi umas meninas da sala da Alice nos observando do canto do salão, com olhar especulativo. —Sabia que eu fiquei preocupada em deixar você perto do Jake sozinho? Na hora que a menina que estava com ele saiu, eu tive a impressão que vocês iam ser atacados pelas garotas próximas. — Disse e arrumei sua gravata. As meninas eram as mesmas que nos olhavam agora, tudo criança.

—Ai, Bella, eu nem vejo essas coisas. Você é a garota mais bonita daqui, não deveria se preocupar. — Apertou-me, enquanto acariciava minha nuca.

—Como eu sou a mais bonita se tem várias vestidas iguais a mim? — Questionei em dúvida.

—Não é necessário roupas para saber se você é ou não a mais bonita daqui. Qualquer um vê que é. Até porque eu já conheço os detalhes por baixo das roupas. — Sorriu malicioso em meu ouvido. —Além disso, meus olhos já têm dona, meu coração tem dona, minha vida tem dona, e é você. Arrumada ou desarrumada, dormindo ou acordada, você é minha dona. — Complementou com os olhos intensos. Se a intenção era me deixar convencida, eu quase explodia. —Podíamos ir embora... — Sugeriu. —Devíamos aproveitar que estão todos aqui e que sua casa seria toda nossa... De repente eu não precisasse do travesseiro hoje... — Sugeriu calidamente. Se eu não fosse a irmã e melhor amiga da aniversariante, teria sido hipnotizada sem chance de voltar atrás. Definitivamente esse Edward espontâneo era muito melhor.

—Eu vou... Daqui a pouco saímos a La francesa. Enquanto isso, você pode ir ao carro para mim, estou com um pouco de dor de cabeça. Você podia buscar um remédio na minha bolsa, aí enquanto você vai lá, eu faço sala para Ryan.

—O que tanto conversa com Ryan? — Arqueou a sobrancelha interessado.

—Estou conferindo se você é fiel mesmo. — Comentei despreocupada, depois sorri. Ele me olhou desacreditado. —Bobinho. Ele é meu amigo também, esqueceu? Só estou jogando papo fora, dando um pouquinho de atenção, já que ele veio de longe... Eu confio em você, eu já disse, meu pingüim. — Sorrimos juntos.

—Então , vou lá buscar o remédio. — Saiu, e eu fui para perto do Ryan.

Narrado por Carlisle

—Estou muito feliz que tenha usado o carro. — Disse e acariciei o rosto da mulher da minha vida enquanto dançávamos. Não via mais porque não morarmos juntos, não juntarmos nossas famílias. Nossos filhos namoravam, nossas famílias se davam bem, então não havia mais o que esperar.

—Carlisle, eu estou tentando desde ontem falar algo importante com você, mas parece que estamos meio sem tempo, rodeados demais de pessoas ou cansados demais. Temos que arrumar um tempinho só para gente. — Disse carinhosa, mas parecia tensa.

—Podemos dormir no flat, se você quiser. Lá teremos total privacidade. — Propus e ela sorriu percebendo as minhas intenções. Ela me beijou feliz, não se importando com o local. Um beijo quente e sensual, que me fazia responder inapropriadamente. A emoção da noite e a perfeição do momento me impulsionava. —Esme, nada mudou... A cada dia que passo tenho mais certeza de que... Você é a mulher da minha vida... Eu SEMPRE fui apaixonado por você. Toda a vida. E meu sentimento é tão grande que eu não consigo me conter em ficar dias longe de você... Casa comigo? — Propus solenemente. Ela sorriu.

Narrado por Edward

Ao voltar do estacionamento, procurei mais que imediato minha mãe pelo salão. Ela dançava abraçada com o Sr. Cullen, e eu aproximei-me deles. —Esme, pode vir aqui, por favor. — Chamei-a tenso, e ela franziu o cenho.

—O que foi? — Perguntou assim que deixou a pista e nos acomodamos em um canto do salão.

—Aconteceu tudo que mais temíamos... — Esperei que ela diluísse a informação. Ela ficou longos minutos calada, olhando para o chão, infeliz, para depois de uns segundos se pronunciar.

—Temos que ir. — Sentenciou, e eu me senti cortar.

—Correto. — Concordei com objetividade, depois a abracei ao notar seu semblante. —Não se preocupe. Vai dar tudo certo. — Tentei acalmá-la.

—O que vamos fazer? — Perguntou nervosa.

—Amanhã resolvemos... E a Rose? —Questionei atordoado.

—Ela não vai se importar... Ela não parece gostar dele. — Elucidou apática.

—Ok. — Fiquei congelado olhando para o chão, tentando por em prática a decisão.

—E você, filho? — Ela leu a minha dor.

—Ah, mãe... Eu me preocupo com ela... É injusto. Ela não merecia isso... Quanto a mim, eu consigo superar. Não se preocupe comigo. — Tentei passar firmeza ainda que meu coração sangrasse.

Voltei para perto de Bella, que conversava com Ryan, e a chamei.

—Ainda bem que Ryan conhece um monte de gente, né, porque senão ele estaria sozinho na festa. — Ela observou e olhou o meu rosto. —O que aconteceu que você está branco? Tinha uma alma penada lá fora? — Ela sorriu divertida.

—Nada. — Respondi sério, entreguei a garrafinha de água para ela e fiquei em silêncio impotente, obstinado a segurar minhas emoções. —Bella, Jasper está ficando com Alice? — Questionei após uns segundos.

—Não sei. Eles beijaram de brincadeira algumas vezes. Por quê? — Juntou a sobrancelha, especulativa.

—Nada.

—Edward, você não vai implicar mais com isso, né? — Perguntou tensa.

—Vem aqui, Bella. — Chamei-a para fora do salão, trouxe-a para os meus braços e beijei-a.

Narrado por Bella

Abraçou-me forte, e eu sentia a angústia por trás do beijo, mas não entendi o porquê. Depois de ter conversado com Esme, ele parecia ter mudado de humor.

—Bella... Independente do que aconteça com as nossas vidas futuramente, saiba que eu sempre vou ser apaixonado por você. — Disse rouco e voltou a me beijar, faminto. A tristeza em sua voz me fez sentir um arrepio de mau presságio.

—Por que está dizendo isso? — Afastei para olhá-lo.

—Por nada. Só quero que saiba que eu nunca vou te esquecer. Você é a única e sempre será muito importante para mim. — Segurou meu rosto com uma expressão aflita, mas continuou me dando selinhos.

—O que está acontecendo? Agora a pouco você estava dizendo que nunca iríamos nos separar e agora vem com esses papos? O que está acontecendo? — Questionei alarmada.

Ele parou de me beijar e ficou calado, distante emocionalmente.

—O que está acontecendo, Edward? Eu fiz alguma coisa errada?

—Lógico que não. Você é perfeita. Você nunca faz nada errado. É a melhor coisa que aconteceu na minha vida... Eu nunca vou esquecer a felicidade que você me deu. — Abraçou-me novamente e alisou o meu rosto. Algo estava errado... Será que ele estava triste porque ia embora segunda e sofria por antecedência? Se fosse, eu tinha que tirar essa tristeza do seu rosto. Determinada, abri a boca na sua, tentando aprofundar, ele cedia por um tempo, mas depois me detinha e segurava meu rosto, com pesar nos olhos tristes.

—Vamos voltar para o salão? — Propus e o puxei. Eu tinha que espantar aquele seu baixo astral. A banda começou a agitar, e eu fiquei empolgada, indo rápido para a pista dançar.

—Bella, eu não vou dançar. — Parou e soltou minha mão.

—Por quê? Também está com dor de cabeça? Toma um remédio. — Insisti, sem deixar seu baixo astral repentino me contaminar.

—Estou meio desanimado. Vou sentar. Fica aí dançando com o pessoal. — Ele me deixou na pista e sentou em uma mesa do canto. Depois passa, pensei. Ele só estava com deprê pré-viagem, convenci-me disso.

Disposta a lhe dar um tempo, comecei a dançar com nossos amigos, perto de Alice e Ryan, empolgada. Em todo o tempo eu jogava beijinhos e fazia charme para Edward. Ele correspondia com um sorriso triste que cortava o meu coração. Então me preocupei com ele e voltei para a mesa, sentando-me ao seu lado.

—Melhora esse rosto vai, anjinho. Vamos curtir. — Beijei sua bochecha. Ele foi comigo para pista, mas continuava triste. A música era agitada, mas ele queria dançar abraçado comigo, apertando-me saudoso, como se ele fosse pegar o avião nesse instante.

—Edward, não estou entendendo a sua mudança. Quero meu namorado aqui. — Exigi e lhe dei vários beijinhos subornadores no rosto.

—Bella, vou lá para o carro. Fica aqui. Estou precisando de um tempinho, pode ser? — Pediu distante. Eu concordei preocupada.

—Tudo bem. Mas quando voltar, volta melhor, ? A noite vai ser longa... Está lembrado que estamos quase indo embora, né? — Sorri sugestiva, ele abaixou o olhar e saiu com a mão no bolso. Dancei mais meia hora, fui ao meu pai e o avisei que já ia embora. De repente um cantinho só nosso resgatasse o seu humor.

Cheguei ao estacionamento, e ele estava encostado de lado no meu carro. Ele não viu a minha aproximação, então o abracei por trás. Ele fungou, e eu tive a impressão que ele limpou os olhos.

—O que foi? — Questionei preocupada. —Você sabe que eu sempre vou te esperar, né? Mesmo que você vá segunda, eu vou continuar aqui, esperando você. — Tentei alegrá-lo. Ele não melhorou, pelo contrário, olhou para cima, respirou fundo e permaneceu em um silêncio angustiante.

Decidida a deixá-lo melhor, peguei seu rosto e o beijei. Ele devolveu um beijo calmo, passando as mãos em meu rosto, em seguida me abraçou forte. Eu estava começando a deixar a sua tristeza me contaminar.

—Vamos para casa. Ainda tenho algo para te mostrar. — Sugeri maliciosamente, entramos no carro e seguimos calados. Chegamos ao quarto, tirei a roupa, tomei banho, vesti uma lingerie branca, e ele não olhou em minha direção. Ele ficou o tempo todo deitado, olhando para o teto com a expressão vazia.

—Edward, o que está acontecendo?

Ele não respondeu. Perdendo ânimo, deitei ao seu lado, e ele encostou a cabeça em meu colo.

—Vamos perder a noite toda com você assim? — Cobrei, tirei o sutiã e acendi a luz pra que ele visse a marquinha do sol. Sorri ao ver um brilho em seus olhos, fiz carinha travessa e ameacei tirar a parte de baixo, porém ele segurou minha mão e cobriu-me com o lençol. Eu ia entrar em colapso com ele assim. Parecia até que era a primeira vez que ele iria embora!

Ele alisou meu braço, rosto, sem palavras, o que começou a me machucar. Tinha alguma coisa errada.

Umas quatro horas, o carro do meu pai chegou.

—Bella, você está acordada?

—Uhum.

—Eu vou lá embaixo. Não dorme. Espere-me, por favor. — Suplicou e beijou minha testa antes de descer. Algo em mim começou a incomodar. Um pressentimento estranho que fazia meu coração doer.

—Bella... — Ele voltou quando eu já pegava no sono.

—Deita aqui... Vem dormir... — Resmunguei sonolenta. —Queria que você voltasse ao normal... Estou com saudade do meu namorado. — Reclamei e puxei seu pescoço, encostando-o em meu peito que estava coberto pelo lençol. Ele suspirou, beijou o meu seio por cima do lençol, subiu um pouco, beijou várias vezes o meu colo, depois foi para o meu pescoço, no mesmo instante que sua mão acariciava minha nuca.

Ele mordiscou meu queixo, beijou devagar meu rosto, minhas pálpebras, então finalmente beijou minha boca. Eu despertei imediatamente. Sua língua entrou em minha boca, sua respiração ficou irregular e ele me descobriu, passando as mãos em toda a extensão do meu corpo. Apertei-o aos meus lábios ansiosa e nos beijamos famintamente, porque nós dois éramos simplesmente assim, fogosos. Abracei-o com força, envolvendo minhas pernas no seu quadril, e ele se entregou, gemendo em minha boca, sugando minha língua. Eu me animei, pensando que ele tinha voltado ao normal e gemi ao tê-lo afagando barriga, seios... Tudo rodava, e eu comecei a desabotoar sua camisa. Todavia ele freou de repente, me cobriu com o lençol e sentou-se ofegante na cama, passando as mãos nervosamente pelos cabelos.

—Bella, estou indo para Forks. — Informou, arfando, e eu sentei meio perdida.

—Aconteceu alguma coisa? — Levantei assustada, segui rumo ao armário e comecei a procurar uma roupa. —Nós vamos ficar lá até amanhã? — Eu não entendi o porquê de irmos para Forks, mas se ele queria ir, tudo bem. Eu só tinha que arrumar minhas coisas.

—Não, Bella... Você não vai. — Somente informou. Olhei em sua direção desnorteada. Ele abaixou a cabeça.

—Por quê? Você não disse que ia ficar comigo todos os dias, independente de onde a gente ficasse? — Relutei, mas algo lá no meu íntimo gritava alerta.

—Mas as coisas não vão ser mais assim. — Explicou baixinho, e sua voz sem emoção fez um arrepio de medo me percorrer.

—Por quê? Eu não estou entendendo. — Me enrolei com o lençol e sentei na cama ao seu lado, esperando uma resposta. Ele olhou em minha direção e segurou o meu queixo, ensaiando algo para falar. Desde que ele mudou lá na festa, meu coração só estava ansioso, mas não aflito. Agora algo dizia que tudo estava muito errado.

—Bella... Não vai dar mais para nos vermos. —Disse quase sem sons.

—Como assim? Você pega avião aqui em Seattle! — Argumentei teimosa em ouvi-lo. —O que não vai dar? Fala claro.

—Não dá mais para ficarmos juntos. — Disse, enfim.

—Por quê? —Questionei magoada. — É só porque você vai segunda para a capital? Você sempre vai, e eu sempre soube. Eu não prometi esperar? — Continuei insistindo, mas a realidade já ficava clara.

—Eu não quero que me espere mais. — Disse pausado e colocou a cabeça entre as mãos, olhando para o chão.

—Não quer?

—Não.

—Por quê? Eu não importo mais para você? — O pânico fez minha voz sair trêmula, e comecei a arfar.

Ele não respondeu. Deitou de costas na cama, olhou para o teto e respirou fundo. Sua respiração estava instável e nervosa.

—Você não vai entender... Mas não é por causa de você... É por causa de outra pessoa...

—Eu não estou entendendo mesmo! Fala claro, Edward! — Alterei o tom e deixei o medo se alargar no meu peito.

Ele travou. Se tinha intenção de falar algo, retraiu-se e desistiu.

—Não posso falar... Eu queria, mas eu não posso. — Disse angustiado.

—Fala, por favor, o que está acontecendo? Até ontem você me amava, agora está dizendo que vai me deixar por causa de outra pessoa! — Supliquei mordendo os lábios para conter o choro. Ele travou os dentes e fechou os olhos, parecendo estar muito mal. Eu continuei, agora com um pouco de desespero. —Você disse que era fiel, prometeu que nunca ia me deixar, ficou comigo a semana toda... —Acusei. — Não tem três horas que disse que eu era sua dona e que eu era muito importante para você. Putz, me fala! O que há de errado? O que aconteceu que agora vem me dizer que não dá mais? — Implorei, sentindo a voz falhar, mas eu não iria me permitir chorar. Não com ele me dizendo que estava me deixando por causa de outra pessoa. —É quem? É a Sophia, não é? — Ele não respondeu e colocou as mãos no rosto, balançando a cabeça em negativa. Fiquei pensando, calculando quem podia ser... Só podia ser outra mesmo.

Com um restinho de dignidade, levantei, peguei o colarzinho no porta-jóias e entreguei nas mãos dele.

—Tudo bem, Edward. Não irei insistir. Foi bom enquanto durou. Só não precisava ter me iludido. Se você queria só passar uma semana comigo, não precisava disso tudo. Foi bom pra mim também. — Sussurrei fria, com ácido na garganta, depois deitei de costas para ele na cama.

Ele continuou lá, segurando a correntinha com olhar infeliz.

—Você quer que eu devolva os presentes que você me deu também? — Questionou. Sua voz estava falhando pelo nervosismo. Ele parecia sofrer, mas eu não entendia o porquê de seu sofrimento.

—Não, Edward. Não me devolva nada. Eu dei porque gosto de você e não quero de volta. — Afirmei, tentando manter a calma.

Sua presença em meu quarto me deixava abalada, fazia-me ter espasmos de ansiedade e angústia. Mas eu não devia chorar. Chorar acabava comigo. Foi bom, era isso. Se ele aproveitou esses dias, eu também aproveitei.

—Bella, você disse que éramos atraídos pelo destino, mas não somos. A vida brincou conosco... Eu não acredito mais em nada... Não vai mais existir amor em minha vida... Tudo se encerra aqui... — Inclinou-se em minha direção, que estava de costas para ele, e passou os dedos em meu rosto. —Eu quero que acredite em mim. Mesmo que tudo tenha mudado agora, tudo que eu disse para você que senti e sinto é verdadeiro. Eu lamento estar fazendo você passar por isso, dói muito mais em mim. Todavia, eu não tive como evitar. Simplesmente aconteceu. Tinha que acontecer. Infelizmente foi a nossa união que desencadeou a série de acontecimentos ligados, então o correto é nos separarmos.

As lágrimas queriam brotar dos meus olhos sem que eu quisesse, ainda mais com ele falando coisas sobre gostar de mim e justificando o término com palavras que eu não via significado. Nada se encaixava. Eu não entendia e tudo me levava à beira do desespero.

—Edward, eu não estou entendendo! Se você quer simplesmente me deixar, seja lá por quem for, PARE DE DAR DESCULPAS! Acontece! Tchau! Valeu! Foi bom enquanto durou! Vai embora! Já chega! Me deixa em paz! — Tomei fôlego, tentando conter o choro.

—Ela não tem outra opção, nem ninguém por ela... Você tem. — Justificou implorativo. Parecia querer se abrir, mas não tinha coragem o suficiente.

—O quê? Ela está grávida de você, é isso? — Deduzi e sentei, tentando soar amigável. Eu queria adotar uma postura amiga, já que isso eu ainda podia ser.

Ele ficou em pé e olhou para mim desaprovador.

—Bella, você não acredita em nada do que eu falo, não é? — Ajoelhou-se em minha frente e pegou em meu rosto, alisando docemente. Aquilo doeu como se eu estivesse com a pele sendo arrancada. Sua compaixão era mais dolorida do que sua rejeição. Ele não precisava ter pena de mim. Eu me recuperaria.

Fechei os olhos e respirei fundo, buscando concentrar-me.

—Está tudo bem, Edward. Eu não estou triste com você. Quando sair, feche a porta. — Pedi com falsa resignação e deitei entorpecida.

Ele segurou meu rosto, encostou o lábio e beijou minha bochecha.

—Desculpe, Bella. — Pediu melancólico, e eu não via explicação para sua tristeza. Tentei manter minha expressão firme para não cair na armadilha de chorar. Ontem eu tinha certeza do seu amor por mim. Ontem estava tudo perfeito. Ele devia ser muito falso para ter me enganado assim.

Depois de me olhar pesaroso por alguns minutos, ele saiu e levou sua bolsa, deixando-me deitada, sozinha. Bloqueei meus pensamentos, suspirei e tentei dormir para não me permitir chorar. Eu não queria pensar. Tentar entender seus motivos me machucaria infinitamente, então deixei o cansaço e o abençoado torpor me invadir e entreguei-me ao sono da madrugada.

Narrado por Edward

As árvores passavam como vultos por nós. Eu não imaginava a velocidade que estava. Os meus olhos teimavam em tornarem-se úmidos por causa da angústia que doía em meu peito. Tudo era maior do que eu achava poder suportar. Havia um silêncio total no carro, sendo interrompido somente pelos soluços da Esme que estava sentada ao meu lado no banco da frente. Meus dois irmãos não sabiam o que se passava e estavam com os olhares ansiosos em nossa direção.

—Mãe, o que está acontecendo? — Jasper perguntou cautelosamente, passando carinhosamente as mãos em seus cabelos.

—Nada, filho. Depois conversamos. — Soluçou novamente.

—Desculpe, mãe. Isso poderia ter sido evitado se não fosse por mim. Eu quem pedi que você não falasse em março quando eu te liguei. Se você tivesse falado aquela época tudo teria sido evitado. — Expus a culpa que me corroia desde que Bella disse que era recente.

—Edward, pare! A culpa é minha. Eu que deveria ter sumido. A princípio, nada disso teria acontecido se eu não tivesse ido trabalhar para ele e me envolvivo novamente! — Disse aos prantos e nada que eu falasse ajudaria.

Continuei fitando a estrada enquanto a viagem se seguia. Lembrava dos olhos incrédulos de Bella, de suas palavras doloridas, de seus atos, de ter semeado dúvidas em seu coração sem estar intencionado... Se não fosse assim, eu não conseguiria sair de lá. Eu não iria conseguir deixá-la.

—Desculpe, filho... Atrapalhei sua vida. — Murmurou perdida em lágrimas.

—Não ia dar certo mesmo, mãe. Ela é jovem. Supera. — Tentei ser firme.

Olhei pela janela e respirei fundo, pesaroso. Bella não merecia isso. Eu queria poder arrancar a sua dor. Eu a conhecia e sabia que o que ela sentia por mim era real. E mais uma vez eu não podia lhe dar respostas verdadeiras por causa do segredo de outra pessoa. Mais uma vez machucando-a. Essa foi a última vez que tomei seu tempo, sua paciência e sua juventude! Devia deixá-la prosseguir com sua vida, embora eu soubesse que nunca amaria ninguém como a amo.

Narrado por Bella

Acordei domingo umas onze da manhã e meu pai estava deitado no sofá, com semblante de quem não tinha dormido. Alice estava em seu colo, com o rosto triste também.

—Oi, pai. — Beijei o seu rosto.

—Oi, Bella.

—Pai, por que Esme foi embora? — Perguntei naturalmente, fingindo estar bem.

—Ela terminou comigo, Bella. — Revelou pesaroso.

Fiquei parada, dissolvendo a informação mais chocante ainda que a minha.

—O que aconteceu? — Sentei no braço do sofá solícita.

—Não sei. A noite estava ótima, eu a pedi em casamento, e ela fez foi terminar. Depois avisou que estava deixando a empresa e que ia se mudar de Forks. — Informou sem emoção. Meu coração deu uma pontada ao ouvir isso. As lágrimas de decepção quiseram invadir meus olhos, mas não deixaria minha mágoa afetar meus familiares.

Como Edward disse: estávamos errados, o destino não quis nos unir... Nós forçamos e tudo deu errado... Agora muitas pessoas estavam sofrendo por causa disso. O que mais doía era não conseguir visualizar os motivos. Por que o fato dele me deixar por outra pessoa fazia com que sua mãe deixasse o meu pai e se mudasse da cidade?

Ele não mudava. Não queria deixar os outros serem felizes. Por que ele simplesmente não terminou comigo e deixou a mãe dele ser feliz com o meu pai?

Segunda-feira, todos em minha casa evitavam a todo custo perguntas ou o assunto família da Esme. Emmett foi a Forks logo cedo, completamente apreensivo com a história que meu pai disse sobre Esme mudar-se de Forks. Fiquei deitada assistindo filme de guerra com Alice na sala. Ela estava muito chateada, pois tudo ocorreu depois de sua festa. No fundo eu devia ter visto antes que estava bom demais para ser verdade. É bom que na vida sempre fiquemos desconfiados. Quando as coisas estiverem boas demais, pode esperar que vem algo ruim por aí. Com Edward sempre foi assim. Eu nunca pude confiar completamente nesse nosso relacionamento. As coisas nunca foram fáceis para nós. Não adiantou eu sempre lutar sozinha quando ele me engana e mente para mim...

Eu não vou pensar nisso! Eu não vou me permitir pensar nele e nem sofrer. Meu cérebro mandava comandos.

Ao fim da manhã, ouvi um barulho de carro estranho estacionando na garagem da frente e fiquei atenta. Parecia uma caminhonete. Imediatamente, meu coração palpitou e eu olhei em direção a garagem... Vi Edward através dos vidros conversando com o jardineiro, depois seguir rumo à entrada da frente.

—Oi, Bella... Er, vou deixar a chave do carro aqui no aparador. Avisa para o seu pai. — Informou desconcertado, colocou a chave no vidro e saiu, ainda olhando em minha direção. Eu o ignorei completamente e continuei vendo o filme. Falta de educação, eu sei, mas eu tinha algum orgulho.

—Bella... Você pode vir aqui? — Parou na porta e perguntou.

Eu olhei desacreditada em sua direção, com o coração doendo e dizendo não, mas eu não devia ser tão mal educada. Essa foi minha desculpa. —Fala daí. — Pedi e continuei deitada no sofá.

Hesitante, ele se aproximou e sentou no puff em frente ao meu sofá. Tentei não olhá-lo para não recair, até porque seus olhos pareciam ter compaixão por mim, e eu não queria isso dele. Ele não precisava ter dó de mim. Eu aproveitei dele. Não foi bom só para ele. Repeti orgulhosamente.

—Vem me dar um abraço de boa viagem... De amigos... Isso você nunca vai deixar de ser... Minha melhor amiga. — Disse com a voz baixa e tímida. Alice, que estava no sofá da frente, olhou em nossa direção desacreditada.

Eu continuei fitando a TV. —Edward, não acha suficiente isso tudo, não? —Apontei para o carro. — Pra que abraço? — Perguntei fria. Ele permaneceu me observando, calado.

Depois de uns segundos, suspirei rendida, imaginado que estivesse muito difícil para ele me pedir isso, levantei e caminhei em direção à garagem para conversar longe dos olhos acusadores de Alice. Ele veio atrás. Se tinha algo que podia ficar entre nós realmente era a amizade. Tínhamos uma história interessante. Eu podia ser amiga dele. Não sou uma pessoa má ao ponto de negar-lhe isso. A vida é assim, as pessoas gostam e desgostam. O que pode restar disso é amizade.

Ao chegar à garagem, senti um tambor latejar em meu coração. Fiquei parada, ansiosa, e levantei os olhos para olhar em seu rosto. Ele parecia nervoso, e, sem perder tempo, puxou a minha mão e me abraçou forte, com a respiração acelerada.

Estar em seus braços pela última vez rachou algo dentro de mim e todas as minhas defesas caíram ao chão. Eu prometi para mim mesma que não ia sofrer, prometi que não ia chorar, todavia essa armadilha de amigo me quebrou. Eu queria chorar o que estava represado desde sábado, mas, heroicamente, eu me segurava.

Depois de um longo tempo me abraçando, ele levantou o meu queixo, olhou em meus olhos, que estavam úmidos pelas lágrimas reclusas, e, sem minha autorização, abriu os lábios nos meus. Eu não tive forças para me soltar e aceitei, sentindo meu coração sangrar... Uma despedida.

Eu me odiei pela minha falta de amor próprio, por me deixar sofrer assim. Odiei por ser fraca e apaixonada. E devia odiá-lo também. Mas pelo contrário, me apeguei a ele insistentemente, como um bote salva-vidas, querendo mais e mais dele. O amava, mesmo que ele só pudesse dar de si seus míseros beijos.

Ele aprofundou, ofegante, sugou minha língua faminto e me apertou. Eu não me importei se tinha funcionários pela casa ou se Alice me censuraria e enlacei o seu pescoço, tomando tudo dele. A dor em meu peito mandou lágrimas para os meus olhos, que desceram sem minha permissão. Não sei quanto tempo se passou, sei que ele continuou, continuou. Mesmo resfolegando, mesmo faltando o ar, ele não parecia querer me deixar. Como ele podia estar me deixando por outra se seus beijos mostravam sua paixão por mim?

Um tempo depois, arfei, e ele me abraçou forte, encostando-me em seu peito, ainda me apertando muito.

—Er... — Ensaiou algo para falar.

—Não precisamos conversar. — Cortei-o bruscamente. —Foi só uma despedida... Eu sou melhor em despedidas do que você. — Limpei os meus olhos, tentando me recompor, mas continuei com a cabeça em seu peito. —Quem vai te levar ao aeroporto? — Arrumei um assunto.

—Minha mãe. Ela está me esperando aqui em frente.

—Estão se mudando, né? —Comentei. — Vocês vão levar Jasper da gente. Vamos sentir tanta falta dele. — Expus neutra, tentando soar amigável.

Sem responder, ele olhou para o céu uns minutos e tomou várias respirações, ainda abraçado a mim.

—É o melhor. Desculpe... — Lamentou, depois me olhou intensamente. Eu não conseguia desvendar seu olhar. —Bella, promete não deixar de ser próxima, de ser minha amiga... Não quero nada mais além disso. —Suplicou. — E, me desculpe por tudo... Er acredite em mim... Eu sempre amei você. — Acariciou meus cabelos enquanto falava e tudo me feria de uma maneira infinita. O que adiantava dizer isso agora?Eu não respondi. Ele segurou em meu queixo novamente, olhou-me por incontáveis minutos, beijou-me ternamente e saiu.

O amor de Almas Gêmeas é inesgotável, não diminui à medida que o relacionamento continua, mas aumenta cada vez mais.

Não existe namorado, amante ou amado, muito menos divisões, desuniões ou desilusões.

O amor subsiste em outros planos e em outras ocasiões.

É eterno.

(Fonte do trecho desconhecida - Internet)

Toda fic precisa de um draminha, né?

Não fiquem bravas.

No próximo capítulo as coisas se resolvem, a Bella começa a amadurecer e parar de implorar, o Edward começa a aprender. E por aí vai. As pessoas precisam amadurecer. E eles são muito novinhos.

Bjks