Narrado por Jasper
Flashback
Encostados ao carro, ela me beijou como eu nunca imaginei. Um chupão mesmo. Muito diferente da outra vez. Eu já não conseguia controlar as minhas mãos. Só de me encostar a ela, já ficava doidão. Beijar Alice não era como sempre fazia com as outras meninas, só para mostrar que tinha uma pegada boa. Não. Fazia tempo que eu não sentia tanta vontade de ficar assim com alguém.
—Jasper! — Uma voz intrometida nos interrompeu. Era Edward, que gritou possesso e veio embaçar o meu esquema. Soltei Alice e ela encostou-se ao carro do Emmett, um pouco vergonhosa. —O que é isso? — Ele questionou. Fiquei bolado com o mala do meu irmão. Como assim o que é isso? Lógico que ele sabia o que era aquilo. Estava pegando a irmã da namorada dele. O quê que tinha? Quando ele começou a pegar Bella, ela também tinha quinze anos. Meu irmão é muito sinistro. Ficou minutos de costas, xingando e passando as mãos no cabelo, parecendo quebrar a cabeça com alguma coisa. Depois de um tempo se virou de novo para mim, aparentemente mais calmo. —Vocês estão ficando? — Acusou. Ih, tava doidão mesmo. Fazendo esse show todo só porque estava dando uns pegas em sua cunhadinha. Eu que não ia responder. Do jeito que ele era abelhudo iria me azucrinar.
—Ficando não. Estamos namorando desde hoje, né, Jasper? — Foi a nanica que respondeu com um tom desafiador.
Ele ficou parado, com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança, após um tempo desinfetou. Aff! Acabou como o clima. Meio sem jeito de voltar à pegada, peguei na mão de Alice e voltamos para a festa para dançar. Alice não conseguiu entender as atitudes esquisitas do meu irmão. Nem eu!
Fim do Flashback
Narrado por Bella
Segunda à noite, quando meu pai chegou e viu a Navigator que ele deu para Esme aqui na garagem, eu vi a dor em seu rosto, que mesmo que ele tentasse esconder, foi perceptível. Nessa hora eu tive certeza que eles não nos mereciam. Pena Jasper ter uma família como aquela. O Emmett, coitado, ficou desconsolado. Parecia que a garota da família também queria dar um fora no meu irmão.
Na verdade, não sei porque nos permitimos sofrer assim. Todos aqui em casa são bonitos, conhecidos, com chances de conseguir pessoas muito melhores. Então nós vamos superar... A minha família entrou nessa por minha causa e eu farei de tudo para sairmos juntos dessa.
Até que meu pai nos chamou para fazermos uma viagem, mas isso seria uma fuga da realidade, e realmente não precisamos disso. Nós vamos enfrentar diariamente. E vamos esquecer esses últimos meses. Afinal, foram poucos meses, nada que uma vida toda pela frente não supere. Tudo bem que hoje estamos fracos. No entanto nada melhor que um dia após o outro para esquecermos isso.
—Pai, vou passar as férias indo para o jornal todos os dias. — Informei, olhando para o clipe que passava na TV, porém sem prestar atenção. Todos estavam distraídos na sala. Alice estava deitada com a cabeça no colo do meu pai e Emmett deitado no outro sofá. Todos pensativos e distantes.
Jéssica, agora que assumiu o namoro com Mike, ficava presa com ele em seu quarto quase o dia todo. Não devia nem saber o que se passava. Eles tinham motivo para estarem felizes. Jéssica me surpreendeu. Pelo jeito estava adorando o fato de seruma futura mamãe.
Eu torci que os dias passassem logo. Queria a felicidade de volta à minha casa. Esperava que esse bebê nascesse logo. Iríamos amar ter algo novo trazendo luz.
—Bella, são suas férias... Você tem que descansar. — Papai alertou preocupado.
—Pai, eu quero ir trabalhar. Não quero ficar dentro de casa.
Se fossem outros tempos, papai diria: eu disse que ele não era para você. Mas dessa vez ninguém ousou falar nada. Estávamos todos no mesmo barco, restava-nos somente respeitar um a dor do outro. Ah, mas eu iria sair dessa... A partir de amanhã colocaria novos planos em prática. Iria ocupar todos os meus horários disponíveis para evitar pensar nele.
—Tudo bem. E Alice? — Meu pai questionou.
—Por que ela não vai também? Nem que ela fique meio expediente e volte. Pelo menos não vai passar o dia em casa vendo TV. — Propus e ela sentou, parecendo interessar-se. —Vamos também, Emmett. De repente tenha alguma área de informática precisando dos seus serviços.
—Vou pensar, Bella. — Emmett respondeu desanimado. Eu tinha dó do meu irmão. Ele era o mais carente daqui e parecia gostar mesmo daquela garota.
Terça-feira, cheguei cedo ao jornal sem imaginar o que fazer, mas pretendia ficar com meu pai e aprender mais serviços de sua rotina. Colocamos Alice para atender telefones na recepção. E ela pareceu se divertir. Quis até colocar um terninho para viver a personagem de garota trabalhadora.
—Pai, e o escritório de Forks? — Perguntei enquanto conferia uns gráficos de investimentos com ele.
—Mandei um funcionário para lá. Ontem, ficaram só os funcionários habituais, mas hoje já começou outro gerente. — Explicou evasivo. Ok, era bom evitar falar o nome da Esme.
A manhã se passou produtiva. Ele foi paciente, e eu aprendi coisas novas. Descobri que o maior investimento financeiro dele era em imóveis, além de ações na bolsa. Eu devia imaginar, mas ele não costumava ficar ostentando os bens que possuía. Concluí que se eu fizesse mesmo o curso de Negócios iria aprender a investir nosso dinheiro em algo rentável.
Alice foi embora depois de almoçarmos juntos. Eu voltei a auxiliar meu pai, e a tarde passou tranquila.
—Oi, Bella. Não sabia que você estava aqui. —Brandon comentou logo que entrou na sala do meu pai. Eu estava sozinha.
—Preciso ganhar o pão. —Gracejei brincalhona.
—Você ficou bem aí. —Bajulou, referindo-se ao fato de eu estar sentada na cadeira do presidente. Eu ri.
—Ah, obrigada. Tô querendo derrubar meu pai. —Brinquei. Ele sorriu.
—Você foi embora cedo da festa sábado. —Mudou de assunto e sentou na cadeira em minha frente.
—Estava um pouco cansada e com dor de cabeça. — Respondi sem querer prolongar o assunto.
—Hoje à noite vai sair uma turminha para um barzinho na rua do lago, está a fim de ir?— Convidou amistoso.
—Vou pensar... Eu tenho aula de francês hoje à noite... — Interrompi e parei pensativa... Quer saber? Eu não ia mais fazer francês coisa nenhuma. O único motivo de estar matriculada nessa aula era para poder conversar com Edward, mas agora, ele que conversasse com a Sophia a vida toda! Era tudo que ele queria mesmo! —Brandon, que horas vocês vão chegar lá?
Ele olhou-me um pouco surpreso. —Umas oito e meia. Você vai levar o namorado?
—Não. Ele só veio para a festa. — Torci os lábios e abaixei a cabeça. Eu não iria sofrer.
—Então oito e meia esteja lá. — Disse e saiu
Mais tarde, passei na escola de línguas e pedi para cancelarem o meu curso. Porém a atendente pediu insistentemente que eu somente mudasse de curso, afinal, eu já havia pagado por todo o ano. Aceitei. Resolvi fazer língua alemã.
Cheguei em casa, tomei banho e abri o closet. Putz, o cheiro dele estava impregnado em todos os cantos do meu quarto. O pijama que ele usou continuava no closet, espalhando seu cheiro. Senti algo queimar dentro de mim e respirei fundo... Eu tinha que me livrar disso. Suspirando, peguei tudo dele e coloquei em um saco plástico. Eu não iria jogar fora, era óbvio. O melhor era lhe enviar tudo pelo Fedex. Controlando as emoções, me envolvi com os seus pertences e não vi o tempo passar. Passava das oito e meia quando terminei, mesmo assim, não desisti de sair.
Dava os últimos retoques na maquiagem em frente ao espelho quando meu telefone vibrou no meu bolso. Era Edward dando sinal para eu acessar a internet. Ah, mas eu não ia fazer isso! Estava tentando me curar e não iria me massacrar. O certo era me livrar desse celular para não me sentir tentada. Eu tinha que esquecer! Puxa! Já era difícil sem ele ligar, com ele ligando iria ficar pior. Eu tinha que me proteger. Saí do quarto o mais rápido possível, antes que aquela vontade louca de acessar a net me vencesse.
Cheguei ao bar, e já estava a maioria da turminha do administrativo. Brandon, mais que atencioso, reservou um lugar para mim ao seu lado, e eu sentei. Depois de horas entre piadas e histórias engraçadas do dia a dia no serviço, eu tive mais que certeza de que iria conseguir. Eu só precisava ocupar minha mente e meu tempo.
No dia seguinte iria me matricular em uma aula de violino e aperfeiçoamento em piano. Eu estudei piano na escola de música, mas precisava praticar, então iria ocupar o tempo fazendo tudo que amava. Também iria sempre dar umas escapadinhas à noite, como hoje, para quando chegasse em casa, simplesmente capotasse na cama.
—Bella, por que está tão pensativa e distante? — Brandon perguntou.
—Nada. Estou cansada. — Sorri amistosa.
Perto das onze resolvi ir embora, pois no dia seguinte iria para empresa. Brandon acompanhou-me até o carro.
—Bella, seu namorado parece ser uma pessoa legal. Prometo não chamá-lo mais de príncipe. — Brandon fez uma cara cômica de anjo, mas ter tocado no nome do Edward mandou uma dor repentina ao meu coração.
—Terminamos. — Disse impulsivamente e devo ter deixado transparecer toda a dor oculta, porque ele se aproximou e tocou o meu rosto.
—Hum... Quer conversar?... Você gosta dele ainda, né? — Tentou ser gentil.
—Ah, primeiro amor... Mas passa. — Sorri sem humor.
Inesperadamente ele se aproximou e me abraçou. Eu fiquei surpresa, sem ação.
—Olha, Bella, falando como amigo, eu estou aqui. Caso você queira conversar, sair, fazer qualquer coisa que ajude você a esquecer, eu estou aqui. —Dispôs-se solícito. Eu me permiti abraçar. Como eu tentava manter a postura durona em casa e em todos os lugares, poder estar ali sem máscaras, sem ter que me esconder, foi bom.
Após alguns segundos, suspirei e o afastei.
—Obrigada, Brandon. Eu vou conseguir esquecer. Está recente, e eu não esperava que fosse como foi... Obrigada pela amizade. — Soltei do abraço, entrei no meu carro, fechei rápido a porta e saí, antes que as lágrimas desabassem. Foi mais um dia vencido. Era normal que as lágrimas ainda quisessem fluir. Sabia que não seria fácil, mas com força de vontade e determinação eu conseguiria. Não era a única mulher do mundo que foi deixada pelo namorado.
Quarta à tarde, após chegar da Cullen, deparei-me com Jasper na sala.
—Oi, Jasper! — Abracei-o feliz em vê-lo. Ele conversava com Alice. —Veio buscar as suas coisas?
—Sim. E a Rose veio conversar com Emmett. — Respondeu desanimado.
—E aí, quando mudam? — Perguntei usando meu bloqueio contra dor.
—Esse fim de semana. Minha mãe ainda está resolvendo umas coisas.
—Ah. Faz assim, quando você terminar aí, venha ao meu quarto que eu quero falar com você. — Pedi e subi para tomar um banho, pois o dia foi cansativo e em meia hora eu iria para a aula de violino.
Uns dez minutos depois ouvi a batida na porta. Abri, o garoto entrou e sentamos na cama.
—E aí? Como estão as coisas? —Perguntei carinhosa.
—Sei lá. Não dá para entender nada. Disseram que estamos indo embora daqui porque minha mãe largou seu pai e não vai mais aceitar que ele pague o tratamento. Grande frescura! —Rolou os olhos. — Antes ela não aceitava!
—É, eu também não entendo. —Sorri triste. —E como vai ficar o seu tratamento?
—Parece que vai ser em hospital público em Phoenix. Minha mãe já entrou em contato com a nonna, e ela já conseguiu. — Explicou desanimado.
—Jasper, lembra do nosso pacto de irmão? — Perguntei, e ele assentiu desentendido. —Pois é, estou preocupada com as questões financeiras do seu tratamento, então vou voltar a te dar o meu cartão para você comprar remédios ou o que precisar. — Peguei o cartão e entreguei em sua mão.
Ele ficou pensativo, relutante. —Não, Bella, eu já estou ganhando um pouco com os meus joguinhos acessados na internet. — Negou.
—Sim, mas até chegar a dois mil, vai demorar muito. Por favor, aceita. — Supliquei.
Eu me preocupava realmente com o garoto, e tinha medo que eles passassem necessidades, afinal, Esme iria embora sem emprego em vista, então ela não iria ter dinheiro suficiente para sustentar um filho doente. Ele suspirou rendido.
—Tudo bem, maninha. Eu vou aceitar só para emergência. — Rendeu-se, depois me abraçou.
—Anota meu número novo. — Pedi e peguei na agenda, porque eu não tinha decorado ainda. —Qualquer coisa me ligue. Eu vou torcer por você. — Engoli um soluço. Droga, eu estava muito sentimental. Só de abraçar o garoto sentia vontade de chorar.
—Bella, independente do que aconteceu com as nossas famílias, eu quero dizer que vocês foram as melhores companhias da minha vida. As pessoas mais iradas que eu conheci. Vocês são muito loucos e especiais para mim. São meus brothers mesmo. — Declarou solene. —Sabe... Já que você é minha mana, você vai entender... Eu tô meio preocupado com essa doença...
—Não precisa ficar assim, vai dar tudo certo. — Funguei, controlando a emoção.
—Não sei... O tratamento vai mudar.
—Mas por que a descrença?
—Ah, esse negócio de passar por sessões de radioterapia no cérebro e quimioterapia mais forte me deixa preocupado... Por isso estou com um pouco de medo de não poder voltar mais para ver minha amiga bandida e minha garota. — Tentou brincar, mas sua voz o traiu com a tristeza. Eu não consegui mais segurar... Como ontem, as lágrimas teimosas brotaram do meu rosto, e ele, ao ver meu semblante, me abraçou mais forte. Tudo doía de uma maneira sem fim. Não conseguia nem pensar o que estava doendo mais. Se o término, se a despedida do Jasper, se a revolta.
Afastei-me do garoto envergonhada por ser fraca.
—Desculpe, Jasper. Está tudo muito rápido e muito recente... Er, eu ainda estou dissolvendo os acontecimentos... Mas você tem que ter fé. Essa é a primeira arma para enfrentar essa doença. Por favor, você tem que prometer que vai ligar sempre. — Limpei o meu rosto e suspirei, tentando passar a confiança que eu não tinha.
—Tudo bem, Bella. Eu ligo... — Ele me olhou com compaixão e limpou uma lágrima do meu rosto. —Sabe, Bella, eu também estou sentindo muito, só que eu consigo me conter. Não posso ficar me derretendo, né. — Afastou e colocou meu cabelo atrás da minha orelha. Ele parecia estar incerto em falar algo. —Bella... Er, ele também está mal...
Instantaneamente soltei do abraço e deixei a raiva falar.
—Mal nada, Jasper! Ele me disse que tem outra. Que estava me deixando por causa de outra. Ele não está mal coisa nenhuma! —Respirei fundo. — Mas pode deixar, hoje estou melhor que ontem, e a tendência é melhorar a cada dia. Amanhã vou me recuperar mais um pouco. —Disse incisiva, limpando os olhos com o dorso da mão. — Hoje estou assim por você, não por ele. Estou triste porque você se vai da minha casa, e porque eu amo você como meu irmão. Mas quanto a ele... Eu vou esquecer. Nem que demore, mas eu vou conseguir. — Repeti convicta.
Ele deixou os ombros caírem vencido e não disse mais nada, somente guardou o cartão.
Narrado por Edward
Era impossível explicar tudo o que eu sentia. Fazia máximos esforços para conseguir suportar. Não pensei ficar assim por causa de uma mulher. Não era tolerável. Toda a força de ânimo e alegria que habitava em meu ser, se foi, e hoje vivia como um corpo sem alma, um alvo sem fim.
Perguntava-me todos os dias se ainda iria conseguir. Era irrealizável entreter o meu tempo como desejava. Não pensei que passar as férias aqui na Capital fosse me ser tão deprimente. Todos os meus colegas do curso estavam de férias em suas casas, e eu tinha que ficar por ter que ir ao Capitólio.
Completando o meu martírio, o Capitólio estava vazio, com recesso coletivo para os parlamentares. Por conseguinte, eu, como assistente, tinha que ir sozinho, pois se tivesse assembléias extraordinárias, fazia-me responsável por todo o adiantamento da pauta em questão.
Ainda inconformado com o fim do namoro, tentei entrar em contato com Bella no segundo dia que voltei do estado de Washington. Eu queria saber como ela estava, se estava superando... Sentia muito por ela, mas era o correto, embora não fosse o tolerável. O que suavizava a minha dor em tê-la deixado era saber o quanto é era forte, muito mais que eu, em quantidade indefinida.
Para esquecê-la definitivamente, como eu desejava, era indispensável que não me sobrasse tempo e eu não pensasse nela excessivamente, como vinha fazendo. Logo, tornei proveitoso o fato de estar com dias vagos por serem férias e matriculei-me na aula de tênis. Dispus em ordem alternada a leitura das matérias do semestre, distribuindo em dias, variando sucessivamente. Assim teria o que fazer durante o tempo livre enquanto o curso não se iniciava novamente. Também dei início a uma corrida matinal, sucedendo com regularidade. E completando o meu novo caminho a trilhar, baixei um programa intencionado a aprender tocar violão, utilizando do fato de o violão do Ryan estar no meu dormitório. Pretendia assim ocupar o máximo de tempo possível. Se eu não me permitisse cair no vício do ócio desde o presente, habituar-me-ia com facilidade quando o meu dia a dia se normalizasse.
Entretanto, era incrível como tudo que fazia lembrava-me ela... Olhar para o notebook fazia lembrar-me da cena dela dançando seminua. Olhar para o violão do Ryan fazia-me lembrar da cena dela cantando na casa dele uma música para mim. Como eu a amava! Como iria ser difícil esquecê-la! Só de pensar nela, um buraco se abria em meu peito, e eu tinha a sensação de que nunca iria conseguir, restando-me aceitar a dor.
É certo que não havia jeito para nós... Esperava que ela sofresse menos que eu...
Os dias se passaram rápidos e mesmo que eu tentasse, não conseguia conter a saudade, conseguintemente liguei em seu celular novamente, ao menos para ouvir sua voz... Todavia caiu na caixa. Tentei por dias falar com ela, entretanto sempre estava indisponível o serviço. Até que compreendi que ela devia ter mudado o número... Isso era mostra de que ela realmente obstinava-se a esquecer-me. Instantaneamente lamentei por não estar conseguindo em nenhum instante. Nos meus devaneios mais altos, ainda sonhava um dia ela estar comigo. Contudo, caía na real rapidamente e tomava nota ser utopia inalcançável.
No fim de julho, finalmente as férias terminaram. Nunca pensei que fosse desejar tanto isso. Em comemoração, Ryan resolveu fazer uma festa em sua casa de volta às aulas, portanto, depois de muita insistência sua, resolvi ir. Eu necessitava tentar emergir da melancolia que se tornou a minha existência, assim, já na festa, sentei-me no sofá e tomei uma cerveja, enquanto o restante da turma terminava de chegar ao apartamento.
—Oi, Edward, você por aqui! — Sophia se aproximou e me cumprimentou com um beijo no rosto.
—Pois é, cansei da solidão. Passei o mês quase todo sozinho na Universidade, então resolvi ver um pouco de pessoas conhecidas. — Pus, forçado, um sorriso no rosto, expulsando o ar penoso.
Sophia era o tipo de menina que me fazia ficar à vontade. Há muito tempo sua afeição era somente amizade.
—Vamos dois tímidos dançar? — Convidou, tentando ser agradável.
—Acho que não. Nem gosto muito dessas músicas. — Fiz uma careta.
—Tudo bem. — Ela saiu para ficar perto do Ryan, e eu analisei detalhes dela. Bonita, morena, olhos verdes. Não teria sido uma má opção se eu não estivesse tão envolvido assim... Sorte ela estar bem agora.
Ter ficado só naquele sofá remeteu-me à lembrança da última vez que estive aqui... Eu estava com Bella. A tristeza habitual invadiu-me intensamente no momento em que se iniciou o cd da Madonna. O mesmo que tocou por horas enquanto nos explorávamos no quarto da Esme certa noite...
Oh, Deus, nada mudou dentro de mim. Ainda sentia seu perfume em meu nariz. A lembrança dela ainda impulsionava ondas elétricas por todo o meu corpo. Podia imaginar suas mãos em mim... Sobressaltei quando abri os olhos e vi onde estava. Meu corpo todo reclamava a saudade. Frustrado, respirei fundo e me censurei. Eu tinha que me controlar! Sem me despedir, bebi a cerveja no bico e fui embora da festa.
Um mês tinha se passado, e eu me sentia cada vez mais impossibilitado de prosseguir, cada vez mais caindo, desiludido e sem forças. Passava horas com o notebook ligado, esperançoso de que ela entrasse em algum momento, ao menos para que eu perguntasse como ela estava... Porém, ela estava inacessível.
No meio de agosto, com um mês e meio que não nos falávamos, mandei um e-mail pedindo que ela ficasse on-line. Apesar disso, ela não entrou. A sua indiferença, a distância, a falta de contato, tudo me levava à beira da insanidade. Ela riscava-me pertinazmente de sua vida.
Não saber como ela estava atormentava-me. Será que ela conseguia me esquecer? Essa era a minha pergunta diária, e um medo esmagador crescia no meu peito. Porque eu me sentia um desequilibrado emocional? Não conseguia manter-me mais de uma hora concentrado em algo, sem pegar-me pensando nela... Em nós.
Já sucumbindo na minha fraqueza, liguei em sua casa e perguntei ao seu irmão se ela estava. Ele disse que ela saiu com amigos e não tinha horário de chegar. Minha dor foi maior ao ouvir isso... Se ela estava saindo com amigos, com certeza estava bem. Desistiu... Apagou-me de sua vida. Primeiro ela quebrou todas as pontes que nos ligavam... Agora levava a vida adiante.
Tomar ciência disso esmagou-me e abateu-me de modo que não tinha mais controle da situação. Não pensei que uma dor assim existisse... Saber que a qualquer momento teria simplesmente passado por sua vida e que a qualquer momento ela iria esquecer-me completamente torturava de modo frio e pungente o meu ser.
—Oi, mãe. Como estão as coisas? — Liguei para Esme como fazia regularmente.
—Está tudo bem. Jasper está passando mal de vez em quando... E eu também. Mas no geral estamos bem. Vendi a casa de Forks, dizem que o novo dono derrubou tudo e está construindo uma mansão. Ah, já estou tentando comprar uma por aqui.
—E dinheiro? Já posso mandar o que eu tenho guardado?
—Não, Edward. Deixe para caso de necessidade extrema. Por enquanto, ainda tenho dinheiro guardado da minha rescisão. Não estou tendo muitas despesas porque o governo dá os remédios do Jasper e o tratamento dele é público. Guarde seu dinheiro para necessidade.
—Ok. Mas não deixe de falar, por favor. — Insisti.
—Tudo bem. Além disso, a sua avó abriu um restaurante este ano e nem tinha me falado. O movimento está bom e eu estou ajudando. Não vai faltar dinheiro, pode ficar calmo. —Explicou. —E você, filho, como está?
—Estou bem. Minhas notas foram ótimas. Apresentei uns projetos novos para o senador e ele gostou. Está tudo indo como planejado. — Respondi empolgado.
—Mas eu quero saber é sobre você...
—Sim. Estou ótimo. — Disse firme. Não podia deixá-la perceber minha dor.
—Ela te ligou?
—Não... Ela não vai ligar. Fui eu quem terminou com ela. — Disse resignado e deitei em minha cama do dormitório, olhando para o teto. —Ela deve estar bem. — Murmurei e respirei fundo.
—Desculpe, filho. — Pediu triste.
—Mãe, não lamente. Temos coisas demais para nos preocupar. —Disse decidido a lhe passar confiança. —A vida é assim. Tinha que acontecer uma hora. Eu não tenho nada a ver com ela. Há muita incompatibilidade entre nós. — Menti, e as palavras me cortaram dolorosamente. Não devia afirmar aquilo que não acreditava... Mesmo que eu tentasse esquecê-la, Bella continuava sendo minha vida.
—Tudo bem, meu filho. Espero que fique bem. Eu te amo.
—Também te amo, mãe.
Desliguei e deitei novamente na cama, angustiado.
Os dias se arrastaram, e eu trabalhei, estudei, corri, aprendi violão... Mesmo assim, nada conseguiu suprir o calor e a falta que ela fazia.
—Edward, você vai à festa do Ryan? — O senador questionou. Era início de setembro e em poucos dias seria a festa do Ryan. Ele estava em sua sala abraçado à filha, que me encarava de maneira ávida.
—Não, senhor. Estou lotado de trabalhos da universidade. — Neguei desinteressado.
—Mas você não é o melhor amigo do Ryan? —Cobrou. — Deveria ir.
—Vou tentar, senador Evans. — Respondi sem empolgação e entreguei os papéis os quais fui entregar. Sua filha continuou olhando-me com um sorriso. Voltei para a minha sala e pus-me a deliberar mentalmente sobre ir ou não à Califórnia. Até que poderia ser uma boa ideia... Mas, e se Bella estivesse lá? Eu iria conseguir manter-me longe dela, estando tão próximo? E se ela tentasse ficar comigo novamente, eu iria conseguir dizer não? Rá, aparentemente ela não iria insistir... Não preciso me ludibriar.
Depois de pensar muito nela naquele dia, cheguei ao meu dormitório e tentei contatá-la mais uma vez no telefone residencial, em um horário que provavelmente ela estivesse chegando da escola.
Chamou uma vez.
—Alô!
—Boa tarde. Bella chegou?
—Só um momento. — Parecia a voz da Jéssica e supostamente ela não reconheceu minha voz.
—Alow! — Bella atendeu eufórica. Uma ansiedade cortante atravessou meu estômago.
—Oi, Bella. É Edward. Tudo bem? — Cumprimentei inseguro.
Ela ficou calada uns segundos, tempo que pensei que ela tivesse desligado.
—Bella?
—Estou aqui. — Respondeu baixo e distante.
—Você pode ficar on-line? Eu preciso falar com você.
—Fala agora. Eu não estou com tempo. Estou com visita em casa e pretendo sair em uma hora. — Explicou indiferente. Senti um embargo na garganta, uma sensação de perda total. Será que ela iria sair com amigos em plena terça-feira?
—Você vai chegar tarde? Eu preciso conversar com você com tempo... Você podia ficar on-line mais tarde... — Insisti, controlando ao máximo o nervosismo em minha voz.
—Vou ver... — Disse sem vontade. —Amanhã eu tenho aula e se acessar não posso ficar muito tempo... Mas, eu chego umas dez e meia, então se der, ficoonesse horário. — Avisou com pouco caso. Eu nunca vi Bella tão fria. Nem pareceu estar falando comigo.
—Tudo bem, eu te espero. — Respirei fundo, sentindo calafrios.
—Tchau. — Despediu-se e não me esperou responder, desligando rapidamente. Fiquei em choque com sua atitude insólita. Eu não esperava que ela me recebesse com carinho, porém, também não esperava que me tratasse com tanto desprezo e apatia.
Deitei na cama, abri um livro e coloquei o PC próximo, angustiado pela dúvida se ela iria entrar ou não. Olhando em todo o tempo no relógio, esperei dar dez e meia, e ela não entrou, onze horas, e ela não entrou... Se ela disse que estudaria amanhã, era provável não entrar mais. Ainda esperançoso, resolvi esperar mais um pouco, assim, onze e quarenta e cinco ela ficou on-line, todavia não me chamou para a conversa... Esperei-a me convidar e nada... Minutos se passaram e, aos poucos, perdi as esperanças que ela me chamasse... Em poucos minutos ela poderia sair e, de certo, não conversaríamos.
Aflito, conscientizei-me de que ela não fazia mais questão de ver-me ou falar comigo... Porém, eu ainda necessitava dela veementemente... Vê-la poderia abrandar a minha dor, por isso, determinado, tomei ânimo e chamei-a para conversa com vídeo. Ela aceitou segundos depois e sua imagem nítida invadiu minha tela. Ao vê-la, suspirei de saudade, sentindo paralelamente meu estômago contrair. Ela estava deitada, usando um pijama longo e os cabelos presos.
—Oi, Bella. — Sorri, tentando soar amigável.
—Oi. — Respondeu indiferente. Ela rabiscava o caderno de bruços e não olhava em direção ao notebook, que estava em uma cadeira ao lado de sua cama.
—Tudo bem? — Eu queria quebrar o gelo.
—Sim.
Ela não parecia estar, mesmo que minimamente, empenhada em dar andamento à conversa. Fiquei em silêncio, observando-a contemplativo, e ela virou-se em direção ao notebook, séria.
—O que você quer? — Perguntou ríspida. Sua pergunta me deixou sem palavras. Eu não tinha certeza do que queria. De início eu queria vê-la, mas com essa frieza toda no rosto, era melhor não tê-la visto.
—Só conversar... Ainda somos amigos, não? — Tentei sorrir, mas tinha um bolo atravessado na garganta.
—Somos. Então pode conversar. — Voltou a rabiscar, completamente desinteressada e demasiadamente distante. Isso me fez retrair.
Respirei fundo e tentei iniciar um assunto não comprometedor. —Eu queria te contar umas novidades... Estou fazendo tênis e correndo pela manhã. Resolvi fazer o que você disse.
—Nossa, que engraçado. Arrumou tempo agora, é? — Arqueou a sobrancelha, sarcástica. E eu entendi completamente o motivo do veneno. No semestre passado ela aconselhou-me insistentemente a deixar um pouco os livros de lado e fazer exercício. Em nenhum momento eu a ouvi.
Mudei de assunto. Eu ainda queria tentar conversar.
—Como está Jéssica com o bebê? E o seu pai? Como está a turma aí?
—Ai, Edward, você odeia o meu pai. Por que está perguntando por ele? — Espetou com os lábios torcidos em uma careta. Levei um choque com sua resposta e com o olhar pouco receptivo que ela lançou-me. —Quanto ao restante, estão todos bem, obrigada. — Disse insípida. Aparentemente ela já queria cortar o assunto.
—Bella, eu não odeio mais o seu pai. — Defendi, relutante em terminar a conversa assim.
—Então por que armou de afastar sua família da minha? Só porque iria terminar comigo?! — Seus olhos estavam irreconhecíveis, lançando faíscas de intemperança. Eu não devia ter começado essa conversa. Devia ter ficado no silêncio da nossa distância.
—Bella, eu não tenho culpa. — Passei a mão em meu cabelo, ansioso —Er, eu não pude fazer nada... Tenho que proteger as pessoas envolvidas. — Balbuciei. Não sabia como falar disso. Não tinha a intenção de chegar nesse assunto e não havia como explicar sem comprometer.
Ela sorriu rancorosa. —Proteger de quem? De nós? Sinceramente, não entendo e não quero entender. Como entramos nesse assunto mesmo? Vamos esquecer isso... Aliás... — Ela olhou com os olhos cerrados em direção ao notebook. Tive a impressão que não conhecia aquela pessoa. —Por favor, não me ligue, não me chame mais. EU NÃO ESTOU INTERESSADA EM CONVERSAR COM VOCÊ. Grave isso. Esse negócio de amiga não vai dar certo. — Sua voz foi pausada e firme. Aquilo me dilacerou.
—Bella... Cadê você? Eu não estou te reconhecendo. — Murmurei magoado.
Ela sorriu amarga.
—Ai, Edward, você me surpreende... Sabe a Bella que você conheceu, que insistia pela sua atenção e o seu amor... Além de tudo, que insistia para você ficar com ela desde que te conheceu?... Rá! Ela não existe mais... Com lágrimas e decepções ela foi enterrada dia após dia... Sabe, Edward, eu não consegui ainda, por isso eu estou aqui conversando com você, mas pode ter certeza que eu vou me libertar completamente de você. Eu vou conseguir... — Disse firmemente, e suas palavras se atiraram cruelmente a mim, derrotando-me por completo. Conversar com ela assim era muito pior que não ter notícias suas. Ela continuou. —Tudo bem... Amiga, né? O que aconteceu com a sua amiga daí? Ela não está aí hoje, não? Por isso está me procurando? — O sarcasmo em sua voz me causou calafrios espinhais.
Abaixei o olhar, já estava disposto a desligar, porém olhei antes em seu pescoço e vi o colar que eu lhe dei e deixei sobre o criado, na nossa última noite juntos. Por que ela o usava ainda, se ela tinha dezenas de colares e pingentes? Seria por ainda me amar?
Invadido por uma súbita esperança, resolvi ter mais minutos dela.
—Bella... Acredite em mim... Eu juro... Não tenho nada com a Sophia. — Pedi humildemente. Mesmo que não fôssemos mais namorados, não queria que ela tivesse essa imagem de mim. Eu gostaria de poder voltar atrás e anular todas as palavras que proferi naquela madrugada.
—Não importa, Edward, o que importa é que você... Ah, quer saber, dá licença. Tenho que dormir. — Cruzou os braços, impaciente.
—Eu não via outro motivo de terminar com você... Por isso falei isso... — Insisti mais uma vez.
Ela sorriu novamente, mas agora com dor.
—Ah, tá. Obrigada por ser sincero. As coisas são muito piores do que eu pensei. Então inventou uma história para conseguir terminar comigo? — Ela balançou a cabeça em negativa. —Por que se deu o trabalho, Edward? Era só falar!
Tudo estava ficando mais complicado do que eu imaginava que fosse.
—Não é isso... Você está entendendo errado. — Desviei os olhos, impossibilitado de continuar olhando para a tela.
—Sabe, Edward, eu já entendi tudo... Não precisa enrolar, nem se justificar... Já era... Foi... Tudo certo... Não precisa ter pena de mim por me dizer a verdade. Fique bem, eu estou bem. Eu só preciso me manter longe de você. Então, POR FAVOR, não me procure mais. Pode ficar calmo que eu consigo me sair bem de problemas. Não precisa ter DÓ de mim e não se culpe por nada. Não deu, não deu. Foi bom enquanto durou. Mas olha só... Não dá para sermos amigos. Eu não consigo, então, por favor, mas, por favor, mesmo, deixa pra lá. Um beijo.
Desconectou, e eu respirei fundo várias vezes, segurando a cabeça em minhas mãos. Depois de conversar, as coisas ficaram muito piores em mim do que antes. A angústia ricocheteava em meu peito, e eu, estremeci, tentando controlar a dor que aumentava como uma cratera em meu peito. A realidade refletia, mostrando que, ao contrário de mim, ela estava se saindo bem... Conseguia enfrentar... Poderia ser até que já estivesse conseguindo... Pior era eu... Sentia-me perdido no espaço, solto, onde se eu não me prendesse a algo, poderia cair em um infinito de tristeza.
Eu tinha que tentar reagir.
Mais dias se passaram. Ainda perdia o sono pensando nela, e muitas vezes só conseguia dormir ao raiar do dia. Vivia desmotivado, com noites insignificantes, como se o luar e as estrelas não existissem... Pequenos detalhes de nós dois vinham às minhas memórias... Lembranças simples como a lua que contemplava, a mesma de Seattle... Lamentava que não fôssemos mais ligados pelo mesmo ponto. Sentia-me em um lugar obscuro e desolado, completamente privado de calor.
Com a nova rotina estipulada, não sobrou mais espaço livre em minha agenda. Acordava às cinco horas, corria, acessava o jornal de notícias, ia à faculdade pela manhã, almoçava, ia ao Senado algumas tardes. Fazia tênis segunda e quarta a tarde, e o restante do meu tempo livre entrava de cabeça nos livros. A despeito da ocupação, eu não conseguia diminuir a intensidade desse amor. E isso me tornava um fracassado e vazio de vida.
No meio de setembro, viajei da Capital para Califórnia no jatinho com o senador para festa do Ryan. A irmã dele vinha se comportando bem nos últimos dias. Parecia ter desistido. O senador, em todo tempo, tratou-me como alguém estimado. Ryan tratava-me como irmão. A Sra. Evans era extremamente atenciosa e educada. Logo, senti-me acolhido em sua residência.
Chegamos cedo ao salão de eventos para que Ryan desse os últimos ajustes. Sentei-me ao bar e tomei alguns drinks enquanto Ryan recepcionava seus convidados. Fiquei distraído com o copo sem perceber o tempo passar. Só me dei conta que a festa estava lotada quando fui surpreendido pela presença de Sophia, que me deu um beijo receptivo no rosto.
—Por que está tão pra baixo ultimamente, Edward? — Iniciou, sentando-se na banqueta ao meu lado no bar.
—Nada. Estou exausto. Minha vida está muito corrida. — Respondi desanimado.
—Hmmm, entendo. Mas hoje você não escapa de dançar comigo. Você vai me fazer companhia, pois vou ter que ficar sozinha quase a festa toda. — Sorriu tímida e olhamos juntos para o salão. Com certeza ela iria ficar só. Em uma festa dessas era difícil para meu amigo dirigir a atenção somente a uma pessoa.
—Eu iria, Sophia, mas você sabe que eu não gosto muito. — Esquivei-me. Queria fazê-la desistir de uma maneira sutil.
—Aquele dia você dançou com sua namorada. — Lembrou e sorriu tentando me convencer. Ela tentava ser gentil e quebrar o meu estado contínuo de tristeza. E, pensando bem, eu poderia dar uma chance para a amizade profunda que ela tentava me propor. Talvez dançar com uma amiga fosse até bom para mim.
—Ela não é mais minha namorada. — Tomei um gole de uísque, peguei em sua mão e direcionamo-nos a pista de dança.
Dançamos duas músicas agitadas, e o álcool já fazia efeito, pois aos poucos eu consegui me soltar e me divertir. Sophia era uma boa companhia, além disso, ela nunca forçava. Mesmo hoje, o que ela queria era ser legal. Sorrimos, enquanto nos movíamos, a música me deixou bem. Entretanto, na terceira música senti minha cintura sendo abraçada. Quando virei, era a irmã do Ryan quem me abraçava por trás.
—Pois não? — Franzi o cenho e olhei desacreditado para ela. Não imaginava porque uma pessoa tão bonita não se valorizava e não me deixava em paz. Mesmo que ela também fosse filha do senador e irmã do Ryan, se ela forçasse, hoje eu daria um basta.
—Vem dançar comigo, por favor. Eu sou a aniversariante. — Pediu doce e educada. Eu estava mais habituado com sua petulância, então fiquei sem ação.
—Sophia, daqui a pouco dançamos mais. — Avisei com um sorriso de desculpas. O uísque devia ter subido e alterado meu julgamento. Ter coragem de dançar com a irmã do Ryan era algo que eu não contava!
Começamos a dançar, e foi um erro, pois eu ficava incomodado perto dela, com o modo como ela me olhava. No entanto, dessa vez não era com o olhar libidinoso que comumente lançava. Era diferente, talvez meio... Terno? Ou apaixonado? Acho que eu estava quase ébrio!
—Posso te pedir um presente? — Perguntou próximo ao meu ouvido.
—Se eu puder dar... — Continuei sério.
—Fica comigo hoje. Prometo nunca mais te encher com esse assunto... Eu quero você... Experimentar você. — Suplicou. Foi meio direta para uma mulher, não? Eu não respondi de imediato, ganhando um tempo para deliberar o assunto. Ficar... Ela seria a terceira mulher que eu beijaria em minha vida e, quem sabe, a primeira com quem iria para a cama... Pensar isso, involuntariamente, trouxe uma sensação de perda. Lembranças de tudo que poderia ter sido repassaram como filme... Bella foi meu primeiro beijo... E seria minha primeira e única mulher... Os pensamentos e recordações se apoderaram da minha mente, trazendo-me angústia. Suspirei e limpei o cérebro das lembranças. Devia olhar para frente, repeti isso mentalmente.
Ainda dançando, olhei de novo para a garota a minha frente e analisei os detalhes da proposta. Se eu pensasse somente com o corpo, o que ela me oferecia era tentador... Porém, eu não estava interessado em simplesmente uma noite de prazer. Seria realização física e rejeição emocional, em meio a sentimentos caóticos. Mesmo que ela estivesse mais educada, por trás dessa máscara se escondia um ser que pensava que poderia ter a tudo e a todos. No mais, todos os meus desejos estavam direcionados a uma só pessoa.
—O que eu tenho de errado? Por que você não gosta de mim? Você me acha feia? — Perguntou magoada.
Franzi o cenho, silencioso. Outrora, Ryan disse que ela não conseguia ser contrariada. Que tudo que ela queria o pai dava sem objeção. Talvez por isso ela fosse assim.
—O problema não é você. — Tranquilizei-a gentil.
—Você ainda está namorando?
—Não. Terminamos. — Revelei. Nem eu soube o porquê de ter falado. Talvez por não gostar de mentir.
—Então fica comigo. É o maior presente que eu poderia ganhar na minha festa. — Ela submeteu-se humilhantemente a esse pedido. De novo, pensei mais uma vez nas possibilidades... Ela era bonita, estava até agradável hoje... Talvez fosse bom ter um uma fuga momentânea da realidade opressora.
Suspirando, olhei de novo em seu rosto e não conseguia ver quem estava ali... Peguei em seu cabelo, mas não o visualizava louro. O álcool me fez ter visões de Bella. Virei o rosto, piscando para limpar as vistas e vi a metros de nós um casal dançando. Droga, iria ver Bella agora em tudo que era lugar!
Porém, a imagem ao lado era real demais para ser ilusão óptica, e, confuso, olhei de novo a minha frente. Estava lá, a irmã loura do Ryan. Pisquei, desviei os olhos novamente para olhar ao lado, e a garota que dançava próximo era... Ela mesma... Bella.
Por que não tive certeza que ela viria? Em março ela confirmou com Ryan! Ela não seria covarde o bastante para não vir. Mas quem era o acompanhante dela? Eu o conhecia de algum lugar... Ah! O estagiário que ela me apresentou na festa da Alice... E exatamente o mesmo que dançou com ela no ano novo... Será que ela estava com ele agora? Se estivesse, aparentemente estavam felizes...
Perturbado com a imagem, perdi a noção da realidade, parei de dançar e fiquei estático, olhando em direção aos dois.
—Que foi? — Sem aviso, a irmã do Ryan aproximou-se e beijou o meu pescoço. Aquilo me tirou da inércia.
—Desculpe, Srta. Evans, não faça isso de novo. — Contive-a com as mãos em seus ombros.
—Não me chame assim, por favor, me chama pelo meu nome, é Ashley. — Continuou carinhosa. Mesmo com toda a história de investidas entre nós e, mesmo que ela tivesse beijado meu pescoço, eu não queria ser mal educado.
—Ashley, eu não estou mais disposto a dançar. Desculpe-me e dê licença, por favor. — Deixei-a na pista e voltei para o bar.
Sentei arrasado na banqueta e segurei minha testa com a mão em torre. Eu estava decepcionado comigo. Bella conseguia e eu ia à zero. Pedi mais um uísque e bebi, destruído como um condenado. Eu nunca imaginei que fosse tão fraco, que iria me deixar acabar na bebida sem forças de ao menos ir cumprimentá-la.
—Que foi, Edward, que está branco? — Sophia perguntou ao sentar-se ao meu lado.
—Nada. — Tentei evadir e virei outro copo, sentindo, com desconforto, seus olhos sobre mim.
—Aquela é sua ex? — Ela apontou para a pista. Eu não respondi e virei de costas para a pista. —Por isso você está assim? Porque ela está acompanhada... — Deduziu e colocou uma mão em minhas costas.
—Desculpe, Sophia, não quero falar sobre isso.
Ela não insistiu no assunto. Minha vontade era fugir, porém, eu não podia me acovardar. Devia seguir em frente. Ainda que, com Bella tão próxima fosse muito difícil.
—Vamos dançar novamente, Edward. — Sophia propôs após um tempo de silêncio.
—Acho melhor não. Acabei de deixar a irmã do Ryan desacompanhada na pista, talvez isso seja um pouco deselegante.
—Mas você tinha acabado de me deixar lá também. — Insistiu novamente.
Indeciso, olhei para a pista e estudei se era capaz de voltar e dançar tão perto de Bella. Meus olhos pararam nela. Eu tinha esquecido como ela era viva... Ela adorava dançar, e estava linda. O vestido era curto e azul, de um pano fino, amarrado no pescoço. Suas costas sedosas estavam nuas, suas curvas estonteantes demarcadas por aquele pano. Ela dançava suavemente e linda, com o cabelo preso. Ela se saía bem, sorrindo e dançando. Seu parceiro olhava-a com adoração, o que despertava algo em mim que eu não podia suportar... Aquela sensação de que ela não era minha e de que tinha outro com ela, recebendo seus sorrisos... Maldição! Eu não iria conseguir! Não dava para fugir desse amor, pior ainda se estivéssemos no mesmo lugar. Vê-la desestabilizou tudo.
—Edward, você é caidão por ela ainda, né? — Sophia perguntou, soando mais como uma acusação. Fiquei calado, ainda olhando derrotado para Bella. Sophia continuou. —Aquele é o novo namorado dela? — Ela insistiu, e tudo me deixava à beira da loucura. —Quer saber, amigo, eu não vou deixar você ficar se acabando aí no bar. — Ela levantou determinada e segurou o meu braço. —Vem, vamos dançar. Eu estou tendo que ficar sozinha e você também. Nós somos amigos, e eu não vou deixar você ficar assim. — Disse e levou-me contra vontade para a pista novamente.
Eu nem imaginava que música se passava, sei que resolvi dançar. O álcool fazia efeito novamente em meu corpo e eu tentei esquecer Bella perto. Depois de algumas músicas, olhei em direção a Bella, ela encarou-me um tempo e então desviou os olhos, sem ao menos sorrir amigável. Agiu como se não me conhecesse.
Não desviei o olhar. Após um tempo, ela disse algo no ouvido do seu parceiro e saiu. Olhei para Sophia, ela sorriu e encorajou-me com os olhos a segui-la. Sem pensar, deixei Sophia na pista e fui atrás.
Eu não sabia exatamente o objetivo, mas queria ao menos cumprimentá-la, saber como ela estava. Logo, sorrateiramente, segui-a de uma distância segura, até que ela entrou em um banheiro. Encostei-me a parede do corredor próximo e, ansioso, senti a pulsação na garganta enquanto a esperava. Ela saiu, congelou ao me encontrar e olhou-me cética da cabeça aos pés.
—Oi, Bella. — Cumprimentei-a casualmente e desencostei da parede para pegar em sua mão.
—Oi, Edward. — Respondeu friamente, com a postura retesada.
—Chegou quando? — Comecei o diálogo amistoso.
—Ontem. — Ela relaxou um pouco. —Queria aproveitar o sol da Califórnia. — Explicou naturalmente.
Curioso, olhei seu ombro e tinha a marca do biquíni. Imaginar ela de biquíni na praia e adicionar isso a essa nova companhia, deixou-me insano. Mas o que me torturava lentamente era a lembrança de que estivemos juntos em uma, e agora ela ia acompanhada com outro. Isso me fez corroer de ciúme e saudade.
—Aquele rapaz é seu namorado? — Tentei soar amigável, mas temi a resposta.
Ela não respondeu na hora. Ficou pensativa, olhando para o chão. —Ainda não... É Brandon Locke o nome dele. — Disse séria.
Fiquei analisando-a uns segundos. Ela estava bem, saudável e bonita. Conseguiu mesmo. Não aparentava ter balançado com a minha presença. Suspirei e senti a ansiedade familiar contorcer em meu estômago. Eu sentia falta da Bella que lutava por nós... Mas pelo que ela lutaria, quando eu a deixei sem motivos convincentes? Eu tive todas as chances que mereci dela!
Certamente seu amigo devia ser filho governador do estado de Washington, deduzi pelo sobrenome... Era uma boa opção para ela. Ela merecia alguém de sua classe.
—Fico feliz que esteja bem, Bella. Eu torço por você todos os dias. Está se saindo melhor que eu esperava. — Murmurei e ela mudou o semblante para fria incredulidade. —A propósito, você está linda. Aliás, você é linda. — Peguei em seu rosto e deslizei o polegar em sua bochecha, amenizando a saudade que sentia de sua pele. Ela enrijeceu o corpo ao meu toque e olhou para o chão, tensa.
—E você? Pelo jeito agora as mulheres brigam por você. — Observou com mordacidade e pareceu arrepender-se em seguida, colocando a mão na boca.
—Não é nada do que você está pensando. — Esclareci, mas a tensão no ar ficou palpável.
—Ah não? Pensei ter sido por causa delas que nós terminamos... Ainda bem que você me tirou dessa... Eu não queria estar naquela disputa. — Ironizou.
—Não, Bella, não foi por causa de nenhuma delas. — Tentei de novo, não resisti à distância entre nós e coloquei minhas duas mãos na parede, prendendo-a a minha frente. Nossas respirações ficaram próximas, seu perfume invadiu os meus sentidos e, quase em transe pelo magnetismo, aproximei-me de seu rosto. Inspirei profundamente e analisei sua boca, pressionando meu polegar sobre seus lábios. Eles estavam convidativos e quentes. Hesitando, levantei seu queixo para que ela me olhasse, com salivas de desejo na boca, e busquei em seus olhos permissão para beijá-la. Porém, ela fitava o nada, fugindo do meu olhar.
Narrado por Bella
Eu sabia que não devia ter vindo. Perto dele, todas as minhas defesas caiam, e os três meses de luta tentando esquecê-lo, iam por água abaixo. Perto dele, meus batimentos se descompassavam, o ar era denso. Havia uma força irresistível nos atraindo. Um magnetismo incontrolável. E não adiantava lutar contra.
—Ainda sente minha falta, Bella? — Ele inclinou-se e sussurrou próximo ao meu rosto. Senti o seu hálito em mim, o gosto, o sabor de sua boca embaixo da minha língua ao ponto de lembrar do teor, da forma de seu beijo.
—Melhor não falarmos sobre nós. — Suspirei sentindo-me fraca e desnorteada... Eu precisava me defender dele. Ele não podia ter essa influência sobre mim.
Senti o cheiro de bebida em sua boca e vi que ele devia estar fora de si, por isso estava agindo assim. Amanhã ele simplesmente iria voltar ao normal e perceberia mais uma vez que eu não era para ele.
Ele fechou a distância, aproximou os lábios da minha mandíbula e começou a beijar levemente... Suspirei e fechei tremulamente os olhos, ainda lutando entre a emoção e a razão... Tudo girou, e eu esqueci o mundo com seus beijos que seguiam agora para meu pescoço. Um arrepio percorreu todo o meu corpo, quase tocando os ossos, trazendo a lembrança de como eu me sentia com ele. Esqueci momentaneamente toda a luta por meses para apagá-lo da minha mente e corpo. E tudo que eu queria era que ele continuasse. Ofeguei, meu coração sofrido acelerou e meu ar ficou rarefeito quando ele chupou avidamente o pescoço, arrastando os dentes e a língua.
—Bella, algum problema? — Brandon nos interrompeu e me trouxe de volta à realidade. Com o olhar frustrado, Edward tirou o braço que me impedia e afastou-se um pouco.
—N-Não, Brandon. — Gaguejei sem graça. —Esse aqui é... O, er, você lembra dele, o Edward. — Apresentei desconcertada. Brandon olhou-me atenciosamente, em seguida fez uma careta. Ele não imaginava que o meu ex estaria aqui. —Até mais, Edward. Vamos Brandon. — Peguei no braço do Brandon e saí, deixando Edward parado.
Disposta a esquecer o ocorrido, voltamos para a pista, passava trance, e eu dancei sem medir passos. Queria limpar a mente, esquecer que eu estive tão próxima de recair.
—Bella, vocês estão voltando? — Brandon inquiriu após um tempo.
—Não! — Respondi prontamente, um pouco assustada com sua pergunta.
—Hmmm, sinceramente melhor eu tirar meu time de campo... Não foi uma boa ter vindo... Vocês dois estavam no maior clima, e eu percebi que atrapalhei. — Comentou amigável, de uma maneira surpreendente.
—Não, Brandon, me desculpe. —Neguei desamparada. — Eu falei para você que ainda estou me recuperando... Er... Eu não queria sentir isso... E não queria que fosse assim... — Balbuciei envergonhada. —Mas pode ter certeza que não estamos voltando... Só estávamos, er, falando... —Lamentei chateada.
Ele pôs meu rosto em suas mãos.
—Eu sempre soube que você não estava recuperada, só não imaginava que ele estaria aqui... É uma briga meio injusta, não acha?
—Ele é amigo do aniversariante, mas eu não achei que viesse. Ele não é muito fã de festas.
—Pode ser que ele tenha vindo pensando em te encontrar. — Sugeriu como se fosse o óbvio. Assustei com o que ele disse, mas abafei a esperança e continuei dançando, com os olhos fixados no bar, que era onde Edward estava com Sophia. —Bella, vou dar uma volta. — Brandon avisou ao ver que eu olhava para Edward.
Meu Deus, por que isso acontecia comigo? Por que eu não conseguia me libertar dele? Só sendo feitiço! Desorientada, peguei um copo com água com o garçom e encontrei Ryan.
—Oi. Agora cede uma dança ao aniversariante? — Ele pediu sorridente e tomou o meu braço. Hoje não o tinha visto mais de cinco minutos só com uma pessoa. Logo, quase não pudemos conversar.
—Eu danço. — Respondi, sorrimos e começamos a dançar trance.
Eu amava dançar, cantar, tudo relacionado à música alegrava a minha alma. Dançamos mais tempo do que eu vi Ryan com outros convidados. Não sabia se era certo monopolizar o aniversariante assim, mas amei cada segundo.
—Bella, terminaram de novo? — Perguntou cautelosamente, quando olhou em direção ao bar e viu Edward com Sophia.
—Sim. Acho que ele está com ela.
—O quê?! A Sophia?! Eu acho que não. — Sorriu como se eu falasse um absurdo. —Mas você ainda gosta dele? — Perguntou interessado.
—Gostar não é o mesmo que querer, e eu não o quero mais... — Esse era o meu mantra.
Em casa, eu tinha certeza que não o queria mais e que conseguia avançar com a vida. Eu acreditava que ia bem, pois tinha uma rotina cheia, tinha novos amigos, estudava bastante. Assim, ocupando minha mente e meu tempo, eu pensava conseguir... Todavia quando o vi hoje percebi que não mudou nada... Meu coração continuava intacto, era como se fosse ontem que estávamos juntos... Os mesmos sentimentos, a mesma dor, a saudade.
—Espera aqui. — Ryan saiu, falou algo com o DJ, depois voltou.
Iniciou-se uma música lenta e ele pegou em minha cintura para dançar. Estava bom, dançava com uma pessoa que não tinha o mínimo interesse em mim, então eu podia deitar em seu ombro e simplesmente curtir o momento e a música.
—Eu não consigo entender vocês dois. É nítido que Edward só tem olhos para você. — Ele começou.
—Não foi isso que ele disse... Ele falou que estava me deixando por outra, Ryan. — Resmunguei.
Percebi que Edward e a Sophia vieram para a pista e dançavam próximos a nós. Virei o rosto e fingi que não vi a cena para não sofrer mais. Depois de alguns minutos, Ryan pegou minha mão, afastou-se um pouco, disse algo só para Edward, depois entregou minha mão a ele, pegando em seguida na cintura da Sophia. Eu não entendi porque Ryan fez isso, porém ele estava com um sorriso conspirador de um canto ao outro, abraçou forte Sophia, levantando ela do chão um pouco, e deu um leve beijo em sua boca.
Nossa, ela era do povo! Balancei a cabeça horrorizada.
Edward sorriu de canto, puxou-me para perto dele e começou a dançar a lenta, com as mãos firmes em minha cintura. Hum, ficar próximo assim eu sempre soube que não era tolerável. Um turbilhão de sensações invadia o meu corpo ao sentir a respiração dele tão próxima ao meu ombro. Sentindo-me fraca, abaixei a cabeça e a apoiei em seu peito, tentando limpar o cérebro, tentando me esquecer que era ele.
—Gostei do cabelo preso... — Ele encostou a boca em meu ouvido e disse sedutor, acariciando nesse tempo minha nuca com as pontas dos dedos. —Deixa seu pescoço mais... Livre. — Eu fiquei arrepiada com a sua respiração quente, sua boca encostando levemente. Isso era jogo sujo. Não tinha autocontrole que suportasse o calor de sua voz tão próximo. Fechei os olhos e continuei tentando bloquear o contato. Ele apertou-se mais a mim, desceu uma mão para minhas costas e a outra alisava o meu braço, com seu nariz encostado em meu pescoço.
Oh, senhor, eu não queria ser vulnerável assim, mas me sentia necessitada do seu toque, e aceitei passivamente. Instantes depois, abri os olhos e captei com o canto do olho a irmã do Ryan a metros de nós, nos olhando de uma maneira indecifrável. Aquilo foi o suficiente para me empurrar à realidade e me fazer sentir mal em ser parte das meninas que o disputavam. Além disso, terminamos... Pior, em uma época em que estávamos felizes... Eu não podia aceitar essa situação, era falta de orgulho... Deveria me afastar por mim e pelo tanto de gente que sofreu com as atitudes egoístas dele.
Torci mentalmente para que a música acabasse logo, só assim eu poderia deixar a pista sem ser mal educada. Fazendo isso, eu não mostrava o quão fraca estava. Já quase no fim da música, ele levantou o meu queixo, procurando os meus olhos e acariciou meus lábios com os dedos. Percebi o que ele ia fazer e abaixei o olhar, fugindo do seu beijo.
—Edward, não. — Neguei. Eu conseguia sobreviver muito bem sem isso.
—Por quê? — Ele sussurrou e encostou a boca no meu rosto, beijando leve, e com a mão acariciava o outro lado.
Eu sentia as chamas me queimarem por onde sua boca passava, distribuindo calor para todas as partes do meu corpo. Eu tinha uma fome enorme em virar o rosto e encostar a minha boca na dele... Somente uma pequena parte se mantinha em pé e me impedia de fazer. O orgulho ferido.
—Edward, para... Não somos nada para você ficar me beijando. — Censurei e abaixei a cabeça novamente, desviando meu rosto dos seus lábios.
—Desculpe, Bella. — Ele retraiu-se, afastou-me um pouco e voltou as mãos para as minhas costas.
—Desculpas pelo quê dessa vez? Você não me deve desculpas, Edward. Esquece isso. — Ergui o queixo firme, como se nada tivesse acontecido.
Ele não precisava se desculpar por querer beijar alguém em uma festa ou por querer ficar mais uma vez. Também não precisava se desculpar por não estar mais a fim de namorar comigo e por querer liberdade. Não havia motivos para desculpas.
Ele levantou meu rosto, segurando mais forte e olhou firmemente em meus olhos. —Eu. preciso. te. pedir. desculpas. Posso? —Pontuou enfaticamente, repentinamente corajoso.
—Tudo bem, pelo quê? — Desafiei. Essa eu queria mesmo saber.
—Por não conseguir parar... — Começou aquela sua luta antiga para falar. Atitude que me tirava a paciência.
—Parar? Parar o quê? Vou tentar te ajudar a falar... — Encarei-o duramente. —Parar de me fazer sofrer? De tentar me iludir ligando para mim? De tentar me beijar quando eu estou me recuperando? De tentar me enganar dizendo que não tem nada com essas meninas? — Soltei um sorriso amargo. Essa ferida podia ter ficado sem ser mexida... Não queria me expor dessa maneira. Ele ficou sem ação, típico dele. Ele não conseguia responder a altura sob pressão.
—Bella, está difícil para mim... Eu não estou conseguindo. — Hesitou.
—Não está conseguindo o quê? Quer saber... — Parei de dançar e senti minha voz tremer. Se eu não saísse dali imediatamente, poderia não segurar as lágrimas. — Você não cansa não? — Deixei-o na pista e saí rumo ao corredor lateral que daria acesso ao estacionamento. Senti que ele veio atrás, então no fim do corredor ele segurou o meu braço.
—Bella... Eu... — Ele engasgou, e eu definitivamente não tinha mais ânimo para esperar. Puxei teimosamente o meu braço e saí, peguei a chave com o manobrista e fui rumo ao carro. Todavia, quando avistei o carro, parei, pois vi Brandon encostado beijando uma menina. Putz, mais essa! Não podia chegar lá e atrapalhar mais isso na vida dele. Já bastava o balde de água fria que ele teve aqui.
Confusa, voltei ao manobrista e devolvi a chave. Edward continuava na porta do corredor lateral de acesso ao salão, e, decidida a não falar mais com ele, fingi que não o vi e passei direto, intencionada a entrar pela porta da frente. E agora? O que iria fazer nesta festa? Era nessa hora que a minha irmãzinha Alice fazia falta. Se ela não tivesse viajado, eu não teria que ficar sozinha aqui.
Pior que a minha vontade era voltar lá e ficar com ele. Sabia que devia ter amor próprio e dignidade. Sim, eu devia. Mas tudo que eu queria agora era beijá-lo. Tudo bem que ele terminou comigo... Mas, e daí? Ficamos juntos por anos e só namoramos seis meses! Eu podia aproveitar o momento, não podia? Afinal, o que ele me proporciona é sem igual...
Enquanto eu caminhava e pensava, nenhuma parte do meu cérebro discutiu minha decisão, sinal que meu corpo queria e meu cérebro entrava em concórdia. Suspirando, dei meia volta e fui rumo à entrada lateral novamente. Edward continuava lá e saiu da porta, indo mais para o estacionamento ao perceber que eu iria falar com ele.
—Bella, eu... — Iniciou.
—Edward, eu não quero conversar. — Interrompi e pus o indicador em sua boca. —Eu só quero que me beije sem compromisso, sem declarações e sem justificativas, por favor. — Parei em sua frente e esperei que ele tomasse uma atitude.
Ele sorriu e se aproximou, tocando em seguida meu rosto com as costas das mãos.
—Desculpe, Bella, mas eu não quero.
Hã? Como assim?
Frustrada, abaixei a cabeça e senti raiva e timidez. Meu rosto corou pela vergonha de ter me oferecido e ter sido rejeitada... Eu devia ter entendido tudo errado. Estava vendo coisas. Ele não devia ter tentado me beijar como eu supus, e aqui estava eu me oferecendo como se ele estivesse muito interessado. Eu mereço! Como eu pude dar um furo desses?
—Que foi, Bella? — Ele levantou o meu rosto, procurando os meus olhos, mas eu fiquei envergonhada demais pela minha falta de valorização e não tive coragem de olhá-lo. Eu queria fugir dali, me esconder. Como eu pude me rebaixar assim? Ele terminou comigo sem mais e nem menos, agora eu vinha lhe pedir que me beijasse sem compromisso! Eu me desconheço!
Eu não consegui levantar os olhos nem os pés do chão. Pra onde eu iria depois dessa?
Ele me abraçou, ao perceber que eu mudei o semblante e pareceu ter compaixão de mim.
—Bella, eu não quis te ofender. — Ele murmurou.
Bloqueei qualquer sensação dos seus braços em minha volta e continuei calada. Por que eu não conseguia sair? Eu não precisava de sua pena! Poxa, existiam outras pessoas interessadas em mim, e eu passando por isso!
—Não fique triste. Tudo fica pior para mim se você ficar assim. Desculpe-me, eu não quero te deixar assim. — Tudo que saía de sua boca mostrava que ele estava com remorso, com dó de mim. E eu não precisava disso!
—Edward, eu estou bem. Só estou pensando... — Ergui o queixo tentando mostrar segurança. —Era só corpo, ficar por ficar, necessidade física. Não precisa ficar preocupado com meus sentimentos. Se você é limitado demais e não quer, tudo bem. — Dei de ombros, fria.
Seu semblante mudou como se ele estivesse com dor. Olhei para as minhas mãos, e elas tremiam descontroladamente. A qualquer momento eu entraria em pranto em sua presença. Eu necessitava ficar longe dele pra controlar o buraco que se abria em meu peito e sangrava... Eu não podia chorar.
—Bella... er... — Gaguejou nervoso.
Meu Deus, por que ele não falava? Seria tão mais fácil despedir e sair, se era isso que ele queria! Mas não, ficava tentando se justificar, e isso machucava ainda mais.
Impaciente, cruzei os braços e encarei-o, esperando a justificativa da vez. Ele finalmente falou.
—Você pediu para eu te beijar, só por ficar... Eu quero muito te beijar, mas se eu quisesse simplesmente ficar com alguém, um corpo, er, eu ficaria com a irmã do Ryan... Porém eu não quero isso... Eu quero ficar com você. — Aproximou os lábios dos meus. —Por favor, por mim, fica comigo por inteira. Eu não quero só o que seus beijos me proporcionam... Eu quero a minha Bella. Quero teu calor, alegria e vida. — Disse e tocou levemente os lábios nos meus. Senti um frio dolorido me percorrer.
—Edward, essa Bella aí morreu, não percebeu? — Encarei-o lutando contra as lágrimas. —Você matou-a. A única parte minha que está fraca e te quer é superficial... É química, pele... — Menti, tentando proteger-me. Precisava enganar o meu cérebro, mesmo que todo o meu ser clamasse insistentemente por ele.
—Tudo bem... Se é o que você quer, eu aceito. — Ele respirou fundo. —Embora eu sinta muita falta de você. — Disse pesaroso, parecendo sofrer com isso —Contudo, saiba que você não tem só o meu corpo... Eu sou todo seu. — Ele disse, afastou o rosto do meu e adotou uma postura estranha. —Tem algum lugar específico que você queira ir? — Perguntou friamente e soltou-me do seu abraço, com a voz baixa e formal, parecendo um profissional a oferecer seus serviços. Fiquei perplexa. Então, pus no rosto uma capa descontraída, a fim de quebrar o clima tenso do ar, e sorri zombeteira.
—Não precisamos ir para lugar nenhum... São só beijos... Você não é mais meu namorado para dormir comigo por aí, nem ficante. Na verdade, vamos esquecer passado e fingir que nos conhecemos agora, tudo bem? — Propus risonha. Porém, eu já tinha perdido o clima para rolar algo. Conversamos demais e acabou estragando.
—Vamos dançar? — Propus e puxei o seu braço para o salão. Ouvir música fazia com que eu me sentisse outra pessoa. Ainda mais quando ela era alguma insinuante como a que tocava, da Rihanna.
Ele estava desanimado, talvez estivesse desistindo. Mas agora que eu tinha decidido esquecer momentaneamente todos os meses e todos os contras, iria aproveitar. Antes que ele desistisse, procurei desativar todo o meu lado afetivo-amoroso e adotei uma postura sedutora. Coloquei um sorriso travesso, um olhar insinuante e dancei, aproximando de sua boca. Dava-lhe um selinho e afastava novamente. Ele sorriu mais animado e pareceu gostar do meu jeito sedutor. Aproximei novamente, passei a língua no canto de sua boca, depois virei de costas para ele, encostando-me e movendo os quadris no ritmo da música. Ele colocou a mão em minha barriga, acariciou e distribuiu choques por onde aquelas mãos quentes passavam.
—Resolveu me enlouquecer? — Sussurrou e mordiscou a minha orelha.
—Se for preciso... — Sorri e continuei dançando, me apertando contra ele, que já respondia ao contato.
Virei-me de frente novamente, subi as mãos até o meu cabelo e desci de novo, passando-as pelo meu corpo, mantendo o olhar insinuante no rosto. Ele me olhava admirado, ou talvez assustado. Aproximei-me de novo e mordisquei o seu lábio inferior, depois me afastei, dançando. Eu estava me desconhecendo, nunca me senti assim, com essa sensação dominadora.
Ele já estava completamente estimulado, com olhos brilhando cada vez que eu me aproximava. Coloquei as mãos em seu pescoço e lambi seu lábio com lascívia, olhando em seus olhos enquanto passava a língua. Ele apertou-me, esquecendo do lugar, e abocanhou minha língua, beijando-me faminto, como se quisesse seqüestrar minha língua. Ofeguei, sorri presunçosa, e, determinada, puxei-o de lá para a escada de emergência em um canto escuro do salão.
Mal chegamos, ele me imprensou na parede. O Edward desperto estava de volta. Ele deteve-se só em beijar-me e apertar-me, o que me incomodou, pois eu queria as suas mãos sobre mim, sua boca no meu corpo matando a saudade que eu tinha dele. Eu já estava perdida e ficar ali não era mais a minha intenção, então me virei e peguei o celular em minha bolsa. Disquei, enquanto ele beijava minhas costas nuas e pescoço. —Oi... Manda um táxi no salão Blue Wing... Bella Cullen. Obrigada.
Virei-me novamente para ele, queimando de desejo e meu corpo respondia ardentemente. Ele afastou-me sem ar e murmurou, mordiscando o meu ombro. —O que eu estou autorizado a fazer? — Perguntou num ofego depois voltou a beijar-me. Só aí entendi sua atitude. Ele se conteve aos beijos e apertos porque voltou a precisar da minha autorização. Por isso nada de mãos e nada de boca nos seios.
—Tudo que você já fez até hoje. — Sussurrei e senti-o enlouquecer com a resposta. Imediatamente, ele desamarrou o nó do meu vestido e desceu rápido com a boca para meus seios, enlouquecido, sugando feroz. Eu gemia e erguia o corpo satisfeita por ser agraciada com a carícia.
Ele desceu com a mão, subiu a saia, encontrando a minha coxa, e comprimiu-me mais a si, que dava sinais extremos de apetite. Ele me afastou, entreabriu minhas pernas, entrou com a mão em minha calcinha e tocou-me delicadamente no ponto íntimo, fazendo-me sentir mil sensações. Eu o queria ansiosamente e puxava insistentemente seus cabelos. Ele se alternava com a boca em meus seios, pescoço e boca. Gemi ansiosa. Os meses distantes me deixavam faminta e impaciente.
—Calma, Bella... — Sussurrou e dedilhou suavemente. Eu precisava de tão pouco... Ele continuou beijando-me, ofegando em minha boca e me apertando contra a parede. Procurei sua calça para devolver o toque, acariciei a extensão da volumosa excitação, e busquei o zíper, abaixando-o lentamente. No entanto, repentinamente, ele mordeu meus lábios e se afastou, não permitindo que eu fizesse.
—O que foi? — Perguntei buscando fôlego.
—Eu não quero. — Ele se recompôs e afastou-se um pouco.
—Como não!? — Arqueei a sobrancelha frustrada e desentendida.
— Acho melhor você ir... — Amarrou minha blusa. —Seu táxi deve ter chegado. — Disse ainda ofegante. Fiquei pensativa por alguns minutos, depois acalmei completamente e fomos para frente do salão. Ele não pegou em minha mão, nem me abraçou quando descemos. Não liguei. Tentei agir como desconhecidos que saíam casualmente.
O clima ficou estranho e paramos na frente do salão para esperar o táxi. Ele encostou-se à grade e colocou a mão no bolso, calado e olhando sem ponto fixo para o chão. Cruzei os braços e fiquei calada também. Se ele iria agir friamente, eu também agiria. O táxi chegou, e ele ficou parado. Não parecia ter a intenção de me acompanhar.
—Vamos? — Chamei-o, ele mostrou surpresa e indecisão.
Ao ver sua dúvida, aproximei, descarada, o rosto do dele e sussurrei em seu ouvido. —Eu ainda estou quente, pra ser mais exata, fervendo... Ainda quero você. — Recitei. Ele encarou-me admirado por ter usado as mesmas palavras que ele usou quando fazia seu 'estudo' em mim.
—Para onde?
—Para o AP do Emmett. — Disse divertida com o velho Edward indeciso e receoso. Entramos, e ele seguiu calado e distante.
Aproveitei e liguei para o Brandon. —Oi...
—Fala, Bella.
—Deixei a chave do carro com o manobrista para você poder ir embora.
—E está indo de quê?
—De táxi... O Edward está indo comigo. — Adiantei.
—Eu vou dormir fora. Na verdade, nem estou na festa mais.
—Ah, então tá bom, amanhã nos falamos.
—Mas você vai deixar o carro na festa? Eu já estou em outro lugar.
—Amanhã eu pego. Beijos. —Desliquei grata que ele tivesse se virado.
Edward continuou em silêncio, parecia aborrecido porque eu reduzi nossa relação à necessidade física. Mas para mim não era assim. Eu o queria como sangue em minhas veias, mesmo que eu tivesse que me conformar com menos. Eu queria ter a ilusão que ainda estávamos juntos, que ele ainda me amava, me queria; mesmo que eu não acreditasse mais em nosso futuro juntos... Eu mentia para mim mesma, sonhava que ainda existia, que ainda era o que ele queria. Tomaria dele tudo que ele pudesse me dar. Se fosse só corpo, devia me conformar com isso. Amanhã seria um novo dia, e eu voltaria a tentar viver sem ele.
Entramos no AP, seguimos como desconhecidos para o quarto, e ele sentou na cama, desolado. Mas eu não entendia sua tristeza. Eu que devia estar chateada, estava bem. Decidi viver e curtir o momento. Será que ele estava preocupado comigo? Com medo de eu confundir tudo? Não precisava se preocupar. Eu aprendi.
Tirei o vestido na frente dele, e ele não olhou em minha direção. Tomei banho, passei perfume e vesti um lingerie. Eu devia estar adivinhando, aliás, meu sexto sentido devia saber que eu iria encontrá-lo, pois comprei um conjuntinho lindo vermelho. Olhei em sua direção, e ele estava sem ânimo.
A visão de sua tristeza me remeteu a lembrança do último dia lá em casa, que ele estava triste por saber que ia terminar comigo. Mas hoje ele não precisava ficar assim, já terminamos mesmo! Iria ser só uma ocasião prazerosa para nós dois.
Aproximei-me dele, e ele olhou por minutos minhas peças de roupa.
—Vai só olhar? — Resolvi provocar e encostei-me à cama, colocando um joelho sobre ela.
—Você está irreconhecível. — Pareceu uma reclamação.
—Por fora eu estou toda aqui, então devíamos aproveitar. — Sugeri mordendo os lábios. Ele estava sentado, pegou em minha cintura e ficou subindo e descendo as mãos pela lateral, parecia apreciar. Depois ele me abraçou, com a cabeça em minha barriga.
—Posso beijar? — Perguntou com a voz rouca.
Como assim, pode beijar!? Nossa, como ele andou pra trás esses meses longe de mim!
—Pra isso viemos aqui. — Fui direta. Ele deitou-me lentamente na cama.
—Posso beijar você todinha? As partes cobertas e descobertas? — Perguntou misteriosamente e um arrepio doce me percorreu. Ele ficou aspirando ao meu perfume, de olhos fechados, deitado ao meu lado enquanto passava as mãos levemente pelo meu corpo.
—Sempre pôde. — Respondi friamente, mostrando ser o óbvio, depois o trouxe para os meus lábios, beijando suavemente, enquanto eu desabotoava a sua camisa. Ele correspondeu ansioso, com a mão apertando minha nádega. Eu passei as mãos em seu peito, desci pelo abdômen e cheguei ao cinto. Desabotoei cinto, calça, e ele ajudou-me a tirar, sem soltar os meus lábios. Nesse instante, já estávamos mais ansiosos, com a respiração mais difícil.
—Adorei essa cor em você. — Ele beijou meu pescoço, completamente domado, e abriu meu sutiã atrás, livrando-se imediatamente dele.
—Gostou e já vai tirar... — Descontraí, e ele ajoelhou na cama, olhando-me por longos minutos, dominado de desejo. Seguidamente, ele se inclinou e desceu com a boca pelos meus seios, passando a língua levemente pela lateral e centro. Mas eu queria mais, queria que ele me beijasse ferozmente e já protestava em ansiedade por sua boca toda. Ele sorriu ao perceber a impaciência e aprofundou chupando, apertando. Eu fui ao paraíso com essa carícia.
Ele desceu a boca pela minha cintura, barriga, mordiscando, lambendo, e aquilo era enlouquecedor. Eu tinha a sensação que iria explodir, pois por onde sua boca passava deixava um rastro queimando em minha pele.
—Sinto tanta falta de você. — Murmurou e estava me desconcentrando com suas tentativas de me iludir.
—Edward, não fale.
Ele traçou o caminho da lateral da calcinha com a língua, desceu a peça e beijou as laterais da minha coxa. Ele subia com a boca até a cintura, mordiscava, depois descia novamente. Eu já me encontrava em delírio e estremecia, erguendo o corpo instintivamente e sem controle.
Assustei-me e enrijeci quando ele afastou a minha perna e beijou as coxas internamente. Mesmo que fosse bom, fiquei tensa. Ele percebeu minha tensão, encostou a cabeça em minha barriga e migrou a mão para minha intimidade, tentando controlar sua respiração.
—Você disse que eu podia beijar você toda... — Cobrou com voz foi rouca, deixando-me confusa com sua mão.
As coisas não eram mais genuínas entre nós. Se eu estava nua na cama com ele e ainda chegássemos ao ponto dele descer sua boca em mim, eu não tinha mais pelo que esperar...
—Tudo bem, mas hoje vai ser completo. — Exigi.
No mesmo instante, ele levantou os olhos para olhar-me e eu virei o rosto, incapaz de retribuir o olhar e me manter estável. Eu evitava gravar seus olhos em minha mente para não sofrer depois com a lembrança. Sem perda de tempo, ele voltou para os meus lábios, ainda com a mão acariciando meu cantinho mágico, e beijou-me famintamente. Tudo estava perfeito, seus lábios eram deliciosos e sua familiar e perita mão conduzia-me ao prazer. Ele girava um dedo esfregando lá, acariciava a entrada e arfava em minha boca, gemendo descontroladamente. Eu estava tão fácil, tão sensível. Tudo em mim rodava quando ele descia a boca enlouquecido para os meus seios. Eu via os céus, estrelas, constelações.
Estiquei o corpo, ofeguei ansiosa e senti meu corpo tremer. Segundos depois, choques prazerosos foram distribuídos em cada canto, no momento em que eu chegava à culminação, arfando pesadamente, com meu corpo todo tendo espasmos.
Após um tempo curtindo o formigamento com o corpo relaxado sobre a cama, virei de lado e coloquei minha mão sobre sua boxer, a fim de acariciá-lo, livrá-lo da boxer e conduzir-lhe ao meu sexo. Se estávamos aqui, o certo era esquecer tudo e seguir. Porém, contrariando minha vontade, ele repentinamente se retraiu e levantou.
Narrado por Edward
Era uma sensação torturante saber que estávamos juntos, mas que logo nos separaríamos. Entretanto, o que mais me chocava era saber que ela não era mais a mesma. Estava distante. Só o seu corpo estava presente, sua alma estava à milhas dali. E mesmo que meu corpo pedisse insistentemente para tomá-la, deixando-me insano com a ideia de estar dentro dela, eu não devia seguir a minha vontade. Não era justo com a nossa história, não era justo com a Bella que eu amava.
Vê-la sobre a cama me matava e me castigava, pois tudo que eu queria era abraçá-la e dizer-lhe que não sou nada sem ela. Mas devia retrair-me enquanto havia tempo, assim, não cairia na armadilha de deixar-me ser traído pelos meus vis desejos. O que fazia controlar-me, além da nossa história, era saber que eu não a sentia. Ela não me olhava mais com carinho, nossos olhos deixaram de comunicar-se. Seria sexo mecânico, premeditado e somente por prazer.
Mesmo que da minha parte houvesse adoração ao seu corpo e a ela, não era recíproco. Fui capaz de resistir à consumação sexual, mesmo com a dor que se instalara em mim pela frustração. Contudo, nenhuma dor era maior do que não tê-la, no entanto, eu aprendi a viver com isso.
Narrado por Bella
Fiquei olhando estática em sua direção. Não entendi o que ele fazia, pois ele pegou a camisa e começou a abotoar, depois pegou a calça e vestiu, deixando a blusa por fora, sem pressa.
—O que foi? — Franzi a testa sem entender a indelicadeza.
—Eu não conheço você... Não tem porque eu ficar mais... Se era só corpo, creio que deve estar satisfeita. — Disse baixo, com um pouco de dureza e calçou os sapatos.
—Você já vai? Não vai continuar, não? — Ofeguei horrorizada com sua atitude.
—Já vou... Ou você ainda me quer? — Arqueou a sobrancelha em expectativa.
Indignada, sentei e me vesti com as peças íntimas, enfurecida com a sua atitude grosseira. Era bem a cara dele. Pensei que ele tinha mudado. Como eu me iludo! Levantei, vesti um roupão do Emmett e saí rápido do quarto. Ele veio atrás. Já na sala, fechei o semblante e abri a porta do apartamento sem dar nenhuma palavra, com o olhar transtornado. Foi um erro o que eu fiz, deixar acontecer isso para depois ser tratada assim... De novo, meu amor próprio foi esmagado. Putz, será que todo homem fazia isso? Acho que isso foi meio humilhante, não? Se ele gostasse de mim saberia que não era só satisfação que eu queria.
—SOME! — Grunhi.
Ele ficou parado, estudando o meu rosto, depois deu um passo à frente e fechou a porta.
—Por que você está assim? Foi você quem ditou as regras... Eu só queria a minha Bella aqui e você não quis me dar. Em compensação, você queria o que eu posso te proporcionar, e isso eu te dei. — Justificou-se chateado.
Eu suspirei e tomei forças. Eu tinha justificativa para a minha distância emocional e falta de carinho. Mas eu deveria me abrir assim? Respirei fundo, buscando paciência, e controlei a voz falando pausado.
—Foi você quem terminou comigo, não vê que eu quero me proteger? — Sentei no sofá, segurando as minhas emoções em mexer nessa ferida. —Se eu me entregar a esses momentos, depois eu vou sofrer muito mais. Eu prefiro permanecer sem emoções... Embora seja difícil, porque é nítido que eu gosto muito de você. Sinceramente eu não sei o que você está cobrando. O correto é agirmos como qualquer estranhos, sem falar do passado, sem falar do futuro, sem olharmos nos olhos e sem falar de sentimentos. É assim, momento, viver o momento. Eu não vou te encher de juras de amor se eu sei que você não me quer. Pra que me iludir? — Senti meu coração arder em me revelar assim. Ouvir isso da minha própria boca desestabilizou todo o meu autocontrole.
Assustei-me com a sua atitude seguinte, pois ele tapou o rosto, sentou-se no braço do sofá, de costas para mim, e suas costas balançaram quando lágrimas caíram dos seus olhos. Eu arregalei os olhos surpresa.
—O que você faria se guardasse um segredo que não é seu e não pudesse revelar porque envolve a vida de outras pessoas? — Questionou rouco, desamparado.
—Deve ser muito importante para te afetar assim. —Comentei amarga. —Mais importante do que eu fui.
—Não se trata disso. —Balançou a cabeça. — Para mim, nada é mais importante do que você em minha vida. —Disse enfático.
—Não parece... —Rebati na defensiva. — E por que resolveu falar disso agora? — Perguntei desnorteada.
—Porque por causa disso, nunca poderemos ficar juntos. Nossas famílias não poderão ficar próximas... — Ele fez uma careta, descrente, com uma dor infinita em sua voz. Por um tempo, o silêncio tomou conta da sala enquanto eu pensava nas possibilidades.
—Você é filho do meu pai? —Perguntei neutra.
Ele sorriu com dor. —Rá... Se fosse isso, eu já teria tirado a minha própria vida. — Resmungou infeliz.
—Por que você odeia o meu pai? — Questionei irritada com o tom de sua voz.
Ele agachou-se em minha frente, ao pé do sofá e segurou o meu queixo. —Eu não odeio o seu pai... Pelo contrário, queria que as coisas fossem diferentes.
—Então por que teria tirado sua vida se fosse filho dele?
Ele explicou com olhar indefeso: Porque aí eu não poderia ter você mais nessa vida. Não teria nenhuma probabilidade.
—Fala o que te afasta de mim, por favor. — Supliquei e toquei seu rosto, comovida com as lágrimas.
Ele sentou-se ao meu lado e me puxou para o seu colo. —Eu não posso... Eu prometi...
—Você também prometeu nunca me deixar. — Abaixei os olhos, já me repreendendo pela vulnerabilidade.
Ele encostou as costas no sofá, com as mãos mexendo ansiosamente nos cabelos, depois pegou nos meus ombros e olhou fixamente meus olhos. —Me perdoe, Bella, por favor... Eu não estou conseguindo viver longe de você... Não dá para fugir desse amor... Dá um jeito de ficar comigo, por favor, nos salva... Eu não posso viver sem você. — Pediu desolado.
Eu entrei em choque com o súbito pedido.
—Eu não sei o que posso fazer. Não sei exatamente o que você quer. — Murmurei triste e estudei o seu rosto. Tinha um desespero em seu tom que derrubava todos os meus argumentos de defesa contra ele. Minha vontade era relembrar o tanto que eu sofri e ainda sofro por causa dele, por causa desse motivo que ele tinha. Mas sua aflição me desarmou, e tudo que tinha vontade era tirar aquela tristeza.
Ele estremeceu e me abraçou derrotado, com seu rosto em meus cabelos. —Eu também não sei, Bella... Só sei que eu preciso de você em minha vida... Volta pra mim, por favor.
—Edward, como vamos namorar se você disse que nunca vamos poder ficar juntos?
—Eu não sei... Penso em mil possibilidades, mas eu não encontro... Sei que nossas famílias não poderão se unir... —Fungou ansioso, com desesperança. —...Eu sinceramente não sei a solução para isso... Já pensei que talvez, um dia, quando eu for para outro país, você poderia ir comigo... Mas não sei mesmo. — Ele pegou em meu rosto com olhar implorativo. —Eu só queria você... De alguma maneira eu queria você para mim. Por favor, volta pra mim... — Ele pediu, com umidade insistente derramando nos olhos.
—Se você confia em mim, me fala o que é. — Condicionei.
—Eu confio em você, mas eu não posso... — Ele desviou os olhos, infinitamente triste e olhou para o chão.
—E a outra pessoa por quem você tinha me deixado?
Ele balançou a cabeça em negativa várias vezes e olhou intensamente em meus olhos. —Eu não tenho ninguém, Bella. Você não percebe a grandeza dos meus sentimentos por você, não? O que eu tenho que fazer para mostrar isso? Mesmo que você não volte comigo, você precisa acreditar em mim. — Implorou.
—Eu preferia que você confiasse em mim, mas não vou te pressionar. Embora eu já tenha sérias suspeitas do que se trata, vou ficar esperando que você me fale.
—Eu sei que não é justo te pedir que não me cobre e que ainda me aceite... Ainda mais sabendo a dor que eu te causei, e o tanto de tempo nosso que foi desperdiçado. Mas eu te amo, Bella, e sinto a sua falta. Minha vida parou de ter sentido sem você. Por favor, não me deixe ir sem você... Você sabe que amo você, não sabe? — Ele encostou a testa na minha e segurou meu rosto, com humildade.
Suspirei, e, aos poucos a certeza de seus sentimentos se alargou em meu coração. Sim. Ele me amava. Eu sabia disso. Enternecida, levantei o seu rosto e acariciei a sua pele, traçando suas linhas que eu tanto amava, no mesmo instante que limpava a umidade sincera dos seus olhos. —Eu sei, Edward... Eu também amo você. E vou te ajudar a enfrentar seja lá o que for. Eu te perdôo, pois sinto que é sincero... Porque para ter arriscado o nosso amor, deve ter sido por algo muito importante seu segredo. — Beijei meigamente o seu rosto, cantinho por cantinho. —E... Eu continuo sendo sua, nunca deixei de ser... Mesmo que eu tentasse esconder o meu amor, ele sempre esteve aqui. Meu coração continua sendo seu... Não sei quanto ao nosso futuro, mas eu aceito voltar para você. — Abracei-o carinhosamente, e ele inalou profundamente, aliviado.
Deitamos abraçados no sofá e passamos horas nos reconhecendo novamente. Ele acobertava-me com seus carinhos, com seu doce olhar, como se estivesse me encontrado agora, a primeira vez em toda a noite. Eu me sentia adorada. Ainda que tivesse existido dor tão grande, ela não era maior que o amor que nos rodeava e que nos atraía.
Narrado por Edward
Pouca conversa... Algumas carícias e pouco se esclareceu. O que será que ela pensava deste momento que para mim era tão sublime?
Apagou-se a luz e finalmente o beijo... Os beijos... Foram extasiantes... Como se fossem os primeiros. Ali, com a luz apagada, com a escuridão nos acolhendo, íamos nos redescobrindo, matando a saudade antiga. Envolvidos com o sentimento do nosso toque, abraçados, ela em meus braços e eu nos braços dela, sentimos a quietude do nosso corpo.
Senti seu abraço, seu calor, sua pele, sua respiração, sua vida. Ali tinha um anjo, uma fada doce e criança. Um ser inocente. Uma contradição. A mulher ousada e atrevida que eu tanto amava.
Ela adormeceu em meus braços. Senti-me soberbamente extasiado por ter acalentado seu sono, por ter trazido a ela abrigo. Fiquei ali parado, só sentindo sua respiração. Segurava sua nuca e mantinha seu rosto perto do meu, curtindo a sensação que há muito eu necessitava: paz. Parecia um sonho que toda a tormenta que se envolveu a minha vida tivesse acabado. Permaneci com os meus olhos abertos a fim de ter certeza que não estava sonhando. Todavia, ela estava ali e, depois de um bom tempo, agradeci aos céus por ter me concedido mais essa chance, essa dádiva em tentar fazê-la novamente feliz.
Observei aquela criança ressonante, beijei-a ternamente e levei-a nos braços para o quarto. Eu não iria tirar nem mesmo dos meus sonhos aquele doce reencontro. Suspirando contente, aprontei-me para dormir e nos aconchegamos ternamente um ao outro na cama. Horas depois, pude entregar-me ao sono afortunado. Sono este, que só tenho com sua presença em minha vida.
Continua...
Mais uma vez obrigada por ler.
Essa estória é minha queridinha, entre todas. Porque ela envolve sentimentos e inseguranças normais e cotidianas. Todo mundo um dia viveu alguma insegurança ao ser segundo plano em tudo, seja em planos de futuro ou na família.
BiaBraz
