Capítulo - sem reservas

Uma mão acariciava vagarosamente os meus cabelos, puxando-me de volta do repouso. Era Bella. A Bella real. Não imaginação. E tornava a minha manhã abundantemente prazerosa.

—Edward, são oito horas. Eu tenho que buscar meu carro e viajar... Tenho aula amanhã. — Murmurou carinhosamente e continuou acariciando meus cabelos.

—Não vá. Fique comigo, estou com saudade... — Pedi matreiro —Eu só preciso ir embora terça. Posso perder a aula de amanhã e ficar mais com você. Fique comigo, vai... — Supliquei carente e abracei sua cintura e quadril, distribuindo beijos preguiçosos na barriga.

—Ah... Eu não posso... Não tenho desculpas para dar ao meu pai. Pelo jeito você pretende manter isso às escondidas, não? Além disso, Brandon está comigo. Como ele vai embora, se eu ficar?

Mesmo sabendo das dificuldades que nos rodeavam com relação ao nosso futuro e família, eu não tinha a intenção de namorar escondido. Esse ato não condizia com o sentimento de seriedade que gostaria de levar no nosso relacionamento. Minha família já estava longe. Poderíamos ficar tranquilos, por um tempo.

—Bella, eu pensei direito e não pretendo namorar você escondido do seu pai. Você acha que ele está muito chateado comigo? — Continuei com os olhos fechados, amando a textura e calor da pele exposta. Bella usava somente roupas íntimas.

—Acho que não... — Respondeu incerta.

—Deixa eu me arrumar enquanto eu penso no que vamos fazer. — Pedi, levantei e tomei banho, depois lanchei o que ela preparou e deitei novamente com ela, absorto. Mesmo tendo voltado, uma pequena aflição ainda queria tomar-me quando eu pensava em nosso futuro. Temia estar lutando ainda contra a vida. O pessimismo me rodeava. Havia a chance de motivados por fatos familiares não resolvidos ainda pudéssemos nos separar

—Edward, o que está oprimindo você? — Ela abraçou-me ao me notar distante.

—Não sei... Queria que o tempo passasse logo... Queria ter acordado hoje com vinte e oito anos, casado com você, com meu futuro encaminhado, quem sabe com você esperando um filho nosso... Longe de problemas e, de preferência, que os fatores impeditivos já tivessem resolvidos. — Expus sonhador.

Bella sorriu alto, e eu olhei-a desentendido. —Muita coisa fácil. Casando comigo o seu futuro está garantido. Agora quanto a ter um filho, meio difícil... Nem fazer sexo você quis ontem à noite. — Brincou e sorriu desavergonhada.

Tranquilo, apoiei-me sobre o cotovelo e acariciei seu rosto. —Duas coisas. Você já me conhece, sabe que eu não quero as garantias do seu dinheiro ou do dinheiro da sua família. Eu quero conquistar o meu próprio. Agora, quanto ao fato de fazer sexo com você... É a minha Bella quem decide quando. A minha Bella pensante, não aquele corpo sem vida que estava sobre esta cama ontem. Eu não quero fazer sexo, quero fazer AMOR com a mulher que EU escolhi. Sexo, eu faria com qualquer uma, amor eu só faço com você. — Abracei-a e movi-a, colocando-a deitada sobre meu peito.

—Sabe, Edward, sobre o fato de você não querer dinheiro da minha família, eu até entendo, só fico chateada com o modo que você fala. Caso você pensasse melhor e cedesse, seria o caminho mais curto para nós dois. Na verdade, seria muito fácil, mas muito fácil mesmo se você largasse tudo e viesse morar comigo em algum lugar... Assim casaríamos, teríamos filhos e seriamos felizes para sempre... — Abraçou-me feliz, mas parecia somente brincar. —... Eu até imagino nosso filhos correndo pela casa... Assim, seríamos os caipiras mais felizes do estado de Washington. — Comentou deslumbrada. —Mas... Como eu já disse, é um sonho teu que eu não vou matar. Na verdade, no que eu puder apoiar para você seguir em frente, eu apoiarei. — Disse encorajadora, em seguida voltou a sorrir. —Mas, você quer um controle remoto para adiantar a vida? — Brincou e me abraçou, referindo-se a um filme que assistimos certa vez, Click.

—Bem que eu queria um. — Retribuí ao abraço entusiasmado.

—Acontece, meu anjinho... — Ela afagou meu rosto carinhosamente. —... Que temos que viver a vida, viver o tempo certo de cada coisa. Já pensou o quanto estamos crescendo e aprendendo um sobre o outro nesse tempo? Você está aprendendo sobre si, sobre o nosso amor, está mudando a sua personalidade difícil... Está se adaptando ao meu mundo, como por exemplo: gostar do tipo de música que eu gosto e do tipo de festa que eu vou... Também estamos descobrindo os nossos desejos sexuais juntos...

—Quanto a essa parte já estamos bem adiantados. — Interrompi sorrindo, fingindo reclamar.

Ela aproximou os lábios do meu e mordiscou, com um olhar sensual e um sorriso travesso.

—Isso, que eu sei que você quer, está muito mais perto do que você imagina... — Sorriu insinuante. —Muito perto mesmo... Na verdade, eu só estou seguindo os meus planos ainda porque eu quero que seja em um dia importante para nós... Um presente para nós dois... Enquanto isso, você não tem o que reclamar de não estarmos aproveitando, porque estamos e MUITO.

Coloquei a mão por dentro da sua blusa e acariciei a sua barriga. Bella devia tomar nota de que quando estávamos no quarto, para mim, era melhor que ela permanecesse sem roupa. Como estava quando acordei. Não precisava ter vestido essa blusa. —Ok, mas mudando de assunto... O que estava rolando entre você e o seu novo amigo estagiário? — Tentei soar casual, ocultando qualquer sentimento.

—Eu estava pensando em namorar ele. — Deu de ombros despreocupada.

—Gostou dele? — Continuei acariciando seu abdômen com os dedos, fingindo não me importar com a resposta.

—Ele é bonito. — Ela sorriu e mordeu os lábios, com olhar de criança arteira.

Encarei-a admirado com o seu comportamento. Ela estava tranquila e à vontade com o assunto. Então me preparei mentalmente para a próxima pergunta. —Você o beijou?

Ela sorriu alto, divertindo-se da situação. —Não vou falar! — Brincou. —Só quando você me revelar todos os seus segredos. — Chantageou.

—Tudo bem, também não queria saber. — Fingi pouco caso. —Não estávamos namorando mesmo.

—Então, . — Ela levantou-se, ainda sorrindo, e se dirigiu ao armário. —Edward, eu tenho que ir embora mesmo. Amanhã eu tenho prova e não posso faltar. — Era só um aviso. Ela pegou a valise, colocou sobre a cama, escolheu uma roupa e vestiu.

Sobressaltei ao ver sua roupa. —Bella, você vai dirigir usando essa roupa!? — Juntei as sobrancelhas desaprovando. Era uma saia jeans curta, exageradamente curta, e uma blusa de zíper, um pouco decotada demais.

—Vou. — Respondeu simplesmente e continuou se arrumando.

Suspirei, exasperado, pela sua conduta e deitei desgostoso. E agora? O que podia fazer? Ela estava mudada, arrumou um novo amigo e ainda iria viajar com ele vestida assim!

—Vai ficar com ciúme? — Ela sorriu presunçosa enquanto passava creme nas pernas.

—Ciúme não... — É lógico que não era ciúme. Éramos namorados de novo, então não havia razão para sentimentos inseguros... Será que não?—... O problema, Bella, é que eu não queria que ele ficasse com você o tempo que eu não posso. — Dei uma desculpa.

—Nossa, você parece que adivinha, porque nós realmente passamos muito tempo juntos. Estamos os dois fazendo alemão, trabalhamos aos sábados e terças juntos. Até que ele passa mais tempo comigo do que você. — Provocou, segurando o riso cínico e parecia desfrutar do assunto com diversão.

Resolvi desviar o tema. Não iria nutrir sua diversão com minha insegurança.

—Você está fazendo duas línguas agora? — Questionei curioso.

—Não. Eu não faço mais francês. Estou fazendo só alemão.

Fiquei paralisado ao ouvi-la, sentindo instantânea frustração. Três meses mudaram-na significantemente. Realmente ela objetivava cortar em definitivo nossas pontes. Até o francês que começou a fazer para nos aproximar, ela desistiu. No que mais ela mudou?

—Você ainda está pensando em cursar faculdade na Capital? — Perguntei inseguro.

—Não. Embora tenha até o fim do ano para decidir entre a Georgetown ou UCLA. Pois é nelas que o curso que escolhi é mais bem conceituado. Mas já tenho quase certeza. Devo cursar aqui na Califórnia mesmo.

—Você ia estudar na Georgetown, a dois quarteirões de onde eu moro?! — Ofeguei surpreso.

—Sim. O curso que eu decidi tem lá. Mas eu não pretendo ir, fique calmo. —Esclareceu sugestiva e inclinou-se frente ao espelho para por brincos.

Eu franzi o cenho. No mínimo, devo ter sido mal interpretado quando não expressei opinião favorável no dia que ela cogitou morar na capital. Uma pequena dor me corroeu ao inferir que ela ia continuar tentando se afastar.

—Mas por que não vai mais para lá? — Questionei ressentido.

—Porque eu não vou mais tomar decisões em função de você. Foi um pouco de burrice minha agir assim. Ter escolhido francês por sua causa, querer ir estudar na Capital por causa de você. Resolvi viver minha própria vida agora. — Explicou natural.

Ela não parecia querer me afetar com o que disse, era somente uma meta. No entanto, isso me afetou de maneira tamanha. Saber que ela manteria essas decisões mesmo que tivéssemos voltado deixou-me pessimista. Doía saber que de modo irrefletido ela desistia de mim. Droga, só dou fora! Por que não a estimulei a ir morar na Capital? Teria sido tão cômodo estar perto dela diariamente.

Ela terminou de se arrumar e sentou-se em meu colo. Sua saia quase não cobria um palmo.

—Bella, você vai com essa saia mesmo? — Perguntei cético, sem conseguir controlar a insegurança.

—Vou. Está com ciúme? — Provocou divertida e beijou meu rosto várias vezes, persuadindo-me a admitir. Senti aflição ao voltar à estaca zero na relação. O nível de insegurança e complexibilidade atingiam altos índices.

—Ele é filho do governador do Estado de Washington? — Perguntei reticente

Ela sorriu compassiva e acariciou meus cabelos. —Não precisa ter ciúme dele. Se eu o quisesse, teria ficado com ele ontem à noite. E ele não é filho, é sobrinho do governador. O pai dele é ex-deputado.

Suspirei, decidido a submeter meus medos ocultos a sua avaliação.

—Sabe, Bella, você já me entendeu melhor antes... Eu tive a sensação de te perder esses dias, e isso me fez voltar ao limite inferior na nossa relação. Até voltarmos a ter confiança plena, pode demorar. E eu estou ansioso com isso, com esse tanto de dúvida. Principalmente com essa insegurança. Mas o que agrava mesmo a minha situação é sentir sua distância emocional, uma espécie de proteção. Mas tudo bem, de qualquer maneira, eu confio em você. Só acho que esta roupa é meio ousada demais.

Ela tocou o indicador em minha sobrancelha e me olhou com determinação. —Lembra do olhar pode, só tocar que não? — Insinuou presunçosa depois arrumou o decote, expondo mais ainda a sinuosidade dos seios. —Pois é, deixe-o olhar.

Meus ombros caíram, impotente. —Bella, por favor, não faz isso comigo. Não sabe do que um possessivo apaixonado é capaz. — Implorei derrotado.

Ela virou-se e sentou-se de frente em meu colo. —De quê?— Provocou, mordiscou o meu queixo e olhou-me atrevida. Procurei seus lábios, e ela riu, esquivando-se divertida do beijo. — querendo mesmo saber do que você é capaz. — Desafiou.

Entrecerrei os olhos e encarei-a. Mudei deliberadamente a posição, deitando-a na cama, olhei-a ameaçador, desprendi o botão e puxei sua saia num só golpe. Ela arregalou os olhos.

—Você não devia ter me provocado. — Ameacei com um sorriso malvado, inclinei e mordi suas coxas, rosnando brincalhão. Ela tentou fugir sorrindo e rolou na cama. Eu a prendi pelas pernas e dei mordidelas atrás dos joelhos, depois craveis os dentes nas nádegas. Ela riu mais, esperneou e ofegou com cócegas. —Quer saber do que sou capaz? — Mudei-a na cama, desci o zíper de sua blusa, tirei-a completamente e mordi delicadamente em sua cintura, costelas, o que fez com que ela risse desgovernada e tentasse girar.

Prendi-a com meu peso, abri o sutiã frontalmente e mordisquei seus seios nus. Ela gemeu, e o clima mudou. Subi para os seus lábios, introduzi minha língua e tomei posse, demarcando sua boca como minha, ao tempo que segurava em concha seu seio. Sem desconectar os lábios, rolei e deitei-a sobre mim, acariciando toda a extensão de suas costas. Meu corpo estava em júbilo em tê-la de volta.

—Eu estava morrendo sem você? — Declarei e cobri de selinhos os lábios doces e suaves, que revigoravam os meus.

—Ah, é? Não posso dizer o mesmo. — Retrucou com um sorriso.

Chocado com a informação tão natural, deitei-a novamente sobre a cama e mirei seus olhos.

—Eu percebi isso... Mas vou te reconquistar de novo. —Prometi.

—Estou contando com isso. — Gracejou, mas li a sinceridade em seus olhos.

—O que eu preciso fazer? — Questionei desolado, inclinei e beijei sua bochecha.

Ela ficou calada por uns minutos, seu sorriso sumiu.

—Mostrar que gosta de mim, que confia em mim e que estou em primeiro lugar em sua vida. — Sentenciou decidida.

—Mas você é o primeiro lugar na minha vida. — Argumentei.

—Não minta... Eu não sou e já sei disso. — Disse sem alterar o tom e ergueu o lençol para cobrir os seios.

Sentei e observei-a sem palavras, pensando no que ela disse. Ela tinha razão de pensar assim. Abandonei-a sem fundamentar o motivo real, pensando somente em minha família e ainda hoje não lhe dei explicações lógicas.

—Er, eu não sei o que falar... Só posso dizer que vou te reconquistar. — Declarei impedindo a insegurança de me abater. Pelo contrário, a situação me motivava a resolver. Se eu lhe revelasse o porquê da minha atitude precipitada, talvez ela me perdoasse.

—Bella... Você seria capaz de tudo pela sua família? Se você soubesse que eles vão sofrer por algo, você se sacrificaria tentando protegê-los? Ou seja, você abriria mão de sua felicidade por causa deles?

Ela olhou-me por minutos, pensativa, o seu telefone tocou, e ela o atendeu.

—Oi, Clark! Atendeu sorridente —Eu vou hoje, sim... Está aqui... Tudo bem... Já são nove, né... Ah, eu te pego lá onze... Outro! — Desligou carinhosa, efeito que alimentou meu degradante ciúme. —Edward, tenho que sair, pois ainda tenho que buscar o carro. — Ela levantou e procurou a roupa que usava.

Eu as alcancei antes dela e coloquei-as atrás de mim, escondendo-as levianamente. Apertei os lábios com força para reprimir a risada quando a vi procurando as peças.

—Clark é? —Repeti. — Não disse que o nome dele era Brandon?

—Sim, mas o chamo assim porque ele parece o Superman. Além disso, ele trabalha em um jornal, e o Clark Kent também trabalha.

—Ah, é? Você o acha parecido com o Super Homem, é? — Comentei sarcástico, corroído de inquietação.

—Ow! Muito parecido! — Provocou sorridente. Ela queria me enlouquecer, isso era certeza.

Ela viu as roupas e tentou pegá-las onde eu as tinha colocado, então estiquei os braços, divertindo-me, e não deixei que ela as alcançasse. Ela parou e olhou-me com os olhos em fendas, reprovando severamente minha atitude. Cessei a brincadeira e entreguei derrotado em sua mão. Eu sentei e observei-a desconsolado.

—Você podia me entender... Ele é a fim de você. — Murmurei carente, e ela abrandou o olhar.

—Mas eu não vou deixar o seu ciúme crescer pra cima de mim, anjinho. Hoje você tem ciúme de uma roupa, daqui uns dias vai querer me cobrir da cabeça aos pés. — Ela se vestiu de costas, vagarosamente, olhando de lado, com meio sorriso insinuante no rosto. Explorei-a com olhos ávidos e saudosos. —Não vê que estou dando início às novas sessões de terapia em você? Esses dias você andou para trás, e eu, como sua psicóloga oficial, tenho que trabalhar nisso. — Disse petulante, o que me fez rir.

Puxei-a novamente para o meu colo sorrindo de seu olhar travesso.

—Tudo bem. Pode ir assim. Você é minha mesmo, não é? — Declarei e passei as mãos em suas pernas.

—Nossa, que terapia rápida. Já está fazendo efeito! — Ela aplaudiu teatralmente.

—Eu não tenho dúvida que você seja minha, só estou ainda receoso com a abertura que eu dei em sua vida. Mas pode deixar que voltarei ao normal. Eu confio em você. E quer saber? Pode ir até de roupa íntima que eu não ligo. — Blefei. —Só tenho dó dele. — Sorri fingindo não me abalar.

—Ah, então acho que vou te ouvir... — Ela levantou do meu colo e tirou novamente a roupa, provocando e sorrindo astutamente, depois se encostou à cama, próximo ao meu rosto. Puxei-a e beijei a sua barriga, distribuindo carinhos.

—Ai, Bella, não faz isso comigo... Sabe que sou alucinado por você, não? — Continuei beijando sua pele, apreciando o gosto, o calor, e mordisquei até a lateral da cintura, mimando-a.—Por favor, não vai não. Fique comigo. Mande o Superman ir no carro e fique comigo hoje... Vai amanhã de avião... — Supliquei deliciado.

Deitei-a na cama para continuar beijando-a, e ela fechou os olhos.

—Você está pedindo isso porque está com saudade ou com ciúmes? — Sussurrou entregue.

Era um pouco dos dois, mas...

—Saudade. — Fiz movimentos com a língua no seu umbigo e ela se contorceu com pequenos tremores.

—Isso é persuasão, Edward. — Arfou.

—Bom, também tenho que ter armas contra você... — Sorri presumido.

Deitei ao seu lado, observando-a de olhos fechados, beijei seu rosto e passeei as mãos em seu corpo. Era impossível amar uma mulher mais do que eu a amava. Queria ter trilhado um caminho diferente onde tivesse trazido somente alegrias para a pessoa que eu amava. Queria em quantidade indefinida que tudo fosse mudado, principalmente que não tivéssemos mais que enfrentar a distância.

Sem que eu pudesse evitar, deixei-me invadir novamente por aquele sentimento de incapacidade, desmerecimento e pessimismo que me acompanhou durante todo o nosso trajeto juntos. Mas o que pensar quando se temia o futuro? Quando tudo estava muito incerto?

Abracei-a desesperado. Ela olhou-me perplexa pela minha mudança de estado repentina.

—O que foi, Edward?

Demorei a responder, receoso em me expor. Todavia eu escolhi ser sincero, portanto devia mostrar o que sou.

—Eu não quero te perder. — Sussurrei, a incredulidade clara em minha voz.

—Ai, Edward, isso é hora de deprimir!? — Ela sentou-se na cama obviamente irritada com o fato de eu ter parado com as carícias. —É fácil não me perder... Faça alguma coisa por nós. — Disse impaciente.

Puxei de novo e abracei-a pacificador, levantando mentalmente as possibilidades de voltar a dar certo. Eu devia tomar uma decisão do que fazer com o seu pai, do que fazer com a nossa família e de como colocá-la em primeiro lugar em tudo. Essa era a solução.

Em silêncio tranquilo, ambos ficamos pensativos. Foi ela a interromper.

—Edward... Quanto a ficar aqui, realmente não dá... Eu preciso mesmo ir. Amanhã é prova de Álgebra. Já não fui à aula sexta, e eu não quero estar cansada quando chegar lá. Este é meu último ano, e eu quero ter notas boas. — Informou segura.

Saber que ela se ia, que tudo ainda estava mal resolvido entre nós, que estávamos juntos, mas sofreríamos com a distância de cidades, e, se tudo não melhorasse hoje, sofreríamos também com a distância de corações, contundiram meu coração.

Podíamos ter voltado, mas eu tinha medo de que, por um erro meu, a vida a levasse. Suspirei consciente de que precisava trabalhar essa ansiedade, precisava voltar a crer e investir em nós. Levantei-me, peguei sua blusa e vesti-a, lentamente, depois peguei a saia e vesti nela, que me ajudou, levantando minimamente da cama. Ela continuou deitada por minutos, olhando-me, parecendo estudar minhas atitudes.

Decidido, deitei de novo ao seu lado, e ela virou-se para mim, em expectativa.

—Bella... Eu sei o tanto de promessas feitas e não cumpridas por mim, sei que fui egoísta e severo aos seus olhos... Eu só queria que me perdoasse de verdade e que voltasse a acreditar em nós...

—É lógico que eu te perdôo, mas tudo que acontece de ruim na vida deixa marcas... Estou com medo de ter fé total, de investir, de me entregar e acontecer tudo de novo... Não tem como evitar o que eu estou sentindo... Daqui em diante, vou sempre estar mais apreensiva com nosso dia seguinte juntos... Não quero sofrer tudo novamente, por isso estou na defensiva... Vou levar a vida adiante com normalidade.

Suspirei. Eu também estava apreensivo, preocupado com o que ainda podia nos separar e isso desestabilizava ainda mais meu estado emocional.

—O que eu posso fazer para mudar seus medos? — Perguntei sem fé.

—Não sei. Só o tempo pode nos mostrar. — Murmurou pesarosa.

Uma ansiedade brutal em justificar-me por tudo que a fiz passar palpitou em meu peito. Eu não podia permitir que nada me separasse mais dela. Necessitava atenuar essa distância entre nós. Não devia pagar por um segredo que não fui eu o responsável. Precisava de sua confiança. O seu crédito em nós era indispensável.

Deitei de costas ao seu lado e olhei para o teto, pensando naquela noite trágica.

—Bella, eu nunca deixaria você daquele jeito por vontade própria... Tudo dói muito em mim ainda, você não sabe o quanto. — Tentei controlar a voz, abalado emocionalmente com a lembrança.

—Edward, não... Já que voltamos, vamos esquecer... Temos que olhar para frente agora.

Suspirei e acariciei o seu rosto. Ela não gostava de relembrar. Mas confessar era elementar para perdão completo. Uma fome de voltar a ser incluso em sua vida ardia em mim, necessitava voltar a fazer parte de seus planos e promessas. E o único modo era confessando.

—Bella, você tem que me deixar falar quando eu tentar me abrir. Por favor.

—Eu não gosto de ver você triste.— Suplicou.

—Eu preciso falar... Como você diz que é minha psicóloga e não quer me ouvir? — Descontraí persuasivo e abracei-a, encostando minha cabeça em seu colo, e ela deslizou os dedos em minha nuca. —Bom... Eu nunca pensei que pudesse ser tão feliz como naqueles dias com você. Estava tudo completo... Minha mãe namorava o homem que ela amou a vida toda, que por coincidência é o pai da mulher que eu amo, e tudo corria bem... Porém, por alguma armadilha da vida, todos os nossos irmãos se envolveram também...

—O quê que tem isso? — Recuou na defensiva.

—Não teria nada, se não fosse... — Interrompi, ansioso. Se quisesse reconquistá-la, tinha que confiar nela. —Sabe, Bella, estava tudo bem àquela noite. Fazer parte do seu mundo, ser do seu mundo não me intimidava mais. Era natural. Enchia-me de felicidade. — Declarei. Tomei forças, tentando controlar o medo de sua reação e continuei. —Foi quando fui ao estacionamento e vi tudo que mais temi em minha vida. Dois dos nossos irmãos beijando-se de uma maneira inapropriada. Jasper e Alice... Quando os vi, todo o meu mundo se desestabilizou e caiu... Todos os meus sonhos e planos com você foram ao chão, e eu precisava tomar uma decisão imediatamente: a decisão de deixar tudo... — Pausei com a respiração alterada pelo nervosismo.

Ela ouviu calada.

—Se não fosse por isso, eu nunca teria te deixado. —Enfatizei dolorido.

—Por quê? Fale abertamente por que os dois não podiam ficar? — Interrompeu em um sussurro nervoso.

—Bom, eu preciso te contar a verdadeira história da minha família, a parte que eu não podia revelar no parque na Capital... Quando minha mãe voltou a ficar com o seu pai, aqui na Califórnia, assim que a Renée se separou dele, Phil, já tinha sumido e não dava notícias há muito tempo. Portanto, dá para você imaginar de quem Jasper é filho? — Sugeri, esperei uma reação sua, e ela não alterou o semblante. —Fomos embora àquela noite porque Jasper beijava a própria irmã... Pior ainda do jeito que eu os vi. E o único jeito de evitar que se envolvessem profundamente era nos afastando bruscamente. —Lamentei desolado.

Um tempo se passou, e ela parecia congelada, absorta. Então lágrimas brotaram lentas de seus olhos, parecendo libertá-la. Todo o meu sistema nervoso alterou-se de temor e pesar ao assistir seu choro. Uma sensação aguda e opressora de incerteza doeu no peito. Meus músculos se contraíram de agitação.

—Pior que isso, pelo que Alice me disse àquela noite, estavam namorando... Irmãos! Consegue ver a gravidade da situação? Dá para imaginar como eu me senti? — Expliquei aflito.

Eu queria que ela falasse algo, mas simplesmente rolavam lágrimas dos seus olhos. Precisava saber se ela me perdoaria ou se achava banal o meu fundamento. Precisava saber se a assustava o fato de ter mais um irmão.

—Sabe, Bella, eu sou o homem da casa, ainda que não more com eles. Desde criança fui responsável pelos meus irmãos. Sou também o porto e equilíbrio da minha mãe. E naquele momento eu tinha que apoiá-la em qualquer decisão que ela tomasse, pois ela só tem a mim... Por isso eu disse que era por causa de outra pessoa... Mas essa pessoa era Esme... Quando eu disse que você tinha outras opções, estava me referindo ao fato de você ter uma vida pela frente. Mas Esme só tem a mim em quem confiar, entende? Eu tinha que prestar apoio a ela, mesmo que isso significasse a minha infelicidade e consequentemente, a sua...

Ela sentou-se, enxugando o rosto, e eu queria abraçá-la, implorar mais uma vez por seu perdão e lamentar por ser tudo tão complicado para nós... Uma vozinha sem fé gritava no canto do meu cérebro que sempre lutamos contra a ordem natural da vida, e que não era a hora certa para ficarmos juntos... Porém eu calei obstinado esse pensamento, pois viver longe dela era viver por viver. Não tinha como ter vida e ter sonhos sem ela como meu alvo fim, estimulando-me a prosseguir.

—Bella... Fala alguma coisa, por favor... — Implorei lacrimoso, sentindo a distância crescer entre nós.

Ela continuou pensativa um tempo, para então inalar profundamente.

—Edward, sabe o que eu mais lamento? O tempo perdido por nós... Alice ama o seu irmão, e o seu abandono não mudou isso... Inclusive, ela e Emmett estão hoje lá no Arizona... Só nós que fomos castigados por isso. — Lamuriou condoída, ignorando o fato de Jasper ser seu irmão.

Em choque com a informação da viagem, deixei-me abater pela veracidade de suas palavras. Ela continuou: Emmett não terminou com Rosalie e Jasper não terminou com Alice. Eles continuaram se falando por telefone, e Emmett continua indo ver Rosalie regularmente. É perto daqui. Em cinco horas ele chega lá. Alice, meu pai só deixou vir esse fim de semana, porque ela avisou que Jasper estava mal. Mas eles se falavam diariamente... Logo, não adiantou você tentar resolver as coisas com suas próprias mãos... No fim, só o nosso amor que foi sacrificado. — Acusou, meláncólica.

Eu prendi o ar, esperando com angústia sua sentença. Algo me dizia que ela não iria entender meus motivos e que ter confessado só nos afastaria mais.

—Eu imaginei que tinha alguma coisa errada na história dele desde que vocês o deixaram vir fazer o tratamento em Seattle a primeira vez... Você não teria o deixado vir se ele não fosse um de nós... Eu suspeitava, mas não tinha certeza. Sempre o achei diferente de vocês e muito parecido com o meu pai, inclusive os olhos... Mas eu não quis acreditar nisso... Não porque não o amasse como irmão, mas porque não acreditava que vocês fossem capazes de fazer isso... De nos enganar. — Condenou amarga, olhando cética para as mãos. —Eu só fui ter certeza ontem, quando levantei a hipótese de você ser filho do meu pai... Mas eu ainda não consigo acreditar no que fizeram. —Balançou a cabeça reprovando.

Um tremor me percorreu. Agonia e dúvida esmagavam a esperança ao ler seu afastamento.

—Bella, você entende os meus motivos? — Quebrei o silêncio. Ela estalava os dedos freneticamente, sentada na beira da cama, calada e olhando para o chão.

—Edward... Estou preocupada com a minha irmã, estou preocupada com ele... Deus! Ela é apaixonada pelo próprio irmão! Como isso foi acontecer? — Choramingou como se só então tivesse atentado para a gravidade de tudo. Eu respirei quase aliviado que ela sentisse minha angústia

Sentei e abracei-a, confortando-a. Ela chorou por minutos, e eu me perguntava por que motivo. Se pelos dois irmãos ou porque a deixei por isso.

—Por que vocês fizeram isso? — Acusou indignada e afastou-me brevemente.

—O quê, Bella? — Franzi o cenho, perdido.

—Ele é meu irmão e não está tendo um tratamento decente! Ele está longe da própria família!

Fiquei sem palavras e confuso com a direção que ela seguiu.

—Bella, só queríamos evitar que ocorresse um incesto. — Justifiquei, e essa resposta a fez abrir a boca e balançar a cabeça.

—Edward, o nosso irmão está com uma doença grave. Ele precisa um especialista, não ser atendido pelo seguro social como um menos favorecido! —Enfatizou com objetividade. —Meu pai tem dinheiro e os melhores médicos. Em Seattle ele seria mais bem cuidado, pois o mimaríamos e teríamos funcionários à disposição. Será que você não entende que a vida dele é mais importante que evitar o romance entre ele e Alice?

Fitei-a atordoado com sua defesa apaixonada. Seu discurso abalou minhas certezas quanto à funcionalidade das decisões tomadas. Bella enxergava os problemas de um jeito fácil de ser solucionado, quando eu os via com dimensão exorbitante.

Ela mudou o semblante para beligerante e se soltou do meu abraço, andando seguidamente pelo quarto.

—Vou buscar Jasper agora, ou eu ligo para o meu pai e falo tudo. —Ameaçou olhando-me como se eu fosse inimigo. — Vocês são orgulhosos, limitados e muito egoístas. Por que esconderam ele do meu pai a vida toda? Porque queriam esconder ele também do nosso dinheiro? —Balançou a cabeça em negativa, indignada. — Jasper não merece vocês!

—Bella, você não está entendendo... A questão não é mais contar ou não para o seu pai, nem o dinheiro de vocês. —Tentei apaziguar humilde. — Minha mãe já ia contar para ele de qualquer maneira... Mas não deu tempo! Tudo aconteceu fora dos nossos planos. — Esclareci consternado.

Ela deixou os ombros caírem, desconsolada.

—Ele é meu irmão. Ele merece ter o que nós temos... — Murmurou triste e fungou, novamente chorando.

Levantei, sentindo a distância aterradora entre nós, aproximei-me dela e levantei o seu rosto. Eu precisava saber como seria daqui em diante, precisava do seu amor sem fronteiras que nos acobertava desde que nos conhecemos.

—Bom, quanto ao Jasper, depois decidimos o que fazer... Você já conhece o motivo e não temos mais tempo hoje para discutirmos quase nada... Eu quero falar sobre nós dois agora... Eu preciso da minha Bella de volta. A Bella que confia em mim e em nós... —Disse fervoroso. —Você já sabe a razão de tudo... Sabe porque fui embora daquele jeito naquela madrugada, mesmo amando você muito mais que a minha própria vida... Então eu preciso de sua resposta: algum dia você vai me perdoar? Entender-me? — Fixei meu olhar nela, rezando que ela me dissesse sim.

Ela encarou-me detidamente, como se estivesse me lendo.

Eu continuei: Eu lamento... Lamento por ter sido um sacrifício inútil... Lamento por ter implantado dúvidas em seu coração quanto ao meu amor e fidelidade depois de lutar tanto para você acreditar... Lamento que nossa relação tenha declinado... Todavia, eu amo você... E queria uma chance de você acreditar em mim e voltar a investir seu amor em mim.

Ela permaneceu calada por mais tempo do que eu suportava, então inesperadamente me abraçou forte, apoiando a cabeça em meu peito.

—Edward, como pessoa, mesmo que vocês tenham agido inconsequentemente, magoando a mim, ao meu pai e à minha família, eu te admiro mais ainda. Isso como filho, como irmão e como responsável pela sua casa... Mas é como eu disse antes... De tudo o que aconteceu, ficaram as marcas... Fica a lembrança de como foi, do que aconteceu... Só o tempo pode curar completamente a dor que senti, o choque que eu senti em ser deixada tão repentinamente, e em um momento que eu não imaginava que pudesse acontecer... Mas eu te entendo. —Beijou meu rosto. —E certifique-se que eu te amo da mesma maneira que antes e que vou voltar a acreditar no nosso amor. — Abraçou-me ternamente, e seu abraço trouxe vida completa ao meu ser, acobertando-me com êxtase e paz.

Comovido, beijei todo o seu rosto e ergui-a do chão, sentindo-me abençoado, aliviado e feliz.

—EU VOU COM VOCÊ. — Declarei efusivo. —Não posso perder você mais um segundo seu.

—Como assim? Para onde? — Pôs a mão no meu peito desentendida.

—Para o Estado de Washington. Acho que merecemos pelo menos mais um dia juntos. — Inclinei e beijei-a avidamente, explorando e ocupando sua boca. Ela correspondeu com entusiasmo, passando as mãos em meu rosto e cabelo. Agradeci aos céus. Ter a mulher que eu amava tão receptiva era uma graça alcançada. Ela desabotoou minha camisa, passou a mão em meu peito, e eu sorri deliciado ao vê-la tomando iniciativas. Era uma dádiva ter uma mulher quente, corajosa, que não tinha embaraço. Ergui-a no colo e levei-a para a cama, deitando-a. Enlouquecido de saudade, desejo e fome, acariciei-a na coxa com uma mão e com a outra acariciei sua nuca. Apoiei os joelhos na cama e deitei por cima dela, beijando insaciavelmente na boca.

—Ai, Bella, não sabe o quanto te quero... — Disse por entre arfadas e suas pernas se enlaçaram em minha cintura, prendendo-me naquela aflição ansiosa da saudade.

Tirei, de novo e outra vez, a saia, desfiz da blusa, e beijei-a sem reservas, enlouquecido pela paixão. Desci com os lábios pelo pescoço, colo, barriga, tirei o sutiã e abri a boca no seio, cultuando com meus lábios, tomando-os possessivamente. Martirizava-me o intenso desejo carnal. Queria fechar meus olhos e entrar nela, unindo nossas almas e espírito.

Ela alcançou o botão da minha calça e desabotoou. Eu já tremia de excitação em somente ter suas mãos ali. Ela ousou e após tirarmos a minha calça, olhou-me astutamente com um sorriso no rosto e tirou lentamente a última peça. Fiquei em dúvida com sua intenção. Em todo o tempo que estivemos juntos, nunca ela tinha me visto totalmente nu em dia claro ou com luzes acesas, logo uma timidez inapropriada me tomou e me cobri. Ela puxou o lençol e olhou para baixo com olhos ávidos.

—Você é lindo. — Sorriu com um olhar apaixonado e uma doçura inquantificável.

Ajoelhei-me e deitei com meio corpo sobre ela, arfando com o contato livre na pele da sua pélvis, e beijei seu ombro, enquanto ela acariciava minha costa, distribuindo espasmos por onde passava. Tirei sua última peça íntima e olhei-a nua abaixo de mim. Deus, tão bonita, levemente bronzeada. Arrebatado, direcionei à sua boca, delineando os lábios com a língua, saboreando seu gosto. Ela respondeu ansiosamente, puxando-me para seus lábios, movendo-se sob mim desesperada.

Depois de minutos beijando-a, eu já estava à beira da insensatez pela contenção de meses, então me afastei, respirando pesadamente.

Ela observou-me atentamente e acariciou meu peito, enquanto eu tentava controlar-me do desejo de afastar suas pernas e consumar. Duelava contra mim, desejoso em queimar-me na tentação colado à sua feminilidade, porém temia continuar com as brincadeiras e ser incapaz de conter-me, frustrando assim os seus objetivos traçados.

Ela empurrou-me um pouco, deitou de lado e olhou compreensiva meu rosto, descendo em seguida a mão com olhar indulgente até me tocar intimamente. Abri bem os olhos para medir suas intenções, tendo dúvidas sobre o que faríamos a seguir, no entanto, pelo que ela disse anteriormente, hoje não seria o dia em que ela seria minha.

Incendiado pelo desejo e pelo toque de sua mão quente me estimulando, abri a boca nos seios e procurei proporcionar-lhe lentamente o prazer com sugadas, mordiscadas, alternando caricias e apertos; desci a mão e também acariciei-a delicadamente. Ela abriu as pernas receptiva. E eu a amava por isso também. Por agir tão natural. Por desfrutar do nosso prazer. Por não ter recato, ao mesmo tempo ser pura. Eu queria prolongar o máximo, desfrutar das preliminares, então me soltei de sua mão e desci lentamente com os lábios pelo ventre, dando mordiscadas que a arqueavam. Preparei-a com a mão, delineei o seu umbigo com a língua, movi os lábios para sua cintura e desci com a boca lentamente até sua coxa, mordiscando e lambendo, consumido de excitação. Ela ofegava e contorcia, dando pequenos gemidos incentivadores.

Como na noite passada, afastei mais suas pernas e movi os lábios para a área interna da coxa. Ela ficou quieta, em expectativa. Subi lentamente com os lábios, esfreguei o polegar na região clitoral. Aproximei-me com a boca cauteloso de sua região íntima e beijei lentamente, beijos tranquilizadores na virilha de pelos macios, ainda um pouco incerto de seu consentimento. Ela não reclamou, pareceu ter curiosidade ao suspender o ar e olhar para baixo. Ela queria ver. Encarei-a, me senti autorizado a e beijei com mais segurança, beijos molhados, fazendo uma trilha para baixo. Ela estremeceu e fechou os olhos, com expressão de prazer. Lambi com vagar toda a extensão, conheci a textura, a cor, a forma bonita e corada, o gosto picante, registrando todas as sensações; e fui respondido com arquejos e estremecimento.

Eu estava envolvido por um prazer novo, estar no meu local de sonhos, prostrado, provando o néctar, adorando-a com minha língua que inspecionava cada milímetro, experimentando. Era tão doce aprendê-la. Quis tanto estar ali antes e não me vi com intimidade suficiente. Agora eu descobria seus segredos.

—Por favor. —Choramingou. Continuei com minha exploração lenta e egoísta totalmente encantado. Ela tornou-se inquieta, com a respiração rápida e mergulhou a mão em meu cabelo, implorando. Com tranquilidade, expus o clitóris com a mão e girei a língua vagarosamente, recebendo um gemido longo de aprovação e redenção. Com uma primitiva fome, chupei forte, para em seguida deslizar a língua aceleradamente. Ela sacudiu a cabeça e cravou os dedos em meus ombros, reclamando, protestando, aprovando.

Senti-me no céu por proporcionar-lhe aquele delírio novo, com ela se contorcendo em minha boca. Ela gemia alto, e isso só me estimulava como um louco a continuar, observando-a, com insistentes incentivos na forma em que ela mostrava mais prazer. Ela acelerou a respiração ansiosa, o que me incitou a esperar avarento.

Acariciei o acesso molhado com um dedo, depois não me contive e ingressei levemente, pensando em como um lugar tão minúsculo poderia me abrigar. Meus sentidos se perderam na luxúria com a sensação de calor, aperto, aconchego... Aprendia sobre seu interior, sobre o caminho das minhas realizações e meu corpo sentiu choques espasmódicos de prazer. Estava ali a mulher que eu amava, sendo demarcada por minha boca, por minha língua, toda minha, entregue.

Minutos se seguiram nesse prazer atordoante, ela arqueou o corpo, segurando o ar por minutos, deu arfadas longas, e eu mantive a exploração, determinado, preciso. Repentinamente, ela deu gemidos enlouquecedores e gritos insanos que soaram como música em meus ouvidos soberbos de prazer. Ela se sacudiu na cama, apertando os lençóis em suas mãos e suas coxas convulsionavam, o êxtase atravessando-a implacavelmente. Deliciosa e linda.

Perdi os pudores e receios, e lambi, com feroz ternura possessiva sua intimidade, sentindo o frenesi abrupto em saciar-me ao ter minha boca tomando-a. Fiquei fascinado com nossa nova descoberta, e a excitação extrema transformou-me em um insano por completo. Logo, voltei, enlouquecido, para os seus lábios, tendo consciência somente de que já não mais me controlaria. Deitei ao seu lado, encostei-a libidinosamente a mim, levantei um pouco sua perna e aconcheguei-me naquele calor molhado das coxas, fechando as suas pernas sobre minha ereção, já sem pensamentos coerentes, desejando somente saciar-me.

Ela acolheu-me quente, completamente úmida e eletrizante. Um convite a loucura.

—Isso é booom... Mas o que...? — Ofegou. Sorri desajeitado e deitei a cabeça para trás, desacreditado de ter que responder a essa pergunta indiscreta agora.

—Deixa eu ficar um pouco aqui... Está quente... Molhado... — Respondi, apertei-a, segurando possessivamente na nádega, e movi-a indelicadamente, mostrando o meu objetivo. O contato me torturava lentamente; ela permitiu, beijando-me molhado e movendo a língua inquietamente em minha boca. Apertei-a mais, embebido pelas correntes elétricas e senti a erupção de prazer a caminho.

Peguei em seus seios, mordi enlouquecido seus ombros e pescoço; ela moveu a língua em minha orelha, mostrando com seus gemidos que sentia o prazer da fricção. Tudo era primoroso, sua língua incendiária, os corpos suados e quentes colados, o acomodo de suas pernas, a pressão molhada, a comichão do roçar em seus pelos, o prazer do novo, meu quadril se empurrando cegamente ao encontro de suas coxas... Oh, Céus.

Atingi o mais alto grau, explodiu-se fogo dentro de mim e gemi compulsivamente, deixando-me ir descontrolado. Ela arregalou os olhos fascinada com meu expressivo clímax e beijou- me possuída de luxúria, lambendo minha boca, que gemia e grunhia enquanto eu a apertava forte, derramando-me, ofegando, sentindo tudo rodar. Foi inexplicável, meus músculos moviam-se agitados, tremendo.

—Que lindo. —Ela abraçou meus ombros encantada, consolando-me.

Abracei-a forte, tendo espasmos, ainda perdido naquele momento sublime de satisfação total, de amor e de vida em minhas veias. Ouvíamos somente nossa respiração acalmando-se e o silêncio. Eu nunca tinha sido tão eloquente. Sempre tínhamos que ficar contidos por causa do local. Hoje foi libertador. Sorri saciado, com o rosto descansando em seus cabelos, enquanto passeava os dedos calmamente em suas costas, curtindo o pós êxtase, envolvidos de amor cúmplice, embalados pelo alívio do nosso corpo. Unidos em alma, sentimentos e prazer.

Depois de um tempo, ela afastou-se de mim, olhou-me com os olhos entrecerrados e abriu minimamente a perna. Fiquei observando-a, ela pegou no líquido pegajoso e teve um insight repentino.

—Isso tem risco de fazer bebê. — Sussurrou tranquila. Fiquei tenso com sua observação completamente coerente e sentei rápido na cama, assustado. Droga, deixei-me levar por um defeito que tinha: não raciocinar quando estava dominado de desejo, resultando em ações precipitadas.

Olhei de volta a ela, e li mágoa em seus olhos. Provavelmente ela tivesse interpretado errado minha preocupação. Eu não deveria estragar o momento.

—Vem para o banho. — Chamei-a tentando soar calmo. Ela foi ao armário, pegou umas toalhas e se direcionou ao box. Entramos no banho, distribuí o sabonete nas mãos e espalhei por seu corpo, massageando ombros, pescoço. Ela fechou os olhos e encostou as costas no meu peito. Só então me senti seguro para falar. —O risco de gravidez é bem pequeno, mas em todo o caso, se tiver que acontecer, assumimos... Vou te responder sem pensar muito: se você engravidar, eu caso com você o mais rápido possível. — Prometi sorridente e beijei languidamente seu pescoço. Já que a probabilidade era remota, eu podia gracejar.

Continuei esfregando suas costas com ela entregue, a cabeça pendida no meu ombro.

—Nem sabemos o que vai ser da nossa família e você falando em casar. — Murmurou divertida.

—Eu te raptaria e fugiríamos de tudo. — Brinquei, mordiscando sua orelha.

—E moraríamos no seu quarto na universidade? — Comentou brincalhona, mas essa era a realidade da nossa vida, logo não tive respostas diante da sensação de incapacidade.

Uns minutos depois, ela virou-se e olhou perscrutadora meus olhos. Os olhos com uísque brilharam, e ela sorriu.

achando que eu sou fácil assim? —Ergueu o queixo. — Não vou sair casando só porque engravidei, não. Minha irmã nem casou! — Lembrou sorridente. —Para eu casar, você ainda vai ter que me conquistar, e eu caso somente com uma condição... — Ela parou de rir e encostou-se a mim, mordiscando o meu queixo. —Pensa na condição comigo, anjinho: a família Hale futuramente vai ficar muito pequena, acho que só vai sobrar você... E, como sabe, o homem pode adotar o sobrenome da mulher. Então, já que Rosalie vai ser uma Cullen, Jasper já é um Cullen, e sua mãe, se tudo der certo, ainda vai ser uma, você podia adotar o meu sobrenome quando casarmos... — Sugeriu animada. —Até porque, o nome Hale é o sobrenome do seu pai, e eu não acho que você tenha tanta consideração assim por ele para querer manter.

—Nossa, como chegamos a esse assunto mesmo? Você às vezes viaja, Bella!

Sorrimos, ela encostou os lábios aos meus e beijou-me docemente com a água caindo sobre nós. Bella sempre queria impor suas vontades. Mesmo que houvesse diversão em sua proposta, obviamente era um desejo real.

Já ofegante, abracei-a e afastei o seu rosto.

—Bella, eu admiro sua fé e capacidade de ver as coisas com facilidade... Na verdade, eu vejo tudo tão longe, tão intocável... Tem horas que eu acho que você não viu a gravidade da situação do Jasper e da Alice, ou não quer ver... Ou talvez veja e ache fácil de resolver. Eu não sei se tudo isso que disse quanto a nossa família vai dar certo... Mas não quero pensar nisso hoje, quero só ficar feliz com você e não deixar que nada me tire isso. Mas quanto a esse negócio de sobrenome, quando casarmos, negociamos tudo antes, ? — Descontraí.

—Eu já mando em você, bobinho. — Sorriu convencida. —E vamos deixar as coisas acontecerem ao seu tempo na família... Temos que acreditar que no final vai dar tudo certo. Preocupe-se menos com tudo, leve numa boa. Alice, não pode abandonar Jasper agora. Na verdade, a relação deles é mais de amizade e carinho que de namorados. Depois que ele se curar completamente, eles podem até perceber que são só amigos. — Expôs com sabedoria, o que acalentou por completo o meu coração.

Abracei-a forte e sorri em seu ouvido: Você não conhece o irmão que temos. Sinceramente eu fico me perguntando a que família ele puxou com aquele fogo, você imagina? — Pisquei insinuando. —De qualquer modo, não há mesmo razões para receios no momento... Obrigado por facilitar a minha vida, por existir e por me completar.

Beijei sua boca com afeto excessivo, apaixonado pela mulher que eu tinha ali e todas as células do meu corpo respondiam alegremente, regozijando com o seu corpo desnudo colado ao meu. Era tão novo estar nus, mais um passo alcançado em nossa intimidade, entretanto eu não conseguia ignorar. O desejo já me inflamava outra vez e encostei-a na parede, de mãos dadas sobre a sua cabeça, beijando-a voraz. Entretanto, antes que eu me sentisse satisfeito, seu telefone tocou insistentemente no quarto e ela desvencilhou-se do meu aperto.

Apressada, ela deu um rápido enxágue no corpo e saiu. —Oi... Nossa, desculpe, eu nem tinha visto as horas... Em quinze minutos estou aí. — Atendeu agitada.

—Edward, já são meio dia, nos enrolamos e Brandon está lá há exatamente uma hora me esperando. Termina logo aí, enquanto eu chamo o táxi. — Gritou.

Terminei o banho, arrumamo-nos e descemos com sua mala. Passamos no salão para pegar seu carro, e ela entregou a chave naturalmente em minha mão. Fiquei surpreso e feliz em voltar ao normal.

—Você vai mesmo ao Estado de Washington? — Ela perguntou desconfiada.

—Sim, lá tem roupas minhas, não? — Sorri.

Ela olhou para mão, concentrada em algo, depois se soltou do cinto e me abraçou, com a cabeça encostada no meu ombro enquanto eu dirigia.

—Eu sempre soube que você ia voltar. — Ela revelou contente —Fiquei dias olhando as suas roupas e pensando em jogá-las fora, queimar ou mandar para você. Mas eu não consegui.

Segurei seu queixo agradecido. —Fico feliz... Por, mesmo que só no subconsciente, você não ter desistido de mim.

Ela beijou-me no rosto carinhosamente, cobrindo-me de ternura, até que chegamos ao local onde estava seu novo amigo. Amistosamente, desci do carro e o cumprimentei. Ele pareceu surpreso em me ver. Passamos em um restaurante para eu e Bella almoçarmos, em todo o tempo trocando carinhos e olhares apaixonados.

Logo que pegamos a rodovia, liguei para Ryan e pedi que ele levasse tudo meu quando voltasse à Capital. Ele ficou satisfeito por eu ter resolvido a situação com Bella. Lamento meu amigo ter um problema tão complicado em sua vida amorosa. Nem imagino como seu pai vai aceitar.

Se o tempo continuasse firme, em dez horas de viagem chegaríamos a Seattle. Não lembro de antes ter tomados tantas decisões não planejadas. Ontem mesmo eu achava que tudo estava perdido, e hoje, como dádiva divina, uma nova chance me foi concedida, e volto a Washington.

Não tinha muito tráfego, logo a viagem seguia tranquila. Eu dirigia em silêncio e prestava atenção à estrada. Já Bella, tagarelava incansavelmente com o seu novo amigo, que a chamava irritantemente de Bells.

Olhei para a perna dela, que estava completamente de fora naquela micro-saia, sorri e passei a mão possessivo, fascinado com a imagem desejável. Ela olhou-me com os olhos presunçosos, sorriu como se compartilhássemos um segredo e cruzou as pernas insinuantemente.

—Você é sobrinho do governador, Brandon? — Introduzi um assunto para participar da conversa.

—Sim.

—Pretende ingressar na vida pública também?

—Não. Pretendo dificultar a vida de homens públicos. — Comentou zombeteiro. Olhei o retrovisor, e ele estava sorrindo, olhando para o lado.

Existia um ditado no meio político que caía perfeitamente em nossa situação: mantenha os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda. Pensando assim, ignorei o comentário com duplo sentido e voltei a falar.

—O que pretende fazer quando terminar o estágio na Cullen?

Bella olhou-me sorridente por minha tentativa de socializar e apertou encorajadora minha mão.

—Já negociei minha contratação com Carlisle. Em novembro acaba meu estágio, e eu assumo um setor. — Disse à vontade. Fiquei surpreso com duas informações: primeiro o novo amigo chamou o Sr. Cullen de Carlisle; segundo, ele seria efetivo no quadro da empresa. Lugar que minha namorada frequenta com assiduidade.

Não devia me sentir inseguro como fui com Mike. Mas este novo amigo ganhou espaço com a abertura que dei, e agora, como consequência, fazia parte da vida dela. E mesmo que eu não quisesse ver, tinha boa aparência, renome. Era uma ameaça perturbadora a minha total convicção.

—Então, Bells... — Eles voltaram a conversar —Eu estava pensando, podíamos dar um jeito de fazer mais uma língua. Se eu fosse você, faria administração na Universidade Washington mesmo, como eu. Assim, você continuaria fazendo alemão comigo e treinaríamos a conversação... Você, como futura gestora das empresas, precisa aprender outras línguas...

Apertei o volante irritado. Eu ia surtar ouvindo os dois falando de futuro.

—Talvez. Vou decidir ainda. Eu não quero mais fazer administração. Vou fazer Negócios e Gestão mesmo. É uma área mais específica. E dura menos tempo.

—Bells, pensa, se você fizer administração, seu laboratório vai ser a empresa do seu pai. E o melhor é que você nem sai do estado e nem fica longe das pessoas importantes paravocê.

—É uma boa ideia, mas eu vou pensar.

—Você podia mesmo, amor, era morar próximo a mim. — Entrei na conversa. —Assim teríamos mais tempo só para nós. — Disse carinhosamente, mas estava agitadíssimo de... Argh... Ciúme?

Bella olhou-me com curiosa.

—Não, Edward, eu já falei que não vou mais para Washington D.C.. Talvez eu fique mesmo é perto da minha casa.— Disse com um ar meio travesso de quem percebeu meu estado e resolveu me importunar.

—Bells, eu fico admirada com a July. Não tem mulher mais desatenta do que ela. — Novo amigo sorria e não parava de falar.

—Tudo bem que é uma língua difícil, , Clark, mas ela está muito perdida. Hã! E o Victor! Quer saber? Sem querer me achar, mas já me achando, mesmo tendo só três meses lá, nós somos os melhores dali. — Sorriram e bateram um na mão do outro.

Rá! Eu iria ter que aguentar isso!? Ela queria me ver no limite, isso sim. Irritado, e, desejando dificultar o diálogo, procurei o controle e liguei o som alto.

—Bella, canta pra mim. — Pedi tentando monopolizar sua atenção. Ela encarou-me, não cantou e ainda abaixou o som ao ler minha intenção. Em seguida, ela se virou novamente para trás.

—Sabe qual a profissão que estou pensando seriamente em seguir, Brandon? Penso em ser psicóloga. — Provocou com um sorriso. Olhei-a de canto censurador. Ela continuou. —Sabe o que eu acho de interessante na relação psicóloga e paciente, Brandon? É que é uma relação de confiança. — Insinuou rindo cínica do nosso segredo; torci os lábios e olhei de volta para estrada, ignorando-a.

—Também acho uma profissão interessante. Pensando bem, a única profissão que eu não teria é a de político. E olha que eu posso dizer. Você sabe que a minha família tem uma história de políticos, . Meu pai foi deputado, meu avô e meu tio governador. Sabe o que eu acho de um monte de político junto? Se você cercar, vira zoológico; se por lona em cima, vira circo; se cercar, vira presídio e se por uma mesinha, vira pizza. — Gargalharam e eu rangi os dentes transtornado.

—Você é bobo hein, Brandon!

Segurei forte o volante ofendido com o tom do novo amigo, que imprimia explicitamente provocação.

—Brandon, se os seus familiares não foram políticos sérios, você não pode rotular os outros por isso. — Eu disse pausadamente, ocultando a ira. Bella olhou-me reprovadora. Eu continuei. —É minha opinião. — Dei de ombros, indiferente. —Eu creio que existam homens sérios na política do país. Pode ser que eu me engane futuramente, mas eu prefiro acreditar nisso, senão, não tenho pelo que lutar. Eu acredito que existam bons líderes, interessados no bem comum. Agora se o Clark tem maus exemplos em sua família. — Insinuei sarcástico, referindo-me a um escândalo que o tio dele se envolvera com desvio de verbas públicas. Rá, foi ele que provocou. Sua indireta foi a mais declarada importunação.

Após isso, o assunto acabou e eles ficaram desconcertados. Com um sorriso mental maquiavélico, aumentei o som e passaram-se cerca de duas horas sem conversa no carro. Com quatro horas exatas de viagem, paramos para fazer um lanche.

Descemos do carro e eu peguei na mão de Bella para irmos à lanchonete. Após entrarmos, ela parou em um canto e me encurralou. —Edward, por que está agindo assim? Ele é meu amigo.

—Ah, Bella, eu tentei conversar sem ofensas, mas ele provocou. Aliás, você também estava me provocando. Se eu soubesse que seria assim, nem tinha vindo. — Cruzei os braços no peito, teimoso.

Ela olhou-me ternamente nos olhos e passou os dedos em meu rosto, porém eu temi o que ela falaria.

—Sabe, Edward, nesses três meses que ficamos separados, foi ele quem mais me fez companhia. E nunca, nunca nesses meses forçou uma situação comigo. Ele viajou comigo, passou por uma situação constrangedora na festa, mas se virou e dormiu fora, deixando nós dois à vontade. Ele nem tocou nesse assunto, não reclamou, não cobrou. Ele é legal. Está tentando ser legal. Você podia ter entrado na brincadeira. Você acha que essa vai ser a única piadinha que você vai receber na vida? Lógico que não. Você escolheu essa vida, então tem que aguentar. Ele ainda brincou dizendo que podia falar porque os familiares dele eram políticos, mas você tinha que ofender ele! — Cobrou com voz baixa, pausada e carinhosa.

—Ponha-se no meu lugar, Bella, ele estava criticando explicitamente o que eu escolhi. Cabe a mim, defender aquilo que eu acredito. — Abracei-a de frente, falando pausado em seu ouvido.

Ele nos olhava de uma mesa longe enquanto discutíamos. Com certeza lia o transtorno em nosso semblante.

—Eu já disse o que penso, portanto espero que conserte o que fez. —Ela sentenciou. — Mais uma coisa, se eu escolhi você, é porque eu quero você. Não precisa ter ciúme dele. Ele sabe que eu te escolhi e respeita isso, mesmo que seja a fim de mim.

—Bella, eu confio em você, mas está tudo muito complicado para mim. Só me entenda, por favor. Eu não sei o que houve de real entre vocês.

—Nunca rolou o mínimo clima entre nós. Ele sempre respeitou meu espaço. Então, tire qualquer insegurança que tenha e tente ser legal, por favor. — Ela beijou-me ternamente nos lábios e afastou-se para pedir um lanche.

Pensativo, pedi uma cerveja e direcionei-me à mesa que Brandon estava.

—Você dirige o restante da viagem? — Levantei a chave para ele. —Estou a fim de relaxar. — Sorri de canto e apontei para a cerveja. Ele estendeu a mão e pegou a chave. Bella não veio sentar-se conosco, parecia fazer pressão para que eu resolvesse a situação.

—Brandon, eu não queria criticar a sua família. Não leve a mal a minha atitude. — Pacifiquei, sem jeito.

—Sem problema, cara. Eu também não deveria falar mal do que você gosta.

—Você não falou mal. Foi só uma piada que inclusive eu já ouvi em outras ocasiões. — Tranquilizei-o. Como bom nacionalista e futuro provedor de paz, tinha que semear desde agora boas relações. —Eu também sei várias. Na verdade, sempre que vou apresentar seminários coloco algumas nos slides para descontrair a turma antes de começar.

—Então conta alguma. Adoro piadas. — Inclinou-se sobre a mesa. Ele pareceu disposto a atenuar o clima.

—Bom, não associe a piada ao que eu acredito. —Esclareci a garganta desajeitado. — O diretor da Penitenciária reuniu os presos no pátio e disse com ajuda de um megafone: Atenção! Quero todo mundo varrendo e limpando as suas celas, porque amanhã o presidente Bush vem aí! Ao que um dos presos comenta com um amigo: Custou, mas botaram esse safado no xadrez! — Contei fazendo caras e vozes. Talvez não fosse muito bom em dramatizar, mas fiz um esforço. Em sala nunca precisei dramatizar porque os alunos liam. Entretanto Brandon sorriu.

—Ow! Essa é nova, eu não conhecia. Vou guardar para contar lá na casa do meu avô. Na minha família, quando nos reunimos para churrascos e eventos, só rola piada de política. Eles são políticos, mas entram na diversão. Então, prepare-se que eu vou contar uma agora: Em uma escola, na prova do curso de química, foi perguntado: Qual a diferença entre solução e dissolução? Um aluno responde: Colocar um dos nossos políticos num tanque de ácido para que dissolva é uma dissolução. Colocar todos é uma solução.

Sorrimos, e eu já estava relaxado. Ele continuou com piadas. Alguns minutos mais tarde eu já estava completamente dissoluto. Fator adicionado pelo efeito das cervejas que tomei.

Inesperadamente, Bella se aproximou e sentou-se em meu colo.

—Vamos, gente, tem mais de meia hora que estamos parados. Assim chegamos lá só meia noite. — Chamou, deu-me um beijo na bochecha e foi ao caixa. Segui atrás dela e pedi mais uma cerveja à moça do balcão.

Bella

Senti uma mão pegando em minha cintura, um corpo se encostando a mim e uma garrafa de cerveja gelada encostando-se ao decote da minha blusa, fazendo-me arquear o tronco pelo susto.

—Menos quente agora, amor? — Sussurrou próximo à minha orelha e mordiscou.

Assustei com o comportamento, mas ele pareceu se referir ao meu estado temperamental.

—Parabéns, anjinho, saiu-se muito bem. — Adulei-o, virei, beijei leve seus lábios e abracei a sua cintura. —Obrigada. Sei que está se esforçando para me agradar.

Edward pôs o braço em volta do meu ombro, pagamos a conta e saímos abraçados. Esperamos Brandon encostados ao carro e, logo que ele chegou, Edward sentou no banco de trás, e Brandon sentou-se no banco do motorista. Brandon percebeu o meu olhar de questionamento e se adiantou: O príncipe bebeu um pouco e me escalou como o motorista da vez. Se você discordar, Bells, pode assumir o volante. — Deu-me a opção, mas deu partida. Olhei para ele desacreditada da brincadeira que fez com Edward.

—Por que o príncipe, hein?! — Edward quis saber descontraído.

—Nada, Edward. — Fiz careta para Brandon, censurando.

—Tudo bem. De qualquer maneira, Brandon, Bella não vai dirigir na auto-estrada. — Edward informou.

Que absurdo! Muito mandão para o meu gosto.

—Caso você não saiba, namorado, fui eu quem veio dirigindo durante todo o trajeto.

—É corajoso, hein, Brandon!? — Zombou.

—Vim rezando! — Gargalharam.

Entrecerrei os olhos e cruzei os braços.

—Pode parar o carro que quem vai dirigindo sou eu! — Avisei petulante.

—Só estamos brincando, Bella. Todo mundo aqui sabe que você dirige bem. — Edward fitou-me e balançou a cabeça censurador. —Eu só não quero que dirija porque quero que você venha aqui comigo, pode ser? — Deu duas batidas no banco de trás.

Mordi os lábios envergonhada pelo show e levantei, atravessei pelo meio do carro e sentei no banco de trás, com a cabeça encostada ao ombro dele. Resolvi descontrair também.

—Ah, Edward, o Clark te chama de príncipe porque ele fala que eu espero um príncipe encantado dos contos de fada que não existe. Ele está é tirando sarro, viu. Não dá ideia para ele. — Arreliei brincalhona.

—Qual é, Bella? Não me entrega. —Brandon brincou. — Agora somos amigos. Você se importa, príncipe, se eu te chamar de príncipe?

Todos sorriram no carro, e Edward me deitou de lado em seu colo, como uma criança, enquanto beijava a minha testa.

—Eu não. Pior se me chamasse de sapo ou de Shrek. — Respondeu sorridente, e eu o abracei orgulhosa, depositando pequenos beijos em seu peito, por cima da camisa.

Ele tentava se readaptar ao meu mundo e isso me deixava completamente feliz.

—Feche a capota, Brandon, o vento está bagunçando o meu cabelo. — Pedi, saí do colo de Edward e deitei com a cabeça em sua perna. Passamos mais algum tempo conversando em grupo, quando o assunto acabou peguei o controle remoto e programei uns CDs. Coloquei When you look the me in eyeas do Jonas Brothers.

—Uma música que declara o que eu sinto. —Ele sussurrou em meu ouvido. — É para você.

... Eu tenho procurado por você. Eu nunca conseguirei sozinho.

Sonhos não podem tomar o lugar de amar você.

Deve haver milhões de razões porque é verdade.

Quando você me olha nos olhos e diz que me ama tudo fica bem.

Quando você está bem aqui ao meu lado, quando você me olha nos olhos, eu vejo um relance do céu. Eu encontro meu paraíso.

Quanto tempo eu esperarei para ficar com você de novo... Eu vou dizer que eu te amo da melhor maneira que eu puder.

Eu não aguento um dia sem você aqui. Você é a luz que faz minha escuridão desaparecer. Todo dia, eu começo a perceber que posso alcançar meu amanhã.

Eu posso manter minha cabeça erguida e tudo porque você está ao meu lado

Escureceu lá fora e a viagem se seguiu com o som das músicas escolhidas. Vez ou outra o silêncio era quebrado por seus sussurros em meu ouvido. Num determinado momento, abri sua blusa e passei a língua insistentemente do seu pescoço ao peito.

—Faz comigo e está autorizando a fazer com você. — Ele ameaçou. Eu sorri sem sons, desavergonhada, e continuei. Passeei a língua em seu peito, lentamente, chupando, mordiscando o mamilo, e olhei para ele com olhar provocante. Ele mordeu minha orelha. —Eu tenho medo de você, sua diabinha. —Sussurrou. — Se continuar, vou esquecer seu amigo presente aqui... Não me provoque. — Alertou mordiscando minha orelha, abriu o zíper da minha blusa e passou a mão em meu seio, beliscando.

Incrível como quando uma coisa é proibida é muito mais prazerosa. Eu queria mesmo era implorar que ele esquecesse Brandon e colocasse sua boca em meus seios. Mas era muito descaramento ter um amigo dirigindo para nós enquanto nos banhávamos de luxúria no banco de trás. Mesmo que estivesse escuro lá fora, que o som estivesse alto e que não desse para Brandon nos ver, era muita loucura. Ainda assim, eu provocava. Eu queria aproveitar tudo que pudesse. Adorava vê-lo tenso e delirante com meus beijos.

Abri todos os botões, desci para a sua barriga, passeando a língua, e beijei sua cintura. Ele arqueou o corpo levemente e tremeu. Mordisquei sua barriga, puxei os fios de cabelo no dente sorrindo, e ele me apertou. Abri o botão de sua calça, e ele segurou meu pulso com olhar de reprovação, o que só me estimulou a forçar que ele me soltasse para eu desbravar o desconhecido. Teimosa, abaixei o zíper e olhei em seu rosto. Ele olhou-me com olhar torturado, balançando o rosto em negativa várias vezes, implorando que eu não fizesse aquilo.

Mas não era isso que seu corpo mostrava que queria, então continuei beijando perto, naquela área baixa da barriga que tremia com o toque da minha boca. Tudo me fazia sorrir em silêncio. Desci lentamente, beijando mais embaixo, dei umas mordiscadas na impressionante dureza por cima do pano, fazendo ele se erguer, e fiquei o acariciando e apertando com a mão. Ele enrijeceu mais em expectativa, e eu abaixei pouco a pouco a sua boxer.

Olhei para ele, e ele parecia ser levado à forca, implorando que não, balançando a cabeça sem palavras, com os olhos arregalados. Eu tinha uma adrenalina desconhecida e uma ousadia nunca experimentada. Tão próximos ao Brandon e enlouquecida de vontade de corromper os costumes de Edward. Logo, desci com a boca novamente pela área baixa, deixando ele mais ansioso e enlouquecido, peguei em seu... Como posso chamá-lo mesmo? Anjinho eu acho que não dá certo, ele não tem nada de anjinho. Sorri mentalmente. Isso não é hora de rir, Bella, meu cérebro me alertou... Ah, pode ser meu embaixadorzinho... Será que ele vai gostar do nome? Muito grande, ? Ah, depois eu dou outro.

Sorri e dei beijinhos doces na ponta, percebendo Edward tremer, e o seu peito subir e descer pesadamente. Aos poucos, a consciência entrou em minha cabeça e eu lembrei que não sabia o que fazer. Estava tão envolvida pela provocação que nem lembrei desse pequeno detalhe. Ele apertou o meu seio ansiosamente e, decidida, resolvi dar mais beijinhos carinhosos. Poxa, isso não era que nem o primeiro beijo que eu me espelhei nas novelas. Eu nunca assisti uma cena que as pessoas fizessem isso.

Continuei dando selinhos e olhei no rosto do Edward. Ele tinha um sorriso, onde mesmo com o carro escuro atrás, dava para perceber. Ele provavelmente percebeu a minha inexperiência e ria disso. Eu não iria desistir. Deixei minha mão lá, acariciando e sentei, aproximando a minha boca do seu rosto.

—Ajuda, vai... — Sussurrei.

Ele sorriu em meu ouvido e respondeu com a voz rouca de desejo: Não faz isso... Aqui não...

Eu não ia desistir fácil assim. Depois não teria graça! Eu queria era vê-lo sofrendo desprotegido em um lugar que não concordasse. Decidida, desci de novo beijando seu peito, barriga, até chegar novamente e resolvi fazer alguma coisa que imaginei ser bom. Passar a língua ali devia ser prazeroso para ele, afinal, o que ele fez com a língua dele em mim hoje foi, hmmmm delícia! Língua em qualquer lugar deve ser booom.

Lentamente, passei a pontinha da língua por toda a extensão, subindo e descendo, e percebi que ele gostou, pois arqueou o corpo e moveu-se como se estivesse sendo eletrocutado. Mordisquei delicadamente dos lados e resolvi mover as mãos como ele me ensinou, para cima e para baixo, enquanto passava a língua devagar rodeando a ponta. Foram minutos testando, então algo em meu ventre pulsou, e eu me senti mais quente e úmida. Meu corpo o queria também.

Como se lesse meu pensamento, ele desceu a mão, entrou em minha calcinha e tocou-me intimamente. Era boa aquela troca de carinho, e eu amava essa parte dele também. Amava cada mínimo detalhe do seu corpo e proporcionar isso a ele era sem igual. Tentei beijos grandes e lambidos, passando levemente os dentes por todo o comprimento. Dava pequenas sucções em toda a área, como ele fez comigo pela manhã. Observei os seus movimentos, e ele arqueava sempre que eu passava a língua em volta dele todo e cobria a parte de cima na minha pequena boca. Então, foi isso que fiz. Fui forçando sua entrada em minha boca e suguei desajeitadamente várias vezes, subindo e descendo a boca. Ele inchou mais em minha boca e dentro parecia ferver. Eu queria mais. Era tão delicioso vê-lo indefeso. Sentia-me tão poderosa. Chupei mais forte, e ele apertou minha coxa aflito, completamente entregue, dando-me prazer imenso com seu corpo tenso ardendo de excitação.

Inesperadamente ele me puxou rápido para cima. —Chega, Bella... — Rosnou e beijou meus lábios com excesso de devassidão, fazendo-me arrepiar toda em ter aqueles lábios tão urgentes. Sua língua explorou e ocupou cada canto da minha boca. Afastei arfando com seu desespero, ainda com a mão acariciando-o.

—Você tem que terminar. — Encostei a boca em sua orelha e mordi o lóbulo, enfiando a língua em seu ouvido. Ele estava incapaz de raciocínio, todo rendido em minha mão, que movia segura, enquanto ele delirava com a minha língua.

—Como? — Só moveu os lábios em um murmúrio desamparado, sofrendo de desejo de aliviar-se.

Sentei ao seu lado. Ele se inclinou e sugou os meus seios ferozmente. Uau, consegui deixar o homem sem raciocínio! Que adrenalina extasiante vivíamos! Se Brandon acendesse a luz e olhasse de esguelha para trás veria Edward se acabando em meus seios.

Soltei-o brevemente, tirei a calcinha modelo shortinho de algodão e coloquei sobre a barriga dele. Ele percebeu o que aconteceria e abriu cinco dedos de vidro, depois inclinou para alcançar meus lábios. Envolvi novamente minha mão nele numa posição de malabarista. Queria registrá-lo alcançando prazer quantas vezes pudesse.

Continuei movendo a mão nele e percebi que ele já chegaria em poucos segundos, pois sua respiração movia em seu peito compulsivamente. Nos instantes seguintes, seu beijo ficou mais molhado, sua língua mais inquieta em minha boca, e ele concluiu, estremecendo, e senti o som do gemido abafado no fundo de sua garganta, depois descansou a boca aberta em meu pescoço, ofegante.

Após um tempo, ele jogou a cabeça para trás relaxado, abriu o vidro todo e deixou o vento esfriar seu rosto. Em movimentos lentos, limpou o que derramou em minha mão por completo, limpou sua barriga, emrolou o shortinho e jogou fora. Após isso, ele sorriu preguiçoso para mim, fechou o zíper da calça e deitou-me em seu peito, completamente mole.

—Minha namorada é louca e deixa-me um insano por completo. — Ele sussurrou em meu ouvido.

—Você tem que aprender a passar por situações de risco. — Sorri travessa. —Mas está arrependido?... Foi ruim?

—Não acho que existam prazeres maiores que esse, e a cada minuto que passo com você descubro mais um pouquinho de felicidade. — Sua voz lenta e doce, fez meu coração inflar de alegria. —Já disse que amo você hoje?

—Não lembro... — Fingi.

—Você é o anjo mau da minha vida, a diabinha que me arrebata, a louca que me contamina. E eu... Amo... Você exatamente assim.

Feliz, deitei minha cabeça em seu peito, completamente envolvida por seu amor e ficamos a última hora da viagem assim, abraçadinhos. Ele acariciava a minha perna, subindo e descendo a mão na coxa. Foi estranho estar sem roupa íntima com ele passando a mão despreocupadamente em mim, todavia ele estava tão repleto de carinho e amor que fiquei à vontade.

—Sorte eu não ser ciumento e você ter vindo assim, hein, senão, eu não teria tudo isso a minha disposição. — Ele deu um tapinha na minha coxa divertindo-se da situação e beijou minha testa.

Peguei o controle remoto e mudei a programação das músicas. Ainda bem que eu programei dois CDs de rock e três de hip hop. Assim, todo barulho que escapou involuntariamente da nossa boca, foi abafado pelo tipo de música que rolava. Mudei para o cd do Chris Brown.

—Põe músicas mais calmas, cansei dessas músicas agitadas. Tem algum mais lento aqui? — Reclamou manhoso.

—Qual você quer? — Dei a opção.

—Estou gostando ultimamente do Jason Mraz, tem aí?

—Tem, mas está lá na frente. Eu teria que ir lá ao porta-luvas pegar. — Apontei para frente.

Ele olhou-me por uns minutos, estudou minhas pernas, depois balançou a cabeça em negativa, sorrindo malicioso. —Pode deixar este aí mesmo. — Sorri do seu 'cuidado' repentino. Ele não me deixou ir porque eu estava sem roupa íntima. Soltei o novo cd no controle e abaixei o som.

Chegamos a Seattle, e Brandon foi direto para minha casa, pois seu carro ficou no estacionamento de lá.

—Bom te conhecer, cara. — Brandon cumprimentou amigavelmente Edward ao descer do carro.

—O mesmo para mim. — Edward sorriu sincero.

Brandon se foi e Edward abriu o porta-malas do carro. Abracei-o encostando-nos ao carro, no momento em que ele foi tirar minha mala.

—Foi ótimo você ter vindo, estou muito feliz. — Disse enquanto o beijava.

—Eu também estou. MUITO. Não sabe o quanto. — Piscou e levantou-me do chão, dando um beijo estalado em minha boca. —Você vai fazer a prova é pela manhã?

—Sim, primeiro horário.

—Então temos que nos apressar. Já passa das dez e você precisa dormir.

Ele colocou-me no chão, pegou minha mala com uma mão e me abraçou com outra. Entramos e meu pai me esperava na sala. Quando nos viu, arregalou os olhos, em choque incrédulo.

—Oi, pai. — Soltei do abraço do Edward e fui lhe dar um beijo.

—Boa noite, Sr. Cullen. — Edward o cumprimentou e meu pai lançou um olhar pouco receptivo.

—Boa noite, Edward... Bella, faz favor. — Chamou-me para a cozinha e nem esperou cruzarmos a soleira para começar um sermão. —Filha, como que é isso? Saiu daqui com Brandon e volta com ele? — Apontou para sala. —Pensei que você o tinha esquecido. Isso não é coisa que se faça com o rapaz que estava há dias dando atenção e saindo com você. Quê isso, Bella?! — Carlisle reclamou transtornado.

—Pai, ele teve os motivos dele para terminarmos. — Tentei defendê-lo, mas sem sucesso. —Além disso, Brandon é só meu amigo e está tudo bem entre nós. Ele até virou amigo do Edward.

Ele lançou um olhar reprovador. —Filha, Brandon é um bom rapaz. Quer bem a você...

—Pai, o senhor sabe que Edward também é um bom rapaz. — Interrompi carinhosamente. Eu precisava convencê-lo.

—Mas ele te deixou sem mais e nem menos.

—Sim, mas eu o perdoei. Eu o entendi. Amor é assim, pai. Por favor, o aceite. — Implorei. Ele não respondeu e saiu da cozinha, passando rapidamente na frente do Edward.

Edward

Percebi que as coisas não seriam fáceis com o pai de Bella ao ver o seu olhar logo que chegamos. Entendia a sua frieza e a sua incompreensão quanto aos fatos. Nem eu mesmo perdoei-me completamente pelos meses em que a deixei.

Passaram um tempo na cozinha, e eu ouvi resmungos de Bella. Depois ele passou rapidamente por mim na sala e subiu as escadas apressadamente.

—Sr. Cullen... — Chamei-o quando ele já estava no alto da escada, e ele virou-se hostil. —Posso falar com o senhor?

—Pode falar. — Cruzou os braços com pouco caso.

—Pode ser em seu escritório?

Ele ficou parado olhando para mim e para Bella, depois fez um gesto sem vontade com a mão, pedindo que eu o acompanhasse.

Subi com a mala de Bella, coloquei em seu quarto e me direcionei ao escritório dele. Ao passar pela escada, olhei para Bella, que ainda estava lá embaixo, e seu semblante era de aflição. Sorri, mostrando estar calmo e pisquei para ela. Ela sorriu de volta, subindo em seguida as escadas.

—Fica calma. — Pedi. —Você já aceitou namorar comigo mesmo. Qualquer coisa namoramos escondidos. — Descontraí e beijei-a ternamente, tentando acalmá-la.

Deixei-a e entrei no escritório do Sr. Cullen. O nervosismo se apossou de mim, no entanto, não deixei o temor se alastrar, pois já o conhecia e sabia que ambos queremos o bem comum da mesma pessoa.

Com o semblante indiferente, ele apontou uma cadeira para que eu sentasse.

—Então, o que quer? — Começou ríspido.

—Na verdade, vim informar que voltei com Bella. —Disse nervoso.

—Isso eu já percebi. — Resmungou. —O problema é quando resolver deixá-la de novo. — Espetou ácido.

—Eu não vou deixá-la novamente. — Rebati convicto, olhando diretamente em seus olhos.

—Sinceramente, Edward, minha filha estava se recuperando de você. Você não sabe como a deixou. Agora quando ela está se ajeitando você aparece e estraga tudo! — Ressaltou revoltado, mas educado.

Fiquei calado, olhando para o chão e pensando no que eu falaria para me justificar. Ouvir da boca dele que eu fazia o errado em me aproximar novamente fez-me refletir sobre a decisão de ter voltado sem nada ter sido resolvido quanto a Jasper e Alice. Mas eu não tinha culpa de nada, não devia pagar por isso. Não devia arriscar a nossa felicidade por causa de atitudes dos nossos pais.

—Sr. Cullen, o senhor já errou em suas decisões alguma vez em sua vida? — Questionei sugestivo. Ele pareceu surpreso com a minha pergunta. Eu precisava me abrir pelo menos em partes para ele, pois ele era o pai, e eu devia isso a ele: uma explicação. —Eu errei indo embora e terminando com Bella sem pensar... Eu tive medo quando soube que minha mãe iria embora... Ali eu percebi que poderia não consegui enfrentar a distância e os nossos problemas. Por isso agi como foi... — Expliquei sincero. — Até que Bella pode ter quase conseguido, mas eu não consegui ficar sem ela. —Elucidei. Ele continuou calado, olhando-me enquanto eu ainda buscava mais palavras que o convencesse. —... Foi um erro tê-la deixado, porque sem ela a minha vida deixou de ter sentido... Er, eu queria que o senhor me entendesse que às vezes decidimos por passos errados e precipitados na vida... Fui agraciado ao ter a chance de tentar consertar antes que fosse tarde. Agora eu não vou deixá-la mais. — Prometi solenemente.

—Bom, Edward, você sabe que eu não tenho nada contra você. Disse uma vez e repito que a minha preocupação é com o tipo de sentimento doentio que Bella cultiva por você, e não parece ser recíproco, pois você a deixou. — Seu tom foi mais brando, entretanto ele afirmava suposições que não passavam de meras aparências.

—Um dia o senhor vai ver com mais transparência meu sentimento, mas de imediato, quero que o senhor compreenda que eu amo a sua filha mais que minha vida, e eu não suportaria a dor de deixá-la nunca mais. Eu lamento e peço desculpas pelo modo como foi. Mas peço que o senhor confie ela a mim novamente, peço o seu consentimento e aceitação, pois eu não quero manter um namoro as escondidas ou contra sua vontade. — Pedi humilde, mas firme.

Ele encarou-me por minutos surpreendido. Mesmo que eu estivesse um pouco agitado, estava aliviado por ter me aberto.

—Tudo bem, Edward. — Sorriu de canto, meio desconfiado e levantou-se para sair. —Espero que seja real, mas não seria mais fácil se você seguisse sua vida e namorasse alguém da Capital? — Comentou reflexivo, depois mudou a expressão —Quando você vai embora?

—Amanhã à noite. — Levantei da cadeira e direcionei à porta.

—Então, boa noite. Durmam, porque amanhã Bella acorda cedo. — Informou e foi saindo.

Eu apaguei a luz e fechei a porta do escritório.

—Edward, como está sua mãe? Ela já comprou uma casa? — Voltou novamente para o corredor e perguntou. Pareceu um pouco embaraçado.

Eu não devia falar o seu real estado, todavia ele poderia saber superficialmente. —Ela está bem e não comprou a casa ainda. Está trabalhando em um restaurante, o da minha avó.

—Que bom. Mande lembranças a ela. — Ele deu um meio sorriso e desceu as escadas. Não entendi o motivo da descontração, mas caminhei para o quarto de Bella. Ela já estava deitada, de banho tomado e coberta por um lençol.

—Como foi? — Perguntou com cansaço no semblante.

Sentei na cama e beijei sua bochecha. —Se ainda estiver acordada, daqui a pouco conversamos, mas já adianto que tudo está bem. Deixe-me tomar um banho primeiro.

—Coloquei suas coisas aqui. Vou te esperar. Ainda quero te beijar muito.

—Que mulher insaciável eu arrumei! — Brinquei, mas com aquele olhar de disposição, duvidava que ela me esperasse. Avistei sobre a cama roupas, toalha e acessórios. Quando voltei do banho, ela já dormia. Vesti um short de seda, terminei de aprontar-me e deitei. Beijei seu rosto e encostei-a ao meu peito.

Ela repousava tranquila. Olhei para aquele quarto por minutos, sentindo a Graça por poder estar ali novamente. Se existia algo que não poderia apagar da memória era aquele dia infeliz que a deixei, todavia podíamos reescrever a nossa história, vivendo bons momentos aqui novamente.

Passei longos minutos divagando enquanto a necessidade de dormir não me tomava. Senti, depois de um tempo, um contato muito cálido da sua pele em mim e nos descobri, com calor. O que vi deixou-me sem palavras. Ela sabia que eu não conseguiria dormir diante da tentação dela nua.

Sorri grato e acariciei-a. Ela me aguardava como sempre sonhei. Nua. Minha vontade era beijá-la e prostrar-me diante da escultura presenteada. Senti que, como eu, ela objetivava reescrever a nossa história naquele quarto. Todavia, preocupava-me o fato de ela ter prova pela manhã cedo. Devia deixar que ela decidisse.

Beijei a sua barriga lentamente, inebriado do perfume doce de sua pele, alternando beijos e mordiscadas na cintura e abdômen, apaixonado, cultuando, amando cada detalhe onde tudo era formoso, perfeito. Ela abriu os olhos sonolenta, sorriu ternamente, e a satisfação em ser aceito me tomou.

Deitamos lado a lado, com olhos nos olhos apaixonados, uma unidade que sentíamos quando estávamos de alma e coração ligados.

—Armadilha. — Sussurrou entre sorrisos.

—Fisgou-me prazerosamente.

Beijei lentamente seus lábios, desfrutando os mínimos detalhes do sabor, então nos banhamos de mais momentos de paixão ardente, de necessidade vital, onde cada poro de nossa pele transpirava amor, desejo e sedução. Passeei minha boca nela e ensoberbeci-me de seu corpo inocente, mas que me cobria de luxúria e prazer. Em resposta ela deslizou sua boca em mim, logo perdemo-nos no tempo, envoltos de cores do amor.

Ela proporcionava-me uma imensa erupção de prazer com beijos lúbricos por meu corpo, onde ela era toda minha... Linda, doce, bela, virgem, como a mais poderosa magia que me extasiava por completo. Ela tinha o domínio e controlava os meus desejos com o poder ardente que exercia sobre mim... Minha dona.

Ela fazia meu coração bater forte e ressoar alto com o misto de combustão queimando sem controle sobre nós. Com as bocas vagando um pelo outro, em carícias trocadas, distanciamo-nos do mundo real, abandonados no sôfrego, em busca do caminho à satisfação. Finalmente, entregamo-nos extasiados ao extremo prazer.