Capítulo 18 anos

Narrado por Alice

Cheguei ao estacionamento do aeroporto em Phoenix sábado de manhã, no dia do niver do Ryan e, como combinado, Emmett já me esperava encostado em seu carro. Nossa, se ele estava me esperando onze horas, devia ter saído bem cedo da Califórnia. Nos hospedamos em um hotel chique no centro da cidade e fiquei encantada com o nosso quarto.

—Emmett, você encontrou com Bella? — Perguntei assim que escolhi o meu quarto e desfazia as malas.

—Sim, ela chegou ontem e dormiu lá em casa com o amigo dela.

—Ainda bem que ela está conseguindo esquecer, né? — Ele sabia que eu me referia exatamente ao nosso cunhado em comum.

—Pra mim tanto faz os namorados da Bella. Já percebi que ela é muito mais forte e esperta do que pensamos, e eu sinceramente acho o caipira legal. Só não deu certo. — Deu de ombros.

—Tudo bem, você pode até achar ele legal, mas não gosto mais dele porque já vi minha irmã sofrer demais por ele. Ele não a merece. — Estava com raiva dele mesmo. Antes eu era a primeira a apoiar Bella, agora por mim ela partia para outra.

—Pra mim, Alicinha, ela escolhe quem ela se sentir feliz. Se for o caipira tudo bem, se for o estagiário, também tudo bem. Eu só quero ver minha irmã bem. — Abraçou o meu pescoço, me impedindo de mover. Nossa! Como Emmett estava mudado. Ele sempre foi o primeiro a perseguir o Edward. Mas até que ele estava certo. Se Bella voltasse com Edward ,eu não ligaria. Só queria que ele parasse de fazê-la sofrer.

Às vezes fico chateada com tudo que aconteceu. Seria tão mais fácil se tudo continuasse como antes e Esme não tivesse ido embora de Forks. Poxa, Jasper é meu primeiro namorado e já temos que passar por isso, namorar a distância. Parece que é sina da minha família, só pode. Primeiro Bella com o chato do Edward, depois Emmett com a enjoadinha da Rosalie, agora sou eu com o meu destrambelhado e lindo. Eu sinceramente não sei como o meu Jasper foi nascer em uma família de pessoas esquisitas daquela.

Após estarmos acomodados, a recepção avisou que eles chegaram e Emmett pediu que eles subissem. Quando ela apareceu na porta, nos olhos dele apareceram dois coraçãozinhos e parece que ligaram um refletor na cara dele. Era de rir.

—Oi, miniatura de gente! — Meu fofo entrou, me abraçou e beijou o meu rosto.

—Oi. — Respondi empolgada. —Não trouxe aquele seu pc idiota não, né? — Conferi.

—Trouxe, chatinha. Eu preciso entrar algumas vezes, né? Esqueceu que ali é meu trampo? — Implicou carinhoso, me abraçando muito. Ah, é... trampo. Como se jogar o dia todo em rede fosse trabalho. Jazz pegou a bolsa deles e colocou em um canto.

—Vocês vão dormir aqui, Rosalie? — Emmett perguntou com cara de bobo.

—Sim. A minha mãe achou melhor ficarmos aqui do que vocês terem que ir à casa da minha avó. — Respondeu e sentamos todos no sofá.

—E a olho junto da Bella, não quis vir conhecer o Arizona, não? — Jasper perguntou curioso. Era incrível esse amor dele pela Bella, geralmente a segunda pergunta dele era sobre ela.

—Não. Ela viajou com um amigo. Graças a Deus está conseguindo esquecer o seu irmão. — Comentei e ele não pareceu gostar nem do meu tom, nem da informação.

—Bom para ela. — Fez pouco caso.

—Ai, Jasper, você vai ficar chateado de saber que a minha irmã está feliz? — Estava desacreditada nisso. Será que ele gostava era da Bella?

—Você não vai entender, nanica, a questão não é os urubus que dão em cima dela. O problema é saber que o meu irmão frita o cérebro de paixão por ela. Ele é loucão nela e tem algum motivo muito cabuloso para ele estar isolando ela assim. Mas vai saber, né? — Fez uma careta.

—Ok. Então vamos esquecer eles. Como está o tratamento? — Era incrível como todo mundo dizia que Jasper estava mal, estava mal e ele continuava lindo, lógico que de boné o tempo todo, mas era como se nem estivesse passando por um tratamento desses.

—Se não fosse os enjôos e a moleza que às vezes sinto, eu tirava de boa.

—Mas hoje você está melhor?

—Sim. Geralmente eu fico pior cedinho ou quando tomo leite e derivados. — Explicou. Depois que ele parou de falar do irmão e de Bella, melhorou o humor novamente e voltamos a conversar numa boa.

A noite chegou, descemos para lanchar e depois passeamos um pouco em uma praça. Estava achando o meu Jazz muito distante, nem parecia que éramos namorados. Tinha uma coisa me incomodando no Jasper e eu precisava perguntar mesmo com toda a timidez que ainda tinha.

—Jasper, por que você não me beija mais como na minha festa?

Ele pareceu assustar com a minha pergunta e me puxou para sentarmos em um banco. —Ah, Alice... Eu tô meio grilado com as coisas bizarras da minha vida... Tô meio na minha, esperando ficar melhor... Tipo assim, eu sou fissurado em você, mas na moral, tá tudo muito esquisito pra mim.

Não entendi nada do que ele disse. Não disse nada com nada. —Como assim? Você não quer mais namorar comigo não?

—Não. Não é isso. Só estou querendo melhorar de vez para curtir minha garota de verdade, entende? Mas enquanto isso, eu preciso de você, adoro a sua companhia. Você sabe, sou ligadão em você, xonado mesmo. — Beijou leve a minha boca e me abraçou. Ele estava pra baixo, meio sem confiança na cura.

Narrado por Bella

Despertei do sono com a música no meu celular programada para tocar durante a semana. Uma sensação de realização estava em mim, como há muitos dias eu não sentia. Olhei para trás e Edward estava lá, abraçado a mim, lindo, mergulhado em um sono profundo, motivo este da minha sensação de completude.

Preguiçosa, sentei na beira da cama, exprimindo agradecimentos por ter ele ali, depois inclinei, beijei o seu peito descoberto e levantei, cobrindo-o novamente. Era tão novo o fato de acordarmos nus em uma cama. Tomei banho e lamentei muito ter prova hoje, pois eu queria ficar todo o meu dia com ele. Saí do banheiro tentando não fazer barulho para não acordá-lo. Vesti um vestido cargo verde, depois sentei na beira da cama para beijar o seu rosto e descer para o lanche. Beijei-o suavemente, e ele acordou, com os olhos completamente miúdos de sono.

indo. Vou pedir para o meu pai ligar na escola e autorizar a minha saída mais cedo.

—Por que você não me acordou, Bella? Eu queria ter ficado com você. — Resmungou preguiçoso.

—Porque eu queria deixar você dormir, parecia estar cansado. — Justifiquei carinhosamente.

Ele levantou em um pulo, pegou uma toalha e foi para o banheiro. Fiquei parada sem entender o porquê de ele ter levantado tão rápido. Uns três minutos depois ele saiu.

—Pega as roupas que eu tenho aqui, por favor. — Pediu um pouco agitado.

Em segundos, ele pegou sua bolsa de acessórios, passou desodorante, perfume e calçou as meias, com muita pressa, enquanto eu pegava suas roupas no closet. Entreguei, e ele se vestiu rapidamente. Seguidamente, ele veio em minha direção, me abraçou e me ergueu do chão, beijando levemente meus lábios.

—Bom dia! Para que eu vou dormir se eu não posso e nem devo perder um momento seu? Vamos, eu vou te levar e conhecer sua escola. Eu não quero mais perder você. — Disse bem humorado.

—Sério? — Ofeguei surpresa com o seu interesse.

—Sim. Você já conheceu a minha. — Falou como óbvio.

—Ah, mas eu só estudo aqui há seis anos. Não é como você que estudou na mesma mais de dez anos.

—Não importa. Vamos descer, Bella, se não você se atrasa. — Pegou a minha mão para descermos.

Estavam sentados à mesa meu pai, Jéssica e Mike. Logo que aparecemos na porta, Mike olhou para nós espantado. Parecia ver um fantasma. Cumprimentei todos e dei um beijo em meu pai. Edward deu um bom dia coletivo, sorriu tímido e esperou eu sentar, para sentar ao meu lado. Percebi que ele estava desconcertado, por isso servi a nós dois, recebendo sorrisos e carinhos.

—Como está o bebê? — Edward rompeu sua timidez e iniciou uma conversa com Jéssica.

—Está bem. —Disse receptiva.

—Quantos meses?

—Sete.

—Parece que foi ontem que você informou que estava de quatro meses. — Tentou descontrair para quebrar o gelo.

—Só foi pra você que o tempo não passou. — Mike se intrometeu ríspido.

Mesmo que Mike tivesse ficado mais longe de mim por estar muito envolvido com Jéssica, ele continuava estudando na mesma escola e na mesma sala que eu, logo, meu estado abatido não passou despercebido por ele.

Ofendido, Edward adotou uma postura defensiva e encarou seriamente Mike.

—Não é, Mike, o problema é que sou muito ocupado programando o meu futuro e não tenho tempo de ficar na janela observando o tempo passar. — Devolveu cheio de sofismas. E fazia alusão ao fato de Mike não ter planejado o seu próprio futuro.

—Tão preocupado com o futuro e não vive o presente. — Mike rebateu debochado.

Hum, esse era um ditado meu que com certeza Mike ouviu alguma vez soar da minha boca. Edward olhou em minha direção, pedindo autorização com o olhar para se pronunciar. Em resposta, dei de ombros indiferente e continuei a comer bolo. Mike não precisava ter tratado ele assim, logo Edward queria se defender.

—É muito fácil viver o presente quando não somos cercados de responsabilidades e quando o nosso pai deixa tudo de mãos beijadas para nós. Saiba que isso não aconteceu comigo, então se eu não for atrás do meu futuro, ninguém o fará por mim. — Discursou pausado e calculado.

Eles se encaravam, e, instantaneamente, fiquei nervosa. Mesmo que eles falassem baixo, tinha um ar de insulto na mesa. Edward se arrumou na cadeira e continuou a falar, agora em um tom mais neutro: Mas no seu lugar, eu viveria o presente também. Você tem que curtir mesmo o bebê a caminho e a mãe que ele tem. — Finalizou conciliador e apertou a minha mão, me tranquilizando.

Definitivamente ele escolheu o futuro certo. Não aceitava desaforos, entrava e saía sutilmente de uma situação e ainda fazia política no fim. Meu pai sorriu parecendo ter gostado da pequena controvérsia na mesa.

—Seu bebê mexe muito, Jéssica? — Edward continuou socializar.

—Bastante. Meu menino está chutando sem parar agora, quer ver?

Ele olhou em minha direção em dúvida, parecendo estar tentado a ir, porém um pouco receoso. Levantei e fui para perto dela, chamando-o em seguida.

—Chuta o titio, chuta. Mostra que você é bom de bola. — Fiz carinho na barriga dela e coloquei a mão dele sobre ela. Segundos depois o bebê chutou. Rimos e continuamos com a mão ali.

—Eu nunca tinha tocado em uma barriga de gestante em toda a minha vida. — Observou com humor, mas ainda retraído. —Já escolheu o nome, Mike? — Edward forçou.

—Seth. É o nome do meu avô. —Respondeu contra vontade.

—O nosso primeiro vai se chamar Carlisle. — Brinquei, e o meu pai sorriu bajulado.

—Tchau, crianças. — Papai levantou para deixar a mesa. —Edward, você vai estar aqui à noite quando eu chegar? — Perguntou antes de virar-se.

—Provavelmente não, Sr. Cullen. Devo pegar o avião de oito horas.

—Então, até mais e boa viagem. — Pegou na mão do Edward.

—Pai, tem como o senhor ligar na escola e me autorizar a vir embora mais cedo? — Pedi manhosamente.

—Tudo bem. — Beijou minha testa, a da Jéssica e saiu.

—Vamos, Mike? — Chamei. —Ouviu, ? Eu vou sair mais cedo.

—Então passa comigo lá em casa para eu pegar o meu carro. — Pediu e saímos.

Deixamos Mike em sua casa e nos dirigimos à escola.

—Ele tem irmãos? — Edward perguntou.

—Não.

—Bella, antes que você me dê bronca pelo fato ocorrido na mesa, vou logo avisar: eu não vou permitir que uma pessoa que não é da sua família e não sabe dos nossos problemas tente me insultar por causa da nossa separação. Se com o maior interessado nisso, que é o seu pai, eu já me entendi e me desculpei, então Mike não tinha o direito de ter falado daquele jeito comigo.

—Eu não ia te dar bronca. O Mike mereceu por ter entrado onde não foi chamado. De qualquer maneira, ele não fez por mal. Ele é meu amigo de muitos anos e acompanhou muitas fases nossas, então ele ficou chateado com o ocorrido. Mas ele tem o coração bom, perdoa rápido. Com certeza hoje no almoço ele já vai ter esquecido tudo. — Abracei-o feliz em começar uma manhã de segunda-feira com ele, ainda mais ele me levando à escola.

Fazia seis anos que eu estudava aqui, e o único menino com quem andei todos esses anos foi Mike, então aparecer com o meu namorado oculto era quase um sonho. Chegamos uns quinze minutos antes do horário de entrada, logo, eu poderia ficar com ele mais alguns minutos. Ele estava lindo, o sol da manhã brilhava dentro dos seus olhos, deixando-os verdes com rajadas azuladas.

Descemos do carro, e ele plantou beijos insistentes no meu rosto, iniciando o meu dia repleto de felicidade. Hoje meus colegas iriam descobrir porque eu não tinha olhos para outro.

—Você ia me fazer perder esse início de manhã contigo? — Fingiu mágoa e acariciou minha nuca com as duas mãos, sorridente, beijando a ponta do meu nariz. Todos que passavam olhavam atentamente para nós dois parados ali no meio do estacionamento.

—Eu fiquei com dó de te acordar. — Expliquei manhosa.

—Devia ter dó de me privar de você, já que passamos tanto tempo longe. — Disse e prendeu meu rosto em suas mãos, com olhar implorativo. —Por favor, dá um jeito de ir estudar na Capital? — Suplicou.

—Mais tarde conversamos sobre isso. Adorei ter você aqui no meu mundo. É um sonho, e eu estou muito feliz.

—Eu também estou adorando estar no seu mundo. — Disse beijando minha boca levemente.

—Então depois do almoço eu vou te levar na empresa para você conhecer. — Avisei empolgada, e ele assentiu sorrindo. —Sabia que eu já tenho até uma sala lá?

—Interessante, senhorita executiva.

Sorrimos.

—O que vai fazer agora? — Perguntei.

—Tenho que comprar umas roupas, mas eu queria que você fosse comigo escolher. — Comentou incerto. —Talvez eu saia à toa por aí as duas horas da sua prova.

—Vai para a minha casa e fica no meu quarto matando a saudade de mim. Mais tarde passeamos juntos. — Propus animada, e ele sorriu, parecendo gostar da ideia. —Para passar o tempo, entre no escritório do meu pai e pegue um livro para ler.

—Eu, não! Se for ficar lá, vou ficar à toa, de pernas para o ar. — Gracejou brincalhão.

—Então tchau. Esteja aqui às dez e meia.

—Tenha uma boa prova, minha vida, meu sol, minha dona. — Ergueu-me do chão e beijou-me estalado nos lábios, deixou-me na entrada principal e saiu.

Narrado por Edward

Após deixá-la no portão de sua escola, voltei, realizado, para sua casa e estacionei na garagem da frente, ao lado do carro que fora presenteado à minha mãe. O carro estava coberto, empoeirado, parecendo não ter saído do lugar desde o dia em que o deixei. É nítido que o Sr. Cullen ainda mantém o carro aqui na esperança de devolvê-lo um dia. É claro que ele a ama.

Entrei na casa, acenei para dois funcionários e subi para o quarto de Bella. Deitei em sua cama e olhei para o teto, pensativo. A sensação de abrigo do seu quarto era reconfortante, nosso lugarzinho de paz. Entretanto, para garantir o sossego, eu precisava conversar urgente com Esme e esclarecer questões primordiais.

Disquei o seu número e chamou duas vezes.

—Oi, mãe. Tudo bem?

—Oi... Tudo. — Respondeu sem empolgação.

—Você nem imagina onde estou. —Sugeri animado.

—Na Califórnia. Você disse que ia para uma festa. — Disse como óbvio. —Deve ter sido boa pelo seu tom. — Comentou mais empolgada.

—Não. — Sorri. —Estou em Seattle. Para ser mais exato, no quarto da Bella. — Informei contente. Ela não respondeu. —Mãe?

—O que você faz aí? — Perguntou em choque.

—É uma longa história, mas para adiantar, voltei com ela, contei tudo e estamos felizes novamente. — Enumerei preciso, sem ocultar minha felicidade.

—Não sabe como estou aliviada. Senti tanta culpa... — Murmurou melancólica. —Mas como vai ser? Ela vai contar sobre Jasper?

—Bom, não conversamos ainda sobre o que fazer, mas ela vai ser cautelosa. Ela costuma ser muito prudente em suas decisões. Estou feliz. É como se tivesse tirado um peso de minhas costas.

—Filho, também estou muito feliz... Eu não agüentava mais ver sua dor mesmo que você tentasse esconder de mim... — Fungou. Parecia chorar.

—O importante é que estamos bem agora... — Tranquilizei-a. —Mãe, o Sr. Cullen perguntou por você. — Comentei propositalmente. Ela precisava de um pouco de esperança.

—Ai, Edward, não tente me iludir... Deve ter sido por educação. Eu não tenho mais chance.

—Pare, Esme. Eu que era o pessimista aqui, estou crendo que há chance... Nunca é tarde. Quando o problema do Jasper e Alice se resolver, ficará mais fácil. — Passei ânimo.

—Pode ser. — Resmungou desesperançada.

—Mas mudando de assunto, por que não me disse que Emmett continuava indo ver Rosalie?

—Porque eu não acredito que eles durem muito tempo. Então eu não queria te preocupar.

—Mas... Ele já viu você?

—Não, geralmente ele vem no sábado, dorme no hotel e volta no domingo, de quinze em quinze dias. Então sempre eu estou fora.

—Mãe, sinceramente eu acho que você está subestimando o relacionamento da Rosalie. Eu acho que se ela não gostasse do Emmett, não estaria com ele até hoje.

—Pode ser... Mas eu perceberia...

—A Rosalie não se mostra.

—Assim como você.

—Mas em mim você conseguiu enxergar e nela não.

—Pode ser... Acho que só enxergamos aquilo que queremos ver.

—O que há, Esme? Está completamente desanimada hoje.

—É Jasper... Estou com medo...

—Como ele está? Bella me disse que Alice esteve aí... Por que você não me falou que os contatos entre ele e Alice continuavam acontecendo? — Questionei cauteloso.

—Porque eu não queria te preocupar... Também não queria deixar Jasper mais triste, impedindo ele de telefonar para ela, afinal, já estava difícil para ele estar em uma cidade que não conhecia ninguém, estar doente, não ser aceito pelos novos colegas... Tudo estava muito difícil... E eu não queria te preocupar mais... Alice faz bem pra ele. Foi a primeira vez que passaram o fim de semana juntos, e ele voltou para casa com uma alegria indescritível. Isso faz bem para o tratamento. — Justificou sem jeito por não ter me falado antes.

Esme sempre queria me privar de mais preocupações, todavia se ela tivesse me revelado que a mudança não alterou o relacionamento dos meus irmãos, eu teria sofrido menos e teria procurado Bella há mais tempo para lhe pedir perdão.

—Mas como ele está com o novo tratamento?

—Tendo muito enjôo. Perdeu uns cinco quilos e os cabelos caíram de novo.

—Hum... Você deixaria ele vir para Seattle novamente? —Sugeri lembrando dos comentários de Bella.

—Ai, Edward, que pergunta é essa? Seria em vão todos os sacrifícios se ele voltasse.

—A Bella disse que não há com o que se preocupar... Talvez ela esteja vendo com uma visão mais ampla que nós. De repente, esse envolvimento seja só amizade e vai passar rápido. Eu sinceramente acho que aqui ele seria mais bem cuidado.

—Podemos pensar nisso depois. —Concedeu.

Desliguei e abracei o travesseiro, sentindo o cheiro de Bella, e a saudade me invadiu sem licenças. Não era uma saudade dolorida, mas uma saudade acalentadora de seu sorriso, de seu rosto delicado, de seu olhar terno, de suas travessuras, até de sua vontade sedenta de manipular o mundo. Divirto-me com suas tentativas. É tão controladora que além de ter sugerido que eu adotasse seu sobrenome, ainda escolheu, sozinha, o nome do nosso futuro primeiro filho. Sua astúcia é cativante, mas eu não mudaria meu nome. Não por orgulho, longe disso, mas por ela não ser a dona do seu sobrenome, e sim seu pai. Ele não me aceita por completo, só me aceita por agrado a filha, logo eu não usaria seu nome sem considerações recíprocas.

Às 10h deixei sua casa e fui buscá-la. Esperei-a encostado à porta do carro, no estacionamento. Ela abraçou-me como se tivesse me visto a primeira vez naquela manhã, e eu a ergui.

—Como foi a prova? — Perguntei e abri a porta para que ela entrasse. Ela entrou, eu fui para o banco do motorista e dei partida.

—Fui bem. Eu tinha estudado. — Sorriu.

—Que bom, mocinha. Para onde vamos? —Dei partida e saímos da área escolar.

—Podemos ir logo as suas compras, depois passamos na empresa rapidinho. De lá, voltamos para casa, almoçamos e nos trancamos no quarto o resto da tarde. —Propôs empolgada.

—Tudo bem... Não cansa não? — Pisquei, insinuante.

—Eu não. Você cansa? Se cansar, eu vou devolver. Um dia você me disse que se eu aceitasse namorar você teria garantia total de satisfação. Se você se cansar foi propaganda enganosa. — Prendeu o riso.

Encostei o carro na pista, peguei em sua mão e puxei-a para o meu colo. Ela sentou-se de frente, apertei sua cintura e invadi seus lábios com um beijo. —Eu nunca me sacio de você. — Sussurrei em sua boca e acariciei seu lábio com minha língua.

—Ih, embaixador, está se arriscando muito sentando em seu colo sua namorada de saia, menor, em horário escolar, no carro, no meio da cidade e com a capota aberta. — Brincou. Continuei beijando-a sem cessar, no pescoço, ombros, já sentindo respostas eletrizantes ao contato.

—Se a polícia nos parar, é só ligar para o Sr. Cullen, meu sogro... Será que iriam me prender? — Perguntei brincalhão, ela sorriu do comentário. —Acho que não... — Neguei. —Mas de qualquer maneira não podemos tentar a sorte, . — Dei mais uns beijos e sentei-a no banco novamente.

Ela sorriu apaixonada. —Adorei isso que você fez.

—Você me induz a experimentar coisas impensadas, e eu gosto. — Dei-lhe uns selinhos, depois voltei novamente ao caminho.

Chegamos à loja que ela costumava comprar minhas roupas, e ela escolheu várias peças para que eu experimentasse. Escolhi algumas cores as quais não tinha, experimentei e me decidi sem esforços. Direcionei-me ao caixa e ela abraçou-me ao lado do balcão.

—Deixe-me pagar... — Suplicou, manhosa, com um sussurro em meu ouvido.

—Não. Eu não preciso. Eu ganho para isso, eu já disse antes. Tenho auxílio terno. — Expliquei passando os dedos em seu rosto.

—Mas eu sei que não é muito e que você precisa juntar para ajudar sua família. Quanto você ganha mensal? — Perguntou direta. Sorri, desconcertado, achando o assunto meio embaraçoso de se conversar, principalmente com ela.

—Mais de dois e menos de três.

Ela afastou-se e arregalou os olhos preocupada.

—Sabia que isso é quase o que eu mando mensalmente para o nosso irmão?

—O quê? — Ofeguei, surpreso.

—É isso mesmo. Agora não vou mais esconder nada. Ele é meu irmão mesmo. — Explicou divertida. —O ano passado eu dava mil, esse ano como o meu salário aumentou, eu aumentei o dele também. — Continuou sorrindo.

—Salário é? — Franzi o cenho admirado.

—Sim, eu trabalho dois dias por semana no jornal, então eu ganho com isso. — Disse orgulhosa.

—E para quanto o seu salário aumentou? — Resolvi levar o assunto adiante com humor.

—Nove e meio.

Sobressaltei com a informação e abri a boca. —O que você faz com isso?

—Dou dois para Jasper e o resto gasto com gasolina, lanche na escola, cinema, revista. Quando preciso de roupas uso o Amex do meu pai.

Balancei a cabeça perplexo com a direção que ela dava ao seu dinheiro.

—Você não investe? Não guarda? — Quis saber. Ela deu de ombros, indiferente. Entreguei meu cartão para o caixa e apertei a cintura de Bella. —Tudo bem, de qualquer maneira, seu dinheiro é seu e minhas roupas eu compro. Ok? — Sussurrei em seu ouvido. —Lembre que você me prometeu. — Abracei-a forte, persuadindo-a com beijos doces em seu rosto.

—Edward, como você consegue sobreviver com o que ganha? — Voltou a dizer preocupada.

—Ai, Bella, você me faz rir. Eu não saio, quase não tenho despesas. O máximo que gasto é com produtos de higiene pessoal e com lanches. Sinceramente, de tudo que recebo só gasto mesmo um quarto. Isso porque eu ainda compro revistas e, às vezes, livros. O resto eu guardo.

—Nossa! Estou admirada.

—Minha vida é simples, Bella. As roupas mais caras que já comprei na vida são as que eu uso depois que entrei no Senado, pois lá eu tenho que estar apresentável. Mas no geral, eu sempre tive coisas simples. Agora voltando pra você, se você pretende ser a gestora dos negócios da sua família, você tem que aprender a fazer melhores negócios, como economizar, aplicar, gastar menos.

—Verdade. — Concordou pensativa.

Recebemos as embalagens e nos dirigimos ao prédio da Cullen. Era um edifício moderno e elegante, equipado com estrutura de última geração. Entramos de mãos dadas em um corredor de salas de vidro e percebi que todos nos olhavam estranhamente. Ela os cumprimentava, alegre, familiarmente, mas eu aviltava com este primeiro contato. Até porque os olhares em minha direção não eram receptivos, alguns até hostis.

—Por que estão me olhando assim? — Enlacei sua cintura e sibilei em seu ouvido.

—Talvez porque pensassem que eu namorava Brandon. — Balançou os ombros e continuou o caminho despreocupada até o fim do corredor.

E ela disse isso agora! Acompanhei-a incomodado, e Brandon interrompeu o nosso caminho.

—Oi, Edward, resolveu conhecer o local onde os homens públicos são perseguidos? — Brincou e apertou minha mão amistoso.

—Pois é. Bella insiste em dizer que trabalha aqui. — Brinquei e sorri para ela. O que uma adolescente como ela fazia na empresa do pai?

Acariciei sua nuca sorrindo, mas ela não me pareceu gostar do comentário. Brandon notou e se adiantou.

—Mas ela trabalha. Tem sido o braço direito do Carlisle aqui. Além disso, é muito esforçada e inteligente. Pega tudo muito rápido, , Bells? — Ele bajulou, bateu amigavelmente no ombro dela e sorriram.

Tentei sorrir, evitando mostrar irritação. Pensei que ele tinha mudado ou então que eu agüentaria viver com as exposições públicas de analogia dos dois, porém todas as atitudes dele ainda me irritavam. Percebi olhares especuladores em nossa direção, pequenos cochichos e até risinhos em alguns indivíduos, fato que me deixou desconfortável.

—Interessante... É um lado dela que quero conhecer. — Comente disposto a tentar mudar o foco da atenção, depois a abracei novamente.

—Até mais, Edward. Depois passa lá na minha mesa para despedir.

—Com certeza. — Respondi e acompanhei Bella até o final do corredor.

Brandon não era mais uma ameaça declarada, todavia continuava sendo um bom estrategista. Um adversário a altura. Que esperaria a mínima oportunidade.

—Desculpe-me pelo comentário impróprio, Bella. —Eu disse preocupado. — É que sinceramente eu não consigo imaginar a minha criança trabalhando como adulto. — Esclareci ternamente, segurando o seu rosto com as duas mãos enquanto beijava levemente seus lábios, parados em frente a uma porta.

A despeito de o local ser sua empresa e não ser sensato beijá-la assim, precisava afirmar publicamente que ela era minha. Só o tempo tranqüilizaria meu lado inseguro e territorial.

—Você pensa que só você é bom em tudo, Edward. — Acusou sorrindo, mas tinha sarcasmo no tom.

—Da onde você tirou isso? — Sorri inocente. —É lógico que não. Eu não sei escolher roupas tão legais para mim como você o faz, por exemplo. — Descontraí, e ela sorriu rendida. —Mas é sério, já te disse que sou seu fã, ? Eu sei que você é muito esperta e inteligente. Só acho você muito nova para ter as responsabilidades sérias que uma empresa desse porte exige. — Adulei e continuei beijando insistentemente seu rosto.

—Mas aí está a diferença. Como sou muito nova e despreocupada, tento levar tudo numa boa sem exigir demais. Vou tentando fazer o que eu gosto, e assim, estou aprendendo e crescendo profissionalmente... Tenho certeza que o que faço aqui já é notado. — Disse convicta.

—Eu acredito em sua competência. — Abracei-a forte. —Além disso, só pra lembrar, você é perfeita. Não acho que exista uma coisa que queira fazer que não consiga.

Ela me abraçou de volta e a controvérsia foi resolvida. Entramos na sala do Sr. Cullen, e ele me recebeu com uma espontaneidade surpreendente.

—Já tinha vindo aqui? — Apontou a cadeira para eu sentar enquanto Bella lia uns papéis, sentada em cima da mesa, balançando os pés.

—Não. A estrutura é muito moderna. —Elogiei e olhei em volta da sala, observando seus móveis caros e luxuosos.

—Tenho que me atualizar constantemente. E não é só na aparência da empresa. Nos maquinários e equipamentos de produção também. Nessa parte sua mãe sempre teve uma visão incrível de tendências.

—Pai, vou ali na Thammy. — Bella interrompeu e nos deixou só, decidida a forçar nossa convivência.

O senhor Cullen continuou como se não tivesse sido interrompido. —Esme é tão inteligente e trabalhadora. Porém, cabeça-dura. — Comentou com olhos distantes, saudoso. Dava para ler a desilusão em seus olhos.

Observei-o compreensivo, pensando que em toda situação que fez minha mãe ir embora, os únicos que continuavam sendo sacrificados eram os dois, o Sr. Cullen e ela. E aos meus olhos, era injusto esse sofrimento. Todavia, ainda tinha a nova situação da minha mãe. Será que ele a censuraria?

O silêncio imperou na sala uns segundos, eu levantei os olhos e comentei casualmente: liguei para ela hoje.

Ele inclinou-se sobre a mesa, com olhar expectativo.

—Ela está bem? — Perguntou ansioso.

—Está. Como eu disse, trabalhando no restaurante da minha avó e não comprou uma casa ainda.

Ele suspirou e olhou para a janela. —Eu não consigo ver Esme morando fora de Forks. Não a entendo. — Refletiu distraidamente, depois se virou novamente para mim, como se tivesse lembrado algo importante. —Sabia, Edward, que o seu nome foi o que eu e sua mãe escolhemos para o nosso primeiro filho, caso tivéssemos um, quando namorávamos? — Sorriu nostálgico, olhando-me diferente.

Pela primeira vez nesses anos em que o conhecia, consegui visualizar além do seu sobrenome. Ali ele não era o Cullen que eu odiei parte da minha vida, o magnata ambicioso e implacável, pai do meu irmão doente e homem que abusou dos sentimentos da minha mãe. Não. Era alguém vulnerável. Alguém disposto a fazer uma trégua expondo-se.

Surpreso com a informação que eu desconhecia, imaginei, como meu próprio, o sofrimento dele ao ver o nome escolhido para seu filho ser dado ao filho de outro homem com a mulher que amava. Doeu comparar-me a ele e senti uma necessidade intensa de favorecer o sentimento dos dois que por ciladas da vida foram separados.

—Minha mãe nunca amou o meu pai. —Informei tenso, olhando minha mão sobre a perna. — Só casou com ele porque estava grávida de mim. — Levantei o olhar e observei a sua expressão. Ele balançou a cabeça como se não acreditasse. Eu decidi ir adiante, já que tinha começado. —Na noite em que ela ficou com Phil, ela só fez isso porque viu Renée beijando você. Foi uma espécie de vingança... E, no dia que você foi chamá-la para ir embora de Forks, ela não foi porque estava grávida de mim. Ela teria fugido, se não fosse isso. Como vê, foi uma sequência de erros que ela tem vergonha de falar... — Disse pausadamente.

Ele pareceu chocado. —Ela te disse isso? — Questionou comovido.

Eu mesmo fiquei surpreso comigo por ter lhe falado. Mas hoje esses segredos estavam tão infundados que não havia porque esconder. Eram assuntos que não pertenciam a mim, claro, mas que me oprimiram durante toda a vida. Porque eu me negava a ter sido o responsável pelo motivo da infelicidade da minha mãe.

—Sim... Eu sei de toda a história do senhor com ela. Toda. — Enfatizei, de modo que ele tivesse abertura em dialogar.

Percebi diversos sentimentos atravessarem seu rosto. Frustração, dúvida, raiva, desilusão. Parecia debater-se internamente em estender o assunto ou parar. Passamos minutos calados. Um movimento por fora da sala de vidro chamou a nossa atenção e avistamos Bella voltando.

—Edward, em outra ocasião que você vier a Seattle eu gostaria muito de conversar com você. Podíamos sair para tomar uma cerveja só nós dois, caso você esteja disposto. — Propôs receptivo.

Eu sorri, indeciso. Em breve seríamos uma família, logo, por preceito ou conveniência devia aproximar-me. Mas não queria aproximar-me só por isso. Tinha curiosidade sobre ele, sobre o pai amado da mulher que amo e amor da vida da minha mãe. Não seria muito permitir-me ter boas relações ele.

—Com certeza, Sr. Cullen. — Concordei com um sorriso.

—Almocem comigo. — O seu novo convite foi mais inesperado. Ali não era o mesmo pai hostil do início da conversa na noite anterior, quando duvidava de minhas intenções e sentimentos. Ele me dava uma chance de aproximar-me sem estar forçado por Bella e sem objetivar simplesmente a boa convivência.

—Tudo bem. Só preciso confirmar com Bella.

Bella entrou olhando-me desconfiada, sorri para ela tranqüilizando-a; ela se sentou em cima da mesa e falou de questões inerentes a empresa com o pai. Após um tempo saímos para almoçar em um restaurante próximo ao prédio.

Durante um tempo eles conversaram sobre a empresa, depois o Sr. Cullen dirigiu a conversa a mim, perguntando sobre o meu dia-a-dia. Passamos o tempo seguinte discutindo sobre os projetos de lei que preparei baseados em nossa última conversa em sua casa, onde ele trouxe idéias de projetos sociais visando parceria com empresas em troca de incentivos fiscais do governo. Expus o que articulei, e ele apoiou. Bella mantinha no rosto um sorriso de canto, satisfeito. Mesmo que fosse uma conversa formal, eu já me sentia à vontade com ele. E ele não parecia conversar sobre isso para ensejar assunto. Era notório que se interessava e apoiava minhas teorias sobre o papel das empresas nas resoluções dos conflitos e a minha análise de como as permutações de tributos favoreciam todos os lados.

—Edward, eu estou perplexo com a sua visão ampla e em como você teve facilidade em visualizar e canalizar tudo que conversamos aquela noite. — Ele comentou contente.

—Não foi difícil. Eu só precisei ver os empresários com outros olhos. — Comentei e levei um pouco de torta de maça à boca. —Essas foram as minhas pesquisas do início deste semestre na universidade. Depois entreguei o projeto e todas as estratégias para o senador. Pelo que ele mostrou, está perfeito e tudo leva a crer que são intenções bem fundadas de projeto de lei, pois interessa tanto os empresários quanto a sociedade no geral. Isso significa redução de taxas como incentivo, então muitos empresários se interessarão.

—Com certeza. Eu mesmo me interesso. Se tudo for como você disse, vale à pena liberar uma sala do meu prédio, por exemplo, para favorecer a comunidade em questões sociais.

—Eu já pensei nisso, pai. Pensei em futuramente, bem futuramente, quando eu estiver menos envolvida com a universidade, em trabalhar socialmente dando aulas de música para pessoas carentes. Afinal, agora eu toco praticamente cinco instrumentos, então eu poderia dar isso de mim e seria muito gratificante. — Bella expôs espontaneamente. Olhei por minutos para ela, apaixonando-me mais uma vez pela mulher nela. O Sr. Cullen percebeu o meu olhar reverente na direção dela e pigarreou.

—Então crianças, foi ótimo almoçar com vocês. Edward, não se esqueça do nosso compromisso para próxima vez que você vier. — Olhou-me cúmplice enquanto apertava minhas mãos.

—Com certeza, Sr. Cullen. Está marcado.

Ao chegar à residência dos Cullen, subimos e ficamos no quarto o restante da tarde. Passamos maioria do tempo conversando sobre sua atuação na empresa do pai. Depois de convencido de seu papel, passei a admirá-la mais por ser uma garota aparentemente imatura que ampliava sua visão profissional de mercado em tão pouco tempo.

A tarde se passou sem que notássemos, com assuntos de três meses que tínhamos para atualizar. E foi reconfortante. A saudade foi, momentaneamente, embalsamada, tornando-se calma e serena. Por hora, tinha combustível para seguir em frente.

—Vai me esperar? — Sussurrei em seu ouvido no momento em que o vôo apareceu no painel. Não que eu tivesse dúvidas, mas era bom ouvir.

—Sempre. — Respondeu ternamente e beijou-me leve nos lábios.

Saudoso, fechei meu corpo sobre ela e beijei-a delicadamente, aliviando a saudade antecipada. Ela devolveu-me o beijo cheio de afeto, onde não precisávamos de palavras. Mesmo sentindo um pedaço de mim ficando, preferi crer que estávamos juntos em pensamento. E quando isso acontece com corações, não há distância de um ponto ao outro que os separe.

Enquanto a viagem seguia, meu cérebro não parou um minuto de divagar sobre ela. A cada dia que passou ela ficou mais forte, mais madura. Em poucos meses iria fazer dezoito anos e, embora mostrasse inocência, diversão e descobertas, era uma mulher formada em todos os sentidos. Encanto-me com essa sua facilidade em enxergar as coisas, também com o modo como se interessa em agradar o pai, o modo em como leva a falta da mãe, o modo como enfrenta a vida e os obstáculos. O que me faz admirá-la é o fato da sua personalidade não ter sido solidificada com os valores pecuniários que sua família dispõe, pelo contrário, ela é envolvida por laços familiares e seus valores são fundamentados na simplicidade, amizade, amor e compreensão mútua. Sou grato por não ter conseguido só um corpo formoso, mas por ter sido agraciado com o abrigo de sua pessoa, a força que me impulsiona a enxergar o mundo de uma maneira mais fácil. Isso aumenta o meu apreço e me faz amar a ela de maneira exorbitante. Ela é a dádiva que todo homem procura em uma mulher: apoio, descanso, alegria, paz, calor...

De volta ao meu trabalho na terça-feira, fazia uma pesquisa sentado em minha mesa, e o senador entrou abraçado com sua filha.

—Boa tarde, Edward. —Cumprimentou-me. — Resolveu ir ao estado do Washington? — Levantou uma sobrancelha curioso.

—Sim. Fui resolver uns problemas.

—É algo que eu possa ajudar? — Sentou-me em frente à minha mesa, solícito. Sua filha nos deixou só.

—Está resolvido. Obrigado. —Respondi conciso, com um sorriso tranqüilizador.

—Que bom. —Parou me observando.—Edward, no próximo ano você vai fazer parte da equipe de assessoria. — Informou. Eu juntei as sobrancelhas confuso.

—Mas eu tenho só vinte anos. —Lembrei-o. — E ainda estou estudando. — Comentei com suspeita. A idade dos assessores costumava se acima de vinte e dois anos e, normalmente, eles eram graduados.

—Seu horário vai ser flexível e quanto a sua idade não importa. — Deu de ombros naturalmente. —Você tem mais capacidade que muitos assessores aqui.

—Mas o número de assessores por gabinete vai ficar excedido. —Ressaltei preocupado com suas intenções.

—Não se preocupe. Eu vou ceder o Lincoln a um deputado amigo meu.

Fiquei calado, pensativo.

—Por que essa predileção, senador Evans? É só por eu ser amigo do Ryan? — Questionei direto.

Ele levantou-se e olhou-me sério.

—Você conhece seu potencial, Edward. É um em mil. Tem um futuro brilhante à frente. Seus projetos passaram pelas comissões sem alterações ou objeções. Em poucos dias eles vão entrar em pauta para votação. Você acha que os meus assessores com cinco anos de Casa, já fizeram que não tivessem modificações? Não. Você se atenta aos detalhes. Exige muito de si e não aceita menos que perfeição. É verdade? — Arqueou a sobrancelha. Eu assenti mudamente, surpreso com o discurso. Ele pausou e olhou para a porta do gabinete a qual a sua filha tinha acabado de entrar. —Mas além de sua singular competência, tenho predileção por você porque meus filhos gostam muito de você. Você acha mesmo que alguém consegue subir aqui sem ter ajuda? —Comentou sugestivo.

Fiquei em silêncio segundos, diluindo tudo que ele disse.

—Senador, eu prefiro continuar como assistente. É um ano eleitoral e ser assessor pode prejudicar meus estudos com a dedicação extra ao senhor. —Neguei preocupado principalmente com Bella, que caso viesse morar na Capital o meu tempo com ela se reduziria mais. Além disso, ele dispensaria Lincoln por ter descoberto que eu era o redator dos textos de sua responsabilidade. Lincoln não iria deixar só o gabinete, mas também a Casa. Isso iria onerá-lo financeiramente, pois a assessoria de um deputado tem remuneração menor que a de um senador. Eu não poderia viver com a culpa de ter derrubado alguém.

n/a:*Nos EUA as eleições ocorrem de dois em dois anos no Poder Legislativo. Em proporção de 2/1.

—Edward, está feito. Não se preocupe. Não vai ser nada que você não consiga. Eu confio em você. — Sentenciou decidido. —Eu também gosto muito de você, rapaz. Vejo-me em você. — Adicionou e caminhou para a porta de sua sala. Fiquei sem palavras, perplexo com a declaração. Ele entrou, e eu meditei. Se visto com praticidade, aceitar seria mais um degrau alcançado para chegar ao meu objetivo. Mas e os sacrifícios que teria que fazer?

Deixei a questão de lado e voltei a pesquisar elementos para o discurso do plenário que o senador iria fazer em uma votação de emenda a constituição na sexta-feira. Demorei a notar a irmã do Ryan sentada a minha frente.

—Pois não, Srta. Evans. — Perguntei sem tirar os olhos do monitor.

—Boa tarde, senhor Hale. Você gosta de ser tratado formalmente sendo tão novo? — Sorriu amigavelmente.

—Sim. — Respondi sério e continuei pesquisando, sem olhar em direção a ela.

—Eu não. Gosto que me chamem pelo nome, principalmente você.

Ignorei o comentário e fiquei um tempo olhando para a tela, sem digitar.

—O que quer, Ashley? — Concedi relutante, olhando para ela.

—Você podia abaixar a guarda. Tivemos um mau começo. Fui mal interpretada.

—Você se fez mal interpretada.

—Eu queria consertar. Quero mudar essa imagem com você, afinal, você vai ser assessor legislativo do meu pai e eu faço parte da assessoria de comunicação. Seremos parceiros. — Elucidou prática.

—Eu não tenho certeza se vou aceitar. —Comentei pensativo. — E você não precisa mostrar nada para mim. —Adicionei e voltei ao que fazia. Ela despediu-se e saiu. Eu fiquei preocupado com meus dias futuros. Seria um estorvo ter que conviver com ela.

Ao voltar assiduamente à minha rotina, tudo ficava indistinto. Sentia falta de Bella, mas o homem que morava na Capital era obstinado a obter resultados, sem o tempo ocioso que favorecia a dor da saudade. Nosso namoro fluía calmamente. Mesmo com a complexidade da nossa vida, tudo decorria fácil em saber que eu tinha um porto, ela.

Dias se passaram e vi meus projetos ganharem ênfase no curso, com notórios interesses dos mestres. O motivo de atenção foi recentemente o Prêmio Nobel de Economia no país ter sido dado a um título parecido. Devido à repercussão de elogios, a reitoria convidou-se a ministrar seminários em dezembro, na semana acadêmica, logo que acabassem as aulas convencionais. Assim, os alunos com notas pendentes iriam participar obrigatoriamente, e os alunos que quisessem créditos futuros poderiam optar. Seriam dez dias pelas manhãs, com turmas alternadas e cerca de dois mil estudantes. E como compensação, eu ganharia créditos futuros. Também tornar-me-ia conhecido por alunos de todos os cursos, por ser o único discente a ministrar ao lado de especialistas, mestres e doutores. Isso se fazia necessário para o futuro que escolhi, além de primordial para o enriquecimento dos meus conhecimentos e currículo.

Porém, seriam palestras que cairiam exatamente na semana do aniversário de Bella. Seria mais uma comemoração sem que eu estivesse presente. Mais um obstáculo que iríamos enfrentar na vida, ter que nos privar tantas vezes um do outro. Ela teria que entender.

Narrado por Bella

O tempo que passei longe de Edward serviu de lição para algo. Não fiquei incrédula, pois ainda o amo muito. Mas descobri que não quero ser a metade de ninguém. Continuo acreditando que somos almas gêmeas, mas ele não é a minha metade. Não quero viver sendo metade de ninguém. Não posso viver um relacionamento sempre pensando que falta algo em mim, pois sou completa. Preciso dele para compartilhar planos, compartilhar vivências. Tudo está em volta de compartilhar, não dividir. Quero viver tudo o que ele é, não metade dele. Descobri que uma pessoa que vive em busca da outra metade, ainda que a encontre nunca se sentirá completa, pois estará sempre querendo sugar mais da vida do outro, de sua atenção e de sua liberdade.

Talvez pensar assim nos afaste e até nos desgaste, mas para conseguir enfrentar o futuro que ele escolheu temos que nos acostumar a viver um longe do outro. Não me vejo integrante assídua desse mundo o qual ele busca. Sonho com uma família calma, uma varanda, um lago, um violão. Sonho com meu pai e irmãos próximos a mim, a empresa expandindo.

Estamos juntos, mas, como Edward, hoje eu vejo como nosso futuro é espinhoso, que ainda vamos ter que fazer muitas escolhas na vida. Por isso, vivo o hoje intensamente.

No dia seguinte ao que ele foi embora, Alice chegou de viagem, informou como foi o passeio e sobre a saúde de Jasper. Fiquei aliviada em saber que ela e Jasper comportavam-se como amigos, não namorados.Um mês se passou desde então e já era início de outubro quando eu resolvi tocar no assunto Jasper com meu pai. Em poucos dias seria aniversário do garoto, e eu o queria em minha casa, sentia muita falta dele, por isso, entrei na sala do meu pai e resolvi abordá-lo.

—Pai, Jasper não está bem. —Iniciei sem rodeios. — O senhor como amigo da Esme deveria trazê-lo de volta. — Expus naturalmente, sentada em sua mesa. Ele tirou os olhos do computador e olhou em minha direção surpreso, pois nunca falávamos de Esme.

—Foi a mãe dele quem quis levá-lo. Eu não vou forçar uma situação. — Defendeu-se com orgulho ferido.

—Liga para a mãe dele e proponha. — Insisti como se fosse algo fácil. —Outra coisa, dia quinze é aniversário dele de dezesseis anos, e eu queria dar um presente.

Ele voltou os olhos para o computador.

—E por que veio me falar? Está precisando de mais dinheiro? — Perguntou tranquilo.

—Não, pai, é que quando passar o presente no cartão, vão ligar para o senhor para confirmar. — Expliquei displicente, balançando o pé no ar.

—O que quer dar? — Franziu o cenho curioso.

—Um carro. — Disse e olhei para as unhas, tentando parecer casual.

Ele sorriu confuso e olhou o meu rosto. —Por que resolveu dar um carro para o garoto? — Perguntou divertido.

—Ah, porque ele está doente, está fazendo dezesseis anos, está se tratando e eu acho que um carro iria favorecer a terapia.

—Tudo bem. Compre o que quiser. Você tem acesso às contas mesmo. — Fez um gesto com as mãos e voltou a olhar as tabelas no computador. Ele ficaria surpreso com o carro que eu queria comprar. Porém, Jasper é meu irmão. Todos nós tínhamos carros que custavam mais de duzentos mil, e eu não iria deixar o meu irmão se privar de nada que nos é dado.

—O senhor nem perguntou qual o carro... — Comentei naturalmente.

—E qual é? — Continuou olhando para o computador

—Eu queria dar uma Ferrari, mas acho que ele gosta da Lamborghini. — Disse baixinho.

Ele se virou em minha direção, desentendido. —Por que esse carro?

—Porque ele merece. —Dei de ombros, natural. Ai meu Deus, como eu ia sustentar esse argumento sem entregar os fatos?

—Mas é muito caro! — Balançou a cabeça.

—Mais caro, pai, é manter o carro da Esme lá em casa, parado. — Olhei acusadoramente em seus olhos.

—Eu não entendi o seu tom, Bella. — Entrecerrou os olhos, confuso.

—Você podia ligar para ela. — Sugeri e continuei olhando minhas unhas. Eu tinha que confrontá-lo. Fazia meses que ele fugia dessa conversa.

—Foi ela que me deixou, e eu já estou bem.

—De repente ela tenha os motivos dela... Assim como Edward tinha os dele. —Tentei de novo.

—Mas Edward foi atrás de você.

—Sim. Mas eu estava no local onde ele estava. Teve uma chance do meu lado. Faça alguma coisa por ela, se o senhor gosta dela. —Tentei persuadi-lo teimosa.

Ele suspirou amargurado. —Bella, eu a pedi em casamento...

—Faça o mínimo... — Insisti, esperançosa.

Ele virou-se de volta para o computador, mas parecia distraído. Eu continuei lá, em expectativa. Sabia que a conversa ainda não tinha terminado.

—Bella, eu não consigo assim... Sei que é errado, mas só consigo falar por meio de gestos. Então compre o carro do garoto e depois me cobre que eu vou ligar para ela pedindo que ele venha se tratar aqui novamente.

—Obrigada, pai! — Pulei satisfeita, dei-lhe um beijo bajulador e saí da sala.

Uma semana se passou, tempo esse propício a ele acostumar com a ideia de ligar para ela. Então fui ao quarto dele e o fiz ligar na minha frente.

—Oi, er... Tudo bem, Esme?... — Começou, desconcertado. —É que... Como está o tratamento do menino?... Ah... É que Bella sugeriu que eu o trouxesse para se tratar com Charles novamente... Não, não vai incomodar!... Sim, foi ela que sugeriu, mas eu quero que o garoto venha... Quero trazê-lo porque somos amigos... Não, nós gostamos do garoto. Estamos preocupados... Não se preocupe... Vou mandar a passagem... Esme, por favor, eu quero fazer isso... Como você está?... A empresa sente sua falta...

Deixei-o no quarto e saí para ele ficar mais à vontade. Queria saber quanto tempo ainda seria essa queda de braço. Sabia que a preocupação de Esme era Jasper, mas hoje essa separação não tinha fundamentos. Queria saber o real motivo da Esme não voltar atrás, já que o garoto viria aqui para casa.

No fim de semana seguinte, como esperávamos Jasper e sabíamos que era seu aniversário, organizamos uma festa surpresa para ele e convidamos a maioria dos nossos amigos. Emmett combinou com Rosalie, e ela veio junto para o fim de semana. Edward não pode vir, pois tinha trabalhos. Também convidei alguns colegas do menino de Forks e da reserva.

Dançamos eufóricos no salão de festa da casa. Até Rosalie soltou-se na pista. Jasper dançava pouco, porque às vezes ficava cansado, mas ele não perdia o humor e o tempo todo ficava perto de Alice. Não conseguia imaginar como separá-los. Eles tinham tanta harmonia, sempre cuidando um do outro.

Ver casaizinhos sempre me fazia ter saudade do Edward... Todavia, mesmo sentindo falta, tinha que levar numa boa. Sorte minha ter convidado algumas pessoas da empresa, assim não ficava completamente só... Pelo menos eu tinha amigos. Jéssica também estava dançando pouco por causa da barriga de oito meses, então Mike vez ou outra se dividia entre mim e Alice.

Às onze e meia marcamos de chegar um carro de som e aí o carro do Jasper chegaria junto, todo decorado. Liguei mais cedo para Edward e pedi que ele ficasse on-line à noite, porém, mesmo sendo sábado, ele disse que ficaria pouco tempo conectado. Ainda assim, pedi que Emmett instalassem câmeras que transmitissem tudo em tempo real caso Edward acessasse.

Depois de horas dançando, vi Emmett conversando com o DJ que contratou, o DJ desligou o som e lá fora começou a homenagem para o garoto.

Narrado por Jasper

Não pensei que os Cullen tivessem tanta consideração assim, ao ponto de fazer uma festa maneira daquelas. Estava tudo irado. Se não fosse essa moleza que às vezes tinha, iria curtir pra caramba.

A festa estava de boa, mas de tudo, o que tava me grilando era ver os urubus tudo de olho na marmitinha do meu irmão. Eu dançava perto dela, protegendo ela dos olhares dos bizonhos, e tava puto. Só ficava mais de boa quando Mike dançava perto delas. Pelo menos ele estava com a Jéssica agora e esqueceu Bella, mas Brandon e Jake, carai, tavam secando as mina na cara dura quando elas dançavam até o chão. Crocodilagem! Dava vontade de descer o pau nos traíra.

Mas eram amigos . Amigos fura-olho!

Tudo bem, babem, babem, elas são nossas mesmo. Mas que a mulherada estavam abusadas, estavam. Muuuito booas!

—Que é, Jasper? Que cara é essa? — Alice perguntou quando viu meu olhar de mau pros caras secando elas.

—Os macho aqui não tiram o olho de vocês. Estão pensando que é pro bico deles! — Continuei dançando, mas ela não pareceu gostar da minha preocupação com sua irmã.

Repentinamente, a música parou no salão e começou outra lá fora. Todos saíram de uma vez, parecia um incêndio. Cheguei perto e tinha uma homenagem daquelas melosas de carro de som. Que negócio era esse de pisca-pisca, coraçõezinhos, fogos de artifício? Só faltou um buquê de flores.

Pra mim!? Ih, eu sou é homem!

Fui chegando perto e a roda de pessoas amontoadas se abriu. Então uma mulher assumiu um microfone.

—Boa noite. Parabéns, Jasper, essa é uma noite de homenagens de pessoas que te amam. E a primeira é uma mensagem da Esme, sua mãe.

'Jasper, você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, um presente dos céus. Todos os dias eu tenho certeza disso. Eu te amo.'

—A próxima mensagem é da sua irmã do coração, Bella.

' Você é uma estrela que nasceu, trazendo luz para a minha vida e para a minha família. Te amo de todo o meu coração.'

Alice fez cara de nojinho após a mensagem da Bella. Eu não entendi. Procurei Bella para abraçá-la, e ela veio com um sorriso choroso. Pô, me segurei. Ela passou minutos abraçada a mim, depois suspirei e limpei os olhos, aquela lágrima bizarra insistindo em molhar o meu olho. Sensível igual uma bichona.

Percebi que Bella atendeu ao telefone e saiu correndo para dentro de casa. Passou mais minutos de homenagens dos meus amigos e então Alice pegou o microfone. Caramba, nem acreditei que ela ia ter essa coragem.

—Jasper, desde o dia que eu te vi a primeira vez eu sabia que você seria a pessoa mais especial que passaria pela minha vida. Não era só amizade, eu te amei desde sempre. Quero dizer que eu vou estar sempre ao seu lado. Seja em qual ocasião for, eu vou sempre te amar.

Terminou de falar chorando e veio me abraçar. Cara, isso estava soando estranho... Como uma despedida. Será que as coisas não iam dar certo nesse tratamento? Quando o medo cresceu, as lágrimas brotaram de verdade, enquanto a minha pequena me abraçava. Era um momento muito emocionante, mas eu fiquei bolado com isso. Depois meus amigos de Forks iriam me chamar de moça.

Mais pessoas falaram e Bella filmava tudo de um canto, iluminando tudo com o refletor embutido.

—Bom Jasper, seus amigos, Cullen, prepararam uma surpresa para você... É seu. — A moça do microfone apontou para trás. De repente, apareceu um carro amarelo, com o pisca-alerta ligado.

—Putaquepariu! —Abri a boca e caminhei com o coração acelerado até o carro. —Quem foi...? — Perguntei confuso, olhei para a bandida da Bella, e ela sorriu, com o dedinho levantado. Só podia ser. Devia ter visto pelos meus joguinhos que eu sempre escolhia o Lamborghine amarelo.

Esqueci tudo e fui abraçar minha mana do coração chorando. Ela entregou a câmera para Brandon, que não desgrudava dela, o baba ovo, me abraçou e me levou até o carro. Bella estava tão feliz! Dava pra perceber que ela gostava de mim independente dela ser a garota do meu irmão.

Abri a porta do carro desacreditado, aquilo não era real. O painel, a cor, os bancos, aquele símbolo de touro. Nuoossa! Como um cara como eu, baixa renda, sem nenhum, ia pousar num carro maneiro desses? Só em sonho!

Bella foi lá e pegou a câmera de novo.

—Fala, Jasper, o que você está sentindo agora?

—Cara, isso é inacreditável. Sem palavras. Valeu. Não sei nem o que falar.

Todos sorrimos e eu liguei o carro para dar uma volta.

Narrado por Edward

Neste fim de semana tinha que adiantar alguns trabalhos que eram para ser feitos em grupo, mas como não confiava em ninguém, tudo sozinho. Dividi com o grupo somente as partes nas apresentações. Pelo menos a apresentação discursiva, eu praticamente exigi que eles fizessem.

Bella ligou cedo falando sobre uma homenagem ao Jasper à noite e pediu que eu ficasse on-line. Já passavam das nove quando tive tempo e acessei. A imagem projetada estava meio escura, mesmo assim dava para ver as pessoas dançando próximas. Porém o som estava bem alto.

Avistei meu irmão dançando com Alice, Emmett com Rose e sorri saudoso. Procurei Bella, mas ela não estava em vista, então abaixei o som por completo no pc e voltei ao que fazia. Meia hora depois voltei os olhos de relance para o pc e Bella estava dançando com Alice. Como sempre, ela se entregava. Aumentei o som, e elas dançavam hip hop.

Música Fergalicius - Fergie

...É tão delicioso É quente, quente... Eles querem experimentar o que eu tenho Eu sou Fergieliciosa S-S-S-S- egure! Dá uma olhada!

Baby, baby, baby se você realmente quer brincar, Amor, mantenha sua paciência, então você vai experimentar do meu gosto, gosto. É tão gostoso Isso vai te deixar louco G vai pro O, o S-T-O, garota você experimenta G vai pro O, o S-T-O, garota você experimenta D vai pro E, pro L-I-C-I-O-S-A... Toda vez que eu me viro, irmãos de juntam sempre olhando pra mim de cima à baixo Olhe pra minha uhhhh ... Eu não quero pegar seu homem E eu sei que estou me tornando um pouco convencida E eu estou continuando a repetir como os garotos querem comer isso Mas eu estou tentando contar que eu não posso ser tratada como freguesia Porque eles dizem —Ela é deliciosa— É tão delicioso mas eu não sou promíscua E se você é suspeito, toda essa merda é fictícia...

A música era muito insinuante, mesmo assim eu gostava de vê-la dançar assim tão... Sexy. Fiquei lendo e vez ou outra levantava os olhos para vê-la dançar. Fixava o olhar uns minutos ali, sorria do seu rosto e voltava a ler. Eu não devia perder a concentração, mas era sábado, meus olhos mereciam acalentar-se com minha namorada um pouco, então umas onze horas cansei da divisão entre assistir a festa e estudar, e resolvi parar com os livros e relaxar um pouco.

Ela estava linda. Mesmo que estivesse um pouco escuro e as luzes piscando, dava para vê-la dançando despreocupada, o suor em seu rosto, os cabelos esvoaçando. Sorri, apaixonando-me pela imagem, deslumbrado com sua desenvoltura.

Ela movia os quadris rápido, rodando e descendo até o chão. Deliciei-me no corpo da minha namorada perfeita, com curvas desenhadas. Entretanto, olhei um pouco em volta dela e tive um choque momentâneo, pois eu não era o único que gostava do desempenho dela na pista. Os homens presentes no local estavam boquiabertos, hipnotizados com a estrutura corporal dela movendo-se.

Aquele mesmo sentimento possessivo entrou em mim, uma sensação de que estávamos longe, que outros homens a olhavam e a desejavam, e eu estava aqui, tão longe dela. Junto a esse sentimento, veio a tristeza da distância, de não poder estar com ela, de não poder compartilhar esse momento em que éramos unidos por um irmão em comum.

Nos instantes seguintes, Brandon aproximou-se dela e dançaram. Aquilo foi pior. Senti a mesma sensação de um ano atrás quando a vi na quadra com Mike. Quantas vezes em nossa vida eu ainda iria sentir isso, essa sensação de perdedor, de incapaz? Amargurado, deixei o notebook de lado e deitei de bruços na cama, derrotado. Minutos depois, olhei para a tela e as pessoas se dissiparam do salão. Ao ver o salão vazio, também senti o vazio. E junto com o vazio senti o ciúme, insegurança e dor. Contudo, logo veio a lembrança do seu rosto dizendo que me amava e que me escolheu. Então lembrei que ela disse mais cedo que teria uma homenagem, não consegui me conter e liguei para ela.

—Oi, senhor Embaixador! — Atendeu empolgada.

—Oi. — Murmurei.

—Hmm, sua voz está triste. — Comentou desconfiada.

—Sentindo sua falta.

—Faz assim, vou pegar a filmadora e transmitir tudo que está acontecendo lá a pouco volto para ficar um tempinho com você. Você está on-line?

—Sim... Estava vendo você dançar. — Saiu como acusação.

—Por que essa voz? Você sabe que eu sempre danço.

—Nada. É só saudade.

—Espero que seja só isso mesmo. Fica de olho na tela que eu vou lá fora. Até já.

Desligou e eu olhei para o pc. Ela levou a câmera lá para fora e assisti a declaração pública de amor de Alice por Jasper, o que muito me preocupou. Mas não iria tornar a minha vida pior do que já era com essas preocupações.

Bella filmou o seu rosto de criança arteira, fez biquinho de beijo e voltou a filmar Jasper e o carro que recebeu. O carro era exagerado para um garoto como ele. Certamente foi ideia de Bella. Ela queria repor os anos que o dinheiro de sua família não esteve presente na vida do menino, estragando-o completamente com mimos.

Ele saiu com o carro, então ela filmou o próprio rosto e começou a falar.

—Anjinho, eu te amo. Estou com muita saudade de você. Fico vendo os casais dançando e queria tanto que fosse eu e você... — Declarou e uma tristeza repentina abateu o seu rosto. —Mas eu sei que estamos juntos em coração. Então como estamos com saudade, vou fazer assim, me espera que vou desconectar a filmadora. — Desconectou deu um tempinho e apareceu em frente ao seu notebook, no salão. —Se você quiser, eu posso ir para o quarto dançar somente para você. Você quer? — Piscou parecendo uma criança, sorrindo travessa.

Sorri diante do que ela me oferecia. Talvez fosse egoísmo meu tirá-la da festa, mas a saudade era maior que minha censura.

—O que eu mais quero essa noite é que você dance para mim no seu quarto, você faria isso? — Sorri maliciosamente.

Ela subiu as escadas sorrindo. —Com fantasia ou sem fantasia? — Insinuou, fazendo um biquinho.

Eu já regozijava em saber que nos permitiria algumas horas juntos, satisfazendo a mim principalmente, pois sabia que ela podia simplesmente descer, dançar e se divertir. Mas ela ia fazer algo por mim: trazer-me companhia, que era o que mais necessitava nesse momento.

—Como você quiser.

...

Fui dispensado das aulas no meio de novembro por ter alcançado notas máximas em todas as matérias e aproveitei os dias de ócio para planejar os projetos do próximo semestre. Era necessário adiantar, pois como seria assessor do senador Evans em ano eleitoral, teria menos tempo para dedicação exclusiva. Além disso, tornei proveitoso os dias para habilitar-me inteiramente ao seminário que ministraria no curso que ocorreria entre o dia vinte e nove de novembro e nove de dezembro.

Estava estudando, quando Bella ligou no meu celular e pediu que eu ficasse on-line. Rapidamente eu fiquei.

—Oi! — Sorriu empolgada.

—Oi, vida.

—Como vai?

—Vou bem. Nesses dias estou tranquilo. O semestre acabou para mim, então dá pra respirar. — Coloquei o pc na cadeira e deitei de lado na cama, com a cabeça apoiada com a mão.

—Tenho uma notícia boa para nós dois. Fui consultar com a médica da Jéssica esse mês, ela é ginecobstetra. — Informou feliz, e tinha algo sugestivo em suas palavras.

Sua informação levou-me instantaneamente àquela tarde na Califórnia em que ocorreu aquele fato impensado. Será que aquela possibilidade aparentemente remota aconteceu, para ela ter ido à médica da Jéssica? Será que ela ficou grávida com uma ejaculação em suas coxas?

—E aí? Como foi? — Tentei parecer casual, mas minha voz vacilou pelo nervosismo.

—Ah, deu tudo certo. Ela pediu uns exames, eu fiz e peguei o resultado. Depois ela deu uma receita médica, algumas dicas e está tudo bem. — Elucidou animada.

Ainda que minha pulsação estivesse acelerada, tentei manter meu semblante firme para não magoá-la. —Então ... Precisamos conversar pessoalmente sobre isso. — Respirei fundo, tentando esconder o medo e culpa.

—Com certeza. No começo de dezembro você vem, ? É minha formatura e você tem que vir. Aí sim, nós conversaremos e muito. — Piscou maliciosamente.

—Quando é sua formatura? — Perguntei baixo, distraído.

Eu queria desligar imediatamente para pensar, mas não queria desanimá-la. Embora eu quisesse esclarecer as dúvidas e conversar sobre esse assunto, conversar pela internet iria nos distanciar e gerar incertezas.

—No dia do meu aniversário. E vai ser um dia muito especial para mim. Vou completar dezoito anos e vamos tocar no coquetel. Em breve estarei indo para alguma faculdade e muita coisa na minha vida mudará com os novos passos a serem dados. — Discursou Empolgada.

Era incrível sua falta de preocupação. Bem, na verdade, ela não tem com o que se preocupar. É rica, está com o futuro garantido. Estando comigo ou não, ela conseguirá ter esse filho do mesmo jeito. Ela poderia pagar não só uma, mas várias babás, caso quisesse. Então para ela quase nada mudaria.

Em choque, olhava para a tela, mas não tinha emoções.

—Edward, o que quê há com você? Se não quer conversar agora, a gente conversa depois. —Propôs chateada.

Além de toda a preocupação com a gravidez inesperada, eu não tinha atentado para o fato do seminário ser na mesma semana do aniversário de Bella. Eu não iria poder ir nem mesmo passar o fim de semana do seu aniversário com ela.

—Desculpe, Bella. É que estou triste... Não vou poder ir a sua formatura. — Resmunguei, inanimado.

Ela olhou alguns minutos para a tela, e eu vi seu rosto passar de alegre para um sombrio de causar calafrios espinhais.

—Quer saber, Edward, eu já devia saber... Sou uma iludida mesmo em acreditar que você viria. Na verdade, já devia ter me acostumado a ficar longe de você, a passar momentos importantes pra mim longe de você. O que seria mais um aniversário? Ou uma formatura de colegial. — Dramatizou amarga. — Uma coisa tão boba, ? Tudo bem. Deixa pra lá. Eu vou me divertir sem você mesmo assim. — Adicionou distante e fria. Eu já estava abatido e duvidoso, então fiquei arrasado, descrente e sem palavras. Ela continuou. —Eu pensei que você ficaria feliz com a notícia inicial, mas você está muito estranho. Quando quiser falar, me procura. — Disse e levantou-se provavelmente para sair.

—Bella, espere... — Ela parou, impaciente. —Eu não vou porque vou dar um seminário no curso, além disso, tenho que estar no gabinete na quinta e na sexta, e como seu aniversário é na quinta, não tem como ir mesmo. Desculpe.

—Tudo bem. Eu sei que ainda vou ter que te desculpar muito. Então tchau. Tenho que ir para o alemão. Até o natal então, isso se você vier. — Despediu-se irônica e desconectou.

Várias emoções me invadiram: sentimentos de covardia, culpa, medo. Tudo estava pondo a minha mente em falta de ordem, de clareza. Eu sentia culpa e auto-aversão por ter agido sem pensar naquela tarde. Um simples abalo em meu mundo planejado desestruturava a solidez.

Dois dias antes do aniversário de Bella, estava preparando slides para o seminário do dia seguinte, e meu telefone tocou. Era um número desconhecido. Atendi, em expectativa.

—Edward? — Era a voz do pai de Bella.

—Oi... Sr. Cullen? — Tentei soar amistoso, completamente curioso com o motivo de sua ligação.

—Sim. Estou... E você? Está tudo bem? — Sua hesitação deixou-me apreensivo.

—Sim.

—Edward, vou direto ao ponto. Sabe que me preocupo com o relacionamento de vocês, com o fato de namorarem a distância. Diga-me: você está tendo problemas com Bella? — Seu tom soou como cobrança.

—Não. — Neguei, desentendido. Mesmo que eu estivesse há dias sem conversar com Bella, estava tudo bem para mim. Nunca tínhamos passado mais de cinco dias sem conversarmos desde que voltamos, mas nos últimos dias eu estava sem saber o que falar, sem ter o que prometer...

—Ah... É que ela está agindo do mesmo jeito de quando vocês terminaram da última vez... — Informou cauteloso e senti um frio no abdômen ao ouvir aquela informação.

—Como assim? — Sentei na cama, tentado domar a aflição.

—Está evitando falar em você, ocupando muito seu tempo. Não sei... Eu conheço a minha filha e sei que algo está errado.

—Mas estamos bem... — Murmurei incerto.

—Então vocês não terminaram...

—Não.

—Você vem à formatura dela?

—Não posso.

—Se for falta de recurso financeiro, eu mando as passagens.

—Obrigado, Sr. Cullen, mas não é isso. Tenho dez dias de seminário que é muito importante para o meu currículo. É justamente sobre aquele projeto de lei que conversamos. Por isso não tenho como ir à formatura.

—Entendo... Então o motivo da tristeza dela deve ser, por talvez, descobrir que sempre vai ter que esperar... — Sugeriu enigmaticamente.

—Talvez. — Suspirei.

—Esse é o momento de vermos se ela vai conseguir isso por muito tempo. — Tinha um alerta a sua voz. —Até mais então, Edward.

—Até mais, Sr. Cullen.

Bella espera um filho meu por insensatez minha, e tudo o que eu fiz foi me intimidar. As palavras do Cullen tilintaram repetidas vezes em minha mente, uma por uma. E tudo o que ele dissera tinha sentido... Ela iria desistir uma hora. Ela não precisa de mim.

Passei horas pensando, enquanto olhava para o teto do meu quarto, até que tomei uma decisão. Não iria ser fácil, mas era o melhor para nós dois.

Narrado por Bella

Eu e Mike, depois de seis anos estudando juntos, estávamos nos formando. Mike ganhou de presente seu bebê que nasceu há três dias. Após a colação de grau, seguimos para o coquetel no clube no centro da cidade, e, como eu e Mike éramos formandos, a escola nos convidou para tocar. Agora que cada um tinha seu mundo ficava difícil ensaiar, mesmo assim, Emmett veio em alguns fins de semana do mês de novembro e ensaiamos no nosso estúdio. Jasper ficou profissional no baixo por ser bom de ouvido, esforçado e aprendeu rápido a fazer arranjos e seqüencias harmônicas. Na verdade, tinha algo em nós que era nato: sabíamos fazer. Era algo meio que sanguíneo.

Embora eu estivesse feliz com as conquistas, estava triste por dentro. E se alguém me olhasse profundamente iria perceber isso. Eu prometi para mim mesma não deixar me afetar tanto pelo fato de Edward não ter vindo, mas estava doendo muito a falta que ele fazia. Fazia nove dias que não nos falávamos, e ele não ligou o dia todo do meu aniversário. No mínimo ele deu o seminário pela manhã, e, por ser quinta, devia ter trabalhado à tarde, então a justificativa era não ter tempo, aliás, eu já devia ter me conformado, ele nunca tinha tempo!

O evento era informal, com cerca de trezentos pais e familiares de alunos. Tocávamos em som ambiente enquanto o buffet era servido. O baile de formatura só ocorreria no dia seguinte, onde uma banda famosa faria show. Tocávamos uma música da Regina Spektor quando novamente voltei a pensar em Edward. Eu sabia que aconteceria dias importantes sem ele desde o início do namoro, mas tinha horas, como esta, que ficava fraca e desapontada. Eu tinha planejado tanta coisa, tinha sonhado tanto com isso... A frustração era enorme, ainda assim procurei esquecer os contratempos e ficar bem.

Passei cerca de duas horas concentrada, de cabeça baixa, viajando nos acordes, quando uma criança me trouxe uma caixinha. Eu parei de tocar e abri curiosa... Era um anel com três pedrinhas embutidas, uma ao lado da outra, parecia ser de prata. Abri o bilhete que a acompanhava e li.

Feliz aniversário, minha Bella... Uma nova etapa na vida se abre, e eu quero estar com você sempre para presenciar as mínimas evoluções em sua vida. Antes que me pergunte, o presente tem alguns significados... É de ouro branco, e, como prometido, vou te encher de ouro. As três pedrinhas significam: eu você e nosso futuro bebê. E o outro significado é: Aliança... Compromisso... Eu sonho com você pelo resto da minha vida... Não tenho certeza de quando... Não tenho certeza de nada ainda... Sei que eu queria muito que você se casasse comigo... Me aceite.Edward.

Eu fiquei atordoada, tinha parado de tocar para ler o papel e meus olhos encheram-se de lágrimas. Ergui a cabeça e o avistei em pé, encostado em uma pilastra, olhando apreensivo em minha direção. Parecia um anjo de terno, lindo, como se tivesse sido esculpido. Nossos olhos se atraíram, e ele sorriu tímido.

Senti os olhos do Emmett sobre mim e voltei a tocar suavemente, situando-me na música. Toda a tristeza de horas atrás se foi, e eu não consegui lembrar mais o porquê de ter estado triste, só consegui lembrar que ele estava aqui e que falava em casamento. Torci ansiosamente para que o nosso tempo de apresentação no palco acabasse e pudesse abraçá-lo.

Continuei fazendo sequências musicais tentando decifrar o significado do bilhete, então senti uma mão acariciando a minha nuca. Enrijeci, sobressaltada, e encontrei Edward em pé o meu lado.

—Sentiu minha falta? — Inclinou-se e sussurrou em meu ouvido.

—Muita. — Parei de tocar distraída.

Estava confusa com os últimos acontecimentos. Fazia alguns dias que não nos falávamos, e eu nem imaginava o porquê. Ficamos distantes por algum motivo. Agora o anel, sua presença, seu olhar ansioso, tudo me surpreendia. Mesmo com todas as dúvidas, meus olhos o amavam, meu coração saltitava contente e uma sensação de renovo crescia.

Ele percebeu que eu tinha parado de tocar, afastou-se sorrindo e encostou-se em uma caixa de som um pouco afastado. Voltei a tocar perplexa por ele ter vencido a timidez. A música trocou, fiz sinal para Mike e pedi que ele trouxesse uma banqueta para Edward.

Calado, pensativo e com um sorriso no rosto, Edward sentou-se ao meu lado. Foi desconcertante tocar com o namorado ao lado. Eu sorri meio acanhada e abaixei o olhar para o teclado. Em alguns momentos ele afastava o cabelo que caía em meu rosto, acariciava meu ombro, depois sorria da minha expressão embaraçada.

Mais quarenta minutos de música foram tocados, Emmett iria começar uma sequência de voz e violão com Alice, e eu fui liberada. Logo que desci do palco, ainda nos últimos degraus das escadas, pulei no pescoço do Edward, abraçando-o.

—Você veio!

—Sim. — Retribuiu ao abraço sorrindo.

—Por que chegou tarde? E o seu trabalho? Por que resolveu vir? — Disparei eufórica.

—Ai, meu Deus! Quantas perguntas! — Dramatizou, ergueu-me do chão e beijou-me ternamente.

—Hei, seus adiantadinhos! Aqui não! —Jasper ralhou brincalhão. — Esperem chegar em casa! — Brincou e abraçou seu irmão afetuosamente.

Saímos de perto do palco e sentamos em uma mesa. Edward pegou a minha mão, beijou os dedos e o dorso, olhando nos meus olhos.

—Vou te responder por partes. —Começou. — Eu não tinha certeza se ia vir.Já tinha as passagens, mas não tinha tempo, então comprei o presente ontem e ia mandar para você... Hoje eu até que saí para enviar, mas queria tanto te ver... Queria ver o seu rosto na hora que você recebesse. Queria saber se você iria me aceitar...

—Por isso veio de terno? Porque veio de repente? — Arrumei sua gravata admirada em como ele ficava maravilhoso de terno.

—Sim. Estava muito chateado em deixar minha namorada só em mais um dia especial para ela. Então liguei no aeroporto para saber o horário do vôo, fui ao campus, peguei as passagens e estou aqui. —Serviu-se de canapés. — Saí de lá exatamente seis e quarenta. Vinte minutos antes de começar a sua colação.

—Você vai ter que voltar amanhã?

Pra ser mais exato hoje, pois já passa da meia noite. —Olhou no relógio que lhe dei. — Meu avião sai quatro da manhã. Eu começo a dar o seminário as nove.

Olhei grata em seus olhos, peguei suas duas mãos, juntei e as beijei. —Obrigada por ter vindo. Nem que você tenha que ir tão cedo, nem que você tenha chegado aqui onze e tenha perdido a colação, eu fico muito feliz que tenha vindo.

—Então minha criança faz dezoito anos... — Comentou contente. —Não é mais uma menor completamente incapaz. — Sorrimos e eu continuei beijando seus dedos.

—Você vai dormir lá em casa?

—Não.

—Por quê? — Franzi o cenho insatisfeita. —Já quer estragar a noite?

—Ai, Bella, você está muito intolerante. — Ele me abraçou e beijou minha testa tranquilo.

—Desculpe. É alteração de hormônios. — Justifiquei. Ele enrijeceu o corpo e ficou tenso.

—Bella, amor da minha vida, tudo aconteceu muito rápido, e eu estou ainda diluindo... Isso não fazia parte dos meus planos... — Explicou, cauteloso.

—O que você quer dizer com isso? — Afastei do abraço e arregalei os olhos censurando. Esperamos tanto por isso e ele vinha dizer que foi rápido e que não fazia parte dos planos dele?

—Eu já tenho tanta preocupação na cabeça, tanta coisa para pensar. Venho te ver porque você é o meu lugar de paz, mas você não me compreende. É difícil! — Ele reclamou baixo, ainda abraçado a mim.

—Eu vou me acalmar, prometo... Mas aonde você pretende dormir? — Encostei-me ao seu peito e ele cheirou mechas de cabelos meu.

—Em um hotel no centro, perto do aeroporto. Assim eu acordo perto da hora de pegar o avião. Todavia, você poderia dormir comigo lá, caso você quisesse.

—Edward, por que está perguntando caso eu queira? Às vezes você me tira do sério. Como você pergunta para a sua namorada se ela quer passar uma noite importante com você? Afinal, vocês não se vêem há quase três meses! Por favor, tenha segurança. Você não tem que me perguntar se eu quero, já tem é que me informar aonde vamos dormir. —Exigi dura. Ele tinha que ter atitude.

—Ok, fica aqui que eu vou falar com o seu pai. — Disse com semblante fechado e contrariado.

Fui atrás dele. Ele percebeu e me esperou, rodeou minha cintura com o braço e nos aproximamos do bar.

—Tudo bem, Sr. Cullen? — Cumprimentou-o, e meu pai correspondeu sorridente. —Bella pode dormir comigo em um hotel no centro? Meu avião sai as quatro, e eu gostaria de hospedar-me perto do aeroporto. —Explicou.

Papai ficou calado, olhando para o copo de uísque, depois respondeu: Durma no meu flat. Fica próximo do aeroporto também. — Propôs amigável.

—Eu não queria incomodar. — Edward abaixou o olhar e passou a mão no cabelo, sem jeito.

—Não se preocupe. — Papai encorajou-o.

—Obrigado, Sr. Cullen, e até mais. — Edward apertou a mão do meu pai, e saímos do salão.

Andamos calados rumo ao estacionamento, ele parou-me próximo ao carro e me abraçou.

—Bella, eu sei que o seu estado é delicado, mas eu queria que fosse mais paciente comigo... Er, precisamos um do outro neste momento. — Disse e beijou-me ternamente nos lábios. Eu sentia uma saudade imensa dele e apertei o beijo, exigindo mais. E mesmo ansioso, ele controlava. Meu sangue já fervia, o prendi, e beijei-o calidamente, sentindo tudo arder; essa noite eu iria dar tudo que o nosso corpo pedia. Toda essa chama seria acalmada. Suas mãos desceram rendidas em meu corpo, apertando-me faminto e continuamos um tempo naquela ânsia um pelo outro. No entanto, antes que eu estivesse satisfeita, ele me afastou, ofegante.

—Bella, acho que devíamos nos controlar. Tudo muda agora... Não acho que deveríamos agir assim. —Comentou enigmático. Pensei, por um segundo, que talvez ele estivesse nervoso e precisasse se acalmar.

—Então vamos logo que a noite vai ser curta. — Sugeri maliciosa e entramos no meu carro.

Passamos em casa, peguei acessórios e roupas nossas e seguimos para o flat. Ele estava silencioso e pensativo, e eu tinha muita expectativa, estava tensa e até um pouco frustrada com sua distância. Por outro lado, seu olhar era carinhoso.

Entramos no flat, tomamos banho, vesti um lingerie transparente preto, que ele pouco notou, e deitei. Ele deitou de lado, em frente a mim, quieto, distraído e abraçou minha cintura, com o rosto em minha barriga. Tínhamos pouco mais de três horas até ele viajar, e ele parecia cansado e desinteressado em aproveitar a noite.

—O que há? — Acariciei seu cabelo com os dedos.

—Eu... Estou com receios... Preocupado... Não sei o que fazer...

—Ai, Edward, é natural essa apreensão, mas nada mudou... É algo simples. O relacionamento nos levou a chegar a esse ponto... Você não tem que se apressar em casar por isso. Ninguém é obrigado.

Ele incorporou apoiado no braço, aproximou-se do meu rosto e o segurou com as duas mãos.

—Mas eu quero me casar com você. — Enfatizou convicto. —Eu só não sei como. Mas é o que eu mais quero. — Ele suspirou e fez uma careta de desgosto —Só que está muito confuso para mim... Estou meio perdido... Tudo aconteceu muito rápido.

—Se você quiser, eu posso... — Ele não me deixou terminar, colocando o dedo em minha boca. Por mim, poderíamos esperar mais um pouco, já que ele estava tão nervoso. De repente, poderia ser semana que vem, no aniversário dele...

—Você é louca, Bella? — Interrompeu nervoso. —De jeito nenhum. É tudo que eu quero... Só estou muito ansioso. — Ele deitou novamente e beijou docemente meu ventre. Eu não entendia o porquê dele estar ansioso. Se era tudo que ele queria, se esperamos tanto por isso, por que ele estava agindo assim?

Senti correntes elétricas com sua boca na barriga e uma ansiedade cresceu, esquentando toda área inferior. Ergui o corpo oferecida, mas ele devia querer me torturar, pois mudou as carícias para beijinhos carinhosos, lentos.

—Eu te amo, eu te amo, eu te amo... Eu nunca vou te abandonar... Nunca vou deixar nada fazer mal a você. — Disse olhando intensamente minha barriga, alisando a cintura e beijando.

Arregalei os olhos assustada. Ele parecia em crise, com o rosto mergulhado em tensão. Além disso, ele beijava estalado e não evoluía. Se ele soubesse o que eu precisava! Queria que ele descesse a boca, acariciasse com a língua...Uau!Mas talvez ele não estivesse a fim hoje, ou estivesse com muita pressão na cabeça por causa desse curso que ministrava. Ouvi dizer que alguns homens ficam desmotivados quando estão preocupados. Também podia ser que estivesse chateado com o fato de ter que ir embora tão rápido.

Pensando assim, decidi não pressionar e continuei alisando o cabelo dele, enquanto isso levantei a mão com o anel e fiquei observando-o por minutos. Percebi que realmente meu anjinho estava cansado, pois ele dormiu rápido. Chamei-o, forçando seu braço pra que ele subisse. Ele veio, se encaixou em minhas costas e voltou a dormir um sono matando a saudade do seu cheiro, da sua respiração, passando os dedos em seus braços que estavam em volta de mim, sentindo o seu calor em minhas costas. Virei de frente para ele, nos cobri e entreguei-me ao sono.

Acordei com a luz clara entrando pela janela, olhei para o lado, e ele não estava mais lá. Avistei um bilhete próximo ao abajur.

Desculpe pela noite... São crises que só o fato de estar perto de você, acalmam. Ainda que eu perca tudo nessa vida, o que tenho mais medo é de perder você... Eu estou com receios. Nunca me vi em uma situação assim, de mão atadas... Mas pode deixar... Tomarei uma atitude... Espere-me... Caso com você de qualquer maneira... Hoje mesmo eu vou ligar para o seu pai.

Fechei o bilhete confusa. Edward estava surtando! Que neura era essa de casar? Ele não tinha que casar comigo ou falar com o meu pai só por que iríamos fazer isso.

O dia passou rápido, e eu senti uma sensação de vazio. Dormi com meu anjinho, passamos a noite abraçados e a ficou sua falta em meu coração. Senti dor e preocupação com o que o deixava assim.

Preparei-me para meu baile nostálgica, organizei a roupa e fiquei deitada, esperando dar dez horas para começar a me arrumar, afinal o baile começaria as onze. Repentinamente, a porta do meu quarto abriu-se e meu pai e Emmett entraram com olhar fantasmagórico.

—Bella, Edward acabou de me ligar... —Papai avisou. — Passou mais de meia hora comigo no telefone contando a novidade. — Entrecerrou os olhos, deixando o assunto no ar.

—Qual mesmo? — Levantei e sentei na beira da cama, com expectativa.

Será que Edward foi falar isso para o meu pai? Eu não podia acreditar. Só porque não eram mais inimigos, não queria dizer que tinha que expor nossa vida!

—Ele me disse tudo. — Pigarreou, desconcertado. —Eu pensei que vocês eram... Responsáveis. —Censurou e balançou a cabeça.

—E nós somos. —Defendi. — Mas do que mesmo o senhor está falando? — Eu olhava para os dois alternadamente, confusa.

—Quantos meses? — Inquiriu, sentou-se ao meu lado e me encarou.

Balancei a cabeça atordoada.

—Quantos meses o quê? — Quis saber assustada.

—De gravidez. Edward me disse que você está grávida. — Fez uma careta impaciente.

—Por que ele foi falar isso pra você? — Minha voz saiu sem som. Não era exatamente uma pergunta para o meu pai.

Continua...

Obrigada a todos os leitores pela paciência.

Bjks