Capítulo Lugar dos sonhos
Narrado por Edward
Designei-me a tomar posição em meio à situação na qual encontrávamos. Minhas responsabilidades não deviam deixar de ser enfrentadas e, mesmo tendo incertezas quanto ao futuro, se fazia necessário como homem que sou que eu agisse como tal. Portanto decidi por o seu pai a par da circunstância. Era provável que ele nos desse uma direção a que caminho tomar.
—Sr. Cullen, Edward, tudo bem? —Cumprimentei-o tenso, por telefone.
—Sim. Como foi de viagem?
—Foi boa. — Fiquei uns segundos calado, adquirindo coragem.
—O que foi? Algum problema?
—Não um problema, na verdade, quase um, er... Eu não queria falar isso por telefone, mas não deu tempo de conversarmos pessoalmente ontem... — Balbuciei hesitante.
—Fale, meu filho. — Pediu calmo, mas parecia ansioso.
Respirei fundo e segui adiante: É que em um determinado momento eu me descuidei, e Bella está, er, esperando um filho meu. — Disse num fôlego só.
Ele ficou em silêncio, parecia em choque.
—Isso é uma surpresa. Pensei que fossem conscientes... Não é fácil criar filhos. Edward. Não é fácil ter filhos tão jovens... Pensei que só Jéssica fosse descabeçada aqui em casa. — Repreendeu calmo, mas acusador.
Eu realmente merecia esse discurso moral pela minha insensatez.
—Eu não sei o que falar. — Resmunguei. A situação abatia-me. Abalava-me não ter respostas a dar. Não podia casar-me hoje com ela. E embora a família dela fosse liberal e não cobrasse, sou o garoto do interior que sonha em criar os filhos, em casar-se com a mãe deles. Eu tinha o dever de ter nos resguardado disso, mas essa não era mais hora de contrição e sim de levar em conta as obrigações de responder pelas minhas ações.
—E agora? O que pretendem fazer? — Perguntou educadamente.
Suspirei, oprimido pela insegurança. —Eu não sei. Não conversamos sobre isso ainda... O senhor sabe, eu não posso dar garantias para ela ainda. — Disse titubeante. Eu tinha tanto a falar, mas só conseguia revelar a minha descrença e tristeza.
O telefone ficou mudo, e a significação das minhas palavras me melancolizaram. Há dias sofria com essa angústia, sem ao menos ter com quem falar. Eu tinha um desejo enorme, uma aflição em mudar a vida, em ter tido uma história diferente. Quem sabe, se a minha história tivesse sido diferente, eu teria mais facilidade em tomar decisões. A minha personalidade foi afetada pela carência na infância e hoje os resquícios dessa época tornam minha natureza fraca, sempre com receios.
Eu queria que fosse fácil tirá-la de casa, assumi-la e sustentá-la com dignidade, nem que meu destino fosse ser um caipira no interior do país... Mas como eu iria levar a herdeira de um império para morar de aluguel com um marido que não tem ao menos uma profissão? Pensar nisso me levou ao desespero. Queria lamentar e chorar pelo meu ato impensado; chorar pelo que eu não tive, pelo que eu não tenho e que pelo jeito não terei. Porque minha vontade agora é desistir de tudo e simplesmente ir criar o meu filho. Mas seu pai não permitiria que ela se casasse comigo nas condições atuais. Por outro lado, eu não quero meu filho crescendo longe do pai, também não quero simplesmente deixar a mãe do meu filho ficar todo o tempo sozinha. Porém, o que eu menos quero é ser sustentado por eles, pelo nome deles, pelo dinheiro deles. Não por orgulho, mas para manter a minha dignidade, que é só o que tenho agora.
Depois de um minuto os dois calados, e eu profundamente abatido, ele quebrou o silêncio.
—Edward, está bem? — Perguntou complacente.
—Sim, senhor.
—Não é novidade no mundo. Só pensei que planejariam melhor o futuro de vocês.
—Eu lamento... Era o meu plano planejar, mas aconteceu... Não dá para voltar atrás. — Suspirei desolado.
—Tudo bem. Vou conversar com Bella agora... Edward, você sabe que não precisa casar, nem ficar com ela por isso. —Salientou.
Engoli saliva, amargo. —Sr. Cullen, eu queria poder casar com ela hoje, pois os dois são tudo que eu mais quero nesta vida... — Minha voz falhou, a ausência de certezas tornava-me mais fraco. O certo era ligar para Bella, mas não a contaminaria com minha descrença, nem estragaria seu humor para o baile de hoje à noite, portanto só ligaria no dia seguinte.
—Fique calmo, filho. As coisas vão dar certo... Já sabem o nome? — Questionou condescendente, tentando melhorar o clima.
—Sim. Se for homem sim. — Sorri, lembrando da ousadia de Bella em escolher sozinha o nome do nosso filho.
—Minha maior preocupação é porque ela ia começar a vida agora, iniciar faculdade, morar fora. Mas vai dar tudo certo. Até mais. — Concluiu tranquilo, e um peso foi tirado das minhas costas por pelo menos ter declarado intenções.
Narrado por Bella
Fiquei olhando atônica para a cara do meu pai após ouvi-lo. Ele não me deu bronca, nem nada. E mesmo com todo o choque pelo mal entendido, tentei acalmar.
—Pai. eu. não. estou. grávida.
—Mas como não, filha? Edward acabou de me falar. —Exclamou exasperado. — Por que você quer esconder, se uma hora vai aparecer? Eu prefiro que seja sincera comigo. — Concedeu compreensivo.
Franzi a testa com suspeita. Ele parecia gostar da ideia de ter um neto com Esme. Queria saber da onde Edward tirou essa ideia? Grávida? Eu? Virgem!
—Pai, eu não estou.
—Bella, não minta pra mim, sou seu pai. Foi admirável Edward ter feito o papel de homem mesmo que esteja desnorteado, mas pelo menos ele conversou comigo. Seja sincera também.
Fechei as mãos em punho irritada com seu tom de acusação. Eu não iria assumir algo que não era verdade. Suspirando de nervosismo, sentei na cama com os ombros caídos.
—Pai, eu não posso estar grávida. Eu sou virgem. — Murmurei baixinho, envergonhada em expor algo tão pessoal. — Sinceramente eu não sei porque ele está pensando isso. — Confessei constrangida, principalmente por eles saberem que dormíamos juntos há tantas noites.
Meu pai olhou-me sério, com os olhos desconfiados. Ele me conhecia. Sabia que eu confessaria, se fosse verdade. Emmett se aproximou da cama e me abraçou pelos ombros ao ver que meus olhos estavam úmidos e que eu olhava para o lado, segurando as lágrimas de vergonha.
—Ok. Então, você não está grávida. — Papai sorriu divertido.
—Não.
—Então avise ao seu namorado, porque ele está desesperado com isso. Eu nunca o vi tão abatido. —Disse e saiu balançando a cabeça, parecendo admirado.
Emmett riu conspirador logo que papai saiu.
—Vocês ainda não... — Interrompeu sugestivamente, carinhoso. Emmett certamente confirmaria minha história depois ao meu pai. Desde que ele conheceu o amor amadureceu anos.
—Não.
Ele afastou-se e sentou na cadeira de canto.
—Pelo menos não sou só eu quem está na seca e com tesão encubado. — Sorriu.
—Ai, Emmett, que horror! Isso não se fala para uma mulher! —Ralhei ainda chateada pela exposição. Levei um susto quando vi um vulto passar pela porta.
—Vocês não achavam que eu ia deixar passar essa, achavam?! — Jasper perguntou traquino.
—Você fica ouvindo a conversa dos outros agora é, seu pestinha? — Joguei um urso nele.
—Achou que eu ia perder uma babado desses? Você está mentindo para o Carl ou meu irmão é bicha mesmo?! — Sentou-se na minha cama, rindo.
—Jasper, seu irmão não é isso.
—Então tu tá grávida? — Pôs a mão na cintura confuso.
—Ai, meu Deus, me erra! — Pus a mão nos ouvidos, ignorando-o.
—Me explica, então tu é cabacin, é? Ou seja, cabe assim, cabe assim... — Ele fazia gestos obscenos com a mão, e Emmett ria.
—Cruzes, seu moleque pervertido! — Briguei e segurei seu braço para empurrá-lo para fora do meu quarto.
—Bella, bem que eu te avisei, o maníaco é uma florzona. Aquele jeitinho dele nunca me enganou. Esses caras que arrumam a cama, lavam a louça, organizam os livros por autor, por favor, tava na cara que ele era boiola! — Ele gargalhou e não saiu.
—Para! Não tá vendo que eu tô nervosa! — Resmunguei impaciente.
—É a seca, né, Emmett? Ou meu irmão é bicha ou ele é brocha.
—Nenhum dos dois, seu bobo!
—Ah, então você tá grávida. Pô, que confusão é essa? Vai me dizer que daqui uns dias vamos ter outro bebê com cara de joelho igual o filho do Mike. Fala pra mim, irmãzinha, todo bebê é esquisitin assim? — Inclinou para comentar, conspirador.
Balancei a cabeça horrorizada e não consegui me conter. O bom humor do Jasper me contaminou, e eu ri de seu comentário bobo.
—Cara, eu só espero que meu irmão não fique folgado como Mike, Putaquepariu! Nunca vi um cara comer e dormir assim na casa dos outros!
Foi impossível resistir não rir do louco do Jasper. Ele percebeu que eu não ia mais atrás dele e sentou-se na cama.
—Fala sério, Bella, eu vou ser titio? — Perguntou sério.
—Não, Jasper. Foi um mal entendido.
Ele colocou as mãos no queixo e levantou as sobrancelhas. —Então aquela conversa que eu ouvi aqui no quarto é verdade? Realmente você é virgem? — Fingiu seriedade.
—Sou, por enquanto eu sou. — Afirmei despreocupada.
Ele riu.—Ra! Vou contar para todos que duvidavam da sexualidade dele! Bem que os vizinhos falavam! Engomadinho demais, caladinho demais, limpinho demais. Homem tem que ser é bruto. Macho. Ogro. Ele era uma boneca querendo sair do armário!
Rindo divertida, pus o braço em volta do pescoço dele e fingi que ia enforcar.
—Você não vai fazer isso!
—Quero ver quem vai impedir, sua bandida tarada! —Arreliou com queixo erguido.
—Eu ligo para ele e conto que você quer fazer isso, aí quero ver as broncas que você vai levar. — Ameacei brincalhona.
—Tô nem aí. Ele não é meu pai. — Deu de ombros.
—Ah, não?
Ele pensou um pouco.
—Ah, bandida, você agora vai fazer chantagem? Tudo bem, eu só não conto pra ninguém se você me der aquela filmagem de mim chorando igual moça no meu aniversário. Se não, todos vão saber que eu tenho um irmão que não dá conta da coisa. — Disse cínico.
Peguei cartão de memória da filmadora e dei para ele. —Some daqui, seu atentado!
Ele saiu desfilando e desmunhecou, fingindo imitar o irmão. Eu ri de novo e joguei o travesseiro na porta. A parte boa é que Jasper mudou meu humor e eu comecei a enxergar tudo pelo lado engraçado.
—Vocês dois parecem duas crianças. Por que ele fala que você é irmã dele? — Perguntou curioso.
—Porque eu sou. — Sorri enigmática.
Emmett saiu e me deixou só, pensativa. Gostei da ideia de Edward pensar isso. Tudo me impulsionava a aproveitar da situação e fazer travessuras, brincando com o seu juízo já perturbado.
O dia seguinte era sábado, mandei as fotos do baile de formatura para Edward por e-mail e à tarde ele pediu para eu ficar on-line.
—Oi! — Cumprimentou animado.
—Oi. — Respondi manhosa e deitei de lado na cama.
—Seu pai conversou com você? — Perguntou cauteloso. Lembrei o assunto e tive vontade de rir.
—Sim.
—E? — Quis saber ansioso.
—Está tudo bem. — Dei de ombros espontânea.
—Dançou muito essa noite? Ou melhor, você está se cuidando? — Perguntou com olhar terno e doce.
Eu não entendia essa dificuldade dele em falar abertamente de problemas que não tinham solução. Parecia aquela mesma tarde do acidente de Jasper em que Edward pensava termos chegado aos finalmente e não se lembrava. Pois agora eu iria levar a brincadeira adiante. Iria atentar, perturbar. Ele tinha que enfrentar isso... Eu não seria a psicóloga, se não trabalhasse na personalidade dele.
—Sim. Estou me cuidando. — Disse naturalmente.
—Ah, que bom.
Ele esperou que eu estendesse o tema, mas eu não iria torturá-lo mais por agora. Permaneceu me olhando, planejando falar algo, e eu calada, aguardando.
—Er, eu não sei o que falar ainda... Não sei o que fazer... Vou tirar mais essa semana para resolver o que vou fazer... Enquanto isso, vamos deixar esse assunto de lado... De qualquer maneira, eu amo vocês, muito. Er... Você já tomou alguma decisão em sua vida quanto aos seus estudos?
As palavras amo vocês despertaram uma chama, um sonho de que fosse real, de que estivéssemos de fato esperando um filho nosso. Sonhar mandou uma lágrima aos meus olhos.
—O que foi? — Juntou as sobrancelhas preocupado. —Está triste? Não fique assim. Eu queria tanto estar aí com você. Não quero que a mulher da minha vida se entristeça com nada. Tudo vai dar certo. De algum jeito vai dar. Você sempre fala isso pra mim. — Recitou ansioso.
Era egoísmo meu, mas eu gostava de vê-lo pensando que teríamos um filho e que em breve estaríamos juntos, teríamos uma família e tudo daria certo. Ludibriava minha dor em ter que esperá-lo por muitos anos. Agora as pequenas lágrimas aumentavam, desciam de saudade, saudade de algo que não existiu. Como eu queria que fosse diferente, que as coisas fossem mais fáceis para ele, para nós. Eu não queria que ele estivesse trancado em pleno sábado à noite em uma universidade, sozinho, estudando por obrigação, cobrando-se ser o melhor.
Ele já entrava em pânico do outro lado.
—O que foi, Bella? Fale, se não eu vou ligar para o seu pai ir aí ver o que você tem. — Ficou em pé, ansioso.
—Não é nada. — Limpei os meus olhos e olhei fixamente em direção a tela. —Edward, me ouça... Eu quero você. Eu não sei quando iremos ficar juntos, quando iremos nos casar, mas eu espero você agora e sempre. — Sorri feliz e ele suspirou aliviado. —Vamos dormir juntos hoje? — Propus e aconcheguei-me mais no travesseiro, sonolenta.
—Sim. Mesmo tendo saído daí ontem, eu sinto uma saudade sem fim de você. Não sabe o quanto é insuportável ficar sem você, ainda mais agora, sabendo que precisa de mim.
—Pra mim também é muito difícil. — Droga de hormônios que me alteravam toda! Já tinham lágrimas de saudades nos meus olhos novamente.
—Se eu pudesse iria para aí hoje, mas eu não posso... Preciso tomar umas decisões ainda antes de conversar definitivamente com você.— Explicou pesaroso.
—Teremos muitos dias juntos. — Tranquilizei-o. Eu tinha que assumir o papel de responsável por passar fé em nosso relacionamento. Eu dei boa noite, e ele ficou lendo um livro. O sono veio rápido por ter passado a madrugada na festa.
MUSICA: AEROSMITH I don't wanna miss a thing
watch?v=MraBtAVRcjA
Acordei no dia seguinte com o pc ainda ligado e a imagem de Edward lendo. Logo que me viu mover, virou-se para me olhar com um sorriso no rosto.
—Bom dia. — Ele disse, eu tampei meu rosto com o lençol. —Já disse que você é linda hoje?
—Não lembro... — Sorri.
—Você é linda. Então tire esse pano do rosto e deixe-me ver a mulher que vai acordar comigo todos os dias da minha vida. — Disse contente. Esfreguei os olhos e descobri parte do rosto. —Você pode descobrir o resto do corpo, por favor, para meus olhos terem um colírio. —Exigiu.
—Hmm, já amanheceu assim, é? — Insinuei. Sempre que ele tinha tempo usávamos a rede para nos divertirmos.
—Não viaja, Bella, olha o seu estado. — Reprovou com uma careta. Era de rir que um homem tão inteligente fizesse um comentário desses!
—Meu anjinho inocente, vejo que você parou de fazer suas pesquisas nas revistas femininas, só pode, para fazer um comentário bobo desses! Mas mudando de assunto, nós vamos passar o dia juntos hoje? — Sentei e passei a escova no cabelo.
—Sim. Quero te ver o dia todo. Lógico que você tem que descer e se alimentar, mas eu quero que você fique comigo o máximo de tempo possível. Hoje estou carente de você... Mas como eu vou ler uns livros, você não precisa ficar a minha disposição, só precisa ficar aí para eu te ver. Assista TV, leia um livro, eu só quero que fique aí. — Propôs. Devia estar realmente carente, e eu adorei a ideia.
Passei o dia entre subidas e descidas, assisti TV, comi no quarto. Tive pena do meu anjinho. Ele mostrava como passava os fins de semana. Geralmente ele saía para comer, mas hoje ele pediu comida para não passar um minuto longe de mim. Fiquei toda boba com essa atitude.
Enfim o dia passou, e à noite eu saí com Alice e Jasper para comermos. Embora eu percebesse que Alice queria um pouco de privacidade, eu sempre saía com os dois. Isso soava como perseguição, mas era meu meio de manter as coisas sobre guarda.
Quando voltei, Edward ainda estava lá, lendo, com um monte de livro espalhados na cama enquanto fazia anotações. Vez ou outra pegava em um e em outro livro. Era lindo o seu esforço.
Troquei de roupa e deitei. Ele perguntou-me como foi o passeio, depois voltou ao que fazia. Às vezes, olhava-me ternamente, sorria, me chamava quando eu estava distraída com a TV. Eu mandava sorrisos e beijinhos, e assim foi, até que adormeci.
No decorrer da semana passamos quase todo o tempo assim. Quando ele chegava do Capitólio no fim da tarde, falava como foi o dia, depois ia ler, ficando on-line comigo. Na quarta feira, um dia antes do aniversário dele, decidi que precisava ir à capital. Era aniversário dele, e eu queria que este dia fosse especial. Ele merecia isso. Também estava disposta a acabar com a brincadeira pessoalmente.
Pedi ao meu pai, e ele liberou, então tinha que preparar tudo para viajar no dia seguinte. Fui a uma loja de lingerie e fiz umas pequenas comprinhas me preparando para o fim de semana. Depois fui fazer depilação.
Adaptado- Depilação.
—Tenta sim. Vai ficar lindo. — Jéssica deu a dica mostrando a sua.
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão da minha irmã, me render à depilação na virilha com cera. Ela disse que eu ia me sentir muito mais sexy. Disse que Edward ia amar, que eu nunca mais iria querer outra coisa. Eu imaginava que fosse doer, porque ela, ao menos, me avisou que isso aconteceria. Mas não esperei que por trás disso, e bota por trás nisso, houvesse toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
—Oi, queria marcar depilação com a Vânia.
—Vai depilar o quê?
—Er, virilha.
—Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
—Cavada mesmo.
—As... Deixa eu ver...14h?
—Ok. Marcado.
Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Vânia esperava. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Ela pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor.
De um lado a parede e do outro várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
—Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas Vânia mal olhou pra mim, virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha, ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas, uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo! De repente, ela veio com um barbante na mão. Fingi que era natural e que sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
—Quer bem cavada?
—É... é, isso. — Afirmei incerta.
Vânia então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da... tudo bem... não tem um nome carinhoso de meu órgão...
—Vai doer um pouco.
—Ah, sim, claro. — Claro nada, não entendia bulhufas nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela voltou da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
—Pode abrir as pernas.
—Assim? — Abri um pouquinho.
—Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
—Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação! E então, Vâ passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável... Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o 911. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Vânia perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia me esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
—Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensava 'que garota estranha.' Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancá-la. Lembrava de minha irmã recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todas porque se cansaram de sofrer sozinhas.
—Quer que tire dos lábios?
—Não, eu quero só virilha, bigode não.
—Não, querida, os lábios dela aqui 'ó'. — Não, não, para tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que ideia! Mas topei. Quem estava na maca tinha que se lascar mesmo.
—Ah, arranca aí. Faz isso valer à pena, por favor. — Não bastasse minha condição deprimente, a depiladora do lado invadiu o cafofinho de Vânia e deu uma conferida na...
—Olha, tá ficando linda essa depilação.
—Menina, mas tá cheio de encravado aqui. — Olharam de perto. Se tivesse sobrado algum pelinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. 'Me leva daqui, Deus, me teletransporta'. Só voltei a terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
—Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
—Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
—Vamos ficar de lado agora?
—Hein?
—Deitar de lado pra fazer a parte cavada. — Pior não podia ficar. Obedeci à Vânia. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
—Segura a nádega aqui?
—Hein?
—Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Vâ via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista.
Quis chorar, gritar. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria: - Tudo bem, Vâ?
- Sim... sonhei de novo com o traseiro de uma cliente.
Mas, de repente, fui novamente trazida para realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela devia ver mil desses por dia. Aliás, isso até aliviava minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Vâ puxou a cera. Achei que a nádega tivesse ido toda embora. Num puxão só, Vâ arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais.
Mordi o travesseiro e grunhi ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto. —Vira agora do outro lado—. Putz... por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A bruaca da salinha do lado novamente abriu a cortina.
—Vânia, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver isso tão de perto daquele jeito. Só mesmo a Vânia. E agora a vizinha inconveniente.
—Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
—Máquina de quê?! Dói?
—Dói nada.
—Tá, passa isso ae...
—Baixa a calcinha, por favor. — Foram dois segundos de choque extremo. Baixar calcinha? Como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da frente atrás. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
—Prontinha. Posso passar um talco?
—Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
—Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar... namorar... Eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado fosse bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Quis matar minha irmã. Quis virar feminista, protestar contra isso. Quis fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio .
FDP! Foi a mulher que inventou a cavadinha.
Peguei o vôo de sete da manhã, repassei mentalmente tudo que tinha que ser feito, e cheguei à conclusão que tudo estava em ordem. Desci no aeroporto e a primeira coisa que fiz foi alugar um carro. Em poucos minutos eu iria me encontrar com Ryan, que estava pendente em algumas matérias e teve que ficar na Universidade para assistir os seminários do Edward. A Universidade estava lotada de carros. Achei uma vaga, estacionei e liguei para Ryan. Esperei-o em frente ao portão principal.
—Oi! Veio se dar de presente para Edward? — Ryan me abraçou e rodou comigo. Eu sorri do comentário com duplo sentido.
—Sim. Obrigada por estar me ajudando.
—Você quer ir agora ou quer assistir os últimos minutos de aula dele? — Deu a opção. Eu balancei tentada a assistir sua aula e vê-lo lidar com o público.
—Mas ele vai me ver e estragar a surpresa. —Comentei desanimada.
—O auditório é escuro e essa sua roupa folgada está te escondendo. — Disse e puxou a minha mão. O auditório era pequeno, para cerca de umas trezentas pessoas, mas estava cheio. Sentamos nas últimas cadeiras.
Edward vestia terno, falava em um tom alto e claro, alguém completamente seguro e consciente do que falava. —... Estudos demonstrando que propriedades administradas por usuários de áreas madeireiras e ativos de pesca frequentemente são mais bem administradas do que as teorias padrões previam... — Explicou com domínio. Tive orgulho do meu embaixador. Fechei a boca para não babar só de ouvir sua voz rouca e pausada. Meu orgulho por ele só me induzia a apoiá-lo cada dia mais em seu sonho. Não havia jeito, não tinha como não investir nesse intrépido e nato líder que eu amava.
—Vamos, Ryan, deve estar acabando a aula. — Sussurrei.
—Acho que em quinze minutos. Então vamos.
Saímos do auditório, e eu fui ao carro pegar o boné, a jaqueta e minha mochila. Tranquei o carro, Ryan seguiu na frente para ver se estava tudo certo no dormitório, e eu fui atrás. Fiquei nervosa, como da última vez que estive aqui, mas ao entrar segura no seu quarto, sentir seu cheiro e um pedaço dele ali, logo meu coração se encheu de alegria.
Fiquei satisfeita de ter atravessado o país para fazer o meu namorado um pouco mais feliz, quando sua vida era tão difícil. Despedi de Ryan, tomei banho rápido, me vesti, perfumei e arrumei o cabelo. Alguns minutos de tensão passaram, ouvi o barulho das chaves e corri para me esconder no banheiro. Ele entrou, jogou alguma coisa na mesa, olhei as horas e vi pelo horário que com certeza ele iria sair para almoçar. Eu tinha que agir rápido
Ele estava de costas para a porta do banheiro, tirando o terno, então saí devagar, um pouco apreensiva e meio desconcertada. Ele olhou de relance para mim e ficou branco, parado.
Narrado por Edward
Logo que abri a porta do meu quarto, senti um cheiro diferente, o perfume de Bella, o cheiro forte dela. Entretanto procurei dominar a minha mente saudosa. Balancei a cabeça, tentando dissipar o cheiro e tirei o terno. Foi no instante em que pegava o cartão na carteira que me virei e deparei-me com uma alucinação. Putz! Ficar trancado naquele quarto estava me deixando louco! Via ela claramente vestida de... Acho que era de diabinha. A roupa era vermelha, brilhosa, justa, com os seios fartos a mostra, uma abertura na barriga, uma calcinha minúscula, uma meia e um sapato de salto. Nossa, estava... Como posso dizer?... Sexy, apetitosa ao extremo. Nunca os devaneios da minha mente tinham vagado tão próximos do real. A imagem projetada pelo meu cérebro hoje era nítida.
Vagarosamente, ela foi aproximando, e eu me deixei levar por aquela visão. Sonhar acordado com a mulher que se ama não é infidelidade, é? Ela veio em minha direção, chegando perto, perto, e eu já imaginava antecipadamente o que ia fazer com ela Iria pelo menos em sonho me acabar ali dentro, beijar pedacinho por pedacinho, cometer orgias intermináveis. Meu corpo deu sinal. Com uma fantasia assim, não era amor que eu iria fazer, já me imaginava um animal mordendo-a libidinosamente, sem pudores.
Putz, tinha um lado selvagem e promíscuo meu que veio a flora e eu não conseguia dominar. Mas quantas dúvidas me invadiam! Será que era errado ter esses desejos tão poderosos com uma alucinação? Estava tudo tão a flor da pele que causava sensações elétricas intensas.
Talvez eu devesse sair, fugir do quarto tentador. De repente esses pensamentos não fossem certos, afinal minha Bella real estava grávida, e eu tendo fantasias eróticas com a sua imagem! Só um promíscuo mesmo!
Por que, justo a imagem dela que mais me atormentava como homem foi aparecer? A de diabinha da minha vida. Ela foi chegando perto, perto e eu já ficava sem ar. Tinha que me controlar. Ela assoprou em meu rosto, encostou o corpo em mim e me empurrou na cama. Mas como uma fantasia podia ser tão quente e ter peso?
Como se acordasse de um transe, pisquei, sacudi o rosto e fui despertado.
—Bella! O que é isso? Como você entrou? O que está fazendo aqui? — Perguntei exasperado.
—Parabéns!
Deitou em cima de mim e me beijou quente, desesperada. Eu, já mais que estimulado, correspondi, apertando-a a mim, passando as mãos naquelas peças excitantes. Não satisfeito, pus-me sobre ela, sem palavras, sem perguntas, só com a loucura do nosso corpo que queria acalentar a saudade dos dias longe. Beijei seu pescoço, ombros, braços, mordiscando, e mesmo que a roupa estivesse perfeita nela, minha vontade era rasgá-la, despi-la completamente para que eu pudesse deslizar meus lábios por seu corpo. As coisas ficaram rápidas, a necessidade física clamava por alívio imediato pelos meses de acúmulo, então abaixei o zíper de sua roupa beijando seus seios. Todavia repentinamente um lampejo de consciência puxou-me de volta a realidade, dizendo que eu não deveria tratar daquele jeito com a mulher que esperava um filho meu. Eu deveria respeitá-la, não?
Parei, retomando o domínio e deitamos de lado, ofegantes. Encostei a cabeça entre os seus seios, enquanto isso, arejava o cérebro.
—Por que parou? — Reclamou por entre arfadas.
—Por quê? Pelo óbvio. Você é uma pessoa em estado delicado. — Esclareci e afastei para olhá-la.
—O quê que tem? Eu gosto disso... Faz parte do meu plano seguir adiante...
Respirei fundo, minha respiração calma.
—Que planos, Bella? Não existem mais planos. Não tem como ter planos depois dessa peça que a vida nos pregou. — Sentenciei e abaixei o olhar abatido por tudo ter sido como foi. Como podia ter permitido que minha namorada engravidasse sem ao menos termos efetivado o ato? Só eu mesmo com minha infantil inexperiência!
Ela me afastou e sentou-se na cama com o olhar meio perdido.
—Como assim? Que negócio é esse de não seguir planos?
Sentei, olhando para as minhas mãos. —Sinceramente, não tem como seguir planos com você esperando um bebê. Nem seus, nem meus. Vou arrumar um emprego, ou em último caso pedir um emprego para o seu pai de jornaleiro, operário, ou seja lá o que for. Eu só não quero ficar longe de você e do meu filho. Eu já tomei essa decisão dias atrás, só estava tentando me acostumar com a ideia. — Expliquei, referindo-me ao fato de ter prosseguido com os seminários e não ter exposto minha decisão a ela até o presente momento.
—Quer dizer que você vai desistir do futuro que você lutou tanto pra ficar perto de... Nós? — Apontou com incredulidade para si.
—Lógico. — Respondi como se fosse o esperado.
No mesmo instante, ela segurou o meu rosto em suas mãos e o levantou, olhando intensamente em meus olhos.
—Eu nunca permitiria isso, Edward. Não! Fora de cogitação. Você vai buscar o seu sonho! Eu nunca faria isso com você, pois daqui a alguns anos você seria um homem muito frustrado por ter abandonado a faculdade por causa de um filho. Não! Nem se eu estivesse grávida de verdade.
Abri a boca perplexo com a informação do fim. —Como assim nem se eu estivesse grávida de verdade? — Ressaltei desnorteado.
Ela beijou carinhosamente minha bochecha. —Eu não estou. Você entendeu tudo errado. Não sei de onde você tirou essa ideia, mas eu não estou. — Ela disse calma e doce, com olhar terno.
—Mas por que foi á médica da Jéssica? Por que fez exames? — Perguntei confuso.
—Sabia que mulheres vão ao ginecologista? Eu fui consultar, fazer exames, coisas de mulher. A médica dela é ginecobstetra. Ou seja, cuida de mulheres grávidas e mulheres normais. — Explicou pausadamente, com uma ponta de humor.
—Mas e a mudança de humor repentina? E a alteração de hormônios que você disse que estava? — Balancei a cabeça desacreditado de tudo, surpreso e até um pouco...frustrado?
—Justamente. Estou usando remédios que são hormônios. Portanto, nada de gravidez, e você segue com os seus planos. — Sentenciou seguramente e sentou-se em meu colo com os olhos brilhando. —No fundo, bem no fundo, eu queria que fosse verdade. Queria saber que eu viveria com você como uma caipira feliz os restos dos meus dias, sem o seu poder, sem as distâncias que ainda vamos enfrentar. Mas você vai continuar, e eu vou estar sempre esperando por você. — Disse sincera e determinada.
Eu ainda estava atordoado. Horas atrás pensava que me despedia do mundo universitário, preparando-me para encarar a vida simples com a mulher que eu amo e com o meu filho, agora ela dizia que não era isso! Não sabia se devia ficar triste ou feliz. Sonhei tanto com esse bebê esses dias, com essa gravidez, com essa criança crescendo...
—Então, Carl neto ainda vai esperar um pouco. — Disse-me e abraçou-me.
Acariciei seu rosto e beijei-a terno no cabelo.
—Você vai passar quantos dias aqui? — Abracei-a repleto de saudade, depois a deitei em meu colo como criança.
—Até domingo. É seu aniversário e como eu NÃO posso COMPRAR os presentes que eu queria dar, resolvi comprar este, mas pelo jeito você não quer usufruir. — Apontou insinuante para a roupa sensual que usava.
Sorri, beijei a abertura da roupa na barriga, depois acariciei seu quadril, apaixonado.
—Meu presente é você. Você é o que eu podia ter de mais importante. Amei a roupa, mas só o fato de você vir alegrar a minha vida já é perfeito. Depois vou despir esta roupa em você. Agora vou sair, resolver umas coisas e comprar comida.
—Como assim? Vai me deixar só aqui? — Perguntou carente.
Levantei e peguei minha carteira, com um sorriso conspirador.
—Trouxe vestidos?
—Sim. Por quê? — Perguntou desentendida.
Inclinei-me e beijei-a tranquilizador.
—Bella, é meu aniversário. Vamos sair para jantar. — Respondi como se fosse óbvio.
—Mas como eu vou sair daqui arrumada?
—Mais tarde decidimos. Deite aí na cama que daqui a pouco chego. Você alugou um carro, né? Me empreste a chave. — Entregou-me a chave e saí.
Deixei o campus e direcionei-me ao Condado de Airlington, ao hotel Crystal. Sua inusitada visita tornava oportuna a intenção de reescrever uma noite que para nós foi de tormenta, há mais de um ano. Hoje nossos planos voltaram a ser trilhados, então iríamos comemorá-los com algo especial.
—Por favor, o quarto 1011? — Pedi à recepcionista e entreguei identidade e cartão de débito.
—Quantas diárias?
—Três.
—Mil e quinhentos. Digite sua senha, por favor.
Digitei e uma sensação inexplicável de realização me tomou. Um misto de satisfação, conquista, dignidade. Dignidade por poder dispor pecuniariamente de algo importante para ela. A garota que tem tudo.
Tomei as providências necessárias para que a noite fosse única para nós dois, depois passei no restaurante chinês, comprei comida e voltei para o meu quarto.
—Chegou rápido. — Bella comentou com um sorrisão logo que passei pela porta. Ela estava deitada na cama, vestida com uma camisa longa minha enquanto assistia algo no notebook. Preparei o nosso almoço na mesinha de estudo e após almoçarmos, deitamos na cama. Ela me abraçou forte e passamos o restante da minha tarde ali, envoltos em uma sensação de tranquilidade. No meu canto. O quarto em que eu descobri que não conseguiria viver sem ela, em que senti saudade, paixão, perda, tortura, dor. E hoje estávamos aqui, abraçados, unidos, com expectativa de futuro, vivendo intensamente a nossa união.
...
—Faz assim, Bella, tome banho, apronte-se ao máximo e no carro você só veste o vestido. Você sai daqui com a roupa que entrou, assim tem como disfarçar.
—Tudo bem.
Narrado por Bella
Tudo me deixava mais nervosa do que pensei que fosse possível. Será que ele não percebeu que hoje era o dia? O modo enigmático que ele agia só piorava meu nervosismo. Talvez se as coisas tivessem acontecido como eu planejei, que era termos feito amor assim que ele chegou da universidade, fosse mais fácil. Se ele tivesse continuado com as carícias àquela hora, assim que nós dois estivéssemos extremamente prontos eu iria avisar que hoje era o dia. Mas tudo saiu fora do planejado.
Logo que cheguei ao carro, vesti um tomara-que-caia-justo, um sobretudo, calcei botas e saímos do campus. Edward usava um sobretudo preto, suéter e gravata. Lindo. E vez ou outra olhava em minha direção com um sorriso doce. Chegamos a um restaurante sofisticado, fomos recebidos e levados a um lugar reservado.
—Como você conseguiu ser atendido aqui hoje? —Perguntei logo que fizemos os pedidos. — Pelo jeito, as reservas precisam ser bem antecipadas. — Comentei, olhei em volta e vi duas celebridades de filmes e vários políticos.
—Tenho um amigo com sobrenome importante. — Gracejou e piscou, referindo-se ao Ryan. Eu gelei preocupada com o valor que ele gastaria. Seria mais fácil se me deixasse arcar com as despesas. Ele continuou. —Pedi para ele conseguir a reserva assim que te deixei no campus para comprar o almoço. — Explicou satisfeito.
—Amei o lugar. — Observei e me servi de salada.
O jantar se seguia entre conversas referentes ao nosso dia a dia e elogios à culinária. Ele olhava-me terno, com sorrisos cheios de promessas.
—Amei você ter vindo. — Revelou.
—Por que escolheu este lugar? — Perguntei com suspeita. Qualquer ato dele tinha um significado.
—Porque ele é frequentado por pessoas importantes. E um dia eu vou frequentá-lo muito, e quero ter na lembrança que a primeira vez que estive aqui foi com a pessoa mais importante da minha vida, que acreditou em mim quando eu não era ninguém. — Disse solenemente. Eu sorri lisonjeada estendi a mão na mesa e alcancei a dele.
—Pra mim, você não vai ser um dia uma pessoa importante, você já é. Não quero que você mude, pois eu amo você exatamente assim.
Narrado por Edward
Bella olhava-me como se eu fosse uma graça, quando ela era meu bem maior. Sentia-a próxima a mim novamente, confiando. Era a vida seguindo o ciclo em seu perfeito lugar, como antes, dias antecedentes à noite em que tive que abandoná-la.
—Você não me respondeu se aceitava o compromisso. — Comentei, peguei sua mão e beijei o anel.
—Você só me deu o anel por pressão. — Retrucou risonha.
Sorri e continuei beijando-a na mão. —Não. Eu já ia te dar. Só a terceira pedrinha que estava fora dos planos iniciais.
—Então o que ele representa realmente? — Levantou as sobrancelhas duvidando.
—Nosso anel de compromisso, é óbvio. Somos mais que namorados, afinal já tenho certeza que eu vou casar com você... Eu queria que fosse de noivado, entretanto, teríamos que ter a data de casamento prevista, e isso não temos. Por isso optei por um anel de compromisso.
Ela sorriu satisfeita, e seus olhos brilharam intensamente.
—Posso pensar na resposta? — Franziu o cenho, fingindo pensar.
—Pode, só não me diga não, porque eu não saberia viver sem você. —Disse carinhosamente.
Logo que terminamos o jantar, ela ficou calada uns minutos, pensativa. Depois se inclinou sobre a mesa e olhou-me com súplica.
—Edward, deixe eu te pedir algo... — Hesitou.
—Lógico. —Concedi.
—Deixe-me pagar a conta toda. — Propôs apreensiva.
Respirei fundo e torci o lábio, chateado. Inclinei-me para falar próximo a ela e toquei seu rosto.
—Não estrague o momento para mim... —Pedi. —Eu posso pagar. E fui eu quem te trouxe aqui.
—Sim, mas é seu aniversário. Seria seu presente... — Insistiu.
—Eu pago. —Sentenciei sério. — Por favor, seja uma namorada normal. Esquece as nossas desigualdades pelo menos hoje. Isso faz bem para mim. — Tentei explicar carinhosamente, rezando para que ela não levasse a questão a frente.
—Mas eu queria que guardasse o seu dinheiro. — Tentou mais uma vez.
—Guardei o ano inteiro. E hoje é um dia especial para mim. — Acariciei insistentemente o seu rosto tentando desfazer a linha de tensão em sua testa. —Você é o meu alvo fim. Deixe-me dispor minhas conquistas com você desde agora.
Ela sorriu rendida, levantou e avisou que iria ao banheiro. Ter uma relação com situações econômicas tão desproporcionais já era complicado, se ela insistisse em enfatizar isso, pioraria. Talvez a situação fosse mais confortável se houvesse equilíbrio, e era por mais esse motivo que devia continuar lutando por um futuro, para diminuir a nossa desconformidade social.
Como homem que sou, meu desejo é favorecer-lhe tudo o que sonho para ela, com os valores pecuniários sendo providos por mim, ideia fixa que com esforço um dia alcançarei.
Ela voltou, então pedimos a sobremesa. Torta de maças. Era incrível como ela gostava de maças. Um tempo depois chamei o maitre e pedi a conta.
—Não há conta, Sr. Evans. O jantar foi uma cortesia à sua família. Você é o genro do senador, sim? Edward Evans?
—Meu nome é só Edward. — Expliquei confuso —Tem alguma coisa errada.
—Mas foi o senador Evans que reservou? — Ele franziu o cenho em dúvida.
Eu não tinha certeza se Ryan tinha recorrido ao pai para que arrumasse a reserva aqui.
—Eu creio que sim. — Disse sem certeza.
—Então o jantar é uma cortesia. Boa noite. — Retirou-se.
Bella sorriu de canto. —Um impasse. Nenhum dos dois. — Observou com humor.
—Quero saber o que realmente aconteceu. — Resmunguei, coloquei os cotovelos na mesa e suspirei vencido.
Ela fitou-me séria, estudando-me.
—Eu entendo você. Mas não sei por que você se prende a detalhes tão sem importância. Eu sou sua. Se você se sente melhor assim, considere que você pagou, afinal, você que é o assessor dele. — Apaziguou carinhosa.
—Talvez não importe para você, mas para mim, sim. Eu queria fazer algo por você.
—Você faz. Só de você existir, me faz feliz.
—Ai, Bella, você não sabe como é difícil conviver em um mundo onde sua grande maioria são ricos e importantes; onde minha namorada é rica, meus colegas de classe são todos filhos de pessoas importantes, e eu sou considerado simplesmente o rapaz do interior se aventurando... É por isso que as mínimas conquistas que tenho, quero desfrutar com a mulher que me escolheu desde antes.
—Ei, não deprima, por sinal eu te amo exatamente assim. — Lançou-me um olhar acolhedor que encerrou minha relutância.
Narrado por Bella
Não pensei que ele já estivesse com o hotel reservado, e fiquei encantada com o modo como ele agia. Com atitude. Eu só planejei a idade que eu teria nossa primeira vez, e ele planejou detalhes os quais eu não pensei. A sensação de nervosismo era tão nova que uma onda de calor invadiu o meu corpo só de ter a sua mão em minha cintura ao atravessarmos o saguão do hotel. Era como se fosse a primeira vez que iríamos entrar em um quarto e ter preliminares.
Saímos do elevador, e eu parei surpresa quando ele colocou o cartão na porta.
—Por que o mesmo hotel e o mesmo quarto? — Ofeguei confusa com mais esse enigma.
—Feche os olhos. — Sussurrou um pouco ansioso, enquanto tirava meu sobretudo. Fechei os olhos, e ele abriu a porta, segurando em meu braço para me conduzir. —Não abra ainda. — Tinha um perfume bom no ar, mas eu contive a curiosidade para não estragar o momento. Ele pegou o meu rosto com as duas mãos e começou a beijar ternamente, mas eu não abri os olhos. —Eu esperei ansiosamente que um dia você voltasse aqui na Capital para que nós reescrevêssemos aquela noite. — Explicou nervoso. —Então, nós vamos ficar aqui, juntinhos esses três dias. Reescrevendo momentos doces e apaixonados. — Sua voz era suave, mas com um pouco de tensão. Ele me virou e abraçou-me por trás. —Abra. — Pediu docemente, com a boca em meu ouvido.
Abri os olhos e os arregalei surpresa. Tinha pétalas vermelhas em todos os lugares contrastando com o quarto extremamente branco. Tinha velas e candelabros em alguns cantos, ele apagou a luz e tudo ficou exótico. Fiquei boquiaberta com seu bom gosto. O aniversário era dele, mas quem ganhava um presente romântico era eu. Obviamente ele suspeitava que era hoje, por isso programou algo especial. Foi até uma garrafa de champanhe em um canto, abriu, e, estudando o meu rosto, trouxe as taças de champanhe.
Fiquei parada, com a pulsação correndo na garganta.
—Ao que brindaremos? — Sorri nervosa.
—A nós e aos nossos planos de futuro juntos. E você?
—A você. Pois é o seu aniversário. — Beijei leve seus lábios e ele pôs uma mão em minha cintura. Brindamos e bebemos o conteúdo, olhando um nos olhos do outro. Eu continuava tensa, em expectativa. Ele inclinou e beijou meu ombro, com movimentos deliberadamente lentos que me queimaram e distribuíram arrepios.
Segurei o seu rosto e passei os dedos pelos seus detalhes, pálpebras, sobrancelhas, nariz, boca. Ele fez o mesmo em mim, olhando em meus olhos, então parou o dedo sobre a minha boca, acariciando. Meu corpo padecia de saudade dele, e um pequeno contato deixou-me ávida. Encostei os lábios nos dele, ele correspondeu calmo. Suguei forte seu lábio superior e apertei seu pescoço.
—Calma, Bella, temos três dias. — Sussurrou em meus lábios. Porém eu não queria esperar. A adrenalina já pulsava e tentei novamente prendê-lo, puxando sua língua. Ele deu um gemido de redenção e me encostou ao seu corpo, apertando minha cintura. Explorou-me, inundou meus sentidos de calor. Depois sua boca deixou meus lábios e percorreu o meu pescoço, lentamente, mordiscando. Seus dedos percorreram minhas costas, baixaram o zíper e o vestido caiu aos meus pés.
—Nunca vou perder o fascínio por você. Você é linda. — Avaliou-me da cabeça aos pés e passou as costas das mãos pela minha barriga, subindo devagar até chegar ao meu queixo. Depois segurou em meu rosto e voltou a beijar-me.
Edward
Seu desejo e saudade eram claros. Era perceptível na respiração, no modo exigente como ela me queria. Mais uma noite nos saciaríamos sem frustrar os seus planos. Todas as suas respostas sensuais aumentavam meu desejo ardente, nutria a ânsia em adiantar, em suprir-nos um do outro, pois o seu estado inflamado nutria com sucesso o meu.
Ela tirou a minha camisa, depois a minha calça e passou suas mãos ansiosas em toda a extensão do meu abdômen. Chegou com os dedos em minha barriga, entrou na boxer e acariciou-me com astúcia e segurança. O prazer foi imensurável. Deitei a cabeça para trás e arfei, enquanto ela beijava o meu peito, passando a língua fervente no mamilo.
Desci a boca por seu ombro e ela passeou a língua inquieta em minha orelha, livrando-me do raciocínio coerente. Era primorosa sua mão em meu membro, seu calor em meu corpo, seu seio roçando meu peito, sua boca em meu ouvido, seu apetite, sua inquietação. Ela transforma-me em um adolescente hormonal com ímpeto em me saciar só em ter a sua boca me incendiando e sua mão me tocando. Eu queria me render antes mesmo de apreciarmos detalhes, mas precisava lutar contra o tempo para que a noite fosse redigida suavemente, sem pressa.
Decidido, deitei-a na cama e desci com a boca pelo pescoço, colo. Lambi suavemente seus seios, fartando-me do gosto, enquanto provocava os pontos sensíveis, mordiscando o seu bico enrijecido e, assim, espasmos moviam-na. Ela se entregava de uma maneira desmedida, com gemidos; e eu sofria em ter que me segurar. Cheguei com os lábios em seu ventre, passeei a língua em seu umbigo e tirei lentamente sua peça íntima, apaixonado pela visão intrigante de sua depilação. Ela sorriu e ofegou.
Sentia-me um insano por completo em brincar com fogo da maneira que nos permitíamos, quando o meu desejo diante do paraíso tão próximo era simplesmente entrar. Acariciei suas coxas, depois entreabri suas pernas com uma mão, em seguida voltei para sua boca com um beijo intenso, molhado, quente, aproveitando nesse tempo sua umidade e tocando-a intimamente. Manipulei-a, desejando satisfazê-la para que tudo ficasse mais calmo, pois ela estava faminta e necessitando alívio. Por minutos cresci em incentivos, paciente e encostei a boca em seu ombro, controlando a minha mente.
—Edward, hoje sou sua por completo. — Disse ofegante, com olhos bem abertos, desfocados, a pupila dilatada e os lábios semi-abertos. Perto, muito perto de chegar a um clímax.
Eu sorri deliciado e diminuí deliberadamente o incentivo. —Pensei que já era minha. —Apreciei cada tremor de antecipação que a percorria.
—É hoje que nós vamos pertencer um ao outro. Seremos um. —Fechou os olhos e arqueou o quadril em minha mão.
Eu congelei os movimentos atordoado. Hoje seria a noite que a faria minha? A noite dos nossos sonhos? Não caminhos alternativos de satisfação?
A revelação foi magnífica, tudo que eu queria, por outro lado uma tensão repentina me tomou; o medo de não conseguir, de frustrar-lhe e de acontecer rápido demais.
—Por que não me avisou antes? — Deitei surpreso ao seu lado, esperando o meu corpo tenso se acalmar.
—Eu pensei que você soubesse desde quando eu avisei que fui à médica da Jéssica. —Explicou frustrada. — Eu fui lá porque seria minha primeira vez e com um namorado sério e virgem. Eu queria ser sua por completo, sem preservativos, por isso pedi para ela receitar um anticoncepcional. Eu te disse que estava usando hormônios que a médica passou.
Balancei a cabeça, sorri da situação e a abracei. —Que confusão. Você se preparando para mim, e eu achando que você estava grávida! — Sorri divertido. —Rã! Eu sou um asno, às vezes! É sério, Bella, temos que aprender a conversar. Eu sei que eu me precipito, mas você também fala as coisas com meias palavras. — Acusei sorrindo cúmplice.
—Você nem imagina o que eu tive que ouvir do Jasper por isso. Fora o olhar especulador do meu pai praticamente me beatificando. Era de rir. — Gracejou relaxada.
Abracei-a forte, tomado pelo humor. —Sabe, nosso maior problema sempre foi falta de diálogo aberto. Mas eu vou continuar lutando contra isso em mim. E você ajuda, tá? Não fique esperando eu adivinhar. Já viu que eu não sou bom nisso, né?
O bom humor invadiu o quarto, expulsando momentaneamente a tensão.
—Vamos para um banho? — Propus e levantei-me para encher a banheira e preparar os sais, deixando-a na cama.
Era tudo um infinito de dúvidas. Eu não sabia como seria, não sabia como chegar ao fim no estado físico em que eu me encontrava. O banho era o melhor caminho para me acalmar. Além disso, eu precisava aliviar o acúmulo. Li sobre isso. Assim eu conseguiria romper a barreira nela com paciência.
Voltei para o quarto e deitei na cama, ao seu lado, observando o seu rosto. Ela sorriu ternamente, mostrando a sua confiança. Eu transbordava de alegria em ser hoje, exatamente hoje, nesse quarto, no meu aniversário. Uma noite linda ia ser escrita.
—Já disse que você é tudo pra mim? — Perguntei e acariciei o seu rosto.
—Hoje não. — Sorriu.
—Você é tudo pra mim. É minha vida. Minha dona. Dona do meu coração. — Ela sorriu convencida e eu a abracei, encostando sua cabeça em meu peito. Um tempo depois, peguei em sua mão para seguirmos para o banho, antes ela se direcionou a taça e colocou mais um pouco de champanhe. Segurei sua taça antes que ela bebesse tudo. —Quero você sóbria. — Exigi e beijei-lhe nos lábios, sentindo o gosto do álcool. Ela mais que quente apertou-me no beijo. Sorri e afastei-a delicadamente —Ei... Temos a noite toda.
Ela entrou na banheira, depois eu me despi por completo para entrar. Ela olhou-me por minutos na região do quadril, analisando-me ávida ao ponto de deixar-me embaraçado. Entrei e ela finalmente desviou para meus olhos.
—Por que tivemos que tomar banho, se já tomamos? — Arqueou a sobrancelha. Tinha que vir alguma pergunta constrangedora, e eu sorri do seu rosto curioso.
—É por mim. Estou com muita saudade de você, então poderia frustrar-lhe. E tudo vai ser novo pra mim também, tenho que acalmar. — Expliquei. Pouco tempo atrás eu disse que íamos conversar às claras, e agora eu me retraía diante de suas perguntas embaraçosas. O que eu iria dizer? Que devido à abstinência mal aguentaria encostar nela e poderia passar vergonha? Nunca!
Bella
Meu deus grego com o seu corpo perfeito, completamente proporcional, peitoral, abdômen, barriga, ops, coxas, era tudo de bom. Tudo sincronizado e torneado. Sua pele era indefectível, cheia de pintinhas. Minha vontade era enlaçar seu pescoço e me deliciar nos seus detalhes, beijar cada canto do seu corpo.
É óbvio que ele percebeu minha obsessão devorando seus detalhes e se encolheu intimidado na banheira. Se ele soubesse como o adoro, o acho lindo, deslumbrante, delícioso! Não ficaria tímido sob a luz.
Eu tinha ansiedade em saber como seria sua impressionante masculinidade dentro do mim, se iria doer. Queria perguntar, mas acho que essa pergunta só iria constrangê-lo e deixá-lo nervoso.
Fiquei sentada ao seu lado, ele de olhos fechados, enquanto a hidromassagem batia em suas costas. E eu fazia furtivamente a inspenção nele, sob a água, cada minuto mais escandalizada e temerosa. Isso iria doer.
Cansei das duvidas e sentei em seu colo de frente para cortar a tensão e beijá-lo um pouco. Ele assustou-se com a minha ousadia repentina e afastou o meu rosto.
—Espere um pouco. — Beijou-me ternamente e me sentou novamente ao seu lado, acariciando o meu rosto e cabelo. Eu não queria nem conseguia relaxar, queria adiantar logo isso, descobrir tudo. Então o ataquei novamente, sentada em seu colo.
Edward
Se ela soubesse como eu queria possuí-la aqui, de todas as formas sonhadas por um homem, como um sedento. Mas certamente lhe incomodaria tê-la na banheira, por isso eu deveria retardar o momento. Mesmo que o contato molhado do nosso corpo, os sais, o perfume, tornassem minha pele mais sensível ao seu corpo, intensificando mais ainda o meu desejo, eu precisava adiar.
Arfei ansioso, ela afastou o corpo, pegou em meu membro, olhando desafiadora, apoiou os joelhos ao lado da minha coxa e lambeu meus lábios lubricamente, olhando em meus olhos e movimentando sua mão para cima e para baixo. Lutei contra a insanidade de consumar ali, mas estava humanamente impossível. Já perdendo o controle, mudei a posição, apoiado no meu joelho e fiquei por cima dela na banheira redonda. Levei minha mão a sua região íntima para testá-la, e ela gemeu encorajadora.
Beijei sua orelha, acariciei seu seio, segurando-o em concha, depois desci lentamente a boca pelo pescoço, apoiei a mão em suas costas e suguei seus seios enlouquecido. Adentrei-a com um dedo, sentindo como estava quente o caminho dos meus sonhos, e me vi perder a razão com uma nuvem de desejo nos olhos. Voltei aos seus lábios, posicionei o meu membro na entrada, forcei um pouco e tentei entrar, sem sucesso, dando de frente com uma parede impenetrável que me causou dor. Não tinha a mínima passagem.
Bella
Ofegante, senti algo espesso me molestando na entrada, empurrei-o e grunhi de dor.
—Meu Deus! Desculpe-me, Bella. — Afastou-se envergonhado e sentou-se ao meu lado.
Olhei-o enternecida. Eu não ia deixar o meu namorado ficar assim, com receios e mais nervoso. Talvez eu não estivesse pronta o suficiente. Aproximei o rosto do dele, e ele estava cabisbaixo, chateado. Mesmo assim, segurei seu queixo e o fiz olhar para mim.
—Você não tem culpa, anjinho. Eu sei que tudo é novo pra você também. — Disse e beijei ternamente seu rosto.
—Faz assim, Bella, me dá um tempinho aqui e me espere no quarto. — Pediu, eu saí preocupada, me enxuguei e vesti um lingerie que comprei para este dia. Penteei o cabelo, bebi mais um pouco de champanhe para ver se relaxava mais e deitei. Ele demorou mais do que eu imaginava que precisava. Finalmente saiu, vestiu uma boxer e veio deitar, mais calmo. Ele me colocou deitada sobre seu peito e ficou acariciando o meu cabelo.
—Vamos fazer assim, Bella, podemos deixar para amanhã. Ambos estamos muito ansiosos hoje. — Ponderou cauteloso. Ele estava inseguro por minha causa, por eu ter forçado ele a tentar lá, então eu tinha que resgatar essa confiança nele.
—Tudo bem. Mas eu quero todos os beijos e preliminares que eu tenho direito hoje.
Ele balançou a cabeça e sorriu. —Ai, Bella... Você é imprevisível, mas sensacional. Eu te amo exatamente assim. — Deitou-me e beijou-me ternamente no rosto. —Quantos beijos você quer hoje?
—Mil.
—Só isso? — Brincou.
—Mil beijos lambidos, molhados, sugados e demorados. — Disse sensualmente e beijei sua orelha.
—Hmm, isso vai ser uma tortura. — Murmurou e fechou os olhos, eu continuei passeando minha língua com volúpia atrás de sua orelha.
—Tortura pra você... Já estou ansiosa pelos seus beijos em cada canto descoberto do meu corpo.
Ele afastou-se e olhou avaliador para o meu lingerie.
—Tão linda e já vai tirar. — Lamentou com um sorriso cínico, virou-me de costas para beijar a nuca e acariciou as costas com a ponta dos dedos, apertou a nádega. Parecia mais fácil agora para ele prolongar e assistir as reações do meu corpo. Beijou meu ombro, alternando até o centro das costas, provocando arrepios e arqueadas.
Desabotoou o sutiã e beijou até o quadril, mordiscando o bumbum, o que me fez contorcer de prazer e cócegas. Ele virou-me de frente e direcionou a boca à barriga, cintura, beijando lentamente, até chegar seio, cultuando os dois juntos na boca. Eu gemia e movia com choques prazerosos a cada sugada que ele dava no bico, explorando insaciável. Desceu a boca na barriga e tirou minha calcinha com os dentes, devagar.
Beijou minhas coxas, e eu já sentia tudo ferver. Queria implorar-lhe que prosseguisse, que acalentasse aquela confusão atordoante no meu corpo em chama. Ainda tinha medo da pequena dor que senti na banheira, mas nada me impediria de tê-lo dentro de mim e proporcionar a ele o que era tão esperado. Meu ventre pulsava, pedindo insistentemente satisfação, e eu não queria esperar.
Ele desviou os lábios da minha coxa para a minha região íntima, provocando com beijos suaves. Deliberadamente abri mais a perna, convidando-o. Ele deslizou, devagar, sua língua debaixo acima, distribuindo uma descarga instantânea. Gemi, estremeci e ele mudou o movimento, sugando a carne tensa, usando um pouco os dentes, lábios e o auxílio da língua. Eu estava tão sensível e fácil. Senti o sopro de sua respiração quente. Ergui o quadril e juntei os joelhos, dando mais acesso. Bloqueei todos os pensamentos e concentrei na língua que ia de um lado ao outro. O meu ar faltou. O prazer crescia, crescia. Os lábios desceram e mordiscaram mais embaixo. Deus do céu. O roçar áspero do queixo recém barbeado me fazia consciente dele. Minhas coxas tremiam. Agarrei os seus cabelos ansiosa, delirando, esqueci o mundo, minha mente ficou em branco, só sentia aquela parte sendo minimamente explorada.
Edward
Bella se contorcia e arqueava deliciosamente em minha boca. Minha língua deslizava com vida própria, frenética, estimulando calidamente, com precisão, mais e mais rápido. Minha boca sugava e a língua escorregava em crescentes e descoordenadas movidas.
Eu queria prolongar. Nada importava. Exceto sua satisfação.
Ela fazia-me sentir um amante experiente, satisfeito por proporcionar-lhe prazeres. Seus resmungos e suas mãos impacientes em meus cabelos transformaram-me em um faminto. Seus dedos ditavam e eu obedeci ao frenesi.
Todo seu corpo ficou rígido, a garganta se contraiu, seus gemidos aumentaram o tom, tornaram-se enlouquecidos, e espasmos corporais sacudiram-na num clímax esplêndido, lindo. Ela tremeu, gemeu. Então a invadi com um dedo, medindo-a, incentivando, e ela gemeu novamente, um gemido aprovação, de súplica. Eu estava louco para entrar ali e ser aceito.
Voltei para seus lábios, acrescentei um dedo e dei pequenos golpes, testando o local. Tão úmida. Ela estremecia, com olhos desfocados.
Estava pronta.
Encostei minha testa na dela, olhando em seus olhos sem ar, cheio de adrenalina, ansiedade, desejo intenso, ímpeto. Tudo se misturava, eletrizando por completo o meu corpo.
—Posso? — Ofeguei em suspense, com o corpo reagindo tenso, magnetizado.
—Sou sua. Te quero pra sempre. — Disse baixo e rouco.
Beijei-a sequioso, com felicidade e ansiedade duelando. Encostei o meu membro na entrada, sentindo o prazer intenso do contato, e estava molhada, cálida, macia. Algumas vezes estive tão próximo e impedido de entrar, e hoje ela convidava-me e se entregava. Olhei novamente em seus olhos e forcei delicadamente meu corpo contra o dela. Concentrei-me para não machucá-la novamente, e ela recebia-me devagar. Prendi o ar nos pulmões. A primeira camada do interior era resistente, apertada, mas acolhedora. Meu corpo era comprimido dentro dela e o prazer me arrepiava.
Ela enrijeceu o corpo, e eu dei um tempinho, observando suas reações, seus suspiros, respiração. Eu queria que ela se acostumasse com a invasão.
Bella
A sensação dele me preenchendo era boa, o contato era quente. Mas assim que ele pressionou mais forte, eu senti dor, abafei o gemido e rangi os dentes para suportar. Senti como se tivessem me rasgando e um gemido involuntário escapou. Ele parou frustrado, dentro de mim e olhou em meus olhos.
—Quer que eu pare? — Questionou preocupado, com a respiração descompassada. —Eu queria poder dizer que não vai mais doer, mas eu também não sei. Se quiser parar, paramos. — Deu a opção.
Eu vou até o fim, pensei determinada.
—Você me ama?
—Não sabe o quanto. — Sorriu ternamente, de olhos fechados, concentrado.
—Então me beija. — Fechei os olhos e relaxei mais uma vez. Ele voltou a beijar-me e voltou a deslizar para dentro de mim. A pequena dor ainda existia, mas eu descobria um prazer estranho: contrações, raios de eletricidade, pulsação. Ele enfiou a língua em minha boca e entrou mais, ganhando mais alguns centímetros. Perguntei-me se ainda faltava muito, mas o prazer também cresceu gradativamente.
Edward
A cada investida lenta do meu corpo, mergulhei mais profundo, até que ela aceitou-me por completo. A sensação de estar dentro foi de uma alegria incomensurável. As funções sensoriais da sensível glande registraram o conforto, aconchego, aperto. Saí minimamente, testando os movimentos, depois entrei. Seu organismo me sugou mais ao interior, embalou e, aos poucos, percebi que seus gemidos não eram mais de dor. Ela tinha acostumado com meu tamanho e já sentia prazer. Eu pulsava pela pressão, pelo forte calor, tudo estremecia e calafrios espinhais me atravessavam.
Continuei movimentando-me devagar, aprendendo-a, e ela começou a responder com pequenos gemidos encorajadores, alimentando gradativamente a minha segurança. Beijei seus lábios molhado, sugando seu lábio inferior. Meu corpo tremia, e ela passava as mãos ansiosamente pelas minhas costas, impaciente. Seu corpo agitou sob mim, convidando-me a mover. O meu respondeu como dono da situação e se moveu por vontade própria. Estava dentro dela, e fora dela, ela me acariciando, me recebendo, me rodeando. Eu queria continuar mais dentro, conhecendo mais fundo, movimentando cegamente, no lugar desconhecido dos meus sonhos.
Antes eu não sabia como seria na prática, nada explicava a grandiosidade desse momento com a clareza que sentia. Tudo era perfeito. Novo. Aquela sensação de que tudo se encaixou no universo era indefinível e inimaginável. Eu só queria fechar os olhos e me entregar às mínimas sensações que nasciam a cada instante. Iria explorar profundamente, movendo-me ritmado, sem parar, dentro daquele afago, demarcando território na mulher da minha vida.
Ergui o tronco e busquei seu olhar selando a nossa união de corpos, trocando energias, cumplicidade, certezas, compromisso único. Era glorioso efetivar o ato com minha única mulher e amor escolhido para a minha vida. Um ciclo se concretizando em um amor tão grande que transbordava essa vida, esse ciclo e essa geração. E a cada ajuste do nosso corpo, seus olhos apaixonados me cobriam de ternura. Eu tinha certeza que eu a queria todos os dias, insaciavelmente. Sua vida, sua alegria, seu prazer, sua força, sua doçura, sua diversão, sua calma, seu apoio, sua grandeza de pessoa.
—Te amo muito. — Sussurrei, com o coração explodindo.
Ela sorriu. —Eu também.
—Ah, você também se ama? — Sorrimos juntos, sem cessar os movimentos sincronizados.
—Não, anjinho, eu te amo. — Declarou-se com olhos úmidos. Vários prazeres eram confundidos, o prazer do corpo, alma, coração, sentidos.
Tentei movimentar-me circularmente, e ela correspondeu com gemidos, ansiedade, suor. Depois a segurei firme pelo quadril e dobrei seus joelhos, testando novas posições. Ela se ajustou e correspondeu balançando o quadril. Ela era minha, completamente minha, eu a conhecia por dentro, alimentava-me de seu prazer.
Adicionei uma carícia íntima com minha mão, aumentando os seus estímulos, ela estremeceu, o que me mostrou seu prazer. Inclinei e suguei ferozmente os seus seios, transformando-me em dez, dando vários incentivos ao mesmo tempo. Ela era só prazer e entrega, instintivamente saborosa, mágica e excitante.
Uma paixão arrebatadora anuviou meus sentidos, e meu peito ardia, todo o meu corpo era envolvido de determinação dentro do seu ventre macio e acolhedor. Seus gemidos ficaram cada vez mais altos e tremores me pressionavam lá dentro, levando-me à loucura. Suas respostas, aquele ajuste em sintonia, encaixe em simetria, nos faziam subir ao cume.
A fim de explorar mais o desconhecido, resolvi cadenciar a posição, posicionei-me de lado na cama, ela de costas para mim, e ocupei-a novamente, gemendo ao penetrar tudo. Era uma imagem indescritível amar daquela maneira, de modo a causar-me tontura ter sua nádega em meu quadril, ver-me entrar e sair molhado dela. Céus! Mordi seu ombro. A magia do momento era incontestável, ela se confiou aos meus braços e deixou que eu a conduzisse.
Aqueles movimentos me realizavam como homem, mas torturavam-me com a vontade veemente em saciar-me, mesmo tendo me aliviado antes no banheiro para prolongar o ato. Acariciei seu seio e meneei o quadril atrás dela. Ela ondulou, empinou e obedeceu meu ritmo, massageando-me, engolindo-me como se fôssemos um. Busquei ar e controle. Tudo era novo, o controle do cérebro era novo, a sensação instintiva animalesca era nova.
Oh Senhor, daquele jeito eu não aguentaria muito tempo.
Mudei o corpo e posicionei-me novamente por cima dela. Beijei-a sedento, buscando sua língua, sendo recebido com beijos molhados, intensos. Soltei seus lábios e suguei novamente seus seios, ainda me movendo dentro dela. Ela se adaptava a tudo. Eu não queria sair nunca mais. Peguei em suas mãos, sorri, e ela cruzou as pernas na minha cintura, me pondo mais dentro. Hmmm. Era um paraíso. Cada pequeno detalhe era um paraíso.
Eu queria eternizar esse momento em que tornávamos um só. Ela gemeu cada vez mais alto, protestos doces, indicando pressa. E começou a choramingar: por favor, por favor, ao tempo que movia a cabeça de um lado ao outro. Seus gemidos cresceram compulsivos, senti contrações incontroláveis dela em volta de mim, apertando-me, fazendo-me arfar pesadamente.
E sussurrei em seu pescoço para acalmá-la. Calma. Ainda não.
Bella
Era como se tudo estivesse completo. Hoje ele era o meu dono, um amante sem reservas. Seu corpo pulsava dentro de mim e ditava as regras, movendo-se ora lento, ora rápido, me explorando com a boca, com a mão ditadora e precisa. Eu simplesmente me entreguei ao seu comando e obedecia, o aceitava. Sentia-me adorada, cultuada pacientemente.
A cada investida dele em mim, meus pelos arrepiavam-se, meu corpo estremecia, um fogo me queimava, e cada vez mais eu me sentia molhada, ardente. Minha vontade era gritar, e ele sorria orgulhoso e sussurrava em meu ouvido, dizendo que me amava, fazendo-me memorizar quem eu estava aceitando dentro de mim.
Ali ele era a mistura de todos os meus Edward: doce, gentil, quente, apaixonado. As sensações que me invadiam levavam-me as nuvens. Não sabia o que buscava, mas eu o queria de um jeito mais forte, mais dentro, e o apertava para isso. Por favor, por favor- Choraminguei novamente. Ele sorriu de queixo travado ao ver a minha ansiedade e se moveu magnificamente. Então algo inexplicável aconteceu. Um zumbido baixo cresceu em meu ouvido. Ondas e sensações líquidas ardiam. Tudo escureceu, meu coração martelou e me senti atirada no espaço. Eu já não era mais eu, era só choques convulsivos no melhor clímax da minha vida. Extenso. E ele não parou...
Edward
Observei-a ensoberbecido. Seu olhar submisso explicitava amor, entrega total, satisfação, completude, e fiquei maravilhado com o prazer de senti-la alcançar o clímax em volta de mim. Sua excitação e êxtase acorrentaram-me. O cheiro de mulher, feromônio, o hálito, o calor e sua umidade me afogaram, fez com que eu me rendesse à fome impetuosa do meu corpo em saciar-se.
Movi-me mais inconstante, deixando-me ir, explorando o seu corpo com celeridade, precisão, avareza, e ela reagiu conjuntamente, ainda com espasmos do clímax. A vibração do seu corpo aumentou, ela teve novos tremores, espasmos, gemidos, ofegos. Então a sensação maravilhosa de que eu iria explodir em sensações subiu por minha coluna agonizante, pulsante, forte, sem domínio. Não controlava mais os gemidos involuntários e fortes que saíam do peito, e fui jogado do meu corpo, sentindo-me eletrocutar. Fechei os olhos, e com movimentos lentos e finais, senti rajadas de sêmen entrando em seu corpo, demarcando-a.
Estar dentro dela, ocupando-a com minha semente era a melhor das realizações. Abracei-a forte, possessivo, com o mais alto grau de satisfação alcançado. Juntos, fomos arrebatados em instantes infinitos de prazer, perdido dentro do aconchego da mulher que eu amo. As pontas dos meus dedos formigavam, o meu coração estava a mil. Buscava ar com dificuldade, meus lábios tremiam. Alcançamos o mais perfeito ápice, a fundição única, unidos em alma, corpo e coração. Uma sensação perfeita, transladado para o surreal, o mais completo deleite. Enfim, ela foi feita minha amante, minha criação, minha criança em mulher. Ali celebramos, entorpecidos, a nossa primeira vez. Completamente realizados.
LOVE WILL SHOW YOU EVERYTHING de Jennifer Love
Ofegante, trouxe-a para cima de mim e enrolei-a no lençol, ainda resfolegando, esperando os meus sentidos se acalmarem. Sua pele estava quente, mas ela estava sem vigor, sem constância. Acariciei insistentemente suas costas macias, deslizando os dedos na espinha. Eu sentia uma alegria exultante. Nada explicaria tanta completude, um exímio sem igual de satisfação.
Depois de minutos calados, sem pensamentos, ela afastou-se e deitou na cama, de lado, olhando para mim com um sorriso de mulher realizada.
—Estou feliz. — Ela disse sorridente.
—Só isso que vai falar?— Provoquei admirado. —Não quer conversar hoje? —Geralmente ela gostava de conversar sobre descobertas.
—Não... Eu sei que você gostou. — Disse presunçosa.
Peguei seu rosto e contemplei seus olhos, completamente apaixonado. —Gostar é um eufemismo. Eu não só gostei. Esse foi o melhor e maior acontecimento da minha vida. Não é só por ter tido a experiência, mas por ter sido com você, a mulher que eu amo e que faz meu coração transbordar de alegria. — Abracei-a forte. —Promete que vai ser minha pra sempre.
Ela demorou um tempo prolongado para responder, ao ponto de eu afastá-la para olhá-la.
—Edward, você é o amor da minha vida. Mesmo que eu tente viver bem sem você, tudo só tem sentido quando estamos juntos. Hoje eu tenho mais que certeza, e não é uma certeza baseada em sonhos adolescentes. Eu sei que você precisa de mim, tem lutado para mostrar que me ama, e eu quero novamente te dar segurança. Eu sou sua, pra sempre sua e vou te esperar. Eu acredito no nosso amor, eu acredito em nós.—Prometeu solenemente.
Eu regozijei internamente com a certeza reconquistada. Por dias tive dúvidas, mas hoje ela reafirmava suas convicções e eu senti-me aliviado.
—E quanto a sua faculdade? O que será de nós dois daqui em diante? — Perguntei hesitante.
—Posso tomar banho antes?
—Sim.
Ela levantou-se e dirigiu-se ao banho. Olhei para a cama e tinha rastros de uma noite de amor, pétalas de rosas grudadas no lençol, peças de roupas jogadas na imensa cama super king e uma pequena mácula sanguínea sobre o lençol. Sorri da dádiva recíproca em principiarmos juntos a vida de amantes, levantei, troquei o lençol, recolhi os candelabros que continham velas derretidas, organizei o quarto, peguei uma toalha e entrei para o banho. Ela já se enxugava.
—Não dorme. — Pedi, beijei sua boca levemente e ela saiu do banheiro, com uma toalha enrolada no corpo e no cabelo.
Um tempo depois, voltei para o quarto, e ela estava com outro lingerie, vermelho, deitada na cama.
—Comprou uma coleção? — Observei rindo dos três belos conjuntos que ela usou desde que chegou.
—Pensei que você não reparasse. — Sorriu de canto.
Sequei-me, vesti uma boxer, deitei ao seu lado e acariciei o seu corpo, dando total atenção às suas peças íntimas.
—É lógico que eu reparo. É que por mim, você ficava sem. — Revelei descaradamente. Eu sempre tive vontade de falar isso, mas não me sentia à vontade. Hoje tudo estava fácil.
—Ok. — Ela sorriu, tirou vagarosamente as duas peças e mordeu os lábios travessa. —Foi você quem pediu.
Eu abracei-a, sorrindo e acariciei suas costas perfumadas e sedosas. —Amo você exatamente assim, sabia? Sem recato, sem embaraço.
—Sem vergonha. — Traduziu sorrindo.
Ela sentou-se sobre mim, depois me olhou insinuante. Vi seu corpo sobre mim e tive uma visão perfeita, seu corpo desnudo, em contraste com o cabelo molhado, longo e solto. Linda.
—Adoro você. Você é linda.
Um lampejo de curiosidade atravessou seu rosto e ela sorriu, ainda sentada sobre mim.
—Agora eu quero saber... Qual foi a sensação de estar dentro de mim?
Fiz careta, pensando na resposta... Deliciosas sensações, algumas indefiníveis. —Não sei explicar, é surreal.
Ela começou a acariciar meu abdômen com as pontas dos dedos, e rastros pequenos de eletricidade voltavam a despertar.
—Concentre e lembre... — Inclinou-se e passou a língua em meu peito, olhando-me libidinosamente.
Eu suspirei, tomando consciência que a fome contínua despertava novamente.
—Hmmm, aí dentro é quente, acolhedor, molhado... — Sua língua passeou no mamilo, incendiando.
—Você gosta de quente e molhado? — Sorriu cheia de promessas e subiu, beijando lentamente meu pescoço, com volúpia. Uma chama foi pincelada por onde sua boca passava. Ela agia dominadora, como minha dona, e desceu passando a língua no abdômen, mordiscando lateralmente, proporcionando expectativa e um prazer imenso.
Sorri de sua ousadia quando senti espasmos causados pelo toque quente de sua boca descendo para a parte baixa da minha barriga. Ela me olhava com olhar astuto, mostrava que comandava e tirou lentamente a minha boxer, depois colocou a mão em minha parte rija e acariciou com olhar libertino.
Ela se inclinou e beijou lentamente a região pélvica, ainda com meu comprimento em sua mão. Mordiscou e aproximou a língua lentamente da base. Ela torturava-me, tirando-me os pensamentos, fazendo-me desejar mais e arquear o corpo com a expectativa de sua boca.
—Não precisa fazer isso, Bella. — Lembrei, e ela olhou-me por segundos, ainda com a mão em torno dele.
—Psiu! Sou sua dona, esqueceu? — Disse e moveu a mão, olhando-o com intimidade.
Sorri e relaxei a cabeça no travesseiro, embebido por aquele prazer. Ela beijou a minha barriga e as proximidades daquela área, vagarosamente, martirizando-me aos poucos. Finalmente sua boca desceu em mim, deslizando a língua na glande, eletrocutando, fervendo por onde passava.
Ela beijava, lambia, e tudo me fazia queimar. Por minutos arfei, suspirei pesado, e a cada nova carícia de sua boca macia eu delirava. Ela era inexperiente, não me colocava totalmente dentro, como seria mais prazeroso, mas sua carícia era irresistível. Era sexy ver sua língua me delineando, castamente beijando. Queria empurrar-me fundo, no entanto eu preferia estar novamente dentro dela. Puxei-a seguramente para os meus lábios, envolvido de desejo ardente, e beijei-a ansioso.
Ela soltou-se do beijo e sussurrou sensualmente.
—Quero você de novo. — Beijou-me ávida, e eu busquei prepará-la novamente para me receber, acariciando-a intimamente, reacendendo nela a chama por mim com beijos em seu corpo, demorando com sugadas em seus seios. Mas ela sempre me surpreendia com sua impaciência e pôs-se a tomar conta da situação, posicionando-se sobre mim com cada joelho de um lado do meu quadril.
—Quero agora. — Ditou. Eu tinha dúvidas quanto ao incômodo nela, ela percebeu e num movimento repentino e inesperado pegou meu comprimento e encostou-me na entrada, sem de fato entrar. Encostou os lábios nos meus e relaxou lentamente o corpo sobre mim, permitindo que eu entrasse centímetro por centímetro. Gememos juntos um na boca do outro ao entrar por completo. O prazer foi arrebatador, deslumbrante, e eu continuei beijando-a, feliz, por ser aceito novamente, por ter acesso livre ao seu corpo.
Ela abriu os olhos, encarou-me profundo, com rosto mergulhado de prazer, e moveu-se lentamente. Afastei o corpo mais para trás e encostei-me na cabeceira, para olhar seu rosto de dona da situação. Tudo era prazeroso, o seu olhar, os seus gemidos, seus movimentos, e a cada movida dela em mim um gemido era tirado de nós.
Desci minha boca para seus seios e o desejo furioso incendiava-me, mostrando que eu nunca iria me cansar dela. Ela continuou me torturando lentamente, com movimentos irregulares, subindo e descendo, girando, tirando meu raciocínio. Éramos só corpo em busca de satisfação, sem pensamentos. Fixados um no outro, magnetizados, fundidos, encaixados.
Assim, ela ficou mais ansiosa e movimentou-se descompassadamente, ora rápido, ora lento, circulando, e eu me sentia fora de mim, entregue as suas vontades, atormentado pelo seu comando. Foram minutos sem fim de ofegos e gemidos. Ela com uma desenvoltura e sagacidade inebriante era capaz de enlouquecer qualquer homem são, tanto mais um louco, obsessivo e apaixonado como eu.
Seus olhos abriram-se, desfocados e ela moveu-se mais preciso, mais rápido, percebi que ela anunciava seu êxtase e coordenei meus movimentos aos dela. Segurei seu quadril e cadenciei os movimentos, ora dentro, ora fora. Estava sem ar, mordiscando os seus seios, perdido nela como louco. Logo ela gemeu alto, deu seus gritinhos e apertou os dedos em meus braços, estimulando por completo a me derramar e alcançarmos sincronizados o ápice.
Um grunhido de fez em meu peito, o êxtase me percorreu dos pés à cabeça e o clímax explodiu. Abraçados, jogamo-nos na cama e num último movimento lento, entregamo-nos ao prazer, arfando pesadamente. Todos os meus sentidos voavam, viajavam na mais perfeita sensação de amor pleno.
Ela encostou seus lábios nos meu rosto, enquanto eu ainda estava entregue, acariciou os meus cabelos, limpou o suor do meu rosto e beijou-me ternamente em vários locais do meu rosto.
—Feliz aniversário, anjinho. — Sussurrou languidamente.
—Nossa, obrigado... — Murmurei quase sem som. —Que presente... Não tem preço ganhar você de presente. De preferência todos os dias. — Disse suspirando.
Ela olhou-me significantemente e pareceu hesitante. Eu observei-a.
—Edward, eu tinha decidido seguir minha vida sem depender de você, sem associá-la mais a você. Andei sem confiança em você e em nós por uns dias. Eu tinha decidido parar de investir em nós. Simplesmente iria deixar as coisas acontecerem. Se desse, deu... — Pausou, beijou o meu peito, e eu temi o que se seguiria. —Mas se nós decidimos ser um do outro pra sempre, nossos planos tem que ser conjuntos. Como você hoje mostrou que eu sou o seu futuro, eu quero que você me ajude a decidir o meu.
—Como assim? — Acariciei suas costas com os dedos, apreciando aquela intimidade em ainda estar dentro dela, inspirando em seus cabelos.
—Eu tenho até o dia quinze para decidir entre ir para universidade na Califórnia, aqui na Capital ou lá no estado de Washington. Ajude-me a tomar a decisão. — Afastou-se do contato, fazendo-me sentir a perda e olhou-me suplicante.
Pedir a minha opinião quanto a isso me induzia a ser egoísta, no entanto a felicidade dela era o mais importante. Ela devia decidir.
—Bella, todas as alternativas tem seus prós e contras, então vou expor cada uma. É só minha opinião, mas é você quem decide.
—Tudo bem.
—Se você vir morar na Capital, vai ser perfeito para mim. Pensando como homem egoísta, vou poder te ver todos os dias, poder almoçar com você, dormir com você quando você me convidar, afinal, a casa vai ser sua. Porém, aqui você vai estar longe de sua família. Às vezes eu posso ficar sem tempo, às vezes vou ter que estudar mais, então você pode sofrer com isso.
Ela analisou-me calma. Precisávamos realmente ter esta conversa de adultos.
—Se você for para Califórnia, eu também vou poder ir te ver uma vez por semana, porque vou com Ryan. Seria bom para nós, mas também tem o contra, porque você vai estar longe da sua família e pode ocorrer a mesma coisa daqui, às vezes eu ficar sem tempo e você ter que me esperar. Mas o que eu estou preocupado mesmo é de você ficar longe de sua família.
—Então pra você o mais viável é que eu fique em Seattle mesmo. — Não era uma pergunta.
Afastei-a e sofri em antecedência pelo que eu ia falar.
—O mais viável, Bella, era que a minha vida estivesse pronta, ou que eu tivesse nascido abastado para poder ficar todos os dias com você sem preocupação. Pode ter certeza que pra mim, o mais dolorido é você ficar no estado de Washington. Mas pra você é a melhor opção, afinal, lá você tem amigos, sua família está lá, a empresa que você trabalha é lá, os seus cursos de línguas e de música são lá. Então, lá é o melhor lugar para você.
—E quais são os contras no caso de ficar lá?
—Os contras é que com você lá, nós iríamos nos ver tão irregularmente como este ano. Eu teria custos altos de viagens que eu não conseguiria bancar regularmente. Poderíamos nos ver no máximo de mês em mês, o que seria muito dolorido, porque está cada vez mais difícil viver longe de você. —Expus sincero. — Tenho sofrido muito nesses últimos meses. Tenho sentido muita solidão naquele dormitório. Mas eu te aconselho a decidir pensando em você, no seu futuro, na sua família. Porque nós, se você tiver paciência, um dia nós ficaremos juntos. Ou você não quer ser a esposa de um Secretário de Estado? — Gracejei, mas ela ficou séria. O silêncio dela perdurou por mais instantes do que eu esperava, trazendo uma ponta de ansiedade em mim. —O que foi? Você não tem certeza se quer ser minha esposa, não? — Brinquei.
—Edward, eu quero você. Mas tenho pensado muito no futuro político que você escolheu. Tenho medo de ter que morar a vida toda longe da minha família. — Murmurou pesarosa e foi um embate sua revelação. Eu nunca tinha parado para pensar nisso, no que ela queria do nosso futuro.
Afastei-a e beijei o seu rosto, isolando da mente o pensamento pessimista.
—Vamos fazer assim, vamos ter fé que vamos ficar juntos. Como diz você, vamos viver o hoje intensamente e entregar nas mãos do destino o restante dos nossos dias. Tudo bem?
Ela sorriu e olhou em meus olhos. —Estou amando você otimista assim. Está feito. — Levantou as mãos e olhou o anel. —Você vai usar um desses também, pra espalhar por aí que você tem dona? — Questionou com a sobrancelha arqueada.
—Eu não preciso de um anel para que as pessoas saibam que tenho uma dona, mas eu posso usar um também, caso queira.
—Vai usar um com três pedras?
—Sim.
—E o que vai significar?
Peguei no anel, apontando cada pedra. —Eu, você e nossa família, em aliança, que é o que nós temos em comum, um amor desmedido por eles. — Ela abraçou-me forte, enterrando a cabeça em meu peito. —Você trouxe alguma roupa comportada? — Perguntei acariciando suas costas.
Ela afastou-se para olhar-me. —Por quê?
—Porque pela manhã você vai assistir ao meu seminário, e à tarde vai ao Senado comigo. Você quer? — Dei-lhe a opção.
Ela sentou-se e olhou-me eufórica. —É lógico que eu quero!
Sorri de seu entusiasmo repentino, feliz em poder mostrar outra parte do meu mundo.
—Então combinado. Amanhã vou apresentar oficialmente minha namorada aos colegas de curso e aos colegas de gabinete. — Informei presumido. Não esperava uma resposta tão efusiva, mas ela sorriu e jogou-se em cima de mim, abraçando-me forte, como uma criança deslumbrada. Essa era mais uma das diversas facetas da mulher que eu amava. Menina, um anjo deslumbrante, minha fada mágica, mulher dominadora, amante que florescia com seus encantos, graciosa, ágil, um furacão, uma obra prima desenhada e arquitetada para me completar... Meu tudo, minha vida, minha companheira nesta vida e nas próximas vidas.
Continua...
Olá, leitores,
Obrigada por ler.
Minha fic Flor de Lótus será lançada pela Editora Lio em setembro.
Peço que conheçam, indiquem, recomendem, adquiram. Vocês são a razão para eu escrever.
Adicionem meu perfil no face. Bia Braz. Curtam Flor de Lótus.
Conto com o apoio de Vocês.
