Uma força ao futuro
Narrado por Bella
Os raios de sol da manhã penetravam pelas fres tas da janela, acariciavam as cortinas e traziam calor ao quarto. Eu estava extasiada por uma sensação agradável de felicidade e satisfação. Foi como se tivéssemos nascidos um para o outro, ambos completamente compatíveis.
Espreguicei-me e senti-o às minhas costas, de conchinha, nossas pernas entrelaçadas. Rodeava-nos uma aura de completude como se toda vida a buscássemos e somente tivéssemos encontrado quando nos unimos. Bocejei sorridente, olhei o relógio do meu celular e marcava oito horas e vinte minutos. Xii, Edward não colocou o celular para despertar e devia estar atrasado para ministrar o seminário.
Apreciei-o dormir e toquei seu rosto com as pontas dos dedos para acordá-lo. Seu sono era pesado e profundo, respirava tranquilamente com a boca semi-aberta. Mesmo sabendo de seu atraso, eu queria admirá-lo, prolongar o prazer da manhã que se iniciava perfeita. A felicidade em estarmos juntos era imensa. Fui agraciada ao ter uma pessoa tão doce, gentil e determinada a me fazer feliz.
—Bom dia, anjinho. — Acariciei o seu cabelo. —Você tem que acordar...
—Hmmm, que horas são? — Resmungou sonolento.
—Oito e meia.
—Nossa! — Ele se levantou em um movimento da cama, enrolou o lençol na cintura e esfregou os olhos ansiosamente. Sorri do lençol, lembrando que este quarto tinha uma história. —O que vamos fazer? Estou muito atrasado. — Questionou agitado. O fato de nós dois termos que nos arrumar o atrasaria mais.
—Tome banho, se arrume e vá. — Respondi tranquila, deitada de lado como uma gata preguiçosa, ao tempo que lhe lançava um olhar terno.
—E você? Pensei que queria ir. — Cobrou chateado.
—E vou. Você vai agora com o carro que aluguei, depois eu vou. Antes vou a uma loja comprar umas roupas. Eu quero estar apresentável. — Sorri.
—Faz assim, eu pego o táxi. Chama um para mim enquanto eu me arrumo.
Instruiu e entrou apressado no banheiro. Eu fiquei parada, olhando para o teto, rememorando tudo o que aconteceu na noite. Queria que ele não tivesse que ir a este seminário hoje para não termos que nos despedir da cama assim tão apressadamente. Por outro lado, eu queria muito ir à Universidade com ele, queria que os colegas de classe dele me conhecessem, portanto, a cama ficaria para depois.
Não liguei para o táxi. Ele estava se enxaguando quando entrei para acompanhá-lo. Percebi ele se esquivar embaraçado e virar de lado quando os meus olhos perscrutaram-no dos pés a cabeça. Sorri maldosa por intimidá-lo. Deixei a toalha em cima da pia e entrei à vontade no box. Ele já se despedia do chuveiro, mas abraçou-me molhado.
—Eu queria não estar atrasado... — Inclinou e cheirou meu pescoço. —Desculpe por não ter começado o dia direito. Bom dia, amor da minha vida. — Beijou-me persuasivo na orelha —Pediu o táxi?
—Não. — Depositei beijos em seu peito. —Eu vou de táxi. — Informei.
Ele afastou-se e se enxugou apressado. —É incrível. Você só faz o que você quer. — Reprovou brincalhão. Sorri despreocupada e abri a ducha.
Ainda que o hotel fosse perto, ele enfrentaria trânsito. Mas parecia relaxado e feliz. Terminei o banho e enxuguei-me. Ele apareceu na porta do banheiro de terno, gravata, perfumado e com um sorriso deslumbrante. Lindo.
—Até já. —Despediu-se. — Não demore. Não posso perder você um segundo. — Esfregou os lábios nos meus e saiu.
Arrumei-me e desci para comprar alguma roupa nas lojas perto do aeroporto. Eu não tinha trazido roupas, como ele disse, 'apropriadas', logo precisei ir às compras. O sol estava tímido e confortável. Caminhei pelas lojas e avaliei as vitrines, encontrando rapidamente o que vim buscar.
Voltei para o hotel, vesti um terninho creme e justo, prendi metade dos cabelos, passei uma maquiagem leve e chamei o táxi. Cheguei à Universidade por volta de dez e meia e fui direto ao auditório que Edward estava dando aula no dia anterior. Porém, ao chegar lá percebi que o ministrante era outro.
Saí procurando pelo corredor, mas alguns auditórios estavam fechados. Depois de frustrantes minutos procurando-o, percebi uma pessoa conhecida saindo de uma porta e abrindo outra... Era a Sophia. Aproximei-me rápido. Ela pegou uns copos de água mineral numa copa e saiu. E agora, eu perguntava para ela ou não, se ela sabia onde Edward estava hoje?
Eu não deveria hesitar, afinal, o namorado era meu, e eu não devia ter insegurança quanto a ela.
—Oi. Você é Sophia, não é? — Aproximei-me sem graça. —Sou Bella...
Ela juntou as sobrancelhas com suspeita. —Namorada do Edward. — Completou com um sorriso.
Eu concordei:
—Sim. Estou procurando por ele. Você sabe onde ele está? Pensei que ele estaria na mesma sala que estava ontem, mas ele não está. Agora estou meio perdida. — Expliquei desajeitada.
—Ele está neste auditório aqui. O acesso público é pelo outro lado. Esta porta aí vai dar acesso direto ao local onde ele está. — Ela apontou para a porta a qual ela tinha acabado de sair. —Eu vim exatamente buscar água para ele. Ele chegou atrasado e não deu tempo de se organizar. — Explicou amistosa.
—Ah... — Puxa, buscar água para ele... Tão prestativa! —Como faço para encontrar a sala chegar nela pelo acesso público? — Perguntei. A universidade era grande e cheia de labirintos. E eu estava perdida nos corredores internos.
Ela olhou silenciosa em minha direção e sorriu de algo que eu não entendi. —Faz assim, entra por esta porta mesmo. Eu te dou a água e você leva para ele. Depois é só você descer pela escada a direita dele.
Pensei por um segundo se o embaraçaria caso aparecesse repentinamente no local onde ele palestrava... Decidi ir.
—Eu levo. — Sorri conspiradora e peguei três copos descartáveis nas mãos dela. Paramos na porta, ela me explicou novamente o que fazer e entrou, sentando-se em uma cadeira na parte de cima do auditório, ao lado de mais quatro pessoas, provavelmente professores.
O auditório estava cheio, todos concentrados em algo que Edward falava enquanto imagens eram projetadas no data show. Entrei às suas costas e vagarosamente caminhei, atravessando o palco. Inclinei para colocar os copos d'água no móvel de vidro, ele olhou surpreso em minha direção e parou de falar. Eu sorri.
—Oi, embaixador. — Movi sem sons os lábios.
Ele ficou mudo uns segundos, esquecendo-se do seminário.
—Linda. — Sussurrou.
Fiquei hipnotizada por seus brilhantes e lindos olhos verdes, encantada em quão homem ele estava esta manhã. E um filme da noite de amor conectada àquele olhar repassou diante de meus olhos.
Ouvi um assovio e balancei a cabeça, libertando-me dos pensamentos. Olhei para os inúmeros universitários sentados e senti minha bochecha queimar ao vê-los aproveitar o deslize do palestrante para descontrair. Fixei meus olhos lá e vi Ryan, que assoviava, estimulando os outros alunos.
—Linda! Aluna nova! Apresenta! — Ele gritava empolgado. Os acadêmicos entraram na brincadeira de Ryan.
Envergonhada, caminhei para o lado direito e desci rapidamente. Edward tinha esquecido que usava o microfone auricular e o som de sua voz me elogiando tinha sido projetado nos auto-falantes.
Sentei desconcertada. Edward sorriu de canto e colocou as duas mãos sobre o púlpito de vidro, relaxado.
—Ok, gente, essa é Bella. Minha... —Olhou-me indeciso. — Futura esposa. — Sorriu tranquilizador, e o alvoroço foi total.
Abri a boca chocada com sua espontaneidade. Ele lá em cima era outra pessoa, alguém seguro e confiante que eu não conhecia.
Eu afundei na cadeira procurando me esconder. Ele sorria descontraído. Nunca num mundo normal um rapaz de vinte anos apresentaria a namorada assim. Mas Edward sempre foi diferente. É aquele garoto do interior cheio de idealismo e princípios morais diferente da juventude moderna.
—Pronto... Voltando... — Disse baixo e sério, e, aos poucos, o barulho diminuiu totalmente.
Fiquei novamente surpresa. Se fosse no colegial, a bagunça iria continuar ao ponto do diretor ter que intervir. E aqui, em poucos segundos, o barulho se dispersou. Realmente ele é um líder nato, pensei orgulhosa. Sabe impor respeito sem alterar o tom.
O seminário se seguiu por mais uma hora. Ao término, levantei e esperei que ele viesse até mim. Ele encostou os lábios nos meus levemente.
—O que foi aquilo? — Perguntei ainda admirada.
Ele colocou a mão em minha cintura e saímos atrás das pessoas.
—Eu não disse que ia te apresentar oficialmente para a minha turma? — Afastou-se, sorrindo.
—Mas essa não era a sua turma, era?
—Grande parte sim. Mas eu não teria oportunidade melhor que essa. — Deu de ombros, despreocupado. Afastei-me e olhei seu rosto.
—O que você fez com o meu namorado tímido? —Acusei brincalhona. — É sério, tem horas que eu acho que não te conheço.
—Eu já disse que não é sempre que sou retraído. Para ser sincero, eu me sinto tão à vontade lá em cima que foi como se não tivesse dito nada.
—Hmmm, adorei tudo. O assunto abordado é muito interessante. Você fala muito bem. — Elogiei lisonjeira, ele sorriu e beijou minha testa quando alcançamos a saída. Várias pessoas vieram falar com ele, e Ryan me puxou para o canto.
—Linda, hein! —Zombou. — Tão novos e já vão casar?
—Não é agora, bobinho. Ainda vai demorar. — Sorri e segurei em seu braço, enquanto caminhávamos pelo campus.
—Vai fazer o que hoje à tarde?
—Vou ao gabinete do seu pai com Edward.
Ele colocou a mão no queixo, pensativo. —Mais tarde eu vou lá também. E amanhã vou dar uma despedida lá em casa. Caso vocês queiram aparecer por lá, estão convidados. — Deu um beijo no meu rosto e saiu.
Fiquei esperando Edward sentada em um banquinho. Muitas pessoas rodearam-no questionando, mostrando alguns papéis, então Sophia se aproximou dele e o chamou no canto. Os dois conversaram um pouco, depois eu a vi colocar um boton na gravata dele e dar um beijo em seu rosto. Virei o rosto para desviar o foco e controlar minha desconfiança. Depois disso ele veio em minha direção sorrindo, pegou em minha cintura e direcionamos ao estacionamento.
—Bella, eu preciso ir ao meu quarto pegar umas coisas. Espere aqui. — Avisou e saiu rápido em direção ao campus.
De onde eu estava o vi novamente falar com Sophia, deixou-a e seguiu rumo ao seu quarto. Que perseguição era essa? Essa mulher não via que ele estava comigo, não?
Ele voltou com uns livros nas mãos. Saímos do campus e fomos almoçar em um restaurante próximo ao Senado. Pedimos bifes e batatas.
—Que foi que você está tão pensativa? — Tocou meu rosto.
—Nada. Que horas você começa lá?
—Uma e meia. — Respondeu com um sorriso de canto enquanto comia.
—Por que você não foi ontem? Era quinta feira. —Questionei e passei a batata no molho rose.
—Depois que você chegou, eu liguei lá e avisei ao senador que eu não iria por ter recebido visita do estado de Washington. Também avisei que era meu aniversário.
—Ele deixou numa boa? — Perguntei, peguei a caixinha de fio dental na minha bolsa, puxei um fio e comecei a brincar de fazer laços.
—Sim. O senador é muito bom.
—Bom como? — Quis saber, curiosa.
—Hmmm, ele me chamou para ser assessor dele quando só tenho vinte anos. Não é normal... — Comentou reflexivo.
Eu peguei carinhosamente seus dedos e fiz laços com o fio dental, medindo. Ele não desconfiou o porquê dos laços.
—Você aceitou?
—Aceitei e provavelmente devo ficar bem envolvido com viagens à Califórnia no próximo ano. Como será um ano eleitoral, ele terá que fazer muitas aparições públicas por lá. E, por eu ser seu assessor, certamente ele vai querer que eu vá. — Comentou sugestivamente.
—Hmmm, quer dizer que você acha que vai estar muito ocupado... — Abaixei o olhar pesarosa pela dúvida de nosso futuro. Tudo era tão perfeito quando se tratava do hoje.
—Sim. — Confirmou, estudando-me.
—Em quanto tempo termina seu curso?
—No próximo ano eu termino oitenta e cinco por cento das matérias, vai ficar para trás pouca coisa. Depois talvez eu tenha que freqüentar uns dois ou três dias por semana. Porém eu já vou poder fazer uma especialização. — Ele explicou com o olhar sonhador. Eu queria poder adiantar o tempo. Estava angustiante conversar sobre futuro.
—Muito tempo, né? — Comentou e acariciou o meu rosto com lamento em sua expressão.
—É. — Respondi melancólica. Com o clima tenso, pedimos a sobremesa para a atendente.
—Vai desistir de mim? — Perguntou cautelosamente.
—Não! — Sacudi a cabeça. Ele sorriu.
—Então vamos esquecer isso, pode ser? — Depositou beijos em minha mão.
—Podemos esquecer isso voltando para o hotel e aproveitando o hoje... — Sorri maliciosamente, aproximei meu nariz da sua mandíbula, inspirei o seu cheiro delicioso e coloquei a mão na perna dele, acariciando a coxa. Ele segurou a minha mão e a levou a boca, beijando-a novamente.
—Mais tarde... —Prometeu. — Temos o fim de semana inteiro. — Sorriu charmosamente.
Puxei minha mão e a desci de novo, acariciando teimosamente a coxa, adorando deixá-lo constrangido em local público. Ele respirou fundo e colocou a mão por cima da minha, tentando me impedir.
Eu sorri travessa, encostei a boca em seu pescoço e subi com a mão, percebendo os olhos dele se abrirem. Ele apertou os lábios quando o acariciei no comprimento por fora da calça e senti-o inchar. Fomos servidos com a sobremesa. Ele mudou o corpo, nos ocultando de olhares ao proteger-me no canto.
—Vamos para o hotel... — Sibilei em seu ouvido, no mesmo instante que o mordiscava no lóbulo.
—Bella, não faz isso... — Pediu com voz rouca e baixa.
Sorri presunçosa. —Não me quer? — Fingi chateação e afastei.
—Eu te quero sempre... E estou com medo de nunca mais conseguir almoçar aqui... Quando você for embora, vou ficar alucinado. — Pegou em minha cintura e aproximou-me mais dele.
—Como assim?
—É só pensar... Se eu tiver você excessivamente agora, depois meu corpo vai sentir muito a sua falta. Então eu prefiro moderar para não sofrer depois.
—Eu já penso o contrário. Prefiro usar muito e abusar. — Sorri insinuante. —Pena que só falta meia hora para você ir. — Acariciei novamente a sua coxa e beijei o seu pescoço, dando mordidinhas leves.
—Mais tarde... Isso tem que ter tempo e ser bem feito. — Pôs sorvete em minha boca para me distrair.
Sem que ele esperasse, cobri seus lábios, e ele correspondeu, sequestrando e sugando minha língua. Suspirei e apertei o beijo, movendo deliciosamente nossos lábios gelados e com gosto de maçã verde. Sorrimos apaixonados e passamos um bom tempo entre sorvetes e beijos.
—Eu não vou agora com você. — Avisei. —Deixo você lá e vou mais tarde. Não quero te tomar muito tempo. — Expliquei satisfeita.
—Tudo bem. Se tudo estiver em ordem, eu saio seis. Então chegue antes para dar tempo de te apresentar o lugar.
Deixei-o no estacionamento do Capitólio e, de novo, fui até as lojas do aeroporto. Fiz mais compras essenciais por duas horas e deixei tudo no quarto do hotel. A bagunça da noite anterior tinha sido organizada. Só assim o obsessivo senso de ordem de Edward não seria ofendido. Espalhei as roupas que comprei em cima da cama e desci.
Durante o trajeto, liguei para Edward, e ele me esperou no estacionamento do Capitólio.
—Antes vamos dar uma volta. —Ele avisou. —Deixe uma identificação fácil nas mãos. — Pediu, deixei na mão minha identidade e para passei por um balcão de identificação. Como Edward estava com um crachá de funcionário, não precisou se identificar.
—Esta é a sala que quando eu tinha nove anos eu quis entrar e não pude, você lembra a história? —Mostrou-me uma sala em formato redonda.
—Sim. Eu lembro.
Esperei. Ele começou a andar por ela.
—O que fazem nessa sala? —Olhei em volta interessada.
—Reuniões da cúpula do mundo.
Avistei placas e bandeiras em frente às cadeiras luxuosas e confortáveis da sala.
—Uau... —Olhei-o curiosa. — Você se satisfez depois que entrou aqui?
Ele aproximou-se de mim solenemente e pegou a minha mão.
—Não foi como pensei que fosse... —Revelou desapontado. —Não me deu prazer nenhum. — Disse com olhar distante. —Às vezes corremos atrás de algo, achando que vai nos trazer felicidade e quando alcançamos não é o que sempre pensamos que fosse. — Ele refletiu.
Eu perguntei-me se ele iria encontrar felicidade no sonho que tanto buscava. Podia ser que coisas simples da vida, o tédio e o normal nos dessem mais felicidade do que algo grandioso e difícil. Mas isso ele teria que descobrir só, assim como foi com esta sala.
—Vamos. — Puxou a minha mão e saímos de lá.
Subimos as escadas do capitólio, entramos em uma sala grande, um retângulo de aproximadamente uns cem metros quadrados com várias salinhas de vidro. Em cada aquário tinha uma mesa, computador, um armário e três cadeiras.
Edward apresentou-me aos colegas presentes na sala, uma mulher e um homem louro de uns trinta e cinco anos. A sala do Edward era no fim, em frente à entrada para o gabinete do senador.
—O que você faz aqui? — Sentei em frente à mesa dele, e ele virou o monitor para que eu visse.
—Um pouco de tudo. Era para trabalharmos em equipe, mas algumas coisas eu prefiro fazer só. Vou dar exemplos do que faço: se o senador tem intenções para um projeto de lei, eu faço pesquisas, monto argumentos. Mas agora desde que um colega nosso saiu, até os discursos eu faço sozinho.
—Interessante. Você gosta?
—Eu gosto de estar subindo degraus para alcançar algo na vida: meu sonho. — Garantiu sorridente.
—Mas o seu sonho ainda é o mesmo de antes? — Inclinei sobre a mesa, curiosa.
—É
—Você já se perguntou hoje por que está indo atrás desse sonho?
Ele demorou um tempo pensando.
—Em primeiro lugar, porque eu quero dar um futuro bom para a minha família, isso inclui você. Também quero ter um nome, ser alguém. — Explicou sonhador.
—Acho que o primeiro motivo é meio sem fundamentos. Eu sou rica, seu irmão também, sua irmã vai casar com o meu irmão e, se tudo der certo, sua mãe também vai se casar com o meu pai.
—O que te leva a pensar isso da minha mãe? Você acha mesmo que eles ainda tenham chance? — Questionou interessado. —Acho meio difícil. Não sei se seu pai vai perdoá-la por tudo.
—É só ela esperar a hora certa para falar sobre Jasper.
—Pode ser... Mas tem muitos assuntos a serem resolvidos... Às vezes a omissão machuca mais que a mentira... — Ele fitava o monitor, mas seu olhar estava vazio.
—Hoje você está desocupado? —Mudei o tema.
—Sim, é fim de ano na casa. Hoje teve votações do orçamento anual do governo. E não há muito mais a fazer.
—O senador está aqui? —Apontei para a porta do gabinete.
—Sim. Está com os gêmeos. — Disse com uma careta.
—O Ryan chegou? — Perguntei animada.
—Chegou, e está lá dentro com a irmã e o pai.
Hum, a irmã do Ryan está aqui...
—Eles vêm muito aqui? — Fingi indiferença.
—Ela sim, ele não. — Respondeu displicente.
—O que ela faz aqui? — Risquei um papel fazendo bolinhas, traços, tentando disfarçar minha curiosidade.
—Ela é muito apegada ao pai. Estuda aqui perto, na Georgetown e vem vê-lo quase todos os dias. — Respondeu distraído com algo no computador.
—O que ela faz? — Continuei rabiscando.
—Não tenho certeza, mas parece que tem algo a ver com relações públicas ou comunicação. Não sei. Acho que é isso porque ela vai fazer parte da assessoria de comunicação do senador no próximo ano.
—Quer dizer que ela vai trabalhar com você... — Parei de rabiscar e atentei o olhar nele.
Ele tirou os olhos do monitor e olhou em minha direção, atento.
—Por que esse tanto de perguntas sobre ela, Bella? — Franziu o cenho, e eu abaixei o olhar, tentando esconder a minha ansiedade e insegurança.
A irmã do Ryan era bonita, inteligente e estava interessada nele. Agora ela teria todas as armas possíveis para forçar uma amizade. Trabalharia com ele, ficaria perto dele o máximo de tempo possível, teria o pai ao seu favor. Com certeza, quando Edward viajasse para a Califórnia, ele iria ficar hospedado na casa deles. A marcação dela em cima dele certamente seria acirrada.
—O que foi, Bella? — Insistiu.
A porta do gabinete se abriu, e Ryan saiu, vindo em seguida em minha direção.
—Vem cá, Bella, vou te apresentar para o meu pai. — Puxou minha mão e me arrastou para o gabinete.
Logo que eu entrei na sala, a irmã dele mal olhou em minha direção, fez cara de desdém e saiu, sem falar comigo. Também não a cumprimentei.
—Pai, essa é Bella, filha do seu amigo Cullen. Já te falei dela. — Ryan pôs a mão em minha cintura e deu um beijo em minha testa. Estranha a atitude dele.
—Tudo bem, Bella? Como vai o seu pai? Faz tempo que ele não aparece. —Estendeu a mão amigável. —Nada melhor que ter uma aliança com o dono do maior jornal do estado da Califórnia.
Eu sorri e apertei sua mão sem entender seu comentário. Que negócio era esse de aliança?
—Ele anda bem ocupado com a empresa de Washington, por isso está indo pouco à Califórnia. Como no jornal da Califórnia tem um administrador, ele quase não tem que se preocupar. — Expliquei.
—Sente-se. Há quanto tempo vocês se conhecem?
Ryan se adiantou. —Tem mais de um ano, né, linda. Foi naquela noite que o senhor apresentou as famílias, nas bodas do senhor e da minha mãe. Aquela noite foi maravilhosa. — Disse estranhamente, pegou em minha mão e ficou brincando com meus dedos. —Vamos, querida. — Pegou a minha mão e esperou que eu levantasse da cadeira.
—O que vão fazer hoje? Podíamos jantar juntos. — O senador propôs.
—Acho que não, pai. Vamos sair com Edward.
Eu olhei de um ao outro desentendida.
—Então leve a Ashley com vocês. — O senador sugeriu empolgado.
Fixei os olhos questionadores em Ryan. Como assim?
—Pai, eu já disse para parar com isso. Ele é seriamente comprometido. Até avisou hoje lá no auditório, pra que todos ouvissem, que ia se casar. — Alertou praticamente me arrastando da sala.
—Foi um prazer conhecê-lo, senador. — Mal terminei de falar e Ryan fechou a porta.
Quando saí, dei de cara com a irmã do Ryan em pé, ao lado do Edward, inclinada, mostrando algo na tela do computador para ele.
Narrado por Edward
Não estava de acordo com o que Ryan queria fazer quando levou Bella para apresentá-la ao seu pai. Nem pretendia levar isso adiante, mas cedi por ele prometer que resolveria rápido sua situação.
—Você tem mel, Edward? Está cheio de mulheres bonitas interessadas em você. — Lian comentou zombeteiro.
—Pensei que sua namorada fosse a morena que estava naquele coquetel. — Foi James quem entrou na conversa.
—Eu nunca disse isso. — Ignorei-o e continuei visualizando as notícias.
—Mas Ryan disse. — Afirmou com uma diversão cínica.
—Eu só tenho uma namorada. E ela é essa que eu apresentei.
—Você tem cara de homem sério, mas é o maior pegador. Uma oficial e várias na reserva. — Insinuou rindo. —Mas é bom que você apresente essa como oficial. Eu estava até pensando como seria quando o senador soubesse que você tinha envolvimento com aquela morena. Talvez ele ficasse decepcionado com você.
Olhei sério para ele. —James, não tem várias. E Sophia é só minha colega de classe. —Defendi.
O assunto me deixou irritado, e pior, se não fosse por Ryan, eu não teria que passar por isso. Da sala do senador saiu sua filha, que parou em frente à minha mesa. Percebi os olhares sugestivos deles, mas fingi não ver.
—Boa tarde, Edward. — Cumprimentou-me baixo, aparentemente chateada e se sentou na cadeira a minha frente.
—Boa tarde. Precisa de alguma coisa? — Tentei soar educado, mesmo irritado com os olhares sobre nós.
—Queria mostrar para você alguns planos do papai para o ano que vem. Ele pretende buscar um público diferente de eleitores, pretende atingir as classes de trabalhadores. Então seria bom que desde agora você se programasse e pesquisasse, porque no próximo ano nós vamos pegar firme nisso.
Há algum tempo Ashley conversava comigo como profissional, o que me deixava mais a vontade com ela. Mesmo que em algumas horas ela demonstrasse certa fascinação por mim, eu tinha que tentar levar a relação com praticidade.
—Então mostre. — Propus amistosamente.
Ela aproximou-se, ficou ao meu lado, colocou um pen drive no computador, esperou abrir e começou a explicar as idéias.
—Olha, eu fiz uma pesquisa e percebi que os senadores mais votados são aqueles que trabalham sobre necessidade primária... Então, é baseado nisso que será a nossa campanha. Conseqüentemente os planos de campanha e seus discursos serão baseados nesse público alvo. — Ela falava baixo, inclinada em minha direção, apontando para os gráficos na tela.
Levantei os olhos em direção a ela confuso com o modo que ela falava. Ela não precisava falar isso diretamente para mim, pois eu não seria o chefe da assessoria. Entretanto, eu estava admirado com o tipo de campanha medíocre que pretendiam fazer, sem decoro, onde seriam distribuídos alimentos em troca de votos e onde seriam feitas promessas que não tinham condições de serem alcançadas.
Um tempo depois, a porta do gabinete se abriu, e Bella saiu com Ryan. Seus olhos fixaram inquiridores em nossa direção. Por segundos tudo congelou. Ela não disse nada, Ashley não se moveu, e Ryan não falou. Só quando atentei os olhos para onde Bella fixava notei o porquê do seu olhar. Ashley usava um decote escandaloso que eu não tinha percebido até o momento, mas que devido a sua inclinação estava a centímetros do meu rosto.
Foram segundos de silêncio opressivo. Ashley sorriu sem graça ao ver meu olhar reprovador e se recompôs, alinhando o corpo.
—Senta aqui, Bella. —Convidei-a carinhoso. —Em meia hora vamos embora. — Apontei para cadeira, lendo a tensão em seu rosto.
Ashley tirou o pen drive e voltou para a sala do pai. Ryan reforçou o convite a Bella de ir a casa dele, despediu-se rapidamente e saiu. Bella continuou calada por vários minutos, olhando para o chão.
—Que foi, amor? — Estendi as mãos na mesa para alcançar as dela.
—Eh, quero ir logo embora. Estou me sentindo tão...
—Está passando mal? — Levantei ansioso, pois sua expressão era abatida.
—Não... Meio sugada, esgotada. — Ela abaixou o olhar novamente.
Eu sabia que a situação anterior foi que a deixou abatida e precisava urgente consertar isso. Não há nada mais opressor que qualquer insegurança. Nas vezes em que me senti assim, tentava relevar, mas ela, sempre guarda as emoções para si, trancando tudo para em outra ocasião libertar.
—Ei, vou sair agora. Espere um pouco que eu vou falar com o senador. — Beijei a sua mão. Ela continuou quieta, chateada. Falei com o senador e fomos embora.
Do Capitólio até o hotel, ela permaneceu calada, pensativa. Disposto a resgatar seu bom humor, abracei-a no elevador e beijei sua testa.
—O que há?
Ela não respondeu e apertou o abraço na minha cintura. Descemos no nosso andar, abri a porta com o cartão, coloquei meu material numa mesinha e avistei algumas roupas estendidas sobre a cama.
—Resolveu fazer um limpa nas lojas de Airlington? — Descontraí e a sentei em meu colo. Ela sorriu e deu selinhos em meu pescoço.
—Senti sua falta o dia todo, namorado. — Comentou com o humor melhorando.
—Mas eu estive com você quase o dia todo.
—Ah, mas eu queria o anjinho, não o político. — Ela sorriu.
—Como assim? — Afastei seu cabelo do rosto, ela distribuiu beijos doces em meu rosto e pescoço.
—O anjinho é só meu, o político tem várias pessoas disputando sua atenção.
Sorri compreensivo. Pude ler a insegurança em sua voz.
—Já disse que te amo hoje? Que eu só amo você e que sempre vou amar só você? — Questionei brincalhão.
—Não. — Fez biquinho, fingindo mágoa.
—Eu te amo. Muito mais que qualquer coisa neste mundo. E só tenho olhos pra você. — Disse solenemente. Abraçamo-nos forte, e ela se recuperou. —Por que você estava daquele jeito? — Voltei ao assunto.
Ela desceu do meu colo e tirou a roupa lentamente.
—Vou tomar banho e depois te falo. — Avisou, pegou uma toalha e entrou para o banho.
Olhei as roupas em cima da cama e fiquei analisando-as. Não eram roupas de Bella...
Narrado por Bella
Meu dia não saiu de tudo perfeito. Primeiro foi a Sophia colocando um boton nele da bandeira dos EUA, cheia de intimidades, agora a Ashley colocando os peitos quase na boca do Edward. Deus, ele é muito inocente!
Não sinto ciúme exatamente, eu só não queria ter essa insegurança em ter que deixá-lo só. Assim ele não sofreria a mínima tentação com esse tanto de mulheres bonitas rodeando-o. Um pouco frustrada, saí do banheiro, e ele estava em pé, olhando acusador para as roupas em cima da cama.
—Tome banho. — Pedi, aproximei do seu rosto e o beijei aduladora.
Ele tirou o terno, dobrou a roupa suja, pendurou o paletó no armário, pegou uma toalha e se dirigiu ao banheiro. Eu vesti um lingerie, uma camisola e sentei na cama, encostada à cabeceira. Logo que ele saiu, arrumou-se e sentou na cama, vestido com um short.
—Bella, que roupas são essas? — Perguntou acusador.
—Você quer conversar ou discutir? — Dei a opção, carinhosamente.
—Conversar.
Aproximei dele e sentei em seu colo, ele passou as mãos em minhas pernas, subindo e descendo por minha coxa.
—Quero sair para dançar hoje à noite e comprei umas roupas para você. —Avisei tranquila. — Vi que você não tem um caban e tem poucas roupas fashion para saídas noturnas. Também comprei uns jeans apertados. Adoro você de calça apertada. — Bajulei e beijei ternamente o seu pescoço. —E estes ternos novos são ferramentas de trabalho. —Apontei para cama indiferente. — Você tem quantos? Cinco? Seis? Comprei mais cinco Armanis lindos. Bege, cinza, risca de giz. Quero que meu namorado seja o assessor mais elegante do Capitólio. —Disse lisonjeira.
—Mas, Bella, você prometeu... — Reclamou desolado e fechou os olhos quando subi com beijos para sua orelha.
—E eu cumpri. Mas o acordo acabou. Não vou mais cumprir. — Decidi confiante e passei a língua atrás de sua orelha, deslizando devagar.
—Mas por quê? — Perguntou indefeso e subiu a mão da coxa para minha nádega.
—Porque não tem mais fundamentos. Não somos mais namoradinhos que você coloca suas regras. Daqui em diante nós vamos unir as nossas vidas, e tudo que é meu, vai ser seu.
—Você está completamente errada. Não chegamos a esse ponto ainda. O que é seu é seu.
—Não discuta, Edward. Além disso, não foram só as roupas que eu comprei. — Peguei uma caixinha de veludo e dei para ele.
—O que é isso? — Abriu lentamente a caixinha e arregalou os olhos, incrédulo, ao ver o conteúdo.
—Feliz aniversário. Agora todos vão saber que você tem dona. — Bati palmas, entusiasmada. Na caixinha tinha um anel igual ao meu. Ele pôs em cima da cama.
—Não adianta conversar com você, né? —Censurou. — Eu te falei várias coisas ontem e você agora faz isso! — Acusou desgostoso.
—Você quer conversar ou discutir? — Perguntei mais uma vez.
—Conversar.
—Por que a Sophia pode te dar um boton de ouro, e eu não posso te dar nada?
—Quem disse que é de ouro? — Balançou a cabeça descrente. Encarei-o séria, mostrando que eu conhecia. —Não importa. Foi presente de aniversário.
—Ah! A amiguinha prestativa sempre pôde te dar presentes de aniversário, e eu não posso! — Desdenhei, saí do seu colo e sentei emburrada na cama, cruzando os braços igual criança teimosa.
—É isso que estava te chateando desde cedo? — Pegou carinhosamente em meu queixo, estudando o meu rosto.
—Isso também, mas o que está me matando é a cínica da gêmea do Ryan. Ela me dá calafrios de raiva.
Ele soltou meu rosto e sorriu alto, jogando a cabeça para trás.
—Adoro ver você com ciuminho. — Deitou-me na cama, me abraçou forte e colocou a cabeça entre meus seios. —Você é uma boba. É como se elas nem existissem pra mim. Só tenho olhos pra você. Esqueceu que eu sou seu pingüim? — Adulou e beijou insistentemente entre os meus seios, distribuindo pequenos arrepios por onde sua boca passava. Eu sorri em ouvi-lo dizer que era meu pingüim.
—Ok, meu pingüim, de qualquer maneira agora você vai andar com um anelzinho indicando que o pingüim tem dona. — Disse possessivamente. Sorrimos, eu tirei o anel da caixinha e coloquei em seu dedo.
—Você gosta de inverter os papéis, né? — Fez uma careta. —Mas fala pra mim, como você fez para saber as medidas dos meus dedos? Deu certinho! — Comentou olhando para os dedos.
—Fio dental no restaurante. — Revelei contente.
Ele parou um tempo olhando em meu rosto, que, com certeza mostrava a minha satisfação, depois relaxou.
—Quer saber, eu não vou mais falar nada. Eu não quero mais ficar me irritando a toa com você, se eu sei que você ganha sempre. Vamos para onde hoje? — Sorriu e mudou na cama, me colocando deitada sobre seu peito.
—Quero sair para dançar. Conhece algum lugar?
—Não. Conheço essa cidade tanto quanto você. — Lamentou.
—Então pegamos um táxi e perguntamos qual o local mais freqüentado.
Vesti um curto preto, tomara-que-caia solto da cintura para baixo. Ele vestiu uma camisa de linha preta, o caban e uma calça preta. Todos da Gucci. Ficou lindo. Pegamos um táxi e fomos para Maryland dançar. O taxista indicou uma boate. O tipo de gente que freqüentava tinha aparência de pessoas abastadas.
De início foi bom, dançamos um pouco, mas percebemos as pessoas alteradas por bebida. O local deixou de ser calmo e ficou perturbador. Edward olhava-me apreensivo e protetor. Fiquei preocupada quando me apalparam e resolvemos ir embora rápido.
De volta ao quarto, tomei banho e vesti uma camisola de alça.
—Acho que não foi uma boa ideia sair. — Deitei e liguei a televisão, enquanto ele tirava a roupa para o banho.
—Prefiro ficar com você o tempo todinho aqui. — Deitou ao meu lado e me beijou no pescoço, carinhosamente.
Mas eu não queria beijos doces. Eu queria sua boca faminta, seu corpo quente. Tinha esperado o dia todo por isso! Cobri sua boca e o beijei com avidez, inserindo a língua em sua boca.
—Espere um pouco. Deixe-me tomar banho. — Pediu e continuou correspondendo delicadamente.
—Não precisa. — Subi em cima dele. Ele correspondeu um momento, depois parou.
—Bella, só um pouquinho... Estávamos na rua, dançamos, e eu estou suado. —Justificou desajeitado.
—Edward, estou começando a acreditar no Jasper. — Comentei maldosa.
—O quê?
—Que você não gosta... — Interrompi sugestivamente, divertida.
Ele ficou sério, sentou-se e me colocou em seu colo, montada.
—É lógico que eu gosto. Até demais. Porém quero que seja bom sempre, então acho melhor esperar. E eu gosto de estar limpo. Sou assim.
—Você é um maníaco por ordem e limpeza. — Sorri e deitei na cama.
Ele beijou meu rosto e afastou-se.
—Espera só um pouco. Garanto que não vai se arrepender.
Ele entrou para o banho, e eu fiquei esperando. Meu namorado é cheio de manias, uma delas é tomar muito banho, além de parecer levar o sexo como um ritual a ser seguido, onde há horas para tudo.
Certamente eu mudo isso nele também!
Ele saiu do banho e sorriu, vindo deitar comigo. Acariciou as minhas coxas por cima da seda lentamente, com a ponta dos dedos, enquanto olhava apaixonado meu rosto. Depois começou a beijar meu ombro, tudo muito calmo, e eu queria que ele apressasse. Ele percebia a minha impaciência e sorria, continuando a me beijar leve no pescoço, ombros, colo. Eu já me sentia torturada, e ele tirou a camisola, sem tirar os olhos de mim, acariciando meu corpo.
—Por que você enrola? — Perguntei por entre arfadas, quando ele mordiscava as laterais da minha cintura.
—Porque eu quero apreciar... — Sussurrou com a voz rouca. —... Porque eu quero te decorar em minha mente... — Ele beijou minha barriga lentamente, passeando com os lábios e a língua em volta do umbigo. Eu me contorci. Tudo me incendiava e trazia ansiedade. Ele alcançou os meus seios e beijou, passando a pontinha da língua. Tinha um monstro faminto por prazer perpetuando-se no meu ventre, e eu já queria protestar por suas sucções ávidas. —... Porque temos mais dois dias ainda... — Sugou meus seios, abrindo bem a boca, e eu me vi enlouquecer, como se não fosse ontem que tivemos uma noite de amor. Eu o queria sempre, insaciavelmente. —Porque eu quero ver isso sempre... —Acariciou minha pélvis, por dentro da calcinha. — Quero que seja bom pra você sempre. — Sorriu convencido ao conferir minha intimidade receptiva. Continuou cultuando ao meu corpo com os seus lábios, lentamente, e levou-me delírio.
Finalmente fizemos amor, ele dominando-me, regulando. Aqui era o local onde ele se sentia seguro, certo do que queria, nos dando prazer e envolvendo-nos de amor e completude, acalmando assim, a ansiedade do meu corpo que só se completava quando nos tornávamos um.
Meu amante dedicado, paciente, destro. Mais cauteloso e experiente que eu pensei que ele fosse capaz. Um poeta na cama, interessado em me proporcionar a mais singela alegria do prazer.
Passamos o restante dos dias trancados no hotel. Não fomos à festa de despedida na casa do Ryan. Queríamos mesmo era ficar só, testando a química inexplicável do nosso corpo. Foram dois dias de extrema satisfação e felicidade.
—Quando você vai me ver? — Perguntei abraçada a ele no aeroporto, esperando o meu vôo aparecer no painel.
—Bom, dia quinze de dezembro o parlamento entra em recesso coletivo, aí eu vou poder ir. — Ele acariciou meu rosto e beijou-me com a dor da despedida no semblante. —Mas eu pretendo ir ver Esme antes. Talvez eu vá te ver mais perto do Natal.
—Posso ir ver Esme também? — Perguntei entusiasmada. Eu queria aproveitá-lo em suas férias o máximo de tempo possível.
—Faz melhor. —Ponderou pensativo. — Eu vou direto para sua casa e de lá resolvemos o que fazer.
—Tudo bem. Vai ficar na minha casa, né?
—Sinceramente eu preferia que ficássemos no hotel. — Comentou reflexivo. Notei que ele não queria me ofender. Talvez estivesse preocupado com a nossa nova intimidade.
—Ah... Lá é o meu cantinho. Eu queria você lá. — Comentei manhosamente, e o meu vôo apareceu no painel.
—Tudo bem. Eu já disse que não vou mais ir contra suas vontades. Então, no máximo, em seis dias estarei lá. — Fechou o corpo sobre mim e me beijou ternamente. —Obrigado por ter vindo. — Sussurrou em meu ouvido.
—Ow, não há de que... Valeu à pena. — Sorri insinuante e o apertei no abraço.
Tirei o tempo de viagem para pensar em que rumo tomar na minha vida. Será que valeria a pena deixar o meu pai em Washington e vir morar com ele? Mas ele iria terminar a faculdade em um ano, e a minha faculdade terminaria em três anos. Se ele precisasse ir embora da Capital, eu teria que ficar só. Talvez não valesse a pena mudar a minha vida assim por causa dele. Depois ele teria os caminhos a seguir e talvez eu passasse a ser uma preocupação a mais.
Ir para Califórnia talvez fosse o melhor caminho, afinal, ele poderia ir me ver uma vez por semana, e lá eu teria Emmett. Boa idéia.
Narrado por Edward
No último dia de votação do Plano Orçamentário Anual no congresso, passava-se das sete horas e o senador não tinha voltado ainda da sessão legislativa. Ele queria conversar comigo antes do recesso parlamentar, então eu precisava aguardá-lo antes de ir embora.
—Sabe se o Jonathan ainda vai demorar? — Uma senhora muito elegante entrou na minha sala e perguntou.
—Acredito que não. A senhora pode aguardar lá dentro. —Ofereci educado.
Abri a porta do gabinete, liguei a televisão, e ela ficou sentada no sofá. Saí e deixei a porta encostada. Minutos depois o senador chegou agitado e pediu que eu entrasse na sala dele em poucos instantes. Dei um tempo pra que ele conversasse com sua visita, depois abri a porta. Cheguei a tempo de flagrá-lo aos beijos com a senhora que não era a sua esposa.
Fechei a porta e saí, desapontado. Nunca fui um iludido que a vida de parlamentares fosse modelo, todavia ele era casado e tinha tudo para ser fiel e feliz. Não era compreensível esse caso extraconjugal.
Acredito, sinceramente, comigo ser diferente. Espero continuar tendo amor pela minha família e não deixar com que nada corrompa meus princípios.
Aguardei mais um tempo e bati na porta.
—Entre.
—Senador, o senhor queria falar comigo? — Aguardei em pé, impassível, próximo a sua mesa.
—Sim. Quero que vá passar uns dias lá em minha casa, na Califórnia.
Levei uns minutos pensando em uma resposta.
—Por quê?
—Porque precisamos conversar, montar estratégias.
A compreensão da proposta ainda me era um ponto distante, todavia abracei a oportunidade de crescer.
—Tudo bem. Mas eu vou ficar poucos dias. Além disso, vou estar com a minha namorada, então devo ficar no apartamento da família dela.
Ele assentiu com aparente desgosto. —Tudo bem. Ligue quando resolver ir.
—Até mais. Bom recesso, senador. — Saí da sala, deixando-o com a mulher.
Essa ideia de perder o meu recesso indo à Califórnia não me agradou por completo, pois tomaria dias com Bella. Pior ainda por não ter certeza ainda sobre levá-la a Phoenix. Talvez fosse melhor eu ir ver minha mãe sozinho. A despeito disso, não devia continuar escondendo segredos de Bella, não com algo que supostamente a deixará chateada.
Cheguei ao meu dormitório na universidade e arrumei as minhas malas. Como no dia seguinte eu iria para Seattle em um vôo cedo, deveria deixar tudo pronto.
O telefone vibrou, e eu atendi.
—Edward, é Jasper. Tudo bem?
—Sim. Como vai? — Perguntei desconfiado.
—De boa.
—Por que ligou? Amanhã cedo eu estou aí.
—Quero adiantar logo para você ir pensando. Quero te propor um negócio...
Sorri. Ver meu irmão falando sério era algo inusitado. —E qual é o negócio?
—Bom, eu te disse que eu fiz um joguinho e que ele estava hospedado em um site, né? Pois é, agora arrumei um inimigo virtual, ele está querendo roubar a minha ideia. Por isso eu tenho que registrar.
—Mas onde eu entro nisso? — Perguntei desentendido.
—Na verdade, mano, eu poderia oferecer isso para Emmett ou para Bella, que com certeza eles entrariam de cara, pois é um negócio bom. Se hospedando em um site boqueta, eu já ganho mais de oitocentos conto mensal, quando uma empresa grande comprar a ideia, eu vou puxar dinheiro a rodo.
—Tudo bem, Jasper, mas onde eu entro nessa? —Questionei impaciente, terminando de fechar minha mala.
—Bom, a pessoa que registrar tem que ser maior de idade. Além disso, eu preciso de uma grana de investimento, e eu sei que você tem.
—E quanto seria?
—Eu já tenho seis mil guardados. Preciso de quatro vezes isso.
—Pra quê? Por que é tão caro?
—Eu quero aproveitar e registrar mais dois jogos que eu fiz e também comprar uns equipamentos. Depois vou ter que fazer marketing. Eu sei que dá retorno. Sou bom. — Defendeu convicto.
Parei um tempo pensando na ideia. Talvez não fosse um mau investimento.
—Amanhã eu chego aí e conversamos. Mas antes vou ligar para a minha mãe e ver o que ela acha.
—Tudo bem. Ah, já largou de ser bicha? Cara, Bella chegou de viagem quase sem conseguir andar! — Sorriu descarado.
—Tchau, Jasper.
...
No dia seguinte, cheguei sem aviso prévio à residência dos Cullen. Não informei a Bella o horário que chegaria, e ela não estava em casa. Foi passar o dia na empresa. Deixei as minhas malas no quarto da Bella, acertei detalhes do negócio com Jasper, depois pedi que o garoto me levasse à Cullen em seu carro. Durante o trajeto, ele se portou como uma criança exibindo o seu brinquedo favorito.
Chegando ao prédio da Cullen, encontrei-a na sala do pai, sentada, de saia, sobre a mesa, vendo algo com ele no computador. Bati na porta antes de entrar.
—Oi! — Ela cumprimentou-me animada e pulou com o braço em volta do meu pescoço. —Eu esperava o seu telefonema para ir te buscar no aeroporto. Por que não me ligou?
—Porque eu preferi pegar um táxi. —Beijei-a na testa.
—Veio de quê aqui para empresa?
—Jasper me trouxe. — Peguei em sua mão e me aproximei da mesa para falar com o seu pai. —Tudo bem, Sr. Cullen? — Estendi uma mão.
—Tudo. Vai passar quantos dias por aqui?
—Uns cinco, talvez.
O semblante de Bella mudou no instante em que respondi. Eu gostaria de saber o que se passava por sua cabeça. Não era certo ficar mais tempo que isso incomodando na casa de alguém.
—Então amanhã vamos sair para tomar aquela cerveja. — Ele propôs com bom humor.
—Tudo bem. — Concordei com um sorriso tímido.
Bella nos olhou aparentemente surpresa e seu humor voltou.
—Vamos almoçar? —Propôs sorridente.
—Vamos. Vai agora, Sr. Cullen? —Convidei educado
Ele olhou em nossa direção por uns minutos, pensativo.
—Não. Mais tarde eu vou.
—Então até mais.
Peguei na mão dela e saímos da sala do Cullen. Passei na mesa do Brandon, o cumprimentei e desci e desci com Bella. O carro estava estacionado no subsolo do prédio.
—Vamos almoçar lá em casa. — Ela informou.
—Por quê? —Perguntei relutante. — Podemos almoçar em algum restaurante na rua. Assim ficamos um tempinho só nós dois. —Propus matreiro.
—Não. Eu quero almoçar e me trancar no quarto. — Disse sugestiva.
Sorri e afastei-a para olhar em seu rosto. Tinha um olhar mal intencionado.
—Podemos almoçar lá. Mas vamos almoçar e depois ir ao parque passar a tarde deitados naquela grama. — Impus tranquilo.
Ela pôs a mão na cintura e arqueou a sobrancelha.
—Por que você faz isso? — Inquiriu, já perto do carro, no canto do estacionamento. —Por que fica retardando as coisas? — Quis saber irritada, o que me divertiu.
—Porque eu quero levar a vida como namorados normais. Nada de deixar a nossa vida girar em torno disso. — Esclareci.
—Eu estou com saudade de você. Parece até que você não gosta. — Cruzou os braços e fez um bico.
Divertido, ergui-a sobre o capô do carro e comecei a subi as mãos em suas pernas, lentamente, olhando em seus olhos.
—Já disse que eu adoro. — Inclinei e mordisquei sua orelha — Por mim, eu possuía você em qualquer lugar. — Subi a mão para sua coxa e me aconcheguei entre suas pernas. —Você não sabe como meu cérebro é fértil, não me conhece. Só de ver você de saia em cima da mesa do escritório, fiquei tenso de saudade. — Elucidei e beijei seu queixo, garganta. Minha excitação avolumou-se, e Bella apertou a perna em meu quadril, roçando o corpo no meu.
—Eu quero conhecer... — Arfou quando toquei em sua peça íntima e a acariciei sobre o pano.
—Ansiosa você...
Direcionei a boca para seus lábios e a beijei-a avidamente, explorando sua boca com a língua, ao tempo que a apertava a mim pelo quadril e a acariciava no baixo ventre por baixo da saia. Ela enrolou as pernas em meu quadril, levando-me a loucura, sem soltar-me dos beijos quentes, molhados.
Ela arfou e acariciou meu cabelo.
—Quero você aqui. — Exigiu, beijou a minha orelha e desceu a mão para' acariciar-me por fora da calça, com presunção e malícia.
—Bella, aqui é o estacionamento da empresa do seu pai. — Alertei faminto, mas incerto.
Ela desceu repentinamente do capô e entrou no carro. Vi-a desentendido inclinar os bancos e ligar o ar condicionado.
—Entra e deita. — Ordenou. Senti uma pontada em todos os músculos inferiores e obedeci inadvertidamente submisso. Ela sentou atravessada entre os dois bancos, abriu os botões da minha camisa azul e subiu dramaticamente os lábios em meu pescoço. Fechei os olhos. Ela mordiscou meu maxilar, acariciou meu peito, e todos os pelos do meu corpo arrepiaram. Desabotoei dois botões de sua camisa e acariciei sua barriga, ansioso.
—Não quero um namorado anjinho toda hora. — Sussurrou em meu ouvido e mordeu o lóbulo. Um arrepio me atravessou, enchendo-me de lascívia.
Se ela soubesse o quanto eu não quero ser 'anjinho', o quanto tenho luxúria em meus olhos em tão somente vê-la. Tenho sempre que lutar com o meu cérebro desvirtuado para não usá-la sempre em busca do meu próprio e egoísta prazer.
Sua língua rodeou em minha orelha, a sensatez evaporou-se, eu não suportei mais tanta tentação e puxei-a pelo quadril para meu colo, cada perna para um lado. O desejo inflamou meu corpo, minha mão entrou em seu sutiã e apertei seus seios. Ela gemeu baixinho, encorajando-me.
—Tem certeza que quer isso aqui? —Perguntei sem fôlego antes de invadir seus lábios e sugar sua língua, tocando e exigindo. Ela se contorceu sobre mim, movendo o quadril, o movimento excitando-me mais. Minha mão desceu, entrou em sua peça íntima e tocou sua parte inferior, esfregando-a para conferi-la, bem devagar. Ela estremeceu úmida. Tão receptiva e cálida!
—Aqui. —Confirmou. — Agora. —Sussurrou, e todo meu juízo evaporou. Com pressa insana, abri meu zíper, afastei sua peça íntima para o lado e posicionei-me em sua entrada. Ambos gememos alto quando a penetrei num só golpe, o deslize deixou minha garganta seca e fez meu quadril tremer.
Ela estava enlouquecida de desejo, seus olhos a denunciavam, e a paixão cresceu em mim. Ofegante, ela se moveu lenta, com um sorriso feminino de quem estava satisfeita com minha atitude e me levou as alturas ao subir e descer em minha longitude.
Embora estivéssemos em um carro com vidros extremamente escuros e em frente a uma parede, havia uma emoção desconhecida, quente, a sensação nova de estar exposto; o prazer do proibido aumentando as sensações do meu corpo. Fiz que ela inclinasse para trás, a cabeça apoiada no painel, abri o restante dos botões de sua camisa e beijei vagarosamente seus seios por cima do sutiã.
Abri o fecho, passei a língua na auréola dos seios livres e senti a pressão dos seus músculos internos se contraindo em volta de mim. Hmmm. Desliguei-me do mundo exterior e explorei-a, sugando com o auxílio dos dentes, e ela gemeu quando empurrei o quadril, indo fundo.
Suas mãos apertaram minha nuca incentivando-me, mudei para o outro seio, e ela olhava-me desfocada, ávida. Ambos movemos juntos, uma cadência já conhecida, com minha mão apoiada no seu quadril auxiliando-a no movimento. Cheios de paixão, prolongávamos propositalmente aquele instante extasiante de novidades. Era tão bom estar dentro dela novamente. Eu adorava vê-la assim, em total entrega e confiança, com os cabelos espalhados no painel, os seios em minha boca, a saia enrolada na cintura, dizendo-me com os olhos que era satisfeita comigo, que estávamos um para o outro e que eu não podia lhe dizer não, era um escravo de suas vontades. Adorava o seu jeito de criança fazendo descobertas, de feiticeira encantadora, de dona da situação
Ela moveu-se para os lados circularmente, pressionado e soltando. Eu gemi alto e beijei sua garganta.
—Não aguento mais... — Arfei em seu pescoço, estremecendo. Tudo era tão aconchegante, cálido.
—Espera... — Sussurrou, incorporou sobre o joelho e deixei-a estabelecer um novo ritmo, subindo e descendo. Travei o maxilar, com os olhos rolando na órbita. Desci a mão e adicionei incentivos em seu clitóris. Ela estremeceu e apressou os movimentos, flexionando em minha mão.
Da minha boca saiu sons desconexos de aprovação, senti tudo rodar com o desejo impetuoso. Ela continuou me aterrorizando, parando quando via que eu já não agüentava. Meus dedos provocaram-na, girando. Ouvi um som rouco de dentro de seu peito e minha respiração silvou em seu ouvido. O nosso suor, o cheiro dela, seu hálito, tudo me dava tontura.
Sua boca cobriu a minha beijando-me urgente, molhado, e ela choramingou. Perto. Muito perto. Sua respiração alterou, seu corpo todo tremeu. Empurrei meu quadril para cima e senti o familiar formigamento se espalhando em minha perna. Ela engoliu ar e gemeu longamente, o êxtase do orgasmo envolvendo-a.
—Oh, meu amor. —Lamentou em meu ouvido. Meu corpo assumiu o controle, acelerei os movimentos, mordisquei seu ombro e a segui logo atrás, incentivado por suas contrações internas. Todo meu corpo sacudiu e me derramei dentro de sua profundidade, em êxtase, paixão.
Abracei-a forte, com sua cabeça descansada em meu ombro.
—Foi bom. — Sussurrou relaxada.
—Foi ótimo. — Ressaltei exaurido, esperando a minha respiração acalmar.
—Agora sim, podemos almoçar. — Suspirou preguiçosamente.
—Eu adoro isso que você faz. — Aplaudi-a com um sorriso malicioso e beijei ternamente os seus lábios.
—Fazer você tomar decisões precipitadas? — Sorriu presumida.
—Também. Mas principalmente fazer eu me sentir desejado, necessitado. — Murmurei.
Ela saiu de cima de mim cautelosa, conteve os fluídos com lencinhos de papel, e eu recompus-me, limpando e fechando o zíper. Depois ergui o banco um pouco, e ela sentou-se de lado, em meu colo.
—Eu adorei o que você fez... Eu adoro que você fique louco, que faça coisas inusitadas só para me agradar.
—Eu não queria agradar só você, Bella. —Zombei divertido. — Pense em uma coisa, eu sempre quero você. Todo dia, toda hora. Simplesmente eu tento me controlar. Além disso, eu não quero ser egoísta. Mulher exige mais tempo e dedicação.
—Pra mim foi ótimo. Eu não queria esperar o seu ritual de sexo até de noite. Quero coisas diferentes também.
—Eu também gosto de coisas diferentes... Mas, você não gosta do meu jeito? — Afastei-a para olhar em seus olhos inseguro com minha inexperiência.
—Adoro. Aliás, eu gosto de tudo que você faz.
—Eu prolongo porque gosto de ver você ansiosa por mim. —Justifiquei-me. —Faz eu me sentir...
—Gostoso? — Sorriu astuciosa.
—Experiente, Bella. — Revirei os olhos.
—Ah! Você se acha gostoso! — Acusou sorrindo.
Sorri, presunçoso.
—Você me faz sentir assim. Mas você também é perfeita.
—Sou gostosa? — Provocou.
Peguei seu queixo e trouxe sua boca para meus lábios, beijando-a lentamente.
—Muito.
—Então fala. — Ela desviou os lábios para a minha orelha, persuadindo-me. —Fala.
—Deliciosa. —Brinquei.
—Não, a outra palavra. — Mordiscou.
—Mais tarde. —Prometi malicioso e afastei-a para sentá-la no banco. Ela mudou o semblante como se tivesse sido contrariada. Rendido e sem conseguir negar as suas vontades, toquei o seu rosto e me inclinei para beijá-la.
—Gostosa. Essa pobre palavra não dá significado suficiente para o tanto que você me satisfaz, mas se é a linguagem que mais te agrada, você é muito gostosa. — Sussurrei solene. Ela sorriu satisfeita e abotoou os botões da blusa, alegre e presunçosa.
Narrado por Carlisle
Cheguei do jornal e encontrei com Emmett logo que subi as escadas.
—Pai, o senhor conseguiu a bolsa de psicologia para Rosalie?
—Vou ligar para confirmar ainda. Mas é quase certo. O reitor daquela universidade às vezes me pede uns favores e está em dívida comigo, então devo conseguir. Mas por que a pressa? — Entramos no meu escritório de casa e sentamos.
—Porque eu já quero ter certeza. Pretendo casar com ela antes de ela entrar em alguma universidade. Assim ela pode morar comigo na Califórnia.— Explicou ansioso.
—Filho, você quer mesmo casar com ela? — Levantei as sobrancelhas, curioso.
—Sim. Ela é a mulher da minha vida. — Afirmou convicto.
Sorri. Ele já sabia o que queria. Eu, com dezoito anos, também já sabia com quem queria passar o resto da minha vida. Então me restava apoiá-lo.
—Quando pretende pedi-la em casamento?
—No Natal. Vou ver se Esme vem passar o Natal conosco, aí eu peço na ceia.
—Hmmm, boa ideia. — Assenti pensativo. Ter Esme aqui em casa com nossos filhos reunidos nos daria uma chance.
Ele saiu, e eu fiquei pensando sobre como ter uma conversa com Edward sobre sua mãe. Estava decidido que eu iria procurá-la novamente, todavia precisava saber que argumentos usar para trazê-la de volta em definitivo. Podia ser que em um lugar aleatório e descontraído conseguíssemos ter uma conversa tranquila.
Seus filhos me agradam, os três. Edward tem mais caráter e personalidade que muitos homens feitos por aí. E o caçula é tão espontâneo. Foram marcantes todas as palavras que o garoto disse no seu aniversário.
Flashback
—Carl, posso entrar? — Bateu na porta do meu escritório e já foi entrando.
—Entre e sente. — Apontei para a cadeira.
—Eu queria bater um papo com você. — O garoto avisou meio desconcertado.
—Fique à vontade. — Inclinei-me na mesa para dar atenção.
—Eu vim te agradecer pelo presente. Eu não pensei que vocês tivessem tanta consideração assim por mim. Na verdade, eu queria te agradecer por um monte de coisa. Você é um cara muito irado. Então eu te agradeço por tudo que você faz por mim, pelo tanto que você é gente boa, por você pagar o meu tratamento. Nossa, eu não tenho nem palavras. Cara... Eu não tenho pai, porque eu nem conheci o meu, mas se eu fosse escolher um, eu escolheria um velho como você. —Disparou emocionado.
Suas apalavras me tocaram. Eu admirei sua sinceridade e espontaneidade
—Obrigado pela consideração, Jasper. Saiba que eu também gosto de você. Você faz parte da minha família agora. — Levantei e estendi meus braços para abraçá-lo.
—Ih, Tio Patinhas, abraço não. Eu sou é homem. — Resmungou e estendeu a mão para apertar a minha. Sem que ele pudesse prever, puxei suas mãos e o abracei contra a sua vontade.
—Para de ser bobo, garoto. Homens também abraçam, homens também choram. Isso não vai diminuir a sua masculinidade não. Além disso, é seu aniversário, encare como um parabéns. — Ele sorriu sem graça e se afastou rápido.
—Valeu, Carl, por conversar comigo.
Ele saiu e eu não pude evitar desejar que esse garoto formidável, que distribuía alegria em minha casa, fosse meu filho.
Fim do flashback
Narrado por Edward
No dia seguinte, logo que amanheceu fui com Bella a um cartório fazer uma procuração para que ela resolvesse questões dos registros de jogos do Jasper. Também conversei com Emmett sobre os jogos, e ele disse que havia grandes chances de acerto. Logo, não vi porque não acreditar.
O restante do dia passamos assistindo TV na sala de baixo na companhia dos nossos irmãos. Observei Alice e Jasper. Eles jogaram grande parte do tempo. Não havia manifestação pública de carícias. Pelo que Bella disse-me, seu pai não tinha consciência do envolvimento dos dois, então os dois se portavam na maioria do tempo como bons amigos adolescentes. Alice voltou a me tratar bem depois que eu trouxe uma boneca personalizada com seu corte de cabelo e nome gravado no pingente. Desde que me separei de Bella no aniversário de Alice, ela me tratava com frieza.
Marquei de sair com o Sr. Cullen às oito horas. Bella parecia preocupada com a nossa saída, mas tranqüilizei-a dizendo que iríamos alargar os laços de amizade entre nós.
A chopperia na beira do lago era um local tranquilo e aconchegante, onde diversos executivos ocupavam as mesas com suas gravatas afrouxadas. O senhor Cullen cumprimentou diversas personalidade antes de nos acomodarmos no balcão do bar, num canto isolado que nos desse privacidade. Pedimos as bebidas e conversamos sobre o meu futuro como assessor do senador, sobre as escolhas futuras de Bella - que não sabíamos ainda que rumo tomou -, sobre o tratamento médico de Jasper e seu carro novo. A conversa fluiu tranquila, e eu tomei meu quarto copo de chopp.
—Por que você achou que Bella estava grávida? — Perguntou relaxado.
—Ah, foi um mal entendido. —Esquivei-me embaraçado. —O senhor não vai querer saber. — Comentei divertido. Ele sorriu.
—Quando vai me chamar de Carlisle, Edward? Somos uma família agora. —Cobrou e bateu amistosamente em meu ombro.
—Tudo bem, Carlisle. Se é assim que o senhor quer. — Sorri e entornei mais um gole.
—O que vai ser do futuro de vocês? Você pretende levar Bella daqui quando virar político? — Questionou reflexivo.
—Eu não pensei nisso ainda. — Fugi do assunto. Não queria me deixar abater pensando no meu futuro.
Ele parecia meio ébrio.
—No que você precisar de mim, filho, eu te ajudo. Só não quero que leve a minha filha de mim. Eles são tudo que tenho. — Pediu vulnerável. E eu não podia prometer nada. Não enquanto eu não soubesse o futuro que me esperava. Tudo podia tomar tantos rumos diferentes...
—Como está a sua mãe? — Questionou. Enfim, chegou ao ponto que parecia o crucial desta noite. Eu o admirava por ele não ter colocado outra mulher em sua vida e ter se dedicado exclusivamente aos filhos.
—Ela está bem.
—Como você sabia de todas aquelas coisas que me disse? — Questionou direto.
—Ela sempre me contou desde que eu tinha doze anos. — Revelei simplesmente.
—Do que você sabe exatamente? — Ele ergueu as sobrancelhas em expectativa.
—Que vocês saíram por anos, até o momento em que eu comecei a me envolver com Bella. — Disse espontâneo. Ele fez careta com a lembrança.
—Ela falava de sentimentos? — Ele bebia goles grandes de chopp, tenso.
—Da parte dela, sim. Ela sempre foi apaixonada por você, Carlisle. Até hoje é. — Esclareci incisivo. Eu queria proporcionar-lhe esperança de resolver esse impasse.
—Você acha que ela ainda é apaixonada por mim? Você acha que eu tenho chance? — Ele abraçou o meu ombro, já embriagado. Provavelmente amanhã ele não se lembrasse de metade do que eu falasse hoje, então eu podia revelar mil segredos que de nada adiantaria.
—Sim. Tenho mais que certeza disso. — Disse tranquilo.
—E por que ela me deixou? — Perguntou magoado.
—Só ela pode responder.
—Pois amanhã eu vou lá buscar ela pra mim. — Prometeu com a voz arrastada, pendurado em meu ombro. —Vou te contar a história da minha vida com sua mãe. Eu amei aquela mulher desde que a vi...
Relatou desde o fato de conseguir a bolsa de Jornalismo na Califórnia até a oferta de emprego. Disse que mandou dinheiro regularmente por minha avó ao saber que minha mãe estava desempregada. E ouvir seu lado na história me quebrou, deixou-me triste, impotente. Ele continuou:
—Por último, eu pensei que íamos ficar juntos de verdade, e ela me abandonou... Eu não sei mais o que fazer... — Ele encostou a cabeça no balcão, desamparado.
Eu queria fazer algo por ele como se a dor fosse minha. Fazer algo por esse amor incondicional tão prejudicado por um erro, por uma noite...
—Vá atrás dela, Carlisle. — encorajei-o incisivo.
—Não tenho forças...
—Vamos comigo. — Propus fervoroso.
A situação poderia ficar crítica no encontro dos dois, mas eu não podia vê-los sofrendo e permitir.
—Eu sou tão louco pela sua mãe, Edward, que dei o restaurante para a sua avó para fazê-la mudar de Forks. Assim a casa de Forks ficaria para Esme... Eu não sou bom com palavras de afeto, Edward. —Lamentou desolado. —Eu tento com gestos declarar o que sinto.
—O restaurante da minha avó foi você quem deu? — Ofeguei pasmo com a descoberta.
—Sim! E mandei um decorador por minha conta. — Sorriu um sorriso bêbado e orgulhoso. —E por último, quando eu vi que perdi a sua mãe e que ela estava indo embora de Forks, sabe o que eu fiz para conservar pelo menos as lembranças da nossa juventude? — Ele sorriu conspirador, mas com tristeza nos olhos.
—Não.
—Comprei a casa de vocês em Forks e estou construindo outra casa lá... Pensei que talvez um dia eu pudesse presenteá-la para algum de nossos filhos... — Ele entrou em outro estágio ébrio, começou a chorar. —... Sabe, Edward, eu queria que todos vocês fossem meus filhos. Eu te odiei desde o dia que você nasceu. Nunca quis nem olhar em seu rosto. Mas hoje eu admiro você. Você me desculpa? —Pediu choroso.
Prendi o ar ao ouvi-lo confessar. Sua sinceridade me comoveu mais. Tanta informação fez meu coração acelerar, ao mesmo tempo em que me uniu mais a ele.
—Carlisle, se você acordar e ainda se lembrar desta noite, iremos juntos a Phoenix. —Prometi emocionado. — Não há mais o que adiar. Tem muitas surpresas que você vai encontrar, mas nada que um sentimento de tantos anos não supere. — Pus o braço dele sobre meu ombro, paguei a conta e saímos do bar.
Abri a porta do carro, coloquei-o sentado no banco do passageiro e me dirigi compenetrado até a residência dos Cullen. Bella me esperava na sala com olhar aflito, pois se passavam de uma da manhã. Ao ver-me com o braço dele no meu ombro, ajudou-me a subir as escadas.
—Ele precisa de um banho frio. — Avisei ao chegarmos à porta do quarto dele.
—Emmett viajou. Não tem quem faça isso. —Bella ressaltou.
Jasper apareceu na porta do quarto, flagrando-nos, e sorriu da cena.
—Jasper, me ajuda a dar um banho nele. — Pedi sério.
—Ajudo, mas amanhã vou passar um sermão no Carl. Como um homem dessa idade enche o c... Caneco de cana desse jeito!? — Repreendeu zombeteiro e se posicionou a ajudar.
Ele encheu a banheira, e em todo o tempo divertia-se com o pai, que estava completamente fora de si.
—Véi é foda. Não sabe beber... Vai mais uma pinga ae, Carl?... Quero só ver como você vai ficar amanhã... Eita ressaca braba! — Riu e molhou o pai com a mangueirinha. —Edward, a Bella chicletinho deixou você ir de boa? Geralmente quando você vem vê-la ela não sai do seu pé. Milagre esse! —Falou sozinho. — Acredita que ela ficou andando de um lado para o outro que nem um zumbi pela casa... Fala ae, tinha muitas gatinhas por lá?... Até que Carl é um véi pinta. Não sei por que ele não arruma umas mina pra ele afogar o...
—Dá um tempo, Jasper!— Interrompi antes que ele completasse.
—Ta estressadinho é? Sua namorada está de bandeira vermelha pra você ficar assim?
Eu já contava até mil para agüentar os disparates do garoto.
—Deixa Alice ouvir você falar em gatinhas. — Arreliei.
—Nós temos um relacionamento aberto. — Sorriu libertino.
—Vou perguntar para ela isso. — Ameacei sem sorrir.
—É doido, cara! A baixinha é brava. Eu ando de rédeas curtas.
—Gosta dela? — Perguntei com neutralidade.
Ele demorou a responder e ficou sério. Eu levantei o olhar para saber se ele ainda ia responder.
—Não zoa de mim, mas eu sou ligadão nela. Xonado mesmo. — Torceu o lábio.
Sorri para não mostrar o choque da declaração. Ainda que fechássemos os olhos para não enxergar este problema tão sério, ele estava aqui. E não era algo que pudéssemos ignorar.
Terminamos o banho do Cullen e o colocamos na cama. Eu estava comovido de pesar por ele, sentia-me sugado de frustração. Fui para o quarto de Bella, que me esperava com o rosto ansioso, tomei banho e deitei.
—Como foi a noite? —Perguntou curiosa, mas também aflita.
—Foi ótima.
Ela fitou o meu rosto, percebendo o quão introspectivo eu estava.
—Vai me falar o que aconteceu? —Pressionou.
—Por hoje não. — Puxei-a para o meu peito e beijei seu cabelo.
O álcool ainda flutuava em meu sangue, deixando-me relaxado. O sono já me invadia, mas a conversa da noite rodeava minha mente, assolando-me. Depois de um tempo de silêncio, levantei o seu rosto sonolento para olhar em seus olhos.
—Bella, eu te amo... Promete não me deixar jamais? Não me trair? Promete sempre falar o que você pensa? Não deixar nada nos separar? — Implorei. Toda a história deles me abatia, trazendo dor, melancolia.
—Sim, eu prometo. Por que você está deprimindo?
Encostei nossas testas.
—Olha, eu vou te amar para sempre. Hoje eu tive mais que certeza disso, que o amor que sinto é do tipo que só acontece uma vez. Como um raio num ponto. E quando nos deparamos com esse amor, o sentimento nos acompanha independente das decisões erradas que tomemos na vida... Então, por favor, não me deixe tomar decisões erradas. Meu amor por você é grande demais para morrer. — Supliquei aflito e beijei sua testa e pálpebras repetidas vezes.
—Não vou deixar o nosso amor morrer. Fique calmo. — Beijou ternamente o meu peito e abraçou-me forte. Respirei fundo, apaziguado. O sono se apossou de mim, abracei-a e dormimos envolvidos de cumplicidade.
Acordei com a claridade do sol no quarto. Beijei suas costas e levantei para um banho, satisfeito pela benção de tê-la. Eu me sentia leve, sem o peso nos ombros ao ter perdoado completamente as armadilhas do passado.
No íntimo, no mais oculto da alma, perdoei minha mãe por ter sido tão insensata e em uma única noite ter estragado sua vida, concebendo-me num ato de traição ao seu coração. Perdoei o Cullen por ter permitido acontecer. Agora intencionava somente facilitar o conserto. Sonhava verdadeiramente com a nossa família unida e feliz, onde pudéssemos desfrutar de reais momentos de união e paz.
Voltei ao quarto, arrumei-me, depois acordei Bella com beijos no tornozelo. Ela resmungou preguiçosa. Mimei-a com carícias nos pés, ela sorriu e, depois de levantar para arrumar-se, sentou-se em meu colo e beijou carinhosamente o meu rosto.
—Estou amando essa amizade sua com meu pai. Obrigada por isso.
—Não é só por você. Eu já disse que gosto dele. —Garanti, depois descemos para o lanche matinal. Encontramos seu pai logo ao pé da escada.
—Bom dia. — Sorri amigável.
—Bom dia, Edward. —Disse sem jeito.
Bella lhe deu um beijo no rosto. —Não vai trabalhar hoje não, pai? — Ele estava de roupão e com aparência de ressaca.
—Não. Vou dar uma passada no escritório de Forks e depois vou visitar uns amigos. —Virou-se para mim. — Vamos comigo, Edward? Precisamos conversar. Amanhã vamos viajar. — Enfatizou enigmático, um sinal que se lembrava de toda a conversa e estava disposto a prosseguir com a afinidade que conquistamos.
—Ai, ai, agora virou o clube do Bolinha, é? — Bella o abraçou manhosa. —Pelo jeito quer me excluir hoje de novo, né, pai? —Cobrou melodramática.
Sorrimos todos.
—Não iremos demorar, Bella. — Seu pai tranqüilizou-a.
—Sai do pé, grude! — Jasper manifestou-se brincalhão do sofá. Bella revirou os olhos.
—Eu vou, Carlisle. —Concordei. — Que horas pretende sair?
Bella olhou-me sorrindo, apaixonada e abraçou forte a minha cintura. Eu não entendi o motivo do entusiasmo inicialmente, só depois me dei conta que tratei seu pai pelo nome.
Continua...
Olá, Leitores,
Esperam que tenham apreciado. Grande Beijo. Bia Braz.
