Capítulo Conceitos formados
Edward
Após o lanche matinal naquela manhã de sábado, peguei na mão de Bella e direcionamo-nos à garagem da frente. Bella tinha um sorriso radiante no rosto que contaminava e enchia minha manhã. Encostamo-nos a um dos quatro carros na garagem, a Navigator que era da minha mãe, envolvi minhas mãos na cintura de Bella e enchemo-nos de carinhos enquanto Carlisle aprontava-se.
—Saia com Alice e Jasper. — Propus. —Seu pai disse que voltaremos logo. — Expliquei. A ideia de sair com ele me animava, mas eu sentia pesar por privar-me de Bella.
—Pode deixar. Vou ficar bem. —Tranquilizou-me. — Os dois homens da minha vida estão se entendendo, e estou muito feliz. Vou sair e depois vou visitar o bebê de Jéssica, na casa do Mike. — Ela abraçou-me apertado.
Ao chegar à garagem, Carlisle andou até um carro coberto e tirou a lona. Abri mais os olhos, admirado. Bella sorriu maliciosa, enlaçou meus cabelos com seus dedos e sussurrou em meu ouvido. —Não sabia que você gostava tanto assim de carro. Tô até com ciúmes. — Sorriu, divertida.
Aproximei-me do carro, ainda segurando na mão dela, e explorei fascinado os detalhes do automóvel. Um Bugatti Veiron azul com prata, com portas incomuns que abriam verticalmente. Impressionante. Posicionei-me frente à porta do passageiro, Carlisle estendeu a chave em minha direção e sorriu. Pisquei confuso, balançando levemente a cabeça em negativa. Ele insistiu.
—Dirija para mim. Estou meio cansado. — Pediu desanimado. Bella apertou minha mão, incentivando-me.
—Tudo bem. — Concordei hesitante, e ele entrou.
—Até mais. — Dei um selinho de despedida, e Bella saiu graciosamente, sorrindo.
Nunca fui de ficar deslumbrado com os bens que eles possuíam. Tinha consciência que meu mundo era um, o deles outro. No entanto isso não tirava o prazer de experimentar. Engoli em seco e sentei no banco do motorista. Ajustei retrovisores, apertei um botão e o motor ligou.
Olhei Carlisle um pouco tenso, e ele sorriu encorajador. Saí vagarosamente, testando. O motor era potente, o ronco alto. Bella nos observou sorrindo, de braços cruzados encostada ao portão. Fiz sinal despedindo-me, e perdi-a de vista quando dobramos a esquina.
— Chegou tem dois meses. — Carlisle explicou. —Só saí uma vez nele.
—Ele é... Muito bonito. — Procurei palavras e explorei disfarçadamente o interior, impressionado com o painel artesanal.
—Encomendei na Alemanha personalizado. — Apontou o nome Cullen bordado em vermelho no couro do volante. —Tinha que vir com alguns mimos para fazer valer os dois mais seis zeros de euros que eu paguei. — Explicou naturalmente.
Durante a viagem, conversamos assuntos diversos, com demasiada camaradagem. Economia e política fora os principais temas. Vez ou outra ele me estimulava a acelerar, porém eu me continha. Em Forks, ele instruiu-me a ir direto ao escritório. Eu fiz.
—Como vai, Edward. —Cumprimentou-me Félix, um funcionário antigo do jornal. —Sua mãe está bem?
—Sim. Mora em Phoenix agora.
—Ela pretende voltar? —Especulou.
—Não. — Olhei em dúvida para Carlisle, ele desviou o olhar. —Por enquanto, não. — Assegurei.
Como o assunto entre Carlisle e o novo administrador migrou para temas concernentes à empresa, eu saí da sala para esperá-lo fora. Encostei-me ao carro, na sombra da marquise, e passei a ler um livro que eu sempre tinha a mão, para momentos de ócio.
—E ae, Edward! Tá sumido? — Desviei os olhos do livro e deparei-me com Jacob.
—Como vai? —Cumprimentei-o com um aperto de mão.
—De boa. —Seu olhar ávido caiu sobre o carro, e sorri compreensivo. Ele não era o primeiro habitante curioso. —Você que tá nesse carrão? — Supôs empolgado e andou em volta do carro. Dois amigos seus lhe acompanharam na animada inspeção.
—É do pai da Bella. — Esclareci.
—O que te traz a nossa cidade do interior? — Jake questionou. Paul e Zack aproximaram-se dos vidros para observar internamente.
—Vim trazer o Cullen. —Apontei para o prédio espelhado.
—E esse anel aí? — Observou minha mão. —Resolveu se enforcar?
Balancei a cabeça em negativa. —Mais ou menos... É de compromisso.
—Com Bella Cullen? — Arregalou os olhos, surpreso.
—Ela mesma. — Torci os lábios num sorriso.
Seus dois amigos se aproximaram.
—É cara, tem razão de nunca termos te visto com garotas aqui da cidade. Você olha mais para cima. — Zack comentou e deu tapinhas no meu ombro. — Andando num carrão desses. Namorado da filha de um dos homens mais ricos do país!
Abri a boca cético com sua insinuação, e Jake fez uma careta de desaprovação.
—Não entendi a sua colocação, Zack. — Encarei-o irritado, embora ocultasse o humor.
—Tem que explicar? Seu tiro foi certeiro! Além de namorar uma garota gostosa daquela, ainda vai amarrar o teu burro na sombra! — Ele sorriu zombeteiro.
Se ele não tinha intenção de me provocar, era tarde demais. Respirei fundo e contei até dez, sentindo os meus nervos alterados. Jake alarmou-se e acercou-se de mim ao pressentir a ameaça. Contudo, eu não tinha intenção de entrar em vias de fato. Não podia deixar que sons sem significação influenciassem minhas atitudes.
—Zack, embora você não mereça a minha explicação, está tendo idéias equivocadas a meu respeito. Eu não preciso do dinheiro deles. Trabalho e estudo para isso. Os bens, o nome e o dinheiro deles, são deles. Pouco me importa. Então guarde os comentários insultantes e depreciativos para si. — Deliberei pausado e firme. —Só um aviso: pondere suas palavras ao referir-se à minha namorada. — Encarei-o destemido.
Ele arregalou os olhos, alarmado, e flexionou o tórax, impávido.
—Edward, podemos ir. —Interrompeu Carlisle, que se encontrava agora a metros de nós.
Suspirei resignado e desviei o olhar.
—Até mais, Jacob. — Despedi-me sem calor, Jake assentiu embaraçado.
—Aparece na reserva. — Disse Jake.
—Vou sim. — Acionei o controle para levantar as portas do carro e entrei, tempo em que observei de esguelha seus olhares fascinados para o carro.
—Vamos à casa de um amigo meu. — Carlisle informou quando dei ré.
—Tudo bem. — Concordei sem dissimular meu estado de espírito. Em silêncio, seguimos para o local que ele indicou.
As palavras do Zack ainda ecoavam no ar. Eu não deveria me importar tanto com o que se supõe por aí, mas foi inevitável. Obviamente sua opinião era idéia comum a quem me via com Bella. E pensar que associavam meu namoro ao fato deles serem ricos e influentes me abateu e humilhou. Droga, ele insinuou que sou o caipira dando o golpe do baú nos Cullen!
Apertei os dedos no volante, sentindo a cólera sufocar a garganta. Tudo que temi toda a vida por Esme, voltou-se a mim. Julgam-me pelo poder social de quem me relaciono. E ao ter sido visto dirigindo um carro como este, alimentei mais as especulações.
Chegando à residência do amigo do Sr. Cullen, eu sentei no sofá introvertido enquanto eles conversavam animadamente.
—Eu conheço esse rapaz, Carlisle. —Seu amigo lembrou. —Tem por volta de um ano que o vi na estrada com sua filha. Você se lembra de mim? — Questionou curioso.
—Sim. — Assenti monossílabo.
—Vou servir o almoço. Podem vir para mesa. — A esposa do policial avisou.
—Sr. Cullen, faz favor. — Chamei-o, levantei do sofá e saí para a varanda. —O senhor se importa se eu não almoçar aqui? Quero dar uma volta. — Expliquei. Eu não tinha ânimo para comer e queria dar uma volta a pé.
Ele me analisou sério, depois tocou o meu ombro.
—Filho, não se deixe atingir assim. Eu sei que aquilo te ofendeu, mas releve. Minha família sabe, Bella sabe e, principalmente, você sabe que é muito mais que isso. — Ele deliberou pausado, com calma e paciência reconfortantes.
Suspirando, encostei as duas mãos no portão, de costas para ele, e passei um tempo pensativo. Em que consistia ofender-me assim, se isso não iria mudar minha vida? Eu teria coragem de deixar Bella, como minha mãe fez quando jovem, por causa de preconceitos? Óbvio que não.
Resolvido mentalmente, olhei-o grato por sua predisposição em trazer-me sensatez.
—Obrigado pelas palavras.
—Bem, então vamos almoçar.
O assunto durante o almoço foi relacionado à cidade de Forks. No geral, administração local, faltas, desvios de verbas. Duas da tarde, deixamos a casa de seu amigo.
—Vamos passar na construção. — Carlisle informou. E ficou claro que esse foi o motivo principal de nossa visita a Forks. Durante o trajeto, ele olhava as ruas com olhar saudoso. —Eu adoro essa cidade. — Ele comentou nostálgico.
—Para mim, é o ar mais puro do mundo.
—O Julio é um dos meus poucos amigos que permaneceram em Forks. A maioria deles foram embora estudar por falta de uma universidade aqui e não voltaram mais. — Disse pesaroso.
—Você também foi e não voltou. — Ressaltei.
—É, mas mantive meus vínculos aqui.
—Eu já pensei nisso... —Opinei. —Nessa falta de universidade em Forks. Quem sabe a cidade tivesse uma economia melhor, se não perdesse os jovens para outras cidades para estudar.
—Será que uma universidade aqui seria lucrativa? —Questionou interessado.
Juntei as sobrancelhas ponderando.
—Uma particular talvez não, pois muita gente aqui não tem condições. Mas uma pública ajudaria muito o povoado e reservas.
—Se o governo fizesse parcerias, no caso, com incentivos fiscais para empresários que queiram abrir universidades particulares, ou mesmo com custeio de metade das despesas, ficaria viável abrir uma universidade particular. —Defendeu com visão empresária.
—Já vi alguma coisa sobre isso, mas não sei bem como se procede. Parece que essas bolsas que as universidades oferecem permutam com descontos fiscais.
—Você podia se informar sobre isso. De repente, você encontre algum meio no Senado de trazer benefícios para a sua própria cidade. — Ele incentivou, o que despertou o meu interesse.
—Vou ver. Apesar que, minha vida estará tão corrida no próximo ano que eu nem sei se vou ter tempo para arquitetar projetos fora dos planos do senador.
—Entendo. Falando em correria, eu ultimamente estou cansado dessa vida sem tempo que levo. As quatro empresas e adjacentes tomam muito tempo e dedicação. Meu plano é sossegar um pouco daqui para frente, viajar. O problema é que é difícil encontrar bons administradores. As empresas do Texas e da Califórnia já andam com as próprias pernas, mas as de Washington e a de Oregon precisam da minha supervisão. Estou pensando em preparar alguém para me suceder. Pensei no Brandon quando ele... — Interrompeu-se abruptamente. —Bem, não vem ao caso... Preciso preparar alguém de confiança. Bella é a única filha que se interessa pelas empresas, mas não quero deixá-la com essa responsabilidade nas mãos. Quando ela estiver apta, vai ficar só na parte de investimentos.
A construção a qual Carlisle falou na noite anterior estava em fase de acabamento. Três andares de estrutura moderna, com paredes externas constituídas de vidro e madeira davam um ar imponente. O telhado embutido acompanhava as colunas quadradas em formato de E, com jardins entre as colunas. Nenhuma casa em Forks tinha uma construção tão esplendorosa como aquela
Presunçoso, Carlisle estufou o peito e se aproximou.
—Gosta?
—É óbvio. Ela é... Perfeita. — Apontei em volta perplexo com o bom gosto e detalhes luxuosos. Ao lado da construção estava a minha antiga casa. A sua aparência imóvel evocou nostálgicas lembranças da minha família reunida.
—O que vai fazer com ela? — Questionei curioso.
—Vou pintá-la, trocar o telhado. Uma pequena reforma que não mude sua personalidade. — Explicou, depois apontou para uma árvore ao lado da casa. —Naquela árvore vou fazer uma casa da árvore.
—Por que uma casa na árvore? — Sorri desentendido.
—Para meus netos. Vou deixar esta casa para quando a família se reunir aqui em Forks em fins de semana. Espero que Rosalie me dê netos rápido. — Dispôs sonhador, e eu me permiti imaginar nossas futuras reuniões familiares. Quem sabe, em um futuro longínquo, meus filhos também corressem pelo quintal no qual eu fui criado.
—Vamos embora, Carlisle. — Chamei-o distraído. Só em pensar sobre meu futuro com Bella e saber que tudo ainda ia demorar, a dor da saudade do porvir se instalou em mim.
—Vamos, sim. Essa casa é o nosso segredo, tá, Edward? — Ele pegou em meu ombro e nós nos dirigimos ao carro.
Chegamos a Seattle por volta de cinco da tarde. Bella não estava, mas tinha deixado um bilhete avisando que fora ao cinema do shopping com Jasper e Alice. Arrumei-me apressadamente e resolvi ir encontrá-la.
—Vai sair, Edward? — Carlisle perguntou quando eu descia as escadas.
—Sim, vou ao shopping encontrar Bella. — Passei por ele que estava deitado no sofá.
—Vai de quê?
—De coletivo.
—Por que, se tem quatro carros na garagem? — Ele franziu o cenho.
—Eu não encontrei a chave do carro da Bella lá em cima. Então vou de coletivo e voltamos com Jasper. — Expliquei e me dirigi à porta, apressado.
—Vai na Navigator. Ela não sai da garagem há seis meses. — Ele levantou, pegou a chave em um cofre atrás de um quadro e me entregou. Negar não era uma opção.
—Ok. — Aceitei sem jeito.
Estacionei em frente ao shopping e liguei para Bella. Desci e esperei-a encostado no carro. Alguns minutos depois ela apareceu usando uma calça jeans e uma camisa listrada de manga longa justa.
—Oi, anjinho, senti sua falta. — Disse animadamente, rodeou os braços em volta do meu pescoço e beijou selinhos.
—Eu senti muito a sua falta. — Murmurei carente e beijei-a nas pálpebras, na bochecha.
—Não quis vir no meu carro? — Ela olhou o carro curiosamente.
—Até pensei, mas não achei a chave. — Abri a porta do passageiro, e ela entrou.
—Gostei do carro. — Ela encostou-se várias vezes no banco, testando o conforto. —Vamos lanchar. Depois quero dar umas voltinhas. — Insinuou maliciosa, atravessou-se entre os bancos e distribuiu beijos em meu rosto.
De calça jeans e camisa não tinha porque gostar do carro nem porque dar umas voltinhas. Um lado desvirtuado do meu cérebro reclamou.
—Tudo bem. Mas vamos embora cedo porque amanhã iremos viajar. — Impus e dei partida.
—Nós vamos mesmo para Phoenix? Meu pai vai buscar sua mãe? Você não me disse nada. Me conta vai! — Atropelou em perguntas.
—Eu acredito que sim. Acho que ele vai buscá-la, senão, pelo menos vai esclarecer as coisas. — Comentei apreensivo. Esse assunto me deixava inseguro.
—Estou tão feliz. Está tudo dando certo. — Disse empolgada.
—Espero que dê certo. — Forcei um sorriso no rosto, temendo o que poderia acontecer na viagem a Phoenix. —Foi ver o bebê da Jéssica? — Desviei o tema. —Por que ela está na casa do Mike?
—O bebê estava tendo cólicas. E, como lá em casa ninguém sabia cuidar, a mãe dele pediu que ela fosse ficar uns dias lá. É tão lindo a Jéssica com o bebê! Ela mudou muito. Acredita que ela até chora quando o bebê chora?! Eu pensei que ela fosse ser uma mãe bem voada, mas ela é muito cuidadosa. Aquele bebê vai ser muito bajulado. É o primeiro neto do Sr. Newton, e Mike é filho único, então eles estão babando.
Apertei sua bochecha e me inclinei para beijá-la, depois de estacionar no Mc'Donald.
—Senti sua falta, minha tagarela hiperativa. —Bajulei-a. Ela riu deliciada.
Pedimos fritas, tortinhas de maçã e sentamos nas mesinhas externas. Ela colocou as pernas sobre a minhas, despreocupada.
—Estava com frio hoje? — Perguntei casualmente enquanto mordia a tortinha.
Ela sorriu ao decifrar as entrelinhas.
—Não. Queria uma roupa bem à vontade. Não gostou, né? — Sorriu maldosa.
—Gostei. — Menti.
—Mas prefere saias. — Deduziu com um sorriso cínico.
Eu deixei de responder deliberadamente. Terminamos de lanchar e nos direcionamos ao carro.
—Eu posso dirigir este carro? Eu nunca o dirigi. — Bella pediu, e eu lhe dei a chave.
Ela ajustou o banco, deu partida e saiu. Ela ficava tão sexy dirigindo. Pena não estar de saia.
—Por que está me olhando assim? — Ela quis saber com um risinho malicioso. Sorri e olhei tímido para estrada, disfarçando minha fome contínua por ela. Ela estacionou em frente ao lago da cidade, em um canto isolado embaixo de uma árvore, deitou atravessada e encostou-se ao meu peito.
—Gostei desse carro. Ele é espaçoso, confortável, os vidros são escuros... — Sugeriu maliciosamente, levantou a aba de minha camiseta e passou a mão em minha barriga. Estremeci, em seguida ela se inclinou e substituiu sua mão por seus beijos em meu abdômen.
—Vamos para sua casa. —Convidei-a. Eu não era a favor de ficar exposto na rua com um carro chamativo. Pior ainda com ela atacando-me cedo da noite. —Podemos deitar cedo já que vamos viajar amanhã. — Propus, mas minhas certezas se esvaíram quando ela começou a lamber meu peito.
—Gosto daqui. — Ela desabotoou sua camisa lentamente, olhando em meus olhos, depois desfez da calça. —Sabe, anjinho, adoro te ver assim. —Mordiscou minha orelha.
—Como? — Fechei os olhos, travando uma luta mental entre ficar ali e deixá-la fazer o que queríamos, ou sair dali e ir para um lugar seguro.
—Gosto do seu rosto de pânico... Medo... Preocupação... Indecisão. — Pôs cada perna de um lado do meu quadril, mordiscou meu pescoço, e eu acariciei sua perna, delineando os joelhos. —Você continua demorando a se decidir... — Acusou de um jeito erótico, pegou em meus cabelos e mordeu meu ombro.
A excitação inflamou meu corpo. Sua doce respiração e seu poder feminino alimentaram minha dependência. Deixei-me levar pelo apetite do meu corpo e levei minhas mãos ao seu quadril, apertando-a ao meu.
—Você gosta do errado, né, Bella? — Sussurrei cheio de ânsia.
—Você gosta que eu goste do errado.
Ela cobriu minha boca com seus lábios e beijou-me com desejo, transpirando sedução. Sua língua inquieta buscou a minha. Meu cérebro e meu corpo entravam em contradição.
—Estamos no meio da rua... Vamos para sua casa... — Implorei em sua boca ao tempo que passava os dedos nas laterais de sua peça íntima, já quase rendido. A tentação era maior que o bom senso. Embora fosse cedo, o parque em frente ao lago estava movimentado, ela não tinha intenção de parar. Eu não queria parar. Eu a queria sempre.
Toda a fúria do meu corpo se libertou. Eu precisava de seu corpo no meu. Desci sua camisa pelos ombros, e ela suspirou de ansiedade quando desci com os lábios explorando pescoço, seu ombro. Seu cheiro invadiu meu nariz, sua pele queimava a minha como brasa. A minha menina nunca se retraía, sempre me surpreendia com sua doce estratégia sedutora.
Minha boca se apossou de seus seios, e minhas mãos, por vontade própria, vagavam pelas deliciosas curvas do seu corpo. Uma imensa confusão crescia na paixão que existia entre nós. Dominado, deitei o banco e ela desceu com a boca em meu peito, abdômen, barriga, já trabalhando nos botões da calça.
Meu Deus, onde eu encontrei essa mulher louca que me livrava das faculdades mentais claras?!
Fechei os olhos, permitindo-me sentir as sensações que sua boca incendiária distribuía na parte baixa da barriga. Ela desceu o zíper e sua mão entrou em minha boxer. Rolei os olhos de prazer ao sentir sua boca descer em mim, rolando a língua quente na glande. Abri os olhos deliciado para observá-la e fui surpreendido por uma luz iluminando o carro.
Assustei-me e segurei seu queixo para afastá-la.
—Bella, para! Tem alguém com uma lanterna apontada para cá. — Disse sobressaltado. Ela me soltou, afastou-se e sentou-se no banco, fechando a blusa.
Eu fechei o zíper e observei de onde vinha o foco. Alguém bateu na porta, e eu abri o vidro.
—Saia do carro imediatamente com as mãos na cabeça! — Uma voz ríspida se pronunciou. Congelei num desorientado estupor. —Está surdo, rapaz?
O foco de luz fulgindo não me deixava visualizar seu rosto. A adrenalina em meu corpo foi a mil. Um alerta repetiu no meu cérebro: estava no meio da rua, com a filha de um dos empresários mais ricos da região, dentro de um carro chamativo... Droga, eu a expus. Chamei o perigo. O que iria acontecer? Seria um sequestro? E se fosse um sequestro, o sequestrador saberia de quem se tratava? Ou será que ele só queria o carro? Algo era certo: se fosse um seqüestro, e ela estivesse despida como estava, eles não iriam perder a oportunidade de molestá-la.
—Bella, se vista. — Disse baixo e abri a porta, depois desci com a mão atrás da nuca.
—Encoste-se ao carro e abra as pernas.
Encostei-me e coloquei minha carteira na mão. A seguir, fui revistado.
—Desça moça e traga seus documentos.
Soltei o ar aliviado. Pelo menos ele não pretendia levá-la. Olhei de viés para trás da luz florescente e vi uma pessoa com uma arma direcionada a nós. Maldição. Eu deveria ter ido direto para sua casa. Não podia ter me deixado levar por irresponsabilidades.
—Bella Cullen. — Repetiu seu nome, depois fez um sinal. O foco de luz foi desligado. —Pode abaixar os braços e olhar para mim. — Instruiu, agora educado. Abaixei as mãos e me virei devagar. Para o meu alívio, eram policiais. —Bom, casal, vocês deveriam ir para um lugar próprio. Vocês têm sorte que hoje foi a polícia que abordou vocês, mas poderia ser um delinqüente, sequestrador... — Ele continuou aconselhando, depois entregou a minha identidade em minha mão. —... Se você gosta de sua noiva, não fique expondo ela assim. — Ressaltou. Minha própria consciência repelia meus atos inconsequentes, e cada palavra do policial ecoava redundante.
—Sim, senhor.
—Você sabe que ela é filha de um homem importante, e Seattle já deixou de ser a cidade calma que todos esperavam que fosse... Você não sabe o que esses marginais fazem quando pegam casais por aí... — Estendeu-se em conselhos. Eu não acreditava que passava por isso. —... Vocês estão liberados. Podem ir para casa.
—Sim, senhor.
Bella
Desde que chegamos em casa, ele mal falou uma palavra. Tomou banho, deitou na cama e ligou a TV, ensimesmado. Ele não parecia aborrecido, só atormentado por seu sentimento de culpa. Terminei de me arrumar e deitei com ele. Ele olhava para o teto, distante.
—O que foi, anjinho? — Deitei ao seu lado e passei a mão em seu peito. Ele a conteve gentilmente.
—Precisamos dormir. Amanhã temos que acordar cedo. — Elucidou sem emoção.
Sentei na beira da cama, passei a mão em seu cabelo e sorri carinhosa.
—Por que será que ele pensou que eu era sua noiva? — Questionei só para desviar sua tensão.
—Porque nós dois usamos o mesmo anel na mão direita. — Torceu os lábios como se fosse o óbvio, ainda sem olhar para mim. Bom, se eu consegui fazê-lo falar, agora iria conversar. Seu maior defeito era quando estava chateado, se fechar.
—Vamos direto para Phoenix?
—Não sei ainda.
—Em qual carro será que nós vamos? Eu gostei do carro da sua mãe. Ele é tão espaçoso. —Insinuei maliciosamente. —Dá para fazer coisas que no meu carro estava impossível aquele dia. — Sorri e deitei com a cabeça no abdômen, distribuindo beijinhos.
—Bella, por favor, vamos dormir. Eu quero que esse dia acabe logo. — Disse sério e me puxou para deitar em seu peito.
—Edward, o que há?
—Eu não quero conversar. Me dá um tempinho. — Pediu cauteloso, com súplica na voz.
Decidida, levantei da cama e pus as mãos na cintura.
—Deus, como você é difícil! Releva. Passou. Amanhã a gente tenta de novo!
Eu tinha que empurrá-lo a falar. É saudável que um casal discuta seus pontos. Se nossos maiores problemas até hoje foram falta de diálogo, eu não podia permiti-lo se fechar.
—Amanhã a gente faz de novo?! Ele entrecerrou os olhos, cético, mas logo suspirou. —Olha só, eu não quero conversar. Meu problema não é com você. Amanhã vou estar melhor. Por favor, me entenda. — Pôs o braço sobre os olhos, isolando-se.
Que coisa. Tirava a minha paciência aquela tortura moral a que ele se submetia. Determinada a conversar, tirei seu braço do rosto. Ele encarou-me impaciente.
—Edward, fale agora o que você tem! Se você não conversar comigo, eu vou dormir lá no outro quarto. — Ameacei, só para ter alguma arma.
Ele estudou o meu rosto sério, depois suspirou derrotado e desviou o olhar.
—Eu odeio ser chamado atenção. É algo da minha personalidade. Eu cresci assim. Não consigo me sair bem diante de críticas, nem de sermões. Minha mãe, ou meus professores nunca precisaram chamar a minha atenção, porque eu sempre fiz as coisas certas para que nunca precisasse ser repreendido. Mas quando estou com você, eu me descontrolo e faço coisas erradas... — Salientou transtornado. —Estou esquecendo que sempre vão existir consequências para atos impensados. É como o policial disse: hoje foi um policial, mas poderiam ser bandidos. Como eu iria sobreviver a isso?
—Mas fui eu quem te levou lá. — Lembrei perplexa com suas cobranças.
—Mas você é uma garota.
—Edward, você não é um velho. Tem só vinte anos. Já não basta a vida toda ter se prendido, atraído para si responsabilidades que não eram suas? — Ressaltei e passeei os dedos em seus cabelos.
—Eu decidi ser assim. Ser responsável, disciplinado. Mas você me deixa estabanado. E eu não posso deixar o que tenho entre as pernas mandar na minha parte pensante.
—Aff. — Revirei os olhos. —A cada minuto que passa vejo o quanto você é difícil. O que podemos fazer agora? Passou!
Ele olhou para o teto, chateado.
—Quando eu penso o tanto de coisas erradas que venho fazendo tenho vontade de bater a cabeça na parede.
—O que você tem feito de errado?! —Franzi o cenho, desacreditada.
—Bom, fiz sexo em um carro no estacionamento da empresa do seu pai, expus você hoje ao perigo. —Enumerou contrariado. — É muita irresponsabilidade. Não estou cumprindo com meu papel de adulto.
—Edward, chega. Levanta daí. Nós vamos descer e terminar essa conversa lá embaixo. — Exigi decidida. Ele sentou e olhou-me desorientado. —Rápido. Se vamos dormir cedo, temos pouco tempo.
Fui ao banheiro, armei uma estratégia, coloquei o meu robe e saí do quarto. Contra vontade, ele veio atrás, de short e camiseta. Precisávamos relaxar e conversar como um casal de namorados normais. E nenhum lugar seria melhor que o jardim em frente ao estacionamento lateral.
A lua estava clara, a noite linda, então respirar ar puro deixaria a cabeça dele arejada. Sentei ao seu lado no banco de cimento e coloquei as minhas pernas por cima das dele.
—Edward, você não precisa ser certinho sempre. —Comecei. —A vida não é um manual a ser seguido. Tudo o que aconteceu até hoje conosco foi bom pra nós. Se eu nunca tivesse quebrado as regras indo te ver sem carteira na sua casa, ou ido te ver na capital ano passado, talvez não tivéssemos construído a nossa história. Eu acho incrível como você faz coisas que gosta, depois se arrepende. Pare de se culpar por tudo. Releve. Você fala que poderia acontecer o pior hoje, e se culpa por isso, mas não aconteceu. E se tivesse acontecido, seriam coisas da vida, um acaso. Sinceramente você está fazendo tempestade em copo d'água.
—Estávamos expostos ao perigo, Bella, não seria um acaso. — Teimou. Sua mandíbula tensa não aparentava que ele estivesse cedendo.
—Espera aqui. — Fui à sala e peguei uma chave. Ao voltar, sentei em seu colo de frente e deitei a cabeça em seu ombro. —Meu anjinho, deixe isso pra lá. Vamos rir do que aconteceu. —Adulei-o.
—Você nunca vai me entender. Leva tudo na brincadeira. — Resmungou aborrecido.
Levantei seu rosto e beijei ternamente sua bochecha, mandíbula, acariciando sua nuca. Ele fechou os olhos.
—Eu te entendo em tudo. —Enfatizei. —Só não concordo com o modo como você age. Na hora eu também fiquei tensa, tive medo, mas agora passou. Estamos bem, juntos, felizes, e eu te amo... — Beijei seu pescoço, mordiscando devagar. Senti a pele de seu rosto arrepiar, e sua mão deslizou por minhas costas. —... Nós dois somos diferentes. — Continuei. —Nos comportamos de modos diferentes, mas é por isso que estamos juntos... Por isso precisamos um do outro assim. Se eu fosse tão comedida, disciplinada e tímida como você, provavelmente nem estaríamos juntos... Ou se você fosse sempre descolado, conversador e hiperativo como eu, talvez nos cansássemos rápido um do outro... Nós encontramos o equilíbrio juntos... — Sussurrei em seu ouvido, alternando palavras e beijos. Mordisquei sua orelha, deslizando a ponta da língua ao redor, ele suspirou e me apertou a si, mostrando o quanto se sentia estimulado com meus beijos. —... Eu sinceramente não estou arrependida de ter quase feito amor com você na rua do lago, pelo contrário... — Sugeri, em seguida cobri sua boca com a minha, procurando e sugando a sua língua. Ele gemeu baixinho, estremeceu e aos poucos se entregou, com a respiração pesada. Ele acariciou minha perna, fincando os dedos, até alcançar o meu quadril por baixo do robe.
—Cadê suas roupas íntimas? — Sussurrou em meu ouvido, rouco.
—Foi você quem pediu para eu andar sem, lembra? — Provoquei e voltei a beijar sua orelha. Ele ofegou, e seu controle se foi ao me arrastar sutilmente em sua excitação. Afastou meu robe e desceu os lábios beijando pescoço, colo.
—Vamos para o quarto, por favor. — Suplicou baixinho.
—Não.
—Eu quero você. — Gemeu rendido.
—Estou aqui.
Voltei para seus lábios, explorei-o com a língua, e sua mão apertou minhas costas, ofegante como se estivesse correndo.
—O que você tem contra o quarto? — Murmurou em meus lábios. Olhei em seus olhos e, provocadora, desfiz o laço do robe, deixando a parte frontal do corpo acessível. Ele olhou-me indeciso. Segurei sua mão e a coloquei em concha ao meu seio. Com a minha língua, percorri seu lábio superior. Meu corpo fervia de antecipação. Ele tinha uma mão quieta em meu seio, outra em meu quadril, o polegar passeando em minha virilha. Passeei a língua em sua boca, mordi seu queixo.
—Ainda vai demorar muito a sua indecisão?
Ele apertou o bico do seio, pôs a outra mão sob minha região íntima, e gemi abafado quando ele me acariciou intimamente.
—Vou avisar... —Retorci deliciada. — Se eu ficar satisfeita, vou dormir e te deixar em paz. É isso que você quer?
Edward
Quanto mais eu pensava que ela era insana, mais imprudente ela se mostrava. Tínhamos um quarto lá em cima nos esperando, uma cama, e ela insistia em corromper meus bons modos seduzindo-me no estacionamento de sua casa, tornando-me louco para entrar naquele calor molhado que ela me oferecia.
—Quarto, por favor. Alguém pode vir... Seu pai... — Supliquei já incoerente, insistindo por um fio de consciência nela, meus dedos tocando-a e estimulando-a.
—Se você não se decidir agora, eu vou para o quarto... Dormir. — Ameaçou com uma pontada maligna e invadiu minha boca com beijos lúbricos, quentes, molhado. Minha própria excitação me traía, sua doce fragrância de desejo me tornava um homem possuído. Baixei o olhar e visualizei a parte descoberta pelo robe. A visão de sua pélvis, o contato quente, a umidade, tudo me magnetizava a ela.
Esqueci o motivo de estar chateado antes, esqueci o lugar, esqueci meu nome, só pensava em imediatamente estar dentro dela. Morreria se não a possuísse. Com a língua em sua boca, ergui seu quadril minimamente e, consumido de paixão, posicionei-me. Ela deslizou lentamente, extraindo um gemido rouco em meu peito. Sorriu cheia de luxúria e, com ar de vitória, encaixou-se completamente, iniciando um movimento lento, cadenciado. Beijou-me molhado, inquieta e arrancou suspiros e murmúrios desconexos de minha boca.
Aquele era o tipo de sexo que representava tudo a que eu me opunha. Irresponsável. Exposto. Mas ela fazia que eu desejasse aquilo mais que qualquer coisa na vida. Afastei mais o robe e saboreei os seus seios lambendo o mamilo, mordiscando, e ela gemia baixo em meu ouvido, apertava as unhas em minhas costas, incentivando-me a penetrar cada vez mais. Eu estava perdido, prisioneiro, um cativo submetido à vontade de uma tirana. Era impossível explicar todas as sensações em meu corpo: prazer, vício, agitação e principalmente amor sólido e quente.
Trouxe seus joelhos mais para frente, mergulhei fundo nela, e ela moveu-se num ritmo vagaroso e sensual. O luar, seus cabelos, seu cheiro, a escuridão do jardim, seus murmúrios, tudo trazia uma alegria quase infantil. O desejo de prolongar o momento, fechar os olhos e registrar cada sensação, era contraditório com a ânsia crescente da satisfação.
—Agora que você está mais calminho, quero terminar isso lá no carro. — Ela sussurrou em meu ouvido com um sorriso travesso nos lábios.
—Quê? — Ofeguei. Ela balançou-se para frente e ergueu a chave da Navigator. Oh, céus. Ela queria testar meu domínio, mostrar seu absoluto poder sobre mim.
Sem argumentos, levantei-a no colo, perdendo o contato, depois dei alguns passos pelo estacionamento, protegido pelas sombras. Entramos sorridentes e apressados no carro.
As roupas já não faziam sentido, então com os corpos em completa conflagração, passamos horas consumidos de desejo.
O sol brilhava forte, mas o torpor e a exaustão não me permitiam despertar ainda. Com os olhos fechados, tateei a cama procurando por Bella, mas não a encontrei. No local onde ela costumava dormir, à minha direita, encontrei uma parede gelada. Espreguicei, e meu corpo estava dolorido. A noite de sono parecia não ter sido suficiente.
Abri os olhos e surpreendi-me com o local onde estávamos. Dentro do carro, nus. Bella no banco do motorista, e eu no passageiro. Assustado, procurei minhas roupas, e a lembrança das horas de entrega se repassou atrás de minhas pálpebras.
Sorri ao vê-la dormindo tão ingênua e doce quando ela era a pessoa mais capciosa e ousada que eu conheci.
—Amor... — Toquei seu rosto para acordá-la. —Temos que nos arrumar para viajar.
—Já? — Espreguiçou-se e abriu os sonolentos olhos.
—Sim. E responda-me, por favor: por que você faz isso comigo? — Acusei fingidamente. Peguei seu robe para ajudá-la a vestir-se.
—Não é por mim, é por você. Quero quebrar as suas regras. Eu gosto do quarto, da cama, mas eu quero ajudar você a se libertar dessa opinião absoluta sobre como deve proceder tudo. —Explicou terna. Eu assenti, concordando.
Passavam das oito, e eu tinha combinado com Carlisle de sairmos cedo. Mas obviamente sua discrição não o permitiria nos acordar no quarto. Entramos sorrateiramente pela cozinha e encontramos Jasper fazendo um sanduíche.
—Por que estão tão desconfiados, hein? — Inquiriu, olhando-nos de soslaio. Paramos perto da porta e nenhum de nós respondeu. —Vocês dormiram lá fora?! — Deduziu surpreso. —Puxa, quando eu mudo os meus conceitos pensando que vocês são um casal de santos e um exemplo para eu seguir, aí vocês me surpreendem! —Lamentou dissimuladamente. — E ae? Foi no quintal?! No estacionamento?! No jardim?! Onde mais? Na garagem, piscina, salão? —Arregalou os olhos, dramático. — Caramba! Ah, mas eu vou falar para Carl. Quem sabe ele me libera uma verba por eu denunciar uns coelhinhos.
—Ai, ai, Jasper, me erra! — Bella arreliou torcendo o lábio e abriu a geladeira.
Sentei-me a mesa, calado. Não iria mudar meu humor por causa do meu irmão.
—É sério? Vocês dormiram lá fora? — Ele sentou-se em minha frente e começou a lanchar. Eu não respondi. —O que você fez com ele, Bella, arrancou a língua dele? — Apontou impaciente em minha direção.
—Arranquei não, fiz outras coisas deliciosas. — Ela sorriu maliciosa, o que pôs um sorriso tímido no canto da minha boca.
—Credo, vou sair daqui. Vocês são muito pervertidos. Depois falam de mim! Tchau. — Ele deixou a mesa fingindo ofensa e sentou-se em outra sala, na mesa de jantar.
—Edward, por que você ficou tão sério? Você tem vergonha de falar sobre essas coisas? — Questionou curiosa enquanto colocava os pães na sanduicheira.
—Vergonha não. Só acho que é algo íntimo demais para ficar expondo. Nunca gostei de debater o tema.
—Ai, Edward, você é um namorado moral demais. — Sorriu e nos serviu.
...
Saímos de Seattle dez da manhã. Atrasamos porque Carlisle demorou a descer, talvez em dúvida. Eu também temia a reação da minha mãe... Bella encheu de travesseiros no banco de trás e viajou dormindo atravessada no banco. Carlisle passou toda viagem distraído e não se ofereceu a dirigir. Por não querer que Bella dirigisse na rodovia, enfrentei o percurso.
Dormimos no apartamento de Emmett na Califórnia e no dia seguinte voltamos a viajar cedo. Chegamos a Phoenix por volta de dez da manhã de segunda. Carlisle parecia nervoso. Bella ouvia música no celular despreocupada e vez ou outra jogava beijo pelo espelho retrovisor.
Ao encontrar o endereço que peguei por telefone com Rosalie, estacionei embaixo de uma árvore e esperei a reação de Carlisle.
—Edward, eu acho melhor ligar antes de ir. Talvez ela esteja ocupada e queira conversar depois. — Carlisle propôs alterado pelo nervosismo.
—Ligue.
Carlisle
Mesmo que Edward tivesse me revelado que ela nunca gostou do Phil, eu não podia presumir que ela me amasse e me aceitaria de volta. Em dúvida, disquei o número do seu celular.
—Esme...?
—Carlisle?! — Perguntou surpresa. —O que aconteceu? Jasper está bem? —Ofegou alarmada.
—O garoto está bem. — Tranquilizei-a.
—Ah... Tudo bem? — Perguntou com suspeita.
—Sim. Preciso falar com você, está com tempo agora?
—Estou. Pode falar.
Edward e Bella desceram do carro e andaram pelo estacionamento, dando-me privacidade.
—Esme, tivemos um tempo para pensar esses últimos meses, e, er, eu queria saber se, er, ainda existe alguma chance para nós... —Balbuciei nervoso.
Ela ficou calada por um instante longo.
—Carl, estamos melhor como amigos. —Disse nervosa.
Eu deveria voltar daqui para trás, protegendo meu amor próprio, mas ainda queria entender por que ela me deixou.
Esme
Eu preferia morrer a ter que rejeitar o homem que eu amo. Todavia, não adiantava voltarmos e depois as omissões nos afastar novamente. Eu não queria magoá-lo, nem aos meus filhos mais do que já tinha magoado. E não era certo falar uma verdade, a verdade sobre meu amor, e ter que continuar mentindo sobre o outro assunto...
—Você tem alguém? — Ele quis saber.
—Não exatamente. — Respondi cautelosa. Passar por essa situação novamente me causava auto-aversão. Se eu voltasse com ele nessa situação iria acontecer o que eu sempre temi: taxar-me-iam de golpista interesseira.
Criei o filho dele sozinha até essa doença aparecer, que veio como aparente castigo pra que eu precisasse do dinheiro dele. Mas já basta. Enquanto eu, Esme, puder ficar distante, manter-me-ei firme na decisão.
—Então me dê um motivo convincente.
—Eu não quero mais, Carlisle. Não dá certo. É só isso. — Disse firme, segurando as emoções.
Edward
Olhei de longe para o carro e Carlisle ainda conversava ao telefone com Esme. Eu sabia que não seria fácil. Ele parecia desalentado.
—Por que você está tão quietinho e tenso? — Bella encostou a cabeça em meu peito, e eu acariciei o seu cabelo ansioso.
—Estou preocupado. — Revelei.
—Vai dar certo. O problema é que nem Alice nem Jasper estão preparados para saber daquilo.
—Esse não é o maior problema do momento. — Suspirei ansioso pelo término dessa história e a abracei forte.
Carlisle desceu transtornado do carro e veio em nossa direção.
—Edward, não deu certo. Ela não está interessada.— Disse desiludido.
—Tudo bem. — Assenti, sem concordar. —Eu tenho que pelo menos ir lá falar com ela... O senhor vai desistir daqui? — Salientei para encorajá-lo.
—Ok. Vou lá dentro. —Disse incisivo. — Vocês vão ficar aqui? — Ele encheu o peito cheio de coragem.
—Daqui a pouco iremos.
Ele atravessou a rua e abriu a porta do restaurante. Por ser dez e meia, não havia movimento. Resolvi esperar.
—Edward, o que você está me escondendo que seu coração acelerou? — Bella analisou-me. Conhecia-me demais. E este era o momento para lhe adiantar.
Carlisle
Avistei Esme atrás de uma caixa alto de vidro, e ela olhou-me como se visse um fantasma. Lutei contra a incerteza e aproximei-me.
—Esme, eu quero falar com você. — Disse de uma altura que só ela ouvisse.
—Pode falar. — Concedeu baixinho, com olhos úmidos.
Eu suspirei.
—Volte para Washington comigo... Não tem sentido você ficar aqui... Seu filho está em minha casa. Você não arrumou emprego ainda...
—É com isso que você está preocupado? — Interrompeu-me armada.
Prendi o ar.
—Não... Sinto sua falta. — Revelei.
—Carl, não dá. Eu queria que desse certo, mas não tem como. — Explicou baixinho.
—Buon giorno, Carlisle. — Fomos interrompidos por sua mãe, que olhou acusadora para Esme. —Mi scusi intromissão, figlio, mas io gosto molto de voi e cansei das atitudes de Esme. — Reprovou.
Esme arregalou os olhos quando sua mãe puxou-a, forçando-a para trás.
— Io sopportare anos suo orgulho, mas basta! Só porque a madre do Cullen dizia que voi eri un interesseira, voi luta até oggi per dimostrare o contrário. Este uomo non merece isso! — Sua mãe disparou misturando idiomas, e eu olhei-as confuso.
Olhei no rosto transtornado da Esme, e ela abraçava o próprio corpo. Algo em sua camiseta me chamou atenção. Olhei-a detidamente, desacreditado.
Edward
Não fazia mais sentido esconder de Bella. Essa ameaça constante me cansava. Em poucos minutos ela saberia, logo, ansioso, trouxe-a para o meu peito e abracei-a forte.
—Minha mãe está grávida de oito meses. — Disse de uma vez. Ela afastou o rosto, boquiaberta. Continuei. —Eu não tinha falado ainda porque sabia que você não iria deixar passar... Minha mãe não queria que seu pai soubesse. Não queria ser vista como uma golpista por terem permanecido tão poucos meses juntos. Além disso, ela estava com vergonha de ser uma mulher de trinta e sete anos grávida do chefe. Se eles tivessem permanecido juntos, ela teria falado na festa da Alice, mas como se separaram, ela resolveu criar essa filha também sozinha. — Elucidei nervoso.
Ela ficou uns minutos calada, digerindo a informação.
—Eu não estou acreditando... — Disse cética. —Meu pai não vai perdoar ela por isso... Vocês fizeram isso de novo... — Acusou e balançou a cabeça, horrorizada.
—Você tem que me entender, Bella. Não era um segredo meu. — Implorei inseguro.
—Edward, de novo! Você fez isso de novo!— Alterou o tom, afastou-se e sentou isolada no outro banco.
Carlisle
Parei em choque. Esme olhava para o chão. E sua mãe segurava-a no braço num gesto desafiador. Respirei fundo incapaz de acreditar nessa traição.
—Esme, essa criança é minha? — Questionei transtornado. —Você ia esconder de mim até quando? —Acusei sem ar. — Quem sabe disso? Meus filhos sabem?
Lágrimas desceram de seus olhos, e sua mãe nos convidou a ir a um escritório. Tentei acalmar os meus ânimos, mas estava revoltado.
Logo que adquirirmos privacidade, Esme adotou uma postura altiva.
— Criei três filhos praticamente só. —Voltou a dizer. — Esse seria só mais um que eu criaria sem a ajuda de ninguém.
Balancei a cabeça incrédulo. Eu não conhecia esta parte dela: orgulho. E por que falariam da dela? Ninguém ousaria. Foi-se o tempo em que alguém a atacava, e eu me calava.
—Foi por causa da criança que você me abandonou? — Questionei ressentido.
Ela baixou o olhar, compenetrada.
—Não. Não foi por causa dela.
Esme
Eu teimei com a vida desde o início. Quis o inalcançável e fui castigada por isso. Como consequência por teimar, tive um filho doente que, além de tudo, apaixonou-se pela própria irmã.
—Você sabia que estava grávida quando me deixou? — Ponderou de jeito sombrio.
—Sim.
Seu semblante ficou sério, o maxilar travado.
—Ok, Esme, vamos esquecer envolvimento emocional e tratar disso como os adultos que somos: você espera uma criança minha e tinha intenção de esconder de mim, é isso? — Ele se inclinou sobre a mesa, intimidador, e eu assenti. —Bem, você está desempregada e não tem uma casa... — Enumerou com praticidade. O rumo da conversa não me agradou. Ele encarou-me e parecia o homem implacável de negócios que era. —Você tem duas opções: vem para Washington e divide a guarda comigo...
—Eu não vou embora daqui, Carlisle. — Interrompi com o queixo erguido.
Ele continuou, sem emoções. —Ou você nem chega a ver essa criança depois que ela nascer. — Ameaçou frio, e eu senti meu coração palpitar.
—Você não faria isso. — Desafiei sem certeza.
—Por que não? Você ia fazer muito pior comigo. — Disse entre dentes, irado. —Você ia omitir que eu tinha um filho. Isso seria muito pior.
—Você não seria capaz.
—Está decidido. — Sentenciou irado e se levantou para sair.
Cobri o rosto com as mãos e caí em prantos. Ele parou olhando para mim. Senti a dor de perdê-lo mais uma vez, a dor de ser repugnada, de adquirir seu ódio, de por em risco o futuro do namoro dos nossos filhos.
—Carlisle... — Senti uma dor forte e abracei o meu ventre, sentindo tudo escurecer.
Edward
—Vou dar uma olhada no que está acontecendo. — Informou, abriu a porta do carro e desceu sem esperar que eu respondesse. Desci e a segui.
—Bella, espere-me. — Alcancei-a e segurei o seu braço quando ela já estava na porta do restaurante. —Amor, eu não tenho culpa. Sei que palavras não consertam, mas eu estou cansado de pagar por erros e problemas dos outros. Basta tudo que enfrentamos. — Segurei seu rosto em minhas mãos decidido a implorar. —Eu resolvi trazê-lo aqui porque não aguentava mais isso, esconder segredos de você, de vocês. Fique do meu lado. Não é mais um problema nosso. — Abracei-a e beijei seu cabelo.
—Você não vê que o problema é nosso também? São nossos pais. — Lamuriou triste. —Pode dar tudo errado, Edward. Pode se iniciar uma briga que afete nós dois, porque eu vou ficar ao lado do meu pai em qualquer situação, e você ao lado da sua mãe. — Enfatizou e apertou-me no abraço, com lágrima na voz. —Por que tudo tem que ser tão difícil pra nós?
Rejeitando a incerteza, levantei seu rosto e segurei seu queixo, fazendo-a olhar para mim.
—Hei, eu amo você. Nada vai nos separar mais. — Ressaltei determinado. —Aconteça o que acontecer com eles, nós vamos ficar juntos. — Garanti, beijei ternamente seus lábios, e ela foi perdendo a tensão.
—Sinceramente minha vontade hoje era me fechar em uma bolha onde existisse só eu e você. — Ela suspirou.
—Em breve faremos isso. — Prometi ao sentir que a paz voltava. —Vem. Vou te apresentar para minha avó. — Peguei em sua mão e entramos.
Tecidos xadrez vermelhos decoravam as mesas. Quadros rústicos enfeitava as paredes. E mesas de vidro e alumínio davam um charme moderno ao restaurante italiano. Obviamente Carlisle não mediu esforços nem preços.
De mãos dadas, caminhamos até o final do restaurante e encontramos minha avó atrás de um balcão.
—Ciao, nonna. — Cumprimentei-a empolgado em Italiano. Costumávamos brincar muito com a língua quando eu era criança. Ela aproximou-se e me deu um abraço efusivo.
—Come voi è bello! Non ho visto che per un lungo periodo. — Apertou minhas bochechas como se eu fosse uma criança.
—Questa è la mia fidanzata Bella. — Apresentei, cumprimentaram-se e, embora Bella estivesse com o semblante preocupado, abraçou-a com calor.
— Figlia di Carlisle, non è vero? Uh, ma può solo essere il destino! — Brincou bem humorada sobre destino, nos conduziu a uma mesa e perguntou se iríamos almoçar e o que queríamos.
—Hmmm, la sua specialità. — Bajulei-a com um sorriso, ela saiu cantarolando, demorou uns quinze minutos e voltou.
— Ragazza, voi conversa molto? — Perguntou a Bella. — Perché Edward non é molto de falar. Il achava que egli non tinha lingua per completare seis anos. — Elas sorriram. — Ah, ma ele parece molto mio marito, suo defunto nonno. Dos figlio di Esme l'unico falador è Jasper.— Comentou, depois voltou para o balcão.
Comemos lasanha de frango ao molho branco, especialidade da casa. Parei o garfo no ar alarmado ao ouvir após um tempo a voz aflita de Carlisle.
—Dona Frida, a senhora pode vir aqui?
Bella
Deitei um pouco o banco do carro e me recostei de lado, com o olhar distante. Edward dirigia e acariciava o meu rosto. Queria me passar segurança. Hoje os papéis se inverteram. Ele quem devia estar ansioso não estava.
—Não fique assim. Não é você quem diz que no final dá tudo certo? — Lembrou tranquilo.
—Sim...
A estrada estava escura, poucos carros passavam por nós. Fechei os olhos e suspirei sonolenta.
—Conversa comigo, Bella. — Ele apertou minha mão, acordando-me. —Estou morrendo de sono.
—Quer que eu dirija? — Propus preocupada com seu cansaço.
—Não. Quero só que me dê atenção. — Pediu manhoso e entrelaçou uma mão na minha. Coloquei uns travesseiros entre os bancos e sentei ao lado dele, envolvendo o seu pescoço com o meu braço. Conferi as horas e lembrei que me esqueci de pedir a Emmett que encomendasse uma pizza para quando chegássemos ao seu AP. Eu teria que passar uma mensagem avisando. Estava morrendo de fome.
—Sabia que eu te amo? — Cochichei em seu ouvido e dei beijinhos em seu rosto.
—Sei. Por isso estamos juntos. — Ele sorriu brincalhão.
—Posso ficar aqui?
—Eu queria muito, mas você tem que ir para o cinto.
—Certeza? — Abri a boca no seu pescoço e mordisquei, sentindo seus pêlos eriçarem.
—Diabinha. — Ele condenou risonho. —Tenho sim. Minhas responsabilidades falam mais alto que o prazer. Já tivemos essa conversa.
Sem ligar para o que ele disse, passeei a minha língua no canto de sua boca, lambendo. Ele sugou a pontinha, tentado, mas parou e ficou atento à estrada.
—Bella, por favor, isso é perigoso. Senta lá, vai.
—Ok, só não vou continuar porque não estamos só. — Sibilei e sentei, colocando os pés na perna dele. Dissimulada, passeei os pés em sua coxa, provocando. Ela acariciava meus pés, brincalhão. E a viagem se seguiu cheia de carinhos.
Jasper
Cara, eu tava grilado com essa ida do Carl a Phoenix. Minha mãe não iria perdoar Edward nunca. Não entrava nas minhas idéias o porquê do maníaco fazer isso. Ele sempre foi quem mais ficou de segredinhos!
Assim que eles saíram, eu saí com Alice no meu carrão, maior presença, passeamos no shopping. Almoçamos fora e enfim voltamos para casa. Como eu tinha milhares de coisa para fazer nos meus joguinhos, Alice ficou vendo TV enquanto eu aperfeiçoava meu último jogo.
—Jasper, você dorme no meu quarto. Acabei de ver O Exorcista e estou com medo. — Alice pediu depois de algumas horas.
—Hmmm, sei não, Alice, você já quer me seduzir. Eu sei que sou gostoso, mas não tô a fim de azaração. — Zombei, mas o que eu queria mesmo era dormir abraçadinho com minha garota. Porém não podia abalar a confiança que Carl tinha em mim. Além do que, acho que não estava em condições de comer ninguém.
Pô! Não pensa isso dela! Por um acaso ela é qualquer uma pra você pensar isso?! Isso era o anjo bom chamando a atenção do anjo mau.
Alice virou com um olhar dengoso. Eu não vou resistir se ela estiver mal intencionada! Anjo mau alertou.
—Nem me olhe assim, Alice. Sei lá o que o véi vai falar se souber que eu ando dormindo com a bebezona dele. Eu hein!
—Ih, Jasper, o quê que tem? Lembre que você é meu namorado e amigo. Hoje você vai fazer o papel de amigo, cuidar de mim. — Pediu. Precisa falar assim toda derretida?
—Tudo bem. — Ela me convenceu rápido. Quem disse que eu não queria ir? Tá, tudo bem, queria e não queria. Por via das dúvidas, peguei meu notebook, subi para o quarto dela, deitei na cama e coloquei o note na barriga. Assim eu não pensaria em sua boquinha.
Ela ficou olhando o que eu fazia, depois abraçou o meu pescoço quase me sufocando e colocou a perna em cima da minha. Ih, a garota não tinha noção do perigo que tava correndo. Assim não tinha concentração que aguentasse.
—Jasper, quando você vai me beijar de novo igual no meu aniversário? Eu nunca vi namorados que não beijam de verdade.
J: E agora, como sair dessa sem levantar a suspeita se eu sou macho ou não?
A.B: Pô Jasper, mas a menina nem falou nisso, ela só quer namorar como pessoas normais.
J: Ah, tá. Tudo bem.
—Hmm, eu já te expliquei uma vez, Alice. Seu pai é muito sangue bom e eu não tô a fim de fazer as coisas escondido dele não. Quando eu melhorar, vou falar com ele que quero namorar sério com você e fazer as coisas direito. Temos a vida toda pela frente. — Inventei uma desculpa concentrado nas cores das pistas de corrida que eu desenvolvia.
—Você fez promessa de me beijar só quando melhorar? — Ela teimou.
—Ah, Alice, não é isso. Eu sei que se eu te beijar, você não vai me resistir. E sei que se eu me segurar e não te co... ah, você sabe, pode ser que se eu morrer, eu vá para o céu. — Brinquei. Eu mesmo não aguentei a piada e sorri.
—Você nem parece que toma remédio forte, nem parece que está doente. Se não fosse essa sua coleção de boné e chapéu que não tira da cabeça, eu teria certeza que você não tem nada.
—Eu tento agir como se não tivesse nada.
—Já que você age como se não fosse doente, você podia me beijar como se não tivesse doente.
Cara, devia ter virado gay para ter tudo conspirando ao meu favor e não fazer nada! A anãzinha me intimava com olhar, quente quente. Nós dois de bobeira, ninguém na báia, eu na maior seca e não tava fazendo nada!
Será que o anjo mal irá vencer?
Coloquei o meu PC no chão e virei para ela. Alisei seu rosto, seu cabelo, morrendo de vontade de me acabar em sua boca pequena e quente. Pô, eu não sou um santo, ela estava muito tentadora.
A.M: Fala sério, Jasper, vai ficar aí todo romântico, só olhando para ela?
Completamente dominado, beijei sua boca, sentindo tudo esquentar. Ela, mais que a fim, colocou a perna dentro da minha perna e se encostou. Busquei a língua dela, doce, macia, gostosa, e suguei. Ela nem pra negar e se salvar.
Dei uns tarracos bons, apertando ela na cama. Coloquei a mão dentro da blusa, e ela nem ligou, ou me mandou parar. Ou ela não tinha noção do perigo ou estava a fim de me... Ops! Eu não seria um safadão de fazer isso com ela, seria?
Pô, é muita tentação isso aqui.
A consumição na minha cabeça não parava de azucrinar. Uma onda brochante encarnou em mim e parei.
Tô virando gay mesmo - Só pra lembrar.
Embora ela fosse gostosinha e tivesse uma boca deliciosa, hoje não ia rolar mais que isso... Pelo menos hoje. - Consolo do anjo mau.
Ela me abraçou sorrindo e não pressionou mais. Ficou quietinha, abraçada comigo e dormiu. Fiquei olhando o seu rosto cheio de sono xonadão.
Emmett
A campainha tocou, abri a porta e Bella e Edward entraram, com Rosalie atrás. Não acreditei quando vi minha garota em meu apê.
—Oi, gente. — Cumprimentei-os e levantei o queixo da minha gata para lhe dar um selinho. —Oi, Rose. — Ela sorriu tímida.
—Emmett, pediu nossa pizza? —Bella perguntou ao me dar um beijo na bochecha.
—Sim. Está a caminho.
—Nós não paramos na estrada. Estamos famintos. — Bella explicou e caminhou para o quarto de hóspedes. —Estamos indo para o banho. Você me dá umas toalhas?
Peguei toalhas limpas no armário, sabonete e levei para o quarto de hóspedes. Depois sentei no sofá, ao lado de Rosalie. Minha gata estava mais calada que o normal, com o olhar distante.
—Vai me contar cadê meu pai e o porquê de você ter vindo? —Questionei, com suas mãos dentro da minha.
—Eu não sei exatamente. Edward chegou lá em casa pedindo roupas da minha mãe, documentos. Depois mandou eu me arrumar para viajar. — Explicou confusa.
—Quer tomar um banho enquanto a pizza chega?
—Sim.
—Quer tomar no meu quarto ou no do meu pai?
—Pode ser no seu.
—Então vem. — Peguei sua mão e a conduzi ao meu quarto. Mostrei o banheiro e arrumei toalha para ela. Ela tomou banho, depois saiu do quarto com um pijama longo e fino rosa, nada que escondesse a deliciosa curva do seu corpão. A pizza chegou, lanchamos e Edward foi dormir com Bella. Eles tinham a aparência esgotada.
—Tem dois quartos para você escolher, Ross, o meu e o do meu pai. Onde você quer dormir?
—Onde você dormir. — Respondeu baixo, mas decidida.
Tentei me concentrar na sua resposta sem me deixar iludir, afinal eu sabia o quanto ela era escorregadia e que eu não deveria criar expectativas.
—Estou levando suas coisas para lá. Se quiser assistir TV, lá também tem uma. — Dei a opção, e ela me acompanhou. Tranquilo, deitei, e ela deitou sobre o meu braço, calada e distante.
—O que te preocupa, gata?
—Nada importante. Quando vamos para Washington?
—Eu estava de plano de ir amanhã, mas se você quiser ficar aqui mais uns dias... — Sugeri, torcendo que ela optasse por ficar comigo.
—Emmett, me abraça.
Assustei um pouco com sua vulnerabilidade, virei o corpo e a envolvi com um abraço. Percebi um suspiro e olhei seus olhos, tinham lágrimas. Ela não parecia querer conversar. Preocupado, desci vagarosamente os dedos em sua nuca e beijei seu rosto.
Eu queria saber por que ela chorava, mas não queria forçar. Depois de alguns minutos, ela pareceu relaxar, e eu pude descansar a cabeça no travesseiro, perguntando pra mim mesmo se eu conseguiria dormir com ela tão próxima sem tocá-la.
Pensei que ela tivesse pegado no sono, até que senti sua perna sobre a minha e uma mão acariciando meu peito. Parecia conferir meus músculos. Prendi a respiração tentando me controlar do frisson que brotava, mas sua respiração quente em meu pescoço e seus dedos em meu peito era uma tentação.
Virei, procurando seus olhos e testei um beijo. Ela era muito arisca e qualquer pisada em falso ela me escaparia. Ela aceitou. Cauteloso, desci com os dedos em seus braços, chegando a sua cintura e apertei-a a mim. Ela se aconchegou. Busquei sua língua, e ela correspondeu como nunca, com paixão. Minha pulsação correu alerta, a seca me matando.
Soltei um gemido rouco, peguei cautelosamente sua mão que estava em meu peito, passei-a pela minha barriga e coloquei sobre o meu sexo enrijecido, por cima do short, o qual ela sempre agiu como se não existisse.
Dessa vez, mesmo com um pouco de medo, ela tocou, acariciou, tensa. Coloquei a mão dentro da sua blusa, com medo dela me escapar. Passei as mãos em seus seios, deixei sua boca e beijei devagar sua barriga, seios. Ela deu relutantes gemidos tímidos consentindo, então abocanhei seus seios generosos, seu bico enrijecido. Chupei, mordisquei, e em reflexo, suas mãos me apertaram. Abaixei meu short para que ela pegasse diretamente, ela pegou e acariciou sem experiência.
Fiquei louco, animado e comecei a desfazer de sua blusa. Ela congelou.
—Não, não, não Ross, por favor. — Supliquei ainda com a boca em seus seios.
—Não... Eu não quero mais. — Disse firme, inexplicavelmente fria.
—Por quê? — Cara, eu ia morrer. Minha vontade era xingar, gritar, pegar ela a força. Quem ela achava que era para deixar um homem assim?—Eu tô ficando louco. — Resmunguei chateado. —Você não sabe o que é um homem sem mulher o ano todinho!
Ela sentou na cama e ajeitou-se, olhando-me séria, com uma parede emocional.
—Eu nunca te pedi para você não ter outras mulheres.
Frustrado, tentei por calma na voz.
—Rosalie, eu sei que você não me pediu nada, mas eu quero é você. — Declarei incisivo. O gelo do seu olhar foi descongelando, e ela baixou o olhar. Eu continuei. —Do que você tem medo? —Pressionei. Ela abriu a boca, mas nada falou. Abracei-a e coloquei a sua cabeça embaixo do meu queixo. —Eu faço o que você quiser, você dá as cartas.
—Desculpa, Emmett, é que eu não pensei que chegaríamos a isso tão rápido.
—É normal. Todo casal chega a isso uma hora. Qual o seu problema que você sempre se retrai?
—Eu tenho medo. — Disse trêmula. Deitamos novamente. Eu esperei pacientemente ela falar. —Você é uma pessoa boa, não é justo que eu esconda as coisas de você. — Disse hesitante.
—Então me fala o que você esconde.
Ela demorou minutos pensando. —Eu já fui uma garota normal, até meus dezesseis anos... Então namorei um playboyzinho da escola, filho do dono dos postos de gasolina de lá e jogador de baseball, aconteceu na mesma época que você ficava com a Thaty. — Parecia incerta se falaria ou não. —Namorava ele há um mês quando ele me convidou para uma festa. Lá eu descobri que ele estava comigo por causa de uma aposta. Eu devia ter imaginado isso. — Ela parou.
—O fato de alguém ter apostado te namorar te deixou traumatizada? — Questionei desentendido.
—Não. A aposta não era namorar comigo, era tirar a minha virgindade aquela noite. Eu era a única da minha sala que ainda era virgem. Era notícia na escola... Então ele me prendeu em um quarto e os amigos dele ficaram vigiando a porta. — Sua voz falhou, ela parecia sofrer. —Eu gostava dele. Mas naquele dia ele estava esquisito. Foi me beijando estranho, me pegando, tentando tirar minha roupa à força. Eu tentei escapar e não consegui. Notei que ele estava drogado e lhe dei uma joelhada. No mesmo instante, ele me deu um murro no rosto, depois deu um golpe no meu pescoço que me fez perder os sentidos. Eu acordei no dia seguinte sem roupa, toda suja, roxa, sem saber o que aconteceu. Achei minhas roupas e fui para casa. Eu não tinha para quem falar, tinha medo do Edward descobrir e ficar louco na Capital, então eu me calei. Nem para Thaty falei. Ela pensa que eu fiquei com ele por livre e espontânea vontade, por isso me deixou na festa e foi embora.
—Você acha que ele te... Violentou? — Perguntei preocupado.
—Para ter acordado sem roupas e suja, com o cabelo molhado de cerveja, uma dor de cabeça como se tivesse sido drogada e as marcas roxas em meu corpo, sim.
—E nos dias seguintes, como você agiu na escola?
—Ah, agi indiferente. Os amigos dele espalharam que ele me pegou, e eu não neguei. Eu morria de ódio dele, mas agia como se ele nem existisse.
—Tem mais alguma coisa que te mantém sempre na defensiva contra mim?
—Tem... O fato de você ter namorado a Thaty e tê-la deixado. Isso fez com que eu tivesse raiva de você também. Mas, além disso, tem outro motivo... Eu não quero ter o mesmo destino da minha mãe...
—Como assim? O que tem a sua mãe?
—Bom, a história que eu sei é que ela gosta do seu pai desde que era garota, mas era pobre. Na primeira oportunidade que teve seu pai largou ela e ficou com a sua mãe, mulher viajada, de família. Pode acontecer a mesma coisa com a menina de interior aqui quando você conseguir o que quer.
Abri a boca surpreso e acariciei em seu cabelo.
—Obrigado por se abrir comigo depois de quase um ano juntos. Eu não sabia o que você pensava, nem sabia dos seus medos. Eu nunca tive paciência com mulher nenhuma e não acreditava no amor. Até criticava Bella por ela amar demais. Mas hoje eu sei o que é isso. É entender, crer, ceder. E se tem uma coisa que eu quero muito é tirar essa imagem negativa que você tem de homem. Vou te dar o melhor de mim... Quanto a sexo, eu ainda posso esperar. — Sorri e a abracei, aninhando-a em meu peito.
Edward
Despertei no dia seguinte repleto de cansaço físico. Os dois dias de viagem e a tensão tinham castigado meu corpo. Tentei acordar Bella, mas seu sono era pesado. Deixei-a na cama e levantei, a fim de falar com Emmett. Entrei na cozinha e encontrei uma pessoa desconhecida preparando o lanche. Girei sobre os meus pés e fiz o caminho de volta.
—Não vai lanchar, não? — Emmett apareceu e sentou frente ao balcão de mármore onde a senhora colocava uns pães e suco.
—Vou. — Sentei na banqueta frente a ele. —Você vai para o estado de Washington hoje? —Perguntei.
—Estou esperando a Rosalie acordar para decidir.
—Ah... Faz favor pra mim, não saia antes de falar comigo. Talvez Bella vá com você. —Avisei enquanto tomava um suco de uva.
—Ela vai no meu carro? —Franziu o cenho.
—Não. Ela vai te seguir na Navigator. É que eu não quero que ela pegue a estrada sozinha. —Esclareci.
—Você vai ficar aqui? — Questionou desentendido.
—Sim. Obrigações. Tenho que ir à casa do senador. — Dei de ombros, conformado.
—Nas férias?! — Ofegou admirado, com a boca cheia.
—Pois é, se eu quiser algum futuro tem que ser assim. — Expliquei, ouvi um barulho atrás e virei o rosto. Bella estava de braços cruzados sem nenhum traço de humor no rosto.
—Bom dia, amor. — Estendi a mão em direção a ela. Ela abraçou-me, mas não sorriu.
—Ih, cara, se eu conheço este rostinho... —Emmett brincou. —Você aprontou alguma e entrou em uma fria. — Zombou e saiu do balcão, indo em direção ao seu quarto.
Bella sentou-se ao meu lado, mas estava quieta, calada. Não era o seu costume acordar assim.
—Cansada? — Toquei sua bochecha.
—Não. Dormi bem.
Ela terminou de lanchar e puxou-me para o quarto. Sentei na cama e trouxe-a para meu colo.
—O que foi, amor? — Passeei meus dedos em seus cabelos, desenlaçando o embaraço.
—Por que você está tentando me dispensar? — Perguntou docemente, com a cabeça encostada em meu ombro.
—Eu não estou tentando te dispensar, eu quero te dar a opção. Eu não sei exatamente o que o senador quer, então estava preocupado em deixar você sozinha aqui.
—Poxa, Edward, é suas férias. Por que você tem que ir lá? — Lamentou pesarosa. Eu não respondi. Sentia-me impotente. Depois de uns minutos, ela levantou-se do meu colo e deitou-se na cama, pensativa. —Tudo bem. Eu vou com Emmett então. — Informou tranquila.
Foi instantâneo o vazio que senti. Eu não queria perdê-la o mínimo de dias que fosse. Como se não bastasse o ano todo que ficamos longe, agora iria ficar longe mais alguns dias! Não podia aceitar. Deitei na cama já arrependido de ter lhe dado essa opção.
—Você quer mesmo ir? — Perguntei matreiro.
—Eu não queria ir, foi você quem foi combinar com Emmett.
—Está chateada? —Acariciei seu rosto bajulador.
—Chateada não, só frustrada. — Ela levantou e caminhou até sua valise. —Vou organizar minhas coisas. Não sei que horas Emmett vai. —Informou com praticidade.
Ela começou a andar no quarto de um lado ao outro, arrumando-se. Meu coração apertou ao sentir sua distância emocional, sua fria resignação. De onde mesmo eu tirei essa ideia de ela ir?
Levantei, segurei sua cintura e ergui seu rosto. Ela não olhou em meus olhos.
—Não vá. Fique comigo. — Supliquei carente. —Pensei só em você, mas esqueci que eu não consigo viver sem você. Fica comigo, vai... — Dei beijinhos persuasivos em seus lábios.
—Sabe, Edward, eu tenho paciência com tudo. Relevei o fato de você não ter me contado sobre sua mãe, perdôo muitos foras, mas quando você não me posiciona ao seu lado em tudo, eu fico chateada. Somos namorados. Estamos juntos, poxa! Você poderia passar três dias em reunião lá que eu te esperaria aqui. —Salientou séria. — Mas sua atitude me decepciona e me deixa insegura. Quando vi você combinando com Emmett, eu tive a impressão que você queria se livrar de mim. E se é isso que você quer, eu vou. Fique com o carro. Eu vou com Emmett. — Disse tranquila e pausado, mas desiludida.
—Ei, não é nada disso! —Segurei seu rosto nas mãos. —Desculpe. Fui um asno. Pensei que era melhor para você ir para casa, mas estou arrependido, porque eu não quero ficar longe de você. — Abracei-a forte. —Vai ser ótimo ficar com você em uma cidade diferente. De repente, nos sobre um tempo para irmos às praias daqui. Você quer ir? Praia me lembra umas atitudes suas tão interessantes! — Bajulei-a persuasivo e empurrei-a para cama. —Já disse que te amo hoje?
—Acho que não. — Fez um bico, fingindo-se de durona.
—Eu te amo. Adoro você. É ótimo acordar com você. E eu não quero e nem devo perder momentos seus. — Mordi seu pescoço, brincalhão. Ela sorriu rendida.
Bella
Não revelei a ele minha real preocupação naquela casa - a gêmea do Ryan. Eu sabia que não adiantava tentar protegê-lo dela, afinal eles iriam passar quase o ano todo juntos. Todavia era melhor me prevenir.
Liguei para Ryan antes de irmos à sua casa e garanti uma companhia para quando Edward estivesse com o senador. Um funcionário nos levou até uma biblioteca que servia como a ante-sala de reuniões. Edward pegou um livro e sentou-se para ler, com um braço descansado sobre meu ombro.
Ouvi uma discussão e atentei os ouvidos. Alguém vociferava dentro da sala de reunião.
—Eu não vou divorciar! As coisas serão do meu jeito! Isso acabaria com a minha carreira política!... Jonathan, nosso casamento sempre foi uma farsa. Maldita a hora que eu me casei com você!
Olhei assustada para Edward. Ele pareceu embaraçado em ouvir conversa alheia.
—Ana, você pode viver as suas aventuras. Eu só quero que seja discreta... Eu estou apaixonada! Coisa que nunca senti na vida. Eu quero viver com ele!... Eu não dou o divórcio!...Eu sei por que você não dá. Está com medo de deixar de ser um EVANS se nós dois divorciarmos, e você tem medo de decair! Eu odeio meu pai, odeio essa vida que ele escolheu pra mim. Pior, odeio você pelo que está fazendo com os meus filhos! Tenho dó do Ryan por ele estudar uma coisa que não quer só para te agradar. Tenho dó da Ashley com o futuro que você está planejando para ela. E tenho dó daquele rapaz! —Explodiu. — Você quer acabar com a vida deles igual acabou com a nossa!
—Vamos sair daqui. — Edward pegou em minha mão e saímos da biblioteca. Encontramos Ryan e a Sophia conversando no jardim.
—O que ela faz aqui? — Sibilei alerta em seu ouvido.
—Ela mora aqui na Califórnia. É filha do senador dos Democratas.
Antes de chegarmos onde eles estavam, Edward parou na minha frente e fechou os braços sobre mim, beijando-me apaixonadamente. Foi estranho.
—Por que me beijou assim? — Ofeguei, quando ele quebrou o beijo.
—Estou feliz que tenha ficado. — Sorriu e me puxou pela cintura, sentou no banco ao lado do Ryan e me colocou em seu colo de lado. Acariciei sua nuca e beijei-o no rosto sem importar com Sophia e Ryan perto.
Edward parecia à vontade com os dois. Quem sabe ela fosse só amiga mesmo. Olhei distraída para o lado e vi uma pessoa passar pelo jardim enfurecida. Era a irmã do Ryan. Sorri deliciada por ter sido vista no colo dele. Aqui ele não era o embaixador da Capital, era só meu namorado anjinho de bermuda xadrez, camiseta e Nike.
Ele é meu, pistoleira.
Após uns minutos, um funcionário avisou que o senador estava aguardando Edward, e ele entrou. Ryan passou pouco tempo comigo e saiu com Sophia. Abraçados. Obviamente eram muito amigos. Antes de sair, ele ligou a TV da ante-sala, e eu fiquei pensando sobre a decisão que tomei de que faculdade cursar. O equilíbrio foi a opção mais sensata.
Depois de um tempo, Ashley saiu da sala que Edward estava e deixou a porta aberta, permitindo que eu ouvisse a conversa lá dentro.
—Edward, você namora a filha do senador dos Democratas? — Perguntou o senador. Eu fiquei atenta para ouvir, mas Edward não respondeu. Ele continuou. —Não acho que essa relação de vocês seja boa, afinal ela é filha de um inimigo pessoal e meu adversário político. Se tem um calo no meu pé no Congresso é o pai dela. Eu sei que ela não tem culpa de ser filha dele, mas como você pretende seguir carreira e futuramente vai se projetar nos Republicanos, seria melhor que desse um basta nisso desde agora. É só um conselho de um homem experiente na política.
Abri a boca horrorizada com sua assertiva e com o silêncio de Edward. Por que ele não negou?
Edward saiu na frente, seguido pelo senador. Logo que me olhou, encarei-o questionadora. Ele sorriu de canto, atravessou a sala e pôs o braço sobre meu ombro possessivamente.
—Senador, esta é Bella. —Apresentou-me tranquilo.
—Eu a conheço. Ela é a... — Calou-se parecendo confuso enquanto olhava para nós dois.
—Minha namorada. — Interrompeu-o e beijou meu cabelo. Sorri carinhosa, adorando o orgulhoso na sua voz.
O senador balançou a cabeça, incrédulo. Eu não entendi a sua expressão.
—Ela é a filha do Cullen, empresário de comunicações?
—Sim. — Edward assentiu tranquilo.
O semblante olhou-nos detidamente, balançou a cabeça e se despediu. Voltamos para o apartamento, e Emmett já tinha ido para Seattle. Teríamos a noite somente para nós. Ele sentou no sofá e ligou a TV.
—Quando voltaremos para Seattle? — Fui à cozinha e peguei maçãs na fruteira.
—Eu já estou dispensado. Na verdade nem entendi o porquê dele ter pedido para eu vir. Se você quiser, podemos ficar aqui esta semana toda.
—Hmmm, seria muito bom um tempinho só pra nós. —Sugeri animada. —Mas, você não está preocupado com sua mãe?
—Sinceramente?... Não. Ela está com seu pai, e ele cuidou muito bem dela à distância. Imagine agora que ele está por perto. — Insinuou enigmático.
—Como assim, cuidou dela a vida toda? —Sentei ao seu lado e entreguei uma maçã a ele.
—Eu não vou falar. Se ele um dia quiser te falar, ele fala. — Riu dissimulado.
—Edward! Já disse para parar de me esconder segredos! — Fingi chateação e cruzei os braços, séria. Ele sorriu desavergonhado, puxou-me para o seu colo e cobriu minha boca com um beijo.
—Isso eu não vou falar. Agora sou amigo dele, sabia? — Provocou ainda me beijando. —Sei de alguns segredinhos do seu pai que você não sabe... — Arreliou zombeteiro. Abracei-o forte, feliz com o rumo da vida.
—Não quer contar, não conta. — Dei de ombros, fingindo indiferença. —Hmmm, melhor ficarmos aqui mesmo... Acho que vou comprar uma cama de casal lá para o quarto... Ficar aqui vai ser bom, ter um pouco de privacidade. — Murmurei insinuante e beijei sua orelha, sentada sobre ele no sofá. —O que vai faltar é só um isolamento acústico... —Mordisquei o lóbulo. — Estou a fim de... Ficar mais livre... De preferência... Gritar. — Sorri maliciosa e deslizei minha língua em sua orelha, sentindo-o enrijecer sob mim. Tirei rápido sua blusa, mordisquei faminta seu pescoço e acariciei a protuberância que espremia exigente a bermuda. Ele sorriu da minha ousadia. —Sabia que Emmett tem um quarto que não deixa sair sons? —Eu comentei. — É o estúdio dele... —Sugeri. — Eu posso fazer o barulho que for que nenhum vizinho ouve... — Empurrei-o pra que ele deitasse no sofá, paralelamente beijando seu peitoral.
—Sabia que devíamos tomar banho? — Lembrou e arfou quando eu lambi devagar seu mamilo.
Com um gemido, ele me puxou para seus lábios urgentemente e apertou os dedos em meu bumbum, movendo-me sobre ele.
—Quer mesmo ir para o banho? — Sussurrei em sua boca, mas ele não fazia menção de me soltar.
Desci com a língua para o seu pescoço, mordisquei a linha de sua mandíbula, e de um jeito só meu, doce e envolvente, transformei seu amor manso em um desejo voraz. Em um apetite insaciável, nos entregamos a essa atração quase palpável, que só se tornava serena quando nos completávamos em um só. Ele fazia de mim a sua dona, que governava o seu corpo e coração, mantendo-se escravo dos meus desejos delirantes e febris.
Assim, consumidos de amor, a noite se foi...
Olá, leitores,
Neste capítulo eu coloquei uma série de PDVs não beward porque o andamento da família é muito importante para história.
Obrigada por ler.
Bia Braz
