Capítulo - Convivência
Bella
Sendo inverno no país, o sol comum da Califórnia era um convite tentador a ficar e aproveitar. Depois de ligarmos para o meu pai, e ele assegurar que estava tudo bem com Esme, eu e Edward resolvemos curtir juntos o restante da semana na Califórnia. Nossa rotina na cidade se resumiu a visitar praias, passear em shoppings e conhecer pontos turísticos. Edward como amigo do meu pai era primordial para nossa liberdade.
A fim de fixar minha cor, deitei de bruços na ensolarada praia e me expus ao sol. Em breve seria a festa de New Years Eve, e eu queria estar com a pele bronzeada.
—Bella, esclarece uma dúvida, quando você veio para a praia com Brandon usou esses micro- biquínis? — Especulou enquanto deslizava os dedos em minha coluna.
—U-hum. — Assenti. Ai, ai, de onde ele desenterrou essa?
—Não vendem biquínis maiores que este onde você compra, não? — Ele censurou e desceu os dedos até a nádega.
—É a segunda vez que você fala dos meus biquínis, mas acho que você deve adorar. Você estava comigo quando comprei, porque não escolheu um maiô da vovó? — Provoquei.
Ele sorriu desavergonhado e pegou no fio lateral do meu biquíni. —Hmmm, pensando bem... — Passou as mãos possessivamente na minha traseira enquanto sussurrava em meu ouvido — Melhor você escolher. Existe um lado meu, bem pervertido, que adora esses seus biquínis. Quanto menores, mais destacam a... Obra... Mas só pode usar quando estiver comigo. — Condicionou e mordeu o lóbulo da minha orelha.
Podia parecer exagero, mas os seus sussurros sempre distribuíam arrepios, trazendo calor e ansiedade ao meu ventre. Será que algum dia iria ficar menos sensível a ele? Ele deu um risinho convencido ao passar as mãos em meus braços e sentir os pêlos eriçados. Abri os olhos e seu sorriso era malicioso.
—Você é a razão pela qual eu acredito no amor. Você me dá todas as respostas para as minhas perguntas, e meu destino e vida são guiados ao ver o reflexo dos meus sonhos em você. — Declarou solenemente. Suspirei contente, mudei a posição e o puxei para um abraço.
—Tão romântico hoje! — Brinquei hipnotizada por seus olhos verdes claros.
Ele beijou minha testa, pálpebras, rolou e me colocou por cima dele. — Você tem noção da mudança que você fez no mundo cinco anos[B1] atrás? — Ele soltou meu cabelo do prendedor, enlaçou os dedos na minha nuca, e os espalhou.
—Que mudança?
Seu olhar era intenso, o rosto rosado pelo rubor do sol e felicidade.
— Nossa união dependeu exclusivamente do seu aniversário de treze anos. Eu soube quem era você por trás de um nome, e que você soube quem era eu por trás dos meus preconceitos. Não teríamos outra oportunidade. Eu não teria ido à sua festa de quinze anos se minha mãe não tivesse fingido a dor no braço para me obrigar a ir depois de ter notado meu interesse por você. — Ele explicou e me beijou um beijo sério, venerador.
Deitei meu rosto em seu peito e agradeci por ter ele em minha vida, por termos a mais simples, porém perfeita, arquitetada e singela união, buscada com dificuldades, mas alcançada com determinação, trocas e compensações.
—Naquele dia descobri um anjinho na terra e o reivindiquei como namorado. — Brinquei e depositei beijinhos carinhosos em seu peito.
—Cinco anos de namoro, hein? — Enfatizou e levantou meu rosto. —Nossa, acho que já estou te enrolando, né? — Brincou, e meus olhos ávidos destinaram-se a seus lábios convidativos e doces.
Uma paixão nos invadiu, ele ocupou minha boca com a sua, girou o corpo e colocou-se sobre mim novamente. O beijo continuou, ele desceu a mão e circundou o meu tornozelo, trazendo-o para seu quadril.
—Vamos embora. — Convidou ansioso em meus lábios.
—Não são nem onze horas. Vamos morrer disso. — Censurei-o buscando ar.
—Morro com prazer. — Ele deu um gemido rouco e deitou o rosto em meu ombro.
Meu coração desacelerou aos poucos. Bastava um contato para me levar a um ardor febril. Ele afastou-se e colocou as pernas sobre mim, acariciando a minha barriga com a ponta dos dedos.
—Não me deixe nunca, por favor. — Pediu carente, com olhar implorativo.
—Só tem uma coisa que pode me separar de você. — Salientei séria.
—O quê? — Ele afastou o cabelo do meu rosto.
Hesitante, busquei palavras que não trouxessem incredulidade nem para ele nem para mim e que não estragassem a felicidade.
—Primeiro promete que não vamos mais falar sobre isso. —Condicionei.
—Prometo. Eu quero saber do que você tem medo.
—Do seu futuro. Por várias vezes eu penso nele e sinto dúvida. Eu fiquei preocupada com aquela conversa que nós ouvimos do senador com a mulher dele. Ela parecia tão infeliz. Mas quem ficaria feliz com um marido que mora na Capital do país e que vem vê-la duas vezes por semana?
—Eu entendo a sua preocupação e também não gosto de pensar nisso. — Suspirou, e seu olhar ficou distante.
Eu continuei. —Parece que as pessoas são capazes de qualquer coisa para alcançar o poder. Você percebeu naquela conversa que eles se casaram pra que ele tivesse o nome da família dela? —Comentei neutra.
—Não. Nem prestei atenção. — Mordiscou minha orelha. —Também não quero perder nosso precioso tempo falando sobre eles. Gosto do senador, ele é um homem bom, porém, parece que ele foi contaminado pelo sistema.
—É lá que você quer estar? — Pressionei.
—Ah, Bella, eu ainda sou aquela pessoa que queria mudar o mundo. — Murmurou com o olhar sonhador.
—Mas uma pessoa sozinha não consegue. — Ressaltei. Eu não queria jogar um balde de água fria, porém eu tinha muito mais visão do que ele em alguns pontos.
—Tenho visto isso, que uma pessoa sozinha não consegue nada. Tenho outros conhecidos do curso que também foram fazer assistência e não conseguiram crescer em nada. Eu devo muito ao senador por ele ter me dado oportunidade de crescer. Afinal farei parte da assessoria dele em ano eleitoral, mesmo ainda sendo estudante e mesmo tendo somente vinte anos.
—Isso não é normal? — Questionei desconfiada. Edward podia ser até inteligente e aplicado, mas isso não era tudo para se obter tanto favorecimento.
—Não. Tudo pra mim está acontecendo rápido. Mas o senador argumentou que é porque eu sou prodígio. — Ele deu de ombros.
—Edward, você lembra o fim da conversa do senador com a mulher dele, quando ela disse que tinha dó de um rapaz? Er, será que ela estava se referindo a você? —Acariciei displicentemente seu peito.
—Acho que não. Por que ela iria se referir a mim? O que eu tenho para oferecer para eles? Não tenho nome, não tenho dinheiro, não tenho nada que os atraia. — Disse simplesmente, e, ao analisar sua resposta, convenci-me que realmente não podia ser dele que falavam.
—Pode ser, mas em compensação você tem muuuuita coisa que me atrai. — Sorri e mordi os lábios, no mesmo instante que olhava traquinamente para seu quadril. Ele aproximou de mim e pôs as mãos em minhas costas, ajustando-me a ele.
—Espero que eu te atraia sempre e que nunca se canse de mim.
Saímos da Califórnia três dias antes da virada de ano, lamentando profundamente não poder curtir mais um pouquinho da nossa bolha feliz de amor. Era necessário que voltássemos. Não podíamos esquecer o mundo e deixar de enfrentar nossas responsabilidades familiares.
Depois de longas horas de viagem, tomamos banho exaustos e fomos visitar Esme no quarto de hóspedes. Ela estava deitada com a criança ao seu lado. Susan o nome dela. Edward pegou a nossa irmã no colo e afagou-a. Eu não me atrevi a pegar, por falta de costume. Era uma criança rosada, com poucos cabelos louros e com olhos cor âmbar. Olhos do papai.
—Nada do que eu planejei deu certo, Edward. — Esme murmurou com o olhar melancólico. Filho e mãe não tinham conversado ainda.
—Como assim, mãe? — Edward sentou na cama com o bebê.
—Quer que eu saia? — Sugeri e levantei para deixá-los à vontade. Edward segurou a minha mão para impedir-me. Eu sentei novamente.
—Quando eu resolvi ter essa criança, foi pensando em algo que ajudasse na cura do Jasper. Iria usar as células do cordão umbilical. Porém, quando acordei depois da minha discussão com Carlisle Susan já estava em meu colo em um hospital aqui em Seattle. Tudo aconteceu muito rápido. Não deu tempo. — Explicou sem esperança.
—É, o meu pai pediu um avião UTI e te trouxe imediatamente para Washington. —Eu expliquei. — Ele estava muito ansioso e não queria deixar você lá.
—Então, mãe, foi por isso que você ficou grávida... — Não foi uma pergunta.
—Lógico, Edward. Não foi um acidente. Foi planejado.
—Mas nem tudo deu errado. Susan está aqui e é linda. — Ele tranqüilizou-a e cheirou o cabelinho da Susan.
—É, mas Carlisle me odeia agora.
—Com os dias isso se resolverá. — Ele confortou-a. — Como ele está agindo com a Susan? — Desviou o tema e acariciou com as costas da mão o rostinho do bebê enquanto eu beijava o pezinho, encantada.
—Ah, ele foi bastante prestativo no hospital. Vem vê-la toda hora. Porém ele só fala o necessário comigo. — Lamentou desolada.
Ele colocou a criança, que dormia sossegadamente, no berço. Eu aproximei de Esme e peguei em sua mão. —No final dá tudo certo. Em pouco tempo tudo se resolve. — Disse confiante.
Ela sorriu, Edward se inclinou e beijou sua testa. —Estamos descendo para o jantar. Fique bem. — Despedimos e saímos do quarto.
Esme não desceu. Meu pai manteve-se silencioso, porém receptivo. Após o jantar, deixamos a mesa e meu pai foi para a sala beber sozinho. Seguimos para sala de jogos para jogar truco com Emmett, Rose, Jasper e Alice. Porém, Edward não conseguia blefar. Ria toda vez que tinha um jogo ruim. Perdemos várias jogadas. Depois de muito perder, ele resolveu parar.
—Vou ficar com o seu pai um pouco, posso? — Perguntou, eu sorri e o encorajei.
—Lógico. Leve outra cerveja para ele.
—Ah, Bella, eu não quero mexer na geladeira da sua casa. — Resmungou, sem jeito.
—Edward. — Olhei-o séria, segurando seu rosto em minhas mãos. —A casa é sua. Aqui é a casa da sua namorada, do seu irmão, da sua irmãzinha. De quem mais precisa ser para você ficar à vontade?
Ele rendeu-se, balançou a cabeça em negativa, deu um selinho em minha boca, levantou e seguiu o caminho para a cozinha.
Edward
—Trouxe uma cerveja para você. — Entreguei uma long neck para Carlisle, ele pegou sem desgrudar os olhos da TV. Sentei no sofá ao lado e também prestei atenção no jornal, em silêncio.
—Por que não me disse? — Censurou amargo.
—Eu não podia. — Justifiquei sério.
Ele baixou o olhar e fitou o vazio. —Eu não vou perdoar o que ela fez. — Sentenciou magoado. —Ela é sua mãe, e você tem que entendê-la, mas depois disso eu não quero nada dela. Talvez ela mereça a minha consideração menos que Renée que foi embora, mas pelo menos deixou os meus filhos comigo. Sua mãe queria esconder minha filha por puro orgulho e egoísmo! — Acusou frustrado, eu o compreendi.
—Carlisle, ela tem os motivos dela. — Defendi, lamentando profundamente a omissão sobre Jasper.
Ele olhou-me detidamente, desconfiado. Eu desviei o olhar.
—Que outro motivo ela teria? —Questionou amargo. —Tem mais alguma mentira? — Pressionou.
Balancei a cabeça negando. Eu não podia falar.
Bella
Na véspera de ano novo, minha mãe ligou e disse que viria passar a virada conosco. Estranhei o fato. Fazia anos que ela não procurava contato familiar. Ainda assim, fiquei feliz que ela pudesse conhecer Edward. Ela chegou à tarde e ficou no único quarto de hóspedes disponível. À noite, fomos ao baile no clube. Meu pai passou a festa ao lado dela. Rolava anos sessenta no ambiente e dancei com meus irmãos e com Edward. Fizemos rodízios de parceiros, eufóricos e muito animados. Emmett sorria, me pegava e trocava, entregando antes Rosalie para dançar com Edward. Edward me rodava, me jogava, depois pegava Alice e me entregava para Jasper.
Sorriamos, disputávamos o melhor casal e todos nos divertíamos. Jéssica também entrou na roda, tinha deixando o bebê em casa com a mãe do Mike.
Duas da manhã, cansei e mudei de ambiente.
—E ai? Gostando? — Pendurei-me no pescoço de Edward suada, ele me apertou possessivamente.
—Amando... Agora você não me escapa. — Brincou.
A música que tocava era lenta antiga.
—Nem parece o mesmo garoto de tempos atrás que dizia não gostar de dançar, como no AP do Ryan. — Espetei com um sorriso.
—Com você eu posso fazer qualquer coisa. — Ele me ergueu, joguei o cabelo para trás e ele girou o nosso corpo.
—Feliz? — Perguntei extasiada com as luzes piscando sobre nossas cabeças.
—Sim. Muito. — Sorriu e me abraçou.
Um arrepio cruzou minhas costas. Tive uma sensação estranha de déjà vu. O mesmo mau pressentimento da festa de Alice. Como se nossa felicidade estivesse ameaçada.
—Que carinha é essa, Bella? — Segurou meu queixo e levantou meu rosto. Fixei os olhos nele.
—Tive um presságio... Quando tudo está bem demais eu tenho medo. — Desviei a atenção para minha mãe dançando com meu pai. Edward acompanhou meu olhar. —Você acha que eles vão... Voltar? — Perguntei, e ele estudou-os.
—Não é assunto nosso. Lembre o que combinamos: nada vai nos separar. —Lembrou incisivo. — No que depender de mim, não. — Ele segurou meu rosto com as duas mãos e depositou beijos tranquilizadores.
O garçom passou com drinque próximo a nós, eu peguei.
—Um ano depois de ficarmos bêbados e sermos pegos quase nus, devíamos repetir a dose. — Propus, bebi um gole, ele sugou meus lábios.
—Prefiro outra comemoração especial, bem sóbrio. — Ele sugeriu malicioso com um sorriso de canto.
—Com a casa cheia talvez não tenhamos tanta liberdade. — Observei, ele mordiscou minha orelha.
—Podemos comemorar em outro lugar. — Sua voz rouca e macia fez alterações em meu corpo, distribuindo ondas elétricas. —Você poderia dançar para mim. —Sussurrou. — Você nunca fez uma dança particular que não fosse via web. — Passou delicadamente a língua atrás de minha orelha. —Eu queria experimentar... E de preferência você usando aquela sua roupa de... Diabinha.
—Hmmm, namorado, botando as asinhas de fora.
Ele sorriu charmosamente em meu ouvido. —Sou homem, Bella. Eu gosto da sua sensualidade. Sua pele fica quente quando você dança. Eu gosto. — Ele me apertou, e eu o senti sua excitação empurrando minha barriga.
—Eu tenho uma ideia melhor. —Propus. — Ano passado não concluímos algo atrás deste clube— Encostei os lábios aos seus e lambi seu lábio superior. —Devíamos consertar isso.
—Hmmm, será? — Murmurou sem desgrudar a boca da minha.
—Então que tal na rua do lago, dentro do carro? — Sorri provocadora.
—Tudo, menos isso. — Beijou meu pescoço persuasivamente. —Atrás do clube é a melhor idéia.
Antes que eu raciocinasse, ele puxou a minha mão e caminhou para a lateral do clube, até um local escuro.
—Quer saber se seria bom o ano passado? — Cobriu minha boca e me apertou contra parede, com as mãos dentro do meu vestido.
—Quero, quero muito. — Desafiei sorrindo.
—Certeza? — Ele segurou minha coxa direita e percorreu com o polegar as laterais da minha calcinha. Arfei, percebendo que ele não blefava, abri três botões e entrei com a mão dentro de sua camisa. Ele continuou me beijando, se moldando a mim. Olhei seus olhos, e eles flamejavam, exalando luxúria. Ataquei seus lábios e deixei o desejo nos levar. Senti-o ficar mais cauteloso, talvez preocupado com um flagrante. Desci decidida as alças do meu vestido e expus os seios. Ele sorriu, desceu os lábios, segurou um na mão e o outro abocanhou, arrancando um gemido ávido de minha boca.
Teríamos que ser rápidos, afinal, mesmo sendo uma área escura, tinha acesso público. Enquanto ele me sugava, abri seu zíper impaciente. Forcei-o a afastar um pouco, entrei com a mão em sua calça, segurei seu membro tenso e o acariciei, ouvindo contente um gemido aprovador.
Sorri lisonjeada, apoiei os braços em seu pescoço, ele ergueu uma perna minha e voltou com os lábios para o meu seio. Os músculos da minha barriga apertaram-se quando o senti acariciando minha coxa, afastando minha calcinha, seu membro num suave deslizar através da umidade, sem de fato penetrar. Afastei sua camisa e mordi seu ombro, ele posicionou-se e escorregou de uma só vez, me preenchendo.
—Ah... —Meu coração pulsava com o seu, sua respiração entrecortada de agonia e adrenalina. —Antes depois de um ano, que nunca. — Sussurrei em seu ouvido e deslizei minha língua em sua orelha.
Ele estremeceu, me empurrou contra a parede e fez movimentos circulares, deliciosos, deslizando dentro e fora de mim. Apoiei as costas na parede e ergui a outra perna ao seu quadril. A posição o favoreceu. Ele entrou tudo e gemeu, o som vibrando em seu peito.
—Amo você, mas não posso muito... — Grunhiu, senti o movimento se acelerar, ele apertou meu quadril, empurrando e puxando, sem parar. Abri bem os olhos para ler o tormento prazeroso em seu rosto e registrei as contrações que enrijeciam meu ventre, as provocações íntimas.
—Vem pra mim. — Engoli ar, ele entrou dramaticamente, rangeu os dentes e seu corpo sacudiu-se deliciosamente, a respiração engatada... O prazer o inundou. Senti cada jorro do seu sêmen, em últimas penetradas lentas e longas, junto a seu estremecimento e resmungo.
Trêmulo, ele desceu-me delicadamente, eu ajustei meu vestido e sorri, encontrando em seu rosto o mais belo sorriso relaxado.
—Tudo bem, namorado? —Provoquei presunçosa.
—Melhor que bem. — Suspirou e fechou a calça, depois se inclinou e voltou sua mão para calcinha, acariciando minha usada intimidade. —Estou te devendo. — Lamentou.
—Vai ter a noite todinha para pagar. — Cobrei fingindo seriedade e levantei os braços para abraçá-lo. —Você sabe que eu grito, por isso me prendi ao máximo. — Expliquei. —Vamos para o flat. —Propus, realizada por vê-lo saciado. —Os hotéis da cidade devem estar lotados e mal limpos por causa do new years eve.
—Quer ir agora? — Ele desceu o dedo e circulou persuasivamente meu pontinho mágico.
—Sim. — Murmurei rendida.
Depois de uma longa noite de amor, acordamos onze da manhã e voltamos para casa. Edward tinha combinado com Rosalie fazerem o almoço e estávamos quase atrasados. Ele vestiu uma bermuda jeans e camiseta branca, eu vesti um vestido florido azul e descemos. Encontramos minha mãe no sofá, a cumprimentamos e seguimos para cozinha.
—O que vai fazer? — Perguntei e sentei sobre a bancada.
—A Rose vai fazer uma lasanha. Eu vou fazer um lagarto recheado.
—Hmmm, devia estar só de avental. — Passei a mão no seu abdômen sugestivamente, ele sorriu, fez um tsc tsc e foi preparar o seu prato.
Tagarelei incansavelmente, admirando os músculos das costas e antebraços marcados na camiseta justa. Ele cortava em silêncio bacon, cenoura, calabresa. Seus movimentos eram diligentes e organizados. Ao perceber meu olhar possessivo e devorador, ele sorriu sem graça e aproximou-se.
— Eu também sou obcecado por você. — Sorriu presunçoso.
Sorri encantada, dei-lhe um beijo e fui à sala dar um pouco de atenção à minha mãe.
—Bonito o seu namorado. —Ela comentou atenciosa. — Já namoram há quanto tempo? Perguntou com curiosos olhos castanhos claros. Muito bela em seus trinta e sete anos.
—Um ano sério, cinco de rolo[B2] .
—Ele lembra-me alguém... —Disse pensativa. — Onde você o conheceu?
—Ele é filho de uma ex-funcionária. Eu o conheci em uma festa da empresa. — Expliquei evasiva.
—São irmãos, né, o seu namorado e a namorada do Emmett. Eles se parecem muito.
—Sim, são irmãos. O garoto louro que corre pela casa também é irmão deles. —Ocultei propositalmente a informação de que eram filhos da Esme.
—Ah... Onde eles moram?
—Ele mora na Capital, Rose mora em Phoenix e o garoto mora aqui.
—Por que o garoto mora aqui? — Juntou as sobrancelhas, desconfiada.
—Bella. — Edward apareceu na porta da sala e me chamou. Fui até ele. —Avise a todos que o almoço sai em dez minutos.
—Vem comigo. — Estendi a mão, ele me acompanhou e sorriu amistoso para minha mãe. —Depois conversamos mais, mãe.
Ela o analisou da cabeça aos pés e abriu bem os olhos como se tivesse um insight. Será que ela percebeu a semelhança com Esme ou o achou parecido com o pai?
Depois de avisar a todos que o almoço estava pronto, eu e Emmett arrumamos a mesa.
—Bella, você acha que Esme vai descer? —Emmett perguntou inseguro. — Eu falei com ela ontem.
—Acho que ela não pode. Ela ganhou neném tem só dez dias, mas pede para Rosalie ir lá. Eu nem passei lá para avisar.
Reunimo-nos à mesa oval de dez lugares e todos os assentos foram ocupados. Minha mãe ocupou o lugar que da última vez que a mesa ficou cheia era de Esme.
—Como você pode me fazer avó assim tão nova, Jéssica?! — Ela comentou afetada e brincou com Seth. —Vim da Alemanha só para conferir.
—É a avó mais bonita que existe. — Jéssica bajulou-a. Sorrimos.
O lagarto preparado por Edward ficou delicioso, todos elogiaram. O almoço seguiu tranquilo, papai sempre cordial com minha mãe. Estávamos quase indo para sobremesa de sorvetes e bolos quando inesperadamente Esme apareceu na porta da sala de jantar maquiada, usando um vestido preto. Nem parecia ter um bebê novo.
Edward levantou-se prestativo.
—Senta aqui, mãe. — Ele apontou sua cadeira. Antes que ela sentasse, eu levantei e dispus a minha ao lado do meu pai para ela. Ela sentou.
—Esme! — Mamãe abriu a boca surpresa.
—Como vai, Renée? —Esme cumprimentou-a segura.
—Vou bem. São seus filhos? — Apontou em volta em choque.
—Sim.
Minha mãe estava branca como se tivesse visto um fantasma.
—Espera aí que eu vou buscar outra cadeira. — Emmett levantou, foi à cozinha e trouxe outra cadeira para Edward, que sentou ao meu lado novamente.
—São tantas emoções... — Jasper comentou afetado. Um silêncio quase que absoluto pesou no ar. Só ouvia-se o som de talheres. Foi meu pai a quebrar o silêncio.
—Susan dormiu? — Perguntou a Esme atencioso.
Ela baixou o olhar, embaraçada. —Sim. Ficou com a enfermeira.
—Quem é Susan? —Renée intrometeu-se.
—É minha filha caçula. — Papai respondeu orgulhoso. Minha mãe cobriu a boca com a mão, perplexa.
—Bom, gente, quero aproveitar que a nossa família está toda reunida e ... — Emmett hesitou e ficou em pé, com a mão de Rosalie na sua. —... Rose, aceite casar comigo. — Ele pediu carente e inseguro.
Ela deixou o queixo cair, pega de surpresa e olhou desnorteada a mãe, que a encorajou com o olhar.
—Espera, espera. — Ele tirou uma caixinha do bolso e ajoelhou-se dramaticamente. —Aqui, diante da nossa família, você, Rosalie Hale, aceita se casar comigo?— Eles se olharam segundos, ela levou a mão até seu cabelo e sorriu acolhedora.
—Eu aceito. — Ele levantou e a abraçou forte, depois colocou o anel no dedo dela. Eu suspirei sonhadora e apertei a mão de Edward.
Carlisle
A visita de Renée me deixou desconfiado. Desde que Bella nasceu ela abandonou a família e nunca se impôs. Sua presença era inusitada.
—Hum, Carl, gostei desta casa. — Entrou ousadamente no meu quarto, de camisola, e sentou em minha cama.
—Depois de seis anos que moro aqui agora que se importou em nos visitar? — Critiquei e continuei vendo TV, deitado.
—Carlisle... — Ela se ajoelhou na cama e engatinhou até mim. —... Senti saudade de você. — Colocou a mão no meu peito, eu tirei delicadamente e sorri incrédulo.
—Renée, você não se deu conta de que o tempo passou.
Antes que eu previsse, ela cobriu minha boca e sentou sobre mim.
—Mas eu não esqueci como você gosta. — Ela tirou o robe e a camisola que usava e expôs seus seios fartos, mas não naturais.
—Não, Renée. — Afastei-a e me levantei da cama.
—O que foi? Resolveu ser fiel a Esme agora?
Veio em minha direção novamente, colocou as mãos em meu pescoço e beijou meu rosto. Senti repugnância, mas precisava ser diplomático.
—Renée, pare. — Afastei-a cuidadoso e fui em direção a porta.
—O que é Carlisle? Eu sei que você está a fim. Você sempre me preferiu a àquela insossa. —Apontou com desdém. — Ela conseguiu, não é, te dar o golpe do baú? Como pode sua mulher ter ficado grávida com essa idade! Você realmente é um bobo! Pior que aquela sonsa é tão esperta que está garantindo o futuro de todos os filhos dela, empurrando eles para cima dos meus! — Acusou possessa.
Eu segurei seu braço forte, cheio de cólera.
—Não fale assim deles! De nenhum deles! Você não os conhece. Nem MINHA MULHER, nem os filhos dela. Eles são adoráveis, e... — Baixei o tom. Não deixaria Renée me desestabilizar. —Você não é mais bem-vinda em minha casa. Você nunca se interessou pêlos seus filhos e não precisa cumprir esse papel agora. Se quiser vê-los, faça como sempre fez, hospede-se em um hotel e saia com eles para tomar sorvete. — Salientei e apontei a porta para que ela saísse do meu quarto.
—Não se esqueça que Alice é menor de idade e eu posso tirá-la de você a qualquer momento. — Apontou com ironia.
—Sob qual alegação? Que eu não sou um bom pai? — Ri secamente.
—Não sei. Contrato bons advogados e eles que inventem o que quiser. Uma briga judicial iria deixar nossos filhinhos muito infelizes. — Provocou sarcástica.
—O que você quer, mulher? — Questionei entre dentes, segurando a maçaneta da porta.
—O de sempre. — Ela sorriu e sentou-se despreocupada na cama.
—Quanto?
—Cinco.
—Eu não entendo você. Seus pais te deixaram uma fortuna e mesmo assim você continua me extorquindo.
—Considere que é um investimento na companhia. — Ela vestiu seu robe sorrindo cinicamente.
—Mentira. Você dá esse dinheiro para ele gastar. Ele continua com você? Você ainda continua sustentando os vícios dele?
—Carlisle, cuide da sua vida. O que eu quero de você é só o que eu pedi... Por enquanto... Mas se você quiser matar a saudade... — Ela insinuou-se, eu afastei-a.
—Amanhã eu transfiro os seis zeros para a sua conta. Agora dá licença do meu quarto e, se possível, da nossa casa que minha mulher me espera. — Fiz questão de ressaltar, ainda que fosse mentira. Ela saiu batendo os pés. Eu segui atordoado pelo corredor para o quarto de Esme.
Esme amamentava Susan quando entrei. Sentei próximo a elas e passeei os dedos na cabeça da Susan.
—Como ela está?
—Calma e saudável. — Ela respondeu e não olhou em meu rosto.
Fitei seu semblante belo ainda com alguma maquiagem. Ela tinha uma beleza exótica que, mesmo com tudo que aconteceu, ainda atraía meu coração traidor. Susan terminou, peguei-a em meu colo, encostei-a em meu ombro para arrotar, depois me deitei na cama e coloquei-a sobre o meu peito. Esme deitou de lado e ficou passando as mãos no cabelo da Susan.
—Carlisle, por favor, vamos tentar ser amigos e criá-la em harmonia. Você quer tentar?
—Tudo bem. — Assenti sério. O silêncio no quarto era confortável. Eu não podia deixar a mágoa se tornar maior.
Bella
Edward voltou para Capital três de janeiro para um curso de inverno. Eu pensei ir, mas fiquei receosa em atrapalhar. Só depois compreendi que era melhor ter pouco tempo juntos, que ficar completamente longe.
—Ryan, Bella, tudo bem? —Liguei para Ryan depois de tomada a decisão.
—Oi, Bella.
—Já sabe o porquê do telefonema, né? Eu queria te pedir um favor. — Pedi hesitante.
—Pode falar. Para isso servem os amigos. — Ressaltou prestativo.
—Você pode negar, se quiser, mas é porque eu conheço Edward. Se eu gastar com hotel, ele não vai relaxar e vai acabar estragando o que eu quero fazer. — Expliquei ansiosa.
—O que quer aprontar dessa vez? — Brincou.
—Eu quero ir passar uns dias na Capital e sei que Edward não tem dinheiro para dividir contas de hotel comigo. Pior, sei que o machista não vai deixar eu pagar um mês de hotel sozinha, então...
—Pode ficar com o meu apartamento. —Ofereceu antes que eu concluísse. — Nem precisava explicar tanto. Lá está vazio. Eu vou ligar na recepção e avisar.
—Ai, Ryan, obrigada. Você é muito legal e nunca diz não. Adoro você. Tô te devendo mais uma.
—Não tem de quê. Sempre foi facinho enrolar seu namorado ingênuo. Nunca me custou nada. E Bella, você vai ter que fazer compras de comida. Lá não tem nada. Além disso, a minha funcionária está de férias. Se vocês quiserem que alguém limpe e cozinhe para vocês, me fala que eu ligo para ela indicar alguém.
—Obrigada de novo, Ryan, e pode ligar para ela sim. Eu tenho certeza que Edward vai adorar almoçar todo dia uma comidinha caseira. Um beijo.
Pedi autorização para o meu pai e segui de carro para a Capital. Ter dezoito anos era o céu. Mas não pude ir sem antes contratar um serviço via satélite de monitoramento para que papai me acompanhasse e liguei a cada três horas. Foram dois dias de viagem. Parei somente para dormir.
Chegando à Capital, fui direto para o apartamento de Ryan. Depois de um banho relaxante, liguei para Edward para programar a surpresa.
—Edward, tudo bem? —Sentei no confortável sofá de couro e abotoei a sandália.
—Tudo. E você?
—Estou bem, só com um pouco de saudade.
—Eu também. — Respondeu carente.
—Onde você está e o que está fazendo?
—Estou estudando no meu quarto.
—Hmmm, podíamos fazer umas coisas interessantes agora à noite. — Sugeri maliciosa.
—O que poderíamos fazer? — Perguntou mais animado.
—Eu poderia dançar para você... — Improvisei, testando-o.
—Hmmm, eu até queria, mas estou tão ocupando. Tenho que adiantar uns trabalhos do curso de inverno.
—Por quê?
—Ah, devo ficar sem tempo daqui para frente. O senador me ligou e disse que daqui a dois dias vem para Capital fazer uma série de reuniões de coligações, alianças e jantares. — Enumerou desanimado. —E como faço parte do quadro de assessores, devo acompanhá-lo.
—Tudo bem. Só peço um tempinho. Daqui a pouco vamos para fora olhar a lua que está linda hoje. Aí eu penso em você, e você em mim, e nós dois ficaremos juntos nem que seja um pouco. Promete? Em meia hora. — Propus. Minhas ideias românticas eram o melhor jeito dele sair lá fora sem suspeitar.
Ele sorriu rendido. —Tudo bem.
Desligamos, e eu desci correndo. Vinte minutos era o tempo que eu gastaria para ir até a universidade dele. Estacionei no campus, caminhei em passos rápidos e sentei em um banquinho, próximo ao dormitório. Fiquei olhando no relógio e na hora combinada ele saiu, de bermuda, camiseta e chinelo, segurando o notebook. Ele sentou em um banquinho de pedra próximo a porta, cruzou as mãos atrás da cabeça e olhou para o céu. A vida dele aqui era muito solitária. Quem dera que eu pudesse tirar ele pra sempre daqui. Por outro lado, eu queria realmente que ele alcançasse esse sonho árduo. O que eu pudesse fazer para isso, iria fazer.
Em silêncio, aproximei-me lentamente por trás do banco, e ele não advertiu minha presença. Tampei os olhos dele e encostei a boca em seu pescoço. Ele assustou-se e tirou grosseiramente minhas mãos dos seus olhos. Levantou na defensiva e olhou assustado para mim. —Bella. —Suspirou aliviado. —Quer me matar?
—Que foi, não percebeu que era eu? —Ri deliciada por ele ter reagido assim a um suposto avanço.
—Lógico que não! — Olhou-me meio perdido. —O que faz aqui? Que dia veio? Por que não me avisou? Está hospedada aonde? — Disparou. Ri animada, pendurei em seu pescoço e beijei sua boca. Ele resistiu um segundo, depois me apertou e correspondeu ao beijo.
—Estava com saudade de você. — Avisei entre beijos. —Não sei se consigo mais ficar longe de você muito tempo. Vim te sequestrar. Leva tudo que você precisar para umas semanas que eu vou te levar daqui. Te espero no meu carro.
Ele parecia atordoado. —Você não me respondeu nada... Veio no seu carro? Você pegou a estrada sozinha? — Censurou em choque.
—Sim. Mas não se preocupe. Para voltar, você volta comigo.
—E quando eu vou com você? — Questionou desnorteado, queria rir.
—No casamento da sua irmã, é claro. —Dei de ombros.
—Você vai ficar comigo aqui um mês?! — Seus olhos brilharam animados, ele ergueu-me em seu colo.
—Sim! — Respondi com entusiasmo e enlacei o seu pescoço, distribuindo beijinhos.
—E onde você vai ficar? — Li a preocupação que previ antes.
—No ap. do Ryan. — Disse natural.
—Ok. Espere-me. — Ele saiu rápido e empolgado.
Depois de lancharmos no MacDonald, passamos no mercado e seguimos para o ap do Ryan. A cobertura luxuosa dava a ideia de lar, nos proporcionaria uma boa experiência de convivência.
—Eu não quero atrapalhar você em nada. — Informei logo que saí do banho e o peguei guardando as compras. —Se eu puder só tomar café e dormir com você, já fico satisfeita.
—Obrigado por ter vindo. —Sorriu grato. — Você é uma namorada completa. —Guardou leite e frutas na geladeira. —Só que realmente meu tempo vai ser corrido. —Explicou preocupado. —Embora vou fazer de tudo para te dar atenção. —Prometeu.
Após o seu banho, deitamos na cama, ele ficou lendo, e eu deitei com a cabeça em seu peito. Cansada da viagem, dormi rápido. Ao acordar, ele já estava arrumado e me serviu café na cama.
—Vai no meu carro. — Propus.
—Não. Vou de coletivo. Você vai ficar entediada de ficar o dia todo aqui. Saia um pouco. —Sentou na beira da cama e me beijou no rosto.
—Não. Vá de carro, venha almoçar aqui e quando você voltar para a aula à tarde eu te deixo lá e vou passear. —Indiquei. — Você está tendo aula todos os dias em período integral?
—Sim. Curso de inverno é horário integral. Eu só tenho livre sexta a tarde.
—Tudo bem. Espero que hoje à noite eu não esteja tão cansada. — Aproximei dele e o abracei.
—Eu tenho que ir. Você vai fazer comida ou comprar?
—O Ryan pediu para alguém vir fazer.
—Então já vou. Espere-me para o almoço, futura esposa. Vamos experimentar como seria a nossa vida morando aqui na Capital— Ele sorriu, beijou minha testa, pegou uns livros e a chave do carro e saiu.
A moça indicada pela funcionária do Ryan para cuidar da casa chegou cedo, arrumou tudo rápido e fez comida. Depois que ela terminou a sobremesa, eu a dispensei. Preferia ficar sozinha com Edward quando ele estivesse em casa.
Os dias se passaram rápidos, as reuniões começaram a acontecer. Edward tinha livros para ler, trabalhos para adiantar, projetos. Teve dias que chegava tarde, saia cedo, isso quando não tinha que ler até tarde da noite. Eu sempre dormia em seu peito com ele lendo. Teve dias que nos vimos somente nos cafés da manhã, que ele me levava na cama, e no almoço. No fim de semana, ele se entregava como desesperado aos livros, ganhando o tempo perdido na semana.
No geral, ele tentava dividir o seu tempo em estudar, me dar atenção e ir às tais reuniões alguns dias à noite. Todavia, com o passar dos dias, comecei a ficar triste, perguntando-me se realmente foi uma boa ter vindo. Notei o olhar dele de preocupação, olhar de culpa por ter que me deixar só em um lugar onde eu não conhecia ninguém. Ele estava dividido, e eu piorava as coisas, tornando tudo mais difícil quando mostrava carência e tédio.
Minha rotina se resumiu a assistir televisão, algumas idas ao shopping e buscar ele na Universidade. Quando ele tinha que sair a noite, ele ia no carro, e às vezes voltava tão tarde que eu não o via. Nem me procurar sexualmente ele não fez mais, talvez por sentir culpa por não poder me dar atenção suficiente.
Já no último dia de janeiro, acordei cedo, antes dele e coloquei o café na cafeteira, isso eu sabia fazer. Eu já tinha tomado uma decisão. Não devia fazer isso conosco: nos desgastar assim. Percebia que ele estava infeliz, sentindo-se ruim com tudo, e isso nos distanciou. Tirava um pão da torradeira quando o senti encostando-se a mim, beijando a minha nuca.
—Bom dia. — Sussurrou, virei para ele e acariciei seus cabelos molhados do banho. Ele estava tão insuportavelmente lindo!
—Bom dia. — Sorri apaixonada.
Preparei o lanche e pus sobre o balcão de mármore. Comemos calados, e o silêncio foi incomodo. Terminei de lanchar, ele foi se arrumar, e eu deitei no sofá de blusão do piu piu.
—Edward, eu vou embora. — Informei quando ele voltou à sala.
Ele olhou triste em minha direção e baixou o olhar, chateado.
—Olha, eu estou atrasado, e a aula de agora de manhã é muito importante, mas a tarde eu vou matar aula e ficar com você para conversarmos. Você me espera? — Ele sentou-se na ponta do sofá e me deu um beijo na testa. Eu morria de saudade dele.
—Eu vou te esperar. — Assenti triste. Ele saiu.
A manhã se passou rápida entre desenhos e programas chatos na TV. Tomei banho, me arrumei e esperei que ele chegasse. Ele chegou, almoçamos e sentamos no sofá.
—Não está dando certo, né? — Começou cautelosamente. —Está ruim para você. — Acariciou meu rosto com olhar pesaroso.
—Não completamente. O importante é que ficamos juntos alguns dias. — Dei um sorriso forçado. Eu não queria deixá-lo culpado.
—Quer conversar? — Ele pegou a minha mão e beijou.
—Não. Acho melhor você não perder aula, melhor você ir.
—Vou ficar com você. Eu quero conversar. — Pegou em meu rosto insistente.
Eu fiquei calada uns minutos, pensando se seria uma boa falar e magoá-lo ou ficar calada e ir embora.
—Er, eu não devia ter vindo. — Disse por fim.
Ele tirou a camisa, deitou no sofá e me deitou ao seu lado, colocando antes o braço de apoio para meu pescoço.
—Eu gostei de você ter vindo. Mesmo que esteja tudo corrido e que eu não tenha tempo, só de ter você na cama e de sentir o seu cheiro antes de dormir, é ótimo para mim... Porém, eu sei que é melhor que você vá, por você. Eu sei que tudo está entediante pra você. Se eu fosse agir como egoísta, eu pediria para você ficar, todavia eu quero o seu bem. — Disse pausadamente. Olhei seus olhos e eles eram sinceros. —Imagine, Bella, como é minha vida aqui. É justamente isso que você tem presenciado, porém longe de você. Então o fato de você estar perto torna tudo mais fácil.
—Poxa, eu nem vejo que horas você dorme. — Lamuriei, mas não queria magoá-lo, simplesmente estava triste com a vida que ele levava.
—Mas só de ter seu calor na cama que eu durmo, eu fico feliz. De acordar com você, tomar café com você, almoçar com você. — Ele acariciava o meu rosto cheio de ternura.
—Por que estamos fazendo amor tão pouco? — Questionei magoada.
Ele ficou calado, passando as mãos em meu cabelo. —Você sabe... Eu não gosto de fazer nada com pressa, com preocupação... Mas eu tenho deixado de te dar carinho?
—Não. Mas eu sinto falta de você fisicamente. — Murmurei e passeei os dedos em seu peito.
—Eu lamento que você vá, lamento por tudo ter que ser assim. Você não sabe o quanto eu sinto falta de você, o quanto eu queria poder sair, passear, namorar... Mas está corrido. Acho que este ano as coisas podem se tornar muito piores. Já estou começando a me arrepender de ter aceitado ser assessor. — Resmungou. —Talvez não seja a hora ainda. Talvez fosse melhor ter esperado terminar o meu curso.
—Não, Edward, você consegue. Se não fosse eu te dando preocupação aqui, você nem estaria com esses pensamentos. Eu vou ficar mais esses dois dias e vou embora.
Ele me abraçou forte, beijando o meu rosto.
—Faça o que for melhor para você. Eu quero que você fique feliz.
—Você gosta mesmo de mim aqui? Tem certeza que eu não estou te atrapalhando?
Ele me beijou na boca lento, sério, segurando meu rosto. —Bella, eu te amo. Coloque-se no meu lugar para saber como eu me sinto ao ter você pelo menos esquentando meu corpo. Saber que eu posso pegar nos seus cabelos, sentir o seu perfume, encostar minha perna em você, vigiar o seu sono. Imagine como eu me sinto só de entrar naquela porta e saber que você está aqui, saber que eu vou ganhar um beijo de boa noite. Você é meu tudo. É o que eu tenho de mais importante. E ainda que eu tenha que ler na cama ao invés de fazer amor com você, só de ter você dormindo em meu braço, ou em meu peito, só de sentir sua respiração, eu me sinto a pessoa mais afortunada do mundo. Agora você quer mesmo saber se está me atrapalhando? Não. É lógico que não.
Sorri contente, pois tudo que eu queria era fazer meu namorado feliz, tornar a vida dele um pouco mais fácil.
—Hmmm, eu não vou embora com uma condição... Quero você todos os dias que eu estiver aqui. — Passei a mão na sua barriga, seguindo com ela para o cós da sua calça. —Dizem que os homens só precisam de três minutos. — Insinuei, ele revirou os olhos. —Mas eu quero que marque vinte minutos na sua agenda para mim, nem que seja de madrugada, mas eu quero fazer amor todos os dias.
Ele sorriu e beijou minha boca, já se desfazendo do meu blusão.
—Adoro você. Você acha que eu acho ruim? Minha preocupação em relação a tempo é só com você. Não gosto de ser egoísta como na parede do clube.
Desse dia em diante, tudo mudou. Sacrifiquei meu tempo para impulsioná-lo a seguir com seus planos e objetivos. Ainda que sua luta fosse árdua no momento, as lutas eram pedras fundamentais para o alicerce do futuro que ele buscava.
—Edward, você sabe por que meu casamento vai ser aqui em Forks? — Rosalie perguntou nervosa, no dia de seu casamento, em Forks. Esperávamos os retoques finais que as maquiadoras faziam nela.
Edward não respondeu, sorriu de um jeito conspirador e me abraçou.
—Rosalie, ele sabe de alguma coisa e também não quis me falar. — Olhei-o acusadora. —Ele está todo enigmático. Cheio de segredinho com Emmett e com meu pai. — Fingi mágoa. —Edward, me conta, vai. —Sussurrei em seu ouvido, pendurava em seu pescoço.
—Você vai gostar da surpresa. Eu que sou homem adorei a ideia e estou com inveja de ser eles e não nós. — Comentou com um brilho de felicidade nos olhos, e resolvi acalmar minha curiosidade. Descemos as escadas do hotel pequeno que nos hospedamos desde o dia anterior, e a limusine nos esperava. Ajudei Rosalie com a calda do vestido e entramos no carro. Edward abriu um champanhe e nos ofereceu. —Para vocês relaxarem. — Piscou, quando nos entregou o copo. Ele estava deslumbrante com o meio fraque preto, camisa branca e colete prateado.
O carro estacionou na rua onde eles moraram, e vi surpresa uma mansão enorme construída ao lado da antiga casa. Ela estava toda enfeitada com flores, várias cadeiras espalhadas por um jardim. Ao lado da casa tinham arcos de vime, que era o altar, coberto com flores do campo e copos de leite.
Olhei boquiaberta para Edward, e ele sorria.
—De quem é essa casa? — Ofeguei.
—Você logo vai saber.
Dei mais uma olhada e o número de pessoas presentes era enorme.
—Eu não sabia que seu antigo quintal era tão grande. Será que o dono daqui aluga para eventos agora? — Perguntei abobalhada. Rosalie permaneceu estática.
—Vocês estão muito bonitas. — Desviou o assunto, sorriu e apertou minha bochecha.
Rosalie
Só de olhar janela a fora eu ficava à beira do pânico por puro nervosismo. Edward desceu, falou com o cerimonial, voltou e estendeu a mão para mim.
—Rose... É uma pena não termos tido um pai decente para poder presenciar esse momento, porém eu estou muito honrado e feliz de te levar ao altar.
Eu levantei, segurei as lágrimas nos olhos e abracei meu irmão.
—Nenhum pai me traria tanta felicidade como ser levada por um irmão como você. — Declarei. Ele me abraçou forte e beijou a minha testa.
—Vamos que agora é a sua vez. — Segurou minha mão. Ouvi o som de um piano e meu coração acelerou. Edward segurou forte meu braço, encorajador.
—Sorrindo de quê, Edward? — Eu tentei arrumar um assunto para me acalmar.
—Da vida.
Coloquei meus pés no tapete e no instante seguinte um solo de guitarra se iniciou tocando a marcha nupcial junto ao piano. As pessoas ficaram em pé, e meus olhos encontraram Emmett no altar tocando a marcha na guitarra, com o sol da manhã brilhando em seus olhos cor do sol. Respirei fundo e segurei as lágrimas. Tudo que um dia sonhei acontecia. Um casamento digno de princesa. Andamos a passos curtos, e Emmett me olhava intensamente, tocando, sem tirar os olhos de mim. Algo por trás dele me chamou a atenção, avistei Thaty entre minhas damas de honra e não contive as lágrimas. Ela vestia igual Jéssica e Alice.
—Respira, Rose. — Edward cochichou.
Alcancei o altar, Edward me entregou a Emmett, que sorriu, beijou minha testa e ficamos de frente ao reverendo. O sermão se seguiu, trocamos as alianças de dedos, uma música começou no piano e com a voz firme e rouca, Emmett e Alice começaram a cantar.
Shanaya Twain e Bryan Adams- From this moment
... A partir deste momento você será a única. Ao seu lado é onde devo estar. A partir deste momento eu fui abençoado. Eu vivo somente para sua felicidade.
E pelo seu amor eu daria meu último suspiro. A partir deste momento eu dou-lhe minha mão com todo meu coração, não posso esperar para viver minha vida com você, não posso esperar para começá-la, você e eu nunca nos separaremos.
Edward
Esperei Bella tocar o piano e, quando ela sentou-se ao meu lado, coloquei uma caixinha de veludo em suas mãos.
—Por que eu estou ganhando presente hoje? — Ela perguntou e abriu a fita lentamente.
—Dia dos namorados... — Expliquei, e ela pareceu surpresa. Devia ter esquecido a data. —É ouro. —Elucidei solene. —Eu não posso me esquecer de te encher de ouro. Lembra? — Sorri e continuei assistindo a cerimônia.
Ela abriu devagar a caixa, pegou o adorno e esticou na mão. —Uma pulseira! — Ofegou.
—Não. Uma tornozeleira. —Esclareci.
—Qual o significado? — Sibilou curiosa, olhando os detalhes da jóia.
—Hmmm, bom. —Limpei a garganta. —Na idade antiga, a tornozeleira significava compromisso familiar. Em outras culturas, quando as meninas se comprometiam recebiam a tornozeleira e só se libertavam de usá-las quando tinham o primeiro filho. Há crenças que acreditam que a tornozeleira adianta o casamento. Como vê, estou tentando te amarrar de todos os lados. — Sorri.
—Edward, você não tem dinheiro! —Censurou preocupada. —Seu cartão e suas contas estão comigo!
—Eu comprei ano passado. Ainda tinha um pouco. —Justifiquei. — E não estrague. Diga se gostou. — Apertei sua bochecha. Enquanto conversávamos, minha mãe e seu pai assinavam um livro no altar.
—Eu amei e amo tudo que vem de você. Espero que essa tornozeleira tenha o poder de adiantar nossa vida. — Sorriu e beijou suavemente o meu rosto. —Eu queria que fosse o nosso casamento hoje... —Disse sonhadora. — Quanto ao seu presente do dia dos namorados. — Olhou-me maliciosamente. —Eu te dou mais tarde. — Mordeu os lábios.
—Hmmm, não vejo a hora. — Passeei os dedos em seus lábios, ela beijou.
—Se você quiser posso te dar agora. —Sugeriu. — Está dentro do meu vestido... É só sairmos para algum lugar isolado. — Sussurrou, provocante.
—Não... Aqui não... Nem pense em fazer isso comigo aqui. — Neguei indefeso, e ela apertou a minha coxa, inclinou e beijou meu pescoço.
—Garanto que eu conseguiria. —Subiu com a mão sorrateiramente, ignorando o público.
—Você sabe que consegue o que quer de mim... — Fechei os olhos rendido aos seus beijos em meu pescoço. —Esteve comportada demais ultimamente para ser verdade. Até estranhei.
—Vamos ali. Quero conhecer a reforma do seu quarto antigo. — Disse sugestiva e puxou meu braço apressada, enquanto isso o reverendo dava as bênçãos finais.
Carlisle
O casamento foi algo surpreendente. Simples e luxuoso. Estaria nas maiores revistas do país. Realizado, conversei com o prefeito e conhecidos antigos, depois voltei para perto de Esme.
—O que achou? — Perguntei enquanto ela limpava a boquinha de Susan no meu colo.
—Foi linda. — Ela sorriu. —Eu não tenho nem como agradecer o que você faz por nós. — Agradeceu amistosa. —De quem é essa casa, Carlisle? — Quis saber desconfiada.
Sentei ao seu lado e passei os dedos nos cabelos da minha filha.
—É dela. Se você quiser mudar de volta para cá, pode vir.
Ela ficou uns instantes calada, olhando para o chão. —Você comprou esta casa?
—Sim.
—Por quê?
—Investimento. — Dei de ombros casual.
Ela demorou mais um tempo calada e colocou a mão por cima da minha.
—Carlisle, você se importa se eu ficar na sua casa mais uns dias? Não tem sentido eu morar aqui em Forks sozinha... Ficarei em sua casa só até comprar uma casa em Seattle. Assim Jasper pode ir morar comigo e continuar o tratamento lá. Alem disso, não quero que minha filha cresça longe do pai.
Eu sorri acolhedor.
—Esme, você pode ficar na minha casa o tempo que você quiser.
Emmett- Opcional
Saímos de Washington para Fernando de Noronha às seis da tarde de sábado. Na manhã do dia seguinte, saímos para almoçar, ela se bronzeou à tarde, e não falou nada sobre fazer amor. Os carinhos dela estavam diferentes, mais entregues e apaixonados, mas era só chegarmos ao quarto do hotel, ela ficava tensa e se retraía.
Mais uma noite permaneci deitado, olhando para o teto. Era a segunda noite nossa no hotel e não havia mais desculpa de cansaço, porém não sabia se podia procurá-la ou não.
Ela tomou banho, perfumou-se e veio deitar usando uma camisola de seda branca, que demarcava todo o seu corpo. Ela não emitia nenhum som além de uma respiração baixa e pausada. Ela sorriu e passou o braço em meu pescoço, vindo beijar minha boca. Correspondi e puxei-a para cima de mim, para que ela tomasse rédeas da situação.
Ela me beijou, passando as mãos em meu peito, sugando a minha língua. Seu coração batia forte, e suas mãos tremiam excessivamente. Coloquei-me por cima dela, tirei seu robe e beijei lentamente seu corpo.
—Ross, eu te amo. Você confia em mim?
—Sim.
Passei alguns minutos preparando-a, beijando sua boca, pescoço, sentindo a sua pele de seda, perfume. Aos poucos, ela relaxava e entregava o seu corpo em minhas mãos. Devagar, tirei seu sutiã, depois a calcinha e fiquei fascinado com o seu corpo nu. Nunca vi tanta perfeição.
Passei a língua nos seus mamilos, barriga, louco da vida pra entrar nesse corpão que eu sempre desejei. Esperei tanto esse dia que o medo agora era não conseguir. Estava difícil segurar a excitação acumulada. Mas ela era minha mulher, e eu devia proporcionar uma noite linda, do jeito que mulher sonha.
—Ross, calma. — Passei os dedos em seu rosto, que estava suado. Continuei beijando e, ora ela suspirava, ora soltava gemidos tímidos. —Fala pra mim o que você gosta?
—De tudo em você. — Disse baixo e ofegando.
Desci com a boca em sua barriga, cintura, umbigo, e ela tremia, mesmo assim eu prossegui descendo com a boca, tentando fazê-la relaxar. Eu já pulsava e precisava do toque de suas mãos, queria o contato dela. Voltei para os seus lábios e coloquei sua mão em meu necessitado órgão. Ela acariciou sem medo, sem vergonha.
Eu já estava louco para consumar o ato, olhei seus olhos, e ela abriu um pouco a perna para mim, suas pernas tremiam. Suspirei de felicidade em saber que ela tentava perder o medo, embora estivesse tensa e com muito nervosismo.
—Está pronta?.
—Uhum. — Ela sorriu, segurei seu quadril firme e com toda a experiência que tinha, procurei caminho contra o corpo dela. Respirei fundo quando percebi quão difícil estava. Ela se contraiu, arqueou o corpo e uma lágrima brotou em seus olhos, era lágrima de dor. Parei e esperei, talvez ela estivesse muito tensa.
—Continua... — Ela me encorajou, mas sua voz falhava de nervosismo.
Beijei sua boca, pescoço, seios e tentei novamente investir nela. Trêmula, ela soltou do meu beijo e se agitou, depois ergueu o corpo e se afastou de mim. Ela não estava colaborando, e eu estava prestes a desistir. Segurei sua mão e suspirei, procurando seus olhos. Ela pediu de novo que eu continuasse, que não parasse. Tentei de novo, penetrei mais um pouco. Ela rangeu os dentes e deu um gemido de dor. Resolvi parar. Embora ela se esforçasse, meu tamanho a machucava. Afastei do corpo dela e acendi o abajur, esperando a excitação passar.
Seu semblante era inseguro. Isso ia ser mais difícil do que imaginei. Passei o dedo em seu rosto e algo me chamou a atenção. Tinha sangue em mim e no lençol. Ela sentou e olhou o sangue sem entender. Levantamos, ela foi ao banheiro calada, eu peguei o lençol, troquei e ela voltou novamente.
Deitei na cama e, ainda em silêncio, ela pegou a camisola para vestir.
—Não veste, não. Deita aqui. — Estiquei o meu braço e ela deitou nele. —Ross, preciso te falar algo... Aquele cara não fez nada com você... Pelo menos não internamente.
Ela juntou a sobrancelha perdida. —Como assim? Como você sabe?
—Antes de você eu já tive outras experiências. E, você não tem o mínimo sinal de uso... Você não teve ninguém.
Ela sorriu de um jeito libertador, feliz e me abraçou. —Emmett, eu te amo.
Como eu esperei por esse dia, o dia que ela reconheceria que me amava e se entregaria a mim. Depois da revelação, ela me beijou de um jeito entregue, sem medos, confiante. Começamos tudo de novo.
Edward
Conversei com os mestres e fui dispensado das aulas terças e quintas à tarde para ir ao Capitólio. Voltando à rotina habitual, percebi o cansaço físico acumulado já no início do ano. Praticamente não tive recesso... Sonho que este seja o último assim.
—Edward, essa campanha vai tomar muito tempo. Já me sinto exausta. —Srta. Evans estava dizendo, sentada ao meu lado num restaurante reservado para reunião. — Você também está cansado? —Ultimamente ela sempre forçava algum assunto profissional.
—Só um pouco. — Respondi indiferente.
—Acho que vou ter que convencer meu pai a ligar na Universidade. Por que você não pede para ele ligar na sua também?
—Sob qual alegação? — Franzi o cenho desentendido
—Para você não precisar estudar tanto. Eu vejo que sempre você anda com um livro na mão mesmo nas reuniões e, no mínimo espaço de tempo, você foge e lê. Se meu pai ligar para seus professores, suas notas serão mantidas mesmo que você não estude.
Encarei-a desacreditado da proposta inescrupulosa.
—E por que seu pai não faz isso pelo Ryan? — Arqueei a sobrancelha irritado com sua presença forçada.
—Porque meu pai não gosta de facilitar as coisas para Ryan. — Explicou com pouco caso. Encarei-a ofendido por seu desdém com o irmão.
—Senador, eu não vou esperar o jantar. — Joguei o lenço sobre a mesa. —Tenho que terminar um trabalho. — Disse sério. Ele olhou analiticamente de Ashley a mim, e assentiu.
—Boa noite.
Retirei-me imediatamente, peguei um coletivo e voltei para o campus. Eu necessitava urgentemente de um carro, pois seria essencial não precisar mais pegar carona com Ashley após as reuniões. Mas todo o dinheiro que tinha o disponibilizei para Jasper.
Durante o trajeto de avião até a Califórnia, aproveitei meu tempo de ócio e digitei um trabalho que iria entregar dentro de um mês. Minhas aulas começaram, e eu tinha que aproveitar momentos de folga. Após um tempo de vôo, Ashley sentou-se ao meu lado e tentou iniciar diálogo. Percebeu rápido minha indisposição.
—Edward, você vai jantar conosco. — O senador comunicou. Não era um convite.
—Senador Evans, lamento, mas eu não posso ficar para jantar. Tenho um compromisso. — Declinei gentilmente. Não estava ali a trabalho e fazia mais de quinze dias que não via Bella, portanto minha prioridade era vê-la.
—Filho, eu sei a que você veio, mas você devia jantar comigo, pois eu vou convidar alguns aliados daqui da Califórnia. — Insistiu mais uma vez.
—Precisa mesmo que eu vá? — Questionei em dúvida, sem ocultar a insatisfação.
—Se você quer um futuro na política, tem que ter foco. Na mínima chance de se fazer conhecido, tem que aparecer. Lembre-se: quem não é visto, não é lembrado. E eu só quero te ajudar. — Elucidou prático.
—Eu irei. Obrigado. — Agradeci e voltei a digitar frustrado por não poder sair com Bella e passar um tempo de qualidade como namorado.
Após o jantar, fiquei mais meia hora e chamei um táxi para ir ao apê do Emmett. Passei apressado na recepção, peguei a chave que Bella deixou e subi. Era onze horas, e o apartamento estava em completo silêncio. Bella dormia. Mesmo tendo prometido acordá-la mais cedo, não a acordei. Sua nova rotina de aulas na faculdade UCLA em período integral devia tê-la esgotado. Tomei banho, vesti um short e deitei na cama de casal que ela comprou para o período que morasse aqui na Califórnia. Aproximei-me, beijei sua nuca e aspirei seu perfume. Abracei-a, deitei colher e deixei o sono me levar.
Acordei na madrugada desorientado. Por ter dormido um pouco cedo, fora do meu costume habitual, perdi o sono e lembrei onde estava só quando senti um corpo quente encostado a mim.
Uma enorme felicidade me invadiu ao perceber que era real, ela dormia em meus braços. Suspirei agradecido e abracei-a forte, tentando dormir novamente. O sono não voltou e, saudoso, passeei lentamente as mãos sobre a seda que lhe cobria o corpo, acariciando suas curvas. Passeei com a ponta dos dedos do quadril a coxa morrendo de saudade.
Mergulhei o rosto em seu cabelo e cheirei seu pescoço, um perfume doce e suave acendeu meus sentidos. Aproximei-a mais, apaixonado por minha pequena e meiga mulher. Meu corpo desobedeceu aos comandos repressivos do meu cérebro e se acendeu involuntariamente, transformando a saudade em desejo.
Como se o objetivo fosse tirar meu equilíbrio, ela deu um fugaz gemido e arqueou, aconchegando a nádega ao meu quadril. Eu que já lutava por sensatez, padecendo ardentemente de saudade de seu corpo quente envolvendo-me, aos poucos perdia o equilíbrio.
Fechei os olhos e, de novo, busquei o controle e o sono, mas meu corpo teimava em não ignorá-la. Pior, ela não usava roupas íntimas. Acariciei novamente sua perna e subi por dentro da seda até a barriga, ao tempo que beijava seu ombro, pescoço. Meu controle se dissipava lentamente... Eu a queria agora.
Afastei seu cabelo e subi com os lábios para sua orelha, explorando toda a área externa com a língua. Faminto, rezei que ela me aceitasse, que acalmasse minha saudade. Ela suspirou lânguida e se empinou mais sensualmente. Despertava do seu sono.
Continuei deslizando minhas mãos por seu corpo e toquei em seus seios, ainda mordiscando orelha, a língua no ouvido. Ela ofegou baixo, mas ainda permaneceu com os olhos fechados, de costas para mim. Desci a mão e acariciei sua pélvis. Ela abriu a perna receptiva, inconscientemente aceitando.
—Quero você. Estou morrendo de saudade. — Sussurrei em seu ouvido e mordisquei seu pescoço. Ela gemeu baixinho e inclinou a cabeça ligeiramente para trás, dando espaço. Senti uma on da de calor, as chamas da paixão me tomaram de assalto e fez-me perder a cautela, transformando-me em um sedento em busca da sacies. Tirei sua camisola por cima. Ela se pôs a mercê do meu comando sonolenta. Desfiz de meu short, e encostei-me em suas costas, acariciando seus seios com as mãos, estimulando o mamilo nos dedos enquanto beijava sua nuca, ombros, linha da coluna. Desci a mão e toquei-a intimamente, abri-a com os dedos e esfreguei a umidade. Ela estava quente e úmida. Sempre quente. Ansioso, mudei-a frente a mim, procurei seus lábios e explorei sua boca. Sua quietude não me desestimulava. Mesmo indolente ela estava cálida e o contato de nossa pele nua trazia-me arrepios. Ainda estimulando-a com os dedos, não resisti, procurei o caminho entre suas coxas, posicionei-me de um ângulo eficaz e penetrei-a lentamente, sentindo uma afável e cálida recepção em seu corpo. Um gemido baixo e preguiçoso foi arrancado dela quando mergulhei profundamente.
"Hmmm, meu amor." Gemi e estremeci deliciado, sentindo-me acolhido, de volta ao lar, envolvido de amor. Eu a trouxe para mais perto e fui mais dentro, mais fundo, sem conseguir conter os gemidos da minha garganta. O prazer era... Mágico. Eu me movimentava e mantinha os olhos fechados para degustar as mínimas sensações de calor, enquanto meus lábios exploravam seus seios, suprindo-me do gosto, gravando-a em minha mente apaixonada.
Após um tempo de exploração egoísta, sua quietude anormal me chamou atenção e me deu um golpe na consciência.
—Está comigo? —Sussurrei ofegante. — Quer que pare?
—Estou amando. Continua, por favor. — Murmurou preguiçosamente, entregue.
Sorri embevecido, coloquei-a de bruços sobre um travesseiro e beijei-lhe nas costas, passeando os dentes por toda a extensão até a nuca. Ela ergueu o tronco com um gemido e ofegou, com os pêlos eriçados. Sorri vaidoso, pus-me sobre ela e deslizei para dentro dela novamente. Eu era pura felicidade entrelaçada em uma agonia contínua, meu corpo em servidão, decorando-a, escrevendo meu corpo no seu. Fazia amor lento, com movimentos calmos, paixão, suavidade, como uma melodia deliciosa.
Após um tempo persuadindo-a, incitando-a a participar, ela empinou o quadril, recebendo-me mais, oh Deus, e meneou o corpo circularmente, arfando, levando-me a uma ânsia insana. Segurei suas mãos e beijei seus braços, ombros, pescoço.
—Te amarei para sempre. — Prometi sem ar. —Eu nunca vou cansar de você.
Nossos corpos em um só mergulharam ávidos em um amor louco, ao tempo que a cobria de promessas, declarações e sentimentos verdadeiros. Ajoelhei, trouxe-a para trás e acelerei meus movimentos, com a mão ainda estimulando-a. Entre gemidos, a paixão explodiu ao mesmo tempo, com uma intensidade incomparável de corpos que se amam desvairadamente.
No calor, fui tomado pelo êxtase e caí sobre ela, invadido pela dormência, tomado pela sublimidade do ato. Ela estremeceu sob mim, em ondas finais. Éramos corpos suados, molhados, pernas e braços entrelaçados, unidos pela satisfação plena do nosso ser.
—Você é a mulher cálida que realiza meus sonhos. — Ciciei, ela levou a mão acima para acariciar minha nuca, fechou os olhos e escorregou para o sono. Ouvi o som do seu silêncio, senti sua respiração, abracei-a e, com o corpo saciado e lençóis desfeitos, acompanhei-a.
Ao acordar e sentir a eletricidade de nossos corpos colados e enrolados pelos lençóis, tive flashs de lembranças. Foi como um sonho. Se não tivéssemos amanhecido nus e com sinais de amantes, eu acreditaria que foi irreal.
—Amor... — Tentei acordá-la. —Lembra que você dormiu comigo? — Sussurrei advertindo-a que eu estava na cama. Ainda tinha dúvidas de sua sensatez quanto à madrugada. Beijei suas costas persuadindo-a a acordar.
—Lembro de tudo. —Abraçou o travesseiro. — E amei você ter tido atitude. — Disse baixo.
—Estava com tanta saudade de você que não me controlei. — Afaguei seus cabelos, embriagando-me com seu cheiro.
—Somos um do outro. Eu gosto quando você toma iniciativa. Quero você sempre e estou disposta a usufruir tudo que pudermos. — Tranquilizou-me. Abracei-a com uma alegria indescritível, como se o meu lugar no universo fosse ao seu lado, onde a saudade contínua era amenizada.
Trouxe-a para descansar em meu peito. —Bella, já te disse que você é o meu sol e que a vida é escura e fria sem você?
—Já. E eu sei porque você se sente assim. É por causa da cidade sem calor humano que você mora. —Abraçou-me e esfregou o rosto em meu peito. — Eu também estava morrendo de saudade. Agora está mais difícil que antes ficar dias longe.
—Eu também achei... Estou muito viciado em você. — Murmurei e trouxe uma mecha de cabelo ao nariz.
—Eu queria poder acordar todos os dias com você. — Distribuiu beijos em meu peito.
Ignorando a reação masculina do meu corpo, afastei-me delicadamente, peguei meu short ao lado da cama e vesti. Depois deitei novamente.
—Amor, temos que acertar umas coisas. Eu queria muito vir sempre e acordar com você sempre, mas está difícil. Eu não vou poder vir todas as quartas, porque o senador só sai daqui às dez horas da quinta, então eu irei perder as aulas da manhã de quinta. Além disso, nos fins de semana, não posso vir todos, pois eu tenho que reservar um tempo para estudar.
—Não se preocupe. Eu tenho uma solução. — Disse compreensiva, sempre buscando amenizar minha culpa. —Você vem de quinze em quinze dias nos fins de semana, porque como minha tarde ficou livre na sexta, quero ir para casa de quinze em quinze dias. Eu não quero deixar de ir à empresa de Seattle. Além disso, eu posso ir à Capital quando a saudade estiver insuportável, já que daqui sai avião toda hora para lá. — Propôs animada.
—Você não sabe o quanto é importante para mim. — Bajulei-a comovido por sua complacência. —É meu porto, meu ponto de apoio. — Beijei sua testa e enlacei meus dedos em sua nuca. —O que achou da Universidade de Los Angeles?
—Adorei! É muito legal! Eu me sinto adulta! Já tenho até amigos. — Ela sentou na cama deslumbrada.
—Eu sabia que você iria gostar. E o seu curso de alemão, vai parar?
—Vou continuar a fazer aqui. Já arrumei um lugar.
Peguei seu rosto e acariciei, olhando-a intensamente.
—Bella, volta a fazer francês. —Pedi humilde. — Assim treinaremos juntos. Podemos fazer juras de amor em francês, depois você faz italiano e nós brigamos em italiano. — Propus e sorri.
—Hmmm, a ideia das juras em francês é boa... Agora brigar... — Ela levantou as sobrancelhas, fingindo pensar.
—Estou brincando. Mas eu quero você próxima a mim novamente. Eu sei que você foi fazer alemão para se afastar de mim, então, por favor, volta para o francês. — Implorei.
—Tudo bem. Posso fazer os dois. Vou ocupar bastante o meu tempo. Eu não sou que nem você, uma obcecada por notas. Se eu passar com oito, fico satisfeita. Fala pra mim, quantos oitos você tem?
Sorri presunçoso e olhei para o teto, assoviando. Ela colocou a mão na boca. —Você não tem nenhum?
—Não. — Continuei sorrindo.
—E nove? — Pressionou.
Balancei a cabeça em negativa, ainda sorrindo. Ela arregalou os olhos.
—Fala sério, Edward! — Ofegou desacreditada.
—A última vez que eu tirei um nove, eu estava no primário.
—Você é um maníaco mesmo! — Ela riu e deu um tapinha em meu ombro.
Enlacei sua cintura e sentei-a em meu colo, ao tempo que deslizei os dedos no seu estômago.
—Mas eu tenho um nove e meio nesses dois anos de curso. Foi no primeiro semestre. Mas ainda vou tentar persuadir alguém para mudar o boletim. Eu não mereço aquilo. — Fiz uma cômica cara de horror, divertido com o seu olhar de admiração. Subi a mão e acariciei seu seio nu. —Melhor você se arrumar. —Propus rouco ao sentir a magia recomeçar em nosso corpo.
—Não vou. Vou ficar com você. — Levou os dedos aos meus cabelos.
—Você tem que ir. Não pode começar o semestre matando aula? — Inclinei-me e dei beijos em seu seio.
—Os dois primeiros dias foram a maior enrolação. Como você diz, eu não posso perder minutos seus. — Ela afastou-se do meu colo e enrolou-se no lençol.—Gostou da super king? —Deitou na cama e abriu os braços. —Espaçosa, né? — Sorriu convidativa.
—Adorei. Mas vamos fazer assim, vou me arrumar, cumprimentar Emmett, lanchar e depois ficamos aqui até as nove. — Dei um selinho e sentei na ponta da cama.
Ela se ajoelhou e veio engatinhando na cama até mim.
—Sabia que aqui agora vai ser o nosso ninho de amor? Nosso cantinho de paz?
—Você é o meu lugar de paz. — Declarei, deitei-a em meu colo e beijei seu rosto, enquanto acariciava seu quadril. Ela ficava tão à vontade com sua nudez.
Cada um fez sua higiene matinal em banhos separados, saímos do quarto e encontramos Rose lanchando. Rosalie abraçou-me feliz.
—E aí? Como está a nova vida, nova cidade e marido? — Perguntei quando sentamo-nos à mesa. Ela preparou o nosso lanche.
—Responde, Ross, que eu também quero saber. — Emmett comentou e a abraçou por trás, distribuindo beijos em seu rosto enquanto passava as mãos em seu corpo. Desviei o olhar e sorri sem jeito com as carícias públicas.
—Estou amando tudo, principalmente o marido. — Ela respondeu tranquila. Era nítida a felicidade deles.
—Está gostando do curso, Rose? — Tentei manter um diálogo antes que ele esquecesse que estávamos lá.
—Sabia, Edward, que os Cullen subornam as pessoas? Eu tenho certeza que subornaram alguém para conseguir uma bolsa de psicologia na UCLA para mim.— Ela insinuou e Emmett olhou para cima fingindo inocência.
—É de família eles arrumarem um jeito de enrolar os Hale... — Insinuei brincalhão.
—Ela não é mais uma Hale, Edward. Ela é uma Cullen. — Bella corrigiu. Sorrimos todos, lanchamos, eles saíram para a universidade, e eu e Bella voltamos para o quarto. Passamos aquele início de manhã cobrindo-nos paixão, doces luxúrias onde nos saciávamos com cumplicidade, nos braços da mulher a qual sempre pertenci.
Um mês depois de iniciadas as aulas, James comentou que meu salário aumentou quando integrei o quadro da assessoria, porém eu ignorei o valor. Desde que passei a procuração para Bella, deixei meu cartão da conta funcional com ela. Todos os meses ela mandava mil dólares para outra conta que eu movimentava transitoriamente. O restante do salário concordamos que ela aplicaria com o agente de ações da Cullen.
Mesmo com o tempo raro, fiz projetos diversos aos do interesse do senador. Um projeto de incentivos a universidades particulares e outro para construção de universidade fomentadas pelo poder público em pequenas cidades no interior do país. O último era meu pupilo, porque beneficiaria Forks. O senador não se interessou por nenhum, mostrei-os a Sophia e ela levou-os ao seu pai.
—Edward, hoje à tarde não vai ter sessão plenária e o senador nos pediu para irmos a uma construtora buscar uma encomenda para ele. Você está de carro? — James perguntou logo que cheguei ao gabinete.
—Não. Ele está no campus.
—Então vamos passar lá e você vai nele. Eu não estou a fim de te trazer aqui depois.
Como combinado, peguei o carro da minha mãe, o Ford Fiesta que trouxe de Phoenix, e rumamos a um condado da Virginia. Se terminássemos logo, eu poderia voltar para o meu quarto, adiantar a vida e ficar conectado via web com Bella. Depois de segui-lo por umas ruas com prédios em construção, James sinalizou que eu estacionasse em frente ao prédio luxuoso de uma construtora.
—Edward, você vai no décimo quarto andar deste prédio, procura a Jane e avisa que você veio buscar os documentos do senador. — Ele explicou.
—Você vai comigo? — Eu quis saber.
—Não. Eu vou a outro andar.
—Tudo bem.
Fiz o que ele recomendou. Busquei a pasta com os documentos e o esperei na recepção. Quando ele desceu, parecia meio nervoso, andava rápido e me chamou para sair do prédio imediatamente.
—O que tem nessas maletas? — Perguntei desconfiado.
—Eles são parceiros do senador e estão incentivando as eleições. —Explicou evasivo.
—Tem dinheiro aqui dentro? — Balancei a pasta assustado com o peso.
—Não. Só documentos. — Ele cortou o assunto.
—Por que ele não manda um moto service buscar isso? — Pressionei curioso.
—Porque quem fazia isso era o Lincoln e, como você entrou no lugar dele, esse serviço agora é seu. Eu vim hoje só para que você conhecesse o esquema.
Cerrei meus passos cético. Eu não iria fazer serviços externos.
—James, por que este serviço vai ser meu? Eu não tenho tempo para isso! Amanhã vou falar com o senador. — Relutei e voltei a andar, sem esconder minha indisposição.
Ele suspendeu seus movimentos alarmado.
—N-Não precisa. Podemos fazer assim, você vem uma vez por mês nesse local aqui, nos outros locais eu vou. Lembre-se que aqui é no décimo quarto e no nono andar. No décimo quarto você procura a Jane e no nono você procura a Kat.
—Tudo bem. — Entrei desgostoso no carro. Ele foi para outro rumo e levou as maletas.
Com a prática constante de movimentação acelerada, os meses se passaram rápido. Os planos traçados com Bella foram seguidos. No mínimo espaço de tempo, procuramos nos encontrar. Minhas notas mantiveram o nível máximo. No Senado, a máquina humana em mim trabalhava arduamente a todo o vapor.
Julho era o meu período de férias escolares. E o senador pediu que eu ficasse inteiramente a sua disposição. Aceitei contrariado. Pensei que iria poder passar pelo menos uma semana livre em Washington com Bella, porém este ano foi impossível.
Bella manteve uma calma e compreensão inabalável neste ano que tanto precisava de seu apoio. Ela repetiu o que fez no início do ano, veio passar duas semanas de suas férias escolares comigo e o restante de suas férias ficou com sua família e frequentaria à empresa de seu pai.
Bella
Na última semana de férias, numa quarta à tarde, eu estava em meu quarto em Seattle e Edward me chamou para um conversa com video.
—Oi. — Alguém falou, e não era Edward quem me chamava. Eu não respondi. Ele continuou. —Desculpa, te chamei sem querer... Er, não sei se você lembra de mim, sou James. — Explicou-se meio sem graça.
—Sim, eu lembro. Você é o colega de gabinete do Edward. — Arqueei a sobrancelha desconfiada.
—Sim.
—Cadê ele? Tem um convite aqui para conversa. — Perguntei sem entender.
—Ele está lá embaixo acompanhando a sessão extraordinária com o senador... É que eu estava usando o computador dele e acabei te chamando sem querer.
—Ah... Então tá... Faz favor, quando ele chegar, pede para ele conectar que eu preciso falar com ele.
—Tudo bem. Até mais.
Desconectei confusa. Não entendi o porquê desse colega dele estar mexendo em seu computador, quando todos eles tinham suas salas e seus computadores. O dia se passou e Edward não entrou. Devia ter passado o dia ocupado. Mais tarde liguei no celular dele.
—Oi, amor. — Cumprimentou-me amorosamente.
—Oi. Onde você está? — Perguntei ao ouvir um som alto.
—Acompanhando o senador em um evento na Califórnia.
—Você foi quando para aí?
—Hoje de manhã.
—Vai dormir na casa do senador? — Questionei alarmada, mas não queria expor minha insatisfação.
—Sim... Se você estivesse aqui, eu poderia dormir com você, mas...
—Dorme lá no nosso cantinho. — Interrompi. —Você tem a chave mesmo. — Sugeri. Não iria perder essa oportunidade.
—Isso é meio chato, Bella. Você nem está lá. —Justificou-se sem jeito.
—Edward, aquele quarto é meu e seu. Emmett está aqui em Washington também. O apartamento está vazio, só para você. —Insisti.
—Isso piora as coisas. Será invasão de domicílio. Não vou ficar à vontade sem nenhum dos donos em casa. — Relutou teimosamente.
—Ah, então você vai ficar mais à vontade dormindo na casa do senador?! — Pressionei-o firme, mas carinhosa.
—Não... Er, tudo bem. Vou dormir lá. — Rendeu-se. — O senador só volta segunda para Capital, então vou ficar nonossoquarto. — Enfatizou nosso para me adular.
—Já que tem que passar o fim de semana aí, vem para cá! —Sugeri animada. — Pega o meu carro e vem nele. Segunda você volta de avião para a Capital.
—Hum... Não sei... Tenho que ver... — Balançou sem certeza.
—Dá um jeito de vir. Não fica aí sozinho não. É tão perto.
Ele deu uma pausa e suspirou.
—Ok, Bella. Eu vou. Saio daqui na madrugada de amanhã e não vou parar para chegar aí uma três da tarde. Isso se o senador não inventar nada.— Adicionou contrariado.
—Vou te dar uma dica, experimenta dizer que vai visitar sua mãe. Não fala que vai ver sua namorada. Vamos ver se assim ele não fica inventando coisas para você fazer. — Sugeri com uma séria suspeita das ações do senador.
—Tudo bem, vou falar isso. — Concordou. Edward não era malicioso e, ainda que algo ficasse claro, ele preferia não ver.
—Ah, eu ia esquecendo o porquê de ter te ligado... O seu computador do Capitólio tem senha?
—Sim. Por quê? —Questionou confuso.
—Hoje aconteceram três coisas estranhas. Primeiro James ocupou seu computador. Como você disse que tem senha, é estranho que ele tivesse acesso. Segundo, ele me chamou para uma conversa e não disse nada com nada. Foi meio suspeito; e terceiro, ele mentiu que você estava em sessão extraordinária quando você estava aí na Califórnia.
—Hum, estranho mesmo... Amanhã conversamos mais sobre isso. Depois eu vou ver o que está acontecendo.
—Tudo bem. Então te espero, embaixador.
—Estarei aí. Já disse que te amo hoje? —Perguntou carinhosamente.
—Hum-hum.
—Então grave... Eu. Te. Amo... Posso ter te visto domingo, mas estou cheio de saudade.
Continua...
