Capítulo Noivos
Devido a seu empreendedorismo, criatividade jovem e disponibilidade de enfrentar desafios, Brandon ganhou respeito na empresa e no decorrer do ano assumiu gradativamente responsabilidades. Papai queria diminuir suas horas na empresa Cullen de Seattle e aproveitou o ensejo. Esme não voltou a trabalhar a pedido dele. O acordo foi esperar Susan completar pelo menos dois anos. Os dois tinham tempo sobrando para mimar Susan.
Quinzenalmente eu continuava treinando com papai administração financeira na Cullen. Analisava contas de investimento em minha sala com a supervisão dele. Sábado, depois de uma manhã cheia de cálculos, ele deixou-me na sala conferindo gráficos e despediu-se. Foi assim que Brandon me encontrou.
—Como está o curso, Bella? — Brandon entrou e fechou a porta atrás de si.
—Fácil. É bom ter aulas sobre o que já se convive.
—E a nova cidade? Tem saído muito por lá? — Perguntou atencioso e encostou-se ao canto da minha mesa.
Olhei-o de canto e assustei-me com sua imponência. De terno preto, cabelos pretos lisos e olhos azuis, ele parecia... Bonitão? Desviei o olhar.
—Às vezes eu saio. Eventualmente Emmett faz solos de guitarra e vou acompanhar Rose. —Expliquei.
—E o príncipe? Você continuam se vendo só de seis em seis meses? — Quis saber curioso.
—Não. De quinze em quinze dias ele vai à Califórnia. Não é fácil. Como é ano eleitoral, toda vez que ele vai me ver o senador arruma um compromisso para tomar o tempo dele. Mas eu já me acostumei. — Dei de ombros e voltei os olhos ao monitor de LCD.
—Sinceramente é uma vida que eu não queria para mim. Eu gosto do previsível. Vida de político é muito inconstante.
—Um dia passa. — Defendi. Queria convencer a mim mesma disso.
—Sinto muito te informar, Bells, mas como filho e neto de político eu te garanto que será sempre assim. Sempre têm imprevistos que superam os compromissos familiares. Você vai ter que aprender a viver em segundo plano. — Lamentou sincero. —Quantos aniversários e comemorações meu pai, avô e tio faltaram! —Comentou chateado. —Bem, vim avisar que já vou. Bom fim de semana. — Ele deu um beijo no meu rosto e saiu.
Parei distraída com conversa. Eu sabia que realmente não iria mudar... Edward iria ficar a mercê das vontades dos grandes nomes do poder até que fizesse seu próprio nome... Se fizesse.
No fim da tarde saí com Jasper e Alice para comemorar o aniversário de Jasper no shopping. Ele dividia sua atenção entre mim e Alice, eu sob um braço, ela sob outro.
—Bella, estou hospedado em um site grande. O mundo todo acessa meus jogos. — Comentou empolgado.
—Eu sei. Esqueceu que eu administro sua conta? — Sorri orgulhosa do meu irmão.
—O que você está fazendo com o dinheiro?
—Por enquanto nada. Eu guardo em três contas. Vinte por cento para seus gastos bobos com cinemas e sorvetes, quarenta para devolver o investimento do seu irmão e outros quarenta por cento para quando você precisar investir em outros jogos.
—Fico feliz que esteja conseguindo juntar o dinheiro para devolver ao Edward. Mesmo que ele não tenha exigido pagamento, é dele e é justo que eu pague.
—Seu irmão é estranho. —Comentei. — Ele se acostumou a viver com pouco. Ganha quatro vezes mais que o ano passado e nada mudou. Continua gastando o mínimo.
—Mas eu também nem ligo pra dinheiro. O dinheiro que você... — Interrompeu-se ao sentir meu belisco em sua cintura. Era um segredo nosso o dinheiro que eu desviava para ele.
Assistimos um filme, brincamos nos games do espaço teen, e em todo o tempo Alice agiu reservada. Parecia irritada. À noite, depois de me trocar para dormir, fui ao quarto de Alice saber se ela estava com problemas. Para minha surpresa, encontrei Jasper deitado de pijama na cama dela. Parei congelada. Eles dormiam juntos?
—Que foi, Bella? — Alice perguntou desconfiada.
—O que Jasper faz aqui? — Apontei insatisfeita para os dois deitados.
—Nós somos namorados, esqueceu? Dãã...
—Ele sempre dorme aqui? — A pergunta saiu como acusação. Sentei na ponta da cama nervosa.
—Só às vezes. Mas o quê que tem? Que cara é essa? — Perguntou na defensiva.
—Garotas não briguem por mim. Tem Jasper para todas! —Ele zombou.
—Dá um tempo, Jasper! — Repreendi, levantei da cama e andei ansiosa pelo quarto, pensando que durante o ano minha ausência na casa me impediu de observar detalhes do envolvimento dos dois. Pensei que era coisa de criança.
—Alice, você não devia dormir com ele. — Censurei consternada.
—Por quê? Vai me dar lição de moral, é? — Ela levantou armada. —É bom mesmo que a gente converse, Bella. Você não tem porque pergar no meu pé! Tenho dezesseis anos! Sei o que quero. —Argumentou. —E dá um tempo nesse seu grude com o Jasper!
—Iupi! —Jasper aplaudiu. — Eu quero ver as duas de calcinha no ring brigando por mim! E dá-lhe Alicinha! — Bateu palmas.
Alice continuou falando. Eu ignorei-a e me abstraí mentalmente, desfiando o problema. Eu não poderia mais esconder dela. Tinha que encontrar um meio termo com a verdade.
—Xiii, tô vasando. Não vou entrar nessa briga. Beijos garotas. — Jasper riu cinicamente e deixou o quarto.
—Alice, eu não quero Jasper para mim. —Comecei conciliadora. —Eu o amo como irmão.
—Pra mim, tem amor demais. — Acusou enciumada. Ela entendia tudo errado.
—Lógico, o menino está doente! — Lembrei. Único motivo de não termos revelado ainda.
—Pois nem parece. Para mim, ele é saudável como um cavalo... E viril! —Insinuou. Eu arregalei os olhos, alarmada.
—Alice, você não vê que está complicando as coisas? — Eu tremi de nervosismo... Saber que os dois iriam sofrer com a revelação massacrava meu coração.
—Quê que é, Bella? Só precisamos contar sobre nós ao meu pai! Depois disso, assumimos o namoro.
Lágrimas de pesar desceram de meus olhos. Saber que os meses de calmaria terminaram me encheu de angústia.
—Não, Alice, vocês precisam terminar. —Implorei desolada.
—Por quê? — Questionou irritada. —Eu não vou terminar com ele. Pelo contrário. Como presente de aniversário combinei fazer amor com ele hoje.— Avisou e caminhou rumo à porta. —Já que você atrapalhou o clima, vou dormir no quarto dele. Tchau.
Alcancei-a antes e segurei seu braço. Era minha última chance de falar.
—Alice, não! — Pedi. Ela tentou se soltar teimosa. —Vocês não podem...
—Por quê! — Ela alterou o tom.
Respirei fundo
—Pensa, Alice, em porque ele está aqui em casa... Pensa nos olhos dele e nos olhos do papai... — Baixei o olhar. Ela congelou ausente. Continuei. Não podia aceitar o incesto. —O motivo de eu amá-lo demais é porque somos irmãos... Ele é filho do meu pai... Ele é seu irmão. — Expliquei trêmula.
Ela andou em silêncio até a cama e sentou. Suspirou várias vezes, com o olhar perdido.
—Quando você soube disso? — Questionou em estado torporizado.
—Edward terminou comigo ano passado por causa disso. Quando nós voltamos, ele me revelou.
No restante do fim de semana, Alice trancou-se no quarto e não desceu nem mesmo para comer. O garoto perguntou por ela. Eu disse com pesar que ela não queria ver ninguém.
Alice
Descobri que amaria Jasper desde que o vi a primeira vez. Meu melhor amigo, o garoto que me faz rir. Meu irmão! Inacreditável. Por não saber lidar com a situação, depois de refletir, tomei uma decisão.
—Pai, eu quero passar uns dias com minha mãe na Alemanha. — Fui ao quarto dele para avisar. Ele olhou-me desconfiado.
—Sem problema. Vá no fim do ano. — Dispôs sem tirar os olhos da TV. Sentei em sua cama.
—Não, pai, eu quero ir amanhã.
—Quê? — Franziu o cenho. —Não. Você tem a escola. Além disso, sua mãe não tem tempo durante a temporada de eventos da companhia. —Enfatizou.
—Pai... Eu quero ir... —Supliquei. — Eu já liguei para ela.
—O que aconteceu, Alice? — Ele aproximou-se e me estudou.
—Estou gostando de uma pessoa e quero esquecer. — Expliquei sincera, lutando contra as lágrimas.
—É do Jasper? Você quer esquecê-lo por ele estar doente?
—Não, pai, eu não ligo para a doença dele. Eu o amo exatamente assim. Mas não dá certo.
Ele calou-se compreensivo. Suspirei. Como iria viver longe do meu Jazz?
—Vou comprar minha passagem pela internet para amanhã. O senhor tem que ir à minha escola avisar. — Pedi, ele assentiu.
Ao passar pelo hall da escada, vi Jasper embaixo, com o notebook no colo. Ele pressentiu minha presença e olhou-me. Deixou o notebook no sofá e subiu de dois em dois degraus. Eu corri para o quarto e fechei a porta para evitar confrontá-lo.
—Alice, abre. Eu quero saber o que está rolando.
—Eu não quero falar com você. — Respondi e encostei-me à porta.
—Por favor, abra. Que nóia é essa?— Pediu carinhoso. Doeu mais. Eu não o ouviria mais me chamando de chatinha, de pequena, gostosinha. Novamente lágrimas molharam meus olhos. —Alice... Por favor. — Implorou. Eu levantei, sequei o rosto e abri. Ao vê-lo, rodeei meus braços em seu pescoço.
—Ow! Por que essa fossa? — Passou as mãos em meu rosto preocupado.
—Jazz, eu te amo... Muito. — Ele enlaçou minha cintura e apertou-me no abraço.
—Er, eu tam...s-sou ligadão em você, pequena. — Balbuciou sem jeito. Ele não costumava ser meloso ou falar de sentimentos. Ao ouvir sua linguagem simples, os soluços me castigaram.
—Mas que chororô é esse? Me explica! — Ele pediu nervoso.
—Jazz, eu vou embora amanhã. —Disse num fôlego só.
—O quê? — Balançou a cabeça desentendido.
—Vou passar uns meses com minha mãe. —Expliquei.
—Espera ae, dá um tempo que eu ainda estou quebrando a cabeça aqui para saber o motivo... É por causa da Bella? Nada a ver, Alice, ela é só minha irmã do coração.
Novamente meu coração cortou ao lembrar que enquanto Bella tentava adiar nosso sofrimento escondendo, eu tive ciúme dela. Sou uma má irmã.
—Espera aqui. Vou lá embaixo pegar meu pc e venho dormir com você. Você vai ter que abrir o bico para mim do que está acontecendo.
—Eu não quero conversar, só quero que durma comigo como amigo. Pode ser? —Condicionei. Ele assentiu.
Passei a noite chorando em seus braços. Eu não queria deixá-lo. Eu ainda queria seus beijos, queria seu amor! Merecia ser castigada por esse pecado.
—Você vai mesmo visitar sua mãe? — Perguntou no meio da madrugada com voz triste.
—Vou morar com ela.
—E nós dois? — Perguntou receoso.
Eu não respondi. Não havia respostas.
Jasper
Dias se passaram depois que ela se foi. Sua falta me deixou desorientado. Eu não entendia o que aconteceu. Tudo perdeu o sentido sem ela. Ela simplesmente sumiu do mapa.
Eu queria deixar de lado o meu lado macho e me abrir com ela, falar que sou amarrado nela e que preciso dela como remédio, do mesmo jeito que Edward precisa da Bella. Dizer que essa saudade bandida é como se faltasse ar, como se o sangue parasse de bombear e a cada dia eu ficasse mais doente. Mas não do sangue.
Deitei no sofá, curtindo a dor de cotovelo com uma música bem páia do Phil Collins, pensando no porque desse perdido, quando o telefone da casa tocou.
—Alô. —Atendi. Era um número internacional.
—Jazz? —Alice.
—E ae? — Disse frio. Não era por que ela ligou depois de dois meses que eu iria me derreter na primeira chamada.
—Meu pai tá ai?
Olhei boquiaberto para o telefone. Pô, o telefonema nem era para falar comigo. Bandida!
—Sim. Espera que eu vou chamar. — Dei de ombros. Eu que não iria insistir.
—Espera. Você está com raiva de mim? —Perguntou insegura.
—Deveria? — Espetei secamente.
—Desculpa por não ter ligado. Você está bem?
—Estou. — Garanti. Eu não ia amolecer, mesmo possuído de saudade.
—Estou com saudade de você. —Disse manhosa.
Eu suspirei. Esse projeto de mulher tava acabando comigo. Eu já devia ter mandado ela para o espaço, mas não conseguia.
—Eu também. — Me entreguei. Ah, gaysão!
—Jazz, eu te amo. Não esquece isso.
—Alice, para de kaô. As mulheres sempre dizem que nos amam só pra fudê com gente. Quando elas vêem que os caras estão caidão por elas, elas metem o pé na bunda!
—Eu não te abandonei por isso. —Explicou-se derretida. —Estou indo para casa. A escola me deu uma chance de fazer umas provas que perdi... Você ainda gosta de mim? Vai me perdoar algum dia?
—Perdoar o quê? Não deu, não deu. Sei como é. Você não teve coragem de me dar um fora por dó do cara doente e vazou. Só isso. Tá de boa.
Ela soluçou do outro lado da linha. Era bizarro esse choro dela. Não entrava nas minhas idéias o motivo.
—Ih, não chora, não. Tá de boa. Você ainda é minha melhor amiga. Não é assim que fazem os bons rapazes? Tá de boa... Eu senti sua falta.
Ela sorriu chorosa.
—Avisa para o meu pai que eu chego depois de amanhã.
Bella
No recesso de fim de ano, deixei de ficar com Edward na capital para ir para casa, em Seattle. A amizade do meu pai com Esme parecia estável. Rosalie e Emmett felizes. O bebê da Jéssica fez aniversário de um ano, com festa dos Transformers. Edward só ficaria livre depois do dia quinze de dezembro, que era quando começava o recesso parlamentar, por isso, não passamos os nossos aniversários juntos este ano. Eu poderia ter ido à Capital. Como as eleições passaram, ele tinha mais tempo disponível. Porém, eu me preocupava com Jasper, que ficou muito sozinho desde que Alice viajou para Alemanha. Jasper estava triste, calado, emagreceu um pouco e passava muito tempo em cima do pc.
Depois de dias me equilibrando com a falta de Alice, em primeiro de janeiro enfim a família estava reunida para o tradicional jantar. Todos... Eu e Edward terminamos de organizar o jantar e subimos para nos arrumar. A felicidade por termos conquistado mais um ano juntos era extasiante.
—Então o próximo ano será praticamente seu último de faculdade! — Perguntei, enlacei seu pescoço e o abracei.
—Sim! —Assentiu realizado. — Além disso, vou ter poucas aulas semanais por ter adiantado os semestres. Agora só tenho que me preocupar com a especialização que vou começar em março e com o mestrado que vou iniciar a partir do meio do ano.
—Mas como, se você não vai ter se graduado ainda?
—No meio do ano termino todas as matérias, por ter adiantado. Dois mestres já me indicaram para o mestrado. Basta pedir uma declaração da Universidade. Depois de concluída a graduação, vou poder casar com você. Não consigo mais dormir longe de você. Não vejo a hora de ter fazer minha mulher. — Declarou solene. — Agora tudo está mais palpável. O senador disse que no fim do ano que vem ele vai conseguir uma subsecretaria para mim. Daqui pra frente ninguém me segura mais. —Sorriu sonhador.
—Como assim? O que um subsecretário faz? — Sentei na cama para assisti-lo discursar.
—Trabalha. —Sorriu. —Mas politicamente vou subir mais um degrau. Quanto mais aparecer, mais forte me farei politicamente.
—Que bom. —Forcei um sorriso no rosto. —Você está conseguindo. — Baixei o olhar, ocultando meus medos.
Ele juntou a sobrancelha e agachou em minha frente.
—Ei, conheço suas dúvidas. —Segurou meu queixo. — Eu só quero dizer que nós vamos ficar juntos. —Prometeu fervoroso. — Fica feliz comigo. Foi mais um ano vencido com você. Tudo deu certo. Tudo se torna mais fácil se eu sei que você está comigo. O ano, os meses e os dias passaram rápido porque eu contava as horas para ir te ver no nosso ninho de amor e abrigo. Você é minha força. É tudo pra mim. — Declarou e me deu um selinho. Sua felicidade era minha felicidade. Eu fechei os olhos e agradeci por termos um ao outro.
—Então vamos descer que a família nos espera. —Convidei e deixamos o quarto.
Jasper jogava sentado no sofá, Rosalie tinha Emmett deitado em seu colo em outro sofá, Alice via TV, Jéssica dava almoço para Seth, e o meu pai e Esme brincavam com Susan, que estava aprendendo a andar e ia de um ao outro.
—Enfim, resolveram nos livrar da fome. —Papai suspirou comicamente quando descemos o último degrau. —O jantar está na mesa, crianças. — Anunciou, pegou Susan no colo e caminhou para sala de jantar.
O clima na casa era de tranquilidade e alegria. Os mais quietos e ensimesmados eram Jasper e Alice.
—Então, vamos aos brindes. — Papai propôs. —Eu começo, depois fazemos sentido horário. —Explicou. —Que a nossa família seja sempre unida. — Desejou e olhou Esme. —E que a nossa amizade dure muito tempo pra que possamos criar nossa filha com amor e nossos futuros netos com harmonia. — Desejou e brindamos.
—Que minha mulher fique cada dia mais apaixonada. — Emmett desejou e beijou Rosalie.
—Ai, meu Deus, se isso acontecer eu nem vou poder morar mais lá! — Brinquei, todos riram. Rosalie seguiu os brindes, depois Jéssica, então Mike:
—Que um dia a mãe do meu filho pare de me enrolar e case comigo. — Mike propôs de um jeito hilário e beijou Jéssica.
Os brindes continuaram. Ao chegar à vez de Edward, ele travou tenso. Eu não entendia que ele ainda fosse tímido com nossa família.
—Edward, sua vez. — Meu pai estimulou com um sorriso enigmático. Edward apertou minha mão e suspirou.
—Bom, dois anos atrás nos reunimos numa mesa quando meu futuro era incerto, parecia inalcançável. Porém, naquela ocasião Bella fez-me enxergar esperança. Vi que temos um destino arquitetado, seguido em seu devido tempo. — Ele sorriu nervoso e pôs uma mão no bolso. —Hoje, para cumprir o nosso destino juntos, tenho um pedido a fazer... Carlisle, permita Bella casar comigo? Me dê a mão dela? — Pediu amistoso.
—A mão você pode levar. — Papai descontraiu, todos sorriram. Edward abriu a caixinha de veludo. Eu congelei surpresa.
—Isabella, a última vez que eu te pedi em casamento, eu não tinha previsão de quando. Agora tenho... Case comigo e passe o resto dos seus dias ao meu lado? — Estendeu a caixa aberta em minha direção.
Duas alianças de ouro repousavam dentro. O mesmo modelo de nossas alianças de compromisso, com três pedrinhas. Não era tradição em nosso país o noivo usar aliança. Mas ele sempre soube que eu fazia questão.
Suspirei sem palavras. Ele tirou uma aliança da caixinha e ergueu minha mão solenemente.
—Por que três pedrinhas de novo? — Ciciei baixinho.
—Representa o que nos une além do nosso amor: nossa família. — Segredou. —Aceita? — Perguntou dramaticamente.
—SIM! — Assegurei e encostei nossas testas. Ele deslizou a aliança em meu dedo.
—Então, meu brinde é à nossa união. — Ergueu a taça com um sorriso glorioso.
Eu parei encantada com a aliança em meu dedo, pus a dele em seu dedo e juntei nossas mãos no ar para admirar.
—Bella, agora é sua vez. — Meu pai lembrou assim que Edward sentou.
Respirei fundo.
—Eu quero brindar à vida, ao futuro. Que o futuro seja tão feliz como o hoje. — Propus contagiada de felicidade e levantei o copo.
—Alice... —Papai chamou.
—Não tenho o que falar, pai. — Ela baixou o olhar.
—Não tem nenhum pedido? —Pressionou alegre com o vinho caro que tomava.
Ela direcionou o triste olhar a Jasper.
—Que meu melhor amigo se cure. — Ela desejou, soluçou e deixou a mesa chorando. Eu e Jasper fomos atrás dela no banheiro. Os brindes continuaram na mesa.
—Alice, não chora. — Pedi, tirando seu cabelo do rosto. Jasper parou na porta do banheiro.
—Bella, me deixa falar com ela um pouco. — Ele pediu, aproximou e abraçou-a. Eu os esperei.
—Alice, eu não quero que você se preocupe com essa porra de doença. Me deixa mal. — Ele pediu baixo. —Ela não é mais forte que eu. A única coisa que pode me matar é sua distância. —Tomou ar. —Um dia você disse que me amava. E não é bem a minha cara falar baboseiras românticas. Mas eu também te amo, Alice. Amo muito. Volta pra mim...
Alice encolheu-se nos braços de Jasper em pranto desconsolado. Edward estava parado atrás de mim e presenciou tudo. A dor da impotência me atravessou ao assistir tão linda declaração.
—Vem aqui. — Edward se acercou de mim e encostou minha cabeça ao seu peito. —Se vocês continuarem assim, as pessoas podem perceber. — Cochichou em meu ouvido. —Você acha que está na hora de contar?
—Sim. — Assenti pesarosa. —Nada é pior que a ignorância. Pelo menos Jasper saberia o porquê da rejeição.
—Vou ver isso com minha mãe. Você quer voltar para mesa ou subimos para o quarto, minha noiva? — Tentou me distrair com seu sorriso de anjo. Suspirei. Não deveria ficar triste em nossa noite de noivado.
—Vamos dar mais um tempo... —Concedi e limpei os olhos. — E quando casamos, meu noivo? —Brinquei tentando aliviar o clima.
—Pensei no seu aniversário de vinte anos. —Propôs incerto. — Primeiro de dezembro.
—Hmmm, eu prefiro no seu, dia oito... —Dispus. — Estaremos comemorando outra data especial... Dois anos que meu corpo pertence a você.
—Hmmm. — Ele sorriu malicioso e mordiscou minha orelha. —Pode ser, eu nem tinha pensado nisso. Vamos ter vários motivos para comemorar, seu aniversário, meu aniversário, minha formatura... Principalmente ter você de papel passado em meu nome.
—Sua propriedade. —Eu beijei seus lábios.
—Sim. Minha.
—Possessivo. — Acusei e o encostei à lateral da escada.
—Sou.
—Que tal viajarmos para comemorar o noivado? Seria uma espécie de prévia da lua-de-mel. —Propus maliciosa.
—Ótima idéia, já que não farei curso de inverno. Mas eu tenho dinheiro? — Questionou incerto. Desde que era eu tomava conta de sua conta, ele não sabia quanto tinha.
—Tem, mas nós vamos rachar custos. E nem adianta relutar. — Impus decidida.
—Ok. Quem sou eu pra te contrariar, minha dona? — Ele deu de ombros, dramático.
—Não sei pra que você quer dinheiro se não gasta! —Comentei sorridente.
—Eu não tenho tempo pra gastar. —Lamentou faceiro.
—Tudo bem. Estou juntando para depois fazer isso pra você. — Provoquei.
Ele segurou meu rosto em suas mãos e sorriu.
—Gaste porque eu trabalho pra você... Eu te amo. — Sussurrou e mordiscou do meu queixo à orelha.
—Eu também... —Pausei. — Me amo. — Sorri.
—Ah, é? — Ele me afastou.
—Sim, eu me amo. E como nós somos um, se eu me amar, amo você. — Ressaltei galhofeira.
—Nossa, Bella, como você gosta de filosofar. — Ironizou e beijou meu rosto em vários lugares. —Então já que não vamos subir, vamos cumprir o papel de família e voltar à mesa. — Decidiu, beijou meu cabelo e voltamos para a mesa.
Ele hoje era outra pessoa. Valeu à pena lutar e acreditar nele. Verdadeiras amizades cresciam desse amor. A promessa de uma família unida. Não éramos mais simples namorados, um mero compromisso sem data. Em breve juntaríamos nossas vidas e seríamos um só.
No dia seguinte, acordamos por volta das dez decididos a conversar com Esme sobre Jasper. Não havia porque adiar. Jasper não sofreria mais do que estava sofrendo. As mentiras tinham que ter um basta. Assim nos precaveríamos contra armadilhas futuras.
—Vamos, anjinho. — Puxei-o da cama para que ele deixasse um livro e ficasse em pé. —Depois vamos pesquisar alguns lugares na internet para viajarmos. — Agarrei-me ao seu pescoço e o abracei contente. —Amo acordar com você.
—Eu quero acordar todos os dias com você, para sempre e sempre. — Prometeu e me ergueu do chão, me abraçando forte, bem humorado.
—Sabe, sou completamente convencida do seu amor. — Ergui o queixo com superioridade divertida. Ele plantou beijinhos em minha boca.
—Não me importo. Num relacionamento é primordial que se tenha certeza um do sentimento do outro.
—Você tem certeza do meu amor? — Mordisquei seus lábios sedutoramente.
—Que você me ama, sim. Mas é uma árvore se comparada à floresta do meu amor.
Abri a boca com horror e crítica pelo comentário. Ele sorriu. Parecia me provocar.
—Não ponha em dúvidas o meu sentimento, Edward. —Salientei fingindo ofensa. — Fui eu quem te quis e te peguei para mim, sinal que eu te amo mais. — Fiz bico, teimosa. Ele me apertou sorrindo.
—Adoro ver você argumentando. — Roçou o nariz no meu. —Deixamos assim, eu te amo e você me ama. Tudo bem? Isso já basta para mim. — Ele brincou. —Vamos?
—Vamos. — Concordei feliz, peguei sua mão e saímos rumo ao quarto da Esme. Batemos, esperamos uns segundos, e ela atendeu, vestindo um robe.
—Bom dia, mãe? — Saudou-a com um beijo na testa. O amor de mãe e filho era lindo. —Podemos ocupar um pouco do seu tempo? —Ele pediu.
Ela torceu os lábios, afastou-se da porta e apontou para dentro. Meu pai dormia em sua cama só com um lençol na cintura.
—Filho, agora não dá. — Sorriu misteriosamente, sugerindo que ela e meu pai voltaram. Edward deu de ombros com um sorriso aprovador e voltamos sorridentes ao nosso quarto.
Carlisle
Mesmo com a traição um ano atrás de Esme escondendo a gravidez de Susan, eu me sentia feliz em tê-la em minha casa, em ter seus filhos aqui. Depois de mais de vinte anos, tudo dava certo. Por óbvio, meus sentimentos por ela continuavam vívidos, porém desesperançados.
Após o jantar, Esme subiu para colocar a Susan para dormir, e eu permaneci com os nossos filhos alguns instantes. Deixei as crianças cantando e tocando com Emmett no jardim, e subi para dar um beijo de boa noite em Susan. A porta estava destrancada. Susan dormia no berço. Olhei para o closet, e Esme se trocava em frente ao armário, de costas para o quarto. Observei-a detidamente. Os anos e os filhos não roubaram sua beleza esbelta. Atravessei o quarto antes que registrasse, atraído pela garota que meus olhos viam.
Ela assustou-se ao advertir minha presença e tampou os seios com as mãos. Não que eu já não tivesse visto-a amamentando Susan.
—Carlisle...
Parei a centímetros dela, encarando-a. Consultei meu coração e não havia mágoa, só desejo de abraçá-la e ser feliz. Queria congratular, por apesar de todas os contratempos da vida, estarmos juntos, como se desde o início fosse para ser assim. Com um suspiro de redenção a este amor adulto, passei a mão em seu rosto, e ela baixou o olhar.
—Faça amor comigo? — Convidei-a gentilmente.
—Sim... — Ela aceitou de imediato.
—Você quer realmente? — Ponderei e ergui minha mão ao seu seio.
Ela encostou a cabeça em meu peito, abriu três botões da blusa e beijou meu pescoço. O velho arrepio me atravessou.
—Eu quero... Mas antes... Me perdoe, Carlisle...Eu não mereço você...Você é um bom homem. A vida inteira eu te afastei de mim com meus medos... Eu preciso te dizer tanta coisa... — Calei sua boca com um beijo cheio de ternura. Era essa a mulher que iria envelhecer em meus braços. Eu estava disposto a esquecer. Ainda que sem palavras, ela esforçou-se para obter o meu perdão durante esse ano que ficou em minha casa. Ainda que fosse com a alegação de ser por Susan, sua humildade em ceder me conquistou.
Bella
Eu tinha recursos para viajar a qualquer lugar sem me preocupar com economias. Mas optamos por uma pousada no Hawaí. Como Edward fez questão de arcar com as despesas, preferi não abusar de suas reservas. Se fizesse, ele nunca teria condições de adquirir bens.
De mãos dadas, caminhávamos pela areia fina e branca no fim da tarde, quando o sol era confortável e podíamos caminhar descalços embaixo daquele céu infinito e extremamente azul. Tudo conspirava para tornar os nossos tão sonhados dias perfeitos.
Será que a nossa vida de casados seria calma assim? Será que teríamos tempo e ânimo para viajarmos, desimpedidos? Os questionamentos mais uma vez apertaram meu peito. Suspirei, senti o vento bater em meus cabelos e o abracei na cintura preocupada com os próximos obstáculos que adviriam.
—Onde está sua cabecinha?— Edward perguntou ao ler meu suspiro ansioso.
—Estou feliz em finalmente termos mais de quinze dias só para nós em todos esses anos. — Expliquei, ocultando minha insegurança.
—Não era isso que seu rosto dizia. —Segurou meu queixo desconfiado.
—Vamos sentar aqui? — Estendi minha canga no chão e sentamos.
Encostei-me a ele, minha cabeça sob seu queixo, ele pôs o braço sobre meu ombro.
—Como vai ser daqui para frente? — Perguntei ansiosa. —Como será nosso casamento e futuro?
Ele sorriu sonhador.
—Bom, se eu conseguir a Subsecretaria de Relações Sociais, recebo um apartamento funcional do governo. E como na Capital tem o mesmo curso que você faz, você transfere sua faculdade para lá no fim do ano e nós moramos no apartamento funcional até eu comprar um apartamento.
Afastei-me e fitei-o acusadora.
—Por que você nunca falou sobre isso? — Questionei. Essa decisão exigia diálogo e amadurecimento da idéia, não ser tomada sem me consultar?
—Porque eu tinha receio em inserir o assunto e obter certeza da suspeita que eu tenho. — Admitiu pesaroso, com o olhar no mar, o semblante em branco.
Deitamos abraçados, ambos pensativos enquanto o sol se punha, deixando traços laranja e vermelhos no céu. Respirei o silêncio opressivo da dúvida.
—Eu sei que você não gosta de lá... — Quebrou o silêncio. —Isso é uma preocupação a mais que eu tenho... E quando penso no abismo que ainda nos separa, eu deixo o pessimismo alargar... Condições financeiras, diferença social e planos de futuro são correntes divergentes entre nós... — Sussurrou ausente. —Mesmo que sejamos uma família, mesmo que estejamos noivos, não podemos deixar de enxergar que eu continuo sendo uma pessoa sem nome, sem dinheiro, um cara pretensioso e utópico com um futuro incerto.
—Você está conseguindo... — Ressaltei tentando animá-lo. Deitei a cabeça sobre o seu peito.
—Estou conseguindo o quê, Bella? — Rebateu. Eu senti sua distância emocional. Uma veia em sua mandíbula se agitou tensa. —Eu queria que você fosse uma garota comum, que minhas condições fossem suficientes para te sustentar, que pudesse te levar para a Capital e morar com você em um apartamento simples. Porém, eu vi o seu semblante de insatisfação quando eu falei sobre isso. E saiba que eu te compreendo. — Torceu os lábios, desgostoso, como se toda culpa fosse dele.
—Você não entendeu direito... — Interrompi balançando a cabeça. —Meu problema não é morar com você em um apartamento simples... —Salientei decidida. —Eu iria com você para qualquer lugar, desde que eu soubesse que seriamos felizes... Mas há algo naquela cidade que me incomoda. Ela é opressiva e fria. Como se conspirasse para afastar você de mim. —Expliquei consternada. —Uma vez, você me escreveu um e-mail, no Natal que estávamos separados por você ter me visto com Mike no parque andando de patins, você lembra? — Perguntei. Ele assentiu. —Se você ainda tiver o arquivo, leia... Eu não me importaria de ter o futuro que você descreveu lá, desde que eu fosse feliz. Não me importaria de ser uma caipira morando no interior do país cheia de filhos, cachorro, barco, cerveja e TV. — Enfatizei fervorosa.
A noite escureceu. A brisa esvoaçava os meus cabelos. Ele me abraçou e suspirou longamente.
—Vai desistir de mim? — Sussurrou inseguro.
—Anjinho, eu nunca vou desistir. — Disse categoricamente. —Por que você sempre repete essa pergunta?
Ele sentou-se. Seu olhar era desolado. Nossa felicidade parecia ameaçada.
—Porque eu sempre tenho insegurança. — Admitiu.
—Você tem dúvidas do meu amor? — Questionei horrorizada. Como ele podia duvidar?
—Dúvidas não. Mas eu sei que você se sai muito bem sem mim. Sou muito mais dependente dessa relação que você.
Respirei fundo, impaciente.
—Pensei que você tinha mudado. —Acusei desgostosa.
—Eu não vejo porque você não desistir. — Ele voltou a dizer. —Não entendo porque você quer a pessoa que sou.
—Mas que pessoa você é? — Abri a boca cética e abracei meus joelhos.
—Eu sou um simples estudante e assessor que pediu a filha do dono de um império de comunicação e notícias em casamento. Essa paixão me cega e faz-me esquecer quem é você, mas em dias como hoje eu me dou conta de nossas diferenças... Talvez eu tenha me precipitado. Não foi uma boa hora para te pedir em casamento. Mas eu vi Rosalie e Emmett nos últimos meses que ficamos com eles e eu tive certa inveja de serem eles e não nós... Por isso te pedi em casamento e estipulei a data. Porém, eu não sou Emmett. Eu não tenho um carro, imagine uma casa para morar! — Enumerou ansioso.
—É ai que entra o x da questão. Sua irmã aceitou que somos ricos e vive com isso. Ela não se importa se Emmett compra carro para ela, se Emmett a leva ao shopping e compra roupas caras. Ela não se importa se as viagens deles são pagas por ele.
Ele riu amargo.
—Mas eu sou homem, Bella. E desde os tempos das cavernas quem provê a casa é o homem. — Disse entre dentes, mas sua revolta não era destinada a mim.
—Então é isso, temos que morar em um apartamento funcional até VOCÊ poder comprar o nosso próprio apartamento. — Salientei irritada. Ele não respondeu. Eu suspirei —Tudo bem, vamos tentar por outro lado. E quanto ao meu futuro profissional, Edward? Você já programou isso também?
Ele jogou uma pedrinha no mar, tenso. Eu podia ler sua ansiedade inquieta.
—Espero que você não precise trabalhar. —Sentenciou sério. — Eu já fiz as contas. Um dia você disse que vivia com cinco mil. Se eu for subsecretário, eu devo ganhar uns doze, por isso você pode ficar em casa. Se você ficar entediada, entra num programa social para dar aula de piano, violão. O que importa é eu cuidar de você. Não quero que meus filhos cresçam sem a presença da mãe como eu cresci.
Pisquei incrédula com seu pensamento arcaico. Em que século ele vivia?
—Edward, é muito romantizado seu pensamento, porém bem machista. —Censurei. Se fosse para viver assim, não teria sentido eu estudar. —Saiba que eu pretendo trabalhar sim! —Defendi veemente.
—Tudo bem. —Ponderou conciliador. —Se você fizer muita questão, pode trabalhar meio expediente como consultora de economia.
Pode? Balancei a cabeça desacreditada.
—Edward, eu tenho minha própria empresa. Por que eu trabalharia para outra empresa quando meu pai precisa de mim? —Acentuei. — Quer saber, a pior coisa que fizemos foi ter conversado. — Levantei, tirei a areia da perna e fiz um gesto pra que ele se levantasse.
Ele não mostrou intenção de levantar e segurou a minha mão.
—Está desistindo de mim? — Quis saber divertido.
—Não! — Balancei a cabeça negando. —Você sabe que não. Mas percebi que você ainda é egoísta e orgulhoso. Quando eu penso que você está evoluindo, você desanda. E eu não gostei disso. Você devia aceitar as coisas com facilidade: Eu sou rica, milionária e ponto. —Dramatizei abrindo as mãos no ar. — O que muda? Seria muito mais fácil aceitar. Poxa, hoje mesmo poderíamos estar em outras ilhas. Na França. Não que esta não seja linda, mas poderíamos estar em locais mais luxuosos. — Destaquei aborrecida.
—Que lástima... Pensei que você fosse uma garota mais modesta. — Lamentou teatralmente para me distrair.
—A questão não é ser simples ou não, Edward. —Repreendi. A questão é ter que ficar pechinchando quando eu não preciso disso. Você poderia ser mais maleável. — Ajoelhei-me na canga e acariciei o seu rosto. —Eu até que poderia ter te enganado pagando o luxo, mas eu não quero mais fazer isso. — Disse carinhosamente, lutando para expulsar o clima tenso.
—Quando você me enganou? — Inquiriu desconfiado, dando mais atenção ao tema que eu contava.
—Er, esquece... — Balbuciei. Ele encarou-me impávido, recusando-se a deixar o tema. —Tá... —Soltei o ar. —Confesso. Quem mandou Ryan te dar as passagens dois anos atrás fui eu. E quem pediu para ele pagar a conta no restaurante na Capital fui eu. Pronto, falei. Não quero esconder nada nunca mais de você. — Concluí culpada. Só então olhei seus olhos. De início, ele pareceu indignado. Eu esperei uma explosão, mas logo seu rosto foi se suavizando. Ele sorriu.
—Como eu posso ser tão tonto assim! É lógico que tinha sua mão naquilo. —Torceu os lábios. — Mas e aquele negócio do garçom ter me chamado de Edward Evans?
—Aquilo também eu não entendi. —Sentei ao seu lado. Ele me deitou novamente na canga de praia e pôs uma perna grossa sobre mim.
—Bella, amor, eu sei que você quer o meu bem, mas eu também quero te dar o melhor. Vamos fazer assim, cada coisa ao seu dia. Pode ser que muitas coisas aconteçam daqui para o casamento. Vai que seu pai incorpore, por exemplo, um negócio de publicidade na Capital e você trabalhe por lá! Lembra que você disse que no final dá tudo certo? —Lembrou animado. —Por enquanto, o único assunto sobre futuro que estamos livres para dialogar é sobre nossa festa de casamento. — Adicionou com meu rosto entre suas mãos. —Onde pretende casar? Como? Noivos falam sobre isso, não? Eu nunca casei antes e nem sei como que é. — Queixou-se brincalhão, com o humor renovado e contagiante. Eu sorri.
Ele tinha razão. Não fui eu quem pegou tanto no pé dele por viver no futuro? Já dizia o pensador, as aves do céu não se preocupam com o amanhã. Elas não semeiam nem colhem, nem por isso já deixou de comer. E os lírios do campo? Nunca costuraram suas roupas. Mas nem o rei Salomão vestiu-se tão belo. Então por que eu vou me preocupar com o amanhã?
Fechei os olhos cheia de fé. Por segundos, permiti-me sonhar com nosso casamento.
—Hmmm, queria algo como o casamento de Rosalie em Forks. Bonito, singelo, doce. Seria histórico casar na nossa casa de lá. — Propus sonhadora.
—Nossa casa não, de vocês. — Ele corrigiu.
—Meu pai colocou no nome da Susan, então é nossa. Pare de refutar. — Apertei seu queixo, incisiva.
—Ok. O que mais? Quais serão as cores da decoração? — Questionou diplomático, enrolando mechas do meu cabelo em seus dedos.
—Eu gosto de vermelho. Rosas vermelhas.
—De dia ou noite? —Fingiu anotar com os dedos rabiscando no ar.
—No cair da tarde.
—Não atrase muito, viu. Se não posso pensar que desistiu de mim. — Ele brincou.
—Eu. Não. Vou. Desistir. de. Você. —Pontuei enfática.
—Promete? — Ele segurou meu rosto e me beijou lentamente. —Eu te amo demais. Eu sofro quando penso que pode dar errado. Então fica comigo, sonha comigo, espera o meu tempo. Foi você quem me escolheu quando eu não era ninguém, então continue acreditando em mim. Eu preciso de você no meu presente e futuro. — Declarou suplicante.
Eu conhecia os obstáculos desde o início e o apoiei e aceitei. Não era agora, a passos de ele conseguir o que queria, que iria duvidar.
—Ok, esqueçamos tudo! Aqui e agora você é só o meu namorado. Ou melhor, meu noivo, meu futuro esposo. Nas férias não há lugar para o embaixador, somente para o embaixadorzinho. — Declarei insinuante e mordi sua orelha, maliciosa.
—Quem? —Franziu o cenho confuso.
Rolei e me pus sobre ele, cada perna de um lado do seu quadril. Ela acariciou meus cabelos. Beijei seu ombro, mordisquei pescoço e alcancei seus lábios com beijos suaves e sorrisos cínicos.
—Quem eu chamo de embaixador? — Perguntei e continuei beijando seu rosto.
—Acho que eu...
—Então quem é embaixadorzinho? — Sugeri e mordisquei seu queixo.
Ele sorriu de canto e apertou meu quadril.
—Eu não acredito que você deu um nome para ele. — Censurou encabulado.
—Ow, desculpe, ele já tinha um? — Lamentei falsamente e acariciei-o na longitude espessa por cima da sunga, ao tempo que tirava minha saída, ficando de biquíni.
—Não, ele não tinha. — Continuou rindo.
Passeei a ponta das unhas em toda a extensão de seu abdômen, segurei a barra da camiseta e desfiz dela. Ele ajudou mudando o corpo.
—Gostou do nome? — Lambi sensualmente sua boca.
Senti uma inquietação nas partes inferiores que me estimulou a esfregar nele. Edward correspondeu com um gemido tímido, apertou minha cintura e mordiscou meus lábios.
—Sim... Hora de ir para a pousada. — Propôs travesso, sentou e beijou meu colo de uma maneira sedutora, despertando intensas sensações.
Seus lábios quentes, macios e calmos no meu ombro e pescoço, o barulho do mar, a escuridão da noite, a brisa; tudo era prazeroso. Uma sensação de paz ao mesmo tempo calor intenso em meu corpo. Fechei os olhos e registrei cada deliciosa sensação. Alcancei seus lábios, suguei sua língua e num ritmo calmo e sinuoso nos beijamos.
Ele me completava, éramos um para o outro. Eu não me cansaria nunca desse amor calmo e manso, dos seus lábios ternos, do seu cuidado de um artista quando passeava a ponta dos dedos em minhas costas.
—Não precisamos ir para pousada... Pra que cama com toda essa areia? — Argumentei ciente de que já não precisava muito para convencê-lo a aventuras.
Ele deitou as costas na canga novamente e olhou-me detidamente, quase sorrindo, com luxúria nos olhos. Fechei os olhos e me movi devagar sobre sua pélvis. Ele acariciou minhas pernas, desfrutando da antecipação e dúvida.
Senti a necessidade crescer em mim, inclinei e passeei minha língua em seu mamilo. Ele gemeu baixinho, fechou os olhos e subiu as mãos em minhas costas, direto para o laço do biquíni no pescoço.
—Estamos na praia, namorado, isso não te incomoda? — Provoquei sorrindo quando ele deixou as alças caírem e pegou meus seios com as duas mãos, medindo-os.
—O que me incomoda é estar fora de você. — Declarou rouco.
A urgência da declaração me estremeceu. Era um protesto. Ele levou a boca aos meus seios. Eu traguei ar, perdi o raciocínio. Uma chama forte me invadiu. Ansiosa, pus minha boca em seu ouvido e passeei com a língua, puxando seus cabelos, enquanto ele me mordiscava, lambia o bico preso nos dentes.
—Hmmm, Bella— Gemeu rouco, apertou minhas nádegas, encontrou os laços do meu biquíni e enrolou os fios nos dedos.
—O que quer? — Provoquei. Minha língua viajou ao seu ouvido.
—Eu quero você. — Soprou.
—Onde? — Arreliei. —Na pousada? No quarto?
Não precisou de mais provocação. Ele desfez os laços do meu biquíni e, com um olhar determinado, baixou a frente da sunga, posicionou-se para cima, eu ajoelhei na areia e gemi com olhos bem abertos ao escorregar na sua masculinidade.
Ele travou o maxilar, olhando em seus olhos. Movi-me num ritmo vagaroso e erótico. Para cima e para baixo, tragando e soltando. Ele estremeceu. O prazer irradiava de minhas entranhas para todas as partes do meu corpo. Suspirei ouvindo murmúrios apaixonados e incoerentes de sua boca. O barulho das ondas quebrando na areia não silenciava seus gemidos de aprovação. Fizemos amor lento e apaixonado, eu comandando entontecida de prazer.
Ele mordeu meu ombro ofegante. Respirei fundo e joguei a cabeça para trás ao sentir o calor se concentrar no ventre e espalhar. Uma explosão de cores e tremores convulsivos me atravessou. Ofeguei, e quanto mais eu gemia mais o estimulava a mover-se. Outra súbita sensação de êxtase mais poderosa me inebriou e tudo se transformou em suor descendo, corpo tremendo, pernas se contraindo e interior pulsando, coração correndo, boca gemendo. Concluímos juntos, entorpecidos de luxúria.
Depois do êxtase, eu deitei sobre ele e esperamos que o nosso corpo se acalmasse. A noite, o contraste da nossa pele clara com a escuridão, o calor do nosso corpo em contradição com a brisa, tudo me convencia de que meu lugar era junto a ele.
—Que tal um banho de mar à noite. — Ele propôs, após um tempo de silêncio cúmplice, e tirou as mechas do meu cabelo grudadas em meu rosto.
—Vai molhar as roupas. — Alertei exaurida em seu peito, ainda curtindo a nossa desaceleração.
—Deixemos as roupas. Depois do que fizemos aqui, o que é tomar banho de mar sem roupas? — Ele sugeriu com um risinho divertido, rolou sobre a saída, tirou a sunga e segurou minha mão.
—Vem. — Puxou-me.
A água estava confortável, a sensação de liberdade quando a água batia nas minhas costas era sensacional. Ele abraçou-me e manteve a mão em minha cintura protetoramente.
—Está arrependida de ter vindo para um lugar mais 'barato'? — Insinuou zombeteiro.
Peguei seu rosto com as duas mãos, acariciando-o.
—A questão não é isso. A questão é como você vê as coisas. — Tentei explicar mais uma vez.
Ele me apertou mais em sua frente ao notar o vento frio me arrepiando.
—Por que não usou o meu dinheiro todo para ficar no local que você queria? — Perguntou tranquilo e beijou meu rosto.
—Ai, Edward, eu não entendo você. Ao mesmo tempo em que você não me deixa gastar o meu que tenho muito, você gastaria o seu todinho comigo, que tem pouco. Se eu não tiver responsabilidade e guardar o seu, você nunca vai ter o suficiente.
Ele ergueu-me do chão e me apertou no abraço.
—O pouco pra mim está bom, se junto com o pouco eu tiver você. —Declarou solene.
—Você não pensa realmente assim. E nós não vamos mais falar sobre isso. — Dei um basta no assunto antes que voltássemos ao ciclo vicioso. Eu sabia intimamente que ele só seria feliz quando alcançasse os sonhos dele, então o pouco comigo não bastava.
Ficamos de costas para as ondas, sentindo-as massagearem nossas costas. O balançar das águas era relaxante e confortável.
—Amor, eu não tenho noção ainda do que fazer com o dinheiro que eu ganho. Se eu continuar deixando com você, o que pretende fazer? — Perguntou um pouco embaraçado.
—Vou deixar lá rendendo. Mais para frente vou aplicar em algo rentável. A partir do meio do ano eu começo a aplicá-lo.
—Quanto tem?
—Hmm... Faça as contas, você ganha oito, eu te mando um, sobram sete, multiplicado por doze.
—Sério? — Ele abriu a boca surpreso ao chegar ao montante.
—Sim. Mas eu tirei dois para virmos para cá, já que você fez questão de rachar despesas. Mesmo assim, está rendendo na poupança. Em breve Jasper vai conseguir pagar o que você deu para ele, então, esse valor vai aumentar mais um pouco. Contando com os rendimentos da poupança, em julho você vai ter mais de cento e cinquenta mil para investir em algo. Não sei ainda em quê, vou ver pra que lado o mercado vai direcionar.
Ele olhou-me com o cenho franzido, perplexo.
—Eu nunca imaginei que já tivesse isso tudo. Eu estou admirado. Se eu continuar assim, em mais uns três anos eu consigo comprar um apê no mesmo prédio que Ryan. — Ele comentou empolgado e me puxou para sairmos do mar.
—É, mas você só consegue isso porque mora na universidade e perto do trabalho, por isso seus gastos são poucos. Mas como iremos nos casar, talvez fique mais difícil. Por isso que o ideal é fazer esse dinheiro render em ações.
Ele colocou a canga sobre mim, tentando me secar.
—Eu sempre soube que você era uma administradora nata, sabia? Mas e o seu? Está juntando também ou gastando em bolsa e sandália? — Ele zombou e vestiu as suas roupas, o corpo molhado.
—Depois que você me aconselhou a economizar, estou gastando menos com coisas fúteis. Ainda compro meus mimos, mas estou mais madura. Eu determinei uma quantidade para gastar e outra para guardar.
—Muito bom. — Ele aprovou orgulhoso. E senti a sensação de conforto, companheirismo, cumplicidade, confiança, abrigo, segurança e paz, muita paz.
Antes de voltar à Califórnia, fui passar uns dias com Edward na Capital. Este ano ele iria estar bem menos ocupado com reuniões e jantares. Além de não ter curso de inverno. Como de costume, pedi o apartamento do Ryan. A sensação de lar que o apê dele nos proporcionava compensava qualquer luxo frio de quarto de hotel. Ele só ia ao Senado três dias à tarde. Restavam vários dias inteirinhos só para nós.
A fim de fazer uma surpresa para ele, me programei para ir ao Capitólio, vesti um vestido creme de alça e calcei uma sandália de salto. Encontrei somente James no gabinete.
—Boa tarde, James. —Cumprimentei-o educada. —Edward está aqui? — Perguntei ao ver a sala de Edward vazia.
—Sim. Está lá dentro com o senador. — Sorriu de canto, o olhar de cafajeste. —Vocês ficaram noivos? —Apontou para meu dedo. — As alianças mudaram. — Completou.
—Sim.
—Parabéns. Vocês namoram há quanto tempo? — Especulou.
—Dois anos. — Respondi. Se eu não contasse o rompimento de três meses, era isso.
Disposta a esperar Edward, saí da porta da sala de James e caminhei para a sala Edward. James veio atrás.
—Dois anos? — Repetiu com o cenho franzido.
—E mais algum tempo sem compromisso. — Adicionei desinteressada e sentei na cadeira frente à mesa do Edward.
Ele sentou na cadeira do Edward. Rá, faltava essa, ter que aturar esse cara forção.
—Então já ficaram sem compromisso também... — Refletiu balançando uma caneta de Edward no ar. Eu não entendi seu interesse. —Então deve ser dessa época que ele ficou com a Ashley. —Comentou sugestivo. —Ela disse que os dois já ficaram. — Completou tentando soar casual, mas notei maldade na insinuação.
Enrijeci insegura. Que época Edward ficou com Ashley? Por que ele nunca me disse? E pior, por que James ressuscitou esse tema que não era de sua conta? Encarei-o com superioridade. Se ele queria ver uma crise de ciúme, eu não iria dar esse gostinho.
—Quando ficávamos, ele era livre, e eu também. —Enfatizei fingindo indiferença.
—Então deve ter sido nessa época também que ele começou um caso com aquela morena. Uma aqui do Senado. —Apontou distraído. —Ela não vem aqui na sala dele, mas de vez em quando eles almoçam no restaurante lá embaixo. —Soltou. —Eu não entendo muito bem esses rolos do Edward. Um dia ele está rodeado de gatas, depois aparece noivo. Vai entender esses estudantes bonitões! — Deu um sorriso sugestivo e capcioso.
Encarei-o cheia de dúvida, mas tentei manter o meu semblante lívido.
—A nossa vida antes um do outro não importa. Sophia ou Ashley não significam nada agora. O que importa é que estamos juntos e vamos nos casar. — Garanti mantendo a pose enquanto folheava uma revista, sem ver. Ainda que eu estivesse me corroendo por dentro não ia deixar isso à mostra.
—Mas será que ele só teve ou ainda tem? — Espetou com um brilho cínico no olhar. Ergui o queixo orgulhosa.
—Sinceramente não vejo como esse assunto ser da sua conta. — Frisei firme. —Para mim o tema está encerrado. —Declarei incisiva. Ele ergueu as palmas no ar em sinal de paz. Ignorei-o e baixei o olhar novamente para a revista.
Minhas mãos tremiam de nervosismo ao folhear as páginas. O tempo pareceu não passar. Nem adverti o minuto que ele saiu.
—Oi, amor! —Edward apareceu após um tempo. —Você aqui! — Sorriu e me beijou na testa.
—Ola. Estava à toa e resolvi vir passear e te buscar. —Expliquei com um sorriso forçado. — Você já está saindo? —Conferi as horas. 19h.
—Sim. Vou só entregar uns papéis para o senador. — Avisou e olhou meu rosto com o cenho franzido. Desviei o olhar. Ele pegou os papéis na mesa e voltou para o gabinete.
Quinze minutos depois ele pegou minha mão e deixamos o gabinete. Ele me convidou a ir a um bar no shopping. Disse que era um local seguro e movimentado, onde se podia comer, beber e ouvir boa música. Sentamos num canto, ele pediu fritas, refri e chopp.
—Hei, fala para mim o que acontece. — Pediu carinhosamente ao notar meu estado ausente.
Eu mexia as mãos nervosamente tentando ocultar o tolo ciúme e insegurança.
Edward
Sempre que ela vem à Capital, seu humor e comportamento oscilam. Talvez seja a distância de casa, ou a sensação de estar só e dependente de mim. Resta-me descobrir seus motivos.
—Fala, amor. Se abra. — Pedi suplicante, estendi a mão e acariciei sua bochecha.
—Edward, eu preciso conversar com você. Não é um assunto muito agradável para ter com a namorada, mas eu preciso saber. Tudo bem? — Perguntou tensa.
—Vai em frente. —Encorajei-a. — Fale o que te incomoda. — Inclinei sobre a mesa, peguei suas mãos e as pus dentro das minhas, esperando-a relaxar.
—O que aconteceu em definitivo entre você e a Ashley? Você já sentiu atração por ela ou coisa do tipo? —Perguntou neutra. —Se já rolou algo, ainda rola agora? — Questionou com postura estóica.
Enrijeci tenso com a pergunta direta. Não era um tema que eu gostaria de deliberar com ela.
—Por que isso agora?
—Porque eu sempre tive curiosidade. —Respondeu séria. —Já rolou clima entre vocês?—Pressionou mais uma vez.
—Ok... —Suspirei e levei a caneca de chope ao lábio. —Uma vez ela me beijou no quarto que eu dormia na casa dela. —Confessei embaraçado.
Ela respirou longamente e baixou o olhar.
—Mas não foi como você pensa. —Voltei a dizer antes que ela tirasse conclusões precipitadas. — Eu não aceitei. Eu a empurrei e deixei-a no quarto sozinha. Foi quando eu e você ficávamos. —Esclareci tenso. —Outra vez aqui na Capital ela abriu a blusa e levou minha mão ao seu seio. —Esperei ela digerir. Ela parecia ter parado de respirar. — Eu também saí e deixei-a na sala, inclusive dessa vez eu cheguei a te falar algo. — Lembrei. Seu rosto perdeu toda cor. Ela suspirou e tentou se recompor.
—E como ela age agora com você? — Adotou uma postura serena.
—Você quer saber se ela ainda tenta algo?
—Isso. —Assentiu lívida.
Tomei outro gole de chope, olhando para ela. Será que valia a pena preocupá-la?
—Ela não é mais tão direta. Mas sempre força a barra conversando coisas sem sentido. Todavia eu não dou muito assunto. Só mantenho o contato por educação e por causa do pai dela.
—Você a acha bonita? — Perguntou neutra.
—Não a acho feia. —Ponderei sincero. —Mas também não faz meu tipo. — Passei os dedos em seu rosto. —Meu tipo é você. — Tranquilizei-a, tentando dissipar o clima. Ela sorriu comovida, mas não perdeu a tensão.
—Seja sincero, se você não tivesse me conhecido, ela faria o seu tipo? — Pressionou. Por que mulher faz esse tipo de pergunta?
—Bella, se eu não tivesse você, eu nem existiria. —Disse carinhoso. — Vem sentar aqui ao meu lado. Não gosto de você sentada em minha frente. — Puxei-a, ela sentou-se ao meu lado.
—Você gosta de me distrair. —Censurou desconfiada. —Eu quero saber. Você ficaria com ela, se nós não tivéssemos nos conhecido? — Ela insistiu, mas parecia mais relaxada.
—Eu não entendo por que você persiste com isso. Mude de assunto. — Beijei sua testa e coloquei minhas mãos entre seus cabelos, acariciando sua nuca.
—Eu quero saber. —Desafiou.
—Ela não faz o meu tipo, e eu não gosto de pensar em possibilidades de não ter você. Desde que eu te conheci, eu só enxergo você. Então não tem como responder essa pergunta. É uma questão meio sem lógica. — Levantei seu queixo, nivelando nosso olhar. —Não existe possibilidade de eu ficar com outra pessoa. Eu já encontrei você. Por que eu tenho que pensar em 'se eu não tivesse você'? Não vamos gastar o nosso tempo com essas suposições, sim? — Dei selinhos pacificadores em sua boca. Ela suspirou rendida e descansou a cabeça em meu ombro.
—Tudo bem. Passamos o assunto gêmea do Ryan e vamos para outro assunto chato. E a Sophia? O que rolou entre vocês dois.
Afastei-a surpreso que ela decidisse perguntar. Esse era mais um assunto desnecessário. Todavia, se eu lhe falasse sobre Sophia havia a esperança de sua insegurança diminuir.
—Bom, uma vez eu te disse que ela foi a fim de mim...
Flash back on
Era meu primeiro ano na Universidade, o semestre tinha acabado de começar. Conhecer meu colega de quarto me tranquilizou. Ryan era meio barulhento, porém respeitava meu espaço. Seu único problema era sair muito e chegar tarde. Maioria das vezes eu estava acordado, estudando.
Ryan gostava de conversar, e isso, às vezes, me incomodava e me obrigava a refugiar em bibliotecas. Eu não queria conversar. Não tinha nada agradável para expor. Ele também tentava me inserir no restante da turma. Eu não tinha intenção de socializar.
Os últimos acontecimentos de Forks, quando o pai de Bella foi buscá-la na minha casa, ainda me atormentavam. Cinco meses tinham se passado, era como se tivesse acontecido no dia anterior. As palavras do Sr. Cullen ecoavam. Os olhos aflitos de Bella quando seu pai proferiu cada palavra de ofensa não saiam da minha mente. Não tinha como fugirmos da realidade, então tratei de tentar esquecê-la usando as ofensas de seu pai como uma injeção para mudar de vida. Meu orgulho me incitava mostrar a ele que um dia ele iria se arrepender de ter sido tão depreciativo. Então, dia após dia eu entrava de cabeça nos livros, tentava transformar a vontade insana de ver Bella em combustível para alcançar um futuro melhor.
Mesmo reprimindo, as lembranças da nossa última tarde no meu quarto ressonavam como ondas do mar... Eu me lembrava dos beijos, do seu corpo macio, do gosto de sua pele, de seu sorriso contagiante. Nossa química era tão inexplicável que eu sentia ondas elétricas por todo o corpo só de vê-la. Ela despertava fome, um anseio dolorido nas entranhas.
Mesmo sabendo ser só um mimo para a garota riquinha, um brinquedinho, passar a tarde com ela em meus braços foi extasiante. Ela era a garota mais sensível, direta e decidida que conheci.
Quando essas memórias me invadiam, os músculos do meu estômago se contorciam revoltados. Como se faltasse parte do meu corpo, da minha vida. E mesmo que eu passasse horas e horas estudando, ela estava lá, no canto da minha mente. No mínimo minuto de ócio, seu rosto invadia meus pensamentos.
Eu lutava contra os sentimentos, mas sempre que aceitava às lembranças, meu coração se abrandava. Dias se passaram e não evoluí. O único amigo que consegui fazer foi Ryan. Por diversas noites ele me chamou para sair, e eu neguei. Cada dia eu me afundava mais na obsessão pela garota, filha do Cullen. E passou a me incomodar. Ponderei se talvez essa paixão infantil fosse por nunca ter ficado com outra garota. Quem sabe se eu tentasse poderia me curar. O convite insistente de Ryan me pegou justamente nesse dia.
—Estou a fim de uma garota e vou sair com ela, mas para isso preciso de companhia para a amiga dela. Você faz isso para o seu brother aqui? —Pressionou.
—Hoje não. Outro dia eu saio. — Evadi e voltei a ler um livro de lei orçamentária.
—Cara, você nunca está a fim de sair. Sabia que você só tem dezoito anos e essa idade a gente só tem uma vez na vida? Essa é a idade que os homens pegam todas, e hoje você tem que tirar o atraso. Tem uma garota da sala a fim de você e você vai ficar com ela. —Determinou obstinado.
—Não, Ryan, hoje não. — Neguei, mas procurei na mente motivo para sustentar minha negativa. Não encontrei. Eu não tinha namorada, não tinha ninguém me esperando, era sábado...
—Cara, tu não gosta de mulher, não? —Juntou a sobrancelha, desconfiado. Balancei a cabeça cético com a pergunta. Eu ia ter que explicar isso para ele? E como gostava! Ainda que talvez só de uma.
—É lógico que eu gosto. —Defendi ofendido com a insinuação.
—Tem namorada?
—Não.
—Então, você vai sair hoje para aliviar o stress. — Ele fez um gesto obsceno com a mão. Pisquei longamente, indeciso. Eu podia tentar, não?
—Tá, Ryan, para onde pretende ir? — Joguei o livro na cama e levantei.
—Para um barzinho. Marquei com a galera do curso.
Saímos do campus no carro do Ryan. Por mim eu voltaria dali mesmo para o quarto e aplacaria a sensação de perda de tempo. Além disso, eu me preocupava em ter o encontro armado. Minhas mãos estavam frias. Eu torcia que a menina que ele me apresentaria fosse desinibida e me livrasse de tomar iniciativa. Com dezoito anos, nunca tinha passado mais que cinco minutos perto de uma garota que não fosse Bella. E não fui eu a tomar iniciativa.
Fomos os primeiros a chegar ao barzinho. Eu pedi uma coca. Minutos depois chegaram uns colegas de classe. Permaneci isolado. Eu não costumava conversar com os estudantes da minha turma.
—Edward, já conhece a Sophia? —Ryan perguntou sugestivamente, parado com a garota em minha frente.
Avaliei-a abertamente. Morena, de cabelos longos, olhos verdes, boca pequena, rosto bem feito, sorriso bonito... É, eu podia tentar.
—Olá, Sophia. — Cumprimentei-a com um aperto de mão. Não era dado a contatos físicos, ainda mais com pessoas que eu teria o hábito diário, por isso evitei o beijo no rosto. Chamei-a para uma mesa destacada e conversamos sobre o curso e estudos. Descobri que ela falava fluentemente italiano e francês. Eu falava a língua italiana por causa da minha avó e por estudar sozinho, então me interessei em passar mais tempo com ela. O restante da conversa foi em italiano.
Um tempo agradável se passou. Era evidente que ela esperava algo mais, então a chamei para fora do bar. Não queria que meus colegas de classe me vissem ficando com alguém. Caminhamos até o estacionamento em silêncio expectativo. Se eu ficasse com ela, seria somente para não frustrá-la, não por atração. Encostamo-nos ao carro, um ao lado do outro e, como eu, ela não tinha iniciativa. Conversamos mais um tempo, o assunto acabou e ambos parecíamos esperar pela atitude do outro. Foi ela a se aproximar e encostar-se a minha frente. Inicialmente ela hesitou, eu me inclinei e deixei que nossos lábios encostassem.
Esperei correntes elétricas, formigamento, tensão... Nada. Tornei-me uma pedra fria e dura. Ela tentou beijo de lábios, sugou os meus, mas eu estava desconectado. Inconscientemente, remeti-me a lembrança do meu primeiro beijo com Bella, onde meu corpo queimava, eu a explorava como um urso faminto.
Deus, como eu sentia falta de Bella! Queria sentir novamente seus lábios doces, quentes, eletrizantes... Queria vê-la, abraçá-la, fazê-la minha. Como em um estalo, voltei ao presente e registrei estar parado com os lábios abertos encostados na boca da Sophia, mas sem ação. Ela acariciava sem sucesso minha boca. Não havia compatibilidade. Depois que experimentei os beijos quentes e sensuais de Bella, temia que dali em diante nada mais me proporcionasse a mesma sensação.
Afastei-a pelos ombros e encarei-a pesaroso.
—Sophia, desculpe. —Lamentei. —Você é legal, mas não está dando certo pra mim. — Expliquei chateado pela tentativa frustrada. Não queria ser desonesto. —Estou tentando esquecer uma garota e não consegui ainda. — Adicionei sentindo-me mal, fracassado e incompleto.
—Tudo bem. Eu já tinha percebido. Obrigada por ser sincero.
Fim do flash back
—... Bem, o Ryan estava a fim de uma amiga da Sophia, a Deby. E a Deby, para não deixar a Sô sozinha em um barzinho, inventou para Ryan que a Sô era a fim de mim. Isso seria conveniente para a Deby, dois casais de amigos saindo juntos. Então Ryan me convenceu a sair com ela, e eu a beijei. — Revelei. Ela abriu a boca em mudo estupor, como eu imaginava que aconteceria.
—Mas um dia você disse que não tinha beijado ela. — Balançou a cabeça em negação.
Peguei batatas fritas tranquilo e coloquei em sua boca, fazendo-a comer, tentando distraí-la. Já que ela fez questão de saber, agora eu iria até o fim.
—Eu falei que não tinha beijado ela porque para mim foi como se não tivesse beijado. —Defendi. —Mas quando você me perguntou isso, eu disse 'não rolou igual você e Mike', ou seja, eu tentei ficar, mas foi tão insignificante que foi como se não tivesse ficado.
—Então me explica o perfume. Vocês estavam ficando quando ela te deu o perfume? —Espetou enciumada.
—Bella, não existiu isso de estar ficando. —Enfatizei. —Eu dei um beijo nela e ponto.
Ela suspirou audivelmente.
—Você disse que a amiga dela inventou que ela era a fim de você. Ela era mesmo ou não? Se era, ainda é?
—Não. Ela nunca foi.
—Como você sabe que ela não era a fim de você? E se ela não era, por que essa amizadezinha de presentes? —Destacou enquanto tamborilava os dedos na mesa. Eu queria rir de sua insegurança lisonjeira, mas não era sensato.
—Ela me deu presentes porque viramos amigos. Na época, ela tinha ido para a França nas férias e trouxe presentes para alguns amigos, inclusive para Ryan. — Salientei.
Ela calou-se uns instantes, tensa. Eu segurei seu queixo.
—Você é linda quando está com ciúme, sabia. — Zombei e encostei meus lábios nos seus, beijando-a para acalmá-la. Ela correspondeu com um entusiasmo não esperado, apertou minha nuca e sugou meus lábios avidamente. Explorei-a, acariciei sua boca com minha língua, após um tempo afastei-a brevemente. —Vai ficar bêbada. — Alertei presunçoso. —Deixa esse ataque para mais tarde no apê. — Insinuei divertido ao ler seu olhar de protesto. —Não fique bêbada com os meus beijos porque é você quem vai dirigindo.
—Você está muito convencido. Acha que eu ficaria tonta só com beijos, é? — Ela fingiu contrariedade e cruzou os braços.
Trouxe-a de volta para meus lábios.
—Se você não fica tonta só com os meus beijos, saiba que ultimamente eu só fico tonto com os seus. — Dito isso a beijei novamente, sentindo-me ferver. Esqueci o movimento do bar, o barulho de conversas, suguei sua língua e trouxe-a para mais perto, seu seio imprensado no meu peito.
O breve álcool da cerveja, a lembrança retrograda da distância a qual enfrentamos e a certeza de que só ela me fazia sentir assim trouxeram-me calor e palpitação no peito. Os beijos se tornaram urgentes e demorados.
Depois de um tempo, ela ofegou por ar e se afastou. Eu sorri e bebi mais um gole, dando um tempo para que meu corpo obcecado acalmasse e para que os meus batimentos cardíacos voltassem ao normal.
—Você quer desviar o assunto. Está querendo tirar a minha concentração. — Acusou ofegante.
—Não. É que adorei sua crise de ciúme. — Sorri dissoluto. —Mas vamos continuar com o interrogatório... —Concedi divertido. —Vou te provar que ela nunca foi a fim de mim. —Sentenciei. — Quando você veio em setembro daquele ano aqui, a Sô te conheceu e depois que você foi embora viramos amigos de verdade. Foi ali que ela confessou de quem ela gostava desde o início... Quando a amiga dela armou para ela ficar comigo, na verdade a Sô era a fim do Ryan. Mas ela não queria entrar numa disputa com a Deby. Além disso, tinha outro problema. Sophia é filha do senador dos Democratas, inimigo pessoal do pai do Ryan, então seria um relacionamento impossível. Mesmo assim, quando eu soube que ela era a fim do Ryan, fiquei tentado a intervir... Ryan era o tipo do cara mulherengo, todos os dias estava com uma garota diferente. Se a Sophia simplesmente mostrasse que estava a fim dele, ele ia ficar com ela e depois jogar fora. Então eu fui a ponte que os aproximou. Sempre que tínhamos trabalhos, eu combinava com ela de sermos nós três. Assim, eles se aproximaram, viraram amigos e acabaram ficando. Estão juntos até hoje. A Sô colocou rédeas nele e namoram sério. Satisfeita?
Ela abriu a boca surpresa.
—Por que você nunca me disse isso?
—Porque eu queria que você confiasse em mim independente da suspeita de alguém ser interessada em mim ou não. Eu confio em você mesmo sabendo que Brandon é apaixonado por você. —Acentuei tranquilo.
—Quem disse que ele é a fim de mim ainda?
—Eu percebo. É só observar como ele te olha. Mas eu não o culpo, você é apaixonante. Eu que sou um sortudo. — Apertei sua cintura e mordisquei sua orelha.
Ela fechou os olhos entregue.
—Hmmm, você está tão quente hoje. — Derreteu-se, passei a língua atrás de sua orelha, os pelos de seus braços eriçaram. —A noite promete. —Sussurrou.
—Vamos embora... — Sibilei e desci a mão para suas pernas.
—Estou até com medo do que você vai fazer comigo. — Ela sorriu, eu subi a mão por baixo do vestido.
—É bom que tenha. — Ameacei e voltei a beijar seus lábios, a mão acariciando-a até a coxa. —Amor... Já te passou pela cabeça algum tipo de aventura no banheiro do shopping? — Perguntei distraído, mas quando desfiei o pensamento torci que ela ignorasse. Devia ser o efeito da bebida essa inclinação ao errado.
Ela arregalou os olhos e vi brotar um brilho de travessura.
—Aventura seria fantasia sexual? —Traduziu. — É sério que você disse isso, ou melhor, que você pensou isso?! — Frisou incrédula.
—Não, Bella, esquece. Foi só um momento de insanidade. Vamos embora— Paguei a conta e peguei sua mão para sairmos. Ela não fez menção de levantar e me puxou para falar em meu ouvido.
—No banheiro eu nunca pensei, mas na escada de emergência e no estacionamento sim. —Ciciou sugestivamente. — Você sabe que eu adoro estacionamentos, né?
Traguei ar tentado. Eu faria o que ela quisesse. Não tinha mais poder sobre meu próprio corpo. Rezava para que ela me coagisse a cometer suas loucuras.
—Estacionamento. Agora. Vem! — Peguei sua mão e saímos. Andamos a passos largos, onde o tempo humano era desproporcional à emergência da ocasião.
Continua...
Agradeço aos leitores do FFNET por ler minhas estórias. Um grande beijo e boa semana. Passem nas outras estórias.
