Armações
Jasper
—Alice, vamos no meu carro comigo! — Insisti pela quarta vez. Já tava perdendo as estribeiras com a teimosia do projeto de gente.
—Jasper, é meu primeiro dia de aula, e eu quero mostrar meu carro novo. — Ela teimou e continuou na porta do carro dela.
—Também é o meu primeiro dia de aula. Eu quero chegar abalando. —Argumentei. —Só vou no seu se você deixar eu dirigir. —Impus maquiavélico.
—Mas aí não vai ter graça. — Ela cruzou os braços birrenta.
Cheguei perto dela e encostei-a no carro, com as duas mãos em sua cintura.
—Por favor, Alicinha. — Pedi e soou muito derretido. Tá, eu já entendi, tô virando bicha. Único jeito de convencer essa coisinha pirracenta!
Depois de três anos era a primeira vez que ia a uma escola normal. Eu merecia posar de carrão. Ela olhou para a minha boca e ficou calada. Tava rolando um clima, sempre rolava. Eu ficava loucão quando ela me olhava com aquele olhar caçador. A vontade de beijar sua boca me fez salivar que nem cachorro. Peguei no rosto dela e dei uns selinhos em sua boca. Ela congelou tensa, mas fechou os olhos.
—Vamos no meu carro, vamos. —Pedi de novo, beijando seu rosto.
—Jasper, eu já pedi para não fazer isso. — Ela ralhou sem vontade. Eu desci selinhos para seu pescoço.
—Deixa eu dirigir...
Ela suspirou e, pela primeira vez depois de meses que ela gritava ou saía correndo quando eu tentava dar uns tratos nela, ela ficou quieta. Depois estendeu a chave rendida e sentou no banco do passageiro. Entrei no seu carro novo empolgado, abri o portão no controle e saí do estacionamento. Só sendo Carl para dar uma máquina daquela para aquela criança!
Ela puxou assunto.
—Jasper, eu não quero que você fique me beijando. —Repreendeu. — Pra mim, você é como se fosse meu irmão.
—Rá, rá! Irmão é? —Zombei. — Eu sei o quê que você sente quando o seu irmãozinho te dá uns amassos. — Tirei sarro.
Ela ergueu o queixo afetada.
—Encare as coisas. Sou só sua amiga. Não rola mais. — Repetiu.
Eu dei de ombros.
—Tudo bem. Eu já estou te dando mole há meses, mas você fica só me tirando, então vou só te avisar: se você não se decidir, vou passar o rodo em todas, pegar geral... —Avisei decidido. —Fala pra mim, tem muita mulher bonita aqui na sua escola? — Impliquei. Já estava cansado de insistir nessa porra!
Ela fechou o tempo, fez um bicão e cruzou os braços. Na área escolar, a maior galera juntou para secar o carro quando eu estacionava. Foi do jeito que eu queria, chegar chegando.
—Até mais, chatinha. — Apertei sua bochecha brincalhão. Ela não sorriu, pegou a bolsa e sumiu para o bloco dela. Vai entender essa garota! Mesmo que eu seja amarrado nela, não dá pra ficar nessa.
Tive várias aulas chatas. Tinha desacostumado desse embromation de sala de aula. Não sabia por que minha mãe resolveu que era melhor eu me socializar de novo, nada a ver. Na hora do almoço Alice não quis sentar comigo. Ficou de longe com umas amigas. Sentei no canto sozinho. Eu ficava bolado com suas atitudes sem pés nem cabeça. Primeiro ficou toda esquisita só porque eu dei uns selinhos, depois ficou bravinha quando eu disse que ia pegar geral. Quem entende?
—Oi. Você é novato por aqui? — Maior gatinha já chegou me dando trela. Era meio branquela demais, mas dava para uns tratos.
—Sou. Senta comigo. — Apontei a cadeira e olhei em direção a Alice, que tavade olho.
—De quem é aquele Porshe? —Perguntou a mina.
Falei que se eu chegasse dirigindo um carrão todo mundo ia me notar!
—Da minha... — Olhei de novo em direção a Alice indeciso e sorri de canto. Ela me olhou furiosa e veio andando em minha direção. —É da minha irmã. Eu tenho um Lamborghini. Hoje resolvemos vir no dela. — Eu disse convencidão. Alice parou ao meu lado. —Essa é minha irmã. — Apresentei Alice zombador. Ela queria que eu fosse seu irmão, agora ela ia ver!
—Oi, Alice, não sabia que você tinha outro irmão.
—Ele não é meu irmão. Ele é o meu namorado. — Corrigiu brava e sentou ao meu lado, colocando a cadeira bem junto a mim.
—Ah... Bom te conhecer, até mais. —A garota saiu de fininho.
Quando ela saiu, olhei acusador para Alice.
—Quê que foi, chicletinho? Já veio embaçar o meu esquema?
—Não enche, Jasper, eu só vim te salvar. —Defendeu-se. — Essa garota é maior sem noção.
—Qual é o pó? Pra quem tá abandonado como eu, qualquer uma serve. Já disse que agora vou passar o rodo na primeira que aparecer, né?
Sua cara de boneca de porcelana foi de branca a vermelha.
—Jasper, não é para você ficar com ninguém daqui! —Impôs revoltada.
—Hmmm, ciumenta fica mais gostosa. — Provoquei e belisquei a sua cintura.
—Não é ciúme! — Retrucou teimosa.
—Não? — Sorri de sua cara e segurei seu rosto com as duas mãos. —Se você voltar a me tratar de boa, sentar comigo, lanchar comigo e almoçar comigo, eu não dou mole para ninguém daqui. —Condicionei. — Ainda mais agora que você acabou de queimar o meu filme dizendo que sou seu namorado. Eu não ligo, se é isso que você quer. Mas no pacote de desfilar com o gostosão aqui por aí, tem que vir uns selinhos pelos corredores de vez em quando. Aí sim, eu prometo nunca ficar com menina nenhuma daqui da escola. É pegar ou largar. — Propus. Ela silenciou balançada. Como dizem por ae que quem cala consente, terminei de almoçar, coloquei meu braço em seu ombro e levei-a até sua sala.
Em poucos dias ela caía na minha de novo.
Bella
Nossa rotina se repetiu no decorrer do ano. Edward continuou vindo à Califórnia de quinze em quinze dias nos fins de semana, como combinamos. A grade horária dele mudou e ficou reduzida, deixando livre todos os dias à tarde e um dia pela manhã. Às quintas-feiras. Assim, ele podia vir com o senador todas às quartas.
Quarta era dia de aula de Economia Avançada, uma aula que ganhava minha concentração por eu ter facilidade. Sentei na frente para ter atenção na matéria nova. O professor desenhou um gráfico no quadro parecido com os que eu analisava com o meu pai. Colocou freqüências e escreveu algumas perguntas no quadro. Eu peguei minha calculadora científica e testei meus conhecimentos fazendo cálculos.
—Analisando este gráfico, qual a probabilidade dos lucros desta empresa atingir dois milhões? —Ele perguntou. A turma não poderia responder. Não tínhamos o assunto estudado ainda.
Apliquei a fórmula que aprendi recentemente e cheguei a uma resposta. Chamei o professor e mostrei os cálculos.
—Já fez Estatística Avançada? —Ele questionou curioso.
—Não. Mas meu pai trabalha com esses tipos de gráficos.
—Qual é a empresa do seu pai?
—Cullens & Associados.
—Jornal impresso, não é?
—Noticias, publicidade e comunicação. —Expliquei tranquila.
—Bom, você está bem adiantada. Fique aqui na frente para eu te dar mais atenção.
Satisfeita por ver respostas ao meu esforço, me apliquei em praticar. A aula se passou rápida. O sinal tocou, e Vick e July, minhas colegas de sala, me esperaram para o almoço. Acompanhei-as pelo corredor principal conversando animada rumo ao refeitório. Ao descermos as escadas, urpreendentemente avistei um homem lindo de bermuda jeans, tênis e camiseta azul, com a bolsa do notebook ao lado. Suspirei fascinada. Ele destoava com o local com sua aparência angelical.
—Quem é? — July cutucou o meu braço ao ver que ele sorria em nossa direção.
—É o meu namo-noivo. — Soltei o ar. —Tchau, gente. — Despedi e andei rápido em direção a ele. Eu queria correr e rodear seu pescoço, como aqueles filmes românticos. Já fazia uma semana que não nos víamos, porque fim de semana passado fui para Seattle, então sentia muita saudade.
—Olá, namorado! — Dei-lhe um beijo estalado.
—Namorado não, é noivo. — Corrigiu e deu-me um abraço grande, que me cobria toda. O termo noivo ainda não me era familiar. Uma menina de dezenove anos casar-se ultimamente era raro. Mesmo assim, era uma decisão que alegrava meu coração. Sim, noivo! —Saudade de você, minha noiva. — Ele sussurrou e plantou beijos no meu rosto, sem soltar do abraço aconchegante.
Ainda que tivéssemos num corredor movimentado, nada parecia incomodá-lo.
—O que vamos fazer? — Perguntei eufórica. —Vamos embora? — Sugeri animada. Queria passar a tarde todinha curtindo ele, de preferência assistindo filme e comendo pipoca na cama.
Ele fez tsc tsc, balançando a cabeça.
—Não. Vamos almoçar, depois você vai voltar para a sua sala, e eu vou estudar na biblioteca. — Sentenciou sem me dar chance de argumentar, pegou minha mão e caminhamos para o restaurante fora da Universidade.
—É sério que você veio estudar? —Censurei incrédula. —Veio essa distância para estudar?
—Em primeiro lugar, eu vim te ver e almoçar com você. —Ressaltou. —Mas nossas responsabilidades têm que ser priorizadas. Você precisa estudar, e eu também, então se era para estudar lá ou aqui, eu preferi vir estudar aqui. — Explicou e apertou minha bochecha como se explicasse para uma criança. —Mais tarde iremos juntos para o apê e podemos sair à noite, se você quiser. — Adicionou bajulador.
—E você veio de quê? Que horas resolveu vir?
—Acordei com saudade de você, coloquei uma bermuda, peguei um avião e vim. — Sorriu. —Amanhã eu volto com o senador.
—Que bom que veio. É bom saber que meu nam...noivo está agindo como um cara normal, tipo indo à universidade da namorada. — Comentei alegre. Entramos nos restaurante lotado de universitários, escolhemos um local para colocar nossos materiais e nos dirigimos para o buffet. —Tive aula de Economia Avançada e adorei. Acho que estou bem. Daqui uns dias vou conseguir investir sozinha nosso dinheiro.
—Nosso dinheiro? — Ele juntou a sobrancelha ao tempo que servia salada.
Terminamos de nos servir e sentamos à mesa.
—Sim, nosso. Também tem dinheiro meu. Eu não disse que estou guardando?
—U-hum... Não tente me enrolar, Bella. — Alertou e levou o garfo a boca bem humorado.
—Você não confia em mim? — Pus a mão sobre a sua.
—Lógico que sim. Só estou preocupado em você fazê-lo multiplicar sem dar um fundamento lógico. Eu já conheço você. — Acusou e encaixou a mão na minha.
—Pode deixar que com isso sou bem transparente. Tenho uma planilha com tudo anotado, caso você queira ver. —Defendi afetada. — Mas eu não sei porque a sua preocupação. Tudo que é seu é meu, e assim reciprocamente.
—Nós já tivemos essa conversa. — Lembrou sem mudar o humor, pegou uma batata frita e colocou em minha boca.
—Ok. Conta alguma novidade. — Propus.
—Hmmm, só tenho uma novidade. Eu te falei de um projeto que fiz no ano passado e o senador não se interessou? — Lembrou animado. Eu assenti. —Pois é, eu o dei para Sophia, e ela mostrou ao pai dela, então ele mandou para as comissões e entra em pauta para votação esta semana. Eu fico feliz por algo que eu tenha idealizado ter chances de aprovação novamente.
—Mas como é isso? Seu nome vai estar no projeto de lei? — Perguntei curiosa, voltando minha atenção para salada.
—Não exatamente. Eu mando um projeto, se as comissões aprovam sem alterações, e estes chegam rápido às votações, meu nome fica conhecido nos bastidores. É algo simples, mas é um início para mim. Se algum dia eu precisar deixar o senador Evans, por exemplo, eu posso conseguir ser assessor de outro político.
—Por que o pai do Ryan não quis?
—Porque não era um projeto que interessava a ele. —Lamentou. — Ele prefere projetos que beneficiem empresas grandes e já formadas. E esse projeto era para universidades públicas em pequenas cidades. O outro, que ainda não passou pelas comissões, é um projeto de universidades com natureza de Empresa de Economia Mista, ou seja, cinquenta e um por cento pertencente e fomentada pelo governo, e quarenta e nove por cento dividida entre ações.
N.A. exemplo no Brasil de EEM: Petrobrás, Banco do Brasil.
—O que exatamente você faz? — Incitei-o a falar. Eu adorava ouvi-lo.
—Faço as intenções do projeto de lei, e junto com ele, entrego para o senador todos os argumentos e ainda redijo os discursos de embasamentos.
—Nossa, embaixador, às vezes tenho tanto orgulho de você! — Adulei-o ternamente.
Ele tocou o meu rosto, o olhar penetrante.
—Meu objetivo é só um... Te merecer. — Sussurrou docemente, porém mudei o humor com o cansativamente repetitivo comentário.
—Eu não gosto quando você fala assim... Não entendo... Ser importante não vai fazer você me merecer mais. Eu amo você desde que você era só um nerdezinho em Forks, desde que você era só meu amiguinho de festa, meu anjinho de cabelo liso. —Enfatizei e acariciei o seu cabelo, que estava em estilo anjinho, meio de lado com uns fios arrepiados.
—Você não amava nada. Era só uma menina mimada que me quis e me conseguiu. — Brincou divertido.
—Foi mesmo. Isso mesmo. — Concordei e baguncei seu cabelo. —Agora você é meu. Só meu. Viu como eu fui uma mimada persistente? Agora eu sou sua dona. — Sorrimos carinhosos, contentes, ele me puxou para mais próximo pela cintura e me abraçou. Pressionei os lábios em seu pescoço, feliz com essa nossa fase melosa e tranquila.
—Sorvete? — Propôs.
—Não sei, tenho que me manter uma noiva magra. —Fiz charme. — Meu pai já até pediu para um designer famoso daqui de Los Angeles desenhar o meu vestido. Melhor não ficar comendo carboidratos.
Ele levantou, serviu-se de sorvete de maçã, sentou e ofereceu-me na colherzinha. Eu não resisti. Ele beijou-me, tomando o sorvete em meus lábios. Deus, como estávamos diabéticos!
—Eu vou poder escolher seu vestido, minha noiva? — Quis saber.
—Não. Você não pode ver. Só vai me acompanhar. — Condicionei. É o que dizem, né? Mas eu nem ligaria dele ver.
Ele concordou e passamos um tempo entre beijinhos e sorvete.
—Acho que já está na sua hora, menina. — Comentou, levantamos, ele pagou a conta e voltamos para o bloco onde eu estudo.
Ele subiu comigo, parou na porta da sala, encostou-me a parede e me deu um selinho.
—Como você soube qual era o meu prédio? E como você entrou? — Perguntei.
—Passei uma mensagem para Emmett de manhã e quando cheguei ele saiu lá fora para me colocar para dentro.
Levantei a mão até sua nuca e encostamos nossas testas.
—Adoro ver você com o meu irmão. Nem parece que aconteceram tantas hostilidades. — Comentei, o professor chegou à sala, Edward me deu mais um selinho e saiu.
Mais tarde, saí da sala ansiosa, e ele me esperava na saída central. Não havia uma menina que passasse e não virasse o rosto para olhar o meu anjo. Difícil ter um namorado bonito,viu! Orgulhosa, peguei na mão dele e direcionamos ao estacionamento. O carro do Emmett ficava na primeira vaga.
—E ae, cunhado, foi difícil encontrar ela? — Emmett quis saber, logo que chegamos ao carro.
—Ela que me achou fácil. — Edward sorriu, Emmett deu partida.
—Gente, vocês acreditam que hoje me chamaram atenção por causa do Emmett!? — Rosalie reclamou enquanto alisava o cabelo do Emmett. —Perguntaram se ele era meu namorado. Acho que nem perceberam a aliançona no meu dedo.
—Ou podem ter pensado que você era casada e tinha um amante na universidade né, gata. — Ele brincou.
—Mas por que te chamaram a atenção? — Edward perguntou.
—Porque Emmett toda hora vai a minha sala ou fica no meu corredor. Além disso, quando ele chega para me pegar para o lanche ou almoço, fica me beijando e me encostando às paredes.
—Eu não sei por que eles estão reclamando. Eu tô pagando aquilo ali! — Emmett defendeu-se. Rosalie olhou-o séria.
—Tá pagando, Sr. Emmett?! Que eu saiba é uma bolsa de estudos. — Ela desafiou desconfiada.
—O governo está pagando, mas quem é o governo? — Sorriu cínico. —Quem é o seu governante? — Provocou.
—Não liga, Rose, já te disse que é de praxe os Cullen nos enganarem, né? Tem que ficar de olhos bem abertos neles.
—Qual é, Edward! Eu não te engano mais. Eu só te enganava por você ser cabeça dura. —Virei-me para Rosalie. — Rosalie, você é muito cabeça dura? — Perguntei.
—Eu não. Emmett sempre me dobra. —Piscou para ele.
—Aprende com sua irmã, Edward. Não sei por que você reluta, eu sempre venço!
Sorrimos descontraídos, entramos em assuntos diversos e Rosalie comentou sobre o jantar.
—Edward, hoje é você quem vai cozinhar. — Determinou.
—Querendo matar a saudade da minha comida, é? — Edward brincou cúmplice. —Só se for um prato fácil. Macarrão ou lasanha. — Deu a opção.
—Tudo bem, pode ser lasanha de frango ao molho branco.
—Gente, vamos comer saladas, massas não. —Eu pedi desanimada. — Eu não posso engordar. — Supliquei manhosa.
—Amor, para mim você está bem. — Edward apertou minha cintura. —Não precisa se preocupar. Você nunca engordou desde que eu te conheci.
—Estou bem ou boa? — Sibilei sugestiva em seu ouvido.
Ele deu um sorriso malicioso. —Se eu te disser que você está boa, você vai dar piti dizendo que estou te chamando de gorda... Então está perfeita para mim.
—Gostosa? — Provoquei, mordiscando sua mandíbula.
—Perfeita, única, maravilhosa. — Ele sorriu tímido e desviou o olhar.
—Gostosa? — Continuei cochichando e rindo dele.
—Sim.
—Sim o quê?
—Ai, Bella, gostosa. Como você força! — Ele revirou os olhos, ainda sorrindo.
—Eu gosto de ouvir, você devia falar sempre.
—Mas eu falo.
—Quando? — Pressionei maldosa.
—Quando eu digo que você é linda, perfeita, maravilhosa.
—Ah, mas gostosa é gostosa. Eu quero ser chamada de gostosa. — Impus e cruzei os braços, fingindo birra.
—Tudo bem, mais tarde eu falo isso, menina. — Bajulou-me e acariciou minha nuca.
Passamos em um mercado, compramos ingredientes para massa, um vinho e nos dirigimos ao apê. Emmett e Rose eram agradáveis e fáceis de viver. Um casal calmo e feliz, focados um no outro. Edward se sentia completamente à vontade com a liberdade que Rosalie lhe dava.
—Você imaginou que sua irmã se casaria primeiro que você? — Abracei-o por trás, na cozinha, quando ele montava as camadas da lasanha na travessa.
—Não. Mas fico feliz. Seu irmão é bom para ela.
—Você vai cozinhar na nossa casa também. —Estipulei. —Mas eu vou ter que impor a minha nova condição. Antes era de avental e sem camisa, agora eu quero de avental e de boxer. — Desci as mãos para o bolso de sua calça. —Delícia um homem desses na cozinha! — Apertei sua nádega e sorri.
—Bella! — Ralhou sem jeito.
—É meu ou não esse bumbum. — Apalpei-o mais carinhosamente, depois coloquei minhas mãos dentro da blusa e desci do peito a barriga. —Adoro você sabia? —Esfreguei o nariz em suas costas.
—Você é muito... — Ele estremeceu e tomou ar ao me ter alisando a parte baixa da barriga.
—Tarada? — Interrompi divertida.
—Apressada... — Gemeu quando acariciei a extensão de seu órgão sobre a calça. —Espere chegar ao quarto para me atacar... Eu estou fazendo comida. — Sorriu o seu sorriso de canto tímido.
—Não gosta? — Levantei a camisa dele atrás e passeei a língua nas costas, mordiscando até a lateral.
Ele se virou com os olhos quentes, me apertou a ele e mordiscou meu pescoço.
—O problema é esse, eu adoro tanto quanto o seu embaixadorzinho.E depois de uma semana sem te ver, ele fica completamente impaciente com suas provocações. — Sorriu faminto. Eu abri a boca deliciada com sua naturalidade de se expressar. Não era normal a ele falar de desejo abertamente. —Deixe-me terminar de montar a lasanha, depois eu vou por para assar e deixar a Rose olhando, então nós iremos para o quarto, eu . e .você, os dois juntos. — Pontuou enfaticamente e beijou meu pescoço. Eu me arrepiei de antecipação.
—Ok. Você precisa mesmo de um bom tratamento. — Sugeri maliciosa e deixei-o terminar de montar a lasanha. Minutos depois seguimos impacientes para o quarto.
Como combinado, meu pai contratou um design famoso para desenhar opções de vestidos de noiva para mim e em abril fui escolher desenhos. Edward chegou sexta-feira para o fim de semana e o convidei a me acompanhar ao ateliê. Ele sentou-se ao meu lado no sofá enquanto eu olhava aflita a pasta de desenhos com Alice, que veio justamente para me ajudar a optar. Edward segurava em minha mão e, como eu avisei que ele não podia ver, ele se mantinha distraído com Jasper.
—Ai, Bella, você tem que decidir. Todos estão bonitos. — Alice disse desanimada com minha indecisão.
—Ah... Eu queria que ele pudesse escolher. — Murmurei chateada, olhando manhosa para Edward.
—Eu prefiro decidir a roupa da lua de mel. — Piscou malicioso, atento à nossa conversa.
Sorri e apertei sua bochecha. —Você quer o mais fácil. — Brinquei.
—Amor, você vai ficar linda de qualquer jeito. — Ele elogiou e acariciou o meu rosto.
—Faz assim, Bella, vem aqui. — Alice segurou o meu pulso e me puxou para uma sala onde tinha vários vestidos prontos. —Moça, traga alguns vestidos parecidos com esses modelos aqui para ela experimentar, aí ela vai ter uma noção. — Alice instruiu à atendente.
A atendente trouxe três amostras. Alice, eufórica, me ajudou a vestir, depois prendeu meu cabelo, colocou a tiara, os acessórios, e só então me virei para o espelho. A atendente acendeu uma luz refletora sobre mim, eu abri a boca sem ar.
—Nossa... — Ofeguei, perplexa. Era verdade. Eu ia ser dele para sempre, até que enfim. Mais cedo que eu esperava, seríamos uma família. A família Edward e Bella. Não importava a roupa, o importante é que eu estaria linda e iria me tornar sua esposa. Suspirei e dei umas voltinhas em frente ao espelho.
—Não! Não pode! — Eu disse e me escondi assustada quando vi Edward e Jasper parados boquiabertos me olhando.
—Eu os chamei, Bella. Esse ele pode ver. É só para ele ter noção de como a noiva dele vai ficar bonita.— Alice disse. —Gostou, Edward?
Ele parecia sem palavras, aproximou-se e tirou uma mecha de cabelo que estava solta.
—A noiva mais linda que eu conheci. — Bajulou e acariciou meu pescoço com dedos, uma expressão sonhadora e apaixonada no rosto.
—QUE MOVIMENTAÇÃO É ESSA AQUI!? — Chegou um, bem, um homem vestido de rosa fazendo um escândalo. Ao me ver, ele parou. —Mais que noiva mais bela! Uhuh! —Olhou Edward. — Esse é o noivo? Não pode, não pode, dá o fora daqui! — Ele empurrou Edward com Jasper da sala de provas. Todos sorrimos. Após o olhar de aprovação de Edward eu pude relaxar.
—Qual o seu nome, gracinha? — Ele voltou a dizer, a voz nasalada.
—Bella, Isabella Cullen. — Estendi as mãos para cumprimentá-lo
—Bella? Filha do Cullen, da COMUNICAÇÃO!? — Arregalou os olhos interessado. —Sou Perrine. — Apresentou-se. Eu estendi a mão, ele ignorou a mão e deu-me um beijo molhado no rosto —Ah, queridinha, você é a noiva mais linda que apareceu nesta primavera, e eu estou realmente precisando de uma noiva como você para expor minha nova coleção... — Comentou e bateu os dedos na própria testa como se avaliasse algo. — Obviamente seu pai vai dar apoio quando souber que sua filha vai desfilar para mim. — Adicionou animado.
—Desfilar?! Não! Está tendo um engano. Eu vim só escolher o desenho do vestido. — Recuei negando. Eu podia até não ser tímida, mas desfilar por aí não tinha nada a ver comigo.
—Sim, sim, noivinha. Imagine aparecer em capas de revistas no ano da noiva! É uma lembrança e tanto! Vai dar ibope! Principalmente por ser filha do Cullen... E o seu noivo parece que nasceu para isso! Eita bofe gostoso que você foi arrumar!
Estremeci com a ideia e encostei-me a um pilaste, relutante. Alice ficou eufórica, tanto quanto ele.
—Vamos,Bella, não seja difícil. Você sempre gostou de fotos. Aceita, vai! —Ela tentou persuadir.
Atravessei a sala de provas ausente e sentei em um sofá, estudando a proposta. Eu não queria perder nada que uma noiva tivesse direito.
—Explica como... Eu não tenho tempo, nem meu noivo. —Esclareci prática.
—Serão alguns coquetéis, alguns desfiles, no máximo uns três... Oh, imagine as notícias nos jornais e revistas. Perrine desenha... Perrine o melhor... —Recitou dramático.
—E qual vestido eu irei usar? — Ponderei preocupada se as pessoas veriam meu vestido antes do casamento.
—Um da coleção nova. O seu eu não vou deixar aparecer. É exclusivo. Aceita, vai! Não é toda noiva que tem esse privilégio. Eu só vou escolher cinco e sinceramente está muito difícil. OMG! Como tem noiva feia por aí. Como esses canhões conseguem casar!? Pura caridade! — Zombou. Eu sorri à vontade com sua irreverência.
—Tudo bem. Marque a data dos desfiles, e eu compareço. Só não garanto o noivo. — Concedi.
—Eu vou tentar marcar com ele só a capa da revista Noivos e Noivas da primavera. Vocês são um belo casal! Ele também é um herdeiro? Qual o sobrenome dele? Eu sei o sobrenome de todos os herdeiros casáveis. — Comentou interessado.
—O nome dele é Edward, e o sobre nome dele não é conhecido. — Expliquei grata por Edward não estar na sala. Ele ficaria ofendido com a pergunta.
—Ah... Entendi... Normal, noivinha. —Consertou desajeitado. — Alguém já está desenhando a roupa dele?
—Não.
—Ah, então vou te mandar lá no ateliê do meu companheiro. Será bom para nosso marketing!
Por um tempo eu não entendi sua bajulação, só depois me atentei que meu pai era dono de empresas de publicidade. Bem, em todo caso, Perrine já era famoso! Pra que mais marketing?
—Vamos trabalhar no seu desenho. — Puxou-me para um sofá em formato de boca rosa. Escolhi o tecido, a renda, as pedrarias. Depois de meia hora e muita adulação, eu estava segura.
—Então eu te ligo, noiva. Manda um beijo molhado para seu paizão, eita homem! Uhuh!— Ele se abanou. Eu sorri deliciada com sua companhia alto astral. O estilista nos levou a porta do ateliê e se despediu.
—Edward, você tinha uma chance altíssima de ficar igual ele. —Jasper arreliou. — Ainda bem que Bella te salvou.
—Não tinha a mínima chance. — Edward contrapôs seguro e pôs os braços sobre meu ombro. Trezentos metros à frente era o ateliê do companheiro do Perrine. Seguimos a pé.
—Cara, tu era frutinha. Aceita logo! Você ainda continua maníaco por organização e limpeza?
—Continuo, amor? — Edward deixou que eu respondesse.
—Não sei... —Juntei as sobrancelhas. — Geralmente é você quem arruma a cama quando acordamos, é você quem recolhe as toalhas do quarto. A sua sandália está sempre próxima a cama, a sua parte do guarda roupa sempre está organizada, você toma banho toda hora, seca o sabonete sempre que toma banho... É, Jasper, concordo, ele continua um maníaco.
Sorrimos divertidos.
Observei Jasper e Alice. Eles pareciam felizes de uma maneira singular. Seguiam de braços dados. Ao perceber meu olhar, ela desviou. No ateliê masculino, deixei Jasper e Edward tirando medidas e chamei Alice em um canto.
—Alice, vocês voltaram?— Perguntei preocupada.
—Não. Só resolvemos ser amigos. — Revelou com um brilho triste.
—Mas vocês, tipo, ficam?
—Não...Er, ah, só de vez em quando... Eu não consegui... Ele é mais forte e conseguiria, mas eu não... Não consigo vê-lo como irmão. Não aguentaria vê-lo com outra garota. —Lamentou desolada. — Será que isso é um pecado muito grande?
Eu suspirei e engoli qualquer crítica. Quem era eu para julgar?
Edward
Devido à falta de afazeres no gabinete conseqüente das recentes eleições, aproveitei o ócio local e fui à construtora na Virginia buscar os regulares expedientes do senador de minha responsabilidade. Se me adiantasse, sobrar-me-ia tempo para ficar conectado à Bella no Skype. Estacionei o carro frente ao prédio, peguei minha pasta com notebook e entrei no foyer. Eu tinha um cartão de acesso e não precisava me identificar. Entrei no elevador e segui até o nono andar, apressado em pegar logo a pasta de documentos.
—Boa tarde, Amanda. Está pronto? — Perguntei logo que cheguei à sala.
—Edward, James não mandou a pasta de volta. Você vai ter que levar na sua bolsa. — Ela avisou.
—Tudo bem.
Sentei na sala de espera e aguardei. Minutos depois ela me chamou para outra salinha isolada, tirou vários blocos de dinheiro de um cofre e pôs sobre a mesa. Arregalei os olhos atordoado.
—Cada bloco desses tem dez mil. — Informou pressurosa. —Você vai contar? — Levantou o olhar. Congelei em estupor. Não precisou muito para associar os fatos. Obviamente o senador estava envolvido em algum esquema ilícito.
—Sempre é isso que tem na maleta? — Perguntei com horror e repulsa. Como pude permitir-me ser usado?
—Sim. É isso que você leva para o senador. — Esclareceu tranquila.
Revoltado, abarrotei minha bolsa do notebook com o dinheiro sujo, saí apressado do prédio e segui direto ao Capitólio. Pensar que arrisquei por meses minha reputação e vida ao andar com aquele valor exorbitante mensalmente deixou-me encolerizado, situação avessa a tudo que eu tinha planejado para vida. Ao chegar ao Capitólio, passei reto pela mesa do James em passos acelerados e entrei sem bater no gabinete do senador.
—Senador, posso falar com o senhor? — Perguntei indignado, sem ocultar a insatisfação. O senador conversava algo com sua filha, pediu que eu me aproximasse e apontou a cadeira para que eu sentasse.
—O que há? Pensei que tinha ido embora mais cedo hoje. — Comentou tranquilo.
Tentei domar a cólera, sem sucesso. Peguei os pacotes de dinheiro e coloquei-os de um a um sobre a mesa.
—Senador Evans, eu não estou aqui para isso. —Enfatizei aborrecido. —Eu resolvi seguir este caminho porque eu acredito no país. Eu sei que soa ingênuo e até mesmo utópico, mas não vou mudar meus princípios. Não serei laranja nesse esquema de corrupção! — Ressaltei controlado e sério. Ashley arregalou os olhos e deixou a sala. O senador alternou o olhar do dinheiro a mim.
—Não sei que dinheiro é esse. —Salientou tranquilo. Encarei-o estudando-o. Ele não precisava mentir. Não era como se eu tivesse posto em julgamento sua atitude, só não queria ser envolvido.
Respirei fundo, buscando controlar-me.
—Eu não vou mais a construtora na Virginia, nem em lugar algum buscar encomendas. Se o senhor precisar de um profissional para assessoria política, eu estou à disposição. Em outro caso, estou fora.
Ele calou-se reflexivo uns minutos, depois suspirou.
—Quem te mandou ir lá? — Perguntou depois de pegar as notas e colocar numa gaveta.
—O James. —Esclareci. Ele parecia não saber do esquema, no entanto guardou o dinheiro numa gaveta.
—Ok, Edward. Eu resolvo isso com James. Não faça mais esse tipo de coisa sem antes vir me perguntar se a ordem partiu de mim. Se eu precisar de algo extra Capitólio, eu mesmo falo com você. — Pediu calmo. Eu me despedi e deixei a sala.
Passei pelos outros assessores sem me despedir, tempo que registrei somente Ashley aos cochichos com James. Contei os minutos para chegar ao meu quarto. Eu queria que fosse sexta-feira e eu pudesse pegar um avião para encontrar-me com Bella em Seattle, já que este fim de semana ela iria para lá.
—Oi, amor. — Conectei com Bella logo que terminei o banho.
—Oi, anjinho. Que carinha é essa? — Ela sentou borboleta sobre a cama e colocou o pc em sua frente.
—Estou chateado. Aconteceu uma coisa que me deixou desmotivado. — Expliquei e deitei de lado.
—O que foi?
—Tenho tido atitudes tolas. Falta de sensatez. — Murmurei desanimado. —O James pediu o ano passado que eu fosse todos os meses pegar uma maleta para ele em uma construtora e só hoje eu descobri que o conteúdo da maleta era dinheiro em espécie. — Revelei envergonhado por minha ingenuidade.
—E aí? — Inclinou-se preocupada.
—O senador pareceu-me não saber, mas ele disse que ia resolver. Estou chateado comigo por ter fechado os olhos. — Fiz uma careta de desgosto. —Eu não queria por em exame a honestidade de ninguém, por isso ignorei o que estava diante de meus olhos... Só sendo um caipira tosco mesmo!
Ela pausou como se tivesse todo tempo do mundo e deitou de lado na cama, a cabeça sobre o braço.
—Anjinho, eu queria poder estar perto de você. Não gosto de te ver assim, ainda mais sozinho aí em seu quarto.
—Eu também queria você comigo... Mas só de conversar com você me tranquiliza. Embora não diminua a decepção.
—Edward, você não é malicioso, e isso é algo que você precisa ser nesse mundo que você escolheu. Você fala que eu sou menina, mas eu enxerguei desde o dia que fui aí que James não era de confiança. Desde o ano passado quando ele usou o seu computador e ainda mentiu que eu não confio nele. Você devia abrir seus olhos. — Aconselhou terna. —Você já descobriu por que ele estava bisbilhotando o seu pc o ano passado?
—Não. Na verdade deixei passar. Eu não queria criar clima com colega de serviço. Mas depois dessa vou ficar de olhos bem abertos. Puxa, estou muito chateado comigo! — Balancei a cabeça e baixei o olhar.
—Ei, pode parar. Acabou. Nosso tempo juntos é muito precioso para que você fique se auto-punindo. Fique bem, por favor. —Implorou manhosa. — Eu comprei uma coisa para você. Acho que vai gostar. — Tentou me distrair, saiu graciosa da cama, pegou um pacote no armário e colocou sobre a cama.
—O que é dessa vez?
—Hmmm, acho que você não está interessado... Está muito desanimadinho. — Abriu o pacote e tirou algo branco de renda. —Vou deixar para outro dia. — Deu de ombros e voltou para o armário a fim de guardar.
—Espere... — Chamei-a. —O que era? —Quis saber curioso.
—Um calmante. — Sorriu sugestiva, mordendo os lábios.
—Ah, é? — Sorri ligeiramente.
—Sim, quer ver como vai te acalmar? — Ela tirou a camiseta e caminhou em roupas íntimas de algodão para o banheiro.
Eu relaxei na cama em expectativa pelo que ela faria para me acalmar. Adorava quando ela decidia dominar a situação para me despreocupar. Ela saiu do banheiro vestida de... Bem, a parte inferior era uma mini, branca, transparente e extremamente sensual calcinha. A parte superior era um corselet rendando cheio de pérolas. Um veuzinho saia de sua cabeça e ela tinha na mão um bouquet. Era roupa de noiva. Estava linda, maquiada, usando brincos perolados.
—Bella, nem acredito que você comprou mais isso! — Brinquei e sorri de seu ar teatral
—Não gostou? — Fingiu ofensa, piscou as pestanas três vezes, colocou uma marcha nupcial no PC e começou a andar pelo quarto.
—Você não existe. Está linda. — Aplaudi grato. Meu humor se recuperava. Só ela podia fazê-lo.
—Estou linda? Acho que essa não é a palavra que eu queria ouvir... — Ela fez biquinho e fingiu chateação.
—Dá uma voltinha. — Pedi animado, já sentindo um calor langoroso entre as pernas.
Ela deu uns passos, como se estivesse desfilando e fez meia volta. Estava bela, formosa, agradável, perfeita, tentadora, irresistível...
—Amor, por que você não usa essas roupas quando eu estou aí? — Questionei cobiçoso, apaixonado pela visão.
—Porque você prefere sem, esqueceu?
—Mas eu gosto dessas fantasias ousadas. Desfila para mim. — Ela virou de costas. A roupa íntima era minúscula atrás. Traguei ar.
—Ei, vem aqui. — Chamei-a carinhosamente. —Quer casar comigo? Estou doido para dividir meus dias com você.
—Só se for hoje! — Respondeu charmosa.
—Então vamos fazer um casamento virtual. — Propus divertido com a brincadeira.
—Okay, mas rápido porque o que me interessa mesmo são as núpcias. — Piscou graciosa. —Como vamos fazer nessa distância?
—Primeiro diz se me aceita, depois resolvemos as núpcias. —Eu exigi solene. — Isabella Cullen linda e perfeita, você aceita Edward Hale tosco e palerma, porém louco, obsessivo e apaixonado por você, como seu legítimo esposo? —Perguntei teatralmente.
—Siiimm! Agora sou eu! —Pulou eufórica. — Edward, anjinho, perfeito, gostoso, tudo de bom, você aceita Bella louca, insensata e inconsequente, mas paciente e apaixonada por você, como sua legítima esposa?
—Sim, pra sempre.
—Então pode beijar a noiva! — Falamos juntos e sorrimos.
Suspiramos e nos aproximamos do computador.
—Eu te amo, amor. Você é meu abrigo, a força que me faz prosseguir. — Eu declarei apaixonado.
—Eu também... Não vejo a hora de compartilhar todos os meus dias com você. —Disse efusiva. — E agora vamos para as núpcias? — Ela propôs, virou-se de lado e deu um olhar sugestivo quando abaixava o decote.
—Hmmm, quero me acabar nessa noivinha.
—Marido! Estou ficando com vergonha. Eu sou uma menina pura! — Ela abanou-se fingindo recato. —Hoje sou eu quem vou conduzir a noite de núpcias. Você é muito tímido, e eu vou falar um monte de safadezapara VOCÊ ficar com vergonha.
—Ah, é? — Sorri sem jeito.
—Sim, vá ao frigobar e pegue gelo que eu vou lá fora buscar também. — Ela colocou o roupão e saiu. Minutos depois voltou com uma vasilha com gelo. —Marido, lembre de comprarmos um frigobar aqui para o nosso ninho. —Pediu. — Vamos lá, concentração, primeiro vou dançar para você. — Ela colocou uma música e começou a se mover. Ao mesmo tempo que eu sorria, ficava fascinado com seu ar desenvolto. —Aprenda, marido, é assim que você tem que me chamar: tão deliciosa quente, quente. É deliciosa. Quer experimentar o que eu tenho Eu sou Bellalicios gostosa, gostosa.
Ela sorria despudorada, cantava e dançava passando as mãos pelo corpo. Era impossível não ficar alucinado. Meu cérebro virava uma massa cinzenta sob seu poder. Meu desejo era deslizar minha boca em seu corpo, sentir sua pele, seu gosto. A ambição por ela era tamanha ao ponto de me por tenso.
—Chega Bella, pode deitar. — Pedi possuído de avidez.
—Quem manda aqui hoje sou eu. — Ela abaixou o som e deitou na cama. —Me ouça, vou fazer você tremer só de ouvir a minha voz... Tire a roupa bem devagar e deite. — Instruiu sedutora. Tirei a blusa, o short e deitei, sorrindo de sua vontade de governar o mundo. Pelo menos o meu.
—Você devia vestir de novo e fazer streep para mim, já que eu tenho feito tanto para você. — Ela sorriu travessa
—Não viaja, Bella.
—Quê que é, marido?! Não seja tímido. Já devia ter saído do armário completamente. — Brincou. Eu fiquei sério e cruzei os braços. —Quê que foi?
—Que negócio é esse de sair do armário? — Prendi o sorriso, fingindo ofensa.
—Bobinho, não é nesse sentido. Eu não tenho dúvidas de que você gosta e muito de mulher. Só quero que seja mais sem vergonha.
—Mas não ser tímido é uma coisa, fazer streep é outra. —Defendi. — Só em sonho que eu faço.
Ela rolou os olhos.
—Tire tudo agora, que o gelo está derretendo. — Ordenou, eu sorri da ousadia.
—Vou apagar a luz. —Avisei.
—Não. Quero te ver. Eu adoro ver você todo, seu gostoso. — Olhou-me com olhar devorador e mordeu os lábios.
Confesso: ela às vezes me assusta. Todavia, seu ar de minha dona me deixou mais excitado. Diante da coação, tirei a última peça de roupa e deitei de lado, o travesseiro na minha frente protetoramente.
—Anjinho, deite de costas, feche os olhos, e pelamordedeus, tire esse travesseiro daí. Eu quero ver ele!— Reclamou. Eu obedeci. Deitei de costas, fechei os olhos e tirei o travesseiro da minha frente... Pelo menos eu estava de olhos fechados.
—Aí está quente hoje? — Perguntou lânguida.
—Um pouco. — Tentei dominar minha respiração.
—Então, sem abrir os olhos, pegue um gelo e coloque no seu abdômen.
Um pouco relutante, estiquei o braço, peguei o gelo e coloquei sobre o meu abdômen, sentindo o estremecimento com o choque térmico.
—Hmmm... Isso... Agora passeie com o gelo até o seu peito. — Sussurrou. Fiz isso, mas me sentia desassossegado. Eram tantos pensamentos repressores... Alguém poderia espiar, minha rede poderia estar com vírus, a imagem poderia vazar...
—Ah, Bella, não está dando certo.
—Abra os olhos e olhe para mim. — Pediu séria. Eu abri. —Eu estou com o gelo na boca. Você vai imaginar que o gelo é a minha boca gelada passando sobre você, pode ser? — Ela implorou e lambeu o gelo maliciosamente. Um arrepio me atravessou. —Vamos, feche os olhos de novo e se concentre. Você vai gostar. — Eu fechei os olhos e voltei a passear o gelo em meu abdômen. Ela continuou. —Passeie o gelo devagar em seu peito, barriga... Até chegar a sua coxa. — Segui o caminho que ela determinou gostando do contato, mas ainda estava cheio de reservas.
—Se concentre... Quero que se esforce e me ensine a fazer algo que você nunca me ensinou... Continue de olhos fechados, pegue outro gelo e coloque na parte baixa da sua barriga. — Peguei outro gelo e coloquei. —Agora quero que você imagine a minha boca gelada indo mais para baixo. — Murmurou ousada. Eu desci o gelo sobre minha pélvis e calafrios de prazer se distribuíram. O contato com o gelo era bom, mas não muito confortável.
—Agora eu quero que você me mostre o que gostaria que eu fizesse quando dou beijinhos nesse intrépido e duro embaixador... — Gemi baixinho com seu discurso erótico. Meus pêlos se eriçaram. —Sua mão é minha boca, seus dedos minha língua... Eu quero te lamber, te chupar. Quer aprender como te dar prazer intenso. —Gemeu sensual. Eu me entreguei e me deixei levar.
Ainda que fosse meio promiscuo expor, ela era inexperiente e, mesmo com mais de um ano de vida sexual ativa, não adquirimos intimidade suficiente pra que eu falasse como melhorar no sexo oral... Um gemido involuntário saiu da minha boca ao imaginar sua língua doce. Demonstrei diligente a forma de me agradar deleitando-me com o prazer novo de saber que ela estava olhando, o prazer da falta de um sentido ao estar com os olhos fechados.
—Hmmm, você gosta assim... — Questionou cheia de luxúria. —Mas minha boquinha é pequenininha. — Sussurrou. —Uau, minha língua tem que lamber aí embaixo? —Aumentou o tom. Concentrei-me, já com a respiração bem acelerada.
—Bellinha, ponha o gelinho na sua boquinha e pare de falar um pouquinho. — Pedi, ainda me massageando. Ela sorriu.
—Anjinho, já disse que te amo? Amo você todinho... Olhe para mim agora e jogue o gelo fora— Pediu. Um pouco frustrado, obedeci. —Quero você fazendo isso aqui, se exibindo para mim nessa cama. É lindo ele sumir e aparecer na sua mão. —Olhou-me ávida no quadril. — Não vou aguentar ver você chegar e não poder beijar pessoalmente. — Lambeu os lábios. —Eu só queria distrair você e fazer você perder mais um pouco a timidez... Acho que você perdeu, viu. Está mais calmo? — Espetou divertida.
—Sim, estou bem calminho. Quando eu chegar aí é você quem vai sofrer com o gelo— Ameacei incomodado. Devagar, sequei a umidade do gelo no corpo, vesti o short e deitei na cama novamente, sorrindo de como ela fazia o que queria de mim.
—Então vamos voltar a conversar sobre o senador. O que você acha que ele vai fazer?
—Não sei, mas acho que ele não vai deixar uma pessoa desonesta na equipe dele.
—Olha só, você confia demais nas pessoas. Daqui para frente é prestar atenção. Tente ser mais desconfiado, certo?
—Sim.
—Ainda bem que existem pessoas como você nesse país. Se houvessem mais homens honestos assim, com certeza teríamos um país melhor. Mas mudando completamente de assunto, como está a especialização?
—Está tranquila. Muita coisa eu já vi no curso, então fica fácil. — Expliquei. Ela tirou a roupa de noivinha, vestiu uma camisola e deitou. —Dorme comigo hoje? — Propus insatisfeito em ter que desconectar.
—Tudo bem. Está confirmado amanhã em Seattle? — Ela já se encolhia, bocejando para dormir.
—Sim. Tenho que ver minha mãe. Está cansada?
—Bastante. Edward, semana que vem temos que ir tirar as fotos para revista que o Perrine pediu. Está animado? — Perguntou debruçada sobre o braço, sonolenta.
—Ah, Bella, eu só vou porque você quer. Você sabe que eu não fico muito a vontade diante de fotos.
—Você vai ficar lindo. Só estou preocupada de outras mulheres descobrirem você e se interessarem em te roubar de mim.
—Não vão. Se vamos sair em uma revista de noivos e noivas, é porque eu já tenho dona. Agora durma que eu ainda vou ler um pouco. Amanhã conversamos mais.
—Boa noite e fique mais atento.
—Boa noite.
Ela ficou quieta do outro lado da câmera, peguei um livro e comecei a folheá-lo. Bella dormiu rápido. Gostaria de estar com ela hoje, tê-la em minha cama. A saudade dela ainda trazia dor, mesmo agora que ficamos menos tempo sem nos ver. O que embalsamava a saudade era saber que em breve não dormiríamos mais separados.
Na visita a Seattle, conversei com a minha mãe sobre a revelação da paternidade do Jasper. Ela disse que tinha que esperar o momento certo, disse que Jasper não estava respondendo ao tratamento, e ela precisava fazer algo.
—Mas o quê? — Perguntei ansioso.
—Estou tentando, er... Não sei se vai me entender, mas estou tentando engravidar de novo. — Explicou envergonhada.
Não era algo que eu concordasse, mas não a condenei. Ela precisava estar perto de Carlisle para ter alguma chance, por isso adiar a revelação.
—O médico deu alternativa? Há outro tratamento? — Questionei desanimado.
Era falta de sorte um garoto com tanta alegria de viver, que tinha um pai milionário para bancar seu tratamento e não tivesse esperança de cura nessa luta árdua.
—O médico ainda está estudando o caso. Ele entrou em contato com a equipe de médicos da Califórnia e mandou os últimos exames dele para lá. Estamos aguardando a resposta.
No meio do ano eliminei quase todas as matérias da universidade. Já Ryan, era propício reprovar. Como esse semestre não peguei as mesmas matérias que ele, não pude ajudá-lo. Sophia até que tentava, mas ele estava fraco em duas matérias. No Capitólio, um mês depois do ocorrido, James não me dirigia a palavra. O senador abafou o assunto e a situação no gabinete era desconfortável.
Certa sexta-feira, aproveitei o sossego no gabinete e organizei meu trabalho final de curso que iria defender na próxima semana. Ainda que o restante dos alunos fosse defender só em dezembro, por algum motivo a universidade permitiu que eu fizesse antes. E, como eu precisava da declaração de conclusão para iniciar o mestrado, eu adiantei tudo.
Somente eu e o senador permanecemos no gabinete enquanto ele aguardava o horário de viajar para Califórnia. O restante dos assessores foram para um happy hour. Entrei em sua sala para me despedir. Ele folheava uma revista.
—Senador, estou indo. Bom fim de semana.
—Espere um pouco, Edward. Sente aqui comigo um instante. — Pediu amistoso e apontou a cadeira. Eu aceitei. Fazia um tempo que não conversávamos.
—Filho, você resolveu se casar mesmo? — Perguntou enquanto segurava a revista que tinha eu e Bella na capa. Ele devia estar fazendo hora até que desse o horário do seu vôo, 19h.
—Sim. Está marcado para oito de dezembro... Posso olhar essa outra revista? — Pedi me referindo à revista que estava aberta na mesa e tinha fotos somente de Bella vestida de noiva na capa. Parei os olhos na reportagem que até então não tinha visto. 'Bella Cullen, filha de empresário bilionário marca a data do casamento e vestirá um designer de Perrine Bruyere'
Inclinei sobre a mesa e folheei-a. Dentro da revista tinha a mesma nota da capa, várias fotos de Bella e abaixo tinha uma reportagem sobre o Cullen. Também tinha algo sobre ela ser herdeira de bilhões de dólares.
—Você não se acha muito jovem para casar, não? — O senador perguntou. Ele lia com o olhar a reportagem que eu lia. Eu continuei folheando, apreciando as belas fotos. Bella era fotogênica e graciosa.
—Não. Já namoramos há algum tempo, e eu não vejo por que não me casar. — Respondi firme.
—Hmmm, e condições para sustentá-la? Você terá?
Fiquei surpreso com o assunto invasivo.
—Eu trabalho, senador. — Abandonei a revista na mesa e olhe-o curioso com seu interesse.
—Mas ela é milionária, e o que você ganha aqui não paga seus luxos.
—Eu a conheço. Ela não tem luxos. —Defendi.
—Mulheres sempre têm, filho. Elas começam com cremes, depois com jóias, estética e por aí vai. — Sorriu compreensivo.
Eu retesei desconfortável com o tema. Peguei a outra revista e folheei-a expondo desinteresse em estender o diálogo. Nessa revista tinha quatro fotos que fizemos juntos.
Fhashback on
Eu vestia trajes de noivo e o calor não ajudava. A pior parte era o desconforto em ser alvo de curiosidade da estação movimentada do trem enquanto tirávamos fotos. Minha veia na testa pulsava de nervosismo.
—Amor, como você me põe em uma dessas? — Resmunguei contrariado. Não conseguia ignorar a plateia.
—Se concentra aqui. Que culpa você tem de ser lindo e todos quererem te ver? — Bajulou persistente em me deixar à vontade. Fez outra pose espontânea, o flash disparou. Ela ora me beijava, sorria, fazia caras e bocas —Anjinho, olha só para mim. Só tem eu e você aqui. Esquece as pessoas. Lembre que você está me fazendo feliz. Eu estou me divertindo. — Pediu persuasiva e encostou-se de frente cheia de poses enquanto o fhash disparava. —Por mim, relaxe. Foco, eu e você. — Sempre verbalizava para me tranqüilizar e passar segurança. Assim, o fotógrafo fazia seu trabalho.
Da estação de trem, entramos no carro de Bella e nos dirigimos a Las Vegas, a fim de tirar mais algumas fotos num cassino.
—Assinei um contrato com o Perrine de fazer quatro desfiles. —Ela comentou. —Ele é um interesseiro. Obviamente sabe que meu pai vai cobrir os eventos onde eu desfile, por isso me chamou. Mas eu estou gostando. As próximas exposições são exatamente nos estados que meu pai cobre as notícias, Washington, Oregon, Texas e Califórnia. — Comentou sorridente.
—Realmente, muito interesseiro. — Concordei e a acariciei o seu rosto, adorando sua alegria infantil.
—Se ele quisesse que eu desfilasse em outros estados, eu também não ligaria. Meu pai conhece os donos de jornais e revistas do país quase todo, e com certeza isso ia dar um grande marketing para o interesseiro do Perrine.
—Eu não sabia que você gostava de publicidade assim.
—Acertou. Eu não gostava mesmo, mas agora quero que o meu país todo saiba que eu vou casar com o melhor homem que alguém poderia ter. — Ela adulou com a mão em minha nuca.
—Você quer me deixar convencido só para eu ficar mais a vontade com as fotos. — Acusei e apertei sua bochecha. Ela fez carinha de inocente. —Já que você está vestida de noiva e estamos indo para Las Vegas tirar fotos, case hoje comigo? — Propus divertido.
—Eu já casei com você uma vez, virtualmente. — Lembrou contente. — Mas nem vem. Não vamos casar escondido. Eu não vou negar a diversão ao meu pai e as fotos públicas que ele tanto gosta.
—Brincadeirinha. Eu também não vou perder isso... Só não se atrase no dia do casamento, já disse. Se não, vou pensar que você desistiu de mim.
—E.u n.ã.o v.o.u d.e.s.i.s.t.i.r d.e v.o.c.ê , nem adianta. Você está fisgado. — Ela atravessou o carro, abraçou o meu pescoço e beijou o meu rosto.
—Amor, fique lá e ponha o cinto. Não gosto de pegar estrada com você sem cinto.
—Ai, ai... Você me trata como criança. — Fez bico relutante e colocou o cinto contra gosto.
—Você é minha criança. — Apertei o seu biquinho e sorri. Enfim, chegamos ao cassino combinado com o fotógrafo.
Fim do flashback
Distraí-me com a revista e lembrança e esqueci-me do senador. Ele também lia uma revista.
—Edward, você ficou sabendo que o projeto de lei que você deu para aquela garota foi votado no Senado e já foi para outra casa?
—Fiquei sabendo. — Fingi tranquilidade, embora me preocupasse aonde ele queria chegar. Ele referia-se ao projeto que dei ao pai da Sophia.
—O seu outro projeto também já passou pelas comissões... Eu fiquei admirado com a sua atitude. — Salientou tranquilo.
—O senhor não quis o projeto, e a Sophia se interessou. Eu não vi por que desperdiçar a ideia. — Defendi sincero.
—Eu não estou te criticando. Só achei você corajoso. Outro assessor seria mais cauteloso em beneficiar meu inimigo. — Comentou neutro. Não parecia aborrecido.
—Eu não tomei partido, senador Evans. Não traí a sua confiança, desde que eu mostrei o projeto ao senhor antes de cedê-lo.— Expliquei sem receios. Não tinha motivos para esconder o que pensava.
Ele se levantou e começou a andar lentamente pela sala, compenetrado.
—Edward, qual o futuro que você almeja no poder americano? —Perguntou direto.
Sentei direito na cadeira, interessado.
—Não tenho idade de ser muita coisa, então ser assessor, por enquanto, está bom.
—Mas onde você pensa em estar daqui a dez anos? — Ele pôs as duas mãos sobre a mesa e encarou-me sagazmente. Segurei o olhar curioso com o princípio motivador desse assunto repentino. Nesses dois anos e meio, ele sempre foi indiferente, nunca auferiu interesses sobre minhas aspirações futuras.
—Eu não tenho pretensão a cargos eletivos, pois como não tenho nome e não sou conhecido, não tenho a mínima chance de ser eleito, embora eu quisesse que todas as minhas intenções de projetos de leis fossem levadas pessoalmente ao Senado... Então eu me conformo com o que posso ter. Espero de início pegar a subsecretaria que o senhor me prometeu, mais para frente uma secretaria maior, até ficar conhecido. E... futuramente pretendo chegar a ser um representante internacional.
—Embaixador? — Arqueou a sobrancelha perplexo.
—É... Talvez... Se eu conseguir passar no processo seletivo quando eu fizer vinte e cinco anos, sim... Mas se eu não conseguir ir por esse lado, um cargo de Secretário de Estado, como o da Hilary Clinton, é o auge onde eu quero chegar.
Ele deu um sorriso enigmático e sentou novamente em sua cadeira, divertido.
—Você pensa alto! —Comentou sorridente. — Para alcançar o poder, temos que sacrificar algumas prioridade em detrimento de nossos objetivos... —Discursou solene. — O quanto chegar à ponta do poder americano é importante pra você, Edward? — Questionou interessado.
—Como assim? — Inclinei sobre a mesa desconfiado.
—O que você estaria disposto a abdicar?
Eu congelei despreparado para responder.
—Sabe, Edward, eu tenho muita estima por você. —Continuou. — Considero-te como meu filho. Quisera eu ter um filho como você. Criei Ryan para que ele assumisse meu lugar, mas ele só me decepciona. Agora que ele se envolveu com a filha dos Democratas então, é como se ele nem fosse meu filho. Estou com total desapreço por ele. Eu queria um filho como você; esforçado, inteligente, honesto, trabalhador e, acima de tudo, sonhador. Eu disse que vou conseguir a subsecretaria para você e vou conseguir, além disso, a partir do segundo semestre eu quero que você assuma o lugar do James. Como você vai ter mais tempo disponível, eu quero que você seja o chefe da assessoria. Isso é só o começo do que eu posso te oferecer...
—Que horas o senhor vai para casa, pai? —Ele foi interrompido. — Já são mais de sete horas. — A porta estava aberta, Ryan entrou com o semblante fechado e não olhou em minha direção.
—Nossa, nem vi o tempo passar. —O senador justificou. — Você vai conosco à Califórnia, Edward? — O senador conferiu as horas no relógio de braço e pegou sua pasta.
—Não. Hoje minha noiva está visitando nossa família. — Expliquei agradado em poder dizer: nossa família
—Edward, ainda temos que terminar essa conversa.
—Tudo bem.
Assenti. Eles saíram, eu apaguei as luzes, peguei meus objetos e saí em seguida.
Dias depois eu ainda pensava na atitude de Ryan sexta, quando me ignorou na sala do senador. Na quarta seguinte, eu não tinha aula, ele sim. Fui à universidade procurá-lo para conversar. Parei em frente à sala dele e pedi que ele viesse fora da sala. Ele ignorou-me. Percebi Sophia incitando-o a vir, ele levantou sem vontade e veio.
—Está com algum problema comigo, Ryan? — Perguntei direto. Nem ao nosso quarto ele foi esses dias. Mesmo não morando lá, antes ele ia todos os dias, deixava os materiais, ou às vezes tomava banho quando voltava do basquete.
—Vamos ali fora. — Apontou para o fim do corredor e saiu na frente. Sentou em um banquinho de cimento na área externa.
—Não dá para entender o meu velho. —Começou chateado. — A vida toda eu tentei agradá-lo, e ele preferia sempre a Ashley. Agora estou fazendo esta porcaria de curso por causa dele e o que eu ouço é que ele tem vergonha de mim e que queria ter um filho como você. — Ele encostou os cotovelos no joelho e apoiou a cabeça com as duas mãos, decepcionado.
Deixei os ombros caírem chateado por ele ter ouvido aquela conversa sem sentido do senador.
—Ryan, eu não tenho culpa do que você ouviu. — Lamentei e sentei ao lado dele no banco.
—É, mas foi por sua culpa que ele descobriu sobre a Sophia... Você podia ter me dado mais um tempo. — Acusou melancólico.
—Uma hora eu ia ter que aparecer com Bella. Eu não gosto de mentiras. Isso poderia trazer problemas para mim, como já estava trazendo. O pessoal do senado achava que a Sô estava comigo, porque você falava.
—Tá, eu te entendo. Mas isso não muda o fato do meu pai ter dito que prefere você a mim.
—Eu não tenho interesse em afeto do seu pai. —Ressaltei honesto. —Estou ali para trabalhar. Quero cumprir o meu papel e pronto.
Ele levantou e olhou-me pesaroso.
—Edward, sinto te informar... Você, assim como eu fui, vai seu uma marionete na mão dele... Mas eu não vou mais me deixar manipular. Não depois do que ele disse. Só não vou desistir agora desse curso porque já cheguei até aqui. Agora você, fique com ele, se você quiser. — Deu de ombros e saiu desgostoso. Fiquei sem ação, atordoado por sua mágoa. Não queria perder um amigo como Ryan.
Como de costume, toda quarta ia à Califórnia com o senador. As palavras do Ryan repetiam-se como ecos. Tudo me atormentava. As palavras do senador depreciando o filho, as palavras do Ryan de decepção com o pai... E eu estava nesse meio... Eu não queria estar.
Ryan não costumava ir às quartas, entretanto ele foi e ficou amuado em um canto do jatinho. Ainda tentei introduzir um diálogo, mas ele foi evasivo e frio. Desisti e sentei no meu local habitual. Ao pousarmos na Califórnia, despedi-me de todos e fui o primeiro a descer do jatinho. Eu já estava a uns cinquenta metros do avião no pátio quando ouvi passos rápidos atrás de mim.
—Edward, posso falar com você? — Ashley alcançou-me e se pôs ao meu lado.
—Estou com pressa. Tenho compromisso. — Respondi impaciente.
—Só dois minutos, por favor. — Ela insistiu sem jeito.
Parei e olhei-a.
—Pode falar.
—Er... Não me leve a mal, mas eu queria te pedir uma coisa...
—Se eu puder fazer. — Concedi relutante e olhei no relógio de braço. 21h30min.
Ela passou um tempo abrindo e fechando a boca, sem coragem. Eu quase perdi a paciência.
—N-não casa, não... Você é muito novo. Dá mais um tempo. — Balbuciou num tom baixo e inseguro. Eu balancei a cabeça cético, tentando buscar lá no fundo um fio de tolerância e educação.
—Ashley, minha vida pessoal não lhe diz respeito. —Cortei direto.
Ela baixou o olhar e, surpreendentemente, começou a chorar, segurando em seguida o meu braço.
—Não case, por favor, me dá uma esperança... Eu sou apaixonada por você... — Humilhou-se. Congelei assustado com seu pedido.
Olhei de volta ao avião, e o senador e Ryan nos observavam de onde estavam. Reprimi a vontade de deixá-la e tentei ser ao menos cavalheiro, afinal, ela era filha do meu chefe. Segurei sua mão em meu braço diplomático.
—Ashley, eu já fiz a minha escolha. — Expliquei baixo.
—Eu te amo. Vou ali dia após dia para ficar perto de você, e é ela quem te leva! — Resmungou entre soluços.
—Você não tem por que me amar. Não me conhece e não sabe o que é amor. Eu lamento por você, mas como já disse, eu já fiz a minha escolha.
Ela respirou fundo e olhou-me magoada, depois limpou o rosto e se recompôs.
—Ok, é essa a sua decisão, mas eu não vou desistir de você... — Garantiu e saiu pisando firme.
Atordoado pela declaração, peguei um taxi e contei os segundos para ver Bella. O percurso durava menos de trinta minutos, mas pareceu uma eternidade.
—Amor, já está deitada? — Liguei para Bella do caminho.
—Não. — Respondeu sonolenta.
—Eu sei que está tarde, mas tem como você me esperar na recepção... Estou com saudade. — Pedi aflito.
—Tudo bem. Que voz é essa? —Questionou alarmada. Olhei para fora da janela do táxi.
—Minha semana foi muito ruim sem você. —Expliquei. — Em dez minutos chego aí. Quando chegar, conversamos.
Fechei os olhos e esperei os últimos minutos de percurso. Ela me esperava sentada na recepção do prédio só de pijama. Abracei-a forte e aconcheguei-a em meu peito, beijando várias vezes seu cabelo. Só sua presença acalmava minha vida turbulenta.
—O que foi? — Ela pegou meu rosto com as duas mãos desconfiada.
—Vamos subir. — Peguei sua mão e puxei-a rumo ao elevador.
Ao entrar no apê, cumprimentei Emmett e Rose, e entramos rapidamente no quarto. Passava das dez e ela precisava dormir cedo.
—Vou tomar banho. Você já tomou? — Questionei e tirei a roupa, peguei uma toalha, calcei chinelos e parei na porta do banheiro.
—Já tomei, mas acho que preciso de uma esponja nas costas. Você passa? — Propôs preguiçosa.
—Pode vir.
Ela tirou a roupa e entrou. Olhou-me interessada enquanto eu abria a ducha.
—O que foi, anjinho?
—Estou chateado. — Confessei desolado. —O Ryan não está mais falando direito comigo.
—Por quê? —Juntou-se a mim sob a água.
—Ele ouviu o pai dele me elogiando e ato seguido lhe desdenhando.
—Com os dias a raiva passa. — Tranquilizou-me e me abraçou. —Ryan tem o coração bom. Ele vai perceber que você não tem culpa... — Ela deixou a água quente lhe relaxando enquanto eu deslizava o sabonete em meu corpo. —Que horas você vai começar a esfregar minhas costas? — Ela cobrou manhosa.
Eu coloquei sabonete líquido na esponja, encostei-a nela e passei lentamente em suas costas.
—Foi só isso que aconteceu? — Murmurou lânguida. Deixei cair os ombros. Era como se ela me conhecesse e soubesse que eu escondia algo. Eu tomei meu tempo decidindo se a preocuparia.
—Er... A Ashley hoje declarou que é apaixonada por mim. — Revelei inseguro. Ela encostou as mãos na parede e apoiou a testa na mão, relaxada.
—Demorou, hein... E você? — Perguntou calma.
—Dei a resposta óbvia... — A virei frente a mim e passeei a esponja em seu pescoço e colo. —... Falei que eu já fiz a minha escolha— Sussurrei e aproximei minha boca da sua, beijando-a levemente com selinhos.
—Então esquece tudo e fique bem. —Tranquilizou-me despreocupada, pegou o sabonete e deslizou sobre meu peito, acariciando quando fagulhas de prazer me tomavam. Peito, abdômen e barriga tiveram atenção. Suspirei. Meu mundo era ela. Encostei meus lábios nos seus novamente, parti-os com minha língua e tentei com o beijo expor sentimentos. Nossos corpos molhados, conectados por eletricidade, atraíam-se e acendiam-se naturalmente. Ela era meu abrigo, meu lar, lugar de paz.
O beijo que só queria transmitir sentimentos tornou-se quente, exigente. O desejo familiar espalhou-se em meu organismo. Ela deslizou o sabonete na minha pélvis, acariciou minha pronta excitação, ao tempo que sugava minha língua. Eu perdi a sensatez. Era um viciado corrompido, que amava seu corpo.
Passei as mãos em seus cabelos agora molhados, desci pelos braços. Entrelacei nossas mãos e encostei-a na parede. Beijei-a com todo vigor até que ofegamos buscando ar. Meu corpo já insistia por possuí-la. Esperar seria intolerável.
—Ah... Bella... Está me induzindo a fazer papel de descontrolado. — Murmurei entrecortado e sorri em sua boca.
—Eu não fiz nada, foi você quem me atacou. — Acusou sorridente e insinuou o quadril a frente, convidando-me.
—Fez sim... Eu não consigo evitar te desejar... Você é muito gostosa. — Elogiei-a adulador. Ela sorriu aprovadora de como a chamei e invadiu minha boca com ímpeto, a mão em volta do meu corpo viciado.
Tudo se transformou em pura névoa, meu corpo queimava, meu peito ardia, as veias pulsavam excitação. Segurei firme seu quadril e me apertei entre suas coxas, ao tempo que desci com os lábios em seu pescoço, colo e suguei os seus seios, sequioso por ela. Explorei com avidez, a língua estimulando-o, enquanto seus gemidos alimentavam meu desejo febril.
Ser paciente e levá-la a cama seria o correto, mas a excitação furiosa me tornava um contraditório... Eu a queria.
Ela olhou meu rosto e sorriu encorajando-me ao ler minha ânsia. Deslizei a mão em seu joelho e o ergui, explorando a melhor forma de introduzir-me nela. Posicionei minha ereção em sua entrada, ajustei-me com familiaridade e penetrei-a lentamente. Segurei o ar e fui recebido por calor e um gemido, que foi abafado por minha boca ávida na sua.
Era inexplicável o que eu sentia. Abandono. Queria morrer dentro de seu corpo aconchegante. Num movimento lento e sensual, ela me puxou a mover-se. Fechei os olhos ébrio com a combinação da luxuria, saudade, contentamento, grau altíssimo de excitação. Mordi seu queixo e movimentei-me, cravando-a na parede. Ela mordiscou meu lábio consumida, apertou meu quadril a ela, puxando-me profundamente ao seu âmago.
Ela era uma amante habilidosa e entregue. Movia-se proporcionando-me um prazer inigualável. Entreguei-me ao seu cheiro de mulher, aos seus beijos, ao seu aperto, ao seu gosto. Mudei a posição, ela de costas a mim com as duas mãos na parede e novamente eu me introduzi nela, mordendo o seu ombro.
Ver-me entrar e sair dela roubou o meu juízo. Era um ritmo lúbrico, uma dança movida ao som dos nossos gemidos e respiração. Éramos um infinito de contradições. Investidas selvagens e ao mesmo tempo doces, acoplagem poéticas e promiscuas. Meu mundo era meu corpo introduzido nela e o dela recebendo o meu.
A vibração do seu corpo aumentou, juntamente com sua pulsação e respiração. Eu desci minha mão para crescer o incentivo em sua intimidade, ela virou o rosto, encaixou-se mais em mim, meneou o quadril circularmente e murmurou palavras desconexas.
—Você é tão bom nisso... Tão quente... Eu me sinto tão cheia com você. — Gemeu, estremeceu em minha frente e grunhiu com o orgasmo, vibrando seu prazer em mim.
Eu já beirava o êxtase, com suas palavras e ápice, senti-me em estado de ausência. Minha mão apertou seu seio, a outra ainda massageava seu ponto crucial.
—Eu não aguento mais. — Confessei. Minhas pernas já tremiam pela vontade entusiástica de finalizar. Atingi um crescente rápido, preciso, entrando e saindo impaciente. Apertei-a forte, beijei seu ombro e grunhi, me esvaindo dentro ela, enquanto tremores moviam meu corpo em espasmos e dormência invadia minhas pernas.
Passei um tempo entorpecido, depois a virei de frente a mim, abracei-a forte e voltamos ao banho, deixando aos poucos as pulsações diminuir. Suspirei deliciado. Seu rosto expressava simplicidade, satisfação.
—Obrigado por ser minha. — Beijei sua testa ainda com a respiração irregular.
—Pra sempre... — Ela disse quase sem sons, fechou os olhos e encostou-se ao meu peito.
Saímos do banheiro, nos secamos e deitamos, completamente preguiçosos.
—Vamos viajar de novo em julho? — Propôs, deitada no meu peito, quase se entregando ao sono.
—Não sei... Você não disse que iria aplicar o dinheiro em julho... —Salientei, mas não queria desmotivá-la.
—Ah, mas eu quero fazer alguma coisa.
—Podemos passar as férias na casa do seu pai de Forks. É verão e a praia da reserva é uma boa opção para irmos. O que acha?
—Podemos ficar na nossa casa de Forks. Ela é nossa, eu já disse. — Ela corrigiu. —E sim, é uma ótima opção. Meu pai já mobiliou alguns espaços, então vai ser bom. Você vai ter recesso? — Perguntou alisando o meu peito. Ela falava devagar e bocejando.
—Sim... Sabia que eu vou ser chefe da assessoria no próximo semestre? — Comentei empolgado. —Vou assumir o lugar de James. — Expliquei. Eu ainda queria conversar, mas ela parecia indolente pelo sono.
—Hmmm, mais um motivo para ele te invejar... — Murmurou baixinho. Eu nunca tinha pensado por esse lado.
Ela encolheu a perna em cima de mim, e eu observei a tornozeleira. Desde que eu lhe dei, Bella nunca deixou de usá-la nem mesmo um dia.
—Amor, viu como a tornozeleira está fazendo efeito. Hoje falta exatamente seis meses para o nosso casamento.
—U-hum... — Respondeu desatenta, eu sorri e a deixei descansar. Minutos seguintes, ela adormeceu, e eu coloquei-a ao meu lado.
Ela era minha vida, meu destino, minha felicidade. Eu poderia ficar aqui, observando-a até que o dia amanhecesse, agradecendo aos Céus por estarmos juntos.
—Amor, eu escolho você sempre. Só quero ficar com você, para sempre, todo o sempre. — Sussurrei em seu ouvido. Ela sorriu em seu sono.
Continua...
Obrigada por ler e por me acompanhar. A história já foi concluída e postada uma vez. Esta é a repostagem.
Grande beijo
Bia Braz
