Capítulo Poder Americano

Bella

Em junho Edward iria apresentar seu TCC. Além de ir a Capital para assisti-lo, fui com o objetivo de tentar contornar uma situação chata. Ryan. Edward reclamava todos os dias de sua distância. E como homens não sabem se comunicar, resolvi interferir. Ryan me buscou no aeroporto acompanhado por Sophia e durante o trajeto conversamos assuntos soltos. Só na área universitária eu resolvi tocar no assunto amizade dos dois.

—O que está acontecendo entre você e Edward? — Perguntei direta, ao tempo que segurava no seu braço do lado oposto de Sophia.

Ela adiantou os passos pela grama discretamente para nos dar privacidade. Apontei para um banquinho e sentei com Ryan. Ele sentou e estalou os dedos nervosamente.

—Ah, Bella, eu estou chateado, mas meu problema real não é com Edward é com o meu pai... Eu sempre tentei ser um filho perfeito desde criança. Fui campeão em Física e Química, mas meu pai não queria isso. Eu tive que deixar de lado minha genialidade e fingir gostar de política só para agradá-lo... Eu quis ser o orgulho dele ao entrar aqui. —Apontou em volta. — E vê-lo falando daquele jeito de mim, ao mesmo tempo elogiando o meu melhor amigo deixou-me revoltado.

—Você não está sendo justo com Edward. O que ele tem a ver com isso?

—Nada. —Reconheceu. —Só que eu estou meio sem graça com ele por ter agido de uma maneira tão infantil... Mas ainda vou falar com ele. —Adicionou amistoso.

—E o que pretende fazer com relação ao seu futuro, já que parece estar desistindo da carreira que seu pai escolheu? —Questionei compreensiva.

—Não sei. Eu conversei com a minha mãe e ela disse que se eu quisesse parar o curso e me mudar para o Japão para perseguir meu sonho, como eu sempre quis, eu poderia. — Ele levantou a cabeça e olhou para Sophia, que nos olhava de longe, encostada à parede. —Mas eu não sei se tenho coragem de deixá-la... Acho que vou desistir do meu sonho e terminar esse curso, porque isso me deixaria próximo a ela. —Ele explicou.

—Puxa, eu fico feliz em ouvir isso. —Encorajei-o sorridente. — Super romântico. — Apoiei feliz.

—No fundo eu sou feliz em ter cursado algo que eu não queria, pois foi aqui que eu conheci a Sô e Edward. E isso eu vou levar comigo pra sempre. — Declarou solene. Eu sorri. — A minha mãe é rica de berço e é ela quem me apóia financeiramente. Então tô pensando em dar um rumo na vida com a Sô, morar juntos talvez. — Ele pegou em minha mão. —Vocês podiam ser amigas. Eu sei que você tem reservas com ela, mas você devia se esforçar. A Sophia adora Edward. Eles são muito amigos.

—Eu não tenho nada contra ela. —Esclareci. — Inclusive poderíamos sair todos hoje à noite para ficarmos mais próximos. — Sugeri receptiva.

—Aonde você vai se hospedar? —Ele questionou interessado.

—No Crystal.

—Fica lá no meu apê conosco. Sabe que ele é praticamente seu, . — Ele sugeriu amistoso.

—Não sei... Acho que é muito abuso... Já basta nas férias. —Recuei sem jeito.

—Faz isso por mim. Saímos hoje à noite e quando voltarmos vocês já ficam por lá para o fim de semana. —Propôs. — Aí ficam no quarto que usam sempre.

—Tudo bem. —Concordei. Seria a melhor ocasião para melhorar as coisas entre os dois. — Então amanhã Edward cozinha para nós. — Conspirei empolgada e puxei seu braço para irmos para o auditório. Ele ofereceu o outro braço à Sophia e nos dirigimos à primeira fileira.

Logo que Edward encontrou os meus olhos, ele sorriu surpreso. Eu não tinha avisado que vinha. Joguei um beijinho no ar.

—Bella, já assistiu Edward dando aula? — Sophia perguntou, tentando quebrar o gelo entre nós duas.

—Sim. Tem quase dois anos. Um seminário que você me incitou a levar água para ele. —Lembrei sorridente.

—As pessoas adoram as aulas dele. — Ryan comentou. —Não é normal que o auditório fique cheio assim numa defesa aberta. Mas como o restante da turma só defende mais a frente, espalhou-se pela universidade que ele iria defender hoje e os alunos vieram aprender com o melhor.

Edward iniciou sua apresentação com slides falando baixo e pausado, consciente e seguro de si. A exposição de suas idéias foi precisa. O tema era Responsabilidade Social: Um Diferencial para Emergir. Ao fim, ele fez os agradecimentos.

—Dedico esse trabalho a Deus, pois sem Ele nada seria possível; à minha família pela fé e confiança; aos meus amigos pela amizade e apoio incondicional e, principalmente, à minha futura esposa, Bella, que sempre acreditou em mim e me apoiou quando eu mesmo não tinha fé. Obrigado. — Sorriu realizado.

Aplausos encheram o ar, ele cumprimentou a banca de mestres e caminhou em nossa direção.

—Parabéns, cara, foi muito boa! — Ryan se atravessou em minha frente e estendeu a mão. Edward o surpreendeu com um abraço caloroso.

—Obrigado! —Agradeceu, e suspirei ao ver os amigos numa boa. Edward afastou-se dele e olhou-me. —E você, mocinha, não pensei que viesse. — Enlaçou minha cintura possessivo e beijou minha testa. —Você gosta de me fazer surpresas. — Aprovou sorridente.

—Eu não ia perder meu embaixador subindo mais um degrau. — Bajulei contagiada por sua felicidade e apertei-o no abraço. Em volta de nós formou-se um círculo para cumprimentá-lo. Eu posicionei-me ao lado de Edward. Sophia foi a próxima a abraçá-lo.

—Daqui pra frente um futuro brilhante te espera, amigo. —Disse amistosa. — Papai mandou avisar que as portas do gabinete dele estarão abertas para você.

—Obrigado, Sophia. — Sorriu grato.

O restante do fim de semana contribuiu para que nossa amizade firmasse. Conheci verdadeiramente Sophia. Uma pessoa simples e receptiva. Edward se reaproximou de Ryan e pareceu feliz.

No início de julho, eu e Edward combinamos de nos encontrar em Seattle para as férias de verão, mas como ele iria assumir a chefia do gabinete, precisou ficar mais alguns dias no Capitólio. Eu trabalhei todos os dias na Cullen enquanto o esperava para as férias.

Depois de um dia envolvida com os investimentos de meu pai, pedi sua ajuda para investir meu dinheiro e de Edward.

—Não, pai. Eu estava pensando em algo mais rentável. — Discordei de suas sugestões.

—Mas, Bella, imóveis são mais seguros. Ações têm riscos. Mesmo que rendam mais, têm mais riscos. — Ele insistiu.

Calei-me pensativa, ponderando sua sugestão.

—Eu posso investir em ações porque tenho muito. —Argumentou. —Mas Edward tem pouco, portanto tem que investir em algo estável.

—Pai, eu prefiro o risco. Se algo der errado, eu pago para ele. O futuro do Edward também é um risco. —Ressaltei.

—Então invista em ações de empresas petrolíferas do Oriente Médio e em ouro. Petróleo rende muito e ouro é estável.

—Tudo bem. — Assenti. Ele me deu o telefone de seu agente de investimentos, e eu liguei. Depois de resolvido, fui à sala do Brandon. Sua secretária avisou que ele atendia um novo funcionário. Abri minimamente a porta.

—Oi, Clark, você tem um tempinho para mim? — Pedi amistosa.

—Entre, Bella. Tenho todo o tempo do mundo pra você. Sente aqui e espere um pouco, estou terminando. — Ele apontou para o sofá. Eu sentei. Ele continuou a entrevista vez ou outra olhando em minha direção com um sorriso curioso. O funcionário saiu. Sua atenção focou em mim.

—O que traz a dona do império à minha humilde sala? — Questionou sorridente.

—Queria bater papo. — Dei de ombros, descontraída.

—Muito suspeita você. — Acusou desconfiado.

—Você anda tendo visão Raio-X por um acaso, Clark! — Brinquei e levantei para caminhar na sala. —Eu quero saber uma coisa de você... Tenho uma curiosidade.

—Manda.

—Por que você não quis seguir a política?

—Porque gosto do previsível. Por quê? — Ele intensificou o olhar.

—Eu quero ter noção do que esperar daqui para frente. Edward está conseguindo subir. Já virou assessor principal e em breve vai virar subsecretário. —Esclareci e baixei o olhar.

—Isso te deixa apreensiva. — Comentou solidário.

—É tão claro assim? — Forcei um sorriso.

—Acho que eu já conheço você, Bells.

—Sim, deixa. Ele é inteligente, porém confia demais nas pessoas.

—É. Esse realmente é um problema... Mas pelo jeito é isto que ele quer.

—É..É o sonho dele. — Assenti quase desgostosa.

—E o seu, qual é? — Caminhou até mim, agachou em minha frente e pegou minha mão.

—O meu...? Ter uma vida fácil. — Suspirei, sem olhar para ele.

Ele ficou um tempo calado.

—Espero que você consiga. Se você quiser viver bem, tem que ter muita paciência com as faltas em datas importantes e falta de tempo dele. — Aconselhou amigavelmente.

—Eu sei disso. — Levantei pensativa e caminhei em direção a porta. Ele me acompanhou.

—Bem, já vou. Ate mais, Brandon... Ah, já largou a sua vida bandida? — Brinquei para descontrair.

Ele sorriu sem graça. —Não. Ainda estou curtindo a vida. Só vocês mesmo para terem coragem de se enrolar. — Ele aproximou-se e apertou meu queixo. —Mas se eu estivesse no lugar dele, não deixaria você escapar também. — Adicionou com olhar intenso.

—Ai, Brandon, você é um galanteador. Atira pra tudo que é lado. — Ironizei zombeteira.

Ele recuou e sorriu. —É mais ou menos isso. —Soprou a ponta do indicador fazendo alusão a uma pistola. — Lembrei de uma coisa... — Ele voltou-se para o armário e abriu uma gaveta. —Você leu jornal esses dias ou acessou os sites da Cullen? —Questionou e me entregou umas revistas. — Você é matéria. Seu pai mandou fotos de você tocando na banda, tocando piano, violino. —Enumerou. Eu folheei uma revista. —Ah, também tem umas fotos de você e o príncipe em frente à Casa Branca, no jardim.

—Legal! — Comentei admirada e encostei-me ao portal, olhando as reportagens.

—Se quiser pode levar para sua sala, mas depois me devolva. É arquivo pessoal. — Ele sorriu.

—Vou levar e ler com tempo. Obrigada. — Deixei a sala dele e fui para a minha.

Dois dias depois, minha família toda seguiu para Forks para as férias de verão, inclusive meu pai. Ele se deu uns dias de folga da empresa depois que percebeu a nossa empolgação com as férias na casa nova. Edward e seus irmãos estavam familiarizados com sua cidade, curtiam tudo. Toda manha, sentávamos na espreguiçadeira na beira da piscina, curtindo o sol tímido de Forks com nossa família em volta.

—Às vezes tenho a impressão que tudo não é real. — Edward comentou baixinho, minha cabeça descansava em seu peito.

—Por quê?

—Você sabe o porquê ... Estar com vocês aqui. —Apontou em volta. Meu pai e Mike brincavam com Susan e Seth no quintal, Esme tomava sol com Jéssica e Rosalie, Emmett tocava violão ao lado de Rosalie, Jasper nadava com Alice na piscina aquecida. Parecia um quadro etéreo de uma bela família reunida.

—É real. —Garanti.

Fixei meu olhar em Jasper e questionei-me se meu pai suspeitava da situação tanto de sua paternidade quanto da relação estranha dele com Alice. Impossível. Papai teria surtado... O que ainda está propício acontecer.

—Vai entrar? — Edward entrou na piscina e estendeu sua mão convidando-me.

—Acho que ela prefere ficar me babando. — Jazz arreliou. — me achando gato, , Bella?

—Ah, seu bobo! Só por que tem esses cachinhos de ouro se achando. — Brinquei enquanto descia as escadas da piscina.

—Todas as garotas dessa rua me acham! Aliás, todas as garotas de Forks. Do mundo!—Dramatizou teatral. — As mulheres me amam! — Ele riu e me jogou água.

—Ah, Zé bonitin! — Alice zombou brincalhona e o molhou. Uma guerra de água iniciou, molhando a mim e a todos que beiravam a piscina.

—Ele hoje está ligado no 220! — Edward reclamou e tentou me proteger. —Dá uma tempo, Jasper! — Edward repreendeu e me puxou para o outro canto da piscina.

—Vão ficar me regulando, é? — Jasper nadou até nós, pegou Edward de surpresa pelo tronco e o afundou na água. Edward ofegou assustado ao emergir, olhou ameaçador para Jasper, mas toda seriedade evaporou quando o afundou de volta. Nos instantes seguintes brincaram como crianças.

Atravessei a piscina de água morna suspirando de agrado pela temperatura confortável. Edward cansou da brincadeira com Jasper e encostou-se ao canto. Fui até ele.

—Tem saudade daqui? — Abracei suas costas e beijei seu ombro, notando seu saudoso olhar pela propriedade.

—Um pouco. — Sussurrou nostálgico. —O fato de não ter mais uma casa me assusta... Hoje eu me sinto como se eu não tivesse um lar.

—Mas você tem um lar, sim. — Ressaltei determinada. —Tem nosso quarto na Califórnia, a casa que a sua família mora com o meu pai em Seattle.

—Não é a mesma coisa. — Negou sem humor. —Quero tanto casar logo, ter um canto só meu e seu. Estou cansado de ficar longe de você. — Reclamou desolado, levou-me a sua frente e me abraçou, o rosto na curva do meu pescoço. Ele parecia apreensivo e descrente.

—Tenho uma proposta pra você... — Eu sugeri com ar conspirador. —Que tal fazermos daquela casa um cantinho só nosso este mês. — Apontei para sua antiga casa, que foi reformada e parecia uma casinha de boneca no canto da propriedade. —Podemos ficar as férias todas lá, como se ela fosse nossa. — Propus descontraída. Ele sorriu tentado.

—Seria um pouco de egoísmo e desunião, não? Deixarmos sua família na casa grande e ficarmos lá?

—Podemos levar um colchão, televisão e lanches, então passamos o dia aqui e dormimos lá. — Sugeri e passeei os dedos em seu cabelo para arrumar.

—Até parece que você vai dormir no chão, Bella. — Comentou incrédulo.

—O quê que tem? — Retruquei fingindo de ofendida e dei beijinhos molhados em seu pescoço.

—Não sei... Por que você vai dormir no chão com tantas camas lá em cima?

—Eu dormiria com você debaixo da ponte. O importante para mim é estar com você. — Declarei e beijei sua boca, intensificando aos poucos o beijo, mesmo que ele parecesse retesado por termos platéia.

—Vamos parar com essa esfregação aqui na piscina! —Ouvimos Jasper reclamar. —Vou ter que sair, se não vou ficar é grávido, seus pervertidos! —Jogou água em nós. Eu me afastei.

—Quem guenta esse moleque atentado!? — Joguei água de volta nele, fingindo irritação. Nova guerra de água começou. Eu desisti e me encolhi no canto com as mãos no ar em sinal de paz. —Vamos subir? — Chamei Edward.

—Daqui a pouco.

—Eu vou te esperar. — Encostei-me às suas costas e distribuí pequenos beijos em sua nuca e pescoço. Ele virou-se, segurou meu rosto e cobriu meus lábios com um beijo molhado. —Assim, eu não saio daqui nunca. — Resmungou malicioso em meus lábios, depois sorriu e me afastou dele. —Vai nadar, vai, Bella. — Brincou, virou-se novamente para a borda e foi conversar com sua mãe e irmã.

Mais tarde, a funcionária contratada para temporada preparou o almoço e nos sentamos em volta da mesa.

—Carlisle, lembra que conversamos sobre uma Universidade para Forks? — Edward comentou quando se servia de camarão na moranga.

—Sim.

—Foi aprovado o projeto de lei. O projeto para licitações será iniciado. Se Forks ganhar uma universidade, será uma conquista. —Disse sonhador.

—É bom que cheguem investimentos nessa cidade. —Papai comentou empolgado. —Eu quero saber se algum de vocês tem planos de morar aqui, ou se nós vamos deixá-la fechada somente para as férias de verão. — Sorriu sugestivamente à Emmett.

—Nem pense, pai. A Rosalie agora que está no segundo ano de faculdade. — Emmett se pronunciou.

—Eu não penso nem tão cedo em me casar. — Jéssica defendeu-se e sorriu cínica para Mike, que torceu os lábios, mostrando chateação.

—Eu nem sei qual o meu futuro. —Eu disse. — Pelo jeito o embaixador aqui pretende morar na Capital pelo resto da vida. — Comentei e deslizei os dedos na nuca do Edward.

Papai olhou preocupado em nossa direção.

—Pretende firmar acampamento em Washington D.C. mesmo, Edward? — Franziu o cenho.

Edward baixou o olhar e suspirou, encurralado.

—Pretendo... Mas ela vai vir sempre a Seattle. —Justificou. — Preferencialmente na mesma constância que tem vindo da Califórnia. — Explicou baixo, na defensiva.

—Ah, pai, que tal o senhor abrir um escritório de publicidade na Virginia? — Interrompi ao perceber o desconforto do meu noivo. —Seria interessante trabalhar lá. — Comentei para distrair, embora soubesse ser um tema fora de cogitação.

—Podemos ver isso, criança. — Concedeu ao observar que o tema era complicado.

—Temos um salão de festas lá em cima, que tal uma festinha aqui? — Emmett propôs, todos na mesa animaram.

—Isso! Aí vocês convidam pessoas que conhecem. — Sugeri empolgada. Edward torceu os lábios desinteressado.

—Aproveitando a ocasião, crianças, quero avisar que vamos pescar amanhã. — Papai informou. —Aluguei um barco para pescarmos em alto mar.

—Crianças, quem, pai? — Eu quis saber com um bico contrariado.

—É lógico que é só os homens, né, Bella! Sai da aba! — Jasper provocou ao ver que eu não queria ser excluída.

—Sai, você, da minha! — Ergui o queixo obstinada.

—Se as mulheres quiserem ir, podem ir também. — Papai permitiu. —Só me preocupo com os bebês em alto mar três dias.

—Melhor elas ficarem. — Edward impôs. Eu olhei de soslaio para ele, com desagrado. Ele se justificou. —Vai ter sol, vento ou pode ter tempestade. — Esclareceu e apertou minha mão adulador.

—O noticiário do tempo não prevê tempestade para esses dias. — Argumentou meu pai.

—Por mim, você não vai. — Edward sibilou em meu ouvido. Eu bufei irritada com seu excessivo zelo.

—Ah, não. Três dias! Eu vou sim. — Resmunguei e abracei os ombros de Edward, implorando.

—Bella, é programa de homem. — Emmett se intrometeu. —Eu não vou levar a Rose. Fiquem aqui tricotando.

Eu fechei a cara. Só faltava essa!

—Agora é complô dos homens, é! — Relutei, teimosa.

—Desgruda, Bella! Deixa o pobre do meu irmão respirar! — Jasper arreliou divertido. Eu me segurei para não fazer como Alice, jogar as coisas nele. Como eu pude ter um irmão tão implicante?

Edward percebeu a minha insatisfação e abraçou o meu ombro para me abrandar.

—Amor, temos o mês todo. É programa de homem. Além disso, vai ser chato para você.

Eu torci os lábios e pausei pensativa. Ele iria ficar perto do meu pai e quanto mais perto eles ficassem, mais amigos eles seriam. O momento infantil passou, eu sorri bobamente e encostei meu rosto em seu ombro.

—Tudo bem. Levem bastante protetor solar.

Ao terminarmos de almoçar, eu e Edward seguimos para a sala de TV. Edward pegou Susan no colo e fez cócegas em sua barriga. Ela riu e ofegou empurrando e contorcendo-se no colo do irmão.

—Como será que vai ser o nosso bebê? — Aproximei-me e acariciei os cachinhos louros de Susan, sonhadora.

—Parecida com você. Branquinha, com olhos dourados.

—Prefiro parecida com você. Cabelos cobre e olhos verdes. — Bajulei e acariciei o seu rosto. —Quando teremos um? —Eu quis saber.

—Quando nossa vida se estabilizar... — Ele enfatizou e colocou Susan no chão. Ela correu a sala em direção ao meu pai.

—Acho que eu quero ter um filho logo, assim quando meu filho virar adolescente as pessoas vão falar assim: nossa, parece irmã! — Eu gracejei. Ele deitou sobre as almofadas no sofá e me puxou para deitar com ele.

—Você pergunta para mim, mas eu nem sei. Não depende de mim. Você acaba fazendo sempre o que quer. Para mim, quando vir vai ser bem vindo. Até porque, se vir, eu vou estar casado com você de qualquer maneira, afinal faltam cinco meses para o casamento e, como uma gravidez dura nove meses, vai ser um filho dentro do casamento. — Explicou tranquilo.

—Então vou parar de tomar os remédios. — Combinei e dei beijos em seu peito, por cima da camiseta.

—Você quem sabe. — Deu de ombros.

Edward

Tempos atrás comecei a treinar violão, mas foi o auxílio de Emmett que me ajudou a aperfeiçoar. Certa tarde eu treinava no 3º piso da casa em Forks e parei ao ouvir passos na escada. Coloquei alarmado o violão no pedestal.

—Por que você continua escondendo que está tocando? —Emmett questionou ao aparecer no último degrau. — Bella perguntou por você lá embaixo. — Sentou em minha frente.

—Vou esperar tocar bem para surpreendê-la. — Justifiquei, peguei o violão de volta e continuei treinando as sequências que ele passou mais cedo.

—Mas você já está bem. —Ressaltou.

—Não tanto quanto ela... Além disso, vou esperar a hora certa para falar.

—Tudo bem. Eu não sei quanto tempo vai conseguir esconder isso dela. Sei que todas as vezes que nos trancamos no estúdio lá em casa ela fica perguntando. Como diz Jasper, você vai casar com um grude. — Ironizou. Sorrimos juntos e ouvimos novos passos nas escadas. Entreguei o violão a Emmett. Bella apareceu com Rose e Alice no topo da escada, nos cumprimentou alegre e convidou Alice a cantar.

O som de suas vozes era aprazível. Mike também subiu com Seth e fez o ritmo batendo em uma cadeira. Jasper ouviu o som e apareceu para cantar, embora tenha ficado contrariado quando seus pedidos de músicas agitadas foram ignorados. Entre sorrisos, discussões e música, a tarde passou. Eu os observei encostado ao parapeito. Eles eram as pessoas que eu amava. A terceira pedra em minha aliança, família.

Os dias em Forks passaram-se com celeridade. Livre de ocupação contínua e preocupações diárias, o tempo e vida voaram tranquilos e alegres. A única preocupação contínua era a expectativa de solução para o tratamento de Jasper. Na última semana do mês de julho voltei antecipadamente à capital para encontrar James. Como eu iria assumir a chefia do gabinete a partir do mês de agosto, ele precisava me passar as coordenadas.

Depois de almoçar com Bella num restaurante próximo ao Capitólio, ela me deixou no gabinete e marcou de me buscar à tarde. Esperei James em minha sala enquanto verificava notícias mundiais na Internet. Ouvi o barulho de uma porta se abrindo, deixei minha sala e fui à sala dele.

—Boa tarde, James. — Encostei-me ao portal da entrada cheio de reservas. Eu não conseguia mais ter amizade com ele depois do episódio das maletas. —Preciso que você me passe o serviço. —Avisei direto.

—Ah, chefinho, não é nada que você não consiga. — Zombou sem tirar os olhos da tela do monitor de LCD. —Você é o safo daqui, então tudo fica fácil. —Adicionou irônico.

Fechei o punho irritado com a provocação.

—Seja profissional e evite que o senador tenha que intervir, porque é isso que vai acontecer. —Aconselhei sério, ignorando seu tom zombador.

—Hmm, além de ter tirado o meu cargo ainda quer me derrubar com puxação de saco igual fez com o Lincoln? — Espetou cáustico, encarando-me ofensivamente.

—Eu não tirei cargo de ninguém. — Rebati entre dentes. —Nem o dele nem o seu. — Apontei destemido em sua direção. —Foram vocês que não tiveram competência para permanecer nele. —Destaquei e dei as costas para evitar o descontrole de ânimos. —Ficarei agradecido de receber a rotina por e-mail. — Adicionei e caminhei a passos firmes para minha sala no fim do corredor.

Sentei em minha mesa e acessei meus e-mails para passar tempo até que Bella me buscasse. Fiquei surpreso ao notar que, embora eu estivesse há quase um mês sem abrir minha caixa, vários e-mails recentes foram abertos.

Chefinho, estou indo. Tchauzinho. — James acenou da porta com sarcasmo. Eu ignorei-o. Não iria me alterar no meu local de trabalho.

Bella

No fim da tarde, desci do carro no estacionamento do Capitólio desamassando o vestido justo de crepe e, ao levantar o olhar, deparei-me com o assessor James me fitando da cabeça aos pés.

—Boa tarde. — Ele se aproximou e pegou ousadamente minha mão. Eu puxei a mão e lutei para não tratá-lo hostilmente. Ele fez umas perguntas sem nexo sobre minha faculdade enquanto me seguia pelas escadas. Respondi desinteressada e entrei na recepção para me identificar no leitor de digital. Ele despediu-se quando entrei no lobby. Balancei a cabeça incrédula com sua atenção e perguntas sem noção. Entrei no elevador e desci no andar do gabinete do senador. Caminhei por um corredor de salas e encontrei Edward distraído atrás da mesa.

—Olá, embaixador. — Sorri. Ele sorriu forçado.

—Oi. —Colocou uma cadeira ao lado da sua para que eu sentasse e me deu um beijo na testa.

—Algum problema? — Analisei o seu semblante e percebi as linhas de expressão tensas.

—Alguém entrou no meu e-mail. — Apontou para seu computador. —Vou ter que mudar a senha.

—Você arquiva muita coisa importante, como senha de banco? — Perguntei preocupada. Ele iniciou o processo de mudança de senha.

—Não. Não tem nada confidencial, porém isso é invasão de privacidade. — Explicou e continuou digitando.

—O Capitólio está vazio hoje... — Comentei para distraí-lo. —Estamos sós? — Inclinei e pus a mão em suas coxas.

—Sim. Quase ninguém voltou do recesso ainda. — Informou desapercebido de minha mão subindo por sua perna. —Eu só vim porque queria ver quais são os projetos do senador Evans que entram em votação nos próximos dias. — Ele terminou de digitar e olhou minha mão. —O que foi? — Perguntou ao ver o meu sorriso sugestivo.

Eu levantei e recostei-me à janela, observando a área externa.

—Você tem uma imagem perfeita da sua mesa. — Comentei encantada. A Casa Branca posava imponente a alguns metros. Ele levantou da cadeira e se encostou atrás de mim, o braço em volta de minha cintura. —Você ainda pretende ter um cargo que te ponha lá dentro? — Questionei apontando a direção da Casa Branca.

—Hoje, meus planos inadiáveis e emergenciais são casar com você, minha adorável noiva. — Sussurrou em meu ouvido e mordiscou minha orelha. Contente com sua resposta, virei frente a ele e rodeei seu pescoço com os braços.

—Está brincando com a sorte falando assim no ouvido sensível de sua noiva insaciável. — Alertei maliciosa e beijei os seus lábios, leve.

—Por quê? Aqui é o meu local de serviço. —Franziu o cenho fingindo de inocente. — Não tem risco nenhum de minha noiva me atacar aqui. — Zombou brincalhão em minha boca.

—Você que pensa... — Passei a língua em sua boca, cheia de promessas. —Não sabe o quanto eu já fantasiei com essa sala. — Sugeri insinuante.

Ele arregalou os olhos e afastou meu rosto, fitando-me surpreso.

—Sério que você já teve esse tipo de pensamento com essa sala? — Sorriu tímido e malicioso.

—Sim. — Provoquei. —Pensei em fazer tantas coisas com você aqui... — Beijei seu pescoço e mordisquei da mandíbula a orelha.

—Bella, não me tente. — Pediu indefeso. —Pare de ser insensata. — Repreendeu, fechou os olhos rendido e apertou meu quadril ao dele quando passeei minha língua em sua orelha. Eu ri sentindo-me poderosa. Ele faria o que eu quisesse. Sempre fez.

—Vai me dizer que você nunca me imaginou em várias posições em sua mesa de trabalho... — Provoquei. Ele afastou-se de meus lábios persuasivos em sua orelha e olhou indeciso para a porta principal do gabinete.

Desabotoei lentamente sua camisa, afrouxei a gravata e desci com os lábios pelo seu pescoço e ombros. Joguei a gravata no sofá e desci com os lábios pelo peitoral.

—Bella, a porta... — Alertou quando lambi seu peito.

—Ninguém vai entrar. — Tranquilizei-o e rodeei a auréola com a língua. —O Capitólio está vazio. — Desci com beijos molhados pelo abdômen. Ele estremeceu e fitou a visão da Casa branca, com lábios entre abertos e respiração irregular. A adrenalina do proibido me incentivou ir adiante. Rodeei o umbigo com a língua, apoiei um joelho no chão e observei-o. Ele fechou os olhos quando abri o botão da calça, desci o zíper e o acariciei por cima da boxer, afagando o comprimento.

Contente com sua submissão, trouxe-o para fora e investi lascivamente contra ele. Rodeei a glande com a língua, cobri com minha boca e suguei. Ele desconectou-se da realidade. Ora segurava os meus cabelos, ora olhava a porta, ora gemia, ora flexionava o quadril em minha boca. Seu nervosismo e tensão eram claros nas veias dilatadas nos pulsos e pescoço, mas estremecia todas as vezes que eu tomava-o profundo. Eu me senti mais poderosa, com um prazer perverso ao corromper seus bons princípios.

Após um tempo recebendo meus agrados, ele olhou-me com olhos quentes e acusadores, olhou para a porta novamente, ajustou a roupa, andou rápido até lá, passou a chave e voltou sorrindo ameaçador. Colou os lábios nos meus, segurou-me firme e empurrou-me até encostarmos a sua mesa.

—Você realmente gosta de me ver induzir ao erro, não? — Ele abriu os botões do meu vestido, um por um, e me ergueu sobre sua mesa, fazendo-me deitar. —Vou confessar... —Continuou, o olhar ávido. —Eu sempre te imagino desse jeito aqui. — Confiou rouco. Seu olhos verdes maçãs viraram negros ao ver meu minúsculo lingerie preto transparente. Ele desfez do vestido e se afastou um pouco para olhar-me sobre a mesa.

—O que eu vou fazer depois, hein, Bella, quando você for embora? —Dramatizou. — Vou virar um insano com a lembrança gráfica de você como um banquete em minha mesa de trabalho. — Posicionou-se entre minhas pernas e passou os dedos em minha barriga. —Bem, já que não consigo ser um homem certinho, deixe-me aproveitar o pecado. — Lamentou falsamente e molhou os lábios com a língua, ato seguido inclinou-se e acariciou minha barriga com a língua, depois mordiscou cintura. Eu sorri oferecida, apoiada sobre meus cotovelos.

—Irei gravar seus mínimos detalhes em minha mente promíscua. — Ele sorriu e alcançou meus lábios, ao tempo que desfazia de meu sutiã frontalmente. Avaliou meus seios nus. —Se eu fosse um pouquinho mais pervertido tiraria fotos. — Queixou-se com um sorriso de canto e acariciou com a ponta dos dedos toda a extensão dos meus seios.

—Tire. — Propus e estendi o braço para pegar meu celular na bolsa.

—Não... —Negou. —Isso é o cúmulo da perversão. — Negou e voltou os lábios para minha barriga. Eu ri e me contorci de cócegas.

—Certeza? — Arqueei o corpo e entreguei o celular a ele. —Arquivo pessoal, anjinho. Coisas de namorados. —Sugeri.

—Ai, Bella, você quer destruir os meus resquícios de moral e bons costumes. — Lastimou-se dramático e passeou a ponta da língua acima da calcinha.

—É pra você lembrar toda vez que estiver com saudade. — Argumentei persuasiva. Ele sorriu rendido.

—Tem como negar? — Mordeu sorrindo o ossinho da pélvis e pegou meu celular.

—Você sabe que não. — Sentenciei, deitei de lado e encolhi as pernas, fazendo pose charmosamente.

Ele sorriu, afastou um pouco e começou a clicar.

—Alguém aí tem dúvidas de que falte um parafuso na cabeça da minha futura esposa? — Fingiu falar com uma câmera ilusória no canto da sala, depois fez sinal com a mão que eu mudasse a posição. Sorrindo, mudei as poses. Pisquei, coloquei o dedo na boca, dei a língua, sorri, tapei meus seios dramaticamente com as mãos. Ele ria divertido com meu jeito irreverente.

—É de enlouquecer uma imagem dessas arquivada no cérebro. — Sussurrou e lambeu os lábios.

Tirou cerca de vinte fotos, colocou o celular em cima de um armário e voltou a beijar minha barriga, altura da costela.

—Não estou aguentando a tentação. —Declarou desejoso. — Posso aproveitar do meu festim? — Desceu vagarosamente minha calcinha, a boca molhada acompanhando o trajeto da peça íntima até os pés. Olhou-me com os olhos quentes, escuros, entreabriu minhas pernas e subiu o trajeto de volta pela perna. Meu corpo se ergueu receptivo quando ele beijou-me intimamente. Fechei os olhos. Ele abriu-me e lambeu como o melhor e mais experiente dos amantes, como se eu fosse mesmo o seu banquete. Traguei ar, registrando cada detalhe da sensação de ser degustada, saboreada, mimada. Olhei-o. Ele tinha a camisa aberta, bochecha rosada, lábios vermelhos e molhados no meu pontinho brilhoso e tenso. Estremeci, atrás de meus olhos o clímax se formou e uma névoa invadiu meus sentidos. Ele continuou incentivando, observando-me. Espasmos me sacudiram na mesa e abri a boca. Antes que eu gritasse num clímax, ele cobriu minha boca com uma mão, sem parar com os incentivos.

—Só para mim. —Exigiu. Eu sacudi novamente. — O presidente não precisa saber o que estamos fazendo aqui. — Alertou com maxilar travado. Eu me debati, os resmungos foram incontroláveis. Ele continuou, continuou, até que caí extenuada sobre a mesa, as pernas sem forças. Ele inclinou sobre mim e beijou meu rosto, apaziguador.

—Quero você, dentro, agora. — Exigi e beijei seus lábios selvagemente. Sentei na mesa sem deixar de beijá-lo, abri o botão de sua calça e desci o zíper, pegando e conduzindo seu membro a mim. Ele fechou os olhos ao obter o contato, segurou meu quadril e se projetou lentamente. Respirei fundo e gemi, mordendo os lábios. —Abra os olhos e olhe para nós. — Eu pedi ao senti-lo deslizando em minha entrada. —Quero que isso fique registrado. Você não vai conseguir entrar nessa sala nas próximas semanas sem lembrar quem é a sua dona. — Determinei, mordiscando seu queixo. Ele abriu os olhos, flamejando desejo.

—Não tem como esquecer. — Sussurrou quase sem sons, olhando para a parte em que éramos ligados com a respiração entrecortada. Deliciada, entrelacei as pernas em seu quadril e deitei. Ele incentivou meu sexo com uma mão e segurou minha cintura com outra. Desceu a boca em meus seios e de sua boca saía sons sexys e abafados a cada investida do seu quadril.

Eu me senti queimar, arder. Estava feliz e completa com o meu anjo corrompido.

—Sabe- de- uma- coisa... — Balbuciei quase incoerente.

—Fala... — Mordiscou o bico.

—Você não precisa mais de uma psicóloga... — Engoli ar. Ele entrou totalmente. Eu me senti cheia.

—Ah é... Por quê? — Olhou-me com um desejo febril, a mesa sob nós fazendo barulho.

—Você viciou em adrenalina.

—Virei um insensato também, é isso? — Sorriu, me ergueu em seu colo, sem nos desconectar, e sentou em sua cadeira.

—É um homem seguro do que quer, experiente e bom, muito bom... — Elogiei lenta e sensual, movendo os quadris para cima e para baixo enquanto mordia seu queixo.

Ele fechou os olhos, puxou o ar nos dentes e atacou minha boca, mergulhado em ânsia, quase se rendendo ao prazer. Mas como dona da situação torturei-o com o meu tempo, conduzindo sem pressa nós dois ao prazer. Assim, envolvidos de luxúria, com todo o nosso empenho, bocas, línguas, mãos, arrepios e arquejos, a nossa tarde se estendeu, extasiados de paixão e amor cúmplice rumo ao prazer.

Alice

Jasper não foi à escola e não o vi pela manhã. Foi a funcionária a descer e avisar que ele não iria, o que me deixou o dia inteiro preocupada. No fim da tarde, entrei apressada esperando confrontá-lo por sua esperteza em cabular aula de literatura que tanto odiava. Encontrei-o deitado no sofá, coberto com edredom.

—O que você tem? — Aproximei do sofá e toquei sua testa, checando a temperatura. Ele ardia em febre.

—Nada. Só um pouco de moleza. — Deu de ombros.

—Você está com febre, Jazz. —Ralhei alarmada. — Vou ligar para sua mãe. Por que você não avisou aos funcionários que não estava se sentindo bem? — Peguei o celular na bolsa.

—Porque eu estou bem. — Justificou indolente, a voz fraca.

—Jazz, você não está bem. Esses dias você está muito pálido e desde que voltamos da casa de Forks seu resfriado não passou. Devia ter ligado para sua mãe.

Ele puxou a minha mão e me forçou a deitar com ele. Encostou a cabeça abaixo do meu queixo e me abraçou forte.

—Alice, fique quieta. Pare de dar piti. Tu é muito chata! — Repreendeu sem firmeza. O calor de sua pele me alarmou mais. Beijei sua testa e acariciei o seu braço. —Você acha que eu estou desbundando por estar sentindo essas coisas?

—Lógico que não. Você tem sido muito forte.— Adulei-o carinhosamente, afagando o seu cabelo.

—Então, Alice, passa um fio pra minha mãe, que eu malzão. Têm uns dias que eu venho sentindo uma dor no peito. Eu pensei que fosse passar, mas hoje pior. — Tossiu. Sentei e liguei para Esme e pedi que ela voltasse. Há um mês ela começou a trabalhar na empresa do meu pai todos os dias à tarde, por isso não estava em casa. —Alice, você está coroa esses dias. —Ele disse após um tempo. — Estamos com a mesma idade. —Comentou para me distrair. — Acho que não vou casar com você. Eu gosto é de novinha. — Ele brincou, tentando se animar.

—Seu bobo. Quem disse que eu quero casar com você? — Brinquei e coloquei sua cabeça em meu colo.

—Promete uma coisa pra mim... —Ele pediu intenso. — Promete que quando eu melhorar de vez, você namora comigo e deixa eu pedir você em namoro pro Carl. Promete... —Exigiu. — Você não quer ficar sério comigo porque acha que eu definhando, não é? — Perguntou infeliz.

Lágrimas molharam meu rosto. Ele colocou a mão na minha bochecha e as limpou.

—Lógico que não, Jasper. Eu amo você. Mas... — Os soluços trêmulos ficaram difíceis de ser contidos. O medo de que ele estivesse piorando por castigo a mim por amar o meu irmão e por aceitar que ele me amasse de uma maneira inadequada apertou meu coração.

Seu lábio se torceu de desgosto.

—Que foi, Alicinha? Não fique assim. Eu vou melhorar. Isso aqui não é nada. — Ele sentou ansioso.

—Jazz, eu te amo sempre. Isso nunca vai mudar. — Declarei fervorosa. Ele me abraçou.

Ouvi o barulho do carro da Esme estacionando e afastei-me de Jasper ao prever que meu pai chegaria com Esme. Ela entrou só e nos olhou por alguns minutos, depois subiu para falar com a babá da Susan.

—Alice, a babá da Susan está saindo em pouco tempo, você fica com ela até o seu pai chegar? — Esme pediu ao descer novamente, depois discou um número.

—Tudo b...

—Não. Eu quero que ela vá. — Jasper reivindicou.

Ela nos fitou especuladora enquanto falava com o médico de Jasper. Combinou com ele estar no hospital em dez minutos. Desligou e suspirou.

—Tudo bem. Eu vou ligar para a outra babá. Vão entrando no carro. —Instruiu prática.

Fui ao meu quarto, peguei minha bolsa, um travesseiro, desci e entrei no carro, pedindo que Jasper apoiasse a cabeça no travesseiro em meu colo. Esme deu partida.

—Alice, você e seus irmãos foram as melhores coisas que aconteceram em toda minha vida. — Jasper sussurrou desolado.

—Para de falar isso, seu pentelho! Sua vida nem começou ainda!

—Promete que quando eu sair dessa vamos viver chicletando por aí? — Ele acariciou meu rosto suplicante. Eu não queria ser tão fraca, não quando ele precisava da minha força, mas as lágrimas caíram.

Ouvi uma fungada leve da Esme. Ela também sofria com a situação.

—Qual é, gente! Vocês gostam de clima de velório, viu! Vamos parar com esse chororô. — Ele deu um sorriso mole e fez cócegas em minha barriga. Eu sorri fraco.

O Dr. Charles nos recebeu na recepção, Jazz foi colocado relutantemente numa cadeira de rosa e uma enfermeira o levou. Ela teve que aguentar suas reclamações de que não estava doente para andar em cadeira de roda. Aguardamos ao lado de fora. Duas horas depois o doutor nos chamou a sua sala. Jazz estava com a aparência melhor.

—Bom. Eu já esperava isso... O diagnóstico apontou infecção pulmonar. Você vai tomar antibiótico durante quinze dias, inicialmente. — Informou, prescrevendo uma receita. —A patologia faz com que todas as células de defesas fiquem fracas, então Jasper fica exposto a certos tipos de infecções.

—Tomar banho excessivo de piscina pode ter sido um agravante? — Esme olhou com acusação para o meu Jazz.

—Ai, mãe, agora eu não posso fazer mais nada, é? Não posso jogar futebol, não posso brincar na rua, Alice implica se eu fico criando aplicativos de jogos no PC, nem tomar banho de piscina eu posso mais! — Reclamou.

—É só por enquanto.— Dr. Charles interveio. —Esme, preciso falar com você em particular. — Ele pediu. Eu e Jasper os deixamos sós.

Bella

Emmett ultimamente estava tocando regularmente numa banda as quartas, quintas e sextas, por diversão. Certa quarta ele pediu que eu fizesse um som com eles. Eu fui, mesmo que eu não pretendesse fazer parte da banda. As músicas eram fáceis e conhecidas. O entrosamento com a banda foi fácil.

Sendo quarta-feira, dia de Edward me ver, combinei com ele de nos encontrarmos no bar. Nove e meia ele chegou e sentou na primeira mesa junto a Rosalie. Ele parecia cansado e entediado. Lamentei ter aceitado o convite num dia exclusivo dele, mas sentia tanta saudade de tocar com Emmett que não resisti.

Eu tocava distraída quando recebi um bilhete entregue por uma garçonete.

Vamos embora. Saudade. Edward.

Balancei a cabeça sorrindo, olhei para ele e fiz sinal com a mão para ele esperar um pouco. Ele fez uma carinha manhosa, eu baixei o olhar e continuei as notas. Após uns minutos chegou outro bilhete.

MUITA saudade. Deixa o Emmett aí. Vamos de táxi... Quero você só para mim. Anjinho.

Sorri por ele ter usado seu apelido e fiz sinal novamente para ele esperar. Um minuto depois meu celular vibrou no meu bolso da calça. Deixei uma mão fazendo base, pus a outra mão no bolso da jaqueta de couro e peguei o celular.

Mensagem Edward 10:55 PM

Você tem aula amanhã. Está na hora de criança ir para cama.

Rolei os olhos malcriada. Ele me encarava com falsa severidade, a mão no queixo. Divertida com a situação, procurei o olhar de Emmett. Ele deu uma piscada cúmplice e fez sinal com a mão que eu podia sair, estava nas últimas músicas. Esperei a música terminar e desci.

—Mas impaciente, hein! — Ralhei brincalhona ao parar em sua frente, com a mão na cintura.

Ele levantou, me puxou ao seu encontro e selou nossos lábios com um beijo demorado, no meio do bar.

—Sabe que dia é hoje? — Ele desviou os lábios para o meu pescoço, os braços apertados em minha volta.

—Não.

—Oito de setembro. Faltam exatamente três meses para você dormir comigo todos os dias, para o resto das nossas vidas. —Elucidou solene. — Vamos co-me-mo-rar? — Propôs malicioso.

—Hmmm, que tipo de comemoração? — Rodeei seu pescoço com os braços.

—Vamos conhecer um lugar que nunca fomos... — Ele sussurrou em meu ouvido.

—Ah, amanhã eu tenho que acordar cedo. — Lembrei desanimada.

—Eu te coloco na cama rapidinho? — Sugeriu conspiratoriamente.

Chamamos um táxi para irmos ao nosso prédio buscar meu carro e roupas para ir pela manhã direto para faculdade. Em cinco minutos enchi minha bolsa com acessórios para nós dois e deixamos o prédio de Emmett.

—Amor, a minha mãe me ligou falando sobre Jasper. — Começou quando virávamos a esquina, pegando a principal. —O médico não quer mais sacrificar Jasper com esses remédios fortes. Ele não está respondendo... E o que é pior, Esme está desde o começo do ano sem usar métodos anticonceptivos para tentar engravidar de novo e não consegue. — Comentou desanimado.

—Existe algum outro meio de cura? — Sentei atravessada entre os bancos e encostei o queixo em seu ombro.

—O médico disse que sim. Transplante de medula. Porém é difícil encontrar doadores compatíveis. —Explicou apreensivo. — Esme pediu que fizéssemos o teste de compatibilidade em algum laboratório e mandasse o exame para o médico.

—Vai dar certo, anjinho. Somos quatro opções. Um de nós com certeza é compatível.

Ele suspirou e passou os dedos em meu rosto.

—Por que você não colocou o cinto?

—Ai, Edward, porque eu gosto de ficar aqui pertinho de você quando você está dirigindo.

—Eu não vou falar mais nada. Você já é bem grandinha para eu reclamar tanto com você. — Desaprovou, mas apertou minha bochecha carinhosamente.

Chegamos ao local que ele escolheu e fiquei surpresa com sua escolha. Um motel. Para alguém comedido e reservado como ele, escolher um motel era uma grande evolução. Uma cama redonda e cheia de cetins luxuosos era o único móvel do imenso quarto cheio de luzes coloridas e luz negra. Uma banheira enorme descansava imponente no canto cheia de pétalas, velas e champagne na borda. O teto de vidro se abria para noite enluarada.

—Nossa, você planejou isso? — Perguntei embasbacada.

—Sim. Passamos aqui em frente esses dias e fiquei curioso. Então quando eu acordei hoje e lembrei que faltavam só três meses, eu reservei. — Confessou e segurou meu rosto em sua mão. —Estou feliz. O ano está voando. — Lembrou e soltou o meu rabo de cavalo. Eu fechei os olhos e curti sua carícia na minha nuca. —Comprei um óleo de massagem. Está na minha pasta. — Ele se afastou empolgado e foi até a pasta do notebook.

—Anjinho, você comprou óleo afrodisíaco! Onde você comprou?— Disparei em perguntas, imaginando que ele tivesse isso ao sex shop.

Ele sorriu encabulado.

—Deite aqui, Bella. — Apontou para o meio da cama. —Eu não teria coragem de ir nesses lugares que você pensou... Pesquisei na internet e comprei na farmácia. — Ajoelhou na cama e desabotoou minha calça, desfazendo dela. Espalhou diligente o óleo na mão. —Tire a blusa e deite de bruços. — Instruiu. Eu o obedeci.

Ele subiu as mãos lentamente pelo pé, calcanhar, apertando, massageando. Fechei os olhos, curtindo cada afagada de suas mãos.

—Amor, como está a sua rotina como assessor? — Inventei um assunto. Ele explicou que a convivência com James é que o deixava desconfortável no dia a dia no gabinete, mas no geral, sua rotina ia bem.

Ele tirou a calça, a camisa e ajoelhou-se com cada perna de um lado meu. Subiu as mãos nas minhas costas e desabotoou o sutiã, movendo as mãos firmemente nas costas, ombros, braços.

—Dizem que as noivas, quanto mais próximas do casamento, mais estão propícias ao stress. Eu não vou deixar você ficar estressada. Estou cuidando disso. — Garantiu solícito, mas seus toques viris faziam o efeito contrario a relaxamento. Distribuíam comichões. Ele se inclinou e lambeu minha orelha. Eu suspirei. —Sabia que você é tudo que eu poderia sonhar em uma mulher?

—Sou? Corpo ou pessoa? — Ele mergulhou a mão sob mim e roubou um toque em meu seio. Arqueei o corpo receptiva, ao tempo que ele mordiscava minha orelha.

—Os dois. —Declarou.

—Sou tudo que você sonha em uma mulher, a mulher que você sempre sonhou ou tudo que você sempre sonhou? — Pressionei-o, tentando pegá-lo pelas palavras.

Ele me virou, espalhou mais óleo na mão e direcionou a mão à minha barriga.

—Você é tudo que eu sempre sonhei. — Afirmou fervoroso, os lábios molhados e excitação no olhar.

—Não sou. Tudo que você sempre sonhou se chama Poder Americano, não, Bella. —Salientei. —Bella entrou nessa por insistência, mas você não sonhou com ela. — Adicionei.

—São situações diferentes... — Comentou incerto, subiu as mãos para meus seios e os massageou.

—Isso prova que eu entrei forçada na sua vida. — Disse e arqueei, quando ele inclinou e beijou suavemente meus seios, agora massageando meus braços.

—E foi. Eu não planejava ter você. Mas você lançou um feitiço em mim e eu não consegui me soltar. — Ele sorriu.

—Joguei um feitiço mesmo... — Gracejei. —Agora vai ser obrigado a casar comigo. Quem mandou roubar minha inocência! — Descontrai e acariciei seu cabelo. —Mas fala pra mim, qual era seu plano de vida inicial? — Perguntei carinhosa.

—Nem sei, eu só tracei chegar ao poder americano, casar não fazia parte dos meus planos. —Subiu mais na cama e me deu um selinho. —Graças a Deus você me fisgou. Minha vida seria muito vazia sem você. — Declarou apaixonado.

—A minha também.

A noite foi pequena para nossa comemoração. Com ele, a vida seria sempre cheia de paixão, descobertas e amor.

Sexta-feira à tarde, por não ter aula e não ter ido a Seattle, sentei em frente ao computador e fui analisar os investimentos que fiz. Ambos iriam ser sacados em um ano e meio. E o restante do dinheiro de Edward que era depositado na conta todo mês, eu iria juntar com o meu e investir em mais ações.

Enquanto analisava as cotações diárias, vi na tela uma chamada de vídeo do Edward e estranhei, pois ele disse que estaria em uma reunião hoje. Aceitei. Edward não estava em frente à tela. O vídeo projetado era da sala do senador. Edward e o senador conversavam.

Pensei em desligar, pois parecia uma falha técnica ou engano, e eu não queria bisbilhotar, mas Edward estava tão lindo de terno e gravata que eu quis explorá-lo. Sorrindo bobamente, aumentei o som e ouvi o que falavam.

—Edward, o ano que vem temos eleições. —O senador comentou. — E outro dia você disse que sonhava que seus projetos levassem seu nome. Como para o Senado você não tem condições de elegibilidade por ter menos de 30, você poderia concorrer à outra casa. — Sugeriu enigmaticamente. Eu cocei o queixo pensativa. Nunca tinha pensado em Edward deputado. Geralmente associo o nome deputado a pessoas que falam demais, e Edward é sempre tão calado!

—Eu não tenho condições. Não sou conhecido. — Edward retrucou pragmático.

—Mas você gostaria de ter uma chance? — O senador fomentou e olhou intensamente para Edward. Edward calou-se. Eu senti um frio me percorrer. Por que o senador estava propondo isso a ele? O senador continuou. —Eu desisti do futuro político do Ryan, então preciso projetar alguém para dar andamento ao nome político que eu carrego. Alguém para ser meu sucessor... — Disse sugestivo, andou pela sala e meu coração acelerou.

Sucessor? Nome político que eu carrego?

Edward baixou a cabeça, mexendo as mãos. Aquele silêncio me confundiu. Ele parecia não entender o que o senador sugeria.

—Aonde o senhor quer chegar? — Ele enfim se manifestou.

—Edward, quando você resolveu seguir esta vida? — Respondeu com uma pergunta. —Para ser mais exato, há quanto tempo você almeja estar no poder americano?

Edward suspirou. O sangue pulsava em meus ouvidos como se anunciasse uma tragédia. Tinha alguma coisa errada. Levantei e esfreguei a fronte, pensativa. Por que aquela conversa estava sendo transmitida? Será que Edward deixou o notebook dele naquela sala conectado?

—Era um sonho de infância que eu alimentei ano após ano. — Edward explicou baixo. Eu sentei novamente, observando-o em expectativa.

—Com qual idade começou esse sonho?

—Nove anos. — Edward sorriu tímido.

—O poder americano foi o maior sonho da sua vida? — Perscrutou de um jeito sombrio. —Ou melhor, você se vê fazendo outra coisa que não seja estar no poder americano?

Edward acompanhava curioso seus passos pela sala.

—Não. Eu não me vejo fazendo outra coisa. —Enfatizou. —Mas eu não estou entendendo o ponto, senador Evans. —Inquiriu direto.

O medo instalou suas garras em minhas entranhas. Eu li aonde o senador queria chegar e esperei o golpe final. O próximo passo daquela harpia seria oferecer a filha a Edward em troca do seu tão sonhado poder americano. Um homem que casou sem amor e renegava o próprio filho era capaz de tudo.

—Eu quero que você pense em algo que eu vou te falar. —O senador sentou relaxado. Eu prendi o ar. — O que você seria capaz de deixar para trás para alcançar o que você sempre sonhou? Ou seja: o que seria capaz de abrir mão para chegar à ponta do poder americano?

Arfando, puxei de um golpe o computador da tomada. Eu não queria ouvir o resto, tinha medo da resposta. Deitei na nossa cama e me encolhi em bola, insegura. Quis telefonar, ouvir sua voz e exigir resposta se ele iria me trocar pelo poder que lhe era oferecido numa bandeja.

Ergui o queixo subjugando o temor, enchi-me de determinação e fui para o estúdio do Emmett tocar e esquecer. Horas mais tarde o meu telefone vibrou, era Edward.

—Amor, estou saindo daqui agora. Você me buscaria no aeroporto? — Perguntou animado. Eu queria gritar, dizer que ele não devia estar alegre.

—Busco. — Assenti, sem disfarçar a mágoa na voz.

—Está cansada? Se você não puder ir, eu vou de táxi mesmo. — Sugeriu. —Eu estou com muita saudade de você e queria te ver logo, mas posso esperar. — Adicionou carinhoso. Eu sorri comovida. Não podia deixar a dúvida roubar minha alegria.

Nove horas, eu estacionei e o esperei no pátio que o jatinho do senador pousava. Encostei a uma pilastra próxima a saída principal e me distraí, vendo os aviões pousarem.

Uma boca mordeu o meu pescoço descoberto pelo rabo de cavalo, e eu me virei. Era o meu anjo que me abraçou forte e me ergueu do chão.

—Por que esse sorrisão? — Perguntei desconfiada.

—Feliz em te ver, posso? —Justificou enigmático e cobriu meu rosto com selinhos.

Eu abracei-o e deitei a cabeça em seu ombro.

—Lógico que pode. Mas é só isso que está te deixando feliz?

Ele pegou a minha mão e puxou rumo ao estacionamento, entusiasmado.

—Vamos. Eu te conto no caminho.

A irmã do Ryan passou por nós feito um furacão, esbarrando em mim. Eu escondi a hostilidade e insegurança sob a pele. Entreguei a chave do carro a ele, ele destravou o alarme, desceu a capota no controle e abriu a porta pra mim, como de costume. Entrei e me coloquei entre os dois bancos. Ele entrou e deu partida.

—Amor, você acredita que o senador hoje disse nas entrelinhas de uma conversa que quer me projetar como futuro deputado o ano que vem? — Informou contente, eu deslizei os dedos em seu cabelo tentando parecer empolgada.

—Mas você já é filiado a algum partido? — Estendi a conversa.

—Sim. Desde que fui trabalhar com ele eu me filiei aos Republicanos.

—E você quer ser deputado?

—Nunca pensei, mas nossa, Bella, seria um salto e tanto! — Disse sonhador. Eu esqueci por um instante o motivo de ficar preocupada com isso, deitei a cabeça em seu ombro solidária e passei o braço em volta dele.

—Anjinho, meu pai vai comprar um carro novo pra mim, você quer este aqui para você? —Ofereci prestativa.

—Lógico que não, Bella. —Negou ofendido. — Para que eu iria querer este carro? Eu estou com o da Esme.

—Este é melhor. — Argumentei determinada a dobrá-lo. Eu iria vencer.

—Não. É um absurdo eu me manter em um dormitório na universidade andando num carro deste! — Balançou a cabeça, relutante.

—Grande coisa, Edward. Ele tem três anos de uso. Está velho.

—Bella, é uma Mercedes. Este carro não fica velho. — Enfatizou ao tempo que tocou reverentemente o painel.

—Tudo bem , se você não quer, vendo para outra pessoa. — Dei de ombros.

—Vai vender por quanto? — Ele olhou-me interessado. Vi um brilho em seus olhos.

Calculei mentalmente quanto ele podia pagar.

—Trinta e cinco mil, acho. — Apontei com pouco caso. —Será que ele vale isso?

—Não me faça de bobo, Bella. —Repreendeu. — Eu sei que ele não custa menos de cento e cinquenta mil.

—É pegar ou largar. Eu sou a dona e dou o preço. Acho que vou oferecer ao Jacob da reserva pelos trinta e cinco. —Considerei. — Ele gostou das rodas dela. — Bati os dedos na testa fingindo pensar.

Ele virou o rosto e olhou-me um tempo, como se me estudasse. Eu não sorri para não revelar minha artimanha. Ele suspirou rendido.

—Eu tenho esse dinheiro? — Quis saber, ponderador.

—Sim. — Assenti neutra.

—Tudo bem. Então o dinheiro que tem na conta vai ser a entrada. Depois eu vou continuar te pagando... Vou pesquisar o preço dela no mercado e pagarei o valor justo por ela. Nem que eu passe dois anos pagando. — Impôs.

. Tudo bem. — Concordei frustrada, sentei direito no meu banco e coloquei o cinto, chateada com a falta de evolução nele. Por que ele não podia simplesmente pegar meu carro velho para ele? Tinha que ser tão orgulhoso? Droga!

—O que foi? — Segurou meu queixo especulador ao observar meu silêncio.

—Nada. — Suspirei. Não queria voltar ao ciclo vicioso de diferenças sociais. O ideal era voltar ao assunto anterior. —Sabia que eu ouvi a sua conversa com o senador hoje? — Comentei.

Ele virou o rosto surpreso.

—Quê?

Eu esclareci detalhe por detalhe, falei do convite que recebi com seu nickname e de ter ouvido a conversa. Ele ouviu-me em silêncio.

Edward

Continuei o trajeto pensativo. Não imaginava o porquê de alguém interessar-se em transmitir a conversa. E ela parecia dar mais ênfase ao caso do que ele merecia.

—O que você achou da conversa? — Questionei ignorando seu alarde sobre a transmissão. Não queria dar ênfase.

—Interessante. — Respondeu distante, fitando a rua. Puxei seus pés para meu colo e os acariciei. —Edward, por que você acha que ele decidiu te apoiar como candidato? — Ela interrogou reflexiva.

—Porque ele gosta de mim e quer investir em mim, lógico. — Expliquei tranquilo.

—E você quer ser deputado?

—Se tiver possibilidade, sim. Seria bom para mim, bom para nós, bom para o nosso futuro. — Estendi a mão e toquei o seu rosto.

Percebi sua boca repuxar no canto numa careta de desgosto, parecendo frustrada pela resposta. Isso me desapontou. Estacionei o carro na garagem do subsolo do prédio e olhei-a impaciente.

—O que há, Bella? —Demandei. — Poxa, está difícil. Eu não consigo te entender. — Ataquei áspero. —Você parece não ficar feliz com minhas conquistas!

Ela deitou a cabeça de lado no banco, melancólica.

—Tem alguma coisa errada, eu sinto. — Sussurrou com olhos distantes.

—Errada é a sua falta de apoio! —Reclamei. — Tudo com relação ao que eu escolhi você argumenta! — Cruzei os braços revoltado com sua falta de fé em mim. —Eu sei que as coisas estão vindo fáceis demais, porém eu sei que eu me esforço para conseguir o que estou conseguindo. É uma conquista a mais, poxa! Mas você parece não acreditar que eu sou capaz! — Suspirei exasperado, apoiei minha cabeça na mão e encostei o antebraço na porta. Queria me abstrair dali pelos minutos seguintes. Era atordoante discutir com ela depois de tanto tempo em paz. Ela ficou calada, em silêncio opressivo e frio.

—O que você seria capaz de deixar para trás para alcançar a ponta do poder americano...? —Ela recitou amarga. —Pense nisso. — Repetiu as palavras do senador, distante e cáustica. —Só você não percebe, senhor embaixador. — Espetou secamente. Olhei-a alarmado com seu tom. —Ele está te amarrando, enrolando em você como uma jibóia. Só você quem não vê! —Destacou com dissabor. — Você poderia se esforçar o tanto que fosse, mas se não fosse o objeto de desejo da filha dele, ele não abraçaria sua causa. —Acentuou mordaz. — Se suas conquistas fossem somente por mérito e não tivesse como abalar nossa relação, eu não ficaria apreensiva. —Mudou o tom. Parecia vulnerável. — Eu ficaria feliz, Edward. Porque fui eu quem foi sacrificada enquanto você crescia. —Lembrou melancólica. — Mas só você não vê que ele está cortando a sua cabeça e entregando de bandeja para a filha dele! — Sentenciou e abraçou-se como se estivesse com frio.

Como se uma cortina fosse aberta diante de meus olhos, eu pude enxergar não com os olhos de um inocente sonhador, mas com olhos de uma peça estratégica num jogo. Só então examinei minuciosamente as palavras do senador e sua significação. Como pude ter sido tão infantil e não ter percebido sua sugestão? Se eu não tenho um nome político forte, ainda que ele me apoiasse, eu não poderia ganhar. E desde que ele desistiu do Ryan, ele precisa dar seu nome a alguém. Ninguém seria mais conveniente que eu, atual objeto de desejo de sua filha.

Fui tirado das minhas reflexões ao ouvir uma fungada trêmula.

—Amor, desculpe. — Trouxe-a para meu colo e abracei-a. —Eu não notei, confesso minha estupidez... Você sempre enxerga as coisas de um ângulo mais aguçado. Perdoe-me por ter dito essas coisas. Não é o que eu penso, pelo contrário, você tem acreditado em mim e me apoiado sempre... Desculpe. — Pedi humildemente, beijando bajulador pálpebra, bochecha.

Ela me abraçou, a cabeça em meu ombro. Ficamos ali algum tempo, em silêncio. Eu lamentei ser a causa de seu choro. Há anos ela não chorava por nada. Sua marca registrada era seu sorriso sempre alegre.

—Amor, desculpe.— Perguntei preocupado.

—É exagero meu. Estou ansiosa, um pouco nervosa. — Suspirou melancólica, levantou do meu colo e sentou-se em seu banco. —Vamos subir... Estou cansada. — Decidiu. Subimos em silêncio, como se tivesse baixado uma nuvem negra sobre nós.

O fim de semana se passou com Bella na maioria do tempo calada e distante. Eu tentei compensar minha culpa cobrindo-a de carinho, mas não adiantou. Ela não quis conversar muito, principalmente sobre planos pós casamento. Eu fiquei preocupado. Seria tão fácil se pudéssemos simplesmente viver como em contos de fadas. E viveram felizes para sempre. No entanto, a realidade poderia ser outra para nós.

Terça-feira, logo que cheguei ao Capitólio, procurei James para confrontá-lo sobre a transmissão. Ele se encontrava na sala da Ashley. Liguei na sala dela e pedi que ele viesse à minha.

—Fala chefinho. — Ironizou logo que apareceu na minha porta.

Decidi ir direto ao ponto para não ter que aguentá-lo por muito tempo.

—Você sabe se tem câmeras de vídeo na sala do senador?

—Não. Que eu saiba, não. — Balançou os ombros. Tinha um brilho cínico em seu olhar que não compreendi. Dispensei-o sem delongas. Por que alguém ali quis transmitir aquela conversa a Bella? Perguntei-me novamente. Bati na porta do senador e entrei, encontrando-o de costas, olhando os livros de seu acervo.

—Boa tarde, Edward. — Cumprimentou-me ao advertir minha presença.

—Boa tarde. O senhor tem um minuto?

—Sim. Sente-se. —Apontou a cadeira curioso.

Eu sentei tenso.

—Senador, por algum motivo a conversa de sexta-feira foi transmitida... —Comecei.

—Você pensou sobre ela? — Ele interrompeu-me e se inclinou interessado sobre a mesa, ignorando o que eu disse. —Pensou no que você seria capaz de fazer para alcançar o que almeja?

Observei-o desconfiado e resolvi deixá-lo expor livremente seus objetivos.

—O que exatamente eu teria que renunciar? — Questionei com um sorriso afetado, induzindo-o a crer que eu estava tentado.

Ele relaxou na cadeira com um sorriso e pegou o telefone.

—Ashley, você pode vir aqui?

Minutos seguintes, Ashley entrou sorridente em suas roupas extravagantes.

—Boa tarde, Edward— Cumprimentou com voz de sino.

—Boa tarde, Ashley. — Respondi ocultando a involuntária repugnância. Desde que ela se declarou apaixonada e disse que lutaria por mim, sentia o clima sombrio e embaraçoso.

—Senta, filha. — Ele apontou uma cadeira para ela ao meu lado. —Edward, eu vou fazer a minha proposta e deixá-los a sós para conversar. — Explicou com praticidade.

—Tudo bem. — Assenti e cruzei as pernas, tentando me mostrar a vontade.

—Bom, para você concorrer e ganhar as eleições na Califórnia, basta somente você ter um nome importante e um apoio forte... Eu posso te proporcionar os dois: meu nome e meu apoio.—Expôs tranquilo. Meu estômago se contorceu em negação. Travei o maxilar nervoso.

—E o que o senhor ganharia com isso? — Sorri secamente.

—Eu...? —Balançou a cabeça. — Nada. — Lançou um olhar furtivo à filha, que baixou o olhar, apreensiva.

—Então vou perguntar o que importa, o que eu teria que abdicar? — Descruzei as pernas e pus as duas mãos sobre a sua mesa, segurando o olhar nele.

—Bom, antes de falar abertamente, eu quero deixar bem claro que a sua decisão, independente de qual seja, não vai afetar o seu lado profissional aqui no...

Minha paciência se foi. Eu não suportei mais.

—Senador... — Interrompi-o controlando a voz. Sabia qual seria a proposta e não queria que a situação ficasse mais desconfortável. —A minha resposta é não. — Disse pausado e sério, então olhei firme nos olhos da Ashley. —Eu não quero o nome da sua família, porque para isso, eu teria que me comprometer com ela. —Levantei da cadeira. —E eu já sou comprometido. — Adicionei incisivo.

—Edward, posso falar com você? — Ashley perguntou insegura. Eu pausei incerto em ser desagradável com ela na frente de seu pai. Ele saiu propositalmente e nos deixou só. Cruzei os braços sem ocultar minha impaciência e inquietação.

—Edward, fazemos um acordo, você adia... —Implorou.

Antes que ela ao menos pensasse em concluir, levantei a palma da mão no ar, fazendo sinal para que ela parasse.

—Se o seu objetivo é falar sobre o meu casamento, é melhor você não abrir a boca. —Alertei-a ameaçador. Se mais palavras fossem ditas com objetivo de estragar minha vida, minha educação iria pelos ares. Ela desistiu. Eu a deixei na sala.

Sentei à minha mesa e comecei a trabalhar. Ela estava lotada de papéis. Como precisava me distrair, separei-os e assinei várias pilhas. Após um tempo, liguei na sala de James.

—James, por que tem esse tanto de papel para eu assinar de novo? — Questionei irritado.

—São os papéis de sempre. Doações do gabinete para o partido, doações recebidas para as próximas campanhas. Leia, chefinho. — Disse zombeteiro.

Eu desliguei mais irritado com sua importunação com o apelido ofensivo. Depois de ler os primeiros processos, assinei o restante quase ausente, mergulhado em meus problemas. Estava perplexo com o que essa garota era capaz para conseguir o que queria. E só porque sou o inalcançável para ela. Uma riquinha mimada que quer o que não pode ter.

Por ainda não ter terminado meu curso oficialmente, não precisei devolver meu quarto na universidade. Só no fim do ano eu receberia meu diploma oficial, então devolveria e iria morar no apartamento funcional. Deitado em minha cama no dormitório para estudar para a especialização, meu telefone tocou.

—Oi, mãe.

Oi. Edward. Liguei pra falar que Dr. Charles disse que nenhum dos doadores são compatíveis. — Informou entre soluços.

—Então... — A única solução era revelar imediatamente aos restantes dos familiares.

Estou com medo de perdê-lo... Ele não vai me perdoar dessa vez. — Murmurou melancólica. Minha vontade era repreendê-la e chamá-la a comportar-se como adulta, não como uma adolescente apaixonada. Será que ela não via que quanto mais adiássemos, mais chances tínhamos de perder Jasper?

—Mãe, você tem que escolher a quem perder. —Ponderei. —Os dois estão em risco. — Ressaltei sério. Tinha que ser duro pela primeira vez em muito tempo. Ela respirou fundo.

—Eu já sei o que eu tenho que fazer. —Decidiu. Eu me preparei para crise.

Bella

Acordei com o som de mensagem no meu celular. Desde que faltavam três meses, Edward me acordava todos os dias com uma mensagem.

Mensagem- Edward 06:55 AM

Contagem regressiva... Dois meses para você ser minha de papel passado. Tenha um bom dia, minha ninfa.

Suspirei de saudade e fui para o banho me preparar para ir à Universidade. Era segunda-feira, e no fim de semana não tínhamos nos visto, pois viajei para o Texas com o Perrine para desfilar em uma exposição de noivas. Edward preferiu não ir, já que ele tinha alguns livros para ler.

Em sala de aula, um rapaz apareceu na porta procurando Isabella Cullen. Ergui a mão, e ele entrou com um buquê de copos de leite. Recebi envergonhada com os cochichos e o segurei no colo enquanto lia o cartão.

Oi.

Quando nos virmos, você me mata, se te fiz passar por embaraço. Risos.

Eu não resisti... Você geralmente não se envergonha por nada. Risos.

Vamos ao que interessa, estou ansioso demais... Puxa vida, DOIS MESES!

Queria te lembrar o quanto te amo, para que não me deixe no altar te esperando.

E não é um amor simples, que você possa desistir...

É intenso demais, complexo demais, profundo demais e 'demasiado demais'... Além de redundante demais. Risos.

O que me deixa satisfeito é que temos vida DEMAIS para desfrutar dele.

Diz que vai me matar, diz.

Matar de amor... Com gelo, vinho, roupa de diabinha. Ops! Enrubesci com o pensamento. Risos.

Beijos e boa aula, minha criança.

Edward. Anjinho.

Suspirei apaixonada. As garotas sorriram do meu semblante bobo e deslumbrado. Edward não poderia ser mais perfeito.

A aula passou devagar, eu estava ansiosa para chegar em casa e ficar conectada a ele. Como era segunda, esse era o nosso meio de comunicação. Quando cheguei ao estacionamento da universidade, Emmett já me esperava. Entrei e saímos.

—Bella, vou só te deixar lá e não vou nem entrar. Estamos meio atrasados para pegar a tela das sete, então não dá tempo de subir. — Emmett avisou.

—Tudo bem... Pelo jeito vão fazer um programinha a dois e nem cogitaram a ideia de me levar, ? — Resmunguei fingindo mágoa.

—Sai da minha aba! — Emmett arreliou. —Já basta ter vindo de mala e cuia morar comigo bem no ano que eu casei!

—Credo, Emmett. — Cruzei os braços e fiz bico.

Ainda sorrindo, ele estendeu a mão para trás e me beliscou no joelho, carinhosamente. Estacionou em frente ao prédio, e eu desci, ainda de bico dramático.

—Vem aqui dar um beijo. Eu adoro você aqui com a gente. — Ele declarou, abriu a sua porta e me abraçou, beijando o meu cabelo. Eu me despedi sorridente, entrei no elevador e apertei o nono andar. A porta do elevador se abriu, e eu desci, sentindo o cheiro delicioso de comida no nosso andar. Coloquei a chave na porta e girei, mas ela estava destrancada. Será que a funcionária se esqueceu de trancar?

Acendi a luz e ofeguei a deparar com a sala repleta de rosas brancas. Levei um susto inicialmente, mas logo vi uma mostra de homem de avental e sem camisa encostado ao balcão de mármore, de braços cruzados.

—Espera aí que eu vou entrar de novo, tô sonhando. —Dramatizei. —Hoje é segunda. Não tem como você vir na segunda. — Recuei devagar, fazendo menção de sair.

—Tem como a minha futura esposa vir me dar um beijo que eu estou morrendo de saudade? — Exigiu carente.

Contente, joguei minha bolsa em cima do sofá e andei rápido em sua direção, lançando imediatamente os meus braços em seu pescoço.

—Você veio! — Distribui beijinhos carinhosos em seu rosto.

—Não aguentei esperar até quarta. Queria te ver hoje. — Ele beijou o meu cabelo, testa, as mãos em minha cintura, apertando a ele.

—Que cheiro bom de comida é esse? — Soltei de seu abraço e direcionei faminta à cozinha.

Ele me puxou pela cintura e me fez sentar em uma banqueta.

—Tem como a senhorita esperar? Ainda estou fazendo. — Repreendeu e voltou a me beijar.

—O que vamos ter?

—Eu fiz uma massa pesada e gordurosa. — Explicou solene.

—E fez salada para a sua noiva? — Exigi saber. Tinha que evitar engordar.

—Fiz... —Assentiu. — Salada de frutas com muito leite condensado, chocolate e chantily. — Adicionou provocador. Eu abri a boca pasmada com sua falta de cooperação.

—Tudo bem, se você quer uma noiva gorda. — Balancei os ombros conformada.

—Já disse que pra mim está boa... Mas como sou um homem que faz as vontades de sua futura senhora, temos no menu bife grelhado, batatas gratinadas e salada. Feliz? — Arqueou a sobrancelha.

—Sim. MUITO. Eu não esperava te ver hoje. Adorei as flores e o recadinho. Eu também te amo, não vejo a hora de acordar todos os dias com você! — Declarei efusiva, enlacei as minhas pernas em seu quadril e o abracei. O momento foi doce e acolhedor.

—Como foi o desfile? —Afastou-se e tocou meu rosto bronzeado.

—Calorento e cansativo. O Texas é muito quente. — Resmunguei contrariada.

—Faltam quantos?

—Só o de Washington. O Perrine disse para deixar o de lá para quando estivesse perto do casamento... Vai dar mais marketing. — Imitei o jeito de falar do Perrine. Edward sorriu, o temporizador avisou estar pronto e nos sentamos para jantar. Iríamos contar nos dedos o dia de nosso tão esperado casamento.

Duas semanas depois, enquanto eu descansava da rotina cansativa, deitei na minha cama e analisei o andamento de nosso investimento. Nosso, porque tinha dinheiro meu, do Edward e do Jasper aplicado. Os jogos do Jasper tinham lhe rendido cerca de quinze mil mensais e a cada mês que passou, ele adquiriu novos assinantes em seus aplicativos. Em pouco tempo ele teria uma pequena fortuna.

Depois de estudar os investimentos, resolvi checar os meus e-mails até que Edward entrasse. Surpreendentemente, tinha um e-mail do Edward. Eu cliquei nele, esperando que abrisse. Achei estranho, geralmente ele não me mandava e-mails, a não ser piadas hilárias de políticos.

Um vídeo apareceu. Deixei carregando e fui preparar um lanche. Quando voltei, já tinha carregado. Dei play. Uma sala moderna foi projetada no vídeo, com uma moça morena sentada em uma mesa... Franzi o cenho curiosa. Edward apareceu no vídeo entrando na sala, cumprimentou a moça, pegou uma maleta e saiu... A cena se repetiu cerca de dez vezes, então ele entrou uma última vez em outra sala, pegou pilhas de dinheiro, colocou na pasta do notebook e saiu olhando desconfiado para os lados.

Dei play novamente para raciocinar o motivo de ele ter me mandado o vídeo e anotei mentalmente perguntar quando ele ficasse on.

Apareceu uma caixa no canto da tela indicando uma nova mensagem. Cliquei na caixa de entrada e abri o e-mail. O remetente era A.E.

Oi.

Surpresa?

Vou direto ao ponto. Deu para perceber que o seu noivo está enrolado, né?

Só existe uma chance de salvá-lo...Explicarei...

Ele está envolvido em uma rede de corrupção em que recebe propinas e busca pessoalmente esse dinheiro. Além disso, está desviando verbas destinadas ao partido político que é filiado, traindo o partido. Existem fitas gravadas que o incriminam, papéis assinados, testemunhas, arquivos no computador dele, enfim, conteúdos que embasariam um processo, com provas tão convincentes que se ele chegasse a juízo, além de extinguir de vez toda a sua carreira pública, ainda o levaria para a cadeia por no mínimo dez anos.

Bom, o que quero com isso?- É o que você deve estar se perguntando.

Quero o mesmo que você... A felicidade dele... Mas assim como você, eu o quero feliz ao meu lado.

Faça a sua escolha, pois eu já fiz a minha.

Ele só será feliz se for comigo.

Ashley Evans.

Obs: Adorei as fotos que fizeram no gabinete. Você precisa emagrecer só um pouco rsrssr.

Em poucos dias, espero, vou mandar as minhas que pretendo fazer ali também, naquela mesa, com o mesmo fotógrafo.

Até mais.

Trêmula, fechei o e-mail e tentei controlar o pânico, repetindo e digerindo aos poucos suas palavras e intenções. Um tremor brotou em minha espinha e o medo lançou suas garras em meu peito. Não acreditei que ela iria tão longe. Ela conseguiu atar as minhas mãos.

Chantagem...

Deus, o que fazer agora?

Sem notar que o tempo passou enquanto eu estava perdida, apareceu a chamada do Edward para a conversa de vídeo no Skype, suspirei, controlando o abalo e aceitei a conversa.

Continua...

Obrigada por ler.

Bia Braz