Capítulo - Possibilidade
Edward
Horas depois de deixar o estado de Washington, meu avião pousava no Condado de Airlington. Por estar sem bagagem, resolvi ir a pé a Universidade para tomar meu tempo e pensar. Olhei para o céu azul, desolado. Ainda que o sol brilhasse, ele não era capaz de aquecer o frio dentro de mim.
Durante a caminhada, tentei desfiar tudo com imparcialidade e entender o que aconteceu, mas foi inútil. Não cheguei a um ponto. Entrei em meu quarto frustrado e, em movimentos automáticos, despi-me, tomei banho rápido, coloquei uma bermuda e me joguei de bruços na cama, deixando mais uma vez as emoções fluírem. A sensação de incapacidade, a descrença, a aflição e falta de forças em ao menos descobrir o que aconteceu me deixavam impotente. Essa experiência me trazia uma percepção do que eu teria que enfrentar com sua ausência. Obviamente a dor em meu peito, rejeição e solidão seriam minhas companheiras. A única esperança e que futuramente tudo se tornasse mais fácil.
No decorrer dos dias, torci que não fosse real, torci pra que essa dor absurda parasse de doer. Mas quando abria os olhos deparava-me com a realidade do fim, principalmente hoje, quinta-feira, o dia que eu deveria estar acordando com ela... A mágoa, tristeza e desapontamento alargavam-se em meu peito. E estar no escuro aumentava o ressentimento.
Direcionei ao parque National Mall para correr e me distrair dos questionamentos e revolta que não calavam. Depois de um alongamento, iniciei a corrida fustigado pelo vento frio no rosto, frio como minha vida, meu coração. Não era sensato forçar uma situação e ligar para ela, convenci-me. Ela devia ter seu tempo para pensar, embora pensar não parecesse ser o que ela precisava... Ela estava decidida.
E o que eu faria se não houvesse volta?
Por minutos de corrida, tentei não pensar em respostas, mas a realidade incitava-me a formular opções de vida sem ela, opções estas que em todo o momento meu coração rejeitava. E se ela não retrocedesse? De novo me perguntei. A resposta surgiu do fundo das minhas defesas. Eu evitaria ir ao estado de Washington para evitá-la, então quando fizesse vinte e cinco anos entraria no processo seletivo para diplomata e mudaria de país. Quem sabe com continentes nos separando eu conseguiria esquecê-la.
Meu coração rejeitou energicamente a ideia, fazendo com que meus músculos do estômago se contraíssem de dor. Sentei num banco de cimento e me dobrei, com uma nova lágrima doendo no coração. Droga! Eu não iria conseguir emergir da tristeza. Essa lágrima doeria para sempre. Embora a dor seria um sinal de que nós dois existimos, de que nossa história foi real.
Mais tarde, entrei no corredor do Capitólio distraído, respondi aos cumprimentos de alguns parlamentares, apático, e encontrei Ashley a poucos metros do gabinete do senador. Após cumprimentar-me, ela acompanhou-me no restante do trajeto.
—Edward, você está com algum problema? —Forçou, invadindo meu espaço. — Estou te achando meio abatido esses dias.
—Estou bem. — Rejeitei a atenção secamente e segui até minha sala. Ela sentou em frente à minha cadeira. Soltei o ar impaciente. —Pois não? — Arqueei a sobrancelha cético com sua insistência.
—Quero conversar. — Avisou decidida e cruzou as pernas sem intenção de sair.
—Não estou com tempo. — Rechacei sem reservas e liguei o computador, ignorando-a.
—Por que você não pegou carona no avião do meu pai para a Califórnia ontem? —Insistiu. — Eu esperei que você fosse para falar com você. — Explicou desajeitada.
Eu suspirei e olhei-a mal-humorado, os dedos tamborilando na mesa num claro aviso de indisposição e desinteresse.
—Edward, por favor, pare de me tratar como um irritante inseto por eu gostar de você. Eu não tenho culpa dos meus sentimentos. — Implorou humilde. Parte da minha irritação dissipou ao ler seu tom.
—Não são seus sentimentos por mim que me incomodam. —Esclareci neutro. —É sua falta de profissionalismo quando usa de minha relação com seu pai para promover absurdas propostas. — Defendi, ao tempo que acessava e visualizava as últimas fotos de Bella para revista de noivas tiradas no Texas.
—...Prometo que não irei mais entrar nesse tipo de assunto. —Ela estava dizendo, mas eu me distraí com a tela. — Esquece, por favor. Não quero que nosso clima como colegas de trabalho fique assim.
Seu tom chamou-me atenção e observei-a, inspecionando a honestidade em seu tom.
—Tudo bem. Esqueçamos aquilo. — Concedi, encerrando o assunto. Ela não saiu, como eu esperava que fizesse. Inclinou-se sobre a mesa e bisbilhotou as fotos que eu olhava na tela de LCD.
—Quando vocês casam? — Questionou curiosa.
As palavras fugiram da minha boca diante do impacto causado pela pergunta. Uma onda de tristeza repentina me envolveu e passei algumas fotos em silêncio, tentando me recompor do embate. Perguntei-me que resposta eu daria de hoje em diante quando essa pergunta fosse feita, se nem coragem de ligar para Carlisle eu tive desde que rompemos! Eu teria coragem de assumir, principalmente a essa garota, que não iria haver mais casamento? Não. Contudo não recorreria à mentira.
—Não temos mais data definida. — Respondi evasivamente, resposta que também me machucou.
—Por quê? — Abriu a boca confusa.
—Ela está... — Balbuciei incerto. Como definir o que eu não sabia explicar? —... Ela está pensando na data ainda. — Baixei o olhar desolado.
Ela reteve-se ao silêncio. Eu podia imaginar as suposições levantadas em sua mente.
—Ela... Está dando um tempo? — Supôs cautelosa.
Deixei os ombros caírem derrotados, fechei os olhos e esfreguei a fronte com os dedos, tentando acreditar que realmente era isso... Um tempo.
—Acho que sim. — Concordei, desprezando-me por ter baixado as defesas e ter deixado o assunto ir tão longe.
—Por isso você não foi ontem. — Ela concluiu. Repassei as fotos novamente como meio de me proteger e ignorá-la. —Eu não vou dizer que torço por vocês, pois seria hipocrisia... — Voltou a dizer ao levantar-se. Torci os lábios com clara hostilidade. Ela emendou. —Mas eu não gosto de te ver triste assim, então, espero que se resolvam. Boa tarde. — Deixou a sala. Eu respirei aliviado por poder voltar à rotina sem invasão de espaço.
Horas mais tarde, o senador se encontrava em sessão legislativa quando fui à sala de James pedir-lhe que fosse ao plenário assumir o lugar da Lian. Preparei-me para bater e parei ao ouvir o som do meu nome.
—Edward disse que estão com data indefinida. — Ashley disse.
—Você acha mesmo que é questão de data, Ashley? É lógico que a milionariazinha terminou com ele, e ele não teve coragem de falar. — James zombou.
—Ele está mal. — Ashley lamentou, parecendo sincera.
—Nada que um novo amor não resolva. — James sugeriu zombeteiro. —Eu não vejo o porquê de você se preocupar com isso. O que importa é que eles terminaram. Não era isso que você queria?
Antes que ela respondesse, surpreendi-os ao entrar na sala. Os dois pareceram desconcertados.
—James, a Lian já está assessorando há três horas no plenário e precisa sair. Tem como você descer? — Pedi educadamente, mas com determinação.
—Não pede mais licença não, chefinho? — Espetou, sentado sobre sua mesa.
Encarei-o impávido, ignorando a provocação.
—Você tem cinco minutos para apresentar-se no plenário. — Ordenei destemido e deixei a sala. Desde que assumi a chefia do gabinete, eu me eximi de tons imperativos para evitar atrito com James, por ele ter sido o antigo chefe de gabinete. Entretanto, ele não se enquadrou ao fato novo, sendo inconveniente e por vezes desacatando-me. Foi impossível não me impor.
Deixei o Capitólio sem ânimo em ir direto para o alojamento na universidade. Entrei na Mercedes que comprei de Bella e andei sem rumo pela cidade para evitar chegar ao quarto e cair na tentação de ligar o notebook e invadir o espaço de Bella implorando por atenção. Baixei a capota e mais uma vez a saudade me invadiu. No banco ao lado ficou restos de sua presença. Cada toque, cada sorriso, cada descoberta, cada beijo dentro deste carro... Suspirei saudoso.
Balançando a cabeça para evitar pensar nela, liguei o som. Na estante de sete CDs só tinham CDs seus, para piorar meu estado depressivo. 'São patrimônio do carro'. Ela argumentou sorridente quando impôs que eu ficasse com eles.
Melancólico, coloquei um cd da Pusycat Dolls. Foi impossível ouvir sem visualizá-la dançando no Réveillon... Passei para o próximo. Fergie. Fergalicious. Musica que ela dançava constantemente via web. Fechei os olhos e bati o punho no volante, revoltado por ela ter feito isso conosco. Tentei a próxima música. Lady gaga. Fui remetido à lembrança de Bella cantando alto paparazzi no carro, usando o controle como microfone. Deus, vou enlouquecer! Digitei no controle do volante impaciente, procurando algo que não me fizesse lembrar a ela. Parou em Beyonce, Halo. A memória foi mais torturante, porque foi a música que ela dançou com Mike no Réveillon de três anos atrás. Futuramente talvez ela dançasse agarrada a outra pessoa, pensei desamparado. Fechei o punho rejeitando a assertiva. Restou ouvir Chis Brown. E o som e a batida soaram como uma inevitável música romântica em minha cabeça, pois evocava Bella e nossos irmãos, que amam hip hop. Tudo em meu mundo me lembrava a ela. Eu não podia fugir.
Desiludido, desliguei o som e atendi ao telefone que vibrava impaciente em meu bolso.
—Fala, Ryan. — Pus no viva-voz.
—Edward, você está na Universidade?
—Não. Estou na rua. Por quê?
—Vem aqui em casa me passar umas manhas de Educação Social. Eu tenho que apresentar um trabalho amanhã e preciso de umas dicas.
Aceitei sem protelar. Quanto mais pudesse me distrair da solidão com uma companhia agradável, melhor.
Bella
Voltei da Universidade com Emmett e Rose na segunda-feira com os olhos perdidos na estrada. Não tive forças nem coragem de divulgar o ocorrido. Emmett e Rosalie suspeitavam que Edward se foi na madrugada de domingo por ter algum compromisso. Por algum motivo incompreensível ocultei a verdade.
Meus sentidos foram acometidos por um bem-vindo entorpecimento. Não queria pensar. Não queria falar do assunto ou responder especulações sobre o que aconteceu, ou quem terminou. Não queria ler a dúvida sobre meu amor. Não queria ouvir sobre instabilidade de nosso relacionamento ou acusações de falta de diálogo. Provavelmente em algum momento eu teria que mentir. E só quem passava pelo que eu passava, compreenderia.
Eu tinha aula de alemão esta noite e, após chegar ao apartamento, me arrumei rápido e desci para garagem. Desativei o alarme do carro e deparei-me com os óculos de sol de Edward no console do carro. A saudade, a impotência e uma dor inexplicável apertaram meu peito. Construiu-se atrás de minhas pálpebras a lembrança dele ao meu lado usando bermuda, camiseta e óculos de sol, sorrindo um sorriso gracioso. Foi inevitável o pesar, deitei minha cabeça no volante e deixei que a saudade encharcasse meus olhos. Minutos depois, suspirei, expulsando a dor, argumentei mentalmente que era o melhor para ele e consegui dar partida.
Mais tarde, aprontei-me para dormir, mas antes de deitar liguei o computador com o íntimo desejo de que ele estivesse on line. Queria saber como ele estava, mas não queria procurá-lo e dificultar mais ainda as coisas quando tudo seria mais difícil para ele por viver só...
Ele não estava on-line.
Uma semana se passou sem que nos falássemos. O fim de semana foi a parte mais difícil, porque sempre que eu ficava aqui na Califórnia ele vinha passar o fim de semana comigo. Não consegui evitar que a tristeza por sua falta me abatesse. Mesmo fingindo estar bem e em todo o tempo forçando um sorriso no rosto, Emmett e Rosalie perceberam meu distanciamento emocional. Tive que me evadir de perguntas de Emmett e de olhares desconfiados de Rosalie. Justifiquei a ausência de Edward por falta de tempo, no entanto, sabia que em pouco tempo teria que falar a verdade, ainda que sem um argumento convincente para justificar o término.
Após chegar do curso de alemão, como hábito liguei o Skype. Novamente ele não estava on-line. Podia ser que ele estivesse se adaptando, pensei desiludida. Contrariando meu pensamento, acessei minha caixa de entrada e tinha um e-mail dele. A reação automática do meu organismo foi secar a garganta, mãos suadas e um tambor no peito. Temia o que estaria escrito.
Mensagem Edward, terça 19h55
Bella.
Perdoe a minha falta de evolução antes que inicie a leitura deste. Dia após dia eu venho tentando seguir adiante, mas hoje tudo está insuportável... E eu precisava dividir essa fraqueza com aquela que sempre foi o meu porto.
Tento não ser um desajustado apaixonado, mas é inevitável quando há em mim um sentimento tão intenso. Queria muito expor o que sinto. Mas não se obrigue a responder ou ter pena de mim. Só quero dividir essa dor, se não eu enlouqueço.
O vazio é enorme. O frio é congelante. A sensação aguda de dor é incomensurável. A distância é insuportável.
Não entendo o rompimento do nosso compromisso, rompimento esse que até hoje não me vi com coragem de assumir ou anunciar... Eu disse que ligaria para seu pai, porém não tenho forças de conversar com ele.
Quando você me mandou embora da sua vida, você não me deixou somente sem você. Junto a você, eu perdi a vontade de lutar, de viver. Estou só sobrevivendo. Eu perdi o amor, perdi o abrigo, perdi o lar... Eu perdi a FAMÍLIA, Bella. Tudo se foi com você. Se analisarmos bem, não tem como ser a mesma coisa... Não tem como conviver com meus irmãos, com meu amigo Emmett, com Alice... Não tem como conviver com ninguém sem lembrar você... Você me tirou tudo...Você me tirou o seu pai, Bella.Não me vejo nem mesmo futuramente com forças para ir à casa dele sem lembrar nós dois, sem imaginar nós dois em 'nosso' quarto. Nem à casa de Forks posso ir mais. Não poderei ir ao shopping daqui de Washington D.C., ao aeroporto, ao parque, pois aonde eu for, você sempre perseguirá meus pensamentos. Não posso evitar e censuro-me por isso.
Você era tudo que eu tinha e, quando você me deixou, levou tudo com você, restando-me somente as lembranças e a dor de não te ter mais. Ela sim me acompanha todos os dias, vinte e quatro horas por dia, mostrando sucessivamente que você é real.
Não te julgo, pois sei que o amor de qualquer pessoa pode acabar. Faço esforços para conseguir relevar, mas sinto-me cada vez mais caindo em um abismo, como um viciado em crise de abstinência, louco para te ver.
Tenho consciência de que não conseguirei viver sem você, resta-me conformar com as doces e amargas memórias que invadem o meu ser, sem deixar morrer a esperança de que um dia ainda haja uma chance...
Amo você... Sempre.
Edward.
Lágrimas de furiosa impotência desciam de meus olhos. Cada linha me rasgava, e o pranto e desespero que reprimi por dias desceu copiosamente. Meu coração gritava para consolá-lo. A dor dele juntou-se à minha, e meu desejo era anular tudo que eu disse e trazê-lo de volta para minha vida para que eu pudesse cuidar dele. Baixei a cabeça e me entreguei a dor, tempo em que a memória dos e-mails diários me atormentaram e nutriram minha impotência.
Deus, o que eu podia responder para lhe trazer algum conforto?
Anjinho...
Você sempre terá um lar. Você sempre terá meu pai, sempre terá os meus e seus irmãos. Eles não deixarão de ser seus amigos. Você sempre terá a mim, que não sou só sua amiga... Estarei ligada eternamente a você por um amor que vai além de amor de amantes.
Um dia você disse que leu em um livro que existem pessoas que foram escritas para estar juntas, mas que há o tempo certo para isso... Eu creio. Há tempo para tudo. Estar só um tempo nos dá a chance de tomar decisões sensatas sem a influência um do outro... Somos tão jovens. Há tanto tempo ainda para viver!
Eu ainda estou aqui. Sou sua família. Foi isso que a vida nos preparou quando uniu nossas famílias. Estou aqui como sua irmã e amiga. Ainda posso ser o seu porto. Você pode confiar em mim. Eu quero te ouvir, ouvir suas conquistas. Cada degrau novo que você subir quero vibrar com você. Não sou mais sua noiva, mas isso não muda a nossa história e nem a ligação que temos.
Sobre informar a eles o rompimento, eu também não tive coragem de falar a ninguém, mas temos que nos apressar, pois o tempo está passando e o meu pai tem que cancelar os convites e a organização.
Fique bem. Continue buscando os seus sonhos. Estude. Monte estratégias para chegar lá, aonde você sempre sonhou. Eu acredito em você.
Eu te amo... Sempre.
Respirei fundo, fechei os olhos, em seguida enviei. Outro e-mail ocupava minha caixa. Era mais um dos e-mails diários de Ashley. Eu não aguentava mais essa tortura diária que ela fazia comigo. Abri revoltada.
Mensagem Ashley, terça, 18h40min
Olá.
Vim te dar informações sobre o seu ex- noivo. Ele está tão tristinho. Muito mais calado do que o normal. Mas não se preocupe, eu vou consolá-lo em poucos dias... Hoje eu quero te pedir um favorzinho: Faça-o tirar essa aliança. Quero-o livre.
Sua amiga, Ashley.
Depois de dias recebendo e-mails em silenciosa resignação, enchi-me de determinação e respondi o e-mail. Antes eu temia que minha reação pudesse prejudicá-lo, mas ela não o prejudicaria sabendo que o caminho estava livre.
Não é uma aliança que o prende a mim. Nossa ligação é além da física. Você não o quer? Conquiste-o e o faça tirar a aliança! Fiz o que você exigiu ao deixá-lo livre. Então seja mulher o suficiente e conquiste-o, algo que chantagem, dinheiro ou poder não vai conseguir fazer por você.
Pare de me incomodar. Esqueça que eu existo, igualmente faço com você, inseta!
Bella.
Enviei, confiando que depois dessa mensagem ela parasse de me importunar. No dia seguinte, acordei cedo e, como todos os dias fazia, olhei a tela do celular, esperando que tudo fosse um pesadelo e que ele ainda mandasse as mensagens matinais com a contagem regressiva para nosso casamento.
Não chegou, como há dias acontecia.
Desiludida, tirei o pijama e o dobrei, como um autômato. Antes que eu terminasse, meu telefone vibrou. Abri a mensagem com o coração acelerado.
Mensagem Edward - 06h55.
Você continua dizendo que me ama e me deixou... Eu não entendo isso.
Eu digitei uma resposta apressadamente.
É por te amar demais que te dou a chance de ser feliz.
Enviei e caminhei para o banho, desconsolada e melancólica. Tinha pensado que com o passar dos dias tudo diminuiria e a aceitação viria, porém cada dia que passava me sentia mais fraca, e a vontade de tê-lo nesse quarto, na minha vida, era maior que meu medo de vê-lo fracassado. Saí do banho com os ombros caídos. Ouvi o telefone vibrar.
Mensagem de Edward - 07h10
Não entendo esse tipo de amor.
Resolvi me calar. Quanto mais eu argumentasse, mais se estenderia e nenhuma resposta o convenceria. Terminei de me arrumar e saí do quarto para lanchar.
—Bom dia. Pensei que ia faltar hoje. — Emmett comentou enquanto preparava nosso lanche.
—E eu sou de faltar aula por um acaso? — Brinquei e sentei na banqueta, esperando que ele colocasse o lanche no balcão.
—Quando o caipira vem pra cá você gosta de faltar sim... Falando nele, ele vem hoje?
Engoli em seco, sabendo que eu não poderia fugir muito tempo da resposta real, mas adiaria por mais esta manhã.
—Acho que não. Ele está muito ocupado esses dias. — Menti fingindo tranquilidade.
—Ah. Hoje eu vou na empresa do meu pai aqui da Califórnia conversar com o administrador para que no próximo ano eu trabalhe no setor de informática. — Emmett comentou, abraçou Rosalie por trás e encheu seu pescoço de beijos. Ver os carinhos do casal, mais a semelhança de Rosalie e Edward nos olhos maçãs verdes e boca foi uma tortura.
Terminamos de lanchar e segui com Rosalie para universidade.
—Está gostando do carro? — Rosalie iniciou quando viramos a esquina do condomínio.
—Estou. Estava doida por um carro grande. Na verdade, quando o escolhi, estava pensando mais em seu irmão. Ele... — Interrompi antes que concluísse. Uma nova dor atravessou meu peito. Coloquei os óculos de sol para disfarçar a umidade repentina nos meus olhos. Rosalie observou-me esperando-me concluir. Eu desviei o olhar para rua.
—Bella... — Chamou-me. Eu balancei a cabeça em negativa, implorando que ela não insistisse. O silêncio invadiu o carro no restante do trajeto, tempo que uma teimosa lágrima desceu pelo canto dos meus olhos. Estacionei na Universidade e peguei minha bolsa.
—Espere, Bella. Quero falar com você... Ainda temos quinze minutos. — Ela pediu e segurou o meu braço. —Eu sei que você não está bem com meu irmão. Notei em sua reserva e fuga, sempre inventando algo para fazer. Você quer conversar? Se você não se abrir, não vai conseguir aguentar muito tempo. — Aconselhou maternalmente, a mão acariciando a minha.
Sem que eu conseguisse suportar, baixei o olhar e as lágrimas caíram. Eu queria ser mais forte, droga, mas estava doendo demais.
—Me conta, Bella. Vocês dois são muito importantes pra mim. Confie em mim. Eu sou praticamente sua irmã. —Insistiu preocupada.
—Eu não posso falar. — Expliquei entre soluços.
Ela me abraçou solidária. Eu aceitei o consolo.
—Tudo bem.—Aplaudiu minhas costas. —Se precisar de mim, eu estou aqui. Tenha paciência com o meu irmão. —Pediu.
—Não é ele, Rosalie. —Defendi e limpei meus olhos. — Seu irmão, hoje, é o namorado mais perfeito que alguém poderia ter.
Respirei fundo para me recompor. Ergui os ombros e me obriguei a enfrentar mais esse dia. Deus, ajude-me. Não pensei que essa dor iria me rasgar todos os dias... Em sala de aula, após me envolver nas tarefas, eu me distraí, mas torci que esse dia passasse. Por ser quarta-feira, era o pior dia para enfrentar, porque eu não tinha curso à noite e era um dia que Edward vinha me ver. Combinei com minhas colegas de classe July e Vick de irmos ao shopping para ocupar meu tempo. Passeamos, lanchamos, comprei uma sandália e deixei as meninas em casa. Estacionei o carro no nosso prédio e subi. Eu estava melhor. Mais um dia vencido.
Girei a chave devagar, esperando não fazer barulho por causa do horário. Onze horas. Abri a porta cautelosa e congelei meus passos, o ar suspenso nos pulmões com o que parecia ser uma alucinação.
Posicionado de frente à porta, Edward, de terno, gravata afrouxada e postura relaxada, estava encostado à parede com semblante expectativo enquanto conversava com Emmett e Rosalie, que jaziam preguiçosos deitados no sofá, assistindo TV.
Seus olhos verdes e expressivos encararam-me ansiosos e incertos. Minha pulsação correu de alegria e dúvida. Nenhuma lembrança fazia jus à sua beleza. Ele parecia mais lindo do que o normal, com os cabelos desgrenhados. Talvez por causa da saudade dos meus olhos.
A conversa na sala parou. Emmett olhou-me divertido.
—Que foi, Bella? Viu um fantasma pra ficar congelada aí? — Ele sorriu inocente com minha reação. —É só seu noivorido.
Pus minha bolsa e sacolas de compras no sofá em câmera lenta, o olhar em Edward prudentemente, tomando meu tempo para decidir como reagir. A atitude correta a tomar em frente à Emmett seria agir como namorada para não expor Edward, ponderei.
Sob esse pretexto, acelerei o passo em direção a Edward e parei em sua frente.
—Olá... — Sorri receptiva. —Chegou faz tempo? — Tentei soar tranquila, mesmo com as emoções que duelavam em meu peito. Saudade, medo e alegria.
Ele ergueu uma sobrancelha também incerto sobre que atitude ter.
—Sim. — Assentiu baixo e tímido.
Dei um passo à frente feliz como uma criança que recebeu um presente surpresa. Estendi os braços e o abracei forte na cintura, a cabeça apoiada em seu peito. Seu coração batia forte. Deus, ele era tudo para mim. A felicidade de vê-lo era maior que o temor e ameaça. Nada me impediria de dizer com o abraço o quanto o amava. Ele suspirou aliviado, passou os braços em volta de meus ombros, fechando-me com seu corpo, e beijou o meu cabelo.
O tempo pareceu parar, o mundo pareceu tomar a órbita certa. Eu queria chorar por nós. Queria sorrir. Estremeci de regozijo e decidi só sentir a paz momentânea, abraçada a ele em terno e acolhedor silêncio.
—Boa noite, crianças. Tenho que dormir porque amanhã acordo cedo. — Rosalie avisou ao levantar do sofá, levando Emmett. Ela passou por nós e deu um sorriso cúmplice a Edward.
—Boa noite. — Respondemos juntos.
Eu puxei Edward para meu quarto. Ele sentou no sofá de canto deslocado e tenso. Em silêncio, sentei na cama e desabotoei minha sandália.
—Por que não tomou banho ainda? — Eu perguntei casualmente ao tirar a blusa.
—Eu quis conversar um pouco com Emmett... — Explicou sem jeito. —Também não quis entrar aqui sem você estar aqui. —Justificou.
—Ah. — Assenti compreensiva. Tirei a calça, ficando de calcinha e sutiã, de modo habitual.
Ele avaliou-me sem disfarçar. Seu olhar intensificou, e o peito subiu e desceu em um longo suspiro. O ar no quarto encheu-se de tensão. Abri a boca em antecipação, enrolei-me em uma toalha e entrei foragida para o banho.
Consegui arejar o cérebro após estar sob a ducha. Eu não sabia o que fazer, não sabia o que dizer. Eu não podia entender por que ele veio. Não era certo. Entretanto eu não queria nem podia expulsá-lo para o outro quarto. Vesti o conjunto de baby dool ainda no banheiro. Encontrei-o na porta com sua toalha na mão, pronto para entrar.
Sentei na nossa super king e liguei a TV, estralando os dedos, nervosa, enquanto ele tomava banho. Ele saiu com a toalha enrolada na cintura comodamente. Meus olhos o exploraram ávidos sem que eu controlasse. Braços naturalmente fortes, peitoral bonito sem artificialidade, abdômen magro, quadril... Ele flagrou-me espiando. Mordi os lábios e minha respiração acelerou ao registrar o vulto crescer sob a toalha. A visão tentadora encheu meus sentidos. Encontrei seus olhos. Ele me encarou com olhar quente. Esfreguei as pernas inconscientemente, algo em meu interior se esticando e contraindo.
Soltei o ar e balancei a cabeça para voltar a pensar com clareza, não com a fome que sempre tive dele. Desviei os olhos para a TV, tentando expulsar a visão e memória tátil que despertaram meu corpo.
—Por que veio? — A pergunta saiu como acusação.
—Porque hoje minha irmã me ligou convidando. — Explicou tranquilo e foi ao seu armário. Digo, o meu armário com roupas dele, onde vestiu short curto de seda.
—A Rosalie?! — Ofeguei admirada.
—Sim... Além disso, você ontem disse que eu continuo tendo um lar. — Justificou e aproximou-se, os olhos fixos em minhas pernas expostas pelo short, com o olhar íntimo e conhecedor de quem vivia comigo há mais de um ano praticamente como casados.
—Edward, não complica. — Pedi indefesa. Ele se ajoelhou na cama com postura decidida, inclinou-se sobre mim e tocou o meu rosto com os dedos, acariciando do queixo a orelha. Fechei os olhos e por um segundo esqueci o porquê de ter terminado com ele, o porquê de estar rejeitando-o, quando o que mais queria era me esticar na cama e acolhê-lo.
—É recíproco, Bella. — Encostou a boca aberta em meu queixo. —Eu também sinto o que você sente. —Lambeu e mordiscou perto da minha boca. Sem forças para resistir, saudade e paixão inflamaram meu corpo, aprisionando meus sentidos e discernimento. Um estremecimento me percorreu e todos meus pêlos se arrepiaram. Ele sorriu presunçoso. Permaneci sentada na beira da cama, imóvel. Ele inseriu os dedos em meu cabelo e seguiu com beijos para minha orelha. —Eu vou lutar de volta por você. — Prometeu e insinuou a língua em minha orelha, quase sem encostar, só deixando sua respiração me aquecer e me tentar.
Eu tremi novamente. Meu cérebro se entorpeceu numa névoa larga de desejo.
—Edward, não. — Neguei ofegante e arqueei o corpo quando sua boca mordiscou meu pescoço.
—Shiu. — Pressionou o dedo no meu lábio para me impedir de protestar. —Eu conheço você. Sei o que quer. Somos vulneráveis um ao outro... Está tremendo? — Tocou minha barriga, que agitava ofegante e beijou a divisa do meu pescoço, a boca aberta chupando. Meu corpo sacudiu num tremor mais forte. Crise de abstinência.
—Edward, não faz isso... — Supliquei com voz fraca.
Cheio de audácia e segurança, ele inseriu a mão sob a blusa e apertou os dedos na cintura.
—É isso que quer, Bella? — Ele me deitou cuidadosamente, olhando em meus olhos, uma mão em minha cintura outra em minha nuca. —Quer que eu pare? — Ponderou, o olhar intenso me hipnotizando. —Diz que não me quer. Convença-me que não sente nada, então eu paro... — Entreabriu minhas pernas com o joelho e salpicou beijos na garganta.
Um tambor agitava meu peito. Minhas mãos adormeceram com a força usada para mantê-las fechadas e resistir ao desejo intenso de tocá-lo, de deslizar as mãos em seu peito.
Engoli ar ao descer o olhar por seu abdômen e notar seu membro marcar o short de seda. Rememorei seu gosto em minha língua e lutei contra a fome que agitava meu interior.
—Você tem algumas opções... — Sugeriu sedutoramente, a ponta da língua pincelando meu ombro protegido somente pela alça do baby dool. —Eu posso fazer essa noite durar para sempre para nós. — Expôs com voz macia e cálida. O efeito foi devastador. O bico do meu seio arrepiado apontou sob o algodão. Ele notou e continuou me atormentando. —... Ou posso nos dar somente uma noite e me esquecer dela ao amanhecer.
Cobriu meu corpo com o dele, encaixando-se entre minhas pernas semi-abertas, sua respiração traindo-o.
—Posso refazer todo o compromisso e promessas que eu já fiz... — Acariciou minha barriga, estômago. Eu fechei os olhos rendida à parte do meu corpo que pedia que ele continuasse, justo a parte fraca, insensata. Ele me encarou expectativo, os olhos exalando desejo. Eu fixei o olhar ávido em seus lábios úmidos. —... A decisão é sua. Eu sei que você quer. — Sussurrou tentadoramente, passou a ponta da língua em meu lábio inferior e desceu a boca quente para meu queixo, onde mordeu e me fez arquear.
Todos os órgãos do meu corpo trabalhavam por si só, em intenso labor preliminar para o ato sexual. Transformei-me em arrepios, pulsações, ofegos e umidade. Rolei os olhos na órbita ao ouvi-lo gemer quando roçou circularmente sua excitação entre minhas pernas. Um tremor percorreu a minha espinha, ele firmou a mão em meu quadril e apertou-me possessivamente, aumentando minha excitação com a fricção.
—... Quer uma noite apenas, Bella? — Sugeriu roucamente, a voz entrecortada.
Notei um ar orgulhoso e triunfante em seu tom, como se quebrar minha resistência à sedução alimentasse sua masculinidade. Sua boca encostou-se à minha sem de fato me beijar, despertando a memória do sabor embaixo da língua. O menor sinal meu o estimularia a ir adiante. E meu desejo era encarcerar seu corpo com meus braços e o beijar ansiosamente. Mas outra parte mais resistente mantinha meus braços flácidos ao lado do meu corpo, justo a parte que me tirava as forças de lutar por ele.
Ele me seduziu insistente, me tentou, respirou em minha boca, lambeu lascivamente numa alusão ao sexo oral que me enlouquecia e fazia meu ventre pulsar. Não resisti mais. Como se repentinamente fosse liberta do confinamento, segurei sua nuca e ataquei sua língua, sugando-a ferozmente. Grunhindo, prendi-a entre meus dentes, puxei seu cabelo e, num gesto desesperado e ansioso, enlacei minhas pernas em sua cintura.
Ele ficou fora de si. Em movimentos apressados, suas mãos movimentaram para desfazer minha blusa. Sem ver, ouvir ou pensar, eu me ergui e a blusa passou por minha cabeça. Ele cobriu meus lábios com beijos molhados, longos, nada gentis, gemendo em minha boca, enquanto as mãos apertavam meus seios com inquietação.
Apertei suas nádegas ao meu encontro, desejando mais. Uma tontura me fez gemer alto. Tê-lo me amassando, apalpando o bico do seio, friccionado em minha intimidade levou-me a beira do abismo. Eu desejei que não houvesse roupas nos separando.
Mais cedo do que eu necessitava, ele parou os movimentos como se tivesse acabado de cair em si e me olhou por segundos, inexpressivo. Abri bem os olhos num protesto mudo. Meu tórax se erguia com o volume de ar que buscava para os meus pulmões. Ele abriu a boca chocado, olhou com pesar para os meus seios e os cobriu com a blusa. Fechou os olhos por segundos intermináveis, parecendo buscar controle. Deitou de costas ao meu lado e me puxou para cima dele, minha cabeça em seu peito.
—Perdoe-me... Fui longe demais. Eu queria só ficar perto de você. — Justificou ainda ofegante. Afagou a minha nuca e beijou o meu cabelo. Seu corpo sinalizava excitação, registrei ao tê-lo duro e pulsante em minha barriga. Esperei o meu próprio corpo se acalmar. —Eu não queria te passar essa impressão. — Explicou após uns minutos. —Eu não resisti ao ler o familiar convite em seus olhos quando saí do banheiro. Foi mais uma intimação que um convite. — Ele descontraiu. —Mas realmente não vim aqui para ter sexo e ir embora sem respostas. —Adicionou mais sério. —Eu pensei hoje o dia todo no que você escreveu. Sei que está acontecendo algo, mas não imagino o que é. Está confuso tentar te entender. Por outro lado, eu cansei de chorar no escuro, cansei de me dar desculpas, cansei de me culpar... Não vou deixar que meus medos e complexos me impeçam de lutar por você... Sei que você ainda gosta de mim, isso está claro. Então, mesmo que você tenha desistido de mim, eu não vou desistir de você. Vou lutar de volta por você. —Declarou determinado. —E ter vindo aqui hoje é o primeiro sinal de reação minha. Não vou ficar na inércia esperando nossa história evaporar. Nem que você me mande dormir no outro quarto, nem que você não fale comigo, eu vou ficar perto de você, até essa sua fase passar e você voltar a ser o que era... E eu prometo que até lá não vou te atacar novamente. —Enfatizou destemido.
Suspirei temerosa e fechei os olhos.
—Você está tornando tudo mais difícil. — Você não entende que ficando comigo você perde tudo! Eu queria gritar isso, mas calei-me em impotente resignação.
Ele me deitou novamente de costas na cama e vestiu-me com a blusa como se eu fosse uma criança sob seus cuidados.
—Dorme. Está tarde. — Incentivou-me, ignorando o que eu falei. Deitou-se de lado atrás de mim, o rosto em meu cabelo, posicionou a mão sobre minha barriga e meia perna sobre mim, como de costume.
Ele suspirou e ficou movendo a ponta dos dedos em minha barriga. Eu permaneci imóvel, só sentindo a sua respiração no meu pescoço tranqüilizar-se aos poucos. Senti o torpor do sono substituir a euforia em meu corpo, virei o rosto e observei-o. Ele tinha os olhos fechados, parecia em paz e satisfeito. Por mim, aqui seria seu lugar de paz, ao meu lado.
Ele segurou meu queixo e angulou meu rosto, em seguida plantou selinhos.
—Eu te amo. —Declarou. —Eu me conformo somente em dormir com minha irmãzinha. — Zombou brincalhão.
Eu sorri. Ainda que houvesse a dúvida, estar com ele me acalentava. Por hoje eu não precisava chorar.
—Boa noite, Bella. — Desejou cheirando meu cabelo. —E não me olhe mais daquele jeito de novo. —Alertou. —Se não, eu posso não me controlar como hoje. — Gracejou dramático e posicionou-me novamente de costas para ele, em posição conchinha.
Eu senti momentânea paz, entrelacei nossos dedos e beijei o dorso a sua mão, grata por sua presença.
Amanhã será um novo dia, pensei. Amanhã eu conseguiria uma nova estratégia para fazê-lo seguir seus sonhos sem que nada o impedisse de alcançar. Minha primeira atitude seria reagir para não perder mais uma semana nessa apatia. No dia seguinte ligaria para Ryan e lhe pediria ajuda para se infiltrar no gabinete e descobrir algo. Depois iria conversar com Brandon. Como a família dele passou por um processo de escândalo recentemente, ele poderia me dar alguma orientação no caso do escândalo estourar. Por fim, conversaria com meu pai. Ele, além de ter bons contatos, poderia me orientar... Isso me ajudaria a ganhar tempo e a não perder as esperanças completamente.
Por que não falar para Edward?
Porque ele iria desistir por pressão, por falta de opção. E eu não quero assim. Quero que ele tenha a chance de decidir. Com estratégia, em breve ele estará novamente livre para escolher que futuro quer.
Reunidas as estratégias, pude respirar fundo e me tranqüilizar. Fechei os olhos esperançosa e aconcheguei mais meu corpo ao dele. Ele já dormia, pude sentir. Virei frente a ele, não resisti e delineei seus traços com o indicador. Sobrancelha, cílios longos, nariz bem feito, boca firme e convidativa. Tomei meu tempo desenhando sua boca. Era difícil acreditar que ele estivesse ali de novo. Apóie-me no braço e lhe dei um selinho.
—Anjinho, eu te amo... Eu disse que não ia desistir de você e não vou. — Prometi em seus lábios e voltei a deitar, invadida por uma sensação de completude e acalento. Eu não podia deixar a esperança morrer.
Continua.
Muito obrigada por ler e por mandar reviews. Grande beijo
