Capítulo – Triângulo
Carlisle
A verdade não poderia mais ficar oculta. Por anos, este segredo foi meu calcanhar de Aquiles, obrigando-me a ceder à chantagem de Renée. Ela ameaçava levar a criança, caso eu não cooperasse com os seus caprichos. Uma criança que eu jurava ser minha.
Os negócios da família tinham se expandido ao adquirirmos ações num jornal em decadência na Califórnia. Depois de me formar, tentei conciliar o tempo entre o jornal e três crianças em casa, priorizando sacramente jantares e domingos em casa. Redigia, editorava, entrevistava.
Esme, minha paixão platônica e proibida, voltou para Forks deixando o rastro de Phil, que alegando tentar a reconciliação com ela, frequentava regularmente o apartamento que ela morava com Rennee. Hoje compreendo o motivo da ausência de Esme. A gestação do Jasper.
Durante o tempo separado de Renée, num momento de fraqueza, fomos para cama. O suposto resultado foi a gravidez de Alice. Rennee ameaçou tirar a criança, caso eu não quisesse. O primeiro impacto foi choque, depois aceitação e amor. Eu não a permitiria tirar uma criança.
Alice nasceu diferente. Seus irmãos tinham olhos leoninos, âmbar e cabelos louros. Alice tinha cabelos escuros e olhos verdes. Não desconfiei, na ocasião. Amava minha pequena caçula. Dois anos se passaram. Mesmo Renée morando no mesmo estado que nós, ela pouco visitava as crianças. Certo dia, recebeu uma proposta para uma companhia de dança de atuação internacional. Foi aí que veio a revelação.
—Carlisle, eu vou levar Alice comigo. — comunicou tranquila. Fechei as mãos em punho. Eu não deixaria minha filha morar com uma mãe irresponsável que mal tinha tempo de alimentar a si, muito menos a uma criança de dois anos de idade.
—Alice não vai. — retruquei relaxado. A Justiça ficaria ao meu lado, depois de criar só por dois anos.
—Ela vai sim. — garantiu. —Eu sou a mãe dela!
—E eu sou o pai! — rebati inalterável.
Ela riu secamente. —Eu tenho direitos sobre ela!
—Então vamos resolver isso na justiça. — minimizei a importância com um dar de ombros.
—Tente. — sorriu zombeteira.
—Eu entro e tenho certeza de ganhar. — disse incisivo, o tom mais alto. —Qual o juiz em sã consciência que irá dar a guarda para uma mãe que não tem nem residência fixa? — destaquei.
—Qual o juiz em sã consciência que deixará de dar a guarda à mãe e ao pai, para dar a alguém que não tem ligação sanguínea nenhuma com a criança? — salientou mordaz. Eu enrijeci em choque. Encostei-me a um móvel, tonto, e desfiei minuciosamente suas palavras. A suspeita cresceu. Os olhos, a presença de Phil.
Travei o maxilar cheio de ódio. Ódio pela intromissão de Phil e Rennée no passado. Ódio pelas perseguições antigas que resultaram na minha separação de Esme. Agora mais ódio por sua intenção de me separar de Alice, a filha que eu amava como aos outros
—O que você quer para deixá-la comigo? —propus transtornado. — Eu sei que você tem um preço. Se você não precisa, ele precisa. Fala quanto você quer?
Ela gargalhou inescrupulosa. E assim, foram anos aguentando extorsões. O intuito era esperar que quando Alice chegasse à maioridade eu lhe revelasse sua paternidade. Esperava que ela escolhesse a mim.
Sentamos num sofá na recepção do hospital na Alemanha e recorri à honestidade. Narrei parte da história da minha recaída e deixei que Alice pensasse.
—... Sua mãe tinha um relacionamento com esse rapaz que está no hospital desde que éramos adolescentes... Inclusive, quando eu me separei dela, ela voltou a vê-lo... — expus e esperei que ela associasse as informações. —Quando ela ficou grávida de você, eles estavam juntos. —adicionei cauteloso.
Um lampejo de compreensão se passou pelo seu rosto. Ela abriu a boca.
—A-Aquele homem namora a minha mãe desde que eu... nasci? — balbuciou incerta.
—Na verdade, desde antes. — esclareci neutro.
Ela suspirou e olhou para o chão. Lágrimas desceram do seu rosto.
—E-Então ele pode ser o m-meu p-pai? — choramingou incrédula. Eu a abracei forte, inseguro.
—Ele não pode ser seu pai, pois ele não viu seus primeiros passos, não foi a ele que você chamou de pai pela primeira vez, ele não viu você crescer, não te abraçou e te fez dormir quando você chorava... — enumerei e ergui seu queixo. —... Não foi ele quem te amou a vida toda como um presente de Deus.
Ela suspirou. O entendimento e maturidade nadavam em seus olhos. Eu senti como se tirassem um peso de minhas costas.
—O senhor sempre soube disso?
—Mais ou menos... — Decidi ser o mais sincero possível. —Desde que você tinha dois anos de idade.
Ela suspirou e olhou para cima. —Então minha mãe mentiu para o senhor.
—Eu te amei desde que soube de sua existência. —assegurei, para abrandá-la. Ela permaneceu uns segundos em silêncio. Eu lhe dei tempo e encostei minha nuca no encosto do sofá, exausto. Rennée se foi, e o maior lamento que eu tinha era por ela sempre ter sido uma mãe egoísta e ausente.
—Pai... — Alice chamou-me, olhando-me com ternura. Meu coração encheu-se de alegria. —...Você é o único pai que eu tenho... Nada mudou pra mim, exceto por uma coisa... — Ela sorriu largamente e me abraçou. —O Jasper não é meu irmão sanguíneo! — declarou alegre. Respirei aliviado por ter sido aceito. —Se eu tivesse que escolher um pai dez vezes, dez vezes eu escolheria você.
Devolvi o abraço, aliviado e contente por sua resolução rápida de pensamento. Ficamos abraçados um tempo, depois ela me afastou e olhou-me como se tivesse acabado de ter um insight.
—Ele é pai do Edward, não é? — Ela afirmou, surpresa. —Muito estranho essa interligação de famílias.
Eu ri com o comentário. —É simples. Sua mãe cismou comigo quando éramos jovens só por questões financeiras. Depois de terem armado para me separar de Esme, eles perceberam anos mais tarde que queriam ficar juntos. Saíram do país para esconder a ligação. — expliquei.
—É... E estão terminando os dias juntos. — comentou reflexiva, depois sorriu mais animada. —Pai, me empresta o seu telefone para eu ligar para o Jazz?
Bella
O poder sem amor é imprudente e abusivo.
Martin Luther King Jr.
A dor pelo acontecimento trágico era acalentada por sua presença tranquila e doce. Estar em seus braços novamente era como estar numa nuvem segura. Desde que acordei do acidente, decidi tentar ser mais aberta, obviamente sem expor meu real anseio. A pergunta que fiz me direcionaria. Eu poderia decidir o que fazer. Torcia que ele decidisse pela vida simples em Seattle. Ser diretor na empresa de meu pai seria o caminho óbvio caso o escândalo viesse a público. Edward não teria mais lugar na política.
Ele sorriu inicialmente, incrédulo com a pergunta. Torci os lábios frustrada ao ler sua reação. Baixei o olhar temendo sua resposta. Se fosse negativa, eu perderia a esperança.
Seu sorriso morreu aos poucos. —É séria a sua pergunta, não é? — questionou e deslizou os dedos em meu rosto. O silêncio se ampliou entre nós. Minhas mãos suaram de expectativa, mesmo com o frio intenso em Munique. Ele tornou-se sério, piscou longamente e suspirou. Eu bebi refrigerante para disfarçar a tensão. —Você realmente quer saber se eu seria capaz disso. — ressentiu-se e deslizou os dedos nos cabelos, nervoso. Eu assenti insegura. —Vou expor meus pontos. — anunciou. —Preciso que você faça um esforço para compreender, ok? —exigiu e fez sinal à garçonete pedindo a conta.
—Tudo bem. — concordei, sentindo o clima pesar.
Ele pagou a conta no balcão e nos dirigimos a pé, pela calçada, ao prédio que iríamos nos hospedar a 300 metros do hospital. Ele arrastava a sua pequena mala com uma mão. Eu me encolhi embaixo do seu outro braço para me proteger do frio.
—Pensa comigo, Bella. Não tem sentido eu fazer isso. Que experiência eu tenho para ser um diretor na empresa do seu pai? Além disso, por que eu faria isso? — ponderou paciente.
Suspirei derrotada e me recolhi ao distanciamento reflexivo. Ele não cogitaria isso, se não fosse coagido a escolher. Ainda que eu tentasse ocultar a amargura por suas implícitas escolhas, minhas emoções eram francas, meus olhos desolados não ocultavam minha dor.
Em silêncio, nos dirigimos à recepção do hotel que papai indicou pela comodidade e pouca distância do hospital. Edward entregou seu cartão de crédito e documentos. Contrariando-o, atravessei em sua frente, peguei o cartão dele de volta e entreguei o Amex do meu pai para o pagamento das diárias para os próximos dois dias. Edward não tinha que pagar. Ele estava aqui por minha causa.
Ele torceu os lábios aborrecido, mas aceitou que essa ele não iria vencer. Resolvemos a parte burocrática e entramos no elevador.
—Você não me respondeu por que eu faria isso. — Ele lembrou.
—Eu dei a resposta na pergunta. Por uma vida simples em Seattle. — respondi como óbvio. Não era uma desculpa. Eu ansiava realmente uma vida simples, longe dessas mentiras e chantagens.
O quarto era aconchegante e quente. A decoração amarelada convidava ao sono. A cama de casal me seduzia como se tivesse mãos me chamando. Eu queria desabar nela. Edward mantinha o olhar cauteloso e vigilante em mim. Ele me fez sentar na cama e ergueu meu queixo entre seu polegar e indicador.
—Amor... — chamou-me com olhos suplicantes. —Eu tenho me preparado uma vida para isso... Não tem sentido a sua pergunta. Você sempre me apoiou antes. Foi isso que me conquistou mais em você. Eu não entendo agora. — lamentou pesaroso.
Eu ergui o queixo e decidi ser firme. Eu precisava ser.
—Eu irei te apoiar no que você escolher, Edward. — determinei. Ele não sabia, mas essas palavras significavam uma escolha. Seu destino estava traçado.
—Sabe, Bella, a empresa do seu pai não tem trabalho social. O que eu faria lá? Também não tem nada de política. Eu seria um peixe fora d'água. — justificou-se implorativo.
—Edward, eu não estou te pedindo nada. Foi só uma ideia. Esquece. — descartei e forcei um sorriso. —Prepare um banho para nós... Estou cansada. — desviei o tema e regulei o aquecedor. Ele ligou a banheira, parecendo distraído, depois sentou-se no sofá com olhos distantes.
—Minha graduação é em ciências políticas, com ênfase em Relações Internacionais. A Especialização é em Educação Social e meu Mestrado em Socialismo... — Enumerou, inquieto. —...O que eu faria na empresa do seu pai além de me frustrar? —argumentou mais uma vez.
Eu levantei da cama e parei em pé entre suas pernas, a mão em sua nuca. Ele descansou o rosto sob o meu queixo.
—Nada... Realmente nada. — Suspirei e beijei sua testa. —Esquece esse assunto. Era só uma situação hipotética, uma brincadeira. Não precisava ter dado tanta explicação.
Desfiz da minha roupa, ficando só de roupas íntimas, e esperei-o sob o portal do banheiro.
—Vem? — Convidei-o com um sorriso carinhoso.
—Tomar banho com você? —questionou incerto.
Assenti com um sorriso. —Vai ser a primeira vez? — gracejei, tentando quebrar o clima tenso. Ele ponderou pensativo, segundos depois tirou suas roupas e as dobrou. Eu pus a mão na água para sentir a temperatura. Quente e confortável. Escolhi um canto onde a hidromassagem massagearia meus ombros.
—O que vai vestir? — Ele perguntou logo que entrou, encostando-se ao outro canto da banheira.
—Uma roupa sua. Quando amanhecer, saio para comprar roupas novas, já que as nossas malas se perderam no acidente. — atravessei a banheira para ficar perto dele. —Por que você não tirou tudo? — Apontei para sua cueca.
—Por que você não tirou tudo? — devolveu a pergunta sorrindo encabulado.
—Porque eu vou lavar durante o banho, já que eu não tenho outra calcinha. — esclareci com um dar de ombros.
—Ah, entrei de roupa porque você entrou — justificou tímido. —Pensei que você estava impondo limites.
Com um sorriso malicioso, tirei meu sutiã e joguei-o fora da banheira. Seus olhos abriram-se mais, porém a visão do meu seio estava protegida pela espuma.
—Duas peças por uma peça. —condicionei e tirei dramaticamente a peça de baixo, jogando-o fora da banheira.
Ele encarou-me uns segundos, moveu-se e tirou lentamente sua cueca, juntando-a às peças fora da banheira. Encostei ao seu lado e deitei o rosto em seu braço.
—Vamos conversar? — Ele propôs e regulou a hidro.
—Tudo bem. — Sorri, percebendo sua estratégia de me manter afastada. Ele continuava firme em sua decisão de ter intimidades comigo somente se eu voltasse para ele, mesmo depois da nossa recaída dias atrás. —Sorte o Seth não ter vindo. — comentei, fechei os olhos e recostei a nuca na borda da banheira.
—Com quem ele ficou? — espelhou-me, a água massageando nossas costas.
—Com Mike, na casa da mãe dele. — Ele se afastou brevemente, mas eu me encostei a ele. Ele estendeu o braço na borda para que eu deitasse. Deitei comodamente.
—É muito lindo o filho deles. — Ele refletiu saudoso. Parecia triste. O assunto filhos e crianças vinha sendo evitado por nós.
—Lindo mesmo.
O silencio entre nós foi tranquilo e aconchegante. Aproveitei e coloquei em ordem os meus pensamentos.
—Você já tinha passaporte para a Europa? — Quebrei o silêncio após um tempo.
—Sim. Tirei na esperança de um dia precisar sair do país, devido à graduação que faço. Só lamento ter sido nessas circunstâncias.
—A área de Ciências Políticas é bem ampla, né?
—Sim. Cada pessoa decide em que se especializar. Eu, por exemplo, posso atuar com educação social em qualquer lugar do mundo. — contou entusiasmado. Bocejei cansada. A madrugada cobrava meu sono.
—Você realmente gosta do que você faz. — comentei reflexiva.
—Eu ainda não faço o que quero. Por enquanto, estou só construindo o caminho. Conhecendo pessoas, formando bases. Ter influência é importante na política.
Virei o rosto e encaixei o nariz sob seu queixo. Fechei os olhos, roubando o aroma de sua respiração. Meu desejo era explorá-lo, deslizar as mãos em seu peito. Queria sentar em seu colo e beijá-lo. Porém não era justo que eu fizesse mais isso, pois todas as vezes que eu incitava à intimidade, eu o deixava esperançoso em reatarmos.
—Bella, você está dormindo? — questionou com os dedos no meu rosto.
—Estou acordada. Devo ter ficado fora do ar só uns dois minutos. — respondi lânguida. A hidromassagem esgotou o resto de minhas forças.
—Vamos sair?
—Sim. — concordei e saí. Ele rodeou-me com uma toalha felpuda, depois pegou uma camiseta em sua mala para mim e uma calça de moletom para ele.
—Você quer uma bermuda? — perguntou. —Se você quiser essa calça aqui eu te dou. — ofereceu a calça que vestiu.
Esfreguei o cabelo para secá-lo e sentei na cama. —Pode deixar. Eu durmo só de camiseta. — informei, peguei sua camiseta longa e vesti. Ele não virou o rosto enquanto eu me vestia. Ao contrário, seus olhos me exploraram tranquilos.
—Você vai dormir sem a roupa de baixo? — saiu como acusação.
Eu sorri. —Não vai ser a primeira vez. — Dei de ombros, natural, embora registrasse que a intimidade o torturava. Não era justo tentá-lo, eu sabia, mas eu também o desejava. Porém, não queria que fosse como da última vez, onde eu tive que praticamente forçá-lo a fazer amor comigo. Ele não me queria naquela situação, terminados. Eu não sabia mais o que fazer para resistir sua falta, quando o desejo ardia em lugares escondidos.
Desci a toalha na perna, sequei-a, engatinhei na cama, deitei e me cobri com o lençol até a cintura. Ele não perdeu um movimento. Suspirou, virou de costas e discou um número em seu celular.
—Carlisle, já estamos hospedados no hotel combinado. —pausou. —Ah, que bom. Boa noite, aliás, boa madrugada. — sorriu, desligou e se virou para mim. —Parece que acharam as malas de vocês. Uma pessoa irá deixar no hospital.
—Menos mal. Vem deitar. Estou morrendo de sono. — Bocejei e aconcheguei a cabeça no travesseiro. Ele deitou e me puxou para seus braços, aninhando-me de frente. Encaixei a perna entre as dele.
—Boa noite. — desejou baixinho. Eu me apertei mais a ele, roçando a coxa em sua parte inferior. —Bella, eu não sou de ferro. — alertou rouco. Eu suspirei. Não era só ele quem tinha necessidades. Meu corpo sentia sua falta, deixando-me inquieta à noite, rolando na cama. Seu lugar vazio na cama me ofendia.
—Você está protegido com o moletom. — assegurei matreira, beijando seu peito. Ele inspirou profundo. Segurei seu pulso e conduzi sua mão às minhas costas, na altura da minha cintura. —Sinto falta de suas mãos. — soprei, convidando-o.
—Eu sinto falta de você toda. — destacou, o nariz sob meu cabelo. Mudei o rosto e beijei pontinhos molhados no seu pescoço.
—Eu estou aqui. — ofereci, a boca aberta em seu pescoço em pequenas sugadas.
—Sim. Está aqui: hoje. — frisou amargo.
—Toca em mim, por favor. — supliquei, a boca subindo para sua orelha.
Como se enfrentasse uma grande luta e fosse vencido, ele arfou e deslizou a mão lenta e suavemente, como asas de borboletas, por trás do meu joelho. Eu fechei os olhos e me apertei a ele, sentindo a comichão de prazer arrepiar meus pelos.
A consciência não doeu ao ter suas mãos subindo nas coxas. Não senti culpa ao tê-lo tocando minhas nádegas. Eu me empinei oferecida, o corpo derretendo. Queria somente ser, ter. Era egoísta, mas eu queria viver nossa paixão o quanto pudesse, afinal mais uma vez ele escolheu que caminho seguir.
Sua respiração quente e acelerada arrepiou minha nuca. Sua mão chegou à cintura e o polegar acariciou demoradamente meu umbigo. Meu ventre se contraiu. Ele sorriu malicioso, me afastou e me virou de costas para ele, com um lençol em volta da minha cintura protetoramente. Envolveu os braços em minha volta num abraço apertado, encaixando-nos de conchinha.
—Amanhã. — prometeu e mordeu meu lóbulo. —Se você ainda estiver disposta, tocarei você. Hoje você está sob efeito de analgésicos. — sentenciou, beijando meu ombro carinhosamente. —Você já sabe qual a minha condição, não sabe? — ressaltou triunfante.
Eu queria teimar, reclamar, mas me calei. Às vezes era frustrante se relacionar com alguém tão decidido. Sua excitação o confrontava, pungindo em minhas costas. Ele me desejava, mas seu equilíbrio era maior. Eu não estava sob efeito de remédios. Meu desejo por ele era franco, e eu temia nunca cessar a reação à flor da pele, maior até que meu amor próprio. Um amor carnal avassalador.
—Amanhã temos tempo. — ciciou com a voz macia e afastou meu cabelo para beijar o pescoço.
Foi impossível não pensar em suas palavras: 'Amanhã e tempo'. Se teve algo que sempre acreditei foi que o tempo, o amanhã e o destino estavam escritos para nós. Hoje minha fé oscila. O livre arbítrio desafia o destino. Escolhemos nosso destino. Ele escolheu o dele. A vida é responsável por nos mostrar possibilidades de escolhas futuras. Cabe a nós decidir pelo melhor caminho. Ele escolheu o dele ao dizer que não se encaixaria em uma vida simples em Seattle comigo. Resta-me aceitar.
—Bella, Phil também é pai da Alice. — Edward comentou sonolento.
—Eu imaginei depois de ver a tensão e seus olhares no quarto. — Murmurei preguiçosa, beijando sua mão.
Ele sorriu. —Você está sob efeito de droga ou nada abala você? — gracejou.
—Não estou sob efeito de remédio. — Resmunguei, de olhos fechados. —Há anos eu imaginava que ela não era filha do meu pai, porém, eu tinha medo de falar e magoá-lo, ou magoar Alice que é tão apegada a ele. — expliquei, bocejei e aconcheguei-me mais a ele.
—Durma bem. — sussurrou e pressionou o lábio no meu ombro.
—Boa noite.
Quando disse mais cedo que só perdia ultimamente, não era uma dramatização, sim a externação das frustrações. Nunca tive uma sensação de perda como tenho esses dias. Hoje eu perdi minha mãe e, embora tente esquecer, dói muito. Porém dói mais porque só hoje aceito que nunca a tive. Sempre tentei entendê-la sem julgá-la, mas de nada valeu; ela nunca se importou. Contudo, eu perdoo. Quem sabe, se ela não tivesse nos abandonado bebês, desmamado eu e Alice com menos de dois meses de vida, não teríamos crescido bem educados por meu pai, íntegros, resolvidos e determinados a vencer, como ele.
Edward
Foi irresistível não tomá-la, ao tê-la insistindo. Sua respiração na pele em meu braço, seu corpo colado em mim levava-me ao limite. Ainda que protegida pelo lençol, minha mente só registrava seu corpo nu. Mas eu iria resistir. Essa falta seria breve, argumentava comigo. Em pouco tempo ela se convenceria de sua necessidade de mim e voltaria a me querer como eu a ela.
Não era compreensível, sobretudo, por que ela me desejava fisicamente e esquivava-se de comprometimento. Também não me sentia preparado para lhe dizer não ou recomeçar com outra. As oportunidades de novos relacionamentos nem ao menos me tentam. Como sexta-feira à noite, quando os braços de outra mulher estiveram disponíveis.
Duas da manhã, eu me encontrava com a turma do serviço num bar, ébrio pela quantidade de álcool ingerido. Eu tentava viver num mundo sem Bella, ressentido por ela ter me impedido de vê-la na Califórnia. É isso o que gera a falta de compromisso: insegurança, incerteza e solidão. Eu tentava encontrar caminhos alternativos para suprir sua falta, pois nunca tinha me dado a oportunidade nesses quase vinte e dois anos de idade. Diversões e amizades nunca foram prioridades.
Caso eu tivesse me negado ir ao bar, seria mais uma noite em que eu me encontraria sozinho, pois até Ryan, o único amigo a quem eu poderia recorrer por companhia, tinha um programa romântico com a Sô. Portanto, não me restaram opções a não ser sair com os colegas. Contudo, as conversas não conseguiram preencher a falta dela. Um vazio enorme se alargava no meu peito. A bebida foi um paliativo.
Como consequência, não tive condições de dirigir de volta para o alojamento na Universidade. Ashley ofereceu-se dirigir para mim, James nos escoltou.
—Obrigado, Ashley. — agradeci, logo que estacionamos, sentindo náuseas e mal-estar. —Desculpe ter atrapalhado seu programa. — lamentei sincero.
—Não se preocupe. — fez um gesto de pouca importância. —Você é importante demais para eu te deixar dirigir no estado em que estava. — justificou sorridente, estendeu a mão e deslizou em meu cabelo. Fechei os olhos. Fantasiei os dedos de Bella em meus cabelos. As sensações motoras e sensitivas encontravam-se entorpecidas. Suspirei e encostei a nuca ao banco. A última vez que bebi assim estava com Bella, há três anos, quando fomos surpreendidos por seu pai em situação comprometedora no sofá. A saudade doeu.
—Você está sentindo muito essa separação, né? — Ashley supôs solidária, interrompendo meus delírios. O calor de sua respiração tocou meu rosto. Permaneci de olhos fechados, apático. O sofrimento pela saudade me enfraquecia.
—Muito. — confessei.
—Estou preocupada com você. — sussurrou próxima ao meu ouvido, a mão em minha nuca. —Não pensei que você bebia.
—Geralmente eu não bebo... —sorri um riso bêbado. — A não ser em família. —adicionei saudoso. Beijos hesitantes salpicaram meu passivo rosto. — Mas já fazia um bom tempo que não acontecia.
O torpor aumentou em meus sentidos. Eu queria me encostar em Bella, me aquecer do frio e esquecer. Uma mão abriu os botões de minha camisa. Eu ignorei o alarme e permaneci de olhos fechados.
—Você quer ir para o meu apartamento? — convidou sedutora, os dedos gelados insinuando-se no meu peito.—Eu cuidaria de você e não te cobraria nada depois.
Sentimentos conflitantes se debateram. Saudade de Bella, raiva da situação, solidão, carência, tristeza. No auge da debilidade fui tentado a ser querido e cuidado por alguém. Ela sorriu confiante e pressionou os lábios próximo a minha boca. Um estremecimento de repugnância e rejeição me despertou da indolência. Abri os olhos cheio de horror.
—Você pode, por favor, manter distância? — exigi sombrio, um alerta velado. Ela arregalou os olhos e afastou-se assustada.
—Er... Desculpe. Vou indo. — abriu a porta constrangida e desceu.
Entrei no automático para o banho. As roupas ficaram pelo caminho. Liguei o chuveiro e encostei minha testa na parede, com uma dor angustiante e mágoa me corroendo. Enquanto eu quase traí meu corpo e mente, o acidente de Bella ocorria aqui na Alemanha.
Acordei antes de Bella. Sua inquietação durante a madrugada a livrou do lençol. Rejeitei o apelo da parte desvirtuada do meu cérebro que sugeria que eu apreciasse sua aberta nudez e enrolei-a três vezes no lençol para protegê-la. Pedi o café da manhã no quarto acompanhado de rosas. Como romântico incurável, queria curtir o aconchego e intimidade do quarto.
Meu telefone tocou. Reconheci o número e atendi em sussurros para não acordá-la.
—Bom dia, Carlisle.
—Bom dia, Edward. Eu liguei para informar que estou no segundo andar, quarto nº 2004.
—Ah, que bom. E as meninas?
—Elas já estão aqui comigo.
—Tem previsão de data de volta?
—Devemos voltar amanhã, ou terça. Depende da documentação. Ela era filha única e deixou algumas posses, herdada de seus pais... Bella já acordou?
—Ainda não. — Sibilei.
—A mala dela está aqui. Vou mandar um mensageiro levar aí para ela.
—Tudo bem.
—Como ela está? — questionou preocupado.
—Dormiu bem e ainda não acordou.
—Que bom. — pausou. —Edward, obrigado por ter vindo mesmo na condição em que vocês estão.
—Eu não a deixaria só, independente da situação. — Afirmei convicto.
—Sinto muito pela situação de vocês, meu filho.
—Não se preocupe. Estamos levando. — minimizei a importância. Eu e Bella resolveríamos isso sem envolver e preocupar nossos familiares.
—Edward, quero que pense no que vou recomendar... — aconselhou, hesitante. —Escolha ela... Escolha ela sempre... É isso que ela quer de você.
Pisquei desentendido. Eu sempre a escolhi. Quem tinha que fazer escolhas aqui agora era ela.
—Eu sempre a escolho. — garanti.
—Sim. — Ele concordou sombriamente, depois se despediu. Sentei na cama e observei Bella dormir, arquivando sua imagem na memória para poder buscar depois. O mensageiro trouxe as malas. Organizei suas roupas elegantes e perfumadas no armário.
Abri seu nécessaire, tirei o creme de maças, espalhei nas mãos e toquei seus pés, acariciando e massageando, uma marca registrada nossa que eu insistia em manter. Ela bocejou, esticou-se e cobriu o rosto com o edredom.
—Atacando os meus pés, Edward. — acusou preguiçosa.
—Tenho notícias boas. — subi as mãos pelo tornozelo, registrando e tocando sua tornozeleira. Ela não tirou. Seria por ainda acreditar em nós?
—Quais notícias? — questionou sonolenta, num convite tentador para voltar à cama e ficar muito tempo nela.
—Você não precisa mais se enrolar em um lençol para dormir. Suas roupas foram encontradas. — noticiei brincalhão. Ela tirou o edredom da cabeça, olhou para o lençol e sorriu maliciosa.
—Você quis me proteger de você? — Insinuou, presunçosa. Desviei o rosto, evitando dar o que ela queria: ver-me desconcertado. —Ai, ai, não sei por que. — dramatizou. —Você já viu essa parte do meu corpo mais que minha babá quando eu era criança. —apontou sua pélvis. — E olha que eu tive a mesma babá durante sete anos. — sorriu descarada, sentou e serviu-se de uvas na bandeja, olhando divertida para mim. Eu sorri sem jeito. Ela conseguiu me embaraçar.
Ela comeu uma fatia de bolo de milho com gosto, depois engatinhou na cama portando somente a camiseta ― eu registrei os detalhes ― e sentou-se na beira da cama.
—Homens como você não existem. Você é único. — salientou, a boca cheia de bolo. Eu cortei pães e passei manteiga.
—Por que diz isso?
—Por causa do óbvio. Dormimos no mesmo quarto, na mesma cama e você mantém rigidamente a compostura. — comentou e olhou-me divertida.
Sentei na cama, cruzei as pernas e estendi pãezinhos e suco para ela.
—Você está melhor hoje? — mudei o tema antes que eu admitisse que foi com muito custo, muito mesmo, que eu mantive RIGIDAMENTE a compostura. Lamentava ter que me comportar, quando meu desejo era maior que eu podia controlar. Estava disposto a esperar, eu repeti. Somos muito mais que sexo.
—Sim. Estou bem. — Sorriu e mordeu o pão. —Eu não vou mais chorar. O que aconteceu, aconteceu. Vou sentir falta da nossa história e queria ter tido mais tempo, mas... — olhou com olhos distantes para o pão.
—Do que você está falando?
Ela balançou a cabeça como que para clarear e atacou presuntos no carrinho. —Da minha mãe, é claro.
—Hum... Quer que eu pegue uma roupa para você? — ofereci, apontando o armário. Sua nudez me desorientava.
—Por que você está tão incomodado? Até parece que algum paninho pode nos separar, se EU quiser você. — provocou. Eu ri de sua audácia e confiança. Ela olhou-me desafiadora e se arrastou de joelhos na cama até mim. Um beijo foi depositado em meu pescoço.
Meus olhos se fixaram em suas pernas nuas próximas ao meu braço. Um arrepio me correu. A proximidade era tentadora. Eu engoli em seco. A vontade de deitá-la em meus braços e beijar pedacinho por pedacinho de sua pele era irresistível.
—Bella... Torture menos. — implorei, mas gemi com sua língua implacável em meu pescoço. Fechei os olhos para ignorar a visão de suas pernas convidativas, mas teve efeito intensificador aos me concentrar nos sonsinhos que ela fazia ao mordiscar meu pescoço.
—Estamos na Europa. Longe da vida, de problemas... Longe dos compromissos. — enumerou sedutora, olhou-me como uma serpente no paraíso, segurou na barra de sua camiseta e desfez dela.
Congelei o olhar nos seus seios firmes e empinados. Passei a língua saudosa sobre os lábios, antecipando o sabor. Uma semana sem ela me transformava num dependente em crise. Ela deitou sobre os travesseiros, passou os dedos sobre o ventre e me olhou lânguida. —Quero você, aqui.
As palavras, junto ao gesto imprevisível e obsceno de seus dedos, tiraram qualquer pensamento coerente do meu cérebro. Seu olhar confiante e seguro e corpo escultural eram desonestos na luta. A cobiça mandou saliva à minha boca. Hipnotizado, ajoelhei na cama e encostei os lábios em sua barriga. Ela arqueou oferecida, beijei lentamente do osso pélvico à costela.
—Eu sei que vai soar contraditório, mas eu quero mais que isso, você sabe. — enfatizei, migrando a boca para o cheio seio. Ela se contorceu e soltou sons de incentivo que roubavam meu raciocínio. Eu não tinha a mínima chance contra sua sedução. Estava assinalado a perder, um escravo de suas vontades... Submeter-me-ia com prazer.
Delineei o bico lentamente com a língua, abri a boca e deliciei-me juntado-os em minha boca. Ela arfou, ansiosa, os dedos em meus cabelos exigindo mais. Dei o que ela queria, tomando-os e apertando-os. Ela se abandonou e gemeu entregue. Entreabri suas pernas e acariciei-a intimamente, reconhecendo, adorando-a. Cobri seus lábios com os meus. Ela empurrou o quadril na minha mão e moveu-se. Olhei-a apaixonado, soberbo só em observá-la. Ela era a mais perfeita visão na cama, nua, linda, afoita, exigente.
Incapaz de somente assistir, desci a boca por seu corpo, abri suas pernas e beijei-a intimamente, a língua provocando-a e estimulando-a vagarosamente onde ela necessitava. Ela grunhiu. Eu apertei suas coxas e, em um frenesi descontrolado de sucções e lambidas, um ato quase selvagem, explorei-a, incentivei e tomei. Em pouco tempo, ela se debateu, sacudiu-se e gritou seu êxtase. Eu continuei, reclamando tudo que pudesse, fazendo-a subir, subir, depois desmoronar e contorcer-se por quatro vezes consecutivas em minha boca. Eu nunca teria dela o suficiente, sempre iria querer mais.
Apreciei seus lamentos exultante em tomar tanto dela, livrei-me das roupas, subi sobre ela, ainda encantado com seu prazer expressivo, e beijei seus lábios. Como ímãs atraindo-se, posicionei-me entre suas pernas, fechei os olhos e deslizei para dentro dela. Em um instante estávamos ligados e arfando.
Ela entrelaçou a perna em meu quadril e puxou-me contra ela, estimulando-me. Sua língua entrou em minha boca, numa entrega desmedida. Espasmos me correram ao ter o calor molhado e prensado me envolvendo.
Movi-me lentamente, degustando, testando, ouvindo-a, sufocando meu próprio gemido para saborear os seus. Lambi seus lábios e senti seus olhos quentes sobre mim. Olhos que eu tentava desvendar. Olhos que eu lia amor, mas que expressavam mistérios.
Desci a mão por seu quadril e girei nosso corpo, invertendo as posições. Ela sorriu, mordiscou minha orelha e moveu circularmente o quadril. Entrecerrei os olhos, apreciando a mulher dominadora montada em mim, um débil apaixonado pela imagem de seus cabelos caindo sobre os ombros, o sonho erótico de qualquer homem.
Sua boca entreaberta explicitava o nível de seu prazer. Ela subiu e desceu em movimentos extasiantes de tortura, com um domínio inquestionável. Levantei o tronco e mordi seu ombro, segurei seu quadril e ajudei-a nos movimentos, empurrando e puxando.
Fizemos amor lento, dando e recebendo. Ela expunha sua necessidade física honesta e sem pudor. Ocupei-me de seus seios memorando cada respiração sua, seu cheiro de prazer, o sabor da pele. Nossa união era perfeita, como que desenhada.
Cerrei minhas mãos em punhos e travei o maxilar, tentando controlar o orgasmo que formigava em minha coluna. Ela provocou-me com um sorriso, subiu e desceu.
—Tempo, Bella. — pedi entre arfadas.
Ela beijou-me molhado, meneando a língua em minha boca e moveu-se lenta. Eu ouvi o som hipnotizante dentro dela, convidando-me a ir. Abracei-a. Não tinha como resistir ao seu comando. O tempo era dela. Não havia distância, palavras ocultas. Não existiam vocábulos que explicassem a necessidade. Restava sentir e me entregar.
Seus movimentos tornaram-se impacientes. Perdi a razão com o quente, ardente e apertado calor me envolvendo. Lancei-me para cima, sentindo suas contrações. Suas pernas tremiam e apertaram meu quadril. Sua boca se abriu num lamento eloquente, longo e enlouquecedor.
Enterrei-me mais fundo. Enfiei os dedos em seus cabelos e movimentei erraticamente seus quadris com minha mão. Um som abafado deixou minha garganta. Não pude controlar a irrupção violenta implodindo em mim. Gemi, apertei-a forte e me projetei uma última vez para cima, estremecendo. Fechei os olhos e deliciei-me do glorioso êxtase acompanhado por tontura e dormência.
Puxei-a para os meus lábios, ainda ofegante, e beijei-a faminto. Mergulhei os dedos em seus cabelos e a prendi até que o beijo se tornou lento, preguiçoso, assim como a nossa respiração. Respirei fundo, cheio de sentimentos explodindo no peito. Ela deitou-se exausta sobre o meu peito. Suspirei. Ela foi minha mais uma vez.
Deitei-a ao meu lado, sobre o meu braço e me virei para ela. Ela me olhava apaixonada, sorridente, como se eu fosse sua vida. Deus, por que ela não queria casar comigo, se me olhava com tanta ternura?
Abafei meus questionamentos e colei os nossos corpos, abraçando-a.
—Pronta para o banho? — propus, acariciando o seu cabelo.
—Vou esperar um pouco. — espreguiçou-se. Eu afastei-me para ir me higienizar sozinho. Ela me segurou, impedindo que eu saísse. —Fica aqui. Estou te dando um tempo... Quero você na banheira também. — noticiou afetada, com beijos molhados e languidos sob o meu queixo.
—Essa é minha Bella: sincera com seus desejos, dominadora e impaciente. — adulei-a, beijei sua testa e deixei a cama para encher a banheira.
Bella
Após horas na banheira, deitamos sobre a cama, eu nua sobre ele. Não tínhamos a mínima intenção de deixar o quarto aquecido e enfrentar o frio de Munique. Queríamos apenas viver o momento, aliás, eu queria viver o momento... Ele queria mais.
Ele passava os dedos nas minhas costas, em silêncio, o olhar no teto. Eu não queria conversar para não nos machucar. Eu só queria ficar ali, sobre o meu anjo, tomando o que eu podia dele enquanto havia tempo.
—Por que, Bella? — a cobrança chegou. —Por que você insiste com a decisão, se sente tudo isso por mim? — exigiu.
—Eu quero pensar que o mundo fora daqui não existe. — evadi melancólica. —Por favor, entenda e curta o momento. O que você quiser de nós, aqui na Europa, você vai ter.
—Isso significa que ao voltarmos, tudo volta ao que era. — refletiu pesaroso. Eu me calei.
Passamos o dia no quarto. Descemos somente à noite para jantar com meu pai e as meninas. Segunda-feira, visitamos pontos turísticos na cidade: igrejas, praças. Jéssica e Alice nos acompanharam. Minha mãe não nos levou a pontos turísticos quando a visitávamos. Sempre dormia fora. Hoje o porquê ficou claro. Ela não queria que conhecêssemos Phil.
Saímos da Alemanha às onze da manhã de terça, após a cremação. O jato moderno alugado por meu pai fez uma escala na Capital para deixar Edward, depois me deixou na Califórnia. A volta à rotina me deixou atarefada. Perder dias de aula em fim de semestre resultou em perda de uma avaliação e perda de prazo de entrega de trabalho.
Quarta-feira era um dia em que não fazia curso, dia em que receberia Edward. Cheia de saudade, fiquei on-line, esperançosa em falar com ele. Era uma consequência de passar esses dias com sua presença doce e acalentadora. Ele estava on-line, mas não tinha atendido ainda ao meu convite para conversa com vídeo. Devia estar no banho.
Abri minha caixa de e-mail para passar o tempo, porém toda a minha alegria se foi com o choque de receber algo que há mais de 15 dias não recebia.
Mensagem Ashley - Quarta 17h55.
Pensei que as coisas estavam claras entre nós, mas vejo que não. Eu sei que você perdeu sua mãe, porém não é desculpa para manhas. Sabia que estamos nos dando bem? Só para informação, ele já frequenta a minha casa. Saímos na última sexta-feira, ele te falou? Eu deixei o dormitório dele na madrugada.
Se não fosse você usando a sua família, eu teria passado o fim de semana com ele.
Este e-mail é só para lembrá-la: afaste-se dele.
A frustração e derrota expulsou toda animação. Eu me encontrava de novo no mesmo lugar. O convite foi aceito por Edward. Ele chamou a atenção para que eu ligasse o som. Suspirei e liguei. Eu precisava ouvir sua voz.
Edward
Durante o expediente de quarta, expliquei vez ou outra o que acontecera na Alemanha, ocultando o irrelevante assunto sobre Phil. De volta ao alojamento na Universidade, na mínima distração a lembrança de Bella nua no hotel me perseguia. Ela não vestiu roupas dentro o quarto. A saudade era intensa. E a sensação de insegurança continuava. Agora tinha mais adjetivos adicionados à minha personalidade: louco, obsessivo, apaixonado e pervertido.
Após o alivio físico no banho, voltei ao quarto e aceitei o convite dela que brilhava na tela.
—Oi, anjinho. — saudou meiga, deitada de lado sobre sua cama.
—Oi, criança. — deitei e passei creme nos braços.
—Como foi o dia no trabalho? —parecia ansiosa.
—Nada de novidade. Eu te falei que Ryan está indo ao Capitólio quase todos os dias?
—Não.
—Ele resolveu ser meu secretário. Faz umas coisas bem estranhas como analisar documentos e fazer contatos — contei sorridente. —O Ryan é um amigão. Ele era o padrinho ideal e estava super empolgado. — comentei espontâneo, segundos depois lamentei tocar no assunto. Seu sorriso sumiu inexplicavelmente. Ela devia ter distúrbio de personalidade múltipla, ou TPM constante. Quase igual.
—Eu também adoro Ryan. — Voltou a falar. —E olha que eu tenho mil motivos para isso. — Ela sorriu novamente. Eu tive certeza: ela tem DPM.
—E como você está? Como Emmett recebeu a notícia? — Mudei o rumo da conversa. Eu me sentia pisando em ovos.
—Ah, Edward, nós tentamos agir como se ela estivesse viajando. Como se ela ainda estivesse lá na Alemanha. — baixou o olhar triste. Recorri a outro tema de novo.
—Bella, sexta é formatura do Emmett e na outra semana é a minha. Você vai vir?
—Você quer que eu vá? Pensei que não ligava para isso. — espetou com ar maquiavélico.
—É lógico que eu quero! — assegurei imediatamente. —Eu pensei melhor. Sei que devo vibrar desde agora com cada degrau transposto. Além disso, você é a pessoa mais indicada para estar comigo nesta conquista. — bajulei-a.
Ela sorriu triste. —Eu vou, meu embaixador. Além de sua amiga, sou sua família. — declarou meigamente. Eu fechei os punhos controlando a irritação por ela voltar com essa conversa de família, depois do nosso fim de semana juntos.
—Você sabe que não é só isso. — retruquei. —Agora ou daqui a dez anos, você é o meu alvo fim. — sentenciei.
—Sou seu alvo fim? — Ela desafiou, cética.
—Sim. Você é o meu alvo fim. — garanti sério.
—Eu não acredito. — Ela provocou. Suas dúvidas me ofenderam, quando todas as provas de amor já foram dadas. —Prove, anjinho. Eu estou com sono. Tive um dia cheio. Vou dormir. — bocejou teatralmente.
—Bella, não tente fugir do assunto. Que negócio é esse de não acreditar? — insisti impaciente, odiando que ela pusesse em dúvidas meus sentimentos.
—Boa noite. — sorriu dissimulada. Eu esperava tudo, menos ela dizer que não acreditava que o que eu fazia era por ela. Para um dia ser alguém importante e merecê-la.
—Bella, ainda não. — relutei.
—Eu te adoro, sabia? Mais que tudo. — declarou zombeteira e jogou um beijo. —Você pode dizer que ainda me ama, então? — Pediu, ardilosa. Eu esqueci a desavença.
—Eu te amo. — expressei no automático. —Sempre vou amar.
—Hmmm, então me responde uma coisa... — Arqueou a sobrancelha interessada. —Onde você estava sexta-feira à noite?
Bella
Uma onda de ciúme me invadiu ao lembrar que ela disse estar com ele. Ele hesitou um tempo antes de responder.
—Saí com o pessoal do gabinete. — Respondeu desconfortável.
—Foi legal? Você bebeu? — pressionei para ouvi-lo confessar, embora fosse dolorido imaginar meu anjinho escapando de minhas mãos.
—Foi er... mais ou menos. — Gaguejou. —Bebi só um pouco. — baixou o olhar.
Ele estava com ela, exatamente como ela disse. Doeu ter certeza, embora soubesse que iria acontecer. Na ocasião que combinei isso com Ryan, tinha esperança que ela sumiria rápido com as provas. Mas agora que a aproximação acontecia, o medo me ameaçava. Temia perder seu amor.
Ele voltou a falar, hesitante. —Eu não ia conseguir esconder isso de você. — confessou e mexeu nervosamente no cabelo. —Sei que não fiz nada errado, mas me sinto culpado. — Ele segredou. Meu coração acelerou, antecipando o que ele diria. —Não aconteceu nada demais, eu juro. Eu saí, fiquei meio ébrio e Ashley me trouxe aqui. Só isso. Mas ela confundiu tudo, acho. — Explicou como se confessasse um crime.
Eu sorri com uma onda de alívio. —Ai, ai, você é um anjinho mesmo. — brinquei. —Por que está confessando assim? Somos livres, esqueceu? — provoquei, dissimulando meus sentimentos.
—Eu não sou livre, Bella. — acentuou amargo. Meu coração apertou. Deus, eu não queria vê-lo sofrer. Estava tão perdida nessa situação. Atire a primeira pedra quem nunca prendeu alguém com quem precisava terminar.
—Ok, meu prisioneiro, vamos dormir que amanhã eu acordo cedo. — forcei um sorriso no rosto. Eu queria que ele ficasse bem. —Eu te adoro. Durma bem.
Ele me olhou desconfiado, mas sorriu. —Você me enlouquece qualquer dia desses, sabia? Com essas atitudes e palavras esquisitas. — censurou. —Dorme bem. Esse negócio de você me adorar me preocupa... Adorar soa como amigo ou irmão, e eu não sou seu irmão. — ressaltou enfático.
—Amantes e irmãos. — adicionei maliciosa.
—Ficou melhor um pouco. Mas eu ainda prefiro dizer que te amo.
—Eu também te amo. — declarei feliz em ainda poder dizer a mais absoluta verdade.
Edward
Eu não deveria me conformar com tão pouco. Ela estava dizendo adeus, eu sentia. Minhas esperanças diminuíam com a distância. Empenhei-me em meu trabalho para esquecer, acreditando que no fim de semana a distância suavizaria quando nos encontrássemos na formatura de Emmett.
Quinta-feira, eu cumpri mais uma tarde no Capitólio. Ryan sentava-se à minha mesa.
—Você conseguiu recuperar as matérias que devia? — Perguntei, enquanto preparava o material para a reunião que ocorreria com toda a equipe do gabinete.
—Não. Vou participar da formatura devendo duas matérias. — explicou, deixou meu computador e caminhou desanimado para a porta, parecia preocupado. —Edward, a reunião já vai começar? — Ryan perguntou do corredor, parado incerto entre as portas da sala de Ashley e do James.
—Sim. Você quer participar? — ponderei confuso. — Serão prévias de estratégias para o próximo ano. — expliquei. Ele cadenciou o olhar da sala de sua irmã à de James, nervoso. Suas atitudes estranhas me intrigavam.
—N-Não. Eu vou ficar por aqui mesmo. — Titubeou. —Você acha que a reunião vai demorar?
—Ah, Ryan, esta é a última reunião da equipe este ano, então não saímos antes das sete.
—E todos são obrigados a ficar até o fim?
Sorri confuso com seu interesse.
—Sim.
Ele voltou a minha sala e pegou uns CDs em sua bolsa, agitado.
—Então vou ficar aqui gravando uns arquivos. — sentou em minha cadeira de novo, tamborilando os dedos na mesa, impaciente.
—Estou entrando. Acho que só falta eu. Até mais.
As cadeiras dos oito assessores formavam um círculo em volta da mesa de reuniões. O senador sentou-se em uma ponta, eu na outra. O assunto inicial da pauta foi a eleição no próximo ano. O senador não concorreria, mas iria apoiar o partido e os candidatos a deputados. Aproveitei o momento e questionei um assunto pessoal.
—Senador, tenho uma dúvida. —ajeitei minha gravata. —Como vou ser chefe da assessoria, se irei assumir a Subsecretaria de Assuntos Sociais a partir de fevereiro?
—Ah, Edward, não seja ingênuo. Lá é só um título. Seu trabalho será só assinar uns papéis. —fez um gesto largo de pouco caso nas mãos. — Você terá pessoas competentes para fazer os serviços.
Pisquei incrédulo. Meu objetivo era atuar, fazer algo útil, não somente receber por uma função sem exercê-la. Ele percebeu meu conflito.
—Você pode ir lá de vez em quando, caso queira, mas não conseguirá muito. A máquina andará com o seu desempenho ou sem ele. Como eu disse: é só um título. — elucidou. Eu dei fim ao tópico frustrado e passei ao próximo tema.
Horas depois a reunião encerrou. Juntei meus papéis e me preparei para sair.
—Edward, quero que permaneça aqui com a Ashley e James. — O senador pediu, eu voltei a sentar. Ashley e James não tinham se movimentando para sair, pareciam cientes do convite.
—Edward, eu tenho uma nova proposta para você. — Ele expôs, andando pela sala. —Sem assinaturas de papéis e sem promessas.
—Pode falar. — concedi, as pernas cruzadas relaxadas.
—Bom... — Parou em minha frente. Ashley mantinha a cabeça baixa, olhando para a caneta. James parecia aborrecido. —Eu já disse uma vez que quero te dar o meu nome para você concorrer com ele às próximas eleições, mas dessa vez é sem amarras.
Eu franzi o cenho desconfiado e olhei Ashley de viés.
—Por que eu? — Perguntei intrigado, embora já soubesse a resposta.
—Porque eu não tenho ninguém com a sua competência para lançar.
James fechou os punhos revoltado. O senador o repreendeu com o olhar, frio e severo.
—Eu não compreendo, senador. — avaliei seduzido, sentindo certa euforia. —Como o senhor vai me dar o seu nome sem termos ligações de parentesco? — ponderei, já que eu deixei claro anteriormente que não me comprometeria com sua filha.
—Pense, Edward, durante a campanha, um candidato pode adotar o nome que quiser como nome de guerra, então você pode se lançar com o meu sobrenome sem tê-lo em registro... Somente com a sua diplomação você vai precisar mudar o nome. — Explicou evasivo.
Recolhi-me ao silêncio, incerto. Parte de mim relutava em pesar profundamente a resposta, temendo enxergar as entrelinhas.
Ele voltou a dizer. —Caso você concorde, James lhe assessorará, Ashley será sua relações publicas.
Balancei a cabeça negando. —Eu não quero. —rejeitei convicto.
—Você não precisa me dar essa resposta agora. Tem o fim de semana para pensar. — teimou, ignorando minha negativa.
Eu saí da sala tentado e em dúvida, ainda desfiando a proposta. Encontrei Ryan sobre minha mesa.
—Estou te esperando para comermos uma pizza. — convidou amistoso.
—Ok. É bom que você me ajuda a pensar. — aceitei, disposto a ouvir a opinião de alguém de fora.
Enquanto nossos pedidos chegavam, falei sobre a reunião e expus a proposta do senador.
—Ai, Edward, às vezes você é muito thonga! — arreliou zombeteiro e serviu-se. —Cara, meu velho é muito esperto. É lógico que ele vai te amarrar. Se você se lançar como Edward Evans e ganhar, vai ter que ter esse nome. Então, ou você se casará comigo em Las Vegas para adotar o meu nome... — Ele fez bico e jogou beijos. Eu sorri, relutante. —... Ou se casará com minha mimada irmã. — noticiou dramático. —Quem de nós dois faz mais o seu tipo? — zombou. Eu olhei sem ver minha pizza, distraído. Ao meu silêncio, ele me olhou inquisitivo, depois balançou a cabeça reprovador.
—Cara, você tá com dúvidas? — questionou censurador. —Brown, agora eu entendo a Bella! — Ele exasperou, acusador.
—Quê? Por que tá falando da Bella? — investiguei, desconfiado.
—Eu não disse nada. Você tá ouvindo demais. — descartou, pegou catchup e despejou em sua pizza. —É sua consciência culpada por ficar tentado com essa proposta indecente do meu pai. — Deu de ombros.
—É lógico que eu não tenho dúvidas. —garanti. — Mas somente por que eu não quero amarras com a sua família —destaquei sincero.
Ele olhou-me sério. —Você quer tanto essa vida assim? — interrogou cético, mastigando devagar.
—Quero. —certifiquei. —Não exatamente a vida de deputado, mas eu quero uma chance de subir. — esclareci, pensando no que o senador disse sobre a Subsecretaria. —As divergências de personalidades me chateiam e decepcionam certas vezes, mas eu preciso acreditar. — argumentei. —Por outro lado, estou passando por uma situação difícil no meu relacionamento que me deixa sempre com dúvidas do que fazer... — Comecei. Nunca fui de me abrir sobre meu relacionamento, mas necessitava. —Estou sofrendo, separado de Bella... — contei, incerto. Ele ouviu receptivo e interessado.
Bella
O baile de formatura de Emmett nos deixou eufóricos. Bebíamos champanhe, a banda tocava, eu e Jéssica dominávamos a pista ao som de Beyonce. Meu pai e Esme estavam no bar, conversando. Jasper e Alice assumiram o namoro e dançavam com sorrisos felizes no rosto. Emmett dançava para Rose, fazendo-a sorrir com seu exibicionismo. A família estava feliz, exceto eu, que tentava manter o sorriso no rosto e a compostura, quando dentro de mim havia conflito.
Hoje eu teria que partir o coração de Edward, novamente, depois do e-mail ultimato que recebi, o qual expôs a proposta do senador.
—Por que Mike não veio? — Perguntei no ouvido de Jéssica para sobrepor o barulho.
—Ficou com o Seth na casa da mãe dele. — Ela deu de ombros.
—Você estão com problemas, né? — deduzi e joguei as mãos no ar, dançando com ela.
—Ele não desencana do assunto de casar. Ele não vê que é um bebê para mim!?
—Como diz Jasper: um bebê que faz bebê. — zombei, o suor descendo na testa. —Ai, Jess, meu amigo adora você e eu queria vê-lo feliz. Ele é dois anos mais novo que você, não é tão bebê assim. Além disso, ele é super responsável. Casa logo com o menino, já que ele quer tanto. — aconselhei.
—Não sei... Vou pensar. — Respondeu sorridente e deu um grito, seguida por mim quando trocou a música para David Guetta. Cantamos alto e pulamos. Fazia um bom tempo que não nos divertíamos juntas. A noite parecia um teste para ela. Ela queria saber se seria feliz longe do Mike. Logo ela veria o vazio de sua falta quando a música acabasse e as luzes do quarto se apagassem.
A música trocou de novo. Eu gritei alvoroçada. A banda tocava ao vivo acordeon de Edward Maya. Talvez fosse a associação ao nome, mas a música me machucou. Juntei as mãos acima da cabeça para não me deixar cair e movi os quadris.
Um calor possessivo em minhas costas, um braço em volta de minha cintura e um beijo em meu pescoço me obrigaram a virar o rosto. —Desacompanhada, Kitten? — (Gatinha)
—Bicher ja. — Sorri sedutora. Ele ergueu uma sobrancelha desentendido. Ergui a mão ao seu pescoço, ainda movendo no ritmo da música.
Ele sorriu sem graça e me apertou a ele, segurando um drinque de maças verdes. —Eu só aprendi a falar algumas palavras em alemão de terça para hoje, sexy Kätzchen. — (Gata sexy)
—Eu disse que até agora sim. — girei para encará-lo e sorri agradada por seu olhar quente.
—Trinken? — Levantou o copo de drinque, arriscando mais uma vez no alemão. O drinque de frutas era uma das poucas bebidas alcoólicas que eu tomava.
—Ja. Sie denken immer an alles gedacht? — Levei adiante a brincadeira, olhando nos seus olhos, sorridente.
Ele aproximou a boca do meu ouvido e mordiscou. —Está sexy você falando alemão, mas eu só entendi o sim e o você.
A euforia da música dançou em meu sangue. Eu queria beijá-lo. Bebi um gole grande do drinque e abri os lábios no queixo dele, dançando mais lenta e sentindo a pressão de seu corpo em mim.
—Eu perguntei se você sempre pensa em tudo. — Traduzi.
—Vou falar na língua que eu domino 'Il mio è tutto voi e come ho sempre pensare a te, penso sempre di tutto. — Disse sensualmente, segurou minha nuca e puxou minha boca ao encontro da dele. (Meu tudo é você e, como eu sempre penso em você, eu sempre penso em tudo)
Ele me beijou exigente, apertou meu corpo a ele, a mão espalmada em meu quadril possessivamente. Meu sangue fervia. Suguei sugestivamente sua língua até que o ar acabasse em meus pulmões. Provoquei-o, movi os quadris, roçando nele. Ele murmurou meu nome em minha boca, mordiscando, alertando, esquecendo onde estava e as pessoas em volta de nós.
—Eu adoro você dançando, já disse isso? — declarou, aliviando o aperto pra que eu respirasse. —Essa carinha que você faz lembra luxúria... Eu estava louco e possessivo só de te olhar do bar. — confessou em meu pescoço, um arrepio construiu-se em minhas costas, dos pés a cabeça.
—Nossa, anjinho. — bebi mais um gole de drinque. —Vamos viver em função de sexo agora? —acusei afetada.
—Se você quiser agora, sim. Dovremmo usare che stai abito corto. — convidou arrastando a mão em meu quadril lateralmente. (Devíamos aproveitar que você está de vestido curto)
O vestido de cetim vermelho intensificava a proximidade e o toque como se eu estivesse sem nada. Fechei os olhos me derretendo e arrisquei com a voz languida.
—Por que não está anjinho hoje e ainda tenta me seduzir em italiano?
—Porque eu decidi que se é essa parte de mim que você quer, você vai ter. Não vou mais reprimir desejos com pressões por compromisso.
Suas palavras me atingiram. Nem a parte de sexo casual eu poderia ter mais, porque isso iria deixá-lo sempre preso a mim.
—É só eu falar em compromisso você muda o semblante. — ele acusou desgostoso. —Esquece isso, vai. Quero você do mesmo jeito que estava agora a pouco. — exigiu beijando suavemente o meu rosto.
Suspirei, aproveitei que o garçom passava e peguei outro drinque. Adiaria a notícia e curtiria o momento, já que ainda tínhamos o fim de semana em família na Califórnia.
—Eu não quero dormir no apê do Emmett hoje. Está muito cheio. — avisei sugestiva e mordisquei seu queixo, o braço enrolado em seu pescoço.
Ele sorriu malicioso e me virou novamente, dançando encostado à minhas costas.
—E dove la signorina che ti piace dormire? — sussurrou em meu ouvido, espalmou minha barriga e beijou o meu ombro, arrastando sua promessa de prazer em mim num ritmo lento. (E onde a senhorita pretende dormir?)
Se ele queria brincar, eu ia entrar no jogo, mas não iria traduzir.
—Wo, weiß ich nicht, aber vorzugsweise mit Ihnen in mir ...Im wörtlichen Sinne. — Disse em alemão. Ele me olhou perdido. Sorri, negando-me a traduzir. Ele me apertou, pressionando-me a falar. Porém, se eu traduzisse, ele não esperaria o fim do baile, depois do convite pervertido. (Onde, eu não sei, mas de preferência com você dentro de mim... No sentido literal)
—Por favor, traduz. — Implorou mordiscando minha orelha.
—Vou falar devagar: Wo, weiß ich nicht, aber vorzugsweise mit Ihnen in mir ... Im wörtlichen Sinne. — Repeti sorrindo. Ele me virou de frente para ele com olhos quentes.
—Eu só entendi a parte mais chocante... Dentro de você? — sorriu malicioso e jogou a cabeça para trás. —Um dia você ainda me enlouquece, sabia? Vamos ter que ir embora urgentemente. — preveniu com voz rouca e carregada de desejo, descendo os lábios por meu pescoço. Eu me controlei para não entrelaçar as pernas em seu quadril ali mesmo. Duas doses de drinque, doses excessivas de paixão e a euforia do ambiente, abafaram censura e deixaram-me à flor da pele.
—Vamos esperar mais um pouco. — pedi. —Parecemos dois adolescentes desesperados. — repreendi-o falsamente.
—'Non sono un adolescente, io sono un uomo disperato per voi, la mia bella... — declarou sensual. Nunca tínhamos brincado antes de fazer juras em outras línguas, por eu não saber falar, só entender. Mas era estimulante. Sua voz vibrava quente nas minhas partes inferiores. (Não sou um adolescente, sou um homem desesperado por você, minha bela)
Sua habitual atitude calma de sedução transformou-se em toques cheios de promessas e olhares lascivos. Um jogo em que os dois provocavam, antes de ele me ameaçar levar embora à força e sairmos apressados.
Edward
Bati a mão em punho na mesa, transtornado e confuso. Por mais que eu tentasse compreender, estava difícil aceitar. Ela passou o fim de semana comigo, trancafiados em um quarto de um motel, regados a beijos e sexo, entretanto no domingo, meia hora antes de eu sair do aeroporto, ela fez a revelação...
Eu me senti um estúpido, degradado, obtuso, usado. Não entendia por que ela demorou tanto a confessar quando o fato não era inédito. Sua desonestidade era inaceitável. Fez-me perder tempo.
Levantei e andei pela minha sala do gabinete como um animal enfurecido, pensando num meio de tirar ela da minha cabeça. Piorava o fato de termos nos esgotado à exaustão na cama juntos. As imagens de nós dois se projetavam detalhadas e gráficas por trás das pálpebras. A sensação de seu corpo no meu e seu cheiro ficaram impregnadas nos meus cinco sentidos.
Fui ao banheiro do capitólio lavar o rosto para me acalmar e ao voltar encontrei Ashley no corredor. Ela me cumprimentou e me seguiu. Eu não estava para conversa, mas ela sentou-se em minha frente.
—Edward, eu vim pedir desculpa por aquele dia. — informou constrangida. —Eu prometo que não vai mais acontecer.
—Que dia? — franzi o cenho mal-humorado. Desta vez não encontrei atitude sua que tivesse me aborrecido.
—No seu carro... er, eu confundi as coisas. — explicou embaraçada.
—Ah... — fiz um esgar amargo, as mãos cruzadas atrás da nuca. Ela referia-se ao dia em que, carente e perdido, fui grosseiro por ela me tocar e por gostar de mim. Justifiquei mentalmente meu ato rude como fidelidade à Bella. Tolice. A recíproca não existiu.
—Não foi nada. —minimizei a importância, mordaz. —Teremos oportunidade de consertar isso. — adicionei sugestivo. A raiva nublava a prudência. Um rancor corrosivo ardia minha garganta.
Ela abriu a boca surpresa. Entrecerrei os olhos, encarando-a, com um desconhecido sentimento vingativo despontando em meu peito. Só existia um meio de desforra, ponderei frio. Levando adiante meus planos e me tornando alguém.
Bella foi injusta ao alegar como desculpa indecisão. Enganou-me. Manteve os dois cercando-a e disputando-a. No fim, o escolheu. A magoa é que inconsciente lutei para que ela escolhesse a mim. Ele ganhou. Locke. Brandon Locke. Administrador da empresa do seu pai em Seattle. Seu par ideal.
Irei esquecê-la, traçar meios de riscá-la definitivamente da minha vida, ainda que isso signifique abrir mão dos meus princípios. Agora, mais do que nunca, abraçarei as oportunidades. Não importa mais. O único impedimento que eu tinha para não aceitar a proposta do senador era minha relação com ela. Óbvio que amarrado à proposta vem uma relação com sua filha. Porém, para quem não acredita mais no amor, um relacionamento que me colocará frente com o meu futuro não me é um peso, senão um degrau.
—Podemos sair novamente. — convidei com um engessado sorriso. —Afinal, iremos dividir o mesmo nome. — sugeri sombriamente. Ela arregalou os olhos cheia de suspeita, depois sorriu, compreendendo a mensagem.
—Você vai ganhar a eleição. — assegurou animada, juntou sua falta de amor próprio e saiu, deixando-me com meus julgamentos.
Arrematando a proposta, tudo que um dia eu sonhei aconteceria. Eu acessaria o poder, a influência e até mesmo o que eu não sonhei, que, contudo, era proporcional à conquista, como nome e dinheiro. Eu poderia crescer pelo meio mais difícil e escalar gradativamente os degraus, como vinha escalando, porém demoraria a chegar... Ou poderia aceitar a proposta e alcançar rápido. Tendo nome e poder, minoraria a convicção íntima de inferior que eu sentia por ter sido trocado por outro.
Sob esses pretextos, entrei no gabinete do senador e aceitei a proposta. Ele não perdeu tempo. Imediatamente fomos ao cartório eleitoral fazer o registro. Após o feito, voltei aos meus afazeres habituais. Esfreguei a nuca melancólico. Por que, se fiz o certo, me sentia vazio e culpado? Não existia harmonia entre a decisão e o que achava ser correto. Não havia alegria. Ao que pelo modo como me obstinei a alcançar, deveria estar em plena realização. Todavia, meus sentimentos se resumiam a angústia por ter me acometido a um conjunto de ações sem reflexão.
Ao fim, todas as vezes que Ashley passava por mim com olhares sonhadores, eu me repudiava mentalmente pelo engano. Repudiava a nós dois. Ela por contentar-se com tão pouco, eu por aceitar. Mas o que eu poderia fazer? Restava-me investir no relacionamento que me levaria ao que eu sempre almejei: ao Poder Americano. Se em todo caso eu sofreria frustração emocional, pelo menos em algum lado da vida eu deveria emergir: o profissional.
—Ryan, aceitei a proposta do seu pai. — Informei quando íamos embora. Meus ombros pareciam pesar mil quilos.
Ele me olhou incrédulo. —Sério, cara?! Vendeu sua alma para o diabo? — censurou balançando a cabeça e levantou da minha cadeira. —Por quê? Você sabe o fim disso!
Ri sem emoção e escorei de braços cruzados na porta do gabinete.
—Não importa. Os fins justificam os meios agora para mim. É o caminho mais curto para alcançar o que tracei. — elucidei amargo, sentindo-me o pior dos seres humanos.
Ele fez uma careta e pôs a mão no meu ombro. —Eu lamento por você. —indignou-se. —Em outro caso eu adoraria ter você na família, não nesse. — lastimou-se ácido, contornou a mesa, colocou impaciente uns CDs em sua bolsa e saiu, decepcionado.
Eu me perguntava se mais alguém, além de mim, iria se decepcionar comigo por eu ter tomado uma decisão absurda baseado em uma frustração.
Bella
Eu tinha consciência que depois do que eu dissesse, tudo que ele sentiria por mim dali em diante seria aversão. Meu coração deprimia-se com a lembrança do semblante ressentido de Edward ao deixar o carro ontem no aeroporto. Vi repulsa, ódio e frustração.
Não ficaram lágrimas em meus olhos, somente certeza de que fiz a coisa certa, novamente. Para me convencer de que tomei a decisão que o colocaria de frente com o que ele planejou, li e reli os e-mails, tentando convencer, antes de tudo, a mim mesma, que eu nunca tive opção.
Segunda-feira minhas férias escolares iniciaram, todavia como perdi uma avaliação e trabalho, tive que ficar na Califórnia para acertar a vida escolar. Deitei após o almoço sentindo um pouco de tontura. Justifiquei ser o stress dos últimos dias, o qual tinha alterado meu apetite. Fechei os olhos e tentei dormir, torcendo para me desligar do mundo. Meu telefone tocou, me tirando do cochilo.
—Oi, Ryan. — Atendi preguiçosa e desanimada. Olhei o relógio admirada por ter dormido mais de cinco horas.
—Bella, tenho uma notícia boa. Acessei o pc do James, fiz uma cópia de todos os arquivos, rastreei o IP do pc da casa dele, invadi-o e estou levantando dados e atividades feitas lá. — enumerou num fôlego só. —Com relação às gravações, não encontrei nada, mas tem uns documentos muito estranhos que eu tô lendo e ligando nas fontes para ver se eu consigo algo. — contou animado.
Esfreguei os olhos e sentei na cama, ainda letárgica. —Não entendi. Por que está mexendo nas coisas do James?
—Porque ele é capacho do meu pai e da minha irmã, então se tem alguma mutreta oculta, com certeza ele está envolvido.
Baixei os ombros, esmorecida. —Ryan, não quero mais ter esperança vã.
—Nossa, Bella, do jeito que vocês estão desanimados sou eu quem vai desistir de vocês. — Reclamou. —Eu só não desisti ainda porque minha família está nesse rolo. O que aconteceu entre vocês esse fim de semana que ele aceitou a proposta do meu velho? — questionou indignado. Diante da notícia, meu estômago revoltou-se. Engoli uma bola amarga. Não imaginei que Edward iria aceitar tão rápido.
—Talvez seja o que ele sempre quis. — respondi fria.
—É. Não sei pelo que estou perdendo meu tempo se Edward vende a alma fácil e você acha que não vale à pena. — censurou severo.
—Não é isso... — neguei magoada. —Ele decidiu. Ninguém colocou uma faca na garganta dele, como fizeram comigo. — acentuei melancólica.
—Você sabe que ele está se aproximando dela, né? É provável que eles se dêem bem. — Alertou propositalmente.
—Eu sei. Ela faz parte do pacote de futuro que ele escolheu. — comentei amarga.
—Ok. Vou investir mais umas noites nessa história. Não é mais por você, porque você entregou os pontos. Agora é por mim. Eu quero descobrir se minha irmã é essa serpente mesmo. — Resmungou contrariado. Despedimos sem calor.
Levantei da cama, abri a porta do meu quarto e encontrei Emmett e Rosalie deitados no sofá, vendo TV.
—Eu fiz bolo de chocolate, Bella. — Rosalie avisou, os dedos no cabelo do Emmett. —Acho que nas férias podemos comer sem culpa. Apesar que, eu falei com Emmett que mesmo passando as férias em Seattle, nós vamos frequentar a academia lá. Você podia largar essa preguiça e ir.
—Ai, Rosalie, eu sou uma música. Músico é artista e artista é preguiçoso. — filosofei zombeteira, arrastando o chinelo até o balcão, onde servi um pedaço de bolo.
—Ora lá, eu também sou músico e não tenho essa preguiça toda. — Emmett se defendeu. Eu deitei no sofá em frente a eles.
—Mas você não tem que dedicar seu tempo livre a quatro instrumentos, só dois. — Rebati, atacando gulosamente o delicioso bolo. —Tudo bem. Pode ser que eu comece a ir à academia com vocês. Mas nada de fazer jiu jitsu. Aquilo não é coisa de mulher. — censurei com uma careta. Rosalie sorriu.
—O Emmett é super protetor. — Rosalie comentou. Olhar seus familiares olhos verdes não me ajudavam na melancolia. —Ele acha que eu tenho que aprender técnicas de imobilização para qualquer perigo. Mas eu não sei que perigo eu posso correr. Ele sempre está comigo! — gracejou e o agarrou em beijos. Eu suspirei saudosa.
—Boa noite. Procurem uma cama. — espetei divertida e levantei. Uma estranha vertigem me desequilibrou. Segurei no sofá.
—Que foi, Bella? — Rosalie alarmou-se.
—Tô comendo mal. Acho que estou anêmica. — expliquei e respirei o fundo. Rose me seguiu até meu quarto.
—Bella, você trata de comer direito. Você sabe que já temos problemas que começaram assim na família. Jasper começou com tonturas e anemias. — Rosalie ralhou.
—Tá bom, mamãe. — brinquei carinhosa.
—Também tem Edward. Eu que não quero aguentar ele enchendo depois. Ele trata você como criança.
—Não vai mais tratar. Ele nem vai mais olhar daqui pra frente para mim. — revelei amarga.
Ela sentou na cama e pegou minha mão animada. —Você vai me falar hoje o que está acontecendo?
—Não posso, Rosalie. Desculpe.
Os dias se arrastaram. A falta de Edward era como um câncer. Sentia falta de seu sorriso radiante cada vez que olhava para o quarto, do seu olhar sereno. Suas roupas continuavam no armário. O perfume. Seu chinelo ao lado da cama.
O recesso da aula de línguas iniciou. Para ocupar meu tempo, eu passava muitas horas no estúdio de Emmett praticando música. A dor e vazio tornaram-se companheiras em meu mundo sem cor, as notas musicais soavam vazias. Por vezes eu olhava nossas fotos. Retratos que me faziam rir, outros que enchiam meus olhos de lágrimas... Fotos de uma história deixada para trás.
Meu desejo era voar imediatamente para lá e desmentir tudo, implorando que ele me perdoasse e que voltasse para mim. Mas a dura realidade refreava o desejo.
Pensei em não ir ao baile de formatura de Edward sexta-feira, na Capital. Não me via no direito, depois de tudo que disse a ele. Todavia, não ir seria mais uma derrota ao ter que me privar de vê-lo subir mais um degrau. Queria estar presente nas suas conquistas, mesmo que agora fosse como simples expectadora e família. Tinha ciência de que minha presença fosse provocar Ashley, mas meu maior receio era a certeza de que nossa proximidade desencadeava uma série de acontecimentos magnéticos inevitáveis, uma atração irresistível.
Depois da experiência com o jatinho na Alemanha, papai comprou um jato particular com capacidade de transporte para dezoito pessoas, incluindo o piloto. Quinta-feira, entusiasmados como crianças, a família mais duas babás voou à Capital para a colação de grau de Edward. Hospedamo-nos no hotel que eu fiquei algumas vezes, perto do aeroporto. Eu, Alice e Jasper dividimos um duplex, o restante hospedou-se em suítes normais. Meu pai pediu três táxis para as treze pessoas, contando com as duas crianças e duas babás, e nós dirigimos ao campus da universidade. Faríamos uma surpresa para Edward. Ele esperava a família somente no dia seguinte, para o baile. Ocupamos a segunda fileira à esquerda do palanque, munidos de faixas, balões e confetes para surpreendê-lo quando seu nome fosse chamado.
A cerimônia iniciou-se com homenagens, um clipe. Abri olhos surpresa quando vi no clipe uma foto de Edward comigo, em frente à casa branca, quatro anos atrás, quando eu fugi para vir à Capital. Época em que podia justificar atitudes impulsivas como imaturidade, despreocupação e irresponsabilidade. Pensei no porquê de ele ter colocado aquela foto. Obviamente tinha entregue a foto antes da nossa última conversa.
Ele fez o discurso como orador da turma. O orgulho me invadiu ao vê-lo lindo, charmoso, bem colocado no papel de destaque. Sua voz rouca e educada me fez suspirar saudosa.
—Baba, Bella! — Jasper arreliou, ao meu lado. Eu sorri, sem esconder o fascínio por meu embaixador em ascensão.
—... A Casa Branca é um modelo, um exemplo a ser seguido. Nos EUA melhor que procuramos construir, não deveria haver mais lugar para o corporativismo pequeno e pernicioso, alheio ao interesse comum e voltado unicamente para seus próprios objetivos, muitas vezes em detrimento do futuro do país[...] O país avança no rumo certo e, com o concurso de todos nós, seguirá a avançar. Será melhor, mais justo e mais igualitário o EUA que vocês representarão[...] Somos conscientes que o diploma e o cruzar da linha de chegada gera convicção de fim e efetiva comodidade, entretanto este é apenas o começo de uma longa estrada a ser percorrida...
Sua eloqüência e fervor eram contagiantes. A convicção nas palavras era comovedora, expunha o homem idealista que era. O discurso terminou, ato seguido o cerimonialista convidou nominalmente os formandos a receberem os diplomas. Ao som do sétimo nome, levantamos de uma vez, assoviamos, ovacionamos, soltamos os balões e levantamos as faixas. Tudo em meio a palmas e euforia. Ele congelou uns segundos, surpreso, o olhar em nossa direção. Pouco a pouco, um sorriso apareceu em seu rosto, radiante. Seus olhos encontraram os meus, incertos. Eu sorri e assoviei, alegre, sem censuras ou arrependimentos por ter vindo. Se era isso que podíamos ter: uma família, Ashley não iria tirar. Seus colegas no palco o aplaudiram animados. Ele assentiu em nossa direção e sentou-se, tímido.Meu amor.
Terminada a cerimônia, os formando jogaram os capelos no ar, então Edward desceu rápido as escadas em nossa direção, eufórico. Ele abraçou e beijou Esme, carinhoso e sorridente. Abraçou meu pai, amistoso, em seguida Emmett, que o ergueu do chão. Eu ri e observei a amizade entre eles sentindo-me deslocada. Observei-o beijar as crianças, Rosalie, Jéssica, uma a um, caloroso e cortês.
—Parabéns, cara, até que enfim! — Jasper, ao meu lado, levantou e ofereceu a mão para cumprimentá-lo. Contrariando-o, Edward o puxou e o forçou a um abraço. —Sai fora, sua bichona de vestido! — Jasper zombou. A família ria de seus preconceitos.
Finalmente, os olhos de Edward me focaram, hesitantes. Eu levantei com um sorriso receptivo e dei um passo até ele, quase acanhada. Parte de mim queria acovardar-se e evitar constrangê-lo a um abraço que certamente não seria de seu agrado. Olhei-o incerta. Todos os olhos estavam sobre nós, expectativos e confusos, já que tínhamos passado o fim de semana juntos. Abri os braços num alerta silencioso do que faria e envolvi-os no seu pescoço.
—Parabéns, embaixador. — sussurrei em seu ouvido. —Você merece cada conquista. — incentivei-o. Ele não devolveu o abraço. Ficou inerte, sério. A rejeição mandou lágrimas aos meus olhos, embora fosse prevista.
—Obrigado, Isabella. — agradeceu frio, distante. Eu me afastei magoada. Mas o que mais eu queria? Provoquei isso!
Ele se virou para os nossos familiares, desconcertado. —Eu vou ali cumprimentar meus colegas e daqui a pouco volto. — Avisou embaraçado e caminhou para o outro lado do auditório. Ryan, Sophia, Ashley, James e a mãe de Ryan o aguardavam. Segui-o com os olhos. Náuseas embrulharam meu estômago ao vê-lo ser abraçado efusivamente por Ashley. Ele devolveu o abraço e sorriu para ela.
—Bella, você acha que ele combinou de sair para algum lugar? — papai questionou, fazendo-me desviar a atenção da mão possessiva de Ashley no braço de Edward.
—Não sei. Melhor perguntar para ele. — acentuei neutra e sentei, esperando que as pessoas dispersassem.
—Se ele não tiver combinado com os amigos dele, podemos sair para jantar.
—Espera ele vir e o senhor fala com ele. — sugeri sem empolgação.
Minutos depois, Edward voltou, animado.
—Obrigado pela presença. —Edward agradeceu sorridente. —Foi uma surpresa e tanto ter a família em peso aqui. —destacou, o braço amistosamente sobre os ombros do Mike.
—Já tá com mania de político, hein, maníaco! — Jasper implicou e lhe deu um murro no braço.
—É o que eu sou. — Edward enfatizou, orgulhoso.
Todos sorriram, menos meu pai e eu. Suspirei e desviei o olhar, incapaz de me congratular com o fato.
—Vamos sair para jantar, Edward? — Meu pai propôs.
Edward olhou em direção a Ryan em dúvida e olhou de volta para meu pai.
—Pode ser... — concedeu incerto. —Na verdade, Carlisle, a turma fechou um bar para comemorarmos. — contou sem jeito.
—Deixe-o ir, pai. Nós o pegamos de surpresa. Podemos jantar sem ele. — propus prática.
—Se vocês quisessem, vocês podiam ir lá... — convidou indeciso, os dedos nervosos bagunçando o cabelo.
Ele esperou a resposta observando meus irmãos, seu olhar distante do meu. Minhas mãos suaram aflitas pela rejeição velada. Assim viveríamos daqui para frente. Eu seria alguém repulsiva que ele evitaria contato. Somente a obrigação familiar nos uniria.
Eu ergui o queixo decidida e me adiantei em resolver o impasse.
—Podemos jantar, depois cada um escolhe seu rumo. Quem quiser ir para o hotel vai, e quem quiser ir para o bar vai. — sugeri firme, sem me furtar de olhá-lo. Seus olhos encontraram os meus. —Afinal, será nossa comemoração em família. — ressaltei, desafiando-o a se opor.
—É uma boa ideia, o que vocês acham? — papai ponderou.
Jasper opinou.
—Eu vou para o bar. Vai ter hip hop lá? — perguntou animado.
—Não. É um bar com música popular e rock pop. —esclareceu Edward. —Só vou porque é o Ryan que está organizando e ele tá me enchendo com isso. —explicou, desajeitado.
—É sua turma, Edward. —Esme interveio. —O certo é se dividir entre a sua família e os amigos. —conciliou.
Saímos finalmente do auditório.
—Eu vou pedir um táxi. — Papai informou quando caminhamos pelo estacionamento.
Eu seguia atrás, por último. Edward caminhava ao lado da mãe dele e do meu pai na frente. Ele brincava com Susan no colo de sua mãe.
—Meu carro está aqui, caso alguém queira ir comigo. — Edward sugeriu.
—Então Bella, Jasper e Alice vão com você. — Meu pai indicou. Eu balancei a cabeça pronta a negar, temendo o tratamento frio de Edward, mas meu pai encarou-me incisivo. —Você conhece algum restaurante bom, Edward?
—Conheço, mas só atende sob reserva. — Edward comentou. Obviamente o mesmo restaurante da nossa primeira noite de amor. Alice se atravessou e pegou no braço do meu pai, aduladora.
—Vamos comer pizza, pai. — Pediu, manhosa.
—Tem uma pizzaria boa perto do hotel que vocês estão. É uma cantina italiana. — Edward sugeriu. Referia-se à pizzaria que freqüentávamos quando eu vinha aqui, La bella Itália, em frente ao Crystal.
—Pode ser então. —papai concordou. —Vão na frente e adiantem os pedidos. Peçam marguerita para mim. — instruiu. Todos fizeram seus pedidos animados.
—Anotados. —Edward gracejou. — Vamos? — chamou impessoal e seguiu na frente. Peguei no braço livre do Jasper e seguimos Edward. Ele tirou o terno, pendurou no braço e afrouxou a gravata.
—Edward, você vai aparecer lá? — Ryan nos interceptou próximo ao carro do Edward, no estacionamento dos formandos.
—Sim. Mais tarde. — Assentiu e abriu a porta do carro, jogando suas coisas no banco de trás.
Aproximei-me do Ryan e o abracei, calorosa.
—Parabéns, amigo. — congratulei. Ele devolveu o abraço com entusiasmo.
—Obrigado... Minha irmã está para botar um ovo desde que te viu. — Ele cochichou disfarçado em meu ouvido.
Eu sorri, infeliz. Queria eu ter o poder de atingi-la de verdade.
—Ela não precisa se preocupar comigo. — sibilei amarga.
—Você vai lá? — Perguntou sugestivo e travesso. —Se eu fosse você, iria. —conspirou.
—Vou pensar. Se ele me convidar, eu vou. — condicionei e parabenizei Sophia, em frente à porta do passageiro.
Edward esperava no carro com a partida ligada. Entrei, apertei o cinto e olhei inquisitiva para ele.Custava me tratar como gente? Ele não me olhou de volta. Pôs o carro em marcha e saiu. Encostei minha fronte no vidro. Ruas se passavam, eu me distraí olhando-as. A angústia por sua frieza incomodava meu estômago. Quase não tinha me alimentado o dia todo, a tensão e silêncio no carro me causavam desconforto.
—Edward, tem como passar em uma conveniência. —pedi humilde. — Queria que comprasse um chiclete para mim, estou meio enjoada. — abri o vidro para respirar, rangendo os dentes para não gritar e não chorar.
—O que você tem? — questionou subitamente alarmado. Sua mão voou para minha testa para checar a temperatura.
—Nada. Só mal-estar. —engoli saliva para reprimir o choro ao ler sua relutante ternura.
Ele estacionou num posto e entrou na conveniência. Eu desci ofegante para tomar um ar e apoiei o corpo ao lado no carro. Minutos depois ele voltou com chicletes e chocolates.
—Obrigada. — agradeci ao por o chiclete na boca. Esperei o efeito da glicose na corrente, depois entrei. Ele me esperava sentado em frente ao volante, num frio e seguro distanciamento emocional.
—Você está... er, com ela? — balbuciei impulsiva. A curiosidade doentia me carcomia. Ele congelou a mão na chave antes de dar partida. Minutos tensos se passaram. Ele olhava para o vazio, o maxilar travado.
—Se vocês quiserem conversar, a gente desce, Bella. — Alice propôs, insegura.
—Não precisa. — Edward negou ríspido.
—Sim, Alice, por favor. — assegurei firme. Queria ao menos conversar. Deveria ser mais forte e deixá-lo em paz, mas admito ser fraca quando se trata dele. Necessito-o.
Alice e Jasper desceram. Edward resistia olhar-me. Seus dedos tamborilavam impacientes no volante. Suspirei e tomei forças para o ataque. Eu roubaria o que pudesse.
Edward
Tentava desviar o foco, mas sentia seus olhos intimidadores me queimando. A mágoa com ela era tão grande que eu não suportava olhá-la. Queria bater em algo, queria me chutar por ser um idiota e por não ter fugido quando tive chance. Ao contrário, congelei indefeso, um débil esperando por mais uma sentença.
Qual seria dessa vez? Vou me casar com ele, Edward, ou melhor, vou casar semana que vem, no dia que nós casaríamos. Era só ela tentar. Sempre teria um jeito de me massacrar mais um pouquinho, bastava querer.
Ela estalava os dedos, nervosa, inspirando e expirando lentamente, o cheiro dela saturando cada partícula de ar dentro do carro, arruinando meus sentidos. Inspirei uma longa lufada de ar para dissensibilizar e fechei os olhos, a nuca no encosto.
—Edward, você me beijaria? — sibilou incerta. Não acreditei no que ouvi. Reprimi o desejo de rir alto da pergunta ofensiva. Ela não era só cruel, ela queria testar meus limites.
Ignorei-a, o olhar fora do carro sem ponto fixo, procurando uma distração.
—Não, Bella. Eu. não. te. beijaria. — Pontuei enfaticamente, engolindo o ácido agudo na garganta.
Sem que eu previsse, ela apoiou o joelho no banco e, antes que eu pudesse fazer algo contra, ela sentou-se em meu colo. Paralisei em choque.
Putz!
Ela era absurda.
Perversa.
Sem nexo.
Insensível.
Macia.
Desejável.
Quente.
Concentre-se. Ela não pode ter esse poder sobre você– meu cérebro me alertou.
Recorri a todo o meu autocontrole ― se é que eu já tive isso ―, e desliguei os sentidos prazerosos que a diaba pessoal distribuía em mim. Aliás, tentei desligar.
Não é novidade que como resposta ao contato, tremores de energia irradiaram em minha perna, né? Sim! Eles estavam lá, sendo difundidos para todas as partes do meu corpo. Até senti falta disso... Não. Não senti. Não sinto falta de algo que eu não quero. Eu não quero mais ela, né? Não. Não mesmo.
Meu cérebro teria um curto até que ela decidisse sair de cima de mim. Uma parte tola de mim pungia contente, outra parte, furiosa, mandava expulsá-la de cima. Lógico que a parte furiosa era limitada. Por isso eu não reagia.
Confiante, ela ergueu a mão ao meu cabelo e acariciou. Eu não me movi. 90% do meu corpo estava congelado. Aliás, 80. Ou melhor, 70% estava congelado. A parte que eu tinha domínio, é claro.
Ignorei-a, controlando a respiração que ridiculamente me denunciava. Meu lado furioso mandava gritar com ela, empurrá-la, empurrá-la, empurrá-la, pra frente e pra trás, pra frente e pra trás...
Não! Isso não!
Empurrá-la do meu colo para o seu banco! Exigir que ela parasse de me arruinar e que se colocasse em seu lugar! Entretanto, o outro lado se perguntava: por que ela tinha que ser assim: tão, tão, tão, TÃO quente?
Ahhhhh. Que confusão!
Movi-me desconfortável no banco, sem olhá-la. Ela me observava curiosa, respirava em meu rosto e acariciava minha sobrancelha, nariz, como se eu fosse um tesouro. Droga! Eu não consegui fazê-la parar. Por que eu não conseguia brigar? Por um acaso eu estava sem língua?
—E se eu te beijasse... você negaria? — Ela sussurrou próximo a minha boca, tentando-me. Meus olhos permaneceram lá fora onde tinha um contêiner intrigante, um gato magro e feio, uma lâmpada queimada. Ela lambeu o canto dos meus lábios, insinuando a ponta da língua doce na minha boca.
Estremeci em alerta!
Algum lado do meu cérebro ganhava o combate. Exatamente o fraco, viciado e corrompido ― sem falar no obcecado.
—Bella, n-não. — neguei, ofegante. Sua respiração deliciosa deixava-me aos poucos tonto. Ela arrastou os lábios no meu, extorquindo-me o juízo. Segurou meu rosto, forçando-me a olhar para ela.
—Eu queria co-me-mo-rar o seu di-plo-ma do jeito que me-re-ce-mos. — convidou sedutora, a língua molhando os lábios e atraindo meus olhos para sua boca. Estaquei hipnotizado. Engoli saliva. Ela enfiou os dedos em meus cabelos. Fechei os olhos para me defender, tentando me livrar da imagem de sua boca. Não ajudou. Seu mover sutil sobre minha pélvis não ajudava, em absoluto.
Putz, quem inventou esses vestidos tomara que caia, curtinhos e folgados devia ser processado. Ou melhor, expulso da sociedade ilibada. Não era roupa para sentar-se no colo de um homem perdido. Não a protegia.
Concentre-se e mande-a sentar lá! Uma vozinha gritou longe, mas muiiito looonge.
—Posso te beijar? Eu só vou fazer o que você queira. — avisou, a língua passeando lascivamente no meu lábio superior. Estremeci novamente. De frio, é claro. Ou de calor. Argh, não sei.
Ela sorriu em meus lábios, perversa, atormentando-me, lutando em me fazer seu escravo, obrigando-me a aceitá-la com o coração dividido em dois.
Ah! De jeito nenhum!
Eu não quero isso...
Eu não quero...
Eu quero...
Quero...
Eu me sentia um estrume, humilhado por, apesar de tudo, querer tanto ela, ao ponto de não controlar os espasmos no corpo com o assédio de sua língua em minha boca.
Eu quero.
Suspirei e liberei as mãos, pousando-a em sua coxa nua. Ignorava meu lado furioso, que me censurava e me chamava de tolo, fraco, obcecado ― TRAÍDO.
Mas eu a quero!
Ao notar minha rendição, ela abriu a boca na minha e abriu espaço com a sua língua petulante e usurpadora. Será que eu pensei alto? Ela se arrastou provocantemente para frente, exatamente como a Bella que ela era, e pressionou os seios em mim, intimando-me a tocá-la. Insistiu com os movimentos, fazendo-me gemer a cada movida coerciva sobre minha inevitável e indefesa excitação. Minha respiração acelerou-se mais. Meu corpo gritou em ebulição: eu quero. Eu quero tudo dela!
Sem resistência, minha boca passiva se abriu e apossou-se de sua língua, acariciando, chupando. Ela ofegou inquieta, transformando meus sentidos lentos em urgência. Minhas mãos subiram ávidas e exploradoras por dentro de seu vestido solto. Ela sorriu triunfante em meus lábios.
—Dorme comigo hoje. — convidou segura, a boca mordiscando a minha. Minhas mãos acariciavam sua barriga. Ela me irritava e me excitava com sua ousadia e atrevimento.
—Bella, não... Isso está errado... A cada dia as coisas estão mais erradas entre nós. — Censurei, prendi seu rosto com uma mão, longe da delicadeza, e mordi o seu queixo. Uma parte de mim queria fazer coisas assustadoras e perigosas com essa mulher cruel nela, como: puxar seu cabelo, castigá-la, mordê-la toda. Porém, o que fiz foi restringir meus dentes ao seu queixo e pescoço, fazendo uma ponte entre a raiva e o prazer. Ela arqueou e me arrancou um rugido com o atrito do seu corpo quente no meu, desabotoou minha camisa e desceu com os lábios pelo meu ombro.
—Parabéns, pela conquista. — celebrou e desceu a mão ousadamente em minha barriga. Fechei os punhos, atormentado.
Seus lábios voltaram para os meus, a língua poderosa e ditadora persuadindo e tomando, fazendo de mim o que bem queria. Pousei as mãos sobre o seu sutiã meia-taça, apertando os seios, ansioso. —Por que está fazendo isso comigo? — acusei ressentido, mordiscando seus lábios.
—Porque eu amo você e não consigo me afastar. — arquejou quando desabotoei frontalmente o sutiã e pesei seus seios nas mãos, medindo-os e salivando de saudade.
A situação era degradante, mas como escravo desse amor doentio aceitaria qualquer situação que ela ditasse. Apertei seus seios nas mãos, polegar e indicador punindo o mamilo. Ela grunhiu deliciada, seus lábios nos meus num abandono sem igual. Deus, eu não podia resistir. Nada supria a falta daquela pele macia, do seu gosto. Eu poderia viver um amor unilateral, não poderia? Sim. Desde que ela se entregasse tão indulgente a mim, como sempre foi.
Era desprezível, vergonhoso, todavia eu a aceitaria ainda que eu tivesse que dividi-la com outro. c
Idiota! ― Meu cérebro gritava.
Eu quero.
Não passava de um perdido, miserável, fraco, louco, obsessivo, apaixonado.
—Por que, Bella? — Arfei. Eu queria saber o que deu errado. Queria saber por que chegamos a isto. Beijei seu ombro com toda a raiva abrandada, a saudade infinita e paixão desmedida exigindo que eu a abraçasse forte.
Passei os dedos na lateral de sua comportada peça íntima inferior, regozijando de prazer com a familiar e aconchegante intimidade.
—O futuro de nós dois depende de você. Você decide. — destacou enigmática, a língua lambendo minha orelha. Não. Lambendo não. Aquilo era extorsão, um assalto lascivo. Eu não tinha coerência para pensar. Mas iria tentar... Hmmm... Ela propôs exatamente o futuro que eu imaginava. Ficar com os dois...
Ela se afastou e abriu, como se fosse dona, o botão da minha calça. Eu suspirei de expectativa, ela desceu o zíper, acariciou toda a espessura e estremeci quando seus dedos deslizaram na ponta, espalhando fluídos.
Droga, como eu posso viver com isso? Saber que a mulher com quem eu ia casar, apaixonou-se por outro e queria que eu decidisse nosso futuro triângulo amoroso!
Hmmm...
Os pensamentos fugiram. Não existia mais nada coerente na minha cabeça, somente confusão, névoa e desejo. Arfava ansioso, a barriga tremendo com sua mão quente se colocando dentro da boxer. Aliás, me colocando para fora, os dedos possessivos em volta de mim, subindo e descendo.
Ah... Voltando a pensar... Ela quer que eu decida se ficamos juntos casualmente mesmo ela tendo outro. É isso?
Hmmm...
Eu não quero isso!
Eu não quero...
Eu quero...
Quero...
Quer...
Putz! Isso é coerção... Coação... Persuasão... Repressão... Pressão... Pressão... Cadê meu juízo? Não existe mais cérebro aqui.
Ela se afastou e entreabriu a boca, faminta e cheia de luxúria nos olhos. Escorregou em minha coxa e inclinou-se, cheia de promessas. Não tinha como pensar diante da ameaça de prazer daquela boca molhada, macia, quente, ardente. Não tinha. Não tinha mesmo.
—PORRA! VOCÊS VÃO SE PEGAR AQUI, OU NÓS VAMOS EMBORA? MEU PAI JÁ LIGOU DUAS VEZES! —gritou Jasper, impaciente, ao abrir a porta de trás.
Fingi que ele não estava lá ― atrapalhando o pervertido que eu virei ―, abracei-a e encostei minha testa na dela, ainda padecendo em sua mão, no duplo sentindo.
—Você é indecifrável... Uma incógnita para mim— acusei, ouvindo a porta bater forte. —Tantos anos, e eu não te conheço... — gemi, as palavras falhando diante do prazer de sua habilidosa mão. —Você diz que me ama e me trocou por outro cara. — Rangi os dentes e arquejei, cheio de energia, tentando dominar o prazer que crescia.
—Você diz que me ama e não escolheu a mim. — salientou e voltou a cobrir meus lábios. Eu não tive tempo de desfiar suas palavras, pois sua língua se abandonou arbitrariamente na minha boca. A ânsia subia em meu corpo, puxei o ar pelos dentes, aflito pela culminação. Ela sorriu em minha boca, maligna.
Resisti chegar ao ápice. Comprometeria nossas roupas e eu não tinha lenços no carro para conter os fluxos. Homericamente frustrado, abracei-a forte, restringindo seus movimentos, e mergulhei o rosto em seu cabelo.
—Eu sei que você quer só um momento... Mas não temos tempo aqui, então vamos comigo para o bar e depois eu vou dormir com você. — propus, ofegante, censurando-me por me conformar com tão pouco.
Nossa respiração aos poucos se acalmou. Ela demorou a responder, depois impôs a condição.
—Eu vou, mas agiremos discretamente, afinal, você está comprometido e, er, eu também. — Pediu neutra, pressionando meu pescoço com os lábios.
—Eu não estou comprometido. — retruquei contrariado.
—Está sim! — teimou séria. —E não é só com ela, é com o futuro que você traçou para si. — destacou incisiva. Eu não compreendi a crítica velada. Obviamente ela soube que eu aceitei.
Atormentado, suspirei e fitei o teto, sopesando suas palavras. Necessitava conversar, colocar para fora essa angústia que me afligiu a semana toda, o conflito que tirava o meu sono.
—Eu não sei se estou feliz com a decisão que tomei... — confessei, acariciando o seu cabelo, a dor da frustração incomodando. No duplo sentido.
Um silêncio opressor cresceu no carro.
—Foi a sua escolha, Edward. Vamos. — Ignorou a confissão e se afastou do meu colo.
Emocionalmente derrotado, eu me recompus no banco e arquivei o assunto numa gaveta. Não interessava. Ela não se importava.
Continua...
Olá, leitoresno próximo capítulo tudo se resolve, fiquem calmos. Muito obrigada por ler, por reler, pelos recadinhos, pelas recomendações. Grande abraço.
Bia Braz
