Capítulo Entre o Amor e o Poder

Os homens pensam que possuem uma mente,
mas é a mente que os possui.
Há pessoas que amam o poder,
e outras que tem o poder de amar.

Bob Marley

Bella

Dentro da cantina italiana, todos nos aguardavam com olhares especulativos. Entrei na frente, ao lado de Alice. Edward logo atrás.

—Demoraram — papai comentou, o olhar questionador sobre mim.

—Eles estavam se comendo no carro! — Jasper zombou. Entrecerrei os olhos censurando-o pela descarada fofoca. —Ah, não, desculpa. Erro de interpretação. Eles estavam conversando, ela sentado no colo dele, com a boca na boca dele, e só Deus sabe o que mais! — ironizou fazendo gestos obscenos de um dedo enfiando na sua mão em punho. Sua irreverência levou todos a sorrir.

—Pare, Jasper! — Alice repreendeu-o. Ele baixou os ombros submisso e piscou furtivamente para mim. Sentei ao lado de Edward na mesa.

—E aí, Edward, quais os seus planos para o próximo ano? — papai questionou, embora já soubesse. Eu o tinha atualizado hoje sobre o que Edward escolheu. Edward cortou pedaços pequenos de pizza.

—Eu vou concorrer às próximas eleições — revelou tranquilo.

Carlisle arqueou as sobrancelhas fingindo surpresa. Eu baixei o olhar, pesarosa e conformada.

—Desejo toda sorte — felicitou e brindou com a taça de vinho no ar.

Edward assentiu, espetou um pedaço de pizza no garfo e me ofereceu.

—Não precisa cortar pizza para mim — avisei incômoda com os olhares curiosos. Meus irmãos já não entendiam nossa relação. Ele terminou o caminho do garfo em minha boca.

—É o costume — justificou-se com um sorriso tímido.

—Você acha que tem chance de ganhar, Edward? — Papai requisitou sua atenção.

—Acho que sim. As pessoas não me conhecem, mas vão votar no sobrenome — esclareceu, depois olhou-me desconcertado. Eu dei um sorriso forçado, fingindo não me importar.

—E qual vai ser o sobrenome? — Mike especulou, completamente por fora do assunto.

—Evans. O mesmo do senador — contou desconfortável.

Sons de pigarros e olhos arregalados encheram a mesa de tensão. As perguntas não feitas pairavam no ar.

—Ele vai se casar com a filha do senador, como num contrato de fusão — esclareci dando de ombros, minimizando o fato. Ele travou o maxilar carrancudo, inclinou-se e segurou meu queixo. —Eu não tenho certeza ainda. Tudo depende de você — ressaltou baixo, me encarando.

—Você fez sua escolha — acentuei secamente.

—Você me induziu a escolher quando optou por ostentar um Locke — acusou magoado e voltou sua atenção ao meu pai. Conversaram de igual para igual, debatendo concorrentes com potencial, acertando apoio. Ao fim, decidimos ir em um carro só para o bar, eu, Rosalie, Emmett, Jasper e Alice. Jéssica não quis ir por causa de Seth e de Mike. Ela hoje usava uma discreta aliança de noivado. Papai e Esme negaram a ir para se recolher cedo.

O bar ficava a dez minutos do hotel. Ouvia-se a animação à distância. Um coro de formandos alegres acompanhava a banda que tocava ao vivo. Eu segui Edward em discreta distância até a mesa do Ryan.

—Sentem conosco — Ryan convidou, apontando umas cadeiras vazias. Os casais de traidores dos meus irmãos dispensaram o convite e seguiram para a pista de dança sem me incluir. Eu sentei sem opção. Em minha frente sentava-se a irmã do Ryan.

—Boa noite — cumprimentei educada James e Ashley. Eles responderam frios.

—Pensei que vocês não vinham mais — Sophia comentou, quebrando o gelo.

—Nossa família foi comemorar antes numa pizzaria — expliquei e encarei Ashley, desafiando-a a reclamar.

O professor que entregava canudo abordou Edward e iniciaram uma conversa. Eu ergui o queixo ao perceber o minucioso exame adversário de Ashley.

—Vocês terminaram o noivado? — James questionou. Olhei-o de canto num claro olhar censurador por sua curiosidade intrometida, mas sorri composta.

—Sim. Nós dois estamos em outra — menti fingindo pouco caso.

Ashley mediu-me novamente, indiscreta.

—O que você bebe, Bella? — Ryan questionou solícito, a atenção no garçom ao seu lado.

—Drinque de fruta cítrica, e bem fraco — pedi amistosa. O garçom anotou. Eu balancei a cabeça no ritmo da música que tocava e bati os dedos na mesa. Ninguém veria em mim postura vencida. Ryan deixou a mesa para conversar com seus amigos. O drinque de kiwi foi servido. Eu apreciei o sabor em goles curtos concentrada na conversa de Sophia sobre o baile no dia seguinte.

Os olhos de Edward não desviavam de mim. Eu evitei encará-lo por ter a impressão de ser vigiada por Ashley. A presença dela na mesa me incomodava. Cínica. Provocadora. Eu queria jogar a drinque em seu rosto, chamá-la de chantagista perdedora e rasgar sua blusa indecente de peitos siliconados. Meu lado mais infantil queria puxar seu cabelo e, talvez, enforcá-la... Embora eu me conformasse só em poder ficar em paz com Edward.

Mas o que adiantaria? A escolha de Edward foi feita!

Tranquei as emoções revoltadas e desviei os pensamentos das frustrações. Meu estômago deu uma pontada de ansiedade. E quanto mais permaneci na mesa, mais crescia o mal-estar. Não queria ser atingida por sentimentos tão escuros, como aversão e raiva, porém era maior que eu. Rangi os dentes sentindo-me derrotada. Sem que eu pudesse evitar, eu queria chorar. As emoções em mim oscilavam inexplicavelmente.

—Sophia, vou ao banheiro — avisei. Ao levantar, senti náuseas. Lavaria o rosto para me livrar do mal-estar.

O banheiro cheio me desanimou. Eu passei direto para o corredor de saída. Tomar um ar resolveria. Nervosa e angustiada, encostei-me a um carro e suspirei, engolindo o repentino pranto. Uma contração no estômago me fez dobrar. Tossi três vezes, sentindo a pizza voltar. Me dobrei mais, segurei meu cabelo e coloquei tudo para fora, na grama.

—Bella! — Edward surpreendeu-me alarmado. Expeli mais um jato. —O que há? —questionou ansioso.

—Sai! — grunhi e fiz gesto com a mão para ele se afastar. Minha garganta ardia e lágrimas desciam de meus olhos. —A pizza fez mal — expliquei fraca. Olhei para cima e respirei fundo.

Ele me deixou. As lágrimas desceram abundantes, ressentidas, ainda que eu tivesse pedido que ele se fosse. Minha própria confusão e carência me assustava. Nem eu me entendia. O mal-estar não passou. Sentei no meio fio sentindo arrepios, mãos trêmulas. Desconheci essa minha fraqueza, quando nunca fui de passar mal. Talvez fosse o fato de ter ficado muito tempo sem comer e, quando comi, foi uma pesada pizza.

—Eu trouxe uma soda para você. — Ergui o olhar e encontrei Edward segurando um refrigerante de limão.

—Não precisava se preocupar — admoestei-o rouca e indolente. Aceitei a soda grata. —Entre para ficar com seus amigos. Daqui a pouco eu entro — aconselhei preocupada. Eu não queria problemas com ela por ele estar aqui.

—O que você está sentindo? — Agachou-se em minha frente solícito e passeou a mão em minha testa.

—Estou enjoada e com um pouquinho de dor de cabeça — expliquei e bebi mais um pouco de soda no canudinho.

Ele esfregou minha nuca e beijou minha testa.

—Podemos ir embora — sugeriu carinhoso.

—Não — neguei firme. —Acabamos de chegar. Foi só um mal estar bobo — argumentei teimosa.

—Não é bobo. Eu nunca te vi doente. Você está pálida como papel. — Ele acariciou meu cabelo. Fechei os olhos para curtir o mimo e deitei o rosto em sua mão.

Ele deixou-me na porta do banheiro e voltou para a mesa para falar com Ryan, depois foi à pista de dança falar com nossos irmãos. Decidi não voltar mais para a mesa, fiquei em pé no canto do bar. James aproximou-se em silêncio e fiquei surpresa quando ele me entregou um bilhete. Eu abri e li alarmada. Preveni a aproximação de Edward e escondi o bilhete. Edward pôs os braços sobre meus ombros.

—Melhor, amor? — Edward questionou possessivo. Olhei-o. Ele parecia ciumento. Tinha razão. James parecia querer tudo que pertencia a ele.

—Sim. — respondi tensa. Edward encarou James cheio de desconfiança, como se perguntasse qual era a sua.

—Er... Eu trouxe... — James começou, nervoso.

—Um recado para você, Edward — interrompi. —Vocês têm que chegar amanhã ao ginásio da Universidade duas horas antes para uma sessão de fotos — repassei a informação que Sophia me deu na mesa. Edward olhou-me em dúvida.

—Recado dado, James. Até mais. — Edward despediu-se e me puxou para o estacionamento.

Durante todo o trajeto para o hotel, Edward permaneceu calado. Eu sentia minha garganta arder. Suprimi a vontade de gritar, impotente. Meu Deus! Será que eu nunca mais terei paz? Pelo jeito não. Para cada ação, uma reação. Para cada minuto feliz com ele, uma retaliação.

As letras do bilhetes ainda dançavam diante dos meus olhos: Você está sendo egoísta. Está pensando somente em você. Seria um ótimo presente de formatura se segunda-feira a filmagem e os documentos estivessem em todos os jornais.

Entramos no duplex do hotel. Jasper e Alice tinham permanecido no bar com Emmett e Rosalie. Entrei em distante silêncio, tirei o vestido e parei em frente ao armário.

—O que você falava com James? — indagou e me encurralou, as duas mãos na altura do meu pescoço na porta do armário. Lutei contra o choro. Queria me jogar nos seus braços cansada das chantagens, mentiras e de omissões.

—Eu te falei. O que mais eu conversaria com ele? — Sufoquei o desejo de confessar.

Ele tirou um saquinho de veludo de sua carteira, depositou em minha mão e sorriu sem jeito.

—Presente de aniversário. Parabéns! — Desejou carinhoso.

—O que é? — Abri curiosa. Era uma joia em formato de oito, achatada.

Ele afastou-se e desabotoou sua camisa, o olhar em mim.

—É um símbolo matemático. É o símbolo do infinito — explicou e guardou a camisa no cabide.

—Hmmm, mas o que significa? — Alisei a jóia fascinada.

—É um símbolo da antiguidade. — Ele sentou na cama e tirou o sapato, então colocou alinhado ao lado da cama. Sentei-me ao seu lado, analisando os pequenos filetes de diamantes na jóia.

—E o que significa? — Exigi. Sempre tinha uma mensagem oculta em seus presentes. Ele sorriu torto e segurou meu queixo.

—Você sabe. Além do ouro que eu me comprometi a te dar por seu investimento em mim, é o símbolo do meu sentimento por você — declarou com olhar intenso. —Não importa o que eu faça, não importa o futuro ou com quem eu case... — Baixou o olhar e segurou a minha mão. —Vai ser sempre você, Bella, independente de como estamos agora. Eu sempre vou amar você. Por toda minha existência e se existir vida após a morte. É infinito o meu amor por você.

Eu soltei o ar, sentei de lado em seu colo e abracei-o forte, o queixo em seu ombro. Eu me abstive de dizer algo. Não macularia o momento por ter recebido outra ameaça.

—Quando você comprou? — Eu quis saber, curiosa.

—Ontem. — Torceu os lábios, meio desconcertado.

Abri a boca admirada por ele ter comprado ontem, mesmo depois de ter aceitado a proposta do senador e mesmo depois do que eu disse sobre Brandon.

—E você planejou me dar isso quando? — questionei. Ele me deitou em seu braço, como criança. Sorriu e beijou minha bochecha.

—Guardei para te dar no baile amanhã, aliás... —olhou no relógio de braço. —Hoje à noite. — Encostou os lábios no meu. —Eu suspeitei que de alguma maneira acabaria em sua cama. — Sorriu malicioso.

—Ah, é? E como tinha certeza disso? — Fingi de difícil, os dedos memorizando sua desenhada sobrancelha.

Ele suspirou em dúvida. —Eu não sei explicar... Quando estamos perto, eu me movimento em sua órbita. É quase certeza que terminaremos o dia juntos. Como gravidade, entende?

Eu assenti e bocejei. Ele me levantou de seu colo e me deitou na cama.

—Ainda tenho que escovar os dentes — reclamei sonolenta. Ele desabotoou meu vestido atrás e desfez dele, prestativo.

—Onde está seu nécessaire? — Beijou meu ombro.

—No armário. — Apontei. Ele levantou. —Pegue a sua escova de dente também — instruí. Ele abriu o nécessaire, pegou as escovas e cruzou os braços.

—Você também sabia que eu iria acabar na sua cama — acentuou fatídico. —Até meus chinelos você trouxe! — acusou convencido. Eu sorri rendida. Contudo, secretamente eu acreditava ter um jeito.

Ele ajoelhou na cama, puxou-me pela mão e me puxou para o banheiro. Eu me inclinei na pia e retirei a maquiagem, esgotada física e emocional.

—Caso você queira, eu posso te dar um banho — convidou malicioso, olhando-me da porta. —Parece que acabaram suas pilhas.

—Só não vou aceitar a oferta porque estou me sentindo mole até para ficar em pé no chuveiro, e esse apê não tem banheira — lamentei e passei o fio dental, sentada na tampa do sanitário. —Eu tenho razão de estar cansada, acordei cedo, voei horas de avião, estava de salto, passei mal, e agora são exatamente duas horas da manhã.

—Onde está os seus pijamas super resistentes a mim? — indagou brincalhão, olhando-me apreciador. Eu usava top e calcinha.

—Na minha mala — inclinei na pia para escovar. Ele deixou-me e foi ao armário. —Têm rôpa shua tabém — informei.

Ao voltar, ele tinha na mão um pijama curto de algodão branco de coração vermelho e uma caixinha de anticoncepcional. Ele levantou e me mostrou.

—Não que seja da minha conta, mas você e ele... — interrompeu sugestivamente. Eu balancei a cabeça negando horrorizada. Como ele podia pensar isso?

—Não! Não é assim — neguei constrangida, peguei a caixinha de anticoncepcional na mão dele e voltei para o quarto. Vesti o pijama e deitei de lado. Ele foi para o banho. Ruminei sua pergunta e pensei no motivo da caixinha estar lacrada. Por causa das nossas férias em Forks.

Acho que eu quero ter um filho logo, assim quando meu filho virar adolescente as pessoas vão falar assim: nossa, parece irmã! — Eu gracejei. Ele deitou sobre as almofadas no sofá e me puxou para deitar com ele.

Você pergunta para mim, mas eu nem sei. Não depende de mim. Você acaba fazendo sempre o que quer. Para mim, quando vir vai ser bem vindo. Até porque, se vir, eu vou estar casado com você de qualquer maneira, afinal faltam cinco meses para o casamento e, como uma gravidez dura nove meses, vai ser um filho dentro do casamento — explicou tranquilo.

Então vou parar de tomar os remédios. — Combinei e dei beijos em seu peito, por cima da camiseta.

Você quem sabe. — Deu de ombros.

Voltei à realidade assustada. Sentei em alarme, como se despertasse de um sonho.

—Que foi, Bella? — Edward questionou preocupado. Ele já tinha voltado do banho e secava os pés. —Está passando mal de novo?

—Não. Estou bem — garanti ausente, a voz estrangulada.

Pus a cabeça entre as mãos e tentei calcular a última vez que tive ciclo menstrual. Deixei de tomar pílula em agosto. Quando parei de tomar, eu desregulei completamente, depois normalizou. Mas desde que esse furacão começou em minha vida, tudo passou num borrão. A menstruação deveria ter vindo no meio do mês, mas eu nem lembro se no mês passado veio!

—O que foi, Bella, teve pesadelo nos cinco ou dez minutos que apagou? — Ele provocou divertido. Eu continuei pensando nas possibilidades. Minha pulsação correu com a perspectiva. Automaticamente segurei minha barriga, protetoramente.

Raciocinando logicamente, essa era a única explicação para o meu estado nos últimos dias: o sono, a fraqueza, as náuseas, a falta de apetite, a pequena tontura, a mudança de humor. Após a certeza, uma lágrima rolou dos meus olhos.

—Bella, o que há? Está com dor no estômago? — Edward acercou-se de mim ansioso e limpou a lágrima. Eu não podia estar grávida, aliás, não devia. Não nessa situação. Porém, eu tinha certeza. Mais que certeza.

As lágrimas desceram mais abundantes e soluços fortes se formaram em meu peito.

—Que foi, amor? — Ele me puxou para seu colo, em pânico, e me movimentou para frente e para trás para me acalmar. O choque pela descoberta me deixava em profunda desolação. Em outra ocasião eu não choraria. Pelo contrário. Este foi um filho planejado. Sonhamos juntos com um filho nosso...

Deus, e eu queria muito este nosso bebê... Mesmo que eu não pudesse lhe falar. Eu sei que prometi para mim não magoá-lo mais com minhas atitudes incertas e com minhas lágrimas. Mas as lágrimas não eram necessariamente de tristeza, eram de amor. Por causa do selo eterno do nosso amor. O que restou de nós e que podia continuar.

—Não chore. Você estava tão bem... — suplicou beijando o meu rosto.

—Calma, anjinho — tranqüilizei-o. —Não estou chorando de tristeza — não agora, adicionei mental. Respirei fundo e limpei os olhos com as costas das mãos.

—Qual o problema com você? — Ele apoiou minha cabeça em seu peito pesaroso. Como eu sentia por ele. Acima de tudo, ele tentava me entender, sufocando seu orgulho.

—Nenhum... Estou cansada. — Acariciei o seu rosto, pensando em como seria lindo nosso bebê.

Seu olhar refletia perguntar não feitas. Eu me senti miserável por não poder revelar. Uma nova lágrima doeu. —Eu não mereço o seu amor, Edward. — Lamentei, levantei do seu colo e deitei na cama, o rosto enterrado no travesseiro.

Ele deitou atrás de mim e passou os braços em minha volta protetoramente. Seus dedos se moveram em minha barriga ― como de costume ―, e estremeci num soluço impotente. Ele não iria poder acariciar minha barriga em sua formação, lamentei.

Ele acariciou meu cabelo, consolando-me e apoiou o seu rosto no braço. Seu olhar implorava que eu me abrisse. Eu queria falar, queria compartilhar minha felicidade, mas a abafei o desejo com a injuriosa omissão.

Pela manhã, acordei melhor, com ele acariciando embaixo da tornozeleira no meu pé.

—Parabéns pelos vinte anos, bela adormecida! — congratulou e apontou para o carrinho de café da manhã. No relógio marcava 11h. Ele sorria um sorriso iluminador. Parecia feliz. Ele retirou um mini bolo de milho.

—De quem é o primeiro pedaço? — perguntou matreiro, estendendo para eu partir. Eu cortei metade e sorri.

—É seu. Sempre seu — declarei carinhosa e entreguei em sua mão. Ele mordeu um pedaço e ofereceu-me na boca.

—Eu sei que só tem eu aqui, mas eu vou acabar acreditando. — Sorriu lisonjeiro.

—Acredite, desde os meus treze anos o primeiro pedaço de mim é seu. — Ajoelhei na cama, inclinei e deitei a cabeça em seu ombro. Ele enlaçou a minha cintura. —Você foi meu primeiro beijo, primeiro amor, primeira infração, primeira fuga, primeiro porre, primeiro sexo — enumerei 'E primeiro filho' pensei.

—Felizmente, a recíproca é verdadeira em tudo, salvo pela fuga — aclarou, me deitou na cama e deitou a cabeça em minha barriga. —Suas irmãs avisaram que estão indo para o salão duas horas — informou, abraçado ao meu quadril. Eu acariciei o cabelo dele, feliz, por mesmo sem saber, ele estar tão próximo a sua semente.

—Eu é que não quero nem saber de salão. Já fiz unha e depilação ontem, então hoje nada de salão. O máximo que vou fazer é um baby liss com Alice.

—Hmmm, fez depilação ontem? — sugeriu sem vergonha. —Eu não entendo você. Todos os meses você diz que não vai voltar lá e acaba voltando.

—Ah, o resultado vale a pena — gracejei com um risinho descarado. Dei uma pausa silenciosa, ainda acariciando seu cabelo. —Por que, Edward? Por que você não me rejeita, mesmo com essa história toda? — questionei triste por nós. Pensei que depois que ele soubesse do Brandon, ele nunca iria me perdoar ou aceitar.

Ele ficou em silêncio por segundos. Sentou e pegou um toddynho no carrinho, com olhar distante.

—É uma verdade degradante, mas não posso fugir dela. Independente da situação, eu me sinto feliz com você. Eu me conformo, embora ofenda minha honra. Estou tentando agir como você sempre agiu: aproveito quando estamos juntos e esqueço o amanhã. Finjo que não existe nada além de nós — explicou simples.

Eu suspirei admirada com sua facilidade de se abrir. Ele admitiu, sem dissimular, que se conformaria em ser meu amante ou em me ter como amante. A ideia não era de toda ruim. Lanchamos entre sorrisos cúmplices. Ele vestiu uma bermuda brim caqui e uma camiseta preta. Roupas que eu trouxe para ele.

—Bella, eu tenho que ir buscar meu smooker no alojamento, porque à tarde vou deixar meu carro com as meninas para elas se locomoverem.

—Tudo bem. Quando você chegar, pedimos comida — avisei, ele beijou minha testa e saiu.

Atravessei a sala e bati na porta de Alice. Jasper jogava no notebook em uma mesinha. Alice lia uma revista na cama.

—Alice, eu não vou para o salão com vocês. Quero só um baby liss — informei e deitei ao seu lado na cama.

bom.

—E ae? Tirou o atraso? — Jasper arreliou. Eu ignorei-o. —Que rolo é esse de vocês, hein? Edward está corneando você, é? Eu hein! Ninguém entende! — criticou rindo.

—Jasper, cuide da sua vida, vai — entrei na brincadeira. —E vocês dois? Estão dormindo juntos? — arqueei a sobrancelha curiosa.

Eu suspeitava que não. Só há uma semana ela descobriu que não era sua irmã.

—Ai, ai, eu durmo com Alice quase todos os dias tem mais de um ano — gracejou. Eu abri a boca em choque. Como eles dormiam juntos, se ela sabia que eram irmãos?! —Ih! Mente perva! Não é nada disso que você está pensando. Ainda não rolou, se é o que você quer saber. Sou uma cara de responsa e estou dando um tempo. Afinal, o pai da minha namorada é o meu pai. Que rolo, ?! — zombou e contou nos dedos. —Minha namorada é minha irmã, meu pai é meu sogro, minha irmã é casada com o meu irmão, então ela é minha cunhada. Cruzes! Vou enlouquecer!

A conversa estendeu por um tempo. Deixei-os e voltei ao quarto. Uma vez estando longe de Edward e das pessoas, eu podia ler de novo o bilhete e pensar claramente. Pesei o fato de Edward ter aceitado a proposta, seu desejo intenso de chegar ao poder, associei ao fato de estar grávida, acrescentei as ameaças do bilhete e tomei uma decisão: falar ao meu pai do bilhete. Meu coração voltou a doer após a ligação. Ele me aconselhou a seguir em frente com o plano que expus. Hoje, mais uma vez eu teria que magoar a nós dois. Eu e Edward.

Edward voltou e, mesmo que eu me sentisse completamente errada, eu curti a tarde com ele, entre sorrisos e carinhos.

—Você vai dançar a terceira valsa comigo — Ele noticiou, após o banho. A toalha amarrada na cintura o deixava charmoso e irresistível.

—A terceira valsa deveria ser da sua namorada, ou... da sua futura namorada — comentei sugestiva, os olhos na TV e biscoito recheado na mão.

—Uma vez que eu não tenho namorada, eu vou dançar com a minha amiga e irmã — provocou com uma piscada e vestiu uma boxer branca.

—Edward, não é uma boa ideia. Ela vai estar lá — supliquei. Eu não queria provocá-la. Ele precisava entender.

—O quê que tem? — Ele cruzou os braços imponente. Eu examinei-o saudosa, o olhar descendo na barriga, quadril.

—Nós não vamos voltar nesse tema — neguei-me a discutir. Meus olhos famintos não saíam da região baixa do corpo dele, era involuntário. Os tímidos pelinhos se escondendo na boxer eram um encanto. Mordi distraída o biscoito recheado.

Ele ajoelhou-se na cama.

—Bella, me sentindo um biscoito recheado — sorriu presunçoso, inclinou e mordeu o biscoito na minha mão. Eu respirei para clarear os pensamentos. —Isso de ter compromisso, é só se eu ganhar. — elucidou despreocupado.

—Mas você sabe que é certeza ganhar. — acentuei neutra. Ele calou-se, com postura conformada. —É assim agora, Edward. Fora desse quarto, você tem seu novo mundo e eu o meu.

Ele suspirou e torceu os lábios. Eu contei até dez e me preparei psicologicamente para o que viria a seguir.

—Ele vem hoje — informei tranquila. Meu ato o aliviaria da culpa por ter aceitado o acordo.

Dois motivos justificaram o convite. Primeiro: Ashley precisava acreditar que eu tinha alguém, segundo: o bebê precisava de um suposto pai. Se eu não queria ser motivo de frustrar os sonhos de Edward, meu bebê também não seria.

—O quê? — aumentou o tom incrédulo.

—Ele vem — repeti baixinho.

—Droga, Bella, é minha formatura! — reclamou e esfregou os dedos na fronte, transtornado.

—Eu estou com ele — destaquei, sabendo que em pouco tempo eu desmoronaria.

—Você é uma sádica, cruel. Custava deixar ele lá?! Tinha que vir aqui esfregar na minha cara que você prefere a ele?! — gritou impaciente, ao tempo que vestia a calça. —Eu queria esquecer isso pelo menos hoje! — Jogou as mãos no ar, indignado.

Parou em frente ao espelho e jogou spray no cabelo, com fúria no olhar, depois movimentou-se apressado pelo quarto, com movimentos bruscos. Eu baixei o olhar, segurando as emoções. Ele terminou de fechar o cinto e parou em minha frente, mais calmo.

—Quem te deu o convite para ele? — cobrou com voz baixa, mas nervosa.

—Decidi hoje, liguei para Ryan e pedi — expliquei baixo para não provocá-lo.

Ele riu sem humor.

—Rá! Então você resolveu trazer ele hoje, depois de ter me beijado daquele jeito ontem e depois de ter passado o dia comigo?! — questionou ressentido, o olhar de acusação. —Sinceramente não sei quem é o mais trouxa, mais otário e mais digno de pena nesse triângulo amoroso — caçoou de si, amargo.

—Você também vive um triângulo amoroso — salientei calma.

—Putz, quantas vezes vou ter que dizer que não tenho nada com ela?! — Aumentou o tom novamente, abotoando a camisa com pressa.

—Você tem sim! — Enfrentei-o. —Você assumiu um futuro com ela! Você, somente você, escolheu ela na sua vida! —Apontei o dedo em riste. — Ela se chama poder americano, Edward!

Ele congelou boquiaberto uns minutos. Eu tremia de nervosismo. Ele sentou na cama para calçar o sapato. Respirei fundo, senti uma breve tontura e deitei de lado, sentindo o estômago contrair. Eu lamentava nos fazer sofrer, lamentava ter entrado na vida dele. A angústia da derrota me machucava. Abracei a barriga e rangi os dentes, esperando a nova náusea passar. Tossi e foi fatal, tampei a boca com a mão e atravessei o quarto rumo ao banheiro.

—Bella! — Edward se alarmou e veio atrás. Eu me inclinei e frente ao sanitário e coloquei tudo para fora. Ele observou-me da porta. Pensei que eu não ia parar.

Ele esperou que eu terminasse, aproximou-se e estendeu a mão para me ajudar a levantar. Eu neguei, secando as lágrimas. Inclinei-me em frente à pia e lavei meu rosto e boca. —Pode ir, Edward, não foi nada — dispensei-o acanhada. Ele deu-me privacidade para escovar os dentes. Encontrei-o sentado na cama, inclinado, com a cabeça na mão.

—Desculpe — pedi humilde e me controlei para não me enroscar em seu colo. —Não devemos brigar assim. Somos família, lembra? — adulei e sentei ao seu lado. Ele permaneceu cabisbaixo. —Eu não deveria tê-lo chamado... —lamentei. —Na verdade, eu não deveria nem ter vindo... Se você disser que não é para eu ir, eu não vou.

Ele suspirou, depois olhou para o teto, em silêncio.

—É isso que nós somos: família... E eu não quero que a minha família deixe de ir — concluiu neutro e deixou-me. Depois que ele saiu, fui à farmácia em frente ao hotel e comprei o teste, aproveitei e comprei o remédio para enjôo indicado pelo farmacêutico. Não foi novidade o resultado ser positivo. Foi falta de atenção minha não ter percebido antes. Aceitei tranquila. Tinha um vida para seguir.

Vesti um vestido azul de cetim, tomara-que-caia, longuete, justo em cima e aberto suavemente embaixo. Rendas transparentes e miçangas deixavam barriga e costas expostas. Prendi metade do cabelo com uma presilha ouro, combinando com meus brincos, colar e sandália e pedi que Alice fizesse uma maquiagem suave. Girei em frente ao espelho satisfeita com o resultado.

Brandon chegou às dez horas, pronto para o baile. Onze horas as limusines contratadas por papai nos levou ao salão de eventos da Universidade. Em todo o tempo do trajeto, pares de olhos curiosos nos mediam. Eles deviam estar confusos.

—Bella, tem certeza disso? —Brandon questionou. — Sinceramente eu não concordo. Ainda preferia que você não o enganasse — alertou baixinho.

—É necessário — assegurei.

Mandei uma mensagem para Ryan pedindo que ele nos recebesse ao lado de fora do salão, como combinado. James apareceu no seu lugar.

—Oi, Bella. — Olhou-me especulativo. —O Ryan mandou para o seu... — Estendeu o convite, incerto. —Novo n-namorado. —Projetou um sorriso.

Bingo! Golpe de mestre o de Ryan ter pedido a James vir entregar. Amigo esperto e eficiente. Certamente James iria repassar a informação com presteza à Ashley.

Ao entrarmos no grande salão ornamentado com bandeiras e águias, encontrei Edward posando para fotos com a nossa família. Segurei no braço de Brandon. Ele parecia deslocado.

—Parabéns, cara, pela formatura — Brandon desejou amistoso, apertando sua mão.

—Obrigado — retribuiu com uma gentileza desconcertante, então Edward se virou para mim. —Bella, só falta você para as fotos. — Convidou com um sorriso cálido e estendeu a mão. Deixei Brandon perto do meu pai, conversando. Posamos de lado, ele atrás de mim. Sorri sem jeito. Seu humor parecia renovado, não o mesmo da pessoa estressada de horas atrás.

—Ele vai ter que engolir o fato de você ser minha irmãzinha — cochichou em meu ouvido com um riso provocador. Posamos abraçados de frente, com nossas bochechas coladas.

—Pensei que você não gostasse de tirar fotos — espetei. Ele me apertou mais, possessivo.

—Não vou perder a oportunidade — salientou sarcástico. —Já que é um triângulo mesmo.

O fotógrafo fez fotos de quatro poses. Edward fez sinal que ele continuasse.

—Você bebeu, Edward? — questionei desconfiada de seus apertos possessivos. Ele me abraçou por trás para uma nova foto.

—Só algumas doses... de ciúmes — gracejou em meu ouvido e mordiscou.

—Você está fazendo cena — censurei-o, sentindo o arrepio descer nas costas. Se meu relacionamento com Brandon fosse verdadeiro, ele estaria ofendido. Edward virou-me novamente e segurou meu rosto entre as mãos, repentinamente sério.

—Ei, relaxa. Só eu e você, lembra? Faz isso por mim. Esquece tudo, por favor, e vamos enfeitar meu álbum — implorou, repetindo as palavras que usei para convencê-lo a posar para Perrine. Por um instante eu me esqueci de tudo e fiz algo que adoro: posar para fotos. Eu sorri, fiz biquinho, pisquei. Ele segurou meu cabelo, beijou minhas mãos unidas, colou a testa na minha. Ao fim, tiramos cerca de cem fotos.

—Obrigado, maninha — agradeceu divertido e apertou minha cintura. Voltei sem jeito para perto do Brandon. Ele se concentrava na conversava com meu pai. Segurei seu braço e o conduzi à mesa reservada.

—Desculpe por isso, Brandon — sibilei, sem jeito.

—Sinceramente eu estou esperando muito mais que isso. Espero que ele reaja, assim vou saber que tive alguma utilidade.

Abri a boca incrédula, olhando-o em dúvida.

—Eu pensei que... — comecei, mas parei incerta. Sentamos próximos à mesa de Ryan.

—Pensava que eu iria me aproveitar da ocasião — completou e balançou a cabeça. Segurou minha mão e beijou o dorso gentilmente. —Honestamente, se eu fosse um egoísta, era um caso a pensar. Mas confesso que estou torcendo por vocês. Fiquei revoltado com essa sujeira que ele se meteu. Foi injusto com você. E tá na cara que o cara é louco por você — segredou baixinho. —Estou aqui como seu amigo, Bells. Além de tudo, cumprindo um pedido do seu pai, meu chefe. —piscou.

Sorri agradada e o abracei. —Obrigada por isso. — Beijei seu rosto grata e me alinhei sorridente na cadeira. Fiquei sem jeito quando surpreendi Edward atrás de nós. Ele nos observava com olhar inquietante.

—Bella, daqui a pouco começa a valsa — noticiou sem emoção.

Eu franzi o cenho, surpresa. Pensei que ele tinha desistido, depois de tudo. Ele leu a dúvida e sorriu, posicionado ao lado da mãe dele.

—A primeira é com a minha mãe, a segunda com a Sophia e a terceira com você — esclareceu seguro, segurou a mão de Esme e subiu as escadarias. Eles cumpriram o ritual. Tiraram fotos, desceram as escadas e iniciaram uma encantadora valsa. Esme parecia claramente feliz e orgulhosa dele. A segunda música se iniciou. Sophia foi madrinha do Edward, ao mesmo tempo que ele era padrinho dela. A amizade entre eles firmou-se verdadeira no decorrer dos anos.

Eu levantei nervosa e parei perto da pista. Meu olhar seguia compulsivo para a mesa da Ashley. Ela me dissecava da cabeça aos pés. Por segundos, quase me acovardei e voltei a sentar, temendo uma represália. Mas antes que desistisse, vi o sorriso alegre de Edward e me derreti. Faria por ele. Ergui meu queixo desafiadora e esperei.

Voltei o olhar à nossa mesa, e Brandon não estava mais lá. Suspirei aliviada. Não queria que a festa fosse um peso para ele. Torcia que ele se divertisse um pouco agora que o objetivo de sua presença já fora alcançado.

A música acabou. Uma mão possessiva rodeou minha cintura e me conduziu para pista de dança. Ele me abraçou forte. A valsa das flores foi tocada. Ele apenas se movia, o abraço cada minuto mais apertado.

—Eu não estou aguentando — sussurrou baixinho e cheirou meu pescoço.

—O quê?

—Cheguei ao limite do insuportável da pressão— confessou com voz rouca. —Não vou deixar você para ele — declarou e acariciou minha nuca.

—Edward, estamos na pista — lembrei preocupada e olhei para a mesa da Ashley. Ela não estava. Relaxei aliviada e envolvi os braços em seu pescoço, ignorando a valsa. Ele abriu a boca no meu pescoço e arrastou os lábios lentamente até a orelha. Fechei os olhos e escondi o rosto sob seu queixo. Todos os pelos do meu corpo se eriçaram.

Será que era normal ser tão fácil? Ele mal se encostou a mim e já tinha fogo líquido entre as minhas pernas! Bastava ele me tocar para que eu me acendesse toda.

—Vou te beijar todinha, hoje. — prometeu num sussurro carregado de urgência e sensualidade, desceu uma mão para o meu quadril e acariciou circularmente com os dedos. Óbvio que não tinha chance de acontecer, uma vez que eu não iria dormir com ele, porém o instinto traidor me fez querer. Eu me senti tonta e quente, muito quente. —Quando terminar a valsa, você vai lá fora comigo — demandou sensual e mordiscou o lóbulo.

—Edward, não... — arquei o corpo estremecendo, em contradição com minha negativa. Ele segurou meu rosto, fazendo-me olhá-lo.

—A escolha é sua: eu posso te beijar lá ou aqui. A única certeza é que vou te beijar — garantiu seguro de si. — Só estou querendo poupar o seu amiguinho de ver — sorriu cínico. Seu ciúme e possessão deixaram-o ousado.

Ele colou as nossas testas e acariciou meu pescoço. Sua respiração me deixou tonta. Devia ter alguma droga nele. Ele encostou a boca entreaberta na minha e passeou a pontinha da língua em meu lábio superior, sorrindo. Meus joelhos tremeram.

—Ele faz isso com você? — desafiou e passeou uma mão em meu braço, conferindo os pelos arrepiados. Não havia como esconder quão ridículo meu corpo se comportava perto dele, embora ele não ficasse imune.

—Edward, por favor... — implorei ofegante que ele me libertasse daquela teia experiente de sedução. Aqueles minutos pareciam horas de tentação.

—Por favor, o quê? Por favor, satisfaz o meu desejo? É isso? Eu sei que você me quer... — destacou com voz convidativa e hipnotizante, apertou-me forte a ele, segurando firme nos dois lados do quadril. —Eu sei que só eu faço isso com você — relatou seguro, baixou o rosto e lambeu o meu pescoço.

O vestido era fino, a calça dele era fina e o sangue pulsava quente. Seu atrevimento alimentava o meu desejo. Esfreguei a coxa nele, gerando um delicioso atrito em sua descarada masculinidade. A promessa de prazer me deixava à flor da pele.

A música enfim acabou. Ele pôs a mão na base de minhas costas e olhamos incertos para a nossa mesa. Meu pai e Esme nos observavam atentos.

—Vem comigo — exigiu em meu ouvido e puxou-me pela mão.

Música Rick Martinshe's all i ever had

Saímos pela porta lateral. Ele acelerou os passos por uns duzentos metros. A sandália me incomodou, devido à sua pressa. Ele parou, puxou-me contra ele e beijou-me furiosamente, a mão possessiva subindo dentro do vestido até a coxa. Eu senti sua raiva no beijo. A ansiedade. Desafio. Agarrei-me ao seu pescoço e tomei tudo que pude.

—Eu vou enlouquecer com você — anunciou contrariado em minha boca e puxou meu quadril contra ele. —Vamos — puxou-me de novo e voltamos a caminhar por uma grama, num lugar escuro. Meu salto afundava na grama e me atrapalhava de andar.

—Para onde estamos indo?

Ele parou em minha frente, agachou e tirou as sandálias dos meus pés, em silêncio. Levantou o vestido e beijou o meu joelho, subindo com os lábios até a coxa. Segurei seu cabelo, incentivando-o. Ele sorriu presunçoso e se levantou. Novamente me puxou a andar. Eu não o compreendi. Se iríamos nos atracar, como sempre fizemos, serviria o estacionamento, o carro, o muro atrás do salão. Por que tínhamos que caminhar tanto? Ele parecia querer me mostrar algo. Sem a sandália era mais fácil segui-lo.

Vez ou outra ele parou e me beijou, como se me desse incentivos em seguir em frente. Atravessamos um lugar completamente descampado. Ele olhou em volta preocupado e parou atrás de uma cerca viva.

Sorrindo, ele me encarou e levou minha mão até sua boca, descendo com os dentes lentamente pelo pulso, com mordiscadas ora leves e ora fortes. Sua boca alcançou meu ombro. Ele mordeu punitivamente, segurou meu cabelo e o puxou para trás, deixando livre o espaço para sua boca em meu pescoço. Suas mordiscadas foram acompanhadas de promessas.

—Não vou deixar você para ninguém — declarou sério, com voz incisiva.

Ele se ajoelhou em minha frente e beijou novamente meu joelho, mordiscando e sugando até a coxa. Estremeci, mas um lado decente tentava descobrir o que significava ele de joelhos em minha frente, num local desconhecido. Ele demarcava território com o lábio, concluí deliciada.

Seus lábios chegaram ao meu quadril. Assustei com seu ato a céu aberto, mas a adrenalina do diferente me incentivou a seguir. Acariciei seu cabelo e fechei os olhos. Ele desviou a boca para a lateral da minha coxa, mordiscando e apertando a carne da nádega. —Eu te avisei que ia te beijar todinha hoje — lembrou com orgulho masculino.

Eu me contorci com cócegas, o que o estimulou a beijar mais. Arqueei quando ele lambeu minha barriga e umbigo lentamente. Sua língua quente distribuía choque no meu jovem corpo faminto.

—O que você queria ao me trazer aqui? — Questionei ao tê-lo descendo minha calcinha.

—Não vê? — Desceu com a boca para minha virilha. Eu estremeci novamente. —Estou aos seus pés — declarou sucinto. A calcinha caiu. Ele guardou-a no bolso. —Não vê o que eu estou dizendo pra você, Bella? — mordiscou a depilada zona e lambeu. Arfei com sua língua investigando ardente, abrindo espaço. Meu joelhos quase cederam. Ele abraçou meu quadril e persuadiu-me, os dedos deixando-me exposta para sua exploração. Apertei seu ombro para me equilibrar. Suguei ar. Ele afastou minhas pernas e sugou minha carne, lambeu. Eu me senti adorada, não explorada. Seu gesto gentil e submisso me encantou e aumentou meu prazer.

Fechei meus olhos e tentei raciocinar o que ele queria declarar, mas meu cérebro se rebelava a pensar. Ele queria o prazer que irradiava de meu ventre. Sua língua empurrava em movimentos pacientes e exigentes. Eu gemi impotente. Dois dedos viris e precisos me penetrou. O espasmo me sacudiu, minhas pernas tremerem. Lamentei longamente e tudo ficou em branco por segundos. Fui ao céu. Suprimi o grito, ofegando compulsivamente. Prazer e lassidão me entorpeciam com o denso orgasmo que se espalhou.

Ele apertou forte minhas coxas e continuou com sugadas leves até o meu relaxamento total. Levantou com os olhos fervendo lascívia e me beijou urgente, inserindo sua língua em minha boca. Eu a suguei ansiosamente, excitada por sentir meu gosto em sua boca. Sua mão continuou me acariciando intimamente.

—Tão quente — murmurou com voz carregada de desejo, apoiou as mãos em minhas costas e me fez caminhar de costas sem tirar os lábios dos meus. Eu o segui lânguida, sem questionar. Ele desabotoou a gravata borboleta. Senti-o tirar o blazer. Olhei em volta e notei estar num jardim. Havia luzes em volta, mas nos escondemos atrás de arbustos, num canto escuro.

Ele estendeu o blazer preto no chão, sentou, embolou o meu vestido e me fez ajoelhar com cada perna de um lado seu, sentada sobre ele.

—O que estamos fazendo aqui? — questionei nervosa. Ele baixou tranquilamente a frente do meu vestido e tomou meu seio. Minha pulsação correu de preocupação e excitação. Temi por sua reputação, caso fôssemos descobertos. Sua boca em meu mamilo me fez esquecer tudo rapidamente. Fechei os olhos para deliciar-me e acariciei seu cabelo.

—Depois você pensa... — Ele prendeu o bico nos dentes, olhando para mim. Mordeu, chupou e grunhiu gemidos satisfeitos.

Abri os botões de sua camisa e distribuí beijos em seu pescoço. Sua mão desceu entre nós, ele olhou-me nos olhos anunciando o que faria. Arqueei o corpo em expectativa. Ele ergueu a ponta e investigou a entrada. Encaixei-me e desci devagar. Ele investiu fortemente para cima, como se não aguentasse mais um segundo e ambos gememos juntos.

Ele deitou e me puxou para um beijo molhado, cheio de luxúria, lançando-se contra mim em gestos ansiosos, quase desesperados. Abri mais os seus botões, desci a boca e lambi o seu peito até o pescoço, movendo circularmente meus quadris.

—Fala que é minha — exigiu rude, apressando meus movimentos com os dedos fincados no meu quadril.

—Sou sua. — Cravei meus dentes em seu pescoço, de leve.

—Só minha. — Ele sugou os meus seios e mordeu o bico, quase causando dor, e investiu forte.

—Sou só sua — declarei sincera, divertida com seu ar possessivo.

Mudei a posição para agachada, subi e desci lentamente, comandando. Ele rolou os olhos desesperado, perdendo o controle enquanto sugava o ar pelos dentes. Esse era o jeito que ele mais gostava, era fatal pra ele. Ele olhou para baixo, visualizou nossa ligação e virou o rosto, negando-se a ver, como se fosse torturado.

—Ai, Bella, assim eu não aguento muito tempo — implorou rendido. Eu continuei baixando e subindo, apertando e soltando. Ele apertou meus seios com as duas mãos, -me mais rápido, me sentindo poderosa.

—Para! — Ofegou, segurou meu quadril forte e apertou minha coxa, cheio de ansiedade. Eu parei e me inclinei novamente, beijando o seu pescoço lentamente, dando um tempo a ele. Ele estremecia a cada beijo meu. Sorri presunçosa por dar a ele o que ele me dava. Prazer sobrenatural.

Ele me abraçou e inverteu as posições, me deitando sobre o blazer dele. Olhou-me intensamente, acariciou o meu rosto. Ele parecia mais calmo. Era o meu anjinho novamente, com olhar apaixonado.

—Você sabe onde você está? — questionou e beijou meu rosto, pálpebras, entrando e saindo de mim, lentamente.

—Não — Gemi, sentindo-me mimada. O clima mudou. Não era mais o homem possessivo demarcando meu corpo, sim meu escultor. Abracei-o com meus braços e pernas, dando-lhe meu corpo como berço.

—É incrível, mas, eu te amo, sabia? — declarou em meus lábios.

—Eu sei. — Sorri.

Eu o beijei, querendo declarar mais que palavras. Eu lhe dava meu coração, minha vida, tudo em mim. Ele gemeu, e por todo o meu corpo vibrou a eletricidade que nos unia. Meu peito ardeu de paixão. Senti novamente o orgasmo subir. Ele advertiu e gemeu mais forte em minha boca, sugando minha língua, circulando o quadril. Estremeci com o golpe violento de prazer. Ouvi um rugido abafado, ele acelerou, gemeu, então deu um golpe profundo e lento. Seu êxtase foi depositado dentro de mim. Mais uma vez, dentro de mim.

Ele descansou por minutos, exausto. Abracei-o com braços e pernas, sustentando seu peso. Ele girou para o lado e pousou os lábios molhados em minha testa. O silêncio imperou por minutos, até que nossas respirações acalmaram. Ele tirou um lenço do bolso e limpou cautelosamente nossos fluídos, antes de arrumar sua calça. Agora, depois do fogo indomável em meu corpo acalmado, eu repensei se o que fizemos foi certo. Éramos escravos desse ciclo vicioso. Eu não queria fazer isso com ele. Era inaceitável que eu o fizesse sentir assim: usado, traído.

Tentando amenizar a minha culpa, resolvi descobrir o que ele queria dizer. —Por que viemos aqui?

—Você é tão perceptiva. Pensa um pouco — sugeriu, apoiou a cabeça no antebraço e acariciou o meu rosto. —Se você olhar bem direitinho, já tiramos fotos aqui antes — comentou em tom divertido.

Eu levantei a cabeça e olhei para trás dos arbustos, curiosa. A imponente construção branca me alarmou e voltei a abaixar assustada.

—Você enlouqueceu? — repreendi. —Podemos ser presos! — Eu me encolhi, notando que a uns quinhentos metros tinham guardas. Ele sorriu relaxado e puxou minha cabeça contra seu peito.

—Logo você se importando com isso? — espetou brincalhão.

—Você está sendo irresponsável! — acusei nervosa. Ele riu mais.

—Eu poderia até ser preso, que todo o fetiche com a Casa Branca foi realizado — gracejou, acariciando meu rosto. —É lógico que seria muito melhor se tivesse sido lá dentro — piscou, sem vergonha. Eu encarei-o sem palavras.

—Quer dizer que você não se importaria de ser preso? — questionei alerta. A esperança refletiu como uma luz forte meu incerto coração. —Isso resultaria no fim da sua carreira política — ofereci, deixando que ele desenvolvesse o raciocínio.

—Bella, se ficar com você significar perder tudo, eu perderia tudo para ficar com você — garantiu convicto. Eu soltei o ar com o coração batendo mais acelerado. Suas palavras espalhavam como uma nuvem aconchegante envolvendo meu coração.

Sentei e respirei fundo, tentando pensar com clareza.

—Edward, não fale o que você não pensa. Você já tem futuro encaminhado. Em um ano você terá um nome importante, influência, futuro, uma mulher bonita. Você arriscaria isso? — incitei-o. Eu precisava ouvir, para ter coragem de falar. —Você tinha que estar feliz e seguro com tudo, sem cogitar a ideia de erros como o nosso de hoje. Devíamos ir embora agora e aproveitar que não fomos pegos. Você não pode trocar a segurança que conquistou por minutos de prazer — aconselhei tentando soar neutra e segura de mim, não ansiosa e cheia de expectativa.

Ele balançou a cabeça e sentou, abotoando a camisa.

—Eu sei que praticamente tenho tudo... — explicou sem sombra de alegria. —Já sei em qual apartamento do governo vou morar... — contou reflexivo. —Vou ganhar no próximo ano quase o salário de um governador, porque além de assessor, vou dirigir uma subsecretaria... — Segurou minhas mãos, com o semblante triste. —...Porém, depois que eu aceitei e tive a sensação de ter tudo... — Balançou a cabeça, como se censurasse o que fez. —Foi como ter ganho na loteria hoje, sexta à noite, sabendo que segunda esperaria o banco abrir para pegar o prêmio... —comparou e torceu os lábios, olhando para o chão. —Qualquer pessoa ficaria feliz, ? — esfregou o dorso de minha mão, esperando a resposta. Eu assenti balançando a cabeça. —Eu não. A sensação que eu tive foi que depois de me apossar do prêmio, minha vida seria vazia e infeliz, com pessoas em volta de mim por causa do meu dinheiro — explicou desamparado. —E eu sei que se for em frente e me casar com ela, eu serei infeliz — declarou com a voz vazia.

Ele soltou minha mão e encolheu os joelhos, abraçando-os. —Esta semana, o senador me apresentou como genro dele e como candidato a deputado para alguns parlamentares... E toda vez que ele me apresentava assim, eu me condenava —confessou com olhos distantes. —Eu presenciei tudo que teria futuramente. Fui bajulado antecipadamente... Depois que eu aceitei, ele me ofereceu dinheiro, um carro melhor. Eu sempre soube que isso tudo iria vir. A loteria iria chegar... Porém, anteontem, após sair de um almoço com líderes do partido, eu estava infeliz. Eu não devia me sentir assim, pois já estava antecipadamente entre a cúpula dos Republicanos, tendo meu futuro sogro como líder dos Republicanos. — Fez uma careta de auto-aversão.

—Estar lá não me trouxe paz. E eu vi que não poderia esperar anos, nem criar raízes para tomar uma atitude — disse enérgico, olhando-me com olhos intensos. —Você continuava ocupando o meu coração, reduzindo tudo a nada, só vazio — declarou e segurou o meu rosto entre as mãos. —No começo, minha intenção de chegar ao poder era por querer ser alguém, depois foi por desforra contra teu pai por ele ter me diminuído quando te encontrou na minha casa — riu com os olhos ausentes na lembrança. —Por último, quando eu me apaixonei por você, você virou meu motivo principal. Eu queria que um dia você me visse importante e se orgulhasse de mim — relatou com humildade.

Ele espalmou o chão com as duas mãos e olhou para o céu. Uma pausa de silêncio se fez. Ele parecia fazer uma prece silenciosa aos céus. Eu fiz a minha. A cada segundo meu coração se enchia de mais esperança e certeza.

—Naquele dia que você me perguntou aquilo na Alemanha, eu não entendi... Mas quando você revelou que optava por ele, sua proposta na Alemanha ganhou sentido. Sua escolha destacou exatamente as palavras que você nunca me disse e que eu precisava ter ouvido de você... Escolhendo ele, você declarava que não se importava. Que não queria ninguém importante, mas a simplicidade. Você optou por um Locke que largou o futuro político para ser um simples administrador. Então eu entendi o que você queria dizer... Eu caí em mim, descobri meu erro. Ao contrário dele, eu teria tudo que planejei, seria importante, mas não poderia ter mais você. Nunca. — lamentou desolado. Olhou-me com olhos cautelosos, parecendo nervoso, inclinou-se e encostou os lábios nos meu rosto.

—Anteontem, depois da reunião, eu fui ao shopping e comprei o pingente. Ainda que eu estivesse amargo, magoado, sem fé em nós, eu queria ao menos expor silenciosamente aquele grito de amor que me ardia —passeou a ponta dos dedos em meus traços no rosto. —Então, ontem, você chegou e me beijou. —acentuou dramático. — Eu precisava daquilo. Do incentivo para lutar. Precisava sentir novamente a felicidade de te ter —relatou intenso. — Hoje eu pensei que me conformaria em ter só sorrisos e beijos. Pensei que poderia viver com o fato de dividir você... Pensei que poderia aceitar ser seu amante esporádico, vivendo cada um no seu mundo. —Seu sorriso se desfez. Ele me olhou sério.

—Mas com ele aqui, vi que não seria cínico o bastante e decidi desistir até disso: de raros momentos de felicidade. Porém, no salão, voltou a certeza que nada vale a pena sem você. Não adiantava estar me formando sem você. Por isso exigi as fotos — salientou inseguro, segurou novamente meu rosto entre as mãos e respirou fundo, como que preparando para um grande combate. —Depois, ao ler o desejo cru quando dançávamos, tive certeza física dessa nossa ligação inexplicável. E quero a chance de lutar para transformar isso em amor novamente... Do contrário, sei que se eu ficar longe de você, como fiquei ao longo de anos, até essa chama sexual em nós pode acabar, e eu vou estar perdido.

Sentou sobre as coxas, de joelhos e segurou meu queixo, de um jeito humilde e implorativo. Eu respirei fundo em expectativa pelo que ele falaria. Uma lágrima escorreu dos meus olhos, lágrimas de felicidade.

—O que adiantaria o tudo sem você, Bella? Eu não quero a Ashley. Eu não quero a vida que o Evans quer me dar. Não sei se quero mais esta vida — apontou para a Casa Branca, mexeu ansiosamente no cabelo e sorriu. —E eu sei que se eu ficar aqui e abraçar o prêmio da loteria, eu vou te perder pra sempre... —declarou frustrado. — Talvez eu estude para ser diplomata, não sei. Talvez eu queira ser o que você escolheu para mim, embaixador... Eu sei que eu não consigo fazer e nem pensar em futuro sem ter você. —expressou com olhos brilhando, puxou-me para seu colo e me abraçou, forte. —Você é meu ponto de mira, Bella. O meu alvo. Eu quero ir para perto de você e te tomar de volta. — Acariciou meu rosto com gestos suplicantes. —Eu quero salvar a gente enquanto há tempo... Eu sei que nessa história sua com Brandon, eu saí como perdedor por causa da distância e da minha falta de tempo... — A emoção me impediu de contradizê-lo. —Então eu te trouxe aqui para te prevenir que vou continuar lutando por você... Se o que você quer é que eu vá para a empresa do seu pai, eu vou. Se você quer morar com um caipira no interior do país, eu vou. Desde que seja perto de você. — concluiu e olhou-me em expectativa. A lágrima descia silenciosa de meu rosto. Eu sorri trêmula por dentro. Obrigada, Deus. Eu só conseguia pensar que ele declarou abrir mão de tudo por mim... Que entre o meu amor e o poder americano, ele escolhia a mim...

—Você está triste? Eu estou te deixando infeliz? — perguntou inseguro.

Eu o abracei realizada e sorri em seu pescoço.

—Edward, está tudo fora do lugar... Temos que acertar isso — murmurei num turbilhão de emoções.

—Tudo bem — concordou incerto, mas aceitou. Ele ficou em pé, alinhou-se, passou os dedos no cabelo e colocou o blazer no braço. Voltamos em silêncio, de mãos dadas. Eu ainda decidia o que fazer, embora a única certeza que eu precisava, eu já tivesse: ele me queria acima de qualquer coisa. Ele enfrentaria. Não precisaríamos nos separar. Isso bastava.

Paramos no estacionamento, atrás de um carro, ele inclinou-se e calçou a sandália em mim. Ergueu-se e olhou-me com olhos inseguros.

—Precisamos entrar. Eu preciso fazer algo muito importante —avisei pensando em dezenas de maneiras de confrontar Ashley.

—Como ver o seu namorado — sugeriu ressentido. Eu senti a desolação nele e não suportei mais. Bastava de esperar.

—O único namorado que eu tenho é você... Único. Há exatamente sete anos — salientei firme. Ele me encarou. Um pequeno sorriso cresceu no canto dos seus lábios. —Você é meu eterno namorado. Meu namoradinho — pisquei e enlacei seu pescoço. Ele ainda parecia em dúvida.

—Fala claro. — Ele pegou meu queixo.

—Existe uma certa aliança que pertence a um certo dedo. — Ofereci o anelar. —Ela deve voltar para onde pertence — declarei solene. Ele inclinou-se lentamente, tocou meus lábios e beijou-me reverentemente, exultante. Foi um beijo de compromisso, esperança.

—Mas... E Brandon? —Afastou-me e questionou confuso. — E o coração partido? E...?

—Eu não tenho nada com Brandon — assegurei firme, o indicador calando-o. —Eu te explico tudo com tempo mais tarde — Segurei sua mão e o puxei, sorridente. Porém, notei que ele não voltou a aliança ao meu dedo, mesmo estando em sua carteira. Não questionei. Talvez ele ainda estivesse apreensivo. Depois refaríamos a aliança com calma.

—Ficamos quase duas horas sumidos. — Ele comentou divertido perto da porta. —Vamos entrar juntos ou separados? — deu a opção incerto.

Ergui o queixo e respondi resolvida.

—Juntos e abraçados. Depois você me deixa sozinha por um instante — pedi com um pensamento perverso. Ele concordou desconfiado, mas não perguntou nada.

Nossa família estava junta. Brandon não estava. Edward segurou minha cintura, possessivo e confiante, e beijou minha testa ao pararmos ao lado do meu pai.

—Onde vocês estavam? Foram dar uma rapidinha? — Jasper questionou indiscreto. Ele, Rosalie e Emmett estavam em pé, em volta da mesa. Os outros estavam sentados.

—Estávamos conversando — expliquei sorridente. Edward me abraçou de frente, o olhar cúmplice zombando do conversando.

—Que putaria é essa? — Jasper apontou para nós com uma careta. —Vocês não estão acompanhados? — acusou sem acreditar. Abanei o ar, com descaso. Edward dirigiu-se ao meu pai.

—Carlisle, quero conversar com você.

—Tudo bem — Papai assentiu sério, estudando-nos detidamente.

—Vai lá, amor — encorajei-o baixinho. —Se você puder falar tudo o que me disse, eu ficarei feliz — pedi com um sorriso.

—Okay. Na verdade, vou pedir um emprego de jornaleiro e um quartinho nos fundos da casa dele. — Piscou zombeteiro. Eu dei um tapinha em seu braço. Essa não seria sua profissão, óbvio.

Eu puxei Rose e fomos até o bar buscar água e conversar. Ela sempre quis saber o que eu escondia. Esse era o momento de ser grata por seu apoio e lhe revelar. Relatei tudo e pedi que ela me acompanhasse quando eu fosse confrontar Ashley, porque se os ânimos esquentassem, ela estaria comigo.

Aliviada por tudo estar de volta no lugar, chamei as meninas para dançarmos em comemoração. Emmett, Jasper e Mike ficaram de braços cruzados em nossa volta, parecendo seguranças. Tocava Rush, rush, Pusycat Dolls. Gritamos na remixagem I Will Survive. A festa tinha acabado de começar para mim. Eu estava realizada.

Trocou de música diversas vezes. Os meninos entraram para a pista e dançaram conosco. Antes que eu previsse, o inesperado aconteceu. James riu cínico a metros de distância, aproximou-se e dançou próximo a mim.

—Companhia? —ofereceu malicioso. — Pelo jeito os seus namorados preferem a Ashley — noticiou afetado, entendeu um bilhete e peguei, sem entender seu comentário. Deixei-o no pista, irritada, e caminhei em direção ao banheiro. Não li. Eu não precisava me massacrar mais. Não mais. Joguei solene no lixo. Eu não ia deixá-la me abalar. Ela já tinha me manipulado demais.

Voltei de queixo erguido ao salão. Ao sair do corredor, presenciei Edward conversar num canto isolado com ela. O sangue agitou violentamente em minhas veias. Raiva, revolta, desforra. Fechei os punhos. A cena dela invadindo o quarto dele e tirando a roupa, depois a cena dela tirando a blusa para ele no escritório se construiu atrás de meus olhos, deixando-me mais irada.

Os olhos dela me registraram provocadores, ela sorriu cínica, ergueu-se e beijou o canto da boca dele. A fúria chegou ao limite no meu sangue, e a distância entre nós diminuiu em poucos passos.

Tudo aconteceu muito rápido: em um segundo eu via os dois de longe, no outro, minha mão atingia seu belo rosto num tapa que eu só percebi quando ouvi o estalo. Senti uma dor forte na mão e a encolhi em meu peito. O que eu vi em seguida foi uma loura furiosa e vermelha agarrando meu cabelo. Gritei e tentei me soltar, mas a pressão e a dor foi tão forte que quase me derrubou no chão. Consegui me equilibrar, fechei a mão esquerda e mirei o seu rosto, acertando um soco.

—Ai, ai — resmunguei e encolhi a mão, balançando-a no ar. Doeu mais nela, óbvio, deduzi contente em ter acertado.

Seus dedos fecharam-se em meu pescoço, impedindo meu ar de passar. Virei de lado e cotovelei sua barriga. Antes que eu machucasse o suficiente, ela foi afastada de de mim, olhei para trás e Rosalie tinha o braço fechado em volta de seu pescoço, imobilizando-a.

Esfreguei o pescoço ofegante, olhei para os lados e registrei flashes e celulares apontados para mim. Pisquei desacreditando. Vários rostos familiares estavam em minha volta: três sorrindo e trocando dinheiro, um perdido e dois me olhando severamente.

Ryan, Jasper e Emmett sorriam; Brandon não sabia por que brigamos. Os rostos sérios eram do meu mai e do Edward.

Edward

Nem eu acreditava que tudo voltava ao lugar, mesmo ainda sem saber os motivos de Bella. Minha prioridade agora era avisar Carlisle que nós tínhamos voltado e que eu reataria o noivado, ainda que, sem data definida.

Ele caminhou ao meu lado para o bar no meio do salão com olhar sério. Claramente também não entendia nosso termina e volta. Como dito a Bella, eu iria deixar tudo para trás. Quando concluísse minha especialização em março e, no fim do ano vindouro, o mestrado, eu poderia dar aula em cursinhos ou universidade. Em todo caso, eu poderia ter alguma utilidade na empresa. Estava disposto a tudo.

Pedi um drinque de kiwi e observei Bella com Rosalie conversar num canto.

—Eu precisava mesmo conversar com você, Edward — avisou com semblante reprovador.

—Pode falar — concedi apreensivo. Ele nunca me tratou tão sério.

—Você precisa pensar, Edward. O que você acha que Bella espera para voltar para você? —questionou rude. Eu abri a boca para esclarecer, ele ergueu a palma impedindo-me de falar. —Ela só quer uma coisa, Edward. Ela quer ser escolhida.

—Carlisle, eu acabei de dizer para ela que estou desistindo de tudo, correndo o risco de ficar desempregado, com um único bem que é um carro o qual devo sessenta por cento. Isso não é escolhê-la? — defendi no mesmo tom.

Ele me encarou firme, cético. Sua postura relaxou, ele balançou a cabeça e sorriu de canto.

—Você fez isso? — questionou incrédulo.

—Fiz — respondi tenso com meu pedido a seguir. —E se você não se importar em ter um genro com futuro incerto e sem nome, eu quero pedir sua permissão novamente para casar com ela — pedi hesitante.

Ele piscou, surpreso, levantou sorrindo e apoiou a mão em meu ombro.

—Edward, eu sempre tive fé em vocês — declarou. —Eu sabia que você não ia cometer o mesmo erro que eu: fazer a escolha errada na juventude. — expressou cheio de emoção. —Você tem um futuro certo, sim, seja qual for o futuro que você escolher —garantiu. — Se você quiser continuar na política, eu te apoiarei. Se quiser ir para as minhas empresas, seja para ser um diretor ou para fazer serviços sociais, eu te apoiarei. Se você quiser somente pescar comigo, tanto faz. — Deu de ombros. —Você não é só futuro esposo da minha filha; você é filho da minha mulher, irmão dos meus filhos e, consequentemente, você é meu filho, Edward! —declarou efusivo. — E como meu filho, você é um Cullen —adicionou e abriu os braços num convite. — Meu nome será seu! — declarou alegre. —Você não vê? O filho que era para ser meu, volta para os meus braços — expressou regozijante.

Balancei a cabeça atordoado pelo apelo em suas palavras. Gratidão, segurança e alegria encheram meu coração. Ele oferecia seu nome e aceitava-me como filho. Meus olhos encheram-se de lágrimas. O homem que um dia me odiou por ser filho de outro, e que eu odiei, por ele me odiar, agora me oferecia amparo e seu nome! Levantei da banqueta e abracei-o, aquele abraço paternal que eu sempre quis. Deixei para trás qualquer orgulho e apertei-o forte, declarando que ele era o pai que eu nunca tive.

—Obrigado, Carlisle. Obrigado por me aceitar — agradeci emocionado. —Seria uma honra para mim, ter o seu nome — enfatizei solene.

Não nego o fato de já ter pensado nessa hipótese antes: a ideia de ter seu nome. Dois anos e meio atrás, quando Bella tocou no assunto na Califórnia, eu neguei porque eu não queria obrigá-lo a me aceitar, uma vez que eu supunha não ser do seu agrado outorgar seu nome ao filho que era de seu desafeto. Mas hoje, ao ser benquisto por ele, uma satisfação enlevou minha estima e segurança. E não era um pedido como o dia em que ele estava ébrio pela bebida.

Ambos sorrimos confortáveis com aquele que não era só um abraço de sogro, era um abraço de amigos, pai e filho. O abraço de quem me aconselharia, me daria segurança nas decisões, acolhimento. Não que fosse a minha intenção usufruir de suas capacidades, mas no estado indeterminado de futuro no qual me encontrava, suas palavras de amparo traziam-me alicerce.

—Obrigado pela segurança que está me passando. Eu vou precisar de sua ajuda e conselhos para seja qual for o lado profissional que eu vá atuar. É bom poder contar com você — agradeci e bebi mais um gole da bebida gelada.

—Bem, vamos deixar o futuro profissional para depois. Vamos conversar sobre o casamento para eu te provar que eu nunca perdi a fé em vocês. — sorriu enigmático. Franzi o cenho curioso em saber o motivo de seu sorriso de quem tinha o mundo sob controle. Ele narrou detalhadamente o que planejava, com entusiasmo. Embora eu me animasse com sua ideia, fiquei inseguro quanto ao resultado. Contudo, sua empolgação era tão contagiante, sua fé em mim tão comovedora que eu fiquei tentado a aceitar. Seu carinho, zelo e consideração eram expostos até naquele seu plano.

—Carlisle, eu não posso resolver isso agora. Ainda estou sem rumo — argumentei. Para mim, o certo era dar um tempo de no mínimo um ano antes de casarmos, até eu me estabilizar financeiramente.

Ele me olhou desapontado.

—Eu não acredito que você se preocupa com dinheiro a uma altura dessas, depois de tudo o que eu te disse — censurou, inconformado. —Bom, eu tenho uma solução prática. Eu presenteio vocês com a nossa antiga casa da Califórnia. Ela está alugada, mas eu posso pedi-la.

—Não, Carlisle. Não é uma boa morar lá. Bella precisa morar perto da universidade — neguei preocupado com seu bem-estar. E a casa em Sacramento lhe custaria no mínimo duas horas para se deslocar à universidade.

—Hum, então vocês moram com Emmett neste último ano de Bella —propôs prático. — E com relação a trabalho, eu te encaminho para minha empresa de lá, se você quiser — aconselhou condescendente. Eu ponderei, olhando para o copo. —Vou fazer melhor... — animou-se. —Tenho uma solução viável, boa para você e boa para mim: escreva artigos políticos, faça críticas, comentários. Eu posso criar um editorial para você nos quatro estados, além dos sites — insistiu empolgado. Eu arregalei os olhos, incrédulo. Eu não podia negar essa oportunidade. Óbvio que o novo e desconhecido deixavam-me apreensivo, no entanto eu queria acreditar que daria certo.

—Ok, Carlisle. Eu aceito qualquer condição de ficar perto dela... E mais uma vez, obrigado.

Sorri distraído, ainda associando os acontecimentos que se projetavam para o futuro próximo quando eu imaginava horas atrás não ter mais nada.

—Então, Edward Cullen, aproveitando o momento... — Ele frisou o nome. Feliz era um eufemismo de como eu me sentia ao ouvir o nome 'Edward Cullen' sair dos seus lábios, em oposição a repulsa que senti a semana toda ao ouvir o nome 'Edward Evans' ser pronunciado dezenas de vezes pelo senador. Deixei o nome afundar em meu coração. —... Tenho que te contar a história do Edward Evans forjado a existir esses últimos dias em meio a uma chantagem.

Abri bem os olhos, alarmado ao ouvir o nome chantagem. Inclinei-me atento, o cotovelo sobre o balcão.

—Estou pronto para ouvir — Pedi outro drinque e olhei para a pista. As meninas dançavam. Eu me contive para não adiar a conversar e ir curtir minha família.

—Você vai ter a vida toda para ficar com ela. — Carlisle sorriu divertido ao ler meu olhar. Voltei minha atenção a ele. —Bom, você lembra das maletas que você buscava? — Ele questionou. —Todas as suas idas lá foram filmadas e enviadas para Bella. Além disso, houve documentos assinados por você que autorizavam desvio de verbas... — Narrou todo o acontecido detalhadamente, desde os e-mails às ameaças. —Enfim, foi devido a essa chantagem que Bella terminou o noivado com você — concluiu. Ouvi-o perplexo, balançando a cabeça horrorizado com a perfídia. Fui manipulado em todos os sentidos. Uma marionete — Só ontem o Ryan descobriu provas contrárias em um computador, destruiu-as e coletou provas reversas que podem fazer muita gente cair; então ligou para contar a Bella e, por acaso, fui eu quem atendeu ao telefone enquanto ela estava no banho. Pedi a ele que não revelássemos a ela.Minha intenção era uma reação sua como a de hoje para provar que ela era prioridade, entende?

—Mais ou menos — assenti ausente, sentindo culpa por tudo que fiz Bella sofrer.

Ele continuou narrando sobre o motivo de ter envolvido Brandon. Fechei os punhos revoltado comigo. Agora tudo se encaixava, cada atitude absurda de Bella, cada choro, sua resistência ao meu futuro... Tudo que ela queria era me proteger.

Raiva, remorso, censura e vários sentimentos de imputação me acusavam. Como eu fui tão cego em não enxergar? Ela só queria que eu dissesse que o poder não valia à pena! Fui um insensato em não conseguir deixar claro nesses anos que ela era mais importante. Pior, eu não pude fazer nada para amenizar sua dúvida. Eu não era voluntário a desistir, antes desta semana. E ela, perceptiva como é, era consciente do fato. Ela me conhece mais que eu.

Avistei Ashley conversando com Brandon, próxima às mesas. A cólera subiu, e meus instintos primitivos me enervaram. Eu queria esganar seu pescoço. Se não fosse um homem controlado, daria vazão ao sentimento sem esforços.

—Eu vou conversar com ela — informei e levantei, nervoso.

—Ainda temos que discutir detalhes sobre o casamento — Carlisle insistiu, segurando meu braço.

—Amanhã— pedi. —Quero resolver isso logo. — Pus o copo no balcão e deixei o bar. Cruzei o salão e abordei Ashley, parando com semblante hostil em sua frente.

—Brandon, você pode nos dar licença — Pedi sem desviar o olhar frio dela. Ele olhou-nos em dúvida. —Você a conhece, Brandon? — questionei cáustico. —Esta é a chantagista baixa que ia acabar com a minha vida — acusei entre dentes.

—Quê? — Os dois perguntaram ao mesmo tempo.

—Não se faça de desentendida, Ashley. Você sabe muito bem do que estou falando.

—Eu não sei — negou firme. —Ter me apaixonado por você não faz de mim uma chantagista baixa.

—Rá! Além de tudo é cínica! — Alterei o tom.

Brandon nos deixou ao perceber a pessoalidade da discussão. Eu tentei domar a cólera e falei pausado. —Você chantageou Bella para separá-la de mim e me induzir a aceitar a proposta do seu pai —enfatizei.

Ela abriu a boca surpresa, depois olhou incerta para a pista. Acompanhei seu olhar. James.

—Edward, não sou eu. Eu não faria isso... — defendeu-se, apreensiva. —Mas eu sei quem está fazendo. Ele sabe que eu me apaixonei por você e disse que iria me ajudar. Eu sabia que ele fazia algo errado, mas não quis detalhes. Eu só queria você de qualquer maneira — explicou pausado e baixo. Eu não queria ser traído pela minha credulidade excessiva, mas suas palavras me pareciam sinceras. —Minha participação foi me omitir ao ver tudo acontecer ao meu redor — lamentou e segurou no meu braço. —Eu já admiti para você os meus sentimentos e, além disso, não tenho culpa de não gostar dela, pois parece que todas as coisas boas se direcionam a ela — apontou Brandon para acentuar. Eu quase sorri, agradado por seu interesse. —Eu sei que ela não tem culpa, mas eu a odeio pelo meu irmão gostar tanto dela, por você preferir a ela e por ele estar com ela. Eu não entendo o que vocês vêem nessa garota sem sal — reclamou ressentida. Eu olhei-a de cima abaixo, sentindo pena de sua falta de estima, de amor próprio e de sua repulsiva inveja de Bella.

Ser querer perder mais tempo nesse assunto, olhei para a pista de dança e vi Bella passar como um furacão para o banheiro. Temi que ela estivesse passando mal como horas atrás.

—Depois nós conversamos, Ashley. — Afastei-me preocupado.

—Edward, espere. — Sua mão se apertou firme em meu braço. Cadenciei o olhar incerto entre ela e o local onde Bella entrou. Decidi esperá-la sair.

—Fale.

—Você nunca me deu uma chance... — Ela se aproximou mais, com postura sedutora. Eu estremeci de aversão. —Nós podíamos tentar. Você podia pensar pelo lado bom disso tudo. Se você ficar comigo, você vai ter tudo — argumentou, desviou o olhar do meu, olhou por sobre meu ombro e deu um sorriso misterioso. Sua mão segurou meu pescoço, e ela impulsionou para me beijar. Eu desviei a tempo do beijo acertar o canto do meu lábio.

Empurrei seus ombros irritado por seu atrevimento. Um vulto passou por mim, Ashley foi acertada e jogada para longe. Perplexo e apavorado, meio embaraçado e meio aflito pela situação, arregalei os olhos espantado ao ver Bella, sempre graciosa e composta, atacá-la como uma tigresa. Ashley cresceu sobre ela, e eu me preparei para intervir, porém, um braço me segurou.

—Deixe o vale tudo rolar — Ryan entreviu, com um sorriso zombador. — Bella precisa dar umas palmadas nela.

Impotente, eu tive que deixá-las, ainda que ciente de que seu excesso de raiva estava direcionado à pessoa errada. Uma multidão acercou-se delas. Eu esfreguei a fronte constrangido com a situação. Virei o rosto para não presenciar a briga, mas um grito da Ashley chamou minha atenção. Acreditei que tinha cessado e que Bella iria recuar. Mas em oposição ao que seria seguro, ela avançou de novo. Eu gelei ansioso, preocupado, e, pasmem, admirado com sua atitude.

Nunca imaginei minha Bella descer do salto, sair da pose superiora e centrada que mantinha, para dar uma lição e defender algo dela.

—Tu gostoso, hein! — Jasper bateu em meus ombros irônico. Eu fiz uma careta censurando seu comentário.

Os segundos pareciam minutos eternos. Eu me senti um animal enjaulado sem poder se intrometer. Voltei a me desestabilizar quando as mãos da Ashley se fecharam na garganta da Bella. Dei outro passo a frente, entretanto foi Carlisle que me parou dessa vez.

—Edward, não! Não se meta. São coisas de garotas. —Sorriu e piscou divertido.

Suspirei derrotado.

—Não foi ela, Carlisle — noticiei. Ele fez uma careta de desaprovação. Mesmo assim, não quis intervir.

—Quem dá mais? — Jasper e Ryan sorriam com algumas notas de vinte nas mãos. —De um lado a loura Evans, do outro, Bella Cullen. Quem ficará com o gostosão ali? —Jasper apresentou teatralmente.

Balancei a cabeça, incrédulo. Meu Deus! Será que só eu sou o sensato?! Os irmãos delas faziam apostas! Pude respirar novamente quando Rosalie separou-as com um mata-leão em Ashley, quando Bella dava cotoveladas repetidas no estômago da Ashley. Suspirei de alivio.

—Cara, quem era aquela deusa loura? — Emmett questionou dramático, batendo nos meus ombros tensos. Eu revirei os olhos.

Rosalie arrastou Ashley para um canto. A música parou. Os cochichos e piadinhas aumentaram.

Nossa, pra briga de mulher foi um MMA.

Só mulher gostosa!

Gargalhadas altas acompanharam os comentários. Bella esfregou o pescoço e olhou-me insegura.

—É agora eu quem tenho que me virar — Carlisle resmungou. —Vou ter que lidar com três coisas: jornais, vídeos na internet e processo judicial — comentou insatisfeito e apertou o indicador na testa.

Encurtei a distância de Bella e passei o braço no ombro dela, protetoramente. Seus bagunçados cabelos lhe deram o ar selvagem. Ela olhou-me envergonhada.

—Eu já sei da história toda, e não foi ela — contei a ela, reprimindo um sorriso.

—Quê? — Olhou-me perdida.

—Foi James —revelei.

Ela parou no meio do salão, fitando o chão. Franziu o cenho como se desvendasse um problema matemático.

—Faz sentido... —concordou. — Mas ela não é de todo santa... Mereceu uns tapas por beirar o noivo dos outros — anunciou afetada.

—Por que não bate nele também? — Provoquei e apertei sua cintura, presunçoso.

—O James não dá em cima de você descaradamente — Ela ergueu o queixo com superioridade. Eu não me contive mais e sorri. Ela nunca foi tão óbvia numa crise de ciúme. Isso me agradou. Sua atitude era perdoável, comparada ao meu ciúme.

Continua...

Daqui para frente fica tudo bem tranquilo. Fica a resolução sobre o futuro de Edward e suas escolhas. Tomara que ele inclua Bella em suas escolhas.

Beijos

Bia Braz