Capítulo Minha, pra sempre minha

Bella

Depois do esclarecimento, concluí que não importava a chantagem ter sido feita Ashley ou não. Ela mereceu os tapas que levou por ter induzido James. Não me arrependi da cena, em absoluto, embora minha ousadia tivesse me assustado. A raiva por vê-la tocando em Edward me cegou, fazendo-me esquecer minha situação. Fui tola, em certa parte. Tudo poderia ter dado errado. Um simples chute, ou uma cotovelada poderia machucar o meu pequeno sonho. Sorte não ter tido um efeito maior, a não ser pela vergonha e exposição.

De agora em diante, eu teria que me manter responsável.

Durante o trajeto para casa, em todo o tempo meus irmãos riam, faziam piada. Encolhi-me, envergonhada. Emmett sorria orgulhoso de Rosalie.

‒Cara, você viu como minha Rose parecia uma garota super poderosa dando o golpe na magrela? ‒ beijou Rose na cabeça ao entrarmos no hall de entrada do prédio. ‒Viu como valeu a pena ter ido para o Jiu Jitsu comigo? Você protegeu a família ‒ adulou-a. Ela sorriu lisonjeada.

Depois de um banho, Edward passou gel para dor em minha mão. Ela ainda estava fragilizada por causa da concussão há duas semanas no acidente, e o tapa na cara da Ashley fez doer mais. Edward segurava na boca um sorriso presunçoso. Parecia tão surpreso quanto eu pela minha atitude. Eu evitei comentar. Sempre me envaideci por meu extremo equilíbrio e segurança, e agora desci do salto. Seria constrangedor ter que carregar isso a vida toda: O dia que Bella deu na cara de uma loura que dava em cima do Edward.

Deitei de costas, meio aborrecida comigo. Ele se aconchegou ao meu lado, com uma perna sobre mim.

‒Por que está brava, kitten? ‒ Ele afastou o meu cabelo e deixou livre o pescoço para seus beijos.

‒Estou com raiva de mim. Fui uma barraqueira. ‒ Resmunguei.

‒Bom, não vou dizer que na hora eu não fiquei assustado, porque eu fiquei. Mas a lembrança da sua carinha... Hmmm... ‒ Ele puxou meu rosto e roçou o nariz no meu. ‒... Foi excitante... Estou aqui formulando uma maneira de te brava daquele jeito de novo. Adorei ver você furiosa ‒ sorriu malicioso e mordiscou meu queixo, rosnando.

‒ Você quer é me deixar melhor ‒ acusei desconfiada. Ele fez cócegas com a boca no pescoço.

‒Assim, você podia ter se controlado e evitado estar no Youtube amanhã ‒ zombou. Eu rolei os olhos. ‒Mas eu não tiro a sua razão. Quando seu pai me contou tudo, eu tive vontade de torcer pessoalmente o pescoço dela. Porém, a culpa da chantagem não está sobre ela. Ela não tem competência suficiente para isso. ‒ Ele torceu os lábios em um sorriso sugestivo.

‒Mas por que você afirma que foi James? ‒ questionei enquanto desenhava sua sobrancelha perfeita, matando a saudade que senti durante o tempo em que tudo era incerto.

‒Além de ela ter acusado, eu tenho vários motivos relevantes para deduzir isso. Ele queria ver algum lado da minha vida falir, já que em vários aspectos eu desponto, em oposição a ele que precisa ser capacho para ter algo.

‒Isso não é motivo para ele fazer o que fez. Foi um crime ‒ ressaltei indignada.

‒Bem, eu suponho também que haja algum dedo do senador querendo unir o útil ao agradável. Ele teria um sucessor, ainda agradaria a filha lhe dando um mimo ‒ concluiu tranquilo.

‒E como você está com isso? ‒ questionei insegura.

‒Eu já tinha decidido o que queria. Isso só me decepcionou mais um pouquinho ‒ lamentou e beijou minha testa.

‒E o que pretende fazer daqui para frente? ‒ fui direto ao ponto. Era primordial saber. Ele devia estar sem rumo.

‒Bom, seu pai me disse que Ryan descobriu algumas provas e amanhã iremos conversar sobre isso.

‒Quê? ‒ franzi o cenho, alerta. ‒Meu pai não tinha falado sobre Ryan ‒ comentei perplexa, mas agradeci mentalmente que ele não tivesse me falado. Se não, não teria sido como foi.

‒Ele teve os motivos dele ‒ justificou compreensivo. ‒No que se refere à minha vida profissional, vou confrontar o senador e James e depois dar baixa no registro de candidatura ‒ explicou e descansou o rosto no travesseiro. Eu bocejei. ‒Depois disso, volto para Seattle ‒ informou inexpressivo.

Eu me posicionei para dormir, encaixada de conchinha nele. Sua mão descansou em minha barriga. Fiquei tentada a falar sobre o bebê, mas reservei a revelação para um momento especial. Senti sua respiração se tranqüilizar em meu cabelo. A madrugada cobrava nosso cansaço.

‒Edward, você não vai mais casar comigo, não? ‒ indaguei em dúvida. Ele parecia fugir do tema. Seu silêncio nos instantes seguintes me deixou insegura.

‒Vou. Mas não tenho data. Eu não posso simplesmente casar com você sem ter uma perspectiva de vida ‒ informou sério. Meu coração doeu. Não ter uma data me machucou. Eu queria muito me casar, nem que fosse em um ano, dois. Sua falta de perspectiva e fé me magoou. Eu não queria vê-lo desiludido. Eu o apoiaria no que ele quisesse ser.

Eu sentei, posição indiana, e encarei-o.

‒Edward, você pode seguir em frente na política que eu vou aonde você for. Estarei com você no que você escolher. Todas as certezas que eu busquei, hoje eu tenho. Então, se você perceber que o senador não é culpado e ainda quiser ficar com ele, pode ficar. Se você optar por ficar com o pai da Sô, pode ficar. O importante é que você esteja feliz ‒ incentivei-o calorosa.

Ele sorriu e me puxou para cima dele, abraçando-me forte, cheio de cumplicidade. ‒Ouvir isso me deixa com mais opções. Mas eu ainda vou pensar ‒ sentenciou. ‒Bella, me responde uma coisa... Eu já imagino o porquê, mas eu queria ouvir de sua boca o motivo de você não ter me falado sobre a chantagem.

Agora eu não precisava mais esconder esse sentimento que eu tinha. Ambos deveríamos ser abertos.

‒Ah, Edward, desde que nós começamos a ficar juntos eu percebia que essa vida aqui era tudo para você. Eu não me via como o seu plano principal, era a forçação de barra, entende? ‒ expliquei. Ele assentiu pensativo. ‒Eu não queria que você desistisse por falta de opção. Eu queria ser única para você, igual você sempre foi para mim... Minha vida girou em torno de você... Eu te coloquei na minha vida aos treze anos... E não houve recíproca... Essa frustração me carcomia. Eu queria ser escolhida por você uma vez. Assim como eu te escolhi.

Ele suspirou, afastou-me e me olhou intensamente.

‒Desculpe, Bella. Você tem toda razão em ter tido dúvidas. Eu lamento. Eu nunca percebi que essa minha idéia fixa te trazia insegurança.

‒Sabe, Edward, você não nota e eu não gosto de relembrar, mas você sempre me colocou em segundo lugar. A fuga por causa do Jasper é um exemplo ‒ lembrei, mas no instante seguinte me arrependi, pois conhecia sua dor da lembrança.

Ele calou-se e pareceu mergulhar em memórias.

‒Perdão, amor. Perdoe-me por tudo. Por ter permitido que você fosse chantageada. Por ter sido tão negligente com você. Por não ter aberto os olhos e associado suas palavras. Você me deu tanta dica! Mas eu estava cego. Eu fui egoísta, só olhava para mim. Eu queria que você se adaptasse ao que eu escolhi e ponto ‒reconheceu arrependido. ‒ Eu imagino pelo que você passou todos esses anos, tendo que me dividir com esse sonho. Eu lamento, lamento mesmo por ter te feito se sentir assim ‒ suplicou.

Abracei-o para confortá-lo e tirar a culpa dos seus olhos.

‒Agora passou. No final deu tudo certo ‒ tranqüilizei-o disposta a esquecer.

‒Bella. Você disse ontem que não merecia o meu amor, mas sou eu quem não mereço o seu ‒ acentuou culpado.

Eu segurei seu rosto entre minhas mãos e o fiz olhar para mim.

‒Ei, pare já. Estamos juntos. Por sinal, eu te amo.

Salpiquei beijos aduladores em seu rosto. Ele sorriu, mudou na cama e me cobriu com um abraço.

‒Eu também te amo, minha beijoqueira. E você é o meu primeiro plano. Sempre.

Deixamos a Capital domingo à tarde. Por ser férias, lotamos a casa em Seattle. A família se reunia para as refeições, crianças corriam pela casa, carros chegavam e saíam, Jasper não parava de falar, papai sorria cúmplice a Esme, casais manifestavam carinho pela casa. Essa era a rotina feliz, a não ser por um fato: Edward ainda estava em Washington.

Depois que ele conversou com o meu pai e Ryan no domingo de manhã, ele ficou estranho, sempre calado e pensativo. Talvez Ryan tivesse mostrado provas que o seu pai não era culpado, e Edward tivesse ficado tentado a ficar na Capital, porém, sem coragem de me falar.

Quarta-feira, a falta de notícias de Edward me preocupou. Não era a saudade dolorida que sentia antes, mas sim falta, embora eu não me sentisse só. Talvez a companhia do bebê dentro de mim me abrandasse, ou talvez a sensação espiritual de que Edward estivesse perto emocionalmente me tranqüilizasse. Era estranho, mas eu acordava pela manhã com o cheiro dele no nariz e tinha a sensação de termos dormido juntos. Essa ilusão acalentava o meu coração. Então eu não sofria, em absoluto.

Todos os dias, ocorria algo estranho na casa. Meus irmãos tomavam café rápido e saíam sem informar destino. Para não ficar em casa sozinha, eu fui ao parque pela manhã, depois almocei e fui à médica. Nenhum deles apareceu para o almoço. Muito menos os pais deles. Nossos pais.

Após responder algumas perguntas da médica, como tempo e datas, a médica me pediu para deitar na cama e pôs um líquido gelado sobre a minha barriga.

‒A gestação está com oito semanas, Bella ‒ informou diligente enquanto mexia o aparelhinho. Fiz as contas mentais e deduzi que no dia que terminei com Edward já tinha um bebê em minha barriga.

Vi umas manchinhas e ouvi sons como de asas de passarinho. Uma lágrima solitária rolou de meus olhos. Lamentei por não estar compartilhando isso com Edward. Eu me iludi, pensando que estaríamos sempre perto daqui para frente. Ressentia-me por Edward não me telefonar desde domingo. Agora eu tinha certeza que ele resolveu voltar ao seu mundo político.

Respirei fundo e expulsei a dor, assegurando-me que nas próximas gestações ele assistiria. Sexta-feira, eu revelaria a ele como seu presente de aniversário. Contudo, meu motivo para estar feliz era maior que a infelicidade por estarmos longe.

De volta a casa, passei o restante do dia tentando ligar para Edward, impaciente e cansada com a falta de notícias. Como Edward agia assim depois de tudo que ele disse? Seu sumiço era inexplicável. Eu comecei a me alarmar. Ele não ficou on-line, nem me ligou. Ele teria se arrependido e voltado aos seus planos? Quem sabe. Ele teria se decepcionado comigo por eu ter brigado com a irmã do Ryan e visto que ela valia mais a pena? Será? Droga. Desde quando eu fui tão insegura assim?

Novamente caiu na caixa de mensagem. Eu suspirei e deitei solitária no sofá. Nem meus irmãos me queriam perto deles. Ficavam de casaizinhos entrando e saindo e não me incluíam em seus programas. Meleca, essa Bella carente e melancólica estava enchendo o saco. Era para estar tão feliz! Mas o que fazer quando você pensa que sua vida vai virar um mar de rosas e ela não vira? E o que torna pior é quando se tem que ostentar uma pose de inabalável, mesmo com a rejeição e chá de sumiço.

Troquei o clip na tv entediada, planejando me ocupar na empresa nos próximos dias. Ouvi o som de passos nas escadas.

É LÓGICO QUE NÃO. EU JÁ TINHA AVISADO PARA VOCÊ! ‒ Ouvi a voz do meu pai irritada. ‒...NÃO, ELA NÃO VAI QUERER FAZER ISSO... EU PAGO O QUE FOR NECESSÁRIO, SÓ NÃO QUERO A MINHA FILHA EM SITUAÇÃO DELICADA... NAO! DE JEITO NENHUM... TUDO BEM, PODE FALAR COM ELA...

‒Bella, pra você. ‒ Ele estendeu o telefone em minha direção.

‒Alô‒ cumprimentei desorientada.

‒Oi, docinho! É o Perrine. Como vai? ‒ questionou com voz nasalada.

‒Vou bem. ‒ Olhei para meu pai, incerta.

‒Você deve estar perguntando o que quero com você, ? ‒ adivinhou.

‒Estou. ‒ Forcei um sorriso.

‒Na verdade, lindinha... ‒ esperei que ele me chamasse de florzinha agora para completar o trio das meninas super poderosas. ‒Eu estou ligando para cobrar o desfile em Washington, lembra? É o único estado que não fizemos a exposição ‒ lembrou. Arregalei os olhos surpresa, mas mantive a calma.

‒Perrine, eu não vou mais desfilar como noiva do ano. Aliás, não sei nem se eu um dia ainda vou casar ‒ noticiei frustrada e me afundei novamente sofá, lembrando que eu pedi para Edward colocar a aliança de volta no meu dedo, e ele não quis colocar.

‒Amorzinho, você tem um contrato comigo. Tem dias que eu avisei seu pai sobre isso. Você tem que cumprir o contrato. ‒ Ele insistiu.

‒Que dia e onde seria? ‒ ponderei pensativa. Já que eu não tinha o que fazer, talvez fosse uma boa ideia. Durante o ano, eu adorei a diversão.

‒Bom, a produção escolheu uma cidadezinha do interior. Forks. Conhece? ‒ informou com desdém.

‒Sim. Que dia?

‒Será dia oito às cinco da tarde.

Eu deixei os ombros caírem, desolada e insegura.

‒Perrine, eu não posso. É o aniversário do meu namorado.

‒Ai, menina, você não era noiva? Que rolo! Você já trocou de namorado?

Eu sorri triste. ‒É o mesmo. Mas nós não estamos mais noivos ‒ expliquei desiludida.

‒Ah, usa o seu vestido inédito então neste desfile‒ sugeriu empolgado. ‒Quando você resolver casar novamente, com certeza será uma coleção diferente ‒persuadiu.

‒Eu não posso dar certeza. É aniversário do meu namorado, e eu devo sair com ele ‒ comentei em dúvida.

‒Faz assim, liga para o seu namorado e me retorna em cinco minutos.

Eu concordei e tentei mais uma vez ligar para Edward. Ele atendeu no primeiro toque.

Bella?

‒Oi, anjinho. Preciso falar com você ‒ disse alegre, embora não devesse, já que ele sumiu tantos dias.

Não posso agora. Depois te ligo ‒ sibilou baixinho.

Como é isso? Ficou desde domingo sem falar comigo e já queria desligar?!

‒Espera. Só responde se você vem sexta ‒ pedi antes que ele desligasse.

Não. Estou enrolado. Depois te ligo ‒ ciciou. A suspeita cresceu em mim ao ouvir barulho de música enquanto ele cochichava. Será que ele tinha saído com colegas de serviço?

‒Edward, você fica on-line mais tarde?

‒Não vai dar. Não sei que horas vou ficar livre. Beijo. ‒ E desligou. Eu olhei sem ação o telefone, a boca aberta em horror. Meu pai olhou-me cauteloso. Eu ocultei a decepção com um sorriso falso.

‒Ocupado demais. ‒ Fingi pouco caso com um dar de ombros e liguei de volta para Perrine, confirmando. Ele avisou que eu passaria o dia com ele. Suspirei, entreguei o telefone do meu pai e voltei a ver TV. Mais uma noite sozinha. Eu devia estar acostumada. Tomei uma decisão. No dia seguinte, quinta-feira, eu iria para o jornal, à noite sairia com o pessoal para algum bar e não ficaria deprimida, até que Edward resolvesse o que queria.

Sexta-feira, de novo eu acordei com o perfume do Edward na minha cama e nariz. Isso que era vício. Obsessão. Acordei em paz e tranquila, mas ao olhar a tela do celular e lembrar que a mensagem de hoje deveria ser: até que enfim chegou!, o desânimo me abateu. Há dias eu não recebia uma ligação do número dele.

Tomei um banho e desci para o lanche.

‒Bom dia. ‒ Cumprimentei Alice quando ela passou por mim apressada.

‒Bom dia, Bella. Que horas é o seu desfile? ‒ Ela tomava um suco sem nem respirar, de tanta pressa.

‒Cinco horas, eu acho. ‒ Dei de ombros e coloquei umas maçãs e cereais em uma bolsa para lanchar no salão. Tinha que cuidar da alimentação.

‒Ah, talvez eu dê uma ida lá com o Jazz. ‒ Ela avisou e saiu.

Edward

Depois de ouvir de Ryan sobre as provas incriminadoras contra James e, consequentemente, contra o senador Evans, deduzi que James era somente o testa do senador. As provas levantadas se resumiam a documentos anteriores aos que eu assinava recentemente. Provas de que a lavagem de dinheiro e desvio de verbas ocorriam antes que eu assumisse, mas que inconsciente, eu dei andamento. Obviamente eu também seria acusado, se o caso viesse a público.

Eu tinha consciência de ter que enfrentar as consequências de minha negligência, mas me surpreendi diante do pedido de Ryan. Ele pediu que não expuséssemos o escândalo, privando Carlisle de ter o furo de reportagem exclusiva. Ryan afirmou que a repercussão difundida por meio dele não era a sua intenção.

Compreendemos seu pedido, uma vez que ele era filho. Em outro caso, seria a oportunidade de atingir o pai, mas ele não guardava rancor. Sua postura foi admirável. Eu também não podia lutar contra o senador Jonathan. Não faria cair um homem com o grau de poder que ele tinha. E se conseguisse com a ajuda do Carl, iria magoar seu filho. Além de tudo, o que adiantaria derrubar um político renomado hoje e dentro de alguns anos o povo aclamá-lo com votos, mesmo sabendo de sua corrupção? De nada serviria a tentativa.

Entrei no capitólio na segunda-feira com uma sensação de vazio. Era como se eu estivesse livre. Sem raízes. Eu não pertencia mais àquele lugar. Cada sala era vazia de calor, em cada espaço percorrido eu me sentia mais indiferente.

Sentei em minha mesa e arrumei minha gaveta, recolhendo tudo numa caixa.

‒Boa tarde, Edward. Você pode vir a minha sala? ‒ O senador exigiu ao chegar. Seu semblante estava carregado. Eu o acompanhei, calmo e convicto. Eu não iria me alterar, reclamar, exasperar. Só queria uma explicação, por mais simples que fosse.

‒Edward, o que aconteceu no seu baile? ‒ cobrou direto.

‒O senhor não sabe? ‒ Franzi o cenho, incitando a sua reação.

‒Não. O que eu sei é que seus familiares agrediram a minha filha ‒ acusou duro.

‒Eles tiveram motivos ‒ retruquei com postura firme. Ele se levantou irritado e andou pela sala.

‒Ah, então você os defende ao invés de defender a pessoa que vai te levar ao poder americano?

Eu ri secamente e balancei a cabeça. ‒Senador, fique com a sua filha e o poder americano. Ambos não me interessam mais ‒ salientei baixo e pausado.

Ele abriu a boca perplexo.

‒Você tem certeza disso, rapaz? ‒questionou. ‒ A sorte não costuma ser tão favorável duas vezes ‒ enfatizou, obscuro e ameaçador.

‒O que? Se eu não me casar com ela, o senhor vai me mandar para a cadeia? ‒ri amargo. ‒ Então a ideia da chantagem foi sua! ‒ acusei e joguei os papéis de Ryan sobre a mesa. ‒Isso não vai funcionar comigo, senador.

Levantei e caminhei impaciente pela sala enquanto ele examinava os papéis. Ele me olhou sem ação.

‒Pasme você, mas foi o seu incompetente filho, em breve um Feinsteim, quem descobriu todo o seu jogo sujo ‒ ressaltei com sarcasmo.

Ele perdeu a cor do rosto

‒Eu só queria saber o porquê? ‒ continuei dizendo. ‒ O que eu fiz para merecer tanta atenção? ‒ Encarei-o, domando a cólera.

Ele demorou um tempo olhando-me, sem foco. A declaração de que foi seu filho a descobrir abalou suas estruturas. Ele sentou e continuou analisando os papéis. Suas mãos tremiam.

‒O que você pretende com isso? ‒ Ele ergueu os papéis, apreensivo.

Eu relaxei na cadeira, entrelaçando os dedos atrás da nuca. ‒Eu só quero saber o motivo. Nada além disso ‒ disse tranquilamente.

Ele respirou fundo, aliviado. ‒Bom... Se você quer ouvir, é o mínimo que posso fazer... Tenho dois motivos ‒ elucidou com a voz baixa. ‒Primeiro, por minha filha ‒ confessou, fitando o vazio. ‒Segundo, por minha causa.

‒Como assim? ‒ Inclinei-me para frente, atento.

‒Um dia eu disse para você que eu me via em você, lembra? ‒ lembrou, com semblante vencido. ‒Você é sonhador, determinado, idealista e, além de tudo, tem um amor verdadeiro, uma garota que te ama ‒ enumerou com olhos distantes.

‒O que isso tem a ver com essa sujeira? ‒ apontei os papéis na mesa com ojeriza.

‒Eu queria ver se você cairia no mesmo erro que eu ‒ sussurrou. ‒Eu queria saber se você consideraria o poder algo tão grande que seria capaz de se vender, trocar o amor pelo poder, como eu fiz... Eu queria justificar os meus erros, dizer para mim que outro teria feito a mesma escolha que eu... Além de tudo, eu queria saber se você se manteria idealista ou se iria se tornar o corrupto que eu me transformei... ‒ confessou ausente. Eu abri a boca perplexo com a confissão. ‒Talvez saber que você incidiria no mesmo erro que eu, diminuísse a minha culpa do que eu me transformei.

Seus ombros caídos e franca sinceridade causaram-me pena. Ele era um miserável mantedor de imagens. Hoje seu filho rejeitava seu nome, casando-se em breve com a filha do seu inimigo. Sua mulher se divorciava dele. Sua filha e o poder foram o que lhe restou.

Lamentei sinceramente por ele e levantei em silêncio, disposto a sair.

‒E James? ‒ indaguei curioso.

‒O James? ‒ Ele fez uma careta. ‒Ele nasceu para ser usado, embora tenha levado a perseguição pessoal longe demais. Ele tinha ciúme e inveja da minha fixação em você ‒ admitiu sem jeito.

‒Ok. Espero que o senhor tenha se decepcionado comigo ‒ disse caminhando para porta. ‒O seu experimento comigo falhou, pois eu estou indo embora ‒ noticiei com uma satisfação incomensurável. ‒Vou ser simplesmente um caipira apaixonado no interior do país... Saiba que EU fiz a escolha certa ‒ enfatizei convicto, satisfeito por não ter caído.

Recolhi minha caixa com os pertences com todas as sensações possíveis resultantes de contentamento. Alívio, felicidade, paz. Coloquei a caixa sob o braço e despedi-me de cada um dos meus colegas. Nem Ashley ou James estavam presentes. Uma lástima. Eu queria ter o prazer de mostrar quão feliz estava. Caminhei pelo corredor sorrindo. A máquina gelada em mim seria desligada. Minha vida agora seria repleta de calor.

‒Eu não poderia deixar de vir te ver ‒ anunciei com um sorriso, coloquei a caixa na mesa da Sô e abri meus braços para um abraço.

‒A política está perdendo um grande homem ‒ lamentou e me abraçou apertado. ‒Vá lá, amigo, tire umas férias. Vocês merecem depois dessa bagunça que fizeram com vocês. Se em fevereiro você sentir falta dessa vida aqui, pode vir que meu pai está com os braços abertos ‒ avisou com um sorriso amistoso.

‒Obrigado ‒ agradeci realizado. ‒De tudo que eu passei aqui, foi gratificante ter conhecido vocês e ter contribuído para sua união com meu amigo. Foi uma espécie de missão ‒ comentei sorridente.

‒Eu amei ter sido sua amiga e ter conhecido esse teu amor verdadeiro, Edward. Sou uma fã de vocês dois.

‒Ah, falando nisso vocês vão lá, ? ‒ Entreguei o novo endereço em um envelope.

‒Ow! Eu não perderia por nada! Você acha que Ryan perderia? Ele adora vocês de graça!

‒Então, até lá. ‒ Despedimo-nos sorridentes.

Deixei o Capitólio sem olhar para trás, depois passei no cartório eleitoral e cancelei o meu registro, documento que não durou uma semana. Era um alivio que tivesse acabado. A tormenta acabou.

Cinco da tarde, terminei tudo que tinha que fazer, voltei para o dormitório e, sem poder esperar mais um minuto, arrumei minhas roupas e livros em caixas e acomodei-as no porta-malas e banco traseiro do carro, lotando até o teto.

Voltei ao quarto uma última vez e sentei na cama, revivendo tudo que passei ali. Memórias nostálgicas em que eu estudava na cama, sozinho, ou as diversas vezes em que minha única companhia era Bella através de um computador eram projetadas. Fechei os olhos. Nós vencemos, Bella. Vencemos juntos. Você foi minha base ano após ano.

Decidido, aliviado e realizado, levantei, suspirei e me despedi do quarto. Bella merecia que eu compensasse todo o seu tempo investido em mim. De agora em diante, sempre estaria ao seu lado. Feitos as minhas últimas responsabilidades na Universidade, liguei o carro e saí do campus, arquivando na memória meus anos ali.

Passei em frente à Casa Branca e sorri alegre, pois a lembrança que me marcou lá foi o seu jardim violado com o nosso amor. Sorri alto e segui rumo ao estado de Washington, porque Washington D.C, capital dos EUA, só me receberia ainda para as avaliações do mestrado.

Aquela segunda, 19h, seria marcante. O dia que eu abandonei tudo por amor. Dali em diante minha vida se iniciaria diferente, sem perder mais um segundo dela. Voltaria para casa. Bella era minha casa.

Bella

Eu olhei uma última vez para o reflexo projetado no vidro do helicóptero. O cabelo cacheado artificialmente, a maquiagem leve e o vestido faziam um conjunto harmônico de delicadeza e sofisticação. Eu devia estar feliz, mas baixei o olhar pesarosa.

‒O quê que foi, lindinha? Está insatisfeita? ‒ Perrine perguntou ao ver o meu semblante entristecido.

Eu suspirei. ‒Era para eu estar me casando hoje... ‒ contei a ele frustrada. ‒... Agora nem namorado eu sei se tenho mais.

‒Ai, florzinha, nem tudo está perdido ‒ Bateu em meu ombro, consolando-me. ‒Pense pelo lado positivo. Você não tem o noivo, mas tem o vestido, as jóias, a beleza, o glamour e os flashes ‒ animou-me. Eu sorri com sua empolgação. Peguei novamente o telefone, fiz a repetida ligação e novamente caiu na caixa. Deixei os ombros caírem. Do alto, avistei um rio, uma grande tenda branca em frente ao rio, um palco para shows e carros, muitos carros.

‒Nossa, que lugar lindo! ‒ ofeguei animada. Perrine sorriu, agradado. O helicóptero baixou, um carrinho de golfe enfeitado nos esperava. Perrine recebeu um rádio de comunicação e conversou.

‒Cadê as outras modelos? ‒ perguntei logo que subimos no carrinho.

‒Já estão entrando. Em cinco minutos é você ‒ avisou nervoso.

Passamos pelo Jeep do Emmett no estacionamento, e eu senti um pouco de alívio em saber que alguém da minha família estaria presente, afinal era um dia que eu tinha todos os motivos para estar infeliz.

O local foi enfeitado com decoração diferente dos demais desfiles. No palco para desfiles tinha o dobro de fotógrafos, o que obviamente eram fotógrafos da empresa do meu pai. Eu relaxei, familiarizada. O carrinho parou, eu desci e posei para fotos.

‒Agora é você, garota. Arrasa! ‒ Perrine instruiu. Eu caminhei em direção à tenda branca cercada de voais. Rosas vermelhas faziam arcos nas entradas e laterais, contrastando com o branco. O sol estava em um ângulo lindo, brilhando no rio atrás da tenda. Eu não vi o espaço reservado para o desfile e fiquei nervosa com a quantidade de pessoas.

‒Vamos, lindinha? ‒ Perrine incentivou e me conduziu a entrada.

Saltitante, sorridente e com um buquê de copos de leite na mão, Alice veio até mim seguida por meu pai. Nesse instante, Perrine afastou os voais de entrada, uma música ao som de violino e piano se iniciou, e as pessoas ficaram em pé.

Eu pisquei, atordoada, e passei o olhar pelo local em câmera lenta. Visualizei o tapete branco, cadeiras brancas forradas com cetim e rosas vermelhas que formavam buquês no corredor central. Segui com o olhar pela nave. Meu coração aumentou a batida. Encontrei o fim do corredor confusa e trêmula. A visão do altar me fez trazer a mão à boca. De traje bege e cabelos cortado curto, meu anjo glorioso encarava-me. Soltei o ar. Alegria infinita encheu meu coração. Uma lágrima rolou em meus olhos. Agora tudo se encaixava. Ele passou a semana preparando o casamento exatamente como eu lhe descrevi no início do ano.

Uma mão segurou a minha e virei o rosto.

‒Surpresa? ‒ papai questionou sorridente.

‒E como! ‒ Admiti, percebendo olhares expectativos em nós, parados na porta.

‒E aí? Você quer ir? ‒ Papai questionou com a sobrancelha arqueada.

Encontrei novamente o olhar de Edward. Seus olhos eram intensos e apreensivos. Eu assenti, afirmando. Ele sorriu de volta, aliviado.

‒Assim que mudar a música você vai. ‒ Alice instruiu e caminhou em lentos passos pelo tapete.

Edward

Era irracional que eu estivesse tão nervoso. Parecia que a noiva era eu! Bem, eu tinha razão para estar inseguro. E se ela estivesse muito indignada comigo? Desde o início, toda essa armação me deixou apreensivo. Carlisle teve a ideia e expôs no dia da formatura. Ele alegou que por fé em nós não lançou uma nota de cancelamento do evento quando soube que terminamos e que não comunicou às empresas de cerimonial e buffet. Opus-me inicialmente, temendo o risco. Porém, ao ver sua empolgação, concordei, embora impusesse a condição de escolher tudo que Bella expôs no Caribe: casar em Forks, ao fim da tarde e a com decoração de rosas vermelhas.

Toda a família se envolveu na organização durante a semana. Eu passei os últimos três dias com Emmett trancados no flat do Carl, tentando aperfeiçoar uma música. Carlisle instruiu que eu não atendesse os telefonemas. Ele sabia que se ela me pressionasse, eu me entregaria. Eu me senti culpado por fazê-la se sentir abandonada, mas contei que dormindo furtivamente com ela, aliviasse sua saudade de mim, assim como aliviava a minha.

Ver sua reação na entrada da tenda aumentou meu nervosismo. Ela parecia desorientada, e isso não é uma hipérbole. Ela estava perdida, e eu, desesperado. Por um instante eu tive medo. Ela teria desistido de mim? Ela chorou, e a dúvida em mim cresceu. Eu encarei-a, implorando com o olhar que ela me aceitasse. Ela sorriu cálida e receptiva. Eu queria diminuir a distância e ir recebê-la, mas Alice entrou e finalmente a marcha de Mendelssohn se iniciou. Bella entrou em lentos passos, ao lado do pai. Toda a luz do ambiente parecia irradiar dos seus olhos, ofuscando tudo, o medo, a insegurança. A cada passo ela iluminava meu coração.

Minha, pra sempre minha.

Ela era minha recompensa, sonhada e alcançada. Fechei as mãos suadas e frias para conter a ansiedade. Seu pai sorriu e me abraçou, forte, depois me entregou Bella. Minha, pra sempre minha ― parte possessiva e primal gritava dentro de mim.

A intensidade de emoções nos seus olhos queimava os meus. Engoli saliva e lutei contra a umidade nos meus olhos. Foi em vão.

‒Conseguimos ‒ declarei exultante e beijei sua testa reverentemente.

O ministrante iniciou o sermão. Vez ou outra Bella apertava a minha mão como que para conferir se era real. Ela parecia ansiosa em fazer perguntas. Eu dei-lhe sorrisos. Teria uma vida para me explicar.

‒Isabella Cullen, você aceita Edward Cullen como seu legítimo esposo prometendo amá-lo, respeitá-lo... ‒ No momento em que o reverendo invocou o juramento, uma nova onda de emoção subiu o meu corpo. Meus olhos se conectaram ao dela. Seu amor franco e honesto banhava minha alma. ‒... na alegria ou na dor, até que a morte os separe?

Ela suspirou.

‒Eu aceito ‒ declarou solene.

‒Edward Cullen... ‒ Ela arregalou os olhos, atentando só então para o nome. Eu assenti sorridente. ‒Você aceita Isabella Cullen como sua legítima esposa, prometendo cuidar, amar, respeitar... Na alegria ou na dor, até que a morte os separe?

‒Eu aceito ‒ jurei com todo o meu ser e aproximei do ouvido dela. ‒Poressa e por quantas vidas se seguirem, de preferência a eternidade ‒adicionei vitorioso. Nós vencemos quando tudo apostava contra nós. Outra lágrima rolou de seus olhos após minha declaração. Eu acreditava com todo meu ser que meu amor por ela era tão poderoso que excedia uma vida. Durante a eternidade eu a amaria. Além dos Céus e da Terra eu a amaria.

‒Eu vos declaro marido e mulher. ‒ declarou solene. ‒Pode beijar a esposa.

Levantei o seu queixo e encostei meus lábios, o mais leve possível, respeitoso e amável. Porém, porque ela era Bella ― ansiosa, impaciente e irreverente ―, ela atacou os meus lábios, esquecendo expectadores e flashes. Sugou os meus lábios com paixão, a paixão que eu amo nela. O beijo que era para ser cerimônia, se transformou em chupadas ávidas. Abracei-a, saudoso, ignorei onde estávamos, motivos, razões e entreguei-me ao prazer de tê-la. Ela era meu sangue, minha vida, coração.

Palmas e assovios altos estouraram nossa bolha. Ofegante e desajeitado, finalizei o beijo com dois selinhos, sorri em seus lábios e nos viramos para a multidão. A partir de agora, ela era minha, pra sempre minha.

Bella

Felizes para sempre, repeti fervorosamente como numa prece mental. Deixamos o altar e rostos familiares nos rodearam. Cumprimentamos colegas do jornal, amigos de meu pai, amigos de Edward.

‒Parabéns. Vocês merecem ‒ Ryan aplaudiu os ombros de Edward.

‒Qual a sensação de se casar de surpresa, Bella? ‒ Sophia perguntou.

Virei para Edward com um sorriso cálido.

‒Fora a raiva que eu passei pelo namorado sumido, foi perfeito. Fui uma noiva livre da tensão pré-casamento ‒ confessei sorridente.

De mãos dadas com Edward, enfrentamos uma multidão de convidados, com papai nos antecedendo a apresentar a seus amigos. Posamos para diversas fotos.

O sol se punha sobre o rio. A imagem parecia arquitetada. Na parte externa da tenda, garçons vestidos de branco e usando luvas serviam aos convidados nas mesas sobre um largo piso flutuante montado sobre a grama, no lugar onde inicialmente eu pensei que seria o desfile.

‒Por que você escolheu este lugar? ‒ Sibilei quando direcionávamos a mesa do bolo.

‒Eu vinha muito aqui quando criança ‒ explicou. ‒Eu gostava de estudar aqui. Gostava de ver o sol se por no rio. Eu considerava a minha clareira.

‒Obrigada por isso ‒ agradeci com um beijo nos seus lábios, expressando minha gratidão. Ele me apertou forte e aprofundou o beijo com paixão, como se não pudesse perder um segundo.

‒Puta que pariu! Vocês dois não aguentam esperar a lua de mel, não? ‒ Jasper acusou dramático. Eu e Edward sorrimos nos lábios um do outro, mas não nos afastamos. ‒Desgruda. Eu quero abraçar a minha irmã, maníaco, posso? ‒ Ele se enfiou entre nós e empurrou Edward. Sorri e abri os braços para nosso amado irmão, que segurava na mão da Alice. ‒Parabéns, Bella perva. Até que enfim minha novela mexicana tem um final feliz, ou melhor, um início feliz ‒ zombou e me abraçou, erguendo-me do chão e balançando comigo para o lado.

‒Obrigada, irmão. Você sabe que teve uma participação muito grande nisso aqui, ? ‒ Pisquei. Ele fez uma careta.

‒Com certeza. Se eu não tivesse ajudado Deus e se dependesse só do banana do meu irmão, ele teria virado gay e vocês não teriam desenrolado nunca ‒ gracejou e cutucou Edward na cintura, depois o abraçou.

‒Seja feliz, irmão. Você merece ‒ desejou sério, sem zombar do abraço. Sorrimos surpresos com sua atitude incomum.

‒Ain, Bella, é muito legal ver minha irmã casar com o meu irmão! ‒ Alice comentou quando me abraçou. ‒Agora está na hora de cortar o bolo. Vamos logo pular essas partes chatas porque contratamos uma banda muito boa para tocar, né, irmão? ‒ Sorriu cúmplice para Edward, depois ela pendurou comodamente em seu pescoço. ‒Como disse Jasper, vocês merecem ser feliz. Já disse que amo vocês?

Os flashes continuaram a disparar quando nos posicionamos atrás da mesa de bolo. Cortamos o bolo, trocamos champagne... E eu decidi que esta era a hora especial de lhe revelar.

‒Feliz aniversário, anjinho ‒ desejei oferecendo um pedaço de bolo a ele. ‒Eu tenho dois presentes ‒ comentei dramática, ignorando os flashes.

‒Você é meu presente ‒ declarou com as mãos em minha cintura e testas coladas.

‒Não... Você me deu um presente significando amor infinito. O meu presente será eu e você unidos em duas pessoas ‒ expliquei. ‒Podem ser seus olhos, minha boca, o importante é que cada célula deles terá nós dois ‒ anunciei com pequenas lágrimas de felicidade umedecendo meus olhos.

Ele secou minhas lágrimas com o polegar, olhando-me em dúvida.

‒Bella...? ‒ abriu a boca incerto.

‒Você vai ser papai, Edward! De gêmeos! ‒ noticiei num tom mais alto e envolvi seu pescoço. ‒O nome de um eu já escolhi, se for homem. Você tem o direito de escolher o outro ‒ concedi afetada. Ele pareceu em choque. Eu esperei. Ele abriu a boca e olhou-me com olhos inexpressivos, congelados. Balançou a cabeça e me afastou delicadamente.

‒Edward? ‒ chamei insegura.

Ele levantou uma mão pedindo para eu esperar. Observei-o sem entendê-lo.

‒Bella, você está grávida há quantos dias? ‒ perguntou ausente, o olhar perdido.

‒Dois meses ‒ respondi sem entender sua falta de entusiasmo.

Ele alternou o olhar entre minha barriga e meu rosto, os olhos entrecerrados.

‒Eu não acredito ‒ balançou a cabeça horrorizado. Minha pulsação acelerou. ‒Eu não acredito que você teve coragem. ‒ acusou transtornado. Será que ele não estava feliz?

‒O que há, Edward? ‒ questionei insegura e subitamente triste.

‒Bella, você entrou em uma briga grávida! ‒ Ele se inclinou e segurou minha barriga protetoramente. Eu soltei o ar, aliviada. Isso era só excesso de cuidado do obsessivo. ‒Você foi inconsequente. Você já sabia?! ‒ acusou ansioso. Eu segurei seu rosto entre as duas mãos.

‒Ei, calma, eu bem. Nossos bebês estão bem ‒ beijei seu rosto, tentando tranqüilizá-lo. ‒Passou. Eu os vi essa semana. Estão saudáveis e perfeitos.

Ele olhou-me segundos, eu vi vida lampejar em seus olhos novamente e um sorriso iluminou os seus lábios.

GÊMEOS, BELLA?! ‒ aumentou o tom e me ergueu do chão em um abraço, no mesmo instante assustou-se e me colocou de novo no chão. ‒Você tem que tomar muito cuidado ‒ instruiu ansioso. ‒Tem que comer direito, descansar, evitar drinques, dormir cedo, não pode andar de patins... ‒ atropelou em palavras.

PARA! ‒ calei-o divertida. ‒Eu não estou doente. Só grávida ‒ ressaltei sorridente e acariciei a barriga. ‒Muito grávida, de fato, mas normal. Não pense que você vai me regular. Vou continuar dançando, trabalhando, fazendo amor, tudo normal. Não venha me tratar como algo quebrável ‒ exigi séria.

Ele sorriu rendido, ciente de que eu não me deixaria governar, depois apoiou minha cabeça ao seu peito, a mão em minha nuca.

‒Obrigado. Obrigado pelo presente. Obrigado por eles. Foi o melhor presente que ganhei, além de você, claro. Já disse que eu te amo hoje? ‒ questionou teatral. Eu neguei e envolvi os braços em volta de seu pescoço, pendurada. Flashes dispararam.

Ele me afastou e segurou meu rosto com uma mão, olhando-me solene.

‒Eu te amo ‒ declarou e beijou minha boca, beijo de adoração, depois ajoelhou. ‒Eu te amo. ‒ Ele beijou minha barriga. Mais flashes dispararam. ‒E eu te amo. ‒ Beijou o outro lado da barriga e voltou para os meus lábios. Eu sorri em vê-lo tão à vontade diante das lentes. ‒Três vezes eu te amo. ‒ Ele deu vários beijinhos carinhosos por todo o meu rosto e me abraçou.

‒Hora do Buquê. ‒ A cerimonialista avisou, interrompendo o nosso íntimo momento familiar.

A mulherada gritou entusiasmada quando me posicionei. Jéssica agarrou o buquê, sorriu cúmplice pra mim e pulou alegre em direção a Mike. Sorri e me direcionei ao centro do piso flutuante. Iríamos abrir a pista de dança. Atrás do piso flutuante, músicos ligavam seus instrumentos no grande palco. Refletores foram ligados sobre nós, a seguir uma valsa se iniciou.

‒Concede-me a dança, senhora Cullen? ‒ estendeu a mão num convite. Foi extasiante ouvi-lo falar o nosso sobrenome com tanta graça. Sempre sonhei que ele deixasse o orgulho de lado e aceitasse nosso nome, ao invés do dela. Ai, Bella, ela é passado. Ela não existe para vocês. Corrigi.

Segurei sua mão, toquei sua cintura e movemos os pés, sorrindo bobos enquanto girávamos. Seu olhar venerador me deslumbrava. Ele me segurava como seu eu fosse um cristal. Esme e meu pai apareceram para próxima música.

‒Ele é admirável, Bella. ‒comentou papai quando me tirou para dançar. ‒Ele me surpreendeu. Ele ama você de verdade.

‒Eu sei. ‒ Sorri e giramos.

Os próximos a me tirarem para dançar foi Emmett, depois Jasper, então Mike. Dancei radiante de felicidade com cada um deles, mas a valsa já me cansava. Ryan se posicionou para me tirar após Mike. Eu dancei receptiva, e por fim, vi alguém que eu não tinha visto ainda apareceu. Brandon.

‒Parabéns, mocinha. ‒ Ele me abraçou e me tirou para dançar.

‒Obrigada. Eu nem conversei com você depois daquele dia ‒ comentei constrangida. Mesmo tendo encontrando ele na empresa, não tivemos tempo de conversar.

‒Estou feliz por você. Quando seu pai mandou retificar o local do casamento, eu deduzi que deu tudo certo ‒ explicou contente.

‒E o que você fez naquele dia? Você sumiu...

‒Dormi com uma amiga sua. ‒ Ele torceu os lábios em um sorriso sem graça.

‒Quê? ‒ ofeguei incrédula.

‒Uma amiga sua machucada com uma direita e uma esquerda que você deu nela. ‒ Ele sorriu maior.

‒Não! ‒ Afastei para olhar no seu rosto.

‒Sim ‒ garantiu divertido.

‒Sério? Explica isso.

‒Eu a conheci lá fora e não sabia que era ela a pessoa responsável por tudo, então conversamos e demos uns amassos antes da briga. Depois do desentendimento entre vocês eu fui ouvi-la. Ela lamenta por tudo ‒ explicou ansioso. Olhei-o boquiaberta e acompanhei seu olhar. Ashley encontrava-se encolhida numa cadeira.

‒Está tudo bem. Mas não a quero perto da gente‒ exigi. Ele assentiu sem jeito.

‒Boa noite a todos ‒ uma voz rouca chamou minha atenção. Edward. No palco. Abri a boca sem acreditar. ‒Acho que já me conhecem, eu sou o noivo... ‒ Ele riu tímido. Todos riram. ‒Bom, estou aqui para fazer um anúncio ‒ fez pausa, descontraído e espontâneo. ‒Carlisle, sua filha está grávida. Eu vou ser papai! ‒ noticiou alegre, apontando o indicador sorridente para o meu pai. ‒E não me olhe assim porque eu só fiquei sabendo hoje ‒ explicou dramático. O som de sorrisos aumentou. ‒Mike, seu filho é o mais velho, mas eu consegui fazer DOIS! Não é qualquer um que consegue! ‒ zombou divertido. Eu ri sem parar de sua performance alegre. ‒Paizão, em breve aquela casa vai ter menino saindo pelas janelas ‒ piscou zombeteiro. Eu fiquei surpresa com sua alegria e espontaneidade sem que tivesse bebido. Podia ser que sua experiência com público o estivesse ajudando. Não havia nem sinal de timidez. Ele olhou em minha direção. ‒Amor, obrigado. Sou o homem mais feliz da Terra. Nada poderia melhorar em meu mundo. Você é meu tudo ‒declarou intenso.

Eu joguei beijos no ar para incentivá-lo.

‒Você teve uma surpresa para mim, e eu tenho uma para você ‒ segredou conspirador, depois sentou num banquinho e Emmett entregou um violão a ele. ‒Eu pensei numa forma de entrar em seu mundo, de me aproximar mais de você e tentei a música ‒ confessou quando Emmett colocou um microfone sem fio auricular nele. ‒É meu assistente de palco. ‒ Apontou divertido para Emmett, mais uma rodada de sorrisos foi ouvida. ‒Bom, se vocês pensam que eu não estou nervoso, eu estou MUITO nervoso e tremendo. ‒ Mostrou as mãos. Mais sorrisos encheram o ar. ‒Então, amor, eu aprendi a tocar violão sozinho, depois Emmett me ajudou a aperfeiçoar nos dias em que nós nos escondíamos no estúdio. E nesta semana passamos três dias ensaiando para que eu pudesse hoje trazer uma música para você. Te presentear. Me aproximar mais ainda da pessoa sensacional, magnânima e cheia de vida que você é.

Ele dedilhou perfeitamente. Eu abri a boca em choque. Como ele conseguiu esconder isso de mim tanto tempo? Ele não ia só tocar ou só cantar, ele ia fazer os dois. Para um aprendiz era algo extremamente difícil. Sua coragem era um orgulho.

Dei meu melhor sorriso, encorajando. Ainda que saísse desafinado e feio, iria aplaudi-lo com fervor.

Música de Lionel Richie e Diana Ross endless love

Meu amor,há somente você na minha vida, a única coisa que é certa, meu primeiro amor,

Você é tudo que respiro, você é cada passo que dou... eu quero dividir o meu amor com você.

Abri bem os olhos, admirada. Ele era bom! A voz era afinada, rouca e macia. A cada letra professada na sua boca eu me arrepiava. Ele interpretava com fé, de olhos fechados e com muita paixão. Sua desenvoltura, encanto e ardência me surpreenderam. Meu anjinho tinha diversas facetas. Descobri-lo me fascinava.

Dois corações, Dois corações que batem como um só, nossas vidas apenas começaram. Para sempre, eu te segurarei apertado em meus braços, eu não consigo resistir aos seus encantos, porque você, você significa o mundo para mim

Lágrimas orgulhosas e felizes desceram de meus olhos. Ele era o meu anjo, meu eterno namorado, pai dos meus filhos, meu irmão, amigo, marido e companheiro. Ele era meu tudo. Eu podia ouvir a promessa em seus lábios. Ele prometia o seu eterno amor, e eu era grata. A música cresceu, ele pôs mais voz, mais força, mais fé. E suas palavras desceram ao meu coração.

E amor, eu serei aquele bobo, por você, tenho certeza... E Sim, você será a única, sempre... Meu amor sem fim...

A emoção inundou o ambiente no toque das últimas notas. Houve total silêncio. Limpei o rosto com as costas das mãos, caminhei para frente do palco e sorri, batendo palmas sozinha, o que desencadeou sorrisos, assovios e palmas.

‒Seu lindo! ‒ gritei. Ele assentiu contente, agradeceu com um floreio e pulou do palco em minha direção. Ele enlaçou forte a minha cintura e me beijou, lento, mas com ardor que me distribuiu arrepios. Novos gritos e assovios nos cercaram. Ignoramos. O som foi abafado por uma música que se iniciou. Ele moveu os lábios exigentes contra os meus. Será que um dia eu superaria o efeito devastador que ele tinha sobre mim? Deus ajudasse que não.

Encerrando, ele sorriu em meus lábios e me olhou com aquele olhar de quem alcançou tudo que sonhou.

‒Minha esposa ‒ declarou apaixonado. Suspirei realizada. A banda iniciou rock dos anos 60. Dezenas de pessoas dançavam a nossa volta. Eu queria dançar, mas o peso do meu vestido atrapalharia.

‒Bom, este seria o horário para a nossa deixa, você sabe disso, ? ‒ Ele sugeriu. Eu assenti, sem concordar. Ele sorriu. ‒Mas como eu te conheço, não creio que precisemos nos apressar, afinal, você não vai querer perder sua festa de casamento, ? ‒ acentuou. Eu concordei sorrindo. ‒Nem eu ‒ fez drama. ‒Então primeiro a obrigação, depois a diversão. A senhora tem que comer primeiro.

‒Ok ‒ concordei novamente. Ele não ia deixar de ser protetor.

Descemos do piso e atravessamos a grama rumo a uma luxuosa tenda pequena. Sentei num sofá enquanto ele conversava com alguém do cerimonial na porta.

‒Pronto, o garçom vai trazer algo para você comer aqui ‒ avisou, puxou-me pela mão para levantar e beijou o meu ombro. ‒Eu vou adiantar o serviço da Alice enquanto ela chega. ‒ Ele abaixou o zíper do meu vestido e desfez dele, me deixando somente com o conjunto meia-taça branco e a cinta liga.

Ele beijou meu pescoço, com a mão demorando na cintura, desenhando a curva com os dedos. Seus lábios encontraram os meus num beijo e outro. Sua mão foi para meus seios.

‒Aproveita, que em breve não serão mais essas formas ‒ avisei quando sua boca baixou exigente em meus seios, após afastar o sutiã. Ele se ajoelhou. Eu olhei-o sem entender. Suas mãos abraçaram meu quadril, e sua boca plantou beijos em minha barriga.

‒Eu estava doido para vir aqui ver como que estava sua barriga sem roupa ‒ confessou e continuou beijando.

Eu sorri alto. ‒Ai, Edward, eles só têm dois meses. São muito pequenos. O único efeito que eles fazem no corpo é o enjôo e a moleza. Só isso.

Ele não diminuiu os beijos.

‒Mas eles estão aqui.

‒Sim. ‒ Revirei os olhos. Ele afastou a calcinha e beijou até embaixo, fazendo cócegas no baixo ventre.

‒Nossa! Quê isso? Não vão esperar nem sair daqui? ‒ Alice acusou ao entrar com um vestido na mão. Do ângulo que ela estava, a visão não foi muito decente. ‒Como diz Jasper, vocês são uns pervertidos. ‒ enfatizou fingindo contrariedade e estendeu um vestido para mim. ‒Fui eu quem escolheu. É um vestido perfeito para dançar. Além disso, você tem que aproveitar as suas formas.

Ela ajudou-me a vestir. Era um vestido branco, justo, curto, tomara que caia e com pedrarias. Praticamente um vestido de noiva, porém justo.

‒Esse é o da festa. O da lua de mel é outro.

Fomos servidos com folhados, canapés, cremes e suco. Comemos enquanto Alice explicava como conseguiu a banda. O som das músicas lá fora me chamou como mariposa para luz. Comi apressada, ansiosa por voltar para a pista. Depois de alimentada, peguei uns chocolates finos numa mesa e caminhamos para perto do palco.

‒Nossa, é incrível como Alice pensou em tudo. ‒ Ele comentou admirado, olhando em volta.

‒Como assim?

‒Eu pensei que ia ser uma coisa simples para amigos, e ela me faz um mega evento desses em uma semana. Eu até assustei quando cheguei!

‒Os contatos ajudam. Além disso, todos lá em casa adoram festa ‒ expliquei com um dar de ombros minimizando a importância.

‒Eu também. ‒ Ele me pegou no colo quando caminhávamos para o centro da pista. Flashes dispararam.

‒Eu também? ‒ Duvidei pressionando um beijo em seu pescoço.

‒Eu também. Eu adoro qualquer coisa que nos deixe mais felizes. Inclusive festas. ‒ Ele me beijou.

Iniciou-se village people e fomos separados por nossos irmãos e Ryan. Arrancaram o blazer e gravata do Edward, rindo, e jogaram em minha direção, depois o colocaram numa roda, fazendo com que ele dançasse Macho Man. Eu sorri, alegre. Jasper, Emmett e Ryan rebolavam, mostravam os músculos e passavam a mão em Edward. Edward entrou na brincadeira e exibiu teatralmente os músculos para mim, proporcionando-me boas doses de felicidade.

A música seguinte foi do Rick Martim, Livin' la vida loca, vivendo um vida louca. Uma explosão de animação fez a pista ferver de gente. O som contagiou o local. Nenhuma cadeira ficou ocupada. Edward me segurou pela mão, cantando, girando. Dançamos de costas um no outro, a mão no alto. Balançávamos e ríamos, ríamos muito.

Nossos irmãos iniciaram um trenzinho, nos colocaram na frente, depois fizeram uma rodinha, onde todos tiveram sua vez de se exibir. Empolgados, jogaram nós dois para cima. A música trocou mais uma vez. Meu anjinho me abraçou, girou, colou em mim. Ele era sorrisos, suor e agitação. Perfeito para mim. Disposto a me fazer feliz.

Olhei em volta. Meu pai dançava charmosamente com Esme, o amor de sua vida. Jasper, saudável, dançava com seu chicletinho. A Jess dançava com o seu bebê, Mike. Seu filho devia estar no colo da avó. Emmett e Rosalie trocavam aqueles olhares íntimos em público. E eu...

A música ficou lenta, pendurei no pescoço de Edward, suada, ainda eufórica e olhei para o céu. Mais uma vez agradeci a Deus por termos chegado aqui. Senti a calma da música e refleti na letra, como se tivesse sido escrita para nós.

You're Still The One - Você ainda é o único- Shanaya Twain.

Quando eu te vi pela primeira vez, eu vi o amor. E na primeira vez que você me tocou, eu senti o amor. E depois desse tempo todo, você ainda é quem eu amo. Parece que nós conseguimos. Olhe o quanto nós chegamos longe meu querido...

‒E para onde nós vamos de lua-de-mel? ‒ questionei curiosa. Ele fez uma careta.

‒Você vai me torturar para descobrir? ‒ sugeriu com um sorriso malicioso. ‒Só conto sob tortura. ‒ provocou com uma mordiscada em minha orelha.

‒Não. Não vou te obrigar se você não quiser falar. ‒ Acariciei os cabelos dele, carinhosamente.

Ele fez uma carinha dramática de decepção.

‒Poxa, pensei que você ia usar seu poder de persuasão e me coagir a falar ‒ incitou e passou o dedo do meu pescoço ao vão do meu seio. ‒Assim eu não vou poder me defender quando Alice vier me encher por ter falado ‒ lamentou falsamente e me deu beijinhos de luz nos olhos, segurando a minha nuca.

Não existe nada melhor. Nós derrotamos o improvável juntos. Eu estou feliz por não termos desistido de nós. Olhe o que nós poderíamos estar perdendo. Eles diziam ‒Eu aposto que eles nunca conseguirão‒ Mas somente olhe para nós aqui. Nós ainda estamos juntos e fortes

Apertei-me a ele e mordi o seu queixo.

‒Se você me falar, eu faço uma coisa com você dentro do avião ‒ sugeri ousada. Ele sorriu ao perceber que eu entrei na brincadeira.

‒Isso não é uma proposta muito tentadora, se analisarmos que no avião só vai ter nós dois e o piloto. ‒ Ele deu uma piscadela maliciosa.

Abri a boca assustada. O Anjinho em estado normal queria ação, perigo, adrenalina!? Eu nunca imaginei que ele ficaria assim.

Nunca mesmo?

Sempre soube.

Sorri deliciada.

‒Que tal atrás do palco? ‒ convidei sedutora e mordisquei sua mandíbula.

‒Só se for agora ‒ consentiu e me beijou nos lábios, porém parou incerto. ‒Amor... ‒ sussurrou em minha boca. ‒... Eu não sei como me comportar, er, você estando grávida ‒ disse receoso.

‒Nas semanas passadas eu já estava grávida e você se comportou muito bem. Eu quero que continue do mesmo jeito ‒ exigi me apertando mais a ele. ‒Atrás do palco? ‒ Murmurei em seu ouvido e mordisquei. Ele pegou minha mão e me puxou sem discrição para trás do palco.

...

‒Assim bom? ‒ questionou tenso, mesmo assim estava bom.

Eu tinha as pernas enroscadas em sua cintura, imprensada atrás das caixas de som.

‒Para de conversar! Vamos deitar no chão ali embaixo. Vou te lembrar de como eu gosto. ‒ Apontei para baixo do palco que era escuro e tinha panos pretos tapando.

‒Mas e a roupa?

‒É grama. Depois lava. ‒ descartei sem acreditar em seu pé frio depois de ter me chamado para vir.

Ele tirou o blazer, forrou o chão embaixo do palco e deitou. Levantei o vestido, sentei em cima dele e ataquei seus lábios. Não demorou para que ele me penetrasse novamente. Eu mostraria a ele que nada me incomodava, juntei os joelhos e me movimentei do jeito tortura. Subindo e descendo nele.

Ele gemeu. Essa posição devia chamar castigo, pois ele sofria espasmos e se estremecia a cada movimento. Quem comandava era eu. Ai, quanta perversão, Bella. Ele olhava em meu rosto com um misto de aflição, desejo e adrenalina. ‒Você nunca vai deixar de ser louca? ‒ acusou sério, mas cheio de prazer, então olhou em volta preocupado. Estávamos seguros. Eu podia até tirar o vestido todo se eu quisesse.

‒Foi você quem insinuou ‒ lembrei e me movi mais rápido, subindo e descendo, relembrando a ele que eu gostava de pressão.

‒Está bom para você? ‒ questionou deliciado, depois fechou os olhos para não visualizar a indecente cena de ser engolido por meu corpo.

‒Muito ‒ gemi, sentindo vibrações subindo pelo meu ventre. ‒Eu tenho uma informação para tirar de você e essa tortura é muito prazerosa. ‒ Arquejei.

‒Não precisa torturar muito. Eu me rendo. Você venceu ‒ levantou as mãos em rendição dramática e descarada, depois cobriu a boca na minha e incentivou-me lá embaixo enquanto movia os quadris com completa segurança. Seu beijo tornou-se mais urgente e suas investidas e mãos mais precisas.

‒Seu... pai está... negociando... uma ilha no... Brasil... e nós dois... vamos fazer... o teste... ‒ murmurou entrecortado, beijando meu queixo e apertando minha nádega.

‒Brasil?! ‒ Ofeguei.

‒Sim! ‒ Ele fincou os dedos na carne do bumbum e rolou os olhos na órbita, arfando.

Ele sentou e voltou aos meus lábios. ‒Você é uma senhora agora. Devia se comportar melhor ao invés de ficar fazendo sexo com o seu bem disposto marido embaixo de um palco. ‒ salientou, abriu o zíper e abaixou o meu vestido, sugando e lambendo meus seios. ‒Não tem como te resistir... Você é muito Deliciaquentegostosa. ‒ declarou divertido e apertou, mordeu, chupou, me fazendo arquear e movimentar com mais ansiedade.

‒Sou? ‒ Fechei os olhos, sentindo o prazer crescendo em ondas no ventre, queimando. Ele sentiu e incentivou mais com os dedos esfregando em meu centro de prazer.

‒Delícia! ‒ elogiou. Prendi o ar e senti minhas pernas tremerem. Eu era dele, e ele era meu. Em um só corpo, uma só alma, unidas, juntas. ‒Quente. ‒ Sua boca era pura aflição, se dividindo entre mordiscadas em meus seios e lambidas em meu pescoço. Ele movia soltando gemidos e murmurando palavras de posse. Todo o meu ser se unia a ele. Eu serpenteava e gemia juntando meu ritmo ao dele. ‒Minha. ‒ O meu coração afirmava que eu era dele e que enfrentaria tudo novamente, quantas vezes fosse necessário, se ao final, permanecêssemos juntos. ‒Gostosa ‒ disse com os olhos quentes, com luxúria, e eu não poderia me sentir mais realizada.

Casados. Pra sempre juntos.

Um tremor subiu em minha coluna e o clímax atingiu meu cérebro. Um gritinho escapou em minha garganta e apertei as unhas em seus braços, estimulando-o a depositar sua semente em mim. Ele ofegou e olhou em meus olhos, o orgasmo lhe cruzou ,e eu pude ver a cor de seus olhos mudarem e o som primal sair de seu pulmão num grunhido. Era a mais bela e completa declaração de amor, preenchendo a minha razão de existir, que é amar e ser amada de forma plena.

Deitei em seu peito ofegante, extasiada. Após um tempo, ele tirou um pacotinho de lenços descartáveis do bolso e limpou os fluídos.

Pra que lenços umedecidos?

‒Cansei de ser pego desprevenido. Com você, eu tenho que estar sempre no ponto ‒ relatou com uma piscada maliciosa.

‒Mas você imaginou que íamos fugir no dia do nosso casamento? ‒ Sorri em seu peito.

‒Com você? Rá, eu sempre tenho que pensar nas coisas mais impossíveis.

‒Arrependido? ‒ Cheirei seu pescoço com perfume de bebê.

‒Não. Nunca. Que histórias teríamos para contar para os nossos netos? ‒ Ele gargalhou e me abraçou forte.

A pista de dança continuou bombando em nossa ausência. Obviamente não sentiram nossa falta. Porém, Jasper e Alice eram outro caso. Fofoqueirinhos.

‒Onde vocês estavam? Eu procurei vocês. ‒ Alice inquiriu desconfiada.

‒Com tanto mato aqui você ainda pergunta onde os coelhinhos foram? ‒ Jasper zombou, fazendo gestos obscenos com a mão.

‒Por que coelhinhos? ‒ perguntei em dúvida.

‒Coelhinho dá uma rapidinha, Bella. Dããã.

Eu sorri e dei-lhe um tapa no ombro por sua falta de respeito por irmã casada e seu irmão mais velho.

‒Estávamos dando uma volta ‒ expliquei afetada. ‒O que você queria , Alice?

na hora de ir. O helicóptero espera vocês.

‒Ok. Nós vamos dançar só mais uma música e vamos ‒ avisei grata. Ela nos deixou dançando na pista.

‒Brasil, é? ‒ comentei com um sorriso. ‒Quando fui lá com minha família três anos atrás, eu quis muito que você estivesse comigo. O mar de lá é lindo! ‒ comentei empolgada.

‒Nunca mais você estará sozinha em lugar nenhum. Onde você estiver eu estarei. ‒ Ele prometeu.

‒Sempre? ‒ questionei olhando-o intensamente.

‒Sempre ‒ garantiu fervoroso.

‒Já disse que te amo hoje? ‒ perguntei, encantada com a sublimidade daquele momento em que dançávamos sob luzes piscantes e coloridas, em uma noite que selávamos com fé a nossa união, promessas eternas que tinha como testemunhas pessoas que nos amam.

Ele segurou o meu rosto, em expectativa.

‒Não. Estou esperando você dizer ‒ Exigiu, sorridente.

‒Eu. Te. Amo ‒ pontuei enfática, expressando força e fé em cada palavra proferida.

‒Eu também ‒ desviou o olhar, divertido.

‒Você também se ama? ‒ gracejei.

‒Não, minha Bella, minha dona, minha esposa e minha eterna namorada: Eu. Te. Amo. Sempre vou amar.

Pra sempre? ‒ Sorri em seus lábios.

‒Sempre e sempre.

Ser felizes para sempre é estar do lado de quem sempre te dá forças pra lutar. Aquele que quando você estiver triste com algumas palavras vai te confortar. Porque a paixão é passageira, mas o verdadeiro amor é para toda a eternidade

(Internet - Desconhecido)

Nos próximos capítulos teremos a vida profissional de Edward.

Como será sua vida depois de casado?

Será que ele vai cumprir tudo que prometeu?

Em três capítulos a fic termina. Grande beijo!