N/A: Hey! Como estão? Aqui vai o penúltimo capítulo da fanfic, capítulo um pouco tenso :/ Mas, enfim... chegando quase ao fim :( Eu realmente gostaria de saber o que acharam ou o que estão achando da fic! Ou será que estou indo tão mal que ninguém quer comentar? haha E perdoem-me desde já pelos erros. Boa leitura e até ao próximo capítulo! :)
EcsCraveiro: Hey! Que bom que está gostando, não sabe como fico feliz por isso. :) Estava querendo fazer uma fanfic faberry há muito tempo já, mas as ideias nunca pareciam ser boas o suficiente haha. Só não sei se você irá gostar do fim. But, anyway... obrigada por comentar :)
Guest: Haha, acho que irá se surpreender!
Rafa: I will! :)
Parte VI
Os lábios de Rachel estavam pressionados aos meus e embora eu estivesse um pouco estática pelo susto, ainda assim conseguia senti-la. Foi ela quem mexeu primeiro os lábios causando uma sensação estranha no meu estômago e fazendo com que minhas mãos fossem parar instantaneamente na sua cintura, notei o esforço que ela fazia na ponta dos pés para me alcançar. Senti um leve gosto salgado entre nossas bocas enquanto sentia que ela apertava-se mais contra mim, eu sabia que não era por causa do meu corte e sim das lágrimas que ela ainda derramava. Minhas mãos descansavam firmemente na sua cintura sentindo aquela parte do corpo dela que tanto desejei sentir ainda mesmo que por cima das roupas. Então me agarrei firmemente nela e aprofundei o beijo querendo provar mais de Rachel, procurando sentir sua língua quente junto à minha e as sensações que ela poderia me causar. Rachel retribuía ao beijo e talvez na minha mente eu ainda estivesse tentando descobrir quem iniciara primeiro o beijo, mas não era como se eu quisesse realmente saber, o importante era apenas ela e os pequenos suspiros que ela dava entre o nosso beijo.
Mas foi então que algo me atingiu, algo um pouco desagradável no momento, mas que eu não consegui evitar mesmo tendo tentado a todo custo: a lembrança de que Finn Hudson já esteve tantas vezes exatamente no mesmo lugar que eu e provavelmente sentindo as mesmas coisas que eu estava sentindo com Rachel; e que em breve ele teria dela muito mais que isso, muito, mas muito mais que um simples beijo dela. E por mais que meu coração gritasse para não fazer o que minha mente mandava, eu me afastei bruscamente de Rachel batendo as costas contra a porta um pouco aturdida e deixando Rachel com um olhar assustado e desamparado. Ela olhava para mim com a boca ligeiramente aberta e a mesma respiração pesada de antes. Meu primeiro instinto foi me desculpar.
"Rachel, eu… eu… me desculpe, eu não… por favor." Passei uma mão nervosamente pelos cabelos. "Me perdoa, eu… foi minha culpa." Afirmei, vendo-a passar uma mão pelos lábios com um olhar indecifrável. Oh, ela estava me odiando agora. "Eu não queria…" Rachel se lançou contra mim, calou a minha boca me beijando com intensidade, pegando-me de surpresa mais uma vez e enviando automaticamente uma onda de calor pelo meu corpo. Eu sentia seus seios encostados aos meus e sua boca quente dançando sobre a minha como se sempre tivéssemos feito isso, como se ela tivesse sido feita para encaixar exatamente em mim e eu nela.
Minhas mãos já não descansavam inocentemente na sua cintura, elas agora passeavam timidamente por suas costas, apertando-a o máximo que podia contra mim, porque eu sabia que deveria aproveitar esse momento o quanto pudesse pois não teria um outro com ela, mesmo não sabendo por que Rachel estava me dando aquela chance, eu sabia que ela era única. Eu estava aceitando tudo o que ela poderia me dar no momento, mesmo sabendo que não era apenas 'um momento' o que eu queria. Eu queria a vida inteira ao seu lado, e se não pudesse ter isso, pelo menos teria o que ela pudesse me dar.
Nos separamos somente quando o ar se fez necessário.
Seus olhos pareciam estar mais escuros, não saberia dizer com exatidão quando ou como eles conseguiram atingir aquela cor, apenas sabia que eles eram a coisa mais linda que eu já havia visto na minha vida.
"Me tome. Me faça sua, Quinn." Rachel sussurrou contra meus lábios, os braços presos no meu pescoço.
Ela olhou para mim com aqueles olhos castanhos e eu me perdi neles. Ela me quebrou com aquele pedido. Eu meio que fiquei sem saber o que fazer ou o que estava prestes a acontecer quando ela me beijou novamente, limpando todo e qualquer outro pensamento que pudesse pairar na minha mente.
Nem a lembrança de uma Sue Sylvester vermelha e suada, gritando no meu ouvido para que eu rastejasse mais rápido e não como uma tartaruga deficiente e deprimida conseguiu me parar de fazer o que eu estava prestes a fazer com Rachel e bem lá no fundo eu não queria parar. E nem Rachel queria. As coisas estavam indo rápidas demais dessa vez e sinceramente eu não estava processando direito o que estava acontecendo, não até Rachel me empurrar levemente em direção à cama e eu livremente ceder, recuando com pequenos passos, atrasando mais um pouco o inevitável. Minhas mãos estavam em todo o lado no corpo de Rachel e as dela se perdiam no meu cabelo bagunçando-o, não nos desgrudávamos um só segundo. Senti a cama bater nos meus joelhos, me desequilibrei e caí nela desgrudando da boca de Rachel e a puxando junto comigo. Caí com Rachel em cima de mim, dando um gemido de dor por causa das minhas costas. Rachel riu um pouco antes de ficar séria e afastar um pouco os cabelos de sua cara. Ela não disse nada e voltou a me beijar, dessa vez um pouco mais diferente e rápida, como se ela quisesse me devorar com apenas um beijo. Ela mordeu meu lábio inferior com força exatamente no lugar do meu corte e eu soltei um 'auch' perfeitamente audível, desejando não o ter soltado pois ela se afastou de mim no mesmo instante em que ele ecoava pelo quarto.
"Desculpa." Rachel disse encarando-me com um leve ar de culpa.
Ela era simplesmente adorável.
Com todo o cuidado troquei de posição com ela, rolando-a para baixo de mim e me encaixando em cima dela. Seus cabelos estavam desalinhados e ela não poderia parecer mais sexy para mim no momento. Nossos olhos não se desgrudavam e ainda me custava acreditar que eu estava em cima de Rachel depois de vários beijos trocados e prestes a partir para o próximo passo, mesmo sabendo que ela não queria parar eu ainda tinha que ter a certeza, para ter algo onde me agarrar e não pensar que ela se arrependeria disso pela manhã. Isso era a última coisa que eu suportaria… Rachel me olhando arrependida na manhã seguinte seria pior que levar um tiro. Muito pior.
Meus braços suportavam o peso do meu corpo, cuidando para que eu não sufocasse Rachel com ele embora poucos centímetros nos separassem. Seu peito subia e descia rapidamente, meu olhar foi atraído pelo movimento do peito dela subindo e descendo e eu baixei um pouco minha cabeça para então encontrar o generoso decote do robe de seda de Rachel mostrando o topo de seus seios que subiam e desciam no ritmo de sua respiração. Senti um calor instalando-se bem no meio das minhas pernas e corei um pouco me sentindo envergonhada, não estava acreditando nas coisas que eu estava pensando em fazer com Rachel. Rachel deslisou uma perna entre as minhas e com um dos dedos desenhou minha sobrancelha calmamente, para depois levantar um pouco meu rosto e me fazer olhar para ela.
"Você não acha que estamos... Umm… com muita roupa por aqui?" Ela mordeu seu lábio inferior e eu acompanhei seu gesto, reparando que seus lábios estavam um pouco inchados e vermelhos por causa dos beijos. Rachel não esperou pela minha resposta, afastou-me um pouco dela e começou a desabotoar minha camisa, passou-a pelos meus ombros antes de começar a desabotoar minhas calças.
Me deitei nua por cima de Rachel e a beijei calmamente. Dava pequenos beijos na boca dela, descendo pelo queixo, o pescoço e o ombro coberto pelo roupão de seda. Afastei o tecido ainda beijando sua pele macia, passando o nariz e sentindo o cheiro dela, com a outra mão eu desfazia o laço do robe dela, afastei o tecido devagar só para encontrar a pele macia e extremamente quente de Rachel contra meus dedos ansiosos.
Ela estava completamente nua de baixo daquele roupão.
Por um momento eu congelei olhando para ela, eu nunca havia visto algo tão bonito como Rachel naquele momento. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu me senti estúpida por isso.
"Quinn…?"
Calei-a com um beijo um pouco desesperado no início, mas que depois foi ficando calmo e lento, completamente doce. Quando eu sonhava com os beijos dela nas noites em que não conseguia dormir não tinha imaginado que eles seriam tão bons assim. Não, eles não eram apenas bons. Os beijos de Rachel eram maravilhosos assim como ela. Eu não estava vendo a hora de poder fazer amor com ela, embora meu corpo estivesse querendo mais e mais de Rachel eu ainda queria fazer as coisas com calma e sem pressa, não queria assustá-la de forma alguma e muito menos fazê-la se sentir desconfortável. Mas também não era como se eu soubesse realmente o que fazer, claro que as noites em claro imaginando Rachel nos meus braços ainda estavam claras na minha mente, mas nem por isso eu deixava de estar nervosa. E se eu não fizesse direito? Se eu a machucasse de alguma forma?
"Quinn, olhe para mim." Rachel pediu acariciando meus cabelos e me fazendo olhar para ela. "Por que você está tão tensa? Apenas relaxe, ok?" Balancei a cabeça beijando-a outra vez. Rachel abriu as pernas inesperadamente, me acomodando entre elas e colando nossos centros. Rachel ronronou no meu ouvido com o contato e eu quase desfaleci ao sentir o ar quente de sua respiração batendo no meu pescoço e arrepiando cada pêlo do meu corpo.
Passei meus lábios pelo pescoço dela beijando e lambendo devagar, eu queria o cheiro dela em mim, eu queria tudo que pudesse me fazer recordar dessa noite. Desci beijando seu colo até encontrar o seu seio direito, por um momento olhei para Rachel e me surpreendi ao encontrar os olhos dela fixos nos meus, ela estava tão excitada e me olhava tão sexy que eu não consegui desviar o olhar, envolvi o mamilo intumescido dela com a boca ainda a olhando e Rachel suspirou jogando a cabeça para trás. Seus seios eram tão lindos e maravilhosos que eu não queria mais desgrudar deles, poderia ficar o dia todo apenas chupando-os para ver o prazer estampado no rosto de Rachel. Voltei para sua boca, não me cansando de beijá-la. Rachel moveu o quadril contra o meu e eu deixei escapar um gemido pensando no quão bom aquilo era.
"Vem querida, vamos juntas." Rachel sussurrou, lançando pequenas lufadas de ar quente contra minha orelha. Não pensei duas vezes antes de fazer o mesmo e deslizar meu quadril contra o dela, fazendo nossos centros entrarem num contato eletrizante. Eu podia sentir Rachel tão molhada e quente, deliciosamente macia... Não conseguia me lembrar de alguma outra sensação melhor que essa.
Nossos corpos estavam começando a produzir uma fina camada de suor e a colarem-se cada vez que eu deslisava contra ela, tudo parecia tão quente, mais do que realmente estava. Rachel ora me abraçava, ora arranhava minhas costas até minha bunda, gemendo alto e às vezes soltando algumas palavras incompreensíveis. A dor não estava me importando no momento apesar de eu saber que ficaria com as costas ardendo no dia seguinte e sinceramente? Eu tinha que admitir que nunca pensei que ela fosse do tipo que gemia tanto, não que eu estivesse reclamando, porque ela estava realmente conseguindo me deixar louca. E então eu não sei como tudo aconteceu, suas pernas me prenderam mais contra ela e nossos centros estavam colados, apenas a senti cravar as unhas com mais força nas minhas costas, jogando a cabeça para trás e mordendo os lábios enquanto emitia um longo gemido. Eu não conseguia parar de olhá-la enquanto ela estremecia em meus braços, desejava guardar bem lá no fundo essa imagem maravilhosa de Rachel, aquela era a visão mais linda que eu presenciava e não queria perder um só segundo desse momento. Segundos depois senti uma onda de calor subindo pelo meu corpo e se alojando no meu centro para em seguida sentir a melhor sensação por mim já experimentada. Senti meus músculos começarem a tremer e instintivamente fechei os olhos, deixando-me cair por um instante em cima de Rachel e me enterrando em seu pescoço. Minha respiração estava ofegante em seus cabelos e me admirei ao perceber que apesar de toda a atividade que fizemos e de todo o suor que produzimos eles ainda cheiravam maravilhosamente bem. Como é que ela conseguia aquilo?
"Quinn…" Rachel sussurrou alguns minutos depois.
"Certo, eu…" Comecei, pensando que ela estava reclamando por causa do meu peso em cima dela.
Fiz menção de me levantar, mas Rachel apertou meu braço levemente. "Não! Eu não… fica… aqui, comigo… assim… como você estava… eu…"
"Tem certeza que não irei te machucar com meu peso?" Eu perguntei a observando. Ela sorriu e balançou a cabeça.
"Tenho. Agora fica." Ela empurrou minha cabeça suavemente para baixo e eu me acomodei em seu peito entre os seus seios, fechei os olhos me sentindo um pouco cansada e completamente confortável com as carícias que ela fazia no meu cabelo. Sua respiração aos poucos ia se acalmando e voltando ao normal.
Levei uma mão até seu seio esquerdo passando levemente as pontas dos dedos sobre ele e rodeando-o numa carícia preguiçosa. Senti o desejo voltando e me vi querendo tomar Rachel para mim outra vez, mas antes que sequer pensasse em me mover, o cansaço físico me fez lembrar que eu precisava descansar um pouco pois estava exausta, então desisti da ideia e descansei minha mão na barriga de Rachel fechando os olhos.
"Quinn?" A voz de Rachel me fez abrir os olhos. "Está acordada?" Pisquei os olhos cansada.
"Sim, querida." Murmurei fechando os olhos outra vez.
"Eu também me apaixonei."
X.X.X.X.X.X.X.X.X.X
Eu abri meus olhos devagar, piscando algumas vezes preguiçosamente. Meu braço foi instintivamente para o outro lado da cama e eu não senti o corpo quente de Rachel, na verdade ele estava tão frio e vazio que me fez perguntar se tudo não havia passado de um sonho bom. Um sorriso preguiçoso formou-se nos meus lábios ao pegar o travesseiro de Rachel e sentir o seu cheiro nele. Ele era realmente bom.
Ao devolver o travesseiro no lugar ouvi um som estranho vindo dos lençóis, me mexi para saber o que era e ouvi o som de novo. Revirei o emaranhado de lençóis em que me encontrava até achar um pedaço de papel dobrado cuidadosamente e com o meu nome escrito nele. Não podia ser o que eu estava pensando que era… Justo agora quando tudo estava indo maravilhosamente bem entre nós…
Um sentimento de nostalgia invadiu o meu peito.
Passei as mãos nervosamente pelo meu cabelo tentando ajeitá-lo, olhei para o papel no meu colo e nem o fato de estar nua no meio da cama de Rachel me deixou mais desconfortável do que o pedaço de papel. Finalmente, abri-o suspirando pesadamente e as primeiras palavras de Rachel deixaram meus olhos aguados.
"Minha Querida Quinn,
Eu espero que você não tenha ficado chateada comigo por eu ter saído sem te acordar, apenas achei que seria melhor para nós duas se fosse assim. Acho que eu não conseguiria segurar minhas lágrimas e muito menos teria a coragem necessária para dizer o que eu preciso dizer nesta pequena carta se tivesse que olhar nesses seus lindos olhos verdes. E não é como se eu estivesse a segurá-las enquanto te escrevo com o coração apertado, te olhando dormir tão serena e em paz na minha cama. Quando eu olho nos teus olhos sinto como se eles tivessem tanto para me dizer e eu… não pense que é fácil para mim estar escrevendo essa carta quando tudo o que eu mais queria nesse momento era continuar nos seus braços, deitada em seu peito ouvindo o seu coração bater assim como você sentiu o meu. Eu ainda quero. Mas sei que não posso e que talvez nunca mais venha sentir tudo o que eu senti ontem em seus braços, nem mesmo com o… você sabe quem. Eu devo provavelmente estar me casando nesse momento, mas eu queria que você soubesse disso.
Eu tenho tanto para te dizer e ao mesmo tempo não consigo colocar em simples palavras tudo o que estou sentindo agora, é engraçado, não é? Justamente quando eu mais preciso delas, elas me fogem. Você faz isso comigo desde o primeiro dia que eu te vi lá na ferroviária quando você recuperou a minha bolsa. Eu acho que algo aconteceu comigo naquele dia porque… eu não sei. Eu apenas sentia que tinha que cuidar de você. E então num impulso eu te levei para morar comigo, algo que eu normalmente não faria com uma pessoa desconhecida, mas mesmo assim eu fiz; eu comecei a me importar de verdade com você e nós ficávamos mais próximas a cada dia que passava e eu sabia, lá no fundo eu sabia que algo já tinha mudado dentro de mim. Eu não sabia quase nada de você e admito que isso às vezes me assustava um pouco, mas então depois de tanta insistência você me deixou entrar, você me deixou ver que havia muito mais de você do que você me mostrava e isso meio que me assustou mais porque eu comecei a perceber aos poucos que eu já não conseguia me imaginar sem você. Eu já não me pertencia e nem sabia disso. E depois teve todo aquele problema com o Finn e eu me sentia perdida e dividida em duas.
Quando eu soube que você teria que ir embora eu me senti traída, apenas sentia que estava te perdendo sem nem mesmo ter tido a chance de te ter. Me quebrou em pedaços quando eu percebi que você não tinha nem considerado a hipótese de que talvez, não sei, você pudesse ficar em Lima de vez? Bem, mas isso não importa mais agora. Você já tomou a sua decisão e eu também já tomei a minha por mais difícil que as nossas escolhas sejam. Ah Quinn… como eu desejo que as coisas entre nós pudessem ter sido diferentes. Quero que saiba que na única noite que passamos juntas eu me doei a você de corpo e alma, eu te entreguei o que possuía de mais precioso em mim: o meu coração; e eu espero que não fique triste comigo. Eu estou casando com ele, mas é a você que meu coração pertence agora. Não sei se um dia irei te ver de novo. Estou morrendo aos poucos por dentro por isso; essa incerteza que envolve o nosso futuro. Não sei se um dia você voltará para mim viva. Todos os dias chegam notícias de mais e mais pessoas mortas nessa guerra inútil e eu não consigo parar de pensar se…"
Eu limpei minhas lágrimas violentamente. Elas corriam descontroladas pelo meu rosto e embaçavam a minha visão. Eu não conseguiria terminar de ler direito a carta de Rachel se elas continuassem a cair desesperadamente como estavam caindo. Minhas mãos tremiam levemente ao segurar o papel vegetal preenchido com a letra bonita de Rachel. Mas eu tinha que terminá-la. Eu sabia que ela iria quebrar meu coração mais cedo ou mais tarde e ela o estava fazendo agora.
"Mas também penso que se não fosse por ela eu jamais teria te conhecido e eu agradeço por isso a quem quer que seja. Eu sei que nos últimos dias não fui uma pessoa fácil de lidar, mas acredite em mim quando eu digo que toda a vez que nós discutíamos eu não conseguia ficar verdadeiramente zangada com você. Como eu poderia? Eu não parava de pensar em você num só minuto. Quando eu estou com ele eu estou pensando em você, quando eu não estou com ele estou também pensando em você. Eu compartilhei meus sonhos e a minha cama, eu conheço seu cheiro e cada pequena parte de você. Eu passaria uma vida inteira com você porque meu coração é seu e é em você que eu me seguro. E agora você está me deixando e eu não posso fazer nada que te impeça de ir embora. Eu já sinto a sua falta, você sabia? Eu me sinto uma inútil assistindo você ir. Talvez essa é a maneira da vida me mostrar que nós não podemos ficar juntas. Sei que aos poucos me conformarei com a sua partida e quem sabe um dia eu venha a sentir pelo Finn um terço do que eu sinto por você, Quinn. Eu nunca vou te esquecer. Quem me dera se eu tivesse mais tempo para desvendar todos os seus segredos, eu queria poder fazer tantas outras coisas com você, passaria todas as noites olhando as estrelas ou mesmo vendo o nascer do sol se isso significasse ter você abraçada a mim para sempre. Mas mesmo assim os poucos dias que eu passei com você foram os melhores da minha vida e a noite que passei em seus braços vai ficar para sempre marcada em mim, você é parte de mim agora. Eu sinto o seu cheiro em mim, eu vejo seus olhos nos meus, eu sinto a sua mão segurando a minha todo o tempo. E eu queria que você soubesse que onde quer que você vá, onde quer que você esteja, eu estarei com você. Por isso eu estou escrevendo esta carta, para te dizer que eu sempre estarei esperando por você mesmo sabendo que você pode nunca mais voltar para mim, eu estarei te esperando. Estarei esperando você voltar para casa. Para nossa casa. Porque de alguma forma eu fico esperando você derrubar essa porta que nos separa e me levar com você.
Eu te amo, Lucy Quinn Fabray. E agora eu sei que você também me ama. Isso é o que vai me manter viva daqui para frente.
Da sua, sempre sua
Rach.
P.s. Quando sair feche a porta e coloque a chave dentro do terceiro vaso de lírios."
Rachel me amava. Ela estava se casando com ele, mas ela me amava. Era tudo o que eu conseguia pensar no momento e de alguma maneira estranha isso me consolava. Mas… Ela estava se casando com ele… Dei um pulo da cama e corri para o outro lado da cama procurando minhas calças. Quando as encontrei coloquei-as o mais rápido possível e sem querer olhei para a cadeira onde Rachel havia deixado seu vestido de noiva na noite anterior. O relógio do quarto dela marcava 09:23 Am. Meu trem sairia em menos de três horas.
Desci as escadas correndo desajeitadamente com a carta de Rachel nas mãos e tentando arrumar as minhas roupas amassadas, não tinha tempo para tomar um banho e muito menos trocar de roupa se eu quisesse ver Rachel pela última vez. Sim, eu tinha que ver Rachel naquele vestido de noiva, eu tinha que olhar uma última vez para ela, talvez essa fosse realmente a última vez e eu queria levar aquela imagem comigo, queria saber como era a sensação de ver Rachel vestida de noiva e caminhando para o altar. Ela tinha razão. Eu estava triste por ela ter saído sem me acordar. Rachel deve ter levado suas coisas enquanto eu dormia e fora vestir-se num outro lugar, na casa de Finn, quem sabe? Eu nunca quis realmente saber onde ele morava mesmo, mas já tinha ouvido Sugar comentar que era numa das maiores e melhores mansões de Lima. Ele era de uma família privilegiada e poderia dar tudo o que ela precisasse. Já eu? Eu não tinha mais nada a não ser lembranças. Lembranças de Rachel sorrindo franzindo o nariz; zangada e com a testa enrugada; falando pelos cotovelos sem parar; cantando distraída pela cozinha quando ela pensava estar sozinha; atingindo o ápice nos meus braços… essas e várias outras lembranças que povoavam a minha mente e não me deixavam pensar direito.
Peguei minha sacola às pressas, apenas me preocupei em verificar se todos os meus documentos estavam lá, não queria sofrer nenhuma complicação na hora da verificação dos documentos. Já estava caminhando em direção à porta quando me lembrei de pegar uma coisa. Subi as escadas correndo e saltando de dois em dois degraus até o quarto de Rachel. Abri a porta e o cheiro forte de sexo me invadiu. Olhei por um breve momento para a cama desarrumada que há poucas horas testemunhara dois corpos se amando. Abanei a cabeça para espantar esses pensamentos e me foquei em buscar o que eu estava à procura, revirei as gavetas de Rachel em busca da pequena foto que um dia eu vi ela guardar. Alguns minutos depois encontrei-a na gaveta do espelho de Rachel no meio de alguns papéis. Na pequena foto Rachel tinha os cabelos soltos caindo pelos ombros e abria um enorme sorriso lindo, seus olhos eram tão expressivos e passavam tanta emoção e calor num só olhar. Coloquei-a no meu peito antes de dar um beijo nela e guardar no bolso frontal da calça. Desta vez desci um pouco mais calma e peguei minha sacola, olhei para a sala de Rachel procurando gravar todos os detalhes, me despedi do sofá que tinha sido meu companheiro por várias noites e onde eu havia dormido nos braços de Rachel pela primeira vez.
Eu não queria chorar, mas só de saber que talvez nunca mais fosse pisar nessa casa me deixava com o coração partido. Finalmente, caminhei até a porta e girei a chave, abrindo-a. Olhei uma última vez para a casa onde eu passei os dias mais felizes da minha vida ao lado de Rachel. Fechei a porta com o coração nas mãos e fiz como Rachel tinha recomendado na carta de despedida dela, procurei o terceiro vaso de lírios na pequena varanda e coloquei a chave dentro dele. Não pude deixar de lembrar da noite que eu Rachel passamos sentadas nas escadas dela olhando as estrelas.
"Eu sabia que aquele cheiro vinha de você!" Rachel acusou afastando a cabeça um pouco do meu ombro para me olhar. Me perdi por alguns segundos em seus olhos castanhos intensos e Rachel teve que me abanar um pouco. "Quinn? O que foi?"
"Nada… é só que… você é tão linda." Eu disse idiotamente, olhando fixamente nos olhos dela.
Abanei a cabeça mais uma vez para espantar as lembranças.
Desci as escadas e caminhei pela grama até a cerca, fechei a portinhola de madeira da casa azulada de Rachel, ajeitei a sacola nas minhas costas e saí caminhando sem olhar para trás. Já ouvira dizer em algum lugar que a vida era feita de momentos, uns bons, outros maus, mas que no fim todos se complementavam. As pessoas é que tinham que escolher se optavam por se agarrar aos bons ou aos maus momentos. Tudo se resumia a escolhas.
Passei pela rua da minha antiga casa e me despedi silenciosamente do lugar que me viu crescer. A casa estava fechada e a portinhola de madeira também. Eu precisava me apressar se quisesse chegar ao casamento de Rachel a tempo, por isso procurei não perder muito tempo ali pois eu sabia que a capela onde Rachel se casaria não ficava tão perto assim. Conheci-a apenas de vista mas me lembrava um pouco do caminho até lá, pelo menos o suficiente para não me perder. E foi para lá que eu fui com o coração apertado. Eu sabia que estava me torturando em vão, era demais vê-la se casar com outro dizendo que me amava, mas eu precisava vê-la antes de ir embora. Era um pouco engraçado se pensássemos assim; eu estava com tanto medo de ouvi-la dizer o sim e eu sabia que isso me devastaria por dentro, mas mesmo assim eu estava indo para lá como uma vaca que segue mansa para o matadouro. Às vezes nem eu mesma me compreendia.
Será que a Rach vai mesmo se casar?
