N/A: E... o último capítulo! Teria até postado ontem se eu não odiasse as segundas-feiras :/

Tecnicamente esse é o último capítulo, mas eu fiz um epílogo e não sei se deveria postar ou não... talvez fosse melhor deixar para cada um imaginar o destino da Quinn, hum? Hum? Mas, enfim... foi divertido escrever essa fanfic. Talvez eu poste outras. Talvez... *-*

Boa leitura :)

EscCraveiro: Bom, eu não sei meesmoo se você irá gostar do fim, mas eu tenho um epílogo (carta na manga) hahaha Eu até que gostaria de 'estender' a fic, mas acho melhor para por aqui que eu as vezes tenho o dom de estragar as coisas haha. É, o Japão se rende mesmo aos Estados Unidos, mas será que a Quinnie volta dessa viva? haha eu sou má :P Bom, mas mesmo assim obrigada por comentar e espero mesmo que goste do final! :)


Parte VII

A capela estava cheia. Todos os bancos estavam fielmente preenchidos e eu me lembrei quando Finn dissera que toda Lima estaria presente no seu casamento. Todo mundo cochichava com todo mundo, parecia até que estavam num mercado do que num lugar sagrado, mas isso já era de se esperar, não? Deduzi que Rachel deveria estar atrasada, o famoso atraso das noivas. Procurei não chamar muita atenção quando me esgueirei entre os pilares da capela e arranjei um lugar estratégico que não me deixaria ser vista por ninguém, mas que me deixava ver todo mundo, principalmente Rachel. Não demorou muito e a marcha nupcial começou a tocar e todos os convidados puseram-se de pé. Pude olhar de relance para algumas pessoas que estavam nas primeiras fileiras, todas elas empertigadas e com seus narizes em pé, olhavam com desdém para tudo e todos como se de nada passássemos. Deveria ser essa a alta sociedade de Lima. Enquanto os filhos e as filhas dos menos privilegiados se sacrificavam numa guerra vazia, eles estavam numa boa como se nada estivesse acontecendo. Cada um mais preocupado com seu próprio umbigo para se importar com o que realmente estava se passando, mas lá no fundo eu não os culpava. Eu era muito pior que eles, eu carregava sangue nas minhas mãos; um sangue indesejado, mas mesmo assim carregava e sentia remorso só de pensar que estaria voltando para lá. Mas eu tinha o dever de lutar pelo meu país e essa era a minha obrigação, eu sabia muito bem o que acontecia com os soldados desertores. Se não eram caçados como o inimigo, sofriam todo o tipo de castigo possível. De uma maneira ou de outra você acabaria morto.

Virei meu pescoço para o altar e vi Finn Hudson sorrindo como um pateta, ele recebia palmadinhas no ombro de um senhor alto e magro muito parecido com ele – deveria ser seu pai. Usava um terno que deveria ter custado horrores; o cabelo penteado civilizadamente para trás concedendo-lhe ares de bom moço, o marido perfeito dos sonhos de muitas mulheres que olhavam displicentemente para a entrada da capela com suas caras aborrecidas. Vi Rachel aparecer de braços dados com o Sr. Hummel, só aí me dei conta de Kurt e Blaine enfiados num terno elegante e sorrindo alegremente para Rachel como se estivessem assegurando-a de que ela tinha feito a escolha certa. Vi também a Sra. Schuester com o marido num dos bancos um pouco distante. Até Sugar estava enfiada no meio de uns velhinhos enfezados. Eu tive que rir da cena. Mas meu riso logo cessou assim que meus olhos caíram no vestido de Rachel. Ela estava maravilhosa!

Eu me lembro de ter dito que ela ficaria maravilhosa, mas isso era antes de realmente vê-la usando-o. Rachel mais parecia uma deusa do que uma reles mortal. Mas eu era suspeita para falar. Eu sabia bem o que Rachel escondia debaixo daquele vestido para que meros elogios descrevessem o quão linda ela estava agora. Eu estava sem palavras. Meu coração batia tão forte no meu peito que eu temi ter uma paragem cardíaca. Céus, eu estava tão apaixonada. Tão perdidamente, irremediavelmente, estupidamente apaixonada.

Nossos olhos cruzaram-se por um momento e eu vi o pequeno susto que ela tomou, acho que não me esperava aqui. Talvez ela pensou que poderia se casar enquanto eu ainda estivesse dormindo, talvez… para eu não impedir seu casamento. Esse pensamento me causou uma pequena dor no peito.

O que você queria, Quinn? Ela não pode te esperar para sempre mesmo que ela tenha dito que o faria!

Rachel passou por mim e por todos os outros convidados que estavam mais preocupados com a noiva do que com a minha presença. Eu vi sua inquietação, ela queria olhar para onde eu estava mas não podia porque todo mundo estava olhando para ela e o Sr. Hummel não parava de avançar em direção ao altar.

Eu sorri. Tinha cumprido meu desejo, agora era só ir embora desse lugar e deixar tudo para trás, inclusive Rachel e seu casamento perfeito. Mas quem disse que eu consegui? Não. Eu fui fraca e me permiti ficar até a hora do sim, talvez na esperança de que ela desistisse na última hora e viesse correndo para os meus braços. Pura ilusão, Quinn.

Apenas… vá embora.

"… Aqui na casa de Deus, celebrando este sagrado matrimônio que tem como finalidade unir duas pessoas, duas almas que se amam…"

Eu não ouvia nada que o padre baixinho e rechonchudo dizia, nem mesmo o seu discurso sobre como o amor sempre triunfa no final era mais interessante que olhar para Rachel. Ela se mexia desconfortável a todo instante, deveria estar sentindo o meu olhar sobre ela pois eu não parei de olhá-la um segundo sequer desde que ela passou por aquelas portas em direção ao altar. Eu só tinha olhos para Rachel e mais nada.

"Este jovem casal que ainda tem muito para viver e que certamente…"

Estiquei o pescoço e olhei para o relógio no pulso de um senhor sentado a minha frente. Eram 11h09 Am. Olhei para Rachel.

"Meu caro Finn, você aceita esta belíssima mulher parada aqui ao seu lado como sua fiel esposa, para que…"

"Sim!" Finn interrompeu-o e eu virei os olhos. Alguns dos convidados riram baixinho e outros cochicharam o mais baixo que podiam, dizendo alguma coisa como 'ele não se aguenta de tanta felicidade.'

"E você minha querida, aceita Finn Hudson…"

Abanei a cabeça ao me dar conta de uma coisa. Eu não era tão forte assim como estava querendo demonstrar. Antes que o padre pudesse falar ou perguntar mais alguma coisa, eu olhei para as costas de Rachel pela última vez antes de me virar e sair da capela. Meus olhos estavam cheios de lágrimas e minhas bochechas estavam vermelhas.

Dessa vez eu me permitiria chorar. Apertei a sacola nas minhas costas e segui meu caminho em direção à ferroviária de Lima, chorando silenciosamente pelo meu amor perdido.

X.X.X.X.X.X.X.X.X.X

A ferroviária de Lima nunca me pareceu tão vazia como nesse momento. Sorri tristemente enquanto caminhava de cabeça baixa. Lembrei de algo que um dia tinha escutado minha mãe dizer: 'Na vida você pode tomar decisões ou fazer escolhas; as decisões tomadas nem sempre são as mais acertadas e mais cedo ou mais tarde te causam vários arrependimentos; e as escolhas, sejam elas boas ou más, sempre trazem suas consequências.'

Eu tinha decidido ir embora de Lima, mas escolhido deixar meu coração nessa pequena cidade.

Me lembrei tristemente da breve conversa que tivemos no meio da noite depois de termos nos amado mais algumas vezes.

Eu não conseguia me cansar dela e estava sempre querendo mais. Rachel não estava diferente de mim, ela se entregava a mim sem reservas e eu percebia pelo seu olhar que ela também queria mais. Eu ainda estava maravilhada com a confissão dela algumas horas antes.

Rachel descansava no meu ombro esquerdo abraçada a mim, sua respiração calma e suas mãos brincando com uma mecha do meu cabelo denunciavam que ela ainda estava acordada. Eu estava adorando vê-la respirar assim.

"Rachel…" Eu comecei um pouco hesitante. Não sabia se aquele era o momento certo para tocar no assunto, mas eu tinha que tentar ou nunca saberia e eu não queria ir embora com essa dúvida me atormentando.

Ela me olhou e sorriu timidamente.

"Sim?"

"Posso te fazer uma pergunta?"

"Claro que pode."

"Quero que você seja sincera." Seu olhar mudou de divertido para apreensivo. Talvez não fosse mesmo o melhor momento para aquilo. Ela balançou a cabeça concordando. "Você… você seria capaz de o deixar?"

"Eu… por que está me perguntando isso agora Quinn?"

"Porque eu preciso saber."

"Eu… eu não posso. Não posso deixá-lo assim sem mais nem menos." Ela estava se desvencilhando do meu abraço e procurava ir para longe. Mas eu não deixei ela se afastar. Sua resposta deitou abaixo todas as expetativas que eu criara desde que nos beijamos. Eu sentia aos poucos a dor da rejeição e ver que mesmo depois de tudo o que aconteceu entre nós sua decisão de se casar continuava firme e forte me destruiu mais um pouco.

"Você não pode ou não quer, Rachel?" Logo me lembrei de Frannie.

Eu procurava os olhos dela que insistiam em fugir dos meus. Rachel estava fugindo dos meus braços.

"Eu não posso e também não quero." Ouvi-a dizer com a voz fria. Por que ela não me olhava nos olhos? "Não estrague esse momento maravilhoso pensando no depois Quinn, concentre-se no presente e não no futuro. O futuro não pertence a ninguém."

Aquela conversa ecoava na minha mente vezes sem conta. Como eu fora idiota. Claro que ela não iria abandoná-lo por mim, ela nem havia cogitado essa hipótese. Limpei algumas lágrimas que embaçavam a minha visão e continuei andando pelas pessoas distraídas que nem notavam a minha presença. Meu objetivo era chegar na bilheteria e comprar o bilhete para Newport e sair de Lima o mais rápido possível. Não queria ficar nem mais um minuto.

"Me desculpe moça, você sabe onde fica a bilheteria?" Virei-me para o homem que tinha me parado. Ele era bonito e parecia ser de descendência japonesa. Vestia um fato elegante e carregava uma mala nas mãos. Quando ele me olhou eu percebi que ele levou um pequeno susto. Eu tentei sorrir para ele mas acho que devo ter feito uma careta não muito agradável. Limpei um pouco as lágrimas para que o pudesse ver melhor, ele ainda me olhava apreensivo.

"Está tudo bem com você?" Ele perguntou depois de algum tempo.

"Sim, está... obrigada por perguntar." Respondi voltando a caminhar vagarosamente em direção à bilheteria. Olhei-o de esguelha e percebi que ele me seguia.

"Me desculpe por estar incomodando, mas é que eu não sei onde comprar um bilhete, sou novo aqui e estou meio perdido. Você poderia, por favor, me mostrar onde é que fica a bilheteria?"

"Tudo bem."

Ele então calou-se e limitou-se a me seguir. Eu mal prestava atenção nele, minha mente estava num único lugar, na verdade, numa única pessoa. Fomos até a bilheteria e encontramos uma pequena fila. Ali perto eu podia ver várias pessoas despedindo-se dos seus familiares, vendo toda aquela demonstração de carinho e afeto me lembrei do dia que eu havia desembarcado em Lima. Tanta coisa tinha acontecido na minha vida em tão curto espaço de tempo… mas a melhor de todas com certeza tinha sido Rachel.

Chegou a minha vez na fila e eu pedi um bilhete para Newport ao senhor de meia-idade que estava por trás do enorme vidro com um buraquinho para receber o dinheiro. Ele rasgou um dos bilhetes e eu paguei-o enquanto o recebia. O homem que me seguia entrou logo que saí e pediu um bilhete também. Quando eu estava indo embora ele disse algo que me fez parar.

"Dia difícil?"

Eu olhei-o pensando se responderia ou não. Por fim resolvi respondê-lo, afinal, ele só estava tentando ser gentil.

"Um pouco."

"Meu nome é Mike Chang. E não se preocupe, amanhã é um novo dia."

"Fabray." Acenei com a cabeça. "Amanhã eu posso não estar mais aqui."

Ele balançou a cabeça e olhou para os sapatos bem polidos por um bom tempo antes de voltar a falar.

"O amor é um pouco complicado mesmo. Que graça teria o amor se ele não fosse complicado?"

Eu estava prestes a abrir a boca para perguntar como é que ele sabia daquilo quando o velhinho voltou com os trocos dele e ele recebeu o bilhete, agradecendo-me pela ajuda e desejando-me sorte. Eu ainda estava um pouco atordoada com as suas palavras que nem consegui respondê-lo devidamente, apenas vi-o colocar o chapéu na cabeça e desaparecer no meio da multidão.

Procurei o relógio da ferroviária e vi que eram 11h25 Am. Meu trem sairia em vinte minutos e eu tinha que me apressar. Fui a procura do meu trem olhando melancolicamente o bilhete em minhas mãos. Respirei fundo mais uma vez. Se eu iria fazer isso, não iria me torturar mais do que já tinha torturado. Só Deus sabia o quanto eu queria ficar e só ele sabia o quanto eu queria fugir daqui.

Uma voz soou pelos altifalantes anunciando que em poucos minutos o trem para Newport estaria saindo, eu consegui localizar o trem e caminhei até ele com passos lentos. Alguns soldados já fardados estavam embarcando com suas sacolas nas costas, despedindo-se das suas famílias. O ciclo sempre se repetia, uns chegavam para outros partirem. Assim que cheguei perto da porta reconheci o mesmo senhor de cabelos grisalhos que me acompanhou na viagem até Lima. Ele sorriu para mim e já não parecia tão aborrecido como da outra vez. Eu tentei sorrir de volta enquanto entregava o bilhete, ele picotou-o e depois me devolveu. Eu já estava prestes a entrar no trem quando parei para dar uma última olhada no lugar. Meu olhar percorria a estação quando avistei de longe o Sr. Figgins. Ele me cumprimentou com a cabeça e eu retribuí cumprimentando-o também, depois virei-me e comecei a subir as escadinhas do trem. Mas nada havia me preparado para aquele momento. Talvez fosse só em minha cabeça, talvez fosse o desejo de nunca deixá-la ir, ou talvez fosse a pequena esperança que eu ainda mantinha acesa em meu peito… Eu poderia jurar que tinha ouvido a voz de Rachel no meio da multidão. Ou talvez eu apenas estivesse ficando surda. Talvez.

Mas então eu tive que me virar porque eu estava ouvindo a voz dela cada vez mais perto de mim. Meu coração quase saiu pela boca quando avistei Rachel correndo e gritando meu nome, segurando a cauda razoável de seu vestido numa mão e na outra os sapatos de salto que usara no seu casamento.

"Quinn! Quinn!" Ela gritava e eu continuava sem reação alguma, parada no meio da escadinha sem saber o que fazer.

"Espere, Quinn!"

Rachel chegou até mim ofegante e parou na minha frente. O maquinista ainda estava por ali e seu olhar variava do curioso ao confuso, eu poderia apostar que ele não via uma noiva fugitiva por ali todos os dias.

A primeira reação que tive depois que me apercebi que o meu cérebro não estava me pregando nenhuma partida foi a que eu menos queria naquele momento e o meu orgulho ferido falou mais alto que o meu coração esperançoso.

"O que faz aqui Rachel?" Eu perguntei tentando mostrar indiferença com a presença dela. "Pensei que já tivesse decidido que fosse melhor para nós duas se não nos víssemos." Falei amargamente, fazendo referência à carta que ela havia escrito naquela manhã.

"Quinn… não faz assim…"

"Fazer o que Rachel? A única que faz as coisas aqui é você, não eu! O que você esperava? Que saindo sem me acordar eu não conseguiria chegar a tempo de te ver entrando na igreja e não atrapalharia o seu casamento perfeito? Bem, te digo uma coisa, eu não iria atrapalhá-lo mesmo! Pouco me importa se você se casa com ele ou não!"

"Oh, realmente? Bem, isso não foi o que os seus olhos vermelhos me disseram dentro daquela igreja!" Rachel rebateu levantando o queixo e assumindo sua personalidade bem conhecida por mim. "E você sabe muito bem porquê eu escolhi que fosse assim, você sabe muito bem! Então não venha com esse argumento para cima de mim, eu sei que você não pensa assim e muito menos se sente assim. Deus, Quinn! Você sabe o quanto me custou estar aqui?"

"Não se atreva a jogar isso na minha cara, você não sabe o que eu sinto ou o que eu deixo de sentir!"

Um pigarro chamou nossa atenção e eu e Rachel nos viramos na direção dele. Um homem alto e corpulento de cabelos castanhos olhava para nós seriamente. Ele vestia o uniforme do exército e tinha cara de quem estava muito aborrecido.

"Será que vocês poderiam sair do caminho?" Ele disse com sua voz grave e imponente.

Rachel bufou e largando a cauda do vestido pegou no meu braço e puxou-me de lado. Embora eu estivesse um pouco apreensiva, me deixei levar por ela para que não atrapalhássemos a passagem das pessoas.

Rachel olhou para mim e suspirou pesadamente. Abriu a boca uma, duas, três vezes… mas nada disse em nenhuma delas. Esse simples gesto foi a confirmação do que eu já sabia: ela não me pediria para ficar.

Eu sorri tristemente.

"O que você veio fazer aqui, Rachel? De verdade."

"Eu queria … não, eu tinha que… eu precisava… te ver. Uma última vez. Antes de você ir." Rachel gaguejava, pousando seus lindos olhos hesitantes nos meus. Foi aí que eu também vi: apesar da maquiagem bem feita tentando encobrir, seus olhos também estavam inchados e um pouco vermelhos. Meu coração se encolheu no peito. Eu estava sendo tão egoísta com ela, estava pensando apenas em mim e não no fato de que Rachel não era indiferente aos meus sentimentos. Ela deveria estar sofrendo tanto quanto eu e eu a estava tratando dessa maneira. Senti vergonha de mim mesma e de como estava agindo com ela.

Aproximei-me devagar e levei uma mão ao rosto dela, acariciando sua pele macia. Rachel fechou os olhos entregando-se ao meu carinho.

"Você está deslumbrante. Está absolutamente linda, Rach." Rachel sorriu, não um sorriso triste, mas um sincero e aliviado.

Nós ficamos um momento em silêncio. Eu me perguntava no que ela estaria pensando agora.

"Eu li a sua carta."

"Eu sei." Ela desvencilhou-se do nosso contato e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha esquerda. Eu podia ver que ela estava um pouco desconfortável, ela não sabia o que dizer e isso era extremamente raro quando se tratava de Rachel Berry. "Não me arrependo de nenhuma palavra escrita, eu realmente quis dizer tudo aquilo."

"Então, por que, Rachel? Por que se casar com ele?" Eu disse a última palavra com rancor, eu sequer conseguia pronunciar o nome dele. "Ele não vai te fazer feliz, você sabe disso."

"Você… se lembra daquela noite quando nós duas ficamos vendo as estrelas e já estava quase amanhecendo? Bem, naquela noite você me perguntou se eu o amava e eu disse que sim. Ele é um bom homem e eu o amo, mas hoje eu vejo que o amor que eu tenho por ele é diferente, é por nossa amizade e não é como o tipo de amor que eu sinto por você. Eu amo ele, mas sou apaixonada por você. Ele é tudo o que eu sonhei num homem, mas você é tudo o que eu sonhei para mim, você consegue entender o que eu estou dizendo?" Diante do meu silêncio ela virou a cara para não me encarar. "Hoje eu contei a ele sobre tudo. Sobre nós. Ele… não reagiu muito bem."

"Ele te machucou outra vez?" Perguntei entredentes já sentindo o meu rosto esquentar e Rachel logo virou-se para me acalmar. Se ele tivesse tocado num fio de cabelo de Rachel outra vez…

"Não! Não! Ele não fez nada que pudesse comprometer a minha integridade física, porém eu acho que ele esteve muito perto, mas depois conseguiu controlar muito bem o que estava sentindo." Eu olhei-a sem entender muito bem o que ela havia dito. "Ele não me machucou. Ele só… entrou em negação. Você sabe, se você não tivesse aparecido na igreja… talvez eu não tivesse tido a coragem necessária para fazer o que fiz. Eu joguei tudo para o alto, Quinn. Eu fiz o que eu queria, o que meu coração queria e não o que os outros esperavam que eu fosse fazer. E eu sei que eu disse que o futuro não pertencia a ninguém, mas… Deus, Quinn, eu queria… não… eu quero um futuro com você. Eu não suportei ver seus olhos tão tristes quando eu entrei naquela igreja, eu não… " Rachel desabou num choro sofrido, cobrindo a face com as mãos.

Abracei-a e apertei-a contra o meu peito.

"Shhh. Não chore, Rach. Por favor, não chore."

Eu não sabia o que fazer para fazê-la para de chorar, então eu não fiz nada, apenas permaneci segurando-a contra mim. Faltavam poucos minutos para o meu trem sair e cada minuto que eu passava com Rachel em meus braços eu procurava guardar bem no fundo de mim para que sempre pudesse lembrar a sensação de tê-la em meus braços.

Pouco tempo depois Rachel afastou-se suavemente de mim, mas permaneceu perto o suficiente para que eu pudesse exalar o aroma de sua pele. Peguei suas mãos entre as minhas e fechando os olhos, beijei os dedos dela carinhosamente. Foi nesse momento que eu notei uma coisa.

Ela não usava a aliança.

"Onde está…?"

"Ele não chegou de colocar." Ela interrompeu-me, sabendo de antemão o que eu iria perguntar. "Não tive a coragem necessária de dizer o sim quando vi você saindo." Espantada, olhei para ela sem saber o que aquilo significava. Rachel tentou esboçar um sorriso enquanto limpava as lágrimas, eu ainda a olhava atordoada e sem acreditar realmente que aquilo poderia ser verdade.

Ela não tinha dito o sim.

"Oh, Rach!"

Rodopiei com ela pela estação não me contendo de felicidade antes de voltar a colocá-la no chão. Pelo menos esse gesto arrancara um riso dela e eu estava feliz só por isso. Mas no minuto seguinte seu semblante mudou drasticamente para triste e um pouco daquele brilho que ela possuía foi se apagando. Ela olhou bem no fundo dos meus olhos como se com esse gesto pudesse ver a minha alma.

"Você sabe que eu te amo, não sabe?"

"Sim, eu sei. E eu te amo ainda mais, Rachel Berry."

"Você promete que vai se cuidar? Que não vai entrar em confrontos corpo-a-corpo? E se você sentir frio? E se você se machucar seriamente? E se você passar fome? Certamente lá não devem fazer um guisado como o meu! Deus, eu ouvi dizer que é muito comum…"

"Rachel, isso é a guerra." Ela me olhou severamente e eu sorri achando as divagações dela engraçadas. "Eu prometo, querida." O que eu mais queria naquele momento era beijar a boca deliciosa de Rachel que não parava de se mover. Então o barulho do trem preparando-se para partir soou e nós olhamos juntas para a porta de entrada, ela depois olhou para mim com aqueles olhos que pareciam ter engolido o céu.

Eu encostei a sacola no chão e levei as mãos ao pescoço.

"Eu queria que você ficasse com algo meu… você sabe… no caso de se esquecer de mim." Tirei o colar de Frannie do meu pescoço e peguei suas mãos pequenas e delicadas, coloquei o colar nelas e depois fechei-as em torno dele. Ela apertou o pingente antes de sorrir, como se estivesse lembrando de algo.

"Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te."

"William Shakespeare." Eu sussurrei olhando-a embevecida.

Ela acenou com a cabeça e esboçou um meio sorriso olhando em meus olhos. "William Shakespeare. E você precisa mais dele do que eu. Frannie apreciaria se você o levasse com você." Ela voltou a colocar o colar em minhas mãos. "Quando você voltar, eu estarei esperando por você aqui, nesse mesmo lugar." Ela disse com a voz embargada, alisando a gola do meu casaco.

Seu olhar estava grudado no chão e meu coração se fazia mais pequeno cada vez que sua voz saía entrecortada.

"Só… volte para mim." Rachel disse num sussurro sofrido. "Volte para casa, Quinn."

"Eu voltarei." Eu respondi triste.

Beijei com carinho o topo de sua cabeça bem no meio de sua franja. Tirei alguns fios de cabelo que atrapalhavam sua visão e dei-lhe um selinho demorado. Ela abraçou-me mais uma vez, não queria me ver partir. Mas assim que ela me soltou eu parti sem olhar para trás.

Subi as escadinhas do trem, deixando a mulher que eu amava para trás.

X.X.X.X.X.X.X.X.X.X.

Entrei no trem sentindo meu coração apertado. Fui procurando distraidamente o lugar marcado no bilhete, minha mente estava noutro lugar. Parando no número indicado, notei que a pessoa que estava ao meu lado era o homem que nos havia interrompido nas escadas, pedindo 'docemente' para que o cedêssemos a passagem. Eu não queria me meter em confusões, então apenas ocupei o meu lugar sem nada dizer a ele. Estava aliviada pelo lugar ser perto da janela. Num dado momento, ele virou-se para mim e ficou me encarando seriamente. Depois disse suavemente de uma maneira que me deixou surpresa e espantada:

"Despedida difícil, huh?"

"Sim."

"Quem é ela? Sua amiga?"

"Não. Ela é Rachel… Minha casa."

Olhei alguns segundos para a cara confusa dele e abri um sorriso, virando-me para a janela. Rachel também sorria, acenando para mim. E sim, dessa vez eu faria de tudo para voltar para casa.

Para minha Rach.

Fim.


E então? :) Epílogo ou não?