N/A: Pronto! Aqui está o epílogo, só espero que não me matem haha, mas até que fui boazinha ;) Não sei se foi assim que imaginaram a volta da Quinnie, mas... bem, pelo menos ela voltou :P Perdoem-me pelos erros, ok? É que estou morrendo de sono, estou digitando só com um olho aberto. Boa leitura e até a próxima :)

Guest: Oh, chora não!

EscCraveiro: Hahaha, você colocou pensamentos nada puros sobre a Quinn/Dianna na minha cabeça com esse comentário :P Sabe que eu nem tinha imaginado ela de farda de verdade?! Me abana Jesuis! hahaha

Ahh, obrigada pelos elogios, tentei fazer o melhor que pude :)) Ainda bem que não deixei a desejar hehe

Bem, pelo menos não sou só eu com ''O dom'' hahaha :P

Beijos e até moça!


Epílogo

Dois anos e meio depois

Minha cabeça estava encostada no vidro do pequeno carro preto. Eu olhava para o céu sentindo meu coração bater na expectativa. Estava distraída brincando com o pingente na mão direita, planejava colocar uma nova corrente nela já que a antiga tinha se perdido algures no Japão, mas tinha um leve palpite que a havia perdido no acampamento secreto em Yokohama, uma cidade em Kanagawa. Ouvia no fundo o rádio ligado. O volume estava baixo, mas mesmo assim ainda podia-se ouvir a voz do presidente Harry S. Truman. Ele discursava sobre a liberdade e dizia como Roosevelt conduziu os Estados Unidos através da II guerra mundial para um futuro próspero, lamentando profundamente sua morte há dois anos atrás. Falava também do quão orgulhoso ele estaria por saber que o tempo de caos e tormenta que ele tanto tentou acabar tinham finalmente terminado.

Eu não sabia dizer se estava feliz ou não. Não depois de tudo o que vi e presenciei, tudo aquilo que eu mais queria esquecer tinha voltado com toda força para me atormentar. Eu me sentia fraca e um pouco como a primeira vez que cheguei em Lima. Eu tinha cumprido minha promessa e me mantivera viva a todo custo, pois eu sabia que desta vez teria para onde voltar. Mas o sentimento de nostalgia não parava de me assombrar. Às vezes me perguntava por que é que as coisas tinham que ser como eram.

Um pequeno sorriso cruzou os meus lábios.

Eu estava voltando para casa definitivamente.

"Será que eu estou vendo um sorriso?"

Eu sorri mais ainda e procurei seu olhar no espelho retrovisor. Marley sorria para mim e eu não pude deixar de retribuir. No mesmo instante Jake virou-se para me ver e também sorriu, sem deixar de prestar atenção na estrada.

"Eu aposto que deve estar pensando nela." Jake disse e riu. Marley acompanhou-o e eu não poderia estar mais vermelha.

Era até engraçado. Eu esperava nunca mais encontrar Marley, mas aqui estava ela com seu marido, dando-me uma carona até Lima. Quando a tragédia toda no Japão colocou um fim à guerra, eu quase não tinha mais esperanças. Todos os feridos foram transferidos de emergência para um acampamento hospitalar na base naval em Yokosuka e depois disso eu já não sabia como é que tinha vindo parar em Maryland três meses depois. Soube que as enfermeiras no hospital em Maryland me consideravam um caso perdido. Eu tinha chegado desacordada e com ferimentos gravíssimos, mas mesmo assim Sue Sylvester não desistiu de mim e eu soube também que ela gritou na cara de cada oficial que pensou sequer em me descartar. Acho que agora eu devia muito à ela.

"Eu suponho que sim, veja só como está vermelha!" Marley respondeu a Jake, como se eu não estivesse ali presente.

"Pois estou pensando nela mesmo!" Respondi sem conseguir esconder meu rosto afogueado. Marley olhou para mim carinhosamente do espelho retrovisor. Ela sabia de toda a minha história com Rachel e estava ansiosa por conhecê-la, mas não seria desta vez. Eles estavam apenas de passagem por Lima para me deixar lá e seguiriam por outro caminho.

Quando eu cheguei em Maryland disseram que eu não parava de sussurrar dois nomes em meus delírios febris. Um deles era Rachel e o outro… bom, o outro era o de Marley. E segundo a enfermeira Unique, o segundo era mais pronunciando que o outro, seguido de: 17 div. Ainda agradeço pela inteligência da enfermeira ao se aperceber de que na verdade o que eu dizia era: décima sétima divisão; não descansando em suas buscas para encontrar um soldado da décima sétima divisão chamado Marley. Ela contou-me que levou um bom tempo até achar o tal soldado e a sua surpresa ao constatar que este era uma mulher.

Marley não hesitou em viajar de Delaware até Maryland para me buscar. Não soube explicar a alegria que tomou conta de mim assim que abri os meus olhos semanas depois que ela chegou e me deparei com os olhos dela. Eu sabia que ela seria a minha salvação e o meu consciente parecia achar assim também.

"Rachel é uma mulher de sorte."

"Não." Marley olhou para mim com os olhos confusos. "Eu é que sou uma mulher de sorte." Murmurei voltando a encostar a cabeça no vidro traseiro do carro.

O tempo passava e eu contava cada minuto ansiosa por chegar em Lima. Marley era afinal uma mulher extremamente divertida e seu noivo Jake também era. Ela contou-me que assim que chegou em casa não perdeu tempo e pediu ele em casamento. Eu não pude deixar de rir ao imaginá-la fazendo aquilo. Eles formavam um belo casal. Eu não sabia se Marley fazia ideia do quanto ele a amava, a maneira como ele olhava para ela… era como Rachel às vezes olhava para mim.

Rachel.

Eu me perguntava se ela ainda lembrava-se de mim. Porque eu não me esqueci um dia sequer dela.

"Estamos entrando em Lima" Jake avisou-nos animado.

Alguns minutos depois as pequenas casas de Lima fizeram-se presentes, tão pequenas e charmosas como só elas conseguiam ser. Passamos da ferroviária devagar e eu admirei como as coisas pareciam não ter mudado quase nada desde a minha partida. Tentei procurar o Sr. Figgins com os olhos mas não consegui avistá-lo. Jake conduzia-nos pelas ruas seguindo as minhas instruções, eu estava nos conduzindo diretamente para a casa de Rachel. Não sabia se poderia aparecer assim de repente, mas ela tinha prometido para mim que me esperaria. Ela disse que me esperaria e me fez prometer voltar para casa.

Todos os dias eu olhava para a pequena foto de Rachel que roubara no dia em que partira de Lima pela segunda vez, mas infelizmente perdi-a algures durante a viagem de regresso. Ainda me lembro bem daquele dia. Meus poucos pertences me foram entregues num pequeno saco plástico e lá dentro só estavam o pingente já sem o fio, a carta desbotada de Rachel e algumas poucas roupas. Mas isso não impediu Marley de ler a carta.

"O que você andou aprontando em Lima, hum Quinn? Andou deixando mocinhas apaixonadas por lá?" Lembro de ela me ter perguntado assim que acordei.

"E então? Sabe bem estar de volta, não?" Marley perguntou, tirando-me das lembranças.

"Não poderia pedir outra coisa." Respondi distraída, vendo atentamente Jake entrar na rua de Rachel. Meus olhos foram logo a procura da casa azulada, encontrando não só a casa azulada como também a cerca branca de madeira.

Jake parou o carro em frente a casa e depois pulou do assento, correndo para abrir a porta de Marley como um cavalheiro, trocando um beijo rápido com ela antes de abrir a minha também. Eu saí do carro com uma pequena mala, cortesia de Marley. Ele depois fechou a porta e me deu um abraço, desejando-me boa sorte e voltando para o carro. Eu sabia que ele estava nos deixando à sós de propósito, sabia que Marley queria se despedir de mim.

"Então…" Eu respirei fundo olhando para a mulher de olhos castanhos. Não sabia como fazer isso. Eu não era particularmente fã de despedidas.

Foi então que Marley, como sempre, me surpreendeu com um abraço apertado e escondeu sua cara no meu pescoço. Senti algo quente contra minha pele e logo soube que ela estava chorando.

"Oh, Marley…" Murmurei esfregando suavemente suas costas.

"Eu só… me desculpe por isso. Às vezes me transformo numa tola sentimental." Ela fungou saindo do meu abraço. "Me promete que vai ficar bem?" Ela me olhou suplicante.

"Eu vou ficar bem. Agora eu vou ficar bem."

"Você sabe que qualquer coisa é só me escrever, certo? Espero sinceramente que a sua Rachel cuide de você como você merece. Um dia ainda virei para conhecê-la, pode ter certeza!"

"Tenho a certeza que ela ficará feliz em te conhecer."

"Bem, agora nós vamos indo." Ela sorriu para mim. Eu me pus de joelhos e beijei carinhosamente sua barriga saliente, acariciando-a com a mão direita.

"Cuide dessa garota por mim." Sussurrei emocionada.

"Não se preocupe, eu cuidarei." Marley acariciou meus cabelos sorrindo e depois esperou-me levantar para me dar um beijo na bochecha e um último abraço apertado. Abri a porta do carro para ela e esperei que ela se acomodasse devidamente antes de fechá-la.

Acenei para Jake e Marley, retribuindo seus acenos. Esperei o carro desaparecer numa curva deixando um pequeno rastro de poeira para trás antes de me virar para a casa de Rachel. Eu estava me perguntando se ela estaria em casa.

Não pensei duas vezes e abri vagarosamente a portinhola branca de madeira de Rachel e caminhei entre as flores no jardim dela. Eu observava cada detalhe daquela casa, cada pequeno detalhe do jardim e depois as escadas de madeira. Eu guardava tantas recordações daquele lugar. E pensar que eu esperava não voltar nunca mais… mas aqui estava eu, plantada no primeiro degrau das escadas, incerta se deveria continuar ou não. Num acesso de coragem, subi os degraus sem hesitar, parando na enorme porta de entrada da casa de Rachel. Pousei a mala ao meu lado e levantei a mão pronta para bater na porta. Eu não poderia esperar e nem queria adiar mais o nosso reencontro mesmo estando temerosa com o que poderia acontecer.

Mas então a porta abriu-se num rompante e meu coração quase parou pelo susto.

O susto da porta só não foi maior que o susto que tomei ao me deparar com uma criaturinha loira olhando-me curiosa. A garotinha não deveria ter mais que cinco anos.

"Olá!" Ela soltou efusivamente, ainda olhando-me com seus olhinhos curiosos. Eu estava paralisada e quase não respirava, mil e uma coisas passavam pela minha cabeça nesse momento. Minha cara deveria estar branca. "O que aconteceu ao seu braço?"

Meu olhar seguiu o dela. Seus olhos estavam cravados onde um dia meu braço esquerdo residira. Lágrimas vieram aos meus olhos.

Ela olhou para mim triste e seu sorriso diminuiu um pouco ao notar que eu estava estática.

"Você está procurando a Rachel?" Ela virou a cabecinha de lado. Foi então que eu me apercebi de seus olhos verdes brilhantes. Apenas acenei com a cabeça incapaz de pronunciar qualquer palavra. Ela então saiu correndo pela sala e desapareceu pela cozinha. Olhei para as minhas botas bem polidas e tentei não me lembrar da amputação. Repetia na minha mente que agora não era hora para isso.

Ouvi um barulho vindo lá de dentro e então levantei o olhar, vendo a garotinha puxar uma Rachel distraída pela sala e apontando para mim.

"Eu já disse para você não abrir mais a porta Beth."

Rachel limpava alguma coisa com um pano e assim que ela me viu deixou cair o que carregava nas mãos. Seu sorriso apagou-se e vi quando seus olhos arregalaram-se e logo encheram-se de lágrimas.

Meu coração batia descontrolado no peito.

Rachel estava mais linda do que nunca enfiada num daqueles seus vestidos de bolinhas.

Rachel colocou as mãos na boca e começou um choro baixinho entre soluços enquanto eu me aproximava fascinada. Ela continuava estática no meio da sala enquanto eu me aproximava vagarosamente dela. Envolvi-a com o braço direito e encostei sua cabeça no meu peito, recostando meu queixo na sua cabeça, acariciando carinhosamente seus cabelos maravilhosos. Eu daria tudo para ter meu braço de volta apenas por uns segundos, só para poder voltar a abraçá-la apertado contra mim e senti-la por inteira em meus braços, assim como era antes.

Mas Rachel já estava fazendo isso por mim. Agora era ela que me sentia em seus braços e eu não poderia estar mais feliz.

"Você voltou." Rachel repetia ainda abraçada a mim.

"Eu tento cumprir minhas promessas." Eu respondi sorrindo contra seus cabelos. Seu cheiro não havia mudado, ainda era o mesmo de dois anos e meio atrás.

Então eu senti algo na minha perna que me fez separar de Rachel. Era a garotinha. Ela nos olhava confusa e puxava a minha camisa com força.

"Não faz a Rachel chorar!" Ela choramingou contra mim.

Rachel soltou uma risada em meio às lágrimas e soluços, limpando as lágrimas que insistiam em rolar por aquele rosto que eu tanto amava.

"Não puxe a camisa da Quinnie, querida." Ela afastou as mãozinhas carinhosamente. Depois pareceu dar-se conta de algo e me encarou hesitante. "Oh… esta é Beth. Minha filha." Rachel acariciou a pequena cabecinha loira olhando-me nos olhos. Talvez ela quisesse ver a minha reação. E ela foi a mais confusa e magoada possível.

Por que sempre pensamos o pior das pessoas?

"Oh, não é o que você está pensando. Eu adotei-a há dois anos, apenas alguns meses depois da sua partida. Eu apenas vi-a no orfanato quando fui levar alguns vestidinhos para as meninas e não resisti em levá-la para casa… ela era igual a você." Ela sorriu timidamente.

Eu olhei para a garotinha agarrada na perna de Rachel extremamente surpresa. Ela agora olhava-me temerosa e estava toda encolhida. Vi naqueles pequenos olhos verdes muito de mim mesma. E incrivelmente, um pouco de Rachel também, já que a criança estava enfiada num pequeno vestidinho de verão estampado com bolinhas coloridas.

Então eu sorri para ela, assegurando-lhe que estava tudo bem.

Eu estava, finalmente, em casa.