Hoje vou descontar minha tristeza, mas de qualquer jeito já era um capítulo planejado para ser dramático. Bem, é o fim de algo, é triste.

Espero que gostem! A música do capítulo é "You" (que venceu entre outras duas por combinar demais) do The Pretty Reckless.


Você não me quer, não

Você não precisa de mim

Como eu quero você, oh

Como eu preciso de você

(...)

Você não pode me ver, não

Como eu vejo você

Eu não posso ter você, não

Como você me tem

(...)

Amor, amor, amor

.

Você não pode me sentir, não

Como eu sinto você

Eu não posso te roubar, não

Como você me roubou

.

E eu quero você na minha vida

E eu preciso de você na minha vida


Kougyoku sentiu o corpo pesado, não tinha forças para se levantar e tudo o que ouvia era como um eco abafado por plumas, ela não entendia praticamente nada. Sentiu-se tonta e não conseguiu manter-se consciente.

Morgiana suspirou ao seu lado, depois de quase duas horas com Aladdin e Yamuraiha tratando Kougyoku, eles não entendiam o que acontecia. Kougyoku estava com o seu Magoi completo, Não tinha sinais de doença nela, a única coisa que tinha de diferente era seus Rukh, que segundo Aladdin, estavam desesperados. Quase como se estivessem por uma pressão muito grande. Kougyoku tinha algumas reações como suar ou murmurar, mas ninguém sabia o que fazer.

"Liberte-me" ela pedia.

Foi quando o sol estava escondido com alguns raios ainda tingindo o céu que Yamuraiha saiu do quarto para anunciar a situação instável da princesa. Não era algo bom, já que ela não havia voltado à consciência, mas pelo menos ela havia parado de suar frio e murmurar. Ao que parecia, estava dormindo, mas não tinham certeza se isso era um bom sinal.

- O que podemos fazer? - Perguntou Alibaba.

- Por hora, esperar e torcer para que ela fique bem - Ela observou Alibaba olhar para a porta preocupado e sorriu para ele - Pode entrar se quiser, Morgiana deve estar cansada e vai precisar de ajuda para cuidar dela durante a noite - Alibaba assentiu e entrou.

Uma vez a porta fechada, Yamuraiha e Ja'far olharam para Sinbad de um jeito repreensivo. Ele pode sentir o quão bravos estavam com ele. ele deu um passo para trás assustado.

- Você foi inconsequente dessa vez, Sinbad! - Repreendeu Ja'far.

- O que eu fiz?

- Pressão e objeção demais! - Exclamou Yamuraiha - Quando Aladdin a examinou ele viu que havia Rukh seus nela. Você hipnotizou ela naquela luta, não foi?

Sinbad não respondeu, ao invés disso cruzou os braços pensativo.

- Fiz o que precisava fazer por Sindria. Agora não adianta trazer isso à tona.

- Adianta sim! - Exclamou Yamuraiha - A hipnose nela está exercendo grande pressão sob sua mente. Ela está no limite Sinbad, você precisa desfazer a hipnose.

- Não posso fazer isso... - Respondeu ele num sussurro.

- O que?! - Exclamou Ja'far - Sinbad, você precisa. A princesa está desmaiada, o que acha que vai acontecer uma vez que o Império Kou tomar ciência do que houve? Se Kougyoku não voltar ao normal, podem até declarar uma guerra!

- Eu sei disso! - Disse Sinbad com massageando as têmporas irritado. Não era para a situação estar assim - Mas se eu tirar a hipnose dela, não haverá quem interver por Sindria dentro do Império.

- Sinbad, a situação é muito mais delicada - Disse Yamuhaira - Os Rukh dela estão agitados demais. confusos e perdidos. Então não normalizarem, ela não vai acordar e se não acordar logo...

- O Império tomará conta da situação... - Ele completou.

- Não é só isso - Uma terceira voz disse.

Os três olharam para trás e viram Aladdin sair do quarto fechando a porta e se aproximar com um semblante sério. Nenhum dos três havia visto Aladdin naquele modo antes. O Magi se aproximou do grupo até parar de frente para Sinbad.

- Você é um ótimo Rei, Sinbad. Mas às vezes se esquece que ser Rei não é só governar um país e olhar por ele. É cuidar dos outros e tentar se aproximar para manter a paz não só entre as nações, mas entre as pessoas...

- Eu sei...

- E também em você - interrompeu Aladdin surpreendendo Sinbad - É manter o povo dentro da ética, bom senso e ordem, é dar direito e educação à eles para que saibam o que é justo e certo... Mas primeiramente, é ser o exemplo. Mesmo que você seja superior em autoridade, está sujeito à isso.

Yamuraiha sorriu orgulhosa do discípulo enquanto ele fazia seu discurso/sermão/bronca em Sinbad. Mas ela tinha que admitir, a parte do exemplo doeu até nela. Até que Aladdin terminasse de dizer o que tinha, ela e Ja'far permaneceram em silêncio, ouvindo e observando.

- O que você fez errado...

- Eu fiz por Sindria...

- Você fez porque quis. Você conhece Kougyoku tão bem quanto Alibaba, eu e Morgiana. Sabe muito bem que se simplesmente tivesse pedido à ela para tentar intervir por Sindria, ela o faria. Mas o que você fez, foi imoral.

- Mesmo sendo um Rei, ainda sou um humano e erro.

- Um erro é quando você toma uma decisão que toma um rumo ao contrario do que você queria. No seu caso não foi um erro, pois você poderia ter desfeito e não o fez. Isso pode ser tomado como uma ofensa direta ao Império Kou.

Sinbad parecia em conflito entre ouvir o que Aladdin dizia e o que ele devia fazer. Ele tentava achar uma saída na qual sua decisão ainda tomasse como certa. O orgulho estava vencendo sua razão. Aladdin percebeu e então concluiu seu pensamento.

- Se você descobrisse que um dos seus generais foi hipnotizado por Kouen e intervia pelo Império Kou, como reagiria?

A pergunta final foi o que fez Sinbad ceder e perceber o que fez. Aladdin estava certo. Ele reagiria exatamente como Aladdin, Yamuraiha e Ja'far sugeriam: Como uma ofensa direta à Sindria e, em consequência, uma declaração de guerra.

Por isso ele suspirou desistindo de ganhar uma discussão contra o Magi que tinha a sabedoria de Salomão. Ao invés disso, pela primeira vez, pediu ajuda à ele.

- O que eu deveria fazer?

- Retire o selo de Kougyoku e peça desculpas à ela. E reze para que ela não veja isso como ofensa e nem diga nada à Kouen e os outros.

- Não posso fazer isso.

- Você deve fazer isso, Sinbad. Não é só mais a moral de Sindria que está em risco, mas o bem-estar de Kougyoku.

- O que quer dizer com isso, Aladdin? - Indagou Yamuraiha, falando pela primeira vez desde que ele chegara.

- Kougyoku ficou mais forte, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Ela tomou uma decisão na qual é contrária ao que Sinbad quis, por isso sua mente está em conflito. A hipnose está lutando contra a mente da própria Kougyoku, os Rukh estão confusos e agitados porque não sabem o que fazer, já que estão divididos. Só existem três possibilidades para o que pode acontecer com ela... - Disse ele sério - A primeira é que ela seja levada à loucura. Começar a ouvir uma segunda voz em sua mente que diz para ela fazer uma coisa, enquanto ela mesma decide outra...

Sinbad tentou se imaginar como seria a princesa caso isso acontecesse. Toda a doçura, gentileza e bondade sairiam de si, a probabilidade dela cair em depravação em função da Loucura... Não. Ele não queria nem pensar nisso.

- A segunda - continuou Aladdin - É que ela entre num estado catatônico.

- O que é isso? - Indagou Sinbad confuso.

- É algo que Sphintus começou a estudar em Magnosttat, ele me explicou um pouco sobre isso. Quando uma pessoa chega ou passa do limite que sua mente, corpo e emoções podem aguentar, ela simplesmente desliga. É como se ela virasse um boneco. Ela faz tudo o que pedem à ela, mas não tem vontade própria, não consegue pensar e, consequentemente, não fala. Ela entende o que os outro lhe dizem mais como um comando, se vê incapaz de fazer algo sozinha ou manter uma conversa. Ela simplesmente fica vazia... É possível trazer a pessoa de volta com o tempo, mas não se sabe se é para todos os casos ou quanto tempo para cada.

O rei se sentiu ainda mais desconfortável ao tentar imaginar esse cenário. Sem a princesa alegre que dança e conversa com todos. O olhar admirado que ela tinha para tudo e todos. Todas as coisas que faziam dela, ela mesma e única esvaindo...

- Qual é a terceira? - Perguntou Sinbad.

- Os Rukh de Kougyoku estão confusos, em breve entrarão em conflito e iram se dissipar...

- Mas isso significa...! - Exclamou Ja'far.

- Kougyoku vai morrer.

O pior cenário tomou conta da mente dos três. A guerra declarada, a fúria do Império Kou, a quebra das alianças, Sindria destruída... Na mente do rei a única coisa que ecoava era a afirmação que Aladdin deu. Não havia espaço para dúvidas, oq ue ele presumiu, que era exatamente o que aconteceria. Ele nunca se perdoaria se essa moça morresse. Kougyoku poderia ser um pouco infantil e até inocente demais, mas ele sempre soube que os sentimentos dela por ele eram verdadeiros e se aproveitou disso. Ele nunca pensou que poderia levar à tal coisa. Seria imperdoável, até ele mesmo, deixar isso acontecer. A consequência do seu erro ganhou muito mais força e culpa quando ele se perguntou por que tudo estava acontecendo.

Porque era ela.

Porque era Kougyoku, uma princesa bastarda do Império Kou.

Um título que veio nela desde que ela nasceu, sem escolha, sem fuga, sem razão. Ela não podia fugir disso, estava no sangue dela, na existência dela. Um título que ela não merecia, não por ser uma princesa, mas pelas condições em que ela era. Parecia errado adicionar o "bastarda"... Ela não merecia nada disso e tudo por conta da sua posição política, de algo que ela não decidiu e não poderia escapar, e mesmo que pudesse, ainda seria marcada pela origem.

Tudo era tão ruim que Sinbad decidiu parar de pensar sobre isso antes que se sentisse ainda pior e caísse em sua própria depravação. Por isso, ele respirou fundo e suspirou pesadamente.

- Entendi, irei retirar a hipnose.

Aladdin sorriu fracamente Yamuraiha assentiu e junto com Ja'far entraram para preparar o necessário para remoção do selo de Sinbad. Aladdin ficou ali esperando, uma vez sozinho com o rei ele completou.

- Sinbad, não deixe que sua ambição consuma seu coração.

Depois disso, ele se retirou. Alibaba e Morgiana saíram pouco depois, já que Ja'far e Yamuraiha lhes disseram que iriam tomar conta dela. Alibaba guiava Morgiana pelos corredores. Ela estava cansada, a ponto de nem mesmo deixar os olhos abertos, apenas era conduzida por ele deixando sua cabeça em seu ombro. A mão de Alibaba estava na parte baixa de suas costas a guiando. A finallis apenas abriu os olhos para cumprimentar e desejar boa noite ao Rei num bocejo, Alibaba fez o mesmo e sorriu quando a garota voltou a posição anterior fechando os olhos. Alibaba se despediu e eles foram aos seus aposentos com Aladdin que esperava mais adiante.

Sinbad observou o casal com um sentimento que há muito não sentira: inveja. Não do casal em si, mas da capacidade que eles tinham de confiar tão completamente e fielmente um no outro. Se Morgiana pulasse de uma janela, era porque ela tinha certeza que Alibaba estaria logo abaixo para pega-la... Se bem que no caso deles deveria ser mais para o contrário.

O rei havia perdido essa capacidade há muito tempo. Não que não confiasse em seus generais,mas era diferente. O casal confiava um no outro em todas as maneiras e sentidos possíveis, incluindo das suas partes mais sombrias às mais íntimas. Sinbad não conseguia fazer isso, por mais que confiasse em seus generais, ele não conseguia confiar o que tinha de mais íntimo à eles. À ninguém.

Porque o que Sinbad tinha de mais íntimo, fora tão machucado e despedaçado durante sua vida, que o tempo fez com que endurecesse para se proteger e não havia mais o que ser feito. O que ele tinha de mais íntimo, estava sob sete chaves, trancado atrás de uma porta e era feito de pedra (da mais sem graça e dura): seu coração.

Quando adentrou o quarto da princesa, observou-a atentamente ao se aproximar.

Ela era tão diferente e oposta à ele. Enquanto ele não tinha espaço ou capacidade de realmente amar alguém, ela tinha muito amor à dar sem ter a quem.

Como foi que ela desenvolveu tais sentimentos tão puros e sinceros por ele?

Decidindo acabar logo com isto, Sinbad colocou ambas as mãos na cabeça de Kougyoku. Cuidadosamente, delicadamente. Concentrou-se e começou a manipulação de Magoi, iniciando a retirada do seu selo, hipnose, sob ela.

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Durante a noite, Sharkkan apareceu no quarto para buscar Yamuraiha que havia dormido devido ao cansaço das magias de cura. Ele fitou a maga antes de murmurar algo como ela sendo um incomodo para ele precisar ir busca-la tão tarde da noite. O espadachim se abaixou a frente dele retirando o livro que ela tinha em mãos com cuidado para não acorda-la e ele sorriu.

- Você dá muito trabalho, sabia? - Falou baixo.

Em seguida ele a pegou no colo com cuidado numa posição donzela. Ja'far, que ainda estava no quarto acordado observando a situação da princesa, sorriu ao ver a maga se ajeitando no colo do guerreiro aninhando-se ao peito dele e passando um dos braços por seu pescoço, em seguida, ela deu um leve suspiro de satisfação. Sharkkan sorriu com a face de sua namorada.

- Você realmente a ama, não? - Perguntou Ja'far sorrindo levemente.

- Isso não é coisa que se pergunte...! - Ele desviou o olhar irritado, mas Ja'far pode ver que ele estava corado e pelo modo das palavras ditas, elas diziam "Sim, a amo mais do que imagino".

- Bem, tenham uma boa noite.

- Vê se dorme.

Assim, Sharkkan saiu do quarto carregando a maga adormecida. Ele chegou ao seu quarto e a colocou num lado da cama de casal que ele tinha, depois deu a volta e se deitou na outra extremidade, retirando com cuidado os acessórios da cabeça que a maga tinha, imaginando que não devia ser muito confortável para dormir. Iria tirar o outro também, mas se o fizesse com certeza estaria morto pela manhã. Por isso apenas colocou os que retirou na mesa próxima a cama e se ajeitou, cobrindo os dois.

Sharkkan levou algum tempo a mais observando o rosto calmo da maga adormecida. Retirando alguns fios que teimavam em ficar em seu rosto, ele adormeceu.

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Havia despertado, abrindo os olhos lentamente, como quem acorda depois de um longo período. Não se lembrava bem do que houve, apenas de discutir com Sinbad, a dor de cabeça e... Só.

Ela tentou se sentar, sentindo o corpo sonolento e bocejou. Olhou em volta em seguida.

Num canto do quarto, Ja'far havia adormecido sentado, provavelmente ficou cuidando dela enquanto não acordava. Kakoubun (? Nunca vou acertar esse nome) estava adormecido num banco próximo à porta, como era de se esperar. Olhou para o outro lado, encontrando um casal adormecido no banco e sorriu.

Morgiana dormia recostada ao ombro de Alibaba e ele com a cabeça apoiada na dela, ela segurava uma de suas mãos e ele tinha seu braço direito passando por seu ombro e a segurando de leve, como se tivesse medo dela cair ou sair dali.

Pouco depois de observar a porta foi aberta e ao entrar o pequeno Magi se revelou.

- Kougyoku! Você acordou! - Sorriu ele se aproximando apressado.

Com a animação dele, o resto do quarto acordou. A finallis foi a primeira a acordar e perceber Kougyoku consciente (não muito depois do seu namorado, mas Alibaba demorou um pouco até ter uma noção do que acontecia), Ja'far acordou, mas não fez nenhum tumulto, já Kakoubun chorou abraçando a princesa desesperado e dizendo que ela devia denuncia-los quando voltassem ao Império. Kougyoku apenas sorriu dizendo que não havia motivo, pois já estava bem e que devia ter sido algo que ela comeu.

Ao ouvir a resposta, Ja'far se desculpou pelo o ocorrido, pedindo licença em seguida para dar as notícias aos outros dois conselheiros, Yamuraiha e o Rei. Ele sentiu certo peso quando se afastou do quarto. Precisando parar por um momento e pensar.

Ele entendia as razões do rei, entendia que ele precisava ter feito tudo aquilo... Mas era verdade o que Aladdin disse também, era imoral. Por mais que Sinbad se negasse a aceitar ou admitir, Ja'far sabia. Ele tinha um carinho e afeto muito grande pela princesa. Ele sabia que seu rei havia se tornado incapaz de amar completamente devido à cicatrizes profundas demais. Mas ele sabia que o rei sentia algo pela princesa. Um afeto do tipo nobre no qual ele se negava a ceder.

Ja'far sabia a resposta que queria no fundo, mas não ficou repensando isso. Acabaria sentindo pena tanto do rei como da princesa, e isso não seria certo. Eles eram ambos adultos e sabiam o que faziam. Além de toda a questão política, havia o fato dele ser muito mais velho que ela. Ainda que Kougyoku fosse de uma família simples, eles dificilmente aceitariam o relacionamento, mesmo Sinbad sendo rei. Era compreensível. O ex-assassino suspirou e voltou à seu caminho.

O destino havia separado-os definitivamente, em todos os meios possíveis.

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Kougyoku adiou a viagem por um dia para se recuperar propriamente, mesmo que já não sentisse mais nada. Alibaba e Morgiana lhe fizeram companhia boa parte do tempo, com seus conselheiro por perto. Quando o sol estava alto, ela quis dar uma volta. Aladdin que estava treinando foi até ela e perguntou se estava bem, após uma resposta positiva ele saiu e voltou a treinar.

A princesa ficou um tempo tomando ar, até Ja'far lhe chamar e dizer que o Rei lhe aguardava para uma audiência.

Kougyoku o seguiu pelos corredores quieta. Não tinha o que conversar com Ja'far. Se perguntou sobre o que Sinbad gostaria de conversar com ela, então se lembrando do tratado, ficou impaciente e ansiosa.

Ja'far abriu a porta da sala e anunciou-a, Kougyoku entrou com seus conselheiros, pedindo que se retirassem junto com Ja'far.

- Queria falar comigo?

- Sim, sente-se.

A princesa se aproximou e sentou em postura rígida, mostrando como estava sendo séria ao estar ali. Sinbad suspirou e se levantou indo até a janela.

- Kougyoku... Você sabe porque estava desmaiada?

- Eu... Não. Só me lembro de ter tido uma grande dor de cabeça.

- Kougyoku - Sinbad disse calmamente - Você não precisa mentir, estamos somente nós dois aqui.

Kougyoku parecia relutante, mas então respirou fundo e suspirou tomando uma postura mais aliviada.

- Sim, eu me lembro - Respondeu, depois elevando o olhar cheio de mágoa para o rei - Por quê? Como pôde?

- Eu apenas pensei em Sindria. Peço desculpas por isso. Depois do que houve tomei consciência de minhas ações e como elas lhe afetaram.

- Eu interveria por Sindria. Um pedido seu e eu o teria feito - Disse ela chateada - Você tinha alguma outra razão ou é só pelo fato de eu ser sua marionete perfeita? A menina tola apaixonada que faria de tudo para ganhar a afeição que deseja tão cegamente, a ponto de tentar ajudar o reino que devia ser o maior inimigo do Império ao qual pertence?

- Para ser sincero, foi sim no início - Admitiu - Você estava tão envolvida no meu charme que foi fácil te convencer a algo...

- E depois?

- Depois eu percebi que era muito mais do que isso... Mas assim como eu, sabe que mesmo que quiséssemos ou tentássemos isso, não iria adiantar, não?

- Sei disso. Por que não me liberou, então?

- Eu... Não gostava da ideia de não saber nada sobre você. Eu poderia saber como você está desse modo e... garantir sua segurança.

- Até o momento em que eu ficasse louca - Comentou amargurada.

- Não foi minha intenção.

- Foi sua ação.

Sinbad se calou. Não tinha como contestar e ela tinha todo o direito de estar tão chateada com ele. Por isso se levantou e entregou o pergaminho à Kougyoku.

- Sei que não mereço seu perdão, mas gostaria que isso não interferisse nas relações dos Impérios.

- Não quer que eu conte ao meu irmão - Concluiu ela.

- Sim. Poderia fazer isso?

Kougyoku olhou feio para Sinbad, antes de se levantar e pegar o pergaminho.

- Farei de tudo para a conciliação dos reinos - Disse ela se virando para sair da sala.

Sinbad não sabia bem o que dizer, não queria deixar as coisas daquele jeito. Quando Kougyoku se aproximava da porta, ele voltou a chama-la.

- Não faça isso.

Kougyoku voltou-se ao rei com um rosto indiferente.

- Não precisa se casar com um homem que nem mesmo conhece.

- Como sabe se eu não o conheço?

- Estava na sua mente, lembra?

- Sim, mas não sabia nem mesmo que eu iria e casar. Não pode saber se eu o conheço.

- Você não o ama.

- Você também não me ama.

- Que diferença faria? - Exasperou ele.

- Exatamente! - Exaltou-se Kougyoku - Que diferença faz?!

- Kougyoku, eu me importo com você mais do que qualquer homem um dia o fará! E se eu pudesse mudar alguma coisa, qualquer coisa para que o nós se tornasse possível, eu o faria.

- De que te importa uma princesa bastarda?! - Começou a gritar Kougyoku chorando angustiada - Uma princesa que não vai te acrescentar em nada?! Que não significa muito para seu reino ou povo?! Uma garota que deixou que a fizesse e manipulasse como uma marionete idiota só para poder te ver bem e feliz?! Uma garota que lhe daria o mundo se pedisse e tornaria os seus sonhos realidade, mesmo que tivesse que ficar fora deles?! O que...

Antes que Kougyoku pudesse terminar, Sinbad já tinha o rosto dela em suas mãos e os lábios contra os dela.

Não fora algo planejado. Ele simplesmente não suportou a ideia de que ela não entendia o quão era importante para ele, mesmo que não pudessem ficar juntos. Ao vê-la chorar, perdeu o controle sobre si e beijou-a do modo como queria ter feito desde o momento em que ela descera do barco com seu novo "eu". Queria pelo menos por aquele pequeno momento, aproveitar o sentimento que tinha por ela, mesmo que não fossem tão profundos quanto os dela. Apenas... Deixou-se ama-la. Mesmo que por aquele pequeno momento de eternidade.

A princesa não soube como reagir. Sinbad não poderia estar fazendo aquilo, não poderia estar brincando com ela de tal maneira. Não poderia! Tentou empurra-lo, mandando parar, mas ele era mais forte e voltava a lhe beijar. Na terceira vez em que tentou ele a abraçou trancando em seus braços sem que ela tivesse uma saída.

- Olhe para mim, Kougyoku - Pediu e ela o fez - Acha mesmo que meus olhos mentem quando digo que você é importante para mim? São olhos de um mentiroso? É verdade que meus sentimentos não são tão profundos como os seus, mas ainda são sentimentos. Não posso negá-los. Então por esse momento, apenas esse momento... Poderíamos viver um pouco do que sentimos? Nunca mais poderemos e nós dois sabemos disso, então... Pelo menos viver isso por hora e ter na memória... É o máximo que podemos ter. Então Kougyoku... Só por este momento...

Conforme as últimas palavras eram ditas, Sinbad se aproximou aos poucos de seus lábios novamente e Kougyoku estando imersa demais nas palavras dele, não negou tais sentimos desta vez.

O beijo durou alguns minutos, até que depois que se afastaram, ela saiu do cômodo sem mais nada a dizer. Não era necessário e mesmo que fosse, não conseguiria dizer.

Jafar entrou em seguida e colocou a mão sobre o ombro do rei.

- Sinto muito.

- Ela ainda será uma grande rainha... É uma pena que não possa ser a minha rainha.

Jafar deu um sorriso triste e deixou o rei em sua solidão momentânea.


MEU DEUS CAPÍTULO DOS INFERNOS QUE DEMOROU UM ANO PRA SER ESCRITO. SOCORRO.

Caramba quando planejei esse capítulo não achei que seria tão difícil escrever ele... Mas enfim e_e

Espero que tenham gostado. Acho que daqui em diante consigo produzir mais rápido... acho.

Beijos!