Hospital
27 de março
09:30 p.m.
"Só uma pergunta... Quem é Olivia?" perguntou o médico.
Todos abaixaram a cabeça. O silêncio tomou conta do saguão.
"Doutor... como o senhor já deve saber, Elliot foi mantido em cativeiro por dias... Olivia também... a diferença é que ele sobreviveu..." Kathy percebeu que ninguém ali conseguiria responder, e resolveu contar.
"Meus sentimentos. Apenas perguntei, pois ele sempre que volta a consciência pergunta por ela." O médico respondeu sem jeito.
"Tudo bem..." Alex disse limpando as lágrimas.
"Qualquer novidade o senhor nos avisa? E... Quando poderemos visitá-lo?" Cragen perguntou apreensivo.
"Sim. Qualquer mudança no quadro do Sr. Stabler eu comunico. E sobre visitas por enquanto não permitirei. Ele tem muitos ferimentos abertos, está muito vulnerável a infecções, e acredito que todos nós não queremos que ele desenvolva um quadro infeccioso." O médico respondeu solidário.
"Nós compreendemos. Obrigado." Cragen respondeu com um aceno de cabeça.
Logo todos sentaram.
"Ele está muito ferido?" Alex perguntou a Kathy.
"Sim... muitos hematomas, cortes... não consegui ver muito, mas..." Kathy começou a falar e logo voltou a chorar. Era muito difícil ver Elliot naquele estado.
"Melinda disse algo?" Fin perguntou querendo detalhes do estado de Elliot.
"Ainda não. Ela chegou a pouco, provavelmente está conversando com os médicos e enfermeiros que o receberam." Munch respondeu olhando para o chão.
"E Anne, vocês conseguiram prendê-la?" perguntou Kathy.
"Não. Uma equipe está investigando. Já espalhamos fotos dela, de Gabriel e Eric por todos aeroportos, rodoviárias e centrais." Cragen respondeu frustrado.
"Eu vou acabar com essa desgraçada!" Fin soltou com ódio. Tinha vontade de ir atrás de Anne por conta própria e matá-la.
"Nós vamos." Cragen respondeu no mesmo tom. Pela primeira vez em anos ele havia se deixado levar por sentimentos. O ódio e a indignação que sentia por ter perdido sua Olivia e ter Elliot ali em coma induzido, estavam o matando por dentro.
Rodovia
27 de março
09:40 a.m.
O homem voltou para o carro correndo para pegar o celular.
"Aqui é o Dr. Phill, preciso de uma ambulância urgente na NJ-95, rota 55. Mulher gravemente ferida, risco de morte evidente. Por favor notifique a polícia também." Ele solicitou ofegante. A adrenalina em seu corpo estava nas alturas.
"Filho, fique aqui dentro ok?! Papai vai ajudar a mulher que está ali. Qualquer coisa chame. Entendido?" falou ao filho preocupado.
Sinalizou a estrada. Correu até o porta malas, pegou uma coberta, uma garrafa com água e correu novamente até Olivia.
Com cuidado pôs a coberta sobre o corpo dela. Não mexeu na posição em que estava, afinal ele não sabia a extensão dos ferimentos e nem o motivo, não queria piorar ou lesioná-la mais ainda.
Agachou ao lado dela, com as mãos tirou o cabelo que estava na cara, e jogou um pouco de água no rosto de Olivia.
No fundo tinha esperança dela despertar e voltar à consciência. Saber o que havia acontecido ajudaria bastante e vê-la fora de risco, reagindo seria uma alívio. -Isso não aconteceu.
Olivia não abriu os olhos, não mexeu um músculo sequer, não soltou nenhum ruído.
Cinco minutos e o local estava cheio de policiais e a ambulância enfim havia chegado.
Logo os paramédicos imobilizaram Olivia e iniciaram os procedimentos.
Hospital - NJ
27 de março
03:12 p.m.
Dr. Phill seguiu a ambulância até o hospital mais próximo. No caminho ligou para sua esposa que logo buscou o filho.
"Grave hemorragia interna. Sinais de abuso sexual. Pulsos quebrados. Perna provavelmente quebrada. Precisamos de uma sala de cirurgia. AGORA!" Um dos paramédicos disse ao entrar correndo no hospital antes da maca.
"Mulher. Sem identificação. Sem roupa. Sem bolsa. Inconsciente. Precisamos que vocês façam o kit nela antes de qualquer coisa. Precisamos de DNA e o máximo de evidências que vocês conseguirem." Det. Mark solicitou às enfermeiras que concordaram rapidamente com a cabeça.
Logo Olivia estava cercada de médicos e enfermeiros.
Todos estavam horrorizados com a quantidade de hematomas, cortes e marcas de violência por todo o corpo de Olivia.
Apesar de estarem acostumados a ver coisas semelhantes, nunca haviam visto tantos sinais de brutalidade em uma só pessoa.
Após coletarem as evidências, tiveram que lavá-la. Estava coberta de terra e sangue.
Dr. Phill não pôde entrar na sala de cirurgia. Det. Mark aproveitou para colher seu depoimento ali mesmo.
Mesmo não conhecendo Olivia, Dr. Phill estava muito preocupado, havia decidido ficar ali até a cirurgia e os procedimentos acabarem. Precisava vê-la bem.
Dez horas passaram lentamente.
A ansiedade já havia ultrapassado o limite aceitável.
Dr. Phill perguntava pela paciente de cinco em cinco minutos.
Depois de mais meia hora surgiu o médico responsável.
"O senhor que a encontrou?" o médico perguntou ao Dr. Phill surpreso por ele ainda estar ali.
"Sim. Sou Dr. Phill. Como ela está?" perguntou apreensivo.
"Conseguimos conter a hemorragia, mas a extensão dos danos é enorme. O feto não sofreu danos, o que posso considerar um milagre, ainda mais Ela está em coma... Ainda não posso afirmar que esse quadro é reversível. O grau de desidratação é alto. Para ser sincero, nunca, em toda minha carreira, vi uma pessoa tão lesionada e desidratada sobreviver como essa mulher." O médico disse ainda surpreso pelo estado de Olivia e por ela estar viva.
"Quando a encontrei tinha quase certeza que não estava viva... mas nunca imaginei que estivesse grávida... quantos meses?" Dr. Phill perguntou admirado.
"Na verdade dias... provavelmente 8 dias. Ainda é uma gravidez de grande risco, assim como a vida da mãe. Mas faremos o máximo possível para trazê-la de volta a consciência." O médico respondeu com firmeza, realmente faria de tudo para vê-la melhorar.
"Posso ajudar de alguma forma? Quero acompanhar o caso de perto." Pediu Dr. Phill.
"Aqui você poderá atuar apenas como amigo. Poderá visitá-la uma vez por dia se quiser. Hoje ela ainda não poderá receber ninguém, acredito que o Dr. Entenda, certo?" O médico respondeu sério.
"Tudo bem, eu entendo. E pode ter certeza que a visitarei todo dia." Dr. Phill respondeu esperançoso, agradecendo o médico e logo indo embora.
"Detetive, aqui está o kit e tudo que pudemos coletar da vítima. Espero que vocês consigam uma identificação rápida. Precisamos disso, senão não teremos como mantê-la aqui..." o médico informou descontente. Infelizmente por mais que quisessem manter pessoas que precisam como Olivia, não poderiam sem ter alguém que financiasse. Teriam que encontrar outro lugar para ela ser tratada, o que era consideravelmente difícil de acordo com o estado dela.
Hospital
28 de março
11:30 a.m.
Elliot passou a noite dormindo por conta da injeção do dia anterior. Os braços estavam presos à maca a fim de evitar possíveis ataques.
Já era quase meio dia quando Elliot despertou novamente.
Abriu os olhos devagar, ainda estava aéreo.
"Bom dia Sr. Stabler." Disse o enfermeiro calmo ao vê-lo acordar.
Aos poucos ele foi compreendendo que estava em um hospital, mas ao tentar mover os braços percebeu que estavam presos.
"O que...? O QUE?" ele começou a gritar desesperado.
A falta de ar estava deixando Elliot vermelho. Sentia que algo esmagava seu peito com força.
"Calma! Elliot, respira." O enfermeiro disse assustado com a reação.
"LIV! Me soltem!" Elliot tentava soltar seus braços. Gritava histericamente, entrando em colapso, desmaiando em seguida.
O enfermeiro saiu correndo atrás do médico que estava no saguão.
"Dr., O paciente 322 acordou e entrou em colapso, por sorte os braços estavam imobilizados na maca..." o enfermeiro começou a falar ofegante por ter corrido.
"Elliot Stabler?" o médico perguntou preocupado.
"Sim..." falou o enfermeiro que começaria uma explicação, mas foi interrompido por George.
"O que você disse? O paciente Elliot Stabler estava com os braços imobilizados?" Huang, que não conseguiu evitar ouvir a conversa, perguntou se aproximando rapidamente.
"S- Sim" o enfermeiro gaguejou assustado com a atitude de George.
"VOCÊS ESTÃO LOUCOS? Como você permitiu que eles imobilizassem um paciente que acabou de passar por um trauma como Elliot? Meu Deus! Isso é muita irresponsabilidade e falta de ética médica." Huang gritou nervoso com a atitude do hospital.
"Ele agiu agressivamente da última vez que acordou. Quase não conseguimos controlar a situação..." o médico respondeu sabendo que a atitude foi errada.
"Não importa! Ele acabou de passar quatro dias em cativeiro, provavelmente algemado, como você espera que ele reaja?! Eu vou entrar com vocês lá, e quero que soltem os braços dele, agora!" Huang disse com a voz firme.
O médico nem argumentou logo o levou até o local onde Elliot estava.
A primeira coisa a fazer foi soltar os braços dele.
Huang ficou ali por quase uma hora, até ele finalmente acordar.
Assim que abriu os olhos instintivamente Elliot mexeu os braços e ao sentir que estavam livres sentiu um alívio inexplicável.
"G-g- geoge" disse com a voz quase inaudível.
"Elliot, fico feliz em vê-lo acordado!" Huang respondeu com um sorriso.
"O- o que aconteceu?" perguntou confuso.
"Você está no hospital. Encontramos você há um dia e desde então você está sob os cuidados desse pessoal." Contou calmamente apontando para o enfermeiro e para o médico.
"E Olivia? Como ela está? Onde ela está? Quero vê-la, por favor!" Elliot perguntou ansioso, tentando levantar da maca, mas a dor foi maior o fazendo ficar deitado.
"Que tal você ficar melhor antes?" o médico disse se intrometendo na conversa.
"Eu não quero saber de mim! Apenas preciso saber como a Liv está!" ele respondeu começando a se alterar.
"Elliot..." Huang começou a falar com a voz baixa, não sabia ao certo como dizer a ele que Olivia havia morrido, mas teria que contar. "Ell... você está aqui, sobreviveu... a Liv... a Liv... não conseguimos resgatá-la a tempo..." George travou, o choro estava preso na garganta.
"Não... nãoo... NÃOOOO! ISSO É MENTIRA! VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE DIZER ISSO! CADÊ OLIVIA?! LIV! EU SEI QUE ELA ESTA VIVA! LIVVV!" as pupilas dilataram, o coração quase saiu pela boca. Elliot estava fora de si. Os gritos ecoavam por todo hospital.
N/A: Capítulo beeeem meio de fic ;)
Desculpem se tiver algum erro de português ;)
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