Hospital
28 de março
12:35 p.m.
"Elliot..." Huang começou a falar com a voz baixa, não sabia ao certo como dizer a ele que Olivia havia morrido, mas teria que contar. "Ell... você está aqui, sobreviveu... a Liv... a Liv... não conseguimos resgatá-la a tempo..." George travou, o choro estava preso na garganta.
"Não... nãoo... NÃOOOO! ISSO É MENTIRA! VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE DIZER ISSO! CADÊ OLIVIA?! LIV! EU SEI QUE ELA ESTA VIVA! LIVVV!" as pupilas dilataram, o coração quase saiu pela boca. Elliot estava fora de si. Os gritos ecoavam por todo hospital.
"Elliot, foi uma grande perda para todos nós... você fez o que pôde para salvá-la tenho certeza! Não se culpe por isso..." Huang mesmo com o choro travado na garganta tentava acalmá-lo, mas foi interrompido por Elliot.
"CALA A BOCA! VOCÊ NÃO TEM IDEIA DO QUE PASSAMOS... EU SEI QUE ELA NÃO MORREU... ISSO NÂO PODE TER ACONTECIDO... NÃO DESSA FORMA!" Ele gritava histericamente. A sensação era que tudo aquilo ainda era um pesadelo. Não conseguia acreditar que sua Liv havia morrido.
Depois de gritar por quase uma hora Elliot desmaiou. Ficou inconsciente por dois dias. Apesar das máquinas mostrarem que o estado de saúde dele era estável, o fato de não acordar era preocupante.
Cragen, Kathy, George, assim como todos da squad e os filhos de Elliot o visitavam diariamente.
Em uma noite em que Cragen estava o acompanhando ele enfim acordou. Estava com muita dor física, mas a dor emocional era mil vezes maior.
O olhar era diferente, a respiração, a expressão... tudo em Elliot estava diferente. Cragen tentou dialogar, mas não conseguiu nada em resposta.
Os médicos tentaram, os filhos, psicólogos, mas nada fazia Elliot falar.
Olhar para o vazio era o que fazia o dia todo.
"Sr. Stabler, por favor, precisamos saber como o senhor está se sentindo. Onde dói, como podemos ajudá-lo... por favor!" esse era o pedido de todos as enfermeiras sempre que entravam para fazer os curativos, mas nunca deu certo.
Durante um mês Elliot ficou mudo. Mesmo com muita dor e necessitando fazer fisioterapia, ele se recusava a cooperar.
Na verdade uma parte de Elliot havia morrido. A melhor parte de sua vida havia sumido e sido enterrada com Olivia.
Depois de tudo que passaram juntos, saber que a última coisa que Olivia recebeu dele foi um ato violento, repugnante... o quebrava por dentro. As sensações de fracasso, de perda estavam acabando com Elliot. Sem Olivia tudo havia perdido a razão de existir.
Ele conseguia ouvir. Ouvia o que os psicólogos diziam, o que os médicos diziam, e apesar de estar com bastante dor e náuseas, não falava. Não tinha motivos para ficar bem. No fundo sentia que merecia sentir tudo aquilo, afinal ele não havia conseguido salvar Olivia.
Assim que recebeu alta médica, foi recuperar-se na casa de Kathy. Na verdade essa foi a condição imposta pelo médico, pois se dependesse de Elliot ele nunca faria nada para melhorar, e talvez conviver com os filhos pudesse ajudá-lo e incentivá-lo a se cuidar.
Hospital - NJ
28 de março
09:30 a.m.
"Detetive, aqui está o kit e tudo que pudemos coletar da vítima. Espero que vocês consigam uma identificação rápida. Precisamos disso, senão não teremos como mantê-la aqui..." o médico informou descontente. Infelizmente por mais que quisessem manter pessoas que precisam como Olivia, não poderiam sem ter alguém que financiasse. Teriam que encontrar outro lugar para ela ser tratada, o que era consideravelmente difícil de acordo com o estado dela.
Olivia foi mantida no hospital durante uma semana por conta do , mas a polícia não conseguia uma identificação, nenhum parente, ninguém procurando por ela, nada. As contas foram ficando altas e Phill não conseguia mais manter.
Depois de muito procurar, conseguiu um hospital próximo dali que era mantido por freiras. Assim que explicou a situação de Olivia, logo a aceitaram lá.
Sensibilizados pela situação e pela gravidade dos ferimentos, manter Olivia bem se tornou missão para todas as freiras e médicos daquele hospital, que por não saberem o nome dela, logo a apelidaram de Sunshine.
Um mês se passou e Olivia ainda continuava inconsciente.
Naquela manhã duas freiras trocaram todos os curativos de Olivia. Conversaram um pouco com ela, mas como sempre não houve nenhuma mudança cardíaca ou expressão facial. O método ali era o mais alternativo e natural possível, apesar de terem aparelhos altamente tecnológicos, acreditavam que o contato com a natureza poderia favorecer a melhora dos pacientes.
O Sol entrava pela janela, um vento leve balançava a cortina branca. Já era 1 hora da tarde. O quarto estava silencioso, o único som era o de pássaros cantando bem distante.
Lentamente Olivia abriu os olhos e por um instante viu apenas um clarão. Piscou algumas vezes na intenção de enxergar, o que foi acontecendo aos poucos.
A primeira coisa que viu foi a janela que dava direto para um jardim cheio de árvores. Um sorriso tentou se formar no rosto de Olivia, mas foi impedido por um curativo.
Na tentativa de entender o que estava acontecendo, ela ergueu levemente o braço direito que estava metade engessado. Viu todos os fios que a ligavam a máquinas e aos poucos foi compreendendo que aquilo era um hospital. Uma sensação inexplicável de alívio e felicidade tomou conta de Olivia.
"Meu Deus, Sunshine você acordou! Irmãs venham até aqui, ela acordou!" uma das freiras ficou histérica ao ver que Olivia estava consciente.
"É um milagre minha filha!" uma freira mais velha disse emocionada.
O quarto se encheu em segundos de mulheres emocionadas e empolgadas. Olivia estava confusa, ouvindo todas aquelas mulheres ali felizes por vê-la.
Logo a sensação de felicidade e o quase sorriso foi dando espaço a uma dor imensurável por todo o corpo.
Era como se enfim o corpo tivesse despertado e tudo o que ela passou caísse de uma vez em cima dela como uma pedra. As lágrimas começaram a cair dos olhos involuntariamente e a falta de ar estava sufocando Olivia.
As freiras correndo chamaram o médico que em um minuto entrou no quarto.
"Olá Sunshine. Eu sei que pode parecer confuso, mas você está em um hospital em Nova Jersey, eu sou Dr. Michael e estou aqui para mantê-la bem. Sei que está sentindo muita dor, mas tente respirar fundo, ouvir seu coração bater... acalme-se." O médico disse com a voz baixa e calma. Não queria que Olivia se exaltasse e desmaiasse novamente.
Dez minutos depois ela enfim conseguiu controlar a respiração e suportar a dor que estava sentindo.
"Por... por... por quê?" ela gaguejou com a voz rouca.
"Vou explicar tudo à você, mas antes preciso saber o seu nome, tudo bem?" o médico perguntou curioso, afinal já fazia mais de um mês que ela estava ali e até então a chamavam de Sunshine.
Olivia concordou com a cabeça, mas repentinamente mudou a expressão.
"Ok. Seu nome, você pode dizer?" o médico insistiu percebendo a mudança.
"Eu... eu... não sei..." ela disse forçando com todas as forças a memória. A cabeça começou a doer, tudo começou a girar e a escuridão voltou.
N/A: Fui muito descritiva na parte da Olivia?!
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