Hospital

04 de abril

00:59 a.m.

Em questão de minutos a ambulância chegou e levou Elliot ao hospital. Os pontos de um dos cortes da cabeça haviam aberto.

Assim que chegou ao hospital Kathy ligou para Cragen que correu para lá junto com Huang.

Depois de um tempo, com a cabeça já enfaixada, Elliot acordou. Por bem George pediu para vê-lo antes de qualquer um, e assim foi feito.

"Elliot você consegue me entender?" Huang perguntou ao entrar no quarto, percebendo que o homem na cama olhava para o vazio como se estivesse hipnotizado.

"Não me trate como idiota Huang." Elliot respondeu sério sem mover a cabeça.

"Ok... Kathy me contou o que aconteceu..." - Huang começou a falar devagar observando as reações de Elliot. - "Você percebe que foi exagerada sua reação? Consegue enxergar o lado dela? Dos seus filhos? Dos que te cercam e gostam de você?" perguntou o forçando a reagir.

"Eu... eu apenas não consigo... não posso ouvir nada relacionado a "ela"... perco o controle, a razão..." Elliot começou a falar sem obter êxito em expressar o que sentia.

"Ela? Olivia você quer dizer?" Huang pressionou.

"Cala a boca!" gritou Elliot alterado.

"Eu sei a carga que deve ser carregar dentro de si tudo o que aconteceu naqueles dias, posso imaginar..." Huang percebeu que estava no caminho certo e continuou a pressionar, mas não conseguiu terminar a frase.

"Inferno! Por que todo mundo resolveu falar essa frase agora?! Kathy não estava lá, Cragen não estava lá, você não estava lá! Então não ajam como se soubessem o que eu sinto ou pelo que Liv e eu passamos... Não sabem! Não imaginam! Ninguém conseguirá chegar perto de imaginar tudo o que aconteceu naquele inferno... tudo o que passamos... tudo o que fomos obrigados a fazer..." Elliot interrompeu George, estourando de raiva.

"Você está certo... realmente não sabemos... por isso precisamos que você nos conte." Disse Huang aproveitando a abertura.

"O que? Depor? Você quer que eu preste depoimento sobre tudo o que aconteceu?" Elliot perguntou indignado.

"Seria importante para o caso, você concorda?" George argumentou.

"Por acaso vocês prenderam alguém? Acharam a Anne? Thomas? Eric? Algum dos filhos da puta que estavam lá?" gritou Elliot nervoso.

"Ainda não... mas não estamos poupando esforços para encontrá-los. O ponto não é esse... se você não quiser depor, tudo bem... mas você sabe que é necessário falar com alguém sobre tudo o que aconteceu Ell... Tirar tudo o que está guardando e suportando sozinho..." George falou com o tom de voz mais calmo.

"Sem essa... nada que eu diga poderá mudar o que aconteceu" Elliot falou virando o rosto segurando o choro.

"Mas poderá mudar o que está por vir... você ainda tem um futuro pela frente Elliot e há duas alternativas: Ou você continua agindo como se nada mais importasse, machucando a si mesmo, aos seus filhos e todos que te cercam e se preocupam; ou você reage, luta contra tudo pelo que teve que passar e retoma a vida que você, ao contrário de Olivia, ainda tem." George falou com a voz firme. Não suportava ver Elliot daquela forma, precisava fazê-lo reagir, lutar.

Durante alguns minutos o silêncio tomou conta do quarto. O olhar de Elliot era vago. As palavras de Huang foram como um soco na boca do estômago.

A realidade doía. Olivia morta... era realmente necessário encarar isso? Um sorriso tímido surgiu em seus lábios ao lembrar-se dela... dos cabelos sempre cheirosos, do olhar determinado e profundo, do sorriso mais lindo do mundo... Foram anos juntos, momentos que Elliot daria tudo para tê-los novamente.

Logo o sorriso deu lugar às lágrimas. Lembrar o inferno que Olivia passou naquele galpão... vê-la sangrando, completamente destruída... a última lembrança, a última imagem que ele teve de sua melhor amiga, da mulher de sua vida foi vê-la inconsciente, encharcada, no colo de seus agressores.

Aos pouco as lágrimas calmas deram lugar a um choro compulsivo, um choro sem amarras, livre, libertador e libertado.

"Ela não morreu! Eu... eu sei disso!" ele disse soluçando.

"Elliot você precisa encarar a realidade. Sem negações..." Huang respondeu firme.

"Eu sinto que ela ainda está viva... é estranho, não sei explicar..." Elliot disse ficando sério, limpando as lágrima, tentando convencer Huang que era algo certo que ele sentia.

"Não existe essa possibilidade Ell... lamento." Falou George sério também contendo as lágrimas. Ainda era muito difícil lembrar a morte de Olivia e ver Elliot naquele estado o abalava da mesma forma.

Hospital - NJ

30 de março

01:35 p.m

"Encontrei. Está em um hospital em Nova Jersey... viva e sem memória alguma." Thomas disse com um sorriso no rosto. Olhava fixamente para Olivia através da janela.

"Sabia que essa vadia ainda estava viva! Gabriel ficará feliz com a notícia... Você precisou subornar alguém pelas informações, houve algum dano colateral?" Anne perguntou excitada.

"Não. A carteira do F.B.I. que vocês arrumaram foi bem convincente." Respondeu Thomas.

"Agora é só retirá-la daí, entregar ao Gabriel e enfim teremos nosso dinheiro de volta!" Anne concluiu animada com a possibilidade de ter sua fortuna novamente e ficar em paz com Gabriel, que havia ficado extremamente indignado com a perda de sua encomenda.

"Não será tão simples... pelo o que entendi, ela... ela está grávida." Thomas disse com ressalvas.

"E? Pouco me importa se está grávida ou não, isso é problema de quem comprá-la... provavelmente obrigará Olivia a abortar." Anne respondeu seca.

"Você sabe meus critérios... principalmente em relação a crianças..." falou Thomas em tom de advertência.

"Como você é ridículo Thom... nem é uma criança ainda, provavelmente é apenas uma semente!" Anne soltou começando ficar nervosa.

"Se não respeitar a gravidez dela eu não movo um dedo e não conto onde ela está..." ele começou a falar nervoso, estava muito alterado - "Depois que a criança nascer a deixamos em um lar de adoção e entregamos Olivia ao Gabriel. Isso ou nada feito Anne!" Thomas disse firme. Por ter perdido dois irmãos pequenos de forma violenta quando criança Thomas não suportava a ideia de alguém matar um bebê ou abortar.

"Você precisa superar isso, mas tudo bem... na verdade o que importa é a transação ser concluída. 8 meses é o prazo, passando disso todos morrem, você, Olivia, o bebê... Agora pra isso dar certo preciso que você entre em cena imediatamente, não podemos deixar espaço para ela recuperar a memória!" falou Anne indignada com tanto sentimentalismo vindo de Thomas, mas como não importava o tempo aceitou os termos.

"Anne existem muitas lacunas, é muito frágil eu entrar disfarçado de parente... não tenho como provar nada, nem sei como fazer isso!" Thomas disse apreensivo.

"As pontas soltas deixe que eu cuido. Você se passará por marido, dará a ela informações erradas... o nome pode deixar o mesmo mas com outro sobrenome... o resto eu arrumo e depois repasso a você! Use seu dom artístico Thom, se vira! Mais tarde nos falamos! Vá!" Anne explicou rápido começando a gostar da ideia, logo desligando o celular.

Os gritos eram altos, a cama já estava pequena para ela quando enfim Olivia acordou ofegante, chorando, perdida em meio às luzes do quarto.

"Sunshine, está tudo bem. Estamos aqui ainda, no hospital. Lembra-se de mim?" Dr. Phill ficou em pé e se aproximou da cama.

"Merda... o que foi isso? Eu.. eu estou pingando de suor!" Olivia disse rouca admirada com seu estado.

"Você teve um pesadelo. Consegue recordar o que sonhou?" perguntou vendo uma oportunidade de começar a ajudá-la a recuperar a memória.

"Eu... eu não sei definir... havia um homem com a feição brava, nervoso com alguma coisa e uma mulher sorridente, eu sentia muita dor, como se algo estivesse me machucando, mas não sei o que, nem quem... apenas sensações. Foi tão rápido... não sei por que estou nesse estado." Olivia contou limpando o suor do rosto com uma toalha. Era difícil segurar algo com o gesso nos dois pulsos, mas na agitação que ela estava esqueceu as dificuldades.

"Você consegue recordar perfeitamente o rosto do homem e da mulher? Seria capaz de descrever para um desenhista?" perguntou esperançoso, afinal, mesmo sendo algo incerto, teria imagem de duas pessoas relacionadas a ela. Agressores ou não a conheceriam.

"Não... só lembro-me dos olhos do homem, o olhar dele era muito marcante. E do sorriso da mulher... era largo como se estivesse se divertindo com algo..." respondeu Olivia frustrada por não lembrar.

"Não desanime, estamos apenas no começo..." Dr. Phill começou a falar, mas ao ver a cara de Olivia parou.

A adrenalina do pesadelo havia passado e a dor voltado. Olivia tentava com todas suas forças não gritar. Respirou fundo por vários minutos, fechou os olhos para ajudar.

"Dor?" Dr. Phill perguntou preocupado.

"Sim... " ela respondeu com a voz travada.

"Quer que eu chame o médico ou as enfermeiras?" ofereceu Dr. Phill desesperado por não poder fazer nada.

"Não. Ele já disse que quanto a isso não poderá fazer nada." Olivia disse seca, com a expressão fechada.

"Desculpe..." falou Dr. Phill percebendo a situação dela.

Ao lembrar-se da gravidez os olhos de Olivia se encheram de água. Devagar encaminhou as mãos ao ventre na esperança de sentir a criança que carregava dentro de si.

Dr. Phill percebeu o que estava acontecendo, mas preferiu não interromper.

As lágrimas antes calmas evoluíram para um choro profundo. Olivia estava sem chão, completamente perdida, sem saber o que sentir.

"Quer falar?" Phill perguntou com a voz calma, dando o espaço necessário a ela.

"F- Falar o que? Eu nem sei ao certo o que sentir ou pensar... apenas tenho medo..." respondeu Olivia entre soluços.

"Medo?" forçou Dr. Phill na intenção de ajudá-la.

"Ao mesmo tempo em que sinto uma felicidade imensa por estar grávida, eu tenho medo de lembrar de tudo... manter a gravidez e futuramente descobrir que o pai dessa criança é quem me estuprou... medo de não conseguir olhar no rosto do meu filho... não sei explicar." Olivia tentou se expressar mas logo voltou a chorar.

Quando Dr. Phill ia começar a falar o quarto foi tomado por pessoas.

Um homem entrou correndo sendo seguido por enfermeiras e seguranças. Assim que viu Olivia parou.

"MEU DEUS! É ela! Liv, meu Deus... você está viva!" Thomas gritou emocionado se aproximando da cama.

"Desculpe eu não consegui contê-lo na entrada." A secretaria se desculpou surpresa com a situação.

Olivia olhou assustada para o homem chorando em sua frente.

"Meu amor, como você está? Meu Deus... eu... eu não consigo acreditar!" Thomas com as mãos trêmulas se aproximou do rosto de Olivia.

"Não chegue perto! Quem é o senhor?" nervoso Dr. Phill afastou Thomas de Olivia.

"Sou marido dela!" Thomas respondeu emocionado, ignorando a grosseria do médico.

Olivia estava assustada. Se já estava confusa e perdida minutos antes, agora então não sabia nem o que fazer, pensar... não conseguia nem respirar.


N/A: Eu preciso saber o que estão achando da fic, pode ser?!

Gostou, odiou, não achou nada... Deixe uma REVIEW!