Hospital - NJ
01 de abril
10:30 a.m.
"Você também me surpreendeu ao mostrar que não é apenas um corpo gostoso... Até breve querido." Anne se despediu rapidamente. Tinha muitas coisas a resolver ainda.
"Quem é Anne?" Olivia perguntou ainda sonolenta.
Thomas congelou com a pergunta. Ainda surpreso olhou para Olivia e deu um leve sorriso.
"A- Anne é minha secretária... eu havia ligado para pedir que ela contratasse alguém para limpar nosso apartamento, mas para minha surpresa ela já tinha feito isso..." Thomas vacilou um pouco, mas conseguiu uma resposta razoável.
"Você acha que logo terei alta?" Olivia perguntou sentindo um arrepio, não sabia ao certo o porquê, mas estava com medo de sair do hospital.
"Espero que sim amor, nada como nosso próprio lar para ficarmos bem, certo? E outra, em casa as chances de você recuperar a memória é maior. Mas não vamos nos precipitar, tudo em seu tempo. Apenas quero você bem, logo!" falou Thomas se aproximando de Olivia e acariciando seu rosto.
Squad Room
05 de Abril
08:00 a.m.
"Ok. Encare isso como cortesia pelos anos trabalhados aqui na squad. Preciso desses arquivos em dois dias." Cragen disse sério, percebendo a fixação de Elliot por isso.
"Dois dias é mais que suficiente." Elliot disse agradecido. O que mais importava naquele momento era ter total ciência do caso e enfim ver que Olivia está realmente morta.
Assim que Elliot saiu, correu para casa, entrou sem nem falar com Kathy, se trancou no quarto e começou a ler os arquivos. A cada linha dos relatórios Elliot sentia uma pontada no peito, como se tudo fosse levá-lo a um final realmente trágico.
Enquanto os fatos apenas mostravam a dura realidade do caso, Elliot tinha uma forte sensação de que Olivia ainda poderia estar viva.
Ele ficou ali trancado no quarto por mais de 24 horas sem comer nada, apenas bebendo café. Não conversava com ninguém, ignorava as batidas insistentes de Kathy na porta, estava completamente focado no que estava lendo e analisando.
Depois de horas lendo sem cessar, finalmente havia chego à parte mais difícil, as fotos do local do cativeiro e o relatório da Melinda.
Sentiu a adrenalina disparar, o coração estava na boca, olhar as fotos do galpão onde ele e Olivia ficaram presos o fazia sentir vontade de quebrar tudo, vomitar, gritar... segurou seus instintos com todas as forças e continuou analisando cada sinal, cada pista, precisava de concentração, por Olivia.
Por fim o relatório da Dra. Warner. Elliot respirou fundo e começou a ler a primeira de cinco longas páginas.
Conforme lia suas mãos começavam a suar, no fim mal conseguia segurar as folhas de tanto tremer. Não conseguia acreditar no que estava escrito, todas as especificações, todas as análises que Melinda fez levavam a crer que o corpo encontrado era realmente de Olivia.
Liv havia realmente morrido.
Preocupado com o estado de Elliot, Huang foi visitá-lo. Assim que entrou e cumprimentou Kathy ouviu um estrondo vindo do andar de cima.
Os dois subiram correndo. Ao entrarem no quarto se depararam com um Elliot descontrolado.
O quarto estava completamente revirado. Tudo no chão.
"Ell!" Kathy disse correndo para perto dele.
"Kathy não!" Huang gritou a impedindo de se aproximar. No estado que ele estava era capaz de machucá-la.
"Elliot, olhe para mim... tente respirar!" Huang falou com a voz controlada tentando chamar a atenção dele.
"Saiam daqui!" Elliot gritou começando a socar a parede. Nada mais importava, as costelas quebradas, toda a dor física que ainda sentia, ler que a mulher da sua vida estava morta era pior, muito pior.
"Eu não vou sair daqui Ell... você não está sozinho nessa!" falou Huang se aproximando lentamente.
Elliot ignorou e continuou com seu ataque de raiva.
Huang fez um sinal para Kathy sair do quarto e assim que ela o fez ele trancou a porta e ficou ali com Elliot.
Esperou por 30 minutos, sabia que ele precisava liberar toda a raiva que estava sentindo.
"Exaustão." Huang disse ao vê-lo parar. Correu para tentar segurá-lo. E para sua surpresa Elliot desabou a chorar.
Não era um choro silencioso, ou vergonhoso... era um choro profundo, de dor, de desespero, um choro que George nunca havia visto em Elliot.
Hospital - NJ
23 de Maio
07:50 a.m.
Durante três semanas Olivia ficou sob os cuidados do hospital, tratando dos ferimentos abertos, da gestação frágil e de possíveis mudanças no quadro geral. Apesar de ainda estar muito machucada, enfim o médico concordou em dar alta, já que o marido a acompanhou durante todos esses dias.
"Bom dia Olivia! E... Thomas..." Dr. Phill entrou junto com o médico. Phill por mais que tenha se esforçado todas essas semanas ainda não gostava de Thomas. Parecia que Olivia tinha um bloqueio em relação ao 'casamento'. Não demonstrou nenhum avanço na memória durante todos esses dias.
"Bom dia!" Thomas respondeu sorridente, estava aliviado por saber que enfim levaria Olivia dali. O trabalho ficaria muito mais fácil tendo ela em 'cárcere privado'.
"Como minha paciente preferida está se sentindo hoje?" o médico perguntou tentando arrancar um sorriso dela.
"Tentando doutor, tentando!" Olivia respondeu com um leve sorriso. Gostava de estar ali, se sentia incrivelmente segura perto do Dr. Phill, talvez por saber que foi ele que a resgatou e a salvou.
"Bom, hoje é o dia em que finalmente você irá para casa. Sei que você está com um pouco de medo por conta de todas as limitações físicas, mas tenho certeza que Thomas a ajudará, certo?" o médico falou com o tom profissional, em seguida olhando para o marido.
"Com certeza, farei de tudo para que ela se recupere logo e nosso filho nasça saudável." respondeu Thomas dando um beijo na testa de Olivia.
"Antes de liberar vocês tenho algumas precauções e cuidados que tenho que informar para vocês dois." O médico começou a falar sendo logo interrompido.
"Lá vem ele!" Olivia disse com uma cara engraçada. Por mais que soubesse que era para seu próprio bem, estava farta de tanto cuidado.
"Você sabe que é para o seu bem! Então vamos lá... se a evolução da situação dos seus pulsos continuar no ritmo que estão, acredito que semana que vem já poderemos tirar o gesso deles. Em relação aos cortes ainda com pontos é necessário um certo cuidado, mantendo-os sempre com curativos limpos e usando as pomadas corretamente. Eu sugiro que a senhora use apenas vestidos e camisolas, sem calcinha de preferência... sei que pode parecer incômodo, mas é melhor para a cicatrização. A lista de remédio está aqui. Preciso que você retorne uma vez por semana para acompanharmos de perto a gravidez e a evolução dos ferimentos. Ah, e semana que vem começaremos a fisioterapia na perna! Bom, qualquer dúvida me ligue, qualquer hora, estarei sempre disponível. Foi um prazer conhecê-la Olivia! Que Deus a acompanhe." O médico explicou com calma, logo entregando a receita dos remédios e se despedindo de Olivia e Thomas.
"Obrigada doutor, por tudo!" Olivia agradeceu com um sorriso sincero.
"Olivia, não vou me alongar na despedida afinal nos veremos bastante, vamos continuar com as sessões. Se cuida e qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me ligue." - Dr. Phill se despediu entregando seu cartão a Olivia - "E você Thomas, cuide bem dela!" falou sério encarando o homem a sua frente, em seguida saindo do quarto.
"Então... vamos!" Thomas disse feliz, oferecendo ajuda para Olivia levantar.
Ela recusou e com dificuldade sentou na cama sozinha.
Foi aproximadamente quarenta minutos até chegarem enfim no apartamento onde passariam os próximos meses.
Olivia observava atentamente o caminho, analisou cada detalhe do prédio, tinha esperanças de lembrar-se de algo, mas nada vinha a sua memória.
Ao entrar no apartamento tanto Olivia quanto Thomas ficaram surpresos com o tamanho e a beleza do lugar.
Havia alguns porta retratos com fotos dos dois. Flores na mesa. Um ambiente familiar. Até Thomas estava quase convencido que era realmente casado com Olivia e que os dois moravam ali.
"Fique aqui sentada, vou dar uma olhada no quarto e ver se está tudo no lugar." Thomas disse levando Olivia para o sofá, mas ela parou de andar no meio do caminho.
"Não... na verdade eu preciso tomar banho... um banho de verdade sabe?" disse Olivia. Há muito tempo que ela não tomava uma banho decente, desde que fora sequestrada.
"O-Ok... vamos." Thomas respondeu inseguro, não sabia ao certo onde era o quarto nem o banheiro, mas ariscou e entrou com Olivia na primeira porta que encontrou e por sorte era o quarto deles.
"Estranho... não lembro de nada, não vem nenhum flash de memória olhando nosso apartamento, nosso quarto..." Olivia disse estranhando toda a situação e com um certo medo.
"Você vai lembrar Liv, tenho certeza! Agora vamos, vou te ajudar." Thomas disse levando Olivia ao banheiro.
"Não precisa me ajudar, quero ficar sozinha, por favor." Olivia falou séria ao entrar no banheiro. Apesar de estar muito machucada, com os pulsos engessados e mancando, Olivia não queria que Thomas a visse nua, não confiava nele ainda, mesmo sabendo que era seu marido não se sentia a vontade com tal situação.
"Tudo bem, qualquer coisa me chama, estarei aqui do lado." Ele disse terminando de colocar a proteção nos gessos de Olivia, logo se retirando dali.
Olivia se encarou no espelho por minutos, a sensação de se olhar e não reconhecer era pior do que qualquer dor que ela sentia. Com dificuldade tirou a camisola, abriu o chuveiro e entrou embaixo da água.
Apesar de todas as dores e dificuldades, tomar banho sozinha, independente, sem ninguém a ajudando ou vigiando era uma sensação boa. Demorou mais de uma hora embaixo da água.
Já enxuta pegou o vestido que Thomas havia separado, tentou colocar por vários minutos, mas não conseguia fazer o movimento certo com os braços, já estava estressada quando resolveu ceder e chamar Thomas.
"Você cham..." Thomas correu para o quarto, mas ao entrar e ver Olivia de costas, nua parou. Ver todos aqueles hematomas, cortes... saber que foi um dos responsáveis, aquilo o excitava. Mordeu a própria mão pra evitar um gemido que surgiu involuntariamente.
"Fique ai mesmo, não quero que me veja... n- não por enquanto... só preciso que segure o vestido para eu colocar os braços... por favor..." Olivia relutou, foi difícil pediu ajuda, estava corada de vergonha.
"Tudo bem." Thomas se limitou a falar isso. Foi até melhor assim, não teria explicação se Olivia olhasse para ele e visse o nível de excitação.
Casa de Elliot
07 de abril
08:55 a.m.
Depois daquela noite em que Elliot se descontrolou, depois de chorar por horas e conversar um pouco com Huang, ele havia finalmente decidido... precisava partir. Sem data para voltar, sem destino, apenas partir... essa era a única forma de tentar amenizar a dor que sentia.
Huang, Kathy, Maureen, Cragen, o médico e todos os amigos próximos a Elliot tentaram convencê-lo a ficar, mas ele estava decidido.
Prometeu contar tudo e prestar depoimento do caso quando retornasse ou caso conseguissem capturar Anne.
Ainda não havia se recuperado fisicamente, sentia muitas dores, as costelas quebradas incomodavam, mesmo assim, juntou um punhado de roupas em uma mochila, pegou o celular novo, documentos, entrou no carro e partiu.
Já estava dirigindo há algumas horas, a música calma no carro já estava incomodando, ao avistar uma lanchonete não hesitou em parar.
Pediu um prato qualquer, enquanto aguardava decidiu beber uma cerveja. Sentou em uma mesa virada para a janela, desde que fora resgatado, Elliot gostava de olhar para janelas, saber que não está preso, enxergar o mundo e saber que é livre para sair e fazer o que bem entender. No fundo apenas o barulho do noticiário local em uma pequena TV no balcão.
TV ["A mulher resgatada mês passado na NJ-95 enfim ganhou uma identidade, Olivia Thompson. O caso ainda não..."]
Ao ouvir o nome 'Olivia' no noticiário Elliot congelou. A pressão caiu, ainda pálido virou rapidamente para a TV na esperança de haver alguma foto, ou saber mais sobre o caso, mas infelizmente o noticiário já estava mostrando a previsão do tempo.
N/A: Que saudade de postarrrr! Prometo postar mais rápido os próximos! Obrigada a todos que deixaram suas opiniões, é muito, muito importante saber que estão gostando! :D
Enfim, REVIEWS!
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