Apartamento Olivia e Thomas
23 de maio
12:30 p.m.
Já enxuta pegou o vestido que Thomas havia separado, tentou colocar por vários minutos, mas não conseguia fazer o movimento certo com os braços, já estava estressada quando resolveu ceder e chamar Thomas.
"Você cham..." Thomas correu para o quarto, mas ao entrar e ver Olivia de costas, nua, parou. Ver todos aqueles hematomas, cortes... saber que foi um dos responsáveis, aquilo o excitava. Mordeu a própria mão pra evitar um gemido que surgiu involuntariamente.
"Fique ai mesmo, não quero que me veja... n- não por enquanto... só preciso que segure o vestido para eu colocar os braços... por favor..." Olivia relutou, foi difícil pediu ajuda, estava corada de vergonha.
"Tudo bem." Thomas se limitou a falar isso. Foi até melhor assim, não teria explicação se Olivia olhasse para ele e visse o nível de excitação.
Thomas continuou encarando as costas de Olivia por alguns segundos. Estava paralisado. Mil coisas insanas passavam em sua cabeça. A vontade de atacá-la estava aumentando a cada instante. Sem perceber já estava com as mãos na fivela do cinto.
"Thom...? Está tudo bem?" Olivia perguntou estranhando o silêncio. Como não queria encará-lo, pois estava com muita vergonha, preferiu não virar para ver o que acontecia.
Ao ouvir a voz de Olivia ele se assustou. Precisava reagir rápido. Em um gesto repentino subiu na cama por trás de Olivia, colocou as mãos no ombro dela e aproximou o rosto.
Casa de Elliot
07 de abril
11:05 a.m.
TV ["A mulher resgatada mês passado na NJ-95 enfim ganhou uma identidade, Olivia Thompson..."]
Ao ouvir o nome 'Olivia' no noticiário Elliot congelou. A pressão caiu, ainda pálido virou rapidamente para a TV na esperança de haver alguma foto, ou saber mais sobre o caso, mas infelizmente o noticiário já estava mostrando a previsão do tempo.
Elliot ficou em pé, algo gritava em sua cabeça o nome OLIVIA. A respiração estava ofegante, tudo começou a girar, fazendo-o sentar novamente.
Até que ponto ele ficaria nessa negação? Olivia havia morrido e ele tinha que encarar os fatos de frente. Não podia ficar assim cada vez que ouvia esse nome. Não podia ir atrás de todas as Olivias do mundo. Mesmo seu coração gritando para ele perguntar à atendente sobre essa tal Olivia Thompson, preferiu ouvir a razão e sair dali.
Dirigiu por horas e horas até finalmente parar de ouvir a voz daquela mulher do noticiário falando o maldito nome em sua cabeça.
Já era 23 horas quando decidiu parar em um motel na beira da estrada.
"Senhor, está tudo bem? O que aconteceu?" o atendente perguntou assustado com o tanto de sangue na blusa do homem a sua frente.
Elliot não havia entendido até olhar para sua barriga, provavelmente havia aberto algum dos pontos que tinha ali.
"Está tudo bem. Só preciso de uma cama para dormir, o senhor pode me dar a chave de um quarto?" Elliot disse sério tentando evitar o assunto.
"Se eu fosse o senhor procurava um hospital!" O moço disse preocupado entregando as chaves à Elliot.
"Mas o senhor não é... boa noite." Elliot respondeu grosso virando as costas e seguindo o caminho.
Ao entrar no quarto e tirar a blusa percebeu que não foi apenas um ponto que abriu e sim seis deles. Ligou o chuveiro na água fria e foi tomar um banho.
Ao estancar o sangue e lavar toda a sujeira Elliot fez um curativo grosso e deitou.
Novamente Olivia povoou seus pensamentos. Não seria fácil superar tudo o que aconteceu e ele sabia disso.
Ao olhar para o lado viu um jornal em cima da mesinha. Lembrou imediatamente de Olivia Thompson.
"Apenas curiosidade. Não é nada. Apenas curiosidade." Elliot disse para si tentando convencer-se disso.
Pegou o jornal e começou a folhear. Não foi difícil achar a notícia, afinal no interior quando acontece um caso desses a notícia logo toma conta de todos os jornais.
Ao ler o nome do marido de Olivia Thompson, Elliot sentiu uma pontada no peito. Thomas... isso soava estranho. Olivia e Thomas que união mais infeliz de nomes pensou ele nervoso por ter lido a notícia.
Apartamento Olivia e Thomas
23 de maio
12:45 p.m.
"Eu te amo Liv!" Thomas disse nos ouvidos dela. Estava com a voz travada. As mãos involuntariamente seguravam com força os ombros de Olivia. Ao perceber que a machucaria soltou rapidamente.
O coração de Olivia estava na boca tamanho o susto que levou.
"Thom! Eu... eu não esperava por isso. V- você me assustou!" ela disse se cobrindo automaticamente com a toalha.
"Desculpe amor, eu não resisti." Ele falou finalmente se controlando, pegando em seguida o vestido e a ajudando a vesti-lo.
"Obrigada." Ela respondeu sem graça, levantando devagar.
"Enquanto você tomava banho eu fui até a cozinha com o intuito de fazer algo para comermos, mas não havia nada. Vou ter que ir ao supermercado. Tudo bem você ficar um tempinho aqui sozinha?" Thomas perguntou com a feição preocupada. Na verdade precisava sair de perto dela, não queria perder tudo que havia conquistado por um instinto momentâneo.
"Não sou mais criança, claro que está tudo bem. Vou assistir algo na TV." Ela respondeu já andando em direção a sala.
"Não faça esforço Liv, você está esperando nosso filho e precisa repousar muito ainda." - Ele disse a segurando. Havia percebido a dificuldade que ela tinha para andar e resolveu ajudar. - "Até daqui a pouco amor." Ele completou ao deixá-la no sofá, em seguida saindo do apartamento.
Ainda no elevador Thomas ligou para Anne.
"Parabéns, você conseguiu se controlar!" Anne falou ao atender ao telefone.
"O que? Como?..." ele começou a questionar indignado, mas foi logo interrompido.
"Hey... shhh... eu vi tudo. Precisei mudar de cidade e adivinha? Estou morando no prédio ao lado do seu e digamos que a vista é bastante interessante." Anne disse empolgada.
"Eu não acredito... você..." Thomas ficou sem reação. Anne sempre tinha o controle de tudo e isso era perturbador.
"Alguém precisava garantir a integridade física da mercadoria... e como bônus ainda posso me deliciar com todo o sofrimento dela, que pelo visto sente bastante dor ainda.. vocês realmente pegaram pesado com Olivia, Thom!" Anne disse com o tom provocante.
"Realmente foi difícil me controlar e resistir a Olivia ali, sem roupa... sinceramente não sei até quando vou aguentar." Ele disse com um sorriso safado, mas por dentro estava desesperado em pensar que teria que dormir ao lado de Olivia todas as noites.
"A ideia foi sua e saiba que depois que ela cicatrizar não quero saber de mais nenhuma marca no corpo dela! Entendido?" Anne o advertiu com a voz grossa.
"Preciso inventar algum emprego, algo que me tire do apartamento por pelo menos metade do dia." Ele disse esperando que Anne tivesse alguma ideia.
"Você pode vir para cá durante o dia e quem sabe eu aceite me divertir um pouco..." Anne disse com uma risada maliciosa.
"Que tal agora?" Thomas disse saindo do seu prédio indo em direção ao dela.
Olivia já estava cansada de assistir TV, precisava muito beber água. Levou uns minutos até chegar a cozinha, não conseguia andar rápido.
Depois de matar a sede ficou curiosa e resolveu abrir os armários. Ao perceber que a dispensa estava cheia de comida Olivia congelou. Thomas havia mentido.
Não sabia ao certo o que pensar, como reagir a isso. Por que Thomas mentiria algo tão bobo? Por que seu marido faria isso?
Voltou ao sofá, precisava sentar. Ficou cogitando hipóteses por horas, quando enfim Thomas voltou para casa.
"Voltei amor, tudo bem?" Thomas disse sorridente colocando as compras em cima do balcão, em seguida se aproximando de Olivia para um beijo.
Ao chegar perto do rosto dela Olivia esquivou. Thomas não entendeu e fechou a cara.
"O que aconteceu?" perguntou sério. Não gostava de ser contrariado assim, ainda mais com a expressão rude de Olivia.
N/A: Estão gostando da fic?! Reviews! ;*
